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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Marcos Jos&eacute; M&uuml;ller-Granzotto</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Federal de SantaCatarina (UFSC)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <a name="topo"></a><a href="#end">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ernildo Stein, 2001: <I>Compreens&atilde;o e finitude - estrutura e movimento da  interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana. </I>Iju&iacute; (RS), Uniju&iacute;  (Col. Ensaios - Pol&iacute;tica e Filosofia).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 28 de junho de 1968, Ernildo Stein defendeu, na  Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a  tese de livre doc&ecirc;ncia intitulada, <I>Compreens&atilde;o e  finitude,</I> a qual foi considerada, naquela ocasi&atilde;o,  &quot;a introdu&ccedil;&atilde;o mais inteligente  e penetrante na `inten&ccedil;&atilde;o  fundamental' de Heidegger (Stein, 2001, pp.  9-10)&quot;, conforme declara&ccedil;&atilde;o de  Henrique Lima Vaz em carta dirigida ao  pr&oacute;prio Stein aos 10 dias de agosto de  1967. Trata-se da concretiza&ccedil;&atilde;o de  um projeto que o pr&oacute;prio Heidegger, ao saber das inten&ccedil;&otilde;es de  Stein, considerou &quot;muito dif&iacute;cil&quot; (ibid., p.  19). Afinal, Stein deveria mostrar que, n&atilde;o obstante os diferentes pontos de vista</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">assumidos por Heidegger nas obras compreendidas entre a publica&ccedil;&atilde;o  de <I>Sein und Zeit </I>(1927) e a publica&ccedil;&atilde;o  do artigo &quot;La fin de la philosophie et la tache de la pens&eacute;e&quot; (1966), a  estrutura da interroga&ccedil;&atilde;o pelo sentido do  ser permaneceu a mesma. O que permitiria a Stein falar da  obra heideggeriana como o movimento de uma  s&oacute; interroga&ccedil;&atilde;o. E, conforme  penso, mesmo n&atilde;o tendo se permitido  suspeitar das interpreta&ccedil;&otilde;es heideggerianas  a respeito da hist&oacute;ria da filosofia e a respeito das inten&ccedil;&otilde;es de  Husserl, Stein logrou mostrar, na intimidade dos textos de Heidegger, a  exist&ecirc;ncia dessa estrutura e desse movimento  &uacute;nicos e que j&aacute; no t&iacute;tulo do livro  est&atilde;o didaticamente indicados:  &quot;compreens&atilde;o&quot; e &quot;finitude&quot;.  </font></p>    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seu livro, Stein defende a interpreta&ccedil;&atilde;o de que a  originalidade da obra de Heidegger &eacute; menos evidente pelas vigorosas an&aacute;lises  que o fil&oacute;sofo realiza da metaf&iacute;sica do  que pela considera&ccedil;&atilde;o da estrutura e  do movimento de sua interroga&ccedil;&atilde;o  pelo sentido do ser. Tal estrutura e tal movimento, acredita Stein,  s&atilde;o correlativos &agrave; postura heideggeriana</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">de assumir, contrariamente  &agrave; pretens&atilde;o de atemporalidade que caracteriza a pergunta pelo  ser desenvolvida na tradi&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica,  a finitude do pr&oacute;prio interrogar. Stein adverte, entretanto, que finitude  n&atilde;o &eacute; para Heidegger a pura  conting&ecirc;ncia, a f&oacute;rmula inversa de uma  inst&acirc;ncia apod&iacute;ctica, seja ela uma id&eacute;ia  advent&iacute;cia, um princ&iacute;pio transcendental ou  uma teleologia historicamente desdobrada. Finitude implica, sim, a  condi&ccedil;&atilde;o temporal da interroga&ccedil;&atilde;o que, ao se  voltar para o ser dos entes, simultaneamente vela o que nela pr&oacute;pria se desvela,  a saber, sua pr&eacute;via compreens&atilde;o sobre  o ser. Finitude, portanto, &eacute; o modo temporal de emerg&ecirc;ncia do ser  num contexto de circularidade hermen&ecirc;utica pr&oacute;prio &agrave; interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser.  