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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Um novo olhar sobre a escrita: a contribuição das ciências cognitivas e da semiótica para o desenvolvimento de uma ciência da escrita]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Abstract Despite its vital cognitive and semiotic importance, writing never achieved, by itself, a place of honor at the Academy, except by those studies related to teaching techniques and apprenticeship, or literary studies. Even if those studies are of great value to the comprehension of discourse's genres and writing's teaching methodologies, fundamental aspects of its cognitive and semiotic processes end up totally relegated by each of those approaches limitations. Cognitive Sciences and Semiotics' theoretical ground has been providing the understanding of some of these aspects, collaborating to the establishment of a true Writing Science. The broad and deepening character of these studies is still very narrow, but very promising. © Ciências & Cognição 2004; Vol. 02: 02-10.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <html> <head> <title></title> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"></head>      <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>Artigo Cient&iacute;fico</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="4"><b>Um novo olhar sobre a escrita: a contribui&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias cognitivas e da semi&oacute;tica para o desenvolvimento de uma <i>ci&ecirc;ncia da escrita</i></b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A new sight on writing: cognitive sciences and semiotics contribution to the development of a <i>writing science</i></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Marcel Pauluk</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Departamento de Design - Universidade Federal do Paran&aacute;</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A despeito de sua vital import&acirc;ncia cognitiva e social, a escrita nunca alcan&ccedil;ou, por si mesma, um lugar de destaque dentro da Academia que n&atilde;o fosse atrav&eacute;s de estudos liter&aacute;rios ou relacionados a t&eacute;cnicas de ensino e aprendizagem. Ainda que estes estudos tenham grande valor na compreens&atilde;o dos g&ecirc;neros de discurso e das metodologias de ensino da escrita, aspectos fundamentais de seu funcionamento semi&oacute;tico e cognitivo acabaram por ser totalmente relegados pelas limita&ccedil;&otilde;es pr&oacute;prias de cada uma destas abordagens. O arcabou&ccedil;o te&oacute;rico da Semi&oacute;tica e das Ci&ecirc;ncias Cognitivas tem proporcionado o entendimento de alguns destes aspectos, colaborando para o estabelecimento de uma verdadeira <i>Ci&ecirc;ncia da Escrita</i>. A abrang&ecirc;ncia e o aprofundamento destes estudos ainda &eacute; limitada, por&eacute;m bastante promissora. &copy; Ci&ecirc;ncias &amp; Cogni&ccedil;&atilde;o 2004; Vol. 02: 02-10.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> escrita; semi&oacute;tica; ci&ecirc;ncias cognitivas.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Despite its vital cognitive and semiotic importance, writing never achieved, by itself, a place of honor at the Academy, except by those studies related to teaching techniques and apprenticeship, or literary studies. Even if those studies are of great value to the comprehension of discourse's genres and writing's teaching methodologies, fundamental aspects of its cognitive and semiotic processes end up totally relegated by each of those approaches limitations. Cognitive Sciences and Semiotics' theoretical ground has been providing the understanding of some of these aspects, collaborating to the establishment of a true Writing Science. The broad and deepening character of these studies is still very narrow, but very promising. &copy; Ci&ecirc;ncias &amp; Cogni&ccedil;&atilde;o 2004; Vol. 02: 02-10.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> writing; semiotics; cognitive sciences.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">    <blockquote>"As formas sociais do tempo e do saber que hoje nos parecem ser as mais naturais e incontest&aacute;veis baseiam-se, na verdade, sobre o uso de t&eacute;cnicas historicamente datadas, e portanto transit&oacute;rias. Compreender o lugar fundamental das tecnologias da comunica&ccedil;&atilde;o e da intelig&ecirc;ncia na hist&oacute;ria cultural nos leva a olhar de uma nova maneira a raz&atilde;o, a verdade, e a hist&oacute;ria (...)." (L&eacute;vy, 1993: 38).</blockquote></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">Vivemos num tempo onde as mudan&ccedil;as parecem se suceder t&atilde;o r&aacute;pida e desenfreadamente que a pr&oacute;pria id&eacute;ia de mudan&ccedil;a &eacute; relativizada. &Agrave;s vezes deixamos de perceber os efeitos dessas mudan&ccedil;as pelo fato delas transformarem o modo como se organiza nossa cultura enquanto estamos imersos nela. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As tecnologias digitais est&atilde;o provocando uma revolu&ccedil;&atilde;o em diversos &acirc;mbitos da organiza&ccedil;&atilde;o cultural planet&aacute;ria de modo muito similar &agrave; revolu&ccedil;&atilde;o provocada pelo surgimento da escrita alfab&eacute;tica entre os gregos. Esta revolu&ccedil;&atilde;o tem conseq&uuml;&ecirc;ncias n&atilde;o exatamente previs&iacute;veis, por&eacute;m a altera&ccedil;&atilde;o no uso da linguagem por ela ocasionada nos permite agora, deslocados da posi&ccedil;&atilde;o de imers&atilde;o na qual nos encontr&aacute;vamos anteriormente com rela&ccedil;&atilde;o aos nossos h&aacute;bitos comunicacionais, lan&ccedil;armos um novo olhar, mais consciente, mais distanciado, sobre estes mesmos h&aacute;bitos. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As novas descobertas sobre o funcionamento da escrita nos abrem diversas portas. Elas podem modificar a nossa no&ccedil;&atilde;o de signo, ainda muito ligada a uma ci&ecirc;ncia ling&uuml;&iacute;stica, a qual via a escrita como mera transcri&ccedil;&atilde;o fon&eacute;tica; podem nos trazer novas defini&ccedil;&otilde;es de texto e discurso; podem promover a elabora&ccedil;&atilde;o de novas linguagens gr&aacute;ficas, principalmente para o uso em suportes eletr&ocirc;nicos; podem, al&eacute;m de tudo, estabelecer uma nova maneira de se pensar, pois o esclarecimento das rela&ccedil;&otilde;es que ligam os sistemas de escrita aos modos de pensamento (e de outras rela&ccedil;&otilde;es similares) podem resultar num uso mais consciente das t&eacute;cnicas comunicacionais utilizadas pela humanidade.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Este artigo busca tra&ccedil;ar, apoiado nos avan&ccedil;os te&oacute;ricos da semi&oacute;tica e das ci&ecirc;ncias cognitivas, um pequeno panorama desta revolu&ccedil;&atilde;o que se deu h&aacute; aproximadamente 2700 anos: o surgimento da escrita alfab&eacute;tica. Nesse panorama poderemos ver que muito do que concebemos hoje a respeito de nossa escrita herdamos diretamente das primeiras cr&iacute;ticas a seu respeito. Destes pr&eacute;-conceitos ainda precisamos nos desembara&ccedil;ar. Aqui tamb&eacute;m, ainda que de maneira superficial, iremos tratar das diferen&ccedil;as entre os tipos de escrita existentes. A cr&iacute;tica dessas distin&ccedil;&otilde;es can&ocirc;nicas &eacute; tamb&eacute;m um passo para os novos estudos da escrita. Depois veremos quais foram as principais conseq&uuml;&ecirc;ncias advindas do estabelecimento desta nova t&eacute;cnica entre os gregos e, no desenrolar do tempo, em todo Ocidente. Os estudos semi&oacute;ticos e cognitivos das m&iacute;dias e da cultura (como os do c&iacute;rculo de Toronto) nos alertam para um poss&iacute;vel paralelismo com as mudan&ccedil;as atuais. Por &uacute;ltimo, estabeleceremos o lugar da semi&oacute;tica e das ci&ecirc;ncias cognitivas nos estudos dos sistemas de escrita, com um breve panorama das primeiras abordagens e de alguns resultados alcan&ccedil;ados. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tudo isto deve ser visto como parte de um esfor&ccedil;o maior: o cultivo de um campo, atrav&eacute;s de um esfor&ccedil;o transdisciplinar, para o surgimento de uma verdadeira Ci&ecirc;ncia da Escrita.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A passagem oralidade/escrita</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A oralidade ainda pode ser considerada o principal meio da comunica&ccedil;&atilde;o humana; hoje, por&eacute;m, ela j&aacute; &eacute; permeada pela cultura letrada. A oralidade prim&aacute;ria, aquela das sociedades que n&atilde;o conhecem a escrita ou n&atilde;o fazem uso dela, n&atilde;o pode ser considerada a mesma oralidade que a nossa. Quando falamos, fazemos refer&ecirc;ncias a textos que lemos, usamos constru&ccedil;&otilde;es "liter&aacute;rias" e muitas vezes estudamos o discurso oral com base na sua transcri&ccedil;&atilde;o, opera&ccedil;&otilde;es imposs&iacute;veis numa cultura n&atilde;o-letrada. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O uso da escrita &eacute; uma inven&ccedil;&atilde;o humana recente. O <i>Homo sapiens</i>, que est&aacute; caminhando sobre a terra h&aacute; cerca de 50 mil anos, j&aacute; n&atilde;o mais usava as m&atilde;os na locomo&ccedil;&atilde;o: fazia uso de uma conjuga&ccedil;&atilde;o m&atilde;o-face n&atilde;o s&oacute; para se alimentar, mas para se expressar. Esta coordena&ccedil;&atilde;o, que se exprime no gesto como apoio &agrave; palavra, ir&aacute; se repetir na escrita como transcri&ccedil;&atilde;o dos sons da voz (Leroi-Gourhan, 1990). A arqueologia estabelece o surgimento dos primeiros ind&iacute;cios de utiliza&ccedil;&atilde;o de um sistema linear de escrita em 3.500 a.C., na regi&atilde;o da Mesopot&acirc;mia. Se levarmos em conta os grafismos de qualquer esp&eacute;cie, ent&atilde;o os mais antigos estampam as paredes de algumas cavernas desde 35 mil a.C. (Ong, 1998). A g&ecirc;nese desse comportamento simb&oacute;lico se d&aacute; com a abstra&ccedil;&atilde;o. A linguagem evoluiu do concreto ao abstrato, ou do menos abstrato ao mais abstrato. Os grafismos tamb&eacute;m come&ccedil;am n&atilde;o por "uma representa&ccedil;&atilde;o inocente do real, mas sim do abstrato" (Leroi-Gourhan, 1990:189). Os primeiros sinais teriam exprimido antes ritmos do que formas. A arte figurativa estaria ligada muito mais &agrave; linguagem, pr&oacute;xima da escrita, do que da arte que hoje enxergamos nela.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os primeiros registros de escritas realmente sistematizadas e eficientes, diferentes dos amb&iacute;guos grafismos, traziam um diferencial fundamental: eram lineares. O simbolismo gr&aacute;fico beneficia, relativamente &agrave; linguagem fon&eacute;tica, de uma certa independ&ecirc;ncia: o seu conte&uacute;do exprime, nas tr&ecirc;s dimens&otilde;es do espa&ccedil;o, o que a linguagem exprime na dimens&atilde;o &uacute;nica do tempo. Todas as escritas primitivas, salvo talvez o chin&ecirc;s antigo, possuem grupos de figuras coordenadas em sistemas n&atilde;o necessariamente lineares e sem possibilidades vis&iacute;veis de uma leitura fon&eacute;tica cont&iacute;nua e pass&iacute;vel de repeti&ccedil;&atilde;o exata. A conquista adquirida com a escrita foi precisamente a de fazer subordinar-se completamente &agrave; express&atilde;o fon&eacute;tica, pelo uso do dispositivo linear (Leroi-Gourhan, 1990).