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<publisher-name><![CDATA[Centro de Psicologia Aplicada ao Trabalho do Departamento de Psicologia Social e do Trabalho do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Prática de gestão e controle da subjetividade dos trabalhadores: a ideologia de encantamento em uma empresa de varejo]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Practice management and control of the workers' subjectivity: the ideology of enchantment in a retail company]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper presents a case study of a retail company and approaches the relationship between organizational management practices and the control of workers' subjectivity. The research is qualitative and is based in observations, interviews, video records and analysis of documents. The collected data were analyzed following Bardin's proposal for qualitative content analysis. The theoretical discussion is grounded on the contributions from authors of Psychosociology and Political Economy of Power. Within the researched company, the practices that subjectively involve the worker with the organization are: (i) process of immersion for achieving integration between workers; (ii) rituals for inaugurating new branch offices, with anthems composed by the workers themselves; (iii) internalization of norms and rules of conduct through the participation of workers in the creation of policies of enchantment and through the systematic repetition of organizational objectives and values; and (iv) production of books with stories of success, shaping the subjectivity by evidencing an ideal behavior. The main result of this essay is to highlight the effectiveness of practices for controlling the subjectivity that reinforce both the involvement and the seductive and perverse engagement of workers with the organization, and their adherence through an ideology of enchantment which resembles a "religious" instance.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS ORIGINAIS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="tx"></a>Pr&aacute;tica de gest&atilde;o e controle da subjetividade dos trabalhadores: a ideologia de encantamento em uma empresa de varejo</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Practice management and control of the workers' subjectivity: the ideology of enchantment in a retail company</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B>Ana Carolina Horst<a href="#nt01"><sup>1</sup></a>; Lis Andr&eacute;a Pereira Soboll<a href="#nt02"><sup>2</sup></a>; &Eacute;dna Cicmanec<a href="#nt03"><sup>3</sup></a></B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Universidade Federal do Paran&aacute; (Curitiba, PR)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este artigo apresenta um estudo de caso realizado em uma empresa do ramo de varejo e aborda a rela&ccedil;&atilde;o entre as pr&aacute;ticas de gest&atilde;o organizacionais e o controle da subjetividade dos trabalhadores. A pesquisa &eacute; de natureza qualitativa e est&aacute; fundamentada em observa&ccedil;&otilde;es, entrevistas, registros f&iacute;lmicos e an&aacute;lise documental. Os dados foram analisados de acordo com a t&eacute;cnica de an&aacute;lise qualitativa de conte&uacute;do proposta por Bardin. A discuss&atilde;o te&oacute;rica fundamenta-se nas contribui&ccedil;&otilde;es de autores da Psicossociologia e da Economia Pol&iacute;tica do Poder. Destacam-se, na empresa estudada, as seguintes pr&aacute;ticas que envolvem subjetivamente o trabalhador com a organiza&ccedil;&atilde;o: (i) processo de imers&atilde;o para integra&ccedil;&atilde;o; (ii) rituais de inaugura&ccedil;&atilde;o das novas filiais, com elabora&ccedil;&atilde;o de hinos pelos pr&oacute;prios trabalhadores; (iii) internaliza&ccedil;&atilde;o das normas e regras de conduta, pela participa&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores na constru&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas de encantamento e pela repeti&ccedil;&atilde;o dos objetivos e valores organizacionais; e (iv) elabora&ccedil;&atilde;o de livros com as hist&oacute;rias de sucesso que imprimem uma formata&ccedil;&atilde;o da subjetividade ao destacar um ideal comportamental. Como principais resultados, o estudo destaca a efetividade das pr&aacute;ticas de controle da subjetividade que focam o engajamento e o envolvimento sedutor e perverso dos trabalhadores pela organiza&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m da ades&atilde;o dos trabalhadores via ideologia do encantamento, que se assemelha a uma inst&acirc;ncia "religiosa".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave:</b> Pr&aacute;ticas de gest&atilde;o, Controle da subjetividade, Psicossociologia, Ideologia, Encantamento.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">This paper presents a case study of a retail company and approaches the relationship between organizational management practices and the control of workers' subjectivity. The research is qualitative and is based in observations, interviews, video records and analysis of documents. The collected data were analyzed following Bardin's proposal for qualitative content analysis. The theoretical discussion is grounded on the contributions from authors of Psychosociology and Political Economy of Power. Within the researched company, the practices that subjectively involve the worker with the organization are: (i) process of immersion for achieving integration between workers; (ii) rituals for inaugurating new branch offices, with anthems composed by the workers themselves; (iii) internalization of norms and rules of conduct through the participation of workers in the creation of policies of enchantment and through the systematic repetition of organizational objectives and values; and (iv) production of books with stories of success, shaping the subjectivity by evidencing an ideal behavior. The main result of this essay is to highlight the effectiveness of practices for controlling the subjectivity that reinforce both the involvement and the seductive and perverse engagement of workers with the organization, and their adherence through an ideology of enchantment which resembles a "religious" instance.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> Management practices, Subjectivity control, Psychosociology, Ideology, Enchantment.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><B>Introdu&ccedil;&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O contexto competitivo que envolve as organiza&ccedil;&otilde;es capitalistas, aliado &agrave; busca constante pela eleva&ccedil;&atilde;o dos padr&otilde;es de excel&ecirc;ncia, tem conduzido tais empresas a promoverem esfor&ccedil;os cada vez maiores para reduzir os custos, diminuir o tempo de produ&ccedil;&atilde;o e, consequentemente, ampliar a lucratividade. Ocorre que, na busca incessante por resultados, essas organiza&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m usado estrategicamente a gest&atilde;o da subjetividade dos trabalhadores como forma de atingir seus objetivos (Alves, 2007; Enriquez, 2006; Faria, 2004; Gaulejac, 2007; Pag&egrave;s, Bonetti, Gaulejac &amp; Descendre, 1987; Sennett, 2001).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Alves (2011) afirma que o esp&iacute;rito toyotista, enquanto ideologia do capital, dissemina, consolida e explicita sua capacidade de controle social por meio de tr&ecirc;s dimens&otilde;es distintas da reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva: (i) inova&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas â€“ tecnologia, rob&oacute;tica, telem&aacute;tica â€“ aliadas ao aumento da concorr&ecirc;ncia e da massifica&ccedil;&atilde;o do consumo, acompanhadas de processos produtivos e organizacionais que visam obter o m&aacute;ximo da capacidade produtiva de cada trabalhador (Alves, 2007, 2011; Faria, 2004); (ii) inova&ccedil;&otilde;es organizacionais, em que o controle e a mobiliza&ccedil;&atilde;o da subjetividade dos trabalhadores aparecem enquanto ferramentas de gest&atilde;o, uma vez que "&eacute; a 'alma' do indiv&iacute;duo que &eacute; chamada para a produ&ccedil;&atilde;o" (Lazzarato &amp; Negri, 2001), configurando a coopera&ccedil;&atilde;o complexa da nova produ&ccedil;&atilde;o capitalista (Alves, 2011); e (iii) as inova&ccedil;&otilde;es sociometab&oacute;licas, entendidas enquanto matrizes anal&iacute;ticas portadoras de m&uacute;ltiplas formas de precariza&ccedil;&atilde;o, objetiva e subjetiva, da for&ccedil;a de trabalho (Alves, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante desse contexto, em que as organiza&ccedil;&otilde;es articulam estrat&eacute;gias que empregam m&eacute;todos instrumentais pr&aacute;ticos e ferramentas de controle psicol&oacute;gico, a subjetividade dos trabalhadores passa a ser controlada e mobilizada por meio de mecanismos poderosos e sutis, que t&ecirc;m como finalidade &uacute;ltima aumentar sua produtividade e lucratividade, independentemente do custo que isso represente aos trabalhadores envolvidos em seus processos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">De acordo com Faria (2004), esse tipo de controle evidencia que as organiza&ccedil;&otilde;es reconhecem a exist&ecirc;ncia e a import&acirc;ncia da subjetividade para a produ&ccedil;&atilde;o. Tal a&ccedil;&atilde;o explicita que os instrumentos de gest&atilde;o e os dispositivos de informa&ccedil;&atilde;o e de comunica&ccedil;&atilde;o dessas organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o revestidos por uma vis&atilde;o de mundo que corrobora os ideais da ideologia gerencialista, descrita por Gaulejac (2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Gaulejac (2007), a ideologia