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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Psicologia Escolar e Educacional: história, compromissos e perspectivas]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>HISTÓRIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4">Psicologia Escolar e Educacional: hist&oacute;ria, compromissos e perspectivas</font></b></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Mitsuko Aparecida    Makino Antunes<sup><a name="*"></a><a href="#*b">*</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pontifícia Universidade Católica de São Paulo</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Abordar a hist&oacute;ria, os compromissos e as perspectivas da Psicologia Escolar    e Educacional significa tratar de tr&ecirc;s dimens&otilde;es fundamentais de    seu estatuto como &aacute;rea de conhecimento articulada a um campo de pr&aacute;tica    social. A natureza dessa rela&ccedil;&atilde;o se expressa, pelo menos, em duas    dimens&otilde;es: a psicologia educacional como um dos fundamentos cient&iacute;ficos    da educa&ccedil;&atilde;o e da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica e a psicologia    escolar como modalidade de atua&ccedil;&atilde;o profissional que tem no processo    de escolariza&ccedil;&atilde;o seu campo de a&ccedil;&atilde;o, com foco na    escola e nas rela&ccedil;&otilde;es que a&iacute; se estabelecem. Dada a complexidade    e a multiplicidade dessas quest&otilde;es, seu estudo comporta um amplo espectro    de focos poss&iacute;veis, tornando necess&aacute;ria uma delimita&ccedil;&atilde;o    que implica a op&ccedil;&atilde;o por alguns caminhos em detrimento de outros,    que podem ser abordados em outras oportunidades.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Numa perspectiva mais ampla, poder-se-ia tratar a Psicologia Escolar e Educacional    por algumas de suas articula&ccedil;&otilde;es mais antigas. A Gr&eacute;cia    Antiga, entre outras civiliza&ccedil;&otilde;es, constitui-se numa rica fonte    de estudos, por sintetizar, em sua produ&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica,    a teoria do conhecimento, as id&eacute;ias psicol&oacute;gicas e as propostas    sistem&aacute;ticas de educa&ccedil;&atilde;o da juventude e sua correspondente    a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica. &Eacute; poss&iacute;vel, nessa perspectiva,    estudar Prot&aacute;goras e os sofistas, Pit&aacute;goras e a escola pitag&oacute;rica,    S&oacute;crates e a mai&ecirc;utica, Plat&atilde;o e a Academia, Arist&oacute;teles    e o Liceu, entre muitos outros. Por esse mesmo foco &eacute; poss&iacute;vel    estudar o pensamento medieval, em que filosofia/teologia, educa&ccedil;&atilde;o/pedagogia    e id&eacute;ias psicol&oacute;gicas permaneceram intimamente articuladas. A    modernidade trar&aacute; uma complexidade que amplia muito o espectro de an&aacute;lise    dessas rela&ccedil;&otilde;es, proporcionando um campo quase incomensur&aacute;vel    de estudos, que estende para a contemporaneidade suas determina&ccedil;&otilde;es    e nela se faz presente. Em &uacute;ltima an&aacute;lise, pode-se afirmar que    a rela&ccedil;&atilde;o entre psicologia e educa&ccedil;&atilde;o, sobretudo    em suas media&ccedil;&otilde;es com as teorias de conhecimento, &eacute; algo    que acompanha a pr&oacute;pria hist&oacute;ria do pensamento humano e constitui-se    como complexo e extenso campo de estudo. Esta n&atilde;o &eacute; a perspectiva    que ser&aacute; aqui tratada, mas reiter&aacute;-la &eacute; necess&aacute;rio    para indicar a complexidade e a totalidade da qual faz parte o foco sob o qual    a Psicologia Escolar e Educacional ser&aacute; abordada neste texto, qual seja,    a Psicologia Escolar e Educacional no Brasil.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente texto comp&otilde;e-se de uma discuss&atilde;o inicial sobre alguns    pressupostos do estatuto da Psicologia Escolar e Educacional, uma breve hist&oacute;ria    das rela&ccedil;&otilde;es entre psicologia e educa&ccedil;&atilde;o no Brasil    e um ensaio sobre os compromissos e as perspectivas colocadas para a constru&ccedil;&atilde;o    de uma Psicologia Escolar e Educacional comprometida socialmente com os interesses    da maioria da popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Estatuto da    Psicologia Escolar e Educacional: alguns pressupostos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa discuss&atilde;o exige, antes de mais nada, a explicita&ccedil;&atilde;o    de alguns conceitos presentes nos termos da express&atilde;o Psicologia Escolar    e Educacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entendemos educa&ccedil;&atilde;o como pr&aacute;tica social humanizadora, intencional,    cuja finalidade &eacute; transmitir a cultura constru&iacute;da historicamente    pela humanidade. O homem n&atilde;o nasce humanizado, mas torna-se humano por    seu pertencimento ao mundo hist&oacute;rico-social e pela incorpora&ccedil;&atilde;o    desse mundo em si mesmo, processo este para o qual concorre a educa&ccedil;&atilde;o.    A historicidade e a sociabilidade s&atilde;o constitutivas do ser humano; a    educa&ccedil;&atilde;o &eacute;, nesse processo, determinada e determinante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A escola pode ser considerada como uma institui&ccedil;&atilde;o gerada pelas    necessidades produzidas por sociedades que, por sua complexidade crescente,    demandavam forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica de seus membros. A escola    adotou ao longo da hist&oacute;ria diversas formas, em fun&ccedil;&atilde;o    das necessidades a que teria que responder, tendo sido, em geral, destinada    a uma parcela privilegiada da popula&ccedil;&atilde;o, a quem caberia desempenhar    fun&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, articuladas aos interesses dominantes    de uma dada sociedade. Essa realidade deve ser, no entanto, compreendida tamb&eacute;m    a partir de suas contradi&ccedil;&otilde;es, sobretudo a concep&ccedil;&atilde;o    de escola como inst&acirc;ncia que se coloca hoje como uma das condi&ccedil;&otilde;es    fundamentais para a democratiza&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento da plena    cidadania a todos, e que, embora n&atilde;o seja o &uacute;nico, &eacute; certamente    um dos fatores necess&aacute;rios e contingentes para a constru&ccedil;&atilde;o    