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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Atender cuidar e prevenir: A creche, a educacao e a psicanalise]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[To assist, take care and prevent: The day care, the education and the psychoanalysis]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article tries to establish a dialogue between the psychoanalysis and the education in the context of the day care, starting from an experience of academic supervision and research. Taking as central axis the significant trilogy Assist-Take care-Prevent, it searches to contemplate on the educational act in the psychoanalytic perspective in what refers to the infantile education.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>DOSSIÊ</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Atender, cuidar e prevenir: a creche, a educação e a psicanálise</b></font>     <p>     <p>&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>To assist, take care and prevent: the day care, the education and the psychoanalysis</b></font>     <p>&nbsp;</p>       <p>&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rosa Maria Marini Mariotto</b>*</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">*Professora supervisora do curso de Psicologia da PUC-PR, psicanalista, membro da Associa&ccedil;&atilde;o Psicanal&iacute;tica de Curitiba, doutoranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento pelo IP-USP</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b> </FONT>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo procura estabelecer uma    interlocu&ccedil;&atilde;o entre a psican&aacute;lise e    a educa&ccedil;&atilde;o no contexto da creche, a partir da    experi&ecirc;ncia de supervis&atilde;o acad&ecirc;mica e pesquisa.    Tomando como eixo central a trilogia Atender-Cuidar-Prevenir, busca    refletir sobre o ato educativo na perspectiva    psicanal&iacute;tica no que se refere &agrave; educa&ccedil;&atilde;o infantil.</FONT>     <P><B><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Palavras-chave:</font></b> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Creche, Educa&ccedil;&atilde;o,  Psican&aacute;lise, Cuidado e  preven&ccedil;&atilde;o.</font>     <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>     <p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><B>ABSTRACT</B></FONT></p>     <p>&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article tries to establish a dialogue  between the psychoanalysis and the education in the context  of the day care, starting from an experience of  academic supervision and research. Taking as central axis  the significant trilogy Assist-Take care-Prevent, it  searches to contemplate on the educational act in  the psychoanalytic perspective in what refers to the  infantile education.</font>     <P><B><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Keywords:</font></b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Day care,  Educational act,  Psychoanalysis, Prevention.</font>     <p>&nbsp;</p>  <HR size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <P ALIGN="RIGHT"><I><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;Atender, qualquer um pode  atender, dar uma olhadinha. Cuidar tamb&eacute;m, porque voc&ecirc; n&atilde;o precisa  de curso. Mas a diferen&ccedil;a &eacute; cuidar  bem ou mal. Para cuidar bem, voc&ecirc; tem que educar junto&quot;</font></I>     <P ALIGN="RIGHT"> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(educadora do ber&ccedil;&aacute;rio da  Creche Cajuru, PUC-PR)</font>    <p></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse pelo tema surgiu para  n&oacute;s quando assumimos, a partir de 2002, a  condi&ccedil;&atilde;o de supervisora de est&aacute;gio em Psicologia  Educacional do curso de Psicologia da PUC-PR nas  creches mantidas por essa institui&ccedil;&atilde;o. E estas creches  j&aacute; contavam com o servi&ccedil;o dos estagi&aacute;rios de 5&#186;  ano do curso de Psicologia desde o in&iacute;cio dos anos 90.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo do est&aacute;gio &eacute;, portanto, duplo:  ao mesmo tempo em que abre espa&ccedil;o para a constru&ccedil;&atilde;o do profissional psic&oacute;logo no ambiente educacional, oferece  &agrave; institui&ccedil;&atilde;o o trabalho poss&iacute;vel da psicologia nessa &aacute;rea de  atua&ccedil;&atilde;o, por meio de a&ccedil;&otilde;es junto &agrave; equipe dos educadores, &agrave;s  crian&ccedil;as e aos pais.</font>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, a psican&aacute;lise comparece como eixo te&oacute;rico  que sustenta o ato profissional nas frentes citadas, exigindo do  &quot;psi&quot; um redimensionamento n&atilde;o apenas nesse fazer profissional,  mas tamb&eacute;m na forma de introduzir essa proposta na atua&ccedil;&atilde;o da  equipe da institui&ccedil;&atilde;o. </font>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas &eacute; a partir de nosso trabalho que uma aposta foi  lan&ccedil;ada: a de que a rela&ccedil;&atilde;o entre psican&aacute;lise e educa&ccedil;&atilde;o pudesse  render bons frutos tamb&eacute;m no ambiente da creche. H&aacute; um vasto  e consistente material sobre a interlocu&ccedil;&atilde;o entre psican&aacute;lise e  educa&ccedil;&atilde;o, que se desdobra nos trabalhos sobre dificuldades de  aprendizagem, escolariza&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as com dist&uacute;rbios globais  do desenvolvimento, inclus&atilde;o, etc. No entanto, &eacute; mais