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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Sobre o delírio na psicose: a relação com o Grande Outro na paranoia e na esquizofrenia]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[In light of the complexity of the psychotic phenomena and the importance of identifying psychosis in the clinical experience by the analyst, the objective of this article is to approach the cases of psychosis of paranoia and schizophrenia through a Lacanian perspective, and differentiate them from those in the field of the neurotic types. The article has also explored the relation of psychotic with language and the position of the subject in relation to the Big Other. The difference between the psychotic and the neurotic subjects is its relation to the significant. Based on Jacques Lacan's work, we know that in psychosis there is no psychological repression, that is, it does not concern an enigmatic unconsciousness which requires the analyst to decipher the discourse. Regarding psychosis, the unconscious is present in a singular manner: unveiled. Questions about the clinic of psychosis were raised in relation to transference, symbolization, and the place of the analyst towards the person who are delirious.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ESTRUTURAS CL&Iacute;NICAS: LA&Ccedil;OS E DESENLACES</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Sobre o del&iacute;rio na psicose: a rela&ccedil;&atilde;o com o Grande Outro na paranoia e na esquizofrenia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Delirium in psychosis: the relation with the Big Other in paranoia and schizophrenia</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Paula Rodrigues Calado<sup><a name="1"></a><a href="#1a">*</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Curso de Psicologia</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tendo em vista a complexidade dos fen&ocirc;menos psic&oacute;ticos e a import&acirc;ncia do reconhecimento, por parte do analista, da psicose na experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica, o objetivo deste trabalho &eacute; abordar as psicoses de ordem paranoica e esquizofr&ecirc;nica, por meio de uma perspectiva lacaniana, diferenciando-as do campo das neuroses. Explorou-se tamb&eacute;m a rela&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;tico com a linguagem e a localiza&ccedil;&atilde;o do sujeito em face do Grande Outro. O que diferencia o sujeito psic&oacute;tico do neur&oacute;tico &eacute; a sua rela&ccedil;&atilde;o com o significante. Com base nos estudos de Jacques Lacan sabemos que na psicose n&atilde;o h&aacute; recalque, ou seja, n&atilde;o se trata de um inconsciente enigm&aacute;tico que exige um deciframento do discurso por parte do analista. Em se tratando de psicose, o inconsciente est&aacute; presente de uma maneira singular: desvelado. Foram levantados questionamentos sobre a cl&iacute;nica da psicose no que diz respeito &agrave; transfer&ecirc;ncia, &agrave; simboliza&ccedil;&atilde;o e ao lugar do analista ante &agrave;quele que delira.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>: Psicoses, Linguagem, Significante, Inconsciente.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">In light of the complexity of the psychotic phenomena and the importance of identifying psychosis in the clinical experience by the analyst, the objective of this article is to approach the cases of psychosis of paranoia and schizophrenia through a Lacanian perspective, and differentiate them from those in the field of the neurotic types. The article has also explored the relation of psychotic with language and the position of the subject in relation to the Big Other. The difference between the psychotic and the neurotic subjects is its relation to the significant. Based on Jacques Lacan's work, we know that in psychosis there is no psychological repression, that is, it does not concern an enigmatic unconsciousness which requires the analyst to decipher the discourse. Regarding psychosis, the unconscious is present in a singular manner: unveiled. Questions about the clinic of psychosis were raised in relation to transference, symbolization, and the place of the analyst towards the person who are delirious.