<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1806-5821</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Ciências & Cognição]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Ciênc. cogn.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1806-5821</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Ciências Cognitivas]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1806-58212006000300016</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[As profundezas do vício: "Quando eu quiser, eu paro!"]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The deepening of the addition: "When I want, I stop!"]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Rolnik]]></surname>
<given-names><![CDATA[Ariel Lorber]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Sholl-Franco]]></surname>
<given-names><![CDATA[Alfred]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A02"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Centro de Ciências da Saúde Faculdade de Medicina]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<aff id="A02">
<institution><![CDATA[,Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Centro de Ciências da Saúde Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF)]]></institution>
<addr-line><![CDATA[Rio de Janeiro Rio de Janeiro]]></addr-line>
<country>Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>01</day>
<month>11</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>01</day>
<month>11</month>
<year>2006</year>
</pub-date>
<volume>9</volume>
<fpage>146</fpage>
<lpage>149</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1806-58212006000300016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1806-58212006000300016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1806-58212006000300016&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><abstract abstract-type="short" xml:lang="pt"><p><![CDATA[O vício é uma patologia altamente prevalente e com grandes implicações sociais. Parte das complexas bases neuroquímicas que alteram a consciência e o comportamento parecem ser compartilhadas entre as diferentes substâncias e outras fontes de prazer. Os estudos neurocientíficos nesta área são de extrema importância, pois podem indicar novos caminhos terapeuticos, como sugere este trabalho. © Ciências & Cognição 2006; Vol. 09: xxx-xxx.]]></p></abstract>
<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The addiction is a pathology with high prevalence and great social implications. Part of the complex neurochemical basis that modify the conscience and the behavior seems to be shared between different substances and others sources of pleasure. The neuroscientific studies in this field are of extreme importance, therefore they can indicate new therapeutic ways, as it suggests this work.© Ciências & Cognição 2006; Vol. 09: xxx-xxx.]]></p></abstract>
<kwd-group>
<kwd lng="pt"><![CDATA[vício]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[hedonismo]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[recompensa]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[drogas]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[abuso.]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[addiction]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[hedonism]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[reward]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[drugs]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[abuse.]]></kwd>
</kwd-group>
</article-meta>
</front><body><![CDATA[ <html> <head> <title></title> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"></head>          <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>Ensaio</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="4"><b>As profundezas do v&iacute;cio: "<i>Quando eu quiser, eu paro!"</i></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>The deepening of the addition: "When I want, I stop!"