escassa  a produ&ccedil;&atilde;o bibliogr&aacute;fica que opere a intersec&ccedil;&atilde;o entre  psican&aacute;lise e creche. </font>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Parece haver dois aspectos que  contribuem diretamente para despertar o interesse sobre o tema. O primeiro, mais ligado &agrave; quest&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o, refere-se ao fato de que, com a nova  LDB (9394/96), a creche passa a ter cada vez mais um estatuto  educacional, e n&atilde;o mais puramente assistencial, marca  registrada de seu surgimento, mas que, justamente por isso, n&atilde;o  desapareceu. Com essa nova legisla&ccedil;&atilde;o, a educa&ccedil;&atilde;o infantil passa a  integrar a educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica e a pertencer &agrave;s a&ccedil;&otilde;es educativas  das pol&iacute;ticas educacionais definidas pela Uni&atilde;o, estados e  munic&iacute;pios, tendo entre seus princ&iacute;pios a tentativa de integrar as  fun&ccedil;&otilde;es de <I>cuidar </I>e  <I>educar</I>. Todas essas institui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o  atualmente atravessando um momento de intensa transforma&ccedil;&atilde;o  interna para poderem se adequar a essas novas diretrizes. Mudan&ccedil;as  que alcan&ccedil;am n&atilde;o apenas os aspectos metodol&oacute;gico-curriculares,  mas que exigem do profissional que disso se ocupa uma reflex&atilde;o  sobre sua fun&ccedil;&atilde;o e sobre o lugar que ocupa nesse sistema  institucional. Portanto, a creche tem cada vez mais se aproximado  da educa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; digno de realce, portanto, que a mudan&ccedil;a de  nomea&ccedil;&atilde;o atesta tamb&eacute;m o lugar que se sup&otilde;e ocupar esta  institui&ccedil;&atilde;o, e a inten&ccedil;&atilde;o que se lhe atribui, assim como a  transfer&ecirc;ncia ocorrida com a educa&ccedil;&atilde;o infantil, em que de  oportunidade ela passa a ser obriga&ccedil;&atilde;o do Estado. </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O segundo, mais pelo lado da psican&aacute;lise, mostra o claro  e crescente interesse pelo trabalho com beb&ecirc;s n&atilde;o s&oacute; no  &acirc;mbito cl&iacute;nico, mas tamb&eacute;m no que se refere &agrave; detec&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o  de riscos ps&iacute;quicos precoces, aplicados tamb&eacute;m &agrave; sa&uacute;de p&uacute;blica,conforme pesquisas do Grupo Nacional de Pesquisa (GNP),  em parceria com o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. </font>     <P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nesse sentido que o espa&ccedil;o da creche tem-se aberto  para um poss&iacute;vel trabalho atravessado pela psican&aacute;lise, na medida  em que, ao se ocupar de crian&ccedil;as pequenas _ que variam de 4  meses a 6 anos _, temos nos confrontado com a interroga&ccedil;&atilde;o sobre  suas poss&iacute;veis fun&ccedil;&otilde;es: cuidar, atender, prevenir e educar. Cada  uma delas convocando este lugar institucional de uma forma  diferente, em que o exerc&iacute;cio do profissional que ali trabalha tamb&eacute;m  se modifica. &Eacute; sobre o que pretendemos refletir a seguir,  acentuando o foco central de nossa abordagem no trabalho  desenvolvido com crian&ccedil;as de at&eacute; 2  anos<sup><a href="#nt1b" target="_self">1</a><a name="nt1" id="nt1"></a></sup>.</font> </font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>A CRECHE E O ATENDENTE: A QUE ATENDE?</b></font>     <P> <font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <P>De origem francesa, a palavra &quot;<I>cr&egrave;che</I>&quot; significa &quot;manjedoura&quot;, denomina&ccedil;&atilde;o dada aos abrigos para beb&ecirc;s necessitados    que come&ccedil;avam a surgir na Fran&ccedil;a no s&eacute;culo XVIII. Com car&aacute;ter    basicamente custodial e assistencial, a creche guardava os    lactentes para que suas m&atilde;es pudessem trabalhar. As chamadas <I>gardeuses d'enfants </I>retiravam das ruas as crian&ccedil;as que, famintas,    perambulavam sem rumo enquanto suas m&atilde;es trabalhavam nas    f&aacute;bricas at&eacute; 18 horas por dia. Segundo Rizzo, este foi o objetivo inicial    da creche, que somava-se a um outro: <I>&quot;</I>Resguardar dos olhos da    sociedade um segundo estorvo que eram os filhos de uni&otilde;es    ileg&iacute;timas&quot; (1984, p. 19).</P> </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">     <P><font face="verdana"size="2">Em fun&ccedil;&atilde;o, portanto, das mudan&ccedil;as sociais e econ&ocirc;micas    em que se fazia urgente aumentar a renda familiar, &agrave;s vezes    garantindo sozinha seu sustento, a mulher foi chamada ao mercado    de trabalho. Impunha-se a&iacute; uma necessidade, a de ter onde    deixar seus filhos. Sendo assim, &eacute; poss&iacute;vel concordarmos com    Cataldi (1992), que afirma n&atilde;o terem as creches surgido para atender  &agrave;s necessidades b&aacute;sicas da crian&ccedil;a, mas em resposta &agrave; necessidade da mulher de colaborar mais efetivamente na economia    industrial capitalista.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro aspecto que se destaca no surgimento das creches &eacute; aquele, apontado por Rizzo (1984), de que, com a    industrializa&ccedil;&atilde;o _ que se fortalece no s&eacute;culo XIX _, come&ccedil;am a surgir    os centros urbanos, diminuindo, pouco a pouco, os espa&ccedil;os e    reduzindo as fam&iacute;lias, que passam a se organizar como conjunto,    simplesmente, de pai, m&atilde;e e filhos. Portanto, com a diminui&ccedil;&atilde;o  dos espa&ccedil;os urbanos e a falta de av&oacute;s ou tias para cuidar das crian&ccedil;as, a creche aparece resolvendo a quest&atilde;o de &quot;onde&quot; e &quot;com quem&quot;.