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>: Psychosis, Language, Significant, Unconscious.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mas h&aacute; sempre coisas atr&aacute;s de mim.    <br>   Sinto a sua aus&ecirc;ncia de olhos fitar-me, e estreme&ccedil;o.    <br>   Sem se mexerem, as paredes vibram-me sentido.    <br>   Falam comigo sem voz de dizerem-me as cadeiras.    <br> Os desenhos do pano da mesa t&ecirc;m vida, cada um &eacute; um abismo.</font></p>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trecho de "A m&uacute;mia", de Fernando Pessoa</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As psicoses s&atilde;o estudadas por diversos campos do conhecimento, e foram amplamente exploradas pela psiquiatria, especificamente em duas vertentes de pensamento: a tradi&ccedil;&atilde;o germ&acirc;nica e a francesa, sendo frequentemente relacionadas a uma g&ecirc;nese org&acirc;nica, como aponta Jacques Lacan em 1932 em sua tese <i>Das psicoses paranoicas em suas rela&ccedil;&otilde;es com a personalidade</i>. O objetivo deste trabalho &eacute;, a partir de uma perspectiva lacaniana sobre fen&ocirc;meno da psicose, apresentar as distin&ccedil;&otilde;es entre o campo das neuroses e das psicoses no que diz respeito &agrave; l&oacute;gica do significante, mais especialmente no que tange aos tipos cl&iacute;nicos de paranoia e esquizofrenia. Al&eacute;m disso, buscou-se explorar a rela&ccedil;&atilde;o do psic&oacute;tico com a linguagem e a localiza&ccedil;&atilde;o do sujeito diante do Grande Outro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan nos ensinou que n&atilde;o devemos recuar diante da psicose. Em seu <i>Semin&aacute;rio 3</i>, sobre as psicoses, nota-se um interesse do autor em ressaltar que o que difere o campo das neuroses das psicoses &eacute;, antes de mais nada, a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o significante. Ele afirma: "A promo&ccedil;&atilde;o, a valoriza&ccedil;&atilde;o na psicose dos fen&ocirc;menos de linguagem &eacute; para n&oacute;s o mais fecundo dos ensinamentos" (LACAN, 1956-57&#47;1988, p. 167). Desse modo, os psic&oacute;ticos sofrem, assim como os neur&oacute;ticos, de uma rela&ccedil;&atilde;o com a linguagem, mais precisamente, do efeito do significante, sendo assim, necess&aacute;rio pensar a psicose a partir de uma l&oacute;gica do simb&oacute;lico (QUINET, 2014).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito &agrave; diferencia&ccedil;&atilde;o topogr&aacute;fica entre fen&ocirc;menos neur&oacute;ticos e psic&oacute;ticos, Lacan introduz, ainda no <i>Semin&aacute;rio 3</i>, a ideia de que na psicose tem-se a rejei&ccedil;&atilde;o de um significante primordial, primitivo, que, ao ser exclu&iacute;do do primeiro corpo de significantes, constitui uma esp&eacute;cie de falha quanto &agrave; apreens&atilde;o da realidade. Assim, depreende-se nas p&aacute;ginas seguintes de seu semin&aacute;rio que, para o psic&oacute;tico, n&atilde;o se trata de recalque, do "disso nada querer saber". Na psicose, o significante inconsciente que ordena o registro do simb&oacute;lico se situa numa exterioridade ao sujeito, exterioridade essa que &eacute; evocada no del&iacute;rio e na alucina&ccedil;&atilde;o. O mecanismo que rege a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o significante na psicose &eacute; denominado por Lacan de <i>Verwerfung</i> ou foraclus&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se agora de saber sobre o que incide a foraclus&atilde;o. No campo das neuroses, h&aacute; a inclus&atilde;o de um significante primevo que institui a lei na ordem simb&oacute;lica; esse significante &eacute; denominado de Nome-do-Pai e barra o gozo absoluto, o que institui na neurose a elabora&ccedil;&atilde;o da fantasia (LACAN, 1956-57&#47;1988). O significante do Nome-do-Pai instaura a interdi&ccedil;&atilde;o do gozo absoluto no simb&oacute;lico. Segundo Izcovich (2002, p. 51):</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A n&atilde;o integra&ccedil;&atilde;o da amea&ccedil;a de castra&ccedil;&atilde;o se refere &agrave; rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com a lei e com o que desta pode se inscrever, ou n&atilde;o, inconscientemente. O passo seguinte ser&aacute; considerar que um significante est&aacute; foraclu&iacute;do.