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<publisher-name><![CDATA[Vetor Editora Psico-Pedagógica]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um estudo sobre os cuidadores familiares de pacientes internados com doenças hematológicas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The interest in developing this study appeared through my experience of period of trainee in health psychology in the Clinic of Hematology of the Clinics Hospital of Sao Paulo, where I could have the possibility to follow the process of internment of the patients of this unit and the accompaniment of each caregiver. This study was considered with the main objective to understand the occured alterations in the life of the caregivers of patients interned with diagnosis of hematological disease, besides looking for to understand the vision that these caregivers have of the process of internment of their familiar ones. The theoretical referential used to lead this study was the psychoanalyses, therefore it searches the meaning internal that one determined phenomenon cause in each individual. The used method was the qualitative one, being carried through an interview with the familiar caregivers, with application of a questionnaire and a drawing-history with subject. In the qualitative analysis of the gotten data, the answers had been combined with the literature raised on the subject to allow a bigger understanding of the alterations faced for the caregivers, in the studied situation.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Cuidador]]></kwd>
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<kwd lng="en"><![CDATA[Cancer and bone marrow transplantation]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Um estudo sobre os  cuidadores familiares de pacientes internados com doen&ccedil;as hematol&oacute;gicas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Maria Clara Nogueira de Sá</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="ender"></a><a href="#enderb">Endereço para correspondência</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse em desenvolver este estudo surgiu atrav&eacute;s da minha experi&ecirc;ncia    de est&aacute;gio em psicologia hospitalar na Cl&iacute;nica de Hematologia    do Hospital das Cl&iacute;nicas de S&atilde;o Paulo, onde tive a possibilidade    de acompanhar o processo de interna&ccedil;&atilde;o dos pacientes desta unidade    e do acompanhamento de seus cuidadores. Este estudo foi proposto com o objetivo    principal de compreender as altera&ccedil;&otilde;es ocorridas na vida dos cuidadores    de pacientes internados com diagn&oacute;stico de doen&ccedil;as hematol&oacute;gicas,    al&eacute;m de procurar compreender a vis&atilde;o que estes cuidadores t&ecirc;m    do processo de interna&ccedil;&atilde;o de seus familiares. O referencial te&oacute;rico    utilizado para conduzir este estudo foi o psicanal&iacute;tico. Pois busca o    significado interno que um determinado fen&ocirc;meno causa em cada indiv&iacute;duo.    O m&eacute;todo utilizado foi o qualitativo, sendo realizada uma entrevista    com os cuidadores familiares, com aplica&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio    e de um desenho-est&oacute;ria com tema. Na an&aacute;lise qualitativa dos dados    obtidos, as respostas foram combinadas com a literatura levantada sobre o tema    para permitirem uma compreens&atilde;o maior das altera&ccedil;&otilde;es enfrentadas    pelos cuidadores, na situa&ccedil;&atilde;o estudada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Palavras-chave:</b> Cuidador, Fam&iacute;lia e doen&ccedil;a, C&acirc;ncer  e transplante de medula &oacute;ssea.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The interest in developing this study appeared through my experience of period    of trainee in health psychology in the Clinic of Hematology of the Clinics Hospital    of Sao Paulo, where I could have the possibility to follow the process of internment    of the patients of this unit and the accompaniment of each caregiver. This study    was considered with the main objective to understand the occured alterations    in the life of the caregivers of patients interned with diagnosis of hematological    disease, besides looking for to understand the vision that these caregivers    have of the process of internment of their familiar ones. The theoretical referential    used to lead this study was the psychoanalyses, therefore it searches the meaning    internal that one determined phenomenon cause in each individual. The used method    was the qualitative one, being carried through an interview with the familiar    caregivers, with application of a questionnaire and a drawing-history with subject.    In the qualitative analysis of the gotten data, the answers had been combined    with the literature raised on the subject to allow a bigger understanding of    the alterations faced for the caregivers, in the studied situation.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>    Caregiver, Family and disease, Cancer and bone marrow transplantation.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Introdu&ccedil;&atilde;o</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>1. O adoecer    e a imin&ecirc;ncia de morte na fam&iacute;lia</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O Homem &eacute; O &uacute;nico ser que possui a capacidade de abstrair, de    saber de sua finitude; mas, apesar de saber tal caracter&iacute;stica de todo    ser vivo, os homens preferem n&atilde;o pensar, n&atilde;o levam muito em considera&ccedil;&atilde;o    tal realidade, afinal, &eacute; muito doloroso, e quem vive com medo, preso    &agrave; imin&ecirc;ncia da morte, acaba n&atilde;o vivendo; por&eacute;m ao    deparar-se com a possibilidade de estar doente, ou com uma doen&ccedil;a, n&atilde;o    h&aacute; mais como fugir, a imin&ecirc;ncia de morte faz-se presente: o adoecer    coloca o Ser diante de sua mais dolorosa realidade: a possibilidade da morte.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O diagn&oacute;stico    de uma doen&ccedil;a org&acirc;nica, muitas vezes, &eacute; recebido pela pessoa    e por sua fam&iacute;lia como uma agress&atilde;o, pois, com o advento de uma    doen&ccedil;a, seja ela grave ou n&atilde;o, a pessoa tem seus planos e sua    pr&oacute;pria vida interrompida, perde seus sonhos e sua esperan&ccedil;a depositada    no futuro e v&ecirc;-se totalmente diante de sua pr&oacute;pria finitude, como    descreve Boss: "toda doen&ccedil;a &eacute; uma amea&ccedil;a &agrave;    vida e, com isso, &eacute; um aceno para a morte, ou at&eacute; um primeiro    ou &uacute;ltimo passo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; morte. Vida e morte    s&atilde;o inseparavelmente unidas e pertencem uma &agrave; outra."</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Normalmente, n&atilde;o &eacute; s&oacute; o paciente quem adoece, mas todo    o complexo familiar &eacute; abalado, v&ecirc;-se a dissolu&ccedil;&atilde;o    de um de seus mitos, como aponta Rolland, "de que doen&ccedil;as fatais    s&oacute; acontecem com os outros".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Como descreve Rolland (1998), "as fam&iacute;lias enfrentam a perda da    vida 'normal', tal como era antes do diagn&oacute;stico, sendo obrigadas a fazerem    o luto pela perda da condi&ccedil;&atilde;o de vida que tinham enquanto unidade    familiar antes da doen&ccedil;a, bem como o luto decorrente da perda dos sonhos    e da esperan&ccedil;a depositada no futuro"; ou seja, h&aacute; uma desorganiza&ccedil;&atilde;o    total da unidade familiar. Os irm&atilde;os de pacientes sentem que perderam    seus pais, ficam voltados inteiramente para o membro doente. A partir dessa    desorganiza&ccedil;&atilde;o familiar os irm&atilde;os sentem medo de adoecer    tamb&eacute;m e culpados pela doen&ccedil;a do outro, pois no momento que uma    doen&ccedil;a grave ocorre no &acirc;mbito familiar, h&aacute; um resgate de    algum evento passado sobre doen&ccedil;as, conflitos e perdas vividas por esta    fam&iacute;lia e, essas viv&ecirc;ncias passadas, est&atilde;o relacionadas    com o enfrentamento dessa fam&iacute;lia a todo o processo de tratamento e do    lidar com o estresse nele envolvido. &Eacute; necess&aacute;rio manter orienta&ccedil;&otilde;es,    esclarecimentos e permitir visitas desses familiares, informando sempre a verdade    sobre o estado de sa&uacute;de do paciente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Futterman et alli (1996) durante a hospitaliza&ccedil;&atilde;o, os    cuidadores como os pais, no caso de crian&ccedil;as e adolescentes e o esposo(a)    ou parceiro(a) s&atilde;o freq&uuml;entemente as principais fontes de suporte    emocional para esses pacientes. Estes familiares precisam gastar uma parte de    seus dias com os pacientes, deixando em segundo plano determina das necessidades.    