gerencialista preenche o vazio &eacute;tico do capitalismo, uma vez que o poder contemplado pelo mesmo se desenvolve mediante um movimento duplo de abstra&ccedil;&atilde;o e de desterritorializa&ccedil;&atilde;o do capital. Sob essa orienta&ccedil;&atilde;o, a pr&aacute;tica da gest&atilde;o se perverte em fun&ccedil;&atilde;o do favorecimento de uma vis&atilde;o de mundo na qual o humano &eacute; convertido em um recurso a servi&ccedil;o da empresa. Nesse contexto, "os neg&oacute;cios se desenvolvem, a &eacute;tica de resultado substitui a moral, o projeto capitalista procura em si mesmo sua pr&oacute;pria finalidade" (Gaulejac, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Reconhecer e analisar as pr&aacute;ticas de gest&atilde;o nesse momento hist&oacute;rico do trabalho permite compreender as rela&ccedil;&otilde;es que se estabelecem entre indiv&iacute;duo e organiza&ccedil;&atilde;o, tendo em vista que estas se configuram como mecanismos privilegiados de controle da subjetividade dos trabalhadores (Pag&eacute;s et al., 1987). Permite tamb&eacute;m destacar as rela&ccedil;&otilde;es de poder que submetem os sujeitos de forma pol&iacute;tica, econ&ocirc;mica, ideol&oacute;gica e psicol&oacute;gica ao processo dominante do sistema do capital (Faria &amp; Meneguetti, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Este artigo apresenta um estudo de caso realizado em uma loja de departamentos que atua em diversos estados do pa&iacute;s. O estudo aborda especificamente a rela&ccedil;&atilde;o existente entre as pr&aacute;ticas de gest&atilde;o organizacionais e o controle da subjetividade dos trabalhadores. O objetivo principal deste estudo &eacute; identificar, a partir da perspectiva da Psicossociologia e da Economia Pol&iacute;tica do Poder, como as pr&aacute;ticas de gest&atilde;o empreendidas no interior da organiza&ccedil;&atilde;o possibilitam um controle ideol&oacute;gico-comportamental dos trabalhadores. Para tanto, o texto apresenta inicialmente uma breve revis&atilde;o te&oacute;rica sobre o controle da subjetividade no trabalho. Em seguida, &eacute; feita a descri&ccedil;&atilde;o da metodologia utilizada para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa. Os resultados da pesquisa e a an&aacute;lise dos resultados s&atilde;o apresentados no terceiro item de modo articulado e cont&iacute;nuo, relacionando dados da pesquisa com an&aacute;lise te&oacute;rica, revelando, dessa forma, os mecanismos de controle da subjetividade utilizados na organiza&ccedil;&atilde;o pesquisada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Estrat&eacute;gias de controle da subjetividade no trabalho</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os instrumentos de gest&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o uma simples "abordagem racional da realidade", e tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o neutros, uma vez que "s&atilde;o constru&iacute;dos sobre pressupostos raramente explicitados, l&oacute;gicas impl&iacute;citas que se imp&otilde;em por meio de regras, de procedimentos, de ratios e de indicadores que se aplicam sem que haja possibilidade de discutir sua pertin&ecirc;ncia" (Gaulejac, 2007, p. 100). No mesmo sentido, Pag&egrave;s et al. (1987) atestam que os dispositivos de gest&atilde;o e a ideologia est&atilde;o indissoluvelmente ligados e t&ecirc;m como finalidade fazer que os trabalhadores internalizem normas de conduta e princ&iacute;pios que as legitimam dentro da organiza&ccedil;&atilde;o. No modelo toyotista de produ&ccedil;&atilde;o, a "mecaniza&ccedil;&atilde;o" atinge o corpo e a mente do homem produtivo, caracterizando uma "subjetividade &agrave;s avessas" (Alves, 2011), permitindo que n&atilde;o somente o corpo, mas tamb&eacute;m a mente do trabalhador, sejam utilizados de acordo com a racionalidade instrumental do capital.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir desses instrumentos racionalizados de gest&atilde;o, que n&atilde;o deixam margem para questionamentos ou discuss&atilde;o, as organiza&ccedil;&otilde;es promovem a constru&ccedil;&atilde;o de valores, induzem h&aacute;bitos e modelam comportamentos que facilitam o controle dos trabalhadores de acordo com os interesses da pr&oacute;pria institui&ccedil;&atilde;o (Gaulejac, 2007). Assim, s&atilde;o constru&iacute;dos instrumentos que subjugam os sujeitos &agrave; l&oacute;gica da empresa, por meio de rela&ccedil;&otilde;es totalmente assim&eacute;tricas, nas quais prevalecem interesses particulares, com a utiliza&ccedil;&atilde;o de um discurso coletivo que dissimula os reais interesses e objetivos promovidos pelas pr&aacute;ticas da companhia (Faria &amp; Meneguetti, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As organiza&ccedil;&otilde;es, por meio de suas pr&aacute;ticas de gest&atilde;o, buscam o primado dos objetivos financeiros, a produ&ccedil;&atilde;o da ades&atilde;o e a mobiliza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica. Dessa forma, esperam de seus empregados "uma implica&ccedil;&atilde;o subjetiva e afetiva" (Gaulejac, 2007, p. 108), que deve ser aplicada sobre a pr&oacute;pria companhia, "personificada" com o objetivo de que a energia libidinal de seus empregados seja convertida em for&ccedil;a de trabalho. Logo, a empresa apresenta-se ao trabalhador como um ente com o qual este possa identificar-se e satisfazer-se, isto &eacute;, a organiza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e ocupar o lugar de "m&atilde;e onipotente" (Faria, 2004), "satisfazendo seus fantasmas e seus desejos de sucesso" (Gaulejac, 2007, p. 117), culminando em uma ades&atilde;o total e uma mobiliza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica intensa do sujeito para com a institui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para tanto, desde o in&iacute;cio do processo, j&aacute; na sele&ccedil;&atilde;o de pessoal, s&atilde;o procurados funcion&aacute;rios que tenham valores individuais pr&oacute;ximos aos valores da organiza&ccedil;&atilde;o (Gaulejac, 2007). Os candidatos s&atilde;o submetidos a um sistema, e n&atilde;o a outros indiv&iacute;duos no momento dessa sele&ccedil;&atilde;o, afirmam Pag&egrave;s et al. (1987). A responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores pelos resultados esperados pela empresa e pela elabora&ccedil;&atilde;o de normas tamb&eacute;m &eacute; uma pr&aacute;tica que gera a ades&atilde;o. Sentir o poder nas m&atilde;os, e n&atilde;o ser meros cumpridores de ordens, motiva os trabalhadores a dedicarem-se mais pelo sucesso ilusoriamente pessoal e efetivamente organizacional (Gaulejac, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nessa atmosfera artificialmente elaborada, os trabalhadores n&atilde;o est&atilde;o ligados &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o por um mecanismo de coer&ccedil;&atilde;o; &eacute; a depend&ecirc;ncia ps&iacute;quica, apoiada em processos de proje&ccedil;&atilde;o, idealiza&ccedil;&atilde;o, ang&uacute;stia e prazer, isto &eacute;, processos de mobiliza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, que liga os trabalhadores &agrave; empresa. Na concep&ccedil;&atilde;o de Gaulejac (2007), &eacute; essa car&ecirc;ncia de afetos que permite que os empregados se dediquem fielmente a satisfazer os "desejos" da organiza&ccedil;&atilde;o. "O indiv&iacute;duo espera da empresa que ela favore&ccedil;a sua realiza&ccedil;&atilde;o, e a empresa espera do indiv&iacute;duo que ele d&ecirc; sua ades&atilde;o total a seus objetivos e a seus valores" (Gaulejac, 2007, p. 229).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Faria e Meneguetti (2007, p. 50) afirmam que o que ocorre &eacute; um "sequestro da subjetividade" dos trabalhadores, em que os mecanismos de gest&atilde;o do processo de trabalho atuam impedindo que os sujeitos se apropriem da realidade e elaborem seus saberes, "ficando &agrave; merc&ecirc; dos saberes e valores produzidos e alimentados pela organiza&ccedil;&atilde;o sequestradora". Alves (2011, p. 114) define essa mesma pr&aacute;tica com o nome de "captura da subjetividade", definindo-a como um "processo intrinsecamente contradit&oacute;rio e densamente complexo, que articula mecanismos de coer&ccedil;&atilde;o/consentimento e de manipula&ccedil;&atilde;o", mobilizando as inst&acirc;ncias consciente e inconsciente do psiquismo humano.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Portanto, as estrat&eacute;gias de gest&atilde;o est&atilde;o organizadas de modo a oferecer solu&ccedil;&otilde;es para as contradi&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas individuais e interindividuais. Desse modo, os trabalhadores aceitam e introjetam os princ&iacute;pios, os valores, as amea&ccedil;as e os prazeres oferecidos pela organiza&ccedil;&atilde;o. "&#91;As empresas&#93; permitem ao indiv&iacute;duo defender-se da ang&uacute;stia, lhe prop&otilde;em um sistema de defesa s&oacute;lido, socialmente organizado e legitimado pela sociedade" (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 39-40).