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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A vida amorosa de mulheres financeiramente independentes]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article aimed at understanding how women´s financial independence influences on their love lives, considering that there are meaningful changes in the roles played by them as they have gained their space in the labor market. For this purpose, the study was carried out with financially independent women, aged between 30 and 45, through individual interviews, with a semi-structured interview script. Among the main results, it is highlighted that the financial independence seems to influence on their love relationships, from choosing the partner to separation decision making. As well, it seems to have contributed to make the couple less tolerant, increasing the difficulty of solving conflicts. In addition, the women´s financial independence seems to interfere with anticipating the project of having children, due to their dedication to studies and to their professional life.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>A vida amorosa de mulheres financeiramente independentes</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Love life of financially independent women</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Marivete Leonor Secco<sup><a name="1"></a><a href="#1a">1</a></sup>; Michele Gaboardi Lucas<sup><a name="2"></a><a href="#2a">2</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), Unidade de Chapec&oacute; (SC)</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end"></a><a href="#end2">Endere&ccedil;o  para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo buscou compreender como a independ&ecirc;ncia financeira feminina influencia na vida amorosa das mulheres, considerando que ocorreram mudan&ccedil;as significativas nos pap&eacute;is exercidos por elas com a conquista do mercado de trabalho. Para tanto, foi realizado estudo de caso coletivo com cinco mulheres financeiramente independentes, com idade entre trinta e quarenta e cinco anos, atrav&eacute;s de entrevistas individuais, com roteiros semiestruturados. Entre os principais resultados, destaca-se que a independ&ecirc;ncia financeira parece influenciar nos relacionamentos amorosos, desde a escolha do parceiro at&eacute; a decis&atilde;o da separa&ccedil;&atilde;o. Bem como, parece ter contribu&iacute;do para tornar o casal menos tolerante, aumentando &agrave; dificuldade de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos. E ainda, a independ&ecirc;ncia financeira das mulheres parece interferir no adiamento do projeto de ter filhos, devido &agrave; dedica&ccedil;&atilde;o aos estudos e &agrave; vida profissional.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Relacionamentos amorosos, Mulheres, Independ&ecirc;ncia financeira.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article aimed at understanding how women&acute;s financial independence influences on their love lives, considering that there are meaningful changes in the roles played by them as they have gained their space in the labor market. For this purpose, the study was carried out with financially independent women, aged between 30 and 45, through individual interviews, with a semi-structured interview script. Among the main results, it is highlighted that the financial independence seems to influence on their love relationships, from choosing the partner to separation decision making. As well, it seems to have contributed to make the couple less tolerant, increasing the difficulty of solving conflicts. In addition, the women&acute;s financial independence seems to interfere with anticipating the project of having children, due to their dedication to studies and to their professional life.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Love relationships, Women, Financial independence.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As mudan&ccedil;as ocorridas com o passar dos anos na vida das mulheres, com a conquista do mercado de trabalho formal e da consequente independ&ecirc;ncia financeira, alteraram de forma significativa os pap&eacute;is assumidos por elas tanto dentro, quanto fora do lar. Falar de mulheres financeiramente independentes &eacute; falar de mulheres que superaram barreiras, que deixaram de viver dedicadas aos seus maridos, deixaram de assumir apenas o papel de esposa, m&atilde;e e dona de casa, para conquistar espa&ccedil;os nunca antes imaginados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O interesse em pesquisar sobre este assunto surgiu justamente por observar o paradoxo que todas essas mudan&ccedil;as trouxeram para a vida das mulheres, pois, por mais que se aceite e se incentive a conquista do mercado de trabalho feminino, ainda se exige uma dedica&ccedil;&atilde;o extra delas (mais do que dos homens) para os assuntos do lar, cuidado dos filhos e dedica&ccedil;&atilde;o ao marido. Considera-se, portanto, que para o futuro profissional psic&oacute;logo pesquisar sobre este assunto &eacute; uma forma de auxiliar na compreens&atilde;o desses conflitos, bem como, no entendimento de poss&iacute;veis sofrimentos que possam surgir a partir deles.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo principal a que se destinou esta pesquisa foi compreender como a independ&ecirc;ncia financeira feminina influencia na vida amorosa das mulheres. Para tanto, buscou-se perceber poss&iacute;veis influ&ecirc;ncias da independ&ecirc;ncia financeira feminina na decis&atilde;o de casar, de ter filhos e divorciar-se; identificar a percep&ccedil;&atilde;o das mulheres sobre a influ&ecirc;ncia de sua independ&ecirc;ncia financeira na escolha dos parceiros, bem como, verificar como a mulher financeiramente independente percebe o exerc&iacute;cio dos pap&eacute;is femininos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>O papel da mulher na sociedade</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A constru&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica do papel feminino sofreu mudan&ccedil;as ao longo das d&eacute;cadas. O que era esperado da &ldquo;mulher do passado&rdquo; difere muita das perspectivas que s&atilde;o colocadas nelas atualmente. N&atilde;o s&oacute; as perspectivas da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s mulheres, mas as perspectivas delas mesmas sobre seu futuro, seus sonhos e objetivos mudaram.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No in&iacute;cio da civiliza&ccedil;&atilde;o, era ignorado o fato de que o homem participava da fecunda&ccedil;&atilde;o, e com isso a sociedade se organizava em torno da linhagem materna. Apesar de haver certo predom&iacute;nio social da mulher, n&atilde;o havia o predom&iacute;nio do feminino sobre o masculino, eles viviam em harmonia (Narvaz &amp; Koller, 2006; Lins, 2010; Anton, 2012).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da pr&eacute;-hist&oacute;ria, quando o homem deixa de ser ca&ccedil;ador para se tornar pastor, surge a agricultura e com ela as tarefas das mulheres passam a se multiplicar e tornar-se obriga&ccedil;&otilde;es (Lins, 2013). Al&eacute;m disso, ao passar a criar animais e ter mais tempo de observ&aacute;-los foi poss&iacute;vel descobrir a participa&ccedil;&atilde;o dos machos na reprodu&ccedil;&atilde;o o que &ldquo;entronizou o homem como patriarca&rdquo; (Lins, 2013, p. 22).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, nota-se tamb&eacute;m a import&acirc;ncia do estabelecimento da propriedade privada e das rela&ccedil;&otilde;es monog&acirc;micas (que eram a forma de garantir a heran&ccedil;a aos filhos leg&iacute;timos) como fatores que contribu&iacute;ram para o estabelecimento do patriarcado e a consequente domina&ccedil;&atilde;o do homem sobre a mulher. O cristianismo e o surgimento da igreja cat&oacute;lica contribu&iacute;ram para a hegemonia da sociedade patriarcal (Narvaz &amp; Koller, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com a sociedade passando a ser predominantemente patriarcal, surgem novas defini&ccedil;&otilde;es dos pap&eacute;is sociais, sendo que alguns pap&eacute;is s&atilde;o considerados pr&oacute;prios para homens e outros pr&oacute;prios para mulheres. Nessa nova reorganiza&ccedil;&atilde;o social o homem &eacute; colocado em um papel de superioridade e a mulher de inferioridade e submiss&atilde;o (F&eacute;res-Carneiro, 2010).