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<journal-title><![CDATA[Construção psicopedagógica]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A intervenção psicopedagógica na instrução bilíngue: uma ação ética de responsabilidade universal na educação do século XXI]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The psychopedagogical intervention in bilingual instruction: an ethical action of universal responsibility in the education of the 21st century]]></article-title>
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<institution><![CDATA[,Universidade de Campinas (Unicamp)  ]]></institution>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In this article, I discuss the importance of a psychopedagogical approach to the studies of bilingual education in the 21st Century, having as its main focus a teaching approach which considers the complex glocalized cultural identity of the bilinguals that invariably leads us to the issue of subjectivity in the learning process.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana,Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A intervenção psicopedagógica na instrução bilíngue: uma ação ética de responsabilidade universal na educação do século XXI</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The psychopedagogical intervention in bilingual instruction: an ethical action of universal responsibility in the education of the 21st century</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Norma Viscardi<a name="1"></a><sup><a href="#1a">1</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade de Campinas (Unicamp)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo, discuto a importância de uma abordagem psicopedagógica para os estudos em Educação  Bilíngue no século XXI, tendo como foco uma modalidade de ensino que contemple a complexa identidade cultural glocalizada do bilíngue, que, por sua vez, remete-nos  invariavelmente à questão da subjetividade na aprendizagem.</font></P>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras chave:</b> Bilingualidade, Ientidade Glocalizada, Subjetividade, Aprendizagem Cidadã, Cidadania Planetária, Ação Ética de Responsabilidade Universal.</font></p>  <hr noshade size="1">      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In this article, I discuss the importance of a psychopedagogical approach to  the studies of bilingual education in the 21st Century, having as its main focus a teaching approach which considers the complex glocalized cultural   identity of the bilinguals that invariably leads us to the issue of  subjectivity in the learning process.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Bilinguality, Glocalized Identity, Subjectivity, Citzenship Learning Planetary Citzenship, Ethical Action of a Universal Responsibility.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A língua é um conceito social que não pode ser definido sem que façamos referência  a seus falantes e ao contexto de seu uso. É verdade também que a língua tem um componente estrutural-gramatical e psicológico de forte influência   na apropriação da cultura, na construção do conhecimento, na formação do sujeito e, portanto, na construção do real.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fenômeno das línguas em contato em contexto escolar - a educação bilíngue - em notável expansão no Brasil e no mundo nas duas últimas décadas, tem suscitado inúmeras questões sobre a identidade do chamado “cidadão do mundo”, em uma perspectiva ao mesmo tempo local e global.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Garcia (2008), “a educação bilíngue é a única maneira de educar no século XXI”, pois o sujeito  hoje, desde cedo em sua existência, é introduzido a uma complexa rede de comunicação multicultural e multilingual; rede essa regulada por políticas educacionais, histórias, crenças, necessidades, desafios e aspirações glocalizadas. Neste sentido, estamos diante de um novo e complexo perfil de desenvolvimento - a bilingualidade - que nos remete, invariavelmente, à questão da subjetividade; do sentido de si para a possibilidade do vir a ser “cidadão do mundo”.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste estudo, refletimos sobre as características psicossociais da globalização que colocaram em cena, dentre outras tendências, a educação bilíngue, para ressaltarmos sua relação com a  subjetividade na aprendizagem. Destacamos aqui a importância de uma abordagem psicopedagógica na elaboração de um programa bilíngue e da escolha de uma modalidade de ensino bilíngue de inclusão.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O conceito de bilinguismo, segundo Hamers (1995), refere-se ao estado linguístico de uma determinada comunidade onde haja duas línguas em contato. É também chamado de bilinguismo societal, pois se refere a um fenômeno linguístico de comunicação grupal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A <i>bilingualidade</i> é o estado psicológico do indivíduo que utiliza mais de um idioma em sua comunicação social. Seu desenvolvimento abrange as dimensões psicológica, cognitiva, linguística, social e cultural.