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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Aporte para uma hermenêutica em psicologia escolar]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade da República Oriental do Uruguai  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article tries to bring out for debate the methodological value that hermeneutic can have as an epistemological instrument when applied in the area of school Psychology and the usefulness of the participant observation technique in the context of a qualitative methodology of research accomplished in the public school. For the analysis of the information contained in the daily report book and in the interviews, it was used the content analysis to achieve a sight that comes to enhance the multidimensional aspect of the learning difficulties, the characteristics of the communication and of the students, teachers, psychologists and the own researchers behavior. In the stage of the categories interpretation, it tries to bring up the sense of experience from the contact with others and the psychologist's performance in the collective health field, using the existential understanding as base.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Psicologia escolar]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Aporte para uma hermen&ecirc;utica em psicologia escolar</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Contribution for hermeneutic in the school psychology </b></font></p>       <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>                          <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Elbio Nelson Cardoso Guardia<sup><a name="1"></a><a href="#1a">1</a></sup></B></font></P>       <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade da República Oriental do Uruguai</FONT></P>       <p align="left"><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="Enda"></a><a href="#end">Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>RESUMO</B></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo busca colocar em pauta para debate o valor  metodol&oacute;gico que pode ter a hermen&ecirc;utica, enquanto instrumento epistemol&oacute;gico,  quando aplicada &agrave; &aacute;rea de Psicologia escolar e a utilidade da t&eacute;cnica de  observa&ccedil;&atilde;o participante no contexto de uma metodologia qualitativa de pesquisa,  realizada na escola p&uacute;blica. Para a an&aacute;lise das informa&ccedil;&otilde;es contidas no di&aacute;rio de  campo e nas entrevistas, utilizamos a an&aacute;lise de conte&uacute;do para lograr uma  leitura que venha a real&ccedil;ar o aspecto multidimensional das dificuldades  de aprendizagem, as caracter&iacute;sticas da comunica&ccedil;&atilde;o e dos comportamentos  dos alunos, professoras, psic&oacute;logas e do pr&oacute;prio pesquisador. Na fase  de interpreta&ccedil;&atilde;o das categorias, procura-se captar o sentido da experi&ecirc;ncia  do encontro com o outro e a atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo no campo da sa&uacute;de  coletiva, utilizando como base a compreens&atilde;o existencial.</FONT></P>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Palavras-chave</B>: Psicologia escolar, Acompanhamento  <I>in situ</I>, Empatia.</font></p> <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article tries to bring out for debate the methodological  value that hermeneutic can have as an epistemological instrument when applied  in the area of school Psychology and the usefulness of the participant  observation technique in the context of a qualitative methodology of research  accomplished in the public school. For the analysis of the information contained in the  daily report book and in the interviews, it was used the content analysis to  achieve a sight that comes to enhance the multidimensional aspect of the  learning difficulties, the characteristics of the communication and of the  students, teachers, psychologists and the own researchers behavior. In the stage of  the categories interpretation, it tries to bring up the sense of experience from  the contact with others and the psychologist's performance in the collective  health field, using the existential understanding as base.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Keywords</B>: School Psychology, Participant observation, Hermeneutic.</font></P>  <hr noshade size="1">      <P>&nbsp;</p>     <P>&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De modo geral, no Brasil, o psic&oacute;logo,  quando trabalha na escola oficial, defronta-se com  os problemas acarretados pelo fracasso escolar e o mal-estar deles decorrentes, que  atingem as fam&iacute;lias e os professores em sala de  aula. Diante de tal situa&ccedil;&atilde;o, sem muitas  op&ccedil;&otilde;es, esse profissional &eacute; levado, pela tradi&ccedil;&atilde;o,  a adotar um enfoque institucional no manejo e na compreens&atilde;o das dificuldades  de aprendizagem, limitando-se a assessorar os professores com uma escuta  psicanal&iacute;tica, encaminhando os alunos &quot;at&iacute;picos&quot;  para psicoterapia com psic&oacute;logos credenciados  ou atuantes em postos de sa&uacute;de, ou para atendimento psicopedag&oacute;gico cl&iacute;nico.  Nas escolas municipais de Porto Alegre, em particular, o trabalho do psic&oacute;logo  est&aacute; praticamente circunscrito &agrave; supervis&atilde;o  de escolas especiais e &agrave;s professoras de  Educa&ccedil;&atilde;o Especial, encarregadas das salas de  integra&ccedil;&atilde;o e recursos (SIR), destinadas a facilitar  a integra&ccedil;&atilde;o, nas escolas regulares, dos  alunos com necessidades educativas especiais e com dificuldades de aprendizagem.  </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Qual a efic&aacute;cia    dessas abordagens?</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabe-se que, em se tratando de alunos de periferia, nenhuma dessas medidas  t&ecirc;m efic&aacute;cia comprovada. </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Problema de pesquisa</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; poss&iacute;vel falar em atendimento  psicol&oacute;gico adequado para alunos que, por um motivo  ou outro, sofrem o fracasso escolar cr&ocirc;nico  na escola p&uacute;blica que adota uma abordagem institucional, conforme evidenciado na  Rede Municipal de Educa&ccedil;&atilde;o em Porto Alegre?</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em contraponto a essa problem&aacute;tica,  primeiro buscamos, pela hermen&ecirc;utica, contextualizar  o problema de pesquisa e, numa segunda  inst&acirc;ncia, descobrirmos possibilidades heur&iacute;sticas a  partir da experimenta&ccedil;&atilde;o de campo, embasada  no marco conceitual da sa&uacute;de coletiva. Com  efeito, esta investiga&ccedil;&atilde;o adv&eacute;m da possibilidade  que brinda a hermen&ecirc;utica, na sua  acep&ccedil;&atilde;o moderna, entendida como um processo  dial&eacute;tico entre a compreens&atilde;o e a interpreta&ccedil;&atilde;o, e  do qual emerge um sentido, necessariamente, inserido em um contexto hist&oacute;rico social, e  de sa&uacute;de coletiva, por permitir manejar o  conceito de campo e de valor social e existencial  quando nos referimos &agrave; categoria doen&ccedil;a e sa&uacute;de.  Ambas permitiram-nos conduzir uma forma de  produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento desvinculada da praxe  usual, ligada &agrave; escuta e ao enquadramento, recomendado pela interven&ccedil;&atilde;o em  Psicologia cl&iacute;nica, em Psicopedagogia, em Pedagogia e  em Psicologia escolar, na sua vertente tecnicista ou institucional.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Contextualiza&ccedil;&atilde;o    do problema de pesquisa</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O campo epistemol&oacute;gico que investigamos est&aacute; vinculado &agrave; hist&oacute;ria da forma&ccedil;&atilde;o  de determinadas pr&aacute;ticas sociais e  construtos te&oacute;ricos, que t&ecirc;m influenciado, direta  ou indiretamente, a configura&ccedil;&atilde;o de  uma forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria incompleta  em Psicologia escolar e no magist&eacute;rio e, conseq&uuml;entemente, a atua&ccedil;&atilde;o do  psic&oacute;logo e do professor em nosso meio, distante  da realidade dos alunos de periferia considerados &quot;diferentes&quot;. Trata-se de estrat&eacute;gias m&iacute;ticas  ou concretas, postas em pr&aacute;tica pela  Tradi&ccedil;&atilde;o, pela Pol&iacute;tica, pela Medicina, pela Educa&ccedil;&atilde;o  e pela Psicologia para alcan&ccedil;ar, em cada  &eacute;poca, perfis de homem, assim como do  itiner&aacute;rio de determinadas conting&ecirc;ncias  sociohist&oacute;ricas que t&ecirc;m provocado o surgimento  espont&acirc;neo ou calculado de pr&aacute;ticas sociais e de  construtos ideol&oacute;gicos, revestidos de  &quot;<I>jogos de verdade</I>&quot;, de desvelos fraternais ou de franca  hipocrisia em &aacute;reas da educa&ccedil;&atilde;o e da sa&uacute;de individual  e coletiva. Na verdade, no cerne dessas quest&otilde;es, h&aacute; uma compreens&atilde;o ufana,  que instrumenta a&ccedil;&otilde;es, rem&eacute;dios preventivos  e curativos para os problemas das crian&ccedil;as pobres em fase de escolariza&ccedil;&atilde;o. Essa  soberba ocorre, sempre, no campo da ci&ecirc;ncia  das sociedades modernas por estarem estas ligadas, direta ou indiretamente, ao  poder disciplinar (Foucault, 1981; 1999).