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir de ent&atilde;o, os pap&eacute;is sociais que as pessoas assumem passam a ser definidos conforme seu sexo. Quando nasce uma menina sua cria&ccedil;&atilde;o ser&aacute; de uma forma, quando nasce um menino ser&aacute; de outra. O que &eacute; ressaltado na seguinte afirma&ccedil;&atilde;o &ldquo;A expectativa da sociedade &eacute; de que as pessoas cumpram seu papel sexual, que sofre varia&ccedil;&otilde;es de acordo com a &eacute;poca e o lugar&rdquo; (Lins, 2010, p. 136).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, ao falar do papel da mulher na sociedade ao longo da hist&oacute;ria &eacute; importante levar em considera&ccedil;&atilde;o os estere&oacute;tipos que foram criados pela sociedade. Pois, apesar das mudan&ccedil;as ocorridas nos pap&eacute;is assumidos por homens e mulheres, n&atilde;o se pode deixar de considerar a influ&ecirc;ncia que a mentalidade patriarcal ainda gera nos pensamentos e comportamentos da sociedade atual, inclusive quando se trata de relacionamentos amorosos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Relacionamentos amorosos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta pesquisa foi escolhido o termo <i>relacionamentos amorosos</i> por acreditar que abrange de forma adequada, no contexto atual, as formas de relacionamento entre homens e mulheres. Mas, torna-se importante entender quando e de que forma o amor entrou em cena na hist&oacute;ria da sociedade ocidental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para tanto, &eacute; interessante destacar a ideia de que o amor rom&acirc;ntico foi inaugurado para facilitar o modelo tradicional de fam&iacute;lia e a defini&ccedil;&atilde;o de pap&eacute;is de homens e mulheres na sociedade. O amor passou a fazer parte e ser essencial para que duas pessoas se casem, pois assim o homem poderia seguir tranquilo para o trabalho, deixando a mulher na privacidade do lar, dedicada ao cuidado dos filhos (Lins, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cabe tamb&eacute;m, destacar que &ldquo;a fam&iacute;lia n&atilde;o &eacute; algo biol&oacute;gico, algo natural ou dado, mas produto de formas hist&oacute;ricas de organiza&ccedil;&atilde;o entre os humanos&rdquo; (Narvaz &amp; Koller, 2006, p. 49). Portanto, as diferentes formas de relacionamento atendem as necessidades de sobreviv&ecirc;ncia e reprodu&ccedil;&atilde;o de cada &eacute;poca. Conceito semelhante tamb&eacute;m &eacute; apresentado na seguinte afirma&ccedil;&atilde;o &ldquo;as fam&iacute;lias e os casamentos se organizam adaptados &agrave; cultura, ao tempo, ao lugar. S&atilde;o subsistemas a servi&ccedil;o de sistemas maiores, mais fortes e organizados&rdquo; (Anton, 2012, p. 35).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O amor rom&acirc;ntico entrou em cena trazendo consigo muitos mitos que estiveram (e ainda est&atilde;o) presentes na sociedade, destaca-se o mito do pr&iacute;ncipe e da princesa encantado e a ideia de um par ideal e perfeito, que &eacute; muito mais fruto de proje&ccedil;&atilde;o e idealiza&ccedil;&atilde;o, do que da realidade. Durante esse per&iacute;odo em que o amor rom&acirc;ntico ganhou elevada import&acirc;ncia, esperava-se que a mulher fosse fraca, temerosa, ansiosa por ser amparada e dominada (Lins, 2010, 2012; F&eacute;res-Carneiro, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esses mitos contribu&iacute;ram para a cria&ccedil;&atilde;o da imagem de que para ser feliz &eacute; necess&aacute;rio encontrar o amor perfeito, casar-se, constituir fam&iacute;lia e viver feliz para sempre. Dessa forma, o amor passa a ser sin&ocirc;nimo de felicidade e uma meta a ser alcan&ccedil;ada por todos (Lins, 2010). Homens e mulheres devem desejar o casamento e assumir os pap&eacute;is condizentes ao que se espera de um marido e de uma esposa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O casamento estava ligado &agrave; realidade financeira, mesmo havendo amor. A mulher estava ciente de que o seu futuro bem-estar material estava ligada a situa&ccedil;&atilde;o financeira de seu marido (Lins, 2012). Existia uma preocupa&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao futuro da mo&ccedil;a e a necessidade de arranjar um marido que fosse considerado um bom partido, ou seja, que pudesse assumir o papel de provedor (Biasoli-Alves, 2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As m&atilde;es refor&ccedil;avam nas filhas a conduta servil e submissa, na tentativa de evitar protestos, pois n&atilde;o conseguir um esposo ou ser abandonada equivalia a perder algo que era considerado vital e insubstitu&iacute;vel (Anton, 2012). Ainda hoje, apesar de serem independentes financeiramente n&atilde;o s&atilde;o poucas as mulheres que acreditam que s&oacute; ser&atilde;o valorizadas se tiverem um homem ao lado (Lins, 2013).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; interessante notar a vis&atilde;o que se tinha do casamento no s&eacute;culo XIX, &ldquo;o homem, ao se casar, conferia uma esp&eacute;cie de favor &agrave; mulher. Esse era o &uacute;nico meio pelo qual ela adquiria status econ&ocirc;mico e social&rdquo; (Lins, 2012, p. 133). Al&eacute;m disso, a mulher que n&atilde;o conseguisse casar era vista como fracassada. A mulher tinha seu prest&iacute;gio diminu&iacute;do na sociedade pelo fato de n&atilde;o se casar, e descia de classe ao se dedicar ao trabalho remunerado (Lins, 2012).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apenas no s&eacute;culo XX as mulheres come&ccedil;am a questionar a ideia de que s&oacute; poderiam ser felizes se estiverem envolvidas com um homem, &ldquo;o movimento da emancipa&ccedil;&atilde;o feminina e a liberdade sexual trouxeram mudan&ccedil;as profundas na expectativa de perman&ecirc;ncia de uma rela&ccedil;&atilde;o conjugal&rdquo; (Lins, 2010, p. 211).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os relacionamentos amorosos passam por reformula&ccedil;&otilde;es, entre elas destaca-se o surgimento do relacionamento puro que &ldquo;n&atilde;o visa necessariamente &agrave; procria&ccedil;&atilde;o, nem se pauta pela indissolubilidade do casamento &ndash; a rela&ccedil;&atilde;o pode ser desfeita a qualquer momento, quando n&atilde;o for mais gratificante para qualquer uma das partes&rdquo; (Giddens, 1993, In Feres-Carneiro, 2010, p. 12). Na vis&atilde;o de Borges (2013) &agrave; fragilidade atribu&iacute;da aos la&ccedil;os amorosos e as rela&ccedil;&otilde;es conjugais, as mulheres contempor&acirc;neas parecem estar investindo menos no casamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim, destaca-se que &ldquo;o patriarcado, inquestion&aacute;vel e inflex&iacute;vel poder atribu&iacute;do ao chefe de fam&iacute;lia, n&atilde;o &eacute; mais caracter&iacute;stico nas fam&iacute;lias atuais&rdquo; (Gabel, 2008, p. 66). O fator econ&ocirc;mico teve forte influ&ecirc;ncia na mudan&ccedil;a dos relacionamentos entre homens e mulheres. Isso porque, foi a partir do acesso a educa&ccedil;&atilde;o e a empregos melhores remunerados, que as mulheres conquistaram mais autonomia e poder de questionamento sobre a submiss&atilde;o e a hierarquia dos pap&eacute;is que lhe eram at&eacute; ent&atilde;o impostos (Gabel, 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O pr&oacute;prio termo relacionamento, t&atilde;o utilizado hoje para definir a rela&ccedil;&atilde;o entre homem e mulher tem uma defini&ccedil;&atilde;o interessante &ldquo;&#91;...&#93; relacionar-se &eacute; um contexto marcado pela ambival&ecirc;ncia &ndash; de um lado est&aacute; o desejo de estabelecer um v&iacute;nculo permanente e do outro est&aacute; o temor gerado pelo pre&ccedil;o que se h&aacute; de pagar por tal perman&ecirc;ncia&rdquo; (Bauman, 2004, In Feres-Carneiro, 2010, p. 139). Ao falar sobre forma&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculo e individualidade nota-se a dificuldade encontrada por certas pessoas em conciliar desejos opostos &ldquo;como o da liberdade com o comprometimento e o da individualidade com o v&iacute;nculo&rdquo; (Anton, 2012, p. 38).