<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1518-6148</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista Mal Estar e Subjetividade]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. Mal-Estar Subj.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1518-6148</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Universidade de Fortaleza]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1518-61482010000300013</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A experiência do câncer infantil: repercussões familiares, pessoais e sociais]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Castro]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ewerton Helder Bentes de]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Amazonas  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Manaus AM]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>09</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>10</volume>
<numero>3</numero>
<fpage>971</fpage>
<lpage>994</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1518-61482010000300013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1518-61482010000300013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1518-61482010000300013&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O câncer é um conjunto de patologias que incidem sobre o organismo, duplicando células diferenciadas e de modo desordenado. Uma das manifestações mais dramáticas é quando as vítimas são crianças. A experiência da comunicação do diagnóstico instaura uma crise onde são expostas vulnerabilidades no núcleo familiar. Possuir um filho com diagnóstico de câncer equivale à eminência da perda, provoca dor incomensurável, com a sensação de desmoronamento de um mundo construído e sonhado. Este estudo tem por objetivo compreender as repercussões familiares, pessoais e sociais de mães de crianças com diagnóstico de câncer. Foi utilizado o método fenomenológico de pesquisa em Psicologia, fundamentado no pensamento de Martin Heidegger. Teve como participantes quinze mães hospedadas no Lar de Apoio à Criança com Câncer, em Manaus. Foi utilizada entrevista aberta a partir de uma questão norteadora: "Gostaria que descrevesse para mim como foi, para a senhora, o momento do diagnóstico de câncer de seu filho e o que sentiu ao receber a notícia". Encontrou-se que várias modificações ocorrem em suas vidas, repercutindo nos aspectos familiar, pessoal e social. O cuidado é vivenciado em toda a sua amplitude na sua relação com os outros e consigo mesmas, propiciando crescimento e aprendizagem.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Cancer is a group of pathologies that strike an organism, duplicating differentiated cells in a disordered way. One of the most dramatic manifestations is when the victim is a child, and the experience of communicating the diagnosis installs a crisis where the vulnerabilities of the family nucleus are exposed. Being the parent of a child diagnosed with cancer is equivalent to living with imminent loss, provoking immeasurable pain and the sensation that the world constructed and dreamed of is falling apart. The objective of this study was to understand the family, personal and social repercussions of the mothers of children diagnosed with cancer. The phenomenological method for research in psychology, based on the thoughts of Martin Heidegger, was used, and the participants were fifteen mothers housed in the Lar de Apoio à Criança com Câncer (Support Home for Children with Cancer) in Manaus, Brazil. An open interview was used and the leading question was: "Could you please describe to me how the moment you received the diagnosis that your child had cancer affected you and how you felt on receiving this news". It was found that various modifications occurred in their lives, with repercussions at the family, personal and social levels. Caring is lived in its complete amplitude in its relation with others and also with themselves, providing growth and learning.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Câncer infantil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Família]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Fenomenologia]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Cuidado]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Psicologia]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Child cancer]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Family]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Phenomenology]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Caring]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Psychology]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RELATOS    DE PESQUISA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A experi&ecirc;ncia    do c&acirc;ncer infantil: repercuss&otilde;es familiares, pessoais e sociais</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ewerton Helder    Bentes de Castro</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Psic&oacute;logo.    Prof Dr. da Faculdade de Psicologia da Universidade Federal do Amazonas desenvolvendo    atividades de pesquisa e extens&atilde;o com grupos de crian&ccedil;as acometidas    por c&acirc;ncer e seus acompanhantes no Grupo de Apoio &Aacute; Crian&ccedil;a    com C&acirc;ncer em Manaus End.: Av. Constantino Nery, 2229. Conjunto Tocantins,    Bl. 05 Ap 109. Chapada. Manaus-AM. E-mail: <a href="mailto:ewertonhelder@gmail.com">ewertonhelder@gmail.com</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O c&acirc;ncer    &eacute; um conjunto de patologias que incidem sobre o organismo, duplicando    c&eacute;lulas diferenciadas e de modo desordenado. Uma das manifesta&ccedil;&otilde;es    mais dram&aacute;ticas &eacute; quando as v&iacute;timas s&atilde;o crian&ccedil;as.    A experi&ecirc;ncia da comunica&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico instaura    uma crise onde s&atilde;o expostas vulnerabilidades no n&uacute;cleo familiar.    Possuir um filho com diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer equivale &agrave; emin&ecirc;ncia    da perda, provoca dor incomensur&aacute;vel, com a sensa&ccedil;&atilde;o de    desmoronamento de um mundo constru&iacute;do e sonhado. Este estudo tem por    objetivo compreender as repercuss&otilde;es familiares, pessoais e sociais de    m&atilde;es de crian&ccedil;as com diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer. Foi utilizado    o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico de pesquisa em Psicologia, fundamentado    no pensamento de Martin Heidegger. Teve como participantes quinze m&atilde;es    hospedadas no Lar de Apoio &agrave; Crian&ccedil;a com C&acirc;ncer, em Manaus.    Foi utilizada entrevista aberta a partir de uma quest&atilde;o norteadora: "Gostaria    que descrevesse para mim como foi, para a senhora, o momento do diagn&oacute;stico    de c&acirc;ncer de seu filho e o que sentiu ao receber a not&iacute;cia". Encontrou-se    que v&aacute;rias modifica&ccedil;&otilde;es ocorrem em suas vidas, repercutindo    nos aspectos familiar, pessoal e social. O cuidado &eacute; vivenciado em toda    a sua amplitude na sua rela&ccedil;&atilde;o com os outros e consigo mesmas,    propiciando crescimento e aprendizagem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-Chave:</b>    C&acirc;ncer infantil. Fam&iacute;lia. Fenomenologia. Cuidado. Psicologia.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cancer is a group    of pathologies that strike an organism, duplicating differentiated cells in    a disordered way. One of the most dramatic manifestations is when the victim    is a child, and the experience of communicating the diagnosis installs a crisis    where the vulnerabilities of the family nucleus are exposed. Being the parent    of a child diagnosed with cancer is equivalent to living with imminent loss,    provoking immeasurable pain and the sensation that the world constructed and    dreamed of is falling apart. The objective of this study was to understand the    family, personal and social repercussions of the mothers of children diagnosed    with cancer. The phenomenological method for research in psychology, based on    the thoughts of Martin Heidegger, was used, and the participants were fifteen    mothers housed in the Lar de Apoio &agrave; Crian&ccedil;a com C&acirc;ncer    (Support Home for Children with Cancer) in Manaus, Brazil. An open interview    was used and the leading question was: "Could you please describe to me how    the moment you received the diagnosis that your child had cancer affected you    and how you felt on receiving this news". It was found that various modifications    occurred in their lives, with repercussions at the family, personal and social    levels. Caring is lived in its complete amplitude in its relation with others    and also with themselves, providing growth and learning.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Child cancer. Family. Phenomenology. Caring. Psychology.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O c&acirc;ncer    &eacute; caracterizado como uma forma&ccedil;&atilde;o desordenada de c&eacute;lulas    que atinge v&aacute;rias partes do organismo. &Eacute; um grupo de doen&ccedil;as    distintas, aproximadamente 200, cuja caracter&iacute;stica &eacute; a multiplicidade    de causas e diferenciadas formas de tratamento (Yamaguchi, 2002). &Eacute; percebido    como uma doen&ccedil;a que leva inexoravelmente &agrave; morte e acompanhada    de dor e sofrimentos intoler&aacute;veis (Kovacs, 2002).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estudos t&ecirc;m    sido realizados sobre a incid&ecirc;ncia de c&acirc;ncer infantil, tanto no    Brasil (INCA,2007) como na Europa (Greenlee, 2001;Dreifaldt;Carlberg;Hardell,    2004; . Izarzugaza; Steliarova-Foucher; Matos, &amp; Zivkovic,2006; Kaatsch;    Steliarova-Foucher, &amp; Crocetti, 2006; Perls-Bonet; Martinez - Garcia, &amp;    Lacour,2006; Von der Weid, 2006; Dulioust; P&eacute;pin, &amp; Gr&eacute;my,2007).