de uma sociedade igualit&aacute;ria e justa. Sob essa perspectiva, a escola,    tal como n&oacute;s a concebemos, tem como finalidade promover a universaliza&ccedil;&atilde;o    do acesso aos bens culturais produzidos pela humanidade, criando condi&ccedil;&otilde;es    para a aprendizagem e para o desenvolvimento de todos os membros da sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pedagogia pode ser entendida como fundamenta&ccedil;&atilde;o, sistematiza&ccedil;&atilde;o    e organiza&ccedil;&atilde;o da pr&aacute;tica educativa. A preocupa&ccedil;&atilde;o    pedag&oacute;gica atravessa a hist&oacute;ria, sustentando-se em diferentes    concep&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas, constituindo-se sob diversas bases    te&oacute;ricas e estabelecendo v&aacute;rias proposi&ccedil;&otilde;es para    a a&ccedil;&atilde;o educativa. Com o desenvolvimento das ci&ecirc;ncias a partir    da modernidade, o conhecimento cient&iacute;fico tornou-se sua principal base    de sustenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicologia Educacional<sup><a name="1"></a><a href="#1b">1</a></sup>    pode ser considerada como uma sub-&aacute;rea da psicologia, o que pressup&otilde;e    esta &uacute;ltima como &aacute;rea de conhecimento. Entende-se &aacute;rea    de conhecimento como <i>corpus</i> sistem&aacute;tico e organizado de saberes    produzidos de acordo com procedimentos definidos, referentes a determinados    fen&ocirc;menos ou conjunto de fen&ocirc;menos constituintes da realidade, fundamentado    em concep&ccedil;&otilde;es ontol&oacute;gicas, epistemol&oacute;gicas, metodol&oacute;gicas    e &eacute;ticas determinadas. Faz-se necess&aacute;rio, por&eacute;m, considerar    a diversidade de concep&ccedil;&otilde;es, abordagens e sistemas te&oacute;ricos    que comp&otilde;em o conhecimento, particularmente no &acirc;mbito das ci&ecirc;ncias    humanas, das quais a psicologia faz parte. Assim, a psicologia da educa&ccedil;&atilde;o    pode ser entendida como sub-&aacute;rea de conhecimento, que tem como voca&ccedil;&atilde;o    a produ&ccedil;&atilde;o de saberes relativos ao fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico    constituinte do processo educativo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicologia Escolar, diferentemente, define-se pelo &acirc;mbito profissional    e refere-se a um campo de a&ccedil;&atilde;o determinado, isto &eacute;, o processo    de escolariza&ccedil;&atilde;o, tendo por objeto a escola e as rela&ccedil;&otilde;es    que a&iacute; se estabelecem; fundamenta sua atua&ccedil;&atilde;o nos conhecimentos    produzidos pela psicologia da educa&ccedil;&atilde;o, por outras sub-&aacute;reas    da psicologia e por outras &aacute;reas de conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Deve-se, pois,    sublinhar que psicologia educacional e psicologia escolar s&atilde;o intrinsecamente    relacionadas, mas n&atilde;o s&atilde;o id&ecirc;nticas, nem podem reduzir-se    uma &agrave; outra, guardando cada qual sua autonomia relativa. A primeira &eacute;    uma <i>&aacute;rea de conhecimento</i> (ou sub-&aacute;rea) e, grosso modo,    tem por finalidade produzir saberes sobre o fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico    no processo educativo. A outra constitui-se como <i>campo de atua&ccedil;&atilde;o    profissional</i>, realizando interven&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o escolar    ou a ele relacionado, tendo como foco o fen&ocirc;meno psicol&oacute;gico, fundamentada    em saberes produzidos, n&atilde;o s&oacute;, mas principalmente, pela sub-&aacute;rea    da psicologia, a psicologia da educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rela&ccedil;&otilde;es    entre Psicologia e Educa&ccedil;&atilde;o no Brasil: uma breve hist&oacute;ria</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A hist&oacute;ria da Psicologia Escolar e Educacional no Brasil pode ser identificada    desde os tempos coloniais, quando preocupa&ccedil;&otilde;es com a educa&ccedil;&atilde;o    e a pedagogia traziam em seu bojo elabora&ccedil;&otilde;es sobre o fen&ocirc;meno    psicol&oacute;gico. Massimi (1986; 1990), ao estudar obras produzidas no per&iacute;odo    colonial, no &acirc;mbito da filosofia, moral, educa&ccedil;&atilde;o e medicina,    entre outras, identifica temas como: aprendizagem, desenvolvimento, fun&ccedil;&atilde;o    da fam&iacute;lia, motiva&ccedil;&atilde;o, papel dos jogos, controle e manipula&ccedil;&atilde;o    do comportamento, forma&ccedil;&atilde;o da personalidade, educa&ccedil;&atilde;o    dos ind&iacute;genas e da mulher, entre outros temas que, mais tarde, tornaram-se    objetos de estudo ou campos de a&ccedil;&atilde;o da psicologia. &Eacute; importante    destacar que a maioria desses escritos estava comprometida com os interesses    metropolitanos e expressava as mazelas de sua domina&ccedil;&atilde;o na col&ocirc;nia.    Entretanto, h&aacute; contradi&ccedil;&otilde;es, sendo que algumas dessas obras    assumiram posi&ccedil;&otilde;es que se opunham aos ideais da metr&oacute;pole,    como a defesa da educa&ccedil;&atilde;o feminina, entre outras. Al&eacute;m    disso, v&aacute;rias obras n&atilde;o apenas trataram de temas que viriam a    ser pr&oacute;prios da psicologia, mas os trataram de maneira bastante original,    antecipando formula&ccedil;&otilde;es que viriam a ser incorporadas pela psicologia    do s&eacute;culo XX.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No s&eacute;culo XIX, id&eacute;ias psicol&oacute;gicas articuladas &agrave;    educa&ccedil;&atilde;o foram tamb&eacute;m produzidas no interior de outras    &aacute;reas de conhecimento, embora de maneira mais institucionalizada. No    campo da pedagogia, escolas normais (criadas a partir da d&eacute;cada de 1830)    foram espa&ccedil;os de discuss&atilde;o, ainda que incipientes e pouco sistem&aacute;ticos,    sobre a crian&ccedil;a e seu processo educativo, incluindo temas como aprendizagem,    desenvolvimento, ensino e outros. Em meados do s&eacute;culo, essa preocupa&ccedil;&atilde;o    torna-se mais sistem&aacute;tica e freq&uuml;ente e, nos anos finais desse mesmo    s&eacute;culo, &eacute; poss&iacute;vel perceber a incorpora&ccedil;&atilde;o    de conte&uacute;dos que mais tarde viriam a ser considerados como objetos pr&oacute;prios    da psicologia educacional, com particular interesse por temas anteriormente    estudados, como aprendizagem