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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Os Atravessamentos Vividos por um Gestalt: Terapeuta em Formação em Clínicas de Hemodiálise]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The objective of this article is to divide my experiences as a psychologist inserted in hemodialysis units, as a student of the Specialization Course in Clinical Psychology - Gestalt-Therapy (Individual, Group and Family) held at IGT - Gestalt Therapy and Family Care Institute. One of the relevance of this work is the scarcity of bibliography of Gestalt-Therapy anchored psychologists inserted in the clinic of patients who have chronic kidney disease. The purpose of this proposal is to contribute to the reflection and clinical practice of other gestalt-therapist psychologists who have concerns and uncertainties regarding the care given at the hemodialysis health unit, whose patients are obliged to have a regular treatment for many years with Worsening of their health and quality of life. We emphasize concepts of the Gestalt Approach, which help in understanding the possible contributions of Gestalt therapy in this: Contact, Therapeutic Relationship, Here and Now, and Experiment. The experience of these concepts, with the patients in the day to day of a Clinic of hemodialysis, are the most challenging, for this reason, the choice of the same ones.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Formação do Gestalt-terapeuta]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>ARTIGO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Os Atravessamentos Vividos por  um Gestalt-Terapeuta em Forma&ccedil;&atilde;o em Cl&iacute;nicas  de Hemodi&aacute;lise</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>The Tracks Experienced by a Gestalt-Therapist in  Training in Hemodialysis Clinics</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Rosileia Pereira Rodrigues  Alves<sup><a name="t*"></a><a href="#n*">*</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">IGT - Instituto de Gestalt Terapia e Atendimento Familiar - Rio de Janeiro - RJ.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailtopo"></a><a href="#mailfim">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     <p>&nbsp;</p> <hr nonshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo do  presente artigo &eacute; dividir minhas experi&ecirc;ncias como psic&oacute;loga inserida em  unidades de hemodi&aacute;lise, enquanto aluna do curso de Especializa&ccedil;&atilde;o em  Psicologia Cl&iacute;nica &ndash; Gestalt-Terapia (Indiv&iacute;duo, Grupo e Fam&iacute;lia) realizado no  IGT &ndash; Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento Familiar. Uma das relev&acirc;ncias do  trabalho parte da escassez de bibliografia de psic&oacute;logos ancorados na  Gestalt-Terapia inseridos na cl&iacute;nica de pacientes que t&ecirc;m doen&ccedil;a renal cr&ocirc;nica.  A proposta visa tamb&eacute;m contribuir na reflex&atilde;o e na pr&aacute;tica cl&iacute;nica de outros  psic&oacute;logos gestalt-terapeutas que vivem inquietudes e incertezas a respeito dos  atendimentos que s&atilde;o realizados na Unidade de sa&uacute;de de hemodi&aacute;lise, cujos pacientes  obrigatoriamente precisam realizar um tratamento regularmente, por muitos anos,  com piora de sua sa&uacute;de e qualidade de vida. Destacam-se conceitos da Abordagem  Gest&aacute;ltica, que auxiliam na compreens&atilde;o das poss&iacute;veis contribui&ccedil;&otilde;es da Gestalt-terapia  nesse contexto, que s&atilde;o: Contato, Rela&ccedil;&atilde;o Terap&ecirc;utica, Aqui e Agora e  Experimento. A viv&ecirc;ncia destes conceitos, com os pacientes no dia a dia de uma  Cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise, s&atilde;o os mais desafiadores, por este motivo, a escolha  dos mesmos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavra-chave:</b>Forma&ccedil;&atilde;o do  Gestalt-terapeuta; Hemodi&aacute;lise; Doen&ccedil;a Renal Cr&ocirc;nica.</font></p> <hr nonshade size="1">     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">The objective of this article is to divide my experiences  as a psychologist inserted in hemodialysis units, as a student of the  Specialization Course in Clinical Psychology - Gestalt-Therapy (Individual,  Group and Family) held at IGT - Gestalt Therapy and Family Care Institute. One  of the relevance of this work is the scarcity of bibliography of  Gestalt-Therapy anchored psychologists inserted in the clinic of patients who  have chronic kidney disease. The purpose of this proposal is to contribute to  the reflection and clinical practice of other gestalt-therapist psychologists  who have concerns and uncertainties regarding the care given at the  hemodialysis health unit, whose patients are obliged to have a regular  treatment for many years with Worsening of their health and quality of life. We  emphasize concepts of the Gestalt Approach, which help in understanding the  possible contributions of Gestalt therapy in this:  Contact, Therapeutic Relationship, Here and Now, and Experiment. The experience  of these concepts, with the patients in the day to day of a Clinic of  hemodialysis, are the most challenging, for this reason, the choice of the same  ones. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b>Gestalt  Therapist Training; Hemodialysis; Chronic Kidney Disease. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante os dois  &uacute;ltimos anos da minha gradua&ccedil;&atilde;o em psicologia, estagiei no Hospital Federal de  Bonsucesso na Cidade do Rio de Janeiro no setor de nefrologia. Esta &eacute; uma  especialidade que cuida de doen&ccedil;as dos rins. Neste setor de nefrologia,  deparei-me com um contexto do qual, at&eacute; ent&atilde;o, nunca havia ouvido falar, a  cl&iacute;nica do indiv&iacute;duo que tem uma doen&ccedil;a renal cr&ocirc;nica<sup><a name="t1"></a><a href="#n1">1</a></sup> (DRC).&nbsp; Por se tratar de um hospital de  alta complexidade, atende pacientes quando a doen&ccedil;a renal est&aacute; no n&iacute;vel agudo  e/ou cr&ocirc;nico, tamb&eacute;m conhecida pela nomenclatura &ndash; Doen&ccedil;a Renal Est&aacute;gio IV e V.  Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, na fase aguda, o rim tem a sua  fun&ccedil;&atilde;o comprometida, mas com dieta e medicamentos espec&iacute;ficos o paciente  consegue prolongar a fun&ccedil;&atilde;o renal por muito tempo. J&aacute; na fase cr&ocirc;nica, a pessoa  tem um comprometimento acima de 80% em sua fun&ccedil;&atilde;o renal, necessitando da substitui&ccedil;&atilde;o  do mesmo. Esta patologia no grau V n&atilde;o contempla uma expectativa de cura, mas  sim a manuten&ccedil;&atilde;o do estado cr&ocirc;nico submetendo o paciente a modalidades  terap&ecirc;uticas de substitui&ccedil;&atilde;o renal, que s&atilde;o: di&aacute;lise, hemodi&aacute;lise e transplante<sup><a name="t2"></a><a href="#n2">2</a></sup>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Assim que me formei,  fui convidada para ser a psic&oacute;loga respons&aacute;vel do setor Transplante Renal do  Hospital S&atilde;o Francisco de Assis, tamb&eacute;m na Cidade do Rio de Janeiro. Neste  trabalho, vivi situa&ccedil;&otilde;es com a tr&iacute;ade, &ldquo;sa&uacute;de-doen&ccedil;a-morte&rdquo;, que reverberavam  tanto em mim como em toda a equipe. Estas experi&ecirc;ncias geraram em mim a  necessidade de capacitar-me, de buscar recursos t&eacute;cnicos e pessoais para lidar  com este contexto supracitado. A princ&iacute;pio, fiquei em d&uacute;vida entre cursar a  Especializa&ccedil;&atilde;o de Psicologia hospitalar ou a de Gestalt-Terapia. No entanto, escolhi  fazer a Especializa&ccedil;&atilde;o em Psicologia Cl&iacute;nica &ndash; Gestalt-Terapia (Indiv&iacute;duo,  Grupo e Fam&iacute;lia) realizado no IGT &ndash; Instituto de Gestalt-Terapia e Atendimento  Familiar, por considerar as ferramentas da mesma, substanciais e amplas,  oferecendo-me suporte para atender, al&eacute;m do indiv&iacute;duo adulto, a grupos e  fam&iacute;lias. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ap&oacute;s esta  experi&ecirc;ncia de trabalho no Hospital S&atilde;o Francisco de Assis ingressei na rotina  de tr&ecirc;s cl&iacute;nicas que oferecem o servi&ccedil;o de hemodi&aacute;lise, nas quais estou at&eacute; o  momento. Nestas cl&iacute;nicas os pacientes realizam o tratamento hemodial&iacute;tico tr&ecirc;s  vezes semanalmente por quatro horas. O presente trabalho parte de minhas  experi&ecirc;ncias numa popula&ccedil;&atilde;o de uma m&eacute;dia de 300 pacientes inseridos em cl&iacute;nicas  em bairros diferentes na Cidade do Rio de Janeiro. Cl&iacute;nicas situadas na Zona  Norte, Zona Oeste e Centro da Cidade, redundando em desafios e peculiaridades  diversas.&nbsp; Cito por exemplo, como um  desafio, o desgaste emocional do paciente pelo fato de sua moradia ser distante  da cl&iacute;nica.&nbsp; Este problema afeta sua  ades&atilde;o ao tratamento, ou seja, as faltas come&ccedil;am a ocorrer e consequentemente,  comorbidades surgem mais rapidamente. Outro fator relevante &eacute; o poder  aquisitivo do paciente. A maioria passa a depender de benef&iacute;cio do INSS  (Institui&ccedil;&atilde;o Nacional do Seguro Social) ou se aposenta. A preocupa&ccedil;&atilde;o  financeira constante, a escassez de recursos para alimentar-se, comprar  suplementos e medica&ccedil;&otilde;es diversas, causam a sensa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade no  paciente e em sua fam&iacute;lia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Joseph C. Zinker (2001,  p.286) me agu&ccedil;ou com suas perguntas: <em>&ldquo;Por  que escolhemos a abordagem gest&aacute;ltica em vez de outras numerosas terapias? O  que significa ser um Gestalt-terapeuta? O que dentro de n&oacute;s ressoa com a  Gestalt-terapia?&rdquo;</em> A escolha da abordagem da Gestalt-terapia, como op&ccedil;&atilde;o de  refer&ecirc;ncia para o trabalho cl&iacute;nico, veio como resposta a estas perguntas  fundamentais. Ent&atilde;o, dizer que sou uma psic&oacute;loga Gestalt-Terapeuta e que meu  cliente faz psicoterapia na abordagem citada &eacute; afirmar que:</font></p>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;Nossa prioridade &eacute; a busca de uma totalidade  perdida, uma vez que problemas mentais s&atilde;o disfun&ccedil;&otilde;es de uma totalidade n&atilde;o  vivenciada [...] Fazer Gestalt n&atilde;o &eacute; tentar cicatrizar feridas antigas, mas  olhar para elas e a partir delas fluir para uma nova pessoa que mora dentro de  n&oacute;s, deixando de lado e para tr&aacute;s velhos olhares, cheiros antigos, sensa&ccedil;&otilde;es  perdidas, toques que n&atilde;o significam mais nada, pois o rem&eacute;dio da cicatriza&ccedil;&atilde;o &eacute;  fluir para um amanh&atilde; apesar de todos os riscos&quot;</em>(PONCIANO, 2006, p.137-138).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>JUSTIFICATIVA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Antes de apresentar  os argumentos para justificar a constru&ccedil;&atilde;o deste artigo, necess&aacute;rio se faz  destacar que, no corpo textual, o uso da primeira pessoa do singular ser&aacute;  constante neste trabalho, como j&aacute; escrito desde a introdu&ccedil;&atilde;o. Apesar de essa  op&ccedil;&atilde;o ser contr&aacute;ria ao que &eacute; apregoado na maioria dos manuais acad&ecirc;micos  (ALMEIDA e MIRANDA, 2009, p.81), optei por esse caminho por me parecer a  proposta mais adequada para denotar a pessoaliza&ccedil;&atilde;o e, por conseguinte,  aproximar o leitor do que foi vivido nas cl&iacute;nicas de hemodi&aacute;lise. Bem como,  marcar uma escrita coerente com as caracter&iacute;sticas ret&oacute;ricas pr&oacute;prias da  abordagem te&oacute;rica adotada pelo autor (ALMEIDA E MIRANDA, 2009, p.82). &nbsp;Neste caso, o artigo em quest&atilde;o &eacute; de base  te&oacute;rica da abordagem gest&aacute;ltica e exige um discurso menos objetivista e mais  pessoal. Cito como exemplo o artigo de Nilma Soares Barros (2015) e a  disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado de Marcelo Pinheiro da Silva (2015, p.20-21) que  fizeram esta escolha.