<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1517-2430</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Natureza humana ]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Nat. hum.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1517-2430</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Sociedade Brasileira de Fenomenologia e Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1517-24302019000200003</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Idealismo transcendental e realismo empírico: uma interpretação semântica do problema da cognoscibilidade dos objetos externos]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perez]]></surname>
<given-names><![CDATA[Daniel Omar]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="AFF"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="AF1">
<institution><![CDATA[,Universidade Estadual de Campinas Instituto de Filosofia e Ciências Humanas Departamento de Filosofia]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2019</year>
</pub-date>
<volume>21</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>01</fpage>
<lpage>17</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1517-24302019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1517-24302019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1517-24302019000200003&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O objetivo deste artigo é apresentar o idealismo transcendental (e o realismo empírico) como uma semântica transcendental, que permite resolver problemas cognitivos da ciência e decidir sobre problemas filosóficos, por meio de novos argumentos e documentos textuais da filosofia kantiana. Para tal fim, mostraremos que a pergunta fundamental que aparece em todo o percurso da obra kantiana é a da possibilidade das proposições sintéticas. Essa pergunta demanda o desenvolvimento de uma resposta que essencialmente diz respeito não apenas a sua necessidade e possibilidade lógica, mas também a sua exequibilidade, e que mostrará suas peculiaridades em cada caso. Especificamente na primeira crítica, as condições ou ingredientes do juízo permitem distinguir entre fenômenos como objetos de conhecimento e coisas em si mesmas. Assim, o idealismo transcendental é definido, no sentido restrito, na crítica da razão pura, basicamente, pelo modo de interpretar o papel da sensibilidade em relação com as categorias e a constituição dos objetos de conhecimento. Esta posição filosófica permite a Kant propor um campo de sentido onde formular e resolver problemas cognitivos válidos e, portanto, resolver os problemas que a própria razão se impõe, bem como fazer uma refutação ao idealismo (material), tanto problemático quanto dogmático. Assim, provaremos que o problema da cognoscibilidade dos objetos se resolve em Kant em termos decididamente semânticos.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The aim of this paper is to show the transcendental idealism (and empirical realism) as transcendental semantics, which allows us to solve cognitive problems in science and to decide on philosophical problems through new arguments and textual documents of Kantian philosophy. To this goal, we will show that the fundamental question that appears throughout the course of the Kantian work is the question of the possibility of synthetic propositions. This question calls for the development of an answer that essentially concerns not only its necessity and logical possibility, but also its feasibility, and which will show its peculiarities in each case. Specifically, in the first criticism, the conditions or ingredients of judgment allow us to distinguish between phenomena as objects of knowledge and things in themselves. Thus transcendental idealism is defined, in the narrow sense, in the critique of pure reason, basically, by the way of interpreting the role of sensibility in relation to the categories and constitution of the objects of knowledge. This philosophical position allows Kant to propose a field of meaning in which to formulate and solve valid cognitive problems and, therefore, to solve the problems that reason itself imposes, as well as to refute the (material) idealism, both problematic and dogmatic. Thus we will prove that the problem of know objects is solved in Kant in decidedly semantic terms.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Kant]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[semântica]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[inteligência artificial]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[esquematismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[idealismo transcendental]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Kant]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Semantic]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Artificial intelligence]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[squeme]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[transcendental idealism]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a><b>Idealismo transcendental e realismo emp&iacute;rico: uma interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntica do problema da cognoscibilidade dos objetos externos</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Daniel Omar Perez<a href="#1a"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP - Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ci&ecirc;ncias Humanas - IFCH / E-mail: <a href="mailto:danielomarperez1@gmail.com">danielomarperez1@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="verdana, arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> O objetivo deste artigo &eacute; apresentar o idealismo transcendental (e o realismo emp&iacute;rico) como uma sem&acirc;ntica transcendental, que permite resolver problemas cognitivos da ci&ecirc;ncia e decidir sobre problemas filos&oacute;ficos, por meio de novos argumentos e documentos textuais da filosofia kantiana. Para tal fim, mostraremos que a pergunta fundamental que aparece em todo o percurso da obra kantiana &eacute; a da possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas. Essa pergunta demanda o desenvolvimento de uma resposta que essencialmente diz respeito n&atilde;o apenas a sua necessidade e possibilidade l&oacute;gica, mas tamb&eacute;m a sua exequibilidade, e que mostrar&aacute; suas peculiaridades em cada caso.  Especificamente na primeira cr&iacute;tica, as condi&ccedil;&otilde;es ou ingredientes do ju&iacute;zo permitem distinguir entre fen&ocirc;menos como objetos de conhecimento e coisas em si mesmas. Assim, o idealismo transcendental &eacute; definido, no sentido restrito, na cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura, basicamente, pelo modo de interpretar o papel da sensibilidade em rela&ccedil;&atilde;o com as categorias e a constitui&ccedil;&atilde;o dos objetos de conhecimento. Esta posi&ccedil;&atilde;o filos&oacute;fica permite a Kant propor um campo de sentido onde formular e resolver problemas cognitivos v&aacute;lidos e, portanto, resolver os problemas que a pr&oacute;pria raz&atilde;o se imp&otilde;e, bem como fazer uma refuta&ccedil;&atilde;o ao idealismo (material), tanto problem&aacute;tico quanto dogm&aacute;tico. Assim, provaremos que o problema da cognoscibilidade dos objetos se resolve em Kant em termos decididamente sem&acirc;nticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> Kant; sem&acirc;ntica; intelig&ecirc;ncia artificial; esquematismo; idealismo transcendental.