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A comunica&ccedil;&atilde;o    do diagn&oacute;stico &eacute; estressante e mobilizadora de ang&uacute;stia,    d&uacute;vidas e medo diante da possibilidade de morte. A fam&iacute;lia passa    a conviver com a doen&ccedil;a e seus significados al&eacute;m das preocupa&ccedil;&otilde;es    acerca do futuro (Helseth; Ulfsaet, 2005).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando a patologia    incide em uma crian&ccedil;a, a como&ccedil;&atilde;o &eacute; muito maior,    haja vista que esta representa o futuro e os pais t&ecirc;m a impress&atilde;o    de que o porvir foi abruptamente removido, os sonhos em rela&ccedil;&atilde;o    ao desenvolvimento do filho sofrem interrup&ccedil;&atilde;o. Lopes e Valle    (2001) consideram como uma invers&atilde;o da ordem natural dos acontecimentos    da vida, uma vez que suscitar&aacute; nos familiares o medo de uma morte precoce.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todas as atividades    s&atilde;o rompidas, h&aacute; um desligamento do cotidiano, perde-se toda a    no&ccedil;&atilde;o de realidade e se vive o dia de hoje sem olhar para o futuro,    j&aacute; que quando se pensa em futuro, este se apresenta demasiadamente negativo,    obscuro (Jimenez; Catal&aacute;; Salvador, 2003)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bruscas transforma&ccedil;&otilde;es    ocorrem nos aspectos pessoal, familiar, ambiente de trabalho e social. Assim,    desde o princ&iacute;pio, os pais devem enfrentar a realidade da amea&ccedil;a    que se caracteriza por uma rotina onde est&atilde;o presentes: separa&ccedil;&otilde;es,    perdas, frustra&ccedil;&otilde;es e mudan&ccedil;as.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vivenciar uma doen&ccedil;a    grave como o c&acirc;ncer &eacute; habitar um mundo que n&atilde;o &eacute;    o escolhido pelo sujeito. Ocorre a perda de sua liberdade, de seu querer, deixa    de ser si mesmo para confundir-se com todos, torna-se inaut&ecirc;ntico, impessoal,    tendo em vista que passa a ser dominado pelo mundo da doen&ccedil;a (Amaral,2002).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo    tem por objetivo compreender as repercuss&otilde;es familiares, pessoais e sociais    de m&atilde;es de crian&ccedil;as com diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer, utilizando    o m&eacute;todo fenomenol&oacute;gico de pesquisa em Psicologia e a an&aacute;lise    fundamentada a partir do pensamento de Martin Heidegger.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa &eacute;    de natureza qualitativa, o estudo &eacute; retrospectivo e explorat&oacute;rio,    e a metodologia empregada foi de inspira&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Participantes</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram consideradas    participantes da pesquisa, 15 m&atilde;es de crian&ccedil;as com diagn&oacute;stico    de c&acirc;ncer, que no momento da pesquisa estavam sendo atendidas na Funda&ccedil;&atilde;o    Centro de Oncologia do Amazonas e hospedadas no Lar de Apoio do Grupo de Apoio    &agrave; Crian&ccedil;a com C&acirc;ncer. T&ecirc;m idade que varia de 23 a    51 anos; n&iacute;vel de escolaridade do Ensino Fundamental Incompleto ao Superior    completo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os crit&eacute;rios    de inclus&atilde;o adotados foram: ser m&atilde;e de crian&ccedil;a com c&acirc;ncer,    diagnosticada h&aacute; mais de um ano; estar hospedada no Lar de Apoio; consentir    em participar voluntariamente do estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Contexto sociocultural</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As participantes    s&atilde;o origin&aacute;rias de cidades do interior dos Estados do Amazonas,    Par&aacute; e Roraima, ou seja, vivem na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, que    al&eacute;m de sua extens&atilde;o territorial de dimens&otilde;es continentais,    caracteriza-se pela diversidade &eacute;tnico-cultural de sua popula&ccedil;&atilde;o,    constitu&iacute;da por caboclos (do tupi <i>caa-boc</i>, "procedente do mato"),    ribeirinhos, ind&iacute;genas, quilombolas e migrantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em decorr&ecirc;ncia    de sua extens&atilde;o continental, a acessibilidade aos Servi&ccedil;os de    Sa&uacute;de &eacute; bastante dif&iacute;cil, uma vez que, alguns dos munic&iacute;pios    de onde as participantes prov&ecirc;m, est&atilde;o situados a 1300 km de dist&acirc;ncia    da capital do estado (Manaus) e, para o acesso a tratamento mais especializado,    algumas delas necessitaram deslocar-se, inicialmente, para o Estado do Acre    e, da&iacute;, de avi&atilde;o para Manaus.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Procedimento</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A obten&ccedil;&atilde;o    dos dados foi realizada nas depend&ecirc;ncias do Lar de Apoio &agrave; Crian&ccedil;a    com C&acirc;ncer, em Manaus, no per&iacute;odo de novembro de 2007 a agosto    de 2008.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os dados foram    obtidos mediante uma entrevista aberta, audiogravada, realizada em ambiente    reservado da institui&ccedil;&atilde;o, com dura&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia    de 1h30. Partiu-se da seguinte quest&atilde;o norteadora: "Gostaria que descrevesse    para mim como foi, para a senhora, o momento do diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer    de sua filha, o que sentiu ao receber a not&iacute;cia".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevista foi    transcrita na &iacute;ntegra e literalmente. Os resultados foram analisados    de acordo com o referencial fenomenol&oacute;gico, proposto por Martins e Bicudo    (13), seguindo-se os seguintes passos: (a) leitura flutuante e releitura do    material transcrito; (b) identifica&ccedil;&atilde;o das unidades de significado;    (c) constru&ccedil;&atilde;o das categorias de an&aacute;lise.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Cuidados &eacute;ticos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este estudo deriva    de um projeto de pesquisa de doutorado, aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica    em Pesquisa da Funda&ccedil;&atilde;o Centro de Controle em Oncologia do Amazonas    - FCECON, que recebeu n&uacute;mero de registro 130572 e obteve parecer favor&aacute;vel    em 18 de setembro de 2007.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As participantes    assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, formalizando sua anu&ecirc;ncia    com a pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da an&aacute;lise    dos dados foi constru&iacute;da a categoria Repercuss&otilde;es familiares,    pessoais e sociais, e que se constitui de subcategorias.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A comunica&ccedil;&atilde;o    do diagn&oacute;stico traz grandes modifica&ccedil;&otilde;es em v&aacute;rias    &aacute;reas da vida dessas m&atilde;es, na estrutura familiar, pessoal e na    social. Essas mulheres ao acompanharem seus filhos deslocam-se de suas moradias,    deixam suas fam&iacute;lias, suas cidades que ficam no interior do estado ou    em outros estados da regi&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos aspectos    presentes no discurso das m&atilde;es &eacute; algo considerado inimagin&aacute;vel,    a perda de seus filhos. Entretanto, esse fator torna-se presente para elas quando    ocorre o &oacute;bito de uma das crian&ccedil;as hospedadas no Lar ou diante    de intercorr&ecirc;ncias m&eacute;dicas como o agravamento do quadro de sa&uacute;de    de seus filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, independente    a tudo o que cerca o cotidiano de um filho portador de c&acirc;ncer, elas precisam,    segundo elas pr&oacute;prias, ser fortes e n&atilde;o demonstrar inseguran&ccedil;a.    Outro fato que percebi, especificamente no discurso de duas m&atilde;es oriundas    das etnias Ticuna e Marubo &eacute; que mesmo o processo acarretando sofrimento    e dor, ang&uacute;stia e desespero, passaram por experi&ecirc;ncias que caracterizam    como de aprendizado, de crescimento.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta categoria    encontramos as seguintes sub-categorias: a din&acirc;mica familiar: transforma&ccedil;&otilde;es;    o impens&aacute;vel: a possibilidade da morte do filho; Con-vivendo com a morte    do outro: um remeter-se &agrave; possibilidade da pr&oacute;pria perda; N&atilde;o    demonstrar a tristeza e a inseguran&ccedil;a: um ato de cuidado e aprendendo    com o processo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>1. A din&acirc;mica    familiar: transforma&ccedil;&otilde;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As m&atilde;es    deixam seus familiares, seus outros filhos com seus pais ou com o marido - que,    em alguns casos, &eacute; muito presente no tratamento e, em outros, nem t&atilde;o    presente assim. Al&eacute;m disso, podem ocorrer mudan&ccedil;as da fam&iacute;lia    para outros munic&iacute;pios da regi&atilde;o, acarretando maiores preocupa&ccedil;&otilde;es    e ang&uacute;stias. Essa separa&ccedil;&atilde;o dos familiares causa sofrimento    cont&iacute;nuo nessas mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um dos aspectos    que, prontamente, &eacute; afetado diz respeito ao financeiro, uma vez que as    fam&iacute;lias suprem - da maneira como podem - esse deslocamento para Manaus.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A viagem para acompanhar    os filhos em tratamento suscita um outro tipo de situa&ccedil;&atilde;o, a separa&ccedil;&atilde;o    de outros filhos. Isto &eacute; desencadeador de sofrimento e a lembran&ccedil;a    dos outros filhos propicia a emo&ccedil;&atilde;o, o choro. Por outro lado,    t&ecirc;m a certeza de que seus pais (av&oacute;s) est&atilde;o cuidando bem    dos filhos que ficaram em sua terra natal.