</b></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Ariel Lorber Rolnik<sup>I</sup>; Alfred Sholl-Franco<sup>II</sup></b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><sup>I</sup>Faculdade de Medicina, Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil;    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup>II</sup>Programa de Neurobiologia, Instituto de Biof&iacute;sica Carlos Chagas Filho (IBCCF), Centro de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de, UFRJ, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O v&iacute;cio &eacute; uma patologia altamente prevalente e com grandes implica&ccedil;&otilde;es sociais. Parte das complexas bases neuroqu&iacute;micas que alteram a consci&ecirc;ncia e o comportamento parecem ser compartilhadas entre as diferentes subst&acirc;ncias e outras fontes de prazer. Os estudos neurocient&iacute;ficos nesta &aacute;rea s&atilde;o de extrema import&acirc;ncia, pois podem indicar novos caminhos terapeuticos, como sugere este trabalho. &copy; Ci&ecirc;ncias &amp; Cogni&ccedil;&atilde;o 2006; Vol. 09: xxx-xxx.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> v&iacute;cio; hedonismo; recompensa; drogas; abuso.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">The addiction is a pathology with high prevalence and great social implications. Part of the complex neurochemical basis that modify the conscience and the behavior seems to be shared between different substances and others sources of pleasure. The neuroscientific studies in this field are of extreme importance, therefore they can indicate new therapeutic ways, as it suggests this work.&copy; Ci&ecirc;ncias &amp; Cogni&ccedil;&atilde;o 2006; Vol. 09: xxx-xxx.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords:</b> addiction; hedonism; reward; drugs; abuse.</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="2">"<i>Quando eu quiser, eu paro!"</i> Essa frase &eacute;, freq&uuml;entemente, o pren&uacute;ncio de diferentes hist&oacute;rias tr&aacute;gicas. Sem preconceitos, moralismos ou terrorismos: &eacute; uma quest&atilde;o de sa&uacute;de. O v&iacute;cio, ou adic&ccedil;&atilde;o como tamb&eacute;m &eacute; conhecido, &eacute; um dist&uacute;rbio cr&ocirc;nico que pode ter curso progressivo e complica&ccedil;&otilde;es graves, &agrave;s vezes letais. O que caracteriza uma pessoa como dependente &eacute; a perda do controle sobre o uso de drogas ou sobre determinados comportamentos (Vanderschuren e Everitt, 2005). Este &eacute; um fato que muita gente tem dificuldade de aceitar: um ser humano pode perder o controle sobre seu pr&oacute;prio comportamento, como se v&ecirc; quando um viciado n&atilde;o consegue limitar a auto-administra&ccedil;&atilde;o de uma droga, ou quando um indiv&iacute;duo continua o seu uso apesar da presen&ccedil;a concomitante de est&iacute;mulos dolorosos, ou mesmo do ato em si poder resultar em conseq&uuml;&ecirc;ncias sabidamente nocivas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&Agrave; luz da ci&ecirc;ncia atual, a depend&ecirc;ncia por uma subst&acirc;ncia &eacute; constitu&iacute;da por dois componentes distintos: a depend&ecirc;ncia psicol&oacute;gica e a depend&ecirc;ncia f&iacute;sica (ou qu&iacute;mica). A primeira se associa ao desejo intenso de consumir a subst&acirc;ncia (quem nunca teve uma vontade irresist&iacute;vel de comer doce?), enquanto a segunda &eacute; relacionada a um conjunto de sintomas que segue a priva&ccedil;&atilde;o do uso da subst&acirc;ncia, a s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia, que leva o indiv&iacute;duo a recorrer novamente &agrave; mesma para suprir a sua falta, e pode ser t&atilde;o intensa a ponto de causar a morte (para revis&atilde;o, Twerski, 2001: 23). Esses efeitos s&atilde;o facilmente reprodut&iacute;veis em animais de laborat&oacute;rio que s&atilde;o viciados em drogas e, posteriormente, afastados delas. Fatores gen&eacute;ticos, assim como problemas psicol&oacute;gicos, emocionais e sociais, podem facilitar a instala&ccedil;&atilde;o da adic&ccedil;&atilde;o (Koob, 1996a). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Realmente &eacute; intrigante a busca por respostas que elucidem quais s&atilde;o os processos celulares e moleculares respons&aacute;veis pelos fen&ocirc;menos ligados ao uso das drogas, como <i>toler&acirc;ncia</i>, <i>sensibiliza&ccedil;&atilde;o</i>, <i>depend&ecirc;ncia</i>, <i>compuls&atilde;o</i>, <i>s&iacute;ndrome de abstin&ecirc;ncia</i> e o <i>fen&ocirc;meno de reca&iacute;da</i>. A investiga&ccedil;&atilde;o abrange desde simples experimentos de laborat&oacute;rio e relatos de experi&ecirc;ncias pessoais at&eacute; sofisticados m&eacute;todos de imagem que mapeiam a atividade cerebral no estudo desses fen&ocirc;menos, como vemos no trabalho intitulado <i>Behavioral and neural mechanisnms of compusive drug seeking </i>(Vanderschuren e Everitt, 2005) e que compreende uma bela revis&atilde;o sobre os conhecimentos de que dispomos hoje sobre o assunto.