&nbsp; </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Barriceli e  Oliveira (2009, p.89) sinalizaram para o fato de que essa escolha &eacute; encontrada  em alguns textos acad&ecirc;micos, mas &eacute; uma decis&atilde;o que precisa ter o aval do (a)  orientador (a), o que ocorreu no presente artigo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; comum o psic&oacute;logo  ser inserido na rotina de uma Cl&iacute;nica de Hemodi&aacute;lise, sem ter tido treinamento suficiente  para trabalhar. Este preparo n&atilde;o diz respeito a tempo de forma&ccedil;&atilde;o e sim a  escassez de uma correla&ccedil;&atilde;o de material escrito com a pr&aacute;tica de forma sistematizada  na referida &aacute;rea. Eu sofri esta ang&uacute;stia no in&iacute;cio do per&iacute;odo de meu est&aacute;gio no  Hospital Federal de Bonsucesso. Mas por se tratar de est&aacute;gio, as d&uacute;vidas e  erros eram inerentes e aceit&aacute;veis ao processo de aprendizado. Neste per&iacute;odo busquei  material escrito sobre o trabalho neste tipo de ambiente nos indexadores Pepsic  e Scielo baseados na abordagem Cognitivo Comportamental, que era a teoria que  embasava o trabalho de minha supervisora &agrave; &eacute;poca.&nbsp; Naquele momento n&atilde;o encontrei artigos que me  satisfizessem a curiosidade e necessidade de mais embasamento. Participei de supervis&otilde;es  em que foram ensinados a mim conhecimentos oralmente e li algumas apostilas  redigidas pela pr&oacute;pria supervisora.&nbsp; Esta  forma de aprendizado, por assim dizer quase que artesanal, do mestre para o  aprendiz (AUGRAS, 1986) n&atilde;o &eacute; multiplicador de conhecimento de forma  maximizada, ou seja, apesar de ser rico e consistente, o seu alcance &eacute;  limitado. &nbsp;&nbsp;A publica&ccedil;&atilde;o de artigos em  revistas cient&iacute;ficas poderia favorecer essa multiplica&ccedil;&atilde;o de conhecimento. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante o est&aacute;gio, por  estar em um hospital de alta complexidade, com in&uacute;meras demandas, n&atilde;o havia  tempo suficiente para estudos e reflex&otilde;es te&oacute;ricas aprofundadas.&nbsp; Este contexto favoreceu que &agrave; &eacute;poca n&oacute;s  tamb&eacute;m n&atilde;o produz&iacute;ssemos trabalhos para serem publicados, que poderiam servir  de aux&iacute;lio para colegas de outras institui&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No momento em que  fui contratada como psic&oacute;loga respons&aacute;vel do Transplante Renal do Hospital S&atilde;o  Francisco de Assis, como relatado acima, minha complac&ecirc;ncia com os erros  (caracter&iacute;stica presente no est&aacute;gio) perdeu o sentido. Minhas cren&ccedil;as,  indaga&ccedil;&otilde;es, expectativas mudaram. Tanto eu como a institui&ccedil;&atilde;o que me contratou esperava  de mim, no exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o, um conhecimento mais sedimentado e maior  seguran&ccedil;a. Eu precisava de um suporte, de uma vis&atilde;o mais clara do meu trabalho,  do que era ou n&atilde;o poss&iacute;vel no meu dia-a-dia no hospital.&nbsp; J&aacute; no meu percurso do trabalho  concomitantemente com a P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Gestalt-terapia tive dificuldade de  encontrar material escrito referente &agrave; pr&aacute;tica com o vi&eacute;s da abordagem rec&eacute;m-escolhida  por mim.&nbsp; Pois, diante da experi&ecirc;ncia  vivida com a abordagem cognitivo comportamental, percebi minha necessidade de  um olhar mais flex&iacute;vel e singular diante de cada cliente, e que valorizasse a  rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. O que encontrei na Gestalt-terapia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Desafiada a colocar  em pr&aacute;tica a Gestalt-terapia apreendida, tentei, errei, encontrei, desencontrei,  constru&iacute; e registrei. Pretendo compartilhar minhas reflex&otilde;es e acredito que as  informa&ccedil;&otilde;es contidas aqui venham a ser &uacute;teis e somar para que outros psic&oacute;logos  enrique&ccedil;am o seu olhar e se encantem com as possibilidades propostas aqui.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por ter encontrado  apenas um artigo sobre o tema proposto, de Adriana de Carla Silvestre Kr&uuml;ger  (2008) com o t&iacute;tulo <em>&ldquo;O Olhar do Gestalt  Terapeuta numa Unidade de Di&aacute;lise&rdquo;</em>, ousei fazer sozinha a priori, para em  seguida amadurecer e lapidar as minhas ideias com a minha orientadora. Acredito  que dividir minhas experi&ecirc;ncias ir&aacute; auxiliar na reflex&atilde;o e na pr&aacute;tica cl&iacute;nica  de outros psic&oacute;logos que vivem inquieta&ccedil;&otilde;es e d&uacute;vidas com os atendimentos em um  ambiente que tem uma rotina t&atilde;o singular e com pacientes com aspectos  espec&iacute;ficos.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>OBJETIVO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O objetivo deste  artigo &eacute; relatar a minha experi&ecirc;ncia no trabalho em unidades de sa&uacute;de com  indiv&iacute;duos que t&ecirc;m uma doen&ccedil;a cr&ocirc;nica nos rins ao mesmo tempo em que curso a  Especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-terapia. Dividir com os leitores o meu conhecimento e  desta forma, dilatar o entendimento da pr&aacute;tica de um Gestalt-terapeuta. Relatar  como o curso ajuda-me, oferecendo ferramentas para dar suporte emocional a mim,  aos pacientes e &agrave; equipe de sa&uacute;de, estabelecendo interven&ccedil;&otilde;es mais consistentes  e mais ricas que promovam a transforma&ccedil;&atilde;o dos indiv&iacute;duos, assegurando a  autonomia e dignidade dos mesmos. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>METODOLOGIA</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para constru&ccedil;&atilde;o  deste artigo respaldei-me na leitura dos textos e livros indicados pelos  professores durante a Especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-Terapia, bem como de artigos e  monografias publicados na Revista Virtual IGT na Rede. Minha pesquisa incluiu  revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica nos indexadores Scielo, Pepsic, Peri&oacute;dico Capes,  Latindex, Clase, Psicodoc, Google acad&ecirc;mico e tamb&eacute;m nas revistas virtuais de  Gestalt-terapia a seguir: Revista IGT na Rede, Revista da Abordagem Gest&aacute;ltica  (Goi&acirc;nia) e <em>Aware </em>(Florian&oacute;polis) com  as palavras chaves: &ldquo;Gestalt-terapia, Hemodi&aacute;lise e Doen&ccedil;a Renal Cr&ocirc;nica&rdquo;. &nbsp;Estes levantamentos apontaram a escassez e  insufici&ecirc;ncia de bibliografia de psic&oacute;logos atravessados pela Gestalt-Terapia  inseridos na cl&iacute;nica do DRC. Encontrei apenas um artigo, citado acima que tinha  um olhar gest&aacute;ltico sobre este tema. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tamb&eacute;m utilizei  para a constru&ccedil;&atilde;o do presente artigo minha experi&ecirc;ncia enquanto aluna do curso de  Especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-Terapia. Os <em>&ldquo;workshops&rdquo;</em>,  supervis&otilde;es e a minha rela&ccedil;&atilde;o com a turma, contribu&iacute;ram significativamente para  o meu crescimento pessoal e como Gestalt-terapeuta, influenciando os meus  atendimentos. Por isso, o artigo, quase em sua totalidade, &eacute; uma &ldquo;costura&rdquo; dos  conceitos da Gestalt-terapia e minhas experi&ecirc;ncias com a viv&ecirc;ncia como aluna do  curso de especializa&ccedil;&atilde;o. Ou seja, em como afetei e em como fui afetada ao longo  deste per&iacute;odo. Farei isso a partir de informa&ccedil;&otilde;es retiradas do prontu&aacute;rio de  cada paciente que &eacute; lan&ccedil;ado no sistema do computador das cl&iacute;nicas (sistema do  EuCliD e Nephosys), bem como dos registros da Especializa&ccedil;&atilde;o que s&atilde;o: avalia&ccedil;&atilde;o  de m&oacute;dulo, relat&oacute;rios de atendimentos e avalia&ccedil;&atilde;o de <em>&ldquo;workshop&rdquo;.</em></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Neste artigo  descrevo o meu trabalho com DRC a partir de quatro conceitos b&aacute;sicos da Gestalt-Terapia:  contato, rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, aqui-e-agora e experimento para favorecer a  compreens&atilde;o do tema.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O presente artigo tem  tr&ecirc;s se&ccedil;&otilde;es. Na primeira trago a import&acirc;ncia do contato na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica  para o desenvolvimento do paciente e do pr&oacute;prio psic&oacute;logo na DRC. Em seguida explano  sobre o tema do aqui e agora na cl&iacute;nica do DRC e na terceira se&ccedil;&atilde;o apresento  possibilidades de experimentos. Por &uacute;ltimo, as considera&ccedil;&otilde;es finais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em todo o artigo incluo  relatos de experi&ecirc;ncias vividas com os pacientes, bem como alguns dados  t&eacute;cnicos relevantes da &aacute;rea de hemodi&aacute;lise e da medicina. Para manter o sigilo,  modifiquei dados referentes aos pacientes para manter a identidade dos mesmos  preservada.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>1 - RELA&Ccedil;&Atilde;O TERAP&Ecirc;UTICA, CONTATANDO QUANTO  &Eacute; POSS&Iacute;VEL</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para que o leitor  possa compreender melhor os desafios da pr&aacute;tica cl&iacute;nica e a import&acirc;ncia do  contato na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, apresento a seguir, de forma breve, o  funcionamento b&aacute;sico de uma Unidade de Sa&uacute;de que trabalha com DRC.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De maneira geral, o  trabalho de um psic&oacute;logo em uma cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise acontece conjuntamente  com uma equipe multidisciplinar (M&eacute;dico, Enfermeiro, Assistente Social,  Nutricionista entre outros). A organiza&ccedil;&atilde;o mais comum &eacute; que os pacientes sejam subdivididos  em tr&ecirc;s turnos, de segunda a s&aacute;bado, perfazendo uma m&eacute;dia de 20 a 30 pacientes em  cada turno. Cada paciente faz quatro horas de hemodi&aacute;lise por tr&ecirc;s vezes na  semana. Uns fazem o tratamento as ter&ccedil;as, quintas e s&aacute;bados e outros que fazem as  segundas, quartas e sextas-feiras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os espa&ccedil;os que a  equipe tem para trabalhar s&atilde;o: o consult&oacute;rio (onde os hor&aacute;rios de atendimento s&atilde;o  divididos entre os profissionais), a sala onde o tratamento de hemodi&aacute;lise  acontece (mais conhecida como &ldquo;sala branca&rdquo;) e a sala de espera (que &eacute; a  recep&ccedil;&atilde;o, onde ficam os pacientes que aguardam para serem chamados para dar  in&iacute;cio &agrave; hemodi&aacute;lise).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Cada in&iacute;cio de  plant&atilde;o, acessamos a informa&ccedil;&otilde;es sobre os pacientes, tais como: se houve &oacute;bito,  transplante, interna&ccedil;&atilde;o, falta &agrave; hemodi&aacute;lise, entre outras. A seguir, devemos  nos conduzir &agrave; sala onde ocorre a hemodi&aacute;lise para passar visita. Neste  momento, onde acontece abordagem individual, e em algumas oportunidades de  grupo, cada paciente tem a oportunidade de falar sobre suas demandas. N&atilde;o  raramente, as not&iacute;cias sobre o tratamento dos pacientes afetam profundamente toda  a equipe, inclusive a mim.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O paciente permanece  dentro da cl&iacute;nica uma m&eacute;dia de cinco meses por ano, mais de 160 dias (somando  os dias de sua hemodi&aacute;lise) e esta realidade acaba criando proximidade e la&ccedil;os  afetivos entre ele e n&oacute;s da equipe. Percebi que das tr&ecirc;s cl&iacute;nicas onde retirei  os meus relatos, a m&eacute;dia de &oacute;bito/suic&iacute;dio &eacute; de cinco por m&ecirc;s e esta not&iacute;cia &eacute;  a mais impactante e que tem potencial para gerar mobiliza&ccedil;&otilde;es em mim, na equipe  e nos pacientes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uns dos  acontecimentos que mais me afetam nas Cl&iacute;nicas s&atilde;o a dor f&iacute;sica e/ou emocional  prolongada, morte/morrer e suic&iacute;dio. Neste contexto o local onde o paciente  dialisava encontra-se agora vazio ou com outro paciente.&nbsp; A hist&oacute;ria n&atilde;o &eacute; mais contada por ele, o  sofrimento n&atilde;o &eacute; mais compartilhado, o medo n&atilde;o mais dividido, enfim, emo&ccedil;&otilde;es e  sentimentos que se foram com o paciente, mas que ainda reverberam acarretando  revisita&ccedil;&atilde;o de subjetividades atreladas &agrave; finitude e a condi&ccedil;&atilde;o que a doen&ccedil;a  cr&ocirc;nica imp&otilde;e. Segundo Pinker(2001,p.271),a morte tem muitas faces, mas sua  express&atilde;o imut&aacute;vel &eacute; sempre de perda: do trabalho, do orgulho, do amor, da  estima, da seguran&ccedil;a, da terra natal. Para o DRC, perde-se a sa&uacute;de, perde-se a  funcionalidade no ambiente de trabalho, perde-se financeiramente, perde-se o  papel dentro da fam&iacute;lia, perde-se a liberdade de viajar na hora que tem  vontade, perde-se o vigor, perde-se a qualidade de vida.