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora inicialmente apenas abordado em sua dimensão linguística, relacionada à proficiência, com o aumento significativo das escolas  bilíngues em todo o mundo, começou-se a investigar as dimensões sociopsicológicas, socioculturais e cognitivas do processo de desenvolvimento do bilíngue.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relação entre bilingualidade e desenvolvimento cognitivo apenas recentemente tornou-se um interesse maior de pesquisadores nesta área de educação e subjacente a ela está a relação língua e pensamento nas teorias comportamentais mais atuais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A influência da língua no desenvolvimento cognitivo da criança surge a partir do momento em que esta atinge uma certa competência linguística. Como meio de comunicação, a língua vai sendo internalizada e passa a exercer uma função estruturante no desenvolvimento da inteligência, na medida em que, segundo Vygotsky (1962), “molda o sistema simbólico abstrato internalizado que permite à criança organizar seu pensamento”.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Bruner (1975), ”a criança desenvolve habilidades linguísticas conceituais nas quais a língua exerce o papel de implementadora do conhecimento”. Ele afirma que a língua permite produção e operações mentais na ausência do objeto representado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a pesquisa em bilingualidade, é muito significativa a contribuição de Vygotsky (1962), quando afirma que:</font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>“(...) ao expressar o mesmo pensamento em diferentes línguas, a criança torna-se capaz de reconhecer sua língua materna como um sistema particular entre vários outros, o que a permite perceber categorias mais gerais e assim tornar-se consciente das operações linguísticas.”</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se pensarmos a bilingualidade por este viés, o da consciência metalinguística, poderemos inferir que muitas das habilidades essenciais para “a mente do século XXI”, dentre elas, a relativização e o pensamento divergente, são, no contexto de aquisição bilíngue, fortemente estimuladas. Vejamos isto a seguir.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segalowitz (apud Hamer 1995) afirma que a internalização de duas línguas, mais do que apenas uma, resulta em uma habilidade mental de uma lógica mais complexa, na medida em que a criança alterna dois sistemas de regras diferentes ao manipular os símbolos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A análise da natureza cognitiva da consciência metalinguística também levou Bialystok & Ryan (1985)  a argumentarem que as crianças bilíngues têm um controle cognitivo maior do processamento da informação.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na visão interacionista de Vygotsky, o desenvolvimento da linguagem oral e o desenvolvimento cognitivo estão intimamente conectados, e a aquisição bilíngue, em sua natureza complexa, torna-se relevante para a estruturação de uma forma de pensar mais complexa</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os primeiros estudos nesta linha, realizados por Pintner & Keller (apud Hamer 1995), apresentaram distúrbios de cognição em crianças bilíngues como confusão mental e anomia<a name="2"></a><sup><a href="#2a">2</a></sup>. Entretanto, uma análise mais crítica destes resultados mostrou que nos procedimentos metodológicos destas pesquisas iniciais, os sujeitos bilíngues faziam parte de grupos minoritários em termos socioeconômicos e culturais, além de estarem submetidos a um programa bilíngue de subtração, ou seja, de exclusão gradativa da língua e cultura maternas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi a partir da década de 1950, século XX, que Pearl & Lambert (apud Hamer 1995), em suas pesquisas sobre bilinguismo, atribuíram os excelentes resultados nos testes de inteligência dos bilíngues a uma maior flexibilidade e facilidade na formação de conceitos, além de uma explícita tendência à relativização. Os autores atribuíram estes diferenciais dos bilíngues à habilidade de manipular dois sistemas simbólicos subjacentes com maior detalhamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outras vantagens cognitivas foram apresentadas, como: a reconstrução verbal formal de percepções, originalidade verbal, melhor articulação das palavras, maior sensibilidade às regras semânticas, melhor pensamento lógico-matemático.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, a habilidade que mais se destaca no desenvolvimento cognitivo do bilíngue, e que aponto como de extrema relevância para este estudo, é o <i>pensamento divergente</i>. Scott (1973), em pesquisa realizada em Montreal, Canadá, com bilíngues falantes do inglês e francês, observou uma maior facilidade para reconhecerem e adaptarem-se às diferenças, além de maior tendência à integração em equipes, a criarem, inovarem e reorganizarem informações. Tais vantagens, vale ressaltar, de acordo com pesquisa da UNESCO na Suécia, realizada por Skutnabb-Kangas e Tonkomara (apud Hamer, 1995), estiveram sempre associadas ao contexto em que a língua e a cultura maternas foram priorizadas e a proficiência nela suficientemente estabelecida, antes da criança adquirir formalmente a segunda língua.