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">As drogas ativam, no c&eacute;rebro, o circuito de recompensa, o que gera a sensa&ccedil;&atilde;o de prazer. Parte desse circuito &eacute; o sistema mesocorticol&iacute;mbico, que tem como neurotransmissor principal a mol&eacute;cula de dopamina. Quando ativado, um de seus componentes, a &aacute;rea tegmental ventral, libera dopamina atrav&eacute;s de suas proje&ccedil;&otilde;es (ax&ocirc;nios) ao n&uacute;cleo acumbente (que &eacute; tido atualmente como o centro do prazer), assim como em outras estruturas do c&eacute;rebro: a am&iacute;gdala, o sistema l&iacute;mbico (o sistema das emo&ccedil;&otilde;es) e o c&oacute;rtex frontal (Planeta e Cruz, 2005). Mantendo sempre em mente a extrema complexidade da circuitaria de conex&otilde;es presentes no sistema nervoso, esse n&atilde;o &eacute; um circuito isolado, mas sim um dos que se conecta direta e indiretamente com in&uacute;meras regi&otilde;es, podendo influenci&aacute;-las, assim como ser modulado por elas. Exemplo pr&aacute;tico disso &eacute; o fen&ocirc;meno de reca&iacute;da ao v&iacute;cio: um cheiro, uma m&uacute;sica ou a vis&atilde;o de qualquer coisa que "lembre" o prazer gerado pelo uso da droga numa ocasi&atilde;o pr&eacute;via pode ativar parte dessa circuitaria, levando o indiv&iacute;duo a usar novamente a droga (reca&iacute;da) ou at&eacute; mesmo deflagrando sintomas de abstin&ecirc;ncia (neste caso, parte do sistema de recompensa &eacute; estimulado pelas respectivas &aacute;reas cerebrais: do olfato, da audi&ccedil;&atilde;o ou da vis&atilde;o) (Koob, 1996b).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Existe uma diferen&ccedil;a entre beber socialmente e o abuso do indiv&iacute;duo alco&oacute;latra. De um ponto de vista psiqui&aacute;trico, a depend&ecirc;ncia de subst&acirc;ncias tem aspectos tanto de transtornos do controle do impulso quanto de dist&uacute;rbios compulsivos. O primeiro grupo tem um car&aacute;ter mais psicol&oacute;gico e denota um aumento no n&iacute;vel de tens&atilde;o ou alerta antes do ato impulsivo; prazer, gratifica&ccedil;&atilde;o ou al&iacute;vio durante o mesmo; remorso, auto-reprova&ccedil;&atilde;o ou sentimento de culpa ap&oacute;s a conclus&atilde;o. J&aacute; os dist&uacute;rbios compulsivos compreendem disfun&ccedil;&otilde;es que cursam com altera&ccedil;&otilde;es em &oacute;rg&atilde;os de v&aacute;rios sistemas do corpo humano. Este componente caracteriza-se por ansiedade e estresse antes da realiza&ccedil;&atilde;o do ato compulsivo repetitivo e, simplesmente, al&iacute;vio desses sintomas ap&oacute;s a consuma&ccedil;&atilde;o desse ato. A diferen&ccedil;a &eacute; que a ansiedade e o estresse, em oposi&ccedil;&atilde;o ao alerta e &agrave; tens&atilde;o, marcadamente atingem v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os (do que s&atilde;o exemplos a taquicardia, a palidez, sudorese e tremores, entre outros sinais e sintomas da abstin&ecirc;ncia). Al&eacute;m disso, um impulso conduz o indiv&iacute;duo de um estado neutro para outro de sensa&ccedil;&otilde;es positivas (refor&ccedil;o positivo), como ocorre nas primeiras vezes em que ele faz uso da droga. A compuls&atilde;o, ao contr&aacute;rio, leva o seu portador de uma situa&ccedil;&atilde;o de sensa&ccedil;&otilde;es negativas (os sintomas) a uma neutra, de al&iacute;vio dos sintomas (refor&ccedil;o negativo). &Eacute; o que ocorre nas fases mais avan&ccedil;adas do abuso, quando o v&iacute;cio j&aacute; est&aacute; instalado. Assim, quando o indiv&iacute;duo passa da fase de impulso para a compuls&atilde;o, h&aacute; uma troca na qualidade e na intensidade da for&ccedil;a que motiva o comportamento. O limite entre essas duas fases pode ser bastante t&ecirc;nue (uma mudan&ccedil;a gradual), mas o que n&atilde;o deixa d&uacute;vida &eacute; que na fase compulsiva o doente j&aacute; n&atilde;o sente prazer em usar a droga (como esperava no in&iacute;cio do abuso), s&oacute; alivia seus sofrimentos (necessitando de doses cada vez mais altas, devido ao fen&ocirc;meno da toler&acirc;ncia) (Koob, 2005).