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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A relação entre conhecimento e criatividade:: evidências a partir de pesquisas com o Jogo de Xadrez]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Abstract The connection between knowledge and creativity is a subject studied by the creative process cognitive approach, standing out two currents: the "foundation view", which considers the grasp of specialized knowledge as a factor in promoting creativity, and the "tension view", which defends that there is a limit in the amount of necessary knowledge to the creativity. The contradiction between the two currents raises the traditional question of "dogmatism" in relation to established knowledge. Thus, when a dogmatic posture is adopted, under the "Einstellung effect," creative alternatives are not considered to the knowledge already established as valid. It can be considered, therefore, the hypothesis that the knowledge doesn't impede the creativity, serving, besides, to promote it, since it is not treated in a dogmatic way. This can be exemplified in the context of the game of chess, that as the science and the technology, it is based in an objectified knowledge. The chess is a phenomenon very studied in the cognitive science, having a wide amount of formalized knowledge about it. It is a game of intensive knowledge, in which the success depends on the creativity, presenting itself as research field about the cooperative relationship between creativity and knowledge, what is interesting also for other domains, including the scientific one. © Cien. Cogn. 2011; Vol. 16 (1): 112-126.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <html> <head> <title></title> <meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=iso-8859-1"></head>      <p align="right"><font face="Verdana" size="2"><b>Ensaio </b></font></p>     <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="4"><b>A rela&ccedil;&atilde;o entre conhecimento e criatividade: evid&ecirc;ncias a partir de pesquisas com o Jogo de Xadrez</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="3"><b>The relationship between knowledge and creativity: evidence from research into the Game of Chess</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Kariston Pereira, Iandra Pavanati e Richard Perassi Luiz de Sousa</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Departamento de Engenharia do Conhecimento (DEGC), Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Engenharia e Gest&atilde;o do Conhecimento (EGC), </font><font face="Verdana" size="2">Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florian&oacute;polis, Santa Catarina, Brasil</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b><a name="end"></a><a href="#enda">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></b></font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>     <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Resumo</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A conex&atilde;o entre conhecimento e criatividade &eacute; um tema estudado pela abordagem cognitiva do processo criativo, destacando-se duas correntes: a "<i>foundation view</i>", que considera o dom&iacute;nio do conhecimento especializado como fator de promo&ccedil;&atilde;o da criatividade, e a "<i>tension view"</i>, que defende que h&aacute; um limite na quantidade de conhecimento necess&aacute;rio &agrave; criatividade. A contradi&ccedil;&atilde;o entre as duas correntes suscita a tradicional quest&atilde;o do "dogmatismo" com rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento constitu&iacute;do. Pois, quando &eacute; adotada uma postura dogm&aacute;tica, sob o "efeito <i>Einstellung</i>", n&atilde;o s&atilde;o consideradas alternativas criativas ao conhecimento j&aacute; institu&iacute;do como v&aacute;lido. Considera-se, portanto, a hip&oacute;tese de que o conhecimento n&atilde;o impede a criatividade, e sim a promove, quando n&atilde;o tratado de maneira dogm&aacute;tica. Isso pode ser exemplificado no contexto do jogo de xadrez, que como a ci&ecirc;ncia e a tecnologia, fundamenta-se num conhecimento objetivado. O xadrez &eacute; um fen&ocirc;meno muito estudado na ci&ecirc;ncia cognitiva, havendo um amplo acervo de conhecimentos formalizados a seu respeito. &Eacute; um jogo de conhecimento intensivo que depende da criatividade, apresentando-se como campo de pesquisa sobre a rela&ccedil;&atilde;o cooperativa entre criatividade e conhecimento, o que &eacute; interessante tamb&eacute;m para outros dom&iacute;nios, incluindo o cient&iacute;fico. &copy; Cien. Cogn. 2011; Vol. 16 (1): 112-126.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Palavras-chave:</b> criatividade; conhecimento; inflexibilidade; jogo de xadrez. </font></p>  <hr size="1" noshade>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Abstract</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><i>The connection between knowledge and creativity is a subject studied by the creative process cognitive approach, standing out two currents: the "foundation view", which considers the grasp of specialized knowledge as a factor in promoting creativity, and the "tension view", which defends that there is a limit in the amount of necessary knowledge to the creativity. The contradiction between the two currents raises the traditional question of "dogmatism" in relation to established knowledge. Thus, when a dogmatic posture is adopted, under the "Einstellung effect," creative alternatives are not considered to the knowledge already established as valid. It can be considered, therefore, the hypothesis that the knowledge doesn't impede the creativity, serving, besides, to promote it, since it is not treated in a dogmatic way. This can be exemplified in the context of the game of chess, that as the science and the technology, it is based in an objectified knowledge. The chess is a phenomenon very studied in the cognitive science, having a wide amount of formalized knowledge about it. It is a game of intensive knowledge, in which the success depends on the creativity, presenting itself as research field about the cooperative relationship between creativity and knowledge, what is interesting also for other domains, including the scientific one. &copy; Cien. Cogn. 2011; Vol. 16 (1): 112-126.</i></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Keywords</b>: <i> creativity; knowledge; inflexibility; chess.</i></font></p><hr size="1" noshade>    <p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A criatividade tem sido estudada por diferentes &aacute;reas do conhecimento (Alencar &amp; Fleith, 2003). &Eacute; poss&iacute;vel encontrar trabalhos sobre o processo criativo na filosofia, nas artes, nas ci&ecirc;ncias de um modo geral, na psicologia, na intelig&ecirc;ncia artificial, dentre outras ci&ecirc;ncias cognitivas, s&oacute; para citar algumas. Cada &aacute;rea desenvolve uma abordagem diferenciada quanto &agrave; origem, conceito e condi&ccedil;&otilde;es para o desencadeamento do processo criativo. Para Sternberg &amp; Lubart (2008), h&aacute; diferentes paradigmas que orientam a busca por respostas nesse campo, quais sejam: o m&iacute;stico, o psicoanal&iacute;tico, o pragm&aacute;tico, o psicom&eacute;trico, o cognitivo e o que envolve quest&otilde;es sociais e de personalidade. Sternberg (2008), por sua vez, destaca os seguintes enfoques: o psicom&eacute;trico e cognitivo (o quanto se produz e o quanto se conhece), o enfoque na personalidade e motiva&ccedil;&atilde;o (de quem se trata), o enfoque social e hist&oacute;rico (onde o indiv&iacute;duo se encontra), ou por fim, uma conflu&ecirc;ncia envolvendo alguns ou todos eles. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tentando sintetizar o que h&aacute; de comum nos diversos conceitos de criatividade, Eunice de Alencar afirmou o seguinte:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">"Pode-se notar que uma das principais dimens&otilde;es presentes nas mais diversas defini&ccedil;&otilde;es de criatividade propostas at&eacute; o momento diz respeito ao fato de que criatividade implica emerg&ecirc;ncia de um produto novo, seja uma ideia ou inven&ccedil;&atilde;o original, seja a reelabora&ccedil;&atilde;o e aperfei&ccedil;oamento de produtos ou ideias j&aacute; existentes." (Alencar, 1993, p. 15)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Conforme o enfoque dado no estudo da criatividade, a sua conex&atilde;o com o conhecimento &eacute; apresentada seguindo diferentes interpreta&ccedil;&otilde;es. Para boa parte dos te&oacute;ricos da criatividade, a rela&ccedil;&atilde;o entre conhecimento especializado (<i>expertise</i>) e criatividade pode fazer surgir um fen&ocirc;meno chamado "efeito <i>Einstellung</i>" (Luchins, 1987), tamb&eacute;m conhecido como "entrincheiramento" (Sternberg, 1996, 2008) ou inflexibilidade dos <i>experts</i> (Bilalic, Mcleod &amp; Gobet, 2008a, 2008b), em que o especialista, na solu&ccedil;&atilde;o de problemas em um dom&iacute;nio de conhecimento particular, fica preso a um modo ou estrat&eacute;gia familiar de resolu&ccedil;&atilde;o, que funciona bem em um contexto geral, mas que pode n&atilde;o funcionar em um problema espec&iacute;fico. De acordo com essa vis&atilde;o, o conhecimento &eacute; necess&aacute;rio, mas em excesso pode ser prejudicial &agrave; criatividade (Bilalic <i>et al.</i>, 2008a). Tal interpreta&ccedil;&atilde;o &eacute; tamb&eacute;m conhecida como "<i>tension view</i>" (Weisberg, 2008). Em contraste, os pesquisadores da &aacute;rea do <i>expertise</i> procuram sustentar uma vis&atilde;o diferente, chamada "<i>foundation view</i>" (Weisberg, 2008), afirmando que o conhecimento especializado pode ser entendido como um fator de promo&ccedil;&atilde;o para a criatividade. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A contradi&ccedil;&atilde;o entre as duas correntes, sendo que ambas se configuram sobre base experimental, suscita a tradicional quest&atilde;o do "dogmatismo" com rela&ccedil;&atilde;o ao conhecimento constitu&iacute;do. Na filosofia de Kant, por exemplo, esse "dogmatismo" representa uma atitude de conhecimento que "consiste em acreditar estar de posse da certeza ou da verdade antes de fazer a cr&iacute;tica da faculdade de conhecer." (Japiass&uacute; &amp; Marcondes, 1996, p. 75). Quando &eacute; adotada uma postura dogm&aacute;tica, impede-se que haja ou que sejam consideradas alternativas criativas ao conhecimento j&aacute; institu&iacute;do como v&aacute;lido ou verdadeiro. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pesquisas recentes no jogo de xadrez confirmam a ocorr&ecirc;ncia do "efeito <i>Einstellung</i>" no desempenho dos <i>experts</i>, mas tamb&eacute;m atestam que quanto mais <i>expertise</i> um especialista desenvolve, menos propenso ele se torna a esse fen&ocirc;meno, sustentando a hip&oacute;tese de que "a inflexibilidade dos experts &eacute; tanto mito como realidade, mas quanto maior for o grau de <i>expertise</i>, mais mito ela se torna." (Bilalic <i>et al.</i>, 2008a, p. 97, tradu&ccedil;&atilde;o nossa).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Neste ensaio, ser&aacute; dado maior enfoque na interpreta&ccedil;&atilde;o da criatividade dada pela ci&ecirc;ncia cognitiva, ou seja, o enfoque cognitivo citado por Sternberg (2008). Dentre os temas mais estudados por essa &aacute;rea no que se refere &agrave; criatividade, est&aacute;, pois, a sua conex&atilde;o com o conhecimento pr&eacute;vio adquirido (o quanto se conhece). &Eacute; natural, contudo, que alguma rela&ccedil;&atilde;o com outros modos de se pensar a criatividade seja interessante &agrave; discuss&atilde;o em alguns momentos. Portanto, a orienta&ccedil;&atilde;o para um vi&eacute;s cognitivo trata-se apenas de uma linha mestra na abordagem desenvolvida.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A estrutura do texto est&aacute; organizada da seguinte forma: primeiramente desenvolve-se uma discuss&atilde;o atualizada que destaca a import&acirc;ncia do conhecimento espec&iacute;fico para a criatividade em qualquer que seja a &aacute;rea, seguido da apresenta&ccedil;&atilde;o das duas principais correntes de pensamento sobre essa conex&atilde;o. Um t&oacute;pico com discuss&otilde;es provindas de estudos com o jogo de xadrez foi adicionado para enriquecer a pesquisa e dar suporte emp&iacute;rico &agrave; hip&oacute;tese de que o conhecimento especializado n&atilde;o impede a criatividade, servindo, inclusive, para promov&ecirc;-la, desde que n&atilde;o seja tratado de maneira dogm&aacute;tica. Tal abordagem vale para o jogo de xadrez e para o progresso do conhecimento em geral e, especialmente, dos conhecimentos tecnol&oacute;gico e cient&iacute;fico. Por fim, s&atilde;o tra&ccedil;adas algumas considera&ccedil;&otilde;es finais. </font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&nbsp;</font></p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>A import&acirc;ncia do conhecimento espec&iacute;fico para a criatividade</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em princ&iacute;pio, h&aacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o entre "conhecimento" e "criatividade", considerando-se o significado de cada termo. "Conhecimento" &eacute; um termo que indica um acervo de possibilidades j&aacute; constitu&iacute;das e bem aceitas, permitindo a apropria&ccedil;&atilde;o intelectual de determinado campo emp&iacute;rico ou de ideias (Japiass&uacute; &amp; Marcondes, 1996). "Criatividade" prev&ecirc; inven&ccedil;&atilde;o ou inova&ccedil;&atilde;o e, portanto, deve contradizer ou negar o conhecimento j&aacute; constitu&iacute;do. Afinal, "ser criativo" implica justamente na tentativa do sujeito superar as rotas convencionais de pensamento para se liberar da ativa&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es t&iacute;picas (Sassenberg &amp; Moskowitz, 2005). Entretanto, s&atilde;o os processos criativos que renovam o conhecimento, promovendo avan&ccedil;os particulares ou desenvolvimento em geral. Em outras palavras, &eacute; preciso negar a tradi&ccedil;&atilde;o para ampliar a tradi&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Partindo da perspectiva da ci&ecirc;ncia cognitiva, Sternberg &amp; Lubart (1995) afirmam que &eacute; absolutamente necess&aacute;rio conhecer muito acerca do campo em que se espera ser criativo. Nas palavras de Nickerson (2008, p. 409, tradu&ccedil;&atilde;o nossa), "antes de algu&eacute;m esperar mudar adequadamente um dom&iacute;nio &#91...&#93 se faz necess&aacute;rio ser mestre naquilo que j&aacute; existe em tal dom&iacute;nio." Reilly (2008) destaca que uma caracter&iacute;stica marcante encontrada na literatura norte-americana sobre criatividade, &eacute; justamente a necessidade do indiv&iacute;duo ser um especialista em sua &aacute;rea antes de vir a ser criativo. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Gardner (1999a, p. 222) salienta que o indiv&iacute;duo criativo determina quais habilidades s&atilde;o necess&aacute;rias para suas cria&ccedil;&otilde;es e trabalha incansavelmente para desenvolv&ecirc;-las e aperfei&ccedil;o&aacute;-las, pois "para ser capaz de pensar de uma forma original sobre um t&oacute;pico, a pessoa deve ter o material t&atilde;o organizado em sua mente a ponto de poder prontamente justap&ocirc;-lo e combin&aacute;-lo em uma variedade de formas inesperadas &#91...&#93." A capacidade para criar pode requerer aproximadamente uma d&eacute;cada de treinamento especializado, e pode ser necess&aacute;ria uma d&eacute;cada a mais de experi&ecirc;ncia adicional para que algu&eacute;m seja capaz de realizar feitos criativos realmente extraordin&aacute;rios (Policastro &amp; Gardner, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Alguns exemplos apontados por pesquisadores podem demonstrar essa rela&ccedil;&atilde;o bastante &iacute;ntima entre conhecimento e criatividade. Gardner (1999b) apresenta o caso de Mozart, um dos mais reverenciados prod&iacute;gios na hist&oacute;ria da m&uacute;sica. Apenas aos quinze anos de idade, salienta o autor, depois de mais de uma d&eacute;cada de composi&ccedil;&otilde;es, &eacute; que suas pe&ccedil;as adquiriram qualidade suficiente para garantir lugar em seu repert&oacute;rio permanente. Outro caso cl&aacute;ssico &eacute; o de Charles Darwin:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">"Contr&aacute;rio &agrave; vis&atilde;o convencional da criatividade como um processo m&iacute;stico, irracional, Darwin n&atilde;o experimentou qualquer epifania s&uacute;bita de inspira&ccedil;&atilde;o e qualquer pensamento ou teorias totalmente novas. Em vez disso, ordenava listas