E segundo Stein, j&aacute; em <I>Sein und Zeit  </I>(1927), a anal&iacute;tica da compreens&atilde;o  do ser, estabelecida por meio das estruturas do ser-a&iacute;, indicava  a presen&ccedil;a pr&eacute;via do ser, do sentido  do ser, de tal modo que aquilo que se estava a procurar, j&aacute; se devia  admitir como dado na procura (2001, p. 264). Se essa presen&ccedil;a pr&eacute;via, por sua  vez, n&atilde;o p&ocirc;de ser tabulada nos termos  de uma ontologia fundamental, tal se deveu &agrave; limita&ccedil;&atilde;o da  linguagem anal&iacute;tica para acompanhar o modo temporal de manifesta&ccedil;&atilde;o do  ser (2001, p. 337). De onde se seguiu, alguns anos ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o de  <I>Sein und Zeit </I>(1927), a viravolta  da interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana, que em  vez de se dirigir ao sentido do ser, passou a ser apresentada desde o sentido,  como a express&atilde;o do ser. Heidegger  ent&atilde;o n&atilde;o mais se perguntaria pelo  tempo enquanto sentido do ser, mas pelo ser do tempo, que &eacute; a historicidade  da pr&oacute;pria interroga&ccedil;&atilde;o, aqu&eacute;m de  toda pretens&atilde;o metaf&iacute;sica de  apoditicidade. Eis em que sentido, ent&atilde;o, Stein  p&ocirc;de falar de uma originalidade estrutural da obra heideggeriana, que  consistiria na fidelidade da interroga&ccedil;&atilde;o  &agrave; situa&ccedil;&atilde;o circular de retorno a  um fundante que, entretanto, se furta; desvelamento de uma origem  que, dessa forma, acaba sendo velada: ser como <I>a-l&eacute;theia.  </I>Eis em que sentido, por outro lado, Stein p&ocirc;de falar da  coer&ecirc;ncia interna do movimento operado pela interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana, e  que outra coisa n&atilde;o seria sen&atilde;o a  viravolta ante sua pr&oacute;pria finitude. De  algum modo, a presen&ccedil;a de um fundante que se apresenta, mas n&atilde;o se  deixa apreender pela interroga&ccedil;&atilde;o, exige,  da interroga&ccedil;&atilde;o, a considera&ccedil;&atilde;o  dela mesma enquanto aquilo que &eacute; fundado.  </font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O livro de Stein &eacute; o  mapeamento das diversas formula&ccedil;&otilde;es por cujo  meio Heidegger procurou caracterizar a finitude implicada na pergunta  pelo ser. Tal mapeamento est&aacute; realizado em quatro partes, que t&ecirc;m como  t&iacute;tulo, respectivamente, &quot;A  <I>aletheia</I>&quot;, &quot;A fenomenonologia&quot;, &quot;O  c&iacute;rculo hermen&ecirc;utico&quot; e a &quot;Viravolta&quot;.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na primeira parte, Stein ocupa-se da palavra que, no seu  entender, exprime a unidade do pensamento, a const&acirc;ncia do caminhar e a  inspira&ccedil;&atilde;o fundamental de Heidegger. Trata-se  da palavra <I>aletheia</I>, a qual, simultaneamente, envolve a pergunta pelo sentido do ser e pela verdade  no horizonte de uma ontologia da finitude. Segundo Stein, a  palavra &quot;aletheia cria as possibilidades e a atmosfera em que se desenvolve  o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico, a anal&iacute;tica  da circularidade do ser-a&iacute; e o movimento da viravolta, caracterizando  um conceito de finitude e compreens&atilde;o tipicamente heideggerianos  (2001, p. 55)&quot;. Isso porque a palavra  <I>aletheia </I>cont&eacute;m em si, de modo flagrante, a possibilidade de se  pensar essa ambival&ecirc;ncia, esse movimento de inclina&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca entre o  velamento e o desvelamento, que caracteriza o modo temporal (finito)  de manifesta&ccedil;&atilde;o do ser no seio da circularidade hermen&ecirc;utica  da interroga&ccedil;&atilde;o. Por meio de uma  leitura fenomenol&oacute;gica - que privilegia a descri&ccedil;&atilde;o das intui&ccedil;&otilde;es inerentes  &agrave; experi&ecirc;ncia de leitura em  detrimento do formalismo das an&aacute;lises  gen&eacute;ticas e etimol&oacute;gicas - Heidegger identificou, entre os gregos,  uma compreens&atilde;o pr&eacute;-filos&oacute;fica do sentido da palavra <I>aletheia. </I>Nos termos  dessa pr&eacute;-compreens&atilde;o, os gregos empregavam  <I>aletheia </I>para falar da verdade, mas de uma verdade que  n&atilde;o &eacute; correspond&ecirc;ncia ou adequa&ccedil;&atilde;o a  um ente. A <I>aletheia </I>- enquanto  &quot;verdade&quot; - teria rela&ccedil;&atilde;o com o desvelamento  de uma presen&ccedil;a que, tendo sido esquecida em proveito dos entes  que a revelaram ou em decorr&ecirc;ncia da metaf&iacute;sica que s&oacute; se interessa  pelos entes, retorna como pr&eacute;via compreens&atilde;o impl&iacute;cita &agrave;  interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser daqueles mesmos entes.  