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</front><body><![CDATA[ <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Psicoterapia    preventiva da fam&iacute;lia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ryad Simon</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Psicoterapia preventiva    da fam&iacute;lia &eacute; o nome que assumiu um procedimento de atendimento    e pesquisa desenvolvido pelos membros da Sociedade de Psicologia Cl&iacute;nica    Preventiva nestes &uacute;ltimos oito anos. Um dos &acirc;mbitos de estudo de    nossa Sociedade &eacute; a comunidade. Como meio de alcan&ccedil;ar a comunidade    partimos da fam&iacute;lia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><i><b>Finalidade</b></i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O psic&oacute;logo    preventivo assume que seu cliente &eacute; a fam&iacute;lia. Quando ele se fixa    nesse objetivo, seguem-se conseq&uuml;&ecirc;ncias inerentes a essa posi&ccedil;&atilde;o.    Por exemplo, quando a fam&iacute;lia acha que apenas um dos membros precisa    de assist&ecirc;ncia, o psic&oacute;logo n&atilde;o contraria essa opini&atilde;o.    Todavia, fica alerta para captar as ramifica&ccedil;&otilde;es do relacionamento    desse membro da fam&iacute;lia com todos os demais. E, desse modo, alcan&ccedil;ar    uma vis&atilde;o muito mais ampla da interdepend&ecirc;ncia das a&ccedil;&otilde;es    e rea&ccedil;&otilde;es de cada componente da fam&iacute;lia. Essa vis&atilde;o    seria muito mais restrita se o psic&oacute;logo apenas cuidasse do membro da    fam&iacute;lia que o procura, ou lhe &eacute; encaminhado, como no atendimento    tradicional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A amplitude do    conhecimento da diversidade de fatores que influem na adapta&ccedil;&atilde;o    de cada pessoa vai tornar <i>mais rico</i> o entendimento do psic&oacute;logo.    A abund&acirc;ncia de conhecimentos permitir&aacute; estruturar um plano de    atendimento <i>mais exato.</i> Tendo uma no&ccedil;&atilde;o mais precisa de    qual &eacute; o n&uacute;cleo do problema, a interven&ccedil;&atilde;o preventiva    &eacute; <i>mais eficaz.</i> Da pr&oacute;pria efic&aacute;cia resulta que o    <i>tempo</i> necess&aacute;rio para alcan&ccedil;ar determinado efeito ser&aacute;    <i>mais curto.</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tornando-se a psicoterapia    preventiva da fam&iacute;lia mais eficaz e mais breve, os custos se tornar&atilde;o    mais acess&iacute;veis a maior n&uacute;mero de pessoas. Assim, cada fam&iacute;lia    atendida ir&aacute; assimilando uma mentalidade preventiva. ("Mentalidade preventiva"    resulta de uma transmiss&atilde;o de conhecimentos &agrave; fam&iacute;lia objetivando    alert&aacute;-la para os sinais precoces de dist&uacute;rbios adaptativos &#151;    para que os corrija &#151;bem como elevar o n&iacute;vel de exig&ecirc;ncia    existente, de modo a tornar ainda mais eficaz uma adapta&ccedil;&atilde;o que    j&aacute; &eacute; adequada &#151; "promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de").    N&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil supor &#151; e de fato acontece &#151; que    cada fam&iacute;lia sentido-se bem assistida ir&aacute; divulgar para as pr&oacute;ximas    a utilidade da ajuda preventiva. E, pouco a pouco, num cont&aacute;gio ben&eacute;fico,    ir&atilde;o se estendendo ramifica&ccedil;&otilde;es formando uma rede que fortalece    a sa&uacute;de ps&iacute;quica e protege a comunidade contra formas de adapta&ccedil;&atilde;o    menos eficazes<a name="top"></a><a href="#back">(<sup>*</sup>)</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><i><b>M&eacute;todo,    Objetivos