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Observamos, ent&atilde;o, que os  cuidados e a educa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a  pequena &quot;desfamiliariza-se&quot;, atribuindo-se essas fun&ccedil;&otilde;es a estranhos.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No Brasil das primeiras  d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, as creches surgiram ou como benef&iacute;cio concedido aos oper&aacute;rios por empres&aacute;rios  for&ccedil;ados pelos movimentos de classe _ e que tinham como inten&ccedil;&atilde;o velada  a id&eacute;ia de que, &quot;mais satisfeitas, as m&atilde;es oper&aacute;rias produzem  melhor&quot; (Oliveira <I>et al.,</I> 1992, p. 20) _,  ou como trabalho filantr&oacute;pico e/ou religioso. A participa&ccedil;&atilde;o do Estado  na oferta e fiscaliza&ccedil;&atilde;o dessas insititui&ccedil;&otilde;es era nula.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desde meados da d&eacute;cada de 60, submetido ao regime militar, o Brasil assiste &agrave; emerg&ecirc;ncia de  movimentos populares que reivindicavam o fornecimento de servi&ccedil;os sociais urbanos m&iacute;nimos para a sobreviv&ecirc;ncia da popula&ccedil;&atilde;o, entre estes, o  movimento por creches, que caracterizou o aumento do n&uacute;mero desses equipamentos como forma de provimento contra a carestia. A&iacute; o poder  p&uacute;blico foi pressionado a atender as camadas populares no suprimento de suas necessidades m&iacute;nimas. Machado confirma que somente a  partir da d&eacute;cada de 70 &eacute; que ocorreu o ciclo de expans&atilde;o de creches<I>,</I>&quot;inclusive com revis&atilde;o de seu  significado origin&aacute;rio de reivindica&ccedil;&otilde;es e propostas de movimentos feministas&quot; (1997, p. 16). A mesma autora  observa que, a partir da&iacute;, as creches passaram a apoiar-se numa vis&atilde;o de assist&ecirc;ncia compensat&oacute;ria &agrave;s  crian&ccedil;as, que vinham, em sua maioria, de classes sociais desfavorecidas, enfatizando o aspecto m&eacute;dico-nutricional.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi somente com a promulga&ccedil;&atilde;o da nova Constitui&ccedil;&atilde;o, em  1988, que a creche passou a ser um direito da crian&ccedil;a, uma op&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia  e um dever do Estado, vinculando-se &agrave; &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o. Com isto,  propostas pedag&oacute;gicas foram elaboradas na tentativa de uma melhor estrutura&ccedil;&atilde;o desse espa&ccedil;o  educacional, permitindo a supera&ccedil;&atilde;o de seu car&aacute;ter puramente assistencialista. Sendo assim, passou-se a definir a  fun&ccedil;&atilde;o da creche como &quot;educativa, voltada para os aspectos cognitivos, emocionais e sociais da crian&ccedil;a,  enquanto contexto de desenvolvimento para a crian&ccedil;a pequena&quot; (Oliveira <I>et al</I>., 1992, p. 49).</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mesmo assim, concordamos com Langer quando afirma que ainda hoje as creches t&ecirc;m um lugar amb&iacute;guo no sistema de ensino,  j&aacute; que seus interesses continuam voltados mais para a m&atilde;e que trabalha do que para as necessidades da  crian&ccedil;a, reconhecendo tamb&eacute;m os efeitos disso no educador. &quot;A socializa&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pequena em  creche atendeu &agrave; necessidade dos tempos atuais. No Brasil tem acompanhado os acertos e desacertos da  pol&iacute;tica educacional do pa&iacute;s, tornando dif&iacute;cil o reconhecimento desse atendimento como um espa&ccedil;o genuinamente  educativo.<I> </I>Confundindo-se no assistencialismo que marcou seu surgimento, ainda hoje os educadores de creche precisam elaborar  as contradi&ccedil;&otilde;es da&iacute; decorrentes&quot; (1992, p. 123). Como exemplo, citamos os coment&aacute;rios de duas  cuidadoras de ber&ccedil;&aacute;rio que, ao serem indagadas sobre para que serve uma creche, afirmam, ambas, que &eacute;  para ajudar a m&atilde;e, j&aacute; que sem ela a m&atilde;e n&atilde;o poderia trabalhar; &quot;isto (a  creche) &eacute; uma b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o para as m&atilde;es&quot;, afirma uma delas.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desse modo, abre-se a discuss&atilde;o em torno dos educadores de  creche e sua fun&ccedil;&atilde;o junto &agrave;  crian&ccedil;a. Quest&otilde;es estas que n&atilde;o apenas  surgem em decorr&ecirc;ncia dos arranjos pol&iacute;ticos que afetam o  funcionamento das creches, mas tamb&eacute;m alcan&ccedil;am o lugar que o educador  ocupa na rela&ccedil;&atilde;o estabelecida com as  crian&ccedil;as que atende, por se tratar basicamente de um atendimento &agrave;  pequena crian&ccedil;a. O educador de creche, que se dedica a cuidar de  crian&ccedil;as de 0 a 2 anos, invariavelmente se confronta com o impasse de &quot;ser  ou n&atilde;o ser m&atilde;e&quot; destas crian&ccedil;as.  Claro est&aacute; que sua fun&ccedil;&atilde;o educativa n&atilde;o  &eacute; a &uacute;nica por ele desempenhada. Atestamos isso ao recolher a seguinte  afirma&ccedil;&atilde;o de Rizzo: &quot;A creche  existe para <I>exercer pela m&atilde;e,</I> embora  n&atilde;o assumindo seu lugar, as atividades tipicamente maternais junto ao  seu filho, prestando-lhe assist&ecirc;ncia integral, cuidando da sua  seguran&ccedil;a f&iacute;sica e emocional&quot; (1984, p. 22).