H&aacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o em torno das responsabilidades sobre    a cria&ccedil;&atilde;o dos filhos que &eacute; delegado para outros e tamb&eacute;m    sobre deixar temporariamente o trabalho. O esposo(a) tem de equilibrar a demanda    de m&uacute;ltiplas regras; ele tem de negociar consigo mesmo o isolamento emocional,    incertezas, medos e a possibilidade da morte do outro. N&atilde;o sendo distante    a possibilidade do c&ocirc;njuge entrar em depress&atilde;o, ansiedade e exaust&atilde;o    emocional no per&iacute;odo que precede e sucede &agrave; hospitaliza&ccedil;&atilde;o    do paciente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Ross (1991), existem sentimentos que s&atilde;o experimentados pelos    familiares durante o processo de uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica. Inicialmente,    quando &eacute; informado da doen&ccedil;a, o paciente e seus familiares, especialmente    seu cuidador, deparam-se com um choque inicial e sentimentos de nega&ccedil;&atilde;o.    Existe uma recusa e uma incapacidade de aceitar suas condi&ccedil;&otilde;es    atuais. Em um segundo momento, &eacute; mobilizado raiva, f&uacute;ria havendo    questionamentos sobre o porqu&ecirc; desse fato ter acontecido com ele e chega-se    a invejar a sa&uacute;de de outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Existe uma tentativa de barganhar ou adiar o inevit&aacute;vel. Os familiares    buscam negociar com Deus, fazendo promessas relacionadas com a sa&uacute;de    e cura do paciente. Em um outro momento, os familiares se deprimem, havendo    lugar para sentimentos como raiva, tristeza e perda. No final, aceita-se a condi&ccedil;&atilde;o    do paciente e diminui-se a agita&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, aumentando    a expectativa de cura e tranq&uuml;ilizando a fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Esses momentos est&atilde;o descritos de uma forma did&aacute;tica, entretanto    eles podem ocorrer sem seguir a ordem aqui estabelecida. Os familiares, em algumas    situa&ccedil;&otilde;es, lutam contra a amea&ccedil;a da perda do familiar e    at&eacute; contra perdas parciais (como seq&uuml;elas ou incapacidades) ou at&eacute;,    e sobretudo, contra a morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Nessas etapas &eacute; importante que a equipe repita para o cuidador informa&ccedil;&otilde;es    sobre o estado do paciente e a evolu&ccedil;&atilde;o de sua doen&ccedil;a,    para que o cuidador possa passar tais informa&ccedil;&otilde;es aos demais membros    da fam&iacute;lia, pois estes buscam, o tempo todo, compreender e encontrar    explica&ccedil;&otilde;es da causa deste acontecimento. Neste per&iacute;odo    pode haver acusa&ccedil;&atilde;o m&uacute;tua entre os familiares, ou uma total    uni&atilde;o dos mesmos para garantirem mais for&ccedil;as no combate ao medo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   &Eacute; importante que os familiares, em especial o cuidador, que exerce uma    fun&ccedil;&atilde;o bastante exaustiva, lamentem e falem de suas dores para    haver um processo de aceita&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a e da condi&ccedil;&atilde;o    em que est&aacute; o paciente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>2. C&acirc;ncer    e transplante de medula &oacute;ssea</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O diagn&oacute;stico de c&acirc;ncer ainda &eacute; considerado como uma senten&ccedil;a    de morte tanto para o paciente como para sua fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Do ponto de vista m&eacute;dico, o c&acirc;ncer &eacute; uma doen&ccedil;a que    tem diversas etiologias, por&eacute;m o que sempre ocorre &eacute; uma muta&ccedil;&atilde;o    e conseq&uuml;ente altera&ccedil;&atilde;o de uma &uacute;nica c&eacute;lula,    tomando-a capaz de se reproduzir indefinidamente, gerando massa tumoral em determinada    regi&atilde;o do corpo, ou em um &oacute;rg&atilde;o espec&iacute;fico, cuja    massa passa a se desenvolver, e de onde podem se desprender c&eacute;lulas,    que ir&atilde;o migrar para outras regi&otilde;es do corpo formando aquilo que    recebe o nome de met&aacute;stase (Manual do TMO do Paciente - HCFMUSP, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Al&eacute;m de atingir tecidos e parte &oacute;ssea, as c&eacute;lulas neopl&aacute;sicas,    que s&atilde;o as cancerosas, podem atingir sistemas como o linf&aacute;tico    e o circulat&oacute;rio. Quando as muta&ccedil;&otilde;es atingem o sistema    circulat&oacute;rio com o conseq&uuml;ente aparecimento de c&eacute;lulas neopl&aacute;sicas    no sangue, fica caracterizado uma leucemia (nome espec&iacute;fico para o c&acirc;ncer    que atinge o sangue); &eacute; uma prolifera&ccedil;&atilde;o irregular ou ac&uacute;mulo    de c&eacute;lulas brancas (leuc&oacute;citos) na medula &oacute;ssea, com substitui&ccedil;&atilde;o    dos elementos medulares normais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O grau de malignidade de um c&acirc;ncer est&aacute; relacionado &agrave; estrutura    citol&oacute;gica do tecido atingido, &agrave; rapidez da capacidade de multiplica&ccedil;&atilde;o    celular, e &agrave; capacidade de infiltra&ccedil;&atilde;o dos tecidos vizinhos    (Manual do TMO do Paciente - HC-FMUSP, 1998).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Al&eacute;m desses fatores, a destrui&ccedil;&atilde;o e degrada&ccedil;&atilde;o    de fun&ccedil;&otilde;es vitais, o conhecimento dos aspectos dolorosos do c&acirc;ncer    e, principalmente, a falta de informa&ccedil;&atilde;o levam o paciente e seus    familiares a uma desestrutura&ccedil;&atilde;o da personalidade ao entrar em    contato com um diagn&oacute;stico da mol&eacute;stia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Do ponto de vista psicol&oacute;gico destaca-se a necessidade da intera&ccedil;&atilde;o    entre processos emocionais/psicol&oacute;gicos e processos corporais/biol&oacute;gicos.    A partir de ent&atilde;o, come&ccedil;a a emergir o reconhecimento de que caracter&iacute;sticas    peculiares a cada paciente (sua hist&oacute;ria de vida, suas rela&ccedil;&otilde;es    sociais, sua personalidade, seus processos mentais, seus mecanismos de defesa    do ego, suas experi&ecirc;ncias anteriores) e processos biol&oacute;gicos precisam    ser inclu&iacute;dos para se atingir uma conceitualiza&ccedil;&atilde;o precisa    de sa&uacute;de e doen&ccedil;a, e passa a ser relevante auxiliar esse paciente    e sua fam&iacute;lia a lidar com as quest&otilde;es da interna&ccedil;&atilde;o    hospitalar, dos tratamentos poss&iacute;veis e da emin&ecirc;ncia da morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O Transplante de Medula &Oacute;ssea (TMO) &eacute; um procedimento terap&ecirc;utico    que tem sido amplamente usado em uma variedade de doen&ccedil;as neopl&aacute;sicas    (hemopatias malignas e tumores s&oacute;lidos), como tamb&eacute;m em doen&ccedil;as    hematol&oacute;gicas heredit&aacute;rias e adquiridas, com o objetivo de prolongar    a remiss&atilde;o completa da doen&ccedil;a ou cur&aacute;-la. Este procedimento    pode ser entendido como uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica para o paciente e    sua fam&iacute;lia e leva ao surgimento de graus variados de ansiedade, depress&atilde;o    e expectativas. (Futterman et alli, 1996).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O interesse pelas vari&aacute;veis psicol&oacute;gicas associadas ao TMO vem    aumentando significativamente nos &uacute;ltimos anos como tentativa de predizer    altera&ccedil;&otilde;es emocionais e fisiol&oacute;gicas do procedimento. As    rea&ccedil;&otilde;es e altera&ccedil;&otilde;es psicol&oacute;gicas no transplante    sofre diretamente influ&ecirc;ncia das condi&ccedil;&otilde;es do paciente que    se submete, como personalidade, experi&ecirc;ncias anteriores e o enfrentamento    das mesmas, qualidade das rela&ccedil;&otilde;es interpessoais com membros da    equipe m&eacute;dica, cuidadores, familiares, amigos, bem como a rea&ccedil;&atilde;o    dos familiares e da equipe m&eacute;dica em rela&ccedil;&atilde;o ao paciente    e &agrave; sua doen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A incerteza do sucesso do transplante, a admiss&atilde;o na unidade que requer    isolamento, a realiza&ccedil;&atilde;o de procedimentos m&eacute;dicos invasivos    e o uso excessivo de medica&ccedil;&atilde;o para o tratamento e controle de    efeitos colaterais amea&ccedil;am a seguran&ccedil;a do paciente. Esses aspectos,    somados &agrave; complexidade do procedimento, toma comum o aparecimento de    preocupa&ccedil;&otilde;es sobre a reca&iacute;da da doen&ccedil;a, dores e    possibilidade de morte, fazendo com que o paciente e seu cuidador tomem-se ansiosos    diante do menor evento; ou seja, ambos ficam em estado de alerta sobre qualquer    ocorr&ecirc;ncia, &agrave;s vezes interferindo na interpreta&ccedil;&atilde;o    dos fatos, provocando mudan&ccedil;as de humor, altera&ccedil;&otilde;es do    sono e utilizando estrat&eacute;gias de enfrentamento mal adaptadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O TMO &eacute; um processo constitu&iacute;do de v&aacute;rias etapas. O tempo    de dura&ccedil;&atilde;o de cada um pode ser previsto, mas tem uma rela&ccedil;&atilde;o    entre outros fatores, com o estado cl&iacute;nico em que se encontra o paciente.    