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The aim of this paper is to show the transcendental idealism (and empirical realism) as transcendental semantics, which allows us to solve cognitive problems in science and to decide on philosophical problems through new arguments and textual documents of Kantian philosophy. To this goal, we will show that the fundamental question that appears throughout the course of the Kantian work is the question of the possibility of synthetic propositions. This question calls for the development of an answer that essentially concerns not only its necessity and logical possibility, but also its feasibility, and which will show its peculiarities in each case. Specifically, in the first criticism, the conditions or ingredients of judgment allow us to distinguish between phenomena as objects of knowledge and things in themselves. Thus transcendental idealism is defined, in the narrow sense, in the critique of pure reason, basically, by the way of interpreting the role of sensibility in relation to the categories and constitution of the objects of knowledge. This philosophical position allows Kant to propose a field of meaning in which to formulate and solve valid cognitive problems and, therefore, to solve the problems that reason itself imposes, as well as to refute the (material) idealism, both problematic and dogmatic. Thus we will prove that the problem of know objects is solved in Kant in decidedly semantic terms.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keyword:</b> Kant, Semantic, Artificial intelligence, squeme, transcendental idealism</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>1. A tarefa cr&iacute;tica: a pergunta pela possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura</i> tem sido interpretada nos &uacute;ltimos duzentos anos das mais variadas formas, a saber: como psicologia, epistemologia ou at&eacute; mesmo como fundamenta&ccedil;&atilde;o da metaf&iacute;sica. Dentre esses int&eacute;rpretes, para dar alguns exemplos, podemos citar desde os mais contempor&acirc;neos, como Patricia Kitcher (1990), at&eacute; o grande leque dos denominados neokantianos, como Herman Cohen (1885), ou seus opositores, como Heidegger (1998). No entanto, na primeira cr&iacute;tica, Kant declara sem ambiguidade:</font></p>     <blockquote>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ora, o verdadeiro problema da raz&atilde;o pura est&aacute; contido na seguinte pergunta: como s&atilde;o poss&iacute;veis os ju&iacute;zos sint&eacute;ticos <i>a priori</i>? Ou seja, como &eacute; que as interroga&ccedil;&otilde;es que a raz&atilde;o pura levanta e que, por necessidade pr&oacute;pria, &eacute; levada a resolver o melhor poss&iacute;vel surgem da natureza humana em geral? (Kant, KrV B 19) ?</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kant n&atilde;o diz que seu problema &eacute; psicol&oacute;gico, epistemol&oacute;gico ou que sua obra &eacute; ela mesma uma fundamenta&ccedil;&atilde;o da metaf&iacute;sica. Ele se interroga pela possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es e pelo dispositivo que permite sua formula&ccedil;&atilde;o. Isso nos autoriza a pensar que, em vez de ir por aqueles caminhos sugeridos por alguns int&eacute;rpretes, podemos avan&ccedil;ar no que se entende como uma pesquisa sobre as condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas e do aparelho capaz de executar as regras derivadas da an&aacute;lise daquelas condi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, a formula&ccedil;&atilde;o do problema de pesquisa kantiano nesses termos n&atilde;o parece ter sido conjuntural, isto &eacute;, n&atilde;o se apresenta apenas como um modo de dizer outra coisa. Em <i>Grundlegung zur Metaphysik der Sitten </i>(GMdS), referindo-se ao problema da raz&atilde;o pr&aacute;tica, Kant escreve: "Surge agora a quest&atilde;o: como s&atilde;o poss&iacute;veis esses imperativos". Kant avan&ccedil;a ainda numa especifica&ccedil;&atilde;o sobre a tarefa empreendida:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;...&#93; a quest&atilde;o como &eacute; poss&iacute;vel o imperativo da moralidade &eacute;, sem d&uacute;vida, a &uacute;nica que precisa de solu&ccedil;&atilde;o, visto que ele n&atilde;o &eacute; de modo algum hipot&eacute;tico e, por conseguinte, a necessidade objetivamente representada n&atilde;o pode se apoiar em qualquer pressuposto como nos imperativos hipot&eacute;ticos. (GMdS 48)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No entanto, essa tarefa parece ser apenas esbo&ccedil;ada na GMdS, pelo que se declara em GMdS 95:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como &eacute; poss&iacute;vel <i>a priori</i> uma tal proposi&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica sint&eacute;tica e por que &eacute; necess&aacute;ria, eis a&iacute; um problema cuja solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; dentro dos limites da Metaf&iacute;sica dos Costumes, nem temos afirmado sua verdade aqui, muito menos alegado ter em nosso poder uma prova da mesma.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, finalmente em GMdS 110, a pergunta volta a aparecer explicitamente, propondo-se seguidamente uma demonstra&ccedil;&atilde;o de "como &eacute; poss&iacute;vel um imperativo categ&oacute;rico?"</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A pergunta expl&iacute;cita pela possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas n&atilde;o se limita &agrave; raz&atilde;o te&oacute;rica e &agrave; raz&atilde;o pr&aacute;tica. Na terceira cr&iacute;tica, na "Investiga&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o, se no ju&iacute;zo de gosto o sentimento de prazer precede o ajuizamento ou se este ajuizamento precede o prazer", Kant diz: "A solu&ccedil;&atilde;o deste problema &eacute; a chave da cr&iacute;tica do gosto e por isso digna de toda aten&ccedil;&atilde;o". Aqui, aparece a seguinte declara&ccedil;&atilde;o:</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O prazer que sentimos n&oacute;s o imputamos a todo outro, como se, quando denominamos uma coisa bela, se tratasse de uma qualidade do objeto, que &eacute; determinada nele segundo conceitos; pois a beleza, sem refer&ecirc;ncia ao sentimento do sujeito, por si n&atilde;o &eacute; nada. Mas temos que reservar a discuss&atilde;o desta quest&atilde;o at&eacute; a resposta &agrave;quela outra: como ju&iacute;zos est&eacute;ticos s&atilde;o poss&iacute;veis? (Kant, KU 30)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A senten&ccedil;a kantiana &eacute; t&atilde;o clara como nos outros dois casos. Tanto na raz&atilde;o te&oacute;rica e na raz&atilde;o pr&aacute;tica quanto na reflex&atilde;o, o problema &eacute; <i>a possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas</i>, isto &eacute;, como s&atilde;o poss&iacute;veis ju&iacute;zos sint&eacute;ticos <i>a priori</i> cognitivos, imperativos e est&eacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso, j&aacute; temos elementos para pensar que o problema da raz&atilde;o na sua sistem&aacute;tica tarefa cr&iacute;tica, como filosofia transcendental em sentido amplo (e n&atilde;o apenas restrito &agrave; primeira cr&iacute;tica), passa decididamente pela indaga&ccedil;&atilde;o acerca da possibilidade dos ju&iacute;zos. Por&eacute;m, os diferentes momentos do texto kantiano, nos quais a tarefa aparece expl&iacute;cita, n&atilde;o termina por aqui. Em <i>Die Religion Innerbalb der Grenzen der blossen Vernunft</i> (Rel.), podemos citar uma nota de rodap&eacute; muito esclarecedora:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a proposi&ccedil;&atilde;o  "H&aacute; um Deus", por conseguinte  "H&aacute; um bem supremo no mundo", tiver (como proposi&ccedil;&atilde;o de f&eacute;) de provir somente da moral, &eacute; uma proposi&ccedil;&atilde;o sint&eacute;tica <i>a priori</i>; embora ela se aceite apenas na refer&ecirc;ncia pr&aacute;tica, vai al&eacute;m do conceito de dever, que a moral cont&eacute;m (e que n&atilde;o pressup&otilde;e nenhuma mat&eacute;ria do arb&iacute;trio, mas somente leis formais suas), e n&atilde;o pode, portanto, desenvolver-se a partir da moral. Mas como &eacute; poss&iacute;vel semelhante proposi&ccedil;&atilde;o <i>a priori</i>?</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kant continua:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A conson&acirc;ncia com a simples ideia de um legislador moral de todos os homens &eacute;, decerto, id&ecirc;ntica ao conceito moral de dever em geral, e assim, a proposi&ccedil;&atilde;o que ordena tal conson&acirc;ncia seria anal&iacute;tica. Mas a aceita&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia de um objeto diz mais do que a sua mera possibilidade. A chave para a solu&ccedil;&atilde;o deste problema, tanto quanto a julgo discernir, s&oacute; a posso aqui indicar, sem a desenvolver. (Kant, Rel. BA IX - X)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa linha de reflex&atilde;o, podemos pensar que a pergunta kantiana pela possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es se estende na doutrina do direito com o enunciado "Isto &eacute; meu". Tamb&eacute;m vemos a mesma preocupa&ccedil;&atilde;o na hist&oacute;ria, no texto <i>Der Streit der Fakult&auml;ten</i>, quando Kant deve decidir a validade da proposi&ccedil;&atilde;o "O g&ecirc;nero humano progride para melhor".