e Discuss&atilde;o</b></i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ida do psic&oacute;logo    ao domic&iacute;lio da fam&iacute;lia possibilita-lhe uma percep&ccedil;&atilde;o    direta do ambiente material e relacional familiar. Pode-se objetar quanto &agrave;    "pureza" da observa&ccedil;&atilde;o, visto que a presen&ccedil;a do observador    no campo domiciliar altera o objeto observado. De fato, haver&aacute; fam&iacute;lias    que arrumam melhor a casa quando esperam a visita do psic&oacute;logo. Todavia,    isso em si j&aacute; &eacute; um dado. E que dizer das fam&iacute;lias que,    sabendo embora da visita domiciliar, mal se preocupam em ocultar a desordem?    A vis&atilde;o de uma casa suja, desarrumada, com crian&ccedil;as e animais    e atropelando, desperta rapidamente sentimentos e compreens&atilde;o da desorganiza&ccedil;&atilde;o    familiar que de outro modo, no consult&oacute;rio, por exemplo, s&oacute; tarde    ou nunca seriam captadas. (A "desorganiza&ccedil;&atilde;o familiar" pode geralmente    ser evidenciada pela incapacidade de ordem material da dona de casa; e isso,    por sua vez, reflete sua desorganiza&ccedil;&atilde;o intraps&iacute;quica que    termina por contaminar a fam&iacute;lia, principalmente as crian&ccedil;as.    A desordem que est&aacute; "fora" da cabe&ccedil;a &#151; projetada &#151; est&aacute;    tamb&eacute;m introjetada &#151; "dentro" da cabe&ccedil;a.)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado,    as intera&ccedil;&otilde;es familiares no domic&iacute;lio s&atilde;o supostamente    mais espont&acirc;neas e menos inibidas do que se verificadas em outro local.    Assim, o psic&oacute;logo pode observar no domic&iacute;lio uma pessoa isolada,    uma dupla, ou a fam&iacute;lia inteira, colhendo rapidamente fartas informa&ccedil;&otilde;es.    Estas informa&ccedil;&otilde;es tanto podem ser <i>materiais</i> (qualidade    e estado do ambiente <i>&iacute;&iacute;sico)transferenciais</i> (de cada familiar    para o psic&oacute;logo) <i>extra-transferenciais</i> (rela&ccedil;&otilde;es    dos familiares entre si) <i>contra-transferenciais</i> (rea&ccedil;&otilde;es    do psic&oacute;logo face o ambiente e os membros da fam&iacute;lia). &Eacute;    claro que essas informa&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o muito mais n&iacute;tidas    e aproveit&aacute;veis quanto mais confort&aacute;vel o psic&oacute;logo se    sinta no domic&iacute;lio. E quanto mais &agrave; vontade consiga deixar a fam&iacute;lia    com sua presen&ccedil;a. Essas considera&ccedil;&otilde;es sugerem que o psic&oacute;logo,    saindo do consult&oacute;rio e indo para o domic&iacute;lio, assemelha-se ao    explorador diante de uma cultura alien&iacute;gena. E que ele precisar&aacute;    desenvolver m&eacute;todos que s&atilde;o mais do &acirc;mbito do antrop&oacute;logo    do que do cl&iacute;nico. Assim como j&aacute; existe uma Psicologia Social    precisamos desenvolver uma Psicologia Antropol&oacute;gica espec&iacute;fica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao procurar uma    fam&iacute;lia, ou ser procurado por ela, o psic&oacute;logo inicia pelo diagn&oacute;stico.    Concebe-se a evolu&ccedil;&atilde;o familiar como um processo que se opera no    tempo. Ao efetuar o diagn&oacute;stico, o psic&oacute;logo executa dois cortes    no processo evolutivo temporal. Um corte <i>transversal,</i> que fornece os    fatos do <i>presente</i> (imediato ou pr&oacute;ximo). Esse corte cont&eacute;m    os elementos da situa&ccedil;&atilde;o-problema atual. Ele inclui a "queixa".    