Portanto, da mesma forma que o transplante ocorre por etapas, o paciente e o    seu cuidador tamb&eacute;m passar&atilde;o por diferentes est&aacute;gios psicol&oacute;gicos    que est&atilde;o relacionados com cada fase do procedimento (Brown & Kelly,    1976).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>Est&aacute;gios    psicol&oacute;gicos que paciente e familiares enfrentam no TMO</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo estudos de Brown & Kelly (1976), sobre os est&aacute;gios que pacientes    e familiares enfrentam, o primeiro deles &eacute; caracterizado pelas dificuldades    emocionais que se intensificam logo na tomada de decis&atilde;o sobre o transplante,    onde muitos pacientes j&aacute; passaram por tratamentos anteriores sem sucesso,    apresentando em alguns casos seq&uuml;elas agudas ou cr&ocirc;nicas. H&aacute;    a necessidade de que a equipe m&eacute;dica forne&ccedil;a informa&ccedil;&otilde;es    sobre todo o procedimento, incluindo riscos e benef&iacute;cios causados pelo    tratamento, possibilidade de fracasso e morte. Mesmo diante dos riscos, o transplante    &eacute; visto como a esperan&ccedil;a de cura para a doen&ccedil;a, onde poucas    vezes o paciente e sua fam&iacute;lia cogitam a possibilidade de n&atilde;o    dar certo. Nesta fase, ap&oacute;s a escolha pelo transplante, inicia-se o processo    burocr&aacute;tico do tratamento, com a assinatura do termo de consentimento    para a realiza&ccedil;&atilde;o do transplante, busca do doador, solicita&ccedil;&atilde;o    de exames e outras medidas que aumentam cada vez mais o estresse da situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Novo est&aacute;gio se inicia quando o paciente &eacute; submetido a alguns    procedimentos invasivos como a realiza&ccedil;&atilde;o de exames, coloca&ccedil;&atilde;o    de cat&eacute;ter, tratamento da doen&ccedil;a e coleta de c&eacute;lulas. Neste    momento, o paciente e a fam&iacute;lia passam por uma reorganiza&ccedil;&atilde;o    psicossocial buscando cuidados pr&aacute;ticos em rela&ccedil;&atilde;o ao in&iacute;cio    do transplante, identifica&ccedil;&atilde;o do sistema de suporte social, mudan&ccedil;as    e restri&ccedil;&otilde;es de pap&eacute;is pessoais e familiares. As rela&ccedil;&otilde;es    emocionais nesse est&aacute;gio dependem, muitas vezes, da resolu&ccedil;&atilde;o    ou n&atilde;o das medidas e decis&otilde;es tomadas para o in&iacute;cio do    transplante, como por exemplo se a fam&iacute;lia e o paciente se organizaram    psicossocialmente ou se deu certo a coleta de c&eacute;lulas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O isolamento e o condicionamento s&atilde;o a pr&oacute;xima etapa a ser cumprida.    Realizam se avalia&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas multidisciplinares, cuidados    cl&iacute;nicos para a manuten&ccedil;&atilde;o do paciente; h&aacute; a perda    do controle e cuidado pessoal por parte do paciente, como higiene, hor&aacute;rios    e perda da privacidade, e em alguns casos surgem complica&ccedil;&otilde;es    cl&iacute;nicas em fun&ccedil;&atilde;o da quimioterapia. O isolamento social    e familiar &eacute; intensificado, o contato f&iacute;sico &eacute; ainda mais    restrito, e aumenta cada vez mais a necessidade de se adaptar &agrave;s regras    da unidade de transplante. &Eacute; comum que o paciente sinta-se deprimido,    tenha sensa&ccedil;&atilde;o de desprote&ccedil;&atilde;o em raz&atilde;o da    imunossupress&atilde;o, al&eacute;m do medo e a d&uacute;vida quanto &agrave;    escolha pelo transplante se intensificarem.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A infus&atilde;o medular ou transplante &eacute; o pr&oacute;ximo passo, provocando    em alguns pacientes altera&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas que necessitam de    controle cl&iacute;nico rigoroso. Para o paciente e sua fam&iacute;lia, esse    momento &eacute; visto como a concretiza&ccedil;&atilde;o do processo, trazendo    sensa&ccedil;&atilde;o de al&iacute;vio e aumento de suas esperan&ccedil;as.    Ambos apresentam alegria ansi&oacute;gena caracterizada por choro e inquieta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O pr&oacute;ximo est&aacute;gio &eacute; o per&iacute;odo de espera pela pega    medular, com dura&ccedil;&atilde;o de dez a quinze dias aproximadamente. H&aacute;    extenso uso de medica&ccedil;&otilde;es e controle cl&iacute;nico do paciente.    Iniciam-se alguns problemas cl&iacute;nicos que fazem com que o paciente permane&ccedil;a    sob cuidado constante e exposto a riscos devido &agrave; aplasia (pouca produ&ccedil;&atilde;o    de sangue). &Eacute; um momento cr&iacute;tico que aumenta o medo e a inseguran&ccedil;a,    provocando sentimentos de impot&ecirc;ncia diante da vida. O humor &eacute;    inst&aacute;vel, com demonstra&ccedil;&otilde;es de irritabilidade e apatia.    Para a manuten&ccedil;&atilde;o da esperan&ccedil;a h&aacute; um apego maior    &agrave; religi&atilde;o, cujo Deus det&eacute;m todo o poder de salva&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O &uacute;ltimo est&aacute;gio se caracteriza pela poss&iacute;vel pega da medula.    Os cuidados cl&iacute;nicos s&atilde;o menos intensos, e os efeitos colaterais    diminuem; h&aacute; recupera&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica e possibilidade    de alta da enfermaria. Discutem-se quest&otilde;es como a necessidade de acompanhamento    ambulatorial e readapta&ccedil;&atilde;o &agrave; sua vida p&oacute;s transplante.    Existe ambig&uuml;idade de sentimentos: pois ao mesmo tempo em que o per&iacute;odo    de hospitaliza&ccedil;&atilde;o e isola mento terminaram dando-lhes a sensa&ccedil;&atilde;o    de vit&oacute;ria, existe ainda, para o paciente, a preocupa&ccedil;&atilde;o    com o desligamento da unidade e, para o cuidador, o trabalho de cuidar sozinho    deste enfermo, al&eacute;m do medo da possibilidade de rejei&ccedil;&atilde;o    medular ou reca&iacute;da da doen&ccedil;a, mantendo sempre um certo grau de    inseguran&ccedil;a. (Brown & Kelly, 1976).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>3. Hospitaliza&ccedil;&atilde;o    e o cuidador familiar</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A situa&ccedil;&atilde;o    de hospitaliza&ccedil;&atilde;o provoca profundas altera&ccedil;&otilde;es na    vida familiar, tanto no sentido de afastamento do doente do conv&iacute;vio    no lar, dos filhos, amigos, do lazer, da escola e das atividades cotidianas,    como no deslocar os familiares para o hospital. Ocorrem modifica&ccedil;&otilde;es    na rotina, com a introdu&ccedil;&atilde;o de hor&aacute;rios e esquemas novos,    quase sempre muito diferentes dos habituais. A interna&ccedil;&atilde;o pode    conduzir ao isolamento, quebra de rela&ccedil;&otilde;es sociais, familiares    e de trabalho (Kov&aacute;cs, 1992).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Todos esses aspectos podem ter forte influ&ecirc;ncia na forma como a fam&iacute;lia    vai lidar com as demandas exigi das pela doen&ccedil;a, mas os padr&otilde;es    de cada fam&iacute;lia, sua organiza&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o    dos pap&eacute;is, fun&ccedil;&otilde;es e formas de enfrentamento v&atilde;o    ter forte influ&ecirc;ncia no manejo da situa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Kov&aacute;cs (1992), nessa turbul&ecirc;ncia de acontecimentos, surge    uma figura que deve ser foco de aten&ccedil;&atilde;o: o cuidador, o membro    da fam&iacute;lia que fica respons&aacute;vel pelos cuidados, que acompanha    o paciente, que est&aacute; presente na interna&ccedil;&atilde;o e garante a    ades&atilde;o do paciente ao tratamento. Estabelece-se urna rela&ccedil;&atilde;o    &iacute;ntima, que vai depender das caracter&iacute;sticas pessoais dos membros    envolvidos, podendo despertar os mais diversos sentimentos, como por exemplo,    harmonia, compaix&atilde;o e respeito. Pode tamb&eacute;m ser carregada de sentimentos    ambivalentes, rela&ccedil;&otilde;es de poder e de submiss&atilde;o, de manipula&ccedil;&atilde;o,    de sadismo e de uma gama de outras possibilidades. Essas formas de intera&ccedil;&atilde;o    s&atilde;o influenciadas pelas rela&ccedil;&otilde;es familiares anteriores:    entretanto, o processo de doen&ccedil;a pode inverter algumas delas. Assim,    por exemplo, se &eacute; o pai que est&aacute; doente e se antes era ele uma    pessoa tir&acirc;nica, poderosa e os filhos submissos, no processo de doen&ccedil;a    ele pode agora estar sob os seus cuidados, invertendo-se a rela&ccedil;&atilde;o.    