e desenvolvimento, mas tamb&eacute;m por outros    que j&aacute; seriam considerados express&otilde;es da psicologia do s&eacute;culo    XX, como a intelig&ecirc;ncia, por exemplo. Deve-se destacar, no &acirc;mbito    oficial, a Reforma Benjamin Constant, de 1890, que transformou a disciplina    filosofia em psicologia e l&oacute;gica, que, por desdobramento, gerou mais    tarde a disciplina pedagogia e psicologia para o ensino normal. Data dessa &eacute;poca    a introdu&ccedil;&atilde;o, ainda que assistem&aacute;tica e pontual, do ide&aacute;rio    escolanovista, que s&oacute; mais tarde viria a se tornar hegem&ocirc;nico no    pensamento pedag&oacute;gico e teria na psicologia seu principal fundamento    cientifico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os anos finais do s&eacute;culo XIX e os primeiros anos do s&eacute;culo seguinte    trazem mudan&ccedil;as profundas na sociedade brasileira: fortalecimento do    pensamento liberal; busca da "modernidade"; luta contra a hegemonia    do modelo agr&aacute;rio-exportador, em dire&ccedil;&atilde;o ao processo de    industrializa&ccedil;&atilde;o. Essas novas id&eacute;ias traziam em seu bojo    um novo projeto de sociedade, que exigia uma transforma&ccedil;&atilde;o radical    da estrutura e da superestrutura social, para o qual seria necess&aacute;rio    um novo homem, cabendo &agrave; educa&ccedil;&atilde;o responsabilizar-se por    sua forma&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto, o debate sobre a educa&ccedil;&atilde;o tomou vulto, com a defesa    da difus&atilde;o da escolaridade para a massa da popula&ccedil;&atilde;o e    uma maior sistematiza&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias pedag&oacute;gicas,    com crescente influ&ecirc;ncia dos princ&iacute;pios da Escola Nova. Assim,    as escolas normais passaram a ser o principal centro de propaga&ccedil;&atilde;o    das novas id&eacute;ias, baseadas nos princ&iacute;pios escolanovistas, com    vistas &agrave; forma&ccedil;&atilde;o dos novos professores, encarregando-se    do ensino, da produ&ccedil;&atilde;o de obras e do in&iacute;cio da preocupa&ccedil;&atilde;o    com a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimentos por meio dos ent&atilde;o inaugurados    laborat&oacute;rios de psicologia, fatores estes que deram as bases para as    reformas estaduais de ensino promovidas nos anos 1920 e foram por estas potencializados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi nesse quadro que ocorreu, paulatinamente, a conquista de autonomia da psicologia    como &aacute;rea especifica de conhecimento no Brasil, deixando de ser produzida    no interior de outras &aacute;reas do saber, sendo reconhecida como ci&ecirc;ncia    aut&ocirc;noma e dando as condi&ccedil;&otilde;es para que, por essa via, penetrassem    os conhecimentos da psicologia que vinham sendo produzidos na Europa e nos Estados    Unidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, percebe-se uma interdepend&ecirc;ncia entre psicologia e educa&ccedil;&atilde;o,    sobretudo pela via da pedagogia, a partir da articula&ccedil;&atilde;o entre    saberes te&oacute;ricos e pr&aacute;tica pedag&oacute;gica. Pode-se afirmar    que o processo pelo qual a psicologia conquistou sua autonomia como &aacute;rea    de saber e o incremento do debate educacional e pedag&oacute;gico nas primeiras    d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX est&atilde;o intimamente relacionados, de    tal maneira que &eacute; poss&iacute;vel afirmar que psicologia e educa&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o, historicamente, no Brasil, mutuamente constituintes uma da outra.    Esse momento foi respons&aacute;vel pela consolida&ccedil;&atilde;o da articula&ccedil;&atilde;o    entre psicologia e educa&ccedil;&atilde;o, dando as bases para a penetra&ccedil;&atilde;o    e a consolida&ccedil;&atilde;o daquilo que nos Estados Unidos e Europa j&aacute;    se desenvolvia sob a denomina&ccedil;&atilde;o de psicologia educacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O per&iacute;odo seguinte, a partir da d&eacute;cada de 1930, caracteriza-se    pela consolida&ccedil;&atilde;o da psicologia no Brasil e tem como base a estreita    rela&ccedil;&atilde;o estabelecida entre essa &aacute;rea e a educa&ccedil;&atilde;o.    Os campos de atua&ccedil;&atilde;o da psicologia que se desenvolveram a partir    dessa &eacute;poca, tornando-se campos tradicionais da profiss&atilde;o, como    a atua&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica e a interven&ccedil;&atilde;o sobre a    organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho, tiveram suas ra&iacute;zes na educa&ccedil;&atilde;o,    respectivamente pela cria&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Orienta&ccedil;&atilde;o    Infantil nas Diretorias de Educa&ccedil;&atilde;o do Rio de Janeiro e de S&atilde;o    Paulo e da Cl&iacute;nica do Instituto Sedes Sapientiae, com a finalidade de    atender crian&ccedil;as com dificuldades escolares, e pela Orienta&ccedil;&atilde;o    Profissional, dentre outras a&ccedil;&otilde;es educacionais, no campo do trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao mesmo tempo, o ensino formal de psicologia em cursos superiores tinha estreita    articula&ccedil;&atilde;o com a educa&ccedil;&atilde;o, pois as c&aacute;tedras    de psicologia estavam vinculadas primordialmente aos cursos de filosofia e de    pedagogia, nestes &uacute;ltimos sob a denomina&ccedil;&atilde;o de psicologia    educacional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitos foram os trabalhos realizados pela psicologia no &acirc;mbito da educa&ccedil;&atilde;o,    dentre os quais: Servi&ccedil;o de Psicologia Aplicada do Instituto Pedag&oacute;gico    da Diretoria de Ensino de S&atilde;o Paulo; Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais    e, posteriormente, Sociedade Pestalozzi do Brasil; "Escola para Anormais"    em Recife; atividades realizadas no INEP, particularmente com a utiliza&ccedil;&atilde;o    de testes psicol&oacute;gicos; a cria&ccedil;&atilde;o das Cl&iacute;nicas de    Orienta&ccedil;&atilde;o Infantil; o trabalho desenvolvido por Helena Antipoff    na Escola de Aperfei&ccedil;oamento de Professores e na Fazenda do Ros&aacute;rio;    Instituto de Sele&ccedil;&atilde;o e Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional -    ISOP-FGV; al&eacute;m dos trabalhos desenvolvidos por Ana Maria Poppovic