</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em cada caso, com as peculiaridades de cada campo espec&iacute;fico, n&atilde;o se faz sen&atilde;o responder &agrave; pergunta pelas condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade que permitem que esses tipos proposicionais n&atilde;o sejam meras quimeras sem sentido sen&atilde;o necess&aacute;rios, poss&iacute;veis (do ponto de vista l&oacute;gico) e realmente efetivos, isto &eacute;, exequ&iacute;veis. Nesse sentido, podemos dizer que o idealismo transcendental, em sentido amplo, pode ser definido pela tarefa de responder &agrave; quest&atilde;o j&aacute; destacada. Assim, a resolu&ccedil;&atilde;o da tarefa passa por encontrar os ingredientes e as regras operacionais de cada tipo de proposi&ccedil;&atilde;o, bem como o dispositivo ou aparelho que executa as regras. Trata-se, ent&atilde;o, de uma tarefa que deve formular as regras l&oacute;gico-sem&acirc;nticas das proposi&ccedil;&otilde;es e que permite a constru&ccedil;&atilde;o do aparelho que opera essas regras; a este &uacute;ltimo Kant chamou de sujeito, natureza humana, ser humano, esp&eacute;cie, g&ecirc;nero, povo, segundo o caso de cada tipo proposicional. Essa tarefa foi desenvolvida em diferentes trabalhos que come&ccedil;aram com a primeira cr&iacute;tica, mas se estenderam em toda a obra kantiana (ver Loparic, 2000; Perez, 2008).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aqui, retomaremos a defini&ccedil;&atilde;o de idealismo transcendental da primeira cr&iacute;tica, oporemos essa perspectiva ao idealismo (material), tal como faz Kant, e demonstraremos que a diferen&ccedil;a entre ambas as orienta&ccedil;&otilde;es filos&oacute;ficas est&aacute; no procedimento de doa&ccedil;&atilde;o de sentido dos seus conceitos. Veremos como um tipo de sem&acirc;ntica permitir&aacute; resolver a quest&atilde;o levantada e a outra n&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>2. Idealismo transcendental em sentido estrito (primeira cr&iacute;tica)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A quest&atilde;o levantada por Kant na <i>Cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura</i> era se a metaf&iacute;sica podia ser considerada uma ci&ecirc;ncia. Se for assim, ent&atilde;o a metaf&iacute;sica devia obedecer aos crit&eacute;rios da ci&ecirc;ncia, nomeadamente, a matem&aacute;tica, a geometria e a f&iacute;sica. Cada uma dessas ci&ecirc;ncias tem proposi&ccedil;&otilde;es anal&iacute;ticas e proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas. As primeiras pautam seu valor de verdade no princ&iacute;pio l&oacute;gico formal de n&atilde;o contradi&ccedil;&atilde;o. As segundas deviam ser comprovadas na experi&ecirc;ncia. Entretanto, Kant descobre um novo tipo proposicional, a saber, as proposi&ccedil;&otilde;es sint&eacute;ticas <i>a priori</i>. Trata-se de proposi&ccedil;&otilde;es cujo valor de verdade pode ser dado antes da experi&ecirc;ncia e, no entanto, n&atilde;o s&atilde;o meramente anal&iacute;ticas. Retomemos o problema da possibilidade das proposi&ccedil;&otilde;es na sua origem, isto &eacute;, na primeira cr&iacute;tica. Kant se interroga pelos ju&iacute;zos sint&eacute;ticos <i>a priori</i> da experi&ecirc;ncia cognitiva e, imediatamente, passa a indagar os ingredientes e o funcionamento desse tipo de ju&iacute;zo. Assim, espa&ccedil;o, tempo e categorias (como representa&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis e representa&ccedil;&otilde;es intelectuais, respectivamente) s&atilde;o expostas (as primeiras) e deduzidas (as segundas) devidamente na Est&eacute;tica transcendental e na Anal&iacute;tica transcendental. As intui&ccedil;&otilde;es, como representa&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis, devem poder ser subsumidas sob categorias ou formas l&oacute;gicas do entendimento. Desse modo, aqueles ingredientes, segundo os correspondentes modos de articula&ccedil;&atilde;o (definidos no esquematismo), possibilitam os fen&ocirc;menos que podem ser conhecidos, diferentes das coisas em si mesmas, que seriam objetos independentes da nossa forma de conhecimento e em rela&ccedil;&atilde;o com os quais n&atilde;o ter&iacute;amos acesso cognitivo te&oacute;rico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Deve se observar que n&atilde;o se trata de partir de uma natureza humana previamente estabelecida, como era o caso de Locke, mas de uma estrutura proposicional considerada como dada e a ser provada como v&aacute;lida; o resultado dessa prova mostraria a validez do ponto de partida. Coisa que n&atilde;o poderia ser feita se part&iacute;ssemos de uma natureza humana preestabelecida. Desse modo, Kant se orienta no sentido contr&aacute;rio ao de Locke (1980). As condi&ccedil;&otilde;es da sensibilidade e a espontaneidade do pensamento s&atilde;o, antes de qualquer coisa, ingredientes necess&aacute;rios do ju&iacute;zo. Isto &eacute;, servem como condi&ccedil;&otilde;es para provar a validade do ju&iacute;zo e sua exequibilidade, e s&oacute; depois podemos dizer que constituem um aparelho cognitivo (racional e eventualmente humano). Assim, por um lado, os fen&ocirc;menos, ao estarem determinados pelas nossas formas da sensibilidade, s&atilde;o objetos tal qual se nos aparecem e sobre os quais podemos formular problemas sol&uacute;veis. Quer dizer, podemos formular proposi&ccedil;&otilde;es que possam ser ditas sem sentido ou com sentido e, no &uacute;ltimo caso, portanto, ou verdadeiras ou falsas. Por outro lado, afirmar algo sobre coisas em si mesmas como independentes da nossa sensibilidade nos conduziria a uma s&eacute;rie de problemas do ponto de vista da validade de um conte&uacute;do cognitivo no sentido exposto. Assim, Kant d&aacute;, por exemplo, os problemas ocorridos em Descartes (1984, 1999) e Berkeley (2008) na sua Refuta&ccedil;&atilde;o ao idealismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para entendermos a quest&atilde;o, tentemos reconstruir sumariamente o dispositivo kantiano. Para que um objeto possa ser conhecido, deve poder ser dado ou constru&iacute;do na sensibilidade. Isso significa que <i>algo</i> (<i>etwas</i>) deve poder ser dado ou constru&iacute;do pelas formas puras de toda intui&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, a saber, o tempo ou o tempo e o espa&ccedil;o. As formas l&oacute;gicas do entendimento s&oacute; t&ecirc;m realidade objetiva, do ponto de vista cognitivo, desde que sejam aplicadas aos m&uacute;ltiplos intuitivos (sens&iacute;veis) (<i>mannigfaltigkeit</i>). Isto &eacute; demonstrado por Kant na dedu&ccedil;&atilde;o transcendental das categorias, cuja tarefa avan&ccedil;a no esquematismo e nos princ&iacute;pios do entendimento. A tarefa que resolve a rela&ccedil;&atilde;o entre conceitos e objetos na sensibilidade tem pelo menos dois momentos: &eacute; preciso mostrar que categorias podem constituir a experi&ecirc;ncia do objeto e como essas categorias se aplicam a esses objetos (ver, especialmente, Linhares, 2006). &Eacute; dessa forma como os objetos da experi&ecirc;ncia cognitiva n&atilde;o podem estar al&eacute;m dos limites da nossa sensibilidade, isto &eacute;, n&atilde;o podem pertencer ao conjunto de ser enquanto coisas em si mesmas<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a> sob a pena de estar afirmando algo sobre elas de car&aacute;ter duvidoso ou problem&aacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; nessa dire&ccedil;&atilde;o que &eacute; poss&iacute;vel compreender a defini&ccedil;&atilde;o kantiana de idealismo transcendental em sentido estrito na primeira cr&iacute;tica:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na