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A relevância da língua materna</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relevância da língua materna no desenvolvimento da criança está no fato de que ela é, ao mesmo tempo, um instrumento de comunicação e um organizador do conhecimento e do pensamento. Ela tem a função de representação social e sua internalização é um processo ativo e interativo que, portanto, depende do “outro”. A língua é parte de uma função simbólica por meio da qual representamos nosso mundo externo, nossas ações, experiências e percepção de nosso entorno. Assim, podemos dizer que, como representação, a língua é um modelo estilizado do mundo e passa a existir por intermédio da experiência do indivíduo com o externo. Esta vivência é, em parte, individual e única, totalmente vinculada à origem, porém é, ao mesmo tempo, compartilhada e depende de outros, sendo, portanto, uma complexa função semiótica; um ato de significação. Logo, concluímos que a língua é uma estrutura social presente na sociedade e compartilhada pelos membros da comunidade linguística. Para Hamers (1995)  é um atributo através do qual a comunidade confere valores; ela existe no indivíduo como representação social, isto é, como uma organização com os outros na sociedade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em resumo, dois aspectos estão inter-relacionados na língua materna: ela é usada como meio de comunicação nos primórdios da existência e um instrumento individual e único de organização do conhecimento e do pensamento. Ambos os aspectos - comunicação e desenvolvimento cognitivo - surgem a partir do nascimento e vão adquirindo sofisticação por meio das interações sociais, dentre elas, as do contexto escolar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A língua é moldada por valores, atitudes e regras próprias do ambiente social, sendo, portanto, desenvolvida individual e socialmente. Ela inclui processos cognitivos compartilhados, uma vez que todo o entorno está envolvido na criação, processamento e definição do conhecimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Bruner (1975) há também evidências de que parte desta representação mental dependa de características individuais, sem a intervenção direta do meio social. Ele classifica tais representações em três modos: <i>ecóico, icônico e simbólico</i>, sendo os dois primeiros relacionados à percepção e organização da criança do mundo físico e o último - o simbólico - relacionado à cultura e língua maternas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Logo, concluímos que a organização do conhecimento e do pensamento depende de uma gama de variáveis, dentre as mais influentes está a língua de origem ou  língua materna, expressando características físicas, sociais e culturais do mundo externo. Dela depende a representação simbólica que utiliza categorização relacionais da experiência para organizar e armazenar informação, o que sugere que a informação é armazenada em termos de significado e que, portanto, a memória e o desenvolvimento da inteligência dependem da língua.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na aquisição bilíngue, a estrutura linguística fundante, originária, é muito cedo relativizada em confronto com a estrutura da segunda língua. Este processo pode ser ambivalente, isto é, psicologicamente edificante ou desestruturante, dependendo  das condições sociais, notadamente  do contexto educacional e da modalidade de ensino que sustenta esta aquisição.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando o desenvolvimento da bilingualidade ocorre com a socialização em uma situação de grupos minoritários e com menor poder e prestígio, por um princípio de exclusão, “as consequências mentais de tal situação poderão ser de desordens emocionais”. (Diebold, apud Hamers,1995.)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tais casos clínicos invariavelmente apresentaram, nas pesquisas de Diebold, o mesmo <i>background</i> de desvantagens sociais onde estavam presentes pressões de aculturação antagônicas dirigidas a uma comunidade bicultural por uma sociedade socialmente dominante, na qual a cultura minoritária é  estigmatizada como inferior e, portanto, na qual a aquisição bilíngue é de exclusão. Neste caso, há evidências convincentes de que há uma relação causal entre bilingualidade e distúrbios de personalidade. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um outro distúrbio atribuído à bilingualidade é a anomia (Lambert 1970); um estado psicológico complexo que implica em sentimentos de alienação e isolamento. A anomia é também associada a sentimentos de ansiedade, falta de flexibilidade cognitiva e afetiva e perda de identidade. A anomia não é  necessariamente uma consequência da experiência bilíngue, mas um resultado de um padrão sociocultural no qual a socialização ocorre. Se a herança cultural da criança não é valorizada, ela poderá fixar-se em uma língua e cultura, oferecendo resistência à outra, ou poderá não identificar-se com nenhuma, desenvolvendo, neste caso, a anomia. Entretanto, se o meio valoriza ambas as culturas, então a criança estará em uma posição de integração das mesmas no desenvolvimento de sua identidade glocalizada; um desenvolvimento harmônico e equilibrado. Por harmônico aqui não queremos dizer livre de tensões e conflitos, mas quando a criança, em seu processo de desenvolvimento da bilingualidade, encontra soluções individuais pessoais, sem negar sua própria origem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma identidade cultural bem integrada em uma situação de aquisição bilíngue, em nível afetivo é chamada de bilingualidade de adição (Lambert, 1974).    </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desenvolvimento da bilingualidade de adição leva à valorização de ambas as línguas e culturas. De maneira similar, a integração harmoniosa de ambas as culturas leva a uma identidade que busca uma realidade multicultural, inclusiva e sem conflitos étnicos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">É verdade que estas características do desenvolvimento da bilingualidade, no que se refere à  identidade cultural e leitura de mundo,  influenciam o nível de proficiência nas línguas e o próprio desenvolvimento cognitivo. Como afirma Freire (1993):</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>“(...) a leitura de mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto.”</i></font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sugerimos que uma modalidade de ensino bilíngue, que siga o princípio da inclusão, promova a identificação positiva da criança com os dois idiomas, sendo ambos valorizados, e atribua o mesmo status e prestígio aos diferentes grupos culturais envolvidos no contexto da aprendizagem. Novamente ressaltamos a importância da valorização da língua e culturas de origem no caso da aquisição do inglês - hoje língua de prestígio universal, em escolas bilíngues.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em um mundo de rápidas e constantes transformações, o papel da educação bilíngue é promover, através da língua franca, uma ética discursiva universal. Entretanto, é preciso compreendermos que a ética discursiva, segundo Habermas (1984, pg.12),  não busca a homogenia  e “tem como conteúdo a defesa e integridade da pessoa humana em sua singularidade”. Trata-se, portanto, de uma ética de inclusão. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com Aguiar (2005, p.17), no movimento da globalização, há um resgate da individualidade e da competência reflexiva dos indivíduos. Neste sentido, a importância da cidadania e da autonomia humana é a pedra básica do processo da nova modernização. Tal processo passa pela reordenação da vida coletiva e também da individual. Esta reordenação, segundo Giddens (apud Aguiar 2005), parte da individualidade, do eu-sujeito para a construção de novas bases de solidariedade social. Alicerça-se, portanto, na subjetividade para estabelecer uma nova ordem social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por uma ótica psicossocial, a era da modernização na sociedade industrial apontou para a era da autodestruição criativa; um autoconfronto sutil e contínuo entre valores, crenças, hábitos, formas de ver e de viver diferentes e paradoxais.  Trata-se de um período histórico de inconsistência, ausência do conhecimento e da compreensão dos mecanismos psicológicos na construção do real. A meta da educação no século XXI é anular tais efeitos. As mentes do futuro devem alcançar um nível de autonomia e interdependência nas diversas esferas da vida para que haja continuidade da existência humana em sociedade. Logo, o inevitável processo de desenraizamento cultural, em face da diversidade, depende da valorização da própria subjetividade e da solidariedade para não ser desintegrador.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A língua tem papel fundamental na estruturação deste novo paradigma de pensamento e a educação bilíngue, ao mesmo tempo em que expressa esta realidade, promove este diálogo, não apenas por ter em sua instrução uma língua franca, mas principalmente por  permitir que as crianças e adolescentes convivam, em suas experiências diárias na escola com o particular e o universal, com a língua e cultura maternas e a estrangeira, com o semelhante e o diferente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sujeito que aprende não é uma essência e nem uma ilusão. Seu vir-a-ser cidadão do  mundo exige o reconhecimento e a consciência de uma complexidade que parte de uma origem em um percurso de desenraizamento, onde prevalecem as diferenças. Segundo Morin (2009) é preciso conceber o sujeito como aquele que dá unidade à invariância e à pluralidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A modalidade de ensino bilíngue deve, portanto, seguir o princípio da inclusão - bilingüismo de inclusão - e romper com os princípios clássicos na construção de uma identidade glocalizada; uma pluralidade de personagens e potencialidades. Isto significa conceber o sujeito a partir da situação originária que o constitui.  