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, quando      foi para vir para c&aacute; (Manaus) eu n&atilde;o pensei duas vezes, eu decidi      na hora... (...) ...a&iacute; eu n&atilde;o pensei, deixei meus filhos l&aacute;      com meu pai... a&iacute; eu vim para cuidar dele (do sobrinho), apesar dele      ser s&oacute; meu sobrinho... eu disse: eu vou, eu vou ficar com ele (sobrinho)      (...) Minha irm&atilde; falou: mas tu vai deixar teus filhos? Meus filhos      est&atilde;o bem, entendeu? N&atilde;o pensei neles, s&oacute; pensei nele      (sobrinho), porque ele (o sobrinho) &eacute; mesmo que ser um filho pra mim      (emociona a voz)... E eles (os outros filhos) est&atilde;o bem, meu pai t&aacute;      cuidando deles (dos filhos), foi assim (...) Ah! Deus do c&eacute;u, eu fico      triste. Tem vez que eu vou pro quarto... (choro) (Tamba-Taj&aacute;)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A lembran&ccedil;a    do conv&iacute;vio cont&iacute;nuo e a necessidade de ter de deixar a fam&iacute;lia    em seus munic&iacute;pios de origem trazem &agrave; tona as dificuldades pelas    quais a fam&iacute;lia passou: n&atilde;o ter com quem deixar o filho, parar    de estudar, transfer&ecirc;ncia para outro munic&iacute;pio da regi&atilde;o,    as dificuldades financeiras ainda vivenciadas.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No come&ccedil;o      foi dif&iacute;cil, chorava, chorava muito, porque sempre a gente morou n&oacute;s      quatro... a&iacute; nunca ningu&eacute;m se separava um do outro, era todo      tempo ali (...) A&iacute;, como minha fam&iacute;lia mora toda pra l&aacute;      .... no munic&iacute;pio de Alenquer, a gente se transferiu, porque n&atilde;o      tinha quem ficasse com ele (o filho) em casa... meu marido sa&iacute;a pra      fazer alguma coisa e n&atilde;o tinha quem ficasse com ele (o filho)... a&iacute;      a gente mudou de lugar, foi pra l&aacute; ( sa&iacute;ram de Oriximin&aacute;      para Alenquer)(...) A&iacute;, depois que eu descobri o problema dela (da      filha), eu parei(de estudar). Vou continuar no outro ano, se Deus quiser.      Agora no momento ele (o marido) t&aacute; desempregado. Foi o tempo que eu      vim embora, porque a gente gastou muito quando a gente veio. Agora ele (o      marido) faz biscate, ele (o marido) trabalha com pe&ccedil;as de m&oacute;veis,      mas foi muito dif&iacute;cil...Mas a gente vai sair dessa. Sempre ele (o marido)      fala pra mim sabe?Voc&ecirc; vai... a gente vai conseguir (choro) (Gl&oacute;ria-rosa)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O tempo de deslocamento    prolongado devido ao tratamento a que sua filha vem sendo submetida causou uma    esp&eacute;cie de ruptura. Os filhos menores n&atilde;o reconheceram a m&atilde;e    quando retornou &agrave; casa, e isto causou extrema surpresa e como&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) Eu falo      isso pro meu marido... eu sou casada h&aacute; pouco tempo...Estar longe da      minha filha, estar longe dos meus beb&ecirc;s... entendeu? Meus beb&ecirc;s      nem falavam quando eu vim pra c&aacute;. Quando eu cheguei l&aacute; eles      (os filhos) n&atilde;o me conheceram...Voc&ecirc; acredita nisso? Quando eu      cheguei l&aacute; (Boa Vista) eu falei pro Davi: vem c&aacute; com a m&atilde;e,      filho. Ele (o filho) olhou pra mim e come&ccedil;ou a chorar e eu chorei...,      eu n&atilde;o ag&uuml;entei, sabe? Eu baixei a cabe&ccedil;a e chorei muito...      e pensei: Meu Deus, meus filhos n&atilde;o me reconhecem... eu fiquei pensando...      (Margarida)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A preocupa&ccedil;&atilde;o    com a fam&iacute;lia &eacute; um fato cont&iacute;nuo na vida dessas mulheres.    Uma delas relata que fica lembrando dos filhos que ficaram e se os mesmos est&atilde;o    bem, se o c&ocirc;njuge est&aacute; fazendo o acompanhamento correto.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) se eles      (os filhos que est&atilde;o em casa) est&atilde;o bem. Fico preocupada....      Eu fico aqui (Manaus), mas lembrando deles (dos filhos). Se est&atilde;o cuidando      da menor (filha) (...) Eu fico preocupada com minha fam&iacute;lia. Eu n&atilde;o      sei se eles (os filhos) t&aacute; doente, n&eacute;? Eu n&atilde;o sei se      ele (o marido) vai fazer exame neles (os filhos), n&eacute;? (Orqu&iacute;dea      Vermelha)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) e eu vim...      a&iacute; come&ccedil;ou a separa&ccedil;&atilde;o, coisa que nunca passou      na minha vida, coisa que nunca pensei na minha vida, n&atilde;o sei se tinha      que passar... eu t&ocirc; passando, mas Deus sabe, mas assim sabe..Eu tenho      filho pequeno, eu nunca assim, quero dizer, nunca passei assim por separa&ccedil;&atilde;o,      n&eacute;? (...)A minha preocupa&ccedil;&atilde;o aqui...sempre eu ligo pra      minha filha l&aacute; em casa, porque estando perto eu sei, eu num tando,      eu sei que pai &eacute; pai, mas m&atilde;e &eacute; m&atilde;e, n&eacute;?      (risos) Eu sei que t&atilde;o com o pai, n&atilde;o t&atilde;o passando fome,      mas pra mim, sabe... mas eu me preocupo, n&atilde;o &eacute; como eu estou      l&aacute; (...) (Rosa Amarela)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A rela&ccedil;&atilde;o    conjugal sofre interfer&ecirc;ncias com o prolongamento do tratamento. Feridas    antigas v&ecirc;m &agrave; tona e o afastamento de um dos c&ocirc;njuges, no    caso dela, &eacute; reconhecido como verdadeiro.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) S&oacute;      que conjugalmente n&atilde;o. Essa brincadeirinha... brincadeirinha entre      aspas que eu te falo, afastou muito a gente... eu t&ocirc; me afastando mais,      n&atilde;o sei se porque sou eu acompanho, sou eu que venho, sou eu que participo      mais, ent&atilde;o ele (o marido) fica... ou eu vejo que ele (o marido) me      ama muito, ou ent&atilde;o... eu vejo que eu t&ocirc; me afastando mais dele      (do marido)..." (L&iacute;rio)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fato da doen&ccedil;a    ter surgido e o deslocamento para o tratamento ser necess&aacute;rio &eacute;    percebido como fator interveniente, na rela&ccedil;&atilde;o, pela dist&acirc;ncia    em si mesma, mas n&atilde;o pelo afastamento do casal, tendo em vista que est&aacute;    em busca da cura para seu filho e que o di&aacute;logo est&aacute; sempre presente    entre os c&ocirc;njuges.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nossa...a nossa    vida ficou totalmente &eacute; ... um pra l&aacute;, outro pra c&aacute;, mas    &eacute; assim mesmo, &eacute;...conversamos... eu n&atilde;o t&ocirc; aqui    porque eu quero, eu t&ocirc; aqui porque eu t&ocirc; em busca de alguma coisa    que vale muito mais do que ... do que ta&iacute;, eu tenho duas coisas: se eu    desistir de uma coisa que &eacute; minha, eu tenho consci&ecirc;ncia de que    eu vou vencer, entendeu? A gente tenta conversar, tenta falar, tenta explicar,    falar realmente aquilo que est&aacute; acontecendo (Papoula)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Modificou porque    a gente nunca mais ficou como era, a gente era junto, 'nera?' (termo corriqueiro    usado no interior) em casa? Ai ele (o marido) vem aqui junto com n&oacute;s    e volta pra trabalhar... a&iacute; ele (o marido) volta e assim ele (o marido)    fica. Ainda bem que ele (o marido) &eacute; um homem que entende, n&eacute;?    D&aacute; for&ccedil;a pra n&oacute;s (ela e a filha)... super pai, ele (o marido).    (Cravo)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A modifica&ccedil;&atilde;o    abrupta da din&acirc;mica familiar, tendo de deixar pra tr&aacute;s casa, marido,    filhos e trabalho &eacute; percebido como um fen&ocirc;meno altamente mobilizador    e, concomitante a isso, surgem questionamentos da realidade que passa a vivenciar.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) no in&iacute;cio      eu chorava muito... eu chorava muito... Eu tamb&eacute;m sou funcion&aacute;ria      p&uacute;blica, eu trabalho l&aacute;, a&iacute; sofro as conseq&uuml;&ecirc;ncias      de atestado, e atestado... atestado... dificulta muito, n&eacute;? (Orqu&iacute;dea)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) O fato      de a gente (ela e a filha) ter que viajar, deixar seus filhos menores, deixar      seu marido, deixar sua casa, deixar seu trabalho... ent&atilde;o aquilo &eacute;      uma coisa que mexe muito com voc&ecirc;... tem horas que voc&ecirc; se pergunta:      ser&aacute; que isso t&aacute; acontecendo comigo mesmo? Ser&aacute; que isso      &eacute; um sonho?(...) (Jasmim)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fen&ocirc;meno    que se fez presente na fala de algumas das m&atilde;es e, at&eacute; mesmo,    em contraponto com as outras, foi que a viagem para Manaus interferiu na rela&ccedil;&atilde;o    do casal. A din&acirc;mica familiar foi bastante atingida incluindo, nessa discuss&atilde;o,    a possibilidade, segundo o pai, de a m&atilde;e "gostar mais de um do que do    outro filho":</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Olha... ficou      muito assim... diferente. Porque chegou uma &eacute;poca que ele (marido)      j&aacute; n&atilde;o mais telefonava pra mim... tr&ecirc;s meses, saiu fora      de casa, vivia assim fora de casa. Ele (o marido) ficou estranho... ele (o      marido) disse pra eu voltar e eu disse que n&atilde;o vou voltar porque comecei,      vou at&eacute; o fim... eu falei pra ele (o marido):" Agora, se voc&ecirc;      acha que voc&ecirc; achar uma (outra mulher) melhor que eu, fica, eu n&atilde;o      posso dizer pra voc&ecirc; me esperar o tempo que for, porque eu n&atilde;o      sei quando eu vou". E a&iacute; ficou assim... a&iacute; ele (o marido) disse      que eu n&atilde;o gostava do outro meninozinho l&aacute;, que eu gostava s&oacute;      desse..., a&iacute; eu disse n&atilde;o, n&atilde;o &eacute; assim, porque      o E... precisa mais de mim que o outro (Maracuj&aacute; do mato)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra situa&ccedil;&atilde;o    foi o fato do marido sair de casa efetivamente em decorr&ecirc;ncia de o tratamento    ser prolongado, resultando na dissolu&ccedil;&atilde;o da rela&ccedil;&atilde;o.    