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m destaca-se a interessante vis&atilde;o de que &ldquo;atualmente uma maior diversidade de espa&ccedil;os e posi&ccedil;&otilde;es destinados &agrave; mulher, o que possibilita maior liberdade de escolha, inclusive na esfera amorosa&rdquo; (Almeida, Levandowski &amp; Palma, 2008, p. 100). J&aacute; Feres-Carneiro (1998, s&#47;n) ao pesquisar sobre o casamento contempor&acirc;neo, chega &agrave; conclus&atilde;o de que &ldquo;no casamento contempor&acirc;neo, os ideais do amor rom&acirc;ntico tendem a se fragmentar, sobretudo pela press&atilde;o da emancipa&ccedil;&atilde;o da mulher e da autonomia feminina&rdquo;. Ao analisar a identidade de mulheres na contemporaneidade destaca-se o surgimento de uma mulher que &ldquo;preza a individualidade e a liberdade, que quer ser independente pessoal e financeiramente e que deseja se realizar no mundo p&uacute;blico&rdquo; (Borges, 2013, p. 80).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No entanto, Santos (2015) em seu estudo sobre a solteirice na representa&ccedil;&atilde;o social feminina chegou &agrave; conclus&atilde;o de que o caminho da felicidade da &lsquo;nova mulher&rsquo; ainda est&aacute; bastante ligado aos moldes convencionais do s&eacute;culo XIX. Pois, elas estariam &agrave; procura de &ldquo;sua estabilidade financeira, profissionaliza&ccedil;&atilde;o, do &lsquo;pr&iacute;ncipe encantado&rsquo; e da constitui&ccedil;&atilde;o de sua fam&iacute;lia, para a&iacute; sim alcan&ccedil;ar sua t&atilde;o sonhada felicidade&rdquo; (Santos, 2015, p.12).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Verifica-se, portanto, que fazem apenas algumas d&eacute;cadas que o poder patriarcal passou a ser substitu&iacute;do por formas mais democr&aacute;ticas de conv&iacute;vio dentro dos lares, por isso &eacute; importante levar em considera&ccedil;&atilde;o a ideia de Lins (2010), quando diz que ap&oacute;s tantas mudan&ccedil;as inicia-se um momento de transi&ccedil;&atilde;o, onde a mulher se v&ecirc; dividida entre o dilema de buscar seus direitos e ser mais independente, ao mesmo tempo em que ainda se v&ecirc; presa a amarras do passado de submiss&atilde;o que viveu por muito tempo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Mulheres e o mercado de trabalho</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Houve um momento de transi&ccedil;&atilde;o, onde o trabalho feminino passou a ser gradualmente aceito, possibilitando que a mulher come&ccedil;asse a dar os primeiros passos na conquista de sua independ&ecirc;ncia. A partir da d&eacute;cada de setenta, quando as mulheres foram conquistando um espa&ccedil;o maior no mercado de trabalho, as barreiras do papel de ser apenas esposa, m&atilde;e e dona do lar foram ficando para tr&aacute;s (Probst, 2003). Destaca-se que &ldquo;a entrada da mulher no mercado de trabalho, com a Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial e o capitalismo, auxiliou para que ela deixasse de ser propriedade privada familiar e reprodutora&rdquo; (Almeida et al, 2008, p. 102) No entanto, uma mudan&ccedil;a como essa n&atilde;o ocorre de forma t&atilde;o simples e sem trazer consequ&ecirc;ncias.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Duas ideias interessantes devem ser consideradas, uma de que o trabalho feminino &eacute; aceito quando existe a necessidade financeira, no entanto, isso &eacute; algo que deixa o homem envergonhando e abala sua autoestima, pois este &eacute; um sinal de que ele n&atilde;o consegue dar conta sozinho de sustentar sua fam&iacute;lia; e outra de independ&ecirc;ncia feminina ligada ao estere&oacute;tipo de &ldquo;solteironas&rdquo;, que por abrirem m&atilde;o do papel de m&atilde;e e esposa n&atilde;o podem ser totalmente felizes (Lins, 2012).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir do momento em que a mulher assumiu o papel de trabalhadora n&atilde;o ocorreu mudan&ccedil;a nos pap&eacute;is assumidos dentro de casa, ou seja, ela continuou sendo esposa, dona de casa, m&atilde;e e assumiu tamb&eacute;m o papel profissional (Jablonski, 2013). Isso ocorre porque o papel do homem de trabalhador, marido e pai, n&atilde;o foi alterado, ao passo que o da mulher sofreu mudan&ccedil;as. Para o homem &eacute; algo bastante simples ser profissional, pai e marido (Bee, 1997).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Existem tamb&eacute;m diferen&ccedil;as na forma como a fam&iacute;lia v&ecirc; o trabalho do homem e da mulher &ldquo;a fam&iacute;lia &eacute; vista como apoiando e nutrindo o trabalhador do sexo masculino por seu desempenho no trabalho, ao passo que as mulheres s&atilde;o vistas como privando suas fam&iacute;lias por trabalhar &#91;...&#93;&rdquo; (McGoldrick, 1995, p. 35). Muitas vezes, para conseguir consolidar sua posi&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, as mulheres acabam tendo que adiar alguns projetos pessoais, entre eles a maternidade (Probst, 2003). Em uma pesquisa com executivas brasileiras percebeu-se que &ldquo;o desequil&iacute;brio entre a esfera p&uacute;blica (trabalho) e a privada (lar) tem sido o principal fator que gera um quadro de desequil&iacute;brio, sofrimento e ang&uacute;stia &agrave;s mulheres&rdquo; (Lima et al, 2013, p. 77).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Percebe-se, portanto que apesar das modifica&ccedil;&otilde;es nos relacionamentos terem iniciado h&aacute; v&aacute;rias d&eacute;cadas, as pesquisas apontam que as mulheres mesmo tendo conquistado seu espa&ccedil;o no mercado de trabalho, continuam assumindo muitos pap&eacute;is que lhe eram impostos pelo sistema patriarcal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra quest&atilde;o que tem influ&ecirc;ncia na defini&ccedil;&atilde;o dos pap&eacute;is sociais &eacute; a financeira. Ao estudar como homens e mulheres percebem o dinheiro, atrav&eacute;s de mensagens recebidas na inf&acirc;ncia observou que &ldquo;as mulheres recebem mensagens duplas: a de ser independente financeiramente e a de ser respons&aacute;vel no &acirc;mbito dom&eacute;stico pelos cuidados do lar e dos filhos&rdquo;, enquanto os homens &ldquo;s&atilde;o educados para ser independentes &#91;...&#93;&rdquo; (Frankel, 2006, In Guimar&atilde;es, 2010, p. 33).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; maternidade, deve-se levar em considera&ccedil;&atilde;o que as mulheres possuem um per&iacute;odo f&eacute;rtil determinado, para as mulheres ocorre o aumento do risco de aborto e outras complica&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s os trinta anos (Bee, 1997). Ou seja, ao mesmo tempo em que as mulheres est&atilde;o se preparando para o mercado de trabalho, precisam tamb&eacute;m preocupar-se com o per&iacute;odo f&eacute;rtil, caso desejem ter filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por este motivo, &ldquo;as mulheres casadas sem filhos est&atilde;o muito mais inclinadas a ter carreiras em tempo integral e a serem muito mais comprometidas em atingir o sucesso em suas carreiras&rdquo; (Bee, 1997, p. 443). Apresenta-se assim um paradoxo social de valoriza&ccedil;&atilde;o da realiza&ccedil;&atilde;o profissional e independ&ecirc;ncia financeira da mulher em contrapartida com a cobran&ccedil;a (maior que dos homens) de cuidado e dedica&ccedil;&atilde;o aos filhos (Feres-Carneiro, 2010). Ao analisar as barreiras que executivas brasileiras encontram em suas carreiras, percebeu-se que a maioria das mulheres entrevistadas acredita que a maternidade complica a carreira (Lima et al, 2013). Dessa forma, n&atilde;o podemos deixar de considerar a influ&ecirc;ncia do papel de m&atilde;e na vida profissional das mulheres.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, pesquisas tamb&eacute;m sugerem que o aumento do n&uacute;mero de div&oacute;rcios &eacute; influenciado pelo aumento da acess&atilde;o da mulher ao mercado de trabalho. Pesquisas sugerem que mulheres que ganham mais dinheiro t&ecirc;m probabilidade maior de divorcia-se (McGoldrick, 1995). Tamb&eacute;m destaca-se a vis&atilde;o de que &ldquo;a autonomia econ&ocirc;mica pessoal permite a qualquer um dos c&ocirc;njuges se separar a hora que quiser, portanto, h&aacute; muito menos div&oacute;rcios em lugares onde existe depend&ecirc;ncia econ&ocirc;mica entre os c&ocirc;njuges&rdquo; (Lins, 2010, p. 216).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, deve-se considerar que existe uma influ&ecirc;ncia gerada pela conquista de maior autonomia financeira pelas mulheres e a forma como encaram seus relacionamentos amorosos. Casar, permanecer casada ou se separar passa a ser uma op&ccedil;&atilde;o para a mulher quando ela n&atilde;o depende financeiramente do companheiro para sobreviver.