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Testemunhar este  contexto de sofrimento, vivenciar a dificuldade de express&atilde;o e da fala  referente &agrave; morte e ao processo de morrer cursando a Especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-terapia,  e fez pensar na import&acirc;ncia das pessoas se darem conta de fazerem contato com  as suas escolhas e viv&ecirc;ncias de perdas, viv&ecirc;ncias estas que s&atilde;o proeminentes.  Joseph C. Zinker reflete sobre o papel do psicoterapeuta e escreve: </font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;&Eacute; tentador negar a insuport&aacute;vel dor da perda quando  nos defrontamos com ela, ou quando ficamos perdidos na escurid&atilde;o e no desespero  da dor. Queremos ver a dor, mas tamb&eacute;m queremos fugir dela. A pessoa que est&aacute;  morrendo oscila entre estes dois processos [...] O que o terapeuta faz? A  afirma&ccedil;&atilde;o e o apoio muitas vezes v&ecirc;m de simplesmente se estar presente como ser  humano &ndash; testemunhando plenamente os acontecimentos, sentindo e demonstrando  compaix&atilde;o, mas mantendo os pr&oacute;prios limites&quot; </em>(ZINKER, 2001, p.273). </font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O formato do curso  de especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-terapia ajudou-me a ampliar e aprofundar o contato  comigo e com o outro. O di&aacute;logo, a troca entre os alunos sempre incentivados e  acolhidos pelos coordenadores nas aulas, supervis&otilde;es, <em>&ldquo;workshops&rdquo;</em>, e avalia&ccedil;&otilde;es dos m&oacute;dulos, entre outros momentos  preciosos do curso. Dentre os <em>&ldquo;workshops&rdquo; </em>do curso temos os que s&atilde;o fora do Rio de Janeiro, onde a turma juntamente  com os professores fica um final de semana em uma pousada, trabalhando de forma  pr&aacute;tica e mais livre (no tempo e no espa&ccedil;o), assuntos pertinentes ao per&iacute;odo da  Especializa&ccedil;&atilde;o. No &uacute;ltimo <em>&ldquo;workshop&rdquo; </em>da  minha turma o tema em voga foi o t&eacute;rmino do curso: fim dos encontros semanais,  fim da hist&oacute;ria da turma 23, fim das dores e del&iacute;cias juntos. Fomos  incentivados tamb&eacute;m a revisitarmos nossas perdas no decorrer de nossa vida. Foi  um momento de crescimento &iacute;mpar, pois pude me aproximar do meu olhar sobreo  luto e a dor. Revisitar os meus limites e minhas dificuldades me instrumentalizou  para trabalhar com as perdas de meus pacientes na cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise, me  ajudou a contatar o pr&oacute;ximo que est&aacute; sofrendo a dor do fim, fortaleceu-me para  suportar a ang&uacute;stia das n&atilde;o respostas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A defini&ccedil;&atilde;o de contato,  como substantivo masculino, para o dicion&aacute;rio Aur&eacute;lio &eacute;: &ldquo;estado dos corpos que  tocam um no outro; rela&ccedil;&atilde;o desta comunica&ccedil;&atilde;o; proximidade, influ&ecirc;ncia&rdquo;. O  conceito de contato para a Gestalt-terapia difere do senso comum. A teoria  postula que:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;A palavra &ldquo;contato&rdquo; tem  sido utilizada para definir o interc&acirc;mbio entre o indiv&iacute;duo e o ambiente que o  circunda dentro de uma vis&atilde;o de totalidade, visto que o organismo e o meio s&atilde;o  um todo indivis&iacute;vel. Contato, desse modo, refere-se aos ciclos de encontros e  retiradas no campo organismo/meios&quot;</em> (SILVEIRA, 2007, p.59).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Gestalt-terapia tem  uma pr&aacute;tica psicoter&aacute;pica que trabalha o &ldquo;entre&rdquo;, ou seja, a rela&ccedil;&atilde;o  terap&ecirc;utica. A melhor ferramenta de trabalho do Gestalt-terapeuta &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o e  este conceito est&aacute; atrelado ao conceito de contato. Fazer contato, segundo Jorge  Ponciano Ribeiro (2006, p.91) &eacute; estar presente a si mesmo. A ess&ecirc;ncia do  contato mais que estar em contato com o outro, &eacute; estar em contato consigo  mesmo. E &eacute; imposs&iacute;vel falar em contato sem pensar em di&aacute;logo, seguindo a mesma  premissa do contato: da fala consigo sendo proporcional ao di&aacute;logo com o outro.  Ponciano postula:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;Di&aacute;logo, encontro humano por interm&eacute;dio da palavra.  [...] Di&aacute;logo interno &eacute; aquele mediante o qual, por aproxima&ccedil;&otilde;es l&oacute;gicas,  caminhamos &agrave; procura das melhores solu&ccedil;&otilde;es [...] Somente quando aceitamos  nossos di&aacute;logos internos [...] estamos preparados para pronunci&aacute;-los, para  deix&aacute;-los sair &agrave; campo aberto &agrave; procura do outro [...] Di&aacute;logos externos, est&atilde;o  em &iacute;ntima conex&atilde;o com nossos di&aacute;logos internos. Di&aacute;logo &eacute; entregar minha  palavra para o outro e receber a dele, sabendo que a &uacute;nica coisa que torna duas  pessoas iguais &eacute; a aceita&ccedil;&atilde;o da diferen&ccedil;a existente na presen&ccedil;a viva de ambas [...]  &Eacute; neste sentido pr&aacute;tico que a Gestalt-terapia pode ser definida como uma  terapia que faz do di&aacute;logo o seu principal instrumento de encontro consigo, com  o outro e com o mundo&quot;</em> (PONCIANO, 2006, p. 104-106).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A experi&ecirc;ncia, o  sentimento do psic&oacute;logo na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica &eacute; fundamental para o trabalho e  &eacute; comum psic&oacute;logos fazerem uma analogia com um artista que pinta o seu objeto  para descrever o afeto. (POLSTER, E; POLSTER, M.,1973).</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;[...] do mesmo modo que o artista que pinta uma  &aacute;rvore tem de ser afetado por essa &aacute;rvore espec&iacute;fica, tamb&eacute;m o psicoterapeuta  precisa estar ligado &agrave; pessoa espec&iacute;fica com quem ele est&aacute; em contato. &Eacute; como  se o terapeuta se transformasse numa c&acirc;mara de resson&acirc;ncia para o que est&aacute;  acontecendo entre ele e o paciente&quot;</em> (POLSTER, E; POLSTER, N, 1973, p.35).