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</front><body><![CDATA[ <html> <head> <title></title> </head>       <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESENHAS</b></font></p>       <p align="right">&nbsp;</p>       <p align="right">&nbsp;</p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Ana      Mary Baeta Pereira<A name=nota*></A><A href="#nota">*</A></b></font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">UNIPAC/FASAB - Barbacena</font></p>       <p align="left">&nbsp;</p>       <p align="left">&nbsp;</p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SANDLER,      Paulo C&eacute;sar (Org.). <i>Leituras psicanal&iacute;ticas da viol&ecirc;ncia</i>.      S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo, 2004 (Cole&ccedil;&atilde;o Psican&aacute;lise      cl&iacute;nica, sociedade). 173 p.</font></p>       <p align="left">&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paulo      C&eacute;sar Sandler &eacute; membro efetivo e analista didata da Sociedade      Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo; presidente da Associa&ccedil;&atilde;o      Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo; presidente da Associa&ccedil;&atilde;o      Brasileira de Psican&aacute;lise (1991-1993); editor da <i>Revista Internacional      de Psican&aacute;lise</i> (1995-1997) e da revista da Federa&ccedil;&atilde;o      Psicanal&iacute;tica da Am&eacute;rica Latina (2000-2002); organizador das      exposi&ccedil;&otilde;es <i>Freud: Conflito e Cultura/Brasil: Psican&aacute;lise      &amp; Modernismo </i>(2000) e Freud e o Juda&iacute;smo (2000); membro do      board e do Grupo de Trabalho sobre Terror e Viol&ecirc;ncia Pol&iacute;tica      da Internacional Psychoanalytical Association (IPA).</font></p>       <p align="left">&nbsp;</p>       <p align="left">&nbsp;</p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b><font size="3">Leituras      psicanal&iacute;ticas da viol&ecirc;ncia</font></b></font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A      obra &eacute; uma colet&acirc;nea de textos organizada por Paulo C&eacute;sar      Sandler, com a colabora&ccedil;&atilde;o do Departamento de Publica&ccedil;&otilde;es      da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise de S&atilde;o Paulo, e fruto      de um trabalho de equipe formado por Magda Guimar&atilde;es Khouri, Jassanan      Amoroso D. Pastore, In&ecirc;s Zulema Sucar, Raquel Ajzenberg e Reinaldo Morano      Filho. Ela oferece ao leitor horizontes para a reflex&atilde;o cr&iacute;tica      sobre a implica&ccedil;&atilde;o da Psican&aacute;lise no assunto da viol&ecirc;ncia,      um tema de interesse atual por entranhar-se na pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o      humana.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O      pensamento dos autores privilegia reflex&otilde;es na interface com a cultura;      alguns artigos apresentam quest&otilde;es sobre a cria&ccedil;&atilde;o da      linguagem, a constru&ccedil;&atilde;o civilizat&oacute;ria e os desdobramentos      do terror na cultura.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No      primeiro cap&iacute;tulo do livro, Deodato Curvo de Azambuja, faz uma introdu&ccedil;&atilde;o      ao tema &quot;viol&ecirc;ncia&quot;, referindo-se a ela como &quot;um toque      no corpo, uma invas&atilde;o dos limites&quot;. O autor procura defini-la      como uma ruptura, uma paran&oacute;ia, um desequil&iacute;brio e faz uma reflex&atilde;o      sobre a necessidade da percep&ccedil;&atilde;o da viol&ecirc;ncia, da maldade,      da agressividade, do desprezo, da realidade que assedia para retomar o espa&ccedil;o      de sonho e de pensamento. De acordo com a reflex&atilde;o do autor, nas situa&ccedil;&otilde;es      de viol&ecirc;ncia gratuita, o criminoso que invade o corpo do outro e lhe      tira a vida est&aacute;, ele mesmo, sem espa&ccedil;o, como se n&atilde;o      tivesse sido desenvolvida uma interface entre as realidades interna e externa,      como se n&atilde;o existisse ego, mas somente id - puls&atilde;o e nenhuma      simboliza&ccedil;&atilde;o.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No      texto <i>O medo, a viol&ecirc;ncia e as palavras</i>, a psicanalista C&iacute;ntia      Buschinelli parte do poema <i>O medo</i>, de Carlos Drummond de Andrade, referindo-se      a ele como uma experi&ecirc;ncia comum a todos. Refere-se ao medo despertado      quando a vida se inicia que, nas palavras do poeta, exprime-se como aus&ecirc;ncia      de luz - o escuro. Drummond sugere tr&ecirc;s possibilidades para a exist&ecirc;ncia:      carteiro (que caminha pela rua levando <i>palavras</i>), ditador ou soldado,      (uma dupla insepar&aacute;vel: aquele que manda e outro que obedece. Aquele      que &eacute; o l&iacute;der e fascina e o outro que &eacute; fascinado. Aquele      que sabe e o outro que ignora, que est&aacute; uniformizado, portanto roubado      de sua singularidade e que vai <i>&agrave; guerra</i>. Que <i>mata e morre</i>).      </font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Buschinelli      tece rela&ccedil;&otilde;es dessas tr&ecirc;s identidades com o texto de Freud:      <i>Por que a Guerra?</i> (1933) e cria encontros poss&iacute;veis no campo      da met&aacute;fora, em que tamb&eacute;m se situam os textos do m&eacute;dico      Junqueira Filho e do artista e fil&oacute;sofo Ricardo Barreto. Estes dois      &uacute;ltimos analisam o Filme de Peter Grenaway, <i>O cozinheiro, o ladr&atilde;o,      sua mulher e seu amante</i> e o descrevem como um pesadelo povoado por pervers&otilde;es      da libido, que retrata a luta entre amor e desamor e percorre &quot;o mundo      material e o mundo espiritual, a usurpa&ccedil;&atilde;o e a revolu&ccedil;&atilde;o,      o obscurantismo e o iluminismo, a esterilidade e a cria&ccedil;&atilde;o,      a queda e a purifica&ccedil;&atilde;o, o canibalismo e o aprendizado, a toler&acirc;ncia      e o preconceito, enfim... Eros e T&acirc;natos&quot;. O enredo do filme &eacute;      descrito como um melodrama contempor&acirc;neo, centrado em um dos tabus de      mais dif&iacute;cil digest&atilde;o para a mente humana - o canibalismo. Ao      final do texto, os autores lan&ccedil;am um olhar retrospectivo para o filme      e percebem que ele comporta v&aacute;rios enfoques interpretativos, em termos      psicanal&iacute;ticos. Fazem um exerc&iacute;cio de interpreta&ccedil;&otilde;es      baseado nas id&eacute;ias de Melanie Klein sobre as situa&ccedil;&otilde;es      iniciais da ansiedade e seus efeitos no desenvolvimento emocional das crian&ccedil;as,      focalizando as formula&ccedil;&otilde;es Kleinianas em um dos personagens      do filme.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Leopold      Nosek, membro efetivo e analista didata da Sociedade Brasileira de Psican&aacute;lise      de S&atilde;o Paulo, conceitua o termo &quot;terror&quot; em contraponto ao      &quot;terrorismo&quot;. Nosek mostra que no vazio do mundo surge a necessidade      da arte e da constru&ccedil;&atilde;o do humano. No decorrer de sua reflex&atilde;o,      faz associa&ccedil;&otilde;es da viol&ecirc;ncia com textos cl&aacute;ssicos      como <i>&Eacute;dipo de S&oacute;focles e Eur&iacute;pides</i>, destacando      o drama de Med&eacute;ia, caracterizado pelo &oacute;dio sobre-humano que      se segue &agrave; profunda humilha&ccedil;&atilde;o a que &eacute; submetida      em fun&ccedil;&atilde;o de sua liga&ccedil;&atilde;o e seu amor por Jas&atilde;o.</font></p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sob      uma outra perspectiva, o psicanalista Ign&aacute;cio Gerber tra&ccedil;a rela&ccedil;&otilde;es      entre amor, medo e &oacute;dio, por meio dos quais se reflete que &quot;do      medo surge o &oacute;dio e a viol&ecirc;ncia&quot;, considerando o medo como      a primeira causa da viol&ecirc;ncia, que se torna causa imediata do medo.      O autor leva em considera&ccedil;&atilde;o o amor e o medo presentes na origem      do &oacute;dio e da viol&ecirc;ncia.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na      rela&ccedil;&atilde;o do campo psicanal&iacute;tico com o campo social, o      psiquiatra Ot&aacute;vio Fagundes procura definir a viol&ecirc;ncia como situa&ccedil;&atilde;o      traum&aacute;tica, express&atilde;o da destrutividade do sujeito contra o      outro e contra si mesmo, com uma representa&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica      e social. Destaca consagrados pensadores da Psican&aacute;lise como Freud,      Bion, Klein, Winnicott, relacionando-os com autores contempor&acirc;neos.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nessa      abordagem, a psic&oacute;loga Raquel Pires faz uma rela&ccedil;&atilde;o entre      a viol&ecirc;ncia social e a viol&ecirc;ncia interna do sujeito e reflete      sobre a dificuldade do ser humano em perceber sua pr&oacute;pria destrutividade.      Ela destaca aspectos do funcionamento mental que, em menor ou maior grau,      conduzem ao afastamento da realidade e, portanto, constitui a express&atilde;o      de viol&ecirc;ncia. Faz, tamb&eacute;m, considera&ccedil;&otilde;es sobre      a evas&atilde;o da dor mental, tend&ecirc;ncia marcante da sociedade atual.      