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A suposta linearidade da escrita n&atilde;o deve ser confundida com a da fala. A escrita n&atilde;o &eacute; unidimensional como a fala. Ela permite uma s&eacute;rie de dire&ccedil;&otilde;es onde essa linearidade pode ser expressa. O alinhamento trata da orienta&ccedil;&atilde;o do signo escrito em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; superf&iacute;cie em que &eacute; inscrito; n&atilde;o h&aacute; correla&ccedil;&atilde;o no caso da fala (Harris, 1994). A dire&ccedil;&atilde;o, por sua vez, seria o resultado da aplica&ccedil;&atilde;o de um princ&iacute;pio de seq&uuml;encializa&ccedil;&atilde;o &agrave;s possibilidades fornecidas pelo alinhamento (idem). S&atilde;o tr&ecirc;s as dire&ccedil;&otilde;es a se levar em conta: a seguida pelos signos, em linhas ou colunas, a seguida por essas linhas ou colunas e uma terceira, resultado da combina&ccedil;&atilde;o das duas primeiras e que vem a ser a dire&ccedil;&atilde;o obtida ligando-se com uma linha reta o primeiro signo ao &uacute;ltimo numa superf&iacute;cie. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em uso atualmente, temos l&iacute;nguas que se escrevem em colunas verticais, de cima para baixo, da direita para esquerda (e.g. chin&ecirc;s) e da esquerda para direita (e.g. japon&ecirc;s) e escritas em linhas horizontais, de cima para baixo, da direita para a esquerda (e.g. hebreu) e da esquerda para a direita (e.g. portugu&ecirc;s). Nenhuma l&iacute;ngua em uso "corre" de baixo para cima, descreve c&iacute;rculos conc&ecirc;ntricos ou altera sistematicamente a dire&ccedil;&atilde;o de suas linhas (<i>boustrof&eacute;don</i>). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Essas l&iacute;nguas citadas acima n&atilde;o utilizam o mesmo tipo de nota&ccedil;&atilde;o em seus sistemas. Exemplo de escrita realmente alfab&eacute;tica, dentre as citadas anteriormente, somente o portugu&ecirc;s. Mas &eacute; o fato dessas l&iacute;nguas serem representadas atrav&eacute;s de sistemas lineares que impede que elas dependam de uma reconstru&ccedil;&atilde;o do significado de seu simbolismo. No caso dos grafismos, como acontecia com os desenhos rupestres, especula-se que serviam com apoio para, por exemplo, a rememora&ccedil;&atilde;o de um mito. Algo parecido com um livro infantil sem textos, usado por um adulto para narrar uma hist&oacute;ria. Os grafismos em si n&atilde;o representavam a linguagem verbal. Representavam figuras, talvez algumas vezes at&eacute; id&eacute;ias. Sua disposi&ccedil;&atilde;o representava alguma rela&ccedil;&atilde;o que mantinham entre si os elementos, n&atilde;o um desenrolar temporal de um discurso. A lineariza&ccedil;&atilde;o da escrita subordinou-a &agrave; linguagem verbal, fon&eacute;tica e linear. O sistema de escrita deixa assim de ser um sistema paralelo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; express&atilde;o oral para fundir-se com ela num aparelho ling&uuml;&iacute;stico &uacute;nico, instrumento de express&atilde;o e conserva&ccedil;&atilde;o de um pensamento, cada vez mais direcionado para o racioc&iacute;nio (Leroi-Gourhan, 1990). N&atilde;o h&aacute; mais dualismo entre express&atilde;o verbal e gr&aacute;fica. Ambas obedecem &agrave; uma mesma linguagem.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Diferen&ccedil;as entre o alfabeto e outros sistemas de escrita</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">O sistema de escrita que usamos tamb&eacute;m &eacute; portador de caracter&iacute;sticas muito espec&iacute;ficas. Nem todas as formas de se escrever fazem uso de um <i>alfabeto</i>. Existem diversas classifica&ccedil;&otilde;es propostas para identifica&ccedil;&atilde;o dos sistemas de escrita, poucas concordantes ou convergentes. A classifica&ccedil;&atilde;o mais conhecida &eacute; a que divide as escritas entre fonol&oacute;gicas e n&atilde;o-fonol&oacute;gicas. Estas seriam as que fazem uso de pictogramas e ideogramas - desenhos representando coisas ou palavras - e aquelas as que fazem uso de silab&aacute;rios e alfabetos - c&oacute;digos representando unidades sonoras da fala. Esta divis&atilde;o deixa o elenco dos sistemas de escrita, no m&iacute;nimo, incompleto; precisar&iacute;amos somar a estes, pelo menos, os mitogramas e logogramas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os sistemas n&atilde;o-fonol&oacute;gicos seriam aqueles que n&atilde;o fariam refer&ecirc;ncia &agrave; linguagem verbal, ou seja, seriam formas de express&atilde;o independentes da express&atilde;o oral. Algo semelhante a hist&oacute;rias em quadrinhos "mudas". Todos os sistemas de escrita, com exce&ccedil;&atilde;o dos de silab&aacute;rio e de alfabeto, seriam n&atilde;o-fonol&oacute;gicos. Isso n&atilde;o &eacute; exatamente correto. Alguns sistemas, como os de pictogramas, efetivamente n&atilde;o fazem um uso convencionado ou relacionado &agrave; linguagem fon&eacute;tica. Os pictogramas s&atilde;o desenhos reconhec&iacute;veis de alguma entidade como ela existe no mundo. &Eacute; um tipo de escrita onde "ler" significa simplesmente reconhecer aquilo que est&aacute; representado. Grande parte das placas de tr&acirc;nsito, como aquelas representando animais na pista ou homens trabalhando, podem ser consideradas pictogramas modernos. Por&eacute;m n&atilde;o poderiam ser considerados mitogramas, j&aacute; que n&atilde;o desenvolvem uma narrativa. O melhor exemplo de um mitograma seria aquele do livro infantil sem palavras, que pode conter tanto pictogramas como tamb&eacute;m pode incluir desenhos abstratos, desde que reconhec&iacute;veis ao enunciador do mito. At&eacute; aqui, estamos livres da indexa&ccedil;&atilde;o &agrave; linguagem fon&eacute;tica. Os dois pr&oacute;ximos exemplos, ideogramas e logogramas, al&eacute;m de muito semelhantes, s&atilde;o usados para classificar algumas escritas que claramente reproduzem a parte fonol&oacute;gica de sua l&iacute;ngua verbal, como