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esses mesmos autores entendem que s&atilde;o, portanto, os sentimentos de seguran&ccedil;a e de poder que facilitariam a ades&atilde;o dos trabalhadores &agrave;s regras, aos princ&iacute;pios e aos valores da organiza&ccedil;&atilde;o. "Oferecendo um sistema de cren&ccedil;as, um ideal de vida, concretizado por regras e procedimentos, a organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o faz sen&atilde;o responder a uma necessidade profundamente enraizada no indiv&iacute;duo." (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 158) Por meio da ades&atilde;o a esse sistema que responde a necessidades inerentes dos indiv&iacute;duos, os trabalhadores encontram energias para se dedicar de "corpo e alma" ao seu trabalho, e a ades&atilde;o dos trabalhadores constitui-se em um elemento fundamental para a domina&ccedil;&atilde;o da empresa e aliena&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores, concluem os autores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O individualismo, caracter&iacute;stica t&atilde;o marcante da sociedade atual, exacerbado pela l&oacute;gica de competitividade, do sucesso, da flexibilidade, da urg&ecirc;ncia, da instabilidade, da fluidez, da dinamicidade (Enriquez, 2006; Faria, 2004; Sennett, 2001), desestrutura a solidariedade e gera a cis&atilde;o do coletivo (Dejours, 1999), dificultando a forma&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos dentro e fora do ambiente de trabalho (Horst, Cavallet, Pimenta &amp; Soboll, 2011). A organiza&ccedil;&atilde;o se aproveita dessa car&ecirc;ncia do trabalhador e se apresenta a este enquanto instrumento de poder e de satisfa&ccedil;&atilde;o. "A necessidade de ser aceito, protegido e amado &eacute; refletida na rela&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo tenta estabelecer com a organiza&ccedil;&atilde;o" (Faria &amp; Meneguetti, 2007, p. 55).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O deslocamento dos objetivos econ&ocirc;micos para o plano psicol&oacute;gico serve como uma esp&eacute;cie de ferramenta estrat&eacute;gica para as organiza&ccedil;&otilde;es. Por meio desse tipo de mecanismo, a empresa oferece aos trabalhadores a oportunidade de trabalhar por um objetivo mais nobre que o dinheiro â€“ trabalhar para ser um vencedor. O sucesso dentro da organiza&ccedil;&atilde;o torna-se, assim, um ideal para o sujeito, afirmam Pag&egrave;s et al. (1987).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Acreditando que est&atilde;o realizando projetos de interesse pessoal e que sua subjetividade est&aacute; sendo reconhecida, os indiv&iacute;duos, na verdade, est&atilde;o a servi&ccedil;o da produtividade e do lucro da organiza&ccedil;&atilde;o, colocando seu potencial &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do capital (Enriquez, 2006; Pag&egrave;s et al., 1987). O trabalhador &eacute; "instrumentalizado para serventia dos objetivos financeiros, operat&oacute;rios" (Gaulejac, 2007), enquanto acredita ser em grande parte aut&ocirc;nomo (Enriquez, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para atingir tais objetivos, as organiza&ccedil;&otilde;es se utilizam daquilo que Faria e Meneguetti (2011) conceituam como "dissimula&ccedil;&atilde;o discursiva", isto &eacute;, a organiza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e uma estrutura discursiva falaciosa na qual os sujeitos acreditam, mas que, em realidade, n&atilde;o corresponde ao enunciado, e, sim, aos objetivos capitais da empresa. Nesse sentido, Alves (2011) afirma que "a organiza&ccedil;&atilde;o toyotista do trabalho capitalista possui uma densidade manipulat&oacute;ria de maior envergadura" (p. 111).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dentro dessa l&oacute;gica, as pr&aacute;ticas de gest&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o pesquisada evidenciam como s&atilde;o instrumentalizados os mecanismos de poder e de controle da subjetividade dos trabalhadores envolvidos em seus processos. Para a realiza&ccedil;&atilde;o da pesquisa, foram utilizados os procedimentos metodol&oacute;gicos descritos a seguir.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Procedimentos metodol&oacute;gicos</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O estudo que originou este artigo utilizou-se de dados secund&aacute;rios, de natureza qualitativa, coletados em uma loja de departamentos, aqui denominada de CRM. Inicialmente, tais dados foram coletados e tratados por uma das autoras e subsidiaram a realiza&ccedil;&atilde;o de uma pesquisa de mestrado (Cicmanec, 2009), a qual foi realizada a partir de dados prim&aacute;rios coletados por meio das t&eacute;cnicas de entrevista semiestruturadas, observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o participante, visitas t&eacute;cnicas, registros f&iacute;lmicos e an&aacute;lise documental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Posteriormente, para esta pesquisa, obteve-se acesso ao relato original das entrevistas e da observa&ccedil;&atilde;o participante, na &iacute;ntegra, assim como aos registros f&iacute;lmicos utilizados na pesquisa original. Os documentos analisados compreendem o manual de boas pr&aacute;ticas (chamado de Hist&oacute;rias de Encantamento), cedido pela ger&ecirc;ncia, e o website da organiza&ccedil;&atilde;o, na ocasi&atilde;o da pesquisa realizada por Cicmanec (2009). Os documentos permitiram conhecer as estrat&eacute;gias organizacionais, bem como detalhes da atua&ccedil;&atilde;o gerencial sobre os grupos de trabalhadores, servindo, assim, como base para as investiga&ccedil;&otilde;es que sucederam.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Foram realizadas tr&ecirc;s entrevistas individuais semiestruturadas com funcion&aacute;rios do n&iacute;vel operacional da empresa devidamente selecionados pelo crit&eacute;rio temporal (estar na filial desde o in&iacute;cio de sua opera&ccedil;&atilde;o e ter passado pelo processo de imers&atilde;o e treinamento) e, tamb&eacute;m, por acessibilidade e ades&atilde;o. O conte&uacute;do das entrevistas â€“ registradas por meio de &aacute;udio e v&iacute;deo e posteriormente transcritas â€“ abordou quest&otilde;es relativas &agrave;s atividades desenvolvidas pelos trabalhadores, bem como aspectos da pr&aacute;tica de gest&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o. O tempo utilizado para as entrevistas variou entre vinte minutos e uma hora, de acordo com a disponibilidade dos participantes. Durante a observa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o participante, a pesquisadora (devidamente autorizada pela ger&ecirc;ncia da filial) registrou a realiza&ccedil;&atilde;o de duas reuni&otilde;es que precedem o in&iacute;cio do trabalho das equipes. Os encontros s&atilde;o parte formal da rotina di&aacute;ria da filial, envolvem colaboradores, supervisores e gerentes e t&ecirc;m como objetivo divulgar a todos os resultados individuais e coletivos conquistados na data anterior, bem como comunicar aos colaboradores as pretensas metas do dia de trabalho que se inicia. As visitas t&eacute;cnicas e demais observa&ccedil;&otilde;es foram registradas na forma de di&aacute;rio de campo. Os registros f&iacute;lmicos cedidos pela ger&ecirc;ncia da organiza&ccedil;&atilde;o contemplam as formalidades da inaugura&ccedil;&atilde;o da filial pesquisada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na fase da an&aacute;lise dos dados, foi empregada a t&eacute;cnica de an&aacute;lise de conte&uacute;do proposta por Bardin (1977). A an&aacute;lise seguiu as etapas propostas pela autora: (i) As descri&ccedil;&otilde;es foram lidas e categorizadas, considerando a &ecirc;nfase e a relev&acirc;ncia dos temas dominantes encontrados nos dados coletados â€“ o que consistiu na fase de pr&eacute;-an&aacute;lise e resultou na defini&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o a ser estudada na pesquisa. As pr&aacute;ticas de gest&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o e o controle da subjetividade dos trabalhadores foi o tema escolhido, a posteriori, como foco da pesquisa; (ii) Na fase de descri&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica, foram escolhidos os pontos recorrentes, que s&atilde;o as categorias de an&aacute;lise e que circundam e esclarecem o tema principal; (iii) Somente ap&oacute;s essas duas fases, foi desenvolvida a an&aacute;lise propriamente dita, na qual as categorias encontradas foram interpretadas a partir de fundamentos da teoria.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><B>Pol&iacute;tica de encantamento e controle organizacional â€“ resultados e discuss&atilde;o</B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As caracter&iacute;sticas da gest&atilde;o que refletem a reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva â€“ tais como a busca do "engajamento estimulado" do trabalho e a ideologia do autoempreendedorismo, descritas por Alves (2007, 2011), a proposta de autonomia controlada, descrita por Sennett (2001), e a l&oacute;gica da mobilidade perp&eacute;tua de Pag&egrave;s et al. (1987) â€“ t&ecirc;m levado a organiza&ccedil;&atilde;o a se interessar, como nunca, pelas cren&ccedil;as, pela interioridade e pela personalidade dos trabalhadores, com o objetivo de moldar o mais &iacute;ntimo do sujeito aos padr&otilde;es da organiza&ccedil;&atilde;o, de modo que este responda &agrave;s suas demandas produtivas, afirma Alves (2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Pag&egrave;s et al. (1987), em um estudo acerca das estrat&eacute;gias de gest&atilde;o de uma organiza&ccedil;&atilde;o hipermoderna, apontam para a ocorr&ecirc;ncia de um dom&iacute;nio ideol&oacute;gico sobre os trabalhadores. Neste estudo, os autores identificaram os processos pelos quais a organiza&ccedil;&atilde;o "responde &agrave;s mais profundas expectativas dos empregados, &agrave; sua 'necessidade de crer' &#91;...