Na compreens&atilde;o de Ushinka, essa atitude do marido parece natural. N&atilde;o    h&aacute; em seu discurso nenhum ressentimento aberto ou condena&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) a&iacute;      nos passemo um ano aqui, a&iacute; eu voltei pra casa, e a pai deles n&atilde;o      me esperou, ele (o marido) me deixou, me bandonou, arranjou outra mulher e      a&iacute; n&oacute;s 'ficamo' a&iacute; s&oacute;... Agora t&ocirc; sozinha,      acompanho ela (a filha) sozinha, agora eu costumei (...) Ele (o marido), ficou      em casa mas, tu sabe n&eacute;? Aquelas mulher ficam em cima do homem, e ele      (o marido) como homem ficou com uma, foi embora, e agora ele (o marido) 'num'      liga pra n&oacute;s, n&atilde;o. Foi embora, casou, e eu fiquei com meus filhos      (...) (Ushinka)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No discurso de    Girassol, entretanto, percebe-se ressentimento, pesar, ju&iacute;zo de valor    por ter sido abandonada em um momento dif&iacute;cil de sua vida.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) A&iacute;      foi o tempo que meu marido me deixou...sabendo que eu n&atilde;o tinha ningu&eacute;m.e      que &eacute; filha dele (do marido) tamb&eacute;m... Agora, eu t&ocirc; na      casa da minha m&atilde;e com meus filhos, ele (o marido) foi embora pra Boa      Vista at&eacute; hoje... Eu trabalho, n&atilde;o dependo dele (do marido)(...)      (Girassol)</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>2. O impens&aacute;vel:    a possibilidade da morte do filho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Permeando esses    sentimentos que surgem com a comunica&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico,    percebe-se que um fen&ocirc;meno se faz muito presente - a possibilidade da    morte de seus filhos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O fato de algo    acontecer de forma contr&aacute;ria ao que se pressupunha - a morte de um filho    antes da dos pais - &eacute; um elemento que desencadeia o pensamento da possibilidade    de recidiva e de rein&iacute;cio do sofrimento e, consequentemente, o desespero    diante da id&eacute;ia da morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ang&uacute;stia    diante do sofrimento do filho e dos outros pequenos pacientes internos faz com    que essas m&atilde;es pe&ccedil;am para trocar de lugar com ele (o filho); que    o sofrimento pelo qual seus filhos estejam passando possa ser revertido para    elas tendo em vista a fragilidade inerente &agrave; condi&ccedil;&atilde;o infantil    deles e, at&eacute; mesmo, por eles n&atilde;o conseguirem, muitas vezes, definir    onde a dor est&aacute; localizada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sofrimento da    crian&ccedil;a, seu estado de sa&uacute;de grave leva essas m&atilde;es ao desespero.    O pensamento imediato &eacute; a possibilidade da morte e isto &eacute; mobilizador    de extrema como&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">eu pensei que      ele (o filho) ia morrer logo ... Cheguei no Pronto Socorro, vi assim... eu      fiquei quase louca no momento. Se a Maria do Carmo (Psic&oacute;loga) n&atilde;o      conversasse comigo eu tinha ficado louca naquele momento... (Tamba-Taj&aacute;)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pensar a poss&iacute;vel    morte do filho, principalmente em decorr&ecirc;ncia da idade da crian&ccedil;a,    &eacute; algo que passa pela cabe&ccedil;a dessas mulheres. Entretanto, desviam-se    desse pensamento e algumas sequer gostam de comentar. Percebem que o c&acirc;ncer    &eacute; uma doen&ccedil;a silenciosa, que algo pode ocorrer a qualquer momento    e qualquer situa&ccedil;&atilde;o extra que ocorre &eacute; sinal de p&acirc;nico.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute;... por      isso, &agrave;s vezes, eu nem gosto de comentar, porque &eacute; muito triste,      n&atilde;o &eacute;? Ainda mais porque ela (a filha) &eacute; beb&ecirc; (Pausa      longa) Quando eu tava aqui, quase todo dia ela (a filha) fazia exame. Eu sabia      que minha filha tava bem, sabia que ela (a filha) n&atilde;o tinha nada. A&iacute;      agora &eacute; mais dif&iacute;cil..., a gente vai, passa tr&ecirc;s meses...      a&iacute; essa doen&ccedil;a &eacute; trai&ccedil;oeira... a&iacute; quando      eu volto o desespero &eacute; maior. Hoje eu chorei... por que? Eu fiz o exame      dela (da filha), eu fiz quinta feira, a&iacute; ficou de pegar sexta, a doutora      n&atilde;o tinha assinado. Hoje foram pegar e a Assistente Social falou que      eu tenho que ir l&aacute;. O desespero n&atilde;o &eacute; maior? Eu tenho      tanta coisa na cabe&ccedil;a, porque a gente v&ecirc; cada coisa (pausa)...Eu      fico com medo, eu tenho medo s&oacute; de pensar... de ir pegar o exame, eu      j&aacute; t&ocirc; com medo j&aacute;... Eu passo seguran&ccedil;a pra minha      filha, s&oacute; que me d&aacute; medo de dar alguma coisa (...) Deus me livre!      &Eacute; a &uacute;nica que eu tenho (Gl&oacute;ria-rosa)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O agravamento do    quadro &eacute; um momento vivenciado com ang&uacute;stia e ansiedade extremas.    Ver o filho sofrer e n&atilde;o poder fazer nada, faz com que essas m&atilde;es    se desesperem e se voltem para Deus como uma forma de amenizar a dor do filho,    chegando a solicitar que a doen&ccedil;a passe para elas tal a dimens&atilde;o    que as afeta diante da possibilidade da morte.</font></p>     <blockquote>        ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pra mim, se eu      dormisse um pouquinho ele (o filho) ia morrer, a&iacute; eu n&atilde;o conseguia      dormir sem olhar pra ele (o filho), tinha que ficar ali cuidando dele (do      filho) (...) Pedi pra Deus tirar aquela doen&ccedil;a, se fosse alguma coisa      que eu tinha feito quando eu era mais nova, colocasse em mim, mas tirasse      aquela dor dele (do filho), libertasse ele (o filho), colocasse em mim, porque      eu, eu sou de maior... eu sabia onde do&iacute;a e ele (o filho) n&atilde;o...      ele (o filho) t&atilde;o pequeno assim... ele (o filho) s&oacute; se batia...      eu ficava assim desesperada (...) eu tinha muito medo de perder meu filho...      (Maracuj&aacute; do mato)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu acho que (Deus)      &eacute; o &uacute;nico que nos segura num momento desse... &eacute; uma dificuldade      muito grande que n&oacute;s enfrentamos, mas sempre existe... Ele (Deus) sempre      t&aacute; conosco num momento de desesperan&ccedil;a, no momento em que n&oacute;s      n&atilde;o somo nada, mas Ele (Deus) t&aacute; do nosso lado no momento de      ang&uacute;stia, Ele (Deus) n&atilde;o nos deixa esquecer, n&atilde;o deixa      a tristeza assim tomar conta... Sempre, Ele (Deus) t&aacute; ali presente      ali a dizer: persiste, insiste, para que voc&ecirc; possa levar a vit&oacute;ria,      possa levar a um resultado positivo. (Papoula)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) eu tenho      f&eacute; em Deus que a minha filha vai vencer (...) e at&eacute; agora eu      confio em Deus , eu tenho f&eacute; em Deus que Ele vai ajudar que eu vou      voltar pra minha casa com a minha filha (...) (Cravo)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) nesse momento,      pede pra Jesus, entrega o teu filho, o teu marido ou o teu (filho) n&eacute;,      seja l&aacute; o que for, nas m&atilde;os de Jesus, porque s&oacute; Ele pode      dar essa alegria pra n&oacute;s, porque Ele (Jesus) l&aacute; em cima e aqui      os m&eacute;dicos... porque os m&eacute;dicos s&atilde;o atrav&eacute;s de      Jesus... se Jesus n&atilde;o der aquele pensamento, aquele positivo, pros      m&eacute;dicos, os m&eacute;dicos n&atilde;o faz nada (...) &eacute; atrav&eacute;s      de Deus que eles (m&eacute;dicos) curam, n&eacute;? A&iacute; ent&atilde;o,      Deus primeiro, depois os m&eacute;dicos, pra dar for&ccedil;a pra gente (Vit&oacute;ria-R&eacute;gia)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estigma do c&acirc;ncer    aparece bem evidenciado na fala destas m&atilde;es, a morte &eacute; o pensamento    que, de imediato surge, caracterizando como &eacute; assustador conviver com    essa doen&ccedil;a, como uma das m&atilde;es (Jasmim) ressalta: "Fala em c&acirc;ncer    a gente pensa em morte... j&aacute; pensa em sofrimento... Ent&atilde;o, isso    &eacute; muito assustador". Outra m&atilde;e complementa essa concep&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) &Eacute;      uma dor que deve ser a maior da vida... Eu sei que eu n&atilde;o quero perder      a minha filha, mas eu penso que algumas vezes &eacute; melhor do que ficar      sofrendo, porque ficar sofrendo... e at&eacute; eu mesmo, &agrave;s vezes,      eu falo pra mim: minha filha n&atilde;o vai falecer, ela vai ficar comigo,      gra&ccedil;as a Deus(...) (Girassol)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser acometido por    c&acirc;ncer, uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica cuja representa&ccedil;&atilde;o    &eacute; a morte devido o grande n&uacute;mero de &oacute;bitos, nas mais variadas    faixas et&aacute;rias, faz com que algumas m&atilde;es pensem continuamente    na morte do pr&oacute;prio filho e a questionar como ser&aacute; se isso ocorrer.    