a escrita cuneiforme, surgida no Ocidente-Pr&oacute;ximo cerca de 3 mil a.C., em que alguns s&iacute;mbolos representavam palavras ou alguma parte do s&iacute;mbolo continha elementos ling&uuml;&iacute;sticos. No entanto, a escrita cuneiforme &eacute; considerada ideogr&aacute;fica: seus s&iacute;mbolos ou n&atilde;o correspondem mais a uma aproxima&ccedil;&atilde;o pict&oacute;rica com o objeto que representam ou representam conceitos abstratos. A escrita logogr&aacute;fica, por sua vez, &eacute; aquela onde os s&iacute;mbolos representam palavras. O chin&ecirc;s &eacute; o exemplo cl&aacute;ssico, ainda que parcialmente incorreto: seus s&iacute;mbolos muitas vezes representam apenas partes de palavras. O maior problema destes sistemas &eacute; o enorme repert&oacute;rio de s&iacute;mbolos que precisa ser retido pelo usu&aacute;rio para um m&iacute;nimo de dom&iacute;nio do sistema.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As escritas fonol&oacute;gicas se dividem, como vimos, em sil&aacute;bicas e alfab&eacute;ticas. Nas escritas sil&aacute;bicas, cada s&iacute;mbolo corresponde a uma s&iacute;laba. O sistema japon&ecirc;s <i>katakana</i> &eacute; um dos exemplos mais conhecidos. Por &uacute;ltimo, nosso sistema de escrita, o alfab&eacute;tico. Com o alfabeto h&aacute; uma correspond&ecirc;ncia mais ou menos direta entre os s&iacute;mbolos utilizados, as letras, e os fonemas, ou unidades m&iacute;nimas de som. Ao inv&eacute;s de milhares de logogramas ou algumas centenas de s&iacute;labas, vinte a trinta s&iacute;mbolos d&atilde;o conta de todo o repert&oacute;rio ling&uuml;&iacute;stico de seus usu&aacute;rios. Mas entre os alfabetos existem tamb&eacute;m diferen&ccedil;as: alguns dentre eles representam apenas consoantes, outros vogais e consoantes. Os primeiros alfabetos surgiram aproximadamente em 1700 a.C., nas regi&otilde;es da Palestina e S&iacute;ria. Eram alfabetos consonantais, nos quais se basearam os alfabetos fen&iacute;cio, hebreu e &aacute;rabe. Entre 1000 e 700 a.C., o alfabeto fen&iacute;cio foi adaptado pelos gregos, que adicionaram ou alteraram s&iacute;mbolos para representarem as vogais. Pela primeira vez um discurso podia ser transcrito de forma praticamente n&atilde;o-amb&iacute;gua.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A principal diferen&ccedil;a entre o alfabeto grego e seus precursores, os alfabetos consonantais e os silab&aacute;rios, n&atilde;o est&aacute; exatamente no uso de vogais. A escrita Linear B grega tamb&eacute;m representava as vogais (Havelock, 1996b). O grande defeito dos silab&aacute;rios, mesmo dos que representavam as vogais, &eacute; tentar consignar o uso de um e somente um signo para cada som. Quando escrevemos &lt;ba&gt; estamos usando dois signos, &lt;b&gt; e &lt;a&gt;, para representar um &uacute;nico som concreto "ba". Um silab&aacute;rio usaria somente um. Os silab&aacute;rios trabalham numa base emp&iacute;rica de transcri&ccedil;&atilde;o de sons. J&aacute; os alfabetos consonantais trabalham com a id&eacute;ia de que as consoantes, n&atilde;o sendo sons propriamente, funcionam como c&oacute;digos que indicam como variar a vocaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, a emiss&atilde;o de vogais. Eles n&atilde;o marcavam a vocaliza&ccedil;&atilde;o em si. Seria algo pr&oacute;ximo a um silab&aacute;rio que, ao inv&eacute;s de representar em cinco s&iacute;mbolos &lt;ba&gt;, &lt;be&gt;, &lt;bi&gt;, &lt;bo&gt;, &lt;bu&gt;, usavam apenas &lt;b&gt; indicando essas cinco possibilidades. O leitor, segundo o contexto, decidiria qual.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O grande trunfo dos gregos foi aliar a id&eacute;ia da consoante, este "n&atilde;o-som" segundo os gregos, ao registro da vocaliza&ccedil;&atilde;o, ou seja, &agrave;s vogais. Eles passaram a analisar a unidade ling&uuml;&iacute;stica em dois componentes te&oacute;ricos, a vibra&ccedil;&atilde;o da coluna de ar e a a&ccedil;&atilde;o da boca sobre essa vibra&ccedil;&atilde;o (Havelock, 1996b). Supriram as defici&ecirc;ncias dos alfabetos consonantais e evitaram os excessos dos silab&aacute;rios. Enquanto os sistemas anteriores visavam reproduzir as unidades reais da fala na base de um para um, os gregos produziram um sistema at&ocirc;mico que fragmenta as unidades em pelo menos dois, e possivelmente mais, componentes abstratos. E pela primeira vez os signos usados na escrita passaram a ter nome, n&atilde;o literalmente uma reprodu&ccedil;&atilde;o do seu som, como nos silab&aacute;rios, nem o som da pr&oacute;pria palavra, como no caso dos logogramas, mas nomes pr&oacute;prios, como <i>alfa, sigma, kappa</i> etc. e hoje, no portugu&ecirc;s, <i>&eacute;fe, ag&aacute;, jota</i> etc. para serem decorados mecanicamente, sem que seus nomes lhes vinculassem a algum sentido espec&iacute;fico. O alfabeto tornou a escrita uma t&eacute;cnica que apaga a si mesma, que esconde seu rastro (Derrida, 1999) e portanto cessa de interpor-se entre o leitor e sua recorda&ccedil;&atilde;o da l&iacute;ngua falada. O sentido passa a "soar" no c&eacute;rebro sem refer&ecirc;ncia &agrave;s letras utilizadas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A escrita e a conscientiza&ccedil;&atilde;o da estrutura do discurso</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&Agrave; medida em que o uso do alfabeto foi se popularizando e sua arte dominada, suas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias foram resultando num crescente e gradual aumento da consci&ecirc;ncia a respeito do discurso oral. Aquilo que era tido como um fluxo cont&iacute;nuo, dependente de um ser humano para o enunciar, passa a ser visto como algo independente, concreto, composto de unidades menores e discretas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O discurso, sendo transcrito em