</font></P>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, com o aparecimento das creches, o lar ou o ambiente  familiar deixa de ser o &uacute;nico contexto tradicional de  desenvolvimento da crian&ccedil;a, transferindo-se  tamb&eacute;m ao educador a responsabilidade de acompanhar este processo. J&aacute; n&atilde;o  &eacute; mais apenas um profissional que objetiva o cumprimento  eficiente de suas fun&ccedil;&otilde;es instrumentais.  A ele cabe um outro lugar e, portanto, uma outra fun&ccedil;&atilde;o, que o ultrapassa, e que opera &agrave; sua revelia. Assim sendo, a tarefa do  atendente _ principalmente aquele de pequenas crian&ccedil;as _ exige deste um &quot;algo a mais&quot; imposs&iacute;vel de ser entendido ou aprendido  cognitivamente.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Retornando a partir daqui ao tema que anima este  artigo, observamos que o trabalho desenvolvido pelo atendente da  creche condensa uma s&eacute;rie de quest&otilde;es que tangenciam a  problem&aacute;tica dos efeitos de sua interven&ccedil;&atilde;o _ no sentido da necessidade  e do desejo _ no processo de constru&ccedil;&atilde;o dos pequeninos a  quem atende. Atendendo-se &agrave;s crian&ccedil;as neste contexto, a que desejo  se atende? Baseado em que suporte te&oacute;rico e metodol&oacute;gico esse  trabalho se ap&oacute;ia?</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Oliveira <I>et al. </I>(1992) reconhecem que o trabalho exercido  na creche depende de como &eacute; apreendida a quest&atilde;o do  desenvolvimento, em que a fun&ccedil;&atilde;o e a forma pela qual o educador  desempenha seu trabalho sustentam-se numa particular compreens&atilde;o  do desenvolvimento da crian&ccedil;a. Em seu estudo, argumenta que  existem tr&ecirc;s concep&ccedil;&otilde;es de desenvolvimento fundamentando  tradicionalmente o trabalho em creche. A primeira, inatista, que  reconhece o desenvolvimento<I> </I>&quot;como o desenrolar de um novelo  no qual j&aacute; est&atilde;o inscritas as caracter&iacute;sticas gen&eacute;ticas do  indiv&iacute;duo&quot;<I> </I>(p. 27). Nesta perspectiva, o educador seria apenas o  &quot;jardineiro&quot; respons&aacute;vel por cuidar e fazer brotar as pequenas sementes. J&aacute;  na teoria ambientalista, o meio assume inteira responsabilidade  em modelar, corrigir e estimular o desenvolvimento da crian&ccedil;a,  fun&ccedil;&atilde;o esta intermediada pelo professor.</font></P>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A terceira proposta, denominada interacionista, defende  uma reciprocidade de influ&ecirc;ncias, argumentando que o  desenvolvimento se constr&oacute;i na e pela intera&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com outras pessoas, e  o educador da creche tamb&eacute;m se insere nesta rede de rela&ccedil;&otilde;es,  na medida em que oferece significados e interpreta&ccedil;&otilde;es  conscientes do mundo a esse pequeno ser.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao tentarmos construir uma proposta de discuss&atilde;o sobre  a quest&atilde;o da articula&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o e psican&aacute;lise e sua  inser&ccedil;&atilde;o nas institui&ccedil;&otilde;es que atendem a pequena crian&ccedil;a, estamos  apostando em uma nova possibilidade de compreender o processo  de subjetiva&ccedil;&atilde;o e tamb&eacute;m de acompanhar o desenvolvimento de  crian&ccedil;as de 0 a 2 anos no ambiente de creche em que se inclua o  atendente de creche enquanto ser de linguagem e, portanto, de  desejo. Isto &eacute;, supondo que um sujeito se constitua a partir de  sua inser&ccedil;&atilde;o na e pela linguagem, atrav&eacute;s de um outro que com  seu desejo vai marcando-o na qualidade de significante.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com essa nova possibilidade, alargamos ainda mais as  fun&ccedil;&otilde;es da creche. Se tradicionalmente ela se configura como lugar onde se oferecem 1) os cuidados b&aacute;sicos, 2) um ambiente  estimulador para o desenvolvimento cognitivo e psicomotor e 3) um lugar de trocas afetivas, deve-se localizar a creche tamb&eacute;m  enquanto elemento simb&oacute;lico no devir ps&iacute;quico da crian&ccedil;a. Id&eacute;ia esta que confere &agrave; institui&ccedil;&atilde;o um lugar instituinte. Sobre  isso Carvalho reconhece que a creche &eacute; &quot;representante do campo do Outro, universo simb&oacute;lico da linguagem e da cultura,  elemento fundamental para o advento da constitui&ccedil;&atilde;o subjetiva&quot; (2001, p. 108). Assim, a creche passa a atuar n&atilde;o apenas nas frentes  pedag&oacute;gica, social, de sa&uacute;de e psicol&oacute;gica, mas tamb&eacute;m na subjetiva. Atua&ccedil;&atilde;o que se faz representar pelo atendente, que, no  interior desta concep&ccedil;&atilde;o, (re)assume seu lugar de educador na medida em que se posiciona enquanto agente do ato educativo a partir  de seu desejo.