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O interessante &eacute; que n&atilde;o s&oacute; as drogas de abuso (tais como coca&iacute;na, nicotina e &aacute;lcool) elevam os n&iacute;veis de dopamina no N&uacute;cleo Accumbens, mas tamb&eacute;m certos medicamentos e comportamentos como <i>sexo</i>, <i>jogos</i>, <i>esportes</i> ou o <i>h&aacute;bito de comprar</i>. Enfim, qualquer situa&ccedil;&atilde;o que gere prazer (hedonismo). Essas situa&ccedil;&otilde;es e subst&acirc;ncias compartilham vias neuroqu&iacute;micas comuns, o que parece explicar o fato de todas elas poderem ser fontes v&iacute;cio. Numa perspectiva mais te&oacute;rica, a adic&ccedil;&atilde;o pode ser compreendida como um estado de desregula&ccedil;&atilde;o do sistema de recompensa em que o ponto de ajuste est&aacute; patologicamente deslocado (Koob e Le Moal, 2001). A esse estado damos o nome de alostase, em oposi&ccedil;&atilde;o ao de homeostase, que representa o equil&iacute;brio natural em que vive um organismo saud&aacute;vel. Num sistema homeost&aacute;tico, uma varia&ccedil;&atilde;o em um dos par&acirc;meteros fisiol&oacute;gicos tende a ser compensada por modifica&ccedil;&otilde;es internas que reaproximem tal vari&aacute;vel de seu valor normal. Para isso, cada fun&ccedil;&atilde;o do ser vivo tem um ponto de ajuste (<i>setpoint</i>) que serve como refer&ecirc;ncia para o "correto" funcionamento do todo. Pense, por exemplo, na temperatura do corpo humano: quando ela sobe devido ao esfor&ccedil;o f&iacute;sico, o indiv&iacute;duo sua, perdendo energia t&eacute;rmica pelo suor, o que permite que a temperatura retorne &agrave; faixa fisiol&oacute;gica de 35,5 a 37,.°C. Isso porque uma temperatura de 4.°C n&atilde;o seria compat&iacute;vel com a vida. E quando a temperatura cai para 35,.°C por causa de um ambiente muito frio, n&oacute;s trememos, pois as contra&ccedil;&otilde;es musculares que geram o tremor produzem calor (a hipotermia severa tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; tolerada por muito tempo). Num caso patol&oacute;gico, como o do comedor compulsivo, por exemplo, a regula&ccedil;&atilde;o da ingest&atilde;o de alimentos estimulada pela fome &eacute; perdida, o que tem muitas conseq&uuml;&ecirc;ncias no corpo. A sensa&ccedil;&atilde;o de prazer desencadeada pelas situa&ccedil;&otilde;es citadas parece ser a pe&ccedil;a-chave no desenvolvimento do v&iacute;cio, atrav&eacute;s de uma desregula&ccedil;&atilde;o alost&aacute;tica desse sistema.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Estamos no come&ccedil;o da explora&ccedil;&atilde;o de um vasto e misterioso oceano. O conhecimento das profundezas das vias e mecanismos subjacentes aos fen&ocirc;menos da depend&ecirc;ncia nos traz a perspectiva de novos alvos em que possam agir diferentes agentes terap&ecirc;uticos, sejam eles ps&iacute;quicos, medicamentosos ou comportamentais. Koob (2005) apresenta uma ampla revis&atilde;o das bases neurofisiol&oacute;gicas da depend&ecirc;ncia, correlacionando-as com as atuais possibilidades terap&ecirc;uticas. &Eacute; uma luz para tentar resolver um problema que, al&eacute;m de atingir o ser humano como indiv&iacute;duo, tem imensas repercuss&otilde;es sociais.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Koob, G.F. (2005). The neurocircuitry of addiction: Implications for treatment. <i>Clin. Neurosci. Res.</i>, 5, 89-101.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4050245&pid=S1806-5821200600030001600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Koob, G.F. e Le Moal, M. (2001). Drug addiction, dysregulation of reward, and allostasis. <i>Neuropsychopharmacology</i>, 24, 97-129.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4050247&pid=S1806-5821200600030001600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Koob, G.F. (1996a). Hedonic valence, dopamine and motivation. <i>Mol. Psychiatry</i>, 1, 186-189.