Esses tipos de altera&ccedil;&otilde;es podem causar muito sofrimento at&eacute;    poderem ser assimilados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A tarefa de acompanhar um paciente em tratamento de c&acirc;ncer &eacute; muito    dif&iacute;cil, estressante e desafiadora para quem mant&eacute;m v&iacute;nculos    afetivos estreitos com o enfermo. Essa pessoa, que na condi&ccedil;&atilde;o    de familiar e cuidador do paciente, j&aacute; sofrera o impacto do diagn&oacute;stico    e da decis&atilde;o de fazer o transplante de medula &oacute;ssea, agora se    v&ecirc; diante de uma outra responsabilidade, que &eacute; auxiliar totalmente    o paciente no decorrer se seu tratamento, que muitas vezes dura anos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O cuidador assume um papel que lhe &eacute; imposto pela circunst&acirc;ncia    e por um desejo exorbitante de ajudar e estar ao lado da pessoa amada. Apesar    de, no in&iacute;cio, ele achar que esta miss&atilde;o naturalmente seja sua,    o que acontece &eacute; que este cuidador familiar ainda n&atilde;o tem a no&ccedil;&atilde;o    do trabalho que lhe espera e do quanto lhe ser&aacute; exigido.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os acompanhantes, tomados muitas vezes pela ansiedade e pela incapacidade de    absorver todas as informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas que lhe s&atilde;o    passadas pela equipe m&eacute;dica, freq&uuml;entemente acabam desempenhando    este papel de forma alucinada e por vezes esquecem que existe urna fam&iacute;lia    a qual ele pertence e que pede por sua presen&ccedil;a.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Mendes (1995), na literatura existente sobre cuidadores de pacientes    dependentes comentada por Barer e Johnson (1990), &eacute; consenso apenas a    caracter&iacute;stica estressante da atividade de cuidar. Os crit&eacute;rios    utilizados para identificar esses cuidadores, no entanto, n&atilde;o s&atilde;o    claros, existindo m&uacute;ltiplas defini&ccedil;&otilde;es. Algumas delas restringem    os cuidadores &agrave; esfera das rela&ccedil;&otilde;es familiares, ou seja,    o cuidador &eacute; definido, pelos v&iacute;nculos parentais existentes com    a pessoa cuidada. Outras defini&ccedil;&otilde;es s&atilde;o baseadas no tipo    de cuidados prestados ao paciente dependente, podendo ser caracterizado como    cuidador desde aquele que d&aacute; apenas uma retaguarda por cuidados at&eacute;    aquele que oferece dedica&ccedil;&atilde;o exclusiva por longos per&iacute;odos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo estes autores, a defini&ccedil;&atilde;o dada por Stone, Cafferata &    Sang (1987) &eacute; a mais expl&iacute;cita, pois distingue o cuidador principal    e o secund&aacute;rio segundo o grau de envolvimento experimentado por cada    um nos cuidados prestados ao paciente. O cuidador principal &eacute; aquele    que tem a total ou a maior responsabilidade pelos cuidados prestados ao idoso    dependente, no dom&iacute;cilio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os cuidadores secund&aacute;rios seriam os familiares, volunt&aacute;rios e    profissionais, que prestam atividades complementares. Usa-se a denomina&ccedil;&atilde;o    de cuidador formal (principal ou secund&aacute;rio) o profissional contratado,    (atendente de enfermagem, acompanhante, empregada dom&eacute;stica, etc.) e    de cuidador informal, usualmente, os familiares, amigos e volunt&aacute;rios    da comunidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   De fato, essas defini&ccedil;&otilde;es n&atilde;o d&atilde;o conta do processo    de cuidar de um paciente dependente, reduzindo o foco da an&aacute;lise &agrave;    atividade em si.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Uma doen&ccedil;a grave n&atilde;o atinge s&oacute; a pessoa doente, mas toda    a fam&iacute;lia que passa a ser a unidade de cuidados (Parkes, 1986).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Portanto, assim como os pacientes, os cuidadores passam tamb&eacute;m por fases    neste processo de hospitaliza&ccedil;&atilde;o (Torrano-Masetti, Oliveira, Santos,    2000):</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1. Fase de adapta&ccedil;&atilde;o    - os acompanhantes verbalizam o fato de n&atilde;o terem conseguido "guardar"    (reter na mem&oacute;ria) todas as informa&ccedil;&otilde;es que eram passadas    pela equipe de profissionais e se justificam - ora se responsabilizando, ora    responsabilizando a equipe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   2. Repercuss&otilde;es do diagn&oacute;stico - inc1uemse nesta categoria, as    rea&ccedil;&otilde;es, sentimentos, atitudes e condutas suscitadas no acompanhante/cuidador    e demais familiares, ap&oacute;s a comunica&ccedil;&atilde;o do diagn&oacute;stico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   a) Impacto do diagn&oacute;stico: esse era sempre apontado como o pior momento:    a descoberta da doen&ccedil;a colocava-se como uma linha divis&oacute;ria em    suas vidas. &Eacute; muito mais freq&uuml;ente aqui o surgimento da met&aacute;fora    de uma bomba, que veio do nada, destruiu tudo O que havia sido constru&iacute;do    e o que se planejava construir.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   b) Aceita&ccedil;&atilde;o da doen&ccedil;a: &eacute; um processo gradual, que    em geral evolui desde a nega&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica    at&eacute; sua assimila&ccedil;&atilde;o e resigna&ccedil;&atilde;o. A comunica&ccedil;&atilde;o    do diagn&oacute;stico era acompanhada sempre de sentimentos de revolta ou indigna&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Cada membro da fam&iacute;lia pode reagir de maneiras muito diversas e, segundo    Frude (1991), isso pode estar relacionado com a forma como significam e interpretam    a doen&ccedil;a e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias. De acordo com Kov&aacute;cs    (1992), cada membro da fam&iacute;lia pode passar por essas fases acima citadas,    que nem sempre s&atilde;o coincidentes em tempo e intensidade, provocando desequil&iacute;brio,    mal-estar e necessidade de novas formas de relacionamento entre os seus membros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Considerando-se a fam&iacute;lia como um organismo, o surgimento de uma doen&ccedil;a    tende a provocar uma reorganiza&ccedil;&atilde;o na sua estrutura e distribui&ccedil;&atilde;o    de pap&eacute;is. Dependendo do lugar que o paciente ocupa na fam&iacute;lia;    se &eacute;, por exemplo, o chefe que garante o sustento dos outros ou se &eacute;    aquele que prov&ecirc; a casa, garantindo os cuidados, a n&atilde;o-possibilidade    de realiza&ccedil;&atilde;o dessas fun&ccedil;&otilde;es vai demandar que os    outros membros tenham que cuidar dessa parte e se reorganizarem para que estas    fun&ccedil;&otilde;es sejam mantidas (Kov&aacute;cs, 1992).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Objetivo</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente estudo tem como objetivo fazer uma an&aacute;lise qualitativa das    mudan&ccedil;as ocorridas na vida dos cuidadores familiares de pacientes com    leucemia, internados na Cl&iacute;nica de Hematologia do Hospital de Cl&iacute;nicas    da USP.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Visamos conhecer um pouco os conte&uacute;dos emocionais, ansiedades e fantasias    expressos atrav&eacute;s do instrumento projetivo de Procedimento de Desenhos-Est&oacute;rias    com Tema, sobretudo, de buscar compreender melhor as conseq&uuml;&ecirc;ncias    dos tratamentos dados a esses pacientes, nas fam&iacute;lias dos mesmos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O estudo n&atilde;o pretende apresentar generaliza&ccedil;&otilde;es, mas promover    discuss&otilde;es sobre o tema, buscando assim uma compreens&atilde;o do fen&ocirc;meno    em algumas dessas pessoas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Método</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>1. M&eacute;todo    cl&iacute;nico</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Este trabalho configura um estudo cl&iacute;nico qualitativo, de natureza longitudinal,    desenvolvido a partir da an&aacute;lise de cinco cuidadores familiares de pacientes    com diagn&oacute;stico de leucemia, internados na Cl&iacute;nica Hematol&oacute;gica    do Hospital das Cl&iacute;nicas da USP, devido ao meu interesse em compreender    de forma mais clara as mudan&ccedil;as ocorridas nas vidas desses familiares    depois que passam a se tornar cuidadores de pacientes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Estudos que utilizam desse m&eacute;todo n&atilde;o procuram a regularidade    como objetivo b&aacute;sico; ao contr&aacute;rio, prop&otilde;em-se a observar    os fen&ocirc;menos quando e onde surgem, independentemente de sua freq&uuml;&ecirc;ncia    num conjunto de sujeitos (Anderson & Anderson, 1967, apud Trinca, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Trinca (1997), deste enfoque procede a id&eacute;ia de que as verdadeiras    vari&aacute;veis de personalidade s&atilde;o aquelas que se revelam tal como    ocorrem no indiv&iacute;duo, e que os diferentes esquemas apresentados no processo    de intera&ccedil;&atilde;o