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo assim, o ponto de interesse neste trabalho n&atilde;o  pode ser mais a j&aacute; desgastada discuss&atilde;o sobre se a creche deve ser  uma obriga&ccedil;&atilde;o ou um direito, ou se ela &eacute; um mal necess&aacute;rio ou  um benef&iacute;cio. N&atilde;o nos cabe proferir este ju&iacute;zo de valor. Mas a  quest&atilde;o deve partir do seguinte ponto: uma vez que esta  institui&ccedil;&atilde;o participa dos tempos precoces de subjetiva&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, &eacute;  preciso interrogar-se sobre que elementos passam agora a operar  esse processo constituinte e que efeitos s&atilde;o produzidos a partir  disso. H&aacute; um universo de possibilidades que se apresentam &agrave;  crian&ccedil;a numa creche, e devemos nos perguntar: quais as  conseq&uuml;&ecirc;ncias ps&iacute;quicas do que lhe &eacute; apresentado e como esta apresenta&ccedil;&atilde;o  ficar&aacute; inscrita, como se far&aacute; representar e existir? Que tra&ccedil;os  permanecem na crian&ccedil;a vindos de quem a constituiu? Que s&eacute;rie de  atos a atravessa?</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No ponto em que nos encontramos em nosso trabalho,  alguns elementos de reflex&atilde;o se destacam.</font></P>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>O FUROR PEDAG&Oacute;GICO</b></font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lajonqui&egrave;re (2001) afirma que h&aacute; uma indaga&ccedil;&atilde;o sobre  a escola e a inf&acirc;ncia, localizando esta rela&ccedil;&atilde;o como paradoxal,  na medida em que atualmente a escola convoca seus alunos _  crian&ccedil;as _ a responder de um lugar que ainda n&atilde;o ocupam, o de  adulto, produzindo, portanto, discursos adulterados e &quot;adultizantes&quot;.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; poss&iacute;vel na creche transferir esse paradoxo afirmando  que l&aacute; tamb&eacute;m n&atilde;o h&aacute; lugar para a inf&acirc;ncia? Esta id&eacute;ia acaba  sendo refor&ccedil;ada pela nova LDB (1996), que determina que a  educa&ccedil;&atilde;o infantil ser&aacute; oferecida tanto em pr&eacute;-escolas _ para crian&ccedil;as de 4 a 6 anos _ quanto por creches _ para crian&ccedil;as com at&eacute; 3 anos de idade  _, em que &quot;os programas, mesmo os de creches, dever&atilde;o ter fun&ccedil;&atilde;o  eminentemente educativa, &agrave; qual se integram as a&ccedil;&otilde;es de cuidado com a  alimenta&ccedil;&atilde;o e a sa&uacute;de&quot;, segundo  as normas para a educa&ccedil;&atilde;o infantil  no estado do Paran&aacute; (001/99). Seguindo o documento, cabe &agrave; creche  responder por tr&ecirc;s frentes de a&ccedil;&atilde;o:  a pedag&oacute;gica, a social e a de sa&uacute;de. Nestes tr&ecirc;s aspectos, destaca-se  principalmente o acento na rela&ccedil;&atilde;o  necess&aacute;ria entre educador e educando, para que se alcancem  efetivamente os objetivos propostos. Se, por um lado, &eacute; poss&iacute;vel observar um  avan&ccedil;o no que se refere &agrave;s atribui&ccedil;&otilde;es  dessa institui&ccedil;&atilde;o, ultrapassando o  car&aacute;ter assistencialista, por outro, no  entanto, ainda permanece obscuro o lugar dado &agrave; subjetividade, seja da  crian&ccedil;a, seja de quem dela se ocupa. O que preocupa &eacute; que a educa&ccedil;&atilde;o e  o ato educativo passem a ser entendidos apenas a partir de um &quot;furor  pedag&oacute;gico&quot;, que come&ccedil;a a se  instituir nos denominados &quot;centros de educa&ccedil;&atilde;o infantil&quot; _ institui&ccedil;&otilde;es  que mant&ecirc;m, simultaneamente, o atendimento a crian&ccedil;as de 0 a 3 anos  em creche e de 4 a 6 anos em pr&eacute;-escola, como se d&aacute; no caso em  estudo. Numa conversa com uma educadora respons&aacute;vel pelo ber&ccedil;&aacute;rio,  esta afirmava que a maior fun&ccedil;&atilde;o da  creche &quot;&eacute; ensinar as crian&ccedil;as. Elas  n&atilde;o v&ecirc;m aqui para brincar, elas aprendem muito aqui&quot;. Conforme  documento j&aacute; citado (001/99), a educa&ccedil;&atilde;o infantil deve basear-se em  determinados princ&iacute;pios, entre os quais est&atilde;o a garantia de espa&ccedil;o para </font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">o jogo e o brinquedo e a oportunidade de acesso ao  conhecimento elaborado. O que surpreende &eacute; o fato de que a &quot;aquisi&ccedil;&atilde;o  de estruturas operat&oacute;rias de pensamento&quot; (LDB, 1996, p. 17)  n&atilde;o sup&otilde;e como instrumento o brincar e/ou o jogo. A este  aspecto, atribui-se a constru&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es e forma&ccedil;&atilde;o do car&aacute;ter.  Abolir o brincar em nome do ensinar &eacute; impedir a crian&ccedil;a de aprender,  j&aacute; que, para alcan&ccedil;ar o tempo da compreens&atilde;o cognitiva, &eacute;  necess&aacute;rio que haja o momento do registro, das primeiras inscri&ccedil;&otilde;es,  que se realiza fundamentalmente pelo brincar.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Torna-se ainda mais preocupante esse aspecto no tocante  aos bem pequenos, portanto, aos <I>infans</I>. Se uma educa&ccedil;&atilde;o dita  primordial que chegue a um &quot;bom&quot; resultado &eacute; aquela que inclui  o ser no discurso, permitindo-lhe o usufruto da palavra, esta  educa&ccedil;&atilde;o cabe tamb&eacute;m &agrave; creche fazer operar. Junto com os pais  e/ou a fam&iacute;lia, torna-se parceira nesta empreitada humanizadora  dos pequeninos, em que estes, seja em casa ou na creche, passam  a ocupar um lugar na hist&oacute;ria, sujeitos a ela. Significa ent&atilde;o  passar uma nova &quot;dem&atilde;o&quot; de tinta sobre a fronteira que separa o  educativo do pedag&oacute;gico, reafirmando n&atilde;o s&oacute; suas diferen&ccedil;as, mas  demarcando o lugar de cada campo. Fazer do educativo o fim e  do pedag&oacute;gico apenas um meio talvez ajude o dito educador a  elucidar seu lugar junto a seus pequenos  pupilos<SUP><a href="#nt2b" target="_self">2</a><a name="nt2" id="nt2"></a></SUP>.