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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Uma anatomia cultural do risco: sobre as relações de gênero e a periculosidade do imaginário nos tempos da AIDS]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>RESENHAS</B></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Uma anatomia cultural do risco: sobre as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e a periculosidade do imagin&aacute;rio nos tempos da AIDS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Nelson da Silva Junior</b><sup><a name="1a"></a><a href="#1">1</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade de S&atilde;o Paulo. Departamento de Psicologia Social e do Trabalho </font></p>     <p><font size=2 face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="end"></a><a href="#enda">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>CARVALHO, Jo&atilde;o Alberto. <i>O amor que rouba os sonhos</i>: um estudo sobre a exposi&ccedil;&atilde;o feminina ao HIV. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo, 2003. 200p. ISBN: 85-7396-267-4.</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apresentar este trabalho de Jo&atilde;o Alberto Carvalho &eacute;, al&eacute;m de uma honra, um grande prazer. Diante do atual processo de denegrimento cultural e acad&ecirc;mico que a psican&aacute;lise tem sofrido, somos aqui honrados com uma demonstra&ccedil;&atilde;o cristalina da seriedade intelectual de nossa jovem ci&ecirc;ncia. Com efeito, trata-se de uma pesquisa em psican&aacute;lise de rara qualidade, uma vez que soube reunir a um s&oacute; tempo excel&ecirc;ncia te&oacute;rica, precis&atilde;o metodol&oacute;gica e compromisso social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da inquietante constata&ccedil;&atilde;o de um aumento crescente da infec&ccedil;&atilde;o de mulheres pelo HIV nos &uacute;ltimos anos, Jo&atilde;o Alberto descarta as explica&ccedil;&otilde;es f&aacute;ceis, que fazem incidir a responsabilidade desse fen&ocirc;meno na id&eacute;ia de uma pr&aacute;tica <i>bissexual</i> de seus parceiros. Ora, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber o funcionamento moralista dessa hip&oacute;tese, que apesar da dr&aacute;stica queda da dissemina&ccedil;&atilde;o do HIV em seu primeiro grupo de risco, os homossexuais masculinos, insiste em pensar a AIDS como a <i>praga gay</i>, isto &eacute;, como uma doen&ccedil;a necessariamente vinculada a essa escolha sexual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao inv&eacute;s disso, somos convidados a refletir sobre a determina&ccedil;&atilde;o cultural desse novo padr&atilde;o de propaga&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a entre as mulheres. Duas quest&otilde;es se apresentam como que naturalmente nesse convite. Em primeiro lugar, a quest&atilde;o de saber quais elementos de nossa cultura seriam eventual-mente respons&aacute;veis pela import&acirc;ncia da crescente exposi&ccedil;&atilde;o feminina ao HIV. Em segundo lugar, a quest&atilde;o da determina&ccedil;&atilde;o do sujeito pela cultura, uma vez que se trata aqui de conceber como tais elementos da cultura se precipitariam e se realizariam em mulheres supostamente capazes de uma certa faixa de autonomia, que <i>renunciam</i> ao exerc&iacute;cio de sua liberdade, ainda que sob o risco de uma doen&ccedil;a mortal. Ora, a natureza da primeira quest&atilde;o conduzir&aacute; o leitor necessariamente a refletir sobre o papel iatrog&ecirc;nico da cultura, e a segunda a respeito do car&aacute;ter compuls&oacute;rio da reprodu&ccedil;&atilde;o da cultura pelo sujeito. Teria a psican&aacute;lise algo a dizer sobre tais quest&otilde;es?