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<journal-title><![CDATA[Cadernos de Psicologia Social do Trabalho]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA["Ser um ambulante é necessidade que nós temos de trabalhar": cotidiano e identificação de trabalhadores pipoqueiros de Belo Horizonte]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this article is to understand what it is to be a popcorn seller in the city of Belo Horizonte, the daily practices that involve the profession and how the identification with this work is constructed. For the proposal, we adopted a qualitative approach and carried out 62 interviews with popcorn sellers active in the central region of the city. The technique of Linguistics Discourse Analysis was used to analyze the data and in this article, we looked at the semantics path "daily life and identifications: being street vendor and the need to work", and we consider the daily life as one that interferes in the construction of the identifications of the popcorn workers. Finally, we seek to broaden and foster the debate on daily life and non-hegemonic knowledge.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana">DOI: 10.11606/issn.1981&#45;0490.v21i2p165&#45;180</font></p>     <p align="right"><font size="2" face="Verdana"><b>ARTIGOS ORIGINAIS </b>ORIGINAL ARTICLES</font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana"><b><a name="title"></a>"Ser um ambulante &eacute; necessidade que n&oacute;s temos de trabalhar": cotidiano e identifica&ccedil;&atilde;o de trabalhadores pipoqueiros de Belo Horizonte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>"Being a street vendor is a necessity that we have to work on": daily life and identification of popcorn sellers of Belo Horizonte</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Gabriel Farias Alves Correia<sup>I,</sup><a id="tx01" href="#nt01"><sup>1</sup></a>; Higor Gomes Pereira<sup>I,</sup><a id="tx02" href="#nt02"><sup>2</sup></a>; Alexandre de P&aacute;dua Carrieri<sup>I,</sup><a id="tx03" href="#nt03"><sup>3</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><sup>I</sup>Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil)</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a href="#end">Correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O objetivo deste artigo &eacute; compreender o que &eacute; ser um trabalhador pipoqueiro na cidade de Belo Horizonte, as pr&aacute;ticas cotidianas que envolvem a profiss&atilde;o e como &eacute; constru&iacute;da a identifica&ccedil;&atilde;o com esse trabalho. Para a proposta, adotamos uma abordagem qualitativa e realizamos sessenta e duas entrevistas com pipoqueiros atuantes na regi&atilde;o central da cidade. Utilizamos a t&eacute;cnica de An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso para analisarmos os dados e debru&ccedil;amo&#45;nos sobre o percurso sem&acirc;ntico "cotidiano e identifica&ccedil;&otilde;es: ser ambulante e a necessidade de trabalhar", considerando o cotidiano como aquele que interfere na constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es dos pipoqueiros. Por fim, buscamos tamb&eacute;m ampliar e fomentar o debate acerca de saberes n&atilde;o hegem&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras&#45;chave:</b> Identidade, Identifica&ccedil;&atilde;o, Cotidiano, Pipoca, Trabalhadores pipoqueiros.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">The objective of this article is to understand what it is to be a popcorn seller in the city of Belo Horizonte, the daily practices that involve the profession and how the identification with this work is constructed. For the proposal, we adopted a qualitative approach and carried out 62 interviews with popcorn sellers active in the central region of the city. The technique of Linguistics Discourse Analysis was used to analyze the data and in this article, we looked at the semantics path "daily life and identifications: being street vendor and the need to work", and we consider the daily life as one that interferes in the construction of the identifications of the popcorn workers. Finally, we seek to broaden and foster the debate on daily life and non&#45;hegemonic knowledge.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywords:</b> Identity, Identification, Daily life, Popcorn, Popcorn sellers.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>E</i>ste artigo &eacute; resultado de uma pesquisa maior que buscou abranger e discutir a hist&oacute;ria, o territ&oacute;rio, o cotidiano e a identifica&ccedil;&atilde;o de trabalhadores ambulantes, sobretudo os pipoqueiros, da regi&atilde;o central da cidade de Belo Horizonte. Portanto, debru&ccedil;amo&#45;nos sobre o objetivo de compreender o que &eacute; ser trabalhador ambulante, mais particularmente, o que &eacute; ser pipoqueiro nessa cidade, como &eacute; constru&iacute;da a identifica&ccedil;&atilde;o com esse trabalho e quais s&atilde;o as pr&aacute;ticas cotidianas existentes na profiss&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao propormos o estudo de indiv&iacute;duos que realizam trabalhos, muitas das vezes ignorados, em espa&ccedil;os p&uacute;blicos, ressaltamos o protagonismo de profiss&otilde;es e saberes deslegitimados por modelos por ora dominantes, funcionais e que se apresentam como mais "leg&iacute;timos". Nesse sentido, seguimos a proposta de Carrieri, Santos, Pereira e Martins (2016) de sobrelevar as pr&aacute;ticas de trabalhadores desconsideradas por estruturas formais de conhecimento. Al&eacute;m disso, buscamos ampliar a concep&ccedil;&atilde;o acerca desse trabalho, utilizando como objeto de pesquisa a viv&ecirc;ncia cotidiana de trabalhadores ambulantes, ponderando suas localiza&ccedil;&otilde;es s&oacute;cio&#45;hist&oacute;rica e cultural. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estimamos o exerc&iacute;cio do trabalho ambulante como alternativa diante do desemprego e das diversas crises do sistema capitalista, assumindo que as lutas por formas de sobreviv&ecirc;ncia e o cotidiano das atividades impactam as constru&ccedil;&otilde;es das identifica&ccedil;&otilde;es dos trabalhadores. Para isso, temos como suporte a altera&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pelos sujeitos, que jogam com as imposi&ccedil;&otilde;es de outros de maior poder e aproveitam os momentos para criar e at&eacute; subverter, de maneira astuciosa, suas pr&aacute;ticas cotidianas, impactadas pela precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho como elemento central na din&acirc;mica atual do capitalismo (Ara&uacute;jo &amp; Morais, 2017; Certeau, 1994).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego definiu, com base na Classifica&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ocupa&ccedil;&otilde;es (CBO), (institu&iacute;da por portaria ministerial n&ordm; 397, de 9 de outubro de 2002) que os pipoqueiros s&atilde;o categorizados como trabalhadores ambulantes, ou seja, comercializam mercadorias e alimentos em logradouros p&uacute;blicos. Essa classifica&ccedil;&atilde;o ainda coloca a responsabilidade aut&ocirc;noma pela compra de insumos e equipamentos de trabalho, realiza&ccedil;&atilde;o do processo de negocia&ccedil;&atilde;o com fornecedores, planejamento de atividades, modo que o com&eacute;rcio ser&aacute; exercido, bem como o local em que o trabalho ocorrer&aacute;. As atividades destacadas pela CBO &#150; al&eacute;m da inexist&ecirc;ncia de legisla&ccedil;&atilde;o trabalhista espec&iacute;fica, de sal&aacute;rio fixo, e a conjuga&ccedil;&atilde;o entre detentor dos meios de produ&ccedil;&atilde;o e da for&ccedil;a de trabalho para prover sustento de suas fam&iacute;lias (Xavier, Falc&atilde;o &amp; Torres, 2015) &#150; s&atilde;o ind&iacute;cios de que o trabalho com a comida de rua tamb&eacute;m pode ser destacado como uma forma de trabalho proveniente dos setores populares.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Kraychete, Lara e Costa (2000) e Kraychete (2016), o processo de transforma&ccedil;&atilde;o nas estruturas do trabalho, ocorrido nos &uacute;ltimos quarenta anos, resultou na diminui&ccedil;&atilde;o de postos assalariados, no aumento do desemprego e no crescimento de trabalhadores que realizam atividades aut&ocirc;nomas. Ao mesmo tempo, os autores afirmam o aumento da depend&ecirc;ncia das atividades produtivas individuais, familiares e/ou associativas, sustentando a exist&ecirc;ncia de uma economia dos setores populares. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para tanto, realizamos uma pesquisa qualitativa com 62 pipoqueiros que trabalham no centro da cidade de Belo Horizonte. Al&eacute;m de entrevistas, para conhecermos suas pr&aacute;ticas, acompanhamos o dia a dia em v&aacute;rios pontos do centro da cidade. Com isso, optamos por realizar a discuss&atilde;o a partir da An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso (ALD) que, segundo Souza e Carrieri (2014), permite interconectar elementos lingu&iacute;sticos e extralingu&iacute;sticos. Concebemos aqui o discurso como uma pr&aacute;tica social em que a linguagem reproduz formas de significa&ccedil;&atilde;o da realidade social ao buscar represent&aacute;&#45;la.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste estudo, ap&oacute;s essa introdu&ccedil;&atilde;o, apresentamos o suporte te&oacute;rico para a pesquisa, abrangendo reflex&otilde;es de cotidiano e economia dos setores populares, al&eacute;m da reflex&atilde;o que caminha da identidade &agrave;s identifica&ccedil;&otilde;es. Em seguida, descrevemos os percursos metodol&oacute;gicos e, logo depois, apresentamos as an&aacute;lises e as discuss&otilde;es dos resultados. Por fim, expressam&#45;se as considera&ccedil;&otilde;es finais sobre a pesquisa, al&eacute;m de sugest&otilde;es para trabalhos futuros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana"><b>A economia dos setores populares e o cotidiano</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste t&oacute;pico, buscamos aproximar a discuss&atilde;o sobre a economia dos setores populares com a do cotidiano, tendo em vista que ambas as tem&aacute;ticas envolvem formas astuciosas de sobreviv&ecirc;ncia sem, necessariamente, romper com o que est&aacute; imposto &#150; seja com a economia capitalista (no caso da economia dos setores populares), seja com os sujeitos de maior poder (no caso do cotidiano). Para Kraychete (2016), a economia dos setores populares vem crescendo no Brasil h&aacute; pelo menos quatro d&eacute;cadas e &eacute; resultado das crises capitalistas que imp&otilde;em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o ao trabalhador. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Zegada (2014) vai al&eacute;m e afirma que o fen&ocirc;meno de economia dos setores populares n&atilde;o &eacute; recente, existindo ind&iacute;cios de eixos econ&ocirc;micos alternativos e complementares a eixos dominantes nos tempos coloniais da Am&eacute;rica Latina. A popula&ccedil;&atilde;o local da regi&atilde;o buscava estrat&eacute;gias aut&ocirc;nomas de reprodu&ccedil;&atilde;o de suas exist&ecirc;ncias, ligadas ocasionalmente &agrave;s redes dominantes. Tais estrat&eacute;gias constitu&iacute;am atividades que os estados coloniais n&atilde;o conseguiam regular. