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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>LEITURA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>As raz&otilde;es    de uma &Eacute;tica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Vera Lucia Colucci</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Psican&aacute;lise    e Contexto Cultural", de Jurandir Freire Costa (Editora Campus, 1989) &eacute;    fruto de investiga&ccedil;&atilde;o realizada durante cinco anos no ambulat&oacute;rio    psiqui&aacute;trico do Hospital D. Pedro II, Rio de Janeiro. Se n&atilde;o foi    poss&iacute;vel dar continuidade a esse trabalho devido ao expurgo de toda a    equipe respons&aacute;vel, inclusive o autor, foi poss&iacute;vel, no entanto,    transform&aacute;-lo em tese de livre-doc&ecirc;ncia defendida na UERJ e agora    apresentado ao p&uacute;blico na forma de livro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De um modo simples,    mas enfrentando as dificuldades que o tema exige, Jurandir nos faz companheiros    de suas investiga&ccedil;&otilde;es extra-muros da psican&aacute;lise. Seu trabalho    faz eco a muitas das inquieta&ccedil;&otilde;es a que est&aacute; sujeito o    psicoterapeuta que trabalha atendendo a popula&ccedil;&atilde;o pobre, como    por exemplo: dificuldades que surgem do impacto das diferen&ccedil;as culturais    entre o terapeuta e o paciente. Seu estilo despojado contribui muito para questionarmos    preconceitos te&oacute;ricos, j&aacute; suspeitados, e a quebrar &iacute;cones    sagrados, numa pr&aacute;tica que se pretende universalista sem questionar suas    pr&oacute;prias condi&ccedil;&otilde;es de produ&ccedil;&atilde;o. O livro de    Jurandir &eacute; bem-vindo porque oferece uma interlocu&ccedil;&atilde;o ao    trabalhador de sa&uacute;de mental e avan&ccedil;a em quest&otilde;es te&oacute;ricas    de modo estimulante. Freq&uuml;entemente com falta de referentes em que se espelhar,    uma vez que a maior parte das bibliografias trata tanto da psique individual    quanto do acontecer em abstrato, o trabalhador de sa&uacute;de mental tem agora    um livro s&eacute;rio que fala das "coisas da gente" e que convida ao estudo    e &agrave; continuidade de pesquisa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Logo na Introdu&ccedil;&atilde;o    somos informados sobre o roteiro geral de reflex&atilde;o que o autor empreende,    bem como de suas principais motiva&ccedil;&otilde;es. &Eacute; a&iacute; tamb&eacute;m    que vamos tecendo nossas identifica&ccedil;&otilde;es. Jurandir fala em suas    raz&otilde;es da raz&atilde;o e das raz&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o para    desenvolver seus estudos. Entre as primeiras est&aacute;, por exemplo, a curiosidade    de saber at&eacute; onde pode ser estendida a psican&aacute;lise sem perder    suas ra&iacute;zes; como &eacute; poss&iacute;vel dar conta da rela&ccedil;&atilde;o    entre sujeito e cultura sem se afastar da psican&aacute;lise? O autor toma como    guia de suas incurs&otilde;es o pr&oacute;prio Freud, al&eacute;m de Lacan e    Wittgenstein. Com o conceito de ego-narc&iacute;sico imagin&aacute;rio, Jurandir    constr&oacute;i a chave para entender como a diversidade s&oacute;cio-cultural    marca o sujeito, mantendo, ao mesmo tempo, o estatuto de sujeito do desejo.    "Este ego, que &eacute; o que permanece na mutabilidade cont&iacute;nua do tempo,    vai ser articulado &agrave;s identidades socialmente constru&iacute;das, em    particular &agrave;quelas das camadas populares. Tanto a conduta sadia como    a doente s&atilde;o igualmente prescritas pelos c&oacute;digos s&oacute;cio-culturais.    