s&atilde;o essenciais para a obten&ccedil;&atilde;o    e a ordena&ccedil;&atilde;o dos dados da s&eacute;rie de processos organizados,    que denominamos din&acirc;mica da personalidade. A utiliza&ccedil;&atilde;o    do m&eacute;todo cl&iacute;nico parte da suposi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica    de que as respostas do sujeito n&atilde;o s&atilde;o produzidas por mero acaso    mas, pelo contr&aacute;rio, s&atilde;o determinadas pelas condi&ccedil;&otilde;es    psicol&oacute;gicas da pessoa. Por n&atilde;o fornecerem ao indiv&iacute;duo    est&iacute;mulo externo ou dire&ccedil;&atilde;o para agir, h&aacute; uma grande    liberdade para este manifestar-se favorecendo o surgimento de contextos ps&iacute;quicos    inconscientes que refletir&atilde;o a organiza&ccedil;&atilde;o fundamental    de sua personalidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   De acordo com Dorin (1978, apud Flores 1984), o m&eacute;todo cl&iacute;nico    n&atilde;o se presta para demonstrar a exist&ecirc;ncia de leis, mas sim para    fornecer ind&iacute;cios, provocar hip&oacute;teses e enriquecer as discuss&otilde;es    sobre o assunto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>2. Amostra</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os cinco sujeitos selecionados para esse estudo s&atilde;o cuidadores familiares    de pacientes internados na Cl&iacute;nica de Hematologia do Hospital das Cl&iacute;nicas    da USP, que no momento da aplica&ccedil;&atilde;o do instrumento estavam presentes    na enfermaria e dispostos a colaborar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>3. Instrumento</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>a) Entrevista</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Primeiramente    foi feita uma entrevista preliminar com o cuidador para garantir a compreens&atilde;o    do mesmo sobre este estudo e, em seguida, a aplica&ccedil;&atilde;o de um question&aacute;rio    que visava levantar dados sobre o grau de parentesco desse familiar em rela&ccedil;&atilde;o    ao paciente, as mudan&ccedil;as ocorridas em sua vida ap&oacute;s o in&iacute;cio    de seu trabalho como cuidador e de que forma esta fun&ccedil;&atilde;o lhe foi    atribu&iacute;da. (ver <b>Anexos 1 e 2</b>)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>b) Procedimento    de desenhos-est&oacute;rias com tema</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Em um segundo momento, utilizamos o Procedimento de Desenhos-Est&oacute;rias    com Tema, pois sua fundamenta&ccedil;&atilde;o &eacute; baseada em princ&iacute;pios    de associa&ccedil;&atilde;o livre aliados a princ&iacute;pios de organiza&ccedil;&atilde;o    do material, a partir de dados incompletos, ou pouco estruturados, em que o    indiv&iacute;duo tenha liberdade de composi&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m desta    t&eacute;cnica projetiva destinar-se a investiga&ccedil;&atilde;o de aspectos    da din&acirc;mica da personalidade, especialmente quando esta apresenta comprometimento    emocional. Proporcionando ainda, meios de incentivar a express&atilde;o e a    comunica&ccedil;&atilde;o de conflitos e perturba&ccedil;&otilde;es inconscientes    da personalidade, ajudando na elucida&ccedil;&atilde;o desses dinamismos (Trinca,    1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Segundo Aiello-Vaisberg (1987), o Procedimento de Desenhos-Est&oacute;rias com    Tema foi desenvolvido a partir do Procedimento de Desenhos-Est&oacute;ria (Trinca,    1976), tendo em vista a pesquisa de representa&ccedil;&otilde;es sociais. Sua    utiliza&ccedil;&atilde;o em diversos trabalhos proporcionou urna riqueza de    material pass&iacute;vel de ser interpretado psicanaliticamente, elucidando    os pressupostos l&oacute;gico-emocionais estruturantes das representa&ccedil;&otilde;es,    vale dizer, seu inconsciente relativo. O Desenho-Est&oacute;ria pode ser empregado    para o conhecimento dos focos conflitivos que se expressam corno desajustamentos    emocionais, pois tanto a produ&ccedil;&atilde;o gr&aacute;fica como a verbal,    devem ser consideradas como mensagens com as quais o sujeito responde &agrave;s    solicita&ccedil;&otilde;es do pesquisador. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Este procedimento tem se revelado um facilitador da express&atilde;o de aspectos    inconscientes, que est&atilde;o relacionados com foco de ang&uacute;stias presentes    em determinado momento ou em determinada situa&ccedil;&atilde;o da vida da pessoa    e, de acordo com Tardivo (1987), o Procedimento de Desenhos-Est&oacute;rias    &eacute; um instrumento aberto, cujas possibilidades de utiliza&ccedil;&atilde;o    e avalia&ccedil;&atilde;o est&aacute; se adaptando &agrave; medida que avan&ccedil;a    o conhecimento (Trinca, 1987).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <i>4. Procedimentos</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os cinco sujeitos selecionados para este estudo s&atilde;o cuidadores familiares    de pacientes internados na Cl&iacute;nica de Hematologia do Hospital das Cl&iacute;nicas    da USP, que no momento da solicita&ccedil;&atilde;o para participarem do estudo,    estavam presentes na enfermaria e dispostos a colaborar com o mesmo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Os cuidadores foram submetidos individualmente a uma entrevista que contou com    dois momentos distintos de coleta de dados, primeiramente a responder o question&aacute;rio    e em seguida a fazer um desenho-est&oacute;ria com terna. Todo o procedimento    foi realizado em salas dispon&iacute;veis ou na sacada da pr&oacute;pria Enfermaria    de Hematologia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O tema escolhido para o desenho foi o de urna pessoa internada em um hospital,    para que pud&eacute;ssemos elucidar a express&atilde;o subjetiva dos sentimentos,    ansiedades e expectativas desses familiares, no momento atual de interna&ccedil;&atilde;o    dos pacientes com doen&ccedil;as hematol&oacute;gicas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Resultados</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando os cinco desenhos tem&aacute;ticos como produ&ccedil;&otilde;es    de um grupo de cuidadores familiares de pacientes internados, percebem-se manifesta&ccedil;&otilde;es    de conte&uacute;dos de expressividade gr&aacute;fica bastante semelhantes. Essas    manifesta&ccedil;&otilde;es nos leva a inferir que a dificuldade em lidar e    cuidar de um ente familiar enfermo &eacute; peculiar em todos os desenhos e    est&aacute; ancorada na esfera psicoafetiva desses sujeitos, pois a tristeza,    a impot&ecirc;ncia, assim como a expressividade verbal contada nas hist&oacute;rias    fazem emergir, nessa esfera da afetividade, um elemento significativo, as expectativas    diante do desconhecido e a emin&ecirc;ncia da morte, objetivado e motivado por    diferentes causas individuais, que v&atilde;o desde sentimentos como medo, ang&uacute;stia    e responsabilidade do cuidar, at&eacute; a problem&aacute;tica de conflitos    nas mudan&ccedil;as ocorridas na vida e na estrutura&ccedil;&atilde;o familiar.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09f1.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta produ&ccedil;&atilde;o o que fica, principalmente demonstrado no rosto    da pessoa internada, &eacute; a aus&ecirc;ncia de olhos, nariz e boca, que pode    indicar aus&ecirc;ncia de rela&ccedil;&atilde;o com o meio, dificuldade de contato,    fuga &agrave;s respostas e aos est&iacute;mulos exteriores e imaturidade para    se comunicar com outros na situa&ccedil;&atilde;o de crise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09f2.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta produ&ccedil;&atilde;o    feita em eixo horizontal do papel, observa-se um comportamento controlado, desejando    satisfazer suas necessidades e impulsos. O desenho da figura humana do acompanhante    do quarto &eacute; graficamente mais detalhado do que o pr&oacute;prio familiar    internado, estabelecendo uma dificuldade em lidar com a <i>situa&ccedil;&atilde;o/problema    atual</i>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09f3.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de centralizado,    esta produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o possui detalhe algum, tampouco a presen&ccedil;a    de objetos que caracterizam um paciente internado em um hospital, o que pode    demonstrar um sentimento de vazio e energia esgotada, caracter&iacute;stica    de indiv&iacute;duos que empregam defesas pelo retraimento e, as vezes, depress&atilde;o    em situa&ccedil;&otilde;es de crise, evitando entrar em contato com os sentimentos    que incomodam.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09f4.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta produ&ccedil;&atilde;o, a leve press&atilde;o ao desenhar oferece indica&ccedil;&atilde;o    sobre o baixo n&iacute;vel de energia do sujeito, o medo e a impot&ecirc;ncia    diante da situa&ccedil;&atilde;o que o envolve. Mostra um fraquejador do ego,    atrav&eacute;s de uma figura humana pouco definida, com aus&ecirc;ncia de um    bra&ccedil;o e de pesco&ccedil;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09f5.