&#93; na medida em que participam (os funcion&aacute;rios) da sua elabora&ccedil;&atilde;o, em um vasto processo de autopersuas&atilde;o" (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 74), por meio de dispositivos de gest&atilde;o expl&iacute;citos, refor&ccedil;ando a domina&ccedil;&atilde;o e a explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores. A empresa &eacute; como uma "religi&atilde;o" para os trabalhadores, em que a dedica&ccedil;&atilde;o a um objeto de culto surge enquanto satisfa&ccedil;&atilde;o de uma necessidade inerente de cren&ccedil;a dos sujeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tal estrat&eacute;gia organizacional &eacute; exitosa na medida em que os sujeitos do trabalho estejam alienados n&atilde;o somente com rela&ccedil;&atilde;o a sua for&ccedil;a de trabalho, mas tamb&eacute;m no que se refere aos &acirc;mbitos pol&iacute;tico e psicossocial de suas a&ccedil;&otilde;es:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">As novas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho impostas pela reorganiza&ccedil;&atilde;o e pelo desenvolvimento das for&ccedil;as produtivas passam a ser aceitas como naturais por se constitu&iacute;rem em pr&aacute;ticas comuns da sociedade. Da&iacute; decorre que a aliena&ccedil;&atilde;o invade o mundo do trabalho n&atilde;o apenas em seu aspecto econ&ocirc;mico, mas pol&iacute;tico e social. &#91;...&#93; No entanto, &eacute; necess&aacute;rio considerar que a viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; origin&aacute;ria da falta de consci&ecirc;ncia dos trabalhadores em fun&ccedil;&atilde;o do condicionamento que os leva a serem explorados. Ao contr&aacute;rio, &eacute; a l&oacute;gica do sistema de capital que faz dos indiv&iacute;duos alienados tanto dos objetos de cria&ccedil;&atilde;o (dos resultados de seus trabalhos) quanto de sua consci&ecirc;ncia pol&iacute;tica e psicossocial. (Faria &amp; Meneguetti, 2011, p. 5).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Nesse contexto de aliena&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o cada vez mais utilizadas a domina&ccedil;&atilde;o e a manipula&ccedil;&atilde;o por meio de estrat&eacute;gias de gest&atilde;o que sequestram a subjetividade dos trabalhadores. Uma das caracter&iacute;sticas do processo de media&ccedil;&atilde;o das organiza&ccedil;&otilde;es &eacute; o desenvolvimento da organiza&ccedil;&atilde;o como um lugar aut&ocirc;nomo de produ&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica, criando-se uma esp&eacute;cie de religi&atilde;o da empresa que articula e legitima suas pr&aacute;ticas, conforme descrevem Pag&egrave;s et al. (1987). A CRM, da mesma forma, &eacute; identificada pelos entrevistados como uma "religi&atilde;o". A organiza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e a cria&ccedil;&atilde;o de um sistema religioso, fundamentado em cren&ccedil;as, ritos e uma hierarquia que serve a um deus, encarnado pela organiza&ccedil;&atilde;o e seus representantes. Por meio das estrat&eacute;gias de gest&atilde;o, a empresa torna-se um lugar de produ&ccedil;&atilde;o de conceitos e de valores que justificam as pr&aacute;ticas desenvolvidas. Assim, a "contribui&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo para a produ&ccedil;&atilde;o depende em grande parte de sua integra&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica" (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 74).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, as pol&iacute;ticas de gest&atilde;o de pessoal, como dispositivos operacionais, t&ecirc;m a fun&ccedil;&atilde;o de interiorizar certas condutas e princ&iacute;pios que as legitimam, de maneira que "dispositivos operacionais e ideologia est&atilde;o indissoluvelmente ligados" (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 98), replicando tais posicionamentos por meio de rituais que multiplicam os momentos e os lugares de difus&atilde;o dessa ideologia que reconhece a grandiosidade do sujeito que com ela se identifica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na organiza&ccedil;&atilde;o pesquisada, a "nova" religi&atilde;o desenvolvida est&aacute; fundamentada em uma pol&iacute;tica de encantamento e &eacute; difundida por meio de pr&aacute;ticas que comp&otilde;em as estrat&eacute;gias de gest&atilde;o de pessoas: imers&atilde;o para integra&ccedil;&atilde;o, rituais de inaugura&ccedil;&atilde;o de novas lojas, rituais de avalia&ccedil;&atilde;o e hist&oacute;rias encantadoras. Tais estrat&eacute;gias ser&atilde;o analisadas pela &oacute;tica da ideologia religiosa tal como descrita por Pag&egrave;s et al. (1987), a partir dos ritos religiosos. A descri&ccedil;&atilde;o dos rituais da CRM e a an&aacute;lise te&oacute;rica est&atilde;o organizadas em quatro categorias: (i) o batismo, como imers&atilde;o para integra&ccedil;&atilde;o; (ii) a missa, observada pelos rituais de inaugura&ccedil;&atilde;o das novas filiais; (iii) a liturgia, proposta por meio da internaliza&ccedil;&atilde;o das normas e regras de conduta; e (iv) os manuais de direito can&ocirc;nico, expressos por meio dos livros com as hist&oacute;rias de sucesso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na CRM, o "engajamento" dos trabalhadores &eacute; decorrente de um conjunto de rituais que geram a ades&atilde;o aos objetivos de produtividade da organiza&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo que oferece um projeto com o qual o trabalhador pode se identificar e se dedicar. A organiza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e uma pol&iacute;tica de atendimento excelente, a qual pretende que o trabalhador v&aacute; al&eacute;m, fa&ccedil;a o que n&atilde;o se espera, surpreenda, encante o cliente. As pr&aacute;ticas de gest&atilde;o s&atilde;o um mecanismo que busca "dar vida" a esta "filosofia".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><B><i>O batismo: imers&atilde;o para integra&ccedil;&atilde;o</i></B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os trabalhadores contratados pela organiza&ccedil;&atilde;o passam por uma fase de sele&ccedil;&atilde;o, treinamento e ambienta&ccedil;&atilde;o na empresa visando a composi&ccedil;&atilde;o das equipes das lojas que est&atilde;o por inaugurar. Ap&oacute;s uma etapa classificat&oacute;ria (promovida por testes de conhecimento), os funcion&aacute;rios permanecem reunidos em imers&atilde;o durante alguns dias em um local determinado pela organiza&ccedil;&atilde;o, participando de din&acirc;micas e palestras. Nesse processo, o novo funcion&aacute;rio conhece melhor a empresa, sua hist&oacute;ria, princ&iacute;pios, valores, regras e sistemas e passa por algumas atividades coletivas a fim de promover sua intera&ccedil;&atilde;o com os demais funcion&aacute;rios. Entre as atividades propostas para os novos funcion&aacute;rios da organiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; a composi&ccedil;&atilde;o de uma m&uacute;sica que ser&aacute; o hino da nova filial.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Pag&egrave;s et al. (1987), a identifica&ccedil;&atilde;o com a ideologia da empresa &eacute; facilitada na medida em que os funcion&aacute;rios participam da sua elabora&ccedil;&atilde;o, contribuindo, eles mesmos, para sua submiss&atilde;o. Na CRM, constata-se esse processo pela colabora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores na cria&ccedil;&atilde;o das referidas can&ccedil;&otilde;es, facilitando a internaliza&ccedil;&atilde;o das regras e a submiss&atilde;o aos mecanismos de controle.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um trabalhador explica esse processo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Na &eacute;poca do treinamento inicial, a gente ficava dez dias no hotel. E desde o primeiro dia, eles pediram que fiz&eacute;ssemos um hino para apresentar aos clientes e ao presidente da organiza&ccedil;&atilde;o no dia da inaugura&ccedil;&atilde;o da loja. E temos v&aacute;rias m&uacute;sicas. M&uacute;sica de tudo o que voc&ecirc; possa imaginar (sexo masculino, 20 anos, atendente â€“ produtos financeiros, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Estes programas t&ecirc;m como prop&oacute;sito favorecer a internaliza&ccedil;&atilde;o das regras, dos controles e dos princ&iacute;pios da organiza&ccedil;&atilde;o, a partir de um ritual de inicia&ccedil;&atilde;o, como em uma religi&atilde;o. A forma mais eficaz de controle &eacute; a autopersuas&atilde;o, pois parte de uma escolha pessoal, de uma participa&ccedil;&atilde;o volunt&aacute;ria no processo. Dessa forma, a cobran&ccedil;a n&atilde;o se d&aacute; de forma direta, mas associada a outros interesses dos trabalhadores, como visibilidade para obter reconhecimento e sucesso na organiza&ccedil;&atilde;o (Pag&egrave;s et al., 1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A elabora&ccedil;&atilde;o de m&uacute;sicas pelos trabalhadores em diversos rituais promove a internaliza&ccedil;&atilde;o dos valores e a cumplicidade na sua difus&atilde;o, ao mesmo tempo que propicia ao trabalhador um espa&ccedil;o de reconhecimento pelos pares e diferencia&ccedil;&atilde;o no coletivo, aos olhos dos superiores, refor&ccedil;ando a ideia de que a organiza&ccedil;&atilde;o atende &agrave;s expectativas dos seus trabalhadores (Dejours, 1999). Ocorre aquilo que Faria e Meneguetti (2011) apontam como a manipula&ccedil;&atilde;o de s&iacute;mbolos e fantasias decorrentes de expectativas, de desejos de reconhecimento e de idealiza&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias da condi&ccedil;&atilde;o humana.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A organiza&ccedil;&atilde;o espera que seus colaboradores, por meio da internaliza&ccedil;&atilde;o das regras estabelecidas â€“ via identifica&ccedil;&atilde;o organizacional â€“, busquem, incessantemente, alcan&ccedil;ar os objetivos propostos por ela. Para tanto, a pol&iacute;tica de encantamento dos clientes est&aacute; estruturada de modo a promover o encantamento e a sedu&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores pela organiza&ccedil;&atilde;o, por um processo de imers&atilde;o em uma nova cultura, de acordo com os objetivos da empresa.