</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse contexto epistemol&oacute;gico, os  problemas que interrogamos, em rela&ccedil;&atilde;o aos alunos  de periferia que freq&uuml;entam a escola p&uacute;blica  em nosso pa&iacute;s, originam-se no Brasil Col&ocirc;nia.  A diferen&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o social entre o  branco colonizador europeu e a popula&ccedil;&atilde;o  nativa, negra e mesti&ccedil;a, assim como a  economia, baseada na grande propriedade e na  m&atilde;o-de-obra escrava, sob o dom&iacute;nio do poder  da fam&iacute;lia patriarcal, criavam, mediante a obra  dos jesu&iacute;tas, condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis para  a importa&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias dominantes da  cultura medieval europ&eacute;ia e de um modelo de  ensino escol&aacute;stico, acad&ecirc;mico e  aristocr&aacute;tico, destinado &agrave;s classes sociais  dominantes (Romanelli, 2001), e sobre a qual se  formaria o sistema educativo brasileiro. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O processo de exclus&atilde;o de certas camadas  da sociedade vai complementar-se, no final do s&eacute;culo XVIII e in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX, com  um fen&ocirc;meno chamado por Foucault (1999) de  &quot;<I>ortopedia social</I>&quot; em raz&atilde;o da  utiliza&ccedil;&atilde;o discriminada de m&eacute;todos  corretivos disciplinares, de vigil&acirc;ncia e controle, e  por ser uma &eacute;poca em que o controle social  dos indiv&iacute;duos se aperfei&ccedil;oa por meio de uma  s&eacute;rie de institui&ccedil;&otilde;es pedag&oacute;gicas,  m&eacute;dicas, psicol&oacute;gicas, psiqui&aacute;tricas e policiais,  tendo como objeto de aten&ccedil;&atilde;o, principalmente,  as crian&ccedil;as durante a primeira inf&acirc;ncia  (Enguita, 1989), mas que se estender&aacute;, tamb&eacute;m,  aos loucos, aos pobres e &agrave;s prostitutas. No  campo da Educa&ccedil;&atilde;o, deslocou-se o interesse  religioso para a disciplina material e para a  organiza&ccedil;&atilde;o meticulosa da experi&ecirc;ncia escolar.  Aspectos da disciplina mon&aacute;stica passaram a  ser aplicados, no decorrer do s&eacute;culo XVIII,  nas escolas, f&aacute;bricas e quart&eacute;is, configurando  uma nova &quot;<I>microf&iacute;sica do  poder&quot;</I> mediante um investimento pol&iacute;tico, cada vez maior,  na import&acirc;ncia dos arranjos disciplinares,  desde os mais sutis at&eacute; dispositivos de inspe&ccedil;&atilde;o,  que centram sua aten&ccedil;&atilde;o em min&uacute;cias e  detalhes aparentemente inofensivos, mas que  resultar&atilde;o no quadro espec&iacute;fico da escola elementar,  pela ordena&ccedil;&atilde;o dos alunos por fileiras, em sala  de aula, nos corredores, nos p&aacute;tios, nas  avalia&ccedil;&otilde;es dos alunos em rela&ccedil;&atilde;o a cada tarefa,  sucess&atilde;o de assuntos ensinados, exerc&iacute;cios em  ordem de dificuldade crescente, entre outros. &Eacute;  nesse contexto disciplinar que a crian&ccedil;a, o louco,  o condenado e o doente ser&atilde;o, a partir do  s&eacute;culo XVIII, objeto de descri&ccedil;&otilde;es individuais e  de relatos biogr&aacute;ficos ; cada um receber&aacute;  a caracteriza&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria  individualidade, ligada aos tra&ccedil;os, &agrave;s medidas, aos desvios,  &agrave;s notas.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil, o nascimento da psiquiatria, durante o s&eacute;culo XIX, realiza-se no seio da  Medicina social, que incorpora a sociedade como  objeto de estudo, desenvolvendo inst&acirc;ncias  de controle social dos indiv&iacute;duos e das popula&ccedil;&otilde;es. A psiquiatria ter&aacute;, como  primeiro alvo de investiga&ccedil;&atilde;o, o louco pobre (os  ricos eram isolados, alimentados e tratados, em quartos fechados, em suas pr&oacute;prias  casas), considerado potencialmente perigoso para a moral p&uacute;blica e a seguran&ccedil;a, sendo, por  esse motivo, retirado das ruas e levado para o Hospital da Santa Casa de Miseric&oacute;rdia,  lugar para onde iam os &quot;alienados&quot; antes  da constru&ccedil;&atilde;o do Hosp&iacute;cio, por D. Pedro II,  em 1841, no Rio de Janeiro (Machado, 1978). No Rio Grande do Sul, os exclu&iacute;dos foram  os &quot;ga&uacute;chos&quot;, mesti&ccedil;os que viviam de  &quot;prear&quot; gado para as charqueadas. Eles se  sentiram, de repente, fora das trocas sociais e econ&ocirc;micas porque ineptos para  acomodar-se &agrave; demanda da nova ordem capitalista  e competir com a m&atilde;o-de-obra dos imigrantes europeus, trazidos, especialmente,  pelos portugueses para explorar a agricultura e trabalhar na incipiente ind&uacute;stria de  manufatura. Passaram a ser considerados &quot;gentalha&quot;,  &quot;ral&eacute;&quot; que amea&ccedil;ava os centros urbanos. O  Hosp&iacute;cio S&atilde;o Pedro, em Porto Alegre, desde 1984,  tem cumprido seu papel sob o olhar da Medicina Social, e foi de seu feitio absorver  os &quot;exclu&iacute;dos&quot; da nova ordem capitalista;  esse manic&ocirc;mio conheceu todos os tratamentos poss&iacute;veis para a loucura: exclus&atilde;o do  conv&iacute;vio social, tratamento moral, col&ocirc;nia  agr&iacute;cola, sangria, insulinoterapia,  eletrochoque, farmacologia, castigos.  </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Medicina escolar (Lima, 1985) brasileira  teve, tamb&eacute;m, participa&ccedil;&atilde;o nesse processo  de normaliza&ccedil;&atilde;o e, junto com a  Educa&ccedil;&atilde;o, constru&iacute;ram estere&oacute;tipos (Jeca Tatu),  tra&ccedil;os distintivos caracter&iacute;sticos de doen&ccedil;as  para identificar a condi&ccedil;&atilde;o de ser brasileiro.  Nessa perspectiva, o caboclo, o sertanejo, os  grupos marginalizados da sociedade e o &quot;esp&iacute;rito&quot;  do homem brasileiro, em geral, passaram a ser sin&ocirc;nimos de abandono e doen&ccedil;a.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um outro aspecto que tem influ&iacute;do na  falta de elucida&ccedil;&atilde;o do fracasso escolar dos  alunos de periferia e complicado as  interven&ccedil;&otilde;es propostas pela &aacute;rea da Psicologia escolar &eacute;  a ambig&uuml;idade com que se maneja o termo &quot;dificuldades de aprendizagem&quot;. No  Brasil, primeiramente, foi utilizada a  express&atilde;o<I> dist&uacute;rbios de  aprendizagem</I> para sugerir que havia a exist&ecirc;ncia de uma doen&ccedil;a sofrida  pelo aluno. Logo, essa express&atilde;o passou a  ser utilizada pelos professores para referir-se ao fracasso escolar, no sentido m&eacute;dico,  mesmo sem saber os crit&eacute;rios ou o  significado etimol&oacute;gico. Do mesmo modo, utiliza-se,  at&eacute; hoje, o termo <I>hiperativo, dislexia,  hipercin&eacute;tico</I> para designar problemas de escolariza&ccedil;&atilde;o.  Essas interpreta&ccedil;&otilde;es acabam dando uma  origem biol&oacute;gica a um problema mal conhecido  ou, fundamentalmente, social.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Posteriormente, os dist&uacute;rbios de  aprendizagem passam a ser chamados de <I>dificuldades  de aprendizagem</I>, mas, para Moys&eacute;s e  Collares (1992) e Moys&eacute;s e Lima (1982),  continua sendo uma constru&ccedil;&atilde;o do  pensamento m&eacute;dico. Ambas as denomina&ccedil;&otilde;es  surgiram como entidades nosol&oacute;gicas e  persistem, assim, como &quot;doen&ccedil;as&quot; neurol&oacute;gicas em  raz&atilde;o do costume de dar novas m&aacute;scaras a  velhas id&eacute;ias, por culpa do &quot;<I>racioc&iacute;nio  cl&iacute;nico tradicional</I>&quot; assim como pela facilidade  com que a sociedade brasileira aceita as formas de controle, a medicaliza&ccedil;&atilde;o e a  patologiza&ccedil;&atilde;o das condutas desviantes.  </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses termos, quando vinculados ao fracasso escolar, permitem que se d&ecirc;em  explica&ccedil;&otilde;es as mais variadas, desde  fen&ocirc;menos macropol&iacute;ticos at&eacute; conjeturas, baseadas  em crit&eacute;rios &quot;cient&iacute;ficos&quot; que responsabilizam  o sujeito que n&atilde;o aprende e na sua  condi&ccedil;&atilde;o de vida prec&aacute;ria. Sendo assim, cria-se  um universo para o qual conflui uma variedade desorganizada de teorias e  tratamentos, tornando-se dif&iacute;cil distinguir o que &eacute;  normal ou defeito. O mais grave de tudo &eacute; que  o aluno, facilmente, passa de um estado normal para o patol&oacute;gico...</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O impasse epistemol&oacute;gico, apresentado  pelas m&uacute;ltiplas conota&ccedil;&otilde;es que pode ter a  express&atilde;o &quot;dificuldades de aprendizagem&quot;,  reflete-se, tamb&eacute;m, no &acirc;mbito da Psicologia escolar,  em particular, na falta de discernimento no campo da sa&uacute;de coletiva com que o psic&oacute;logo  tem orientado sua pr&aacute;tica profissional em  rela&ccedil;&atilde;o &agrave; complexidade do tema. Por um lado,  o profissional da &aacute;rea v&ecirc;-se impelido a  mover- se num campo amb&iacute;guo, entre uma defectologia e a normalidade, contando  com poucos recursos porque adquiriu, desde cedo, com a Medicina, a psiquiatria e a  psican&aacute;lise, um vi&eacute;s de enquadramento  cl&iacute;nico, esquecendo-se de que a realidade da vida  de um sujeito &eacute; atravessada n&atilde;o somente  pelas fantasias inconscientes mas tamb&eacute;m  por fatores sociohist&oacute;ricos. Essa forma de compreender o mal-estar que acomete  o homem inserido na Cultura, por parte do psic&oacute;logo escolar, transparece na  vis&atilde;o tecnicista que ele tem do fracasso escolar,  na sua pr&aacute;tica compartimentada em rela&ccedil;&atilde;o  aos profissionais da sa&uacute;de e da educa&ccedil;&atilde;o e  na opini&atilde;o de que as dificuldades de aprendizagem pertencem ao campo  da Educa&ccedil;&atilde;o Especial e da Psicopedagogia.  </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Somam-se aos problemas antes mencionados muitas contradi&ccedil;&otilde;es e ambig&uuml;idades  evidentes nos projetos de interven&ccedil;&atilde;o e, mais ainda,  os desafios para alcan&ccedil;ar uma identidade profissional por causa de sua  incipiente regulamenta&ccedil;&atilde;o institucional, por ser  uma ci&ecirc;ncia jovem que pugna por ser <I>sui  generis</I>, em nosso meio, praticamente sem  nenhuma tradi&ccedil;&atilde;o de pesquisa e  fundamenta&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica, e pelo hiato mantido por  esse profissional com a realidade social da escola p&uacute;blica brasileira. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa educacional das dificuldades de aprendizagem, sob a influ&ecirc;ncia de  modelos estrangeiros nos temas de pesquisa,  tamb&eacute;m se imbuiu do olhar tecnocr&aacute;tico que  entende o fracasso escolar como um problema  pessoal do aluno e de sua fam&iacute;lia. As conjeturas  de alguns pesquisadores (Poppovic, 1968; Bonamigo e Bristoti, 1978;  Ramozzi-Chiarottino, 1982; Montoya,1983) formaram uma representa&ccedil;&atilde;o sobre os  problemas escolares dos alunos da escola p&uacute;blica que  se refletiram na oscila&ccedil;&atilde;o dos  posicionamentos que se estabelecidos, em distintas  &eacute;pocas, entre teoria, pesquisa e pol&iacute;tica  educacional, no Brasil, e que tiveram influ&ecirc;ncia na  cria&ccedil;&atilde;o de creches, institui&ccedil;&otilde;es de ensino  pr&eacute;-prim&aacute;rio e no modo como o fracasso escolar,  nas primeiras s&eacute;ries do ensino fundamental, principalmente das camadas pobres  da sociedade, passou a ser visto e tratado de maneira esp&uacute;ria por especialistas e professores.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Experimenta&ccedil;&atilde;o    de campo</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi necess&aacute;rio sentirmo-nos menos  ing&ecirc;nuos para praticar o <I>&quot;amor  facti&quot;</I> de que fala Nietzche: o acolhimento do inesperado, escutando  outras vozes apenas ouvidas e permanecendo abertos para o outro, que vem ao nosso encontro  e nos desaloja da indiferen&ccedil;a, com a  consci&ecirc;ncia inquieta pela urg&ecirc;ncia de trabalhar para  que surjam novas perspectivas &agrave; opini&atilde;o  arraigada de que as dificuldades dos alunos  s&atilde;o, irremediavelmente, forma&ccedil;&otilde;es inconscientes  ou de funcionamento deficit&aacute;rio, relacionados  &agrave; pobreza econ&ocirc;mica e cultural ou &agrave;  ideologia do sistema capitalista. Implicou, vamos  dizer, contestar a pr&aacute;tica comum de que esse  aluno deve ser encaminhado e tratado no  consult&oacute;rio ou em escolas especiais, porque  vamos progredir muito pouco como psic&oacute;logos enquanto o nosso labor  permanecer compartimentado. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para descobrir o sentido do mundo da escola e de seus alunos com dificuldades  de aprendizagem no seu todo, buscamos apreender a condi&ccedil;&atilde;o f&aacute;tica dos  participantes da pesquisa sem separarmo-nos da trama  de conceitos e das rela&ccedil;&otilde;es de poder  que conformam o contexto hist&oacute;rico-social e,  para isso, realizamos uma experimenta&ccedil;&atilde;o de  campo que segue o paradigma de pesquisa  natural&iacute;stica ou construtivista. Tal paradigma define  uma l&oacute;gica a ser acionada pelo pesquisador  que permite a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma  metodologia qualitativa de pesquisa de natureza  etnogr&aacute;fica, visando &agrave; descri&ccedil;&atilde;o, compreens&atilde;o  e interpreta&ccedil;&atilde;o do significado das  dificuldades prim&aacute;rias de aprendizagem para o  aprendizado escolar no contexto da escola p&uacute;blica.  Busca-se o conhecimento mediante a participa&ccedil;&atilde;o  do pesquisador num movimento dial&eacute;tico de engajamento sens&iacute;vel e intuitivo com o  mundo vivido pelos sujeitos da pesquisa. Nesse  sentido, fomos, al&eacute;m da rela&ccedil;&atilde;o com os alunos,  trabalhar com a professora de sala de aula e a da Sala  de Integra&ccedil;&atilde;o e Recursos (SIR) na  escola pesquisada e com a fam&iacute;lia dos alunos,  quando poss&iacute;vel, por serem esses elementos constitutivos do universo imediato do aluno. </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Campo de a&ccedil;&atilde;o</B></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O trabalho de campo foi realizado em uma escola localizada num bairro de periferia,  do Munic&iacute;pio de Porto Alegre, no per&iacute;odo  de mar&ccedil;o a dezembro de 1999. &Eacute; uma escola de ensino fundamental que, &agrave; &eacute;poca da  realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, adotava a seria&ccedil;&atilde;o como modelo curricular. Posteriormente, passou a adotar  o modelo de ciclos e de salas de progress&atilde;o, proposto pelo projeto Escola Cidad&atilde; . </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Agrave; &eacute;poca do trabalho de campo, a escola  se encontrava em fase de prepara&ccedil;&atilde;o para  a implanta&ccedil;&atilde;o desse modelo escolar.  Dentro dessa escola, o pesquisador efetuou o  trabalho de campo em diversos ambientes: sala de  aula, p&aacute;tio, biblioteca e Sala de Integra&ccedil;&atilde;o  e Recursos (SIR).</font></p>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Participantes da    pesquisa</B> </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os alunos tinham idades entre dez (10) e quatorze (14) anos, e tinham sido  colocados na mesma sala, junto a outros alunos, formando uma classe com vinte e cinco  (25) estudantes de segunda s&eacute;rie do ensino fundamental. Os cinco (5) alunos  pesquisados (uma aluna constitu&iacute;a exce&ccedil;&atilde;o, pois  recaia sobre ela suspeita de s&iacute;ndrome de  Down), eram multirrepetentes, e esse fracasso  escolar foi vinculado &agrave;s dificuldades prim&aacute;rias  de aprendizagem, isto &eacute;, &agrave;s dificuldades  de aprendizagem n&atilde;o relacionadas a  dist&uacute;rbios neurol&oacute;gicos ou a defici&ecirc;ncias  sensoriais evidentes. Esses alunos, mesmo tendo dificuldades de leitura, de escuta,  disortografia ou discalculia, n&atilde;o poderiam ser inclu&iacute;dos  nos quadros que comp&otilde;em os &quot;dist&uacute;rbios  de aprendizagem secund&aacute;rios&quot; (Fonseca,  1995), como defici&ecirc;ncias sensoriais, motoras ou  de comunica&ccedil;&atilde;o. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Coleta de informa&ccedil;&otilde;es e instrumentos</B> </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As informa&ccedil;&otilde;es coletadas foram de  diversas fontes: consulta de fichas escolares;  relatos verbais; di&aacute;rio de campo e entrevistas  gravadas, elaboradas, seguindo a t&eacute;cnica de  perguntas orientadas, com a orientadora educacional  e as professoras de educa&ccedil;&atilde;o especial (SIR)  e com as psic&oacute;logas que assessoram a escola pesquisada, lotadas na Secretaria Municipal  de Educa&ccedil;&atilde;o, em Porto Alegre. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>Tratamento do Material</B> </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para o tratamento das informa&ccedil;&otilde;es,  seguimos as fases propostas pela an&aacute;lise de  conte&uacute;do para a an&aacute;lise tem&aacute;tica (Bardin, 1977):  usamos um processo de indu&ccedil;&atilde;o para dar  significa&ccedil;&atilde;o e categorizar os dados coletados por meio  da observa&ccedil;&atilde;o participante, registrados no  di&aacute;rio de campo e nas entrevistas gravadas  com professoras e psic&oacute;logas. Esse modo abrangente e multidimensional de focar  o tema, mediante trabalho participativo em campo, &eacute; diferente da t&eacute;cnica conhecida  como &quot;an&aacute;lise da intera&ccedil;&atilde;o&quot;, aproximando-se  mais da t&eacute;cnica utilizada pelo m&eacute;todo  etnogr&aacute;fico descrito por Malinowski (1984), que se  imbui de uma vis&atilde;o &quot;antropol&oacute;gica&quot; e valoriza  o processo de infer&ecirc;ncia, decorrente do uso  de indicadores qualitativos, constitu&iacute;dos com  base na observa&ccedil;&atilde;o participante. Essa  metodologia possibilitou, dessa maneira, descobrir a  escola e a sala de aula como um lugar socialmente estruturado mediante v&aacute;rias redes  de significa&ccedil;&atilde;o. A forma de coletar os achados  e de construir o conhecimento cient&iacute;fico  por meio da rela&ccedil;&atilde;o de proximidade com  os participantes de pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso dessa investiga&ccedil;&atilde;o,  pelo modo de apreender, em profundidade, as experi&ecirc;ncias e viv&ecirc;ncias dos agentes  sociais que constroem o cotidiano escolar. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; necess&aacute;rio    dizer, tamb&eacute;m, que a hermen&ecirc;utica adquire, para n&oacute;s, um    valor metodol&oacute;gico-fenomenol&oacute;gico em rela&ccedil;&atilde;o aos    objetivos seguintes: 1.Descrever, no ambiente da escola p&uacute;blica em Porto    Alegre, momentos da din&acirc;mica interativa do cotidiano escolar dos alunos    com dificuldades prim&aacute;rias de aprendizagem; 2. Compreender a din&acirc;mica    de intera&ccedil;&atilde;o dos participantes da pesquisa e das professoras em    situa&ccedil;&atilde;o sociopedag&oacute;gica; 3. Interpretar, com base na hermen&ecirc;utica-existencial,    a situa&ccedil;&atilde;o dos alunos com dificuldades prim&aacute;rias de aprendizagem.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse olhar multidimensional pela hermen&ecirc;utica, como modo de investiga&ccedil;&atilde;o  e reflex&atilde;o, imp&ocirc;s-se-nos como uma  necessidade para poder problematizar o labor do  psic&oacute;logo na escola p&uacute;blica e vir a compreender  sua atua&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de coletiva. O  campo coletivo, atualmente, investiga o  fen&ocirc;meno sa&uacute;de-doen&ccedil;a n&atilde;o somente apoiando-se  em uma epistemologia cient&iacute;fica mas tamb&eacute;m,  em uma filosofia que sirva de substrato comum para apreender o homem como ser  existente, que se realiza na exist&ecirc;ncia, seja na  doen&ccedil;a, no sofrimento de uma perda ou no  mal-estar causado por sua condi&ccedil;&atilde;o de exclus&atilde;o social.  Buscamos, enfim, compreender os participantes da pesquisa como  &quot;seres-no-mundo&quot;, como <I>Dasein,</I> e, a partir de um  lugar hermen&ecirc;utico e por meio de  instrumentos te&oacute;ricos e pr&aacute;ticos, buscamos investigar  e aproximar-nos da escola e desse pequeno mundo que constitui a sala de aula, onde  o aluno e o professor existem de determinada maneira que se destaca como um  espa&ccedil;o relacional diferente de qualquer  outro enquadramento.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/pcp/v25n2/2a11t1.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Classifica&ccedil;&atilde;o    e constru&ccedil;&atilde;o de categoria</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A categoria &quot;i<B>deog&ecirc;nese</B>&quot; diz respeito  &agrave; situa&ccedil;&atilde;o &quot;marginal&quot; dos alunos de periferia,  &agrave; escola p&uacute;blica e ao tema das dificuldades  de aprendizagem. O modo caracter&iacute;stico de laborar dos psic&oacute;logos vinculados &agrave;  escola p&uacute;blica brasileira &eacute; objeto de cr&iacute;tica por  parte de diversos estudiosos. Uma das coisas assinaladas &eacute; o franco distanciamento  desses profissionais da realidade escolar por causa  da maneira tecnocr&aacute;tica de compreender e intervir sobre as dificuldades de  aprendizagem e dos problemas emocionais decorrentes  que afetam as crian&ccedil;as de periferia, fam&iacute;lias  e professoras. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na verdade, o que pretendemos, ao acompanhar a crian&ccedil;a na escola, &eacute;  atuar modificando o institu&iacute;do, buscando a  dimens&atilde;o coletiva em Psicologia escolar, que vai  realizar-se na medida em que diminu&iacute;mos a  dist&acirc;ncia com o aluno. Essa quest&atilde;o, tamb&eacute;m,  foi dirigida ao psiquiatra quando este procurou um modo alternativo de terap&ecirc;utica a fim de  lograr o estabelecimento de servi&ccedil;os  comunit&aacute;rios de sa&uacute;de mental. Ele teve que sair ao  encontro da comunidade e comprometer-se, ideologicamente, com a realidade social;  foi-lhe preciso assimilar os conhecimentos de outras disciplinas das ci&ecirc;ncias humanas,  como a Antropologia Cultural, Sociologia,  Psicologia, psican&aacute;lise, Filosofia da pr&aacute;tica. Na  medida em que isso ocorria, o psiquiatra foi  perdendo os preconceitos de classe e de ra&ccedil;a  (Busnello, 1975).</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mesmo pode-se dizer da Psicologia em comunidade, pelo menos do &iacute;mpeto  que animou o psic&oacute;logo desde meados da  d&eacute;cada de 60, quando esse profissional passa a  atuar mais pr&oacute;ximo &agrave;s comunidades.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No campo da sa&uacute;de coletiva, poder-se-ia considerar a atua&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;logo como  agente de sa&uacute;de, promovendo a sa&uacute;de, desvencilhado do modelo  subjetivista-individualista e do modo de conceber  a subjetividade &agrave; margem das  condi&ccedil;&otilde;es concretas de vida. Baremblitt (1991),  ao referir-se ao trabalho do acompanhante terap&ecirc;utico, diz que o essencial &eacute; o  encontro com as pessoas; temos que abdicar da necessidade de recorrer ao artif&iacute;cio de  ocupar &quot;o lugar do morto&quot; (refere-se ao  sil&ecirc;ncio mantido pelo analista), recusando, sempre,  a demanda do outro para mostrar-lhe que a falta do ser existe. Devemos, enfim, deixar  de pensar que nosso ego &eacute; feito apenas de palavras e de imagem especular. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse autor referido prop&otilde;e a compreens&atilde;o  do sofrimento humano com base no conceito ser no mundo como significado de um sujeito  que produz mundos. Para entendermos porque se geram marcas e estigmas que produzem  os comportamentos chamados desviantes, bastaria reparar em certas pessoas que  n&atilde;o entram em conson&acirc;ncia com o mundo  dos adequados, adaptados, produtivos; assim, estabelece-se o conflito entre o mundo de  uma criatura meio dispersa, que n&atilde;o consegue  inserir sua produ&ccedil;&atilde;o no contexto da  produ&ccedil;&atilde;o dominante. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se, no caso, o trabalho    de quem presta ajuda aos alunos com &quot;problemas escolares&quot; partisse    da premissa do conflito entre mundos, a compreens&atilde;o que ele vai ter sobre    as dificuldades de aprendizagem ou da enfermidade mental, por exemplo, vai ser    diferente. Nessa perspectiva de an&aacute;lise, pode-se dizer que o psic&oacute;logo    escolar seria um profissional de refer&ecirc;ncia que <I>cria v&iacute;nculo    terap&ecirc;utico</I> situacional (Campos, 1999). Assim sendo, a interven&ccedil;&atilde;o    psicol&oacute;gica afunila-se sobre um tipo de atua&ccedil;&atilde;o vigente    na infraestrutura que tece o cotidiano da vida escolar, incidindo no mecanismo    b&aacute;sico que opera, n&atilde;o deixando abandonadas &agrave; pr&oacute;pria    sorte as crian&ccedil;as com dificuldades. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esse tipo de acompanhamento direciona o olhar para a situa&ccedil;&atilde;o atual da crian&ccedil;a,  modifica os v&iacute;nculos desde o momento em que  um novo saber emerge como estrat&eacute;gia de entendimento, como pr&aacute;tica e  como acontecimento intersubjetivo, o que tornaria o fazer do psic&oacute;logo diferenciado dos  outros profissionais que tamb&eacute;m est&atilde;o envolvidos  na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de dentro da escola:  a compreens&atilde;o e o esclarecimento da  situa&ccedil;&atilde;o, no momento mesmo em que ocorre  o processo de &quot;enfermar&quot; e de excluir a  crian&ccedil;a do ensino escolarizado. Esse &eacute; um fato  que ocorrer&aacute; n&atilde;o porque os professores se  sintam &quot;vigiados&quot;, mas, fundamentalmente,  porque n&atilde;o se encontram mais sozinhos: o  sentimento altru&iacute;sta de ajuda se incorpora, novamente,  &agrave; pr&aacute;tica de ensinar. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trabalhando n&atilde;o somente como assessor,  que, sem d&uacute;vida, &eacute; uma parte importante  do trabalho do psic&oacute;logo escolar, mas  interagindo com as crian&ccedil;as e o professor,  comunicando-se, diretamente, com a fam&iacute;lia e  outros t&eacute;cnicos, introduz-se uma nova din&acirc;mica  na pr&oacute;pria estrutura de base (escola) do  sistema, onde, na realidade, joga-se com as coisas imaginadas e idealizadas por quem planifica  a educa&ccedil;&atilde;o. Atuando indiretamente sobre  a epistemologia estancada na especialidade tecnocr&aacute;tica, determinante de fun&ccedil;&otilde;es  e normas que prescrevem os limites do que deve ser feito individualmente, de acordo  com certo ordenamento e estatuto atribu&iacute;do  ao professor, reeducador, psicopedagogo, psic&oacute;logo, orientador educacional e  outros, surge a oportunidade de introduzir um<I> operador de  mudan&ccedil;a</I> mediante uma forma de agir concreta e interativa que  mobiliza, radicalmente, a comunica&ccedil;&atilde;o como ve&iacute;culo  de mudan&ccedil;a de perspectiva em rela&ccedil;&atilde;o  aos alunos.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conceito de <I>proped&ecirc;utica</I>, nesse contexto educativo, enfatiza a atua&ccedil;&atilde;o em seu  valor como acompanhamento emp&aacute;tico,  adaptado &agrave; realidade escolar. Essa atua&ccedil;&atilde;o tem  fun&ccedil;&atilde;o de dispositivo facilitador da  abordagem pedag&oacute;gica dos problemas escolares  que afetam, no caso, estudantes das camadas pobres da popula&ccedil;&atilde;o. Essa  proped&ecirc;utica caracteriza n&atilde;o s&oacute; um trabalho sobre  o &quot;problema de aprendizagem&quot;, mas  tamb&eacute;m sobre os problemas emocionais que  surgem durante o processo de aprendizado escolar. O trabalho &eacute; conduzido por meio  das interven&ccedil;&otilde;es do pesquisador, que se  realizam de forma conjunta com as professoras no contexto da escola p&uacute;blica.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi a nossa preocupa&ccedil;&atilde;o com a  exist&ecirc;ncia &quot;abandonada&quot; do aluno que comunicamos  &agrave;s professoras, no in&iacute;cio da pesquisa,  como inten&ccedil;&atilde;o deste estudo; por isso, o di&aacute;logo  com as professoras revestiu-se de nuances particulares. Sab&iacute;amos, pela experi&ecirc;ncia,  que a nossa atua&ccedil;&atilde;o na escola somente viria  ser plenamente aceita no momento em que pud&eacute;ssemos convenc&ecirc;-las de que n&atilde;o  ter&iacute;amos como objetivo interferir no seu trabalho,  avaliar o m&eacute;todo pedag&oacute;gico ou o conte&uacute;do  das mat&eacute;rias, mas, sim, buscar formas de  poder ajudar aos alunos que supus&eacute;ssemos ter  uma defasagem entre o rendimento atual e o potencial de aprendizagem, pois esse  bloqueio os faz sentirem-se fracassados na aprendizagem e nas rela&ccedil;&otilde;es  interpessoais, afetando a intimidade e a representa&ccedil;&atilde;o  social que eles t&ecirc;m de si mesmos.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A &quot;i<B>nibi&ccedil;&atilde;o</B>&quot; (Categoria) fora abordada  por Freud (1968) em 1925, no texto  &quot;Inibi&ccedil;&atilde;o, Sintoma e  Ang&uacute;stia&quot; &eacute; descrita como  uma restri&ccedil;&atilde;o funcional do ego, uma  limita&ccedil;&atilde;o, exclusivamente, em n&iacute;vel do ego, que  podia obedecer a distintas causas, mas n&atilde;o significaria, necessariamente, algo  patol&oacute;gico, salvo se a inibi&ccedil;&atilde;o fosse parte da forma&ccedil;&atilde;o  de um sintoma. Nesse &uacute;ltimo caso, como os sintomas s&atilde;o processos que n&atilde;o ocorrem  no ego, renunciar &agrave; aprendizagem escolar  seria um meio de evitar a ang&uacute;stia que prov&eacute;m  de um conflito de outra natureza (ed&iacute;pica, provavelmente). O mecanismo  inconsciente de deslocamento faria com que as representa&ccedil;&otilde;es er&oacute;ticas passassem a  estar ligadas &agrave;s tarefas escolares,  estabelecendo-se, dessa maneira, a &quot;absurda&quot; rela&ccedil;&atilde;o entre  o n&atilde;o aprender e a neurose. Para Freud, a inibi&ccedil;&atilde;o aconteceria em tr&ecirc;s situa&ccedil;&otilde;es:  quando h&aacute; uma erotiza&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os  comprometidos em determinada a&ccedil;&atilde;o, por exemplo,  a inabilidade manual associada &agrave;  masturba&ccedil;&atilde;o; quando o ego n&atilde;o se permite o &ecirc;xito ou  a compuls&atilde;o ao fracasso, porque o &ecirc;xito  &eacute; proibido por um superego tir&acirc;nico, ou  quando o ego est&aacute; inibido de maneira geral, por  estar absorvido no labor ps&iacute;quico do luto,  da depress&atilde;o ou da melancolia.  </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A extrapola&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o pedag&oacute;gica  dos &quot;problemas de aprendizagem&quot; para o  campo cl&iacute;nico da Psicopedagogia est&aacute; presente  nos estudos de Pain (1992), sob o tema da  rea&ccedil;&atilde;o neur&oacute;tica ante a proibi&ccedil;&atilde;o da  satisfa&ccedil;&atilde;o instintiva; nos trabalhos de Fern&aacute;ndez  (1991), como problema de inibi&ccedil;&atilde;o cognitiva, e  nos escritos de Bleichmar (1994), no dom&iacute;nio  da inibi&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria n&atilde;o relacionada a um  sintoma. Cordi&eacute; (1996) acrescenta a no&ccedil;&atilde;o de que  a inibi&ccedil;&atilde;o da aprendizagem pode  estar relacionada &agrave; incorpora&ccedil;&atilde;o de um  modelo humano como ideal ou com a  identifica&ccedil;&atilde;o com um valor moral, religioso ou outro,  que implicaria ren&uacute;ncia a todos os ideais  propostos pela sociedade em forma de sucesso e felicidade. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por&eacute;m, podemos interpretar de outra  maneira a inibi&ccedil;&atilde;o observada nos participantes  de pesquisa.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quem sofre o fracasso escolar prolongado se inibe ao sentir alterada uma parte do  campo significativo da vida (viv&ecirc;ncia), em raz&atilde;o  de que se instala, no horizonte do mundo vivido, o sentimento de impot&ecirc;ncia e  menosprezo que vem cercear a possibilidade de  revelar, por si mesmo, a experi&ecirc;ncia  conforme experimentada. O aluno passa a n&atilde;o  se interrogar mais sobre o futuro desejado nem sobre a sua situa&ccedil;&atilde;o atual no mundo,  n&atilde;o procura saber qual &eacute; a escatologia que  funda seu ser, que se desqualifica como aprendiz.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Do ponto de vista existencial, a inibi&ccedil;&atilde;o  dos participantes da pesquisa pode ser compreendida com base na situa&ccedil;&atilde;o  ontol&oacute;gica do aluno, pois trata-se de exist&ecirc;ncias atadas  &agrave; ang&uacute;stia que o ato de aprender  frustrado desperta, que se arrasta esvaziando a  alegria do aluno, aula ap&oacute;s aula, encontrando  como sa&iacute;da para esse drama a impostura de  ficar an&ocirc;nimo em classe por ter comprovado  sua efic&aacute;cia como defesa ideal para  continuar pertencendo &agrave; escola, mesmo que  exclu&iacute;do dos olhares de quem (professores e  psic&oacute;logos) deveria estar pr&oacute;ximo dele (aluno).</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pode-se imaginar o que &eacute; passar dia ap&oacute;s  dia dessa maneira? </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A forma como era experimentado o tempo e o espa&ccedil;o de sala de aula, e a dist&acirc;ncia,  imposta nas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais, lembra-nos  &quot;<I>um modo existencial an&ocirc;nimo&quot;.  </I>No come&ccedil;o do acompanhamento, os alunos adotavam  a &quot;impostura&quot; como mecanismo de defesa  para poder acomodar-se em sala de aula; permaneciam num sil&ecirc;ncio total,  quase im&oacute;veis em classe, escrevendo e  apagando, reiteradamente, uma palavra ou uma frase que, &agrave;s vezes, nada tinha a ver com o  tema proposto pela professora, de modo que, se algu&eacute;m os olhasse &agrave; dist&acirc;ncia, perceberia  nada mais que alunos bem comportados e empenhados na realiza&ccedil;&atilde;o dos  trabalhos escolares. Tratava-se de uma atitude do  aluno relacionada &agrave; experi&ecirc;ncia escolar que  refletia como eles se sentiam como alunos, diferentemente, por certo, do que a  professora e eu observ&aacute;vamos no modo como  essas mesmas crian&ccedil;as eram e se sentiam no  recreio ou fora da escola. T&iacute;nhamos visto esses  alunos desfrutar da companhia de amigos,  participar das brincadeiras, conversar animadamente...  Dessa forma, n&atilde;o somente a defasagem  entre o rendimento escolar e o potencial para o aprendizado caracterizava os participantes  de pesquisa, mas, principalmente, o  &quot;intervalo&quot; Eu-Tu (Buber, 1977) era o que  estava comprometido, relacionado &agrave;  situa&ccedil;&atilde;o ontol&oacute;gica da falta de sentido de o sujeito  estar na escola. Na inibi&ccedil;&atilde;o predomina a apatia,  a &quot;inseguran&ccedil;a&quot; e o &quot;distanciamento&quot;,  bem diferente da din&acirc;mica imposta pelos  alunos com tra&ccedil;os psic&oacute;ticos de personalidade;  nestes &uacute;ltimos, predomina a euforia e a  oposi&ccedil;&atilde;o acirrada &agrave; demanda do professor e &agrave;  do psic&oacute;logo, pois quem det&eacute;m o &quot;saber&quot; &eacute;  o aluno, que organiza a realidade de maneira onipotente a partir de referenciais subjetivos. Os problemas metapsicol&oacute;gicos n&atilde;o  eram simples de entender, porque tudo parecia estar a&iacute;: a defici&ecirc;ncia mental, os  dist&uacute;rbios neurol&oacute;gicos, os problemas de  aprendizagem, mas est&aacute;vamos cientes de que n&atilde;o era  o diagn&oacute;stico psicol&oacute;gico de uma doen&ccedil;a o  que importava, nem a diferencia&ccedil;&atilde;o de  sintomas prim&aacute;rios ou secund&aacute;rios para elaborar  uma estrat&eacute;gia de interven&ccedil;&atilde;o na escola. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A categoria &quot;<B>empatia</B>&quot; interroga: Como foi  a postura do pesquisador, no seu trabalho, dentro da escola p&uacute;blica?</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pelo manejo do instrumento <I>acompanhamento e compreens&atilde;o  emp&aacute;tica</I>, visando &agrave;  <I>verdade relacional</I> e &agrave; emerg&ecirc;ncia da  <I>viv&ecirc;ncia</I>, apresenta-se a postura do pesquisador. Tratar-se-ia de uma atua&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tem espa&ccedil;o  ou momento &uacute;nico como <I>setting</I>, mas uma postura din&acirc;mica &quot;com efeito&quot;  terap&ecirc;utico, porque faz aflu&iacute;rem novos sentidos no cerne de  uma forma&ccedil;&atilde;o social  (escola),   uma escuta e uma a&ccedil;&atilde;o que se tornam significativas quando se ajusta &agrave;s  vicissitudes que cada crian&ccedil;a apresenta e modifica o  que foi imaginado pelo entorno sobre o aluno &quot;diferente&quot;. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por meio dessa estrat&eacute;gia, acreditamos  na transforma&ccedil;&atilde;o que pode ser operada  na din&acirc;mica do dia a dia da escola. Podemos definir o efeito que produz no aluno  o encontro com o psic&oacute;logo, seguindo a reflex&atilde;o de Bollnow (1971), como  uma descoberta que permite ao sujeito vir a ser &quot;ele-mesmo&quot;. Eis que o interagir  do pesquisador na escola defronta o aluno, de maneira imprevista, com algo diverso  daquilo que ele (aluno) podia prever e se  orientar, de acordo com seus mecanismos de defesa, criados durante sua longa experi&ecirc;ncia  de fracasso escolar. Assim sendo, o encontro  &eacute; um acontecimento destacado, que vem &quot;sacudir&quot; o aluno e exigir-lhe-&aacute;  orientar-se fora da linha de comportamento seguida  at&eacute; ent&atilde;o, mas que n&atilde;o lhe diz em que  dire&ccedil;&atilde;o ele deve mudar sua atitude na escola. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O termo encontro significa, tamb&eacute;m,  <I>compreender</I> e valorizar o aluno. &Eacute;  nesse aspecto que se deve compreender o acompanhamento dos alunos no contexto  da escola. N&atilde;o se pretende &quot;curar&quot; ou  levar, efetivamente, o aluno a superar o fracasso escolar, mas produzir um efeito  de encadeamentos e desencadeamentos de sentido sobre a  <I>viv&ecirc;ncia </I>da situa&ccedil;&atilde;o atual  na escola, desinibindo, ordenando e reconciliando a hist&oacute;ria do aluno com  a hist&oacute;ria do sujeito-crian&ccedil;a. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses conceitos  fenomenol&oacute;gico-existenciais influ&iacute;ram para que opt&aacute;ssemos pela  utiliza&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de observa&ccedil;&atilde;o participante  porque ela oportuniza a cria&ccedil;&atilde;o do princ&iacute;pio &eacute;tico  de respeito m&uacute;tuo, que permite, por um lado,  a colabora&ccedil;&atilde;o dos atores sociais e, por outro,  a possibilidade do o pesquisador devolver a esses atores o que foi percebendo no transcurso  do processo de investiga&ccedil;&atilde;o.    </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa t&eacute;cnica, com o tempo, tomou a forma de um acompanhamento no qual  a compreens&atilde;o emp&aacute;tica constitui a  ess&ecirc;ncia instrumental de uma postura profissional  que pretendia servir como mediador humano quando a inibi&ccedil;&atilde;o intelectual e o  fracasso escolar caracterizam uma situa&ccedil;&atilde;o do  aluno na escola, constru&iacute;da ao longo do tempo.  A estrat&eacute;gia de acompanhar o aluno na  escola exigiu a iniciativa de criar um espa&ccedil;o  singular de di&aacute;logo, que surgiu da paci&ecirc;ncia em  esperar um sinal que veio do aluno ou, por parte  da professora e do pesquisador, de tornar determinadas atitudes ou iniciar temas  de conversa&ccedil;&atilde;o. Essas oportunidades s&atilde;o,  &agrave;s vezes, muito sutis, e foram surgindo num momento qualquer do quotidiano escolar,  mas tiveram o peso de realidade psicol&oacute;gica.  Esse &eacute; o fato que inaugura um momento  concreto, um momento interpessoal vivido que  serviu como ponto de partida para falar ao aluno sobre seu modo de ser, no aqui e agora  da escola. Nesse aspecto, a sensibilidade funcionou como um catalisador que  vinculou as coisas que o aluno disse, criou e  manifestou &agrave; abertura perceptiva propiciada. Trata-se  da emerg&ecirc;ncia de percep&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o  t&ecirc;m forma, nem nome, mas que serviram de <I>orientador  perceptivo</I> de interpreta&ccedil;&otilde;es posteriores. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais do que tudo, esse procedimento de observa&ccedil;&atilde;o participante consistiu em  uma estrat&eacute;gia que trazia impl&iacute;cita a concep&ccedil;&atilde;o  que temos sobre a import&acirc;ncia da  comunica&ccedil;&atilde;o humana para a exist&ecirc;ncia, em sua face  de sa&uacute;de ou de doen&ccedil;a.  Fundamentalmente, investigamos as novas representa&ccedil;&otilde;es que  se projetaram sobre a exist&ecirc;ncia dos alunos  com dificuldades prim&aacute;rias de aprendizagem quando o labor do pesquisador valorizava  o encontro humano, no pr&oacute;prio contexto da escola p&uacute;blica, onde se desenvolveu  um trabalho junto &agrave;s professoras buscando promover a sa&uacute;de coletiva.