Est&eacute;tica transcendental demonstramos que tudo o que se intui no espa&ccedil;o e no tempo e, por conseguinte, todos os objetos de uma experi&ecirc;ncia poss&iacute;vel para n&oacute;s, s&atilde;o apenas fen&ocirc;menos, isto &eacute;, meras representa&ccedil;&otilde;es enquanto seres extensos ou s&eacute;ries de mudan&ccedil;as, n&atilde;o t&ecirc;m fora dos nossos pensamentos exist&ecirc;ncia fundamentada em si. A essa doutrina chamo eu Idealismo transcendental. (Kant, KrV A 490-491 / B 518-519)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E, mais especificamente, afirma:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Compreendo por idealismo transcendental de todos os fen&ocirc;menos a doutrina que os considera, globalmente, simples representa&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o coisas em si, segundo a qual, o tempo e o espa&ccedil;o s&atilde;o apenas formas sens&iacute;veis da nossa intui&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o s&atilde;o determina&ccedil;&otilde;es dadas por si, ou condi&ccedil;&otilde;es dos objetos considerados como coisas em si. (Kant, KrV A 369)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em consequ&ecirc;ncia disso, todo idealista transcendental &eacute; tamb&eacute;m um realista emp&iacute;rico.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Toda percep&ccedil;&atilde;o externa, portanto, demonstra imediatamente algo real no espa&ccedil;o, ou melhor, &eacute; o pr&oacute;prio real e, nesse sentido, o realismo emp&iacute;rico est&aacute; fora de d&uacute;vida, ou seja, &agrave;s nossas intui&ccedil;&otilde;es externas corresponde algo real no espa&ccedil;o. Simplesmente o pr&oacute;prio espa&ccedil;o, com todos os seus fen&ocirc;menos como representa&ccedil;&otilde;es, s&oacute; existe em mim; mas, nesse espa&ccedil;o, contudo, &eacute; dado o real ou a mat&eacute;ria de todos os objetos da intui&ccedil;&atilde;o externa, verdadeira e independentemente de toda a fic&ccedil;&atilde;o, e &eacute; tamb&eacute;m imposs&iacute;vel que, nesse espa&ccedil;o, seja dada qualquer coisa exterior a n&oacute;s (no sentido transcendental), porque o pr&oacute;prio espa&ccedil;o nada &eacute; fora da nossa sensibilidade. (Kant, KrV A 375)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cabe sublinhar o dito por Kant: tanto "em mim" quanto "a n&oacute;s" n&atilde;o se refere a um indiv&iacute;duo considerado empiricamente, sen&atilde;o desde o pronto de vista transcendental, quer dizer, enquanto condi&ccedil;&atilde;o de possibilidade da pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia do sujeito em rela&ccedil;&atilde;o com o objeto a ser conhecido. Dito por outras palavras, essa posi&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o e o tempo n&atilde;o se deriva de um estudo anat&ocirc;mico ou psicol&oacute;gico do ser humano empiricamente determinado em alguma situa&ccedil;&atilde;o geral o espec&iacute;fica. Se Kant n&atilde;o adotasse a concep&ccedil;&atilde;o de que o espa&ccedil;o e o tempo s&atilde;o formas puras da sensibilidade e as intui&ccedil;&otilde;es puras s&atilde;o a condi&ccedil;&atilde;o <i>a priori</i> onde o m&uacute;ltiplo intuitivo &eacute; dado, ent&atilde;o as categorias como produtos da espontaneidade do pensamento n&atilde;o encontrariam limites para sua aplica&ccedil;&atilde;o. Sem essa limita&ccedil;&atilde;o, as categorias poderiam ser aplicadas a objetos em geral enquanto coisas em si, independentemente das condi&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis. A consequ&ecirc;ncia disso seria a possibilidade de afirmar, sem crit&eacute;rio seguro, a exist&ecirc;ncia de objetos que n&atilde;o necessariamente cumpririam com as condi&ccedil;&otilde;es de uma experi&ecirc;ncia. Desse modo, n&atilde;o ter&iacute;amos como afirmar nada sobre os objetos sem que seja pelo menos duvidoso, dando lugar ao ceticismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Kant, esse idealismo transcendental, baseado na determina&ccedil;&atilde;o das formas da sensibilidade, op&otilde;e-se a um realismo transcendental que considera o espa&ccedil;o e o tempo como algo dado em si (Kant, KrV A 369). "O realista, em sentido transcendental, converte estas modifica&ccedil;&otilde;es da nossa sensibilidade em coisas em si subsistentes por si mesmas e, por conseguinte, faz de simples representa&ccedil;&otilde;es coisas em si" (Kant, KrV A 491 / B 519). Toda a diferen&ccedil;a de ambas as posi&ccedil;&otilde;es est&aacute; em considerar, por um lado, o que se apresenta na determina&ccedil;&atilde;o da minha sensibilidade como m&uacute;ltiplo intuitivo (<i>mannigfaltigkeit</i>) dado e pass&iacute;vel de ser subsumido sob categorias do entendimento e, por outro lado, o que seria independente dela. A distin&ccedil;&atilde;o entre fen&ocirc;meno e coisa em si divide dois modos de referir conceitos. Trata-se de duas sem&acirc;nticas. Essa diferen&ccedil;a &eacute; o que nos conduziria a afirmar que o idealismo transcendental &eacute; a chave para a solu&ccedil;&atilde;o dos problemas da Dial&eacute;tica transcendental, especificamente dos problemas cosmol&oacute;gicos, mas tamb&eacute;m dos paralogismos, especialmente do terceiro e do quarto, onde se aborda o problema da personalidade e da idealidade, e da rela&ccedil;&atilde;o externa, bem como a chave de uma refuta&ccedil;&atilde;o ao idealismo. Enquanto a posi&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria ao idealismo transcendental nos conduziria &agrave; impossibilidade de lidar resolutamente com esses mesmos problemas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Loparic (1990), encontramos um trabalho bastante t&eacute;cnico e preciso sobre a primeira antinomia, que demonstra como Kant resolve um dos problemas necess&aacute;rios da raz&atilde;o em termos l&oacute;gico-sem&acirc;nticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nosso seguinte passo, ser&aacute; abordar a refuta&ccedil;&atilde;o ao idealismo seguindo o modo de interpreta&ccedil;&atilde;o sem&acirc;ntico.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>3. A refuta&ccedil;&atilde;o ao idealismo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para melhor entender o problema, citaremos a formula&ccedil;&atilde;o da quest&atilde;o redigida por Kant para logo avan&ccedil;armos no detalhe dos seus elementos.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O idealismo (o idealismo material, entenda-se) &eacute; a teoria que considera a exist&ecirc;ncia dos objetos fora de n&oacute;s, no espa&ccedil;o, ou simplesmente duvidosa ou indemonstr&aacute;vel, ou falsa e imposs&iacute;vel; o primeiro &eacute; o idealismo <i>problem&aacute;tico de Descartes</i>, que s&oacute; admite como indubit&aacute;vel uma &uacute;nica afirma&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica (<i>assertio</i>), a saber, <i>eu sou</i>; o segundo, o idealismo <i>dogm&aacute;tico de Berkeley</i> que considera imposs&iacute;vel em si o espa&ccedil;o, com todas as coisas de que &eacute; insepar&aacute;vel, sendo, por conseguinte, simples fic&ccedil;&otilde;es as coisas no espa&ccedil;o. O idealismo dogm&aacute;tico &eacute; inevit&aacute;vel, se se considera o espa&ccedil;o como propriedade que deve ser atribu&iacute;da &agrave;s coisas em si, sendo assim, tanto o espa&ccedil;o como tudo a que serve de condi&ccedil;&atilde;o &eacute; um n&atilde;o-ser. Mas o fundamento deste idealismo foi por n&oacute;s demolido na est&eacute;tica transcendental. O idealismo problem&aacute;tico, que nada afirma de semelhante e s&oacute; alega incapacidade de demonstrar, por uma experi&ecirc;ncia imediata, uma exist&ecirc;ncia que n&atilde;o seja a nossa, &eacute; racional e conforme a uma maneira de pensar rigorosamente filos&oacute;fica, a saber, n&atilde;o permite um ju&iacute;zo decisivo antes de ter sido encontrada prova suficiente. A prova exigida dever&aacute;, pois, mostrar que temos tamb&eacute;m experi&ecirc;ncia e n&atilde;o apenas imagina&ccedil;&atilde;o das coisas exteriores. O que decerto s&oacute; pode fazer-se demonstrando que mesmo a nossa experi&ecirc;ncia interna, indubit&aacute;vel para Descartes, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel mediante a experi&ecirc;ncia externa. (Kant, KrV B 274-275)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A posi&ccedil;&atilde;o do idealismo transcendental, tanto contra Berkeley quanto contra Descartes, se apoia na sua concep&ccedil;&atilde;o das formas da sensibilidade (espa&ccedil;o e tempo). Essa condi&ccedil;&atilde;o nos oferece um modo de aplicar os conceitos a m&uacute;ltiplos intuitivos e, assim, poder validar nossas proposi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Aquilo que percebemos como dado, segundo as formas da sensibilidade, &eacute; subsumido sob a forma l&oacute;gica do entendimento na categoria, segundo uma regra de aplica&ccedil;&atilde;o ou <i>esquema</i>.  