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se concordamos com Lajonqui&egrave;re (2001) em que educar  &eacute; transmitir marcas simb&oacute;licas _ inventar met&aacute;foras que  possibilitem ao pequeno sujeito usufruir de um lugar a partir do  qual possa se lan&ccedil;ar &agrave;s empresas imposs&iacute;veis do sujeito _,  conferimos ao brincar seu estatuto n&atilde;o s&oacute; constituinte, mas tamb&eacute;m  educativo no sentido em que &eacute; por meio de seu exerc&iacute;cio que o  <I>infans</I> poder&aacute; marcar seu lugar na linguagem como autor de si mesmo.</font></p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>CUIDAR, EDUCAR, PREVENIR</b></font></P>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">J&aacute; se sabe que a educa&ccedil;&atilde;o exige e opera o recalque, e que  um dos alvos principais _ e talvez primordial _ deste na crian&ccedil;a &eacute;  o corpo. Sendo assim, a aten&ccedil;&atilde;o dispensada na primeira  inf&acirc;ncia aos cuidados do corpo &eacute; intensa. &Eacute; preciso educar o corpo,  cuidando dele. Segundo o RCNEI (1998), &quot;educar significa  propiciar situa&ccedil;&otilde;es de cuidado, brincadeiras e aprendizagens de  forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento  das capacidades infantis de rela&ccedil;&atilde;o interpessoal, de ser e estar com  os outros em uma atitude b&aacute;sica de aceita&ccedil;&atilde;o, respeito e  confian&ccedil;a, e o acesso, pelas crian&ccedil;as, aos conhecimentos mais amplos da  realidade social e cultural. O desenvolvimento integral depende tanto dos cuidados relacionais que envolvem a dimens&atilde;o afetiva e  dos cuidados com os aspectos biol&oacute;gicos do corpo, como a qualidade  da alimenta&ccedil;&atilde;o e os cuidados com a sa&uacute;de, quanto da forma como  esses cuidados s&atilde;o oferecidos e das oportunidades de acesso a  conhecimentos variados&quot;. Aqui se revela que a educa&ccedil;&atilde;o infantil cumpre com  duas fun&ccedil;&otilde;es indispens&aacute;veis e  indissoci&aacute;veis aos olhos do Estado: educar  e cuidar, e sua proposta pedag&oacute;gica deve garantir a articula&ccedil;&atilde;o entre  estas duas a&ccedil;&otilde;es. Carvalho (2001) tamb&eacute;m acrescenta ao cuidar  a id&eacute;ia de preocupa&ccedil;&atilde;o. Para ela,  a preocupa&ccedil;&atilde;o com aquele que &eacute;  cuidado requer que se ocupe dele com antecipa&ccedil;&atilde;o. Neste sentido,  cuidar de um beb&ecirc; &eacute; antecip&aacute;-lo num  funcionamento que por sua vez dever&aacute; ser educado. </font></P>    <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se entendermos que cuidar refere-se a uma id&eacute;ia de guarda e  prote&ccedil;&atilde;o, admite-se que cuidar de um corpo &eacute; proteg&ecirc;-lo e guard&aacute;-lo,  mas do qu&ecirc;? Da puls&atilde;o. Um corpo bem educado &eacute; aquele que regula  seus ritmos de acordo com aquele que se ocupa dele. Na creche, &eacute; preciso  organizar-se para sentir fome na hora das refei&ccedil;&otilde;es e sono na hora da  sesta. Portanto, um corpo bem cuidado &eacute; aquele que ordena-se nesta  nova ordem, em que o espa&ccedil;o para o impulso &eacute; tomado como  mal-educado. &Eacute; o caso da pequena B., que  morde seus coleguinhas e at&eacute; mesmo os adultos. Segundo a diretora de  creche e da pr&oacute;pria educadora, isso  &eacute; &quot;pura maldade&quot;. Berg&egrave;s &amp;  Balbo (2001) afirmam que o corpo &eacute; &quot;o pr&oacute;prio teatro do desconhecimento&quot;, apontando para o fato de que,  &agrave; medida que esse corpo vai sendo tomado pela puls&atilde;o, um saber a&iacute;  vai se instalando, mas que vai sendo &quot;obstaculizado sem cessar pelo  discurso do outro [...] que se v&ecirc; confrontado com sua pr&oacute;pria  verdade sobre a rela&ccedil;&atilde;o sexual&quot; (pp. 18-9). </font></p>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa regula&ccedil;&atilde;o dos ritmos _  fundamental na constitui&ccedil;&atilde;o  _ est&aacute;  determinada pela atendente quando a crian&ccedil;a permanece boa parte de  seu dia na creche. Mas isso que ela cumpre est&aacute; referido a uma inst&acirc;ncia  que a ultrapassa? Ou seja, h&aacute; um Outro que opera o funcionamento de  outro? &Eacute; fundamental que a creche possa ser tomada pela  atendente como referencial, no sentido de, na sua rela&ccedil;&atilde;o com a crian&ccedil;a, ser  institu&iacute;da da fun&ccedil;&atilde;o de Grande Outro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Reconhecer a creche como um lugar de cuidados, antecipa&ccedil;&atilde;o  e educa&ccedil;&atilde;o nos leva a intoduzir a  quest&atilde;o da preven&ccedil;&atilde;o e, mais  precisamente, a sua articula&ccedil;&atilde;o com a  psican&aacute;lise e a educa&ccedil;&atilde;o infantil.  Seguindo uma id&eacute;ia de Almeida (1998), &eacute;  prudente abordar esse conceito desde sua etimologia, que opera no  sentido de &quot;vir antes, tomar a  dianteira&quot;. A autora lembra com propriedade o quanto a preven&ccedil;&atilde;o est&aacute; a servi&ccedil;o  das ideologias dominantes que atravessam cada cultura e que  justamente sustentam e determinam as modalidades de interven&ccedil;&atilde;o  preventiva existentes nas &aacute;reas de educa&ccedil;&atilde;o  e sa&uacute;de nas sociedades. Neste sentido, o termo preven&ccedil;&atilde;o &quot;toma a  dianteira&quot;, antecipando um modelo de cidad&atilde;o desejado, conforme _  ou conformado _ os ideais do Estado. Almeida tamb&eacute;m examina o conceito de sa&uacute;de mental, apresentando alguns elementos  importantes na reflex&atilde;o sobre este tema, em que basicamente a sa&uacute;de  &eacute; tomada como um processo que, embora esteja intimamente  ligado &agrave; subjetividade de cada um, &eacute; afetado pelos  determinantes socioculturais. Ao relembrar <I>Mal-estar na  civiliza&ccedil;&atilde;o</I>, texto de 1930, <I>  </I>a autora acentua que para Freud as condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas  de sa&uacute;de mental verificam-se nas capacidades subjetivas de amar  e trabalhar. E que submeter-se ao processo civilizat&oacute;rio  implica deixar-se cindir pela ren&uacute;ncia &agrave;s vig&ecirc;ncias pulsionais,  opera&ccedil;&atilde;o esta exercida pelo recalque.