Geralmente a queixa &eacute; apenas um aspecto &#151; e n&atilde;o o mais importante    &#151; da situa&ccedil;&atilde;o-problema (que at&eacute; pode estar inconsciente    para os familiares). A investiga&ccedil;&atilde;o do corte transversal d&aacute;    as respostas &agrave;s seguintes perguntas da situa&ccedil;&atilde;o-problema:    "o qu&ecirc;?" "quem?" e "como?" O que est&aacute; acontecendo agora? Quem est&aacute;    envolvido? Como &eacute; o envolvimento? O corte <i>longitudinal</i> completa    o diagn&oacute;stico do processo da evolu&ccedil;&atilde;o familiar remetendo-nos    ao <i>passado.</i> Ele responde &agrave;s perguntas: "onde?" "quando?" e "por    qu&ecirc;?" Onde ocorreu o problema? Quando come&ccedil;ou o envolvimento? Por    que aconteceu? As respostas a todas essas perguntas permitem-nos compreender    a trama do relacionamento familiar. Atualmente estudamos t&eacute;cnicas de    diagn&oacute;stico que nos possibilitem obter o diagn&oacute;stico preventivo    familiar, no m&aacute;ximo em tr&ecirc;s entrevistas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conclu&iacute;do    o diagn&oacute;stico, passa-se, quando for o caso, &agrave; psicoterapia preventiva    da fam&iacute;lia, propriamente dita. Obedece a uma estrat&eacute;gia diretiva.    O psic&oacute;logo procura ativamente dar aos familiares uma compreens&atilde;o    afetiva dos elementos da situa&ccedil;&atilde;o-problema. Para ser acess&iacute;vel    &agrave; maioria da popula&ccedil;&atilde;o, a psicoterapia preventiva deve    ser breve. Conforme a complexidade da situa&ccedil;&atilde;o-problema. tra&ccedil;a-se    uma plano psicoter&aacute;pico que abrange de uma a doze sess&otilde;es. A abordagem    &eacute; flex&iacute;vel, dirigindo-se ora a um, ora a outro, ou mais membros    da fam&iacute;lia. A t&eacute;cnica &eacute; ecl&eacute;tica, usando-se ora    abordagens <i>suportivas</i> (reasseguramento, persuas&atilde;o, orienta&ccedil;&atilde;o,    modifica&ccedil;&otilde;es ambientais, etc), ora <i>psicodin&acirc;micas</i>    (explica&ccedil;&atilde;o dos dinamismos inconscientes das rela&ccedil;&otilde;es    familiares, e, quando necess&aacute;rio, interpreta&ccedil;&atilde;o da transfer&ecirc;ncia    e das resist&ecirc;ncias).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>alcance</i>    da psicoterapia preventiva da fam&iacute;lia compreende desde os sintomas individuais    at&eacute; as dificuldades de ajustamento intra ou extra-familiares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O <i>objetivo</i>    &eacute; promover a integra&ccedil;&atilde;o familiar a n&iacute;veis de adapta&ccedil;&atilde;o    mais eficazes. Para alcan&ccedil;ar esse objetivo faz-se um <i>seguimento preventivo</i>    a cada tr&ecirc;s meses. Desse modo &eacute; verificado periodicamente o estado    de adapta&ccedil;&atilde;o familiar, independente de haver chamada para ajuda    psicol&oacute;gica. A fam&iacute;lia vai compreendendo pela experi&ecirc;ncia    o que significa preven&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria. Assim, o atendimento    preventivo da fam&iacute;lia combina dois modelos de assist&ecirc;ncia psicol&oacute;gica:    um m&eacute;todo breve, quando surge um problema situacional (e cai no &acirc;mbito    da preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ou terci&aacute;ria) e um m&eacute;todo    de atendimento por prazo indeterminado, que visa manter e melhorar o n&iacute;vel    de efic&aacute;cia adaptativa da fam&iacute;lia (&acirc;mbito da preven&ccedil;&atilde;o    prim&aacute;ria).