</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">N&oacute;s temos que fazer as coisas muito mais r&aacute;pido, de uma forma muito mais eficiente. N&oacute;s vamos ter que atender nas nossas lojas como nunca atendemos. N&oacute;s vamos ter que encantar como nunca encantamos (sexo masculino, aproximadamente 45 anos, presidente da organiza&ccedil;&atilde;o CRM, mais de quinze anos de empresa).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Finalmente, como orienta&ccedil;&atilde;o, a organiza&ccedil;&atilde;o CRM tem os seguintes valores: encantar &eacute; nossa realiza&ccedil;&atilde;o. Nos colocamos no lugar de nossos clientes, fazendo por eles tudo aquilo que gostar&iacute;amos que fizessem por n&oacute;s. Devemos entender seus desejos e necessidades, exceder suas expectativas e, assim, encant&aacute;-los. N&atilde;o somos meros trabalhadores, somos encantadores de clientes (site da organiza&ccedil;&atilde;o CRM).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Desse modo, a "lei n&atilde;o precisa ser imposta de fora, pois est&aacute; interiorizada: o 'voc&ecirc; deve' d&aacute; lugar ao '&eacute; preciso'" (Sennett, 2001, p. 160). N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio que algu&eacute;m diga o tempo todo o que cada um deve fazer, uma vez que a vontade de ser uma pessoa encantadora, que supera as expectativas, &eacute; fonte de desejo desses trabalhadores. O trabalhador se submete ao projeto organizacional como se este fosse seu e, assim, tem sua autonomia sequestrada por um contrato psicol&oacute;gico inconsciente (Faria &amp; Meneguetti, 2011).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><i>A missa: inaugura&ccedil;&atilde;o de novas filiais</i></B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os eventos de inaugura&ccedil;&atilde;o de novas filiais da empresa t&ecirc;m status de grande "espet&aacute;culo": re&uacute;nem-se diversos gerentes das linhas superiores da empresa, funcion&aacute;rios de outras filiais que ocupam posi&ccedil;&otilde;es hier&aacute;rquicas de destaque, celebridades da sociedade local (pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios etc.) e a equipe de trabalho. A organiza&ccedil;&atilde;o procura ainda, quando poss&iacute;vel, contar com a presen&ccedil;a do seu presidente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na inaugura&ccedil;&atilde;o, todos os convidados vindos de outras filiais fazem seu discurso, contam suas hist&oacute;rias e reafirmam a import&acirc;ncia da contribui&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios no cumprimento de suas obriga&ccedil;&otilde;es, na supera&ccedil;&atilde;o de metas, na busca frequente de recursos para a empresa e do entendimento de que fazem parte de algo especial, uma vez que s&atilde;o considerados "pedras brutas"<a name="tx04"></a><a href="#nt04"><sup>4</sup></a> cuja lapida&ccedil;&atilde;o &eacute; promovida pela organiza&ccedil;&atilde;o. &Eacute; como se houvesse sacerdotes destinados a repassar aos seguidores as doutrinas defendidas pela "religi&atilde;o" e as condutas esperadas dos mesmos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O processo de "deifica&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o" &eacute; apresentado nos estudos de Pag&egrave;s et al. (1987), que destacam a descri&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o como uma entidade suprema que enuncia grandes princ&iacute;pios, como um ente criador de todas as coisas, um modelo de conduta aos seus pr&oacute;prios sujeitos, "criados &agrave; sua imagem e semelhan&ccedil;a". Na organiza&ccedil;&atilde;o estudada, esse processo aparece nos dispositivos que fazem crer que participar de tal "religi&atilde;o" &eacute; um privil&eacute;gio que transforma pedras brutas em pe&ccedil;as lapidadas. Em um evento de inaugura&ccedil;&atilde;o, um gerente de loja explicita a expectativa depositada sobre os novos colaboradores:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Agora chegou a hora de dar resultados. A festa &eacute; muito legal, at&eacute; aqui tudo foi divertido, mas, a partir de agora, esta unidade precisa dar lucro. &Eacute; isso que a diretoria espera, &eacute; isso que voc&ecirc;s vieram fazer aqui. Temos de pensar em ser, daqui pra frente, a melhor unidade da empresa, a melhor unidade das Am&eacute;ricas. Precisamos superar todas as metas. J&aacute; tive uma demonstra&ccedil;&atilde;o de que voc&ecirc;s t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es, voc&ecirc;s mostraram isso no per&iacute;odo de treinamento (sexo masculino, 45 anos, gerente de vendas, mais de dez anos de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">O diretor de opera&ccedil;&otilde;es da CRM, no discurso de inaugura&ccedil;&atilde;o da unidade, aponta:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Com a ajuda dos nossos colegas, do RH, de lideran&ccedil;as da loja, tivemos a chance de garimpar 60 pedras preciosas brutas, que s&atilde;o voc&ecirc;s, os novos colaboradores da CRM. Estamos, desde ent&atilde;o, come&ccedil;ando a lapidar essas pedras. Assim come&ccedil;a nossa pol&iacute;tica de encantamento. &#91;...&#93; Trabalhadores comprometidos, que realmente tenham dentro do seu esp&iacute;rito o desejo de encantar, ter&atilde;o muito sucesso na fam&iacute;lia da CRM (sexo masculino, 45 anos, diretor de opera&ccedil;&otilde;es, mais de quinze anos de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">No fim do evento, os funcion&aacute;rios e a equipe de ger&ecirc;ncia da filial se re&uacute;nem para apresentar diversos c&acirc;nticos, com dan&ccedil;a coreografada, que exaltam os princ&iacute;pios, as regras e as cren&ccedil;as da organiza&ccedil;&atilde;o, como a for&ccedil;a da equipe, o comprometimento de todos e a imagem da organiza&ccedil;&atilde;o. As m&uacute;sicas feitas pelos funcion&aacute;rios durante o processo de treinamento demonstram a medida de adora&ccedil;&atilde;o desses colaboradores. Nesse sentido, participar da organiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; um privil&eacute;gio, segundo Gaulejac (2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Destaca-se um trecho de uma das m&uacute;sicas elaboradas pelos colaboradores da CRM:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Vem chegando um novo dia. Chega de m&aacute;goas, tristeza, esque&ccedil;a o lado negativo, abra o seu cora&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o esconda sua alegria quando supera fraquezas e descobrir que n&atilde;o est&aacute; sozinho n&atilde;o &#91;â€¦&#93;.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Encantar &eacute; fazer o que n&atilde;o se espera. Encantar &eacute; ver o que ningu&eacute;m enxerga. Encantar &eacute; mostrar muita vontade. Encantar &eacute; vida com humildade.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; f&aacute;cil de ser contagiado, lembra uma filosofia, parece uma religi&atilde;o &eacute; nosso jeito de atender. Encante e ser&aacute; encantado, &eacute; como uma magia, trate todos como irm&atilde;os, v&ecirc;m ver pra crer.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A internaliza&ccedil;&atilde;o das regras da "religi&atilde;o" CRM fica evidente por meio das letras das m&uacute;sicas. A empresa &eacute; colocada como aquela que proporcionar&aacute; felicidade para a vida dos funcion&aacute;rios, apontando para a submiss&atilde;o &agrave;s regras colocadas. A deifica&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; expressa pelos "colaboradores" na medida em que assumem tudo aquilo que &eacute; proposto pela organiza&ccedil;&atilde;o como uma ordem suprema, afirma Pag&egrave;s et al. (1987).</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">S&oacute; pelo fato de enunciar grandes princ&iacute;pios, a organiza&ccedil;&atilde;o erige-se em entidade suprema, em sujeito da hist&oacute;ria, em princ&iacute;pio ativo da cria&ccedil;&atilde;o. As cren&ccedil;as postulam que &eacute; a pr&oacute;pria organiza&ccedil;&atilde;o que tem considera&ccedil;&atilde;o pelas pessoas, oferece o melhor servi&ccedil;o e realiza todas as tarefas com cuidado da perfei&ccedil;&atilde;o. &#91;...&#93; Ao se instituir como sujeito princ&iacute;pio de todas as coisas, a organiza&ccedil;&atilde;o se prop&otilde;e como modelo de conduta a seus pr&oacute;prios sujeitos, como Deus criou o homem &agrave; sua imagem, pois &eacute; a seus membros que ela se dirige antes de tudo (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 85).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Com rela&ccedil;&atilde;o ao comparecimento do presidente da organiza&ccedil;&atilde;o a algumas inaugura&ccedil;&otilde;es de novas unidades, diz uma funcion&aacute;ria:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu quase desmaiei quando ele veio aqui. De repente chegou a gerente e falou: "A., voc&ecirc; viu quem ta l&aacute; fora? N&atilde;o &eacute; o E. (diretor); &eacute; o G. (presidente)". Eu respirei e fiquei assim (express&atilde;o de falta de sentido, desorienta&ccedil;&atilde;o), a&iacute; ele me chamou pra tirar foto com ele porque ele ficou encantado comigo (sexo feminino, 21 anos, atendente/caixa, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A organiza&ccedil;&atilde;o ganha o <i>status</i> de entidade suprema que premia seus seguidores ao conceder que representantes apare&ccedil;am encarnados ou personificados nas filiais da empresa (Enriquez, 1994; Pag&egrave;s et al., 1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><i>A liturgia: internalizando o sistema de avalia&ccedil;&atilde;o</i></B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Outra pr&aacute;tica de controle ritualizada adotada pela CRM &eacute; o "cliente surpresa". Esta pr&aacute;tica &eacute; uma esp&eacute;cie de avalia&ccedil;&atilde;o inesperada a que todos os funcion&aacute;rios da empresa est&atilde;o sujeitos durante seu hor&aacute;rio de trabalho, na qual um membro externo (consultor), que se passa por um cliente normal, avalia se o colaborador est&aacute; cumprindo as orienta&ccedil;&otilde;es da empresa como fora estabelecido.