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;Quando o terapeuta entra em si mesmo, n&atilde;o est&aacute;  apenas tornando dispon&iacute;vel ao paciente algo que j&aacute; existe, mas est&aacute; tamb&eacute;m  auxiliando a ocorr&ecirc;ncia de novas experi&ecirc;ncias baseadas em si mesmo e tamb&eacute;m no  paciente. Isto &eacute;, ele se torna n&atilde;o s&oacute; algu&eacute;m que responde e que d&aacute; <em>feedback,</em> mas tamb&eacute;m um participante  art&iacute;stico na cria&ccedil;&atilde;o de uma nova vida&quot;</em> (POLSTER, E; POLSTER, 1973, p.37-38).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No decorrer do  Curso, com as ferramentas apreendidas por conta da configura&ccedil;&atilde;o da  Especializa&ccedil;&atilde;o e da turma 23, foi poss&iacute;vel o meu crescimento pessoal e  profissional. Fui tendo maior habilidade para perceber os meus limites e minhas  compet&ecirc;ncias, causando um desabrochar para novas concep&ccedil;&otilde;es nas rela&ccedil;&otilde;es e na  din&acirc;mica da cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Fui entendendo que  o meu contato com os pacientes poderia oscilar em sua profundidade e  possibilidade. Na minha experi&ecirc;ncia, percebendo-me esgotada, busco alguma  atividade prazerosa objetivando revigorar as minhas for&ccedil;as, ainda que seja  apenas por minutos e nos pr&oacute;ximos atendimentos dos outros turnos, escolho  contatar de uma forma menos intensa, ou seja, dentro do meu poss&iacute;vel. E que o  fato de alguns encontros serem superficiais n&atilde;o significa um mau trabalho e sim  do quanto eu posso estar inteira.</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;A Gestalt-terapia faz do conceito de contato sua auto  defini&ccedil;&atilde;o instrumental e essencial. Trabalhar o contato nas e das pessoas no  mundo &eacute; o caminho a fim de que a rela&ccedil;&atilde;o cliente-terapeuta tenha visibilidade e  se torne funcional e operacional. Mediante a observa&ccedil;&atilde;o cuidadosa de como as  pessoas fazem contato, poder-se-&aacute; chegar a perceber quem elas s&atilde;o. O contato &eacute;,  portanto, o existencial que nos leva &agrave; ess&ecirc;ncia mesma da pessoa, na medida em  que mostra como as pessoas fazem as suas escolhas e por meio delas revelam o  mais &iacute;ntimo de seu ser. &Eacute; do contato consigo mesmo que nascem todas as  possibilidades de contatos com o mundo. Quando bloqueamos o contato em n&oacute;s  mesmos, perdemos a dimens&atilde;o do outro, que &eacute; quem primeiro nos revela nossos  lados ocultos.&nbsp; [...] O terapeuta precisa  estar inteiro com o cliente e tamb&eacute;m perceb&ecirc;-lo em sua inteireza&quot;</em> (PONCIANO,  2006, p.93-94).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Abaixo, relatarei a  hist&oacute;ria de um paciente que acompanhei ao longo de nove meses transcrevendo a fala  de alguns atendimentos de forma condensada, para que o leitor compreenda o  trabalho de um Gestalt-terapeuta que se utiliza do contato para a psicoterapia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sr.Carlos, 45 anos,  conta:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&ldquo;Fui abandonado pela minha m&atilde;e aos tr&ecirc;s anos  de idade. Vivi minha inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia em orfanatos. Todas as crian&ccedil;as  recebiam a visita de sua fam&iacute;lia no final de semana, com exce&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s, e eu  estava inclu&iacute;do neste n&uacute;mero. As demais crian&ccedil;as ficavam me humilhando dizendo  que nem minha m&atilde;e me queria e isso devastava o meu cora&ccedil;&atilde;o.&rdquo;</em></font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&ldquo;... eu tinha tanta vontade de comer um  biscoito recheado que pegava o saco de biscoito vazio que as crian&ccedil;as tinham  ganho de suas respectivas m&atilde;es e ficava cheirando e imaginado que estava me  deliciando com uma bolacha crocante e apetitosa&rdquo;.</em></font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&ldquo;Eu fiquei renal cr&ocirc;nico porque passei uma  &eacute;poca da minha vida sendo mendigo, comia o que tinha. Num determinado dia,  cansado da rua, pedi oportunidade a um a&ccedil;ougueiro para eu aprender a profiss&atilde;o  e um teto para eu dormir em troca da minha for&ccedil;a de trabalho. &Agrave; noite, quando  sentia fome eu fritava as gorduras das carnes e comia, e foi a&iacute; que eu acabei  de destruir os meus rins, porque fiquei hipertenso e cardiopata de tanta  gordura em meu sangue.&rdquo;</em></font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Sr. Carlos estava  h&aacute; nove meses tendo intercorr&ecirc;ncias com o seu acesso vascular<sup><a name="t3"></a><a href="#n3">3</a></sup>,  dado muito preocupante, porque a pessoa que faz hemodi&aacute;lise necessita de um  acesso vascular definitivo, chamado f&iacute;stula<sup><a name="t4"></a><a href="#n4">4</a></sup>,  para se conectar a uma m&aacute;quina onde o seu sangue &eacute; filtrado por quatro horas.  Toxinas e liquido s&atilde;o eliminados do corpo e este processo garante que a pessoa  permane&ccedil;a viva. N&atilde;o havia mais nenhum lugar em seu corpo com veias e art&eacute;rias  &ldquo;boas&rdquo;. Nesta situa&ccedil;&atilde;o o m&eacute;dico lan&ccedil;a m&atilde;o de um cateter de di&aacute;lise<sup><a name="t5"></a><a href="#n5">5</a></sup> que &eacute; provis&oacute;rio, porque se este cateter permanece muito tempo em seu corpo uma  s&eacute;rie de problemas pode ocorrer levando o paciente &agrave; morte.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em nosso &uacute;ltimo  encontro (antes de seu falecimento), que foi realizado no consult&oacute;rio, a  condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do paciente &eacute; esta: com um cateter provis&oacute;rio dando problemas,  sem veias e art&eacute;rias para fazer uma nova fistula e possivelmente com pouco  tempo de vida. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Psic&oacute;loga:</b> Como  voc&ecirc; est&aacute; hoje?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em><b>Carlos:</b> Estou apavorado, com muito medo e  desanimado.