A <I>aletheia, </I>assim compreendida, seria o desvelamento de uma  presen&ccedil;a ambivalente. Por um lado, tal  presen&ccedil;a &eacute; o que cai no esquecimento  (<I>lethe</I>) - seja para que os entes  apare&ccedil;am (sentido positivo do  esquecimento), seja porque a investiga&ccedil;&atilde;o  metaf&iacute;sica dos entes obnubilou a diferen&ccedil;a  entre ser e ente (sentido negativo de esquecimento). Mas, por outro  lado, essa presen&ccedil;a &eacute; o que &eacute; desvelado  na interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser dos entes,  n&atilde;o como ente, mas como pr&eacute;via compreens&atilde;o sobre o ser. De onde  se depreendeu, segundo Stein, a possibilidade para  Heidegger estabelecer a diferen&ccedil;a  ontol&oacute;gica entre &quot;ser&quot; e &quot;ente&quot;, pensar o  car&aacute;ter circular da interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser  e, fundamentalmente, compreender o sentido temporal e, por essa  raz&atilde;o, finito, dessa presen&ccedil;a que a interroga&ccedil;&atilde;o simultaneamente vela  e desvela. Ademais, acrescenta Stein, &eacute; por meio da palavra  <I>aletheia </I>que Heidegger p&ocirc;de compreender,  nos textos posteriores a <I>Sein und Zeit, </I>a ambival&ecirc;ncia radical de  outras palavras gregas que indicam, por sua vez, os grandes temas da hist&oacute;ria  da metaf&iacute;sica, - e que n&atilde;o por acaso Heidegger passou a chamar de  hist&oacute;ria do esquecimento do ser -, quais  sejam aquelas palavras: <I>physis </I>e<I> logos.</I> Em seu estudo sobre a ess&ecirc;ncia e o  conceito de p<I>hysis </I>(&quot;Vom Wesen und Begriff  der Physis&quot;) lembra Stein, Heidegger (1958) reconhece haver, na no&ccedil;&atilde;o  de <I>physis, </I>a mesma ambival&ecirc;ncia caracter&iacute;stica da  <I>aletheia. </I>Assim como posso falar de uma presen&ccedil;a  <I>(ousia) </I>que se apresenta e se oculta como  <I>aletheia, </I>posso falar de algo que se abre e  se fecha (<I>kryptesthai) </I>como <I>physis</I>, de  onde a tradu&ccedil;&atilde;o heideggeriana do fragmento 123 de Her&aacute;clito  nos seguintes termos: &quot;A emerg&ecirc;ncia (a partir do velar-se) deve seu favor  ao velar-se (<I>physis kryptesthai philei)&quot;  </I>(2001, p. 110). Do mesmo modo, lembra Stein, Heidegger estabelece  a conson&acirc;ncia e depend&ecirc;ncia ente <I>logos  </I>e <I>aletheia. </I>Nas palavras de Heidegger - citadas e traduzidas  por Stein  (ibid., p. 112) - &quot;O logos &eacute; um recolher,  um p&ocirc;r na presen&ccedil;a, e, assim, ao  mesmo tempo, um abrigar. Logos aponta para o velamento e desvelamento&quot;.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na segunda parte do livro, Stein se ocupa do tema  &quot;fenomenologia&quot;, querendo com ele caracterizar  o &quot;m&eacute;todo&quot; espec&iacute;fico e constante  com o qual Heidegger procurou abordar a quest&atilde;o que, n&atilde;o obstante  haver compreendido, Husserl n&atilde;o soube responder, sen&atilde;o apelando para  uma terminologia comprometida com a tradi&ccedil;&atilde;o do esquecimento do ser,  qual seja tal quest&atilde;o: qual &eacute; o modo de  ser do ente, no qual se constitui  &quot;mundo&quot;? Como admite o pr&oacute;prio  Heidegger, em carta dirigida a Husserl e traduzida por Stein (ibid., p. 157), o autor  das <I>Medita&ccedil;&otilde;es cartesianas</I> (1930)  estava certo ao dizer que a constitui&ccedil;&atilde;o  dos entes mundanos n&atilde;o pode ser compreendida por meio de  um regresso a um ente da mesma esp&eacute;cie. Todavia, a solu&ccedil;&atilde;o apresentada, que  &eacute; o apelo &agrave; Consci&ecirc;ncia  Transcendental, n&atilde;o resolve o problema, porquanto  fica indeterminada a diferen&ccedil;a entre essa consci&ecirc;ncia e os entes que ela  constitui. <I>&quot;O que significa ego absoluto &agrave;  diferen&ccedil;a do puramente  an&iacute;mico?