O medo da perda &eacute; bastante acentuado como podemos observar nos relatos    abaixo:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu fiquei assim:      que essa doen&ccedil;a 'num' cura... eu vi assim l&aacute; na CASAI (Casa      de Apoio ao &Iacute;ndio), o pessoal que vem de fora, da outra etnia, 'essas      coisa assim', eu vejo assim... gente morrer com isso... &eacute; velho, crian&ccedil;a      e tudo...eu digo: minha filha 'num' vai ficar boa n&atilde;o... 'que vai ser      ser&aacute;'... Eu 'num sei que vai dar isso' na minha filha, eu n&atilde;o      sei. Eu fiquei pensando assim: minha filha vai morrer, minha cabe&ccedil;a      ficava assim e eu pensava s&oacute; nela assim... morrer, vai morrer, vai      morrer (...) A&iacute; eu fiquei pensando assim, ser&aacute; que minha filha      vai morrer? Tudo isso vinha na minha cabe&ccedil;a. D&aacute; um medo muito      grande de perder minha filha... eu vou perder minha filha, eu ficava pensando      assim (...) (Ushinka)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>3. Con-vivendo    com a morte do outro: um remeter-se &agrave; possibilidade da pr&oacute;pria    perda</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A realidade de    quem &eacute; paciente e acompanhante &eacute; permeada por constantes deslocamentos    e diferentes situa&ccedil;&otilde;es. Assim, o ambiente acolhedor da Casa de    Apoio pode ser substitu&iacute;do pelo ambiente hospitalar de forma repentina,    seja em decorr&ecirc;ncia de um mal-estar s&uacute;bito, seja pela consulta    m&eacute;dica de rotina, seja para receber o tratamento - quimioterapia, principalmente,    quando requer interna&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quimioterapia    faz com que ambos - paciente e acompanhante - entrem em contato direto com pacientes    internados que est&atilde;o passando mal e/ou pacientes que n&atilde;o respondem    mais ao tratamento. O quadro cl&iacute;nico que est&aacute; sendo vivenciado    pelo outro &eacute;, de imediato, gerador de ang&uacute;stia, haja vista que    passa a ser pensado na possibilidade de ser vivenciado futuramente por essa    m&atilde;e e esse filho, ou seja, a m&atilde;e passa a considerar o seu filho    adentrar naquela mesma situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Isso suscita o    medo. Isso suscita a possibilidade da pr&oacute;pria perda. A morte de uma crian&ccedil;a    abala a m&atilde;e que a est&aacute; vivenciando, a dor desta m&atilde;e que    perde o filho passa a fazer parte do imagin&aacute;rio da outra que est&aacute;    com o filho internado. Isto resulta em uma s&eacute;rie de diferentes re-a&ccedil;&otilde;es    das m&atilde;es: a que evita; a que gostaria de n&atilde;o saber da ocorr&ecirc;ncia    de um &oacute;bito; a que se fecha no "controle"; a que se coloca no lugar da    outra e questiona a realidade o fen&ocirc;meno.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se que    o sofrimento, a dor, a ang&uacute;stia pela proximidade da morte - aqui significativa    no sentido de limite do humano, de finitude - promove um redirecionamento da    situa&ccedil;&atilde;o: hoje &eacute; com o dela, amanh&atilde; poder&aacute;    ser o meu.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a morte de    uma crian&ccedil;a, as outras m&atilde;es que est&atilde;o com seus filhos internados,    direcionam-se de imediato para a possibilidade da pr&oacute;pria perda e o desespero    se instala na vida dessas mulheres, como na fala de Tamba-Taj&aacute;: "(...)    eu vi, assim, morrer do meu lado... eu nunca tinha assistido assim morrer tanta    gente assim... eu ficava quase louca... eu pensava no meu filho, eu olhava pro    meu filho e num sabia nem o que fazia". Margarida, por sua vez, nos diz:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A gente fica      com medo... (pausa longa) d&aacute; muito medo. S&oacute; que a Silvana (h&oacute;spede      do Lar de Apoio) sabia que ia morrer, a doutora j&aacute; havia desenganado      ela, ent&atilde;o eu j&aacute; tava preparada pra esperar a morte dela (Silvana),      entendeu? Chorei, porque eu gostava, mas eu sabia que ela (Silvana) ia morrer.      Mas teve uma perda que doeu muito na gente, a Suelen s&oacute; tinha 1 ano      e 2 meses (filha de uma outra m&atilde;e). A Suelen entrou no CECON pra fazer      uma quimioterapia e morreu, entendeu? E a&iacute; a gente fica com muito medo.      (Margarida)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu n&atilde;o      gosto de ver paciente morrer n&atilde;o . A dor... Eu pensava como &eacute;      dif&iacute;cil pra m&atilde;e... &eacute; uma hora de muita dor...de muito      sofrimento...voc&ecirc; fica sem ch&atilde;o, &eacute; como se tirassem o      ch&atilde;o de ti... (Orqu&iacute;dea Vermelha)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O tratamento &eacute;    realizado por etapas. Algumas m&atilde;es retornam a seus lares e voltam &agrave;    Manaus no per&iacute;odo previamente marcado. Entretanto, em sua volta ao Lar    ficam sabendo que algumas crian&ccedil;as vieram &agrave; &oacute;bito. Este    fato as leva a considerar a poss&iacute;vel morte de seus pr&oacute;prios filhos.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A&iacute;, quando      eu vou pra casa, a&iacute; eu sofro por causa deles (das outras crian&ccedil;as)...      eu fico pensando... porque da &uacute;ltima vez que eu fui embora, morreram      bem uns quatro. A&iacute; eu boto na minha cabe&ccedil;a: isso vai acontecer      um dia com a minha filha, entendeu? A&iacute; eu fico assim... A&iacute; eu      vou, n&eacute;? Tenho que ir, n&atilde;o posso ficar aqui. E mesmo porque      eu n&atilde;o gosto de vir pra c&aacute; (Lar de Apoio) ... (Gl&oacute;ria-rosa)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O sofrimento do    outro &eacute; motivo de preocupa&ccedil;&atilde;o com seu pr&oacute;prio filho.    A morte do filho de determinada m&atilde;e, d&oacute;i nelas tamb&eacute;m,    &eacute; momento desesperador. A dor de outra crian&ccedil;a &eacute; sentida    com o mesmo impacto, mobiliza tanto as m&atilde;es que algumas chegam a pensar    que seria melhor a morte a v&ecirc;-los sofrer naquela intensidade.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) eu vi assim      morrer do meu lado... eu nunca tinha assistido, assim, morrer tanta gente      assim... eu ficava quase louca... eu pensava no meu filho, eu olhava pro meu      filho e num sabia nem o que fazia (...) A&iacute;, quando cheguei aqui, eu      chorava demais, demais, demais mesmo. Em muitos momentos ela (uma outra crian&ccedil;a)      chora... aquela dor que d&oacute;i, d&oacute;i... a&iacute; eu fico olhando...      por que que n&atilde;o acaba aquela dor? Fico com medo, d&oacute;i demais,      n&atilde;o acaba, n&atilde;o termina. Eu, se v&ecirc; o meu filho... eu preferia      que Deus tirasse ele (o filho), r&aacute;pido... do que ver ele sofrendo.      &Eacute; muito ruim ver sofrer. Porque eu cheguei a ver uns casos assim...      eles (as crian&ccedil;as) sofre, sofre... vive um momento... vai, vai e ele      (a crian&ccedil;a) acaba morrendo...&Eacute; muito ruim isso pra mim." (Maracuj&aacute;      do mato)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) mas olha      se eu tiver, tiver numa sala e uma crian&ccedil;a come&ccedil;a a passar mal,      todas as m&atilde;es passam mal tamb&eacute;m, n&atilde;o &eacute; s&oacute;      a m&atilde;e daquele que t&aacute; passando mal... todas choram, 'todas passa      mal,' e os filhos da gente 'passa' mal junto com ele (a crian&ccedil;a que      est&aacute; passando mal)... &eacute; uma coisa assim... incompar&aacute;vel...      porque eu jamais eu pensava que era assim(...) (Yasmin)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro elemento    est&aacute; presente no relato a seguir. Colocar-se no lugar da outra, sabendo    a dimens&atilde;o que &eacute; a perda de um filho, fen&ocirc;meno impens&aacute;vel,    que nada justifica, e as perdas cont&iacute;nuas de crian&ccedil;as com quem    foram estabelecidos fortes v&iacute;nculos &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o    geratriz de sofrimento.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A todo momento      eu me coloco no lugar dessa outra m&atilde;e... porque a gente chega aqui,      faz la&ccedil;os de amizade... &eacute; mesmo que ser irm&atilde;s, irm&atilde;os,      sobrinhos... De repente, a gente come&ccedil;a a ter perdas, n&eacute;? Ah!      Fulano faleceu, fulano ta passando mal, a gente sofre... ent&atilde;o foi      terr&iacute;vel quando a gente (ela e a filha) chegou aqui... as perdas(...)      (Jasmim)</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>4. Frente a    frente com o agravamento do quadro: pedindo a troca de lugares</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Algumas situa&ccedil;&otilde;es    que ocorrem durante o tratamento, tais como o agravamento do quadro em seus    filhos, necessitando interna&ccedil;&otilde;es hospitalares ou frente &agrave;    rea&ccedil;&atilde;o aos medicamentos utilizados, especificamente quando da    quimioterapia, geram afli&ccedil;&atilde;o, ang&uacute;stia, dor e desespero.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diante da piora    do estado de sa&uacute;de da crian&ccedil;a, as m&atilde;es ressaltam a caracter&iacute;stica    desse momento: angustiante e verdadeiramente desesperador. Assim, numa tentativa    de amparar seus filhos, solicitam a Deus a possibilidade de trocar de lugar    com a crian&ccedil;a e que a doen&ccedil;a possa manifestar-se em si mesmas,    de forma a livrar seus filhos do sofrimento e da dor que os acomete.