intermin&aacute;veis de pensamentos, imagens, perguntas, sonhos, esbo&ccedil;os, coment&aacute;rios, argumentos e notas para si mesmo, todas as quais ele continuamente organizava e reorganizava. Era tudo parte de um esfor&ccedil;o laborioso enorme para entender o modo como os processos vivos produziram a pletora de esp&eacute;cies de plantas e animais no mundo natural." (Gardner, 1999a, p. 297)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O progresso de Darwin demonstra que nem sempre &eacute; necess&aacute;rio precocidade para atingir alto n&iacute;vel de criatividade na vida adulta. A despeito de nunca ter sido uma crian&ccedil;a prod&iacute;gio, seu sucesso n&atilde;o tem nada de misterioso, afirma Howe (2008), pois seu progresso foi lento e gradual. Ele desenvolveu um arcabou&ccedil;o de conhecimentos e habilidades durante um per&iacute;odo de muitos anos, antes de despontar com suas teorias inovadoras. Para Gardner (1999b), o prod&iacute;gio adulto &eacute; indistingu&iacute;vel de seus pares que nunca foram prod&iacute;gios, mas que, por meio do esfor&ccedil;o e treinamento, tamb&eacute;m atingiram a maestria em seus campos. Casos de prod&iacute;gios no xadrez como Bobby Fischer e Judit Polgar, que atingiram o n&iacute;vel de Grande Mestre em torno dos quinze anos de idade, podem parecer intrigantes. Um exame mais criterioso de suas trajet&oacute;rias, no entanto, confirma a "regra dos dez anos" proposta por Simon &amp; Chase (1973), uma vez que ambos iniciaram por volta dos cinco anos de idade. Contr&aacute;rio &agrave; cren&ccedil;a popular, quanto mais extremo o caso do prod&iacute;gio, se descobre que mais importante e &oacute;tima foi sua prepara&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via (Feldman, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Um ir&ocirc;nico depoimento de Alfred Brendel, que Gardner (1999b) considera um dos pianistas extraordin&aacute;rios de nosso tempo, pode ser um interessante exemplo no contexto da discuss&atilde;o at&eacute; aqui apresentada:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">"N&atilde;o sou oriundo de uma fam&iacute;lia musical ou intelectual. N&atilde;o sou um europeu oriental. N&atilde;o sou, at&eacute; onde eu saiba, judeu. N&atilde;o fui um menino prod&iacute;gio. N&atilde;o possuo mem&oacute;ria fotogr&aacute;fica, nem toco mais r&aacute;pido que outras pessoas. N&atilde;o sou um bom leitor &agrave; primeira vista. Necessito de oito horas de sono. N&atilde;o cancelo concertos por princ&iacute;pio, s&oacute; quando estou realmente doente. Minha carreira foi t&atilde;o lenta e gradual que sinto que ou h&aacute; alguma coisa errada comigo ou com quase todos na profiss&atilde;o. &#91...&#93 Literatura - ler e escrever - bem como olhar para uma obra de arte tomam um bocado do meu tempo. Quando e como aprendi todas essas pe&ccedil;as que toco, assim como ser um marido e pai imperfeito, eu n&atilde;o sei como explicar." (Alvarez, 1995<a name="1"></a><a href="#1a"><sup>1</sup></a>, <i>apud</i> Gardner, 1999b, p. 147)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">&Eacute; bastante improv&aacute;vel que algu&eacute;m seja capaz de encontrar um indiv&iacute;duo que tenha feito significativa contribui&ccedil;&atilde;o criativa para uma determinada &aacute;rea, antes de ter se submetido a uma profunda imers&atilde;o inicial em seu campo. O pensamento criativo, afirma Weisberg (2008, p. 248, tradu&ccedil;&atilde;o nossa), &eacute; um processo baseado na direta aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Para ele, "pode n&atilde;o ser necess&aacute;rio assumir que indiv&iacute;duos criativos difiram de outros n&atilde;o-criativos em qualquer maneira que seja significante, exceto pelo conhecimento que possuem." Entretanto, tamb&eacute;m afirma que o conhecimento &eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria, mas n&atilde;o suficiente para realiza&ccedil;&otilde;es criativas. Ou, como postula Gardner (1999b: 40): "&#91...&#93 adquirir especialidade disciplinar (ou erudita) n&atilde;o &eacute; o mesmo que adquirir extraordinariedade.'' O papel de fatores n&atilde;o cognitivos no processo de cria&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser desconsiderado.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Se realmente o conhecimento &eacute; t&atilde;o importante para o processo criativo como indicam as pesquisas, Weisberg (2008) conjetura que pode n&atilde;o ser necess&aacute;rio o desenvolvimento de teorias especiais que expliquem o pensamento criativo. Ao inv&eacute;s, argumenta, seria necess&aacute;ria "simplesmente" uma teoria completa do pensamento. E Weisberg n&atilde;o est&aacute; sozinho nessa conclus&atilde;o. Ward, Smith &amp; Finke (2008) argumentam em favor do que chamaram "Cogni&ccedil;&atilde;o Criativa" (<i>Creative Cognition</i>), uma extens&atilde;o da psicologia cognitiva que procura avan&ccedil;ar na compreens&atilde;o cient&iacute;fica da criatividade. Esses autores defendem que h&aacute; uma consider&aacute;vel sobreposi&ccedil;&atilde;o entre a cogni&ccedil;&atilde;o criativa e n&atilde;o-criativa. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Marvin Minsky tamb&eacute;m fez afirma&ccedil;&otilde;es nesse sentido: "&#91...&#93 Eu n&atilde;o acredito que haja qualquer diferen&ccedil;a substancial entre o pensamento ordin&aacute;rio e o pensamento criativo." (Minsky, 1982, p. 5, tradu&ccedil;&atilde;o nossa). O autor critica a cren&ccedil;a estabelecida no senso comum, de que &eacute; imposs&iacute;vel racionalizar e explicar o processo criativo. E acrescenta que n&atilde;o h&aacute; nenhum mist&eacute;rio nesse processo, procurando assim explicar sua origem:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">"&#91...&#93 deve-se ter uma intensa preocupa&ccedil;&atilde;o com algum dom&iacute;nio. Deve-se ter uma grande profici&ecirc;ncia naquele dom&iacute;nio &#91...&#93. E &eacute; necess&aacute;rio bastante auto-confian&ccedil;a, imunidade &agrave; press&atilde;o dos pares &#91...&#93 mas nada disso parece indicar a demanda de diferen&ccedil;as qualitativas b&aacute;sicas &#91...&#93. Eu clamo que 'o ordin&aacute;rio, o senso comum' j&aacute; inclui as coisas que levam, quando melhor balanceadas e ferozmente motivadas, a construir um g&ecirc;nio. Ent&atilde;o o que faz aqueles de primeira categoria serem t&atilde;o melhores em seus trabalhos? Talvez duas diferen&ccedil;as em grau de profundidade daquilo que j&aacute; se possui em uma mente ordin&aacute;ria. Uma &eacute; o modo de como as pessoas aprendem mais e profundas habilidades. A outra &eacute; o modo que elas gerenciam o que aprenderam &#91...&#93." (Minsky, 1982, p. 5, tradu&ccedil;&atilde;o nossa)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ao desenvolver seu <i>expertise</i>, disserta Burleson (2005) sobre a opini&atilde;o de Minsky, os "g&ecirc;nios" conquistam avan&ccedil;adas habilidades administrativas que prov&eacute;m um melhor <i>framework</i> para a utiliza&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o de suas habilidades aprendidas. Assim, em uma combina&ccedil;&atilde;o de processos conscientes e inconscientes e meta-cogni&ccedil;&atilde;o, as pessoas criativas tornam-se melhores aprendizes, sabendo escolher melhor o que e como aprender. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mas se n&atilde;o parece existir disc&oacute;rdia entre os pesquisadores estudados a respeito da import&acirc;ncia do conhecimento espec&iacute;fico para se alcan&ccedil;ar feitos extraordinariamente criativos, no quesito quantidade ou profundidade desse conhecimento surge uma cis&atilde;o. Duas correntes principais se desenvolvem: uma que afirma que n&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio dominar "tudo" de uma determinada &aacute;rea antes de adquirir a capacidade de ser excepcionalmente criativo e que, a partir de certo ponto, ao inv&eacute;s de ajudar, mais conhecimento poderia atrapalhar e outra que assevera que quanto mais especializado o conhecimento, melhor, n&atilde;o impondo limites. A primeira Weisberg (2006, 2008) denominou "<i>tension view</i>", e a segunda, "<i>foundation view</i>". </font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Tension view</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Se &eacute; universalmente aceito que o conhecimento de um campo espec&iacute;fico &eacute; necess&aacute;rio para que uma pessoa tenha esperan&ccedil;as de produzir algo novo, disserta Weisberg (2008), tamb&eacute;m &eacute; amplamente assumido pela comunidade cient&iacute;fica, que muita experi&ecirc;ncia pode fazer com que o indiv&iacute;duo n&atilde;o consiga ir al&eacute;m de respostas estereotipadas. Surge, ent&atilde;o, uma rela&ccedil;&atilde;o entre conhecimento e criatividade que pode ser modelada na forma de um U invertido, com a m&aacute;xima criatividade ocorrendo quando o conhecimento est&aacute; em seu n&iacute;vel intermedi&aacute;rio. O gr&aacute;fico 1, abaixo, apresenta essa rela&ccedil;&atilde;o: </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="/img/revistas/cc/v16n1/1a09g1.jpeg" target="_blank">Gr&aacute;fico 1</a></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2"><b>Gr&aacute;fico 1</b> - Rela&ccedil;&atilde;o Criatividade X Conhecimento (<i>Tension View</i>). Fonte: dos autores, com base em: Weisberg (2006, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Tal rela&ccedil;&atilde;o de tens&atilde;o entre a criatividade e conhecimento tem uma longa hist&oacute;ria na psicologia, possuindo ainda v&aacute;rios seguidores. Weisberg (2006) menciona, por exemplo, o trabalho dos seguintes autores: Csikszentmihalyi (1996), Simonton (1999), Sternberg (1996).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Mas quais s&atilde;o os motivos que levam esses pesquisadores a argumentar que o excesso de conhecimento pode atrapalhar a criatividade? Weisberg (2006) cita os seguintes: </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><ul>    <li>O conceito de <i>expertise</i> envolve uma poss&iacute;vel "automatiza&ccedil;&atilde;o" de respostas, fazendo com que os indiv&iacute;duos n&atilde;o pensem acerca do que est&atilde;o fazendo;</li>      <li>Muitos cientistas acreditam que o "talento" (uma constela&ccedil;&atilde;o de habilidades inatas que tornam uma pessoa especialmente dotada para a excel&ecirc;ncia em um determinado dom&iacute;nio) tem um papel mais importante que as habilidades desenvolvidas atrav&eacute;s da experi&ecirc;ncia e pr&aacute;tica;</li>      <li>A cren&ccedil;a de que a criatividade n&atilde;o se fundamenta em experi&ecirc;ncias ou conhecimentos adquiridos, mas sim em um tipo de pensamento especial, que poderia ser resumido como pensar "<i>outside of the box</i>" ("fora da caixa"), o que poderia ser interpretado, aproximadamente, como levantar solu&ccedil;&otilde;es originais procurando fugir do que j&aacute; se sabe.</li>    </ul></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Sternberg &amp; Lubart (1995) tamb&eacute;m apresentam argumentos em favor dessa vis&atilde;o. Algumas vezes, postulam esses autores, quando se sabe muito a respeito de um t&oacute;pico, o conhecimento pode interferir negativamente, ao frear a possibilidade de se enxergar as coisas de um novo &acirc;ngulo. Em geral, afirmam eles, experi&ecirc;ncia e conhecimento pr&eacute;vios de modos-padr&atilde;o de conceituar e/ou resolver tarefas podem bloquear solu&ccedil;&otilde;es criativas. Argumentam ainda que, se as pessoas adquirem o h&aacute;bito de resolver as coisas de certo modo, frequentemente enfrentam problemas em imaginar resolv&ecirc;-las de outra forma. Al&eacute;m do mais, complementam, n&atilde;o se trata apenas de ser mais dif&iacute;cil enxergar as coisas de uma maneira diferente; muitas vezes as pessoas que j&aacute; desenvolveram uma base de conhecimento em um campo apresentam resist&ecirc;ncia em mudar o que j&aacute; est&aacute; estabelecido, haja vista que seus conhecimentos formam parte de seu capital humano. Apesar dos <i>experts</i> demonstrarem na pr&aacute;tica que podem se adaptar muito bem a novas regras, mudan&ccedil;as estruturais e necessidade de novos conhecimentos, a tend&ecirc;ncia &eacute; de manter o <i>status quo</i>, pois realizaram grande investimento em sua base de conhecimento, passando, em consequ&ecirc;ncia, a proteg&ecirc;-lo. Por outro lado, os mais novatos, que investiram menos em sua base de conhecimento e que desfrutam de menos prest&iacute;gio, sentem-se livres para arriscar a mudan&ccedil;a, pois t&ecirc;m pouco a perder e mais probabilidades de lucrar que seus colegas mais experientes.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Assim, os adeptos da "<i>tension view</i>" defendem que n&atilde;o h&aacute; necessidade de se tornar um <i>expert</i> pleno no meio escolhido. Basta a aquisi&ccedil;&atilde;o de um repert&oacute;rio suficiente de conhecimento que permita ao indiv&iacute;duo avan&ccedil;ar al&eacute;m do que j&aacute; foi realizado, para evitar o famigerado "reinvento da roda" (Sternberg &amp; Lubart, 1995).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Embora a teoria da tens&atilde;o entre criatividade e conhecimento seja mais antiga e ainda permane&ccedil;a como a corrente dominante (Weisberg, 2008), outra corrente vem ganhando for&ccedil;a nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. Trata-se da j&aacute; mencionada "<i>foundation view</i>", discutida a seguir.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Foundation view</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Weisberg (2008) destaca que um significativo n&uacute;mero de pesquisadores tem argumentado uma proposta contrastante &agrave; "<i>tension view</i>". A base dessa nova vis&atilde;o, denominada "<i>foundation view</i>", &eacute; oriunda dos seguintes trabalhos (dentre outros): Bailin (1988), Gruber (1981), Hayes (1989), Kulkarni &amp; Simon (1988) e Weisberg (1986, 1988, 1993, 1995). Tais estudos enfatizam a import&acirc;ncia do conhecimento especializado, e evidenciam que a aquisi&ccedil;&atilde;o de habilidades em n&iacute;vel de mestre (aproximando-se do m&aacute;ximo pass&iacute;vel de ser dominado), sem estacionar em um n&iacute;vel intermedi&aacute;rio de conhecimento, torna os indiv&iacute;duos mais aptos a realizarem feitos realmente criativos do que seus pares menos preparados. O gr&aacute;fico 2, a seguir, apresenta essa nova rela&ccedil;&atilde;o entre criatividade e conhecimento: </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><a href="/img/revistas/cc/v16n1/1a09g2.jpeg" target="_blank">Gr&aacute;fico 2</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Gr&aacute;fico 2 - </b> Rela&ccedil;&atilde;o Criatividade X Conhecimento (<i>Foundation View</i>). Fonte: dos autores, com base em: Weisberg (2006, 2008).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Pesquisas referentes ao papel fundamental do conhecimento para a criatividade v&ecirc;m de diversas &aacute;reas. Muitos dos estudos envolvem a j&aacute; citada "regra dos dez anos" aplicada ao desenvolvimento de altas habilidades em &aacute;reas que envolvam criatividade. Os resultados dessas pesquisas, diz Weisberg (2008), indicam que, pelo menos indiretamente, a habilidade para desenvolver trabalhos com &ecirc;nfase criativa depende do profundo conhecimento adquirido no meio escolhido. A "<i>foundation view</i>" vem ganhando ainda mais for&ccedil;a devido aos estudos de K. Anders Ericsson, que estabelecem uma rela&ccedil;&atilde;o incondicional entre <i>expertise</i> e criatividade. A proposta b&aacute;sica de Ericsson (1996, 1998, 1999), em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; criatividade, &eacute; de que as inova&ccedil;&otilde;es criativas s&atilde;o as express&otilde;es de mais alto n&iacute;vel que um especialista pode produzir, indo al&eacute;m das fronteiras do dom&iacute;nio ou mesmo redefinindo-o. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Gardner (1999a) demonstra que no caso da criatividade art&iacute;stica, apesar de ser estruturalmente diferente e n&atilde;o ser objetivada ou finalista como no campo cient&iacute;fico e tecnol&oacute;gico, a aquisi&ccedil;&atilde;o de amplo conhecimento especializado, assim como acontece na ci&ecirc;ncia, &eacute; tamb&eacute;m importante. Trata-se de um processo reconhecidamente &aacute;rduo e prolongado, que pode ser atingido por poucos ap&oacute;s muitos anos de treinamento, afirma. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Nickerson (2008) ratifica tal posi&ccedil;&atilde;o enfatizando que se algu&eacute;m quer ser criativo de um modo substantivo, &eacute; preciso estar preparado para trabalhar duro, pois conhecimento altamente elaborado e especializado &eacute; necess&aacute;rio, o qual somente se adquire depois de muitos anos de esfor&ccedil;o cont&iacute;nuo e deliberado. Kepler, por exemplo, s&oacute; chegou &agrave;s suas leis do movimento planet&aacute;rio, diz o autor, depois de mais de vinte anos de incessante trabalho e tentativas frustradas. Goethe, outro caso citado por ele, tomou em torno de vinte anos para escrever Fausto; Charles Babbage gastou quarenta anos tentando aperfei&ccedil;oar sua m&aacute;quina anal&iacute;tica. Enfim, como j&aacute; destacaram Gardner (1999a, 1999b), Pinker (2007) e Nickerson (2008), n&atilde;o h&aacute; f&oacute;rmula m&aacute;gica, o que separa o "g&ecirc;nio" do indiv&iacute;duo apenas competente &eacute;, principalmente, sua capacidade de trabalho e envolvimento com a tarefa. "&#91...&#93 O g&ecirc;nio criativo est&aacute; mais para Salieri do que para Amadeus" (Pinker, 2007, p. 381).</font></p>      <p>&nbsp;</p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="3"><b>A conex&atilde;o criatividade x conhecimento em um dom&iacute;nio particular: o jogo de xadrez</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Primeiras considera&ccedil;&otilde;es</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Simon &amp; Chase (1973) declararam ser o xadrez a <i>drosophila</i> da psicologia cognitiva. Assim como a mosca da fruta &eacute; um modelo ideal de laborat&oacute;rio para o estudo da hereditariedade - com uma complexidade gen&eacute;tica adequada, uma reprodu&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida e caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas facilmente manipul&aacute;veis nas recomposi&ccedil;&otilde;es gen&eacute;ticas -, tamb&eacute;m o xadrez o &eacute; para o estudo da mente humana (Shenk, 2007), adquirindo para al&eacute;m de sua tradi&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia cultural, uma tradi&ccedil;&atilde;o e import&acirc;ncia cient&iacute;fica. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Saariluoma (1995) destaca que, do ponto de vista da teoria dos jogos, o xadrez &eacute; um jogo finito. Suas regras garantem que nenhuma partida pode ser continuada indefinidamente. A &aacute;rvore de um jogo de xadrez &eacute; profunda, mas n&atilde;o infinita. Embora o n&uacute;mero m&eacute;dio de movimentos em uma partida de torneio esteja na casa dos quarenta lances, informa Saariluoma, o tamanho total da &aacute;rvore de jogo no xadrez &eacute; grande o suficiente (em torno de 10<sup>120</sup> n&oacute;s) para prevenir os modernos computadores de encontrarem uma "solu&ccedil;&atilde;o computacional" para o jogo. O xadrez &eacute; tamb&eacute;m um jogo com informa&ccedil;&atilde;o perfeita e sem o uso de instrumentos de sorte. Em termos de psicologia, complementam Gobet e colaboradores (2004), os jogos de tabuleiro apresentam oportunidades para estudar a percep&ccedil;&atilde;o, mem&oacute;ria e o pensamento. O xadrez &eacute;, por sua vez, al&eacute;m de ser um jogo de tabuleiro, um jogo rico em conhecimento ou, em outras palavras, &eacute; um jogo de conhecimento intensivo (Chi, 2007). Trata-se de um modelo de desenvolvimento do conhecimento objetivado e finalista, pois, assim como o conhecimento tecnol&oacute;gico e cient&iacute;fico, o xadrez &eacute; objetivado por finalidades previstas.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>Xadrez, criatividade e conhecimento</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Todas as atividades criativas possuem suas regras. O artista ama os v&iacute;nculos assim como o jogador ama as regras, afirma De Masi (2000, p. 227). A diferen&ccedil;a entre trabalho criativo e trabalho executivo &eacute; que "no primeiro caso as regras representam um desafio, no segundo s&atilde;o apenas um limite." O xadrez, talvez por sua express&atilde;o notadamente racional e conjunto de regras bem definidas, normalmente n&atilde;o &eacute; associado a processos criativos mais do que &eacute; entendido como um dom&iacute;nio de conhecimento onde s&oacute; existe espa&ccedil;o para decis&otilde;es estritamente l&oacute;gicas e desprovidas de um elemento mais inovador. O fato &eacute; que &eacute; necess&aacute;rio conhecimento, tanto quanto capacidade para utilizar esse conhecimento de forma totalmente criativa (Kasparov, 2007). </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">De Masi (2000, p. 259) inclui o xadrez como uma das atividades que podem se encaixar no que ele chamou de &oacute;cio criativo. "&Eacute; a situa&ccedil;&atilde;o do poeta, do cientista, do estudioso, do amante do xadrez (...)." A criatividade se nutre de milhares de horas de reflex&atilde;o ou exerc&iacute;cio, que podem parecer perda de tempo. Mas, complementa o autor, esse "desperd&iacute;cio" de tempo &eacute; na verdade uma perambula&ccedil;&atilde;o do corpo e da mente que acabar&aacute; por desembocar-se numa obra de arte, num novo teorema, num romance e, porque n&atilde;o, numa brilhante partida de xadrez.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O jogador que progride, avan&ccedil;a no sentido de um jogo mais criativo e de estilo original, normalmente vinculado &agrave; sua personalidade. Sua criatividade se expressa na elabora&ccedil;&atilde;o de um plano geral capaz de orientar o jogo e que seja suficientemente flex&iacute;vel para fazer frente a situa&ccedil;&otilde;es imprevis&iacute;veis. &Agrave; medida que um jogador progride em capacidade de jogo, adquire mais confian&ccedil;a, ganha independ&ecirc;ncia e, armado com maior rigor, tenta responder a cada situa&ccedil;&atilde;o da melhor maneira poss&iacute;vel. Dessa forma, aprende a relacionar o que v&ecirc; no tabuleiro com o que sabe de situa&ccedil;&otilde;es semelhantes, e logo aprende tamb&eacute;m a combinar de maneira original, em fun&ccedil;&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o e dos temas conhecidos, t&aacute;ticos ou estrat&eacute;gicos. Nessas opera&ccedil;&otilde;es interv&ecirc;m c&aacute;lculos, mem&oacute;ria, capacidade de ju&iacute;zo e imagina&ccedil;&atilde;o (Larousse, 2000).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">O xadrez est&aacute; entre os dom&iacute;nios de conhecimento mais empregados nos estudos sobre o <i>expertise</i> (Gobet, 2004). A "<i>Expert Performance Approach</i>", por exemplo, abordagem popularizada por Ericsson &amp; Smith (1991), foi fruto de uma adapta&ccedil;&atilde;o dos trabalhos de Chase e Simon (1973a, 1973b) com o jogo de xadrez (Janelle &amp; Hillman, 2003). A teoria da <i>expertise</i> de Simon &amp; Chase (1973) tamb&eacute;m foi desenvolvida sobre estudos envolvendo o xadrez. Mas apesar de ter sido utilizado muitas vezes em pesquisas e experimentos dentro da ci&ecirc;ncia cognitiva, poucos m&eacute;todos de treinamento espec&iacute;fico para o xadrez podem ser encontrados na literatura (Gobet &amp; Charness, 2007).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Como acontece em outros dom&iacute;nios, a aquisi&ccedil;&atilde;o de habilidades no xadrez requer um investimento consider&aacute;vel, afirmam Gobet &amp; Charness (2007). Poucos s&atilde;o os jogadores que atingem o n&iacute;vel de Mestre com menos de 10.000 horas de experi&ecirc;ncia, demandando muita pr&aacute;tica e muito estudo s&eacute;rio e disciplinado (Chase &amp; Simon, 1973a). Gobet, Voogt &amp; Retschitzki (2004), fundamentados nos estudos de Simon e Gilmartin (1973), destacam que o desempenho de um Mestre requer de 10.000 a 100.000 <i>chunks</i> (50.000 <i>chunks</i> como uma primeira aproxima&ccedil;&atilde;o). Eles tamb&eacute;m propuseram que esse n&uacute;mero se generaliza para outros dom&iacute;nios de <i>expertise</i>. A j&aacute; discutida "regra dos dez anos" proposta por Simon e seus colegas foi deduzida a partir de experimentos com o jogo de xadrez, de forma que, para se atingir a maestria nesse jogo &eacute; exigido um trabalho disciplinado por aproximadamente uma d&eacute;cada. S&oacute; em estudo individual, os Grandes Mestres gastam em torno de 5.000 horas durante sua primeira d&eacute;cada de envolvimento s&eacute;rio com o jogo, aproximadamente cinco vezes mais do que o despendido por jogadores que permanecem no n&iacute;vel intermedi&aacute;rio (Charness, Tuffiash, Krampe, Reingold &amp; Vasyukova, 2005).