De acordo com os quatro grupos de categorias (quantidade, qualidade, rela&ccedil;&atilde;o e modalidade), a representa&ccedil;&atilde;o esquem&aacute;tica, para a aplica&ccedil;&atilde;o das mesmas no m&uacute;ltiplo intuitivo dado segundo as formas da nossa sensibilidade, &eacute; a seguinte:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">- <i>Para as categorias da quantidade</i>: a regra de aplica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; como produ&ccedil;&atilde;o (s&iacute;ntese, ou composi&ccedil;&atilde;o) do tempo na apreens&atilde;o sucessiva de um objeto. Assim sendo, um objeto &eacute; uma quantidade como s&iacute;ntese ou composi&ccedil;&atilde;o do tempo. Desse modo, podem ser aplic&aacute;veis as categorias de unidade, pluralidade e totalidade. Por isso, &eacute; poss&iacute;vel medir o objeto e compar&aacute;-lo com outras quantidades.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>- Para as categorias da qualidade</i>: a regra de aplica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; como a s&iacute;ntese da sensa&ccedil;&atilde;o (da percep&ccedil;&atilde;o) com a representa&ccedil;&atilde;o do tempo, ou plenitude do tempo. Na aplica&ccedil;&atilde;o de cada categoria, o que est&aacute; em jogo &eacute; o grau de intensidade da sensa&ccedil;&atilde;o. Desde a realidade &agrave; nega&ccedil;&atilde;o e a limita&ccedil;&atilde;o.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>- Para as categorias da rela&ccedil;&atilde;o</i>: a regra de aplica&ccedil;&atilde;o se d&aacute; como o enlace que une percep&ccedil;&otilde;es no tempo (segundo uma regra da determina&ccedil;&atilde;o de modos do tempo). Assim, temos o permanente, o sucessivo e o coexistente no tempo.</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>- Para as categorias da modalidade</i>: a regra de aplica&ccedil;&atilde;o estabelece o tempo como correlato da determina&ccedil;&atilde;o de um objeto para ver se esse objeto pertence ao tempo. Assim, temos a possibilidade, a efetividade e a necessidade com rela&ccedil;&atilde;o ao tempo.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cada grupo de categorias se organiza para sua aplica&ccedil;&atilde;o, segundo certas formas do tempo, como podemos observar: a <i>s&eacute;rie</i> do tempo como quantidade; o <i>conte&uacute;do</i> do tempo como qualidade; a <i>ordem</i> do tempo como rela&ccedil;&atilde;o; e o <i>conjunto</i> do tempo como modalidade. Sublinhamos algo fundamental nesse processo de "aplica&ccedil;&atilde;o", a saber, o esquema que opera entre o conceito e o objeto fenom&ecirc;nico n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o um procedimento de generaliza&ccedil;&atilde;o, que lhe permite encontrar ao conceito o objeto em quest&atilde;o dentre muitos objetos que n&atilde;o seriam o caso. O dispositivo kantiano de esquematiza&ccedil;&atilde;o funciona por reconhecimento de objetos que n&atilde;o s&atilde;o exatamente iguais ao anterior, mas, mesmo assim, podem ser identificados como sento o caso. Podemos afirmar que seu funcionamento &eacute; o mesmo que opera nas m&aacute;quinas de intelig&ecirc;ncia artificial. O esquema possibilita a cria&ccedil;&atilde;o de um padr&atilde;o onde achar/reconhecer o objeto que &eacute; o caso. A no&ccedil;&atilde;o de tempo em rela&ccedil;&atilde;o com cada tipo de categoria funciona como par&acirc;metro da padroniza&ccedil;&atilde;o, que possibilitar&aacute; a aplica&ccedil;&atilde;o da categoria. Nenhuma das categorias pode ir al&eacute;m dos limites que as formas do tempo determinam; esses limites est&atilde;o explicitados claramente segundo cada uma das modalidades mencionadas na parte do esquematismo da cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura. Os esquemas dos conceitos puros do entendimento s&atilde;o, pois, as verdadeiras condi&ccedil;&otilde;es pelas quais esses conceitos podem se p&ocirc;r em rela&ccedil;&atilde;o com m&uacute;ltiplos intuitivos (<i>mannigfaltigkeit</i>) dados nas formas da sensibilidade e determinar os objetos (<i>Gegenstand</i>) como objetos (<i>Objekt</i>) de conhecimento. Por conseguinte, trata-se de um procedimento de significa&ccedil;&atilde;o (<i>Bedeutung</i>) objetiva de conceitos em rela&ccedil;&atilde;o com objetos reais (Kant KrV A146/B185), pautado decisivamente segundo as formas do tempo (esquemas como modos de padroniza&ccedil;&atilde;o de objetos). O que significa que o tempo &eacute; a forma na qual se apresenta o m&uacute;ltiplo intuitivo e tamb&eacute;m a forma em que a categoria subsome essa intui&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As unidades l&oacute;gicas (conceitos puros do entendimento), como se sabe, n&atilde;o s&atilde;o inatas nem empiricamente estabelecidas, sen&atilde;o que s&atilde;o deduzidas da t&aacute;bua dos ju&iacute;zos, isto &eacute;, fundadas nos modos de estabelecer a rela&ccedil;&atilde;o proposicional entre sujeito e predicado. Desse modo, podemos us&aacute;-las para pensar qualquer objeto, por exemplo, um objeto em geral, e formular qualquer ju&iacute;zo, mesmo sobre objetos duvidosos ou inexistentes. Por&eacute;m, quando se trata de um objeto da experi&ecirc;ncia e de um ju&iacute;zo objetivamente v&aacute;lido, a opera&ccedil;&atilde;o requer a interven&ccedil;&atilde;o do tempo como forma pura de toda intui&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, isto &eacute;, como a forma na qual a sensibilidade acolhe um m&uacute;ltiplo intuitivo e possibilita a aplica&ccedil;&atilde;o da categoria. Essa interven&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se d&aacute; de qualquer modo. H&aacute; uma teoria das formas executada por generaliza&ccedil;&atilde;o padronizada, que sustenta o procedimento de significa&ccedil;&atilde;o dos conceitos. Quer dizer: as formas l&oacute;gicas se relacionam com certas formas sens&iacute;veis mediante o tempo como par&acirc;metro de generaliza&ccedil;&atilde;o dentro do qual o dispositivo encontra para cada conceito um objeto, que &eacute; o caso. O car&aacute;ter restritivo da interven&ccedil;&atilde;o do tempo (enquanto dom&iacute;nio de aplicabilidade) produz certo "campo de sentido", que &eacute; imposs&iacute;vel transgredir sem cair em meras afirma&ccedil;&otilde;es especulativas totalmente carentes de objetividade, isto &eacute;, fora do campo cognitivo. Devemos esclarecer que essa restri&ccedil;&atilde;o ordena o sentido daquilo que &eacute; cognosc&iacute;vel do ponto de vista de uma experi&ecirc;ncia cognitiva, mas n&atilde;o de todo e qualquer sentido, por exemplo, pr&aacute;tico ou est&eacute;tico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kant (KrV A147/B186) afirma que os conceitos puros do entendimento conservam sempre certo "sentido", ainda depois de se ter feito abstra&ccedil;&atilde;o de toda condi&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, mas &eacute; um sentido meramente l&oacute;gico. Trata-se da simples unidade das representa&ccedil;&otilde;es, sem objeto dado. Por&eacute;m, Kant tamb&eacute;m entende que a ordem l&oacute;gica n&atilde;o consegue preencher as condi&ccedil;&otilde;es suficientes de significa&ccedil;&atilde;o na ordem do conhecimento te&oacute;rico. Na ordem da l&oacute;gica, a proposi&ccedil;&atilde;o pode ser correta; podemos estar diante de uma f&oacute;rmula bem formada, mas quando se trata de lhe dar um objeto da experi&ecirc;ncia que possa fornecer refer&ecirc;ncia objetiva, a