</font></p>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim vamos nos aproximando da quest&atilde;o da fun&ccedil;&atilde;o da  educa&ccedil;&atilde;o infantil na promo&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de mental. H&aacute; aqui,  portanto, um paradoxo, que se acentua ainda mais se nos referimos &agrave;  quest&atilde;o da creche e dos beb&ecirc;s e crian&ccedil;as pequenas. Entender que  o ato educativo anuncia a ren&uacute;ncia &agrave;s puls&otilde;es, exigindo que  corpo e sujeito submetam-se ao princ&iacute;pio que a realidade imp&otilde;e,  sup&otilde;e um sujeito j&aacute; ativo em seu funcionamento pulsional. Ao  pensarmos num beb&ecirc; _ tomando esta condi&ccedil;&atilde;o como aquela que  atesta um tempo em que a opera&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica vigente &eacute; a constru&ccedil;&atilde;o de  seu circuito pulsional e, portanto, num tempo de aliena&ccedil;&atilde;o _  integrado na creche, que assume cada vez mais o car&aacute;ter educativo,  o risco &eacute; que deste pequenino seja exigido renunciar &agrave;quilo  que nem bem ainda se estabeleceu. Ou seja, a id&eacute;ia de sa&uacute;de  mental ligada &agrave; preven&ccedil;&atilde;o no &acirc;mbito da creche precisa supor  justamente os dois tempos em jogo: o da aliena&ccedil;&atilde;o e o da separa&ccedil;&atilde;o.  Fazendo refer&ecirc;ncia &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de Arag&atilde;o (1994), de que &quot;a educa&ccedil;&atilde;o  n&atilde;o deveria dar &agrave; crian&ccedil;a a impress&atilde;o de que todos os impulsos  s&atilde;o perigosos&quot; (p. 38), &eacute; preciso entender que &agrave;s vezes o que &eacute;  perigoso para um beb&ecirc; &eacute; n&atilde;o estar submetido aos impulsos.</font></p>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que seria ent&atilde;o o ato educativo relativo a um beb&ecirc;?</font></P>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Freud, o processo de humaniza&ccedil;&atilde;o que permite  o ingresso da crian&ccedil;a na cultura, tomando lugar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;  Lei, aos c&oacute;digos e aos discursos que a organizam, &eacute; fun&ccedil;&atilde;o da  educa&ccedil;&atilde;o. Humanizar, portanto, &eacute; antes de mais nada marcar o  sujeito com o significante, opera&ccedil;&atilde;o esta que abre espa&ccedil;o para a  desbiologiza&ccedil;&atilde;o do corpo e seu amarramento &agrave; puls&atilde;o.</font></p>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Educar o beb&ecirc; nesse sentido tamb&eacute;m aponta para uma  ren&uacute;ncia, j&aacute; que o estabelecimento do circuito pulsional faz cair  o objeto, constituindo-se numa perda. &Eacute;, por&eacute;m, uma opera&ccedil;&atilde;o  de outra ordem. Aqui ao que se renuncia &eacute; o real do corpo, e n&atilde;o  a cren&ccedil;a imagin&aacute;ria de um corpo f&aacute;lico. A opera&ccedil;&atilde;o de  subvers&atilde;o acionada pelo significante que faz da necessidade uma  atividade pulsional inaugura, portanto, o sujeito, j&aacute; que o arranca de  um real irredut&iacute;vel ao simb&oacute;lico a que ele se reduz. Pode-se afirmar cristent&atilde;o que, quando o outro cuida  de um corpo, o faz atendendo um sujeito (do desejo), que se localiza  tanto do lado da crian&ccedil;a quanto de seu cuidador. Estaria a&iacute; o germe do  ato educativo?</font></P>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, propor que a creche seja n&atilde;o apenas um lugar de  cuidados instrumentais, mas que se reconhe&ccedil;a nisso o dispositivo de  transmiss&atilde;o de saberes, afirmando sua voca&ccedil;&atilde;o educativa _ mais do  que pedag&oacute;gica _, &eacute; localizar  tamb&eacute;m sua responsabilidade no trabalho de preven&ccedil;&atilde;o. Termo este que n&atilde;o  pode e n&atilde;o deve imiscuir-se no de (psico)profilaxia, j&aacute; que este  arrasta consigo a id&eacute;ia de assepsia nos cuidados, antecipa&ccedil;&atilde;o excessiva no  atendimento e efic&aacute;cia total na  educa&ccedil;&atilde;o<SUP><a href="#nt3b" target="_self">3</a><a name="nt3" id="nt3"></a></SUP>. Tarefa que vai exigir da  equipe n&atilde;o apenas um olhar diferenciado sobre a crian&ccedil;a em constitui&ccedil;&atilde;o,  mas tamb&eacute;m uma abertura para fazer de sua pr&aacute;tica uma interroga&ccedil;&atilde;o  permanente, capaz de provocar uma mudan&ccedil;a de posi&ccedil;&atilde;o junto &agrave; crian&ccedil;a  que &eacute; atendida, cuidada e educada.</font></p>     <P>&nbsp;</p>    <p>&nbsp;</p>      <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font>     <!