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com o intuito de    ilustrar como se processa a psicoterapia preventiva da fam&iacute;lia, cito    um atendimento relativamente simples. Uma fam&iacute;lia composta de quatro    pessoas: o casal e duas filhas de 9 e 6 anos, na ocasi&atilde;o do in&iacute;cio    do atendimento. A queixa era e que a filha mais nova, apresentava mau aproveitamento    escolar e n&atilde;o iria ser aprovada no exame para ingresso numa escola muito    conceituada e muito exigente. Essa escola era frequentada pela irm&atilde; mais    velha e todos os filhos dos parentes pr&oacute;ximos. Para os pais era uma quest&atilde;o    de honra que a filha ingressasse nessa escola. A psic&oacute;loga incumbida    do atendimento conclui que a crian&ccedil;a problema, M, tinha intelig&ecirc;ncia    normal. Pela investiga&ccedil;&atilde;o da din&acirc;mica familiar verificou    que a menina sofria de car&ecirc;ncia afetiva. Os pais trabalhavam fora de casa.    Ela usava o mau aproveitamento escolar como forma de obter afeto dos pais. M,comumente,    telefonava para a m&atilde;e no local de trabalho, angustiando-a com queixas    de mal-estar f&iacute;sico. Se os pais estavam apreensivos com o &ecirc;xito    escolar de M, esta aproveitava esse fato para obter toda aten&ccedil;&atilde;o    poss&iacute;vel. A solu&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica era aparentemente    simples. Se M obtinha afeto com sua inferioridade escolar, bastava que os pais    deixassem de demonstrar ang&uacute;stia nessa situa&ccedil;&atilde;o. Cessaria    o ganho que M obtinha e desapareceria o motivo para ser uma estudante relapsa.    Mas a recomenda&ccedil;&atilde;o n&atilde;o p&ocirc;de ser facilmente acatada,    principalmente pelo pai, que se angustiava muito com a insufici&ecirc;ncia escolar    de M.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aprofundando as    investiga&ccedil;&otilde;es, verificou-se que o pai, na inf&acirc;ncia, fora    por sua vez um estudante ineficiente, tendo sido rejeitado por isso. Mais tarde,    quando se candidatara &agrave; m&atilde;o da futura esposa, a fam&iacute;lia    desta fizera-lhe restri&ccedil;&otilde;es. Assim, o pai precisava provar para    a fam&iacute;lia da sogra que suas filhas eram excelentes estudantes, para desmentir    os progn&oacute;sticos desfavor&aacute;veis na ocasi&atilde;o do namoro. &Eacute;    claro que tudo isso que a psic&oacute;loga apurou era inconsciente para os familiares.    Assim, o pai de M p&ocirc;de perceber que estava submetido &agrave;s figuras    paternas de sua inf&acirc;ncia. E, posteriormente, aos sogros rejeitadores com    quem se identificava e, por isso, atormentava M. Ao ser poss&iacute;vel mostrar-lhe    que sua filha M estava nas mesmas condi&ccedil;&otilde;es de quando o pai era    crian&ccedil;a, este p&ocirc;de identificar-se com a filha. Sua atitude mudou    de cr&iacute;tica para simp&aacute;tica. M, obtendo gratifica&ccedil;&atilde;o    afetiva direta, dispensou o m&eacute;todo antigo, melhorou nos estudos e ingressou    na escola pretendida. Continuando o atendimento trimestral nas visitas peri&oacute;dicas    preventivas a psic&oacute;loga obteve um quadro mais amplo da situa&ccedil;&atilde;o    e sua rela&ccedil;&atilde;o com as fam&iacute;lias dos parentes. A m&atilde;e    de M tamb&eacute;m fora uma crian&ccedil;a rejeitada pelos familiares. Assim,    se M era o bode expiat&oacute;rio da fam&iacute;lia, seus pais, quando crian&ccedil;as,    tamb&eacute;m o haviam sido. A fam&iacute;lia de M, em seu conjunto, era rejeitada    pelas outras fam&iacute;lias de parentes, isto &eacute;, era uma fam&iacute;lia    bode-expiat&oacute;rio. Em s&iacute;ntese, t&iacute;nhamos come&ccedil;ado com    uma crian&ccedil;a que era bode-expiat&oacute;rio da fam&iacute;lia, e constatamos    que a fam&iacute;lia por sua vez era bode-expiat&oacute;rio das fam&iacute;lias    parentais. Dificilmente chegar&iacute;amos a essa amplitude de conhecimento    se restring&iacute;ssemos o atendimento