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta produ&ccedil;&atilde;o, feita na linha superior acima do ponto m&eacute;dio    da p&aacute;gina, pode indicar um desajuste do indiv&iacute;duo com rela&ccedil;&atilde;o    &agrave;s suas dificuldades, pois acha que est&aacute; lutando muito e talvez    sua meta seja inating&iacute;vel, tendendo a procurar satisfa&ccedil;&atilde;o    na fantasia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Discussão</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Considerando que se buscou fazer uma an&aacute;lise qualitativa das mudan&ccedil;as    ocorridas na vida dos cuidadores familiares de pacientes internados com doen&ccedil;as    hematol&oacute;gicas, os resultados s&atilde;o apresentados de forma que a s&iacute;ntese    referente ao material coletado na entrevista (question&aacute;rio e teste projetivo)    &eacute; acompanhada de coment&aacute;rios que refletem uma an&aacute;lise cr&iacute;tica    do conte&uacute;do expresso pelos sujeitos, al&eacute;m dos referenciais te&oacute;ricos    encontrados na literatura estudada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Fazendo uma reflex&atilde;o    mais abrangente sobre o conte&uacute;do das entrevistas dos sujeitos, de acordo    com Ross (1991), existem sentimentos que s&atilde;o experimentados pelos familiares    durante o processo de uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica; quando &eacute; informado    da doen&ccedil;a, o paciente e seu cuidador, deparam-se com um choque inicial    e sentimentos de nega&ccedil;&atilde;o, como os relatos de algumas entrevistas    podem exemplificar: <i>"No come&ccedil;o eu achava que era s&oacute; uma    anemia que a minha esposa tinha, eu nem podia pensar que era uma coisa mais    grave que isso ... eu falava que tudo ia passar depois dos exames... ia tomar    um rem&eacute;dio e tudo bem. " ; " No come&ccedil;o eu n&atilde;o    sabia o que fazer, na verdade eu nem entendia direito o que estava acontecendo...    nossa vida se transformou da noite para o dia, nos pegou desprevenidos"</i>.    A seguir um relato da est&oacute;ria contada por uma m&atilde;e cuidadora de    filha (17 anos) portadora de leucemia h&aacute; quatro anos, a partir do procedimento    do desenho solicitado: <i>"Alguns anos atr&aacute;s, eu conheci uma pessoa    em meu ventre. Cuidei dela at&eacute; os doze anos de idade como se fosse uma    princesa cheia de sa&uacute;de. Algum tempo depois eu descobri que ela tinha    uma doen&ccedil;a, a&iacute; eu passei a cuidar dela com mais carinho e amor    ainda... e cuido at&eacute; hoje. Eu cuido hoje e cuidarei sempre porque al?ora    Deus mostrou pra mim e pra ela um meio de ser curada: o transplante. E da&iacute;    por diante, com a gra&ccedil;a de Deus e de Nossa Senhora ela vai poder ter    a sua vida normal de volta. Para ela poder curtir as coisas boas que Deus deixou    para n&oacute;s. Assina sua m&atilde;e que vai lhe amar hoje, amanh&atilde;    e sempre"</i>. T&iacute;tulo da Est&oacute;ria: A Bela Adormecida.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Existe uma recusa e uma incapacidade de aceitar suas condi&ccedil;&otilde;es    atuais. Em um segundo momento, &eacute; mobilizado raiva, f&uacute;ria, havendo questionamentos    sobre o porqu&ecirc; desse fato ter acontecido com ele e chega-se a invejar    a sa&uacute;de de outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Existe uma tentativa    de barganhar ou adiar O inevit&aacute;vel. Segundo Ross (1991), os familiares    buscam negociar com Deus, fazendo promessas relacionadas com a sa&uacute;de    e cura do paciente. Em um outro momento, os familiares se deprimem, havendo    lugar para sentimentos como raiva, tristeza e perda: <i>"Eu imploro a Deus    pra que tire o meu irm&atilde;o dessa ... ele mora comigo h&aacute; dez anos.    Nossos pais est&atilde;o no Nordeste, e n&atilde;o sei o que seria se alguma    coisa de ruim acontecesse. Mas Deus est&aacute; do nosso lado e n&atilde;o vai    nos abandonar. Eu prometi que, quando tudo isso acabasse, n&oacute;s todos da    faml1ia vamos nos encontrar, com ou sem dinheiro vamos dar um jeito"</i>.    No final, aceita-se a condi&ccedil;&atilde;o do paciente e diminui-se a agita&ccedil;&atilde;o    pr&eacute;via, aumentando a expectativa de cura e tranq&uuml;ilizando a fam&iacute;lia,    como descreve a filha da paciente com diagn&oacute;stico de anemia pl&aacute;stica    severa: <i>"N&oacute;s temos que ter f&eacute; em Deus e nos m&eacute;dicos    que est&atilde;o aqui com todo carinho para cuidar da minha m&atilde;e, afinal    n&oacute;s estamos em um dos melhores hospitais daqui, temos que acreditar que    as coisas v&atilde;o melhorar"</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Pudemos perceber    que o cotidiano do cuidador &eacute; radicalmente modificado pela doen&ccedil;a,    como narra uma m&atilde;e que tem sua filha internada na unidade: <i>"Eu    agora vivo em fun&ccedil;&atilde;o de minha filha, n&atilde;o consigo deix&aacute;-la    nem um minuto sequer. Nem mesmo ela me deixa sair deste quarto. N&oacute;s sempre    fomos amigas, mas agora &eacute; diferente... somos unidas"</i>. Velhas    rela&ccedil;&otilde;es pessoais est&atilde;o sendo redefinidas. Novas atividades    e rela&ccedil;&otilde;es pessoais e sociais est&atilde;o sendo introduzidas    em seu cotidiano. <i>"Agora eu passo a maior parte do meu tempo lendo e    conversando com Deus"</i>. De certa forma a doen&ccedil;a p&otilde;e em    suspens&atilde;o a vida cotidiana da fam&iacute;lia. Uma nova vida cotidiana    se instala aos poucos. <i>"Nossa rotina &eacute; acordar, ir para o trabalho,    passar no hospital para ver o meu irm&atilde;o, voltar para casa e rezar antes    de deitar"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Esta suspens&atilde;o da vida cotidiana n&atilde;o &eacute; fuga; &eacute; um    circuito, porque se sai dela e se retoma a ela de forma modificada. &Agrave;    medida que essas suspens&otilde;es tornam-se freq&uuml;entes, a reapropria&ccedil;&atilde;o    do ser gen&eacute;rico torna-se mais profunda e a percep&ccedil;&atilde;o do    cotidiano fica mais enriquecida (Falc&atilde;o, 1987).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Como descreve    Rolland (1998) apud Torrano-Massetti (2000), as fam&iacute;lias enfrentam a    perda da vida "normal", tal como era antes do diagn&oacute;stico,    sendo obrigadas a fazerem o luto pela perda da condi&ccedil;&atilde;o de vida    que tinham enquanto unidade familiar antes da doen&ccedil;a, assim como descorre    a m&atilde;e de uma paciente jovem: <i>"Ela sempre foi a nossa princesinha.    Nossa vida era t&atilde;o boa e feliz... e agora vem essa bomba que parece que    destr&oacute;i tudo e que n&atilde;o explica o porqu&ecirc; ... ela sempre foi    fraquinha, tinha muita anemia quando era pequena... mas n&oacute;s estamos todos    juntos, meu marido, ela e o meu filho mais novo que com a gra&ccedil;a de Deus    foi cem por cento compat&iacute;vel para doar a medula"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   S&atilde;o momentos densos demais para serem compreendidos e internalizados    de imediato. Sem a tomada de consci&ecirc;ncia das rela&ccedil;&otilde;es pessoais    que cada nova atividade desenvolve, esta mesma atividade permanece como algo    exterior.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Pode-se notar    que o Procedimento de Desenho-Est&oacute;ria p&ocirc;de ser um instrumento facilitador    que levou o cuidador a refletir sobre a sua nova vida cotidiana, lan&ccedil;ando    um novo olhar sobre o que faz e sobre as dimens&otilde;es do que faz, como citou    a filha de uma paciente com anemia: <i>"A minha vida nunca foi muito legal,    eu nunca fiz muitas coisas por mim, mas agora eu tenho uma fun&ccedil;&atilde;o    importante... eu cuido dela com carinho e ela sente isso da minha parte, mesmo    que n&oacute;s n&atilde;o conversamos sobre isso. Eu sei que a minha m&atilde;e    depende de mim neste momento e eu estarei sempre aqui"</i>. O momento da    pesquisa fornece a dist&acirc;ncia necess&aacute;ria para que o cuidador passe    a repensar as mudan&ccedil;as que ocorreram em si mesmo no cumprimento da responsabilidade    que exerce na situa&ccedil;&atilde;o em que se encontra: <i>"Eu desenhei    um palha&ccedil;o sorrindo, que diverte as pessoas, que vem para ajudar e que    faz sorrir, mas com uma l&aacute;grima no rosto caindo ... o t&iacute;tulo da    minha est&oacute;ria &eacute; o contr&aacute;rio do que eu estou sentindo neste    momento O Palha&ccedil;o Feliz"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   N&atilde;o &eacute; apenas o fazer que define a identidade do cuidador, mas    a consci&ecirc;ncia da atividade de cuidar e o significado desta em sua vida.    