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Almeida, S. F. C. (1998). O papel da  escola na educa&ccedil;&atilde;o e preven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de  mental. <I>Estilos da Cl&iacute;nica: Revista sobre a  Inf&acirc;ncia com Problemas</I>, 3 (4). </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695449&pid=S1415-7128200300020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Arag&atilde;o, R. O. (1994). Psican&aacute;lise e  educa&ccedil;&atilde;o: Conflito ou concilia&ccedil;&atilde;o? In  Bucher, R. &amp; Almeida, S. F. C. (orgs.). <I>Psicologia  e psican&aacute;lise: Desafios</I>. Bras&iacute;lia, DF: Ed.  da Universidade de Bras&iacute;lia. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695450&pid=S1415-7128200300020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Berg&egrave;s, J. &amp; Balbo, G. (2001). <I>A atualidade das teorias sexuais infantis. </I>Porto Alegre,  RS: CMC.   </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695451&pid=S1415-7128200300020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Carvalho, M.  T.  V.  C. (2001).      <I>Creche: Um elemento a mais na constitui&ccedil;&atilde;o  do sujeito</I>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Instituto de Psicologia, Universidade de  S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo, SP. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695452&pid=S1415-7128200300020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cataldi, M. C. C. (1992). Modifica&ccedil;&otilde;es sociais e participa&ccedil;&atilde;o da mulher  no mercado de trabalho. In Gayotto, M. L. C. (org.). <I>Creches: Desafios e contradi&ccedil;&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pequena. </I>S&atilde;o Paulo, SP: &Iacute;cone. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695453&pid=S1415-7128200300020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lajonqui&egrave;re, L. de la (2001). A inf&acirc;ncia e a educa&ccedil;&atilde;o nos tempos sombrios  do narcisismo. In <I>Anais do Col&oacute;quio Franco-Brasileiro, </I>Universidade de Paris XIII. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695454&pid=S1415-7128200300020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">___________ (2002). Sigmund Freud, a educa&ccedil;&atilde;o e as crian&ccedil;as. <I>Estilos da Cl&iacute;nica: Revista sobre a Inf&acirc;ncia com Problemas, </I>7 (12), 112-29. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695455&pid=S1415-7128200300020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Langer, R. J. (1992). Pap&eacute;is b&aacute;sicos do educador da crian&ccedil;a pequena. In  Gayotto, M. L. C. (org.). <I>Creches: Desafios e contradi&ccedil;&otilde;es da cria&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a pequena. </I>S&atilde;o Paulo, SP: &Iacute;cone. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695456&pid=S1415-7128200300020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LDB n&#186; 9394. 20/12/1996. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695457&pid=S1415-7128200300020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Machado, T. P. (1997). <I>Creche universit&aacute;ria: Um sonho que se fez realidade. </I>Londrina, PR: UEL. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695458&pid=S1415-7128200300020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oliveira, Z. M. <I>et al.</I> (1992).      <I>Creche: Crian&ccedil;as, faz-de-conta e cia. </I>Petr&oacute;polis, RJ: Vozes. </font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695459&pid=S1415-7128200300020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Referencial Curricular para Educa&ccedil;&atilde;o Infantil (RCNEI) (1998). Bras&iacute;lia,  DF: Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o e do Desporto.</font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695460&pid=S1415-7128200300020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rizzo, G. (1984). <I>Creche: Organiza&ccedil;&atilde;o, montagem e funcionamento, </I>Rio de Janeiro, RJ: Francisco Alves.</font>    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=695461&pid=S1415-7128200300020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>NOTAS</b></font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><SUP> <a href="#nt1" target="_self">1</a><a name="nt1b" id="nt1b"></a> </SUP>Por se tratar de um est&aacute;gio supervisionado, contamos, em nossas reflex&otilde;es,  com a indispens&aacute;vel colabora&ccedil;&atilde;o de nossas estagi&aacute;rias, sem as quais este trabalho  n&atilde;o teria sido constru&iacute;do. A elas, nossos sinceros agradecimentos.</font>     <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><SUP><a href="#nt2" target="_self">2</a><a name="nt2b" id="nt2b"></a> </SUP> Sobre esse  assunto, Lajonqui&egrave;re, em seu artigo &quot;Sigmund Freud, a educa&ccedil;&atilde;o  e as crian&ccedil;as&quot;<I> </I>(2002), vai mais al&eacute;m, ao conceder &agrave;s pr&aacute;ticas pedag&oacute;gicas  atuais um car&aacute;ter de fundamentalismo psiconatural, abolindo assim a possibilidade  de o desejo ser reconhecido e tornando a  <I>pr&aacute;xis educativa</I> em uma mera  <I>pr&aacute;tica pedag&oacute;gica.</I></font>     <P> <font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a href="#nt3" target="_self"><font size="2">3</font></a><a name="nt3b" id="nt3b"></a> Atualmente a profilaxia tem-se articulado ao conceito de qualidade total,  id&eacute;ia (ou ideologia) que cada vez mais tem-se infiltrado no  <I>affaire </I>pedag&oacute;gico das escolas.</font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <P><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif", size="2">Recebido em julho/2003    ]]></body>
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