com    "crian&ccedil;as abandonadas" no Abrigo Social de Menores da Secretaria    de Bem-Estar Social do Munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo; a funda&ccedil;&atilde;o    do Instituto de Psicologia da PUCSP, oferecendo servi&ccedil;os de medidas escolares,    pedagogia terap&ecirc;utica e orienta&ccedil;&atilde;o psicopedag&oacute;gica;    al&eacute;m das muitas institui&ccedil;&otilde;es estritamente educacionais    que desenvolviam trabalhos relacionados &agrave; Psicologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se dizer que a Educa&ccedil;&atilde;o continuou sendo a base para o desenvolvimento    da psicologia, assim como esta permaneceu como principal fundamento para a educa&ccedil;&atilde;o,    particularmente no &acirc;mbito pedag&oacute;gico, como sustenta&ccedil;&atilde;o    te&oacute;rica da Did&aacute;tica e da Metodologia de Ensino, bases para a forma&ccedil;&atilde;o    de professores. Essa tend&ecirc;ncia se expressa em experi&ecirc;ncias realizadas    pela Escola Experimental da Lapa e pelos Gin&aacute;sios Vocacionais em S&atilde;o    Paulo, dentre outras in&uacute;meras experi&ecirc;ncias, realizadas em todo    o pa&iacute;s.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Concomitantemente, o ensino nas Escolas Normais e nos Cursos de Pedagogia continuavam    dando &agrave; Psicologia espa&ccedil;o privilegiado em seus curr&iacute;culos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desenvolvimento da pesquisa tamb&eacute;m ganha impulso, tendo como refer&ecirc;ncia    algumas institui&ccedil;&otilde;es, como o Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o    do Rio de Janeiro; Escola de Aperfei&ccedil;oamento de Professores de Belo Horizonte;    Instituto de Sele&ccedil;&atilde;o e Orienta&ccedil;&atilde;o Profissional de    Recife; Laborat&oacute;rio de Psicologia Educacional do Instituto de Educa&ccedil;&atilde;o    (evolu&ccedil;&atilde;o do Instituto Pedag&oacute;gico de S&atilde;o Paulo);    N&uacute;cleo de Pesquisas Educacionais da Municipalidade do Rio de Janeiro;    Instituto Nacional de Surdos-mudos e o Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais    - CBPE - e seus correlatos, os Centros Regionais de Pesquisas Educacionais -    CRPE; al&eacute;m da produ&ccedil;&atilde;o de escolas normais e universidades.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto, come&ccedil;am a se diferenciar, ainda que de forma n&atilde;o    sistem&aacute;tica e formal, a psicologia educacional, como conjunto de saberes    que pretende explicar e subsidiar a pr&aacute;tica pedag&oacute;gica, sendo,    portanto, de dom&iacute;nio necess&aacute;rio para todos os educadores, e a    psicologia escolar, como campo de atua&ccedil;&atilde;o de profissionais da    psicologia que atuariam no &acirc;mbito da escola, desempenhando uma fun&ccedil;&atilde;o    especifica, alicer&ccedil;ada na psicologia e que se caracterizou inicialmente    por adotar o modelo cl&iacute;nico de interven&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora contradi&ccedil;&otilde;es possam ser apontadas, revelando produ&ccedil;&otilde;es    te&oacute;ricas e pr&aacute;ticas afinadas com a constru&ccedil;&atilde;o de    uma escola comprometida com a aprendizagem e o desenvolvimento de seus alunos,    particularmente aqueles oriundos das camadas populares, o papel que a psicologia    desempenhou na educa&ccedil;&atilde;o tornou-se objeto de cr&iacute;tica. A    utiliza&ccedil;&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o indiscriminadas e aligeiradas    de teorias e t&eacute;cnicas psicol&oacute;gicas, como os testes (principalmente    os de n&iacute;vel mental e de prontid&atilde;o); a responsabiliza&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a e de sua fam&iacute;lia, em nome de problemas ditos de "ordem    emocional", para justificar o desempenho do aluno na escola e a redu&ccedil;&atilde;o    dos processos pedag&oacute;gicos aos fatores de natureza psicol&oacute;gica    colaboraram para interpreta&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas no m&iacute;nimo    equivocadas, desprezando o processo educativo como totalidade multideterminada,    relegando a segundo plano, ou omitindo, fatores de natureza hist&oacute;rica,    social, cultural, pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica e, sobretudo, pedag&oacute;gica    na determina&ccedil;&atilde;o do processo educativo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse processo culmina, em 1962, com a regulamenta&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o    de psic&oacute;logo e o estabelecimento de cursos espec&iacute;ficos para sua    forma&ccedil;&atilde;o. As a&ccedil;&otilde;es desenvolvidas no per&iacute;odo    anterior deram as bases para os campos tradicionais de atua&ccedil;&atilde;o    da psicologia: educa&ccedil;&atilde;o, cl&iacute;nica e trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um fato interessante a ser mencionado &eacute; que, justamente com a regulamenta&ccedil;&atilde;o    da profiss&atilde;o, o campo da educa&ccedil;&atilde;o, antes base principal    para o desenvolvimento da psicologia no Brasil, torna-se secund&aacute;rio para    os profissionais da &aacute;rea. Isso se revela n&atilde;o apenas no &acirc;mbito    curricular, mas, sobretudo, na prefer&ecirc;ncia de alunos e profissionais pelos    campos da cl&iacute;nica e da organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho. Esse &eacute;    tamb&eacute;m um dos fatores explicativos para a ado&ccedil;&atilde;o de uma    modalidade cl&iacute;nico-terap&ecirc;utica na a&ccedil;&atilde;o da psicologia    escolar, tendo como base o modelo m&eacute;dico, quest&atilde;o que ser&aacute;    discutida adiante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, as rela&ccedil;&otilde;es entre educa&ccedil;&atilde;o e psicologia    v&atilde;o se diferenciando. De um lado, a &aacute;rea da psicologia educacional,    foco de interesse tanto de pedagogos como de psic&oacute;logos, e, de outro,    o campo da psicologia escolar, como atributo espec&iacute;fico do profissional    da psicologia que atua no espa&ccedil;o escolar. O conhecimento psicol&oacute;gico    estava incorporado &agrave; Pedagogia e &agrave; pr&aacute;tica dos educadores    e a atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo escolar adotava um modelo cada    vez mais cl&iacute;nico-terap&ecirc;utico, agindo fora da sala de aula, focando    sua aten&ccedil;&atilde;o na dimens&atilde;o individual do educando e em seus    "problemas", atendendo, sobretudo, demandas espec&iacute;ficas da    escola, que encaminhava as crian&ccedil;as que tinham, a seu ver, "problemas    de aprendizagem" ou outras manifesta&ccedil;&otilde;es consideradas como    "dist&uacute;rbios" inerentes ao pr&oacute;prio educando.