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Mais recentemente, j&aacute; sob o modelo neoliberal, Zegada (2014) destaca que os processos de desindustrializa&ccedil;&atilde;o conduziram os setores prolet&aacute;rios a atividades que os permitissem sobreviver no chamado "empreendedorismo popular". Essa din&acirc;mica envolve, sobretudo, processos macroecon&ocirc;micos e financeiros, significando expans&atilde;o de mercados internacionais e ocasionando a dissemina&ccedil;&atilde;o das l&oacute;gicas de capital, trabalho e rela&ccedil;&otilde;es sociais por todas as partes do mundo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Kraychete et al. (2000) afirmam que, entre os anos de 1940 e 1980, o mercado brasileiro era estruturado por meio do aumento de empregos assalariados, principalmente aqueles com carteira assinada, ocasionando uma redu&ccedil;&atilde;o de trabalhadores aut&ocirc;nomos. Esse processo refletiu no aumento da Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa (PEA), indo de 42% (em 1940) para 62,8% (em 1980). A partir dos anos de 1980, o caminho em dire&ccedil;&atilde;o a uma composi&ccedil;&atilde;o estruturada do mercado de trabalho no Brasil por meio do assalariamento foi interrompido, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o aos empregos assalariados com registro formal. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A tend&ecirc;ncia de crescimento de trabalhos assalariados com carteira assinada foi cessada em um contexto de ajustes macroecon&ocirc;micos que se voltavam para o controle da taxa de infla&ccedil;&atilde;o e das contas externas. Assim, as diminui&ccedil;&otilde;es dos empregos assalariados refletiram no crescimento do n&uacute;mero de trabalhadores sem contrato de trabalho e que realizavam atividades por conta pr&oacute;pria. A partir de ent&atilde;o, entre os anos de 1980 e 1991, o emprego assalariado apresentou crescimento m&eacute;dio anual de apenas 2,8%, influenciado, sobretudo, pelo emprego assalariado sem registro formal (Kraychete et al., 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para os autores anteriormente citados, foi na d&eacute;cada de 1990 que as atividades de trabalho por conta pr&oacute;pria se tornaram mais evidentes. A cada dez ocupa&ccedil;&otilde;es geradas nessa d&eacute;cada, apenas duas eram assalariadas, cinco poderiam ser caracterizadas como aquelas por conta pr&oacute;pria e tr&ecirc;s n&atilde;o eram remuneradas. Entre os anos de 1986 e 1998, o emprego assalariado teve redu&ccedil;&atilde;o de 4% nas regi&otilde;es metropolitanas brasileiras, enquanto as atividades por conta pr&oacute;pria aumentaram 61%.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Na atualidade, Guiraldelli (2014) atesta o alcance de uma condi&ccedil;&atilde;o estrutural que reduz a quantidade de trabalhadores &uacute;teis ao capital, evidenciada por uma redu&ccedil;&atilde;o de empregos est&aacute;veis e protegidos e por uma crescente taxa de desemprego em conjunto com a redu&ccedil;&atilde;o do trabalho vivo e de postos formais. O autor complementa que, com o desemprego estrutural e a expuls&atilde;o dos trabalhadores da cadeia produtiva, sem que ocorra uma posterior inser&ccedil;&atilde;o, emerge uma nova configura&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es sociais de trabalho, intermediadas por um relacionamento entre aqueles que compram e vendem a for&ccedil;a de trabalho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O aumento do desemprego e a diminui&ccedil;&atilde;o dos trabalhos assalariados formais, em conjunto com a crescente taxa de ocupa&ccedil;&atilde;o por conta pr&oacute;pria, resultaram no crescimento de ocupa&ccedil;&otilde;es consideradas informais. Nesse sentido, parcelas cada vez maiores da popula&ccedil;&atilde;o brasileira buscaram formas alternativas de gera&ccedil;&atilde;o de renda, o que fez novos problemas emergirem para um mercado de trabalho historicamente pautado pela desigualdade e exclus&atilde;o (Kraychete et al.,  2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Santos e Deluiz (2009) afirmam que, em um contexto de crise do trabalho, observa&#45;se que: a) a retra&ccedil;&atilde;o de direitos do trabalho acontece a partir da press&atilde;o da classe empresarial (do capital) para que governos adotem pol&iacute;ticas neoliberais; e b) a for&ccedil;a de trabalho n&atilde;o &eacute; absorvida pelo mercado formal. Diante de tal contexto, os setores populares, com vistas &agrave; satisfa&ccedil;&atilde;o de suas necessidades b&aacute;sicas, direcionam&#45;se &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os. Os sujeitos que comp&otilde;em esse setor, colocados &agrave; margem dessas mudan&ccedil;as, (re)criam a possibilidade de gera&ccedil;&atilde;o de trabalho e renda, provocando um dualismo estrutural na economia e em suas vidas cotidianas: de um lado, a organiza&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, de acordo com a l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o do capital (e que n&atilde;o supera as contradi&ccedil;&otilde;es do capitalismo); de outro lado, a economia vista pela &oacute;tica do trabalho e a reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada da vida <i>(Coraggio, 2018</i>; Fernandes &amp; Costa, 2018; Santos &amp; Deluiz, 2009; Tiriba, 2013).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; no contexto neoliberal de acumula&ccedil;&atilde;o <i>per se</i> que a economia dos setores populares &eacute; apresentada como "economia dos pobres", como somente estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia. Diferente disso, Costa (2010) afirma que tratar a economia na perspectiva formal capitalista como eufemismo de pobreza &eacute; um equ&iacute;voco, tendo em vista sua exist&ecirc;ncia din&acirc;mica e geradora, para alguns trabalhadores, de algum n&iacute;vel de renda e possiblidades de sobreviv&ecirc;ncia em seu cotidiano. A autora ainda afirma que a no&ccedil;&atilde;o de pobreza deve estar desvinculada de somente restri&ccedil;&atilde;o de renda e consumo, devendo abranger tamb&eacute;m o acesso a servi&ccedil;os, qualidade de moradia, de educa&ccedil;&atilde;o, de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de sa&uacute;de, al&eacute;m do acesso &agrave; no&ccedil;&atilde;o ampliada de direitos. Isso ocorre a partir de escolhas pol&iacute;ticas e dos mecanismos perpetuados para distribui&ccedil;&atilde;o de riqueza, sendo um campo de conflito pol&iacute;tico de classe, tendo em vista a impossibilidade de romper com as rela&ccedil;&otilde;es sociais e de produ&ccedil;&atilde;o capitalista.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Santiago e Vasconcelos (2017) afirmam a tend&ecirc;ncia do uso do termo "setor informal" para designar os grupos de pessoas que n&atilde;o foram incorporados aos moldes ordenados das economias capitalistas nos pa&iacute;ses subdesenvolvidos. Esses autores complementam ainda que, atualmente, a utiliza&ccedil;&atilde;o de tal termo n&atilde;o &eacute; mais recomendada pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do <i>Trabalho (OIT)</i>, a qual foi respons&aacute;vel por cunhar a express&atilde;o. A justificativa seria que seu uso reduz a complexidade do fen&ocirc;meno econ&ocirc;mico popular, e, sendo assim, deveria ser substitu&iacute;do por "processo de informalidade". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os trabalhadores buscaram, ent&atilde;o, encontrar formas de auferir renda, emergindo trabalhos como aut&ocirc;nomos, ambulantes, tempor&aacute;rios, irregulares (do ponto de vista do capital); na maior parte das vezes eram atividades prec&aacute;rias, mas que contribu&iacute;am para um processo de informalidade. Isso acarreta uma retomada pelos setores formais de antigas atividades marginalizadas e voltadas para acumula&ccedil;&atilde;o capitalista, o que contribui para certa heterogeneidade do mercado de trabalho. Todavia, essas atividades se inserem em um contexto de precariedade de condi&ccedil;&otilde;es de trabalho, de nega&ccedil;&atilde;o de direitos b&aacute;sicos e, de certa forma, de reprodu&ccedil;&atilde;o da pobreza e das desigualdades sociais (Costa, 2010).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Duclos (2017) pondera que, como resposta &agrave; precariza&ccedil;&atilde;o e limita&ccedil;&atilde;o ao mercado formal de trabalho, desenvolvem&#45;se formas alternativas de economias com vistas a garantir, al&eacute;m de quest&otilde;es materiais, recursos imateriais. Por isso, a autora avan&ccedil;a em um rompimento com a perspectiva das atividades consideradas como de economia informal, ampliando a dimens&atilde;o das iniciativas populares. Nesse racioc&iacute;nio, a mesma autora ainda refor&ccedil;a que as formas diversas de se fazer economia possibilitam a forma&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o das classes populares e de confronta&ccedil;&atilde;o ao setor formal, al&eacute;m da maneira singular de socializa&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos. A sa&iacute;da, por meio da economia dos setores populares para gera&ccedil;&atilde;o de trabalho e renda, &eacute; pertinente, sobretudo, aos membros das classes baixas, ou aos membros da chamada ral&eacute; brasileira, segundo J. Souza (2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A economia dos setores populares ocorre no cotidiano, e, por isso, trazemos para a discuss&atilde;o as reflex&otilde;es sobre a tem&aacute;tica. Nesse sentido, o cotidiano &eacute; tratado como o campo de possibilidades que podem ser reproduzidas ou alteradas. Os modos diversos de "fazer" permitem que o cotidiano seja um espa&ccedil;o de estrutura&ccedil;&atilde;o e subvers&atilde;o por meio da constru&ccedil;&atilde;o de jeitos aprendidos pela experi&ecirc;ncia e pela adapta&ccedil;&atilde;o de maneiras criativas (Certeau, 1994; Gouv&ecirc;a &amp; Ichikawa, 2015; Gouv&ecirc;a, Cabana &amp; Ichikawa, 2018; Rodrigues &amp; Ichikawa, 2015; Rodrigues, Cassandre &amp; Ichikawa, 2017).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em Certeau (1994), &eacute; poss&iacute;vel compreender que as pr&aacute;ticas do cotidiano n&atilde;o s&atilde;o facilmente determinadas, j&aacute; que os procedimentos que comp&otilde;em essa din&acirc;mica s&atilde;o diversos. Dessa forma, s&atilde;o possibilitadas as subvers&otilde;es de imposi&ccedil;&otilde;es aos sujeitos de menor poder (as invers&otilde;es discretas), utilizadas para outros fins sem que se rompa com o sistema e sejam rejeitadas por completo (Rodrigues et al. , 2017). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para Rodrigues e Ichikawa (2015), o cotidiano &eacute; lugar de a&ccedil;&otilde;es oportunistas (no sentido positivo da palavra), fugindo da ideia de rotina e previsibilidade fixa para alcan&ccedil;ar a ideia de Certeau (1994) sobre as diversas artes de fazer, como uma arte do fraco. Nas pr&aacute;ticas cotidianas, sejam elas individuais ou coletivas, as a&ccedil;&otilde;es passam despercebidas, ocultas em suas maneiras de resistir por serem simples e s&oacute; percebidas quando vivenciadas em uma inser&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;prio modo de fazer cotidiano (Barros &amp; Carrieri, 2015; Cantoral&#45;Cantoral, 2016; Certeau, 1994; Gouv&ecirc;a &amp; Ichikawa 2015; Gouv&ecirc;a et al. , 2018). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Encontrar sentido nessas artes de fazer cotidianas, n&atilde;o t&atilde;o expl&iacute;citas e por vezes silenciosas, &eacute; fundamental para compreens&atilde;o de suas regras pr&oacute;prias e seu desenvolvimento. Marins e <i>Ipiranga (2017)</i> e Cabana e Ichikawa (2017) afirmam que, para an&aacute;lise da vida cotidiana, as reflex&otilde;es sobre t&aacute;tica e estrat&eacute;gia de Certeau s&atilde;o primordiais. Na primeira, o mais fraco na rela&ccedil;&atilde;o se aproveita de ocasi&otilde;es para jogar com as imposi&ccedil;&otilde;es sem que, necessariamente, rompa&#45;se com que est&aacute; posto. Na segunda, a pretens&atilde;o &eacute; de manter o que est&aacute; posto no que se refere ao dom&iacute;nio e controle das rela&ccedil;&otilde;es. Por fim, essa organiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o apropriada pelos sujeitos se pauta em crit&eacute;rios que visam acentuar a diversidade de possibilidades e fogem de uma compreens&atilde;o pr&eacute;&#45;determinada das a&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Da identidade &agrave;s identifica&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">O estudo da identidade e as reflex&otilde;es estimuladas pela tem&aacute;tica s&atilde;o diversas, como sugeriram Cardoso, Hanashiro e Barros (2016). Al&eacute;m disso, a discuss&atilde;o recente do assunto abarca temas como a identidade territorial (Sim&otilde;es Souza, 2017), as rela&ccedil;&otilde;es entre territorialidade e identidade (Saraiva, Carrieri &amp; Soares, 2014; Teixeira, Saraiva &amp; Carrieri,  2015), a din&acirc;mica das organiza&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas (Gomes, Fantinel, Palassi &amp; Silva, 2016), das organiza&ccedil;&otilde;es da sa&uacute;de (Acu&ntilde;a &amp; <i>Sanfuentes, 2016)</i>, a tem&aacute;tica de g&ecirc;nero (Ettinger, Jesus J&uacute;nior, Setenta &amp; Cavalcante, 2015), a teoria <i>queer (E. Souza, 2017)</i> e at&eacute; casos de ensino (Campos &amp; Davel, 2018).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As identidades, para Monteiro, Pereira, Oliveira, Lima e Carrieri (2017), s&atilde;o influenciadas pelo contexto social e pela &eacute;poca hist&oacute;rica, o que indica que a internaliza&ccedil;&atilde;o e assimila&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is sociais auxiliam nessa constru&ccedil;&atilde;o, no curso das hist&oacute;rias sociais. Isso significa dizer que as identidades nunca est&atilde;o prontas. Elas sofrem muta&ccedil;&otilde;es e s&atilde;o avaliadas como aceit&aacute;veis de acordo com a &eacute;poca em que se vive e com os grupos sociais que interagem, ou seja, s&atilde;o formadas por processos sociais (Acu&ntilde;a &amp; Sanfuentes, 2016; Aguiar &amp; Carrieri, 2016; Souza &amp; Carrieri, 2012; Van Vuuren, Teurlings &amp; Bohlmeijer, 2012.).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Segundo Monteiro et al. (2017), as identidades s&atilde;o oriundas de processos de socializa&ccedil;&atilde;o, podendo ser constru&iacute;das e fundamentadas na percep&ccedil;&atilde;o de outros sujeitos, produto da integra&ccedil;&atilde;o de realidades diversas que s&atilde;o compartilhadas. Cabana e Ichikawa (2017) colocam que as identidades s&atilde;o afetadas pelos discursos e pelas rela&ccedil;&otilde;es de poder articuladas no cotidiano. Elas, ent&atilde;o, devem ser pensadas no plural, como diversas, j&aacute; que muitas se encontram silenciadas por sujeitos de maior poder (Aguiar &amp; Carrieri, 2016; Cabana &amp; Ichikawa, 2017; Correa &amp; Louren&ccedil;o, 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Embora assumam as exist&ecirc;ncias de hierarquias, Cabana e Ichikawa (2017) destacam espa&ccedil;os para lutas identit&aacute;rias de resist&ecirc;ncias, j&aacute; que o homem ordin&aacute;rio, comum, n&atilde;o &eacute; passivo, mas joga com que &eacute; imposto, ampliando as possibilidades em vez de apenas aceit&aacute;&#45;las. Isso amplifica a alternativa dos indiv&iacute;duos e grupos para trabalharem com bricolagens, com as normas, formalismos e condutas. Dessa forma, s&atilde;o nas "microrresist&ecirc;ncias" que se tornam poss&iacute;veis "microliberdades" identit&aacute;rias, realizadas sem que os dominantes as encarem como amea&ccedil;as, tendo em vista que ocorrem por meio de pr&aacute;ticas ocultas e quase invis&iacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&Eacute; no cotidiano do trabalho, segundo Carrieri et al. (2016) e Cabana e Ichikawa (2017), que os indiv&iacute;duos conseguem manifestar suas identidades por meio de discursos e a&ccedil;&otilde;es, permitindo constantes cria&ccedil;&otilde;es e recria&ccedil;&otilde;es. Assim, s&atilde;o destacadas as pr&aacute;ticas discursivas <i>(Carrieri et al., 2016</i>; Monteiro et al., 2017), uma vez que elas possibilitam a constitui&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria do sujeito no cotidiano. Posto isso, para que se compreenda como s&atilde;o constru&iacute;das as identifica&ccedil;&otilde;es dos pipoqueiros no cotidiano, adotamos a articula&ccedil;&atilde;o entre o tema de pr&aacute;ticas cotidianas e o discurso proposto por Souza e Carrieri (2012). Destarte, para an&aacute;lise das identifica&ccedil;&otilde;es, &eacute; necess&aacute;rio compreender as tr&ecirc;s dimens&otilde;es em conjunto: a apreens&atilde;o da dimens&atilde;o discursiva, pr&aacute;ticas ou a&ccedil;&otilde;es dos indiv&iacute;duos e a &ecirc;nfase na viv&ecirc;ncia cotidiana desses. E, mesmo que inexista a&ccedil;&atilde;o verbal, o discurso n&atilde;o verbal tamb&eacute;m deve ser reconhecido. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Monteiro et al. (2017) entendem que "os processos identit&aacute;rios s&atilde;o resultados de uma produ&ccedil;&atilde;o discursiva e simb&oacute;lica. Assim, por interm&eacute;dio da identifica&ccedil;&atilde;o e da diferencia&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o identifica&ccedil;&atilde;o) nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, pode&#45;se criar e estabelecer esses processos" (p. 81). Os autores ainda complementam que as identidades se relacionam com um contexto social e uma &eacute;poca hist&oacute;rica, de tal maneira que a caracteriza&ccedil;&atilde;o das identidades se constitui no decorrer das hist&oacute;rias sociais. Isso faz ponderar os elementos socioculturais que cercam os sujeitos e os levam a construir e reconstruir constantemente suas identidades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Congruente com o car&aacute;ter multivariado das identidades, consideramos a compreens&atilde;o de pertencimento a partir da contribui&ccedil;&atilde;o de Serres (2000), afirmando a exist&ecirc;ncia de identifica&ccedil;&otilde;es. O autor pontua que o conceito de identidade produziria uma ess&ecirc;ncia humana. Em contrapartida, a identifica&ccedil;&atilde;o pressup&otilde;e rela&ccedil;&otilde;es de pertencimento, ocorridas e apresentadas no cotidiano de forma heterog&ecirc;nea, fugindo da no&ccedil;&atilde;o regular e fixa da identidade, indo em dire&ccedil;&atilde;o a uma reflex&atilde;o de algo localmente vari&aacute;vel. Assim, as identifica&ccedil;&otilde;es recebem influ&ecirc;ncia do &acirc;mbito social e da &eacute;poca hist&oacute;rica, sendo compostas por uma s&eacute;rie de pertencimentos dos sujeitos que englobam a etnia, a nacionalidade, a profiss&atilde;o, ou seja, sendo m&uacute;ltiplas e distantes de reprodu&ccedil;&otilde;es est&aacute;ticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Fernandes, Marques e Carrieri (2009) ainda elucidam que &eacute; por interm&eacute;dio da identifica&ccedil;&atilde;o que decorre a concilia&ccedil;&atilde;o entre identidade do sujeito e a de seu trabalho. &Eacute; nesse sentido que Saraiva, Carrieri, Enoque e Gandolfi (2010) afirmam que, com interfer&ecirc;ncia principalmente nas rela&ccedil;&otilde;es sociais, a identidade pode ser caracterizada como processo dial&oacute;gico expresso de identifica&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o. Por fim, &eacute; nessa l&oacute;gica que a identifica&ccedil;&atilde;o &eacute; caracterizada como uma rela&ccedil;&atilde;o m&uacute;ltipla e din&acirc;mica (Vogt &amp; Louren&ccedil;o, 2017).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Caminhos percorridos com o pipoqueiro e o carrinho de 80 kg</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Para que pud&eacute;ssemos desenvolver de forma adequada o objetivo de pesquisa proposto, recorremos a uma abordagem qualitativa, seguindo a concep&ccedil;&atilde;o de Epistemologia Qualitativa (Gonz&aacute;lez Rey, 2005). Isso permitiu uma posi&ccedil;&atilde;o reflexiva quanto aos princ&iacute;pios metodol&oacute;gicos que fogem do instrumentalismo na metodologia de pesquisa, destacando o car&aacute;ter construtivo interpretativo do conhecimento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Esta pesquisa foi tratada como um estudo de caso que buscou compreender a constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es com o trabalho e as pr&aacute;ticas cotidianas existentes na profiss&atilde;o dos pipoqueiros da &aacute;rea central de Belo Horizonte, mais especificamente, localizados na &aacute;rea do hipercentro e da &aacute;rea hospitalar. Os que est&atilde;o localizados no hipercentro da cidade realizam rod&iacute;zios nos pontos de venda e s&atilde;o pertencentes ao Sindicato Profissional dos Pipoqueiros da Grande BH. Os pipoqueiros da &aacute;rea hospitalar realizam suas atividades em pontos fixos e s&atilde;o vinculados &agrave; Associa&ccedil;&atilde;o dos Pipoqueiros Empreendedores Individuais do Estado de Minas Gerais. Para fins deste artigo, consideramos os pipoqueiros sem quaisquer distin&ccedil;&otilde;es dentre os grupos, tendo em vista que o cotidiano do trabalho e a identifica&ccedil;&atilde;o com a profiss&atilde;o n&atilde;o apresentam especificidades quanto ao grupo de pertencimento. Nesse sentido, tratamos dos trabalhadores que fabricam e comercializam pipocas em vias e logradouros p&uacute;blicos, influenciados por nossos olhares de pesquisadores em busca de trabalhadores invisibilizados dentro da din&acirc;mica cotidiana de uma capital. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em um primeiro momento, percorremos as principais avenidas e ruas da regi&atilde;o do hipercentro de Belo Horizonte e da &aacute;rea hospitalar buscando conhecer a realidade dos trabalhadores pipoqueiros por meio da observa&ccedil;&atilde;o. O hipercentro da cidade &eacute; caracterizado como local de intenso fluxo de pessoas e influenciado pela concentra&ccedil;&atilde;o de pontos de &ocirc;nibus e ac&uacute;mulo de estabelecimentos comerciais. &Eacute; o local de maior demanda de pipoca, o que faz com que o sindicato estabele&ccedil;a um rod&iacute;zio de uma semana por pipoqueiro em 100 pontos da regi&atilde;o. A regi&atilde;o hospitalar &eacute; um local com maior concentra&ccedil;&atilde;o de hospitais, tendo menor fluxo de pessoas em rela&ccedil;&atilde;o ao primeiro. Os pontos da regi&atilde;o s&atilde;o fixos e se caracterizam como aqueles rejeitados pelo sindicato, sendo, dessa forma, gerenciados pela associa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com isso, buscamos realizar em um segundo momento as entrevistas, procurando diversificar os pontos de pipoca do hipercentro e da regi&atilde;o hospitalar da cidade. Foram feitas abordagens ponto a ponto, durante as quais a pesquisa era explicada, e o trabalhador era convidado a participar. Para coleta de dados, realizamos 62 entrevistas semiestruturadas com os trabalhadores pipoqueiros, das quais 28 eram mulheres e 34 homens. Os pipoqueiros das regi&otilde;es s&atilde;o compostos por homens e mulheres com idades que variam entre 18 e 65 anos, sendo os mais velhos com menor &iacute;ndice de escolaridade e em sua maioria casados e com filhos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O n&uacute;mero de entrevistados corresponde aos trabalhadores que aceitaram participar da pesquisa e que exerciam a profiss&atilde;o h&aacute; mais de um ano, assumindo&#45;se que teriam uma carga maior de conhecimento para explanar sobre as atividades desenvolvidas. As entrevistas, que tiveram dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia de 30 minutos, foram realizadas entre os meses de mar&ccedil;o e julho de 2017 nos pontos de venda instalados em diversos locais dentre os supracitados. Os entrevistados narraram suas hist&oacute;rias, trajet&oacute;rias e experi&ecirc;ncias como trabalhadores ambulantes. Para preserva&ccedil;&atilde;o dos participantes da pesquisa, sorteamos aleatoriamente n&uacute;meros associados aos entrevistados, os quais foram identificamos da seguinte forma: entrevistado 1 (E1), entrevistado 2 (E2) etc.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Diante disso, optamos pela utiliza&ccedil;&atilde;o da t&eacute;cnica de An&aacute;lise Lingu&iacute;stica do Discurso (ALD) que, de acordo com Souza e Carrieri (2014), possibilita a interconex&atilde;o de fatores lingu&iacute;sticos e s&oacute;cio&#45;hist&oacute;ricos, al&eacute;m de permitir que aspectos ideol&oacute;gicos e lingu&iacute;sticos sejam evidenciados. A ALD ajuda a identificar, no discurso, a forma&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica que o circunda e a identidade a ele relacionada. Para os mesmos autores, esse m&eacute;todo permite tornar o texto em objeto, possibilitando destacar processos de constru&ccedil;&atilde;o de sentido, tanto em dados contextos sociais quanto em contextos organizacionais. Interessa&#45;nos as formas que foram constru&iacute;das pelas pr&aacute;ticas discursivas, as ideias e os objetos do mundo social, a intera&ccedil;&atilde;o dos discursos com outros discursos e as suas formas de dissemina&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, recep&ccedil;&atilde;o e consumo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As entrevistas realizadas foram gravadas, transcritas na &iacute;ntegra e categorizadas conforme os temas abordados nas entrevistas, sendo eles: as trajet&oacute;rias e as hist&oacute;rias pessoais; o pertencimento ao grupo do sindicato ou da associa&ccedil;&atilde;o; a territorialidade envolvida no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o; o cotidiano do trabalho; e o processo de constru&ccedil;&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o dos sujeitos com a profiss&atilde;o de pipoqueiro. Neste trabalho, optamos por tratar das duas &uacute;ltimas categorias tem&aacute;ticas. Por conseguinte, utilizamos cinco estrat&eacute;gias discursivas para realizarmos a an&aacute;lise dos discursos dos entrevistados, sendo elas: 1) a identifica&ccedil;&atilde;o de percursos sem&acirc;nticos; 2) a an&aacute;lise do expl&iacute;cito e impl&iacute;cito; 3) an&aacute;lise dos personagens; 4) an&aacute;lise lexical (Faria &amp; Linhares, 1993). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Com as an&aacute;lises, identificamos dois percursos sem&acirc;nticos: a) "a rua &eacute; livre?", que versa sobre a territorialidade envolta pela profiss&atilde;o; e b) "cotidiano e identifica&ccedil;&otilde;es: ser ambulante e a necessidade de trabalhar", discorrendo sobre o cotidiano como aquele que interfere no processo de constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es dos pipoqueiros. Para fins deste artigo, debru&ccedil;amo&#45;nos sobre esse segundo percurso.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Cotidiano e identifica&ccedil;&otilde;es: ser ambulante e a necessidade de trabalhar</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Para que o cotidiano e o processo de constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es dos pipoqueiros possam ser discutidos, &eacute; preciso compreendermos os aspectos b&aacute;sicos para a execu&ccedil;&atilde;o da atividade. De maneira geral, o custo do carrinho de pipoca, sem quaisquer adicionais, varia entre 500 e 3 mil reais, sendo que os modelos mais simples, com adicionais como estruturas fixas que cont&ecirc;m expositor de vidro, pipoqueira acoplada, tenda e o suporte para o g&aacute;s, podem custar em torno de mil reais. Outrossim, para realiza&ccedil;&atilde;o das atividades, s&atilde;o necess&aacute;rios acess&oacute;rios fixos como panelas de alum&iacute;nio com manivela e outros utens&iacute;lios de cozinha. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um carrinho possui em torno de 70 cent&iacute;metros de comprimento por 80 cent&iacute;metros de altura at&eacute; a mesa em que os produtos s&atilde;o feitos, possuindo dois metros de altura at&eacute; o toldo, com peso aproximado de 48 quilos. Al&eacute;m disso, ainda &eacute; necess&aacute;rio um botij&atilde;o dom&eacute;stico, que, completo com g&aacute;s, pesa cerca de 28 quilos. Desse modo, um carrinho completo pesa, aproximadamente, 80 quilos. S&atilde;o esses 80 quilos que s&atilde;o empurrados diariamente por esses trabalhadores pelas ruas da cidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Muitas das estrat&eacute;gias adotadas pelos pipoqueiros para o desenvolvimento de suas atividades est&atilde;o relacionadas a experi&ecirc;ncias que possuem na atividade, por exemplo, sobre o conhecimento dos pontos de vendas (fixos para os que s&atilde;o vinculados &agrave; associa&ccedil;&atilde;o e vari&aacute;veis para os que s&atilde;o vinculados ao sindicato); esta&ccedil;&otilde;es do ano; compra de suprimentos; utens&iacute;lios utilizados na fabrica&ccedil;&atilde;o; manuten&ccedil;&atilde;o dos equipamentos; locais de estacionamento dos carrinhos. Desse modo, s&atilde;o estipulados os hor&aacute;rios de trabalhos, os dias e eventos que ir&atilde;o trabalhar, a ordem e quantidade dos insumos, bem como a organiza&ccedil;&atilde;o do neg&oacute;cio. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Neste percurso sem&acirc;ntico, assumimos, a partir dos aspectos discursivos dos entrevistados, que o cotidiano envolto pela sobreviv&ecirc;ncia impacta a constru&ccedil;&atilde;o de suas identidades, do que &eacute; ser pipoqueiro. O pr&oacute;prio ato de trabalhar na rua se torna um aspecto que constitui um trabalhador ambulante. Para os entrevistados, ser ambulante difere bastante daquilo exposto pela descri&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego, uma vez que eles acrescentam as dificuldades, conquistas e necessidades do cotidiano. Assim, seguimos as perspectivas de Certeau (1994), Ara&uacute;jo e <i>Morais (2017)</i> e afirmamos que a pr&oacute;pria realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho com a pipoca &eacute; uma ast&uacute;cia criativa diante das crises do sistema capitalista. E, dessa forma, o processo de constru&ccedil;&atilde;o das identidades desses sujeitos sofre interfer&ecirc;ncia das din&acirc;micas cotidianas de sobreviv&ecirc;ncia (Carrieri et al., 2016).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A influ&ecirc;ncia de membros da fam&iacute;lia e/ou amigos aparecem nos discursos como condi&ccedil;&otilde;es de in&iacute;cio na atividade. Al&eacute;m disso, emerge a quest&atilde;o da necessidade de obter alguma fonte de renda devido &agrave; escassez de empregos e/ou mesmo pela autonomia que o trabalho permite. Do mesmo modo, existem muitas rela&ccedil;&otilde;es familiares nos neg&oacute;cios dos pipoqueiros, sendo poss&iacute;vel encontrar esposas, maridos, filhos e filhas dos entrevistados em outros carrinhos e pontos da cidade. Dessa forma, afirmamos que h&aacute; uma rede de parentesco no neg&oacute;cio da pipoca como forma de atendimento das necessidades b&aacute;sicas &#150; sejam elas sociais, econ&ocirc;micas ou culturais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">As formas pelas quais iniciaram as atividades dos vendedores ambulantes s&atilde;o diversas. No entanto, algo comum apresentado nos discursos dos entrevistados se refere &agrave;s atividades profissionais exercidas antes do trabalho como ambulante: "<i>Eu era faxineira, a&iacute; eu trabalhava de segunda a sexta. E s&aacute;bado, domingo, eu comecei na pipoca. Foi a&iacute; que sa&iacute; do emprego e vim para a pipoca</i>" (E5); "<i>Antes eu era cobrador de &ocirc;nibus</i>" (E32); "<i>Eu trabalhava em casa lot&eacute;rica</i>" (E41); "<i>Eu vendia jornal, eu era jornalista</i>" (E48); "<i>Eu comecei, assim, vendendo balinha na rua</i>" (E20).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Nas falas, &eacute; expl&iacute;cito o exerc&iacute;cio de atividades de baixo retorno financeiro como faxineira, cobrador de &ocirc;nibus, trabalhadora de casa lot&eacute;rica, jornalista e vendedor de bala. Com isso, podemos observar o interdiscurso da ocupa&ccedil;&atilde;o de atividades de menor prest&iacute;gio &#150; para satisfa&ccedil;&atilde;o das necessidades de vida &#150; ocupadas por membros de classes baixas com baixos sal&aacute;rios <i>(J. Souza 2009</i>; Santos &amp; Deluiz, 2009). Dessa forma, destaca&#45;se o percurso sem&acirc;ntico da pipoca como o que possibilita a busca por melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida e de trabalho, como evidenciado no relato da entrevistada E5 e suportado por Costa (2010), ao afirmar que a economia proveniente dos setores populares n&atilde;o necessariamente equivale &agrave; pobreza.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A desvincula&ccedil;&atilde;o de um emprego formal de baixo sal&aacute;rio fica mais evidente nos trechos destacados a seguir, em que os entrevistados abandonaram as profiss&otilde;es de carteira assinada para obter maiores rendimentos por ano com o trabalho com a pipoca, pressuposto explicitado no trecho: "<i>O sal&aacute;rio que eu ganhava no m&ecirc;s agora eu tiro em um dia, a&iacute; quando </i>&#91;<i>est&aacute;</i>&#93;<i> frio eu tiro na semana</i>" (E15). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em seguida, o percurso sem&acirc;ntico do trabalho informal que possibilita maior autonomia &eacute; apresentado de forma impl&iacute;cita na fala "<i>Eu j&aacute; cheguei a trabalhar fichado oito meses s&oacute;, mas peguei e voltei para a rua porque achei melhor, entendeu?!</i>" (E13), e de forma expl&iacute;cita no trecho "<i>Eu estudava, sempre fui estudante. Eu optei por ser pipoqueira porque eu quis mesmo, foi para minha independ&ecirc;ncia. Eu n&atilde;o me adaptei aos trabalhos, aos meus outros chefes, ent&atilde;o optei por isso, optei por trabalhar como pipoqueira</i>" (E44). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Dessa forma, Santos e Deluiz (2009) embasam que as escolhas dos entrevistados visam a atender a satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades b&aacute;sicas com a finalidade de sobreviv&ecirc;ncia, tendo como contexto a crise do trabalho e a n&atilde;o absor&ccedil;&atilde;o da for&ccedil;a produtiva pelo mercado formal. Em complemento, os entrevistados optaram por realizar suas atividades com base em pr&aacute;ticas econ&ocirc;micas e sociais que garantem a utiliza&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria for&ccedil;a de trabalho para satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades materiais e imateriais, como bem nos especificou Duclos (2017). Outro ponto importante &eacute; que &eacute; poss&iacute;vel vincular o cotidiano de exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o de forma aut&ocirc;noma &agrave; constru&ccedil;&atilde;o da identifica&ccedil;&atilde;o. Cabana e Ichikawa (2017) suportam que os sujeitos ordin&aacute;rios fogem da passividade, subvertendo, por meio dessa forma de trabalho, as ordens impostas dos formalismos e do que &eacute; ou n&atilde;o caracterizado trabalho.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">As necessidades encontradas para realiza&ccedil;&atilde;o do trabalho com a pipoca foram amenizadas com o aux&iacute;lio dos v&iacute;nculos sociais afetivos que possu&iacute;am, expl&iacute;citos na rela&ccedil;&atilde;o com os personagens "m&atilde;e", "ex&#45;sogra", "irm&atilde;os" e "amigo". "<i>A&iacute; eu tinha um amigo meu, certo?! A&iacute; ele me colocou como pipoqueiro e tal, eu tinha 29 anos</i> &#91;<i>hoje com 49 anos de idade</i>&#93;" (E2); "<i>Meus irm&atilde;os mexem com isso, eu nunca imaginei trabalhar</i> &#91;<i>como pipoqueiro</i>&#93;,  n&atilde;o<i>. Mas como minha fam&iacute;lia mexe e eu aproximei deles, a&iacute; eu vim trabalhar</i>" (E59); "<i>Minha m&atilde;e tem mais de 40 anos de pipoqueira e eu vim trabalhar porque eu gostava. E fiquei!</i>" (E27); "<i>Eu comecei a trabalhar com a minha ex&#45;sogra no carrinho de pipoca</i>" (E18). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em todos os quatro trechos, os entrevistados silenciam sobre os motivos que os levaram a realizar o trabalho com a pipoca. Nesse ponto, podemos nos basear em Coraggio (2018) e <i>Duclos (2017)</i> para afirmar que as iniciativas para gera&ccedil;&atilde;o de trabalho e renda possibilitam a forma&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os de integra&ccedil;&atilde;o das classes populares, constituindo uma forma singular de socializa&ccedil;&atilde;o para esses indiv&iacute;duos. Nesse sentido, o processo de socializa&ccedil;&atilde;o auxiliou no in&iacute;cio das atividades. Tal processo interfere, tamb&eacute;m, na constru&ccedil;&atilde;o das identidades dos sujeitos, conforme nos embasam Monteiro et al.  (2017). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O fato de a profiss&atilde;o de ambulante n&atilde;o ser algo planejado fica expl&iacute;cito no discurso do entrevistado E59, que tamb&eacute;m evidencia que alguns trabalhadores pipoqueiros utilizam como t&aacute;tica cotidiana os v&iacute;nculos afetivos para busca de melhores condi&ccedil;&otilde;es de vida. A arte do fraco, como colocou Certeau (1994), torna&#45;se uma fonte de uma subvers&atilde;o de uma posi&ccedil;&atilde;o inferior no mercado de trabalho, jogando com as imposi&ccedil;&otilde;es postas pelo sistema capitalista para sobreviv&ecirc;ncia, conforme colocado por Ara&uacute;jo e Morais (2017).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No trecho "<i>Eu estava naquela situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o dif&iacute;cil que eu peguei o carrinho de pipoca para trabalhar. E nesse carrinho de pipoca eu fiquei at&eacute; hoje, gostei tanto</i>" (E57), o entrevistado destaca a necessidade que permeia o in&iacute;cio da profiss&atilde;o de pipoqueiro, destacado pelo lexema "dif&iacute;cil", mostrando que o desemprego e a necessidade de sobreviv&ecirc;ncia fizeram com que se iniciasse o trabalho com a pipoca. No enunciado "fiquei at&eacute; hoje", o entrevistado silencia acerca dos motivos para a perman&ecirc;ncia ao longo dos 30 anos que realiza a profiss&atilde;o. Logo ap&oacute;s, o entrevistado ressignifica a posi&ccedil;&atilde;o do trabalho ao afirmar "gostei tanto",  alterando o valor do que antes era negativo. Podemos suportar tal coloca&ccedil;&atilde;o em Tiriba (2013), tendo em vista que, mesmo que exista a inten&ccedil;&atilde;o de distanciamento da l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o de capital, focando na sobreviv&ecirc;ncia, o sistema econ&ocirc;mico n&atilde;o necessariamente &eacute; superado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ap&oacute;s o in&iacute;cio nas atividades, aparece nos discursos dos entrevistados como &eacute; a realiza&ccedil;&atilde;o <i>do trabalho</i> na rua e as t&aacute;ticas cotidianas adotadas para amenizar as dificuldades encontradas pelos trabalhadores. Tais aspectos podem ser observados nos fragmentos abaixo:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Para mim, aqui eu n&atilde;o tenho problema nenhum, porque eu tenho banheiro que eu posso usar, eu tenho o pessoal que traz almo&ccedil;o para mim. Mas geralmente &eacute; dif&iacute;cil o neg&oacute;cio, &agrave;s vezes a pessoa n&atilde;o pode sair para ir no banheiro, fica muito em p&eacute; (E61).</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana">Olha, f&aacute;cil n&atilde;o &eacute;, trabalhar na rua n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil! Tem seus altos e baixos, mas acho que vai de cada um n&eacute;, cada um opta pelo que quer. Assim que eu &#91;estou&#93; trabalhando, eu trabalho para mim mesma, ent&atilde;o n&atilde;o precisa seguir ordens, quem faz sou eu mesma (E49).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Os entrevistados E61 e E49 ressaltam as dificuldades de exercer a profiss&atilde;o, mas adotam como estrat&eacute;gia discursiva o interdiscurso da supera&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m impacta a constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es com o trabalho, de acordo com a &eacute;poca hist&oacute;rica e o contexto social em que est&atilde;o envoltos, conforme nos embasa Serres (2000). O percurso sem&acirc;ntico adotado &eacute; o da exist&ecirc;ncia de diversos problemas na profiss&atilde;o de pipoqueiro, expl&iacute;cito no uso do lexema "dif&iacute;cil" novamente. No entanto, apesar de E61 reconhecer a exist&ecirc;ncia de dificuldades para realiza&ccedil;&atilde;o das atividades, essas n&atilde;o fazem parte de seu cotidiano em espec&iacute;fico. Ademais, o entrevistado destaca a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma estrutura f&iacute;sica pr&oacute;xima ao local em que trabalha e destaca de forma positiva que consegue realizar a principal refei&ccedil;&atilde;o do dia. O pressuposto impl&iacute;cito dessa passagem refere&#45;se aos v&iacute;nculos sociais que permitiram que o trabalhador escapasse de passar por problemas no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Com isso, ressalta&#45;se que estar no mesmo ponto de trabalho por v&aacute;rios anos permite a ele ser conhecido, ter amizades, uma clientela fiel e um zelo pelo espa&ccedil;o em que trabalha, ou seja, ser reconhecido como um sujeito que tem uma profiss&atilde;o. Isso converge com o colocado por Duclos (2017) sobre o fato de que a economia dos setores populares possibilita reconfigura&ccedil;&otilde;es sociais para os sujeitos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">J&aacute; a entrevistada E49 afirma as dificuldades em realizar o trabalho na rua, mas silencia sobre quais seriam elas, quais raz&otilde;es a levaram a enfrentar essas dificuldades e de que maneira ela as enfrenta. Diferente disso, ela opta por adotar o interdiscurso da liberdade de escolha. A entrevistada ainda utiliza o percurso sem&acirc;ntico do trabalho com a pipoca como fonte de autonomia para destacar que n&atilde;o possui subordina&ccedil;&atilde;o no trabalho, o que &eacute; evidenciado nas express&otilde;es "trabalho para mim mesma" e "quem faz sou eu mesma".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Ah, tem dia que &eacute; bom, tem dia que a rua &eacute; ruim, tem dia que d&aacute; para voc&ecirc; vender, tem dia que n&atilde;o d&aacute; para voc&ecirc; vender, tem dia que d&aacute; para voc&ecirc; tirar &#91;o dinheiro&#93; do material. Voc&ecirc; compra, igual, eu vou l&aacute; e fa&ccedil;o o pedido. Se eu n&atilde;o arrumar o dinheiro, amanh&atilde; eu posso pagar ela, tem dia que eu n&atilde;o arrumo o dinheiro pra poder pagar a compra. Com o carrinho todo eu posso guardar o dinheiro, no outro dia eu vou l&aacute;, junto o dinheiro e pago e assim vai. Tem dia que t&aacute; bom, tem dia que n&atilde;o est&aacute; bom a rua, mas como se diz a gente n&atilde;o pode &eacute; desanimar (E11).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A entrevistada E11 ressalta a utiliza&ccedil;&atilde;o, de forma astuciosa, dos recursos financeiros destacados pelos usos dos lexemas "bom" e "ruim" para qualificar e explicitar a din&acirc;mica di&aacute;ria das vendas. Por conseguinte, a rela&ccedil;&atilde;o com a fornecedora, a quem "ela" se refere, apresenta&#45;se implicitamente como uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a, j&aacute; que n&atilde;o necessariamente os pagamentos s&atilde;o realizados no momento da compra do insumo. Dessa forma, &eacute; poss&iacute;vel perceber as t&aacute;ticas estabelecidas na utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos, sugerindo a exist&ecirc;ncia de diversas possibilidades criativas para cumprir com a manuten&ccedil;&atilde;o do trabalho &agrave; medida que as vendas forem ocorrendo. Isso converge com a imprevisibilidade do cotidiano colocada por Rodrigues e Ichikawa (2015), o que sugere a fuga de regularidades fixas diante das regras colocadas. Por fim, a entrevistada reflete sobre o tema da perseveran&ccedil;a no enunciado "a gente n&atilde;o pode &eacute; desanimar". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A constitui&ccedil;&atilde;o do ser pipoqueiro possui interfer&ecirc;ncia da incerteza no trabalho, aspecto constituinte do trabalho de rua e sem registros formais. O entrevistado E36 deixa isso expl&iacute;cito no trecho: "<i>Acho que ambulante, como modo geral, &eacute; trabalhar na rua, sem fichar, n&eacute;? Porque trabalhar para os outros &eacute; fichado, ent&atilde;o ambulante &eacute; trabalhar na rua</i>" (E36). A escolha sem&acirc;ntica de colocar que trabalhos formais s&atilde;o "para os outros" visa a destacar a autonomia do pr&oacute;prio trabalho, tendo como pressuposto impl&iacute;cito que o trabalho que n&atilde;o possui carteira assinada &eacute; para si mesmo. Por isso, E36 ressalta o aspecto que integra sua identifica&ccedil;&atilde;o como trabalhador, destacado pelo lexema "rua", representando o car&aacute;ter p&uacute;blico, aberto, din&acirc;mico, aut&ocirc;nomo e de incertezas de sua atividade. Dessa forma, a identidade do ambulante do tipo pipoqueiro se relaciona ao estar na rua e lidar com todos os tipos de adversidades que podem ocorrer. E, tendo em vista o car&aacute;ter din&acirc;mico que o trabalho desse tipo possibilita, a constru&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias identidades tamb&eacute;m acompanha essas descontinuidades e sofrem muta&ccedil;&otilde;es, conforme suportam Monteiro et al.  (2017).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O trabalho na rua ainda &eacute; colocado como o que permite, mesmo sem estudo, uma condi&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria de vida: "<i>Eu n&atilde;o tenho nenhuma profiss&atilde;o, s&oacute; tenho o quarto ano prim&aacute;rio, meu carrinho de pipoca fez formar minhas duas filhas</i> &#91;<i>na faculdade</i>&#93;<i>, a minha casa pr&oacute;pria. Me sinto bem como vendedor ambulante</i>" (E52). Mesmo se colocando como uma pessoa sem profiss&atilde;o e de baixa escolaridade, o entrevistado relaciona seu trabalho com as conquistas de formar duas filhas no ensino superior e de ter comprado sua casa pr&oacute;pria. Nesse aspecto, ele ressalta novamente a import&acirc;ncia dos estudos, posto que sua condi&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o permitia que desse continuidade nos seus, mas agora garantia que as filhas tivessem essa oportunidade. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Eu vejo assim, ser ambulante &eacute; muito desgastante, cansa demais. Acaba que a gente n&atilde;o tem hora para fazer nada, para almo&ccedil;ar. Voc&ecirc; ganha bem, mas voc&ecirc; tem que viver para isso, mas eu optei por trabalhar isso aqui porque o que eu ganho (em uma) loja eu viveria s&oacute; para aquilo ali, eu n&atilde;o ia pagar aluguel, n&atilde;o ia sair do aluguel nunca (E3).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao relatar sobre a identifica&ccedil;&atilde;o, E3 ressalta os aspectos negativos no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o pelos lexemas "desgastante", "cansa" e pela express&atilde;o "a gente n&atilde;o tem hora para fazer nada", remetendo &agrave; ideia de que ser pipoqueiro &eacute; lidar com uma rotina de exaust&atilde;o. Mesmo ressaltando que os ganhos financeiros s&atilde;o bons, o conectivo de oposi&ccedil;&atilde;o "mas" introduz aspectos negativos, seguido de um novo "mas" para apresentar os motivos que o levaram a exercer a profiss&atilde;o de ambulante. Dessa forma, a viv&ecirc;ncia e as raz&otilde;es que levaram o entrevistado a adotar a profiss&atilde;o de pipoqueiro se confundem com a forma com que ele se identifica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ao relatar que "<i>Ser um ambulante, &eacute; voc&ecirc; trabalhar com o que voc&ecirc; gosta</i>" (E47), o entrevistado diz se sentir satisfeito com a atividade que realiza, deixando impl&iacute;cito um sentimento de liberdade de escolha do exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o. Um outro aspecto importante, com base no di&aacute;rio de campo, &eacute; que muitos entrevistados se espantaram com essa pergunta, apresentando rea&ccedil;&otilde;es gestuais. Tal fato se justifica pela natureza pr&aacute;tica do trabalho, que para eles &eacute; trivial, o que nos fez parecer ing&ecirc;nuos ao questionarmos sobre o que significa ser ambulante. Al&eacute;m disso, talvez eles mesmos n&atilde;o tenham refletido sobre o significado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Um outro aspecto que pode ser apresentado de forma impl&iacute;cita &eacute; o fato de que esses trabalhadores, mesmo exercendo uma atividade de trabalho prec&aacute;ria com baixo prest&iacute;gio social, podem se sentir satisfeitos e realizados. Al&eacute;m disso, eles podem adotar a valoriza&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria como forma de resist&ecirc;ncia diante das hierarquias de profiss&otilde;es que s&atilde;o "mais" ou "menos" valorizadas, conforme nos embasa Cabana e Ichikawa (2017). Essa compreens&atilde;o impl&iacute;cita converge ainda com as "microrresist&ecirc;ncias" colocadas pelos mesmos autores como pr&aacute;ticas ocultas, quase invis&iacute;veis, de subverter as a&ccedil;&otilde;es dos dominantes;</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana">Olha, o ser um ambulante, n&atilde;o vou dizer para voc&ecirc; que &eacute; oportunidade, &#91;mas&#93; &eacute; necessidade, t&aacute; certo?! &Eacute; uma necessidade de voc&ecirc; ganhar seu p&atilde;o de cada dia porque n&atilde;o d&aacute; esse dinheiro favor&aacute;vel. &Eacute; porque voc&ecirc; n&atilde;o sabe fazer nada, eu tenho 65 anos... se eu perder meu trabalho aqui, quem vai me dar trabalho? N&atilde;o posso mais fazer nada, chego em casa de noite com corpo ruim de estar empurrando carrinho. Eu empurro dois carrinhos todo dia, s&atilde;o quatro viagens. Quando &eacute; de noite eu estou com os bra&ccedil;os mortos. Se eu sair daqui eu vou fazer o qu&ecirc;? Se eu perder meu carrinho, quem daria emprego pra mim? Ent&atilde;o tenho necessidade de ganhar o meu p&atilde;o de cada dia, ent&atilde;o &eacute; uma necessidade que para ser um ambulante &eacute; necessidade que n&oacute;s temos de trabalhar que n&oacute;s n&atilde;o sabe fazer outra coisa (E14).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana">A partir do trecho supracitado, &eacute; poss&iacute;vel compreender de forma expl&iacute;cita que E14 utiliza da refra&ccedil;&atilde;o do interdiscurso do empreendedorismo de oportunidade para qualificar o trabalho com a pipoca como necessidade. Dessa forma, seu discurso desconstr&oacute;i o trabalho com a pipoca como fonte de enriquecimento, colocando&#45;o como fonte &uacute;nica de trabalho para pessoas com baixo grau de instru&ccedil;&atilde;o e escolariza&ccedil;&atilde;o ao dizer "&eacute; porque voc&ecirc; n&atilde;o sabe fazer nada". </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O entrevistado E14 afirma inclusive que a atividade n&atilde;o oferece grandes ganhos, mas que, mesmo assim, &eacute; o que mant&eacute;m o "p&atilde;o de cada dia". O impl&iacute;cito &eacute; que, se ele pudesse, estaria trabalhando com uma outra profiss&atilde;o que exigisse menor esfor&ccedil;o f&iacute;sico. Al&eacute;m disso, para justificar o percurso sem&acirc;ntico do trabalho como necessidade, o entrevistado apresenta como condicionante a idade, quando afirma ter 65 anos e ser uma pessoa idosa que ainda precisa do trabalho para sustentar sua fam&iacute;lia. Estabelece&#45;se o interdiscurso com a realidade trabalhista de muitos idosos no pa&iacute;s que n&atilde;o conseguem empregos, j&aacute; que o mercado de trabalho est&aacute; em busca de pessoas jovens e n&atilde;o se interessa pela experi&ecirc;ncia e conhecimento de pessoas mais velhas. Por fim, E14 afirma empurrar dois carrinhos todos os dias, utilizando a met&aacute;fora dos "bra&ccedil;os mortos" para tornar expl&iacute;cito o quanto faz parte da identifica&ccedil;&atilde;o do pipoqueiro uma rotina de intenso esfor&ccedil;o f&iacute;sico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Contemplando a import&acirc;ncia de destacarmos sujeitos por vezes n&atilde;o vistos e silenciados, o objetivo deste trabalho foi de compreendermos o que &eacute; ser um trabalhador pipoqueiro na cidade de Belo Horizonte, como &eacute; constru&iacute;da a identifica&ccedil;&atilde;o com esse trabalho e quais s&atilde;o as pr&aacute;ticas cotidianas que envolvem a profiss&atilde;o. Buscamos compreender, vivenciar, participar, investigar, refletir, questionar as a&ccedil;&otilde;es que oportunizam aos trabalhadores a resist&ecirc;ncia, visando ampliar os estudos sobre as pr&aacute;ticas e t&aacute;ticas cotidianas, assumindo a necessidade de manuten&ccedil;&atilde;o ampliada da vida. Seguimos a perspectiva de Ara&uacute;jo e Morais (2017), Cabana e Ichikawa (2017) e Certeau (1994) e afirmamos que a pr&oacute;pria realiza&ccedil;&atilde;o da atividade de trabalho aqui analisada se refere a uma t&aacute;tica, ast&uacute;cia criativa diante das imposi&ccedil;&otilde;es, leis e regras do sistema capitalista. Por conseguinte, assumimos que as formas de sobreviv&ecirc;ncia utilizadas no cotidiano impactam as identifica&ccedil;&otilde;es dos sujeitos, uma articula&ccedil;&atilde;o vari&aacute;vel por meio das t&aacute;ticas cotidianas, permitindo prover o sustento de fam&iacute;lias e a manuten&ccedil;&atilde;o de neg&oacute;cios.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Para tal, introduzimos as reflex&otilde;es sobre o cotidiano, sendo ponderado como o lugar din&acirc;mico de possibilidades, encontrando modos distintos de fazer que permitem a constante inven&ccedil;&atilde;o e reinven&ccedil;&atilde;o (Certeau, 1994), tornando&#45;se o lugar de constru&ccedil;&atilde;o criativa por parte dos sujeitos. Atentamos ainda para o cotidiano como arena de possibilidades e, por isso, associamos a discuss&atilde;o com formas perspicazes de sobreviv&ecirc;ncia da economia proveniente dos setores populares <i>diante das</i> crises do sistema capitalista que imp&otilde;em um processo de desindustrializa&ccedil;&atilde;o aos trabalhadores do Brasil (Kraychete, 2016). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Baseamo&#45;nos em Santos e Deluiz (2009) e Tiriba (2013) e afirmamos que as formas de enfrentamento do desemprego procuram se distanciar da l&oacute;gica de acumula&ccedil;&atilde;o do capital, tendo como necessidade a sobreviv&ecirc;ncia imediata, mas sem que isso resulte, necessariamente, na supera&ccedil;&atilde;o das contradi&ccedil;&otilde;es do sistema econ&ocirc;mico atual. Concebemos, com base em Duclos (2017), que a luta para satisfa&ccedil;&atilde;o de necessidades materiais b&aacute;sicas e reprodu&ccedil;&atilde;o ampliada da vida articula reconfigura&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas, sociais e pol&iacute;ticas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em Serres (2000), Fernandes et al.  (2009) e Vogt e Louren&ccedil;o (2017) nos embasamos para compreendermos que as identidades s&atilde;o influenciadas pelo contexto social e pela &eacute;poca hist&oacute;rica, reafirmando o car&aacute;ter m&uacute;ltiplo e diverso das identidades, tendo em vista suas possibilidades de pertencimentos. Assumimos, ent&atilde;o, neste trabalho, n&atilde;o a exist&ecirc;ncia de uma identidade, mas de identifica&ccedil;&otilde;es, sugerindo formas diversas de ser pipoqueiro no cotidiano. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Com a an&aacute;lise dos dados obtidos por meio da An&aacute;lise do Lingu&iacute;stica do Discurso (ALD), debru&ccedil;amo&#45;nos sobre o percurso sem&acirc;ntico "cotidiano e identifica&ccedil;&otilde;es: ser ambulante e a <i>necessidade de</i> trabalhar", presumindo o cotidiano como aquele que interfere e &eacute; fundamental para a constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es dos pipoqueiros. Como vimos, os resultados obtidos sugerem a influ&ecirc;ncia afetiva no in&iacute;cio das atividades na profiss&atilde;o, levando&#45;nos a afirmar a exist&ecirc;ncia de uma rede de parentesco no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o como forma de atendimento das condi&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas de vida. Al&eacute;m da pr&oacute;pria luta pela sobreviv&ecirc;ncia, parte do cotidiano desses sujeitos, afirmamos ainda que a din&acirc;mica afetiva tamb&eacute;m influencia na constru&ccedil;&atilde;o das identifica&ccedil;&otilde;es desses trabalhadores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> O fato de o trabalho estar envolto por incertezas e adversidades da rua e de alguns entrevistados considerarem o trabalho como necessidade fez com que, para caracterizarmos as identifica&ccedil;&otilde;es do pipoqueiro, respeit&aacute;ssemos as dificuldades na realiza&ccedil;&atilde;o da profiss&atilde;o, embutida em um cotidiano de exaust&atilde;o. Ao mesmo tempo, a autonomia proporcionada pelo exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o tamb&eacute;m auxilia na composi&ccedil;&atilde;o dessas identifica&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O modo com que os trabalhadores pipoqueiros reagiam &agrave; pergunta sobre o que &eacute; ser pipoqueiro no cotidiano nos chamou aten&ccedil;&atilde;o, sendo poss&iacute;vel afirmar que, mesmo que n&oacute;s, pesquisadores, assum&iacute;ssemos, em um primeiro momento, que a identifica&ccedil;&atilde;o com a profiss&atilde;o envolveria a total insatisfa&ccedil;&atilde;o com as atividades realizadas, a afirmativa parece n&atilde;o se concretizar por completo, j&aacute; que, para alguns deles, a atividade &eacute; satisfat&oacute;ria e permite a realiza&ccedil;&atilde;o profissional. Ademais, o espanto pela realiza&ccedil;&atilde;o da pergunta surge por eles serem instigados a falar de algo pr&aacute;tico e trivial, revelando at&eacute; mesmo uma aus&ecirc;ncia de reflex&atilde;o sobre o que &eacute; ser, para eles mesmos, pipoqueiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Afirmamos a relev&acirc;ncia deste trabalho ao discutirmos o exerc&iacute;cio de uma profiss&atilde;o exercida nas ruas, sem quaisquer garantias trabalhistas e, por vezes, sem condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas de trabalho, assunto que raramente &eacute; abordado nos estudos dominantes. Estudar os pipoqueiros possibilitou refletir sobre as diversas formas de utiliza&ccedil;&atilde;o dos recursos por indiv&iacute;duos muitas vezes exclu&iacute;dos do mercado formal de trabalho, pautando seus contextos hist&oacute;ricos e sociais. Dessa maneira, foi poss&iacute;vel repercutirmos sobre formas populares de organiza&ccedil;&atilde;o, frutos da interven&ccedil;&atilde;o humana nas cidades, que permitem a produ&ccedil;&atilde;o e reprodu&ccedil;&atilde;o de saberes &uacute;nicos que se encontram encobertos nos espa&ccedil;os das grandes cidades. Assim como Monteiro et al. (2017), nosso trabalho julga ainda relevante o estudo de outros sujeitos e profiss&otilde;es marginalizadas e invis&iacute;veis, ressaltando a import&acirc;ncia de dar cr&eacute;dito a saberes n&atilde;o hegem&ocirc;nicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Por fim, argumentamos que n&atilde;o se deve conceber o conhecimento somente em formas imperativas que auxiliam a silenciar o j&aacute; silenciado. Esses sujeitos invis&iacute;veis que os estudos dominantes insistem em negligenciar comp&otilde;em as diversas formas de constru&ccedil;&atilde;o de saberes. Da&iacute; a import&acirc;ncia de sobrelevarmos esses "outros", j&aacute; que &eacute; nessa diversidade que se encontram formas enriquecedoras de se conceber e desconstruir as hierarquias de saberes. O descompromisso com a l&oacute;gica hierarquizante dos conhecimentos cient&iacute;ficos faz ressurgir e subverter formas universais e homog&ecirc;neas de conhecer a realidade, possibilitando com que o chamado "outro" abale as estruturas acad&ecirc;micas, permitindo m&uacute;ltiplas significa&ccedil;&otilde;es que autorizem o surgimento de novos significados. S&atilde;o esses tipos de trabalhos e trabalhadores, n&atilde;o vistos e desprestigiados, que sugerimos como foco de investiga&ccedil;&atilde;o de trabalhos futuros.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Acu&ntilde;a, E. &amp; Sanfuentes, M. (2016). Ambiguity in the identity transformation of public health organizations. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>, <i>56 </i>(3), 330&#45;341.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555471&pid=S1516-3717201800020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Aguiar, A. R. C. &amp; Carrieri, A. P. (2016). "&Aacute;gua de lona" e "sangue de serragem" nos discursos de sujeitos circenses. <i>Organiza&ccedil;&otilde;es &amp; Sociedade</i>, <i>23 </i>(77), 247&#45;262.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555473&pid=S1516-3717201800020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ara&uacute;jo, M. R. &amp; Morais, K. R. S. (2017). Precariza&ccedil;&atilde;o do trabalho e o processo de derrocada do trabalhador. <i>Cadernos de Psicologia Social do Trabalho</i>, <i>20 </i>(1), 1&#45;13.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555475&pid=S1516-3717201800020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Barros, A. &amp; Carrieri, A. P. (2015). O cotidiano e a hist&oacute;ria: construindo novos olhares na administra&ccedil;&atilde;o. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o de Empresas</i>, <i>55</i> (2), 151&#45;161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555477&pid=S1516-3717201800020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Cabana, R. P. L. &amp; Ichikawa, E. Y. (2017). As identidades fragmentadas no cotidiano da Feira do Produtor de Maring&aacute;. <i>Organiza&ccedil;&otilde;es &amp; Sociedade</i>, <i>24</i> (81), 285&#45;304.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555479&pid=S1516-3717201800020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Cantoral&#45;Cantoral, G. (2016). Vida cotidiana: uso/ocupaci&oacute;n del tiempo/espacio y reconfiguraci&oacute;n identitaria de g&eacute;nero en San Crist&oacute;bal de Las Casas, Chiapas. <i>LiminaR. Estudios Sociales y Human&iacute;sticos</i>, <i>14</i> (2), 70&#45;84.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555481&pid=S1516-3717201800020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Campos, I. &amp; Davel, E. P. B. (2018). Empreendedorismo cultural, aprendizagem e identidade territorial: o desbravamento de jovens m&uacute;sicos do nordeste de Amaralina<i>. Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e Gest&atilde;o Social</i>, <i>10</i> (1), 66&#45;77.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555483&pid=S1516-3717201800020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Cardoso, M. A. F., Hanashiro, D. M. M. &amp; Barros, D. L. P. (2016). Um caminho metodol&oacute;gico pela an&aacute;lise semi&oacute;tica de discurso para pesquisas em identidade organizacional. <i>Cadernos EBAPE.BR</i>, <i>14 </i>(2), 351&#45;376.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555485&pid=S1516-3717201800020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Carrieri, A. P., Santos, J. V. P., Pereira, V. F. &amp; Martins, T. S. (2016). Pesquisa hist&oacute;rica em Administra&ccedil;&atilde;o: a (re)constru&ccedil;&atilde;o identit&aacute;ria da Galeria do Ouvidor em Belo Horizonte (MG). <i>Revista de Ci&ecirc;ncias da Administra&ccedil;&atilde;o</i>, <i>18 </i>(46), 9&#45;22.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555487&pid=S1516-3717201800020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Certeau, M. (1994). <i>A inven&ccedil;&atilde;o do cotidiano: 1. artes de fazer</i>. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Coraggio, J. L. (2018). <i>&iquest;</i>Qu&eacute; hacer desde la econom&iacute;a popular ante la situaci&oacute;n actual? <i>Ediciones IDELCOOP</i>, 224, 13&#45;26.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555490&pid=S1516-3717201800020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Correa, M. V. P. &amp; Louren&ccedil;o, M. L. (2016). A constitui&ccedil;&atilde;o da identidade dos professores de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o stricto sensu em duas institui&ccedil;&otilde;es de ensino superior: um estudo baseado nas rela&ccedil;&otilde;es de poder e pap&eacute;is em organiza&ccedil;&otilde;es. <i>Cadernos EBAPE.BR</i>, <i>14</i> (4), 858&#45;871.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555492&pid=S1516-3717201800020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Costa, M. S. (2010). Trabalho informal: um problema estrutural b&aacute;sico no entendimento das desigualdades na sociedade brasileira. <i>Caderno CRH</i>, <i>23</i> (58), 171&#45;190.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555494&pid=S1516-3717201800020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Duclos, M. (2017). La (re)socializaci&oacute;n desde abajo. Socialidades alternativas y nuevas econom&iacute;as populares en el caso de los mercados de pulgas informales de Par&iacute;s, Francia. <i>Revista de Antropolog&iacute;a y Arqueolog&iacute;a</i>, <i>29</i> (1), 199&#45;215.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555496&pid=S1516-3717201800020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Ettinger, V. M. T. M., Jesus J&uacute;nior, G., Setenta, A. M. &amp; Cavalcante, A. L. (2015). Cultura, identidade e g&ecirc;nero: tecendo a rede de mulheres de comunidades extrativistas e pesqueiras do sul da Bahia. <i>Revista Interdisciplinar de Gest&atilde;o Social</i>, <i>4</i> (3), 151&#45;179.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555498&pid=S1516-3717201800020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Faria, A. A. M. &amp; Linhares, P. T. F. S. (1993). O pre&ccedil;o da passagem no discurso de uma empresa de &ocirc;nibus. <i>Cadernos de Pesquisa</i>, <i>10</i>, 32&#45;38.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555500&pid=S1516-3717201800020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fernandes, B. S. F. &amp; Costa, S. C. D. (2018). Economia popular, des/colonialidade do poder e economia solid&aacute;ria: notas para um debate latino&#45;americano<i>. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais</i>, <i>20</i> (2), 254&#45;268.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555502&pid=S1516-3717201800020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Fernandes, M. E. R., Marques, A. L. &amp; Carrieri, A. P. (2010). Elementos para a compreens&atilde;o dos estudos de identidade em teoria organizacional. In A. P. Carrieri, <i>Identidade nas organiza&ccedil;&otilde;es</i> (pp. 73&#45;86). Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555504&pid=S1516-3717201800020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gonz&aacute;lez Rey, F. (2005). <i>Pesquisa qualitativa e subjetividade: os processos de constru&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Cengage Learning.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555506&pid=S1516-3717201800020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gomes, J. O., Fantinel, L. D., Palassi, M. P. &amp; Silva, A. R. L. (2016). Identifica&ccedil;&atilde;o e alteridade na identidade organizacional de uma organiza&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. <i>Administra&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica e Gest&atilde;o Social</i>, <i>8 </i>(4), 257&#45;269.