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) a&iacute;      eu fiquei desesperada... pedi pra Deus tirar aquela doen&ccedil;a... se fosse      alguma coisa que eu tinha feito quando eu era mais nova, colocasse em mim,      mas tirasse aquela dor dele (do filho), libertasse ele (o filho), colocasse      em mim, porque eu, eu sou de maior... eu sabia onde do&iacute;a e ele (o filho)      n&atilde;o, ele (o filho) t&atilde;o pequeno assim, ele (o filho) s&oacute;      se batia, eu ficava assim desesperada, eu cheguei at&eacute; pegar o doutor      pela camisa (Maracuj&aacute; do mato).</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>5. N&atilde;o    demonstrar a tristeza e a inseguran&ccedil;a: um ato de cuidado</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dada a fragilidade    em que seus filhos se encontram, onde v&aacute;rios elementos - tais como: morte    de outras crian&ccedil;as, distanciamento da fam&iacute;lia, o desconforto no    tratamento - que corroboram para que o quadro seja visto sob o enfoque de cruel,    inc&ocirc;modo, dif&iacute;cil, essas m&atilde;es passam a enfrentar esse mundo-da-doen&ccedil;a    sem demonstrar inseguran&ccedil;a, fragilidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Reconhecem que,    se em algum momento mostram-se fr&aacute;geis, isso poder&aacute; resultar em    medo, inseguran&ccedil;a por parte das crian&ccedil;as. Dessa forma, preferem    demonstrar "um sorriso" ou mesmo "chorar distante" para que isso n&atilde;o    afete seus filhos que, por sua vez, j&aacute; convivem com tanto sofrimento,    tanta dor. Ent&atilde;o, se faz necess&aacute;rio engolir o choro, a emo&ccedil;&atilde;o,    de forma a propiciar alento a seus filhos e, os mesmos, consigam realizar o    enfrentamento da situa&ccedil;&atilde;o, de modo a se sentirem amparados pelas    m&atilde;es.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sabe, ela (a      m&eacute;dica) foi embora, eu fiquei muito triste, chorei muito... foi um      pouco longe dela (da filha)... Tem que mostrar for&ccedil;a pra ela (a filha),      voc&ecirc; n&atilde;o chora na frente dela (da filha), porque ela (a filha)      vai chorar, ela (a filha) vai ver voc&ecirc; sofrer. Voc&ecirc; vai no banheiro,      voc&ecirc; chora, lava o rosto, engole o choro e vai cuidar do seu filho,      porque a gente tem que ser guerreiro, entendeu?" (Margarida)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) porque      &eacute; triste, &eacute; triste voc&ecirc; precisa ser forte, porque tem      dias que voc&ecirc; t&aacute; rindo, mas tem dias que voc&ecirc; t&aacute;      chorando, e eu sou muito fraca... eu choro, eu nem posso ver, nem comentar      assim muitas coisas... At&eacute; eu n&atilde;o gosto de comentar muito as      coisa porque eu choro logo, eu fico logo emocionada (...) (Vit&oacute;ria-R&eacute;gia)</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>6. Aprendendo    com o processo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar do sofrimento    que a situa&ccedil;&atilde;o acarreta desde as mudan&ccedil;as ocorridas no    seio familiar &agrave; mudan&ccedil;a de cidade, existe a possibilidade de se    perceber existencialmente, no que diz respeito a, independentemente de tudo    o que est&aacute; ocorrendo, ser poss&iacute;vel aprender e perceber-se antes    e depois.</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(...) foi bom      eu vir... eu conheci v&aacute;rias coisas, aprendi muito com a vida... Eu      sa&iacute; dum mundo em que vivia presa, pro mundo de agora... eu achei muito      diferente o mundo que eu vivia, pro mundo agora, porque l&aacute; (munic&iacute;pio      de origem) eu n&atilde;o tinha visto, como quer dizer... assim... tanto caso      assim acontecer e aqui eu j&aacute; vi. Ent&atilde;oce, eu agrade&ccedil;o      a Deus, primeiramente, por ter vindo... ver assim tanto caso e l&aacute; (munic&iacute;pio      de origem) eu vivia presa na comunidade, ia '&agrave;s vez' na cidade quando      era poss&iacute;vel... quando n&atilde;o era, ficava o tempo todo... (Maracuj&aacute;      do mato)</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Eu n&atilde;o      sabia essas coisa assim, mas aprendi muitas coisas... que nunca me ensinaram      quando eu era pequena... os pessoal (pessoas de sua cidade) nunca me falaram...      eu aprendi muitas coisa aqui com esses pessoal (pessoas do Lar de Apoio) (...)      (Ushinka)</font></p> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Compreender a viv&ecirc;ncia    dessas m&atilde;es requer a imers&atilde;o na filosofia de Martin Heidegger    e seus pressupostos em sua Ontologia Hermen&ecirc;utica. Inicialmente, deve-se    considerar o que esse pensador ressalta sobre o desvelar do Ser-a&iacute;, do    Dasein. Destaca que o Ser se mostra no discurso e, neste estudo, fica caracterizado    que ser-m&atilde;e-de-um-filho-com-c&acirc;ncer se d&aacute; a conhecer pela    linguagem, a morada do Ser (Heidegger, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser-m&atilde;e-de-um-filho-com-c&acirc;ncer    &eacute; perceber-se lan&ccedil;ada no mundo da doen&ccedil;a, habitar um mundo    em que n&atilde;o houve a possibilidade de escolha, ou seja, este mundo n&atilde;o    foi escolhido e que pode revelar-se in&oacute;spito ou n&atilde;o. &Eacute;    ent&atilde;o o que o fil&oacute;sofo caracteriza como a facticidade do Dasein    (Heidegger, 2002a).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se que    essas mulheres forram literalmente arrancadas de seu mundo origin&aacute;rio.    Seus discursos revelam a estranheza desse mundo novo, desconhecido, diferente.    A este fen&ocirc;meno Heidegger (2002a) se refere como a estranheza na ang&uacute;stia.    Na ang&uacute;stia se est&aacute; estranho. Eis a pre-sen&ccedil;a na ang&uacute;stia.    A tempestade do ser.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo dessas    m&atilde;es torna-se diferente. Heidegger (2002a) concebe o mundo sob tr&ecirc;s    aspectos: o mundo circundante, o mundo das rela&ccedil;&otilde;es e o mundo    pessoal. Ao mundo circundante dessas mulheres pertencem a situa&ccedil;&atilde;o    da doen&ccedil;a e tudo o que a&iacute; est&aacute; implicado: o tratamento,    a rotina m&eacute;dica, o deslocamento de suas cidades e para suas cidades quando    os filhos est&atilde;o na fase do controle. Significa, al&eacute;m disso, ajustar-se    &agrave; nova situa&ccedil;&atilde;o e convicer com as mudan&ccedil;as inerentes    ao processo de imers&atilde;o no mundo da doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo das rela&ccedil;&otilde;es,    o ser-com, &eacute; ontologicamente compreendido como estar junto aos outros    homens, &eacute; inerente &agrave; constitui&ccedil;&atilde;o fundamental da    exist&ecirc;ncia como ser-no-mundo. Neste estudo &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o    que estabelecem com seus familiares, equipe m&eacute;dica, as outras m&atilde;es    e seus filhos. Mesmo quando silenciam diante da dor, encontram-se ensimesmadas,    tristes, sentindo-se s&oacute;s, elas vivenciam o ser-com, principalmente porque    uma sente o que outra est&aacute; sentindo, uma est&aacute; passando pela mesma    dor que a outra. E como ressalta Heidegger (2002a, p.172) "mesmo o estar s&oacute;    &eacute; ser-com, no mundo. Somente num ser-com e para um ser-com &eacute; que    o outro pode faltar. O estar-s&oacute; &eacute; um nodo deficiente de ser-com."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O mundo pessoal,    por sua vez, diz respeito &agrave; rela&ccedil;&atilde;o que o indiv&iacute;duo    estabelece consigo mesmo, &eacute; o ser-si-mesmo, na consci&ecirc;ncia de si    e no autoconhecimento. S&atilde;o as situa&ccedil;&otilde;es que a pessoa vai    vivenciando, sua rela&ccedil;&atilde;o com o mundo circundante e com os outros,    que vai possibilitar a atualiza&ccedil;&atilde;o de suas potencialidades, outorgando-lhe    as condi&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias para ir se descobrindo e reconhecendo    quem &eacute;. O mundo pessoal de ser-m&atilde;e-de-um-filho-com-c&acirc;ncer    &eacute; experienciar o mundo circundante, sua rela&ccedil;&atilde;o com os    outros, o ser-com, e, a partir dessas viv&ecirc;ncias perceberem-se em sua possibilidade    de ser, de crescer, de lutar e saberem-se capazes de seguir adiante, de lutar    pela cura de seus filhos, aprendendo, e inclusive, apropriar-se da terminologia    cient&iacute;fica relativa &agrave; doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A facticidade promove    nessas m&atilde;es a suposi&ccedil;&atilde;o e o temor (Heidegger,2002b), a    doen&ccedil;a &eacute; percebida como um veredicto, uma senten&ccedil;a e da&iacute;,    surge a ang&uacute;stia pela possibilidade da perda, pela poss&iacute;vel morte    de seus filhos. E isto &eacute; bastante acentuado quando ocorre o &oacute;bito    de uma outra crian&ccedil;a. Este fen&ocirc;meno conduz a uma reflex&atilde;o    acerca do que Heidegger (2002b) compreende como a finitude do humano, a morte,    afinal, somos, enquanto homens, um ser-para-a-morte. E, diante disso, essas    mulheres lutam, dando o melhor de si mesmas por esse filho e pelo tratamento    que est&aacute; sendo realizado. &Eacute; o que Heidegger (2002b) caracteriza    como a abertura do ser, a apropria&ccedil;&atilde;o da morte, resultando em    possibilidade enquanto possibilidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A perda ou uma    intercorr&ecirc;ncia mais grave em outra crian&ccedil;a ou mesmo em seu pr&oacute;prio    filho remete-as ao Cuidado. Este cuidar &eacute; vivenciado em seu aspecto pre-ocupa&ccedil;&atilde;o    com o outro e concretiza-se na solicitude de uma m&atilde;e com a outra, com    seus filhos e com os filhos das outras. &Eacute; um antepor-se ao outro, que    Heidegger (2002a), compreende como n&atilde;o substituir o outro, mas, antepor-se,    com o objetivo de coloc&aacute;-lo diante de suas pr&oacute;prias possibilidades    existenciais de ser. O outro n&atilde;o &eacute; uma coisa da qual se ocupa,    mas "ajuda o outro a tornar-se, em sua cura, transparente a si mesmo e livre    para ela" (p.174).