Refletindo sobre o que faz e as rela&ccedil;&otilde;es que esta atividade cria    no seu cotidiano, que a pessoa passa a identificar-se ou n&atilde;o com este    novo papel. Este &eacute; um processo que n&atilde;o acontece de repente: a    consci&ecirc;ncia s&oacute; surge com o passar tempo (Mendes, 1995).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Segundo a mesma    autora, ao assumir a tarefa de cuidar de uma pessoa de sua rela&ccedil;&atilde;o    familiar, o cuidador o faz sem questionamentos. Tal atividade &eacute; colocada    como uma obriga&ccedil;&atilde;o, um dever, s&atilde;o os sentimentos e a responsabilidade    moral do cuidador com rela&ccedil;&atilde;o ao outro que o impelem a isso; destacam-se    aqui dois relatos das entrevistas: <i>"Eu sou a m&atilde;e. Quem mais haveria    de cuidar da minha filha?" ; "Meu pai trabalha, meu irm&atilde;o tamb&eacute;m,    e minha irm&atilde; &eacute; uma adolescente que estuda e n&atilde;o tem condi&ccedil;&otilde;es    para isso. Se minha m&atilde;e n&atilde;o tivesse mais filhos, tudo bem de pedir    ajuda para o restante da fam&iacute;lia, como uma tia ou uma irm&atilde; de    minha m&atilde;e ". mas eu sou afilha e posso fazer isso ". eu devo    ajudar quando eu posso"</i>. Os sentimentos s&atilde;o sempre mediados    pelos valores morais. O bem e O mau imperam no pr&oacute;prio ato de sentir.    Assumir que gosta ou n&atilde;o da atividade de cuidar &eacute; um assumir com    implica&ccedil;&otilde;es morais, ser bom ou n&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O cuidador pensa    muito ao responder as perguntas sobre o que sente desempenhando tais cuidados;    demonstra uma atitude de surpresa. No in&iacute;cio, n&atilde;o consegue exprimir    O que sente e manifesta quase sempre apenas medo: <i>"Foi dif&iacute;cil    suportar tudo isso de uma vez... eu tive medo do que ia acontecer com a nossa    fam&iacute;lia"</i>. Parece que no in&iacute;cio, raiva, nojo, irrita&ccedil;&atilde;o,    culpa, revolta, perda de liberdade ou injusti&ccedil;a s&atilde;o sentimentos    que n&atilde;o podem ser experimentados. &Eacute; como se existisse um veto    que impedisse que a atividade de cuidar fosse analisada em sua concretude. Os    sentimentos de rep&uacute;dio s&atilde;o contrapostos com a norma moral do dever    de cuidar.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Existe uma din&acirc;mica no processo de cuidar. &Eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o    tencionada em que os sujeitos envolvidos (cuidador e paciente) constroem seus    espa&ccedil;os respectivos, dentro dos limites dessa nova inter-rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Segundo Mendes    (1995), a din&acirc;mica das rela&ccedil;&otilde;es familiares tamb&eacute;m    possui rela&ccedil;&otilde;es de micropoderes. Ao tomar-se O cuidador principal,    as rela&ccedil;&otilde;es de poder s&atilde;o alteradas na esfera familiar.    Saber cuidar tamb&eacute;m reveste-se de um poder, cuja legitimidade vai sendo    constru&iacute;da na rela&ccedil;&atilde;o familiar onde o cuidar &eacute; reconhecido    como uma atividade imprescind&iacute;vel e espec&iacute;fica, assim como relatou    o esposo de uma paciente internada: <i>"Eu n&atilde;o sei o que seria da    sa&uacute;de da minha mulher se a nossa filha n&atilde;o estivesse aqui com    ela. Ela &eacute; o meu bra&ccedil;o direito, o esquerdo e todo o corpo ".Coitada,    ela deixou de viver a vida dela para estar aqui ao lado da m&atilde;e ".    Ainda bem que eu tenho ela aqui pra segurar esta barra"</i>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Com o passar do    tempo, o cuidador familiar tem necessidade de falar de sua vida, de sua rela&ccedil;&atilde;o    com O paciente, de sua inseguran&ccedil;a, de sua tens&atilde;o, da fam&iacute;lia    diante do paciente e dos cuidados, dos conflitos com o paciente e demais familiares,    de sua responsabilidade e de sua op&ccedil;&atilde;o de cuidar do outro, como    relata a esposa de um paciente com leucemia e j&aacute; transplantado: <i>"A    minha vida agora &eacute; cuidar de meu marido. Eu venho todos os dias, mas    quem est&aacute; sofrendo mesmo com afalta dele &eacute; minha filhinha de tr&ecirc;s    anos ". Ela s&oacute; pergunta 'cad&ecirc; o papai?' ... eu n&atilde;o    conto com a ajuda de muita gente n&atilde;o, gra&ccedil;as a Deus eu tenho sa&uacute;de    pra tocar sozinha essa tarefa"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O dia-a-dia do cuidador &eacute; constru&iacute;do em virtude das necessidades    do outro. Lidar com este novo cotidiano &eacute; muito dif&iacute;cil. O sujeito    que se transforma em cuidador foi surpreendido pela doen&ccedil;a, e as informa&ccedil;&otilde;es    dadas sobre O transplante de medula &oacute;ssea s&atilde;o insuficientes para    responder &agrave;s necessidades que v&atilde;o surgindo na pr&aacute;tica di&aacute;ria.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Segundo Kov&aacute;cs    (1992), a interna&ccedil;&atilde;o de um membro da fam&iacute;lia provoca profundas    altera&ccedil;&otilde;es na vida familiar, tanto no sentido de afastamento do    doente do conv&iacute;vio no lar, dos filhos, dos amigos, do lazer, da escola    e das atividades cotidianas, como no deslocar os familiares para o hospital,    como relata o irm&atilde;o de um paciente transplantado: <i>"Eu acho que    meu irm&atilde;o se sente muito s&oacute; por aqui, longe de todo mundo que    ele gosta, s&oacute; ouvindo e vendo desgra&ccedil;a todo dia, gente chorando,    sofrendo e at&eacute; morrendo ... essa semana ele ainda est&aacute; pior ainda    por causa das feridas na boca ... nem falar ele consegue"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Todos esses aspectos    podem ter forte influ&ecirc;ncia na forma como a fam&iacute;lia vai lidar com    as demandas exigidas pela doen&ccedil;a; mas os padr&otilde;es de cada fam&iacute;lia,    sua organiza&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is,    fun&ccedil;&otilde;es e formas de enfrentamento ter&atilde;o forte influ&ecirc;ncia    no manejo da situa&ccedil;&atilde;o, assim como narra a esposa de um paciente;    <i>"Se cada l&aacute;grima que ca&iacute;sse do meu rosto fosse salvar    o meu marido, eu passava todos os dias da minha vida chorando ... mas as coisas    n&atilde;o s&atilde;o assim; eu preciso trazer for&ccedil;a e alegria pra ele,    e n&atilde;o ficar aqui triste e pensando no pior"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ao ser questionado    sobre a sua sa&uacute;de, o seu lazer, a sua vida social, o cuidador p&aacute;ra    e pensa em si, descobrindo que n&atilde;o tem muito que falar, como relata uma    m&atilde;e: <i>"Faz assim uns oito meses que n&oacute;s n&atilde;o podemos    ir ao shopping, ao parque ... a gente fica com medo da nossa filha pegar alguma    coisa pelo ar porque ela est&aacute; sempre fraca e sem defesa no corpo, ent&atilde;o    n&atilde;o podemos abusar muito"</i>. A sua nova vida &eacute; realizada    atrav&eacute;s desta nova rela&ccedil;&atilde;o. O fato de estar cuidando do    outro significa aparentemente que sua sa&uacute;de esta boa e que est&aacute;    em condi&ccedil;&otilde;es de se dedicar exclusivamente a essa nova atividade;    <i>"A minhafaml1ia n&atilde;o tinha dinheiro para eu estudar em um curso    caro, mas este ano deu para eu come&ccedil;ar a fazer o curso de auxiliar de    enfermagem que eu queria... s&oacute; que a minha m&atilde;e ficou doente, e    eu parei tudo pra cuidar dela ... eu n&atilde;o deixaria ela s&oacute; quando    mais precisa de mim"</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Assumindo a condi&ccedil;&atilde;o de cuidador, as pessoas se redefinem e criam    novas rela&ccedil;&otilde;es no seu fazer. Uma nova imagem de si &eacute; gestada    para si e para o outro. Esta percep&ccedil;&atilde;o de si e do outro &eacute;    um processo dial&eacute;tico que leva o cuidador a transformar-se e construir    um novo eu.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Conclusão</font></b></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foi poss&iacute;vel, pelos instrumentos utilizados, fazer uma an&aacute;lise    das mudan&ccedil;as ocorridas e das fases do processo de hospitaliza&ccedil;&atilde;o    na vida de cuidadores familiares de pacientes internados com diagn&oacute;stico    de doen&ccedil;as hematol&oacute;gicas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Verificou-se que quando uma doen&ccedil;a grave atinge um pessoa, toda a fam&iacute;lia    &eacute; submetida aos temores desse diagn&oacute;stico e futuro tratamento.    