&quot;</I>, pergunta-se Heidegger (apud ibid.). Eis em  que sentido, acredita Stein, institui-se uma discord&acirc;ncia, &quot;at&eacute; um ponto  decisiva, nas concep&ccedil;&otilde;es de Husserl e  Heidegger com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; fenomenologia e &agrave;  tarefa do labor filos&oacute;fico&quot; (ibid., p.  156). Convicto de que a fenomenologia husserliana n&atilde;o conseguiu  responder &agrave; quest&atilde;o sobre o sentido do ser no qual se constitui o mundo,  sen&atilde;o confinando esse sentido aos limites de um ente de segunda ordem, Heidegger dirige-se para  a problem&aacute;tica do ser, muito embora n&atilde;o se tratasse do  ser no sentido da tradi&ccedil;&atilde;o. Afinal, o  que Heidegger visava n&atilde;o era uma abstra&ccedil;&atilde;o dos entes ou um  &quot;ente&quot; privilegiado que se estabelecesse  como condi&ccedil;&atilde;o dos demais. Mesmo a anal&iacute;tica deste ente admir&aacute;vel que &eacute;  o ser-a&iacute;, n&atilde;o visava descrev&ecirc;-lo  como constituidor de coisa alguma. Heidegger queria  t&atilde;o-somente apresentar o sentido do ser deste  ente, entendendo por tal ser n&atilde;o uma forma objetiva ou uma abstra&ccedil;&atilde;o do  plano &ocirc;ntico, mas uma ocupa&ccedil;&atilde;o, um  operar, um cuidado - que em sua forma aut&ecirc;ntica &eacute; capaz de se  compreender, n&atilde;o como uma forma objetiva,  mas como um movimento de transcend&ecirc;ncia, que &eacute; sua pr&oacute;pria  temporalidade e, nesse sentido, sua finitude. </font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, Stein n&atilde;o discute a  posi&ccedil;&atilde;o de Heidegger relativamente a  Husserl. Limita-se a apresent&aacute;-la, como se  a investiga&ccedil;&atilde;o dos motivos de  Husserl n&atilde;o pudesse acrescentar nada &agrave;s  raz&otilde;es de Heidegger. Ou, o que &eacute; pior,  Stein interpreta as cr&iacute;ticas de Heidegger a Husserl como se as raz&otilde;es  de Heidegger dispensassem a  investiga&ccedil;&atilde;o da filosofia husserliana.  Conforme penso, a unilateralidade dos coment&aacute;rios de Stein prejudicou n&atilde;o apenas o entendimento da posi&ccedil;&atilde;o  de Husserl, mas o pr&oacute;prio entendimento acerca do sentido do  m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico na obra  heideggeriana. Stein n&atilde;o se apercebe que, na carta  que traduziu, a demanda de Heidegger em rela&ccedil;&atilde;o a Husserl desconsidera  a natureza distinta dos projetos a que ambos se dedicavam. E &eacute; somente  por isso que, em certo momento, Heidegger p&ocirc;de lan&ccedil;ar a suspeita  de que, em Husserl, a consci&ecirc;ncia transcendental n&atilde;o transcende o  plano da metaf&iacute;sica dos entes. Entretanto,  a leitura dos textos de Husserl n&atilde;o nos deixa essa impress&atilde;o. Como o  pr&oacute;prio Heidegger admitiu, ao falar da consci&ecirc;ncia transcendental,  Husserl n&atilde;o se ocupa de caracterizar um  ente ou qualquer sorte de forma natural. Da mesma forma, ao falar de  objetos constitu&iacute;dos, Husserl n&atilde;o tem em  vista &quot;entes&quot; relativamente aos quais a consci&ecirc;ncia deveria se diferenciar.  &Eacute; verdade que, a partir de 1924, Husserl reconhece haver algo assim como  uma popula&ccedil;&atilde;o de &quot;quase-coisas&quot;,  reunidas sob o nome de mundo-da-vida<I>, </I>e que ofereciam um arcabou&ccedil;o a partir  de onde, por meio de uma primeira redu&ccedil;&atilde;o, a consci&ecirc;ncia haveria  de abstrair uma sorte de sentido capaz de preencher os atos constituidores  de objetividade. Todavia, se Husserl reporta-se ao dom&iacute;nio do  mundo-da-vida, tal se deve a que, neste, melhor do que em outros dom&iacute;nios, transparece o car&aacute;ter incoativo de  todo sentido. Conseq&uuml;entemente, transparece a necessidade de uma  atividade transcendental que, a partir daquele sentido, possa alcan&ccedil;ar um  valor objetivo. Eis por que Husserl n&atilde;o se det&eacute;m muito na tem&aacute;tica do  mundo da vida (<I>Die Faktizitaet ist das Feld  nicht der Phaenomenologie und Logik, sondern das der Metaphysik  </I>. Husserl, 1956, p. 390)<I>.