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Koob, G.F. (1996b). Drug addiction: the yin and yang of hedonic homeostasis. <i>Neuron, </i>16, 893-896.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Planeta, C.F. e Cruz, F.C. (2005). Bases neurofisiol&oacute;gicas da depend&ecirc;ncia do tabaco. <i>Rev. Psiquiat. Clin.</i>, 32, 251-258.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4050251&pid=S1806-5821200600030001600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Werski, A.J. (2001). Vencedores viciados (trad. Horowitz, E.E.). S&atilde;o Paulo: Editora Maayanot.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Vanderschuren, L.J.M.J. e Everitt, B.J. (2005). Behavioral and neural mechanisms of compulsive drug seeking. <i>Eur. J. Pharmacol.</i>, 526, 77-88.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4050254&pid=S1806-5821200600030001600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>Notas</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A. L. Rolnik</b>    <br> <b>E-mail para correspond&ecirc;ncia</b>: <a href="mailto:rolnikariel@yahoo.com.br" target="_blank">rolnikariel@yahoo.com.br</a>.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>A. Sholl-Franco</b>    <br> <b>Endere&ccedil;o para contato</b>: Sala G2-032, Bloco G - CCS, Programa de Neurobiologia, IBCCF, UFRJ. Av. Brigadeiro Trompowiski S/N - Cidade Universit&aacute;ria, Ilha do Fund&atilde;o, Rio de Janeiro, RJ 21.941-590, Brasil.    <br> <b>Telefone</b>: +55 (21) 2562-6562.    <br> <b>E-mail para correspond&ecirc;ncia</b>: <a href="mailto:asholl@biof.ufrj.br" target="_blank">asholl@biof.ufrj.br</a>.</font></p>  </html>     ]]></body>
<body><![CDATA[ ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koob]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[The neurocircuitry of addiction: Implications for treatment]]></article-title>
<source><![CDATA[Clin. Neurosci. Res.]]></source>
<year>2005</year>
<volume>5</volume>
<page-range>89-101</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koob]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Le Moal]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Drug addiction, dysregulation of reward, and allostasis.]]></article-title>
<source><![CDATA[Neuropsychopharmacology]]></source>
<year>2001</year>
<volume>24</volume>
<page-range>97-129</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koob]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Hedonic valence, dopamine and motivation.]]></article-title>
<source><![CDATA[Mol. Psychiatry]]></source>
<year>1996</year>
<volume>1</volume>
<page-range>186-189</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Koob]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.F.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Drug addiction: the yin and yang of hedonic homeostasis]]></article-title>
<source><![CDATA[Neuron]]></source>
<year>1996</year>
<volume>16</volume>
<page-range>893-896</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Planeta]]></surname>
<given-names><![CDATA[C.F.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Cruz]]></surname>
<given-names><![CDATA[F.C.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Bases neurofisiológicas da dependência do tabaco.]]></article-title>
<source><![CDATA[Rev. Psiquiat. Clin.]]></source>
<year>2005</year>
<volume>32</volume>
<page-range>251-258</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Werski]]></surname>
<given-names><![CDATA[A.J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Horowitz]]></surname>
<given-names><![CDATA[E.E.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Vencedores viciados]]></source>
<year>2001</year>
<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[Editora Maayanot]]></publisher-name>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Vanderschuren]]></surname>
<given-names><![CDATA[L.J.M.J.]]></given-names>
</name>
<name>
<surname><![CDATA[Everitt]]></surname>
<given-names><![CDATA[B.J.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Behavioral and neural mechanisms of compulsive drug seeking.]]></article-title>
<source><![CDATA[Eur. J. Pharmacol.]]></source>
<year>2005</year>
<volume>526</volume>
<page-range>77-88</page-range></nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