</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Mas o que &eacute; necess&aacute;rio dominar para se tornar um <i>expert</i> no xadrez? Para Gobet (1997) a habilidade de jogar xadrez depende de: a) reconhecimento de <i>chunks</i> (padr&otilde;es baseados em um conjunto de informa&ccedil;&otilde;es inter-relacionadas) familiares nas posi&ccedil;&otilde;es jogadas e b) explorar poss&iacute;veis movimentos e avaliar suas consequ&ecirc;ncias. Para esse autor, o <i>expertise </i>depende tanto da disponibilidade em mem&oacute;ria de informa&ccedil;&otilde;es sobre um grande n&uacute;mero de padr&otilde;es de pe&ccedil;as frequentemente recorrentes, bem como da disponibilidade de estrat&eacute;gias para uma procura altamente seletiva na &aacute;rvore de busca. Para Horn &amp; Masunaga (2007, p. 599, tradu&ccedil;&atilde;o nossa), ao conceituar um problema, o <i>expert</i> &eacute; o indiv&iacute;duo "que est&aacute; apto a compreender sua estrutura e representar as rela&ccedil;&otilde;es mais relevantes antes de gerar cursos alternativos de a&ccedil;&atilde;o, enquanto os novi&ccedil;os geram um grande n&uacute;mero de op&ccedil;&otilde;es que frequentemente n&atilde;o tem grande relev&acirc;ncia para a situa&ccedil;&atilde;o." Assim, complementam esses autores, "os <i>experts</i> em xadrez escolhem o pr&oacute;ximo lance primeiramente codificando a estrutura da posi&ccedil;&atilde;o corrente, baseando-se em seu vasto conhecimento, e ent&atilde;o avaliando lances alternativos e suas consequ&ecirc;ncias." Por outro lado, uma pessoa com pouco <i>expertise</i> seleciona o pr&oacute;ximo lance gerando e avaliando as v&aacute;rias possibilidades de movimentos que podem ser vistos na situa&ccedil;&atilde;o imediata.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A criatividade no xadrez manifesta-se, pois, durante a busca por uma solu&ccedil;&atilde;o a um problema apresentado. Normalmente solu&ccedil;&otilde;es convencionais s&atilde;o conhecidas e detectadas por ambos os jogadores no calor da batalha, de forma que a busca por conex&otilde;es n&atilde;o evidentes pode transformar-se em vantagens de tempo, espa&ccedil;o e material. O que faz o Mestre subir na tabela de classifica&ccedil;&atilde;o, mais do que o conhecimento de aberturas, padr&otilde;es de ataque e defesa e t&eacute;cnica de finais, &eacute; a capacidade de perceber as exce&ccedil;&otilde;es ao conhecimento estabelecido, em uma concep&ccedil;&atilde;o criativa, inesperada, que estabelece uma conex&atilde;o entre elementos de uma forma n&atilde;o trivial (Kasparov, 2007).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Em pesquisa emp&iacute;rica recente, Bilalic <i>et al.</i> (2008a) comprovaram a ocorr&ecirc;ncia do "efeito <i>Einstellung</i>" no desempenho dos <i>experts </i>no xadrez. Mais importante, no entanto, foi a constata&ccedil;&atilde;o de que, embora os <i>experts</i> possam demonstrar inflexibilidade quando os problemas enfrentados estejam acima de suas capacidades atuais de jogo, quando enfrentam situa&ccedil;&otilde;es em que apresentam maior dom&iacute;nio t&eacute;cnico, o "efeito <i>Einstellung</i>" n&atilde;o os impede de selecionar a solu&ccedil;&atilde;o mais criativa. Em outras palavras, quanto maior for o n&iacute;vel de <i>expertise</i>, maior o potencial criativo. Para chegar a tal conclus&atilde;o, esses pesquisadores realizaram uma s&eacute;rie de experimentos onde v&aacute;rios jogadores de xadrez classificados de acordo com suas for&ccedil;as de jogo, tinham que passar por dois problemas. Em um dos experimentos, o primeiro problema apresentava duas solu&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis, uma delas bastante conhecida, com a possibilidade de dar xeque-mate em cinco lances e outra, n&atilde;o familiar, que possibilitava dar xeque-mate em apenas tr&ecirc;s lances. O segundo problema possu&iacute;a apenas uma solu&ccedil;&atilde;o, igual ao xeque-mate de tr&ecirc;s lances do problema anterior. Jogadores fortes (Candidatos a Mestre, Mestres e Mestres Internacionais) enfrentaram o primeiro problema e a maioria viu apenas a solu&ccedil;&atilde;o familiar, mais longa. Quando enfrentaram o segundo problema, conseguiram encontrar, sem dificuldades, a solu&ccedil;&atilde;o mais curta, &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o na ocasi&atilde;o. Contudo, todos os jogadores mais fortes (Grandes Mestres) enfrentaram o primeiro problema e conseguiram enxergar ambas as solu&ccedil;&otilde;es. Ou seja, os <i>experts</i> plenos n&atilde;o ficaram "entrincheirados" e mostraram flexibilidade para encontrar a melhor solu&ccedil;&atilde;o. Quando da apresenta&ccedil;&atilde;o de problemas com menor complexidade, os jogadores de menor for&ccedil;a tamb&eacute;m conseguiram superar o "efeito <i>Einstellung</i>". Portanto, o conhecimento objetivado ou finalista em maior n&iacute;vel de especializa&ccedil;&atilde;o e sofistica&ccedil;&atilde;o, segundo essa pesquisa, propicia mais flexibilidade na solu&ccedil;&atilde;o criativa de problemas estruturados, levando a uma postura menos dogm&aacute;tica do que a encontrada em <i>experts</i> de menor qualifica&ccedil;&atilde;o.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Por fim, &eacute; interessante destacar a opini&atilde;o de um dos melhores jogadores da hist&oacute;ria do xadrez, que pode ser tomada como uma ratifica&ccedil;&atilde;o da conclus&atilde;o da pesquisa descrita. Para Garry Kasparov, pode-se assumir o controle da criatividade por meio do trabalho e de uma finalidade definida. "Nossa receita b&aacute;sica, portanto, &eacute; fazer uma imers&atilde;o em todos os aspectos do problema, e depois identificar as quest&otilde;es que t&ecirc;m de ser respondidas. As mentes mais criativas t&ecirc;m maiores conhecimentos sobre o assunto &agrave; m&atilde;o" (Kasparov, 2007, p. 135). E finaliza:</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">"Quando tivermos absorvido completamente o conhecimento, podemos nos afastar dele com seguran&ccedil;a, o suficiente para ter um quadro global. Partindo dele, podemos ver novos caminhos e fazer novas conex&otilde;es. Surgem novas relev&acirc;ncias, informa&ccedil;&otilde;es antigas parecem novas, e a inova&ccedil;&atilde;o torna-se a regra em vez da exce&ccedil;&atilde;o." (Kasparov, 2007, p. 151)</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">A hip&oacute;tese da "<i>tension view</i>" afirma que caracter&iacute;sticas inerentes &agrave; obten&ccedil;&atilde;o de conhecimento especializado podem, pelo menos indiretamente, atrapalhar a criatividade. A "<i>foundation view</i>", por outro lado, tem como pressuposto de pesquisa que o conhecimento, em qualquer profundidade, n&atilde;o pode ser indesejado. De qualquer modo, afirma Nickerson (2008), h&aacute; evid&ecirc;ncias de que pouco conhecimento seja, de longe, pior do que muito. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Hutson (2008, p. 27) diz que no senso comum &eacute; corriqueiro ouvir o ditado introduzido por Voltaire de que "o perfeito &eacute; inimigo do bom." O ser humano, por ser uma criatura de h&aacute;bitos, desenvolve mecanismos cognitivos para n&atilde;o "reinventar a roda" a cada tentativa de resolver um problema. Mas, talvez a roda inventada n&atilde;o seja ideal para todas as ocasi&otilde;es. Assim, complementa, "o bom torna-se inimigo do perfeito."</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Uma quest&atilde;o muito importante que precisa ser enfatizada &eacute; que h&aacute; diferen&ccedil;as nos tipos de conhecimentos adquiridos. Sternberg &amp; Lubart (1995) destacam que o conhecimento pode ser dividido em dois tipos: formal e informal - tamb&eacute;m conhecidos como expl&iacute;cito e t&aacute;cito, respectivamente (Nonaka, Toyama &amp; Konno, 2000). Embora ambos sejam importantes para a criatividade, h&aacute; distin&ccedil;&otilde;es:</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">"O conhecimento formal &eacute; o conhecimento de uma disciplina ou trabalho que voc&ecirc; aprende em livros, aulas, e outros meios diretos de instru&ccedil;&atilde;o. Esse conhecimento pode consistir de fatos, princ&iacute;pios, valores est&eacute;ticos, opini&otilde;es sobre uma quest&atilde;o, ou conhecimento de t&eacute;cnicas e paradigmas gerais. &#91...