</I> Eis por que, j&aacute; nas  <I>Id&eacute;ias I</I>, Husserl fala de uma segunda  redu&ccedil;&atilde;o, na forma da qual logramos alcan&ccedil;ar  o verdadeiro &acirc;mbito de constitui&ccedil;&atilde;o  de significa&ccedil;&atilde;o, a saber, a consci&ecirc;ncia  pura ou transcendental (Husserl, 1913, p. 76-77), a qual de forma alguma  se confunde com o mundo-da-vida ou qualquer sorte de ente, tampouco  com os objetos por cujo meio o mundo-da-vida possa ser pensado. Nas  <I>Medita&ccedil;&otilde;es Cartesianas</I>, Husserl diz  ser<I> </I>&quot;preciso efetuar conscientemente a  redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica, para obter aquele  eu e aquela vida de consci&ecirc;ncia, em rela&ccedil;&atilde;o aos quais podem ser  postas quest&otilde;es transcendentais como quest&otilde;es sobre a possibilidade  do conhecimento transcendente&quot; (1930, p. 116). De onde se segue que,  assim como Heidegger - ao falar do sentido do ser do ente -, tamb&eacute;m Husserl  - ao tratar do problema da  constitui&ccedil;&atilde;o transcendental - n&atilde;o se ocupa de  um ente especial, mas das condi&ccedil;&otilde;es por meio das quais nossa facticidade  pode valer de maneira determinada (como objeto). &Agrave; diferen&ccedil;a de Heidegger  - que se ocupa da temporalidade das formas pr&eacute;-objetivas que se  ocultam nos pr&oacute;prios entes que elas  viabilizam -, Husserl se ocupa de descrever como, a partir daquelas mesmas  formas, nossos atos podem lograr modos de apresenta&ccedil;&atilde;o objetiva de  nossa facticidade. &Eacute; verdade que - e isso Heidegger n&atilde;o deixou de  assinalar, tampouco Husserl de admitir -, a investiga&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es  para apresenta&ccedil;&atilde;o objetiva de nossa facticidade &eacute; uma modalidade de  nossa exist&ecirc;ncia f&aacute;ctica. Mas, por outro  lado, a descri&ccedil;&atilde;o da temporalidade  das formas pr&eacute;-objetivas implica uma sorte de objetividade, cujas  condi&ccedil;&otilde;es devem ser apuradas: esse era o  tema de Husserl. Por isso, talvez, fosse o caso de se dizer: a pergunta  heideggeriana pelo sentido do ego puro &agrave;  diferen&ccedil;a do an&iacute;mico tanto se presta  para justificar a necessidade de uma ontologia fundamental (que se  ocupe da facticidade da pr&oacute;pria  fenomenologia), como para legitimar a  intui&ccedil;&atilde;o husserliana relativamente &agrave;  necessidade de se esclarecer a objetividade  espec&iacute;fica da apresenta&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica  da facticidade.  </font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De toda sorte, depois de apresentar os motivos de  Heidegger contra Husserl, Stein se dedica a discutir, em seu cap&iacute;tulo sobre  &quot;A fenomenologia na obra de Martin Heidegger&quot; (Stein, 2001, p. 161)  o conceito provis&oacute;rio de fenomenologia, tal como Heidegger o apresenta  na Introdu&ccedil;&atilde;o de <I>Sein und Zeit.  </I>Conforme Stein (ibid., p. 167), a partir dos termos contidos na  express&atilde;o fenomenologia (<I>legein ta  phainomena)</I>, Heidegger nos remete a termos  mais primitivos, que lhe facultam a tradu&ccedil;&atilde;o daquela express&atilde;o  na seguinte forma: fazer ver, a partir de si mesmo, aquilo que se manifesta,  tal como, a partir de si mesmo, se manifesta (<I>apophainesthai ta  phainomena). </I>Heidegger estaria procurando aqui caracterizar a fenomenologia  n&atilde;o como uma investiga&ccedil;&atilde;o que  nos levasse &agrave;s &quot;coisas mesmas&quot; - tal  como esse mote foi entendido pelo  &quot;s&eacute;q&uuml;ito&quot; de Husserl, a saber, como  designativo dos puros entes -, mas ao &quot;ao si  mesmo das coisas&quot;, que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o o ser  que nelas se revela ocultando-se. A fenomenologia, por conseguinte, &eacute;  o m&eacute;todo pr&oacute;prio &agrave; tarefa de  revela&ccedil;&atilde;o daquilo que, nessa revela&ccedil;&atilde;o,  se oculta, de onde se segue o car&aacute;ter necessariamente provis&oacute;rio  da fenomenologia. Ela n&atilde;o &eacute; a  pr&oacute;pria consecu&ccedil;&atilde;o de uma nova  ontologia, mas o caminho por cujo meio, para al&eacute;m ou aqu&eacute;m da metaf&iacute;sica do  ente, o ser seria mostrado em si mesmo, a saber, como aquilo que se oculta. A fenomenologia, aqui, aparece simultaneamente articulada com  o tema da circularidade da  interrroga&ccedil;&atilde;o (raz&atilde;o pela qual se trata de  uma fenomenologia hermen&ecirc;utica) e com o tema da finitude, porquanto  a realiza&ccedil;&atilde;o de sua tarefa (desvelar o  ser) &eacute;, ao mesmo tempo, vel&aacute;-lo.