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na neurose, a interdi&ccedil;&atilde;o do gozo absoluto faz com que o neur&oacute;tico produza a fantasia, caracterizada por Lacan como a <i>janela para o real</i> (LACAN, 1956-57&#47;1988). A fantasia neur&oacute;tica estrutura a realidade ps&iacute;quica, e permite ao sujeito n&atilde;o ser diretamente invadido pelo insuport&aacute;vel do real como na psicose. O neur&oacute;tico &eacute; capaz de simbolizar quando o real lhe bate &agrave; porta. A aliena&ccedil;&atilde;o ao desejo do outro, instaurada no Est&aacute;dio do Espelho, no registro do Imagin&aacute;rio, faz com que o Outro do neur&oacute;tico seja inconsistente, castrado. Na psicose, devido &agrave; n&atilde;o inclus&atilde;o do significante do Nome-do-Pai e &agrave; elis&atilde;o do falo, o Outro carece do significante da lei. O Outro &eacute; absoluto, onipotente, consistente, gozador (QUINET, 2014).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na psicose n&atilde;o se trata de fantasia e sim de del&iacute;rio ou alucina&ccedil;&atilde;o, uma vez que o significante foraclu&iacute;do da cadeia simb&oacute;lica retorna pela via do real, o que implica uma realidade que se estrutura a partir do registro real. O que Lacan destaca ser o ponto primordial de diferen&ccedil;a entre neurose e psicose &eacute; o modo de rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o significante, ou seja, sua posi&ccedil;&atilde;o diante do grande Outro. O neur&oacute;tico, por possuir o significante do Nome-do-Pai, &eacute; capaz de encadear os significantes e emergir como sujeito intervalar, na escans&atilde;o, entre os significantes encadeados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Nome-do-Pai &eacute; respons&aacute;vel pela organiza&ccedil;&atilde;o da cadeia de significantes a partir da articula&ccedil;&atilde;o entre S<sub>1</sub> e S<sub>2</sub>. O S<sub>1</sub>, essaim, significante un&aacute;rio, &eacute; aquele que introduz o primeiro corpo de significantes e articula-se a S<sub>2</sub>. S<sub>2</sub> &eacute; sempre uma tentativa de repeti&ccedil;&atilde;o de S<sub>1</sub> e, a partir da&iacute;, desenvolve-se a cadeia como tal. No entanto, na psicose, devido &agrave; n&atilde;o incid&ecirc;ncia do Nome-do-Pai e &agrave; n&atilde;o institui&ccedil;&atilde;o da lei f&aacute;lica no simb&oacute;lico, a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o S<sub>1</sub> se diferencia do que se v&ecirc; na neurose (QUINET, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aus&ecirc;ncia do significante da lei n&atilde;o permite a articula&ccedil;&atilde;o entre significantes, e, consequentemente, o encadeamento. A psicose &eacute; marcada por uma desordem significante. &Eacute; o que nos mostra Quinet, a partir de Lacan, ao afirmar que a rela&ccedil;&atilde;o com o significante-mestre (S<sub>1</sub>) diferencia-se na paranoia e na esquizofrenia, uma vez que na primeira h&aacute; o mecanismo de Verhaltung, ou seja, a reten&ccedil;&atilde;o do S<sub>1</sub> e a identifica&ccedil;&atilde;o do sujeito com esse Um ordenador da cadeia. Ao reter o S<sub>1</sub> e com ele se identificar, o paranoico localiza-se diante do Grande Outro como o &uacute;nico, o mestre. Isso &eacute; o que posiciona, em muitos casos, paranoicos como l&iacute;deres religiosos, chefes de Estado, gurus de neur&oacute;ticos (QUINET, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em se tratando de esquizofrenia n&atilde;o h&aacute; S<sub>1</sub> e, com isso, n&atilde;o h&aacute; organiza&ccedil;&atilde;o da cadeia a partir de uma matriz simb&oacute;lica. Em consequ&ecirc;ncia, o esquizofr&ecirc;nico nos mostra um inconsciente a c&eacute;u aberto, que se manifesta na dispers&atilde;o dos significantes, como atesta Lacan em seu <i>Semin&aacute;rio 3</i>, ao afirmar que os psic&oacute;ticos sofrem de um dist&uacute;rbio de linguagem. Isso &eacute; evidenciado na esquizofrenia, uma vez que a ambival&ecirc;ncia, devido &agrave; n&atilde;o oposi&ccedil;&atilde;o no inconsciente e &agrave; condensa&ccedil;&atilde;o que forma neologismos, aparece no discurso esquizofr&ecirc;nico. Por