</em></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Psic&oacute;loga:</b> Impactada  com a condi&ccedil;&atilde;o do paciente o observo por alguns instantes e lembro-me de que  ele falou na sess&atilde;o anterior que o seu medo &eacute; da morte. E inclino levemente em  sua dire&ccedil;&atilde;o e digo que tenho a impress&atilde;o de que a pele de todo o seu corpo se  encontra tremendo, que suas m&atilde;os n&atilde;o param quietas que seus olhos est&atilde;o  transmitindo profunda tristeza.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em><b>Carlos:</b> &Eacute; verdade, estou com tanto medo que  n&atilde;o consigo parar de tremer. </em></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Psic&oacute;loga:</b> Voc&ecirc; gostaria  de expressar este medo em um desenho?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em><b>Carlos:</b> Sim, eu gostaria de fazer isto.</em></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Psic&oacute;loga:</b> O  paciente escolhe cores s&oacute;brias na caixa de l&aacute;pis de cor oferecida e numa folha  de papel of&iacute;cio branca desenha duas pessoas de m&atilde;os dadas. Pergunto quem s&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em><b>Carlos:</b> Somos n&oacute;s dois. &ldquo;Quando eu entrei  aqui, o medo parecia que ia me engolir, mas depois que comecei a conversar com  voc&ecirc; ele diminuiu. Te Sinto comigo...sei que n&atilde;o estou sozinho...sinto-me  fortalecido para enfrentar novas cirurgias para tentar fazer um novo acesso  vascular&rdquo;.</em></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Psic&oacute;loga:</b> Carlos,  eu estou emocionada... fico feliz de v&ecirc;-lo com esperan&ccedil;a e motivado para seguir  naquilo que voc&ecirc; precisa fazer.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O Sr.Carlos p&ocirc;de  contatar emo&ccedil;&otilde;es dolorosas porque tinha certeza que havia algu&eacute;m caminhando ao  lado dele de forma respeitosa e amorosa. A troca na rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica  transparente possibilitou Carlos experimentar novos caminhos para si.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Poder caminhar ao  lado do Sr. Carlos em suas &uacute;ltimas horas de vida, quando o medo e incerteza  eram presentes e saber que minha companhia foi reconfortante, me d&aacute; extrema  satisfa&ccedil;&atilde;o de ser psic&oacute;loga gestalt-terapeuta, de ter podido contatar emo&ccedil;&otilde;es  t&atilde;o dif&iacute;ceis para o ser humano.&nbsp; Mas nem  sempre foi f&aacute;cil ser Gestalt-terapeuta para mimo o in&iacute;cio da Especializa&ccedil;&atilde;o  surgiu o medo de perder-me de mim. Receio de n&atilde;o perceber o que me afetava,  prejudicando o meu di&aacute;logo interno, e consequentemente o meu contato com os  pacientes. A rotina de uma Cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise &eacute; agitada, desgastante, sobrecarregada  de tarefas e com situa&ccedil;&otilde;es inesperadas. Vale lembrar, que existe tamb&eacute;m a  press&atilde;o de alcan&ccedil;ar as metas da empresa. Os resultados precisam aparecer, que  s&atilde;o pacientes aderentes ao tratamento proposto e consequentemente, com  qualidade de vida e prontos, para se quiserem, transplantar. &Eacute; um desafio administrar  as exig&ecirc;ncias di&aacute;rias da cl&iacute;nica, dos pacientes mais o cuidado comigo mantendo  a minha sa&uacute;de mental.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>2 - O AQUI E  AGORA, EXPERIENCIANDO</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Jean Clark  Juliano (1999, p.39), o trabalho no aqui e agora tem como objetivo interromper  o desgastado processo de estar preso a uma condi&ccedil;&atilde;o antiga e inacabada que est&aacute;  sempre retornando, ou, ainda, de estar num eterno ensaio do que tem de ser  realizado. Perls postula que:</font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&quot;A terapia gest&aacute;ltica &eacute; uma terapia experiencial,  mais que uma terapia verbal ou interpretativa. Pedimos ao paciente para n&atilde;o  falar sobre seus traumas e problemas da &aacute;rea remota do passado e da mem&oacute;ria,  mas para reexperienciar seus problemas e traumas &ndash; que s&atilde;o situa&ccedil;&otilde;es inacabadas  no presente &ndash; no aqui e agora. Se o paciente vai fechar o livro de seus  problemas passados, deve fech&aacute;-lo no presente. Porque deve entender que, seus  problemas passados fossem realmente passados, n&atilde;o seriam mais problemas e,  certamente, n&atilde;o seriam atuais.    <br> Al&eacute;m disso, como uma terapia experiencial, a  t&eacute;cnica gest&aacute;tica exige do paciente que ele experiencie a si mesmo tanto quanto  possa, no aqui e agora. Pedimos ao paciente que se d&ecirc; conta de seus gestos, de  sua respira&ccedil;&atilde;o, de suas emo&ccedil;&otilde;es, de sua voz, e de suas express&otilde;es faciais,  tanto quanto dos pensamentos que mais o pressionam&quot; (PERLS, 1988, p.76).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Meus atendimentos  (antes da Especializa&ccedil;&atilde;o) eram extremamente tensos, porque eu ficava dando  extrema aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s hist&oacute;rias. Com um volume extenso de informa&ccedil;&otilde;es eu acabava  perdendo o momento em que o paciente estava com energia, ou seja, em como era o  seu funcionamento perceptual. Quando comecei a ficar com o que surgia nos encontros  seguindo o fluxo do momento, como por exemplo, altera&ccedil;&otilde;es no ritmo da  respira&ccedil;&atilde;o, incongru&ecirc;ncia na fala com uma express&atilde;o f&iacute;sica, os atendimentos se  tornaram prazerosos, leves, ricos e at&eacute; f&aacute;ceis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na minha  experi&ecirc;ncia acompanhando indiv&iacute;duos que t&ecirc;m DRC, tendo a me deparar com uma quest&atilde;o  que se repete: a dificuldade para estar sens&iacute;vel a si e consequentemente  responsabilizar-se por quem ele &eacute; e pelo que faz no tempo que se chama agora. &nbsp;Percebo uma tend&ecirc;ncia a permanecer ficar  falando sobre o seu passado, descrevendo o porqu&ecirc; ficou doente, por exemplo, e  pensando em seu futuro - transplante, tempo de vida, tratamento hemodial&iacute;tico.&nbsp; Parece muito dif&iacute;cil experimentar-se sensorialmente,  aproveitando o seu momento presente refletido no &ldquo;aqui&rdquo; e no &ldquo;agora&rdquo; com o  psicoterapeuta.