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por todas essas raz&otilde;es, seja pelos benef&iacute;cios apresentados pelo trabalho fora de casa, seja pelo ac&uacute;mulo de pap&eacute;is femininos (fortemente influenciado pela fam&iacute;lia tradicional), pesquisar sobre a influ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia financeira feminina em suas rela&ccedil;&otilde;es amorosas torna-se de grande import&acirc;ncia para compreender melhor os benef&iacute;cios e preju&iacute;zos que esse aspecto traz para a vida das mulheres.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Procedimentos metodol&oacute;gicos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente trabalho utilizou-se de uma abordagem qualitativa, pois buscou interpretar o universo da produ&ccedil;&atilde;o humana atrav&eacute;s do mundo das rela&ccedil;&otilde;es, das representa&ccedil;&otilde;es e da intencionalidade (Minayo, 2011). O delineamento da presente pesquisa foi baseado em estudos de caso, utilizando-se o conceito de Gil (2009) de estudo de caso coletivo, que tem por objetivo estudar caracter&iacute;sticas de uma popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Foram entrevistados cinco sujeitos, selecionados pelo crit&eacute;rio da intencionalidade, atrav&eacute;s de amostra n&atilde;o probabil&iacute;stica, selecionadas atrav&eacute;s de indica&ccedil;&otilde;es. Para determina&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero de casos foi empregada a sugest&atilde;o de Gil (2009), que indica que sejam utilizados de quatro a dez casos nesse tipo de pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os sujeitos foram mulheres financeiramente independentes, escolhidas atrav&eacute;s do crit&eacute;rio da intencionalidade, com idade entre trinta e quarenta e cinco anos, ensino superior completo, heterossexuais, com uma vida financeira independente e ativas no mercado de trabalho. Como crit&eacute;rio para definir a vida financeira independente n&atilde;o foi considerado a classe social, mas sim o fato delas se sustentarem com recursos financeiro pr&oacute;prios, proveniente da atividade profissional, sem depender de outras pessoas. Al&eacute;m disso, as mulheres entrevistadas n&atilde;o estavam em um relacionamento est&aacute;vel por mais de um ano, sendo que para a presente pesquisa foi considerado relacionamento est&aacute;vel como: n&atilde;o estar morando junto com o companheiro e tamb&eacute;m n&atilde;o haver uma rela&ccedil;&atilde;o de divis&atilde;o de despesas entre o casal, caso morem em casas separadas. O fato de n&atilde;o ter filhos n&atilde;o era um crit&eacute;rio de sele&ccedil;&atilde;o, no entanto, nenhuma das participantes entrevistadas ainda &eacute; m&atilde;e.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como instrumento de pesquisa, foi utilizada entrevista com roteiro semiestruturado com perguntas abertas relacionadas &agrave; independ&ecirc;ncia financeira e a vida amorosa das mulheres. As entrevistas foram realizadas no local de trabalho de cada participante, de forma individual, com dura&ccedil;&atilde;o aproximada de quarenta e cinco minutos, tendo sido utilizado gravador, com autoriza&ccedil;&atilde;o das entrevistadas atrav&eacute;s do Termo de Autoriza&ccedil;&atilde;o de Uso de Voz. No momento de transcri&ccedil;&atilde;o todo e qualquer dado que pudesse revelar a identidade das participantes foi omitido, sendo utilizados nomes fict&iacute;cios para referirem-se as mesmas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O projeto no qual se baseia a presente pesquisa foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa, conforme parecer n&ordm; 491.611, de 11&#47;12&#47;2013. Antes de cada entrevista, foi apresentado e assinado pelas participantes o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme a Resolu&ccedil;&atilde;o n&deg; 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Sa&uacute;de.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para a avalia&ccedil;&atilde;o do material obtido atrav&eacute;s das entrevistas, foi realizada uma an&aacute;lise de conte&uacute;do, que conforme Bardin (2010) consiste em um conjunto de t&eacute;cnicas de an&aacute;lise das comunica&ccedil;&otilde;es que utiliza procedimentos e objetivos de descri&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do das mensagens. As categorias de an&aacute;lise foram estabelecidas a partir dos dados obtidos atrav&eacute;s das entrevistas, sendo que a sele&ccedil;&atilde;o dos temas das perguntas realizadas contribuiu para a constitui&ccedil;&atilde;o das categorias que visavam atender aos objetivos da pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Apresenta&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise dos dados</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Caso I</i>: Mulher de trinta e cinco anos, com curso de gradua&ccedil;&atilde;o, duas p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es conclu&iacute;das e mestrado em andamento. Trabalha tr&ecirc;s turnos em duas empresas diferentes. Morou junto com um companheiro por algum tempo, mas no momento n&atilde;o est&aacute; em um relacionamento est&aacute;vel. Mora sozinha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Caso II</i>: Mulher de trinta e um anos, com curso de gradua&ccedil;&atilde;o e mestrado conclu&iacute;do. Trabalha em duas empresas em turnos diferentes. Teve um namoro que durou sete anos, mas n&atilde;o chegou a morar junto com o companheiro. N&atilde;o est&aacute; em um relacionamento est&aacute;vel no momento. Mora com os pais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Caso III</i>: Mulher de trinta e quatro anos, com curso de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. Trabalha em uma empresa h&aacute; quatro anos, o dia todo e, &agrave;s vezes, faz horas extras &agrave; noite e participa de eventos aos finais de semana. Namora h&aacute; oito anos e tem planos de ir morar junto com companheiro. Atualmente mora sozinha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Caso IV</i>: Mulher de trinta e tr&ecirc;s anos, com curso de gradua&ccedil;&atilde;o e duas p&oacute;s-gradua&ccedil;&otilde;es. Trabalha pela parte da manh&atilde; em uma empresa, na parte da tarde em outra e faz atividades extras &agrave; noite (artesanato e confeitaria). Est&aacute; namorando h&aacute; oito meses, teve namoros anteriores que duraram alguns anos, mas n&atilde;o chegou a morar junto com nenhum companheiro. Atualmente mora com os pais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><i>Caso V</i>: Mulher de quarenta e uma anos, com curso de gradua&ccedil;&atilde;o. Trabalha durante o dia em uma empresa. Morou cinco anos com o companheiro, mas atualmente moram em casas separadas h&aacute; um ano. Mora sozinha.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Atrav&eacute;s da an&aacute;lise de conte&uacute;do das entrevistas, visando atendar aos objetivos da pesquisa, optou-se pela classifica&ccedil;&atilde;o em categorias tem&aacute;ticas. A 1&ordf; categoria busca compreender o que as mulheres pensam sobre o casamento; a 2&ordf; categoria pretende entender o que elas pensam sobre a separa&ccedil;&atilde;o&#47;div&oacute;rcio; a 3&ordf; procurou compreender o que as mulheres financeiramente independentes levam em considera&ccedil;&atilde;o no momento da escolha do parceiro; a 4&ordf; categoria visa entender se a independ&ecirc;ncia financeira influencia na escolha dos parceiros; e por fim, a 5&ordf; categoria analisou a influ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia financeira das mulheres na decis&atilde;o de ter filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Casamento</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando questionada sobre o que pensa sobre o casamento a entrevistada II trouxe a ideia da mudan&ccedil;a que houve no significado do casamento com rela&ccedil;&atilde;o h&aacute; &eacute;pocas passadas, o que foi considerado por ela como certa banaliza&ccedil;&atilde;o, pois segundo ela, hoje em dia n&atilde;o se casa apenas por amor, mas por outros interesses tamb&eacute;m. Portanto, essa banaliza&ccedil;&atilde;o pareceu estar ligada a vis&atilde;o de que o casamento j&aacute; n&atilde;o &eacute; mais visto relacionado com a ideia de amor rom&acirc;ntico, apresentada por Lins (2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contribui tamb&eacute;m para essa no&ccedil;&atilde;o de desmistifica&ccedil;&atilde;o do amor rom&acirc;ntico e de conto de fadas o fato de que quando questionadas se houve mudan&ccedil;a com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; forma de pensar sobre casamento com o passar do tempo e com as experi&ecirc;ncias, tr&ecirc;s das entrevistadas consideraram que sim. A entrevistada I comentou que quando era adolescente imaginava que encontraria uma pessoa por quem se apaixonaria e com que ficaria o resto da vida: <i>&ldquo;E tinha tamb&eacute;m alguma coisa meio que de conto de fadas, sabe, que ia ser aquele pr&iacute;ncipe encantado, e que ele ia fazer tudo do jeito perfeito, sempre, eu achava que ia ser assim, mas com o passar do tempo isso foi se desconstruindo&rdquo;</i>. A entrevistada III comentou que apesar de sempre ter imaginado como seria seu casamento, mudou um pouco a concep&ccedil;&atilde;o e hoje, pela praticidade e pela quest&atilde;o financeira, aposta mais na uni&atilde;o est&aacute;vel. J&aacute; a entrevistada IV, comentou que quando adolescente imaginava uma super-festa, com igreja e vestido branco, mas hoje pensando em casamento a inten&ccedil;&atilde;o de apenas morar junto &ldquo;<i>sem muita frescura</i>&rdquo; &eacute; o que considera mais apropriado.