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, afirma Stein, a  fenomenologia hermen&ecirc;utica fundou a  <I>veritas transcendentalis, </I>o horizonte de abertura no ser-a&iacute; concreto,  que permite a interrroga&ccedil;&atilde;o pelo  sentido, pela verdade do ser em si mesmo (ibid., p. 173). Todavia, ao final  da segunda se&ccedil;&atilde;o da primeira parte  de <I>Sein und Zeit, </I>o pr&oacute;prio  Heidegger formulou o limite desse m&eacute;todo. Afinal, depois de ter penetrado  no acontecer f&aacute;tico da transcend&ecirc;ncia  do ser-a&iacute; e, a partir da&iacute;, ter  determinado a temporalidade das estruturas do ser-a&iacute;, a fenomenologia  hermen&ecirc;utica deveria descrever o tempo como horizonte transcendental da  pergunta pelo sentido do ser, o que efetivamente Heidegger jamais fez. Afinal,  isso implicaria, novamente, imergir numa metaf&iacute;sica do ente, porquanto o  tempo j&aacute; n&atilde;o seria mais compreendido  como o horizonte desde onde algo dar-se-ia a saber, mas como aquilo que  devesse ser sabido, explicado. E eis o que justificaria que, em textos como  <I>A caminho da linguagem (Unterwegs zur  Sprache)</I>, escrito entre 1953-4, mas publicado somente em 1959,<I> </I>Heidegger se ocupasse de  estabelecer uma viravolta metodol&oacute;gica em  que, n&atilde;o obstante n&atilde;o se refutar a  verdade transcendental fundada pelo fenomenologia  hermen&ecirc;utica, procurar-se-ia mostrar como essa  verdade emergiria da clareira do pr&oacute;prio  ser, enquanto velamento e desvelamento. A fenomenologia hermen&ecirc;utica,  em certo sentido, faz sua retirada em proveito de uma  ontologia fenomenol&oacute;gica em que o ser  assume a hegemonia na sua  manifesta&ccedil;&atilde;o, fazendo com que o pr&oacute;prio homem  o atinja como fen&ocirc;meno. A  interroga&ccedil;&atilde;o que antes buscava o horizonte  desde onde ela pr&oacute;pria se estabelecia e  que, por essa raz&atilde;o, culminava na  afirma&ccedil;&atilde;o do tempo como sentido do ser,  procura agora descrever seu acontecimento fenomenol&oacute;gico, seu surgimento  a partir do ser. Mais do que se descrever o tempo como horizonte da  interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser, importa, ent&atilde;o, descrever  o acontecimento fenomenol&oacute;gico (ou, conforme Heidegger, o  <I>Wesen</I>) do tempo, que a interroga&ccedil;&atilde;o vela  ao realizar. De onde Stein infere que, &quot;a fenomenologia perpassa a  obra de Heidegger, mesmo quando nominalmente silenciada, porque  o fil&oacute;sofo sustenta, em sua  medita&ccedil;&atilde;o, aquela que &eacute; a suprema  possibilidade da fenomenologia, enquanto &eacute;  a pr&oacute;pria possibilidade: a aletheia em seu movimento de velamento e desvelamento, de retra&ccedil;&atilde;o e  presen&ccedil;a, de reten&ccedil;&atilde;o e oferta  &quot;<I> </I>(2001, p. 182).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa onipresen&ccedil;a, por  vezes silenciada, da fenomenologia hermen&ecirc;utica no contexto global  da obra heideggeriana, Stein tamb&eacute;m o mostra quando discute, na  terceira parte de seu livro, o tema  &quot;c&iacute;rculo hermen&ecirc;utico&quot;. Conforme Stein, j&aacute;  no in&iacute;cio de <I>Sein und Zeit</I>, Heidegger  nota a presen&ccedil;a de um c&iacute;rculo no ponto  de partida de sua reflex&atilde;o. Se &eacute;  verdade que o sentido da interroga&ccedil;&atilde;o  pelo sentido do ser passa pela anal&iacute;tica  deste que se interroga, a saber, o ser-a&iacute;, tamb&eacute;m &eacute; verdadeiro que a  pr&oacute;pria anal&iacute;tica do ser-a&iacute; pressup&otilde;e  a preval&ecirc;ncia disto que, antes de ser buscado, j&aacute; &eacute; compreendido, a  saber, o pr&oacute;prio ser (ibid., p. 245). O que n&atilde;o quer dizer que Heidegger  estivesse enredado numa dificuldade l&oacute;gica, afinal , segundo ele pr&oacute;prio,  &quot;tomar esse c&iacute;rculo por vicioso, procurar  meios para evit&aacute;-lo, ou mesmo  experiment&aacute;-lo como uma imperfei&ccedil;&atilde;o  inevit&aacute;vel, equivale a uma  incompreens&atilde;o fundamental da  compreens&atilde;o&quot;<I> </I>(Heidegger, apud ibid., pp.  247-248). Nesse sentido, diz Stein, o elemento decisivo n&atilde;o &eacute; sair do c&iacute;rculo,  mas, sim, introduzir-se nele corretamente. O que justamente o  m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico pode  assegurar. Afinal, trata-se, nele, de se atingir as coisas, assim como em si mesmas e  a partir de si mesmas se manifestam. O que significa, por um lado, visar &quot;o  si mesmo das coisas&quot; (que