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se falar que esse per&iacute;odo herdou do per&iacute;odo anterior o que    pode ser interpretado como hipertrofia da psicologia na educa&ccedil;&atilde;o,    numa tend&ecirc;ncia reducionista, que passou, na d&eacute;cada de 1970, a ser    criticada tanto por pedagogos como por psic&oacute;logos. Criticava-se a utiliza&ccedil;&atilde;o    dos testes e a interpreta&ccedil;&atilde;o de seus resultados, que atribu&iacute;a    ao aluno a determina&ccedil;&atilde;o de seus "problemas", desconsiderando    as condi&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas; o encaminhamento de alunos com    defici&ecirc;ncia que, sob a justificativa de lhes proporcionar uma "educa&ccedil;&atilde;o    especial", relegava-os a condi&ccedil;&otilde;es aligeiradas de ensino    e sem solu&ccedil;&atilde;o de continuidade, refor&ccedil;ando estigmas e preconceitos    e produzindo social e pedagogicamente a defici&ecirc;ncia intelectual; as interpreta&ccedil;&otilde;es    e a&ccedil;&otilde;es supostamente fundamentadas na psicologia, por educadores    e psic&oacute;logos, calcadas em fatores como: atraso no desenvolvimento, dist&uacute;rbios    de aten&ccedil;&atilde;o, motores ou emocionais (estes em geral relacionados    estritamente &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es intr&iacute;nsecas da crian&ccedil;a    ou da fam&iacute;lia). Uma das conseq&uuml;&ecirc;ncias apontadas por essas    cr&iacute;ticas era a desconsidera&ccedil;&atilde;o dos determinantes de natureza    social, cultural, econ&ocirc;mica e, sobretudo, pedag&oacute;gica; da&iacute;    falar-se em reducionismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Alguns psic&oacute;logos escolares e pesquisadores da &aacute;rea come&ccedil;aram,    nessa &eacute;poca, a elaborar uma cr&iacute;tica radical &agrave; Psicologia    Escolar e Educacional, com base em argumentos semelhantes aos apontados por    pedagogos e educadores em geral. De um lado, criticava-se a j&aacute; apontada    hipertrofia da psicologia na educa&ccedil;&atilde;o e o reducionismo dos fatores    educacionais e pedag&oacute;gicos &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es psicologizantes.    Por outro lado, enfocando mais especificamente a pr&aacute;tica da psicologia    escolar e aprofundando a cr&iacute;tica a seu modo de a&ccedil;&atilde;o, avan&ccedil;avam    para a demonstra&ccedil;&atilde;o de que o enquadramento cl&iacute;nico-terap&ecirc;utico    baseava-se num modelo m&eacute;dico, estranho &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es    pedag&oacute;gicas, que tendia a patologizar e individualizar o processo educativo,    distanciando-se da compreens&atilde;o efetiva dos determinantes desse processo    e desconsiderando a&ccedil;&otilde;es ent&atilde;o denominadas preventivas,    que deveriam voltar-se para as condi&ccedil;&otilde;es mais propriamente pedag&oacute;gicas,    de forma a atuar mais coletivamente, com base naquilo que hoje seria denominado    de interdisciplinaridade, com os demais profissionais da educa&ccedil;&atilde;o    e da escola. Alguns dos focos poss&iacute;veis de atua&ccedil;&atilde;o eram    apontados, naquela &eacute;poca, em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; forma&ccedil;&atilde;o    de professores, &agrave; interven&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito das rela&ccedil;&otilde;es    escola-fam&iacute;lia-comunidade, ao processo grupal estabelecido na institui&ccedil;&atilde;o    escolar, dentre outros. Particular preocupa&ccedil;&atilde;o entre psic&oacute;logos    escolares incidia sobre os &iacute;ndices de reprova&ccedil;&atilde;o na ent&atilde;o    1&ordf;. s&eacute;rie do 1&ordm;. Grau, que mostravam que mais da metade dos    alunos ficava retida nessa s&eacute;rie, muitas vezes na condi&ccedil;&atilde;o    de alunos multirrepetentes, culminando com o abandono da escola, processo este    que atingia fundamentalmente alunos oriundos das classes populares. Esse fato    levou muitos profissionais da psicologia a se interessar pela alfabetiza&ccedil;&atilde;o    em especial e, de maneira mais ampla, pela articula&ccedil;&atilde;o mais estreita    entre os conhecimentos produzidos pela psicologia e aqueles produzidos por outras    &aacute;reas de saber, principalmente a sociologia da educa&ccedil;&atilde;o,    uma vez que a quest&atilde;o relativa &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre desempenho    escolar e condi&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-econ&ocirc;micas ganhava espa&ccedil;o    nos debates educacionais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, poucos trabalhos conseguiram efetivar esse modelo de atua&ccedil;&atilde;o,    comprometido com o processo pedag&oacute;gico, em decorr&ecirc;ncia principalmente    da expectativa da escola, cristalizada na modalidade cl&iacute;nica de psicologia,    pautada no encaminhamento do aluno para que ele fosse "curado" fora    do espa&ccedil;o da sala de aula e depois devolvido "sem problemas",    tirando da escola a responsabilidade da a&ccedil;&atilde;o sobre a escolariza&ccedil;&atilde;o    da crian&ccedil;a. Foram, por&eacute;m, esses poucos trabalhos, muitas vezes    pautados na desconstru&ccedil;&atilde;o dessas expectativas da escola, que deram    as bases para a supera&ccedil;&atilde;o daquela psicologia escolar cl&iacute;nico-terap&ecirc;utica,    na dire&ccedil;&atilde;o de uma psicologia que pode ser denominada efetivamente    como escolar, delimitando seu campo de atua&ccedil;&atilde;o e criando uma modalidade    de trabalho efetivamente comprometida com o cotidiano da escola em sua fun&ccedil;&atilde;o    essencialmente pedag&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse sentido, a supera&ccedil;&atilde;o dessa situa&ccedil;&atilde;o exigia    n&atilde;o somente a cr&iacute;tica &agrave; hipertrofia da psicologia na educa&ccedil;&atilde;o,    ao reducionismo, &agrave;s interpreta&ccedil;&otilde;es aligeiradas e banalizadas,    &agrave;s a&ccedil;&otilde;es fundadas num modelo estranho &agrave; educa&ccedil;&atilde;o,    