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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Minha experiência de análise com Fairbairn e Winnicott: Quão completo é o resultado atingido por uma terapia psicanalítica?]]></article-title>
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</front><body><![CDATA[   			 				    <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>TRADU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p> 				    <P>&nbsp;</P> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Minha experi&ecirc;ncia de an&aacute;lise com Fairbairn e Winnicott. Qu&atilde;o completo &eacute; o resultado atingido por uma terapia psicanal&iacute;tica?<sup><a name="ast1"></a><a href="#ast1b">*</a></sup></b></font></p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>My Experience of Analysis with Fairbain and Winnicott (How complete a result does psycho-analytic therapy achieve?)</b></font></p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Harry Guntrip</b></font></p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">N&atilde;o me parece &uacute;til tentar uma resposta puramente te&oacute;rica &agrave; pergunta formulada no subt&iacute;tulo. A teoria n&atilde;o me parece ser aqui a preocupa&ccedil;&atilde;o maior. Ela &eacute; uma servi&ccedil;al &uacute;til, mas m&aacute; mestra, podendo produzir defensores ortodoxos de todo tipo de f&eacute;. Dever&iacute;amos sempre ir esclarecendo a teoria e procurar modos de melhor&aacute;-la &agrave; luz da pr&aacute;tica cl&iacute;nica terap&ecirc;utica. A pr&aacute;tica terap&ecirc;utica &eacute; o cerne da quest&atilde;o. Afinal, os bons terapeutas v&ecirc;m ao mundo sem forma&ccedil;&atilde;o, e eles fazem dela o melhor uso poss&iacute;vel. Talvez a pergunta &ldquo;Qu&atilde;o completo &eacute; o resultado que a terapia psicanal&iacute;tica pode produzir?&rdquo; levante a quest&atilde;o: &ldquo;Qu&atilde;o completo foi o resultado que a nossa an&aacute;lise de forma&ccedil;&atilde;o produziu?&rdquo; Os analistas s&atilde;o aconselhados a manter-se abertos a aperfei&ccedil;oamentos p&oacute;s-anal&iacute;ticos, de modo que n&atilde;o devemos esperar, de &ldquo;uma an&aacute;lise&rdquo;, que ela fa&ccedil;a um trabalho total e definitivo. Precisamos conhecer os desenvolvimentos p&oacute;s-anal&iacute;ticos se pretendemos avaliar os resultados efetivos da an&aacute;lise inicial. N&atilde;o podemos lidar com essa quest&atilde;o baseados apenas nos depoimentos de nossos pacientes. Estes ser&atilde;o incompletos com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira an&aacute;lise e inexistentes subseq&uuml;entemente. Como essa quest&atilde;o, no meu caso, tinha uma inesperada e urgente relev&acirc;ncia, fui compelido a atracar-me com ela; arriscar-me-ei, ent&atilde;o, a contar minha pr&oacute;pria an&aacute;lise com Fairbairn e Winnicott, e seus efeitos posteriores: especialmente por ser este o &uacute;nico meio que tenho de apresentar um quadro bem realista do que considero ser a rela&ccedil;&atilde;o entre as respectivas contribui&ccedil;&otilde;es desses dois brilhantes analistas e do quanto lhes devo. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quest&atilde;o &ldquo;Qu&atilde;o completo pode ser um resultado?&rdquo; tinha uma import&acirc;ncia imperiosa para mim, devido &agrave; sua liga&ccedil;&atilde;o com um fator inusual, o de uma amn&eacute;sia total quanto a um grave trauma ocorrido quando eu tinha tr&ecirc;s anos e meio, relativo &agrave; morte de um irm&atilde;o mais novo. Duas an&aacute;lises fracassaram na tentativa de romper essa amn&eacute;sia, que, no entanto, foi inesperadamente resolvida ap&oacute;s o t&eacute;rmino de ambas, mas somente, sem d&uacute;vida, em raz&atilde;o do que elas conseguiram em termos do &ldquo;abrandamento&rdquo; da repress&atilde;o principal. Espero que meu estudo suscite um interesse ao mesmo tempo te&oacute;rico e humano. A longa busca de uma solu&ccedil;&atilde;o para esse problema tem sido um interesse demasiadamente introvertido para poder ser bem acolhido, mas eu n&atilde;o tinha escolha: n&atilde;o podendo ignor&aacute;-lo, fiz dele uma voca&ccedil;&atilde;o que me permitiria ajudar os outros. Tanto Fairbairn como Winnicott pensavam, ambos, que, se n&atilde;o fosse por esse trauma, eu talvez n&atilde;o tivesse me tornado verdadeiramente um psicoterapeuta. Fairbairn disse-me um dia: &ldquo;Eu n&atilde;o posso imaginar o que levaria um s&oacute; de n&oacute;s a tornar-se psicoterapeuta se n&atilde;o tiv&eacute;ssemos tido nossos pr&oacute;prios problemas&rdquo;. Ele n&atilde;o era de um otimismo transbordante e, numa outra ocasi&atilde;o, disse-me: &ldquo;Uma vez fixado o esquema fundamental da personalidade na primeira inf&acirc;ncia, ele n&atilde;o poder&aacute; se modificar. Uma nova experi&ecirc;ncia pode drenar a emo&ccedil;&atilde;o dos antigos padr&otilde;es, mas, contudo, nos antigos leitos secos dos rios, a &aacute;gua pode sempre de novo voltar a correr&rdquo;. A ningu&eacute;m se pode dar uma nova hist&oacute;ria. Em outra ocasi&atilde;o, ele disse: &ldquo;Podemos nos fazer analisar durante toda uma vida e isso n&atilde;o levar a parte alguma. &Eacute; a rela&ccedil;&atilde;o pessoal que &eacute; terap&ecirc;utica. A ci&ecirc;ncia n&atilde;o tem valores, a n&atilde;o ser os cient&iacute;ficos, ou seja, os valores esquiz&oacute;ides do pesquisador que est&aacute; fora da vida e que observa. A ci&ecirc;ncia &eacute; puramente instrumental, &uacute;til por um tempo, mas &eacute; preciso, em seguida, voltar a viver&rdquo;. Tal era a sua concep&ccedil;&atilde;o de &ldquo;analista espelho&rdquo;, observador que n&atilde;o estabelece rela&ccedil;&atilde;o, mas se contenta em interpretar. Ele sustentava que a interpreta&ccedil;&atilde;o psicanal&iacute;tica n&atilde;o era terap&ecirc;utica nela mesma, mas apenas na medida em que exprimia uma rela&ccedil;&atilde;o pessoal de genu&iacute;na compreens&atilde;o. Pessoalmente, penso que a ci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; necessariamente esquiz&oacute;ide, mas que &eacute;, na realidade, motivada pela pr&aacute;tica; ela se torna freq&uuml;entemente esquiz&oacute;ide porque oferece um ref&uacute;gio evidente aos intelectuais esquiz&oacute;ides. N&atilde;o h&aacute; lugar para isso numa psicoterapia, qualquer que ela seja. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu sustentava j&aacute; a vis&atilde;o de que a terapia psicanal&iacute;tica n&atilde;o &eacute; puramente te&oacute;rica, mas um relacionamento pessoal de verdadeira compreens&atilde;o, e tornei-a p&uacute;blica no meu primeiro livro, antes de ter ouvido falar de Fairbairn. Depois de ler seus artigos, em 1949, fui encontr&aacute;-lo, pois compartilh&aacute;vamos filosoficamente o mesmo terreno e nenhuma discord&acirc;ncia intelectual iria interferir na an&aacute;lise. Mas a capacidade de estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o depende unicamente de nossa teoria. N&atilde;o &eacute; todo mundo que tem a mesma facilidade para estabelecer rela&ccedil;&otilde;es pessoais e cada um de n&oacute;s pode estabelecer rela&ccedil;&otilde;es mais facilmente com certas pessoas do que com outras. O fator imprevis&iacute;vel do &ldquo;encaixe natural&rdquo; entra aqui. Contudo, apesar de sua convic&ccedil;&atilde;o, Fairbairn n&atilde;o tinha a mesma capacidade para o &ldquo;relacionamento pessoal&rdquo; natural e espont&acirc;neo que Winnicott. Comigo, foi mais &ldquo;int&eacute;rprete t&eacute;cnico&rdquo; do que pensava ser ou do que eu esperava, mas isso requer um esclarecimento. Quando vim encontr&aacute;-lo na d&eacute;cada de 1950, seu estado de sa&uacute;de se degradava lentamente; sua pot&ecirc;ncia criativa havia estado em seu z&ecirc;nite na d&eacute;cada de 1940. Ele contou-me como, nas d&eacute;cadas de 1930 e 40, havia tratado com sucesso um certo n&uacute;mero de esquizofr&ecirc;nicos e de pacientes regredidos. Era isso que havia por tr&aacute;s de sua &ldquo;revis&atilde;o te&oacute;rica&rdquo; da d&eacute;cada de 1940. Sentia haver cometido um erro ao publicar sua teoria antes da evid&ecirc;ncia cl&iacute;nica. Ele trabalhou como psiquiatra na University Psychological Clinic for Children, de 1927 a 1935. N&atilde;o se pode permanecer impessoal com as crian&ccedil;as. Ele perguntou, um dia, a uma menina em quem a m&atilde;e batia cruelmente: &ldquo;Voc&ecirc; quer que eu encontre uma nova mam&atilde;e para voc&ecirc;, uma mam&atilde;e gentil?&rdquo; A crian&ccedil;a lhe disse: &ldquo;N&atilde;o. Eu quero a minha mam&atilde;e&rdquo;, mostrando assim a intensidade do elo libidinal com o mau objeto. O diabo que se conhece &eacute; melhor do que aquele que n&atilde;o se conhece, e melhor ainda do que nenhum diabo. A partir de sua experi&ecirc;ncia com crian&ccedil;as psic&oacute;ticas regredidas, ele edificou sua revis&atilde;o te&oacute;rica, baseada muito mais na <i>qualidade</i> das rela&ccedil;&otilde;es parento-infantis do que nos est&aacute;gios de crescimento biol&oacute;gico; bem mais uma &ldquo;teoria da personalidade&rdquo; do que uma &ldquo;teoria impessoal de controle da energia&rdquo;. Ele resumiu esse ponto de vista dizendo que &ldquo;a causa da perturba&ccedil;&atilde;o prov&eacute;m do fato de os pais falharem, de alguma forma, em transmitir &agrave; crian&ccedil;a que ela &eacute; amada por si mesma, como uma pessoa de pr&oacute;prio direito&rdquo;. Na d&eacute;cada de 1950, quando j&aacute; estava em an&aacute;lise, ele recusou sabiamente assumir o pesado encargo de pacientes muito regredidos. Fiquei surpreendido ao descobrir que, progressivamente, ele ia se tornando um &ldquo;analista cl&aacute;ssico&rdquo; com uma &ldquo;t&eacute;cnica interpretativa&rdquo;, enquanto eu sentia que aquilo de que eu necessitava era regredir ao n&iacute;vel desse grave traumatismo infantil. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Stephen Morse (1972), em seu estudo sobre a &ldquo;estrutura&rdquo; nos escritos de Winnicott e de Balint, concluiu dizendo que eles haviam descoberto dados novos, mas que n&atilde;o haviam desenvolvido uma teoria estrutural de modo a explic&aacute;-los, o que, contudo, poderia ter sido feito recorrendo ao que ele denomina a &ldquo;met&aacute;fora Fairbairn-Guntrip&rdquo;. Como tive o privil&eacute;gio de fazer an&aacute;lise com esse dois extraordin&aacute;rios analistas, sinto que a posi&ccedil;&atilde;o &eacute; um tanto mais complexa do que isso. A rela&ccedil;&atilde;o entre Fairbairn e Winnicott &eacute; teoricamente importante e, ao mesmo tempo, muito curiosa. Superficialmente, eles eram bastante diferentes entre si no tipo de mente e no m&eacute;todo de trabalho, o que os impediu de detectar at&eacute; que ponto eram, no final das contas, pr&oacute;ximos um do outro. Ambos tinham ra&iacute;zes profundas na teoria e na terapia freudianas cl&aacute;ssicas, e ambos a ultrapassaram, cada qual &agrave; sua maneira. No plano intelectual, Fairbairn via isso mais claramente do que Winnicott; no entanto, na d&eacute;cada de 1950, era ele que se mostrava, na pr&aacute;tica cl&iacute;nica, o mais ortodoxo dos dois. Tive mais de mil sess&otilde;es com Fairbairn na d&eacute;cada de 1950 e um pouco mais de 150, com Winnicott, na d&eacute;cada de 1960. Para meu pr&oacute;prio benef&iacute;cio, guardei notas detalhadas de cada sess&atilde;o, assim como toda a correspond&ecirc;ncia trocada. Winnicott disse-me : &ldquo;Eu jamais trabalhei com algu&eacute;m que pudesse me dizer com tal exatid&atilde;o o que eu disse da &uacute;ltima vez&rdquo;. O artigo de Morse incitou-me , no ano passado, a retomar essas notas e fiquei surpreendido ao constatar a luz que elas lan&ccedil;avam sobre as raz&otilde;es pelas quais meus dois analistas haviam falhado em abolir minha amn&eacute;sia relativa ao trauma dos tr&ecirc;s anos e meio. No entanto, cada um, &agrave; sua maneira, havia preparado o caminho que conduziria &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-psicanal&iacute;tica desse problema. Faltava-me, pois, reapresentar a quest&atilde;o: &ldquo;O que &eacute; o processo psicanal&iacute;tico?&rdquo;. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De maneira geral, constatei que Fairbairn foi se tornando mais ortodoxo na pr&aacute;tica do que na teoria, enquanto que Winnicott era mais revolucion&aacute;rio na pr&aacute;tica do que na teoria. Ambos eram opostos e complementares. Sutherland, na nota necrol&oacute;gica consagrada a Fairbairn (1965), escreveu:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fairbairn tinha algo de um pouco solene – marcadamente aristocr&aacute;tico – mas, ao falar com ele, eu constatava que n&atilde;o era nem solene nem distante. A arte e a religi&atilde;o eram, para ele, express&otilde;es profundas das necessidades do homem; ele as respeitava profundamente, mas seus interesses revelavam um conservadorismo bastante inabitual.</font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu o achava formal nas sess&otilde;es, o analista de interpreta&ccedil;&otilde;es intelectualmente precisas, mas, depois das sess&otilde;es, discut&iacute;amos teoria e ele se soltava; ent&atilde;o, ao conversarmos face a face, eu encontrava um Fairbairn humano. Na verdade, ap&oacute;s as sess&otilde;es, ele era o meu pai bom e compreensivo e, durante as sess&otilde;es, na transfer&ecirc;ncia, a m&atilde;e m&aacute; e dominadora que me impunha interpreta&ccedil;&otilde;es exatas. Ap&oacute;s seu per&iacute;odo de criatividade experimental nos anos 1940, sinto que seu conservadorismo lentamente come&ccedil;ou a invadir seu trabalho nos anos de 1950. O choque da morte repentina de sua esposa, em 1952, criou problemas dom&eacute;sticos evidentes. No in&iacute;cio dos anos 1950, ele teve o primeiro ataque de gripe viral, que foi se repetindo de modo cada vez mais virulento com a o avan&ccedil;o da d&eacute;cada. Ap&oacute;s a morte de sua mulher, durante dois anos, ele se debru&ccedil;ou sobre seu bel&iacute;ssimo artigo &ldquo;Observa&ccedil;&otilde;es sobre a natureza dos estados hist&eacute;ricos&rdquo; (1954), que concluiu o seu pensamento original. Ele esclareceu sua vis&atilde;o sobre &ldquo;a psican&aacute;lise e a ci&ecirc;ncia&rdquo; em dois artigos (1952b, 1955). Mas houve uma mudan&ccedil;a sutil no artigo que se seguiu, &ldquo;Considera&ccedil;&otilde;es a partir do caso Schreber&rdquo; (1956). Aqui, ele recuou de sua psicologia do &ldquo;ego e das rela&ccedil;&otilde;es objetais&rdquo;, explicando tudo a partir do medo e das excita&ccedil;&otilde;es libidinais suscitados pela &ldquo;cena prim&aacute;ria&rdquo;. Finalmente, em seu &uacute;ltimo trabalho, &ldquo;Sobre a natureza e os objetivos da psican&aacute;lise&rdquo; (1958), ele p&otilde;e toda a &ecirc;nfase no &ldquo;sistema interno fechado&rdquo; de uma ampla an&aacute;lise edipiana, n&atilde;o em termos de instinto, mas de rela&ccedil;&otilde;es internalizadas, libidinizadas e antilibidinizadas, com o objeto mau. Eu o procurei para romper a amn&eacute;sia do trauma relativo &agrave; morte de meu irm&atilde;o e para descobrir o que havia atr&aacute;s disso, no per&iacute;odo infantil. Era l&aacute;, eu sentia, que se encontrava a causa das minhas vagas experi&ecirc;ncias formativas de isolamento esquiz&oacute;ide e irrealidade, as quais, eu bem sabia, tinham a ver com as minhas primeiras rela&ccedil;&otilde;es com minha m&atilde;e, ainda que eu s&oacute; soubesse disso atrav&eacute;s do que ela me passara. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depois da morte de meu irm&atilde;o Percy, eu iniciei uma batalha ativa com minha m&atilde;e para for&ccedil;&aacute;-la a &ldquo;relacionar-se&rdquo; e depois desisti e afastei-me dela. Por conveni&ecirc;ncia, denominarei essa &eacute;poca de per&iacute;odo de m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es objetais ed&iacute;picas internalizadas: elas preenchiam meus sonhos, mas, freq&uuml;entemente, experi&ecirc;ncias repentinas, claramente esquiz&oacute;ides, irrompiam neles, experi&ecirc;ncias que Fairbairn, sem hesitar, interpretava como &ldquo;retraimentos&rdquo; no sentido de &ldquo;fugas&rdquo; das m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es objetais internalizadas. Ele, repetidas vezes, remetia-me aos conflitos triangulares libidinais e antilibidinais, intervindo em meu &ldquo;mundo interior&rdquo;, &agrave;s &ldquo;clivagens de objeto&rdquo; kleinianas e &agrave;s &ldquo;clivagens do ego&rdquo; fairbairnianas, no sentido de excita&ccedil;&otilde;es libidinais edipianas. Em 1956, escrevi a ele pedindo-lhe que me dissesse exatamente o que pensava do complexo de &Eacute;dipo, e ele me respondeu: &ldquo;O complexo de &Eacute;dipo &eacute; capital para a terapia, mas n&atilde;o para a teoria&rdquo;. Repliquei-lhe que n&atilde;o podia aceitar isso: para mim, a teoria <i>era</i> a teoria da <i>terapia</i>, e o que &eacute; verdadeiro para uma tem que ser verdadeiro para ambas. Conscientemente, desenvolveu-se em mim uma dupla resist&ecirc;ncia com respeito a ele, em parte, por senti-lo como a minha m&atilde;e m&aacute;, impondo-me seus pontos de vista e, em parte por eu discordar abertamente dele em pontos essenciais. Comecei a insistir que meu verdadeiro problema residia n&atilde;o nas m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es que datavam do per&iacute;odo que havia seguido a morte de Percy, mas na falha b&aacute;sica da m&atilde;e em relacionar-se, em qualquer sentido, desde o in&iacute;cio. Falei-lhe de minha impress&atilde;o de que a an&aacute;lise edipiana fazia-me perder tempo, sem sair do lugar, levando-me a usar rela&ccedil;&otilde;es ruins como algo melhor do que rela&ccedil;&atilde;o alguma, mantendo-as operativas em meu mundo interno como uma defesa contra o problema esquiz&oacute;ide mais profundo. Fairbairn viu a&iacute; um tra&ccedil;o de car&aacute;ter defensivo de &ldquo;retraimento&rdquo; (1952a, cap. I). Eu pr&oacute;prio sentia isso como um problema leg&iacute;timo e n&atilde;o apenas como uma defesa contra seu sistema fechado &ldquo;mundo interno de m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es objetais&rdquo;. </font></p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas minha an&aacute;lise edipiana com Fairbairn n&atilde;o foi uma perda de tempo. As defesas tinham que ser analisadas e isso fez-me ver que eu havia de fato reprimido o trauma da morte de Percy e tudo o que estava por tr&aacute;s disto, encobrindo-o com uma complexa experi&ecirc;ncia de luta constante na rela&ccedil;&atilde;o com minha m&atilde;e como objeto mau, rela&ccedil;&otilde;es que, por sua vez, eu tive que reprimir. Era isso que se encontrava na base da torrente de sonhos e da produ&ccedil;&atilde;o intermitente de sintomas de convers&atilde;o. Por muito tempo, Fairbairn insistiu que isso era o &ldquo;n&uacute;cleo real&rdquo; de minha psicopatologia. Certamente, ele estava errado, mas era preciso analisar radicalmente para abrir caminho at&eacute; as camadas mais profundas. Isso aconteceu. Paulatinamente, fen&ocirc;menos esquiz&oacute;ides regressivos e negativos fizeram irrup&ccedil;&atilde;o no material que eu levava para ele e Fairbairn acabou, por fim, por aceitar, em teoria, aquilo que n&atilde;o tinha mais sa&uacute;de para lidar na pr&aacute;tica cl&iacute;nica. Ele, generosamente, aceitou meu conceito de &ldquo;ego regredido&rdquo; que, cindido do &ldquo;ego libidinal&rdquo;, desistia da luta sem esperan&ccedil;a para obter uma resposta de minha m&atilde;e. Quando publiquei essa id&eacute;ia, Winnicott escreveu-me para perguntar: &ldquo;O seu ego regredido &eacute; retra&iacute;do ou reprimido?&rdquo; Respondi-lhe: &ldquo;Ambos, ao mesmo tempo. Primeiro retra&iacute;do, e depois reprimido.