&#93 Conhecimento informal &eacute; o conhecimento que voc&ecirc; capta de uma disciplina ou trabalho durante o tempo gasto naquela arena. Conhecimento informal &eacute; raramente ensinado de modo expl&iacute;cito e frequentemente n&atilde;o &eacute; nem mesmo verbalizado. Al&eacute;m do mais, sua natureza informal rende a ele dificuldades para ser sumarizado." (Sternberg &amp; Lubart, 1995, p. 150, tradu&ccedil;&atilde;o nossa)</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Normalmente, as pesquisas que indicam uma rela&ccedil;&atilde;o progressivamente negativa entre criatividade e conhecimento, estudam apenas a rela&ccedil;&atilde;o da criatividade com o conhecimento formal. O trabalho de Simonton (1984) &eacute; um exemplo, uma vez que seu estudo, ao prover forte suporte &agrave; "<i>tension view</i>", enfocou apenas a rela&ccedil;&atilde;o entre educa&ccedil;&atilde;o formal e criatividade, afirma Weisberg (2008). Sternberg &amp; Lubart (1995) tamb&eacute;m apresentam os custos para a criatividade advindos apenas do conhecimento formal. Por outro lado, &eacute; vasto o n&uacute;mero de casos onde um indiv&iacute;duo reconhecidamente criativo n&atilde;o tenha adquirido um grau acad&ecirc;mico avan&ccedil;ado mas, em contrapartida, tenha adquirido uma imensa base de conhecimento por outros meios. Weisberg (2008) exemplifica, entre outros, o caso de Darwin, que n&atilde;o passou do grau de bacharel, e o de Faraday, que abandonou a escola aos quatorze anos de idade. No xadrez muitos s&atilde;o os exemplos de jogadores que abandonaram os bancos escolares para dedicarem-se exclusivamente ao estudo e pr&aacute;tica do jogo. Um dos mais citados &eacute; o do norte-americano Robert James Fischer (Bobby Fischer), campe&atilde;o mundial em 1972, que abandonou a escola aos 16 anos de idade (Brady, 1989). Bobby Fischer tamb&eacute;m n&atilde;o se "graduou" formalmente em nenhuma escola de xadrez. Simplesmente estava sempre estudando, jogando ou pensando em xadrez. Brady (1989) conta que, durante as aulas na escola, quando a professora "confiscava" seu jogo de xadrez de bolso, ele passava a estudar posi&ccedil;&otilde;es enxadr&iacute;sticas mentalmente, sem o aux&iacute;lio do tabuleiro. No xadrez, como j&aacute; salientado, o que mais importa &eacute; o conhecimento especializado conquistado pelo estudo solit&aacute;rio e pela experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica adquirida em torneios. O conhecimento informal &eacute;, pois, o que mais conta. Weisberg (2008) conclui que, n&atilde;o obstante as pesquisas pare&ccedil;am estar corretas ao relacionar educa&ccedil;&atilde;o formal com criatividade na forma de um U invertido, isso n&atilde;o necessariamente contradiz a vis&atilde;o de que a rela&ccedil;&atilde;o entre conhecimento e criatividade possa ser positiva. </font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Outro ponto importante &eacute; que o conhecimento informal cresce com os anos de experi&ecirc;ncia, mas n&atilde;o &eacute; a experi&ecirc;ncia em si que importa e sim, como se tira vantagem dela, declaram Sternberg &amp; Lubart (1995). Al&eacute;m do mais, complementam esses autores, as pessoas criativas est&atilde;o sempre em busca de novos conhecimentos, sejam eles formais ou informais, nunca se satisfazendo com o que j&aacute; sabem, sempre querendo aprender mais. De Masi diz que: "&#91...&#93 Quanto mais educado voc&ecirc; for, um maior n&uacute;mero de significados as coisas suscitam em voc&ecirc; e mais significados voc&ecirc; d&aacute; &agrave;s coisas" (2000, p. 327). Os excepcionalmente brilhantes t&ecirc;m &acirc;nsia de aprender, adiciona Gardner (1999b).</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Considera-se por fim, como possibilidade de trabalho futuro, investigar alternativas para a supera&ccedil;&atilde;o dos limites da "<i>tension view</i>" em prol da "<i>foundation view</i>", colaborando para caracterizar o conhecimento j&aacute; reconhecidamente fundamental para a criatividade, como capaz de exercer uma fun&ccedil;&atilde;o sempre positiva ou, pelo menos, n&atilde;o negativa.</font></p>      <p>&nbsp;</p>      <p><font face="Verdana" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias bibliogr&aacute;ficas </b></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Alencar, E.M.L.S. (1993). <i>Criatividade</i>. Bras&iacute;lia: Edunb.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022024&pid=S1806-5821201100010000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Alencar, E.M.L.S. &amp; Fleith, D.S. (2003). Contribui&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas recentes ao estudo da criatividade. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa</i>, 19 (1), 1-8.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022026&pid=S1806-5821201100010000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bailin, S. (1988). <i>Achieving extraordinary ends</i>: an essay on creativity. Dordrecht, Nederland: Kluwer Academic.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022028&pid=S1806-5821201100010000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bilalic, M.; Mcleod, P. &amp; Gobet, F. (2008a). Inflexibility of experts-reality or myth? quantifying the Einstellung effect in chess masters. <i>Cognitive Psychology</i>, 56, 73-102.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022030&pid=S1806-5821201100010000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Bilalic, M.; Mcleod, P. &amp; Gobet, F. (2008b). Why good thoughts block better ones: the mechanism of the pernicious Einstellung (set) effect. <i>Cognition</i>, 108, 652-661.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022032&pid=S1806-5821201100010000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Brady, F. (1989). <i>Bobby Fischer</i>: profile of a prodigy. New York: Dover Publications.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022034&pid=S1806-5821201100010000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Burleson, W. (2005). Developing creativity, motivation, and self-actualization with learning systems. <i>International Journal of Human-Computer Studies</i>, 63, 436-451.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022036&pid=S1806-5821201100010000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Charness, N.; Tuffiash M.; Krampe, R.; Reingold, E. &amp; Vasyukova, E. (2005). The role of deliberate practice in chess expertise. <i>Applied Cognitive Psychology</i>, 19, 151-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022038&pid=S1806-5821201100010000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chase, W.G. &amp; Simon, H.A. (1973a). Perception in chess. <i>Cognitive Psychology</i>, 4, 55-81.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022040&pid=S1806-5821201100010000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chase, W.G. &amp; Simon, H.A. (1973b). The mind's eye in chess. In: Chase, W.G. (Ed.). <i>Visual information processing</i> (pp. 215-281). New York: Academic Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022042&pid=S1806-5821201100010000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Chi, M.T.H. (2007). Laboratory methods for assessing experts' and novices' knowledge. In: Ericsson, K.A.; Charness, N.; Feltovich, P.J. &amp; Hoffman, R.R. (Ed.). <i>The Cambridge handbook of expertise and expert performance</i> (pp. 167-184). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 2006).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022044&pid=S1806-5821201100010000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Csikszentmihalyi, M. (1996). <i>Creativity</i>: Flow and the Psychology of Discovery and Invention. Nova York: Harper Collins.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022046&pid=S1806-5821201100010000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">De Masi, D. (2000). <i>O &oacute;cio criativo</i>. (Manzin, L., Trad.). Rio de Janeiro: Sextante. </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ericsson, K.A. (1996). The acquisition of expert performance: an introduction to some of the issues. In: Ericsson, K.A. (Ed.). <i>The road to excellence</i>. The acquisition of expert performance in the arts and sciences, sports, and games (pp. 1-150). Mahwah, NJ, USA: Erbaum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022049&pid=S1806-5821201100010000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ericsson, K.A. (1998). The scientific study of expert levels of performance: general implications for optimal learning and creativity. <i>High Ability Studies</i>, 9, 75-100.