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa investiga&ccedil;&atilde;o, buscamos  redimensionar os instrumentos de acordo com o  contexto em que trabalhamos. A  <I>transfer&ecirc;ncia</I>, por exemplo: podemos  pens&aacute;-la n&atilde;o somente como transfer&ecirc;ncia imagin&aacute;ria, necess&aacute;ria  para a dissolu&ccedil;&atilde;o do &quot;enigma&quot; inconsciente de  um passado m&iacute;tico, que causa a  perturba&ccedil;&atilde;o neur&oacute;tica, mas podemos limitar-nos a  <I>manejar a transfer&ecirc;ncia</I> tal qual ela &eacute; entendida  por Dolto (1989), como uma forma de conduzir o v&iacute;nculo com o aluno n&atilde;o para provocar  a rememora&ccedil;&atilde;o de um passado distante,  mas para mostrar-lhe o seu modo de funcionamento mental e emocional, a  maneira como ele age em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;  aprendizagem escolar, a rea&ccedil;&atilde;o que seu  comportamento provoca no professor e nos colegas e  as conseq&uuml;&ecirc;ncias desses fatos na sua vida  escolar. Nesse contexto, o que interessa,  realmente, ao pesquisador, &eacute; o que <I>se depreende  da comunica&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a, com  os professores, no aqui e agora da escola</I>, que  se metaboliza como encontro humano, momento &uacute;nico e n&atilde;o repet&iacute;vel. Eram  esses instantes de efeito perceptivo e afetivo o  que eu comunicava ao aluno, ao professor e aos pais dos alunos quando pude conversar  com eles, e isso veio produzir uma s&eacute;rie de remanejamentos representacionais  que, talvez, tenham mudado a maneira de pensar e as atitudes das pessoas envolvidas com  os problemas de aprendizagem escolar.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mesmo processo de ajuste ao contexto deve ser feito com o termo  <I>interpreta&ccedil;&atilde;o</I>, comumente manejado pelo psic&oacute;logo  para produzir um efeito significativo sobre a  trama das representa&ccedil;&otilde;es do cliente. Dolto  (1996), de maneira diferente, concebe a  interpreta&ccedil;&atilde;o como um ato anal&iacute;tico comum, n&atilde;o como  uma interven&ccedil;&atilde;o que pontua um momento  crucial nem como uma opera&ccedil;&atilde;o que evidencie  uma constru&ccedil;&atilde;o do paciente depois de uma  longa elabora&ccedil;&atilde;o. Essa autora fala de  <I>interpreta&ccedil;&atilde;o  espont&acirc;nea</I> para referir-se a uma esp&eacute;cie  de fic&ccedil;&atilde;o que se estabelece a partir da  sensa&ccedil;&atilde;o que o comportamento da crian&ccedil;a provoca  no analista.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As pontua&ccedil;&otilde;es que, junto com a  professora, faz&iacute;amos ao aluno, por exemplo, n&atilde;o  eram interpreta&ccedil;&otilde;es que buscavam alcan&ccedil;ar  o mecanismo inconsciente que inibe os esquemas de a&ccedil;&atilde;o e a intelig&ecirc;ncia do  aluno, ou relacionado ao desvelamento do lugar que ocupa a ignor&acirc;ncia no n&uacute;cleo familiar, &agrave;s  vezes respons&aacute;vel pelas dificuldades de aprendizagem. A  &quot;<I>fic&ccedil;&atilde;o&quot;</I>, se assim se  pode dizer, criada pela entrada e a participa&ccedil;&atilde;o  do pesquisador junto aos outros atores sociais no cotidiano escolar, tem a ver com a  inaugura&ccedil;&atilde;o de um campo perceptivo necess&aacute;rio  para acolher o sentido das &quot;diferen&ccedil;as  individuais&quot;, &quot;os modos de ser&quot; dos alunos.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; poss&iacute;vel dizer que a atua&ccedil;&atilde;o  deste pesquisador transformou o <I>status quo</I>  vigente?</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o pesquisador acompanha a crian&ccedil;a na escola, surge a possibilidade  <I>in situ </I>de promover inst&acirc;ncias que levem o aluno a  se perguntar sobre esse outro que se interessa por ele, dando lugar, dessa maneira,  ao deslocamento do sentido dado pelo eu mediante um mecanismo de inibi&ccedil;&atilde;o;  propicia-se o surgimento da demanda como pedido de ajuda que a crian&ccedil;a poderia fazer, no  aqui e no agora da escola. </font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Encontrar uma maneira emp&aacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o foi o nosso objetivo, nascido  do encontro humano. Portanto, nessa  estrat&eacute;gia adotada, n&atilde;o se tratou de entender as  palavras ou os sintomas numa rela&ccedil;&atilde;o linear  de significa&ccedil;&atilde;o, porque, no contexto de sala  de aula e na escola, em geral, a quest&atilde;o  que decide determinadas atitudes &eacute;, &agrave;s  vezes, alguma coisa que vem da crian&ccedil;a: um  olhar, um gesto, mas que n&atilde;o &eacute;, em si, um  tra&ccedil;o vis&iacute;vel, por&eacute;m, desperta em n&oacute;s um  olhar interno e nos faz sentir o que o outro tem  de mais pr&oacute;prio.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fica claro, para n&oacute;s, que a pr&aacute;xis  de acompanhamento na escola foi centrada no presente f&aacute;ctico,  <I>na rela&ccedil;&atilde;o atual com a  crian&ccedil;a,</I> de modo que <I>o que valeu,  realmente, foi o v&iacute;nculo din&acirc;mico presente com  o pesquisador, com as professoras e com os  colegas.</I> Esse modo de trabalhar na escola permitiu atuar no momento mesmo em  que ocorreram as dificuldades escolares, sem ficarmos preso &agrave; norma do  <I>encaminhamento,</I> que estipula a necessidade de  recapitular, sempre, de re-atualizar ou mediatizar  a experi&ecirc;ncia vivida pela crian&ccedil;a, em  outro <I>setting</I> e em outro momento, a posteriori.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, no que se refere &agrave; ocorr&ecirc;ncia  de modifica&ccedil;&otilde;es de alguns dos  comportamentos dos alunos participantes desta pesquisa,  seria presun&ccedil;oso dizer que a produ&ccedil;&atilde;o  intelectual tenha melhorado, notavelmente, mas  seria injusto omitir que a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica e  pl&aacute;stica no atendimento na Sala de Integra&ccedil;&atilde;o  e Recursos melhorou, assim como a comunica&ccedil;&atilde;o com as professoras de  educa&ccedil;&atilde;o especial e com a professora de sala de aula  e os colegas foi transformada.</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    n&atilde;o conclusivas</b></font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; necess&aacute;rio ao psic&oacute;logo escolar  apropriar-se de uma forma de trabalho sem <I>a  priori</I> t&eacute;cnico, porque n&atilde;o &eacute; somente o car&aacute;ter t&eacute;cnico  nem o embasamento te&oacute;rico o &aacute;libi que, &agrave;s  vezes, produz mudan&ccedil;as no comportamento das pessoas, mas o encontro humano com  o mundo vivido do outro, com a exist&ecirc;ncia;</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A compreens&atilde;o do fracasso escolar e das dificuldades de aprendizagem exigem ir  al&eacute;m da &quot;escuta&quot; e do diagn&oacute;stico de uma patologia;</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sentido de experi&ecirc;ncia vivida  fundamenta um estilo de trabalho poss&iacute;vel, uma  atua&ccedil;&atilde;o proped&ecirc;utica &agrave; interven&ccedil;&atilde;o pedag&oacute;gica;  nesse sentido, foi essencial o di&aacute;logo e o  trabalho conjunto entre a professora de sala de  aula, as professoras das Salas de Integra&ccedil;&atilde;o  e Recursos (SIR) e o pesquisador, conformando, dessa maneira, dentro da escola, um  campo de atua&ccedil;&atilde;o interdisciplinar;</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na pr&aacute;tica, a compreens&atilde;o emp&aacute;tica &eacute;  o instrumento que possibilita operacionalizar a rela&ccedil;&atilde;o intersubjetiva a partir de uma  atitude sens&iacute;vel e intuitiva, diferente da perspectiva causal e concreta de compreender o  problema do aluno.</font></p>      <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O acompanhamento dos alunos mostrou ser este um agir diferente e, ao mesmo  tempo, complementar &agrave; abordagem institucional atualmente desenvolvida pelo  psic&oacute;logo vinculado &agrave; escola p&uacute;blica. </font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Referências</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARDIN, L. <B>An&aacute;lise de  Conte&uacute;do</B><I>. </I>Trad.: Luis Antero Reto e Augusto Pinheiro. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70, 1977.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109902&pid=S1414-9893200500020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BAREMBLITT, G. <B>A Rua como Espa&ccedil;o  Cl&iacute;nico</B>. Equipe de Acompanhantes Terap&ecirc;uticos do Hospital Dia A CASA. S&atilde;o  Paulo: Escuta, 1991.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109903&pid=S1414-9893200500020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BLEICHMAR, S.  <B>A Funda&ccedil;&atilde;o do  Inconsciente</B>. Trad.: K&ecirc;nia Ballv&eacute; Beher. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1994.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109904&pid=S1414-9893200500020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BOLLOW, O. <B>Pedagogia e Filosofia Existencial: um Ensaio  sobre Formas Inst&aacute;veis da Educa&ccedil;&atilde;o.</B> Trad.: Herm&oacute;genes  Harada. Petr&oacute;polis: Vozes, 1971.