l&oacute;gica formal n&atilde;o basta. Ent&atilde;o, aparece o problema da exist&ecirc;ncia dos objetos externos, das formas da nossa sensibilidade e da sua rela&ccedil;&atilde;o com os nossos conceitos. Se partirmos de uma pressuposi&ccedil;&atilde;o interior/exterior excludente entre a espontaneidade dos conceitos e os objetos fora de mim, em que de um lado temos um sujeito e do outro lado coisas em si, ent&atilde;o haveria um abismo intranspon&iacute;vel que me conduziria a duvidar, ou mesmo negar, a possibilidade de afirmar algo sobre aqueles objetos. Kant recomp&otilde;e a rela&ccedil;&atilde;o interior/exterior, dentro/fora, sujeito/objeto cognosc&iacute;vel, mudando o significado do conceito de tempo e, portanto, as condi&ccedil;&otilde;es da sensibilidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim: "Para cada conceito, exige-se primeiro a forma l&oacute;gica de um conceito (do pensamento) em geral, e em segundo lugar a possibilidade de lhe dar um objeto a que se refira" (Kant KrV A 239/B 298). A subst&acirc;ncia, por exemplo, separada da determina&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel da perman&ecirc;ncia, n&atilde;o significa mais que uma coisa que se pode conceber como sendo sujeito (sem ser o predicado de outra coisa), mas n&atilde;o diz nada sobre as determina&ccedil;&otilde;es que deve ter a coisa para alcan&ccedil;ar o t&iacute;tulo de primeiro sujeito. &Eacute; preciso primeiro que o tempo atue como dom&iacute;nio de aplicabilidade e, segundo, estabelecer um procedimento de determina&ccedil;&atilde;o de acordo com certas formas. O tempo exp&otilde;e as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para que a categoria (neste caso escolhido, de subst&acirc;ncia) possa ter a sua correspond&ecirc;ncia em um objeto da experi&ecirc;ncia, e para que as apar&ecirc;ncias possam se determinar pela aplica&ccedil;&atilde;o das categorias. &Eacute; nesse sentido que Kant afirma que sua diferen&ccedil;a te&oacute;rica com Berkeley est&aacute; em conceber espa&ccedil;o e tempo como formas da sensibilidade, e n&atilde;o como propriedades das coisas em si mesmas. Berkeley n&atilde;o poderia sen&atilde;o relacionar conceitos com sensa&ccedil;&otilde;es, porque ele considera que o objeto sempre lhe seria externo absolutamente. Assim, o dispositivo de Berkeley n&atilde;o reconhece objetos sen&atilde;o as pr&oacute;prias sensa&ccedil;&otilde;es do sujeito que, por algum tipo de opera&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, lhe permite dizer que se trataria de tal ou qual objeto. Por&eacute;m, ele j&aacute; deveria saber de que objeto se trata em cada caso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso de Descartes, Kant argumenta que a consci&ecirc;ncia de nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia &eacute; resultado de uma determina&ccedil;&atilde;o no tempo.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; certo que a representa&ccedil;&atilde;o: eu sou, que exprime a consci&ecirc;ncia que pode acompanhar todo o pensamento, &eacute; o que imediatamente cont&eacute;m em si a exist&ecirc;ncia de um sujeito, mas n&atilde;o &eacute; ainda nenhum conhecimento, portanto n&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m nenhum conhecimento emp&iacute;rico, ou seja, nenhuma experi&ecirc;ncia; pois, para tanto se requer uma intui&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m do pensamento de algo existente, e aqui intui&ccedil;&atilde;o interna, com refer&ecirc;ncia &agrave; qual, ou seja, ao tempo, o sujeito tem de ser determinado, para isso s&atilde;o exigidos absolutamente, objetos exteriores, por conseguinte, a experi&ecirc;ncia interna s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel mediante, e apenas atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia externa. (Kant, KrV B 277)</font></p>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A consci&ecirc;ncia de mim pr&oacute;prio na representa&ccedil;&atilde;o <i>eu</i> n&atilde;o &eacute; uma intui&ccedil;&atilde;o, mas uma representa&ccedil;&atilde;o simplesmente intelectual da espontaneidade de um sujeito pensante. Eis porque este <i>eu</i> n&atilde;o possui o m&iacute;nimo predicado de intui&ccedil;&atilde;o que, enquanto permanente, possa servir de correlato &agrave; determina&ccedil;&atilde;o do tempo no sentido interno, como para a mat&eacute;ria serve, por exemplo, a impenetrabilidade, enquanto intui&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica. (Kant, KrV B 278)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como Descartes, Kant tamb&eacute;m adotou o enunciado "eu penso", mas, &agrave; diferen&ccedil;a do seu predecessor, dita proposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; caracterizada como referida a uma subst&acirc;ncia (<i>res</i>) e sim concebida como a express&atilde;o da unidade l&oacute;gica da consci&ecirc;ncia, que deve poder acompanhar todas as minhas representa&ccedil;&otilde;es. Desse modo, entendemos como &eacute; essencial a rela&ccedil;&atilde;o entre a unidade transcendental da consci&ecirc;ncia expressa no <i>eu </i>e a unidade sint&eacute;tica do objeto das minhas representa&ccedil;&otilde;es. Dito em outras palavras, a refer&ecirc;ncia das representa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o se d&aacute; sen&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o aos objetos (externos) de conhecimento, cuja unidade &eacute; operada pelo <i>eu</i> como fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica. Podemos dizer que uma m&aacute;quina de reconhecimento de objetos por generaliza&ccedil;&atilde;o tem um <i>eu</i> como fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica, mas n&atilde;o um <i>eu</i> que sabe da sua pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outra vez podemos observar que a rela&ccedil;&atilde;o interior/exterior, dentro/fora, n&atilde;o se p&otilde;e como uma rela&ccedil;&atilde;o excludente. Mais uma vez vemos que n&atilde;o se trata de um sujeito por um lado e de uma coisa em si pelo outro. Por isso, Kant afirma que: "A unidade que constitui necessariamente o objeto n&atilde;o pode ser coisa diferente da unidade formal da consci&ecirc;ncia na s&iacute;ntese do diverso das representa&ccedil;&otilde;es" (KrV A 105). A unidade das minhas representa&ccedil;&otilde;es como unidade do objeto externo &eacute; produzida por uma fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de unidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim se entende que, num segundo passo, a apercep&ccedil;&atilde;o transcendental seja considerada o fundamento &uacute;ltimo que torna poss&iacute;vel a unifica&ccedil;&atilde;o das diversas representa&ccedil;&otilde;es na unidade do objeto externo. Como a unidade sint&eacute;tica &eacute; a caracter&iacute;stica necess&aacute;ria essencial do objeto externo do conhecimento e, por sua vez, &eacute; identificada com a unidade formal da consci&ecirc;ncia, ent&atilde;o a possibilidade de uma autoconsci&ecirc;ncia por parte do sujeito das representa&ccedil;&otilde;es deve poder ser concebida n&atilde;o como <i>res,</i> mas como unidade l&oacute;gica. Isso significa que, "a consci&ecirc;ncia origin&aacute;ria da identidade de si mesmo &eacute;, portanto, ao mesmo tempo, uma consci&ecirc;ncia de uma unidade, igualmente necess&aacute;ria, da s&iacute;ntese de todos os fen&ocirc;menos segundo conceitos" (Kant, KrV A 108).