apenas ao consult&oacute;rio. A psic&oacute;loga    trabalhou essa circunst&acirc;ncia dando apoio afetivo aos pais, desenvolvendo    sua auto-estima, ajudando-os a serem mais assertivos com as fam&iacute;lias    dos parentes. Sugeriu-lhes que se tornassem menos dependentes, procurando contatos    com fam&iacute;lias diferentes. Discutiu os problemas inter-familiares, estimulando    a rebeli&atilde;o contra a submiss&atilde;o. E assim, aos poucos, melhorou a    integra&ccedil;&atilde;o intra-familiar, e aumentou a auto-estima e indeped&ecirc;ncia    no contato extra-familiar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><i><b>M&eacute;ritos</b></i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O atendimento preventivo    da fam&iacute;lia tem v&aacute;rios m&eacute;ritos. Cito os mais importantes,    a) Promovendo um seguimento trimestral indefinido desenvolve uma mentalidade    de assist&ecirc;ncia preventiva permanente. b) Essa vigil&acirc;ncia preventiva    corresponde a um seguro de sa&uacute;de mental familiar pouco oneroso, c) Em    termos de preven&ccedil;&atilde;o secund&aacute;ria ou terci&aacute;ria, o procedimento    de ir em busca de fam&iacute;lias dentro da comunidade permite alcan&ccedil;ar    casos que s&oacute; muito tarde ou nunca iriam procurar ajuda especializada.    E assim se pode evitar o agravamento ou a cronicidade de muitos dist&uacute;rbios    de adapta&ccedil;&atilde;o, poupando sofrimento desnecess&aacute;rio a grande    n&uacute;mero de pessoas, d) Nosso modelo alternativo de atendimento liberta    o psic&oacute;logo e a comunidade da depend&ecirc;ncia governamental. Isso n&atilde;o    &eacute; pouca coisa, considerando os v&iacute;cios dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos.    Os mais graves sendo a inefici&ecirc;ncia burocr&aacute;tica, a impessoalidade    no atendimento, a dilui&ccedil;&atilde;o da responsabilidade no anonimato institucional.    Em nosso modelo &eacute; sempre o mesmo psic&oacute;logo que cuida da mesma    fam&iacute;lia, que conhece o atendimento completo e assume pessoalmente o v&iacute;nculo    afetivo e a responsabilidade pelo trabalho preventivo. e) Amplia a &aacute;rea    de atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo para al&eacute;m do consult&oacute;rio.    O psic&oacute;logo pode ocupar as horas vagas no consult&oacute;rio assumindo    o atendimento preventivo da fam&iacute;lia. Por outro lado h&aacute; muitos    psic&oacute;logos que gostariam de trabalhar em cl&iacute;nica, mas n&atilde;o    t&ecirc;m recursos para montar consult&oacute;rio. Nem seria econ&ocirc;mico    se o fizessem, por falta de clientes. Todavia, esse psic&oacute;logo que precisa    trabalhar em outra &aacute;rea por motivos de subsist&ecirc;ncia, adotando nosso    modelo preventivo poderia dispensar a infra-estrutura consultorial e dar assist&ecirc;ncia    em hor&aacute;rio n&atilde;o-comercial. A Sociedade de Psicologia Cl&iacute;nica    Preventiva oferece-lhe um curso de especializa&ccedil;&atilde;o, supervis&atilde;o    do atendimento, grupo para pesquisa e discuss&atilde;o das experi&ecirc;ncias,    e um banco de fam&iacute;lias esperando assist&ecirc;ncia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><i><b>Conclus&otilde;es</b></i>    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em suma, o atendimento    preventivo da fam&iacute;lia tem <i>um princ&iacute;pio:</i> o cliente &eacute;    a fam&iacute;lia; <i>um m&eacute;todo:</i> o trabalho &eacute; domiciliar, com    t&eacute;cnicas de psicoterapia breve; <i>um prop&oacute;sito:</i> seguimento    intermin&aacute;vel com intuito de vigil&acirc;ncia preventiva; <i>um fim:</i>    cobrir todas as fases da preven&ccedil;&atilde;o &#151; prim&aacute;ria, secund&aacute;ria    e terci&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Visto que na Sociedade    de Psicologia Cl&iacute;nica Preventiva somos todos psic&oacute;logos trabalhando    por amor &agrave; pesquisa, temos somente o escasso tempo livre para investigar.    