causa disso, a fala &eacute; il&oacute;gica, bizarra, descarrilhada. "O esquizofr&ecirc;nico n&atilde;o sabe por que est&aacute; dizendo tudo aquilo" (QUINET, 2009, p. 72). O que impera na esquizofrenia &eacute; a desordem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; relevante destacar que tais dist&uacute;rbios de linguagem fazem com que o discurso psic&oacute;tico apresente uma temporalidade pr&oacute;pria, portador de uma singularidade percept&iacute;vel no <i>setting</i> anal&iacute;tico. Como Lacan (1956-57&#47;1988, pp. 56-57) diferencia o campo das neuroses e psicoses no <i>Semin&aacute;rio 3</i>:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na neurose &eacute; no segundo tempo, e na medida em que a realidade n&atilde;o &eacute; plenamente rearticulada de maneira simb&oacute;lica no mundo exterior, que h&aacute; no sujeito fuga parcial da realidade, incapacidade de enfrentar essa parte da realidade, secretamente conservada. Na psicose, ao contr&aacute;rio, &eacute; realmente a pr&oacute;pria realidade que &eacute; em primeiro lugar provida de um buraco, que o mundo fant&aacute;stico vir&aacute; em seguida cumular.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A temporalidade referida tem rela&ccedil;&atilde;o com a posi&ccedil;&atilde;o do significante no real, que est&aacute; perdido, n&atilde;o encadeado. No caso da esquizofrenia, pela falta do Nome-do-Pai, n&atilde;o h&aacute; amarra&ccedil;&atilde;o entre significante (S) e significado (s), bem como n&atilde;o h&aacute; ponto de basta na cadeia significante, o que impede ao sujeito a precipita&ccedil;&atilde;o de sentido. Por tal motivo, destaca-se a import&acirc;ncia do corte da sess&atilde;o no tratamento anal&iacute;tico dos esquizofr&ecirc;nicos, para que os significantes que dispersam sejam de alguma maneira, barrados. Um apelo &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o. Da&iacute; percebe-se a incapacidade do psic&oacute;tico em simbolizar devido ao rompimento do primeiro corpo de significantes. O psic&oacute;tico &eacute; um desenlace por excel&ecirc;ncia (QUINET, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, o surto &eacute; deflagrado justamente no momento da vida do sujeito no qual h&aacute; uma exig&ecirc;ncia para a simboliza&ccedil;&atilde;o. A demanda do simb&oacute;lico, diante da incid&ecirc;ncia do real, &eacute; o que descompensa o sujeito e faz advir o surto. Lacan elucidou sobre as psicoses propondo que na alucina&ccedil;&atilde;o a voz que fala &eacute; a do real. O del&iacute;rio seria nada mais do que uma tentativa de fazer frente &agrave; n&atilde;o simboliza&ccedil;&atilde;o e &agrave; incid&ecirc;ncia insuport&aacute;vel do real.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na paranoia, o sujeito &eacute; invadido pelo olhar do Outro e n&atilde;o h&aacute; barreira para o gozo alheio. O olhar localiza-se na paranoia como objeto <i>a</i>, o que d&aacute; ao sujeito a certeza antecipada de que h&aacute; algu&eacute;m que o olha e dele goza. O objeto <i>a</i> est&aacute; na paranoia para al&eacute;m do mais-de-gozar, ele se apresenta no mais-de-olhar (QUINET, 2002).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Lacan, em 1975 no <i>Semin&aacute;rio RSI</i>, "a paranoia &eacute; um visco imagin&aacute;rio" (<i>apud</i> QUINET, 2002). Sendo assim, o sujeito &eacute; tomado pelo sentido do imagin&aacute;rio, da imagem especular, do que lhe &eacute; esc&oacute;pico. Uma vez que n&atilde;o h&aacute; simboliza&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel na psicose, n&atilde;o existe, portanto, o duplo sentido do simb&oacute;lico. Aqui o sujeito &eacute; invadido pelo n&atilde;o sentido do real e d&aacute; sentido aos significantes que o cercam, sendo tomado pelo registro do imagin&aacute;rio. "Ele v&ecirc; sentido em tudo e abole o acaso: toda coincid&ecirc;ncia &eacute; suspeita" (QUINET, 2002, p. 20).