como o modelo m&eacute;dico, e &agrave; culpabiliza&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a    e de sua fam&iacute;lia, mas tamb&eacute;m a restitui&ccedil;&atilde;o de seu    n&uacute;cleo de bom senso. Fazia-se necess&aacute;rio devolver &agrave; psicologia    seu lugar no processo pedag&oacute;gico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; necess&aacute;rio, pois, que se considere que o processo educativo    ocorre no &acirc;mbito do sujeito; assim, a dimens&atilde;o psicol&oacute;gica    n&atilde;o pode ser negada, mas incorporada na apreens&atilde;o do fen&ocirc;meno    em sua totalidade, condi&ccedil;&atilde;o fundamental para a produ&ccedil;&atilde;o    de conhecimento nesse campo, responsabilidade da psicologia educacional. Esta,    por sua vez, deve fundamentar, naquilo que lhe cabe, a compreens&atilde;o do    fen&ocirc;meno educativo e dar base para o estabelecimento de processos efetivos    de interven&ccedil;&atilde;o, que poderiam constituir-se na matriz de atua&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo escolar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessas considera&ccedil;&otilde;es parte-se agora para um ensaio que visa discutir    possibilidades e limites para a constru&ccedil;&atilde;o de uma Psicologia Escolar    e Educacional, sob o foco de seus compromissos e perspectivas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Compromissos    e Perspectivas para a Psicologia Escolar e Educacional</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; condi&ccedil;&atilde;o para a discuss&atilde;o de compromissos, assim    como das perspectivas que se colocam a partir deles, a explicita&ccedil;&atilde;o    do lugar a partir do qual se fala. Compromisso implica tr&ecirc;s inst&acirc;ncias:    aquele que se compromete (neste caso, referimo-nos &agrave; Psicologia Escolar    e Educacional), aquele com quem se compromete (as classes populares) e aquilo    com que se compromete (a constru&ccedil;&atilde;o de uma educa&ccedil;&atilde;o    democr&aacute;tica). Trata-se, portanto, de discutir o compromisso da Psicologia    Escolar e Educacional com a educa&ccedil;&atilde;o das classes populares, o    que torna necess&aacute;rio expor a concep&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o    que d&aacute; base &agrave; posi&ccedil;&atilde;o aqui defendida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o que aqui se afirma &eacute; uma educa&ccedil;&atilde;o    rigorosa e amplamente democr&aacute;tica, que deve ser acess&iacute;vel a todos    e que n&atilde;o transige na defesa desse princ&iacute;pio. &Eacute; concebida    como inst&acirc;ncia social respons&aacute;vel pela tarefa de socializa&ccedil;&atilde;o    dos conhecimentos produzidos pela humanidade ao longo de sua hist&oacute;ria,    criando condi&ccedil;&otilde;es para que todos possam ascender do senso-comum    aos saberes fundamentados, articulados e sint&eacute;ticos sobre o mundo. Educa&ccedil;&atilde;o    democr&aacute;tica significa, portanto, democratiza&ccedil;&atilde;o de saberes;    saberes estes que foram historicamente privil&eacute;gios - na produ&ccedil;&atilde;o    e no acesso - das classes dominantes. Para que ela se realize em cada sujeito,    &eacute; necess&aacute;rio garantir o dom&iacute;nio de recursos necess&aacute;rios    para a apreens&atilde;o do conhecimento, como o dom&iacute;nio da leitura e    da escrita, da matem&aacute;tica e de outros recursos pr&oacute;prios da contemporaneidade,    como inform&aacute;tica e l&iacute;nguas estrangeiras. Isso, entretanto, constitui-se    t&atilde;o somente o ponto de partida, pois s&atilde;o apenas os meios necess&aacute;rios    para a aquisi&ccedil;&atilde;o de outros conhecimentos, que devem ser considerados    em todas as suas express&otilde;es, da filosofia &agrave; ci&ecirc;ncia e &agrave;s    artes, em permanente di&aacute;logo com a cultura pr&oacute;pria da crian&ccedil;a,    que deve ser respeitada e considerada no processo de ensino-aprendizagem. Disso    decorre uma concep&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;tica pedag&oacute;gica centrada    nos processos de ensino e aprendizagem, cuja finalidade &eacute; propiciar o    desenvolvimento pleno do educando, em todos os aspectos que o constitui como    sujeito singular e, ao mesmo tempo, pertencente ao g&ecirc;nero humano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa concep&ccedil;&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o remete ao compromisso    com a concretiza&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de educa&ccedil;&atilde;o    radicalmente comprometidas com os interesses das classes populares. Isso significa    garantir pleno acesso e condi&ccedil;&otilde;es de perman&ecirc;ncia de todos    os educandos na escola, independentemente de suas condi&ccedil;&otilde;es, cabendo    &agrave; escola transformar-se para possibilitar-lhes condi&ccedil;&otilde;es    efetivas de escolariza&ccedil;&atilde;o; essa quest&atilde;o traduz o princ&iacute;pio    de educa&ccedil;&atilde;o inclusiva, que incorpora n&atilde;o s&oacute; a educa&ccedil;&atilde;o    de alunos com defici&ecirc;ncia, mas todos aqueles que, por diversos motivos,    s&atilde;o alijados da escola e de seus bens. Para isso, faz-se necess&aacute;rio    que se construam curr&iacute;culos articulados &agrave;s finalidades acima expostas,    superando os conhecidos "curr&iacute;culos m&iacute;nimos", geralmente    entendidos como paliativos ou educa&ccedil;&atilde;o de segunda categoria para    pessoas socialmente consideradas tamb&eacute;m como tal, com especial aten&ccedil;&atilde;o    aos processos avaliativos, que t&ecirc;m sido um dos meios mais efetivos para    a materializa&ccedil;&atilde;o da exclus&atilde;o de crian&ccedil;as das classes    populares ao direito de uma educa&ccedil;&atilde;o de boa qualidade. Esse processo    depende tamb&eacute;m da gest&atilde;o democr&aacute;tica da escola e, sobretudo,    no investimento maci&ccedil;o na forma&ccedil;&atilde;o dos educadores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe, portanto, discutir as possibilidades e limites da Psicologia Escolar e    Educacional na constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas    de educa&ccedil;&atilde;o comprometidas socialmente com as classes populares;    eis aqui a quest&atilde;o relativa &agrave;s perspectivas colocadas para essa    &aacute;rea de conhecimento e campo de atua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Disso resulta a afirma&ccedil;&atilde;o de alguns princ&iacute;pios que podem    ser expressos a partir das assertivas que seguem.