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, ao falar sobre casamento a entrevistada I trouxe a desmistifica&ccedil;&atilde;o da necessidade de pensar em algo eterno, com a possibilidade de troca caso n&atilde;o esteja bom, ou como algo meio descart&aacute;vel, utilizando a frase: &ldquo;<i>Que seja eterno enquanto dure</i>&rdquo;. Tr&ecirc;s outras entrevistadas II, III e IV, tamb&eacute;m trouxeram a vis&atilde;o de casamento ligada a de uni&atilde;o est&aacute;vel e de morar junto, sem um compromisso formal, o que tamb&eacute;m colabora para pensar no estabelecimento de um relacionamento sem a no&ccedil;&atilde;o de eternidade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada V, que j&aacute; teve a experi&ecirc;ncia de morar junto com o parceiro, trouxe a vis&atilde;o de casamento como uma parceria, &ldquo;<i>compartilhamento e companheirismo</i>&rdquo; foram as palavras usadas por ela para definir casamento. Dessa forma, pode-se considerar que n&atilde;o existe a vis&atilde;o patriarcal de superioridade do homem e de submiss&atilde;o da mulher, mas uma rela&ccedil;&atilde;o de igual para igual: &ldquo;<i>Eu acho que o casamento &eacute; uma parceria, &eacute; um estado em que se compartilha com a outra pessoa uma vida, as decis&otilde;es, compartilha momentos</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir desses trechos das entrevistas, pode-se perceber que a ideia de casamento como sin&ocirc;nimo de &ldquo;felizes para sempre&rdquo; se existiu em algum momento, acabou sendo desconstru&iacute;da ao longo da viv&ecirc;ncia das entrevistadas. Conforme Feres-Carneiro (1998) ocorreu uma fragmenta&ccedil;&atilde;o do amor rom&acirc;ntico, ou seja, percebe-se uma vis&atilde;o bem mais realista, sem a imagem de conto de fadas, pois se considera que &eacute; importante estar bem na rela&ccedil;&atilde;o para que ela continue.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O incentivo da fam&iacute;lia em estudar, a praticidade e as prioridades profissionais s&atilde;o os motivos apresentados para que o casamento n&atilde;o seja visto como uma prioridade por quatro das mulheres entrevistadas. A entrevistada II declarou que &ldquo;<i>Sempre tive muito incentivo de estudar na minha fam&iacute;lia e talvez por isso que para mim n&atilde;o era um sonho primordial, vamos dizer assim: casar</i>&rdquo;. J&aacute; as entrevistadas III e IV disseram acreditar que atualmente a praticidade da uni&atilde;o est&aacute;vel substitui a ideia de casamento tradicional, com vestido branco e igreja. E por &uacute;ltimo, a entrevistada I declarou que devido &agrave; dedica&ccedil;&atilde;o a vida profissional e aos estudos n&atilde;o consegue abrir espa&ccedil;o e conciliar os relacionamentos com o trabalho, e acredita que por isso, n&atilde;o tenha se casado ainda.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O significado dado ao casamento lembra a defini&ccedil;&atilde;o de relacionamento puro apresentada por Feres-Carneiro (2010), onde a rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o visa nem &agrave; procria&ccedil;&atilde;o, nem se pauta na indissolubilidade, mas pode ser desfeita a qualquer momento quando n&atilde;o for gratificante para qualquer uma das partes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Separa&ccedil;&atilde;o&#47;Div&oacute;rcio</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando questionadas sobre o que pensam sobre separa&ccedil;&atilde;o&#47;div&oacute;rcio, observa-se certa ambival&ecirc;ncia nas respostas das entrevistadas. De um lado a separa&ccedil;&atilde;o &eacute; vista como positiva, pois possibilita uma maior autonomia e decis&atilde;o de escolha, fica-se junto enquanto est&aacute; bom, de outro, apontam para um lado considerado negativo, pelo fato de que n&atilde;o se fazem mais esfor&ccedil;os para manter a rela&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada I disse &ldquo;<i>As pessoas s&atilde;o livres para fazer as escolhas que elas quiserem fazer &#91;...&#93;. Toda a escolha, claro, tem uma consequ&ecirc;ncia, mas elas escolhem, s&atilde;o livres para escolher, eu n&atilde;o vejo como uma coisa ruim</i>&rdquo;. A entrevistada II afirmou que &ldquo;<i>Separa&ccedil;&atilde;o&#47;div&oacute;rcio, tamb&eacute;m eu acredito que hoje em dia como a mulher n&atilde;o &eacute; obrigada a aturar algumas coisas, a ser submissa, por exemplo, ficou muito mais f&aacute;cil</i>...&rdquo;, e ainda, a entrevistada III declarou que &ldquo;<i>Se n&atilde;o t&aacute; legal, hoje em dia eu acho que n&atilde;o vale a pena continuar, porque voc&ecirc; n&atilde;o depende da pessoa para ter um subs&iacute;dio de comer, de morar, disso, daquilo</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nota-se, portanto, que as entrevistadas apontaram a quest&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o ligada &agrave; ideia de liberdade e de independ&ecirc;ncia, onde a mulher passa a poder optar se deseja ou n&atilde;o manter o casamento ou a rela&ccedil;&atilde;o, sendo que antes n&atilde;o tinha essa liberdade e era obrigada simplesmente a aturar a uni&atilde;o, independente de ela ser boa ou n&atilde;o. A entrevistada I considera que ocorreu uma &ldquo;<i>mudan&ccedil;a cultural</i>&rdquo; que passou a permitir a separa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao mesmo tempo em que revelam a quest&atilde;o positiva de maior autonomia, as respostas de tr&ecirc;s entrevistadas apontam tamb&eacute;m para um lado considerado negativo, pelo fato de que n&atilde;o se fazem mais esfor&ccedil;os para manter a rela&ccedil;&atilde;o. Pois, a facilidade de se separar faz com que os casais n&atilde;o invistam mais no relacionamento, n&atilde;o existindo um esfor&ccedil;o de ambos para manter uma boa conviv&ecirc;ncia depois de terminada a fase da paix&atilde;o e iniciado os conflitos. Que colabora com a ideia de Borges (2013) ao afirmar que as mulheres contempor&acirc;neas parecem estar investindo menos no casamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Contribuem para essa vis&atilde;o afirma&ccedil;&otilde;es como a da entrevistada II &ldquo;<i>... qualquer casal hoje, geralmente que tem um conflito, n&atilde;o enfrenta ele e acaba se separando, enfim, eu acho que banalizou tamb&eacute;m nesse sentido</i>&rdquo;. Da entrevistada IV, quando diz: &ldquo;<i>Eu acho negativo. Porque as coisas se diluem, parece que sentimento j&aacute; n&atilde;o tem mais tanto valor...</i>&rdquo;. E ainda, da entrevistada V: &ldquo;<i>Eu penso que hoje est&aacute; muito banalizada esta quest&atilde;o. &#91;...