Nosso conhecimento vai avan&ccedil;ando lentamente. Convidamos os interessados    a juntarem-se a n&oacute;s para ampliarmos nosso esfor&ccedil;os.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando Freud deixou    a hipnose pelo m&eacute;todo da associa&ccedil;&atilde;o-livre, descobriu a    Psican&aacute;lise. Quando Melanie Klein adotou o m&eacute;todo da ludoterapia,    trouxe v&aacute;rios progressos &agrave; psican&aacute;lise. O atendimento preventivo    da fam&iacute;lia &eacute; um campo novo, que aguarda o aparecimento de seus    Freud e Melanie Klein. Mas para encontr&aacute;-los &eacute; preciso estar trabalhando.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para finalizar,    abordo o lado pr&aacute;tico e seus problemas atuais. A Sociedade de Psicologia    Preventiva tem procurado funcionar de dois modos nessa &aacute;rea da comunidade.    De um lado, dando forma&ccedil;&atilde;o aos psic&oacute;logos atrav&eacute;s    de cursos de especializa&ccedil;&atilde;o. De outro, servindo como centro de    coordena&ccedil;&atilde;o dessa assist&ecirc;ncia preventiva &agrave; fam&iacute;lia.    Nesse duplo funcionamento nem tudo s&atilde;o rosas. Do lado do psic&oacute;logo,    temos que o profissional mais experiente, acostumado &agrave; seguran&ccedil;a    e &agrave;s t&eacute;cnicas mais conhecidas do trabalho em consult&oacute;rio,    dificilmente se disp&otilde;e a arriscar-se nesse campo desconfort&aacute;vel    e incerto do atendimento domiciliar. A solu&ccedil;&atilde;o &eacute; contar    com psic&oacute;logos novos, n&atilde;o "viciados" nas comodidades tradicionais,    mas tamb&eacute;m sem experi&ecirc;ncia e com pouco conhecimento para lidar    em &aacute;rea t&atilde;o complexa. Por conseguinte, s&atilde;o muitas as frustra&ccedil;&otilde;es,    desencantos e ang&uacute;stias. Poucos suportam todas essas vicissitudes. Quanto    &agrave;s fam&iacute;lias atendidas, habituadas a uma assist&ecirc;ncia paternalista    gratuita, dificilmente se prestam a pagar os m&oacute;dicos pre&ccedil;os do    atendimento domiciliar e que mal bastam para custear as despesas do psic&oacute;logo.    Esses s&atilde;o os percal&ccedil;os e desencanto nessa &aacute;rdua tarefa    de disseminar os princ&iacute;pios da Psicologia Cl&iacute;nica Preventiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS    BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SIMON, R. - <i>Psicologia    Cl&iacute;nica Preventiva - Novos - Fundamentos-</i> S&atilde;o Paulo; Vetor    - Editora Psicopedag&oacute;gica, 1983. Edi&ccedil;&atilde;o esgotada. Ser&aacute;    reeditado pela E.P.U. - Editora Pedag&oacute;gica Universit&aacute;ria, tamb&eacute;m    de S&atilde;o Paulo, no 2&deg; semestre de 1989).</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2162373&pid=S1414-9893198900020000700001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="back"></a><a href="#top">(*)</a>    "Adapta&ccedil;&atilde;o mais (ou menos) eficaz" &eacute; um conceito que foi    operacionalizado em meu livro "Psicologia Cl&iacute;nica Preventiva" (Simon,    R. 1983). Significa genericamente que o conjunto das solu&ccedil;&otilde;es    encontradas para os problemas vitais permitem gratifica&ccedil;&otilde;es qualitativas    e quantitativas e, tamb&eacute;m, produzem relativamente reduzidos conflitos    intraps&iacute;quicos e ambientais.</font></p>      ]]></body>
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