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educa&ccedil;&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da por m&uacute;ltiplos determinantes,    dentre os quais os fatores de ordem psicol&oacute;gica; portanto, a psicologia    tem contribui&ccedil;&atilde;o para a Educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Que seja uma psicologia capaz de compreender o processo ensino-aprendizagem    e sua articula&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento, fundamentada na concreticidade    humana (determina&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-hist&oacute;ricas), compreendida    a partir das categorias totalidade, contradi&ccedil;&atilde;o, media&ccedil;&atilde;o    e supera&ccedil;&atilde;o. Deve fornecer categorias te&oacute;ricas e conceitos    que permitam a compreens&atilde;o dos processos psicol&oacute;gicos que constituem    o sujeito do processo educativo e s&atilde;o necess&aacute;rios para a efetiva&ccedil;&atilde;o    da a&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia deve assumir seu lugar como um dos fundamentos da educa&ccedil;&atilde;o    e da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica, contribuindo para a compreens&atilde;o    dos fatores presentes no processo educativo a partir de media&ccedil;&otilde;es    te&oacute;ricas "fortes", com garantia de estabelecimento de rela&ccedil;&atilde;o    indissol&uacute;vel entre teoria e pr&aacute;tica pedag&oacute;gica cotidiana.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta psicologia deve propiciar a compreens&atilde;o do educando a partir da    perspectiva de classe e em suas condi&ccedil;&otilde;es concretas de vida, condi&ccedil;&atilde;o    necess&aacute;ria para se construir uma pr&aacute;tica pedag&oacute;gica realmente    inclusiva e transformadora.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psicologia como um dos fundamentos do processo formativo do educador deve    propiciar o reconhecimento do educador/professor como sujeito do processo educativo,    traduzindo-se na necessidade de mudan&ccedil;as profundas das pol&iacute;ticas    de forma&ccedil;&atilde;o inicial e continuada desse protagonista fundamental    da educa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por sua vez, a a&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo escolar deve pautar-se    no dom&iacute;nio do referencial te&oacute;rico da psicologia necess&aacute;rio    &agrave; educa&ccedil;&atilde;o, mediatizado necessariamente por conhecimentos    que s&atilde;o pr&oacute;prios do campo educativo e das &aacute;reas de conhecimento    correlatas. O pr&oacute;prio referencial te&oacute;rico que aqui defendemos    implica o tr&acirc;nsito por outros saberes (totalidade). Da&iacute;, a necessidade    de supera&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas tradicionais do psic&oacute;logo    escolar, muitas vezes pautadas ainda numa perspectiva, nem sempre consciente    ou assumida, de a&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nico-terap&ecirc;utica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em outras palavras, afirmamos uma psicologia escolar comprometida radicalmente    com a educa&ccedil;&atilde;o das classes populares, que supere o modelo cl&iacute;nico-terap&ecirc;utico    disfar&ccedil;ado e dissimulado ainda presente na representa&ccedil;&atilde;o    que o psic&oacute;logo tem de sua pr&oacute;pria a&ccedil;&atilde;o, entendendo    que a representa&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, as expectativas que os    demais profissionais da educa&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m da psicologia s&oacute;    ser&atilde;o superadas pela pr&oacute;pria pr&aacute;tica do psic&oacute;logo    escolar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mudan&ccedil;as efetivas s&oacute; ocorrer&atilde;o a partir do envolvimento    do psic&oacute;logo com as quest&otilde;es concretas da educa&ccedil;&atilde;o    e da pr&aacute;tica pedag&oacute;gica; &eacute; necess&aacute;rio superar o    preconceito de n&atilde;o querer tornar-se "pedagogo". O psic&oacute;logo    n&atilde;o &eacute; pedagogo, mas se quiser trabalhar com educa&ccedil;&atilde;o    ter&aacute; que mergulhar nessa realidade como algu&eacute;m que faz parte dela,    reconhecendo-se como portador de um conhecimento que pode e deve ser socializado    com os demais educadores, tanto no trabalho interdisciplinar, como na forma&ccedil;&atilde;o    de educadores, sobretudo professores; que det&eacute;m um saber que pode contribuir    com os processos s&oacute;cio-institucionais da escola; tem um conhecimento    espec&iacute;fico que pode e deve reconhecer o que &eacute; pr&oacute;prio de    sua forma&ccedil;&atilde;o profissional, e, ouso afirmar, algumas vezes inclusive    de car&aacute;ter cl&iacute;nico-terap&ecirc;utico, voltado para casos individuais;    possui ou pode desenvolver conhecimentos importantes para a gest&atilde;o de    sistemas e redes de ensino, sobretudo no &acirc;mbito de diagn&oacute;sticos    educacionais (avalia&ccedil;&atilde;o institucional, docente, discente etc.)    e na interven&ccedil;&atilde;o sobre tais resultados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As quest&otilde;es    aqui expostas constituem-se em elabora&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m situadas    num dado momento hist&oacute;rico e numa dada perspectiva te&oacute;rica e consequentemente    pol&iacute;tica, que reflete concep&ccedil;&otilde;es de homem, sociedade, educa&ccedil;&atilde;o,    psicologia e, sobretudo, de Psicologia Escolar e Educacional circunscritas.    Isso significa que esta &eacute; uma dentre muitas posi&ccedil;&otilde;es acerca    dessa &aacute;rea de conhecimento e campo de pr&aacute;ticas. &Eacute;, portanto,    importante que se estabele&ccedil;a um amplo di&aacute;logo entre posi&ccedil;&otilde;es    e perspectivas, que permitam o avan&ccedil;o dessa &aacute;rea de saber e o    aperfei&ccedil;oamento das pr&aacute;ticas a ela correlatas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, h&aacute; dois aspectos que devem ser considerados nessa discuss&atilde;o    e que remetem a aspectos cujas qualidades s&atilde;o muito distintas, mas que    devem fazer-se invariavelmente presentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira quest&atilde;o diz respeito &agrave; possibilidade de inser&ccedil;&atilde;o    do psic&oacute;logo escolar em seu campo. A Lei de Diretrizes e Bases da Educa&ccedil;&atilde;o    Nacional pro&iacute;be deduzir dos 25% dos or&ccedil;amentos p&uacute;blicos    os sal&aacute;rios de profissionais respons&aacute;veis por "atendimento    m&eacute;dico, odontol&oacute;gico, psicol&oacute;gico e fonoaudiol&oacute;gico".    