&#93; porque se tu se divorciar, o que tu v&ecirc; hoje, que ocorre um segundo casamento, um novo div&oacute;rcio, terceiro casamento, um novo div&oacute;rcio</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Dessa forma, as entrevistadas I e III ressaltaram mais os aspectos positivos da separa&ccedil;&atilde;o, j&aacute; as entrevistadas IV e V ressaltaram mais os aspectos negativos e, por fim, a entrevistada II considerou ambos os aspectos ao falar sobre o que pensa sobre separa&ccedil;&atilde;o. No entanto, apenas a entrevistada IV demonstrou certa avers&atilde;o &agrave; ideia de separa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o vendo isso como uma possibilidade futura, ao afirmar que &ldquo;<i>Eu espero que nunca aconte&ccedil;a comigo</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A independ&ecirc;ncia financeira &eacute; apontada pela entrevistada II e III como um dos fatores de aumento da autonomia, pois n&atilde;o &eacute; mais necess&aacute;rio que se &ldquo;ature&rdquo; um relacionamento por depender do companheiro financeiramente, como faziam as m&atilde;es e av&oacute;s. Ressaltando-se a quest&atilde;o de op&ccedil;&otilde;es e escolha. Isso foi bastante destacado nesse trecho da fala da entrevistada III: &ldquo;<i>Eu acho que mudou bastante com o passar do tempo, se a gente olhar para a nossa realidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; das nossas m&atilde;es elas vem de uma condi&ccedil;&atilde;o que elas... a minha m&atilde;e em especial, se ela precisar de dinheiro para qualquer coisa ela precisa do recurso financeiro do meu pai, ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; aquela independ&ecirc;ncia que hoje eu tenho&rdquo;.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tanto a acess&atilde;o da mulher ao mercado de trabalho, quanto o aumento de sua independ&ecirc;ncia financeira, parece influenciar a vis&atilde;o de separa&ccedil;&atilde;o, pois aumenta sua autonomia e poder de decis&atilde;o, colaborando com o que McGoldrick (1995) e Lins (2010) perceberam em suas pesquisas. No entanto, chama aten&ccedil;&atilde;o a preocupa&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao fato de que a facilidade de se separar foi apontada como fator que contribui para diminuir a dedica&ccedil;&atilde;o do casal para tentar solucionar conflitos, o que foi apresentado no discurso das entrevistadas II, IV e V. Se antes, a submiss&atilde;o da mulher determinada pela sociedade patriarcal era fator que contribu&iacute;a para a continuidade do casamento, baseado no mito do &ldquo;feliz para sempre&rdquo;, na atualidade, parece que a autonomia e o poder de decis&atilde;o aumentaram os conflitos dentro do casal e a dificuldade de resolv&ecirc;-los.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Escolha dos parceiros</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando questionados sobre o que levam em considera&ccedil;&atilde;o no momento de escolher um parceiro, as entrevistadas destacaram: compatibilidade de ideias, objetivos de vida e valores pessoais comuns, bom humor, n&iacute;vel de escolaridade semelhante, o parceiro deix&aacute;-la trabalhar e apoiar seus projetos. As entrevistadas I, III e IV disseram que ter um bom di&aacute;logo e poder conversar bastante, sobre assuntos diferentes com o parceiro &eacute; um item que influencia bastante.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada V destacou que o que busca hoje em um parceiro difere do que buscava no passado &ldquo;<i>&#91;...&#93; dependendo da idade eu acho que a gente pensa coisas diferentes, porque quando tu &eacute; mais jovem tu pensa em romance, hoje claro, isso &eacute; importante, tem que gostar da pessoa, mas j&aacute; pensaria tamb&eacute;m nessa quest&atilde;o de afinidade &#91;...&#93;</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, a impress&atilde;o &eacute; de que o mito do pr&iacute;ncipe encantado parece n&atilde;o estar presente na escolha de parceiros das entrevistadas. A vis&atilde;o do estere&oacute;tipo masculino como o her&oacute;i, com caracter&iacute;sticas de duro, impetuoso, dominador e inexpressivo, apresentada por Lins (2012) &eacute; substitu&iacute;da pela de um companheiro mais sens&iacute;vel, compreensivo e que valorize a comunica&ccedil;&atilde;o. Pode-se considerar que o fato de tr&ecirc;s das entrevistadas destacarem a import&acirc;ncia do di&aacute;logo substitui a ideia da submiss&atilde;o, abrindo espa&ccedil;o para a igualdade e a liberdade de express&atilde;o da mulher dentro do casal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apenas a entrevistada II trouxe como item que o parceiro teria que ser trabalhador e batalhar para conseguir uma vida agrad&aacute;vel e est&aacute;vel, o que se encaixa mais nos objetivos em comum (pois ela faria o mesmo), do que no estere&oacute;tipo de provedor de Lins (2012) e Bisoli-Alves (2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quest&atilde;o apresentada por Feres-Carneiro (2010) de que o relacionar-se &eacute; um contexto marcado pela ambival&ecirc;ncia entre estabelecer e temer um v&iacute;nculo permanente e por Anton (2012) de conciliar desejos opostos como o da liberdade com o comprometimento e o da individualidade com o v&iacute;nculo, aparece no discurso de duas entrevistadas. Bem como, s&atilde;o encontradas semelhan&ccedil;as com conclus&otilde;es de Borges (2013), que destaca que as mulheres contempor&acirc;neas prezam pela individualidade, pela liberdade e independ&ecirc;ncia pessoal e financeira, s&atilde;o encontradas. Entrevistada I: &ldquo;<i>&#91;...&#93; de certa forma algu&eacute;m que me permita ainda ser bastante livre</i>&rdquo; e entrevistada III: &ldquo;<i>	Eu confesso para ti que o fato de ir morar junto est&aacute; me causando um sofrimento. &#91;...&#93; &eacute; uma decis&atilde;o dif&iacute;cil para quem mora sozinha e para quem tem uma independ&ecirc;ncia como eu tenho</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">At&eacute; o s&eacute;culo XX, conforme Lins (2012) a mulher que n&atilde;o se casasse era considerada fracassada e tinha seu prest&iacute;gio diminu&iacute;do. Atualmente, conforme o discurso acima nota-se que o fato de abrir m&atilde;o da independ&ecirc;ncia de morar sozinha parece trazer certo sofrimento e d&uacute;vida na hora de tomar a decis&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Influ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia financeira na escolha do parceiro</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Todas as entrevistadas consideram que existe uma influ&ecirc;ncia de sua independ&ecirc;ncia financeira na escolha de seus parceiros. Seja pelo fato de elas se importarem que os poss&iacute;veis parceiros tamb&eacute;m j&aacute; tenham conquistado sua independ&ecirc;ncia, seja pela necessidade de que o parceiro esteja aberto para se relacionar com uma mulher que &eacute; financeiramente independente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As entrevistadas II, III e IV comentaram que analisam se o homem tamb&eacute;m j&aacute; &eacute; financeiramente independente quando conhecem um poss&iacute;vel pretendente. A entrevistada IV afirmou que &ldquo;... <i>eu n&atilde;o ia aguentar namorar com uma pessoa que precisa ficar pedindo dinheiro para pai e m&atilde;e</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada I comentou que a independ&ecirc;ncia financeira influencia porque alguns homens ainda tem dificuldade de lidar com isso, apesar de se dizerem abertos. Isso parece estar bastante ligado &agrave; vis&atilde;o patriarcal de sociedade que ainda n&atilde;o foi totalmente superada, onde &eacute; inadmiss&iacute;vel um homem aceitar dividir uma conta ou permitir que a mulher pague.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada V inicialmente ficou em d&uacute;vida se influencia ou n&atilde;o, mas depois considerou que talvez a influ&ecirc;ncia esteja no fato de que, quando uma mulher financeiramente independente vai escolher o parceiro, ela n&atilde;o vai precisar se preocupar em escolher algu&eacute;m que lhe d&ecirc; estabilidade. Ou seja, n&atilde;o vai precisar escolher um provedor.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada III considerou que a independ&ecirc;ncia financeira vem a dificultar as rela&ccedil;&otilde;es, no sentido de que deixa tanto o homem quanto a mulher mais inseguro, pois: &ldquo;<i>Voc&ecirc; n&atilde;o tem mais aquela coisa de um certo controle, vou buscar em casa, vou levar, vou trazer</i>&rdquo;. Isso, para ela &eacute; considerado como algo positivo, porque deixou a mulher de certa forma menos dependente e isso &eacute; um desafio para os homens: &ldquo;<i>Porque a partir do momento que eles quiserem conquistar algu&eacute;m legal, eles tamb&eacute;m v&atilde;o ter que se tornar pessoas legais&rdquo;.