Na reflex&atilde;o da autora, uma vez que a aquisi&ccedil;&atilde;o de conhecimento      implica na perda da onipot&ecirc;ncia e da fantasia de completude, ela s&oacute;      vai ocorrer se houver capacidade de toler&acirc;ncia &agrave; frustra&ccedil;&atilde;o      e &agrave; dor mental. Assim, nos estados de evas&atilde;o da dor, &eacute;      comum a substitui&ccedil;&atilde;o do conhecer pelo saber e da seguran&ccedil;a      pela certeza. O pensamento e o processo de aquisi&ccedil;&atilde;o do conhecimento      s&atilde;o substitu&iacute;dos por onipot&ecirc;ncia, arrog&acirc;ncia, conduzindo      o sujeito ao distanciamento dos mundos externo e interno. </font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pl&iacute;nio      Montagna apresenta uma vis&atilde;o multidisciplinar do tema e faz uma an&aacute;lise      da hist&oacute;ria da humanidade atrav&eacute;s dos s&eacute;culos. Traz estudos      sobre a rela&ccedil;&atilde;o indiv&iacute;duo-grupo e oferece ao leitor autores      que trabalham a concep&ccedil;&atilde;o da mentalidade de grupo e de seu papel      na intera&ccedil;&atilde;o do psiquismo individual e grupal, tornando compreens&iacute;veis      os comportamentos, de outro modo quase inexplic&aacute;veis, de indiv&iacute;duos      no grupo. Descreve estudos atuais sobre a viol&ecirc;ncia humana na guerra      e suas poss&iacute;veis conex&otilde;es psicol&oacute;gicas e comenta sobre      como a cultura contempor&acirc;nea banaliza a viol&ecirc;ncia.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A      psicanalista Isabel Khan Marin faz uma reflex&atilde;o sobre o dilema que      se imp&otilde;e ao indiv&iacute;duo contempor&acirc;neo de buscar formas criativas      de se inserir na cultura por meio da tentativa incessante de se fazer &uacute;nico      e singular. Tal processo implica num confronto cont&iacute;nuo com as exig&ecirc;ncias      da civiliza&ccedil;&atilde;o, que faz com que o sujeito enfrente o sofrimento      da ren&uacute;ncia pulsional, buscando encontrar formas prazerosas de viver,      sem aniquilar o outro que p&otilde;e obst&aacute;culos &agrave; sua satisfa&ccedil;&atilde;o.      A partir desse tema, a autora procura explicar o aumento das manifesta&ccedil;&otilde;es      da viol&ecirc;ncia na sociedade, relacionando-o com a tend&ecirc;ncia de negar      a pr&oacute;pria viol&ecirc;ncia.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O      psiquiatra e psicanalista Luiz Ten&oacute;rio de Oliveira Lima apresenta as      rela&ccedil;&otilde;es entre a teoria psicanal&iacute;tica e a Antropologia      a partir de <i>A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos</i> (FREUD, 1900)      e <i>Estudos sobre a histeria</i> (FREUD, 1895), referindo-se &agrave;s id&eacute;ias      de Freud sobre os destinos da identifica&ccedil;&atilde;o no processo civilizat&oacute;rio.      Oliveira Lima desenvolve suas id&eacute;ias ao utilizar, como modelo, a resposta      de Freud &agrave; carta de Einstein, de 1932, <i>Por que a Guerra?</i> que      trata da tentativa de um olhar, no &acirc;mbito e nos limites da disciplina      e pr&aacute;ticas psicanal&iacute;ticas, sobre um tema momentoso, n&atilde;o      apenas em planos microsc&oacute;picos, como nos grupos, mas tamb&eacute;m      na coletividade mais extensa, como na comunidade das na&ccedil;&otilde;es.</font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paulo      Sandler desenvolve um texto de associa&ccedil;&otilde;es livres, com leituras      pessoais em torno do ciclo autobiogr&aacute;fico de W. R. Bion, dando &ecirc;nfase      a <i>War Memoirs</i>. A obra demonstra que para melhor compreens&atilde;o      da cultura contempor&acirc;nea &eacute; preciso levar em conta a grande influ&ecirc;ncia      que a Psican&aacute;lise, desde sua implanta&ccedil;&atilde;o, exerceu, sendo      o contr&aacute;rio tamb&eacute;m verdadeiro. Ao ter em vista a turbul&ecirc;ncia      da sociedade atual, torna-se necess&aacute;rio que a singularidade, a escuta      da subjetividade e a busca de sentido sejam resgatadas. </font></p>       <p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um      olhar psicanal&iacute;tico da viol&ecirc;ncia, sintoma marcante da atualidade,      &eacute; a proposta deste livro que foi cuidadosamente elaborado e traz, em      cada texto, a sua pr&oacute;pria singularidade, oferecendo ao leitor diferentes      vis&otilde;es de autores que abordam a representa&ccedil;&atilde;o e o impacto      da viol&ecirc;ncia cotidiana na vida ps&iacute;quica do sujeito.</font></p>       <p align="left">&nbsp;</p>       <p align="left">&nbsp;</p>       ]]></body>
<body><![CDATA[<p align="left"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="nota" href="#nota*"><sup>*</sup></a>Aluna      do 5&ordm; per&iacute;odo de Psicologia - UNIPAC/FASAB - Barbacena</font></p> </div>     </body> </html>      ]]></body>

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