Levando isso em conta, como se pode pensar qual enquadramento mais adequado    &agrave; escuta, &agrave; fala e &agrave; interpreta&ccedil;&atilde;o?". Sua    conclus&atilde;o &eacute; pelo grupo psicoterap&ecirc;utico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do conceito te&oacute;rico    metapsicol&oacute;gico para a teoria da t&eacute;cnica, Jurandir inquieta-se    quanto aos destinos de sua pr&aacute;tica: "por que todo o enorme esfor&ccedil;o    intelectual que despendemos, tentando compreender psicanaliticamente o sujeito,    &eacute; drenado exclusivamente para um min&uacute;sculo grupo de pessoas? Por    que outras pessoas que n&atilde;o as de nossa clientela privada, n&atilde;o    teriam direito a ocupar nossa aten&ccedil;&atilde;o e nosso interesse?". &Eacute;    a&iacute; que se fundam suas raz&otilde;es do cora&ccedil;&atilde;o, onde se    constr&oacute;i a posi&ccedil;&atilde;o &eacute;tica do autor. Tendo como refer&ecirc;ncia    Hannah Arendt, restabelece a <i>dignidade do pol&iacute;tico</i> e afirma que    &eacute; s&oacute; o pol&iacute;tico que pode fornecer as condi&ccedil;&otilde;es    para uma reflex&atilde;o sobre o bem comum, pois &eacute; "no espa&ccedil;o    do pol&iacute;tico que o homem age e fala sobre aquilo que diz respeito a todos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pensar sobre as    condi&ccedil;&otilde;es do psiquismo humano articuladas &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es    de vida que produzem uma dada subjetividade - este &eacute; o desafio que Jurandir    enfrenta. N&atilde;o se trata de pretender resolver as injusti&ccedil;as do    mundo, coisa a que a psican&aacute;lise nunca se prop&ocirc;s. N&atilde;o se    trata igualmente, por outro lado, de se oferecer um tratamento universal para    toda e qualquer pessoa, em toda e qualquer circunst&acirc;ncia, avisa o autor.    A partir da nomea&ccedil;&atilde;o do sofrimento ps&iacute;quico como "doen&ccedil;a    dos nervos", t&atilde;o comum &agrave; popula&ccedil;&atilde;o que freq&uuml;enta    os ambulat&oacute;rios, o autor vai afirmar a particularidade desse discurso    que se inscreve num corpo-trabalho, muito mais do que no corpo-prazer das elites.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">" <i>Psican&aacute;lise    e Contexto Cultural</i> ..." se apresenta em cinco cap&iacute;tulos, cujos t&iacute;tulos    t&ecirc;m a seguinte ordem: "Psicoterapia de Grupo: Quest&otilde;es Iniciais";    "Psicoterapia e Doen&ccedil;a dos Nervos"; "Considera&ccedil;&otilde;es sobre    os Grupos"; "O Grupo no Pensamento de Freud" e "Imagin&aacute;rio Psicanal&iacute;tico    e Psicoterapias em Grupo".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Num estilo que    vai permear todo o trabalho, ora menos ora mais inflamado, Jurandir faz cr&iacute;ticas    indignadas aos preconceitos sustentados pelo imagin&aacute;rio das psicoterapias,    os quais impedem o desenvolvimento da pr&aacute;tica junto &agrave;s camadas    populares. &Eacute; a psican&aacute;lise e os produtores desse saber e dessa    pr&aacute;tica que devem procurar responder &agrave;s dificuldades encontradas.    N&atilde;o &eacute; o paciente que &eacute; inadequado, que n&atilde;o sabe    simbolizar ou que n&atilde;o entende o que "a gente diz". O erro n&atilde;o    pode estar com o paciente!