Isso parece impedir, numa primeira leitura, a presen&ccedil;a do psic&oacute;logo    nesse campo sobre o qual incide toda nossa discuss&atilde;o. &Eacute; preciso,    no entanto, que se analise mais profundamente o texto da lei e os significados    a ele subjacentes, cotejando-os com as quest&otilde;es aqui abordadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; compreens&iacute;vel e aceit&aacute;vel essa prescri&ccedil;&atilde;o    legal, pois, pela maneira como est&aacute; colocado o servi&ccedil;o psicol&oacute;gico,    deduz-se que a concep&ccedil;&atilde;o que lhe d&aacute; base carrega a no&ccedil;&atilde;o    de atendimento cl&iacute;nico-terap&ecirc;utico, de incid&ecirc;ncia individual    e apartada das quest&otilde;es propriamente escolares. De um lado, a palavra    utilizada &eacute; "atendimento", termo este j&aacute; tradicionalmente    relacionado a um modelo m&eacute;dico; por outro lado, e corroborando essa interpreta&ccedil;&atilde;o,    o "psicol&oacute;gico" &eacute; acompanhado de "m&eacute;dico",    "odontol&oacute;gico" e, na esteira da pr&oacute;pria concep&ccedil;&atilde;o    de psicologia a&iacute; expressa, de "fonoaudiol&oacute;gico". Dada    nossa concep&ccedil;&atilde;o de Psicologia Escolar e Educacional, pode-se dizer    que a psicologia a que a lei se refere n&atilde;o &eacute; esta que defendemos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa an&aacute;lise demonstra que se essa atua&ccedil;&atilde;o da psicologia    n&atilde;o &eacute; reconhecida pela LDB como a&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria    da educa&ccedil;&atilde;o, do que n&atilde;o discordamos, h&aacute; por outro    lado, uma atua&ccedil;&atilde;o que pode ser considerada como de car&aacute;ter    eminentemente educacional e que tem sua pr&aacute;tica pautada na institui&ccedil;&atilde;o    escolar e nas demandas a ela inerentes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base nessa considera&ccedil;&atilde;o, imp&otilde;e-se uma discuss&atilde;o    a respeito dessa quest&atilde;o, que deve subsidiar o esclarecimento aos &oacute;rg&atilde;os    direta e indiretamente relacionados a essa prescri&ccedil;&atilde;o legal, al&eacute;m    de um encaminhamento mais direto, com vistas &agrave; defesa da inser&ccedil;&atilde;o    de uma determinada pr&aacute;tica que pode contribuir com a melhoria da educa&ccedil;&atilde;o    brasileira, n&atilde;o como reivindica&ccedil;&atilde;o motivada por interesses    corporativistas, mas como concretiza&ccedil;&atilde;o de uma luta cujo motivo    primeiro &eacute; seu compromisso radical com a educa&ccedil;&atilde;o das classes    populares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A derradeira quest&atilde;o &eacute; de natureza &eacute;tica e, sob um determinado    foco, pode ser exemplificada pelo problema acima discutido. Devemos invariavelmente    pautar toda e qualquer discuss&atilde;o sobre a Psicologia em geral e sobre    a Psicologia Escolar e Educacional em especial sobre a quest&atilde;o &eacute;tica,    entendendo-a n&atilde;o como prescri&ccedil;&atilde;o de normas, nem como tema    da moda, mas como &eacute;tica social, que se questiona e que se pergunta constantemente    sobre o que fazemos, para quem, com que finalidade e a que interesses servimos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este &eacute; o ponto a partir do qual se deve retornar ao in&iacute;cio dessa    discuss&atilde;o. A hist&oacute;ria demonstra pactos entre psicologia, educa&ccedil;&atilde;o    e sociedade que penderam para interesses contradit&oacute;rios e opostos, na    maioria das vezes em contraposi&ccedil;&atilde;o aos direitos das classes populares.    Da compreens&atilde;o desse processo, podemos nos lan&ccedil;ar de maneira mais    efetiva &agrave; constru&ccedil;&atilde;o de uma Psicologia Escolar e Educacional    comprometida de fato com uma educa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, submetida    aos interesses dessas classes. Este &eacute;, por sua vez, o compromisso que    define e determina as perspectivas que est&atilde;o postas para essa &aacute;rea    de conhecimento e campo de atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antunes, M. A.    M. <i>A psicologia no Brasil: leitura hist&oacute;rica de sua constitui&ccedil;&atilde;o</i>.    S&atilde;o Paulo, EDUC e Ed. Unimarco, 2003.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Massimi, M. As origens da psicologia brasileira em obras do per&iacute;odo colonial,    in: Hist&oacute;ria da Psicologia. S&atilde;o Paulo, EDUC, <i>S&eacute;rie Cadernos    PUC-SP, n. 23</i>, 1987, pp. 95-117.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. <i>Hist&oacute;ria da psicologia brasileira</i>. S&atilde;o Paulo,    EPU, 1990.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Meira, M. E. M. e Antunes, M. A. M. <i>Psicologia escolar: teorias cr&iacute;ticas</i>.    S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo, 2003.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">________________________________. <i>Psicologia escolar: pr&aacute;ticas cr&iacute;ticas</i>.    S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo, 2003.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sobre a autora:</font></b></p>     <p><a name="*b"></a><a href="#*"><sup><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">*</font></sup></a><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Mitsuko Aparecida Makino Antunes é Professora do Programa de Estudos P&oacute;s-graduados em Psicologia da Educa&ccedil;&atilde;o    da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo.    <br> <a name="1b"></a><a href="#1"><sup>1</sup></a> Muitas expressões são utilizadas, dentre as quais: Psicologia Educacional, Psicologia da Educação, Psicologia na Educação e outras. Há implicações teóricas que subjazem à opção por uma ou outra denominação, mas que não serão aqui tratadas, dada a delimitação do presente texto.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>

</article>