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por meio desse processo de avalia&ccedil;&atilde;o, os colaboradores devem externar toda a "liturgia" proposta pela organiza&ccedil;&atilde;o, apresentando, no dia a dia, a&ccedil;&otilde;es que demonstrem quanto s&atilde;o obedientes &agrave;s propostas da empresa e aos seus valores j&aacute; internalizados. Na a&ccedil;&atilde;o, o consultor "travestido" de cliente observa a "atua&ccedil;&atilde;o" do funcion&aacute;rio (como se comporta, qual &eacute; a qualidade do seu atendimento, como est&atilde;o as condi&ccedil;&otilde;es gerais de seu espa&ccedil;o de trabalho, sua apar&ecirc;ncia, comunica&ccedil;&atilde;o, agilidade, entre outros aspectos). Ainda em sigilo, o consultor deixa a loja, e os funcion&aacute;rios n&atilde;o sabem exatamente em que momento e por quem est&atilde;o sendo avaliados. Instala-se a&iacute; uma estrat&eacute;gia de controle permanente, com a semelhan&ccedil;a de um pan&oacute;ptico (Foucault, 1977), diante do qual o trabalhador est&aacute; constantemente sendo vigiado pela possibilidade de avalia&ccedil;&atilde;o, instituindo um comportamento padronizado e docilizado. A percep&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores com rela&ccedil;&atilde;o a essa pr&aacute;tica da empresa &eacute; ilustrada pela fala de uma entrevistada: "A CRM seleciona um profissional para que ele avalie o nosso atendimento. N&oacute;s temos de ficar o dia inteiro sorrindo" (sexo feminino, 18 anos, atendente, 11 meses de empresa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Como resultado da avalia&ccedil;&atilde;o do "cliente surpresa", &eacute; enviado &agrave; ger&ecirc;ncia geral da organiza&ccedil;&atilde;o um relat&oacute;rio com a nota atribu&iacute;da ao funcion&aacute;rio e &agrave; filial onde ele trabalha. De acordo com a avalia&ccedil;&atilde;o feita pelo "cliente oculto", &eacute; atribu&iacute;da uma "nota" para o setor do funcion&aacute;rio pesquisado. Se o atendimento prestado foi considerado adequado (cumpre as exig&ecirc;ncias da organiza&ccedil;&atilde;o), o setor recebe uma carinha verde<a name="tx05"></a><a href="#nt05"><sup>5</sup></a>; a carinha amarela &eacute; atribu&iacute;da a um atendimento intermedi&aacute;rio, que descumpre alguns itens de qualidade estabelecidos pela organiza&ccedil;&atilde;o; a carinha vermelha corresponde &agrave; avalia&ccedil;&atilde;o de que o atendimento prestado n&atilde;o cumpre grande parte dos itens exigidos; e, por fim, a carinha roxa significa que o funcion&aacute;rio n&atilde;o estava dispon&iacute;vel para atender ao cliente no momento. Essa modalidade de avalia&ccedil;&atilde;o aponta para o fato de que, quanto maior &eacute; o investimento do indiv&iacute;duo dentro da organiza&ccedil;&atilde;o, maior &eacute; a domina&ccedil;&atilde;o desta sobre ele, afirma Pag&egrave;s et al. (1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O relato de uma das entrevistadas ilustra esta rela&ccedil;&atilde;o:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Se o colaborador oferece ajuda, n&atilde;o espera o cliente solicitar alguma coisa; se o colaborador procura no estoque algo que o cliente n&atilde;o est&aacute; encontrando na loja, por exemplo, ganha a carinha verde. Se ningu&eacute;m estiver no setor para atender ao cliente, o setor ganha a carinha roxa, que &eacute; a pior de todas! (sexo feminino, 18 anos, atendente, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Sennett (2001), as empresas modernas reconhecem seus trabalhadores por uma medida objetiva, embora estas sejam fundamentadas em um controle subjetivo, que passa pela internaliza&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas organizacionais como modelos inquestion&aacute;veis que subsidiam a aceita&ccedil;&atilde;o dos crit&eacute;rios de desempenho dados pela organiza&ccedil;&atilde;o (Gaulejac, 2007), muitas vezes centrados em resultados parciais e distantes do trabalho efetivamente realizado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Sennett (2001), essa concep&ccedil;&atilde;o, que se pretende racional, tende a reconhecer o indiv&iacute;duo apenas em fun&ccedil;&atilde;o de sua utilidade para a organiza&ccedil;&atilde;o â€“ medida por meio da avalia&ccedil;&atilde;o quantificada de seu rendimento e de sua adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s regras e aos mecanismos que veiculam as exig&ecirc;ncias do sistema. Instaura-se o totalitarismo, a homogeiniza&ccedil;&atilde;o da forma de um pensar coletivo. "N&atilde;o h&aacute; a possibilidade da multiplicidade das vis&otilde;es de mundo, de onde decorre a aliena&ccedil;&atilde;o a qualquer modelo de pensamento diferenciado" (Faria &amp; Meneguetti, 2011, p. 9).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; um aspecto de controle do rendimento dos trabalhadores segundo um sistema pr&eacute;-definido que canaliza o m&aacute;ximo de energias em prol da organiza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Ele &eacute; encorajado e sustentado n&atilde;o apenas por seu gerente, mas tamb&eacute;m pelo sistema que valoriza, atrav&eacute;s de boas notas, boas aprecia&ccedil;&otilde;es, todo disp&ecirc;ndio de energia que seja "no bom sentido", e desvaloriza aquela que &eacute; despendida para outros fins (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 105).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">As pr&aacute;ticas de reconhecimento na CRM s&atilde;o desenvolvidas no n&iacute;vel simb&oacute;lico. Os colaboradores se sentem felizes porque o supervisor ou gestor os elogia em reuni&otilde;es, ou durante o hor&aacute;rio de funcionamento das unidades pelo sistema de som. Uma colaboradora demonstra sua alegria por ter esse tipo de reconhecimento: "Cada vez que voc&ecirc; acerta, eles te elogiam, falam no "boc&atilde;o"<a name="tx06"></a><a href="#nt06"><sup>6</sup></a>: Parab&eacute;ns, A., pelo que voc&ecirc; fez. Voc&ecirc; faz acontecer" (sexo feminino, 21 anos, atendente/caixa, 11 meses de empresa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A empresa, por meio dessas avalia&ccedil;&otilde;es, permite que o sujeito se supere, v&aacute; al&eacute;m da execu&ccedil;&atilde;o simples e objetiva de uma atividade, d&aacute; um sentido &agrave; vida dos trabalhadores, oferece a possibilidade de ser reconhecido e amado e de vencer (Sennett, 2001). Os trabalhadores s&atilde;o levados a acreditar que precisam trabalhar muito e bem por um objetivo maior, que &eacute; encantar as pessoas, e n&atilde;o para ganhar mais, apontando para o deslocamento do n&iacute;vel financeiro para o n&iacute;vel psicol&oacute;gico de mobiliza&ccedil;&atilde;o. Nesse sentido, a organiza&ccedil;&atilde;o passa para o indiv&iacute;duo a ideia de que &eacute; ele quem est&aacute; se superando em sua carreira, quando, na verdade, s&atilde;o os objetivos da organiza&ccedil;&atilde;o que est&atilde;o sendo atingidos (Pag&egrave;s et.al., 1987).</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Porque, sei l&aacute;, foi um desafio assim para mim trabalhar com metas. Eu nunca tinha trabalhado com metas at&eacute; ent&atilde;o &#91;...&#93; Fico chateado, desesperado, totalmente estressado, fico tudo. Tudo o que voc&ecirc; imaginar. Eu fico mesmo. E da&iacute; eu fiquei desesperado, naquele esquema. Meu Deus do c&eacute;u, eu n&atilde;o acredito que n&atilde;o vai bater a meta (sexo masculino, 20 anos, atendente â€“ produtos financeiros, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Faria e Meneguetti (2007), a necessidade de ser aceito, protegido e amado &eacute; refletida na rela&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo tenta estabelecer com a organiza&ccedil;&atilde;o, aceitando seus mecanismos de gest&atilde;o em troca de pequenas recompensas simb&oacute;licas oferecidas aos que superam as expectativas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><i>Manuais do direito can&ocirc;nico</i></B></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As hist&oacute;rias encantadoras constam no relato semanal dos trabalhadores, destacando algo a mais que foi feito em favor de um cliente da empresa. Dependendo do efeito ou de como foram realizadas, essas hist&oacute;rias podem fazer parte de um rol de relatos considerados encantadores. A organiza&ccedil;&atilde;o j&aacute; publicou um livro com v&aacute;rias dessas hist&oacute;rias, que foram selecionadas entre mais de dez mil relatos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No livro, temos a express&atilde;o do que significam tais a&ccedil;&otilde;es realizadas pelos colaboradores: "Hist&oacute;rias de encantamento. Nossa raz&atilde;o de ser. O segredo da felicidade. Quem encanta &eacute; encantado".