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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Pesquisa-experiência em educação ambiental: exercícios (eco)lógicos para gestão dos resíduos]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The present text shares the result of a research-experience about possible (eco)logical exercises of environmental self-education, for human waste management. Focusing on the transformation of the researcher and its relationship with waste management, was based on three steps: systematic observations in an avenue of the city of Porto Alegre and in a private university; search for information on waste management on the internet (Google platform) and in a university library; immersion of the researcher in a garbage separation association and an interview with the person in charge of the place. Inspired by poststructuralist knowledge production, the notion of research-experience emerges as a possibility of groping elements and fabricating objects for thought, in this case, as a way of self-transformation of the researcher in its relationship with waste management. As a result, it was possible to articulate the experience of the experiment with the research on the environment, reflecting on the educationalenvironmental paradigms and the ideologies of consumption and individualism that permeate human daily life. Through emerging elements in the field of research, environmental education was analyzed as a way of transforming everyday (eco)logics, some of its impasses, such as the subjective or structural aspects that involve environmental self-education.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Dossi&ecirc;</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Pesquisa-experi&ecirc;ncia em educa&ccedil;&atilde;o ambiental: exerc&iacute;cios (eco)l&oacute;gicos para gest&atilde;o dos res&iacute;duos</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Research-experience in environmental education: (eco)logical exercises for waste management</b></font>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Daniel Dall&rsquo;Igna Ecker<sup>1</sup></b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>1</sup>Universidade Federal do Rio Grande do Sul</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Resumo</b></font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente texto compartilha o resultado de uma pesquisa-experi&ecirc;ncia sobre exerc&iacute;cios (eco)l&oacute;gicos poss&iacute;veis de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, para gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos. Com foco na transforma&ccedil;&atilde;o do pesquisador e de sua rela&ccedil;&atilde;o com a gest&atilde;o de res&iacute;duos, baseou-se em tr&ecirc;s etapas: observa&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas em uma avenida da cidade de Porto Alegre e em uma universidade privada; busca de informa&ccedil;&otilde;es sobre a gest&atilde;o de res&iacute;duos na internet (plataforma Google) e em uma biblioteca universit&aacute;ria; imers&atilde;o do pesquisador em uma associa&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o do lixo e realiza&ccedil;&atilde;o de entrevista com a respons&aacute;vel pelo local. Inspirada em produ&ccedil;&otilde;es de conhecimento p&oacute;s-estruturalistas, a no&ccedil;&atilde;o de pesquisa-experi&ecirc;ncia emerge enquanto possibilidade de tatear elementos e fabricar objetos para o pensamento, neste caso, como via de autotransforma&ccedil;&atilde;o do pesquisador na sua rela&ccedil;&atilde;o com a gest&atilde;o de res&iacute;duos. Como resultado, fora poss&iacute;vel articular a viv&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia com a pesquisa sobre o meio ambiente, refletindo sobre os paradigmas educativo-ambientais e as ideologias de consumo e individualismo que permeiam o cotidiano humano. Atrav&eacute;s de elementos emergentes no campo da pesquisa, colocou-se em an&aacute;lise a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, considerando-a via de transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas, alguns de seus impasses, como os aspectos subjetivos ou estruturais que envolvem uma autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Pesquisa-experi&ecirc;ncia. Educa&ccedil;&atilde;o ambiental. Lixo. Gest&atilde;o de res&iacute;duos. </font> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Abstract</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The present text shares the result of a research-experience about possible (eco)logical exercises of environmental self-education, for human waste management. Focusing on the transformation of the researcher and its relationship with waste management, was based on three steps: systematic observations in an avenue of the city of Porto Alegre and in a private university; search for information on waste management on the internet (Google platform) and in a university library; immersion of the researcher in a garbage separation association and an interview with the person in charge of the place. Inspired by poststructuralist knowledge production, the notion of research-experience emerges as a possibility of groping elements and fabricating objects for thought, in this case, as a way of self-transformation of the researcher in its relationship with waste management. As a result, it was possible to articulate the experience of the experiment with the research on the environment, reflecting on the educationalenvironmental paradigms and the ideologies of consumption and individualism that permeate human daily life. Through emerging elements in the field of research, environmental education was analyzed as a way of transforming everyday (eco)logics, some of its impasses, such as the subjective or structural aspects that involve environmental self-education. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Research-experience. Environmental education. Garbage. Waste Management. </font> <hr noshade size="1">     <p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font> </p>    <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>Quando a &uacute;ltima &aacute;rvore tiver ca&iacute;do, quando o &uacute;ltimo rio tiver secado, quando o &uacute;ltimo peixe for pescado, voc&ecirc;s v&atilde;o entender que dinheiro n&atilde;o se come</em> </font>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Prov&eacute;rbio dos &Iacute;ndios Sioux</font>     <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">(HARTMANN, 2017, p. 4). </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente texto compartilha o resultado de uma pesquisa-experi&ecirc;ncia<sup><a href="#nota1">1</a><a name="texto1"></a></sup> sobre exerc&iacute;cios (eco)l&oacute;gicos poss&iacute;veis de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, para gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos. Com foco na transforma&ccedil;&atilde;o do pesquisador e de sua rela&ccedil;&atilde;o com a gest&atilde;o de res&iacute;duos, prop&otilde;e pensar sobre as possibilidades de a&ccedil;&otilde;es no campo da educa&ccedil;&atilde;o ambiental. Para isso, articula os materiais advindos da pesquisa-experi&ecirc;ncia com reflex&otilde;es de autores e autoras do campo, analisando elementos que envolvem os seres humanos e paradigmas educativos-ambientais, o individualismo e consumismo, assim como, aspectos subjetivos e estruturais envolvidos na transforma&ccedil;&atilde;o de (eco)l&oacute;gicas cotidianas. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A proposta da pesquisa-experi&ecirc;ncia emerge em um contexto mundial que evidencia florestas sendo devastadas, o aquecimento das cidades cada vez mais insuport&aacute;vel, animais desaparecendo, outros multiplicando-se e desequilibrando o ciclo da natureza. Novas doen&ccedil;as surgindo, reservas naturais de &aacute;guas cada vez mais escassas, a mis&eacute;ria crescendo, a competi&ccedil;&atilde;o e a viol&ecirc;ncia, decorrentes das desigualdades e da superpopula&ccedil;&atilde;o, se alastram. O consumo aumenta e a produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos extrapola o que a natureza &eacute; capaz de decompor. Apesar de muitas pessoas terem percebido que algo se altera no planeta, muitas veem esses acontecimentos como irrecuper&aacute;veis, naturais, aceitando-os como se fossem destinos nos quais n&atilde;o ter&iacute;amos como modificar. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O exerc&iacute;cio da educa&ccedil;&atilde;o ambiental emerge nessa problem&aacute;tica. Objetiva instigar as pessoas e ensin&aacute;-las a desenvolverem um sistema social mais sustent&aacute;vel, onde hajam recursos para os que querem usufruir, no presente, preservando para os que usufruir&atilde;o no futuro. Contudo, a l&oacute;gica da educa&ccedil;&atilde;o ambiental n&atilde;o perpassa todos os espa&ccedil;os sociais. In&uacute;meras filosofias do cotidiano s&atilde;o atravessadas por racioc&iacute;nios perversos, constitu&iacute;dos historicamente, da rela&ccedil;&atilde;o dos seres humanos com a natureza: os ambientes naturais s&atilde;o compreendidos como objetos de posse humana, com os quais se teria total autoriza&ccedil;&atilde;o e legitimidade para manipular como se queira, satisfazendo necessidades e desejos individuais humanos, acima de tudo (GR&Uuml;N, 2005). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na vida cotidiana, n&atilde;o h&aacute; como reverter todo o preju&iacute;zo &agrave; natureza que a exist&ecirc;ncia humana, por si s&oacute;, acarreta. Entretanto, &eacute; poss&iacute;vel que pequenas mudan&ccedil;as na rotina diminuam o impacto e a velocidade com que essa degrada&ccedil;&atilde;o ocorre. Nesse racioc&iacute;nio, se prop&ocirc;s este texto, que tem como objetivo compartilhar o resultado de uma pesquisa-experi&ecirc;ncia, sobre exerc&iacute;cios (eco)l&oacute;gicos<sup><a href="#nota2">2</a><a name="texto2"></a></sup> poss&iacute;veis de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, para gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos. Em uma sociedade de controle, que supostamente prev&ecirc; uma regula&ccedil;&atilde;o e regulamenta&ccedil;&atilde;o da vida enquanto estrat&eacute;gia de disciplinariza&ccedil;&atilde;o dos corpos, buscou-se saber se a informa&ccedil;&atilde;o sobre a gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos na cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, &eacute; de f&aacute;cil acesso quando se deseja auto educar-se (eco)logicamente: se a estrutura da cidade (como, por exemplo, a exist&ecirc;ncia de latas de lixo diferenciadas) possibilita a auto conscientiza&ccedil;&atilde;o para separa&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos; se h&aacute;, realmente, caminh&otilde;es de coleta seletiva que atuem pela cidade quando se quer mudar os pr&oacute;prios h&aacute;bitos de gerenciamento do lixo; assim como, se existe informa&ccedil;&atilde;o de f&aacute;cil acesso, sobre a diferencia&ccedil;&atilde;o entre materiais recicl&aacute;veis, reutiliz&aacute;veis ou inutiliz&aacute;veis, para quem objetiva aderir a separa&ccedil;&atilde;o do lixo como exerc&iacute;cio cotidiano. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo a Psicologia uma &aacute;rea de saber que, dentre sua amplitude, preocupa-se com o bem-estar dos seres humanos, avalia-se a pertin&ecirc;ncia da presente discuss&atilde;o em prol do benef&iacute;cio coletivo, proposto via autotransforma&ccedil;&atilde;o. A educa&ccedil;&atilde;o ambiental, como tema amplo, direciona o recorte da pesquisa-experi&ecirc;ncia restringindo-se apenas a an&aacute;lise sobre a rela&ccedil;&atilde;o dos seres humanos com seus res&iacute;duos, os chamados &lsquo;lixos&rsquo;, a partir da proposta de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental do pr&oacute;prio pesquisador, em uma modifica&ccedil;&atilde;o da (eco)l&oacute;gica cotidiana. Durante a exist&ecirc;ncia, n&atilde;o h&aacute; como evitar a produ&ccedil;&atilde;o de lixo, no entanto, tais res&iacute;duos muitas vezes n&atilde;o precisariam serem descartados. A industrializa&ccedil;&atilde;o acarretou em uma enorme contribui&ccedil;&atilde;o para o aumento do lixo, principalmente, pelas embalagens que se tornaram cada vez mais descart&aacute;veis. Modos imperativos de comportamento, individualistas e consumistas, surgem como obst&aacute;culos &agrave;s mudan&ccedil;as e requerem uma autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental pautada por transforma&ccedil;&otilde;es das (eco)l&oacute;gicas do pr&oacute;prio cotidiano.</font>     <p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Meio ambiente, seres humanos e paradigmas educativos-ambientais</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em um passado, com fragmentos de fic&ccedil;&atilde;o<sup><a href="#nota3">3</a><a name="texto3"></a></sup>, animais, plantas e terras eram vistas, predominantemente, como seres sagrados. Os seres humanos se compreendiam como habitantes de um &uacute;nico mundo, grupo de seres individuais, que se relacionavam enquanto organismos vivos interdependentes. N&atilde;o haveria como algu&eacute;m se perder na selva, afinal, os sujeitos faziam parte dela. Eles compunham a pr&oacute;pria selva. A palavra natureza n&atilde;o existia enquanto categoria de diferencia&ccedil;&atilde;o: os seres vivos formavam um todo integrado, correlacionados e intercontributivos. Com o passar dos anos, mudan&ccedil;as foram ocorrendo e concep&ccedil;&otilde;es de natureza foram sendo criadas. Com predomin&acirc;ncia da natureza enquanto sin&ocirc;nimo de riqueza, seres relacionais e intercontributivos foram ganhando status diferenciados e valorativos. Mat&eacute;rias naturais se tornaram &lsquo;primas&rsquo;, com codinome de semimanufaturadas, submetidas &agrave; processos produtivos at&eacute; tornarem-se produtos, literalmente, acabados. Fragilizou-se a natureza para satisfazer a necessidade, ou o mais puro desejo individual, n&atilde;o-necessariamente-necess&aacute;rio, dos humanos. Explora&ccedil;&atilde;o e destrui&ccedil;&atilde;o tornaram-se novos significados do que seria meio ambiente. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na contemporaneidade, o meio ambiente tornou-se pauta que atrai aten&ccedil;&atilde;o de uma ampla parcela da popula&ccedil;&atilde;o. A sociedade percorre processos de sensibiliza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica, cada vez estando mais ciente dos vis&iacute;veis danos ao planeta, que est&atilde;o ocorrendo devido destrui&ccedil;&atilde;o e desintegra&ccedil;&atilde;o socioambiental. Pa&iacute;ses, dos mais variados n&iacute;veis de desenvolvimento, participam dessa devasta&ccedil;&atilde;o mundial que n&atilde;o exclui ra&ccedil;as, ideologias, religi&otilde;es, diferen&ccedil;as econ&ocirc;micas ou sociais (GR&Uuml;N, 2005). A cada sol que se p&otilde;e, visibilizam-se os estragos que foram causados aos tr&ecirc;s elementos naturais do planeta: &aacute;gua, ar e terra. Urg&ecirc;ncias ambientais demandam necessidades de mudan&ccedil;a, a responsabiliza&ccedil;&atilde;o dos humanos fica mais evidente. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contudo, apesar de vermos, com certa frequ&ecirc;ncia, grandes alardes em busca de solu&ccedil;&otilde;es para a quest&atilde;o ambiental, os processos educativos que ocorrem a partir do modo como se organizam os cotidianos humanos mant&ecirc;m certa dist&acirc;ncia do assunto e, em alguns casos, n&atilde;o operam nenhuma iniciativa de conscientiza&ccedil;&atilde;o. Gr&uuml;n (2005, p. 20) questiona &ldquo;[...] como podemos ter uma educa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-ambiental se desde o dia de nosso nascimento at&eacute; o dia de nossa morte vivemos em um ambiente?&rdquo; O autor aposta que a dissocia&ccedil;&atilde;o entre humano e ambiente deriva da influ&ecirc;ncia hist&oacute;rica de adapta&ccedil;&atilde;o dos sistemas de ensino ao que se nomearia de &lsquo;ci&ecirc;ncia&rsquo;. A intensa valoriza&ccedil;&atilde;o do empirismo, com predomin&acirc;ncia da objetividade cient&iacute;fica, transformou a natureza em objeto de estudo - sem qualidades sens&iacute;veis como cor, sabor, aroma &ndash; mas, sim, produto determinado como valor monet&aacute;rio a partir das suas possibilidades de uso. </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em uma l&oacute;gica desumanizada, que compreende o habitat humano sem o pr&oacute;prio humano, afastando tudo aquilo que carece de respostas exatas ou de uma poss&iacute;vel &lsquo;utilidade&rsquo;, os diferentes sistemas de ensino foram constru&iacute;dos a partir de concep&ccedil;&otilde;es hist&oacute;ricas que localizam ambiente e seres humanos como elementos desconexos. A preserva&ccedil;&atilde;o do meio ambiente, por exemplo, tornou-se sin&ocirc;nimo de prote&ccedil;&atilde;o de animais n&atilde;o-humanos: florestas e outros seres e espa&ccedil;os externos &agrave;s pessoas. N&atilde;o vista como um exerc&iacute;cio (eco)l&oacute;gico que envolve os seres humanos e sua pr&oacute;pria cidade, bairro, rua e, principalmente, sua pr&oacute;pria casa, a atual compreens&atilde;o de educa&ccedil;&atilde;o ambiental afasta o contexto humano de sua formula&ccedil;&atilde;o conceitual (TAVARES; FREIRE, 2003). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando h&aacute; sistemas racionais de ensino situando natureza e seres humanos como um &lsquo;todo&rsquo; integrado, facilmente recaem numa &lsquo;teologiza&ccedil;&atilde;o da natureza&rsquo;. Essa, apela ao sagrado, interpretando que o ambiente fora criado por um ser superior, um ser b&iacute;blico ou m&iacute;stico, pregando cren&ccedil;as que, por vezes, afastam pessoas da aprendizagem sobre o cuidado ambiental (TAVARES; FREIRE, 2003). Para Soffiati (2008), dentre os fundamentos filos&oacute;ficos e hist&oacute;ricos para o exerc&iacute;cio da ecocidadania e da ecoeduca&ccedil;&atilde;o, se destacaria a perspectiva educativa-ambiental que compreende os organismos vivos numa l&oacute;gica harm&ocirc;nica, ecossist&ecirc;mica, em que a intera&ccedil;&atilde;o e interdepend&ecirc;ncia operam como processos positivos de produ&ccedil;&atilde;o de vidas. Se uma determinada &aacute;rea como, por exemplo, uma mata nativa, for substitu&iacute;da pelo cultivo de um &uacute;nico vegetal, compreende-se que essa monocultura afetar&aacute; uma biodiversidade de organismos que coabitam esse sistema. Enquanto compreens&atilde;o sist&ecirc;mica, essa interfer&ecirc;ncia acarretaria no comprometimento da cadeia alimentar dos animais que habitam a &aacute;rea, os quais produzem vida, tanto a partir da rela&ccedil;&atilde;o com as plantas existentes no local, quanto na rela&ccedil;&atilde;o com outros animais. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A dissocia&ccedil;&atilde;o entre humano e habitat, natureza e pessoas, e a classifica&ccedil;&atilde;o de seres vivos humanos e n&atilde;o-humanos, como esp&eacute;cies &lsquo;naturalmente&rsquo; distintas, resultaram na materializa&ccedil;&atilde;o de significados cotidianos que orientam determinados modos das pessoas de pertencerem, agirem e estarem no mundo. Em uma l&oacute;gica dos humanos como seres superiores, por isso diferenciados e de &lsquo;esp&eacute;cie&rsquo; pr&oacute;pria, o comportamento de uso da natureza para fins humanos relacionou-se &agrave; uma concep&ccedil;&atilde;o das pessoas como resultado de uma esp&eacute;cie &lsquo;evolu&iacute;da&rsquo;, portanto, pass&iacute;vel de gerir o &lsquo;resto&rsquo;, que n&atilde;o estaria no seu patamar de evolu&ccedil;&atilde;o. Essa leitura, focada no humano numa perspectiva individualizada e valorativa, abre campos de possibilidade para comportamentos culturais predat&oacute;rios, de consumo dos outros seres vivos, da busca em prol de benef&iacute;cios e prazeres individuais, de a&ccedil;&otilde;es voltadas apenas para a preserva&ccedil;&atilde;o de si enquanto humanos supostamente superiores.</font>      <p>      <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Seres humanos individualistas e suas culturas ideol&oacute;gicas de consumo </b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em um passado ocidental relativamente remoto, a igreja cat&oacute;lica exercia intenso controle sobre as pessoas, Deus era o ser superior que organizava os seres humanos para disseminar e materializar sua palavra. Com os movimentos renascentistas, a categoria &lsquo;indiv&iacute;duo&rsquo; passa a ser constitu&iacute;da enquanto valor, referindo um sujeito que n&atilde;o queria mais ser submetido a um Deus e se colocava cada vez mais no centro do universo. Natureza e sua diversidade de organismos n&atilde;o eram mais compreendidas pela ideia Aristot&eacute;lica de &ldquo;[...] algo animado e vivo, na qual as esp&eacute;cies procuravam realizar seus fins naturais&rdquo; (LIPOVETSKY, 2005, p. 27). Natureza, quase como um cen&aacute;rio inanimado, montado para o espet&aacute;culo que tinha os humanos como personagens principais, marca a mecanicidade e frieza com que pessoas come&ccedil;am a estabelecer rela&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente. Autonomia e individualismo tornaram-se imperativos. Valorizados enquanto metas a serem alcan&ccedil;adas, ser aut&ocirc;nomo e livre era um status que acompanhava a promessa de felicidade da modernidade. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Anteriormente, todos tinham um caminho a seguir, um ser divino a obedecer. Com o questionamento dessa submiss&atilde;o muitas pessoas se viram frente &agrave; in&uacute;meras possibilidades, tantas, que n&atilde;o sabiam para aonde seguir. A grande demanda de informa&ccedil;&otilde;es, em constante transforma&ccedil;&atilde;o, carregava consigo valores morais que influenciavam e moldavam outros modos de comportamentos da sociedade. Felicidade, sa&uacute;de, seguran&ccedil;a, prazer, dentre outros focos de discurso voltados para os humanos, desenvolviam-se enquanto campos de produ&ccedil;&atilde;o lingu&iacute;stica do individualismo. O exerc&iacute;cio do relativismo de valores, desestabilizava verdades anteriormente constitu&iacute;das e intensificava uma produ&ccedil;&atilde;o hedonista de seres voltados a si pr&oacute;prios. Desresponsabilizados dos outros, a modernidade produziu e estimulou comportamentos auto satisfat&oacute;rios, individuais, indiferentes a aquilo que era externo de si (LIPOVETSKY, 2005). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Discursos cotidianos, como conte&uacute;dos da m&iacute;dia, refor&ccedil;am essas ideologias ao colocarem a pessoa como um indiv&iacute;duo, fora da natureza, um ser teoricamente aut&ocirc;nomo. Express&otilde;es como &lsquo;o <em>nosso</em> planeta&rsquo;, &lsquo;cuide dos <em>nossos</em> animais&rsquo;, &lsquo;a import&acirc;ncia da natureza <em>para as pessoas</em>&rsquo; materializa um meio ambiente que s&oacute; se afirma como importante quando relacionado &agrave; exist&ecirc;ncia humana. A linguagem impl&iacute;cita nesses discursos, aparentemente inocente ou preocupada com o meio ambiente, &eacute; carregada de uma ideologia individualista que molda os sujeitos numa espec&iacute;fica forma de implica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Em muitas situa&ccedil;&otilde;es, defender os &lsquo;<em>nossos</em> recursos&rsquo; mostra o desespero de determinadas camadas da popula&ccedil;&atilde;o, especialmente aquelas envolvidas com a comercializa&ccedil;&atilde;o de elementos do meio ambiente, receosa de que &lsquo;suas&rsquo; mat&eacute;rias primas se esgotem e, assim, a produ&ccedil;&atilde;o e o lucro sejam afetados (DIAS, 2002). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com isso, torna-se importante evidenciar, nesses discursos, como as pr&aacute;ticas ideol&oacute;gicas positivam ou negativam determinados racioc&iacute;nios ao divulgarem espec&iacute;ficas conex&otilde;es de linguagem. A nega&ccedil;&atilde;o, no campo da educa&ccedil;&atilde;o ambiental, produzir&aacute; o que Gr&uuml;n (2005, p. 49) define como &ldquo;[...] as &aacute;reas de sil&ecirc;ncio [...] sendo elas n&atilde;o apenas conhecimentos que s&atilde;o abafados pelas classes dominantes, mas fruto de um dualismo l&oacute;gico-estrutural presente na rela&ccedil;&atilde;o entre o &ldquo;tipicamente moderno&rdquo; e a &ldquo;tradi&ccedil;&atilde;o&rdquo; [...] o moderno toma seu lugar &agrave;s custas de um esquecimento&rdquo; daquilo que poderia ser a via para a preserva&ccedil;&atilde;o ambiental. Assim, para o autor, a contemporaneidade seria marcada &ldquo;[...] por um sentimento de que atravessamos uma crise generalizada. Crise de valores, crise das ideologias, crise da (ou de) &eacute;tica, crise dos paradigmas, crise da modernidade.&rdquo; (GR&Uuml;N, 2005, p. 62). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Tavares e Freire (2003), no contexto brasileiro, a crise recorrente do individualismo da modernidade se expressa por pequenos recortes do cotidiano: preocupa&ccedil;&atilde;o excessiva com a higiene pessoal (corpos malhados, dentes brancos, cabelos lavados, troca de roupas, banho obrigatoriamente di&aacute;rio, etc.) e a higieniza&ccedil;&atilde;o local (de sua casa, seus objetos pessoais, etc.) que contrasta com a sujeira presente &lsquo;a partir da cal&ccedil;ada&rsquo;. A afirmativa &lsquo;a partir da cal&ccedil;ada&rsquo; expressaria um modo de pensamento que marca o absurdo da performatividade individualista, na qual as pessoas deixam de se importar com as sujeiras quando essas est&atilde;o al&eacute;m de seus espa&ccedil;os individuais: nas ruas, jogam lixo no ch&atilde;o e poluem os ambientes nos quais n&atilde;o s&atilde;o considerados &lsquo;seus&rsquo;, portanto, n&atilde;o caberia ao &lsquo;indiv&iacute;duo&rsquo; preservar. Haveria uma dificuldade em saber o que &eacute; seu e o que &eacute; do outro e, ao mesmo tempo, uma necessidade intensa de se diferenciar criando um fict&iacute;cio ambiente individual no qual ser&iacute;amos &lsquo;donos&rsquo;. O contexto &lsquo;externo a n&oacute;s&rsquo;, em muitos casos, acaba sendo interpretado como de responsabilidade do Estado ou do governo no qual votamos, sem nossa auto implica&ccedil;&atilde;o com ele (TAVARES; FREIRE, 2003). </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aliado ao consumismo exacerbado, estaria a l&oacute;gica da produtividade (TORRES; GUARESCHI; ECKER, 2017), derivada, tamb&eacute;m, da intensifica&ccedil;&atilde;o industrial, que incidiu sobre as (eco)l&oacute;gicas do cotidiano. O aumento da produtividade dentro dos Estados e cidades, incluindo a pr&aacute;tica da importa&ccedil;&atilde;o e exporta&ccedil;&atilde;o, proporcionou um aumento da diversidade de produtos nas prateleiras. Assim, no campo da produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos, ocorre uma possibilidade maior de consumo e de descarte, que se torna mais presente na vida das pessoas. O consumo exacerbado fica evidente quando um produto perde o car&aacute;ter de objeto para uso e passa a ser denominado como objeto de consumo. Este acontecimento se exemplifica, quando a rapidez com que usamos determinado produto aumenta tanto a ponto de a rapidez com que descartamos se igualar. Como mostra Tavares e Freire (2003), o fato de cada pessoa produzir em torno de 1 quilo de lixo por dia (e em m&eacute;dia 100 mil toneladas de lixo por dia no Brasil) denuncia a nossa atual l&oacute;gica de vida. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A denominada modernidade enfatizou aspectos como o individualismo e a competitividade e, com a emerg&ecirc;ncia da globaliza&ccedil;&atilde;o, estabeleceu o que era riqueza, quais seriam os pa&iacute;ses considerados ricos, produzindo condi&ccedil;&otilde;es de possibilidade para o monop&oacute;lio da natureza: quando os pa&iacute;ses competem entre si pela l&oacute;gica da globaliza&ccedil;&atilde;o, estamos remetendo a uma produtividade baseada em &lsquo;quem extrai mais da natureza&rsquo; para aumentar sua capacidade de gerar produtos, lucro e, consequentemente, res&iacute;duos. Se levarmos o modo competitivo e produtivista ao extremo, teremos uma realidade totalmente contraria a vis&atilde;o sobre o que &eacute; preservar o meio ambiente. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A m&iacute;dia, por exemplo, de acordo com Br&uuml;gger (2005), contribui nesse modo de operar contr&aacute;rio a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza, ao transmitir informa&ccedil;&otilde;es que distorcem as possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o do cotidiano. Segundo o autor, a divulga&ccedil;&atilde;o de uma vis&atilde;o catastr&oacute;fica da natureza, como um espet&aacute;culo-ecol&oacute;gico onde os recursos naturais estariam nos seus &lsquo;&uacute;ltimos suspiros&rsquo;, ou, ainda, o modo reducionista de apresentar o conceito dos 3R&rsquo;s (reduzir, reciclar e reutilizar), propaga informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o apontam possibilidades sobre as poss&iacute;veis modifica&ccedil;&otilde;es das (eco)l&oacute;gicas di&aacute;rias que as pessoas poderiam desenvolver para o cuidado da natureza. Focar, n&atilde;o apenas na reciclagem do lixo, mas, tamb&eacute;m, discutindo quest&otilde;es como o consumismo, o capitalismo e os modos de produ&ccedil;&atilde;o, apresentam-se como vias que Br&uuml;gger (2005) aponta para processos de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental. Atrav&eacute;s das reflex&otilde;es do autor, questiona-se: em um mundo cada vez mais globalizado, seria imagin&aacute;vel alterarmos os modos nos quais as pessoas se relacionam, sem que o prazer, o prest&iacute;gio e o reconhecimento sejam centralizados num consumo-predat&oacute;rio de obten&ccedil;&atilde;o, uso, exibi&ccedil;&atilde;o e descarte material?</font>     <p>      <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Educa&ccedil;&atilde;o ambiental como via de autotransforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto da indaga&ccedil;&atilde;o anterior, prop&otilde;e-se a autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental como recurso de transforma&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;prias (eco)l&oacute;gicas cotidianas. No ponto de vista de Dias (2002, p. 38), &ldquo;[...] o papel da educa&ccedil;&atilde;o atual, se n&atilde;o for o de resgatar o ser humano, ser&aacute; nenhum.&rdquo; A chamada educa&ccedil;&atilde;o ambiental &ldquo;[...] s&oacute; foi criada pelo reconhecimento da inefic&aacute;cia da educa&ccedil;&atilde;o&rdquo; (DIAS, 2002, p. 44) formal, pois essa esqueceu de humanizar as pessoas e parece cada vez mais caminhar para o ensinamento do individualismo. Para o autor, precisamos incluir nos curr&iacute;culos escolares, em diferentes n&iacute;veis de ensino, questionamentos acerca do papel do sujeito no mundo, dando-lhe informa&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria para que ele possa atuar com &eacute;tica e responsabilidade. Talvez, como cita Pozo (2002, p. 26), a impress&atilde;o que temos desta &ldquo;decomposi&ccedil;&atilde;o da aprendizagem&rdquo; se deve ao fato de, cada vez mais, estarmos sendo exigidos para obtermos uma grande demanda de conhecimentos. A cada segundo, surge uma nova informa&ccedil;&atilde;o que deveria estar sendo assimilada e compreendida. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A desumaniza&ccedil;&atilde;o do conhecimento, que n&atilde;o possibilita os seres humanos estabelecerem uma rela&ccedil;&atilde;o de proximidade e sensibiliza&ccedil;&atilde;o com aquilo que conhecem, remete a reflex&atilde;o de Carla Tavares e Isa Freire. De acordo com Tavares e Freire (2003), n&atilde;o bastaria apenas o sujeito ter acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, seria preciso que ele adentrasse no processo de assimila&ccedil;&atilde;o dessa informa&ccedil;&atilde;o: percurso no qual as pessoas entram em contato com um determinado conjunto de elementos desconhecidos e, a partir dessa intera&ccedil;&atilde;o, modificam suas percep&ccedil;&otilde;es e sensa&ccedil;&otilde;es. Nesse racioc&iacute;nio, que se prop&otilde;e esta pesquisa-experi&ecirc;ncia, compreendendo que &eacute; a partir de um encontro de proximidade e sensibiliza&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; desconhecido que se construir&aacute; um conhecimento relacionado diretamente com aquilo que se conhece. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para que a assimila&ccedil;&atilde;o aconte&ccedil;a em uma pesquisa-encontro, pesquisa-experi&ecirc;ncia, na perspectiva da autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, n&atilde;o seria suficiente apenas o sujeito ter contato com novas informa&ccedil;&otilde;es: &eacute; preciso que elas fa&ccedil;am sentido para ele, que ele signifique de alguma forma e reelabore, junto com os conhecimentos que possui, os novos elementos que a ele s&atilde;o apresentados. A plasticidade humana facilita a capacidade de aprendizagem e flexibiliza aquilo que somos capazes de nos tornar. Habilidade presente nos diferentes animais, os processos de aprendizagem no humano se alteram de acordo com as diferen&ccedil;as culturais e demandas sociais localizadas. De qualquer modo, a educa&ccedil;&atilde;o ambiental surge como papel fundamental para que os sujeitos interiorizem ou incorporem a cultura do cuidado &agrave; natureza transformando a si enquanto habitantes e pertencentes de um mundo. O importante no processo de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, segundo Pozo (2002, p. 26), &eacute; incorporar a cultura de forma mais reflexiva, na qual refletir&iacute;amos sobre repeti-la, desmontando &ldquo;[...] pe&ccedil;a por pe&ccedil;a para depois constru&iacute;-la.&rdquo; </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O desafio, segundo o autor, &eacute; que a educa&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nica atual &eacute; muito mais repetitiva e memor&iacute;stica do que reflexiva. Somos, desde a inf&acirc;ncia, estimulados a sermos mais reprodutores de saberes e tradi&ccedil;&otilde;es, do que criadores de novos conhecimentos e costumes. A autotransforma&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m se torna dif&iacute;cil devido ao excesso de informa&ccedil;&otilde;es, principalmente, fragmentadas e superficiais, presentes nas diferentes m&iacute;dias (virtuais, eletr&ocirc;nicas, impressas, dentre outras). As desigualdades sociais, em que algumas parcelas da popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e outras n&atilde;o, tamb&eacute;m fragilizam e/ou enviesam as ideologias que s&atilde;o disseminadas junto &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es. O incentivo ao consumo e a categoria &lsquo;ostenta&ccedil;&atilde;o&rsquo;, enquanto estrat&eacute;gia de marketing, produz em determinados grupos aquilo que Tavares e Freire (2003) descrevem como a sensa&ccedil;&atilde;o de que os recursos naturais seriam inesgot&aacute;veis, j&aacute; que o uso da natureza n&atilde;o seria relacionado diretamente com os produtos que se compram. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para Pozo (2002, p. 40), a autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental com reflexo no coletivo s&oacute; ocorrer&aacute; quando &ldquo;[...] a cultura da aprendizagem direcionada para reproduzir saberes previamente estabelecidos [...]&rdquo; der &ldquo;[...] passagem a cultura da compreens&atilde;o, da an&aacute;lise cr&iacute;tica, da reflex&atilde;o sobre o que fazemos e acreditamos e n&atilde;o s&oacute; o consumo, mediado e acelerado pela tecnologia, de cren&ccedil;as e modos de fazer fabricados fora de n&oacute;s.&rdquo; A mudan&ccedil;a das (eco)l&oacute;gicas requer uma reconstru&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria palavra ecologia, j&aacute; que esta possui representa&ccedil;&atilde;o social muitas vezes err&ocirc;nea e enviesada num modo de pensar humano-centrado, consumista e individualista.</font>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A experi&ecirc;ncia como processo metodol&oacute;gico de pesquisa e de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com o objetivo de produzir uma pesquisa-experi&ecirc;ncia<sup><a href="#nota4">4</a><a name="texto4"></a></sup> em autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, com foco na transforma&ccedil;&atilde;o do pesquisador e de sua rela&ccedil;&atilde;o com a gest&atilde;o de res&iacute;duos, o presente trabalho teve sua constru&ccedil;&atilde;o baseada em quatro principais etapas. A primeira etapa foi uma pesquisa de campo realizada a partir de quatro observa&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas<sup><a href="#nota5">5</a><a name="texto5"></a></sup> (BRITO, 1994) na Avenida Coronel Apar&iacute;cio Borges (III Perimetral) em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, e quatro observa&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas em uma universidade privada da mesma cidade. As observa&ccedil;&otilde;es tiveram como objetivo avaliar se o espa&ccedil;o p&uacute;blico permite a autotransforma&ccedil;&atilde;o dos sujeitos para realizarem a separa&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos. Para isso, foram efetuadas caminhadas pelo pesquisador, com dura&ccedil;&atilde;o de 1 hora cada, em diferentes pontos da avenida e da universidade, visando avaliar se a estrutura delas possibilitava a separa&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos como, por exemplo, ofertando latas de lixo diferenciadas. O percurso de caminhada foi acompanhado por relato gravado em voz, posteriormente analisado, totalizando 4 horas de percurso em cada local. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A segunda e terceira etapa foram desenvolvidas com a busca na internet (plataforma Google) e em uma biblioteca universit&aacute;ria (base de dados on-line da institui&ccedil;&atilde;o) por informa&ccedil;&otilde;es sobre a separa&ccedil;&atilde;o de lixo na cidade de Porto Alegre, RS, Brasil. A busca se efetuou por marcadores como &ldquo;reciclagem de lixo&rdquo;, &ldquo;separa&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos&rdquo;, &ldquo;gest&atilde;o de res&iacute;duos&rdquo;, &ldquo;Porto Alegre&rdquo;. O objetivo dessa etapa foi verificar se existe informa&ccedil;&atilde;o de f&aacute;cil acesso, sobre a diferencia&ccedil;&atilde;o entre materiais recicl&aacute;veis, reutiliz&aacute;veis ou inutiliz&aacute;veis; se h&aacute; caminh&otilde;es de coleta seletiva que atuem pela cidade quando se quer mudar os pr&oacute;prios h&aacute;bitos de gerenciamento do lixo como exerc&iacute;cio (eco)l&oacute;gico cotidiano. Foram enfatizados, na busca da plataforma Google, sites relacionados &agrave; gest&atilde;o municipal que gerenciam a limpeza urbana da cidade de Porto Alegre. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A terceira etapa se constituiu com a imers&atilde;o do pesquisador em uma associa&ccedil;&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o do lixo de Porto Alegre que possui conv&ecirc;nio com o Departamento Municipal de Limpeza Urbana [DMLU] da cidade de Porto Alegre, RS, que recebe parte do material recolhido pelo caminh&atilde;o da coleta seletiva do munic&iacute;pio. Articulado a essa etapa fora realizada uma entrevista semi-estruturada (TRIVI&Ntilde;OS, 1987) com a respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o em que buscou-se saber informa&ccedil;&otilde;es mais detalhadas sobre a gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos na cidade de Porto Alegre, atrav&eacute;s da perspectiva de quem trabalha com o lixo. Todas essas etapas foram desenvolvidas de modo articulado, tendo como ponto de refer&ecirc;ncia a intens&atilde;o do pesquisador em auto educar-se (eco)logicamente. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Inspirada em produ&ccedil;&otilde;es de conhecimento P&oacute;s-estruturalistas, a no&ccedil;&atilde;o de pesquisa-experi&ecirc;ncia, que embase a constru&ccedil;&atilde;o desse artigo, &eacute; influenciada por discuss&otilde;es do autor Michel Foucault. Ao utilizar a express&atilde;o <em>Empirista cego</em>, Foucault (2006) trazia elementos sobre sua atitude de pesquisador. Em entrevista concedida em 1977, o autor comenta sobre n&atilde;o ter produzido uma teoria geral, nem tampouco um instrumento no qual pudesse se fixar. Posicionando-se sobre a produ&ccedil;&atilde;o do pesquisar, Foucault diz: &ldquo;[...] eu tateio, fabrico, como posso, instrumentos que s&atilde;o destinados a fazer aparecer objetos.&rdquo; (FOUCAULT, 2006, p. 229). Desse modo, as experi&ecirc;ncias da presente discuss&atilde;o, posteriormente relatadas como resultado e reflex&atilde;o de um exerc&iacute;cio de pesquisa, emergem articuladas as fundamenta&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas sem necessidade de seguir roteiros anal&iacute;ticos previamente estabelecidos. Tateando elementos e fabricando objetos para o pensamento (ECKER, 2018), a experi&ecirc;ncia do pesquisar emergiu na constru&ccedil;&atilde;o desse trabalho como possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o, pela pr&oacute;pria viv&ecirc;ncia no campo tem&aacute;tico, das (eco)l&oacute;gicas cotidianas do pesquisador. Assim, a discuss&atilde;o dos materiais se prop&otilde;e a compartilhar possibilidades de a&ccedil;&otilde;es no campo da educa&ccedil;&atilde;o ambiental, articulando reflex&otilde;es a partir da experi&ecirc;ncia sobre aspectos subjetivos e estruturais envolvidos na transforma&ccedil;&atilde;o de (eco)l&oacute;gicas cotidianas. </font>     <p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e reflex&otilde;es: seres humanos e paradigmas educativos-ambientais localizados</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A natureza parece imersa em um olhar humano que a determina como fonte de riqueza<sup><a href="#nota6">6</a><a name="texto6"></a></sup>, especialmente, incidido por empresas. A quantidade de produtos que h&aacute; no com&eacute;rcio, utilizando mat&eacute;rias primas naturais, aponta elementos sobre essa situa&ccedil;&atilde;o. Atrav&eacute;s da pesquisa-experi&ecirc;ncia encontraram-se campanhas na m&iacute;dia, nos sites da internet pesquisados, que incentivam o que Gr&uuml;n (2005) nomeia como <em>sensibiliza&ccedil;&atilde;o ecol&oacute;gica</em>. Contudo, na entrevista com a respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o dos catadores de lixo foi exposto que, quando o governo de Porto Alegre criou a coleta seletiva, ele foi respons&aacute;vel pela grande divulga&ccedil;&atilde;o que ocorreu, mas, relata n&atilde;o ter sido suficiente, pois atingiu apenas os bairros de classe m&eacute;dia, m&eacute;dia alta, mantendo, assim, muitas pessoas desinformadas. A conex&atilde;o entre capital e natureza, nesse exemplo, remete a uma reflex&atilde;o sobre o dinheiro tamb&eacute;m como via para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de lidar com a escassez da natureza, pelo fato de a pr&oacute;pria informa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica sobre a gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos tornar-se um produto acess&iacute;vel a espec&iacute;ficos p&uacute;blicos. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Muitos materiais sobre reciclagem foram encontrados no site da plataforma Google e na biblioteca da universidade, sendo a divulga&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia um resultado vis&iacute;vel. Entretanto, isso n&atilde;o significa que as pessoas realmente tenham transformado seus comportamentos. No campus da universidade analisada, uma entidade que possui o sistema de coleta seletiva, fora observado que as pessoas n&atilde;o separam corretamente o lixo e, frequentemente, h&aacute; mistura de materiais que poderiam ser reaproveitados junto com res&iacute;duos inutiliz&aacute;veis. A presen&ccedil;a de apenas dois tipos de lixeiras fora apontado como um fator que dificulta a autotransforma&ccedil;&atilde;o da (eco)l&oacute;gica cotidiana, pois o ideal, segundo a associa&ccedil;&atilde;o de lixeiros, seria que divid&iacute;ssemos, no m&iacute;nimo, entre tr&ecirc;s lixeiras: recicl&aacute;veis, n&atilde;o-recicl&aacute;veis e org&acirc;nicos. Conjuntamente, o fato de o lixo org&acirc;nico ser um composto que tem um benef&iacute;cio importante a natureza, se usado corretamente (na adubagem), n&atilde;o &eacute; aplicado no dia-a-dia da institui&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute;, como constou a caminhada pelo campus, o uso do lixo org&acirc;nico como adubo nos canteiros da universidade ou em outros espa&ccedil;os da institui&ccedil;&atilde;o. </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vivenciar a pesquisa-experi&ecirc;ncia constata, tamb&eacute;m, que uma mudan&ccedil;a das (eco)l&oacute;gicas cotidianas para a gest&atilde;o dos res&iacute;duos possibilitaria modificar o modo como o gerenciamento do lixo ocorre no dia-a-dia. Entretanto, para que isso ocorra, &eacute; necess&aacute;rio atentar para as ideologias cotidianas presentes nos discursos sobre a natureza que a nomeiam como &ldquo;nossa&rdquo;. Atento ao processo de transforma&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio pesquisador, durante a viv&ecirc;ncia da pesquisa-experi&ecirc;ncia, flagrei-me falando ou pensando &ldquo;temos que cuidar da <em>nossa</em> natureza.&rdquo; A respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o de catadores alertou para isso quando diz que: &ldquo;[...] o catador &eacute; um agente protetor da natureza, mas, se formos pensar sobre isso que dizemos, perceberemos que n&oacute;s fazemos parte da natureza, ou seja, eles protegem a si mesmos.&rdquo; Portanto, ressituar e recolocar afirma&ccedil;&otilde;es do dia-a-dia, compreendidas como &lsquo;naturais&rsquo;, abre-se como possibilidade de transforma&ccedil;&atilde;o das (eco) l&oacute;gicas cotidianas. Reciclar o modo de pensar, transformando a rela&ccedil;&atilde;o subjetiva com a gest&atilde;o de res&iacute;duos, estar&aacute; protegendo a n&oacute;s mesmos: protegendo-nos de alagamentos, prolifera&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as, mantendo recursos como &aacute;gua, ar e energia dispon&iacute;veis para n&oacute;s e para as gera&ccedil;&otilde;es futuras, protegemos as mat&eacute;rias primas, t&atilde;o preciosas, no presente e para o futuro. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe destacar que a transforma&ccedil;&atilde;o subjetiva da (eco)l&oacute;gica cotidiana tamb&eacute;m requer ser situada em uma localiza&ccedil;&atilde;o espa&ccedil;o-temporal e hist&oacute;rica. Desse modo, h&aacute; de se levar em considera&ccedil;&atilde;o aspectos regionais, clim&aacute;ticos, hist&oacute;rico-culturais de cada contexto e sujeito para que transforma&ccedil;&otilde;es das (eco) l&oacute;gicas cotidianas sejam pensadas. Os problemas com o meio-ambiente est&atilde;o atingindo todo o mundo, n&atilde;o apenas Porto Alegre e, ao encontrar o document&aacute;rio do <em>Al Gore</em>, durante a pesquisa na plataforma Google, tem-se como elemento de discuss&atilde;o que os pa&iacute;ses ditos de &lsquo;terceiro mundo&rsquo; sofrem um impacto muito maior nas mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas (UMA VERDADE..., 2006). Ao discutir o aquecimento global, o document&aacute;rio evidencia que os Estados Unidos, pa&iacute;s considerado de &lsquo;primeiro mundo&rsquo;, se omite em muitos pontos referentes aos problemas ambientais e, mesmo o document&aacute;rio apresentando em momentos uma leitura sensacionalista, coloca em discuss&atilde;o a import&acirc;ncia de situar os debates sobre o meio ambiente sob recortes territoriais e hist&oacute;rico-culturais. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O recorte das especificidades de localiza&ccedil;&atilde;o, que pensa o sujeito poss&iacute;vel de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental numa localidade hist&oacute;rico-cultural, ficou evidente quando fora proposto a presente pesquisa-experi&ecirc;ncia no campo de atua&ccedil;&atilde;o da psicologia. Ao compartilhar a pesquisa com colegas da &aacute;rea, houveram questionamentos sobre qual a rela&ccedil;&atilde;o entre ecologia e psicologia. Compreendeu-se, atrav&eacute;s dessas indaga&ccedil;&otilde;es, que educa&ccedil;&atilde;o ambiental ainda &eacute; um tema pouco recorrente na &aacute;rea, sendo a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento da psicologia restrita em pensar a rela&ccedil;&atilde;o da subjetividade com o meio ambiente. &ldquo;Porque voc&ecirc; discutir&aacute; a problem&aacute;tica do lixo se a psicologia n&atilde;o trabalha com isso?&rdquo;. Sup&otilde;e-se, atrav&eacute;s de questionamentos nesse sentido, que eles emergem como reflexo de um ensino acad&ecirc;mico, m&eacute;dio e fundamental, que fragmenta seres humanos da natureza; um ensino que prioriza quest&otilde;es quantitativas do que qualitativas e, ainda, especialmente na &aacute;rea da psicologia, compreende as subjetividades como externas a um meio ambiente, descontextualizadas, numa leitura individualizada e patologizante dos sujeitos (GUARESCHI <em>et al</em>., 2014). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aspectos humanos, como &eacute;tica e responsabilidade social, pouco se relacionam com a produ&ccedil;&atilde;o de subjetividade que pude experenciar e colocar em discuss&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o em psicologia. Mesmo n&atilde;o sendo poss&iacute;vel generalizar a complexidade de forma&ccedil;&otilde;es existentes no Brasil, os trabalhos acad&ecirc;micos e discuss&otilde;es nas disciplinas que presenciei n&atilde;o eram compreendidos como espa&ccedil;os para que os(as) estudantes discutissem quest&otilde;es que demandavam aten&ccedil;&atilde;o no nosso pa&iacute;s, como desigualdades socioecon&ocirc;micas, debates sobre pol&iacute;tica, aspectos raciais, de g&ecirc;nero, sexuais, assim como, a pr&oacute;pria quest&atilde;o da polui&ccedil;&atilde;o e de outros aspectos ambientais. Os trabalhos acad&ecirc;micos eram formulados apenas para &lsquo;passar no semestre&rsquo; como garantia de &lsquo;uma boa nota&rsquo;. Consequentemente, &lsquo;um bom curr&iacute;culo&rsquo; n&atilde;o era relacionado a responsabilidade social ou a &eacute;tica, o que aponta para uma problem&aacute;tica que caberia aos espa&ccedil;os de forma&ccedil;&atilde;o propiciar reflex&otilde;es integrando forma&ccedil;&atilde;o profissional e implica&ccedil;&atilde;o &eacute;tico-ambiental, principalmente, no que se refere a uma psicologia atuante na produ&ccedil;&atilde;o do bem-estar de si e da popula&ccedil;&atilde;o como um todo, relacionada a natureza. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante o processo da pesquisa-experi&ecirc;ncia, indaga&ccedil;&otilde;es foram sendo produzidas. Uma delas remete sobre a forma como as pessoas se compreendem no meio ambiente. Pelas perguntas que eram formuladas, questionando a proposta de autotransforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas, a mais desafiadora era auxiliar as pessoas a se pensarem enquanto seres pertencentes a uma cadeia, a um ciclo da natureza, no qual todos os seres vivos se inter-relacionam. Um exemplo claro desse pensamento fora dado em uma palestra, na qual o palestrante relatava sobre o impacto de usarmos sab&atilde;o em p&oacute; ou xampu que n&atilde;o fossem biodegrad&aacute;veis. Depois que usamos esses produtos, eles entram em contato com a &aacute;gua e essa &eacute; despejada nos canos e levada para os rios, lagos e mares. A partir de um produto qu&iacute;mico utilizado na fabrica&ccedil;&atilde;o de grande parte dos xampus e sab&otilde;es em p&oacute;, a &aacute;gua perde o que &eacute; chamado de &ldquo;tens&atilde;o superficial&rdquo; e, consequentemente, as aves que antes flutuavam n&atilde;o conseguem mais exercer essa fun&ccedil;&atilde;o e afundam na &aacute;gua. Os insetos, tamb&eacute;m acabam sofrendo essas conseq&uuml;&ecirc;ncias, pois perdem a fun&ccedil;&atilde;o de flutua&ccedil;&atilde;o. Assim, expressava o palestrante, animais que antes os patos comiam se multiplicar&atilde;o e os animais que se alimentavam de insetos entrar&atilde;o em extin&ccedil;&atilde;o, por n&atilde;o terem mais alimento. A natureza, enquanto ciclo, ao n&atilde;o ser relacionada com os humanos e sua exist&ecirc;ncia no mundo, a partir dos questionamentos que me eram formulados, remete a uma subjetividade individualista, caracterizada pela dificuldade de perceber e se preocupar com os outros e seu entorno. </font>     <p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e reflex&otilde;es: humanos individualistas e ideologias de consumo</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A globaliza&ccedil;&atilde;o produz um maior n&uacute;mero de informa&ccedil;&otilde;es, essas que muitas vezes se contradizem e fazem com que os sujeitos que as ou&ccedil;am n&atilde;o saibam em qual acreditar ou se tornem confusos perante as mesmas. De um lado, recebemos a mensagem de que devemos comprar, de outro, dizem que devemos parar de consumir. A partir de reflex&otilde;es pela pesquisa-experi&ecirc;ncia, compreende-se que uma das dificuldades em as pessoas reciclarem seus lixos e, principalmente, se preocuparem com os outros e seu entorno se deve a valores que aprenderam (ou que n&atilde;o aprenderam) no processo educacional. Essa educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se d&aacute; apenas nas escolas, mas em casa, com os amigos, pelas m&iacute;dias, nas ruas, pelo modo como se organizam as vidas, como os humanos se relacionam com a natureza, com os outros animais e dos humanos entre si. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A m&iacute;dia incentiva o consumo, ela vende a id&eacute;ia de que quem possui e quem compra ser&aacute; feliz. Ao comentar com uma psic&oacute;loga sobre reflex&otilde;es dessa pesquisa, ela exp&otilde;e: &ldquo;a publicidade &eacute; a ci&ecirc;ncia que cria em n&oacute;s a angustia de n&atilde;o ter&rdquo; e, sua afirma&ccedil;&atilde;o, remete as bibliografias pesquisadas na biblioteca da universidade. Nela, dois livros foram encontrados com discuss&otilde;es acerca de comportamentos modernos e consumo. Nos sites que trabalham a quest&atilde;o do lixo, na plataforma Google, apenas um fala que devemos parar de consumir, o restante focaliza na reciclagem sem apontar para o consumo excessivo. Esses exemplos de informa&ccedil;&otilde;es, apesar de n&atilde;o refletirem uma totalidade, dificultam as pessoas de mudarem seu consumo, pois focam apenas na reciclagem e n&atilde;o no comportamento de consumo que sustenta a produ&ccedil;&atilde;o excessiva de res&iacute;duos. De acordo com o posicionamento da respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o de catadores de lixo, o comportamento de n&atilde;o se preocupar com os res&iacute;duos e para onde eles v&atilde;o &ldquo;&eacute; ego&iacute;smo&rdquo;. Nas suas palavras, &ldquo;o que a pessoa considera que tira de dentro da sua casa? &Eacute; lixo. As pessoas t&ecirc;m isso, n&atilde;o imaginam que por tr&aacute;s daquele lixo tem algu&eacute;m, e para aquelas pessoas n&atilde;o &eacute; lixo, &eacute; material de trabalho, porque o lixo, para algum lugar vai&rdquo;. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo cr&iacute;tica de Martell (1994), uma sociedade sustent&aacute;vel ser&aacute; praticamente imposs&iacute;vel se o consumismo estiver presente. Para Ekins (1998), desde que a ind&uacute;stria aumentou sua produ&ccedil;&atilde;o de modo extremo, com o objetivo de que a popula&ccedil;&atilde;o consumisse, a a&ccedil;&atilde;o de comprar &eacute; enaltecida como fonte de bem-estar, sin&ocirc;nimo de felicidade, como ferramenta estrat&eacute;gica para manuten&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio consumo. Ent&atilde;o, como se posiciona Layrargues e Castro (2005), as discuss&otilde;es sobre a tem&aacute;tica do lixo deveriam ser geradoras de reflex&otilde;es mais profundas sobre o nosso modo de viver individualista baseado em um consumo competitivo. Para o autor, a reciclagem n&atilde;o deveria ser interpretada como uma atividade fim, mas, sim, como um in&iacute;cio de uma caminhada contestadora dos comportamentos modernos. Nessa l&oacute;gica, como viv&ecirc;ncia de um processo de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, algumas perguntas emergem pela pesquisa-experi&ecirc;ncia: o que, em nossa educa&ccedil;&atilde;o, nos torna pessoas individualistas? Porque consumir traria felicidade? Quem nos ensina que consumir &eacute; o que satisfaz as necessidades humanas? Consumir seria uma necessidade humana? </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As bibliografias encontradas na internet (plataforma Google) e na biblioteca universit&aacute;ria produziram diversas indaga&ccedil;&otilde;es, ao mesmo tempo que apontaram sobre a impossibilidade do ser humano viver sem consumir ou produzir lixo, minimamente. Em um dos sites visitados, foi poss&iacute;vel perceber que muitas empresas aproveitam os problemas ambientais para lan&ccedil;ar produtos e lucrar a partir de quest&otilde;es problem&aacute;ticas ao meio ambiente. Semelhante as datas comemorativas, como a p&aacute;scoa, o dia das m&atilde;es e outros eventos, a ind&uacute;stria do com&eacute;rcio lucra em cima daquilo que emerge no social. O apelo publicit&aacute;rio se utiliza das datas festivas e eventos clim&aacute;ticos como via para transformar elementos da vida em capital: seja pela venda de produtos recicl&aacute;veis para satisfazer crian&ccedil;as, estudantes, homens e mulheres; pela cria&ccedil;&atilde;o de tecidos &lsquo;naturais&rsquo;; empresas que fazem propaganda por serem &lsquo;ecologicamente corretas&rsquo;; institui&ccedil;&otilde;es que &lsquo;plantam &aacute;rvores&rsquo; como estrat&eacute;gia de marketing; o calor, a seca ou as tempestades tornam-se justificativas para a cria&ccedil;&atilde;o de produtos; dentre outras formas de capitaliza&ccedil;&atilde;o da natureza. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O simples fato de haver, nos materiais pesquisados, um ocultamento de discuss&otilde;es sobre o consumo, em detrimento do tema da reciclagem, remete a ideia de Gr&uuml;n (2005) sobre as <em>&aacute;reas de sil&ecirc;ncio dos curr&iacute;culos</em>. Esse silenciamento acobertaria comportamentos que ocorrem, como o de consumo excessivo, mas, que n&atilde;o &eacute; debatido amplamente para n&atilde;o ser questionado e alterado. Manter em silenciamento o tema do consumo preserva determinados grupos, que sobrevivem a base do consumo de outros. N&atilde;o questionar nossa pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia, e o modo como o consumo se atravessa nela, impossibilita exerc&iacute;cios de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental para transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas. Na &lsquo;naturaliza&ccedil;&atilde;o&rsquo; do cotidiano, o consumo torna-se uma tradi&ccedil;&atilde;o que continuamos seguindo de forma inquestionada, reproduzindo-o, sem desestabilizar esse comportamento com outros &acirc;ngulos de an&aacute;lise. A mesma &lsquo;naturaliza&ccedil;&atilde;o&rsquo; se refere a nossa rela&ccedil;&atilde;o com os outros e o entorno: aprendemos que devemos cuidar da limpeza de nossa casa, devemos &lsquo;cuidar&rsquo; da apar&ecirc;ncia, mas, a cidade, as ruas, o meio ambiente, n&atilde;o nos &eacute; entendida como de nossa responsabilidade. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Essa perspectiva individualista, permeada por naturalizadas ideologias de consumo, inviabiliza e limita &agrave;s pessoas de mudarem, agirem e reivindicarem outros modos de ser e estar no mundo, na rela&ccedil;&atilde;o com a natureza. Desse modo, sob uma perspectiva individual e enviesada pelo consumo, muitas das problem&aacute;ticas ambientais acabam sendo interpretadas como &lsquo;culpa do governo&rsquo; e a pr&oacute;pria gest&atilde;o dos res&iacute;duos &eacute; subjetivada nos sujeitos como algo externo a si, n&atilde;o pertencente &agrave;s a&ccedil;&otilde;es humanas. Na entrevista com a respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o de reciclagem, por exemplo, se tensionou os limites t&ecirc;nues entre aquilo que seria de um suposto indiv&iacute;duo e o que remete A um coletivo. Neste discurso da coordenadora &eacute; poss&iacute;vel evidenciar o paradoxo da pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia humana: &ldquo;[...] a gente, na verdade, tamb&eacute;m presta <em>um servi&ccedil;o a cidade</em>, porque, aonde <em>eles</em> colocariam esta quantidade de lixo <em>que n&oacute;s produzimos</em>?&rdquo; (grifo nosso). </font>     <p>      <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e reflex&otilde;es: gerir res&iacute;duos por autotransforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas</b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No processo aqui relatado, de transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas do pesquisador, os questionamentos sobre a exist&ecirc;ncia humana, na rela&ccedil;&atilde;o com a natureza, se fizeram necess&aacute;rios para que outras respostas sobre o viver fossem produzidas. Compreender que os seres humanos n&atilde;o s&atilde;o seres individuais, mas, sim, relacionais e interdependentes de outros seres vivos, afeta o modo como nossa subjetividade produz comportamentos. No campo da gest&atilde;o de res&iacute;duos, para que haja mudan&ccedil;as, os seres humanos ter&atilde;o que entender que a hist&oacute;ria do lixo n&atilde;o acaba quando jogamos ele fora (ONG LIXO CONSULTING, 2007), ou seja, h&aacute; muitos seres vivos envolvidos no processo p&oacute;s-descarte, inclusive, humanos. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os materiais encontrados na plataforma Google e na biblioteca da universidade apontam a necessidade de se refletir sobre o meio ambiente, mudando comportamentos, para n&atilde;o se chegar a um ponto no qual os recursos naturais extinguir&atilde;o totalmente. Nos materiais dispon&iacute;veis on-line, que prop&otilde;em mudan&ccedil;as, indica-se que ainda &eacute; poss&iacute;vel mudar o comportamento humano para que outros desastres ambientais sejam evitados. Orienta&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis na internet sugerem a import&acirc;ncia de uma reflex&atilde;o &eacute;tica, com responsabilidade social, para transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas. Informa&ccedil;&otilde;es sobre como se gere os res&iacute;duos, por exemplo, fora encontrado na bibliografia de diferentes maneiras. Pelo panorama registrado, h&aacute; uma prioriza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre o processo de reciclagem, em contraponto a uma quantidade menor de materiais sobre a diminui&ccedil;&atilde;o do consumo ou referente a estrat&eacute;gias para redu&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o de lixo. No campo da gest&atilde;o de res&iacute;duos, a separa&ccedil;&atilde;o dos materiais, em um momento, fora encontrada dividindo o lixo em &ldquo;domiciliar&rdquo; e &ldquo;org&acirc;nico&rdquo;. J&aacute;, em outro material, se separava por &ldquo;[...] recicl&aacute;veis, hospitalar, domiciliar, org&acirc;nico e dejetos.&rdquo; </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entende-se que a localiza&ccedil;&atilde;o territorial e a atua&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de cada cidade, e seus respectivos gestores, impactar&aacute; o modo como se desenvolver&atilde;o pr&aacute;ticas de separa&ccedil;&atilde;o de lixo em cada territ&oacute;rio. Contudo, al&eacute;m da iniciativa e busca por a&ccedil;&otilde;es de separa&ccedil;&atilde;o, percebe-se, pelo processo da presente pesquisa-experi&ecirc;ncia, que a produ&ccedil;&atilde;o de uma autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental requer mudan&ccedil;as que s&atilde;o tamb&eacute;m subjetivas. Indaga&ccedil;&otilde;es, como ferramentas para estimular transforma&ccedil;&otilde;es subjetivas, podem ser estrat&eacute;gias importantes de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental: por qual motivo habitamos o mundo? Porque destru&iacute;mos a natureza? &Eacute; poss&iacute;vel vivermos sozinhos, sem dependermos de nenhum outro ser vivo? Por que ficamos indiferentes a algu&eacute;m que passa fome, morre por desnutri&ccedil;&atilde;o ou por alguma doen&ccedil;a oriunda do meu pr&oacute;prio lixo que &eacute; despejado no meio ambiente? </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Comportamentos compreendidos como tradicionais, no cotidiano de gest&atilde;o dos res&iacute;duos, e h&aacute;bitos tidos como &lsquo;naturalizados&rsquo; devem ser questionados. A&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias, como ir ao supermercado levando uma sacola de pano de casa para n&atilde;o produzir mais lixo com as sacolinhas de pl&aacute;stico, imprimir folhas frente e verso, usar materiais oriundos de res&iacute;duos reciclados, ficar atento a ideologias do &lsquo;ecologicamente correto&rsquo;, exigir lixeiras diferenciadas e medidas de coleta seletiva, no pr&oacute;prio bairro ou ambiente de trabalho, podem ser a&ccedil;&otilde;es sutis que transformam em a&ccedil;&atilde;o o cuidado da natureza. Assim, atrav&eacute;s das reflex&otilde;es vivenciadas pela pesquisa-experi&ecirc;ncia foi poss&iacute;vel analisar a necessidade de algumas mudan&ccedil;as no entorno do pr&oacute;prio pesquisador, como solicitar que o condom&iacute;nio que ele habita implementasse a coleta seletiva, pesquisar e divulgar os hor&aacute;rios dos caminh&otilde;es de coleta da prefeitura para os(as) moradores(as), propor no trabalho que materiais escritos fossem enviados por e-mail e n&atilde;o impressos, cessar o uso de sacolas pl&aacute;sticas no supermercado, desenvolver uma tabela de materiais recicl&aacute;veis a partir do contato com a associa&ccedil;&atilde;o de reciclagem, dentre outras, que modificaram a (eco)l&oacute;gica cotidiana em prol de algo coletivo. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entende-se, que uma modifica&ccedil;&atilde;o mais ampla e estrutural envolvendo, n&atilde;o apenas moradores(as), mas a cidade como um todo, requer a&ccedil;&otilde;es da gest&atilde;o governamental, assim como, da sociedade organizada. H&aacute; uma grande variedade de produtos nos supermercados e a utiliza&ccedil;&atilde;o de descart&aacute;veis &eacute; cada vez maior. Os produtos descart&aacute;veis s&atilde;o encontrados com facilidade em lancherias, supermercados e bares porque proporcionam comodidade a quem os utiliza. Colheres, copos, garfos, facas de pl&aacute;stico que s&atilde;o utilizados apenas uma vez e depois viram lixo. Organizar-se socialmente &eacute; considerar os espa&ccedil;os p&uacute;blicos, que oferecem utens&iacute;lios descart&aacute;veis, como agentes pass&iacute;veis de interven&ccedil;&atilde;o estrutural para que se modifiquem comportamentos cotidianos, o que resulta em transforma&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o, tamb&eacute;m, subjetivas. Contudo, n&atilde;o se deve pensar que a separa&ccedil;&atilde;o do lixo &eacute; o suficiente para resolver a quest&atilde;o ambiental, pois, apesar de haverem associa&ccedil;&otilde;es de reciclagem, n&atilde;o h&aacute; um n&uacute;mero suficiente que comporte a demanda de lixo que se produz diariamente. A pr&oacute;pria frequ&ecirc;ncia do consumo precisa ser reavaliada. Como vemos na fala da respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o de catadores, referente &agrave; coleta seletiva: </font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">[...] s&oacute; os bairros nobres s&atilde;o atingidos. E, apenas nesses bairros em que &eacute; feita a coleta j&aacute; &eacute; juntado material suficiente para todas as unidades de separa&ccedil;&atilde;o que existe em Porto Alegre e ainda sobra material. Ent&atilde;o poderia haver hoje umas trinta cooperativas e, atualmente, existem 13 (RESPONS&Aacute;VEL PELA ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O DE CATADORES). </font></blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A transforma&ccedil;&atilde;o da (eco)l&oacute;gica cotidiana de gest&atilde;o dos res&iacute;duos pode ser exercitada, por exemplo, carregando garrafinhas de &aacute;gua reutilizadas, ao inv&eacute;s comprar sempre uma nova, ou levando talheres de casa e caneca para o caf&eacute;, sempre que poss&iacute;vel. Avaliar os produtos que se consome nos supermercados pode ser outra estrat&eacute;gia, j&aacute; que 40% deles j&aacute; &eacute; lixo antes mesmo de serem consumidos (ONG LIXO CONSULTING, 2007). Como, por exemplo, aquelas embalagens que vem com um pl&aacute;stico em volta, com uma tampa de pl&aacute;stico, com um lacre de alum&iacute;nio ou inv&oacute;lucro de papel&atilde;o. No supermercado, na sess&atilde;o dos legumes e verduras, &eacute; poss&iacute;vel n&atilde;o utilizar saquinhos pl&aacute;sticos em muitos alimentos, principalmente, os que s&atilde;o vendidos por unidade e n&atilde;o por peso. No momento de ensacar os produtos comprados, pode-se solicitar ao(a) empacotador(a) reduzir o n&uacute;mero de sacolas, usando ao m&aacute;ximo a capacidade de cada saco. Colocar as compras na bolsa, em uma mochila ou carregar na m&atilde;o, quando poss&iacute;vel, pode ser outra a&ccedil;&atilde;o de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mudan&ccedil;as na (eco)l&oacute;gica cotidiana s&atilde;o relevantes porque a capacidade de sujar ainda &eacute; maior do que a de limpar. Como vemos no coment&aacute;rio da respons&aacute;vel pela associa&ccedil;&atilde;o de reciclagem: &ldquo;[...] s&atilde;o muito poucos [ela fala dos caminh&otilde;es de coleta seletiva do DMLU de Porto Alegre] que atingem a cidade. Eles est&atilde;o h&aacute; dois anos e pouco nessa nova gest&atilde;o e at&eacute; hoje n&atilde;o foi comprado caminh&otilde;es, ent&atilde;o tu imagina em dois anos rodando diariamente o desgaste&rdquo; (par&ecirc;nteses nosso). Ao ser questionada o porqu&ecirc; ela achava que eles n&atilde;o haviam investido em novos caminh&otilde;es, responde: &ldquo;Acho que &eacute; falta de recursos, verba. Por que se tem um gasto. Hoje n&oacute;s temos uma frota de caminh&otilde;es sucateados.&rdquo; </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa cita&ccedil;&atilde;o, exemplifica-se a&ccedil;&otilde;es para modifica&ccedil;&atilde;o de uma (eco)l&oacute;gica cotidiana mais ampla e estrutural envolvendo, n&atilde;o apenas moradores(as) e indiv&iacute;duos, mas, a gest&atilde;o governamental do munic&iacute;pio. Desse modo, &eacute; preciso analisar o tema da gest&atilde;o dos res&iacute;duos, n&atilde;o apenas, como uma a&ccedil;&atilde;o individual cotidiana, mas, tamb&eacute;m, como um exerc&iacute;cio pol&iacute;tico de gest&atilde;o necess&aacute;ria. N&atilde;o basta, somente, divulgar reflex&otilde;es na m&iacute;dia ou fazer campanhas simb&oacute;licas, &eacute; preciso investir concretamente em infraestrutura, pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, que respondam a demanda atual de res&iacute;duos que a popula&ccedil;&atilde;o produz diariamente (LAYRARGUES, CASTRO, 2005). </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesse panorama, um resultado relevante que a presente pesquisa-experi&ecirc;ncia evidencia &eacute; a impossibilidade de se pensar uma autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental e transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas sem que haja uma modifica&ccedil;&atilde;o externa ao sujeito, mais ampla e estrutural. O impacto de uma gest&atilde;o governamental para o exerc&iacute;cio ambiental cotidiano ficou vis&iacute;vel quando, em uma das observa&ccedil;&otilde;es, o pesquisador caminhou durante uma hora na III Perimetral de Porto alegre e s&oacute; avistou uma lixeira na cal&ccedil;ada ap&oacute;s 30 minutos caminhando. Durante essa meia hora, j&aacute; teria havido a possibilidade de jogar o lixo no ch&atilde;o, ao n&atilde;o ser encontrado nenhuma lixeira. O que impressiona, nessa viv&ecirc;ncia, &eacute; que a avenida &eacute; uma obra recente na cidade e n&atilde;o foi planejada com a inser&ccedil;&atilde;o de lixeiras nela. E n&atilde;o est&aacute; se falando em ter lixeiras para coleta seletiva, neste caso da observa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o havia nenhuma lixeira. Um fato interessante nesse trecho da observa&ccedil;&atilde;o &eacute; o seguinte relato: &ldquo;[...] neste momento, eu j&aacute; estou caminhando h&aacute; 49 minutos, passei por apenas duas lixeiras na cal&ccedil;ada, mas por 20 outdoors de propaganda, sem contar placas de lojas e afins.&rdquo; Essa reflex&atilde;o, aponta sobre uma primazia do com&eacute;rcio e do consumo, na gest&atilde;o dos espa&ccedil;os p&uacute;blicos, em detrimento de uma preocupa&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente e a gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos. </font>     <p>      <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais </b></font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente texto tinha como objetivo compartilhar o resultado de uma pesquisa-experi&ecirc;ncia sobre exerc&iacute;cios (eco)l&oacute;gicos poss&iacute;veis de autoeduca&ccedil;&atilde;o ambiental, no tema da gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos. Para isso, o pesquisador se disp&ocirc;s a vivenciar experi&ecirc;ncias no campo do tema atrav&eacute;s de observa&ccedil;&otilde;es no espa&ccedil;o p&uacute;blico e em um ambiente universit&aacute;rio, com pesquisa na plataforma Google e em uma biblioteca universit&aacute;ria, assim como, realizando entrevista com a respons&aacute;vel por uma associa&ccedil;&atilde;o de reciclagem de lixo na cidade de Porto Alegre. Durante o percurso, foi poss&iacute;vel articular o que era vivido na experi&ecirc;ncia com o tema do meio ambiente, refletindo sobre os paradigmas educativo-ambientais e as ideologias de consumo e de individualismo que permeiam o cotidiano humano. Atrav&eacute;s de elementos emergentes no campo da pesquisa, foi poss&iacute;vel colocar em an&aacute;lise a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, considerando-a enquanto via de transforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas, alguns de seus impasses, como os aspectos subjetivos ou estruturais envolvidos. </font>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As modifica&ccedil;&otilde;es das (eco)l&oacute;gicas cotidianas, na rela&ccedil;&atilde;o com o meio ambiente, articulam uma complexidade de fatores e, pela presente discuss&atilde;o, compreende-se a import&acirc;ncia de transforma&ccedil;&otilde;es subjetivas e estruturais para a preserva&ccedil;&atilde;o da natureza. Como inerente a toda mudan&ccedil;a, enquanto estrat&eacute;gia de transforma&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio colocar em an&aacute;lise o modo com que se vive e se relaciona consigo mesmo e com o meio ambiente. Esse exerc&iacute;cio, que requer, tamb&eacute;m, uma transforma&ccedil;&atilde;o subjetiva, exige que o ser humano se vigie diariamente, n&atilde;o como forma de controle, mas, como exerc&iacute;cio para constru&ccedil;&atilde;o de outros h&aacute;bitos poss&iacute;veis. Como escreve L&eacute;vi-Strauss (2005, p. 230), &ldquo;[...] a partir do momento em que o homem n&atilde;o conhece mais limites para o seu poder ele pr&oacute;prio acaba por destruir-se.