</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na sociedade patriarcal, mesmo quando havia amor, o casamento estava ligado &agrave; realidade financeira, conforme Lins (2012), isso porque a mulher estava ciente de que seu futuro bem-estar material estava ligado &agrave; situa&ccedil;&atilde;o financeira do seu futuro marido. Ouvindo as entrevistas percebe-se que a situa&ccedil;&atilde;o financeira continua interferindo, n&atilde;o porque as mulheres precisem dos homens para alcan&ccedil;ar uma estabilidade financeira, e sim porque ter um n&iacute;vel de escolaridade e independ&ecirc;ncia financeira semelhantes influencia na compatibilidade de ideias, sonhos, objetivos e principalmente no di&aacute;logo, que s&atilde;o considerados quest&otilde;es importantes no momento da escolha do parceiro.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Influ&ecirc;ncia da independ&ecirc;ncia financeira na decis&atilde;o de ter filhos</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante a entrevista, a pergunta sobre a decis&atilde;o de ter filhos foi a que arrancou mais suspiros e risadas das entrevistadas, parecendo ser um ponto que mexe com as emo&ccedil;&otilde;es, pois apesar de nenhuma delas ser m&atilde;e, todas demonstraram o desejo de ser. Preocupa&ccedil;&atilde;o, planejamento, escolha e ang&uacute;stia s&atilde;o as quest&otilde;es mais comuns observadas nas respostas das mulheres quando questionadas se pretendem ter filhos e como pensam em reorganizar sua vida profissional para isso.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A quest&atilde;o da idade &eacute; um fator que demonstra preocup&aacute;-las, e aparentemente, se n&atilde;o fosse pela quest&atilde;o biol&oacute;gica todas demonstraram a vontade de adiar ainda mais este projeto. Demostram tamb&eacute;m certa inseguran&ccedil;a, medo de se arrepender tanto de ter o filho, como de deixar de t&ecirc;-lo. Justamente o que traz Bee (1997), a preocupa&ccedil;&atilde;o entre o per&iacute;odo f&eacute;rtil versus a acess&atilde;o no mercado de trabalho.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A entrevistada I destaca que se sente preocupada em rela&ccedil;&atilde;o a filhos, porque j&aacute; est&aacute; com 35 anos: &ldquo;<i>Porque assim, &eacute; uma coisa que eu tenho que escolher agora, que se eu n&atilde;o escolher agora eu n&atilde;o sei o que eu vou fazer, n&atilde;o vai ter solu&ccedil;&atilde;o. E a&iacute; &eacute; uma coisa assim, se eu tiver e me arrepender e n&atilde;o posso devolver, mas e se eu n&atilde;o tiver e me arrepender, da&iacute; o que eu vou fazer?&rdquo;. E ela destaca ainda, revelando maior preocupa&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o a filho do que a relacionamento &ldquo;Eu acho que relacionamento ele pode acontecer em qualquer idade da vida, sabe, com algu&eacute;m. Mas filho &eacute; uma idade que para mim est&aacute; ali, eu tenho que decidir e tenho que fazer alguma coisa logo</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O ritmo de trabalho e a dedica&ccedil;&atilde;o &agrave; vida profissional aparentam ter sido fatores que influenciaram no adiamento do projeto de ser m&atilde;e. O que colabora com a ideia de Bee (1997) de que mulheres sem filhos s&atilde;o muito mais inclinadas a ter carreiras em tempo integral e a serem muito mais comprometidas em atingir o sucesso em suas carreiras, de Probst (2003) que afirma que as mulheres t&ecirc;m cada vez mais adiado projetos pessoais, como a maternidade, para consolidar sua posi&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, e ainda, o que &eacute; destacado por Lima et al (2013) sobre o sofrimento e a ang&uacute;stia gerado pelo desequil&iacute;brio entre o trabalho e o lar, e a vis&atilde;o de mulheres executivas que consideram que a maternidade complica a carreira.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso, o fato de n&atilde;o estarem em um relacionamento est&aacute;vel tamb&eacute;m parece exercer influ&ecirc;ncia no adiamento de ter filhos. A entrevistada III, que tem planos de ir morar com seu companheiro disse que o pr&oacute;ximo passo provavelmente seja ter um filho, o que traz a ideia tradicional de fam&iacute;lia, onde primeiro o casal vai morar junto, para depois pensar em filho. A entrevistada II colabora com essa vis&atilde;o ao dizer que &ldquo;<i>&#91;...&#93; mas em fun&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o ter um relacionamento s&eacute;rio, n&atilde;o gostaria (at&eacute; ent&atilde;o pelo menos) de ser m&atilde;e solteira</i>&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a que um filho traria para sua vida todas demostram acreditar que teriam que reduzir a carga hor&aacute;ria de trabalho ou reorganizar a agenda profissional, e muitas vezes, abrir m&atilde;o de algumas coisas para assumir o papel de m&atilde;e. No entanto, apenas a entrevistada V demonstrou disposi&ccedil;&atilde;o de abrir m&atilde;o da sua independ&ecirc;ncia, caso fosse preciso, para ter um filho, o que pode estar relacionado com a quest&atilde;o da idade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A ang&uacute;stia com rela&ccedil;&atilde;o a filhos parece estar ligada a que McGoldrick (1995) e Feres-Carneiro (2010) apresentam sobre conflito de pap&eacute;is familiares e profissionais e a responsabilidade que sempre &eacute; maior para a mulher na dedica&ccedil;&atilde;o com educa&ccedil;&atilde;o e cuidado com os filhos. Pois, todas elas disseram que provavelmente necessitariam reorganizar sua agenda para tornarem-se m&atilde;es, no entanto, apenas as entrevistada II e III mencionaram a participa&ccedil;&atilde;o do parceiro nesse processo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A independ&ecirc;ncia financeira feminina foi uma conquista que aumentou a autonomia na vida das mulheres e contribuiu para a transi&ccedil;&atilde;o da sociedade totalmente patriarcal para formas mais igualit&aacute;rias de rela&ccedil;&atilde;o de homens e mulheres. A grande maioria das mulheres na atualidade n&atilde;o se enquadra no padr&atilde;o de &ldquo;princesa dos contos de fadas&rdquo; que apenas esperava pelo pr&iacute;ncipe encantado que iria &ldquo;salv&aacute;-la&rdquo;, atualmente elas estudam, dedicam-se ao mercado de trabalho e tornam-se independente, deixando em segundo plano os relacionamentos amorosos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A vis&atilde;o das entrevistadas sobre o casamento destacou a mudan&ccedil;a cultural que ocorreu, onde os la&ccedil;os passaram a ser pautados na autonomia e sua dura&ccedil;&atilde;o passou a depender da qualidade da rela&ccedil;&atilde;o, desmistificando o mito do amor rom&acirc;ntico e do &ldquo;viveram felizes para sempre&rdquo;. A uni&atilde;o est&aacute;vel demonstra ser o tipo de relacionamento mais aceito, por ser um v&iacute;nculo mais informal e pr&aacute;tico, o que acaba facilitando a separa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; a separa&ccedil;&atilde;o, &eacute; vista de forma ambivalente, &eacute; considerada como positiva, pois passou a ser uma escolha, no entanto, &eacute; considerada como negativa, pois passou a ser a primeira escolha diante dos conflitos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A acess&atilde;o da mulher ao mercado de trabalho e o aumento da independ&ecirc;ncia influenciou nos relacionamentos, pois estes passaram a ser uma op&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o um meio atrav&eacute;s do qual a mulher passaria a ser mais respeitada e valorizada. A autonomia e o poder de decis&atilde;o tamb&eacute;m parecem ter aumentado os conflitos no relacionamento e a dificuldade de resolv&ecirc;-los, pois antes a ideia de eterno fazia com que as pessoas aturassem e relevassem (principalmente as mulheres) os comportamentos do companheiro, no entanto, na atualidade a autonomia e a independ&ecirc;ncia parece ter tornado as pessoas mais individualistas e menos tolerantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No momento de escolher seus parceiros as mulheres mostram-se exigentes, pois buscam um companheiro no sentido literal da palavra, uma companhia que venha a somar, a agregar. A vis&atilde;o do estere&oacute;tipo masculino como her&oacute;i e provedor &eacute; substitu&iacute;da pela de um companheiro mais sens&iacute;vel, compreensivo e que valorize a comunica&ccedil;&atilde;o, ocorrendo &agrave; substitui&ccedil;&atilde;o da submiss&atilde;o, pela de igualdade e liberdade de express&atilde;o da mulher dentro do casal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A independ&ecirc;ncia financeira influencia na escolha do parceiro, n&atilde;o porque as mulheres precisem dos homens para alcan&ccedil;ar uma estabilidade financeira, e sim porque ter um n&iacute;vel de escolaridade e independ&ecirc;ncia financeira semelhante influenciam