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109905&pid=S1414-9893200500020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BONAMIGO, E; BRISTOTI, N. Enriquecimento Verbal em  Crian&ccedil;as Marginalizadas. <B>Cadernos de Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Carlos  Chagas</B>, n.24, mar&ccedil;o, 1978.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109906&pid=S1414-9893200500020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BUBER, M. <B>Eu e Tu.</B> Trad.: Newton Aquiles Von Zuben. S&atilde;o  Paulo: Cortes &amp; Moraes, 1977. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109907&pid=S1414-9893200500020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BUSNELLO, A. <B>A Integra&ccedil;&atilde;o da Sa&uacute;de Mental num Sistema  de Sa&uacute;de Comunit&aacute;ria.</B> Porto Alegre: Editora da UFRGS, 1975.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109908&pid=S1414-9893200500020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CAMPOS, W. Equipes de Refer&ecirc;ncia e Apoio Especializado  Matricial: um Ensaio sobre a Reorganiza&ccedil;&atilde;o do Trabalho em Sa&uacute;de.  <B>Revista Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva, v. 4</B>, 2, 1999.  </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109909&pid=S1414-9893200500020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">CORDI&Eacute;, A. <B>Os Atrasados n&atilde;o Existem. Psican&aacute;lise de  Crian&ccedil;as com Fracasso Escolar.</B> Trad.: S&ocirc;nia Flach e Marta D&#180;Agord.  Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1996.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109910&pid=S1414-9893200500020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DOLTO, F. <B>Dialogando sobre Crian&ccedil;as e  Adolescentes.</B> Trad.: Maria Nurymar Brand&atilde;o Banetti. Campinas: Papirus, 1998.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109911&pid=S1414-9893200500020001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_______. Fran&ccedil;oise Dolto ou a Interpreta&ccedil;&atilde;o  Espont&acirc;nea<I>. </I>In<I> </I><B>Os Poderes da Palavra: Textos Reunidos pela Associa&ccedil;&atilde;o  Mundial de Psican&aacute;lise. </B>Rio de Janeiro: Zahar, 1996.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109912&pid=S1414-9893200500020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ENGUITA, M. <B>A Face Oculta da Escola.</B> Trad.: Tomaz Tadeu da  Silva. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1989.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109913&pid=S1414-9893200500020001100012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FERN&Aacute;NDEZ, A. <B>A Intelig&ecirc;ncia Aprisionada:  Abordagem Psicopedag&oacute;gica Cl&iacute;nica da Crian&ccedil;a e sua  Fam&iacute;lia.</B> Trad.: Iara Rodrigues. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1991.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109914&pid=S1414-9893200500020001100013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FONSECA, V. <B>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;s Dificuldades de  Aprendizagem.</B> 2. Edi&ccedil;&atilde;o. Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas, 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109915&pid=S1414-9893200500020001100014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOUCAULT, M. <B>Microf&iacute;sica do  Poder.</B> 2. ed. Trad.: Roberto Machado. Rio de Janeiro: Graal, 1981.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109916&pid=S1414-9893200500020001100015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_______ <B>A Verdade e as Formas  Jur&iacute;dicas.</B> 2.ed. Trad.: Roberto Cabral de Mello Machado e Eduardo Jardim Morais. Rio de Janeiro: NAU, 1999. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109917&pid=S1414-9893200500020001100016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FREUD, S. <B>Inibi&ccedil;&atilde;o, Sintoma y  Angustia.</B> Obras Completas. Trad.: Luis Lopez- Ballesteros y de Torres. Madrid: Biblioteca Nueva, v.2,  1968, p.31. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109918&pid=S1414-9893200500020001100017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LIMA, Z.  <B>Sa&uacute;de Escolar e  Educa&ccedil;&atilde;o.</B> S&atilde;o Paulo: Cortez, 1985.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109919&pid=S1414-9893200500020001100018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MACHADO, R.; LOUREIRO, A.; Luz, R. et al. <B>Dana&ccedil;&atilde;o da  Norma. Medicina Social e Constitui&ccedil;&atilde;o da Psiquiatria no  Brasil.</B> Rio de Janeiro: Graal, 1978.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109920&pid=S1414-9893200500020001100019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MALINOWSKI, B. <B>&quot;Tema M&eacute;todo e Objetivo desta  Pesquisa&quot;. Argonautas do Pac&iacute;fico Ocidental: um Relato do  Empreendimento e da Aventura dos Nativos nos Arquip&eacute;lagos da Nova  Gun&eacute;, Melan&eacute;sia.</B> Trad.: Anton P. Carr e Ligia Aparecida Cardieri  Mendon&ccedil;a. S&atilde;o Paulo: Abril Cultural, 1984. Os Pensadores.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109921&pid=S1414-9893200500020001100020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MONTOYA, D. <I>De que Modo o Meio Social Influi no  Desenvolvimento Cognitivo da Crian&ccedil;a Marginalizada?.</I> Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado  em Psicologia-Instituto de Psicologia. Universidade de S&atilde;o Paulo. In Patto, Maria Helena. <B>Cadernos de Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Carlos Chagas,  n. 51</B>, 1984, p. 7 .</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109922&pid=S1414-9893200500020001100021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MOYS&Eacute;S, A; LIMA, Z.  <B>Desnutri&ccedil;&atilde;o e Fracasso Escolar: uma  Rela&ccedil;&atilde;o t&atilde;o Simples?</B> In Revista da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Educa&ccedil;&atilde;o (  ANDE) Ano1, n. 5, 1982. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109923&pid=S1414-9893200500020001100022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MOYS&Eacute;S, A; COLLARES , A. <B>A Hist&oacute;ria n&atilde;o Contada dos Dist&uacute;rbios  de Aprendizagem.</B> In Cadernos CEDES: Centro de Estudos Educa&ccedil;&atilde;o  e Sociedade, n.28. Campinas: Papirus, 1992.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109924&pid=S1414-9893200500020001100023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PAIN, S. <B>Diagn&oacute;stico e Tratamento dos Problemas de  Aprendizagem.</B> 4. ed. Trad.: Ana Maria Netto Machado. Porto Alegre: Artes  M&eacute;dicas, 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109925&pid=S1414-9893200500020001100024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POPPOVIC, M. <B>Alfabetiza&ccedil;&atilde;o: Disfun&ccedil;&otilde;es  Neuropsicol&oacute;gicas.</B> S&atilde;o Paulo: Vetor, 1968.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109926&pid=S1414-9893200500020001100025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RAMOZZI-CHIAROTTINO, Z. <B>Em Busca do Sentido da Obra de  Jean Piaget: Pequena Contribui&ccedil;&atilde;o para a Hist&oacute;ria das Id&eacute;ias e para  a A&ccedil;&atilde;o do Psic&oacute;logo num Pa&iacute;s de  Contrastes</B>. Tese Livre-Doc&ecirc;ncia. Instituto de Psicologia. Universidade de S&atilde;o Paulo. S&atilde;o Paulo:  mimeo, 1982.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109927&pid=S1414-9893200500020001100026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ROMANELLI, O. <B>Hist&oacute;ria da Educa&ccedil;&atilde;o no  Brasil.</B> 26. ed. Petr&oacute;polis: Vozes, 2001.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2109928&pid=S1414-9893200500020001100027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><img src="../img/revistas/pcp/v25n2/seta.gif"><a name="end"></a><b><a href="#enda">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></b></font>    <br> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Rua Riachuelo, 1521/302    <br>   90010-271, Porto Alegre, RS, Brasil    <br>   Fone: (051) 3225-70-65     <br>   <i>E-mail</i>:<a href="mailto:nelsongu@terra.com.br">nelsongu@terra.com.br</a></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido 10/12/02     <br>   Reformulado 02/02/04    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aprovado 15/07/05</font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">1</a></sup>    Psicólogo pela Universidade da República Oriental do Uruguai. Mestre em Saúde    Coletiva Professor de Graduação e Pós-Graduação na Faculdade da Serra Gaúcha    - FSG.</font></p>        ]]></body>
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