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sobre a forma&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio, Lacan afirma que no del&iacute;rio paranoico trata-se de um del&iacute;rio de significa&ccedil;&atilde;o, de modo que tudo que cerca o alienado s&atilde;o signos repletos de significa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, a ele endere&ccedil;ados. Sobre a posi&ccedil;&atilde;o delirante de Schreber, Lacan (1956-57&#47;1988, p. 94-95) afirma:</font></p>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ele &eacute; violado, manipulado, transformado, falado de todas as maneiras, &eacute;, eu diria, tagarelado. &#91;&#8230;&#93; &Eacute; justamente disso que se trata &ndash; ele &eacute; a sede de todo um viveiro de fen&ocirc;menos &#91;&#8230;&#93;. Num sujeito como Schreber, as coisas v&atilde;o t&atilde;o longe que o mundo inteiro est&aacute; tomado desse del&iacute;rio de significa&ccedil;&atilde;o, de tal modo que se pode dizer que, ao inv&eacute;s de estar s&oacute;, quase nada h&aacute; de tudo o que o cerca que, de certo modo, ele n&atilde;o seja.</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com base nos estudos de Ant&ocirc;nio Quinet, em <i>Psicose e la&ccedil;o social: Esquizofrenia, paranoia e melancolia</i>, podemos afirmar que na psicose o sujeito n&atilde;o habita a linguagem, mas &eacute; habitado por ela, o que faz do psic&oacute;tico um mestre da linguagem apesar de fora do discurso (QUINET, 2009).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na esquizofrenia, o corpo &eacute; tomado pelo real, o que situa o esquizofr&ecirc;nico nos fen&ocirc;menos corporais de despeda&ccedil;amento, desaparecimento, cadaveriza&ccedil;&atilde;o. O retorno ao autoerotismo, anterior ao est&aacute;dio do espelho, faz com que a dispers&atilde;o dos significantes incida sobre o corpo e o esquizofr&ecirc;nico seja tomado pela linguagem. Na paranoia, o del&iacute;rio apresenta uma sistematiza&ccedil;&atilde;o devido ao mecanismo de reten&ccedil;&atilde;o (<i>Verhaltung</i>) do significante-mestre (S<sub>1</sub>). O que se evidencia na paranoia &eacute; o centramento do sujeito, tomado pelos olhares e pelas vozes do Outro vigilante.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, percebe-se a organiza&ccedil;&atilde;o delirante na paranoia a partir de dois &ndash; o olhar e a voz &ndash; dos quatro objetos pulsionais propostos por Lacan. Dessa forma, o sujeito &eacute; visto e falado, inserido em uma realidade que &eacute; marcada pela "sonoriza&ccedil;&atilde;o do olhar" (QUINET, 2002, p. 22). O Outro do paranoico goza, julga, persegue. Ele &eacute; o centro de todo amor ou de todo o &oacute;dio do Outro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, o del&iacute;rio pode assumir diferentes facetas de sistematiza&ccedil;&atilde;o. Lacan prop&otilde;e um retorno a Freud, que, ao publicar sobre o caso Schreber em 1911, apresenta modelos de organiza&ccedil;&atilde;o delirante sobre a causalidade do del&iacute;rio paranoico. A l&oacute;gica freudiana aponta para um desejo homossexual que formaria o n&uacute;cleo central da paranoia a partir da formula&ccedil;&atilde;o gramatical: "Eu o amo". Partindo de uma leitura freudiana, h&aacute; uma perspectiva econ&ocirc;mica no que diz respeito ao investimento da libido e &agrave; escolha objetal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sigmund Freud, ao publicar sobre o caso Schreber, acredita que a grande quest&atilde;o que gira em torno da forma&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio na paranoia &eacute; uma suspens&atilde;o do investimento da libido em objetos e pessoas, e o retorno de tal catexia em dire&ccedil;&atilde;o ao ego. Sendo assim, o paranoico vivenciaria um processo de luto, devido &agrave; perda de um objeto investido e, em vez de substitu&iacute;-lo, assim como faz o neur&oacute;tico, o investimento retornaria para o ego, sendo percebido pelo sujeito como exterior a ele. A&iacute; est&aacute; o ponto fundamental que para Freud define a paranoia como fonte de investimento eminentemente narc&iacute;sico (FREUD, 1911-13&#47;1996).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Freud, as organiza&ccedil;&otilde;es delirantes na paranoia seriam estrat&eacute;gias de defesa a tal desejo homossexual inconsciente, de modo que nos del&iacute;rios de persegui&ccedil;&atilde;o, de erotomania, ci&uacute;me e megalomania, a frase inicial articula-se de diferentes modos. A formula&ccedil;&atilde;o "Eu o amo" se transformaria a partir de dois mecanismos: a nega&ccedil;&atilde;o e a proje&ccedil;&atilde;o. A primeira &eacute; semelhante ao processo neur&oacute;tico, em que algo inconsciente &eacute; rejeitado. No entanto, na psicose paranoica a proje&ccedil;&atilde;o atua sobre o que foi inicialmente negado, fazendo com que o desejo inconsciente seja articulado de modo a ser percebido em uma exterioridade ao sujeito.