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, no que diz respeito &agrave; cr&iacute;tica psicanal&iacute;tica da cultura e ao papel eventual-mente iatrog&ecirc;nico desta, vale lembrar que desde 1908, em <i>A moral sexual civilizada e a neurose moderna</i>, Freud convida a sociedade burguesa a uma auto-reflex&atilde;o a respeito de suas normas e valores, sugerindo explicitamente a franqueza e a verdade a respeito dos assuntos sexuais &#150; sobretudo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s jovens da sociedade vienense, na &eacute;poca praticamente inexistente, em vista da valoriza&ccedil;&atilde;o cultural de um modelo da mulher distante da id&eacute;ia da sexualidade &#150; como os melhores rem&eacute;dios para a hipocrisia moral da &eacute;poca e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias ps&iacute;quicas. Claro est&aacute; que, se por um lado a Psican&aacute;lise aponta para o car&aacute;ter inevit&aacute;vel do mal-estar da vida em civiliza&ccedil;&atilde;o, ela tamb&eacute;m aposta na minimiza&ccedil;&atilde;o de tal sofrimento, buscando <i>reduzir a dor neur&oacute;tica ao sofrimento humano comum</i>. Assim, as teses freudianas sobre o sofrimento inerente &agrave; inevit&aacute;vel ren&uacute;ncia sexual da vida em sociedade n&atilde;o impedem a realiza&ccedil;&atilde;o de uma cr&iacute;tica social genuinamente psicanal&iacute;tica, que preserva o sentido cr&iacute;tico das hip&oacute;teses psicanal&iacute;ticas, sem engessar seu posicionamento intelectual nas formas de sofrimento, pelas quais a psican&aacute;lise constr&oacute;i sua id&eacute;ia de sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quase cem anos depois, e pelo menos trinta anos ap&oacute;s a revolu&ccedil;&atilde;o sexual &#150; al&eacute;m de uma longa batalha feminista, diga-se de passagem &#150;, estariam estas cr&iacute;ticas da psican&aacute;lise &agrave; cultura sexual burguesa real-mente ultrapassadas? As hip&oacute;teses de Jo&atilde;o Alberto a respeito dos elementos culturais atuantes na dificuldade das mulheres em adotar medidas e posi&ccedil;&otilde;es de auto-prote&ccedil;&atilde;o podem ser lidas como uma cuidadosa e complexa resposta a essa quest&atilde;o. Segundo o autor, duas tradi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o particularmente atuantes quando se trata de pensar os empecilhos sobre a palavra e a autonomia da mulher no interior das rela&ccedil;&otilde;es amorosas. Em primeiro lugar, a tradi&ccedil;&atilde;o patriarcalista, que pensa as rela&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero no interior de uma estrutura hier&aacute;rquica de poder. Em segundo lugar, a tradi&ccedil;&atilde;o do amor rom&acirc;ntico, que tende a organizar as rela&ccedil;&otilde;es amorosas sob a &eacute;gide narc&iacute;sica de ideais de completude, complementariedade, eternidade e incondicionalidade. Da articula&ccedil;&atilde;o dessas duas tradi&ccedil;&otilde;es, a determina&ccedil;&atilde;o cultural do lugar da mulher nas rela&ccedil;&otilde;es amorosas lhe prescreve fundamentalmente uma identidade cindida em tr&ecirc;s pap&eacute;is &#150; aquele de m&atilde;e, o de esposa e o de concubina. Tratase de uma &ldquo;liga&rdquo; talvez ins&oacute;lita, mas sem d&uacute;vida perigosa, uma vez que o denominador comum de tal estrutura tripartite costuma ser uma forma infantilizada e valorizada de passividade, em que a idealiza&ccedil;&atilde;o falogoc&ecirc;ntrica &#150; neologismo de J. Derrida extremamente adequado ao tema &#150; do parceiro lhe exige uma correlata submiss&atilde;o sexual na hierarquia dom&eacute;stica. Assim, podemos conceber que em rela&ccedil;&otilde;es amorosas est&aacute;veis, por exemplo, a mulher n&atilde;o encontre um lugar socialmente leg&iacute;timo para introduzir o tema e argumentar pelo uso do preservativo, o que implicaria abordar com franqueza o tema da infidelidade e dos desvios dos padr&otilde;es morais de comportamento sexual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Note-se que tais temas n&atilde;o se resumem a meras hip&oacute;teses te&oacute;ricas sobre a submiss&atilde;o cultural da mulher, seus eventuais efeitos na propaga&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a. Jo&atilde;o Alberto, em um raro e precioso exemplo de pesquisa acad&ecirc;mica em psican&aacute;lise, oferece evid&ecirc;ncias emp&iacute;ricas da pertin&ecirc;ncia de tais hip&oacute;teses. Eis uma faceta desse trabalho que merece uma