</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Toda vez que se    pretenda universalizar o particular, domesticando-o com preceitos que nada t&ecirc;m    a ver com as condi&ccedil;&otilde;es de sua produ&ccedil;&atilde;o, l&aacute;    estar&aacute; Jurandir num trabalho de desmontagem do discurso. Assim acontece    com as concep&ccedil;&otilde;es sobre a doen&ccedil;a; a cren&ccedil;a na abstra&ccedil;&atilde;o    formal do par tarapeuta-paciente, assim como na exist&ecirc;ncia de um modelo    &uacute;nico de comunica&ccedil;&atilde;o humana, independente dos c&oacute;digos    e estilos peculiares a grupos e sujeitos espec&iacute;ficos. O mesmo trabalho    cr&iacute;tico vai ser feito com as concep&ccedil;&otilde;es essencialistas    sobre grupo psicoterap&ecirc;utico. O autor realiza verdadeiro combate &agrave;s    teorias que postulam um psiquismo para o grupo tal como &eacute; concebido para    o indiv&iacute;duo. O grupo tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; visto como uma    forma menor de psicoterapia, mas como o enquadramento indicado para certos tipos    de pessoas, com certas problem&aacute;ticas, como &eacute; o caso dos que sofrem    da "doen&ccedil;a dos nervos", amplamente estudada neste livro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser&aacute; nos    dois &uacute;ltimos cap&iacute;tulos, no entanto, que desenvolver&aacute; com    maior densidade as quest&otilde;es te&oacute;ricas da psican&aacute;lise. Em    "O Grupo no Pensamento de Freud", Jurandir vai mostrar como os chamados textos    sociais de Freud, na verdade, n&atilde;o trazem qualquer contribui&ccedil;&atilde;o    para uma teoria do social, mas oferecem, isto sim, inova&ccedil;&otilde;es metapsicol&oacute;gicas    preciosas, em especial a do ego narc&iacute;sico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">E em "Imagin&aacute;rio    Psicanal&iacute;tico e Psicoterapias em Grupo", o autor&nbsp;trabalha a no&ccedil;&atilde;o    de imagin&aacute;rio e, para isso, recupera o pensamento sobre a imagina&ccedil;&atilde;o    tal como foi concebido por figuras expressivas da filosofia. E nesse percurso,    Jurandir vai garimpando a diferen&ccedil;a entre sujeito e ego, bem como sua    articula&ccedil;&atilde;o. &Eacute; com a no&ccedil;&atilde;o de ego-narc&iacute;sico    imagin&aacute;rio que o autor d&aacute; conta da varia&ccedil;&atilde;o cultural    das identidades subjetivas, sem contradizer a hip&oacute;tese da invari&acirc;ncia    de estruturas ps&iacute;quicas do sujeito. Todo este trabalho de articula&ccedil;&atilde;o    visa a fundamentar a tese inicialmente colocada, a da indica&ccedil;&atilde;o    da psicoterapia de grupo para as pessoas cujas marcas culturais foram referidas    ao longo do texto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um alerta e uma    ressalva, no entanto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O alerta: o pr&oacute;prio    Jurandir deixa claro, logo de in&iacute;cio, que ficar&atilde;o de lado em seu    estudo alguns te&oacute;ricos de grupo importantes, assim como n&atilde;o trabalhar&aacute;    quest&otilde;es como a transfer&ecirc;ncia, a interpreta&ccedil;&atilde;o, a    indentifica&ccedil;&atilde;o. Assim, aqueles que come&ccedil;am a leitura com    um alento &#151; finalmente um livro que fala das nossas coisas! &#151; v&atilde;o    tamb&eacute;m sentindo que h&aacute; muito ch&atilde;o a percorrer. Da derrubada    de t&atilde;o importantes concep&ccedil;&otilde;es, tais como a duvidosa diferen&ccedil;a    entre psicoterapia e psican&aacute;lise, enquadre, a doen&ccedil;a como discurso,    etc, novas perguntas surgem e antigas quest&otilde;es reaparecem...</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ressalva: N&atilde;o    poucas refer&ecirc;ncias a conceitos utilizados pedem maior explicita&ccedil;&atilde;o,    desenvolvimento. Muitas vezes ficamos desejando busc&aacute;-las no texto original,    a tese.</font></p>      ]]></body>

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