n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o  o ser ele pr&oacute;prio) e, por outro, descrever o &quot;modo espec&iacute;fico&quot; de  aparecimento desse si (que &eacute; a finitude da interroga&ccedil;&atilde;o implementada  pelo ser-a&iacute;). E eis por que Heidegger anuncia  a tarefa de uma ontologia fundamental, mas tomando como ponto de  partida a descri&ccedil;&atilde;o do sentido da  pergunta pelo ser, a saber, a finitude do ser-a&iacute;  (ibid., pp. 294-295). E &eacute; essa finitude, por  fim, o que dilucida esse modo circular segundo o qual o ser d&aacute;-se a  conhecer como primordialidade que sustenta por dentro a interroga&ccedil;&atilde;o, sem se deixar  por ela esgotar. De onde se depreende a  id&eacute;ia de circularidade hermen&ecirc;utica  como rela&ccedil;&atilde;o temporal entre o ser e o ser-a&iacute;.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ora, diz Stein, as tr&ecirc;s sec&ccedil;&otilde;es  da primeira parte de <I>Sein und Zeit </I>deveriam se esbo&ccedil;ar sob o signo  do c&iacute;rculo hermen&ecirc;utico. Tanto a  anal&iacute;tica fundamental das estruturas do  ser-a&iacute; como a interpreta&ccedil;&atilde;o da  temporalidade enquanto horizonte transcendental da pergunta pelo sentido do ser em  geral partem de uma situa&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica  e se movimentam no c&iacute;rculo  hermen&ecirc;utico. Mesmo o projeto da segunda parte  de <I>Sein und Zeit, </I>a destrui&ccedil;&atilde;o  fenomenol&oacute;gica da hist&oacute;ria da ontologia &agrave;  luz da problem&aacute;tica da temporalidade, implica uma  situa&ccedil;&atilde;o hermen&ecirc;utica e se movimenta num c&iacute;rculo  hermen&ecirc;utico. Se a terceira sec&ccedil;&atilde;o, por sua  vez, n&atilde;o pode ser realizada, tamb&eacute;m isso  se deveu &agrave; fidelidade de Heidegger &agrave; circularidade da interpreta&ccedil;&atilde;o.  Uma ontologia do tempo faria deste um atributo e, correlativamente, do  ser um ente. Raz&atilde;o pela qual, ainda em nome da circularidade, a  interpreta&ccedil;&atilde;o deveria declinar de restringir o ser  ao seu sentido, para pensar o sentido a partir do ser: viravolta.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na quarta parte de seu livro, Stein discute, no detalhe, o sentido  da viravolta heideggeriana. Trata-se, segundo Stein (2001, p. 300) do  nome que recebeu essa mudan&ccedil;a que &eacute; menos o &iacute;ndice da  inevit&aacute;vel incompletude de <I>Sein und Zeit  </I>e mais a pedagogia de toda a  interroga&ccedil;&atilde;o pelo ser na finitude. Conforme  Stein, a interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana  sempre esteve c&ocirc;nscia da estrutura circular  que a definia e, nesse sentido, tinha presente para si o fato de que  a anal&iacute;tica da compreens&atilde;o do ser,  que ela empreendia atrav&eacute;s da  descri&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gico-hermen&ecirc;utica  das estruturas do ser-a&iacute;, sempre esteve envolta pela presen&ccedil;a pr&eacute;via do ser,  do sentido do ser, de tal modo que aquilo que ela buscava j&aacute; estava presente  no pr&oacute;prio movimento de procura. Por&eacute;m, tal consci&ecirc;ncia n&atilde;o  encontrara, no estilo transcendental impl&iacute;cito  &agrave; interroga&ccedil;&atilde;o implementada como anal&iacute;tica, a justa complementa&ccedil;&atilde;o,  que pudesse afastar de vez o risco da se interpretar o ser como algo  inerente e, nesse sentido, possibilitado pelas estruturas descritivas do tempo.  &Eacute; como se Heidegger tivesse se apercebido do d&eacute;ficit expressivo  da anal&iacute;tica. O que abriu caminho para um novo estilo, para uma nova  forma de descri&ccedil;&atilde;o, em que a linguagem n&atilde;o fosse apenas a clarifica&ccedil;&atilde;o do  sentido do ser, para se transformar no pr&oacute;prio acontecimento do ser como aquilo  que se vela no que, dele, tenta se apropriar. Essa viragem de perspectiva  permitiu ent&atilde;o a Heidegger reconhecer a hist&oacute;ria do esquecimento do ser -  que &eacute; a hist&oacute;ria da filosofia - n&atilde;o  apenas como uma ocorr&ecirc;ncia negativa, como acontecia em  <I>Sein und Zeit</I>, mas tamb&eacute;m como o pr&oacute;prio  acontecimento-apropria&ccedil;&atilde;o do ser. Afinal, a  hist&oacute;ria do esquecimento &eacute;,  simultaneamente, a hist&oacute;ria do acontecimento do  ser. Raz&atilde;o pela qual, diz Stein, a  viravolta heideggeriana n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o  a persegui&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria do ser  atrav&eacute;s da hist&oacute;ria da filosofia (ibid., p. 384).  </font></p>    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A viravolta heideggeriana estabeleceu, salienta Stein,  a hegemonia do ser sobre o ser-a&iacute;. O que n&atilde;o quer dizer que a anal&iacute;tica  das estruturas do ser-a&iacute; tenham perdido sua import&acirc;ncia. Se &eacute; verdade que  a viralvolta &eacute; o movimento que manifesta a hegemonia do ser na instaura&ccedil;&atilde;o da circularidade, n&atilde;o  &eacute; menos verdadeiro que a viravolta revela o fato de o ser sempre se dar  no ser-a&iacute; e de ele necessariamente acontecer assim, como velamento  e desvelamento. De onde se segue que a compreens&atilde;o do ser &eacute;  finita, enquanto se manifesta na finitude do ser-a&iacute;, muito embora tal finitude  seja a positiva possibilidade de o ser se mostrar como aquilo que &eacute;  enquanto se vela  (ibid., p. 385).</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enfim, n&atilde;o obstante a unilateralidade com a qual Stein  discute as interpreta&ccedil;&otilde;es heideggerianas  acerca da hist&oacute;ria da filosofia, muito especialmente acerca da  filosofia fenomenol&oacute;gica de Husserl, apesar  de o livro de Stein fazer poucas refer&ecirc;ncias ao modo como a obra de  Heidegger foi recebida nas mais diversas escolas, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida que se trata de  uma investiga&ccedil;&atilde;o consistente que, por  seu estilo, realiza ela tamb&eacute;m um acontecimento-apropria&ccedil;&atilde;o, sen&atilde;o  do ser, ao menos do pensar de Heidegger. Em nos apresentando as f&oacute;rmulas  da interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana pelo  ser, Stein nos faz acreditar na unidade desse pensar que, dessa forma,  resta velado, muito embora, somente assim possa ser retomado como  uma aquisi&ccedil;&atilde;o da filosofia em  l&iacute;ngua portuguesa </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><B>Refer&ecirc;ncias</B></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, Martin 1927: <I>Sein und Zeit. </I>T&uuml;bingen, Max Niemeyer Verlag, 1963, 9. Awflage.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1958: Vom Wesen und Begriff der Physis (Sobre a ess&ecirc;ncia e  conceito de physis). Aristoteles Physik B 1. In: <I>Il Pensiero</I>.<I> </I>Milano, 1958.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1959: <I>Unterwegs zur Sprache </I>(A caminho da linguagem). Pf&uuml;llngedn, G. Neske.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, Martin 1966: &quot;La fin de la philosophie et la t&acirc;che de la  pens&eacute;e&quot;. In: Beaufret, Jean (ed.) 1966: <I>Kierkegaard vivant.</I> Paris, Gallimad.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl, Edmund 1956: <I>Erste Philosophie</I>. Haag: Martinius Nijhoff (Husserliana, Bd. VII).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Husserl, Edmund 1913: <I>Ideas relativas a una fenomenolog&iacute;a pura y una  filosof&iacute;a fenomen&oacute;gica</I>. Trad. Jos&eacute; Gaos, 3. ed. M&eacute;xico, Fondo de Cultura Econ&ocirc;mica, 1986</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1930: <I>Medita&ccedil;&otilde;es cartesianas</I>: <I>introdu&ccedil;&atilde;o &agrave;  fenomenologia.</I> Trad. Maria Gorete Lopes e Souza. Porto, R&eacute;s.</font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Stein, Ernildo 2001: <I>Compreens&atilde;o e finitude - estrutura e movimento da interroga&ccedil;&atilde;o heideggeriana.  </I>Iju&iacute; (RS), Uniju&iacute; (Col. Ensaios - Pol&iacute;tica e Filosofia).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">
<a name="end"></a><a href="#topo"><img src="/img/revistas/nh/v7n1/seta.gif" border="0">
<b>Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</b></a>    <br> E-mail: <a href="mailto:mjmuller@cfh.ufsc.br">mjmuller@cfh.ufsc.br</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 10 de agosto de 2004    <br> Aprovado em 6 de dezembro de 2004</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      ]]></body>

</article>