aten&ccedil;&atilde;o &agrave; parte, pois demonstra a delicada humanidade da escuta cl&iacute;nica do autor. Um conjunto extremamente tocante de falas colhidas de entrevistas traz ao leitor a tr&aacute;gica espessura do real na qual se traduzem esses ideais culturais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal enraizamento dos ideais culturais em mulheres singulares retoma a segunda quest&atilde;o te&oacute;rica exigida por esse trabalho. De fato, trata-se do desafio de articular essas prescri&ccedil;&otilde;es culturais sobre o lugar da mulher nas rela&ccedil;&otilde;es amorosas ao seu p&oacute;lo subjetivo, e tentar conceber o modo com o qual a constitui&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica se abre para a exterioridade do espa&ccedil;o social. Para avan&ccedil;ar nesse terreno, Jo&atilde;o Alberto retoma as teses de Jurandir Freire Costa &#150; que, a prop&oacute;sito, assina um elogioso pref&aacute;cio ao livro &#150; a respeito da abertura do imagin&aacute;rio entre o social e o sujeito, fundamentalmente por meio dos processos de identifica&ccedil;&atilde;o com os ideais sociais na forma&ccedil;&atilde;o eg&oacute;ica. Assim, na medida em que o sujeito, para que possa constituir-se, depende, em certa etapa de seu desenvolvimento ps&iacute;quico, da atribui&ccedil;&atilde;o heter&ocirc;nima de seu lugar e de sua identidade social, ele se encontra constitutivamente aberto &agrave;s determina&ccedil;&otilde;es culturais veiculadas pelo outro. Isto permite pensar a categoria do imagin&aacute;rio como possuindo uma fun&ccedil;&atilde;o de intermedi&aacute;rio entre o sujeito e a cultura, e como tal, submetida ao avatar mor da constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva, a saber, a subjetiva&ccedil;&atilde;o por meio da ultrapassagem/ suspens&atilde;o do complexo ed&iacute;pico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa hip&oacute;tese, para al&eacute;m de seu interesse cl&iacute;nico, permite abordar um espinhoso elemento nos trabalhos que se prop&otilde;em a pensar a continuidade e a ruptura das tradi&ccedil;&otilde;es na cultura. Com efeito, de que modo podemos compreender o car&aacute;ter h&iacute;brido de palavras femininas, que fazem coexistir tradi&ccedil;&otilde;es patriarcais e ideais rom&acirc;nticos com os avan&ccedil;os sociais da sociedade p&oacute;s-moderna, em que a mulher conquistou igualdade de direitos no mundo social, e contribui financeiramente no lar com o fruto do trabalho? Ora, o autor enfrenta o desafio de pensar teoricamente a aparente contradi&ccedil;&atilde;o presente na diferen&ccedil;a da liberdade da mulher no espa&ccedil;o p&uacute;blico e privado, o que exige uma dupla abordagem do hibridismo cultural no discurso feminino: trata-se n&atilde;o apenas de compreender as condi&ccedil;&otilde;es intraps&iacute;quicas de tal hibridismo &#150; tarefa realizada pela categoria de imagin&aacute;rio &#150;, como tamb&eacute;m suas condi&ccedil;&otilde;es sociol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Temos aqui mais um elemento de excel&ecirc;ncia te&oacute;rica desse trabalho &#150; o autor oferece-nos igualmente uma reflex&atilde;o que dialoga pertinentemente com outras &aacute;reas das ci&ecirc;ncias humanas. Dirigindo a argumenta&ccedil;&atilde;o por meio da quest&atilde;o da fixidez e da transformabilidade das estruturas sociais, o autor retoma as teorias sociais de L&eacute;vy-Strauss, que pensa a sociedade a partir da fixidez de suas estruturas, e de Giddens, que defende a id&eacute;ia de uma ruptura nas modalidades de rela&ccedil;&atilde;o social, como por exemplo, pela afirma&ccedil;&atilde;o de uma nova forma de relacionamento afetivo, o amor confluente, demonstrando a insufici&ecirc;ncia te&oacute;rica de ambos quando se trata de pensar a realidade emp&iacute;rica da experi&ecirc;ncia das entrevistadas. Ap&oacute;s tal demonstra&ccedil;&atilde;o, sua op&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica recai em Bourdieu, demonstrando todo o interesse deste, ao conceber conceitos como <i>estrutura estruturada</i> e <i>estrutura estruturante</i>, e permitindo que se pense, por um lado, a continuidade das tradi&ccedil;&otilde;es; por outro, sua constante mudan&ccedil;a como processos constitutivos das organiza&ccedil;&otilde;es sociais. Encontro imprevisto, por&eacute;m bem vindo, o modelo de Bourdieu prestase assim a pensar no campo sociol&oacute;gico o mesmo fen&ocirc;meno observado pela cl&iacute;nica psicanal&iacute;tica, a saber: a natureza h&iacute;brida dos discursos subjetivos que (re-)produzem, a seu modo, os palimpsestos da cultura.