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, diante do caso Schreber, apresenta os quatro modelos delirantes na paranoia da seguinte maneira: no del&iacute;rio de persegui&ccedil;&atilde;o ocorre uma nega&ccedil;&atilde;o do verbo da frase primordial "Eu o amo", de modo que o verbo amar &eacute; negado, e por proje&ccedil;&atilde;o, coloca-se em seu lugar o verbo odiar. A nega&ccedil;&atilde;o do verbo &eacute; projetada no Outro. Sendo assim, tem-se a seguinte equa&ccedil;&atilde;o: Eu o amo &ndash; Eu o odeio (nega&ccedil;&atilde;o do verbo) &ndash; Ele me odeia (proje&ccedil;&atilde;o). Mais precisamente: "Ele me odeia, por isso me persegue".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No del&iacute;rio de erotomania ocorre a nega&ccedil;&atilde;o do objeto da frase inicial. Ou seja, o que antes era "Eu o amo", desejo inconsciente de um homem por outro homem, ao sofrer nega&ccedil;&atilde;o do objeto, torna-se o amor de um homem endere&ccedil;ado a uma mulher, constituindo a frase: "Eu a amo". Por mecanismo de proje&ccedil;&atilde;o, torna-se "Ela me ama". O erot&ocirc;mano &eacute; gozado pelo Outro pela via do amor (QUINET, 2014).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No del&iacute;rio de ci&uacute;me h&aacute; a nega&ccedil;&atilde;o do sujeito. "Eu o amo" transforma-se em "Ela o ama". Assim: "N&atilde;o sou eu que o amo, &eacute; ela, e por isso me trai". Tais equa&ccedil;&otilde;es do del&iacute;rio na paranoia tornam poss&iacute;vel a compreens&atilde;o do axioma lacaniano de um inconsciente estruturado como uma linguagem, j&aacute; que o del&iacute;rio constitui-se a partir de uma formula&ccedil;&atilde;o gramatical e suas flex&otilde;es, provando que assim como o neur&oacute;tico, o psic&oacute;tico tamb&eacute;m &eacute; efeito do significante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&aacute;, ainda, uma quarta forma de del&iacute;rio. Esta contradiz toda a formula&ccedil;&atilde;o gramatical, quando "Eu o amo" &eacute; transformado em "N&atilde;o amo de modo algum &ndash; n&atilde;o amo ningu&eacute;m". Trata-se da megalomania. Aqui, nega-se a frase inicial como um todo, atestando que na megalomania n&atilde;o h&aacute; investimento libidinal para al&eacute;m do ego. Isso retorna como: "Eu s&oacute; amo a mim mesmo". Freud nos mostra que todas as formas delirantes paranoicas apresentam sua fonte na megalomania, uma vez que todos os del&iacute;rios incluem uma supervaloriza&ccedil;&atilde;o egoica (FREUD, 1911-13&#47;1996).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan, no <i>Semin&aacute;rio 3</i>, sobre as psicoses, destaca a import&acirc;ncia de deixar que o psic&oacute;tico fale o maior tempo poss&iacute;vel. O analista deve ouvir o del&iacute;rio como um campo de significa&ccedil;&atilde;o que carrega certo significante que insiste em retornar. Os analistas devem compreender a organiza&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio e n&atilde;o tentar submeter o discurso delirante &agrave; l&oacute;gica neur&oacute;tica, muito menos reduzi-lo a partir de um referente de realidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dentre os erros que um analista pode cometer diante de um psic&oacute;tico, o pior deles &eacute; tentar organizar seu discurso por meio de uma causalidade, ou ainda, tentar compreend&ecirc;-lo. N&atilde;o se trata de compreender, mas de ouvir os significantes que retornam no real e os efeitos que provocam no sujeito (LACAN, 1956-57&#47;1988).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As quest&otilde;es recorrentes quanto ao tratamento das psicoses s&atilde;o as seguintes: como seria poss&iacute;vel analisar um sujeito incapaz de simbolizar? H&aacute; a possibilidade de, por meio da an&aacute;lise, criar la&ccedil;os e unir real, simb&oacute;lico e imagin&aacute;rio? Como foi discutido por Freud: haveria transfer&ecirc;ncia?