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A unidade da autoconsci&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; o nome de uma coisa ou <i>res</i> sen&atilde;o que deve ser concebida como a condi&ccedil;&atilde;o das conex&otilde;es das nossas representa&ccedil;&otilde;es como nossas, mais o reconhecimento de si como <i>eu</i> que acompanha tais representa&ccedil;&otilde;es de objetos externos. O <i>eu</i> como a consci&ecirc;ncia da identidade da apercep&ccedil;&atilde;o transcendental &eacute; id&ecirc;ntico &agrave; consci&ecirc;ncia de um sujeito que sintetiza o m&uacute;ltiplo das representa&ccedil;&otilde;es e se reconhece enquanto tal. Dito por outras palavras, o <i>eu</i> como a consci&ecirc;ncia da identidade de n&oacute;s mesmos &eacute; a consci&ecirc;ncia da capacidade de s&iacute;ntese de que operamos na espontaneidade do pensamento. Podemos dizer ent&atilde;o que, por um lado, a identidade &eacute; uma identidade l&oacute;gica e n&atilde;o substancial. Mas, por outro lado, temos montado um aparelho capaz de operar as regras e fazer poss&iacute;vel a experi&ecirc;ncia cognitiva. Nesse sentido, tamb&eacute;m podemos dizer que n&atilde;o se trata de uma descri&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica do processo do conhecer, mas da montagem do aparelho que opera os procedimentos de s&iacute;ntese necess&aacute;rios para a cogni&ccedil;&atilde;o enquanto reconhecimento de objetos que se nos aparecem no tempo. &Eacute; assim que podemos interpretar a dedu&ccedil;&atilde;o transcendental subjetiva das categorias e evitar qualquer oposi&ccedil;&atilde;o entre logicismo e psicologismo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">H&aacute; ainda uma distin&ccedil;&atilde;o muito importante feita por Kant em KrV A 107, que nos ajuda a esclarecer nossa quest&atilde;o. Trata-se da diferen&ccedil;a realizada entre apercep&ccedil;&atilde;o transcendental e apercep&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica. Na apercep&ccedil;&atilde;o transcendental, podemos estabelecer um <i>eu</i> como id&ecirc;ntico, porque &eacute; fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de unifica&ccedil;&atilde;o e apenas isso, tal como demonstramos at&eacute; aqui pelas argumenta&ccedil;&otilde;es de Kant. Por&eacute;m, a consci&ecirc;ncia de si, segundo as determina&ccedil;&otilde;es do nosso estado na percep&ccedil;&atilde;o interna, &eacute; sempre mut&aacute;vel e depende do fluxo dos fen&ocirc;menos. A simples apercep&ccedil;&atilde;o emp&iacute;rica n&atilde;o pode estabelecer um <i>eu</i> id&ecirc;ntico, porque o que o sentido interno (tempo) oferece em seus dados sucessivos &eacute; sempre vari&aacute;vel. Assim, o eu emp&iacute;rico (do sentido interno) sup&otilde;e um eu transcendental (fun&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica de unidade), mas, em ambos os casos, e isso &eacute; o que nos interessa destacar neste trabalho, exige-se a rela&ccedil;&atilde;o com as representa&ccedil;&otilde;es dos objetos externos vari&aacute;veis. Desse modo, ent&atilde;o, podemos entender que a senten&ccedil;a kantiana de que o eu pressup&otilde;e os objetos externos &eacute; derivada de uma perspectiva sem&acirc;ntica fundada num processo de esquematiza&ccedil;&atilde;o (generaliza&ccedil;&atilde;o segundo par&acirc;metros), que se encontra na base da argumenta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por&eacute;m, h&aacute; mais um elemento que devemos levar em considera&ccedil;&atilde;o para a completa resposta do idealismo transcendental &agrave; quest&atilde;o do idealismo problem&aacute;tico.</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Da necessidade da exist&ecirc;ncia dos objetos externos para a possibilidade de uma consci&ecirc;ncia determinada de n&oacute;s mesmos n&atilde;o se conclui que toda a representa&ccedil;&atilde;o intuitiva das coisas exteriores implique a exist&ecirc;ncia dessas mesmas coisas, porquanto esta representa&ccedil;&atilde;o pode ser simplesmente um efeito da imagina&ccedil;&atilde;o (em sonhos ou tamb&eacute;m na loucura); e, mesmo nesse caso, realiza-se mediante a reprodu&ccedil;&atilde;o de antigas percep&ccedil;&otilde;es externas, que, conforme mostramos, s&atilde;o poss&iacute;veis merc&ecirc; da realidade dos objetos exteriores. (Kant, KrV B 278-279)</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A espontaneidade do pensamento s&oacute; produz opera&ccedil;&otilde;es de s&iacute;ntese, mas n&atilde;o conte&uacute;dos perceptivos novos. O aparelho cognitivo poderia delirar, mas esse del&iacute;rio s&oacute; poderia ocorrer desde que esse mesmo aparelho j&aacute; tenha carregado em um tempo anterior algum tipo de percep&ccedil;&atilde;o de objetos externos e operado por generaliza&ccedil;&atilde;o padronizada. De acordo com o funcionamento do aparelho, que me permite operar as regras de produ&ccedil;&atilde;o de proposi&ccedil;&otilde;es cognitivas e proceder &agrave; sua respectiva valida&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tenho como afirmar a produ&ccedil;&atilde;o de percep&ccedil;&otilde;es <i>ex nihilo</i>. O problema de fundo ent&atilde;o deixa de ser uma oposi&ccedil;&atilde;o entre coisas em si fora de mim e imagens ou representa&ccedil;&otilde;es sens&iacute;veis produzidas <i>ex nihilo</i>, desde meu interior, para passar a ser um problema de refer&ecirc;ncia.<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a> E isso est&aacute; indicado na passagem onde Kant alude aos princ&iacute;pios do entendimento: "Para averiguar se esta ou aquela suposta experi&ecirc;ncia &eacute; ou n&atilde;o simples imagina&ccedil;&atilde;o, ser&aacute; preciso descobri-lo segundo as determina&ccedil;&otilde;es particulares dessa experi&ecirc;ncia e o seu acordo com os crit&eacute;rios de toda a experi&ecirc;ncia real" (Kant, KrV B 278-279).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esse fragmento refor&ccedil;a nossa tese de entender que a aplica&ccedil;&atilde;o da categoria sobre o m&uacute;ltiplo sens&iacute;vel para conformar e reconhecer um objeto temporalmente definido se d&aacute; por um mecanismo de generaliza&ccedil;&atilde;o padronizada. As "determina&ccedil;&otilde;es particulares dessa experi&ecirc;ncia" nos dir&atilde;o se o dispositivo reconheceu acertadamente o objeto que &eacute; o caso ou n&atilde;o, tal como uma m&aacute;quina que funciona com intelig&ecirc;ncia artificial.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>4. Considera&ccedil;&atilde;o final</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O idealismo transcendental, entanto realismo emp&iacute;rico, se define pela sua concep&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;o e tempo enquanto intui&ccedil;&otilde;es puras e formas puras de toda intui&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, que funcionam, por sua vez, como formas para a aplicabilidade das categorias. A afirma&ccedil;&atilde;o da exist&ecirc;ncia e/ou cognoscibilidade dos objetos externos pode ser decidida desde o idealismo transcendental, justamente porque essa doutrina oferece regras l&oacute;gico-sem&acirc;nticas de valida&ccedil;&atilde;o de proposi&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Berkeley, G. (2008). Tratado sobre os princ&iacute;pios do entendimento humano. In G. Berkeley, Obras filos&oacute;ficas. S&atilde;o Paulo: EdUnesp.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528363&pid=S1517-2430201900020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Bonaccini, J. A. (2003). <i>Kant e o problema da coisa em si no idealismo alem&atilde;o. </i>Rio de Janeiro: Relume Dumar&aacute;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528365&pid=S1517-2430201900020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref -->.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Cohen, H. (1885). <i>Kant's Theorie der Erfahrung</i>. Berlin: Harrwitz und Gossmann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528367&pid=S1517-2430201900020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descartes, R. (1984). <i>Discurso del m&eacute;todo.</i> Barcelona: Planeta.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528369&pid=S1517-2430201900020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Descartes, R. (1999). <i>Medita&ccedil;&otilde;es metaf&iacute;sicas</i>. Campinas: IFCH-UNICAMP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528371&pid=S1517-2430201900020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Heidegger, M. (1998). <i>Kant und das Problem der Metaphysik.</i> Frankfurt am Main: Klostermann.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528373&pid=S1517-2430201900020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kant, I. (1983). <i>Werke</i> (10 vols.). Darmstadt: WBD.