&rdquo; Fairbairn escreveu-me para dizer:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta id&eacute;ia &eacute; sua e n&atilde;o minha; &eacute; original e explica o que eu jamais fui capaz de levar em conta em minha teoria: a regress&atilde;o. A import&acirc;ncia que voc&ecirc; atribuiu &agrave; fraqueza do ego d&aacute; melhores resultados terap&ecirc;uticos do que a interpreta&ccedil;&atilde;o em termos de tens&otilde;es libidinais e antilibidinais. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando, em 1960, publiquei &ldquo;Ego-weakness, the hard core of the problem of psychotherapy&rdquo;, Fairbairn escreveu-me: &ldquo;Se eu pudesse escrever agora , seria sobre isso&rdquo;. Eu sabia que minha teoria estava amplamente correta, j&aacute; que conceitualizava aquilo que eu ainda n&atilde;o conseguira que fosse analisado. Ele aceitou isso, penso, com grande coragem. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Completarei meu relato sobre Fairbairn como o analista e como homem ilustrando a diferen&ccedil;a de &ldquo;tipo humano&rdquo; entre ele e Winnicott, enquanto fator que joga um papel primordial em terapia. A disposi&ccedil;&atilde;o do consult&oacute;rio cria, por si mesma, uma atmosfera que tem significado. Fairbairn vivia no campo e recebia seus pacientes na antiga casa da fam&iacute;la Fairbairn, em Edimburg. Eu entrava no vasto sal&atilde;o que servia de sala de espera, mobiliada com lindas antiguidades de grande valor, e seguia at&eacute; o escrit&oacute;rio, que era usado como consult&oacute;rio, tamb&eacute;m enorme, com um antiga estante que ocupava boa parte de uma das paredes. Fairbairn sentava-se atr&aacute;s de uma grande escrivaninha plana, como um estadista, pensava eu, numa poltrona de espaldar alto, forrada de veludo. O div&atilde; do paciente tinha a cabeceira voltada para a frente da escrivaninha. &Agrave;s vezes, eu pensava que ele me alcan&ccedil;aria por cima da escrivaninha e me bateria na cabe&ccedil;a. Achava isso estranho para um analista que n&atilde;o acreditava na teoria do &ldquo;analista espelho&rdquo;. N&atilde;o demorou muito para que eu me desse conta de que fora eu que escolhera aquela posi&ccedil;&atilde;o no div&atilde; e que havia, ao lado da escrivaninha, um pequeno sof&aacute; onde eu poderia sentar-me se assim desejasse, o que, ali&aacute;s, acabei por fazer. Que essa situa&ccedil;&atilde;o impositiva tinha para mim um significado transferencial inconsciente, tornou-se claro num sonho, j&aacute; no primeiro m&ecirc;s. Devo explicar que meu pai havia sido um pregador da igreja metodista local, de brilhante eloq&uuml;&ecirc;ncia como orador p&uacute;blico e que, a partir de 1885, ele construiu e liderou um centro evang&eacute;lico que se tornou em seguida uma igreja, que existe ainda hoje. Em todos os meus anos de sonhador, ele jamais me apareceu de outro modo que n&atilde;o fosse o de uma figura tolerante no que diz respeito &agrave; minha m&atilde;e, visto que, na realidade, ela jamais perdia a paci&ecirc;ncia na sua presen&ccedil;a. Eu queria Fairbairn, na transfer&ecirc;ncia, como o pai protetor, ajudando-me a enfrentar minha m&atilde;e agressiva, mas, inconscientemente, eu o sentia de outro modo, pois sonhava que:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#91;...&#93; estava no Centro Evang&eacute;lico (<i>Mission Hall</i>) de meu pai. Fairbairn estava sobre o palanque, mas tinha o rosto duro de minha m&atilde;e. Eu estava deitado, passivamente, sobre o div&atilde;, no ch&atilde;o da sala, a cabeceira do div&atilde; contra o palanque. Ele desce e me diz: &ldquo;Voc&ecirc; sabe que a porta est&aacute; aberta?&rdquo; Eu digo: &ldquo;N&atilde;o fui eu que a deixei aberta&rdquo;; eu estava muito satisfeito de t&ecirc;-lo enfrentado. Ele retornou ent&atilde;o para o palanque.</font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tratava-se de uma vers&atilde;o mal disfar&ccedil;ada da disposi&ccedil;&atilde;o do consult&oacute;rio de Fairbairn, e mostrava que eu queria que ele fosse para mim um pai protetor, mas esse desejo estava dominado por uma transfer&ecirc;ncia claramente negativa em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; minha m&atilde;e dominadora e severa. Por um bom per&iacute;odo, foi esse o papel transferencial de Fairbairn &ldquo;nas sess&otilde;es&rdquo;. Ele interpretou isso como a m&aacute; rela&ccedil;&atilde;o &ldquo;de tipo gangorra&rdquo;, entre pais e filhos, com &ldquo;um no alto e outro embaixo&rdquo;. Isso s&oacute; pode ser alterado virando as mesas. Achei isso muito esclarecedor, contendo todos os ingredientes das necessidades n&atilde;o atendidas, da f&uacute;ria sufocada, da espontaneidade inibida. Era a rela&ccedil;&atilde;o transferencial dominante nas sess&otilde;es. Ap&oacute;s as sess&otilde;es, Fairbairn se descontra&iacute;a em nossas discuss&otilde;es sobre a teoria ou a terapia, o bom pai humano. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa transfer&ecirc;ncia negativa durante as sess&otilde;es era, eu sentia, caucionada por suas <i>interpreta&ccedil;&otilde;es</i> intelectualmente precisas. Uma vez, ele interpretou: &ldquo;Alguma coisa impede o processo ativo no curso do seu desenvolvimento&rdquo;. Eu teria dito: &ldquo;Sua m&atilde;e esmagou seu si-mesmo naturalmente ativo&rdquo;. Mas Fairbairn analisou acuradamente a luta emocional para for&ccedil;ar minha m&atilde;e a cuidar de mim ap&oacute;s a morte de Percy e mostrou-me como eu havia internalizado essa luta. Isso tinha que ser feito primeiro, mas ele insistia em que esse era o problema ed&iacute;pico central e n&atilde;o p&ocirc;de aceitar, at&eacute; ser tarde demais, que isso mascarava um problema bem mais s&eacute;rio e profundo. Ulteriormente, Winnicott constatou por duas vezes: &ldquo;Nada indica que voc&ecirc; tenha tido jamais um complexo de &Eacute;dipo&rdquo;. Meu padr&atilde;o familiar n&atilde;o era edipiano. Era sempre a mesma coisa nos sonhos, como ilustra um dos mais impressionantes: </font></p> 				    <blockquote> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu estava sendo atacado e estava sentado num quarto, discutindo isso com meu pai. Era minha m&atilde;e que me atacava e eu dizia a meu pai: &ldquo;Voc&ecirc; sabe, eu jamais cederei a ela. N&atilde;o importa o que aconte&ccedil;a, eu jamais me renderei&rdquo;. Ele diz: &ldquo;Sim, sei disso. Eu vou e vou dizer a ela&rdquo;. E ele foi e disse a ela: &ldquo;Voc&ecirc; far&aacute; melhor em desistir, pois ele jamais se submeter&aacute;&rdquo;, e ela de fato desistiu. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A persist&ecirc;ncia com que Fairbairn prosseguiu com suas interpreta&ccedil;&otilde;es edipianas, que eu n&atilde;o podia aceitar como definitivas, lan&ccedil;aram-no no papel da m&atilde;e dominadora. Ouvi dizer que Winnicott e Hoffer pensavam que minha ades&atilde;o &agrave; teoria de Fairbairn era devida ao fato de esta n&atilde;o permitir a ele analisar a minha agressividade na transfer&ecirc;ncia. Mas eles n&atilde;o me viram derrubar seu cinzeiro em forma de pedestal, nem chutar, &ldquo;acidentalmente&rdquo;, &eacute; certo, o peso de vidro da porta, e sabemos o que isso significa nas sess&otilde;es, como ele n&atilde;o tardou a apontar. Eles tamb&eacute;m n&atilde;o me viram, certa vez, espalhar no ch&atilde;o os livros da imensa biblioteca, o que era um ato simb&oacute;lico, &ldquo;ato de arrancar uma resposta da m&atilde;e&rdquo;, repondo-os cuidadosamente no lugar, para fazer uma repara&ccedil;&atilde;o <i>à la</i> Melanie Klein. Mas, ap&oacute;s as sess&otilde;es, n&oacute;s pod&iacute;amos discutir e podia encontrar o ser humano caloroso por tr&aacute;s do analista de interpreta&ccedil;&otilde;es precisas. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Posso esclarecer melhor tudo isso por uma compara&ccedil;&atilde;o com Winnicott. O consult&oacute;rio deste era simples, repousante nas cores e no mobili&aacute;rio, sem ostenta&ccedil;&atilde;o, cuidadosamente planejado, como a sra. Winnicott contou-me depois, por ambos, para que o paciente se sentisse &agrave; vontade. Eu batia &agrave; porta e entrava numa sala. Winnicott chegava com uma x&iacute;cara de ch&aacute; na m&atilde;o, e um animado &ldquo;Hallo&rdquo;, indo sentar-se numa pequena cadeira de madeira, perto do div&atilde;. Eu me sentava no div&atilde;, de lado, ou me deitava, de acordo com a minha disposi&ccedil;&atilde;o, e mudava livremente de posi&ccedil;&atilde;o, segundo o que estava sentindo ou o que estava dizendo. No final, quando eu sa&iacute;a, ele sempre me estendia a m&atilde;o, amigavelmente. Foi somente quando estava deixando Fairbairn, na derradeira sess&atilde;o, que me dei conta repentinamente de que, nenhuma vez, durante todo o longo per&iacute;odo de an&aacute;lise, hav&iacute;amos trocado um aperto de m&atilde;os e que ele iria me deixar partir sem fazer esse gesto amig&aacute;vel. Eu lhe estendi a m&atilde;o, que ele imediatamente tomou, e eu vi l&aacute;grimas descerem pelo seu rosto. <i>Vi, ent&atilde;o, o cora&ccedil;&atilde;o caloroso desse homem de mente refinada e natureza t&iacute;mida</i>. Fairbairn convidou-me, e &agrave; minha mulher, para tomar ch&aacute; em sua casa, no dia em que f&ocirc;ssemos visitar minha av&oacute; em Pertshire. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para dar sentido ao t&eacute;rmino de minha an&aacute;lise com Fairbairn, devo fazer um breve resumo de minha hist&oacute;ria familiar. Minha m&atilde;e era j&aacute; uma &ldquo;m&atilde;ezinha&rdquo;, sobrecarregada, antes de casar-se, a filha mais velha de onze crian&ccedil;as e viu morrer quatro de seus irm&atilde;os. Sua m&atilde;e era uma beldade desmiolada, que deixou tudo a cargo de minha m&atilde;e, que estava ainda na escola. Aos doze anos, ela fugiu de casa, de t&atilde;o infeliz, mas trouxeram-na de volta. Sua melhor caracter&iacute;stica era um forte sentido de dever e de responsabilidade para com a m&atilde;e vi&uacute;va e os tr&ecirc;s irm&atilde;os mais novos, o que impressionou meu pai quando a fam&iacute;lia filiou-se ao seu Mission Hall. Quando eles se casaram, em 1898, meu pai ignorava que ela estava farta de cuidar de beb&ecirc;s e que n&atilde;o queria mais nenhum. Na minha adolesc&ecirc;ncia, ocasionalmente, ela fazia-me confid&ecirc;ncias e contava-me epis&oacute;dios marcantes da vida familiar, inclusive o fato de s&oacute; ter me amamentado por acreditar que isso impediria uma nova gravidez; ela recusou-se a amamentar Percy, que morreu, ap&oacute;s o que ela repeliu qualquer outra intimidade. Meu pai, filho ca&ccedil;ula de uma fam&iacute;lia anglicana conservadora e do partido conservador, era politicamente de esquerda e, na religi&atilde;o, um rebelde n&atilde;o conformista, que foi tamb&eacute;m antiimperialista e esteve perto de perder sua posi&ccedil;&atilde;o na City, ao recusar-se a assinar a peti&ccedil;&atilde;o de sua firma, a favor da guerra de Boers. Essa ansiedade passageira deu &agrave; minha m&atilde;e a chance de desmamar-me repentinamente e de iniciar um neg&oacute;cio pr&oacute;prio. Mudamos quando eu tinha um ano. Ela escolheu um local ruim para o neg&oacute;cio e perdeu dinheiro, seguidamente, por sete anos, embora tudo tenha sido mais do que recuperado pela mudan&ccedil;a que se seguiu. Aqueles <i>sete primeiros anos de minha vida, seis dos quais foram passados na primeira loja, foram o per&iacute;odo mais conturbado de minha exist&ecirc;ncia</i>. Fui deixado aos cuidados de uma tia inv&aacute;lida, que vivia conosco. Percy nasceu quando eu tinha dois anos e morreu quando eu estava com tr&ecirc;s anos e meio. Minha m&atilde;e contou-me que meu pai lhe havia dito que ele teria vivido se ela o tivesse amamentado, e ela ficou furiosa. Foi uma &eacute;poca muito conturbada. Em sua velhice, vivendo conosco, ela contou-me ainda outras coisas reveladoras: &ldquo;Eu n&atilde;o deveria jamais ter-me casado, nem ter tido crian&ccedil;as. A natureza n&atilde;o me fez para ser esposa nem m&atilde;e, mas para ser mulher de neg&oacute;cios&rdquo; e &ldquo;Penso que jamais compreendi as crian&ccedil;as. Elas me s&atilde;o totalmente indiferentes&rdquo;.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contou-me ainda que, aos tr&ecirc;s anos e meio, entrei no quarto e vi Percy deitado nu e morto em seu colo. Corri e agarrei-o, e disse: &ldquo;N&atilde;o o deixe ir. Voc&ecirc; nunca o ter&aacute; de volta&rdquo;. Ela mandou-me para fora do quarto e eu adoeci misteriosamente e pensaram que eu estivesse morrendo. Seu m&eacute;dico disse: &ldquo;Ele est&aacute; morrendo de tristeza pelo irm&atilde;o. Se o seu senso materno n&atilde;o pode salv&aacute;-lo, eu tamb&eacute;m n&atilde;o posso&rdquo;; ent&atilde;o, ela levou-me para uma tia materna que tinha uma fam&iacute;lia, e l&aacute; eu me recuperei. Tanto Fairbairn como Winnicott pensavam que eu teria morrido se ela n&atilde;o tivesse me afastado de si. Toda a mem&oacute;ria dessa &eacute;poca foi totalmente reprimida. A amn&eacute;sia manteve-se durante todo o resto de minha vida, de minhas duas an&aacute;lises, at&eacute; eu completar setenta anos, tr&ecirc;s anos atr&aacute;s. Mas tudo permaneceu vivo em mim, sendo deflagrado sem ser reconhecido, em situa&ccedil;&otilde;es an&aacute;logas, muito espa&ccedil;adas. Aos 26 anos, na Universidade, fiz uma boa amizade com um colega que se tornou uma figura fraterna para mim. Quando ele partiu e eu fui de f&eacute;rias, para casa, para minha m&atilde;e, adoeci de uma exaust&atilde;o misteriosa, a qual desapareceu imediatamente assim que deixei nossa casa e retornei &agrave; faculdade. Eu n&atilde;o tinha id&eacute;ia de que esta era equivalente da fam&iacute;lia de minha tia. Em 1938, com 37 anos, tornei-me pastor de uma igreja altamente organizada, em Leeds, com uma assembl&eacute;ia de mil pessoas, nos domingos &agrave; tarde, e uma congrega&ccedil;&atilde;o noturna de oitocentas pessoas, e atividades educativas, sociais e recreativas bem organizadas. Isso era grande demais para um &uacute;nico pastor e eu tive um assistente que se tornou um outro substituto de Percy. T&atilde;o logo as nuvens da guerra come&ccedil;aram a se aproximar, ele partiu. De novo, adoeci repentinamente da mesma misteriosa exaust&atilde;o. Isso foi atribu&iacute;do ao excesso de trabalho, mas, nessa &eacute;poca, eu j&aacute; tinha conhecimento da psican&aacute;lise; havia estudado com Flugel a teoria cl&aacute;ssica, conhecia a literatura b&aacute;sica e havia come&ccedil;ado uma tese sob a orienta&ccedil;&atilde;o do professor John Macmurray, buscando traduzir a psicobiologia freudiana ou, sobretudo, os dados cl&iacute;nicos, em termos da filosofia das &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es pessoais&rdquo;, e tinha estudado meus pr&oacute;prios sonhos por dois anos. Logo, estava atento quando esta doen&ccedil;a trouxe um grande sonho.</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desci at&eacute; dentro de uma tumba e vi um homem enterrado vivo. Ele tentava sair, mas eu o amea&ccedil;ava com a doen&ccedil;a, trancava-o e sa&iacute;a rapidamente. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na manh&atilde; seguinte, eu estava melhor. Pela primeira vez, reconheci o ressurgimento da doen&ccedil;a que se seguiu &agrave; morte de Percy e constatei que vivia, permanentemente, sobre o topo da sua repress&atilde;o. Soube, ent&atilde;o, que n&atilde;o descansaria at&eacute; que o problema se resolvesse. Fui convocado para a psicoterapia emergencial, durante a guerra, pelo professor de Medicina de Leeds e designado para uma cadeira na Escola de Medicina e continuei a estudar meus pr&oacute;prios sonhos. Recentemente, reli minhas notas e descobri que havia feito apenas interpreta&ccedil;&otilde;es ed&iacute;picas for&ccedil;adas, de manual. O mais importante &eacute; que ficaram ressaltados tr&ecirc;s tipos dominantes de sonho: 1. uma mulher selvagem que me atacava; 2. uma figura paterna, tranq&uuml;ila, forte, amig&aacute;vel, que me apoiava; e 3. um sonho misterioso de amea&ccedil;a de morte, o mais claro exemplo baseado na lembran&ccedil;a de minha m&atilde;e levando-me, aos seis anos, ao quarto de minha tia inv&aacute;lida, da qual se pensava estar morrendo de febre reum&aacute;tica, e que estava deitada, p&aacute;lida e silenciosa. Num sonho: </font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu estava trabalhando no andar de baixo, na minha escrivaninha e, subitamente, uma faixa invis&iacute;vel de ectoplasma amarrava-me a uma inv&aacute;lida agonizante no andar de cima, puxando-me firmemente para fora do quarto. Eu sabia que seria absorvido para dentro dela. Lutei e, de repente, a faixa estourou e eu sabia que estava livre. </font></p> 				</blockquote> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu j&aacute; sabia o suficiente para adivinhar que a lembran&ccedil;a de minha tia moribunda era uma lembran&ccedil;a encobridora do reprimido Percy morto, que ainda exercia sobre mim uma atra&ccedil;&atilde;o inconsciente para fora da vida atrav&eacute;s do colapso e morte aparente. Eu sabia que, de alguma forma, a qualquer momento, eu deveria fazer-me analisar. Em 1946, o professor Dicks, que me havia confiado a dire&ccedil;&atilde;o de sua equipe no novo departamento de psiquiatria, disse-me que, tendo em vista as minhas id&eacute;ias, eu devia ler Fairbairn, o que fiz, e foi no final do ano de 1949 que o procurei para fazer an&aacute;lise com ele. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante os primeiros anos, sua an&aacute;lise marcadamente edipiana de minhas &ldquo;relac&otilde;es com o mau objeto internalizado&rdquo; correspondia bem a um per&iacute;odo efetivo de minha inf&acirc;ncia. Ap&oacute;s a morte de Percy e meu retorno &agrave; casa – dos tr&ecirc;s e meio aos cinco anos – lutei para coagir minha m&atilde;e a cuidar de mim atrav&eacute;s de repetidos pequenas doen&ccedil;as psicossom&aacute;ticas, dores de barriga, brotoejas, falta de apetite, constipa&ccedil;&otilde;es e dram&aacute;ticos, repentinos, estados febris, para as quais ela armava uma cama-tenda, na cozinha, indo e vindo da loja para me ver. Ela contou-me que o m&eacute;dico lhe disse: &ldquo;N&atilde;o retornarei para ver esta crian&ccedil;a novamente. Ela me apavora tremendamente com suas s&uacute;bitas eleva&ccedil;&otilde;es de temperatura e no dia seguinte j&aacute; est&aacute; perfeitamente bem&rdquo;. Mas tudo isso n&atilde;o servia de nada. Por volta dos cinco anos, mudei de t&aacute;tica. Uma nova escola maior deu-me mais independ&ecirc;ncia e minha m&atilde;e disse: &ldquo;Voc&ecirc; come&ccedil;ou a n&atilde;o mais fazer o que eu pedi&rdquo;. Ela entrava em violentos ataques de f&uacute;ria e me batia, e isso durou dos cinco at&eacute; os sete anos. Quando as varas quebravam, ele me mandava comprar outra. Aos sete anos, entrei para uma nova escola, ainda maior que a anterior, e paulatinamente desenvolvi uma vida pr&oacute;pria, fora de casa. Quando eu tinha oito anos, mudamos para uma outra loja e, desta vez, seu neg&oacute;cio teve um extraordin&aacute;rio sucesso. Ela tornou-se menos deprimida e me dava todo o dinheiro que eu necessitava para meus passatempos e atividades ao ar livre, para o escotismo, o esporte e, gradualmente, esqueci, mas n&atilde;o inteiramente, as mem&oacute;rias dos sete primeiros anos t&atilde;o infelizes. Foram, portanto, todos os medos, as raivas, a culpabilidade, os sintomas psicossom&aacute;ticos passageiros, os sonhos perturbados, tudo o que exprimia os conflitos que me marcaram dos tr&ecirc;s e meio aos sete anos, que a an&aacute;lise de Fairbairn tomou a encargo. J&aacute; idosa, minha m&atilde;e dizia: &ldquo;Quando seu pai e sua tia Mary morreram e eu fiquei sozinha, tentei ter um cachorro, mas tive que desistir. N&atilde;o conseguia parar de bater nele&rdquo;. Foi isso que aconteceu comigo. N&atilde;o &eacute; pois, surpreendente, que eu tivesse um mundo interno de rela&ccedil;&otilde;es libidinalmente excitadas, com maus objetos internalizados, e eu devo muito a Fairbairn pela an&aacute;lise radical que ele fez de tudo isso. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas, ap&oacute;s os tr&ecirc;s ou quatro primeiros anos, convenci-me de que isso estava me fazendo marcar passo, retendo-me num mundo interno sadomasoquista, de m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es objetais com minha m&atilde;e, como uma defesa contra problemas totalmente diferentes, pertencentes ao per&iacute;odo que havia precedido a morte de Percy. Esse material mais profundo continuava tentando emergir. O pico veio em dezembro de 1957, quando meu velho amigo, cuja partida da faculdade havia provocado a primeira irrup&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a relacionada a Percy, em 1927, subitamente morreu. Pela terceira vez fui tomado de exaust&atilde;o. Mantive-me o bastante para trabalhar e viajar para Edimbug, para a an&aacute;lise, sentindo que, agora, eu chegaria ao fundo das coisas. Ent&atilde;o, justo quando sentia que ia fazendo algum progresso, Fairbairn adoeceu, com uma s&eacute;ria gripe viral da qual quase morreu e ficou sem trabalhar durante seis meses. Tive que reinstalar a repress&atilde;o, mas imediatamente come&ccedil;ava a &ldquo;intelectualizar&rdquo; o problema que eu n&atilde;o podia elaborar com ele ao vivo. Isso n&atilde;o era pura intelectualiza&ccedil;&atilde;o, por pensamento deliberado. Insights espont&acirc;neos n&atilde;o paravam de surgir e eu os anotava assim que apareciam com impositiva intensidade. Foi a partir da&iacute; que escrevi tr&ecirc;s artigos; eles se tornaram a base do meu livro <i>Schizoide Phenomena, Object Relations and the self</i> (1968): &ldquo;Ego-weakness, the hard core of the problem of psychoterapy&rdquo; escrito em 1960 (cap&iacute;tulo 6), &ldquo;The Schizoid problem, regression and the struggle to preserve an ego&rdquo; (cap&iacute;tulo 2), escrito em 1961, e &ldquo;The maniac-depressive problem in the light of the schizoid process&rdquo; (cap&iacute;tulo 5), escrito em 1962. Em dois anos, esses <i>insights</i> levaram-me al&eacute;m do ponto no qual Fairbairn havia ficado. Ele admitiu com generosidade que esses artigos eram uma extens&atilde;o v&aacute;lida e necess&aacute;ria de sua teoria. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando Fairbairn retomou seu trabalho, em 1959, falei-lhe da morte de meu amigo e de sua pr&oacute;pria mol&eacute;stia. Ele me fez ent&atilde;o uma interpreta&ccedil;&atilde;o crucial: &ldquo;Creio que, depois de minha doen&ccedil;a, n&atilde;o sou mais nem o seu bom pai, nem a sua m&atilde;e m&aacute;, mas o seu irm&atilde;o morrendo sobre voc&ecirc;&rdquo;. De repente, vi a situa&ccedil;&atilde;o anal&iacute;tica com extraordin&aacute;ria clareza; escrevi-lhe uma carta que ainda possuo, mas que n&atilde;o enviei. Sabia que ela provocaria nele uma tens&atilde;o maior do que ele poderia suportar em sua prec&aacute;ria sa&uacute;de. Repentinamente, eu percebi que eu jamais poderia resolver meu problema <i>com</i> um analista. Escrevi: &ldquo;Estou num dilema. Devo p&ocirc;r t&eacute;rmino &agrave; minha an&aacute;lise para ter a chance de finaliz&aacute;-la, mas agora eu n&atilde;o mais o terei para me ajudar&rdquo;. Uma vez que Fairbairn havia se tornado meu irm&atilde;o na transfer&ecirc;ncia, perd&ecirc;-lo, seja eu mesmo terminando a an&aacute;lise, seja ficando com ele at&eacute; a sua morte, isso representaria a morte de Percy e eu me encontraria s&oacute;, ante o total ressurgimento desse acontecimento traum&aacute;tico, sem algu&eacute;m para vir em minha ajuda. Fairbairn poderia ter me auxiliado com isso na an&aacute;lise transferencial? Certamente n&atilde;o, em seu prec&aacute;rio estado de sa&uacute;de; terminei, pois, nesse mesmo ano, a minha an&aacute;lise. Tenho muitas raz&otilde;es para ser imensamente grato a Fairbairn por ter permanecido comigo, a despeito da sa&uacute;de que declinava, at&eacute; que eu alcan&ccedil;asse aquele <i>insight</i> cr&iacute;tico. A for&ccedil;a motivadora por tr&aacute;s de meus escritos te&oacute;ricos, de 1959 a 1962, foi a reativa&ccedil;&atilde;o do trauma acerca de Percy, que causou um fluxo compuls&oacute;rio de id&eacute;ias espont&acirc;neas. Eu pude cont&ecirc;-las e us&aacute;-las para a pesquisa construtiva, em parte porque estava gradualmente deixando Fairbairn, em parte porque este tinha admitido a validade de minhas id&eacute;ias, e, em parte, porque eu havia decidido iniciar uma an&aacute;lise com Winnicott antes da morte de Fairbairn.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fairbairn foi quem primeiro me apresentou a Winnicott, em 1954, pedindo a este que me enviasse seu artigo &ldquo;Regression within psycho-analytical set-up&rdquo; (reimpresso em Winnicott 1958). Winnicott o fez, juntando ao artigo, para minha surpresa, uma carta em que dizia: &ldquo;Eu o aconselho a analisar a quest&atilde;o da sua rela&ccedil;&atilde;o com Freud, de modo que voc&ecirc; possa ter sua pr&oacute;pria rela&ccedil;&atilde;o com Freud, e n&atilde;o a de Fairbairn. Ele estragou o seu bom trabalho, por querer derrubar Freud&rdquo;. Trocamos tr&ecirc;s longas cartas, de cada lado. Eu afirmei que minha rela&ccedil;&atilde;o com Freud havia sido estabelecida anos antes de eu ter ouvido falar de Fairbairn, quando estudava sob orienta&ccedil;&atilde;o de Flugel, na Universidade de College de Londres. Eu rejeitva a psicobiologia freudiana dos instintos, mas reconhecia a grande import&acirc;ncia das suas descobertas em psicopatologia. Com rela&ccedil;&atilde;o a essa correspond&ecirc;ncia, dou-me conta, hoje, que antecipei em dezoito anos a conclus&atilde;o de Morse (1972), quase com suas pr&oacute;prias palavras, a saber, que o &ldquo;verdadeiro si-mesmo&rdquo; de Winnicott n&atilde;o tem lugar na teoria freudiana. Ele s&oacute; poderia ser encontrado no id, mas isso &eacute; imposs&iacute;vel, pois o o id &eacute; apenas uma energia impessoal. Senti, de fato, que Winnicott havia deixado Freud t&atilde;o para tr&aacute;s na terapia, quanto Fairbairn o havia feito na teoria. Em 1961, enviei a Winnicott um exemplar de meu livro <i>Personality Structure and Human Interaction</i> (1961). Ele me respondeu dizendo que j&aacute; havia adquirido um exemplar. Eu lia os artigos de Winnicott assim que eram publicados, assim como Fairbairn, que o descrevia como &ldquo;clinicamente brilhante&rdquo;. Em 1962, eu n&atilde;o tinha mais d&uacute;vida: ele era o &uacute;nico ao qual eu podia recorrer para ajuda adicional. Eu s&oacute; podia ir a Londres uma vez por m&ecirc;s para algumas sess&otilde;es, mas a an&aacute;lise que eu havia feito tornava mais f&aacute;cil o aproveitamento destas. De 1962 a 1968, tive 150 sess&otilde;es, cujo valor n&atilde;o &eacute; proporcional ao n&uacute;mero. Winnicott disse ficar surpreendido de tanto trabalho poder ser feito em sess&otilde;es t&atilde;o espa&ccedil;adas, o que era devido, penso, em primeiro lugar, a todo o trabalho preliminar feito com Fairbairn e, tamb&eacute;m, ao fato de eu conseguir manter viva a an&aacute;lise nos intervalos entre as sess&otilde;es; mas, acima de tudo, aos <i>insights profundamente intuitivos de Winnicott com rela&ccedil;&atilde;o ao exato per&iacute;odo de minha inf&acirc;ncia primitiva que eu tanto precisava examinar</i>. Ele capacitou-me a alcan&ccedil;ar uma evid&ecirc;ncia extraordinariamente clara de que minha m&atilde;e tinha tido, era quase certo, um primeiro per&iacute;odo de maternidade natural comigo, seu primeiro beb&ecirc;, durante dois meses talvez, antes que os problemas de personalidade viessem me privar dessa &ldquo;boa m&atilde;e&rdquo;. Eu havia quase que completamente esquecido da carta que n&atilde;o enviei a Fairbairn, sobre meu dilema de n&atilde;o ser capaz de terminar a an&aacute;lise, nem de dar-lhe prosseguimento, uma vez que o analista havia se tornado Percy na transfer&ecirc;ncia. Termin&aacute;-la seria o equivalente &agrave; morte de Percy, sem ningu&eacute;m para ajudar-me com as conseq&uuml;&ecirc;ncias. Se n&atilde;o a terminasse, estaria usando meu analista para evitar a irrup&ccedil;&atilde;o do trauma e tamb&eacute;m n&atilde;o conseguiria nenhuma ajuda com isso, al&eacute;m de haver o risco de ele morrer sobre mim. Minha amn&eacute;sia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;quele trauma primitivo tampouco foi rompida por Winnicott. Apenas recentemente dei-me conta de que, de fato, involuntariamente, ele havia alterado toda a natureza do problema, capacitando-me a alcan&ccedil;ar, retroativamente, uma derradeira m&atilde;e boa, e de encontr&aacute;-la, recriada nele, na transfer&ecirc;ncia. Descobri, ulteriormente, que ele me havia posto na posi&ccedil;&atilde;o de enfrentar o duplo trauma da morte de Percy e da falha de minha m&atilde;e comigo. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Conforme releio minhas anota&ccedil;&otilde;es, fico surpreendido com a rapidez com que Winnicott chegou ao cerne da quest&atilde;o. Na primeira sess&atilde;o, mencionei a amn&eacute;sia do trauma da morte de Percy, e senti que j&aacute; tinha tido, com Fairbairn, uma an&aacute;lise radical das <i>“defesas do mau objeto internalizado”</i> que eu havia constru&iacute;do contra isso, mas n&atilde;o hav&iacute;amos chegado ao que eu sentia ser o meu problema b&aacute;sico, n&atilde;o a m&atilde;e como objeto mau ativo da inf&acirc;ncia tardia e <i>sim aquela m&atilde;e primitiva que falhou em relacionar-se</i>. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quase no final da sess&atilde;o, ele disse: &ldquo;N&atilde;o tenho nada de especial para dizer ainda, mas, se n&atilde;o digo nada, voc&ecirc; pode come&ccedil;ar a sentir que eu n&atilde;o estou aqui&rdquo;. Na segunda sess&atilde;o, ele disse:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voc&ecirc; sabe sobre mim, mas eu ainda n&atilde;o sou uma pessoa para voc&ecirc;. Voc&ecirc; pode ir embora com o sentimento de estar s&oacute; e de que eu n&atilde;o sou real. Voc&ecirc; deve ter tido uma doen&ccedil;a antes do nascimento de Percy, e sentido que sua m&atilde;e o deixou a encargo de si mesmo. Voc&ecirc; recebeu Percy como seu si-mesmo-beb&ecirc;, que necessitava ser cuidado. Quando ele morreu, voc&ecirc; ficou sem nada e entrou em colapso. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa era uma perfeita interpreta&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&otilde;es objetais, mas vinda de Winnicott e n&atilde;o de Fairbairn. Muito mais tarde, eu disse que, ocasionalmente, me sentia &ldquo;num estado est&aacute;tico, imut&aacute;vel e sem vida, no mais profundo de mim mesmo, sentindo que n&atilde;o podia mexer-me&rdquo;. Winnicott disse:</font></p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se cem por cento de voc&ecirc; se sentisse assim, provavelmente voc&ecirc; n&atilde;o poderia se mexer e algu&eacute;m teria que acord&aacute;-lo. Depois que Percy morreu, voc&ecirc; entrou em colapso, desnorteado, mas arranjou-se para preservar o suficiente de si mesmo para continuar a viver, energicamente, e p&ocirc;s o resto num casulo, reprimido, inconsciente.</font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gostaria de ter tempo para ilustrar, em maior detalhe, seu penetrante <i>insight</i>, mas preciso dar outro exemplo. Eu disse que as pessoas, freq&uuml;entemente, tecem coment&aacute;rios sobre minha atividade e energia incessantes, e que, nas sess&otilde;es, eu n&atilde;o gostava das lacunas de sil&ecirc;ncio e, &agrave;s vezes, falava muito. Fairbairn interpretava que eu estava tentando tirar a an&aacute;lise de suas m&atilde;os e fazer o seu trabalho: roubar o p&ecirc;nis do pai, rivalidade ed&iacute;pica. Winnicott lan&ccedil;ou uma luz inteiramente nova sobre essa verborragia: </font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O seu problema &eacute; que a doen&ccedil;a relativa ao colapso nunca foi resolvida. Voc&ecirc; teve que se manter vivo a despeito disso. N&atilde;o p&ocirc;de tomar, como garantida, a sua continuidade de ser. Teve que trabalhar duramente para manter-se existindo. Voc&ecirc; teme parar de agir, de falar, de manter-se acordado. Sente que talvez possa morrer num lapso, como Percy, porque, se cessar de agir, sua m&atilde;e n&atilde;o pode fazer nada. Ela n&atilde;o saberia salvar nem Percy nem voc&ecirc;. Voc&ecirc; est&aacute; amarrado ao medo de que eu n&atilde;o possa mant&ecirc;-lo vivo, de modo que voc&ecirc; liga as sess&otilde;es mensais, para mim, com suas anota&ccedil;&otilde;es. Nada de lapsos. Voc&ecirc; n&atilde;o pode sentir que &eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o constante para mim, porque sua m&atilde;e n&atilde;o podia salv&aacute;-lo. Voc&ecirc; sabe o que &eacute; &ldquo;ser ativo&rdquo;, mas ignora o que &eacute; &ldquo;apenas crescer&rdquo;, &ldquo;apenas respirar&rdquo; enquanto dorme, sem ter que fazer nada em rela&ccedil;&atilde;o a isso. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comecei a ser capaz de permitir alguns sil&ecirc;ncios e, certa vez, sentindo-me um pouco angustiado, fiquei aliviado por ouvir Winnicott mexer-se. N&atilde;o falei nada, mas, com sua excepcional intui&ccedil;&atilde;o, ele disse:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voc&ecirc; come&ccedil;ou a sentir medo de que eu o tivesse abandonado. Sente o sil&ecirc;ncio como um abandono. O lapso n&atilde;o &eacute; voc&ecirc; esquecendo sua m&atilde;e, mas sua m&atilde;e esquecendo voc&ecirc;, e, agora, voc&ecirc; reviveu isso comigo. Voc&ecirc; est&aacute; encontrando um trauma ainda mais primitivo, que talvez voc&ecirc; nunca recuperasse sem a ajuda do trauma de Percy, que o repetiu. Voc&ecirc; precisa recordar sua m&atilde;e abandonando voc&ecirc;, na transfer&ecirc;ncia comigo. </font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu mal consigo transmitir a impress&atilde;o poderosa que causou em mim perceber Winnicott indo direto ao vazio de minha &ldquo;situa&ccedil;&atilde;o de rela&ccedil;&atilde;o objetal&rdquo; na inf&acirc;ncia, com uma m&atilde;e que n&atilde;o se relacionava. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bem no final de minha an&aacute;lise, tive um s&uacute;bito retorno &agrave; condi&ccedil;&atilde;o de falar muito na sess&atilde;o. Desta vez, Winnicott fez uma afirma&ccedil;&atilde;o diferente e extraordin&aacute;ria:</font></p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">É como se você desse à luz um bebê com a minha ajuda. Você produziu meia hora de fala concentrada, rica em conteúdo. Senti-me fazendo esforço em ouvir e em manter a situação para você. Você precisava saber que eu poderia suportar a sua fala incessante e que eu não seria destruído. Tive que suportar isso enquanto você estava em trabalho de parto, sendo criativo, não destrutivo, produzindo algo rico em conteúdo. Você está falando sobre “relacionar-se com o objeto”, “usar o objeto” e está descobrindo que não o destrói. Eu não poderia ter feito esta interpretação há cinco anos atrás.</font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mais tarde, ele apresentou o seu artigo &ldquo;O uso de um objeto&rdquo; (em Winnicott, 1971) na Am&eacute;rica, e encontrou, o que n&atilde;o foi surpresa, eu penso, muita cr&iacute;tica. S&oacute; um homem excepcional poderia ter alcan&ccedil;ado aquele tipo de <i>insight</i>. Ele se tornou um bom seio materno para meu si-mesmo primitivo no meu inconsciente profundo, no ponto em que minha m&atilde;e real tinha perdido sua qualidade materna e n&atilde;o mais pudera suportar-me como um beb&ecirc; vivo. Ainda n&atilde;o era claro para mim, como depois veio a ficar, que Winnicott havia transformado toda a minha compreens&atilde;o do trauma da morte de Percy, particularmente quando ele acrescentou: </font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Voc&ecirc; tamb&eacute;m tem um bom seio. Tem sido sempre capaz mais de dar do que de receber. Sou bom para voc&ecirc;, mas voc&ecirc; tamb&eacute;m &eacute; bom para mim. Fazer sua an&aacute;lise &eacute; uma das coisas mais reasseguradoras que acontecem comigo. O rapaz antes de voc&ecirc; me faz sentir que n&atilde;o presto para nada. Voc&ecirc; n&atilde;o tem que ser bom pra mim. N&atilde;o preciso disso e posso passar sem isso, mas de fato voc&ecirc; &eacute; bom para mim.</font></p> 				</blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Finalmente, eu tinha uma m&atilde;e que podia valorizar seu filho, de modo que eu podia enfrentar o que estava por vir. Mal vale a pena mencionar que o &uacute;nico ponto em que eu discordava de Winnicott era quando ele falava ocasionalmente sobre &ldquo;alcan&ccedil;ar o seu sadismo primitivo, o incompadecimento e a crueldade do beb&ecirc;, sua agressividade&rdquo; de um modo que sugeria n&atilde;o a minha luta furiosa para extrair uma resposta de minha m&atilde;e fria, mas &ldquo;a teoria instintual&rdquo; de Freud e Klein, o id, agressividade inata. Pois eu sabia que ele rejeitava o &ldquo;instinto de morte&rdquo; e tinha ido muito al&eacute;m de Freud quando cheguei a ele. Certa vez, ele disse para mim: &ldquo;N&oacute;s diferimos de Freud. Ele queria curar sintomas. N&oacute;s estamos preocupados com pessoas vivas, vivendo e amando por inteiro&rdquo;. Em 1967, ele escreveu, e deu-me uma c&oacute;pia de seu artigo, &ldquo;A localiza&ccedil;&atilde;o da experi&ecirc;ncia cultural&rdquo; (em Winnicott, 1971), no qual disse: &ldquo;Vejo que estou no territ&oacute;rio de Fairbairn: &ldquo;a busca do objeto&rdquo; &ldquo;como oposta &agrave;&rdquo; &ldquo;busca da satisfa&ccedil;&atilde;o&rdquo;&rdquo;. Senti, ent&atilde;o, que Winnicott e Fairbairn tinham juntado for&ccedil;as para neutralizar meus primitivos anos traum&aacute;ticos. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devo completar este relato com uma coisa que eu n&atilde;o poderia prever. Winnicott, ao se tornar a boa m&atilde;e, liberando-me para ser vivo e criativo, transformou o significado da morte de Percy de uma maneira que viria a me capacitar a resolver aquele trauma e o dilema sobre como terminar minha an&aacute;lise. Relacionando-se comigo no meu inconsciente profundo, Winnicott permitiu-me ver que n&atilde;o foi apenas a perda de Percy, mas ser deixado sozinho com a m&atilde;e incapaz de preservar-me vivo que causou meu colapso a um estado de morte aparente. Mas, gra&ccedil;as ao seu profundo <i>insight</i> intuitivo, eu agora n&atilde;o mais estava sozinho com a m&atilde;e que n&atilde;o se relacionava. Eu o vi pela &uacute;ltima vez em julho de 1969. Em fevereiro de 1970, fui advertido pelos m&eacute;dicos que eu estava seriamente sobrecarregado de trabalho e que se eu n&atilde;o me aposentasse &ldquo;a Natureza faria isto por mim&rdquo;. Devo ter sentido inconscientemente que isso era uma amea&ccedil;a de que a &ldquo;M&atilde;e Natureza&rdquo; iria, por fim, esmagar o meu si-mesmo ativo. Cada vez que eu descansava, encontrava-me sob a compuls&atilde;o de retornar ao passado, na forma de ensaiar todos os detalhes da partida da minha &ldquo;figura fraterna&rdquo; pastoral, em 1938, e a minha rea&ccedil;&atilde;o de adoecimento por exaust&atilde;o. Logo vi que isso era significativo e levou-me a uma urg&ecirc;ncia de escrever a hist&oacute;ria toda de minha vida, como se eu tivesse que descobrir tudo o que havia acontecido comigo. Em outubro, contra&iacute; pneumonia e tive que passar cinco semanas no hospital. O m&eacute;dico atendente me disse: &ldquo;Relaxe, voc&ecirc; &eacute; hiperativo&rdquo;. Eu ainda n&atilde;o tinha percebido que estava lutando contra uma inconsciente e compulsiva regress&atilde;o. Nunca tinha ligado a id&eacute;ia de &ldquo;aposentadoria&rdquo; com o medo profundo de perder minha batalha com minha m&atilde;e para manter vivo, ao final, o meu si-mesmo ativo. Ap&oacute;s um longo inverno de convalescen&ccedil;a, soube que, no ano novo de 1971, Winnicott havia tido um ataque de gripe. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Imediatamente indaguei sobre seu estado de sa&uacute;de a Masud Khan, e este responde-me que ele j&aacute; estava de p&eacute; e que gostaria de ter not&iacute;cias dos amigos, de modo que lhe escrevi. Um pouco depois, o telefone tocou e aquela voz familiar disse: &ldquo;Ol&aacute;, obrigado por sua carta&rdquo; e conversamos um pouco. Aproximadamente duas semanas depois, o telefone tocou novamente e sua <i>secret&aacute;ria me disse que ele tinha falecido. Naquela mesma noite tive um sonho alarmante. Vi minha m&atilde;e</i>, preta, im&oacute;vel, olhando fixamente o espa&ccedil;o, <i>ignorando-me completamente</i> enquanto eu ficava de p&eacute; ao lado, olhando-a fixamente e me sentindo congelado numa imobilidade: era a primeira vez que eu a tinha visto assim num sonho. Antes, ela estava sempre me atacando. Meu primeiro pensamento foi: &ldquo;Perdi Winnicott e estou sozinho com minha m&atilde;e, afundada em depress&atilde;o e me ignorando. Foi assim que me senti quando Percy morreu&rdquo;. Pensei que eu teria que sentir a perda de Winnicott como a repeti&ccedil;&atilde;o do trauma de Percy. Apenas recentemente ficou-me claro que n&atilde;o foi nada disso. N&atilde;o sonhei com minha m&atilde;e dessa maneira quando meu colega de faculdade morreu ou quando meu amigo pastor partiu. Nessas ocasi&otilde;es, eu me senti doente, como ap&oacute;s a morte de Percy. Desta vez foi bem diferente. Aquele sonho deu in&iacute;cio a uma sequ&ecirc;ncia impositiva de sonhos que ocorriam noite ap&oacute;s noite, fazendo-me retornar, em ordem cronol&oacute;gica, a todas as casas em que eu havia morado, em Leeds, Ipswich, College, &agrave; segunda loja de Dulwich e, finalmente, &agrave; primeira loja e casa dos primeiros sete anos ruins. Figuras da fam&iacute;lia, minha esposa, minha filha, tia Mary, meu pai e minha m&atilde;e, eram recorrentes; meu pai sempre apoiador e minha m&atilde;e sempre hostil, mas nenhum sinal de Percy. Estava tentando manter-me no per&iacute;odo, p&oacute;s-Percy, de batalhas com minha m&atilde;e. Ent&atilde;o, uns dois meses depois, dois sonhos romperam finalmente a amn&eacute;sia relativa &agrave; vida e &agrave; morte de Percy. Fiquei abismado de ver-me claramente num sonho, com a idade de tr&ecirc;s anos, totalmente reconhec&iacute;vel, segurando um carrinho-de-beb&ecirc; onde estava meu irm&atilde;o com aproximadamente um ano. Eu estava tenso, olhando ansiosamente &agrave; esquerda, para minha m&atilde;e, para ver se ela tomava algum conhecimento de n&oacute;s. Mas ela estava fitando fixamente, &agrave; dist&acirc;ncia, ignorando-nos como no primeiro sonho da s&eacute;rie. Naquela noite, o sonho foi ainda mais assustador:</font></p> 				    <blockquote> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu estava de p&eacute; com um outro homem, um dubl&ecirc; de mim mesmo, buscando ambos alcan&ccedil;ar um objeto morto. De repente, o outro homem caiu em colapso, num montinho. Imediatamente, o sonho mudou para um aposento iluminado onde vi Percy novamente. Sabia que era ele, sentado no colo de uma mulher que n&atilde;o tinha rosto, bra&ccedil;os ou seios. Era apenas um colo para sentar-se, n&atilde;o uma pessoa. Ele parecia profundamente deprimido, com os cantos da boca ca&iacute;dos e eu tentava faz&ecirc;-lo sorrir.</font></p> 				</blockquote> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recuperei, naquele sonho, a lembran&ccedil;a de meu colapso, quando o vi &#91;Percy&#93; como o objeto morto que eu tentava alcan&ccedil;ar. Mas eu havia feito mais. Eu havia, de fato, retornado, nos dois sonhos, a um per&iacute;odo anterior &agrave; morte de Percy, para ver a m&atilde;e &ldquo;sem rosto&rdquo;, despersonalizada, e a m&atilde;e preta, deprimida, que falhou totalmente em relacionar-se com ambos de n&oacute;s. Winnicott tinha dito: &ldquo;Voc&ecirc; aceitou Percy como seu si-mesmo-beb&ecirc; que precisava ser cuidado. Quando ele morreu, voc&ecirc; n&atilde;o tinha mais nada e entrou em colapso&rdquo;. Por que eu sonhei com o &ldquo;colapso&rdquo;, primeiro, para s&oacute; depois retornar e ocupar-me de Percy? Meu sentimento &eacute; que meu colapso foi a minha primeira rea&ccedil;&atilde;o de desesperan&ccedil;a aterrorizadora pelo choque de encontrar Percy morto no colo de minha m&atilde;e; mas, na fam&iacute;lia daquela tia, agarrei rapidamente a oportunidade de permanecer vivo ao encontrar outras pessoas para quem viver.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aquela s&eacute;rie de sonhos fizeram-me reavivar e reexaminar todas as minhas anota&ccedil;&otilde;es de an&aacute;lise at&eacute; que percebi que, apesar de a morte de Winnicott ter-me lembrado a de Percy, a situa&ccedil;&atilde;o era totalmente diferente. O processo impositivo de regress&atilde;o n&atilde;o se iniciara com a morte de Winnicott, mas com a amea&ccedil;a de &ldquo;aposentadoria&rdquo;, como se minha m&atilde;e, enfim, me arruinasse. Eu n&atilde;o sonhei com a morte de Winnicott, mas com a de Percy e com a incapacidade total de minha m&atilde;e de relacionar-se conosco. Que melhor sonho-evid&ecirc;ncia poderia algu&eacute;m ter da vis&atilde;o de Winnicott de que &ldquo;N&atilde;o existe tal coisa como um beb&ecirc;?&rdquo;: isto &eacute;, deve existir uma &ldquo;m&atilde;e e um beb&ecirc;&rdquo;; e que melhor evid&ecirc;ncia para a vis&atilde;o de Fairbairn de que a base da realidade ps&iacute;quica fundamental &eacute; a &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o objetal pessoal&rdquo;? O que me deu for&ccedil;a no inconsciente profundo para encarar novamente aquele trauma b&aacute;sico? Deve ter sido porque Winnicott n&atilde;o estava, e nem podia estar, morto para mim, nem certamente para muitos outros. Nunca senti que meu pai estivesse morto, mas, de uma forma profunda, vivo dentro de mim, capacitando-me a resistir &agrave; ativa influ&ecirc;ncia paralisante e inibidora de minha m&atilde;e. Agora Winnicott havia entrado em rela&ccedil;&atilde;o viva precisamente com a parte de mim anteriormente perdida, que adoeceu porque minha m&atilde;e havia falhado comigo. <i>Ele tomou seu lugar e tornou poss&iacute;vel e seguro lembrar-me dela num sonho real – revivendo sua paralisante indiferen&ccedil;a esquiz&oacute;ide</i>. Aos poucos, surgia dentro de mim uma firme e crescente convic&ccedil;&atilde;o e eu me recuperava da subleva&ccedil;&atilde;o vulc&acirc;nica decorrente daquela s&eacute;rie de sonhos que compeliam a uma regress&atilde;o, sentindo-me, enfim, colhendo os frutos do que eu havia buscado em an&aacute;lise por cerca de vinte anos. Depois de todas as lembran&ccedil;as detalhadas, sonhos, sintomas de eventos traum&aacute;ticos, pessoas e tens&otilde;es emocionais espec&iacute;ficas terem sido elaboradas, uma coisa permanecia: <i>a qualidade da atmosfera predominante das rela&ccedil;&otilde;es pessoais que compunham a vida familiar naqueles primeiros sete anos</i>. Ainda permanece uma tristeza por minha m&atilde;e, que foi t&atilde;o prejudicada na inf&acirc;ncia, que ela n&atilde;o pudera ser, nem me capacitava a ser, nossos &ldquo;si-mesmos verdadeiros&rdquo;. N&atilde;o posso ter um conjunto diferente de mem&oacute;rias. Mas isso &eacute; compensado pela minha descoberta em an&aacute;lise de qu&atilde;o profundamente meu pai tornou-se uma posse mental segura para mim, apoiando-me na minha luta para encontrar e ser meu &ldquo;verdadeiro si-mesmo&rdquo; e tamb&eacute;m, pela resolu&ccedil;&atilde;o, com Fairbairn, da minha transfer&ecirc;ncia negativa, nele, de minha m&atilde;e dominadora, at&eacute; que ele se tornasse um outro bom pai que confiava em mim e, finalmente, pela entrada de Winnicott no vazio deixado por minha m&atilde;e que n&atilde;o se relacionava, de tal maneira que eu pude experimentar a seguran&ccedil;a de ser eu mesmo. Devo acrescentar que, sem a compreens&atilde;o e o apoio da minha esposa, eu n&atilde;o poderia ter tido estas an&aacute;lises nem alcan&ccedil;ado tais resultados. O que &eacute; a psicoterapia psicanal&iacute;tica? A meu ver, &eacute; a provis&atilde;o de uma rela&ccedil;&atilde;o humana confi&aacute;vel e compreensiva de um tipo que estabelece contato com a crian&ccedil;a traumatizada e profundamente reprimida, de um modo que a torna progressivamente mais capaz de viver, na seguran&ccedil;a de um relacionamento real, com a heran&ccedil;a traum&aacute;tica dos mais precoces anos de forma&ccedil;&atilde;o, &agrave; medida em que esta se infiltra ou irrompe na consci&ecirc;ncia. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A terapia psicanal&iacute;tica n&atilde;o &eacute; como uma &ldquo;t&eacute;cnica&rdquo;, no sentido das ci&ecirc;ncias experimentais, uma &ldquo;coisa em si&rdquo;, objetiva, que opera automaticamente. &Eacute; um processo de intera&ccedil;&atilde;o, uma fun&ccedil;&atilde;o de duas vari&aacute;veis, as personalidades de duas pessoas trabalhando juntas em dire&ccedil;&atilde;o ao crescimento livre e espont&acirc;neo. O analista cresce assim como o analisando. Deve haver alguma coisa errada se um analista fica est&aacute;tico enquanto lida com tais experi&ecirc;ncias din&acirc;micas pessoais. Para mim, Fairbairn construiu, como pessoa, sobre o que meu pai fez por mim, e como analista, capacitou-me a descobrir, detalhadamente, como minhas batalhas para tornar-me independente de minha m&atilde;e, dos tr&ecirc;s anos e meio aos sete anos, haviam contribu&iacute;do para a forma&ccedil;&atilde;o de minha personalidade. Sem isso, eu poderia, na idade avan&ccedil;ada, ter-me deteriorado, tornando-me uma pessoa t&atilde;o esquisita quanto a minha m&atilde;e. Winnicott, um tipo completamente diferente de personalidade, compreendeu e preencheu o vazio deixado pela minha m&atilde;e desde o in&iacute;cio da minha vida at&eacute; os meus tr&ecirc;s anos e meio. Eu precisava de ambos e tive muita a sorte de encontr&aacute;-los. Justamente suas diferen&ccedil;as tornaram-se est&iacute;mulo para os diferentes aspectos de minha personalidade. As id&eacute;ias de Fairbairn eram &ldquo;conceitos l&oacute;gicos precisos&rdquo;, os quais esclareciam quest&otilde;es. As id&eacute;ias de Winnicott eram &ldquo;hip&oacute;teses imaginativas&rdquo; que desafiavam o indiv&iacute;duo a explorar al&eacute;m. A t&iacute;tulo de exemplos, compare os conceitos de Fairbairn de ego libidinal, anti-libidinal e central como teoria da estrutura endops&iacute;quica com os &ldquo;si-mesmos verdadeiros e falsos&rdquo; como <i>insights</i> intuitivos da confusa realidade ps&iacute;quica de pessoas reais. Talvez um &uacute;nico analista n&atilde;o possa fazer tudo o que um analisando precisa e devamos nos contentar em deixar os pacientes nos utilizarem tanto quanto puderem. N&atilde;o ousamos posar como oniscientes ou onipotentes por termos uma teoria. Tamb&eacute;m Fairbairn disse certa vez: &ldquo;Voc&ecirc; tira da an&aacute;lise o que nela investiu&rdquo;, e acho que isso &eacute; verdadeiro tanto para o analista quanto para o analisando. Eu diria que o desenvolvimento de <i>insight</i> claro e consciente representa ter tomado posse completa dos ganhos j&aacute; alcan&ccedil;ados emocionalmente, o que coloca o indiv&iacute;duo em condi&ccedil;&otilde;es de arriscar esfor&ccedil;os emocionais maiores para realizar mais crescimento emocional. Isso representa n&atilde;o apenas compreens&atilde;o consciente, mas um fortalecimento do cerne interior da capacidade de ser &ldquo;si-mesmo&rdquo; (<i>selfhood</i>) e da capacidade de &ldquo;relacionar-se&rdquo;. No que concerne o material psicopatol&oacute;gico, sonhar expressa a nossa estrutura endops&iacute;quica. &Eacute; um modo de experienciar, na beira da consci&ecirc;ncia, nossos conflitos internalizados, nossas <i>mem&oacute;rias</i> de lutas originadas no nosso mundo externo e, em seguida, como mem&oacute;rias e fantasias de conflitos que se tornaram parte da nossa realidade interna, a fim de manter as &ldquo;rela&ccedil;&otilde;es objetais&rdquo; vivas, ainda que apenas &ldquo;as m&aacute;s rela&ccedil;&otilde;es objetais&rdquo;, porque precisamos delas para manter a posse do nosso &ldquo;ego&rdquo;. A minha experi&ecirc;ncia foi que, quanto mais profundamente aquele fluxo final de sonhos descia no meu inconsciente, mais o sonhar ia desaparecendo e sendo substitu&iacute;do pelo &ldquo;despertar humorado&rdquo;. Descobri que eu n&atilde;o fantasiava nem pensava, mas simplesmente me sentindo consciente de estar aprisionado num estado de esp&iacute;rito do qual, como come&ccedil;ava a dar-me conta, eu j&aacute; estava consciente h&aacute; muito tempo e que, desde ent&atilde;o, havia penetrado profundamente no meu inconsciente: um humor embotado, mec&acirc;nico, desvitalizado, sem interesse por coisa alguma, calado, fechado em mim mesmo, desempenhando movimentos rotineiros com uma sensa&ccedil;&atilde;o de perda de qualquer sentido de exist&ecirc;ncia Experimentei isso durante v&aacute;rias manh&atilde;s consecutivas, at&eacute; que comecei a achar que estava esmaecendo e passando a um interesse normal na vida: o que, afinal, parece ser o que se poderia esperar. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existe uma ordem natural, peculiar a cada indiv&iacute;duo e determinada pela sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, na qual (1) os problemas podem tornar-se conscientes e (2) as interpreta&ccedil;&otilde;es podem ser relevantes e modificadoras. N&atilde;o podemos decidir isso, e sim apenas assistir ao curso do desenvolvimento do indiv&iacute;duo. Finalmente, com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dif&iacute;cil quest&atilde;o das fontes da teoria, parece-me que a nossa teoria deve estar arraigada na nossa psicopatologia. Isso estava impl&iacute;cito na corajosa auto-an&aacute;lise de Freud numa &eacute;poca em que tudo era obscuro. A id&eacute;ia de que poder&iacute;amos pensar uma teoria da estrutura e do funcionamento da personalidade sem que tivesse rela&ccedil;&atilde;o alguma com a estrutura e funcionamento da nossa pr&oacute;pria personalidade constituiu uma impossibilidade auto-evidente. Se nossa teoria for r&iacute;gida demais, &eacute; prov&aacute;vel que esteja conceituando as defesas do nosso ego. Se for flex&iacute;vel e progressiva, poder&aacute; conceituar nosso cont&iacute;nuo processo de crescimento, iluminar os problemas e as possibilidades terap&ecirc;uticas de outros. Uma vez que a &ldquo;falta b&aacute;sica&rdquo; de Balint e o &ldquo;n&uacute;cleo incomunic&aacute;vel&rdquo; de Winnicott s&atilde;o considerados fen&ocirc;menos universais, certamente devem constituir a forma deles de &ldquo;intuitivamente sentir&rdquo; sua pr&oacute;pria realidade b&aacute;sica e, portanto, a de outros. Ao contr&aacute;rio dos constructos te&oacute;ricos exatos e intelectualmente definidos de Fairbairn, que trazem os desenvolvimentos progressivos l&oacute;gicos existentes na teoria, eles abrem caminho para explora&ccedil;&otilde;es mais profundas do per&iacute;odo da primeira inf&acirc;ncia, no qual, independentemente da carga gen&eacute;tica do beb&ecirc;, a habilidade ou falha da m&atilde;e em &ldquo;relacionar-se&rdquo; &eacute; o <i>sine qua non</i> da sa&uacute;de ps&iacute;quica do beb&ecirc;. Encontrar bons pais no in&iacute;cio &eacute; a base da sa&uacute;de ps&iacute;quica. Na falta disso, encontrar um genu&iacute;no &ldquo;objeto bom&rdquo; no analista &eacute; tanto uma experi&ecirc;ncia transferencial como uma experi&ecirc;ncia da vida real. Na an&aacute;lise, assim como na vida, todas as rela&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m uma natureza sutilmente dual. Durante toda a vida introduzimos dentro de n&oacute;s figuras tanto boas como m&aacute;s, que nos fortalecem ou perturbam, e ocorre o mesmo na terapia psicanal&iacute;tica: o encontro e a intera&ccedil;&atilde;o de duas pessoas de verdade em todas as suas complexas possibilidades. </font></p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p> 				    <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fairbairn, William Ronald D. 1952a: <i>Psychoanalytic Studies of the Personality</i>, London, Tavistock Publications.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1494374&pid=S1517-2430200600020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1952b: &ldquo;Theoretical and experimental aspects of psychoanalysis&rdquo;, <i>Brit. J. med.Psychol</i>. 25, pp. 122-127.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fairbairn, William Ronald D. 1954: &ldquo;Observations of the nature of hysterical states&rdquo;, <i>Brit. J. med.Psychol</i>. 27, pp. 106-125.</font></p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1955: &ldquo;Observations in defense of the object-relations theory of the personality&rdquo;, <i>Brit. J. med.Psychol</i>. 28, pp. 144-156.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1956: &ldquo;Considerations arising out of the Schreber case&rdquo;, <i>Brit. J. med.Psychol</i>. 29, pp. 113-127.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1958: &ldquo;On the nature and aims of psychoanalytical treatment&rdquo;, <i>Int. J. Psycho-Anal.</i>, 39, pp. 374-385.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guntrip, Harry 1960: &ldquo;Ego-weakness, the hard core of the problem of psychotherapy&rdquo;, in Guntrip (1968).</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1961: <i>Personality Structure and Human Interaction</i>, London, Hogarth Press.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1968: <i>Schizoid Phenomen, Objecto-Relations and the Self</i>, London, Hogarth Press.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Morse, Stephen J. 1972: &ldquo;Structure and reconstruction: a critical comparison of Michael Balint and D. W. Winnicott&rdquo;, <i>Int. J. Psycho-Anal.</i>, 53, pp. 487-500.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sutherland, John 1965; &ldquo;Obituary. W.R.D.Fairbairn&rdquo;, <i>Int. J. Psycho-Anal.</i>, 46, pp. 245-247.</font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Winnicott, Donald W. 1958: <i>Collected papers. Through Paediatrics to Psycho-Analysis</i>, London, Tavistock Publications. </font></p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">_____ 1971. <i>Palying and Reality</i>. London, Tavistock.</font></p> 				    ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 12 de outubro de 2005    <br> 				    Aprovado em 5 de novembro de 2006</font></p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p>&nbsp;</p> 				    <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="ast1b"></a><a href="#ast1">*</a></sup> T&iacute;tulo original: &ldquo; My experience of analysis with Fairbairn and Winnicott&rdquo; (How Complete a Result does Psycho-analytic Therapy Achieve?), <i>Internat. Rewiew of Psycoanal</i>, 1975, n. 2.     <br> 				Tradu&ccedil;&atilde;o de Miguel A. de Mello Silva (e-mail: <a href="mailto:psicomig@terra.com.br">psicomig@terra.com.br</a>). Revis&atilde;o t&eacute;cnica de Elsa Oliveira Dias (e-mail: <a href="mailto:elsadias@uol.com.br">elsadias@uol.com.br</a>).    <br> 	Esta tradu&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m levou em considera&ccedil;&atilde;o uma outra vers&atilde;o para o portugu&ecirc;s deste artigo, feita por M&ocirc;nica M. M. Aguiar e revisada por Edna Pereira Vilete, publicada na revista da SPRJ, <i>Psicanal&iacute;tica</i>, vol. II, n. 1, pp. 223-245.</font></p>  	     ]]></body>
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<year>1952</year>
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