sinais gr&aacute;ficos eficientes, separa-se daquele que o pronunciou. O conte&uacute;do das declara&ccedil;&otilde;es feitas torna-se tamb&eacute;m independente, objetivado como pensamento, id&eacute;ia, no&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m exist&ecirc;ncia pr&oacute;pria. A comunica&ccedil;&atilde;o escrita elimina a media&ccedil;&atilde;o humana contextual (quando algu&eacute;m enunciava um mito, este mito vinha sempre "recontado", sempre o mesmo mas sempre diferente). Disso resultou uma incessante pr&aacute;tica de interpreta&ccedil;&atilde;o de textos. Quanto mais amb&iacute;guas as escritas em que se punham os discursos, maior a necessidade da interpreta&ccedil;&atilde;o. A <i>Tor&aacute;</i> judaica &eacute; um bom exemplo disso, j&aacute; que escrita em sistema alfab&eacute;tico consonantal, dando margem a muitas ambig&uuml;idades no texto, criou para si uma vasta tradi&ccedil;&atilde;o de exegetas. O hipertexto digital pode ser usado como met&aacute;fora para essas interpreta&ccedil;&otilde;es: ramifica&ccedil;&otilde;es sem&acirc;nticas dos textos originais, por vezes j&aacute; muito distanciadas da &eacute;poca, do contexto e das inten&ccedil;&otilde;es do texto (L&eacute;vy, 1993). A escrita criou a primeira rede de informa&ccedil;&otilde;es externa &agrave; mem&oacute;ria humana (por&eacute;m ainda anal&oacute;gica).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Essa objetiva&ccedil;&atilde;o, essa concretiza&ccedil;&atilde;o do discurso sobre um suporte &eacute; tamb&eacute;m respons&aacute;vel pela busca de uma universalidade, pela busca de autonomia com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s tradi&ccedil;&otilde;es e da ascens&atilde;o do g&ecirc;nero te&oacute;rico. O discurso, se n&atilde;o prescinde da tradi&ccedil;&atilde;o, pode ao menos sempre confrontar-se com ela, j&aacute; que pode estabelecer seus pr&oacute;prios par&acirc;metros interpretativos, sendo visto como uma id&eacute;ia, e a tradi&ccedil;&atilde;o sendo vista igualmente como outra. E por ser visto abstra&iacute;do de seu autor, pode-se pensar na exist&ecirc;ncia de id&eacute;ias por si mesmas, como fez Plat&atilde;o, &agrave; parte sua cr&iacute;tica &agrave; escrita. Essas id&eacute;ias podem concretamente viajar pelo mundo afora, encontrando novas interpreta&ccedil;&otilde;es e desdobramentos, fundando "escolas" e se acumulando em bibliotecas. O pensamento humano abstraiu-se a si mesmo, separou-se do homem e transformou-se em objeto. Inclusive em objeto do pr&oacute;prio conhecimento humano.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Transferindo a manuten&ccedil;&atilde;o das id&eacute;ias da cabe&ccedil;a para um suporte concreto, o homem tirou de suas costas um peso ps&iacute;quico (Havelock, 1996). Uma parte da aten&ccedil;&atilde;o previamente concentrada na recita&ccedil;&atilde;o de uma parte de um poema, por exemplo, vem a dirigir-se para a contempla&ccedil;&atilde;o do conjunto, o que antes era imposs&iacute;vel, pois a enuncia&ccedil;&atilde;o oral n&atilde;o se presta a uma an&aacute;lise mais demorada. Uma esp&eacute;cie de "energia" que antes n&atilde;o se achava dispon&iacute;vel foi liberada: aquela utilizada para rememorar. As conseq&uuml;&ecirc;ncias disso se manifestaram em muitas esferas da atividade humana, al&eacute;m da comunica&ccedil;&atilde;o em si. A libera&ccedil;&atilde;o dessa "energia" mudou definitivamente nossos h&aacute;bitos intelectuais (ibidem). Agora o discurso poderia ser efetivamente "visto" como um ser dotado de cabe&ccedil;a, corpo e membros, como apregoou a ret&oacute;rica cl&aacute;ssica. Elementos gr&aacute;ficos como espa&ccedil;amento entre as palavras (algo inexistente na oralidade), sinais de pontua&ccedil;&atilde;o, t&iacute;tulos e sistemas de arquivamento e ordena&ccedil;&atilde;o possibilitaram a visualiza&ccedil;&atilde;o concreta de um exerc&iacute;cio pragm&aacute;tico antes inconsciente. O aparecimento da imprensa vai abrir ainda mais possibilidades neste sentido, sem contar a vulgariza&ccedil;&atilde;o em massa de toda literatura. Mas quando isso vem a acontecer, seus principais efeitos o alfabeto j&aacute; havia causado.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A escrita alfab&eacute;tica em seu surgimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por&eacute;m, assim como a revolu&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de hoje suscita cr&iacute;ticas ferrenhas e louvores entusiastas, a escrita alfab&eacute;tica, em seu surgimento, encontrou rep&uacute;dio e acolhimento por parte dos gregos. Plat&atilde;o foi provavelmente o primeiro a refletir demoradamente, e ao longo de toda sua obra, em quest&otilde;es que hoje julgamos pertinentes &agrave; linguagem, aos signos, &agrave; escrita. Mas Plat&atilde;o, como n&oacute;s mesmos hoje, encontrava-se imerso numa cultura ainda muito devedora de seus par&acirc;metros anteriores, ou seja, de sua tradi&ccedil;&atilde;o; e no seu caso, a for&ccedil;a exercida por aquela tradi&ccedil;&atilde;o era maior ainda. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A escrita alfab&eacute;tica deve ter aparecido entre os gregos em torno do s&eacute;culo VIII a.C. (Havelock, 1996b). N&atilde;o devemos, contudo, acreditar que essa data representa tamb&eacute;m um per&iacute;odo em que a cultura grega era j&aacute; letrada. Existe, entre a descoberta de uma nova t&eacute;cnica, sua dispers&atilde;o e finalmente seu dom&iacute;nio, tempos de evolu&ccedil;&atilde;o, estagna&ccedil;&atilde;o e, inclusive, retrocesso. Podemos descrever alguns destes est&aacute;gios como <i>pr&eacute;-letrados</i>, <i>perito-letrado, semiletrado, de recita&ccedil;&atilde;o letrada, de cultura letrada escritural, de cultura letrada tipogr&aacute;fica</i> (ibidem) e, agora, de<i> cultura letrada digital </i>(sem falarmos sobre ou relacionarmos &agrave; cultura iconogr&aacute;fica). A Gr&eacute;cia antiga, como qualquer estado moderno, n&atilde;o poderia alfabetizar sua popula&ccedil;&atilde;o de uma hora para outra. Acredita-se que a alfabetiza&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ou a se tornar comum no s&eacute;c. V a.C. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A Gr&eacute;cia deve ter sido, a princ&iacute;pio, perito-letrada, ou seja, apenas algumas pessoas especializadas mantinham o dom&iacute;nio da t&eacute;cnica da escrita. Mas essas pessoas n&atilde;o formaram nenhuma elite (ao contr&aacute;rio do que aconteceu durante a idade m&eacute;dia); na verdade, os primeiros perito-letrados foram os art&iacute;fices gregos, e o dom&iacute;nio da escrita era tido como nenhuma eleva&ccedil;&atilde;o intelectual, mas sim como um artif&iacute;cio t&eacute;cnico qualquer. O escriba grego tinha, a princ&iacute;pio, tanta (talvez menos) import&acirc;ncia quanto um carpinteiro. A escrita em si mesma n&atilde;o era valorizada, pois "prejudicava a mem&oacute;ria" e "estava tr&ecirc;s vezes distante da verdade", segundo nos legam os textos plat&ocirc;nicos.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; importante, para Plat&atilde;o, saber como se conhece e atrav&eacute;s de que se conhece. Sua &eacute;poca &eacute; de mudan&ccedil;as: a trag&eacute;dia e a poesia come&ccedil;am a ser deixadas de lado como sistemas &uacute;nicos de transmiss&atilde;o de cultura, substitu&iacute;das progressivamente pela escrita. A palavra <i>grammatik&oacute;s</i> entrou em uso, designando uma pessoa capaz de ler, somente no s&eacute;c. IV a.C (Havelock, 1996b). O modo de pensamento come&ccedil;a a tornar-se filos&oacute;fico e anal&iacute;tico, n&atilde;o mais m&iacute;tico, nem parat&aacute;tico. Plat&atilde;o vai negar aspectos fundamentais da cultura oral na Rep&uacute;blica, condenando a poesia, e vai condenar igualmente a escrita no di&aacute;logo Fedro. Ele defende o pensamento anal&iacute;tico, mas n&atilde;o o percebe como fruto da t&eacute;cnica da escrita. Ele defende a mem&oacute;ria como sin&ocirc;nimo de intelig&ecirc;ncia, sem perceber que ela era mantida viva &agrave;s custas dos expedientes da poesia. Toda essa concep&ccedil;&atilde;o plat&ocirc;nica a respeito de linguagem continuou vigente, de certa forma, at&eacute; hoje. Mesmo grande parte das releituras que negaram as "teorias" plat&ocirc;nicas sobre a linguagem mantiveram vivos, sem perceber, conceitos fundamentais deste <i>logocentrismo</i> (Derrida, 1999). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Esta metaf&iacute;sica da escrita fon&eacute;tica, ou logocentrismo, &eacute; a cren&ccedil;a de que a origem da verdade encontra-se na presen&ccedil;a do <i>l&oacute;gos</i> e de que - como na escrita &eacute; onde o <i>l&oacute;gos</i> n&atilde;o est&aacute; - a ci&ecirc;ncia deve expressar-se atrav&eacute;s de sistemas de nota&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-fon&eacute;ticos (Derrida, 1999). Para isso toda filosofia e ci&ecirc;ncia, toda hist&oacute;ria e literatura, devem apagar de suas consci&ecirc;ncias o uso da escrita; elas fazem um uso <i>recalcado</i> da escrita fon&eacute;tica. Foi por isso que vimos, durante 2500 anos, erguerem-se religi&otilde;es e filosofias e hist&oacute;rias e ling&uuml;&iacute;sticas e etc. que acreditaram numa verdade enunciada e numa escrita morta. Por isso o &uacute;nico espa&ccedil;o cient&iacute;fico que acolheu a escrita foi a mesa de disseca&ccedil;&otilde;es da filologia. E dali para o mausol&eacute;u dos dicion&aacute;rios (mas a ordem pode ser invertida). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O que n&atilde;o p&ocirc;de surgir at&eacute; hoje foi uma verdadeira <i>Ci&ecirc;ncia da Escrita</i>. A partir desse novo ponto de vista proporcionado pelo surgimento das novas t&eacute;cnicas comunicacionais, talvez seja poss&iacute;vel agora a configura&ccedil;&atilde;o e o estabelecimento desta ci&ecirc;ncia. Avan&ccedil;os foram feitos. Muitos campos do saber colaboram, por&eacute;m todo esse esfor&ccedil;o ainda n&atilde;o &eacute; conjugado, muito menos comum, ou sequer coordenado. Por mais transdisciplinar que venha a ser uma ci&ecirc;ncia da escrita, ela precisa ser coesa, ter seu lugar e ganhar a ordem do dia.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Duas ci&ecirc;ncias emergentes nestes estudos t&ecirc;m sido a semi&oacute;tica e as ci&ecirc;ncias cognitivas. Um pouco atrasadas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s outras no que diz respeito ao estudo dos sistemas de escrita, estas ci&ecirc;ncias tiveram o trabalho de se desvencilhar de uma s&eacute;rie de paradigmas ultrapassados e obsoletos que obscureciam seu desenvolvimento. Mas hoje, ao se olhar o trabalho erigido dentro destas disciplinas - um trabalho met&oacute;dico e longe das luzes ofuscantes dos assuntos do momento - pode-se ver que os passos dados est&atilde;o levando mais longe que todos os outros avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados, gra&ccedil;as mesmo &agrave;s f&eacute;rteis discuss&otilde;es e esfor&ccedil;os para supera&ccedil;&atilde;o dos entraves comuns neste &acirc;mbito.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>O papel das ci&ecirc;ncias cognitivas e da semi&oacute;tica na configura&ccedil;&atilde;o de uma ci&ecirc;ncia da escrita</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">As primeiras abordagens da escrita que se utilizaram da moderna teoria dos signos, ou seja, daquela fundada principalmente na semi&oacute;tica de Charles S. Peirce e na semiologia estruturalista desenvolvida a partir da proposta de Saussure, come&ccedil;aram a aparecer desde o &uacute;ltimo quartel do s&eacute;culo XX. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Os escritos de Peirce (1839-1914) propunham uma defini&ccedil;&atilde;o e uma classifica&ccedil;&atilde;o muito mais rigorosa dos signos, baseadas em sua vis&atilde;o pansemi&oacute;tica (N&ouml;th, 1998) do mundo e condizentes com sua filosofia, batizada pragmatista. A absor&ccedil;&atilde;o, muitas vezes de maneira lenta e indireta, destas novas id&eacute;ias pela intelectualidade mundial resultaram no rompimento com velhos preconceitos e no surgimento de novas perspectivas em praticamente todos os &acirc;mbitos cient&iacute;ficos, efeitos estes que s&atilde;o sentidos at&eacute; hoje (Ketner, 1995). A influ&ecirc;ncia de Peirce nas primeiras abordagens semi&oacute;ticas da escrita ainda aparece de modo difuso, como por exemplo na cr&iacute;tica ao fonocentrismo (Derrida, 1997), mas come&ccedil;a a tornar-se mais &oacute;bvia e direta com o desenrolar do tempo, e.g. Watt (1989, 1998), Harris (1994), R&ouml;hr (1994). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A influ&ecirc;ncia da semiologia nota-se ainda mais, j&aacute; que seus la&ccedil;os com a ling&uuml;&iacute;stica s&atilde;o mais evidentes e um certo conhecimento desta disciplina parecia indispens&aacute;vel para quem ousasse lan&ccedil;ar-se sobre a escrita. Uma concep&ccedil;&atilde;o pioneira da escrita como sistema semi&oacute;tico aut&ocirc;nomo foi proposta por Uldall (1944, citado por N&ouml;th, no prelo), baseado na glossem&aacute;tica de Hjelmslev, que era por sua vez um desenvolvimento rigoroso das teorias de Saussure. Muitas outras propostas tamb&eacute;m apareceram, por&eacute;m suas evidentes influ&ecirc;ncias semiol&oacute;gicas muitas vezes estavam impl&iacute;citas em seus m&eacute;todos, quase inconscientemente aplicadas. Como exemplos de exce&ccedil;&otilde;es temos Ruiz (1992), Mulder (1994).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um outro tipo de estudo, que interessava-se pelas conex&otilde;es entre a escrita e o pensamento, ou seja, pelos aspectos cognitivos da escrita, come&ccedil;ou a aparecer mais ou menos na mesma &eacute;poca e chamou-se psicologia cognitiva. Existem numerosos estudos nesta &aacute;rea, tendo suas bases em Vygotsky e Piaget, que se propuseram a explicar o funcionamento da escrita e da leitura e seus processos de aquisi&ccedil;&atilde;o, principalmente atrav&eacute;s da observa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as. A psicologia cognitiva pode ser considerada parte das chamadas ci&ecirc;ncias cognitivas, um agregado transdisciplinar que, de diferentes pontos de vista (mas visando a forma&ccedil;&atilde;o de uma metodologia &uacute;nica), estuda a cogni&ccedil;&atilde;o. As ci&ecirc;ncias cognitivas desenvolveram-se bastante nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas do s&eacute;culo passado, e um de seus motes foram as representa&ccedil;&otilde;es mentais. Valendo-se dos resultados de pesquisas antropol&oacute;gicas e ling&uuml;&iacute;sticas e dos avan&ccedil;os nas neuroci&ecirc;ncias, tamb&eacute;m foram estudadas as representa&ccedil;&otilde;es mentais e os padr&otilde;es perceptivos relacionados com diferentes sistemas de escrita, e.g. Kerckhove e Lumsden (1988), Watt (1994) e Olson (1996).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As aproxima&ccedil;&otilde;es entre os estudos de cunho semi&oacute;tico e os cognitivos s&atilde;o relativamente recentes. Todavia os paradigmas semi&oacute;tico e cognitivo n&atilde;o s&atilde;o de maneira alguma incompat&iacute;veis (N&ouml;th, 1998); pelo contr&aacute;rio, a semi&oacute;tica, como uma <i>Grundlagenwissenschaft</i> (Walter, 1984 citado em Sebeok, s/d), ou seja, uma ci&ecirc;ncia fundadora, de base, deve ser tomada como pressuposto te&oacute;rico das ci&ecirc;ncias cognitivas. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; dentro deste novo quadro te&oacute;rico h&iacute;brido que est&aacute; se desenhando uma das grandes facetas desta nova <i>Ci&ecirc;ncia da Escrita</i>, respons&aacute;vel por desvendar o funcionamento sist&ecirc;mico da escrita em seus n&iacute;veis s&iacute;gnicos e cognitivos. A produ&ccedil;&atilde;o dos estudiosos desta &aacute;rea em desenvolvimento ainda n&atilde;o &eacute; vultuosa nem mesmo possui um paradigma unificado, por&eacute;m &eacute; notoriamente promissora e de grande interesse cient&iacute;fico.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Derrida, J. (1999). <i>Gramatologia</i>. S&atilde;o Paulo: Perspectiva. (Original publicado em 1967).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052164&pid=S1806-5821200400020000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Derrida, J. (1997). <i>A farm&aacute;cia de Plat&atilde;o</i>. S&atilde;o Paulo: Iluminuras. (Original publicado em 1972).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052166&pid=S1806-5821200400020000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Harris, R. (1994). <i>Writing linearity</i>. in <i>Schrift und schriftlichkeit; writing and its use: ein interdisziplinares handbuch internationaler forschung; an interdisciplinary handbook of international research. </i>Walter de Gruyter.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052168&pid=S1806-5821200400020000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Havelock, E. A. (1996). <i>Pref&aacute;cio a Plat&atilde;o</i>. Campinas: Papirus. (Original publicado em 1963).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052170&pid=S1806-5821200400020000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Havelock, E. A. (1996b). <i>A revolu&ccedil;&atilde;o da escrita na Gr&eacute;cia e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias culturais</i>. S&atilde;o Paulo: Unesp; Rio de Janeiro: Paz e Terra. (Original publicado em 1982).