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528375&pid=S1517-2430201900020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kitcher, P. (1990). <i>Kant's Transcendental psychology</i>. New York: Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528377&pid=S1517-2430201900020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Linhares, B. (2006). As dedu&ccedil;&otilde;es objetiva e subjetiva na primeira edi&ccedil;&atilde;o da cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura<i>. Kant e-prints</i>, s&eacute;rie 2,1(2),41-55.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528379&pid=S1517-2430201900020000300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Locke, J. (1980). <i>Ensayo sobre el entendimiento humano</i>. Madrid: Editora Nacional.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528381&pid=S1517-2430201900020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Loparic, Z. (1990). The Logical Structure of the First Antinomy<i>.Kant-Studien</i>, 81(3),280-303.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528383&pid=S1517-2430201900020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Loparic, Z.  (2000). <i>A sem&acirc;ntica transcendental de Kant</i>. Campinas: UNICAMP/CLE.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528385&pid=S1517-2430201900020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Perez, D. O. (2008). <i>Kant e o problema da significa&ccedil;&atilde;o</i>. Curitiba: Champagnat.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528387&pid=S1517-2430201900020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Perez, D. O.  (2009). A loucura como quest&atilde;o sem&acirc;ntica: uma interpreta&ccedil;&atilde;o kantiana. <i>Trans/Form/A&ccedil;&atilde;o</i>, 32(1),95-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1528389&pid=S1517-2430201900020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a> Professor de filosofia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), pesquisador PQ 1D no CNPQ com pesquisas sobre o sujeito e a linguagem a partir de Kant. Atualmente a pesquisa aborda a rela&ccedil;&atilde;o entre estrutura da proposi&ccedil;&atilde;o e a natureza humana (antropologia). Tamb&eacute;m desenvolve um projeto sobre ?A constitui&ccedil;&atilde;o do sujeito a partir das rela&ccedil;&otilde;es de identifica&ccedil;&atilde;o. Uma abordagem entre a filosofia kantiana e a psican&aacute;lise freudiana e lacanaina?.O trabalho de pesquisa se concentra na quest&atilde;o de como nos constitu&iacute;mos a n&oacute;s mesmos tanto individual quanto coletivamente como sujeitos. Abordam-se fen&ocirc;menos como massa, povo, coletivo, rela&ccedil;&otilde;es amorosas e situa&ccedil;&otilde;es diagnosticadas no espectro do autismo. Em 2012 realizou um est&aacute;gio de p&oacute;s-doutorado na Bonn Universit&auml;t (ALEMANHA) onde desenvolveu parte do projeto sobre antropologia em Kant e avan&ccedil;ou na tradu&ccedil;&atilde;o das "Reflex&otilde;es de Antropologia" de Kant iniciada em 2008. No ano de 2007 realizou outro est&aacute;gio de p&oacute;s-doutorado na Michigan State University (EEUU) com o apoio da Capes onde trabalho na antropologia pragm&aacute;tica de Kant e na organiza&ccedil;&atilde;o do livro "Kant in Brazil" com Frederick Rauscher. Concluiu o doutorado em 2002 com a tese "Kant e o problema da significa&ccedil;&atilde;o" e o mestrado em 1996 com a disserta&ccedil;&atilde;o "Significa&ccedil;&atilde;o dos conceitos e solubilidade dos problemas (acerca do esquematismo transcendental na Cr&iacute;tica da raz&atilde;o pura de Immanuel Kant como procedimento de doa&ccedil;&atilde;o de sentido aos conceitos)", ambas na Universidade Estadual de Campinas (BRASIL) com o apoio da Capes. Obteve o t&iacute;tulo de licenciado em filosofia em 1992 na Universidade Nacional de Rosario (ARGENTINA).    <br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a> Para um estudo completo da coisa em si, ver Bonaccini, 2003: "Kant e o problema da coisa em si no idealismo alem&atilde;o".    <br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a> Tratei o tema da loucura em outro trabalho. Ver Perez, 2009.</font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Berkeley]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Tratado sobre os princípios do entendimento humano]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Berkeley]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Obras filosóficas]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[EdUnesp]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Bonaccini]]></surname>
<given-names><![CDATA[J. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kant e o problema da coisa em si no idealismo alemão]]></source>
<year>2003</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Relume Dumará]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Cohen]]></surname>
<given-names><![CDATA[H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kant's Theorie der Erfahrung]]></source>
<year>1885</year>
<publisher-loc><![CDATA[Berlin ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Harrwitz und Gossmann]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Descartes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Discurso del método]]></source>
<year>1984</year>
<publisher-loc><![CDATA[Barcelona ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Planeta]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Descartes]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Meditações metafísicas]]></source>
<year>1999</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[IFCH-UNICAMP]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kant und das Problem der Metaphysik]]></source>
<year>1998</year>
<publisher-loc><![CDATA[Frankfurt am Main ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Klostermann]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kant]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Werke]]></source>
<year>1983</year>
<volume>10</volume>
<publisher-loc><![CDATA[Darmstadt ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[WBD]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kitcher]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kant's Transcendental psychology]]></source>
<year>1990</year>
<publisher-loc><![CDATA[New York ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Oxford University Press]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Linhares]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As deduções objetiva e subjetiva na primeira edição da crítica da razão pura]]></article-title>
<source><![CDATA[Kant e-prints, série]]></source>
<year>2006</year>
<volume>2,1</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>41-55</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Locke]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ensayo sobre el entendimiento humano]]></source>
<year>1980</year>
<publisher-loc><![CDATA[Madrid ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Nacional]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Loparic]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The Logical Structure of the First Antinomy]]></article-title>
<source><![CDATA[Kant-Studien]]></source>
<year>1990</year>
<volume>81</volume>
<numero>3</numero>
<issue>3</issue>
<page-range>280-303</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Loparic]]></surname>
<given-names><![CDATA[Z.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A semântica transcendental de Kant]]></source>
<year>2000</year>
<publisher-loc><![CDATA[Campinas ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[UNICAMPCLE]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perez]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Kant e o problema da significação]]></source>
<year>2008</year>
<publisher-loc><![CDATA[Curitiba ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Champagnat]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perez]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. O.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A loucura como questão semântica: uma interpretação kantiana]]></article-title>
<source><![CDATA[Trans/Form/Ação]]></source>
<year>2009</year>
<volume>32</volume>
<numero>1</numero>
<issue>1</issue>
<page-range>95-117</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