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger (2002a)    pressup&otilde;e que o ser-no-mundo pode dar-se sob dois aspectos: a inautenticidade    e a autenticidade. A primeira faz-se presente no momento em que, diante do estigma    do c&acirc;ncer - a morte - as m&atilde;es acreditam que os filhos est&atilde;o    condenados, e isto as faz mergulhar em sofrimento atroz, inclusive culpando-se    pela possibilidade do surgimento da doen&ccedil;a. Concomitante a isto, percebem    que t&ecirc;m de procurar tratamento para os filhos, e, para isso, deslocam-se    de suas cidades, de suas fam&iacute;lias e seguem em busca da cura, neste movimento,    tomam para si a responsabilidade, passam a ter consci&ecirc;ncia de si mesmas    e dos outros, e buscam valores que lhes permitir&atilde;o determinar sua pr&oacute;pria    condi&ccedil;&atilde;o de existentes, o que caracteriza a autenticidade. &Eacute;    emergir a partir do mundo da doen&ccedil;a, "o estar-a&iacute; se temporaliza    como um si-mesmo, ou seja, como um ente que est&aacute; entregue a si mesmo    para ser" (Heidegger,1988, p.173).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser-m&atilde;e-de-um-filho-com-c&acirc;ncer    &eacute; vivenciar transforma&ccedil;&otilde;es abruptas em v&aacute;rios sentidos    da exist&ecirc;ncia. O deslocamento de suas cidades de origem propicia mudan&ccedil;as    grandiosas na din&acirc;mica familiar. S&atilde;o lan&ccedil;adas em um mundo    desconhecido e estabelecem rela&ccedil;&otilde;es com outras m&atilde;es e seus    filhos e, o que antes era um sofrimento individual, passa a ser percebido como    coletivo, e esse con-viver proporciona experienciar a solicitude em toda a sua    amplitude.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Significa, tamb&eacute;m,    sair de um mundo j&aacute; conhecido, para outro, pleno de surpresas e tomar    para si a responsabilidade pelo tratamento e cura de seus filhos. Intermediando    essa viv&ecirc;ncia, torna-se presente a ang&uacute;stia frente &agrave; possibilidade    da perda de seus filhos, principalmente nas intercorr&ecirc;ncias e no &oacute;bito    de outra crian&ccedil;a. Entretanto, mesmo &agrave; expensas de si mesmas, na    maioria das vezes, lutam, t&ecirc;m esperan&ccedil;a de que seus filhos fiquem    curados e possam retornar a seus lares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O cuidado &eacute;    vivenciado no sentido de pensar o ser; no cuidado com as coisas; no referente    &agrave; pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia; no cuidado com o outro. O cuidado    como car&aacute;ter principal, essencial do ser-no-mundo. Assim, &eacute; manifestado    nos discursos das m&atilde;es como desvelo, solicitude, zelo, aten&ccedil;&atilde;o    e bom trato, apresentando-se com significado de co-responsabilidade pelo destino    do outro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Origin&aacute;rias    dos rinc&otilde;es mais distantes da Amaz&ocirc;nia, estas mulheres, mesmo diante    do sofrimento que se abate sobre elas, ainda conseguem aprender cotidianamente    com aqueles que convivem com elas no Lar de Apoio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; necess&aacute;rio    que outros estudos sejam realizados, revelando outros olhares acerca do fen&ocirc;meno,    tendo em vista que neste, realizado sob o referencial metodol&oacute;gico da    Fenomenologia, considerou-se a intencionalidade do pesquisador.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Amaral, M. T. C.    (2002). Vivenciando o c&acirc;ncer com arte. In M. M. M. J de Carvalho (Org.),    <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; psiconcologia</i> (pp. 37-56). Campinas,    SP: Livro Pleno.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298708&pid=S1518-6148201000030001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dreifaldt, A. C.,    Carlberg, M., &amp; Hardell, L. (2004). Increasing incidence rates of childhood    malignant diseases in Sweden during the period 1960-1998. <i>European Journal    of Cancer, 40</i> (9), 1351-1360.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298710&pid=S1518-6148201000030001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dulioust, J., P&eacute;pin,    P., &amp; Gr&eacute;my, I. (2007/2008, d&eacute;cembre-mars). Ile-de-France:    &Eacute;pid&eacute;miologie des cancers chez l'enfant de moins de 15 ans. <i>Sant&eacute;    Publique: Adsp</i> (61/62), 98-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298712&pid=S1518-6148201000030001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Greenlee, R. T.    (2001). Cancer statistics, 2001. <i>CA Cancer J Clin</i>, <i>51</i>, 15-36.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298714&pid=S1518-6148201000030001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, M. A.    (1988). <i>Ess&ecirc;ncia do fundamento</i> (A. Mor&atilde;o, Trad.). Lisboa,    Portugal: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298716&pid=S1518-6148201000030001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, M. A    .(2002a). <i>Ser e tempo</i> (M. S. Cavalcante Trad., Vol. 1, 9a ed.). Petr&oacute;polis,    RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298718&pid=S1518-6148201000030001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, M. A    . (2002b). <i>Ser e tempo</i> (M. S. Cavalcante Trad., Vol. 2, 9a ed.). Petr&oacute;polis,    RJ:Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298720&pid=S1518-6148201000030001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Heidegger, M. A.    (2003a). <i>A caminho da linguagem</i> ( M. S. Cacalcante, Trad., 2a ed.). Petr&oacute;polis,    RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298722&pid=S1518-6148201000030001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Helseth, S., &amp;    Ulfsaet, N. (2005). Parenting experiences during cancer. <i>J Adv Nurs, 52</i>,    38-46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298724&pid=S1518-6148201000030001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Instituto Nacional    do C&acirc;ncer. (2007). <i>O c&acirc;ncer no Brasil: Determinantes sociais    e epidemiol&oacute;gicos</i>. Rio de Janeiro: Autor.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298726&pid=S1518-6148201000030001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Izarzugaza, M.    I., Steliarova-Foucher, E., Matos, M. C., &amp; Zivkovic, S. (2006). Non-Hodkin&acute;s    lymphoma incidence and survival in European children and adolescents (1978-1997):    Report from the automated childhood c&acirc;ncer information system project.    <i>European Journal of Cancer, 42</i> (13): 2050-2063.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298728&pid=S1518-6148201000030001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jimenez, A., Catal&aacute;,    A., &amp; Salvador, C. (2003). Atenci&oacute;n social : Ayudas a fam&iacute;lias.    <i>Rev Federation Espanola de Padres de Ninos com C&acirc;ncer , 6</i>, 4-5.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298730&pid=S1518-6148201000030001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kaatsch, P., Steliarova-Foucher,    E., &amp; Crocetti, E. (2006). Geographical patterns of childhood cancer incidence    in Europe (1988-1997): Report from the automated childhood cancer information    systma project. <i>European Journal of Cancer, 42</i> (13), 1961-1971.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298732&pid=S1518-6148201000030001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Kovacs, M. J. (2002).    Morrer com dignidade In: M. M. M. J. Carvalho (Org.), <i>Introdu&ccedil;&atilde;o    &agrave; psiconcologia</i> (p. 57-69). Campinas, SP: Livro Pleno.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298734&pid=S1518-6148201000030001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lopes, D. P. L.    O., &amp; Valle, E. R. M. (2001). A organiza&ccedil;&atilde;o familiar e o acontecer    no tratamento da crian&ccedil;a com c&acirc;ncer. In E. R. M. Valle (Org.),    <i>Psico-oncologia pedi&aacute;trica</i> (pp. 13-74). S&atilde;o Paulo: Casa    do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298736&pid=S1518-6148201000030001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Martins, J., &amp;    Bicudo, M. A.V. (1994). <i>A pesquisa qualitativa em psicologia: Fundamentos    e recursos b&aacute;sicos</i> (2a ed.). S&atilde;o Paulo: Moraes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298738&pid=S1518-6148201000030001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Perls-Bonet, R.,    Martinez-Garcia, C., &amp; Lacour, B. (2006). Childhood central nervous system    tumours: Incidence and survival in Europe (1978-1997): Report from automated    childhood cancer information system project. <i>European Journal of Cancer,    42</i> (13), 2064-2080.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298740&pid=S1518-6148201000030001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Steliarova-Foucher,    E., Lacour, B., Perls-Bonet, R., &amp;Martinez-Garcia, C. (2004). Geographical    patterns and time trends of cancer incidence and survival among children and    adolescents in Europe since the 1970's (the ACCIS Project): And epidemiological    stu<i>dy. Lancet, 364</i> (9451), 2097-105.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298742&pid=S1518-6148201000030001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Von Der Weid, N.    (2006). Sp&eacute;cificit&eacute;s du cancer de l'enfant et de l'adolescent.    <i>Paediatrica, 17</i> (2), 23-27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298744&pid=S1518-6148201000030001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Yamaguchi, N. H.    (2002). O c&acirc;ncer na vis&atilde;o da oncologia In M. M. M. J. Carvalho    (Org.), <i>Introdu&ccedil;&atilde;o &aacute; psiconcologia</i> (p. 13-35). Campinas,    SP: Livro Pleno.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=3298746&pid=S1518-6148201000030001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em 12    de julho de 2010    <br>   Aceito em 7 de agosto de 2010    <br>   Revisado em 26 de agosto de 2010</font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Amaral]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. T. C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Vivenciando o câncer com arte]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M. M. J de]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à psiconcologia]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>37-56</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSP SP]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livro Pleno]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dreifaldt]]></surname>