</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kerckhove, D.; Lumsden, C. (org.). (1988). <i>The alphabet and the brain: The lateralization of writing</i>. Berlin: Springer-Verlag.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052173&pid=S1806-5821200400020000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ketner, K. L. (ed.) (1995). <i>Peirce and Contemporary Thought: Philosophical Inquiries</i>. New York: Fordham Univ. Pr.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052175&pid=S1806-5821200400020000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">L&eacute;vy, P. (1993). <i>As tecnologias da intelig&ecirc;ncia: O futuro do pensamento na era da inform&aacute;tica</i>. Rio de Janeiro: 34.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Leroi-Gourhan, A. (1990). <i>O gesto e a palavra: 1- T&eacute;cnica e linguagem</i>. Lisboa: Edi&ccedil;&otilde;es 70. (Original publicado em 1964).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052178&pid=S1806-5821200400020000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Mulder, J. W. F. (1994). Written and spoken languages as separate semiotic systems. <i>Semiotica 101</i>, 41-72.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052180&pid=S1806-5821200400020000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">N&ouml;th, W. (1998). <i>Panorama da semi&oacute;tica: de Plat&atilde;o a Peirce</i>. S&atilde;o Paulo: Annablume.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052182&pid=S1806-5821200400020000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">N&ouml;th, W. (no prelo) <i>Manual de Semi&oacute;tica</i>. S&atilde;o Paulo: EDUSP.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052184&pid=S1806-5821200400020000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ong, W. (1998). <i>Oralidade e cultura escrita</i>. Campinas: Papirus. (Original publicado em 1982).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052186&pid=S1806-5821200400020000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Olson, D. R. (1996).<i> The world on paper: The conceptual and cognitive implications of writing and reading</i>. Cambridge: Cambridge.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052188&pid=S1806-5821200400020000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">R&ouml;hr, H. M. (1994). <i>Writing: Its evolution and relation to speech</i>. Bochum: Brockmeyer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052190&pid=S1806-5821200400020000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ruiz, E. (1992). <i>Hacia una semiolog&iacute;a de la escritura</i>. Madri: Pir&aacute;mide.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052192&pid=S1806-5821200400020000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sebeok, T. A. (s/d). <i>A sign is just a sign</i>. Bloomington: Indiana Univ. Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052194&pid=S1806-5821200400020000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Watt, W. C. (1989). The Ras Shamra matrix. <i>Semiotica 74</i>: 61-108.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052196&pid=S1806-5821200400020000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Watt, W. C. (1994). <i>Writing systems and cognition: Perspectives from psychology, physiology, linguistics, and semiotics</i> (Neuropsychology and Cognition, Vol 6). Dordrecht: Kluwer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052198&pid=S1806-5821200400020000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Watt, W. C. (1998). The old-fashioned way. In <i>Semiotica</i> 122: 99-138.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052200&pid=S1806-5821200400020000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Bibliografia consultada</b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Cardona, G. R. (1994). <i>Antropolog&iacute;a de la escritura</i>. Barcelona: Gedisa. (Original publicado em 1981).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052204&pid=S1806-5821200400020000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gardner, H. (1996). <i>A nova ci&ecirc;ncia da mente: Uma hist&oacute;ria da revolu&ccedil;&atilde;o cognitiva</i>. S&atilde;o Paulo: EDUSP. (Original publicado em 1985).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052206&pid=S1806-5821200400020000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sampson, G. (1996). <i>Sistemas de escrita: Tipologia, hist&oacute;ria e psicologia</i>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica. (Original publicado em 1985).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052208&pid=S1806-5821200400020000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Skoyles, J. R. (1984). <i>Alphabet and the western mind</i>. In <i>Nature</i> 309: 409-410.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052210&pid=S1806-5821200400020000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Skoyles, J. R. (1988, dezembro). <i>Vowels of civilization</i>. <i>New Scientist</i>, vol. 120, 69-73.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052212&pid=S1806-5821200400020000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Watt, W. C. (1989b). 666. <i>Semiotica 77</i>: 369-392.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4052214&pid=S1806-5821200400020000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>M. Pauluk</b>    <br> <b>Endere&ccedil;o para contato</b>: Departamento de Design - UFPR, Rua General Carneiro, 460 - Edif&iacute;cio D. Pedro I - 8<sup>o</sup> Andar, Curitiba, PR 80060-150, Brasil.    <br> <b>Telefone</b>: 360-5360    <br> <i>Homepage:</i> <a href="http://www.design.ufpr.br" target="_blank">http://www.design.ufpr.br</a>    <br> <i>e-mail</i>: <a href="mailto:marcelpauluk@ufpr.br" target="_blank">marcelpauluk@ufpr.br</a>.</font></p>  </html>      ]]></body>
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