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante da inquietante l&oacute;gica psicossocial, revelada, isolada e elaborada criticamente pelo excelente trabalho de Jo&atilde;o Alberto a partir do aumento da doen&ccedil;a entre as mulheres, gostaria de concluir esta resenha retomando o sentido do compromisso pol&iacute;tico da pesquisa em ci&ecirc;ncias sociais em geral, e deste trabalho em particular.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto de desconstru&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica de pr&aacute;ticas e discursos socialmente vigentes tem sentido na medida em que busca a explicita&ccedil;&atilde;o de mecanismos de viol&ecirc;ncia simb&oacute;lica sobre o sujeito. Trata-se a cada vez de operar sobre formas discursivas de presen&ccedil;a relativamente an&ocirc;nima na cultura, que costumam ter efeitos reificantes sobre a subjetividade, sen&atilde;o mortais, como podemos testemunhar nesse exemplar trabalho. Com efeito, o anonimato intr&iacute;nseco &agrave;s estruturas simb&oacute;licas sugere, a princ&iacute;pio, a id&eacute;ia de uma forma de inumanidade que oprime o homem. Entretanto, tais estruturas, como produtos culturais, remetem ao pr&oacute;prio homem a responsabilidade da opress&atilde;o da qual &eacute; v&iacute;tima, retirando-lhe o v&eacute;u do anonimato. Eis resumidamente o momento no qual uma a&ccedil;&atilde;o conceitual <i>sobre</i> os discursos, no sentido de uma <i>desconstru&ccedil;&atilde;o</i>, assume toda sua significa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e social. Nisso reside o posicionamento &eacute;tico inerente a qualquer investiga&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncias humanas, seu papel libertador ou opressor, seu sentido contr&aacute;rio ou conivente com o sufocamento da liberdade objetiva, que utilizo aqui no sentido de Hannah Arendt, isto &eacute;, no sentido de liberdade pol&iacute;tica e n&atilde;o de &ldquo;liberdade interior&rdquo; do ser humano. O desvelamento das modalidades de efic&aacute;cia ps&iacute;quica das determina&ccedil;&otilde;es sociais da rela&ccedil;&atilde;o de g&ecirc;nero constitui-se hoje como uma forma de a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica necess&aacute;ria e urgente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com efeito, trata-se de uma a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica na medida em que representa um cuidado com a possibilidade de uma a&ccedil;&atilde;o que tem na liberdade um de seus princ&iacute;pios fundamentais. Nesse sentido, o inestim&aacute;vel trabalho intelectual de Jo&atilde;o Alberto Carvalho representa uma bem-vinda conquista pol&iacute;tica para a Psican&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size=2 face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="enda"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/psyche/v8n13/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br> Nelson da Silva Junior    <br> E-mail:<a href="mailto:nesj@terra.com.br">nesj@terra.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1"></a><a href="#1a">1</a></sup>Psicanalista; Professor do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho (IPUSP); Professor do Curso Psican&aacute;lise Teoria e Cl&iacute;nica do Instituto <i>Sedes Sapientiae</i>; Doutor pela Universidade Paris VII; Autor do livro <i>Le fictionnel en psychanalyse. Une &eacute;tude &agrave; partir de l&rsquo;&oelig;uvre de Fernando Pessoa. </i></font></p>      ]]></body>

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