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022051&pid=S1806-5821201100010000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ericsson, K.A. (1999). Creative expertise as superior reproducible performance: innovative and flexible aspects of expert performance. <i>Psychological Inquiry</i>, 10, 329-333.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022053&pid=S1806-5821201100010000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Ericsson, K.A. &amp; Smith, J. (1991). Prospects and limits in the empirical study of expertise: an introduction. In: Ericsson, K.A. &amp; Smith, J. (Ed.). <i>Toward a general theory of expertise</i>: prospect and limits (1-38). Cambridge, MA, USA: Cambridge University Press.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Feldman, D.H. (2008). The development of creativity. In: Sternberg, R.J. (Ed.). <i>Handbook of creativity </i>(pp. 169-186). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 1999).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022056&pid=S1806-5821201100010000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana" size="2">Gardner, H. (1999a). <i>Arte, mente e c&eacute;rebro</i>: uma abordagem cognitiva da criatividade. (Costa, S., Trad.). Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas Sul.</font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Gardner, H. (1999b). <i>Mentes extraordin&aacute;rias</i>: perfis de quatro pessoas excepcionais e um estudo sobre o extraordin&aacute;rio em cada um de n&oacute;s. (Soares, G.B., Trad.). Rio de Janeiro: Rocco.</font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gobet, F. (1997). A pattern-recognition theory of search in expert problem solving. <i>Thinking and Reasoning</i>, 3 (4), 291-313.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022060&pid=S1806-5821201100010000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Gobet, F. (2004). Chess expertise, cognitive psychology of. In: Smelser, N.J. &amp; Baltes, P.B. (Ed). <i>International Encyclopedia of the Social &amp; Behavioral Sciences</i> (pp. 1663-1667). Oxford: Pergamon. </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gobet, F. &amp; Charness, N. (2007). Expertise in chess. In: Ericsson, K.A.; Charness, N.; Feltovich, P.J. &amp; Hoffman, R.R. (Ed.). <i>The Cambridge handbook of expertise and expert performance</i> (pp. 523-538). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 2006).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022063&pid=S1806-5821201100010000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gobet, F.; Voogt, A. &amp; Retschitzki, J. (2004). <i>Moves in mind</i>: the psychology of board games. New York: Psychology Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022065&pid=S1806-5821201100010000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Gruber, H.E. (1981). <i>Darwin on man</i>: a psychological study of scientific creativity (2<sup>a</sup> Ed.). Chicago: University of Chicago Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022067&pid=S1806-5821201100010000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hayes, J.R. (1989). Cognitive process in creativity. In: Glover, J.A.; Ronning, R.R. &amp; Reynolds, C.R. (Ed.). <i>Handbook of creativity </i>(pp. 135-145). New York: Plenum.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022069&pid=S1806-5821201100010000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Horn, J. &amp; Masunaga, H. (2007). A merging theory of expertise and intelligence. In: Ericsson, K.A.; Charness, N.; Feltovich, P.J. &amp; Hoffman, R.R. (Ed.). <i>The Cambridge handbook of expertise and expert performance</i> (pp. 587-611). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 2006).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022071&pid=S1806-5821201100010000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Howe, M.J.A. (2008). Prodigies and Creativity. In: Sternberg, R.J. (Ed.). <i>Handbook of creativity</i> (pp. 431-446). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 1999).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022073&pid=S1806-5821201100010000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Hutson, M. (2008). Creatures of habit: know-how gets you in-and out-of ruts. <i>Psychology Today</i>, 41 (6), 27.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022075&pid=S1806-5821201100010000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Janelle, C.M. &amp; Hillman, C.H. (2003). Expert performance in sports: current perspectives and critical issues. In: Starkes, J.L. &amp; Ericsson, K.A. (Ed.). <i>Expert performance in sports</i>: advances in research on sport expertise (pp. 19-47). Champaign, IL, USA: Human Knetics.</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Japiass&uacute;, H. &amp; Marcondes, D. (1996). <i>Dicion&aacute;rio b&aacute;sico de filosofia</i>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. (Original publicado em 1989).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022078&pid=S1806-5821201100010000900031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Kasparov, G.K. (2007). <i>Xeque-mate</i>: como a vida e os neg&oacute;cios s&atilde;o um jogo de xadrez. (Fonseca, T.F., Trad.). 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<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Simonton, D.K. (1999). <i>Origins of genius</i>. Darwinian perspectives on creativity. New York: Oxford.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022108&pid=S1806-5821201100010000900048&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Sternberg, R.J. (1996). Costs of expertise. In: Ericsson, K.A. (Ed.). <i>The road to excellence</i>. The acquisition of expert performance in the arts and sciences, sports, and games (pp. 347-354). 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(Original publicado em 1999).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022115&pid=S1806-5821201100010000900052&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Ward, T.B.; Smith, S.M. &amp; Finke, R.A. (2008). Creativity Cognition. In: Sternberg, R.J. (Ed.). <i>Handbook of creativity </i>(pp. 189-212). New York: Cambridge University Press. (Original publicado em 1999).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022117&pid=S1806-5821201100010000900053&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Weisberg, R.W. (1986). <i>Creativity</i>: genius and other myths. New York: Freeman.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022119&pid=S1806-5821201100010000900054&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2">Weisberg, R.W. (1988). Problem solving and creativity. In: Sternberg, R.J. (Ed.). <i>The nature of creativity</i>: contemporary psychological perspectives (pp. 148-176). Cambridge, MA, USA: MIT Press. </font></p>      <!-- ref --><p><font face="Verdana" size="2">Weisberg, R.W. (1993). <i>Creativity</i>: beyond the myth of genius. 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(Original publicado em 1999).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4022127&pid=S1806-5821201100010000900059&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><b><a name="end"></a><a href="#enda"><img src="img/revistas/cc/v16n1/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></b></font><font face="Verdana" size="3"></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>K. Pereira</b>    <br> Rua Piratuba, 1143, Joinville, SC, 89222-365.    <br> <i>E-mail</i> para correspond&ecirc;ncia: <a href="mailto:karistonpereira@gmail.com" target="_blank">karistonpereira@gmail.com</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>I. Pavanati</b>    <br> <i>E-mail </i>para correspond&ecirc;ncia: <a href="mailto:iandrapavanati@hotmail.com" target="_blank">iandrapavanati@hotmail.com</a></font></p>      <p><font face="Verdana" size="2"><b>R.P.L. Sousa </b>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <i>E-mail</i> para correspond&ecirc;ncia: <a href="mailto:perassi@cce.ufsc.br" target="_blank">perassi@cce.ufsc.br</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana" size="2"><a name="1a"></a><a href="#1">(1)</a> Alvarez, A. (1995, 01 de abril). The playful pianist. <i>The New Yorker, </i>49-55. </font></p></html>      ]]></body>
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