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lacan afirma que &eacute; necess&aacute;rio, aos analistas, pensar uma cl&iacute;nica da psicose para al&eacute;m do registro do simb&oacute;lico e, assim, distingui-la radicalmente da cl&iacute;nica das neuroses. A inten&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; neurotizar o psic&oacute;tico, mas ser guiado por sua temporalidade e discurso singulares. Os psic&oacute;ticos procuram a an&aacute;lise, frequentemente, com a demanda de que o analista fa&ccedil;a barreira ao gozo do Outro (QUINET, 2014). Diante da psicose, os analistas devem se posicionar como "secret&aacute;rios do alienado" (LACAN, 1956-57&#47;1988, p. 235), ou seja, disporem-se a ouvir a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com o Outro e se colocar como testemunhas da loucura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em seus <i>Escritos</i>, no texto "De uma quest&atilde;o preliminar a todo tratamento poss&iacute;vel das psicoses", Lacan prop&otilde;e que o ato anal&iacute;tico incida sobre uma manobra de transfer&ecirc;ncia. Segundo ele, a transfer&ecirc;ncia na cl&iacute;nica da psicose &eacute; maci&ccedil;a, de modo que o analista &eacute; inserido na organiza&ccedil;&atilde;o delirante (LACAN, 1966&#47;1998). H&aacute;, ent&atilde;o, um grande risco de, nos casos de paranoia, o analista tornar-se o perseguidor, o n&atilde;o castrado, como Schreber posiciona o Dr. Flecshig. A partir da&iacute;, depreende-se que no tratamento das psicoses h&aacute; transfer&ecirc;ncia. No entanto, a manobra de transfer&ecirc;ncia faz-se necess&aacute;ria para barrar o gozo do Outro, pelo qual o sujeito psic&oacute;tico &eacute; invadido. O analista deve apontar para um Outro castrado, inconsistente, incapaz de tudo gozar (QUINET, 2014).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de la&ccedil;os, Lacan nos mostra no <i>Semin&aacute;rio 23</i>, sobre o <i>sinthoma</i>, que &eacute; poss&iacute;vel, por meio da an&aacute;lise, que o sujeito psic&oacute;tico seja inserido nos discursos, forme la&ccedil;o social. Sabe-se que a cria&ccedil;&atilde;o do la&ccedil;o social pode se dar por meio da arte. Tomemos como exemplo Arthur Bispo do Ros&aacute;rio, que foi capaz de se inserir em discursos por meio da produ&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica, ou ainda, como Joyce que, por meio da escrita, alcan&ccedil;ou a estabiliza&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio. Tem-se ainda o caso do Homem dos Lobos, que, ao receber tal nomea&ccedil;&atilde;o por Freud, foi capaz de fazer supl&ecirc;ncia ao Nome-do-Pai foraclu&iacute;do e assujeitar-se, fazer-se um nome (QUINET, 2014).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Lacan, o quarto elemento do n&oacute; borromeano que teria a fun&ccedil;&atilde;o de elo dos tr&ecirc;s registros, real, simb&oacute;lico e imagin&aacute;rio &eacute; o Nome-do-Pai. Devido &agrave; foraclus&atilde;o deste, o psic&oacute;tico n&atilde;o &eacute; capaz de enla&ccedil;ar, simbolizar, nem de inserir-se nos discursos. Com isso, &eacute; ainda no <i>Semin&aacute;rio 23</i>, que Lacan aponta para a estabiliza&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio a partir de uma met&aacute;fora delirante, que seria uma forma de ordenar os significantes. Essa estabiliza&ccedil;&atilde;o ocorre a partir da substitui&ccedil;&atilde;o do significante do Nome-do-Pai, por um significante suplente ideal. A nomea&ccedil;&atilde;o tem fun&ccedil;&atilde;o borromeana, uma vez que o sujeito &eacute; abordado como falasser, <i>parl&ecirc;tre</i> (LACAN, 1975-76&#47;2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sobre a an&aacute;lise de um sujeito psic&oacute;tico, n&atilde;o se pode ter certeza do que vir&aacute;. Deix&aacute;-lo falar &eacute; permitir que, por meio da an&aacute;lise, o sujeito produza algo, que delire de outras formas. Cada um produzir&aacute; &agrave; sua maneira, e a metaforiza&ccedil;&atilde;o do del&iacute;rio proposta por Lacan acontecer&aacute; de forma singular a cada sujeito. A loucura pode produzir discursos diversos, obras de arte, de literatura, de poesia, possibilitando ao sujeito psic&oacute;tico ser capaz de delirar com dignidade, de forma &eacute;tica, est&eacute;tica