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas entrevistas e tamb&eacute;m nas observa&ccedil;&otilde;es, &eacute; poss&iacute;vel perceber a preocupa&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios em descrever casos encantadores e tamb&eacute;m a satisfa&ccedil;&atilde;o daqueles que conseguiram ter suas hist&oacute;rias aprovadas para o livro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As hist&oacute;rias encantadoras evidenciam a internaliza&ccedil;&atilde;o da ideologia da organiza&ccedil;&atilde;o CRM pelos trabalhadores. V&aacute;rias a&ccedil;&otilde;es relatadas como hist&oacute;rias encantadoras s&atilde;o realizadas em hor&aacute;rios em que o trabalhador n&atilde;o est&aacute; na empresa, isto &eacute;, fora de seu expediente de trabalho e/ou com seus pr&oacute;prios recursos, quando abre m&atilde;o de uma parcela de seu tempo de lazer e/ou de seu sal&aacute;rio para este fim. A hist&oacute;ria relatada ilustra a dissolu&ccedil;&atilde;o das fronteiras do trabalho para a ideologia religiosa do encantamento:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Quando eu estou em algum lugar, por exemplo, dentro do &ocirc;nibus, e escuto uma conversa assim: "Ah... eu t&ocirc; precisando de um empr&eacute;stimo...". Eu digo: "Eescuta, eu trabalho na organiza&ccedil;&atilde;o CRM. De repente, se voc&ecirc; quiser dar uma passada l&aacute;, n&oacute;s oferecemos esse tipo de servi&ccedil;o...". Eu t&ocirc; sempre correndo atr&aacute;s... A minha hist&oacute;ria de encantamento &eacute; resultado de uma a&ccedil;&atilde;o fora da empresa, eu conquistei um cliente pra CRM... At&eacute; hoje essa pessoa vai l&aacute; e tudo... Eu trabalho fora do trabalho &#91;risos&#93; (sexo masculino, 20 anos, atendente de produtos financeiros, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A intensifica&ccedil;&atilde;o do trabalho, portanto, n&atilde;o precisa ser imposta ou cobrada; o pr&oacute;prio trabalhador, por meio da internaliza&ccedil;&atilde;o da l&oacute;gica de autocontrole e pela expectativa de reconhecimento simb&oacute;lico da organiza&ccedil;&atilde;o (Faria &amp; Meneguetti, 2007), trabalha al&eacute;m das oito horas di&aacute;rias, de modo volunt&aacute;rio, numa rela&ccedil;&atilde;o de explora&ccedil;&atilde;o consentida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; importante destacar que "o fazer", neste caso, est&aacute; atrelado &agrave; "visibilidade do que se faz". Nesse sentido, esta pr&aacute;tica de gest&atilde;o atribui sentido &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio-profissionais ao permitir o reconhecimento de sua a&ccedil;&atilde;o como uma hist&oacute;ria encantadora. Sendo assim, refor&ccedil;a tamb&eacute;m o sentimento de perten&ccedil;a a essa "fam&iacute;lia" organizacional encantada. A ideologia da organiza&ccedil;&atilde;o, que leva os funcion&aacute;rios a desejarem seguir regras e normas, tamb&eacute;m &eacute; um mecanismo de difus&atilde;o da f&eacute;, em que os "colaboradores" estariam seguindo os manuais daquela religi&atilde;o (Pag&egrave;s et al., 1987).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A internaliza&ccedil;&atilde;o dos valores da empresa e o reconhecimento se evidenciam no discurso do trabalhador, o qual assume que a pol&iacute;tica de encantamento o tornou uma pessoa melhor, como no trecho de entrevista transcrito abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu acho que foi coisa da organiza&ccedil;&atilde;o CRM, porque desde o momento em que entrei aqui, na primeira reuni&atilde;o do treinamento, onze meses atr&aacute;s, o nosso lema era encantar. Encantar o cliente, fazer o que ele n&atilde;o espera. Ent&atilde;o isso entrou dentro de mim. E entrou dentro de cada colaborador tamb&eacute;m. Depois que entrei na organiza&ccedil;&atilde;o CRM, v&aacute;rias coisas mudaram. A minha vis&atilde;o global, assim, mudou tudo. O mundo pessoal, profissional, tudo mudou. Eu devo bastante &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o CRM, porque ela me proporcionou isso (sexo masculino, 20 anos, atendente â€“ produtos financeiros, 11 meses de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Sennett (2001) afirma que, "neste universo, o homem &eacute; despersonalizado. A medida de suas aptid&otilde;es e seu potencial 'em si', sua capacidade em se adaptar &agrave;s normas, planos, quotas, objetivos fixados &#91;...&#93; tomam para ele o lugar de identidade" (p. 118).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Enriquez (1997), na medida em que se identificam com a empresa, os trabalhadores tornam-se servi&ccedil;ais volunt&aacute;rios, tendo, inclusive, satisfa&ccedil;&atilde;o nessa submiss&atilde;o. Buscar tudo o que seja poss&iacute;vel para atender &agrave;s expectativas da empresa torna-se algo inerente, interno ao colaborador. Sennett (2001) complementa apontando algumas consequ&ecirc;ncias desse processo de internaliza&ccedil;&atilde;o para a subjetividade dos trabalhadores:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">A mais direta &eacute; a introje&ccedil;&atilde;o pelos indiv&iacute;duos das exig&ecirc;ncias fixadas pela organiza&ccedil;&atilde;o. &#91;â€¦&#93; De sua parte, o indiv&iacute;duo submetendo-se totalmente (corpo e alma, como dir&iacute;amos em outros tempos) trabalha para a organiza&ccedil;&atilde;o como se esta fosse ele pr&oacute;prio. Ele acredita que a organiza&ccedil;&atilde;o faz parte dele, da mesma forma que ele faz parte da organiza&ccedil;&atilde;o, o que o liga ao futuro dela (p. 158).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A organiza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e que o valor da empresa na vida dos colaboradores seja grande ao ponto de ocupar um espa&ccedil;o que transcende o ambiente de trabalho, fazendo que toda a vida do funcion&aacute;rio fique condicionada &agrave;s especifica&ccedil;&otilde;es colocadas pela organiza&ccedil;&atilde;o. Num processo de evangeliza&ccedil;&atilde;o, os trabalhadores s&atilde;o levados a internalizar as regras e os valores da empresa e, a partir de ent&atilde;o, moldar suas vidas para responder a tais princ&iacute;pios. Os trabalhadores se submetem a um poder condicionado que, na maioria das vezes, n&atilde;o &eacute; percept&iacute;vel, passando a aceitar, admirar e se dispor a regras sem questionar sua validade e legitimidade (Faria &amp; Meneguetti, 2007).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os colaboradores reconhecem a organiza&ccedil;&atilde;o como aquela que "tem considera&ccedil;&atilde;o pelas pessoas, oferece o melhor servi&ccedil;o e realiza todas as tarefas com o cuidado da perfei&ccedil;&atilde;o" (Pag&egrave;s et al., 1987, p. 84), visando o benef&iacute;cio dos colaboradores. Eles se sentem acolhidos por esta "grande m&atilde;e" e devedores com rela&ccedil;&atilde;o a todos os benef&iacute;cios que dela recebem, como evidenciado no relato:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu fico imaginando voc&ecirc;s chegando em casa... antes o assunto era futebol, o que eu vou comer &agrave; noite, o que tem de almo&ccedil;o, e agora voc&ecirc;s provavelmente devem estar falando muito da organiza&ccedil;&atilde;o CRM, n&atilde;o &eacute;?!! &#91;...&#93; E deve ser isso mesmo. O marid&atilde;o querendo dividir alguma coisa com voc&ecirc;s, a esposa, namorado, e voc&ecirc;s ficam falando da organiza&ccedil;&atilde;o CRM (sexo masculino, 45 anos, gerente regional, mais de 15 anos de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A organiza&ccedil;&atilde;o incute nos trabalhadores a ideia de que &eacute; uma grande m&atilde;e para eles, que lhes oferece a possibilidade de, por meio do trabalho, serem reconhecidos como pessoas de sucesso, que t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de "encantar" outras. Isso, na vis&atilde;o de Sennett (2001), &eacute; um mecanismo de controle em que "o maior objetivo &eacute; o de alcan&ccedil;ar a ades&atilde;o, impedir o desvio, o que &eacute; alcan&ccedil;ado pela oferta de amor (gratifica&ccedil;&atilde;o, reconhecimento) ou pela retirada do amor da m&atilde;e (o desprezo pelo fracasso)" (p. 156).</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Os colaboradores comprometidos que realmente tenham dentro do seu esp&iacute;rito o desejo de encantar v&atilde;o ter muito sucesso na fam&iacute;lia da organiza&ccedil;&atilde;o CRM. Quem s&atilde;o os respons&aacute;veis por essa lapida&ccedil;&atilde;o? Eu sempre coloco que os primeiros respons&aacute;veis por isso s&atilde;o voc&ecirc;s (sexo masculino, aproximadamente 45 anos, diretor de opera&ccedil;&otilde;es, mais de 15 anos de empresa).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Pag&egrave;s et al. (1987, pp. 134-135) afirmam que vencer dentro de uma organiza&ccedil;&atilde;o &eacute; o modo para ser reconhecido, aceito; responde &agrave; fantasia de ser "amado" pela organiza&ccedil;&atilde;o. "Veremos que este mecanismo contribui para a introje&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o pelo Ego: o indiv&iacute;duo reproduz nele o modelo da organiza&ccedil;&atilde;o, visto que ele se estrutura em fun&ccedil;&atilde;o deste modelo. Sua necessidade de reconhecimento ser&aacute; satisfeita quando reconhecer a empresa nele, isto &eacute;, quando ele n&atilde;o for mais ele mesmo".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As estrat&eacute;gias de gest&atilde;o organizacionais, apesar de todos os efetivos mecanismos de identifica&ccedil;&atilde;o e de ades&atilde;o, n&atilde;o est&atilde;o livres de contradi&ccedil;&otilde;es de ambival&ecirc;ncia. Apesar de a organiza&ccedil;&atilde;o ser amada e respeitada, h&aacute;, ao mesmo tempo, um sentimento contr&aacute;rio, em que, de acordo com Pag&egrave;s et al. (1987, p. 147), "a organiza&ccedil;&atilde;o-droga &eacute;, ao mesmo tempo, amada e detestada": "Um ambiente que eu amo e detesto ao mesmo tempo", o que &eacute; confirmado pela fala de um colaborador: "N&atilde;o sei se foi bendito ou maldito o dia em que entrei na CRM" (sexo masculino, 20 anos, atendente â€“ produtos financeiros, 11 meses de empresa).