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555508&pid=S1516-3717201800020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gouv&ecirc;a, J. B., Cabana, R. P. L. &amp; Ichikawa, E. Y. (2018). As hist&oacute;rias e o cotidiano das organiza&ccedil;&otilde;es: uma possibilidade de dar ouvidos &agrave;queles que o discurso hegem&ocirc;nico cala. <i>Farol &#150; Revista de Estudos Organizacionais e Sociedade</i>, <i>5 </i>(12), 297&#45;347.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555510&pid=S1516-3717201800020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Gouv&ecirc;a, J. B. &amp; Ichikawa, E. Y. (2015). Micropr&aacute;ticas cotidianas: A voz silenciosa dos indiv&iacute;duos em oposi&ccedil;&atilde;o ao formalmente estabelecido na gest&atilde;o cooperativa. Uma reflex&atilde;o te&oacute;rica. <i>Perspectivas Contempor&acirc;neas</i>, <i>10</i> (2), 92&#45;107.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555512&pid=S1516-3717201800020000500022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Guiraldelli, R. (2014). Trabalho, trabalhadores e quest&atilde;o social na sociabilidade capitalista. <i>Cadernos de Psicologia Social do Trabalho</i>, <i>17</i> (1), 101&#45;115.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555514&pid=S1516-3717201800020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Kraychete, G. (2016). Categorias de an&aacute;lise do mundo do trabalho e din&acirc;mica da economia dos setores populares: ader&ecirc;ncias e disjun&ccedil;&otilde;es. <i>Cadernos do CEAS</i>, (239), 892&#45;910.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555516&pid=S1516-3717201800020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Kraychete, G., Lara, X. &amp; Costa, B. (2000). Economia dos setores populares: entre a realidade e a utopia. In G. Kraychete, <i>Economia dos setores populares: entre a realidade e a utopia</i> (15&#45;38). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555518&pid=S1516-3717201800020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Marins, S. R. &amp; Ipiranga, A. S. R. (2017). O organizar ampliado de pr&aacute;ticas cotidianas nos bairros da cidade. <i>Farol &#150; Revista de Estudos Organizacionais e Sociedade</i>, <i>4</i> (9), 148&#45;204.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555520&pid=S1516-3717201800020000500026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Minist&eacute;rio do Trabalho e Emprego. (2002). <i>Classifica&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ocupa&ccedil;&otilde;es: CBO 2002</i>. Bras&iacute;lia: Secretaria de Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas de Emprego.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555522&pid=S1516-3717201800020000500027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Monteiro, D. F. B., Pereira, V. J., Oliveira, L. L., Lima, O. L. &amp; Carrieri, A. P. (2017). O trabalho sujo com a morte: o estigma e a identidade no of&iacute;cio de coveiro. <i>Revista Interdisciplinar de Gest&atilde;o Social</i>, <i>6 </i>(1), 77&#45;98.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555524&pid=S1516-3717201800020000500028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Rodrigues, F. S. &amp; Ichikawa, E. Y. (2015). O cotidiano de um catador de material recicl&aacute;vel: a cidade sob o olhar do homem ordin&aacute;rio. <i>Revista de Gest&atilde;o Social e Ambiental</i>, <i>9 </i>(1), 97&#45;112.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555526&pid=S1516-3717201800020000500029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Rodrigues, F., Cassandre, M. P. &amp; Ichikawa, E. Y. (2017). Discussing the choices of the change laboratory's participants: a look into the ordinary man. <i>RACE &#150; Revista de Administra&ccedil;&atilde;o, Contabilidade e Economia</i>, <i>16 </i>(3), 867&#45;884.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555528&pid=S1516-3717201800020000500030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Santiago, C. E. P. &amp; Vasconcelos, A. M. N. (2017). Do catador ao doutor: um retrato da informalidade do trabalhador por conta pr&oacute;pria no Brasil. <i>Nova Economia</i>, <i>27</i> (2), 213&#45;246.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555530&pid=S1516-3717201800020000500031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Santos, A. M. M. &amp; Deluiz, N. (2009). Economia popular e educa&ccedil;&atilde;o: percursos de uma cooperativa de reciclagem de lixo no Rio de Janeiro. <i>Trabalho, Educa&ccedil;&atilde;o e Sa&uacute;de</i>, <i>7</i> (2), 329&#45;353.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555532&pid=S1516-3717201800020000500032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Saraiva, L. A. S., Carrieri, A. P. &amp; Soares, A. S. (2014). Territorialidade e identidade nas organiza&ccedil;&otilde;es: o caso do Mercado Central de Belo Horizonte. <i>RAM &#150; Revista de Administra&ccedil;&atilde;o Mackenzie</i>, <i>15 </i>(2), 97&#45;126.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555534&pid=S1516-3717201800020000500033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Saraiva, L. A. S., Carrieri, A. P., Enoque, A. &amp; Gandolfi, P. (2010). Identidade nas organiza&ccedil;&otilde;es: uma quest&atilde;o pol&ecirc;mica em curso. In A. P. Carrieri, L. A. S. Saraiva, A. G. Enoque, P. E. Gandolfi (Orgs.). <i>Identidade nas organiza&ccedil;&otilde;es </i>(pp. 183&#45;186). Curitiba: Juru&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555536&pid=S1516-3717201800020000500034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Serres, M. (2000). Novas tecnologias e sociedade pedag&oacute;gica. <i>Interface &#150; Comunica&ccedil;&atilde;o, Sa&uacute;de, Educa&ccedil;&atilde;o</i>, <i>4 </i>(6), 129&#45;142.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555538&pid=S1516-3717201800020000500035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Sim&otilde;es Souza, L. (2017). Cultura, identidade e desenvolvimento local: o "Me Conta" e o M&eacute;dio Rios das Contas. <i>Revista de Gest&atilde;o Social e Ambiental</i>, <i>11</i>, 107&#45;123.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555540&pid=S1516-3717201800020000500036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Souza, J. (2009). <i>A ral&eacute; brasileira: quem &eacute; e como vive</i>. Belo Horizonte: Editora UFMG.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555542&pid=S1516-3717201800020000500037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Souza, E. M. (2017). A teoria <i>queer</i> e os estudos organizacionais: revisando conceitos sobre identidade. <i>Revista de Administra&ccedil;&atilde;o Contempor&acirc;nea</i>, <i>21 </i>(3), 308&#45;326.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555544&pid=S1516-3717201800020000500038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Souza, M. M P. &amp; Carrieri, A. P. (2012). Identidades, pr&aacute;ticas discursivas e os estudos organizacionais: uma proposta te&oacute;rico&#45;metodol&oacute;gica. <i>Cadernos EBAPE.BR</i>, <i>10</i> (1), 40&#45;64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555546&pid=S1516-3717201800020000500039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Souza, M. M. P. &amp; Carrieri, A. P. (2014). A an&aacute;lise do discurso em estudos organizacionais. In E. M. Souza, <i>Metodologias e anal&iacute;ticas qualitativas em pesquisa organizacional: uma abordagem te&oacute;rico&#45;conceitual </i>(pp. 13&#45;38).  Vit&oacute;ria: Edufes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555548&pid=S1516-3717201800020000500040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Teixeira, J. T., Saraiva, L. A. S. &amp; Carrieri, A. P. (2015). Os lugares das empregadas dom&eacute;sticas. <i>Organiza&ccedil;&otilde;es &amp; Sociedade</i>, <i>22 </i>(72), 161&#45;178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555550&pid=S1516-3717201800020000500041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Tiriba, L. (2013). Economia popular e produ&ccedil;&atilde;o de uma nova cultura do trabalho: contradi&ccedil;&otilde;es e desafios frente &agrave; crise do trabalho assalariado. In G. Frigotto, <i>Educa&ccedil;&atilde;o e crise do trabalho</i>: <i>perspectivas de final de s&eacute;culo</i> (pp. 189&#45;216). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555552&pid=S1516-3717201800020000500042&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Van Vuuren, M., Teurlings, J. &amp; Bohlmeijer, E. T. (2012). Shared fate and social comparison: Identity work in the context of a stigmatized occupation. <i>Journal of Management &amp; Organization</i>, <i>18 </i>(1), 263&#45;280.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555554&pid=S1516-3717201800020000500043&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Vogt, S. &amp; Louren&ccedil;o, M. L. (2017). A identidade e cultura organizacional: o processo de identifica&ccedil;&atilde;o dos alunos de programas de p&oacute;s&#45;gradua&ccedil;&atilde;o stricto sensu em administra&ccedil;&atilde;o em institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas.<i> Revista de Educa&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Cultura</i>&cedil; <i>22</i> (1), 61&#45;80.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555556&pid=S1516-3717201800020000500044&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Xavier, D. G. P., Falc&atilde;o, J. T. R. &amp; Torres, C. C. (2015). Caracteriza&ccedil;&atilde;o da atividade laboral de trabalhadores informais em praia de Natal (RN) &#150; Brasil. <i>Cadernos de Psicologia Social do Trabalho</i>, <i>18 </i>(1), 29&#45;45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555558&pid=S1516-3717201800020000500045&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">Zegada, M. T. (2014). La economia popular: sociedade civil privatizada em la era global. <i>Punto Cero</i>, <i>19</i> (29), 69&#45;76.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=555560&pid=S1516-3717201800020000500046&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><a name="end"></a><a href="#title"><img src="/img/revistas/cpst/v20n2/seta.jpg" border="0"></a><b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b>    <br>   <a href="mailto:correiagfa@gmail.com">correiagfa@gmail.com</a>    <br>   <a href="mailto:higorgomes.pereira@gmail.com">higorgomes.pereira@gmail.com</a>    <br>   <a href="mailto:alexandre@face.ufmg.br">alexandre@face.ufmg.br</a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido em: 16/10/2018    <br>   Revisado em: 16/03/2019    <br>   Aprovado em: 19/042019</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a id="nt01" href="#tx01">1</a> Mestrando em Administra&ccedil;&atilde;o (Cepead/UFMG), bacharel em Administra&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal de Minas Gerais.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a id="nt02" href="#tx02">2</a> Bacharel em Administra&ccedil;&atilde;o pela Universidade Federal de Minas Gerais.    <br>   <a id="nt03" href="#tx03">3</a> Doutor em Administra&ccedil;&atilde;o (Cepead/UFMG), professor titular da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenador do N&uacute;cleo de Estudos Organizacionais e Sociedade.</font></p>      ]]></body>
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