e moral. Cabe a n&oacute;s, psicanalistas, secretariar a rela&ccedil;&atilde;o do sujeito com a palavra e ouvir os significantes aos quais a sua realidade est&aacute; submetida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Temos muito ainda a aprender com a psicose. Freud nos ensina que os psic&oacute;ticos s&atilde;o capazes de nos revelar exatamente aquilo que os neur&oacute;ticos tanto se preocupam em manter como segredo. Estar diante de sujeitos psic&oacute;ticos nos permite desconstruir determinadas no&ccedil;&otilde;es de realidade e estar diante da nossa pr&oacute;pria loucura. &Eacute; por meio da transfer&ecirc;ncia que ouviremos o sujeito que adv&eacute;m no del&iacute;rio, valorizando sua subjetividade, podendo, assim, enxergar a beleza do trabalho psicanal&iacute;tico diante da insanidade. E como nos ensinou M&aacute;rio Quintana, fazer da insanidade poesia: a forma mais l&uacute;cida de loucura.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FREUD, S. (1911-13). "O caso Schreber, artigos sobre t&eacute;cnica e outros trabalhos" In: <i>Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das Obras Psicol&oacute;gicas Completas de Sigmund Freud</i> (v.12). Rio de Janeiro: Imago, 1996, pp. 21-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856544&pid=S1676-157X201600010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">IZCOVICH, L. (2002). Os paranoicos e a psican&aacute;lise. In: QUINET, Antonio. <i>Na mira do Outro: a paranoia e seus fen&ocirc;menos</i>. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856546&pid=S1676-157X201600010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LACAN, J. (1956-57). <i>O semin&aacute;rio, livro 3: As psicoses</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda., 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856548&pid=S1676-157X201600010001000003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. (1966). "De uma quest&atilde;o preliminar a todo tratamento poss&iacute;vel das psicoses". In: <i>Escritos</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856550&pid=S1676-157X201600010001000004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. (1975-76). <i>O Semin&aacute;rio, livro 23: O sinthoma</i>. Trad.: Sergio Laia. Rev.: Andr&eacute; Telles. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856552&pid=S1676-157X201600010001000005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. (1932). <i>Da psicose paranoica em suas rela&ccedil;&otilde;es com a personalidade; seguido de Primeiros escritos sobre a paranoia</i>. 2&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856554&pid=S1676-157X201600010001000006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">QUINET, A. (2002). "O n&uacute;mero um, o &uacute;nico" In: QUINET, Ant&ocirc;nio &#91;org.&#93;. <i>Na mira do Outro: a paranoia e seus fen&ocirc;menos</i>. Rio de Janeiro: Rios Ambiciosos, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856556&pid=S1676-157X201600010001000007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. (2006) <i>Psicose e la&ccedil;o social: esquizofrenia, paranoia e melancolia</i> (2&ordf;. ed.). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856558&pid=S1676-157X201600010001000008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">__________. (2014). <i>Teoria e cl&iacute;nica da psicose</i>. 5&ordf;. edi&ccedil;&atilde;o. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4856560&pid=S1676-157X201600010001000009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/stylus/n32/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o   para correspond&ecirc;ncia</a></b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> Rua S&atilde;o Luiz Gonzaga, 580, Coronel Antonino    <br> Campo Grande &ndash; MS &ndash; CEP: 79011-280    <br> <b>E-mail:</b> <a href="mailto:paula_calado@hotmail.com">paula_calado@hotmail.com</a></font></p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 27&#47;01&#47;2016    <br> Aprovado: 22&#47;03&#47;2016</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">*</a></sup> Acad&ecirc;mica do curso de psicologia &ndash; Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.</font></p>      ]]></body>
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