<given-names><![CDATA[A. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Carlberg]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Hardell]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Increasing incidence rates of childhood malignant diseases in Sweden during the period 1960-1998]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of Cancer]]></source>
<year>2004</year>
<volume>40</volume>
<numero>9</numero>
<issue>9</issue>
<page-range>1351-1360</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Dulioust]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Pépin]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Grémy]]></surname>
<given-names><![CDATA[I.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Ile-de-France: Épidémiologie des cancers chez l'enfant de moins de 15 ans]]></article-title>
<source><![CDATA[Santé Publique: Adsp]]></source>
<year></year>
<numero>61/62</numero>
<issue>61/62</issue>
<page-range>98-108</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Greenlee]]></surname>
<given-names><![CDATA[R. T.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Cancer statistics, 2001]]></article-title>
<source><![CDATA[CA Cancer J Clin]]></source>
<year>2001</year>
<volume>51</volume>
<page-range>15-36</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Morão]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Essência do fundamento]]></source>
<year>1988</year>
<publisher-loc><![CDATA[Lisboa ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Edições 70]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cavalcante]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ser e tempo]]></source>
<year>2002</year>
<edition>9</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis^eRJ RJ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cavalcante]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ser e tempo]]></source>
<year>2002</year>
<edition>9</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis^eRJ RJ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Heidegger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A caminho da linguagem]]></source>
<year>2003</year>
<edition>2</edition>
<publisher-loc><![CDATA[Petrópolis^eRJ RJ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Vozes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Helseth]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Ulfsaet]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Parenting experiences during cancer]]></article-title>
<source><![CDATA[J Adv Nurs]]></source>
<year>2005</year>
<volume>52</volume>
<page-range>38-46</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="book">
<collab>Instituto Nacional do Câncer</collab>
<source><![CDATA[O câncer no Brasil: Determinantes sociais e epidemiológicos]]></source>
<year>2007</year>
<publisher-loc><![CDATA[Rio de Janeiro ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Autor]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Izarzugaza]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. I.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Steliarova-Foucher]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Matos]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Zivkovic]]></surname>
<given-names><![CDATA[S.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Non-Hodkin´s lymphoma incidence and survival in European children and adolescents (1978-1997): Report from the automated childhood câncer information system project]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of Cancer]]></source>
<year>2006</year>
<volume>42</volume>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
<page-range>2050-2063</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B12">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Jimenez]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Catalá]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Salvador]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="es"><![CDATA[Atención social: Ayudas a famílias]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev Federation Espanola de Padres de Ninos com Câncer]]></source>
<year>2003</year>
<volume>6</volume>
<page-range>4-5</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B13">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kaatsch]]></surname>
<given-names><![CDATA[P.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Steliarova-Foucher]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Crocetti]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Geographical patterns of childhood cancer incidence in Europe (1988-1997): Report from the automated childhood cancer information systma project]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of Cancer]]></source>
<year>2006</year>
<volume>42</volume>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
<page-range>1961-1971</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B14">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Kovacs]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Morrer com dignidade]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M. M. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução à psiconcologia]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>57-69</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSP SP]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livro Pleno]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B15">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lopes]]></surname>
<given-names><![CDATA[D. P. L. O.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Valle]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A organização familiar e o acontecer no tratamento da criança com câncer]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Valle]]></surname>
<given-names><![CDATA[E. R. M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Psico-oncologia pediátrica]]></source>
<year>2001</year>
<page-range>13-74</page-range><publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Casa do Psicólogo]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B16">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Martins]]></surname>
<given-names><![CDATA[J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Bicudo]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. A.V.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[A pesquisa qualitativa em psicologia: Fundamentos e recursos básicos]]></source>
<year>1994</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Moraes]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B17">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Perls-Bonet]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martinez-Garcia]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lacour]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Childhood central nervous system tumours: Incidence and survival in Europe (1978-1997): Report from automated childhood cancer information system project]]></article-title>
<source><![CDATA[European Journal of Cancer]]></source>
<year>2006</year>
<volume>42</volume>
<numero>13</numero>
<issue>13</issue>
<page-range>2064-2080</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B18">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Steliarova-Foucher]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Lacour]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Perls-Bonet]]></surname>
<given-names><![CDATA[R.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Martinez-Garcia]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Geographical patterns and time trends of cancer incidence and survival among children and adolescents in Europe since the 1970's (the ACCIS Project): And epidemiological study]]></article-title>
<source><![CDATA[Lancet]]></source>
<year>2004</year>
<volume>364</volume>
<numero>9451</numero>
<issue>9451</issue>
<page-range>2097-105</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B19">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Von Der Weid]]></surname>
<given-names><![CDATA[N.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="fr"><![CDATA[Spécificités du cancer de l'enfant et de l'adolescent]]></article-title>
<source><![CDATA[Paediatrica]]></source>
<year>2006</year>
<volume>17</volume>
<numero>2</numero>
<issue>2</issue>
<page-range>23-27</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B20">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Yamaguchi]]></surname>
<given-names><![CDATA[N. H.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O câncer na visão da oncologia]]></article-title>
<person-group person-group-type="editor">
<name>
<surname><![CDATA[Carvalho]]></surname>
<given-names><![CDATA[M. M. M. J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Introdução á psiconcologia]]></source>
<year>2002</year>
<page-range>13-35</page-range><publisher-loc><![CDATA[Campinas^eSP SP]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Livro Pleno]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