na compatibilidade de ideias, sonhos, objetivos e principalmente no di&aacute;logo, que s&atilde;o consideradas quest&otilde;es importantes no momento da escolha do parceiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O maior conflito parece estar na decis&atilde;o de ter filhos, pois diferente do relacionamento amoroso, a gravidez tem prazo limite para acontecer. Preocupa&ccedil;&atilde;o, planejamento, escolha e ang&uacute;stia s&atilde;o os aspectos mais comuns observadas nas respostas das mulheres quando questionadas se pretendem ter filhos e como pensam em reorganizar sua vida profissional para isso. A ang&uacute;stia com rela&ccedil;&atilde;o a filhos parece estar bastante ligada aos conflitos de pap&eacute;is familiares e profissionais e a responsabilidade que sempre &eacute; maior para a mulher na dedica&ccedil;&atilde;o com educa&ccedil;&atilde;o e cuidado com os filhos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sendo essa uma pesquisa de car&aacute;ter qualitativo, n&atilde;o se pretende generalizar os resultados. Portanto, sugere-se a realiza&ccedil;&atilde;o de novas pesquisas relacionadas com a interfer&ecirc;ncia da vida profissional nos relacionamentos amorosos e nos pap&eacute;is sociais assumidos pelas mulheres. Principalmente, fatores relacionados com a maternidade, como a organiza&ccedil;&atilde;o da vida profissional das mulheres ap&oacute;s terem filhos, a satisfa&ccedil;&atilde;o com o exerc&iacute;cio do papel de m&atilde;e, a percep&ccedil;&atilde;o de mulheres que optam por n&atilde;o ter filhos e a organiza&ccedil;&atilde;o do casal moderno diante de tantas mudan&ccedil;as.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Almeida, V., Levandowski, D. C., &amp; Palma, Y. A. (1998). Escolhas Amorosas de Mulheres de Meia-Idade. <i>Pensando Fam&iacute;lias, 12</i>(1), 99-117.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971802&pid=S1679-494X201500010000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Anton, I. L. C. (2012). <i>A escolha do c&ocirc;njuge: um entendimento sist&ecirc;mico e psicodin&acirc;mico</i>. 2. ed. rev. ampl. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971804&pid=S1679-494X201500010000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bardin, L. (2010). <i>An&aacute;lise de conte&uacute;do</i>. ed., rev. e atual. Lisboa, Portugal: Edi&ccedil;&otilde;es 70.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971806&pid=S1679-494X201500010000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bee, H. (1997). O ciclo vital. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971808&pid=S1679-494X201500010000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Biasoli-Alves, Z. M. M. (2000). Continuidades e rupturas no papel da mulher brasileira no s&eacute;culo XX. <i>Psic.: Teor. e Pesq. &#91;online&#93;,16</i>(3), 233-239.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971810&pid=S1679-494X201500010000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Borges, C. C. (2013). Mudan&ccedil;as nas trajet&oacute;rias de vida e identidades de mulheres na contemporaneidade. <i>Psicol. estud. &#91;online&#93;, 18</i>(1), 71-81. Retirado em 20&#47;01&#47;2015 do SciELO (Scientific Eletronic Library Online): <a href="http://www.scielo.br/prc" target="_blank">http:&#47;&#47;www.scielo.br&#47;prc</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971812&pid=S1679-494X201500010000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">F&eacute;res-Carneiro, T. (1998). Casamento contempor&acirc;neo: o dif&iacute;cil conv&iacute;vio da individualidade com a conjugalidade. <i>Psicol. Reflex. Crit., 11</i>(2). Retirado em 11&#47;10&#47;2013 do SciELO (Scientific Eletronic Library Online): <a href="http://www.scielo.br/prc" target="_blank">http:&#47;&#47;www.scielo.br&#47;prc</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971814&pid=S1679-494X201500010000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">F&eacute;res-Carneiro, T. (2010). <i>Casal e fam&iacute;lias: Perman&ecirc;ncias e rupturas</i>. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971816&pid=S1679-494X201500010000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gabel, C. L. M. (2008). O casal: Um estudo sobre o grupo conjugal. <i>Pensando Fam&iacute;lias,12</i>(1), 57-68.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971818&pid=S1679-494X201500010000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gil, A. C. (2002). <i>Como elaborar projetos de pesquisa</i>. 4. ed. S&atilde;o Paulo: Atlas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971820&pid=S1679-494X201500010000600010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Guimar&atilde;es, C. M. B.(2010). <i>At&eacute; que o dinheiro nos separe: A quest&atilde;o financeira nos relacionamentos</i>. S&atilde;o Paulo: Saraiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971822&pid=S1679-494X201500010000600011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Jablonski, B. (2010). A divis&atilde;o de tarefas dom&eacute;sticas entre homens e mulheres no cotidiano do casamento. <i>Psicol. Cienc. Prof. &#91;online&#93;, 30</i>(2), 262-275. Retirado em 23&#47;04&#47;2014 do SciELO (Scientific Eletronic Library Online): <a href="http://www.scielo.br/prc" target="_blank">http:&#47;&#47;www.scielo.br&#47;prc</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971824&pid=S1679-494X201500010000600012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lima, G. S., Neto A.C., Lema M. S., Tanute B. &amp; Versiani. F. (2013). O Teto de Vidro das Executivas Brasileiras. <i>Pretexto, 14</i>(4) p. 65&ndash;80 out.&#47;dez. Retirado em 20&#47;01&#47;2015 do Spell (Scientific Periodicals Electronic Library): <a href="http://www.spell.org.br" target="_blank">www.spell.org.br</a>.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lins, R. N. (2010). <i>A cama na varanda: Arejando nossas ideias a respeito de amor e sexo: novas tend&ecirc;ncias</i>. 4&ordf; ed. Rio de Janeiro: BestSeller.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971827&pid=S1679-494X201500010000600014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lins, R. N. (2012). <i>O livro do amor</i>. Volume 2. 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McGoldrick, <i>As mudan&ccedil;as no ciclo de vida familiar: Uma estrutura para a terapia familiar</i>. 2. ed. Porto Alegre: Artmed.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971833&pid=S1679-494X201500010000600017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Minayo, M. C. S. (org.). (2011). <i>Pesquisa social: Teoria, m&eacute;todo e criatividade</i>. 30 ed. Petr&oacute;polis, RJ: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971835&pid=S1679-494X201500010000600018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Narvaz, M. G., &amp; Koller, S. H. (2006). Fam&iacute;lias e patriarcado: Da prescri&ccedil;&atilde;o normativa &agrave; subvers&atilde;o criativa. <i>Psicol. Soc. &#91;online&#93;, 18</i>(1), 49-55. 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Retirado em 20&#47;01&#47;2015 de Pol&ecirc;m&#33;ca Revista Eletr&ocirc;nica: <a href="http://www.e-publicacoes.uerj.br" target="_blank">http:&#47;&#47;www.e-publicacoes.uerj.br</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4971841&pid=S1679-494X201500010000600021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="end2"></a><a href="#end"><img src="/img/revistas/penf/v19n1/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o   para correspond&ecirc;ncia</a>    <br>   Marivete Leonor Secco    <br>   E-mail: <a href="mailto:marivetesecco@hotmail.com">marivetesecco@hotmail.com</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Michele Gaboardi Lucas    <br> E-mail: <a href="mailto:opmichele@hotmail.com">opmichele@hotmail.com</a></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Enviado em: 21&#47;10&#47;2014    <br> 1&ordf; revis&atilde;o em: 25&#47;01&#47;2015     <br> 2&ordf; revis&atilde;o em: 04&#47;04&#47;2015     <br> Aceito em: 29&#47;05&#47;2015</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="1a"></a><a href="#1">1</a></sup> Acad&ecirc;mica de Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), Unidade de Chapec&oacute; (SC).    <br> <sup><a name="2a"></a><a href="#2">2</a></sup> Psic&oacute;loga, docente da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), Unidade de Chapec&oacute; (SC).</font></p>     ]]></body>
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