Como afirma Safra (2004), “é do estabelecimento do sentido de si que surge a possibilidade do vir-a-ser”.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Daí a importância da Psicopedagogia nos rumos da pesquisa em  educação bilíngue no século XXI, no que se refere, por exemplo, à escolha da língua de instrução nas diferentes faixas etárias, seleção do corpo docente, calendário escolar, definição dos conteúdos programáticos, adaptação do currículo nacional aos padrões internacionais, preservação da língua e cultura maternas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A relevância de uma abordagem psicopedagógica</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Psicopedagogia, multidisciplinar em essência, tem um olhar para a subjetividade. Exerce uma ação em todas as áreas de conhecimento que buscam compreender a aprendizagem e a não-aprendizagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compreender o processo de desenvolvimento da bilingualidade requer, a <i>priori</i>, um olhar para o sujeito em sua complexa totalidade; como um ser que interage consigo mesmo e com um meio social glocalizado. Como vimos, anteriormente, o complexo processo de construção de conhecimento do bilíngue decorre de uma experiência ambivalente e multifacetada que requer uma visão multi, intra e interdisciplinar. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A educação bilíngue requer uma abordagem psicopedagógica; um olhar transdisciplinar, ao trabalhar com o conhecimento produzido no próprio percurso histórico da pessoa humana, tanto em sua singularidade quanto em sua universalidade. Por ser complexo e paradoxal, sugerindo um contínuo processo de desenraizamento, o desenvolvimento da bilingualidade, se conduzido de forma inconsciente e desajustada - deixando prevalecer a disjunção no que se refere ao todo ou o desrespeito à subjetividade, - pode resultar em dificuldades de aprendizagem e de integração ao meio social. São os dados e ferramentas oferecidos pela Psicopedagogia que nos permitem um retorno à origem deste cidadão de identidade glocalizada para, através de uma boa ação educacional, delinearmos  sua cidadania planetária.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A relevância da Psicopedagogia para os estudos em educação bilíngue no século XXI está na sua ação preventiva na instituição educacional; ação essa  que, ao dar ênfase à subjetividade, torna-se ressignificadora da modalidade de ensino e de aprendizagem.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AGUIAR, Maria Aparecida Ferreira de. <i>A psicologia aplicada à administração: uma abordagem multidisciplinar</i>. São Paulo: Saraiva, 2005.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606574&pid=S1415-6954201000010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BRUNER, J.S. <i>Language as an instrument of thought</i>. Londres: Heinemon, 1975.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606575&pid=S1415-6954201000010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BYALISTOCK e RYAN. <i>Toward a definition of metalinguistic skills</i>. Herrill-Palnes Quarterly 31, 229-51, New York. 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Gopes (eds). Frontiers of bilingual education. Rowley, Mass: Newbury House, 1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606588&pid=S1415-6954201000010000600015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SCOTT, S. <i>The relation of divergent thinking to bilingualism</i>. Cause or Effect? Montreal Unpublished Research Report: Mc Gill University, 1973. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606589&pid=S1415-6954201000010000600016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SKUTNABB-KANGAS e TONKOMARA. <i>Unesco Education in a Multilingual World</i>. Education Position Paper ,1995.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606590&pid=S1415-6954201000010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">VYGOTSKY, L.S. <i>Though and language</i>. Cambridge/Massachussetts: MIT Press, 1962.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=606591&pid=S1415-6954201000010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="1a"></a><sup><a href="#1">1</a></sup> Mestre em Linguística Aplicada, UNICAMP-SP, Pós-Graduada em Psicopedagogia,  PUC-SP. Especialização em Liderança Educacional, Harvard Graduate school of Education, Cambridge, Massachussetts.    <br> <a name="2a"></a><sup><a href="#2">2</a></sup> Anomia -  estado psicológico de alienação e isolamento.</font></p>      ]]></body>
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