&rdquo; Com a gest&atilde;o dos res&iacute;duos humanos, poder&iacute;amos pensar da mesma forma. Se n&oacute;s humanos continuarmos a consum sirem limites, extinguindo mat&eacute;rias primas, animais e seus habitats, corre-se o risco de uma autodestrui&ccedil;&atilde;o, pois todos esses elementos vivos comp&otilde;em nosso pr&oacute;prio meio ambiente de exist&ecirc;ncia. </font>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que era nomeado como lixo, atrav&eacute;s da presente pesquisa-experi&ecirc;ncia, tem seu significado ressignificado. Os res&iacute;duos, agora situados em uma complexidade deles pr&oacute;prios (secos, org&acirc;nicos, inutiliz&aacute;veis, recicl&aacute;veis, dentro outros), se situam como possibilidade, at&eacute;, de serem geradores de renda para determinados grupos, como o s&atilde;o para os catadores e recicladores da associa&ccedil;&atilde;o estudada. Assim, a tem&aacute;tica da educa&ccedil;&atilde;o ambiental, enquanto inerente para o bem-estar dos seres humanos e demais seres vivos, tem sua pertin&ecirc;ncia para benef&iacute;cios individuais e coletivos. Indiv&iacute;duo e coletivo que se mostram, a partir dos materiais discutidos, como elementos indissoci&aacute;veis, necess&aacute;rios de serem colocados em discuss&atilde;o para a autotransforma&ccedil;&atilde;o das (eco)l&oacute;gicas cotidianas.</font>     <p>      <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BRITO, A. <em>Observa&ccedil;&atilde;o directa e sistem&aacute;tica do comportamento</em>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es FMH, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534531&pid=S1676-5443201900020000300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">DIAS, G. F. <em>Pegada ecol&oacute;gica e sustentabilidade humana</em>. S&atilde;o Paulo: Gaia, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534533&pid=S1676-5443201900020000300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ECKER, D. D. Direitos sociais e acompanhamento terap&ecirc;utico: problematiza&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de desenhos. <em>Aurora</em>: Revista de Arte, M&iacute;dia e Pol&iacute;tica, S&atilde;o Paulo, v. 11, n. 32, p. 95-109, jun./set. 2018. Dispon&iacute;vel em: http://revistas.pucsp.br/aurora/article/view/31984/26994. Acesso em: 20 nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534535&pid=S1676-5443201900020000300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">EKINS, P. Uma no&ccedil;&atilde;o subversiva. <em>O Correio da Unesco</em>, Rio de Janeiro, v. 26, n. 3, p. 6-9, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534537&pid=S1676-5443201900020000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">FOUCAULT, M. Poder e saber. <em>In</em>: FOUCAULT, M. <em>Ditos e escritos</em>: estrat&eacute;gia, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria, 2006. v. 5, p. 223-241.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534539&pid=S1676-5443201900020000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GR&Uuml;N, M. <em>&Eacute;tica e educa&ccedil;&atilde;o ambiental</em>: a conex&atilde;o necess&aacute;ria. 9. ed. S&atilde;o Paulo: Papirus, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534541&pid=S1676-5443201900020000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">GUARESCHI, N. M.; GUARESCHI, N. M. F.; REIS, C.; ECKER, D. D.; MACHRY, D. S. F. Forma&ccedil;&atilde;o em psicologia: o princ&iacute;pio da integralidade e a teoria da autopoiese. <em>Revista Psicologia e Sa&uacute;de</em>, Campo Grande, v. 6, n. 1, p. 18-27, jun. 2014. Dispon&iacute;vel em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/rpsaude/v6n1/v6n1a04.pdf. Acesso em: 20 nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534543&pid=S1676-5443201900020000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">UMA VERDADE inconveniente. Dire&ccedil;&atilde;o: Davis Gugenheim. Los Angeles: Paramount Pictures, 2006. Longametragem (100 min.), color.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534545&pid=S1676-5443201900020000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">HARTMANN, V. M. <em>Mem&oacute;rias na sustentabilidade das &aacute;guas do Rio M&rsquo;Boicy</em>. 2017. Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso (Especialista em Educa&ccedil;&atilde;o Ambiental) - Universidade Federal da Integra&ccedil;&atilde;o Latinoamericana, Foz do Igua&ccedil;u, 2017. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">H&Uuml;NING, S.; SCISLESKI, A. Resson&acirc;ncias de uma epistemologia cr&iacute;tica foucaultiana em psicologia social. <em>Psicologia &amp; Sociedade</em>, Belo Horizonte, v. 30, n. 1, 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534548&pid=S1676-5443201900020000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (org.). <em>Educa&ccedil;&atilde;o ambiental</em>: repensando o espa&ccedil;o da cidadania. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534550&pid=S1676-5443201900020000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">L&Eacute;VI-STRAUSS, C. <em>De perto e de longe</em>. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534552&pid=S1676-5443201900020000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LIPOVETSKY, G. <em>Os tempos hipermodernos</em>. S&atilde;o Paulo: Editora Barcarolla, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534554&pid=S1676-5443201900020000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ONG LIXO CONSULTING. Rio de Janeiro, 2007. Dispon&iacute;vel em: http://www.lixo.com.br. Acesso em: 20 nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534556&pid=S1676-5443201900020000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">MARTELL, L. <em>Ecology and society</em>: an introduction. Cambridge: Polity Press, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534558&pid=S1676-5443201900020000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POZO, J. I. <em>Aprendizes e mestres</em>: a nova cultura da aprendizagem. Porto Alegre: ArtMed, 2002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534560&pid=S1676-5443201900020000300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SOFFIATI, A. Fundamentos filos&oacute;ficos e hist&oacute;ricos para o exerc&iacute;cio da ecocidadania e da ecoeduca&ccedil;&atilde;o. <em>In</em>: LOUREIRO, C. F. B.; LAYRARGUES, P. P.; CASTRO, R. S. (org.). <em>Educa&ccedil;&atilde;o ambiental</em>: repensando o espa&ccedil;o da cidadania. 4. ed. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2008. p. 23-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534562&pid=S1676-5443201900020000300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TAVARES, C.; FREIRE, I. M. Lugar do lixo &eacute; no lixo: estudo de assimila&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o. <em>Ci&ecirc;ncia da Informa&ccedil;&atilde;o</em>, Bras&iacute;lia, v. 32, n. 2, p. 125-135, maio/ago. 2003. Dispon&iacute;vel em: http://revista.ibict.br/ciinf/article/view/1012/1067. Acesso em: 22 nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534564&pid=S1676-5443201900020000300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TORRES, S.; GUARESCHI, P. A.; ECKER, D. D. O teatro de rua como via pol&iacute;tica de m&iacute;dia radical. <em>Argum</em>, Vit&oacute;ria, v. 9, n. 2, p. 120-132, maio/ago. 2017. Dispon&iacute;vel em: http://www.publicacoes.ufes.br/?journal=argumentum&amp;page=article&amp;op=view&amp;path%5B%5D=15423. Acesso em: 22 nov. 2018.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534566&pid=S1676-5443201900020000300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">TRIVI&Ntilde;OS, A. N. S. <em>Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; pesquisa em Ci&ecirc;ncias Sociais</em>. S&atilde;o Paulo: Atlas, 1987.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5534568&pid=S1676-5443201900020000300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> </font> </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tramitação</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido em: 23 nov. 2018 </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aceito em: 27 fev. 2019</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Notas</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto1">1</a><a name="nota1"></a></sup> A presente proposta integra pesquisas na &aacute;rea da Psicologia Social e Institucional de matriz p&oacute;s-estruturalista, de base foucaultiana. Nelas, a produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento reivindica uma epistemologia pr&oacute;pria, j&aacute; que n&atilde;o &eacute; contemplado pelas perspectivas tradicionalmente abordadas (H&Uuml;NING; SCISLESKI, 2018). Com isso, um dos aspectos de sua produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &eacute; a an&aacute;lise de elementos do presente, para a produ&ccedil;&atilde;o de pensamentos e n&atilde;o de verdades forjadas, sem compromisso direto com modelos cient&iacute;fico positivistas impostos por correntes hegem&ocirc;nicas. Assim, dentre os elementos que t&ecirc;m relev&acirc;ncia nessa abordagem, destaca-se a produ&ccedil;&atilde;o de um conhecimento particular, pol&iacute;tica e historicamente localizado, que evidencia experi&ecirc;ncias territorialmente situadas, singulares e posicionadas &eacute;ticamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto2">2</a><a name="nota2"></a></sup> A separa&ccedil;&atilde;o e, ao mesmo tempo, proximidade entre a palavra eco e l&oacute;gico, na escrita, visa dar &ecirc;nfase &agrave; contribui&ccedil;&atilde;o que a operacionalidade de racioc&iacute;nios (eco)l&oacute;gicos podem efetuar na conserva&ccedil;&atilde;o da natureza, seja no modo como administramos nossos comportamentos cotidianos, seja na forma como gerenciamos nossa produ&ccedil;&atilde;o de res&iacute;duos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto3">3</a><a name="nota3"></a></sup> O exerc&iacute;cio, nesse fragmento, de uma escrita ficcional enquanto estrat&eacute;gia metodol&oacute;gica tem como objetivo fabular e fabricar pensamentos envolvendo o tema em quest&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto4">4</a><a name="nota4"></a></sup> Trabalho realizado dentro da Disciplina &ldquo;Pr&aacute;tica Interdisciplinar em Psicologia&rdquo;. Aprovado pela Faculdade de Psicologia (FAPSI) da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;tlica do Rio Grande do sul (PUCRS). Por se tratar de um trabalho com o intiuto exclusivamente de educa&ccedil;&atilde;o e ensino, de acordo com a Resolu&ccedil;&atilde;o n&ordm; 510, de 07 de abril de 2016, n&atilde;o fora registrada e nem avaliada pelo sistema CEP/CONEP.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto5">5</a><a name="nota5"></a></sup> N&atilde;o havia roteiro pr&eacute;vio para as observa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a href="#texto6">6</a><a name="nota6"></a></sup> Cabe destacar a complexidade dessa afirma&ccedil;&atilde;o, pois, ao situar o ser humano, tamb&eacute;m ele um elemento da natureza, como produtor de um olhar do capital sobre a natureza, consequentemente estamos remetendo a um humano que se analisa enquanto capital. Essa incid&ecirc;ncia de um olhar econ&ocirc;mico sobre si, pode produzir uma multiplicidade de subjetividades que se situariam como possibilidade de riqueza e/ou mat&eacute;ria prima explor&aacute;vel.</font></p>      ]]></body>
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