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Portanto, ainda que os colaboradores se submetam &agrave;s regras da organiza&ccedil;&atilde;o, internalizem os valores e objetivos da mesma para alcan&ccedil;ar sucesso para si e para a empresa, isso n&atilde;o ocorre livre de contradi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Considera&ccedil;&otilde;es finais</B></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Ao analisar de forma articulada as diversas pr&aacute;ticas de gest&atilde;o da empresa CRM, percebe-se um sistema coeso de controle da subjetividade, que deixa pouca margem para a domin&acirc;ncia de valores externos ao da ideologia religiosa de encantamento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As diferentes pr&aacute;ticas de gest&atilde;o identificadas e descritas evidenciam a ades&atilde;o dos trabalhadores via controle da subjetividade. A empresa, ao propor uma ideologia religiosa de trabalho, oferece um sentido de vida, que faz o sujeito se descobrir "uma pessoa melhor", quando, efetivamente, a organiza&ccedil;&atilde;o busca canalizar afetos e energia ps&iacute;quica em prol de seus objetivos; oculta e desloca os objetivos financeiros e os substitui por objetivos ps&iacute;quicos. Essa ideologia religiosa de encantamento transcende as fronteiras da organiza&ccedil;&atilde;o e invade a vida e o tempo privados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao pautar-se por um discurso de encantamento do outro, a organiza&ccedil;&atilde;o efetiva o encantamento dos trabalhadores, que, sem perceber, reproduzem, colaboram na constru&ccedil;&atilde;o e estimulam essas pr&aacute;ticas. O reconhecimento dos pares, dos clientes e dos supervisores renova a ades&atilde;o e a submiss&atilde;o. O encantamento cega os trabalhadores, que, dedicando-se para surpreender os clientes, n&atilde;o notam as contradi&ccedil;&otilde;es organizacionais e os exageros da ideologia religiosa proposta pela empresa. Cantam, dan&ccedil;am e vivem a ambival&ecirc;ncia de prazer e ang&uacute;stia em uma rela&ccedil;&atilde;o fundada na explora&ccedil;&atilde;o, mas que se mascara no discurso da colabora&ccedil;&atilde;o e do servi&ccedil;o ao pr&oacute;ximo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O sucesso dessas pr&aacute;ticas organizacionais se evidencia na criatividade e na mobiliza&ccedil;&atilde;o de tais sujeitos, que, "encantados", agem encantando clientes, e tamb&eacute;m a organiza&ccedil;&atilde;o, que tem seus objetivos de explora&ccedil;&atilde;o e lucro alcan&ccedil;ados. O controle que se evidencia, extremamente sutil e refinado, que sequestra a subjetividade e substitui os valores pessoais por valores da organiza&ccedil;&atilde;o, efetiva a dissimula&ccedil;&atilde;o discursiva das organiza&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m suas pr&aacute;ticas organizacionais manipulat&oacute;rias tornadas impercept&iacute;veis para os trabalhadores.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Alves, G. (2007). <i>Dimens&otilde;es da reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva: ensaios de sociologia do trabalho</i>. Londrina: Praxis.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532087&pid=S1516-3717201300010000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Alves, G. (2011). <i>Trabalho e subjetividade: o esp&iacute;rito do toyotismo na era do capitalismo manipulat&oacute;rio</i>. S&atilde;o Paulo: Boitempo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532089&pid=S1516-3717201300010000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Bardin, L. (1977). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532091&pid=S1516-3717201300010000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Cicmanec, E. (2009). <i>Ideologia e discursos nas organiza&ccedil;&otilde;es de economia capitalista</i>. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado, Programa de Mestrado e Doutorado em Administra&ccedil;&atilde;o, Universidade Positivo, Curitiba.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532093&pid=S1516-3717201300010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Dejours, C. (1999). <i>A banaliza&ccedil;&atilde;o da injusti&ccedil;a social</i>. Rio de Janeiro: Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532095&pid=S1516-3717201300010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Enriquez, E. (1994). <i>A organiza&ccedil;&atilde;o em an&aacute;lise</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532097&pid=S1516-3717201300010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Enriquez, E. (1997). O indiv&iacute;duo preso na armadilha da estrutura estrat&eacute;gica. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>, 37 (1), 18-29.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532099&pid=S1516-3717201300010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Enriquez, E. (2006). O homem do s&eacute;culo XXI: sujeito aut&ocirc;nomo ou indiv&iacute;duo descart&aacute;vel. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>, 5 (1).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532101&pid=S1516-3717201300010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Faria, J. H. de. (2004). <i>Economia pol&iacute;tica do poder: as pr&aacute;ticas do controle nas organiza&ccedil;&otilde;es</i> (vol. 3). Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532103&pid=S1516-3717201300010000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Faria, J. H. de &amp; Meneguetti, F. K. (2007). O seq&uuml;estro da subjetividade. In J. H. de Faria (Org.), <i>An&aacute;lise cr&iacute;tica das teorias e pr&aacute;ticas organizacionais</i> (pp. 45-67). S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532105&pid=S1516-3717201300010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Faria, J. H. de &amp; Meneguetti, F. K. (2011). <i>Dissimula&ccedil;&otilde;es discursivas e viol&ecirc;ncia no trabalho</i>. Curitiba: EPPEO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532107&pid=S1516-3717201300010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Foucault, M. (1977). <i>Vigiar e punir</i>. Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532109&pid=S1516-3717201300010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gaulejac, V. de. (2007). <i>A gest&atilde;o como doen&ccedil;a social: ideologia, poder gerencialista e fragmenta&ccedil;&atilde;o social</i>. S&atilde;o Paulo: Ideias e Letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532111&pid=S1516-3717201300010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Horst, A. C., Cavallet, L. H., Pimenta, S. de O. &amp; Soboll, L. A. (2011). Os v&iacute;nculos fr&aacute;geis no capitalismo flex&iacute;vel e o sequestro da subjetividade. In D. L. da S. Ferraz, A. Oltramari &amp; O. Ponchirolli (Orgs.), <i>Gest&atilde;o de pessoas e rela&ccedil;&otilde;es de trabalho</i>. S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532113&pid=S1516-3717201300010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Lazzaratto, M. &amp; Negri, A. (2001). <i>Trabalho imaterial, formas de vida e produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade</i>. Rio de Janeiro: DP&amp;A.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532115&pid=S1516-3717201300010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Pag&egrave;s, M., Bonetti, M., Gaulejac, V. de &amp; Descendre, D. (1987). <i>O poder das organiza&ccedil;&otilde;es</i>. S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532117&pid=S1516-3717201300010000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Sennett, R. (2001). <i>A corros&atilde;o do car&aacute;ter</i>. Rio de Janeiro: Record.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=532119&pid=S1516-3717201300010000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><B><a name="end"></a><a href="#tx"><img src="/img/revistas/cpst/v16n1/seta.jpg" border="0"></a> Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</B>    <BR>     <a href="mailto:anacarolinahorst@yahoo.com.br">anacarolinahorst@yahoo.com.br</a>, <a href="mailto:lisdrea@gmail.com">lisdrea@gmail.com</a>,     <BR>     <a href="mailto:ednacicmanec@gmail.com">ednacicmanec@gmail.com</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em: 16/02/2012    <BR>   Revisado em: 02/10/2012    <BR>   Aprovado em: 09/10/2012</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="nt01"></a><a href="#tx">1</a> Mestre em Organiza&ccedil;&otilde;es e Desenvolvimento (FAE-PR). Psic&oacute;loga (UFPR). Advogada com bacharelado em Direito (UEPG).    <br>     <a name="nt02"></a><a href="#tx">2</a> Professora no Departamento de Psicologia da UFPR. Psic&oacute;loga e Mestre em Administra&ccedil;&atilde;o pela UFPR. Doutorado em Medicina   Preventiva pela USP. Site: <a href="http://www.assedioorganizacional.com.br" target="_blank">www.assedioorganizacional.com.br</a>    <br>   <a name="nt03"></a><a href="#tx">3</a> Doutoranda PMDA (Universidade Positivo). Mestre PMDA (Universidade Positivo). Administradora de empresas (Faculdades   Integradas do Brasil). Professora da FAE-PR.    <br>   <a name="nt04"></a><a href="#tx04">4</a> A express&atilde;o "pedras brutas" foi amplamente utilizada por um dos diretores da empresa durante seu discurso na inaugura&ccedil;&atilde;o da   filial. A ideia era demonstrar aos funcion&aacute;rios, por da desta met&aacute;fora, a preocupa&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o com o desenvolvimento destes.    <br>   <a name="nt05"></a><a href="#tx05">5</a> Imagem impressa em cores diferentes, afixada em um painel pr&oacute;ximo ao local em que s&atilde;o realizadas as reuni&otilde;es de in&iacute;cio das   atividades dos grupos de trabalhadores, que indica qual &eacute; a qualidade do atendimento prestado pelos trabalhadores/setores   abordados/visitados pelo cliente oculto dentro de um per&iacute;odo espec&iacute;fico de avalia&ccedil;&atilde;o.    <br>   <a name="nt06"></a><a href="#tx06">6</a> "Boc&atilde;o" &eacute; o nome atribu&iacute;do pelos trabalhadores ao sistema de som da loja.</font></p>      ]]></body>
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