S&atilde;o tomados por d&uacute;vidas, medos e expectativas quanto &agrave;    recupera&ccedil;&atilde;o e cura da enfermidade. Dessa forma, tanto os pacientes    como seus cuidadores familiares passam por diferentes est&aacute;gios psicol&oacute;gicos    durante o processo de hospitaliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Apesar de cada cuidador passar pelas fases de impacto do diagn&oacute;stico,    nega&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o patol&oacute;gica, ansiedade    e medo diante da possibilidade de morte, aceita&ccedil;&atilde;o e assimila&ccedil;&atilde;o    das informa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas da doen&ccedil;a e tratamento,    tentativas de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas condi&ccedil;&otilde;es    de vida e expectativas quanto ao tratamento e cura, elas nem sempre s&atilde;o    coincidentes em tempo e intensidade, mas o que &eacute; confirmado nas entrevistas    e na literatura pesquisada &eacute; que o surgimento da doen&ccedil;a grave    provoca um desequil&iacute;brio geral em um estado pr&eacute;-existente de estrutura&ccedil;&atilde;o    familiar, isto &eacute;, um mal-estar e um medo generalizado impactuam esta    fam&iacute;lia que se depara com a possibilidade de finitude de um de seus membros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A atividade de cuidar de um membro da fam&iacute;lia doente, exige que o cuidador    se coloque objetiva e subjetivamente no seu novo cotidiano de forma inteira.    Este cotidiano o absorve de forma total, n&atilde;o existindo muito espa&ccedil;o    para outras atividades, como o trabalho que teve de ser abandonado, o lazer    que teve de ser adiado, o restante da fam&iacute;lia que teve que compreender    a falta de um de seus membros no seu lar, e a escola que teve de ser adiada,    com exce&ccedil;&atilde;o das conversas com Deus, cuja companhia &eacute; indispens&aacute;vel    para a sobreviv&ecirc;ncia com a enfermidade e a possibilidade da morte e as    conversas com os acompanhantes de outros pacientes da enfermaria que passam    pelo mesmo momento de vida e podem compreender e acolher as lamenta&ccedil;&otilde;es    e medos de cada cuidador.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A constru&ccedil;&atilde;o de sua nova identidade como cuidador ocorre no pr&oacute;prio    processo de cuidar; &eacute; no fazer que a dimens&atilde;o de cuidar vai sendo    internalizada e concretizada. &Eacute; pensando no que faz e nas rela&ccedil;&otilde;es    que esta atividade desencadeia no seu cotidiano que ele passa a construir sua    identidade de cuidador, exigindo deste sujeito, criatividade, energia, modos    de supera&ccedil;&atilde;o das afli&ccedil;&otilde;es e medos e, acima de tudo,    afeto. Afeto este que &eacute; intensamente ampliado na rela&ccedil;&atilde;o    cuidador-paciente, pois transforma essa uni&atilde;o familiar j&aacute; existente    numa rela&ccedil;&atilde;o imposta e ao mesmo tempo natural, de depend&ecirc;ncia    e aceita&ccedil;&atilde;o entre ambos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Cuidar de um familiar dependente com diagn&oacute;stico de doen&ccedil;a grave    hematol&oacute;gica &eacute; uma atividade nova para a qual os cuidadores ainda    n&atilde;o est&atilde;o preparados e n&atilde;o sabem o que os aguarda, mas    que v&atilde;o descobrir e construir na situa&ccedil;&atilde;o de necessidade.    As altera&ccedil;&otilde;es bruscas e muitas vezes radicais que se operam na    din&acirc;mica familiar desarticulam e desestabilizam os personagens ap&oacute;s    o impacto do diagn&oacute;stico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O processo conflitante exige tempo para desenhar um novo cotidiano, com novas    articula&ccedil;&otilde;es, para esta fam&iacute;lia, e principalmente para    este cuidador que ama, dedica-se e cuida.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><b><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3">Referências</font></b></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Aiello- Vaisberg,    T.MJ. (1987) Investiga&ccedil;&atilde;o de representa&ccedil;&otilde;es sociais.    In: W. Trinca (Org.) <i>Formas de investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em psicologia</i>. S&atilde;o    Paulo: Vetor.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541116&pid=S1676-7314200200010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Anderson, H.H. & Anderson, G.L. (1967) <i>T&eacute;cnicas projetivas do    diagn&oacute;stico psicol&oacute;gico</i>. (Elza Benett, trad.) S&atilde;o Paulo: Ed.Mestre Jou.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541117&pid=S1676-7314200200010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Barer, B. & Johnson, C. (1990) A critique of caregiving literature. <i>The    Gerontologist, 30</i>, 1, U.S.A.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541118&pid=S1676-7314200200010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Brown, H.N. & Kelly, MJ. (1976) Stages ofbone marrow transplantation: a    psychiatric perspective. <i>Psychosomatic Medicine, 38</i>, 439-46.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541119&pid=S1676-7314200200010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Flores, RJ. (1984) <i>A utilidade do procedimento de desenhos-est&oacute;rias    na apreens&atilde;o de conte&uacute;dos emocionais em crian&ccedil;as terminais hospitalizadas</i>.    Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Instituto de Psicologia da Puccamp, Campinas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541120&pid=S1676-7314200200010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Frude, N. (1991)    <i>Understanding family problems: a psychological approach</i>.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541121&pid=S1676-7314200200010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Futterman, A.D.;    Wellisch, D.K.; Zighelboim, J.; Raines, M.L & Weiner, H. (1996) Psychological and immunological reactions offamily members to patients undergoing bone marrow transplantation. <i>Psychosomatic Medicine, 58</i>, 472-80.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541122&pid=S1676-7314200200010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Kov&aacute;cs, MJ. (1998) Avalia&ccedil;&atilde;o da qualidade de vida em pacientes    oncol&oacute;gicos em estado avan&ccedil;ado da doen&ccedil;a. In: M.M.J. Carvalho (Org.). <i>Psico-oncologia    no Brasil: resgatando o viver</i>. (pp. 159-85) S&atilde;o Paulo: Summus.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541123&pid=S1676-7314200200010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   ________. (1992) <i>Morte e desenvolvimento humano</i>. S&atilde;o Paulo: Casa    do Psic&oacute;logo.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541124&pid=S1676-7314200200010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Kubler-Ross, E.    <i>Sobre a morte e o morrer</i>. (1991, 4.ed.) S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541125&pid=S1676-7314200200010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Laplanche, J.    & Pontalis, J.B. (1995) <i>Vocabul&aacute;rio de psican&aacute;lise</i>.    Ibidem.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541126&pid=S1676-7314200200010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Mendes, P.B.M.T. <i>Her&oacute;is an&ocirc;nimos do cotidiano</i>. (1995) Disserta&ccedil;&atilde;o    de Mestrado em Servi&ccedil;o Social. PUC, S&atilde;o Paulo.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541127&pid=S1676-7314200200010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Parkes, C.M. (1986) <i>Bereavement studies os grief in adult life</i>. Londres.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541128&pid=S1676-7314200200010000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tardivo, L.S.P.c. An&aacute;lise e investiga&ccedil;&atilde;o. In: W. Trinca    (Org.). <i>Formas de investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em psicologia</i>. S&atilde;o Paulo: Vetor, 1987.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541129&pid=S1676-7314200200010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Torrano-Masetti, L.M.; Oliveira, E.A. & Santos, M.A. (abril/junho 2000)    Atendimento psicol&oacute;gico numa unidade de TMO. <i>Medicina, Ribeir&atilde;o Preto,    33</i>, 161-9.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541130&pid=S1676-7314200200010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Trinca, W. (Org.)    <i>Formas de investiga&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica em psicologia</i>. S&atilde;o    Paulo: Vetor, 1987.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541131&pid=S1676-7314200200010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Universidade de    S&atilde;o Paulo. (1998) <i>Manual para o paciente de transplante de medula    &oacute;ssea</i>. Hospital das Cl&iacute;nicas da Faculdade de Medicina da USP.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1541132&pid=S1676-7314200200010000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="enderb"></a><a href="#ender"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o    para correspondência:</a>    <br> E-mail: <a href="mailto:maria.clara.no@ig.com.br">maria.clara.no@ig.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09t1.gif"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="center">&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/psic/v3n1/1a09t2.gif"></p>     <p align="center">&nbsp;</p>      ]]></body>
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