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo a Sociedade  Brasileira de Nefrologia, as doen&ccedil;as que mais destroem os rins s&atilde;o: a hipertens&atilde;o  sangu&iacute;nea e a diabetes. Patologias, ditas silenciosas, que evolu&iacute;ram para a  fal&ecirc;ncia renal, possivelmente por conta de pouca aten&ccedil;&atilde;o aos sinais e sintomas  iniciais, ou seja, pouco olhar e aten&ccedil;&atilde;o para o seu organismo e para a sua realidade  subjetiva. No contexto da DRC, &eacute; comum o sujeito se &ldquo;distrair&rdquo; com a doen&ccedil;a,  colocando-a como figura, explicando-se e prendendo-se em seus desconfortos, nas  tristezas, ang&uacute;stias, agita&ccedil;&atilde;o e limita&ccedil;&atilde;o. No entanto, sua din&acirc;mica  intraps&iacute;quica &eacute; subjacente &agrave; doen&ccedil;a renal.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m, de o paciente  ter limita&ccedil;&otilde;es para perceber-se no processo vivido no contexto de  &ldquo;sa&uacute;de-doen&ccedil;a&rdquo;, ainda tem o <em>&ldquo;setting&rdquo; </em>terap&ecirc;utico  quent&atilde;o propicia o paciente experienciar o aqui e agora. &Eacute; um ambiente em que o  sujeito se encontra realizando um tratamento complexo, delicado e que mexe com  o organismo de forma agressiva, requerendo uma forma de cuidar espec&iacute;fico  conhecimento t&eacute;cnico tamb&eacute;m diferenciado tanto do indiv&iacute;duo quanto do entorno. &nbsp;S&atilde;o ru&iacute;dos, instabilidade f&iacute;sica, preocupa&ccedil;&otilde;es  reais quanto a qualidade de sua di&aacute;lise e interrup&ccedil;&otilde;es constantes por outros  profissionais. S&atilde;o dificuldades que afetam o paciente e a mim a se  presentificar.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Relatarei abaixo duas  hist&oacute;rias de pacientes que condensam o que foi escrito acima. A primeira aconteceu  no consult&oacute;rio da Cl&iacute;nica antes do paciente entrar para a hemodi&aacute;lise. Nestes  encontros as interrup&ccedil;&otilde;es s&atilde;o bem menores, mas h&aacute; o telefone que toca, outros  pacientes e profissionais que batem &agrave; porta, mesmo com o aviso de que n&atilde;o devem  entrar, e sem contar a press&atilde;o do tempo, porque n&atilde;o pode haver atraso de forma  alguma para o in&iacute;cio de sua hemodi&aacute;lise. Tamb&eacute;m existe a condi&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica do  paciente que pode n&atilde;o estar ideal para um trabalho psicoterap&ecirc;utico. Como por  exemplo, se o paciente aumenta muito o seu peso de uma sess&atilde;o para a outra,  causando falta de ar nele por conta de muito l&iacute;quido em seu organismo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Samuel &eacute; um rapaz  de 37 anos, solteiro, faz hemodi&aacute;lise h&aacute; dois anos e &eacute; cadeirante h&aacute; sete anos  por conta de um c&acirc;ncer que teve na coluna. Sempre foi aderente ao tratamento hemodial&iacute;tico,  otimista, resiliente e aparentemente sem demandas psicol&oacute;gicas. No entanto, nos  &uacute;ltimos quatro meses desenvolveu ins&ocirc;nia, rinite, p&acirc;nico em v&aacute;rios momentos do  dia e da noite e ang&uacute;stia que lhe dava a sensa&ccedil;&atilde;o de algo o engolir como se  fosse uma onda. Mas este &uacute;ltimo assunto achava que era espiritual, coisas de  vidas passadas. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os sinais e  sintomas foram aumentando at&eacute; que o paciente teve a coragem de dividir comigo  seus temores. O m&eacute;dico da cl&iacute;nica j&aacute; n&atilde;o sabia mais o que fazer com o seu  quadro de rinite que agravava quando dialisava, por conta do ar condicionado  forte da sala branca. Foram realizados quatro atendimentos de aproximadamente30  minutos cada um. Na primeira sess&atilde;o paciente  encontrava-se visivelmente tenso, todo o seu corpo enrijecido. Fala sobre a sua  falta de sono, do medo que o invade todos os dias e de como suas rela&ccedil;&otilde;es  interpessoais est&atilde;o comprometidas. Sua ang&uacute;stia parece ser imensa e o acolho em  suas dores e pontuo o que observo: seu sofrimento, seu corpo tenso e sua  respira&ccedil;&atilde;o picotada. Ap&oacute;s a minha interven&ccedil;&atilde;o o paciente continua falando sobre  suas tristezas, por&eacute;m de uma forma mais profunda, como se estivesse tocando em  sua alma. Conta como &eacute; dif&iacute;cil ser cadeirante e fazer hemodi&aacute;lise e o  interrompo, pedindo para descrever-me como estava sentindo no seu corpo o que  estava compartilhando comigo verbalmente. Samuel descreve suas sensa&ccedil;&otilde;es  compenetrado e com muito choro. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na sess&atilde;o seguinte  (uma semana depois) o paciente relata que h&aacute; dois dias est&aacute; conseguindo dormir  e conversar com os seus familiares. Proponho um experimento onde o paciente tem  a oportunidade de ampliar a percep&ccedil;&atilde;o de suas sensa&ccedil;&otilde;es (respira&ccedil;&atilde;o, tato,  audi&ccedil;&atilde;o, imagina&ccedil;&atilde;o). Divido com o Samuel minhas impress&otilde;es. Falo que observei  que quando pedi para ele presentificar os joelhos e a cintura, ele mexeu muito  com os olhos parecendo desconfort&aacute;vel. O paciente responde que sente dores em  suas pernas e cintura o tempo todo. Neste momento, Samuel tem o seu rosto  tomado pela dor e compartilho com ele o que estou observando, bem como minha  vontade de chorar ao v&ecirc;-lo com tanta dor. Pergunto se ele gostaria de dividir  comigo como estava sendo sentir a dor naquele momento. Samuel me descreve com  pormenores onde d&oacute;i, como o d&oacute;i que sente e como ele se encontra no processo de  perceber-se nesta dor intensa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em nosso terceiro  encontro, que foi apenas de 10 minutos, o paciente fala que est&aacute; conseguindo  dormir otimamente, que voltou a passear e n&atilde;o se v&ecirc; mais com medo de sair de  casa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No quarto encontro,  confirmo as suas conquistas e toco no assunto da sensa&ccedil;&atilde;o de algo se avolumando  sobre ele. Samuel conta que at&eacute; isso ele n&atilde;o tem mais e que numa conversa com a  sua irm&atilde;, ela contou que uma de suas sobrinhas havia ido &agrave; praia mostrando a  foto a seguir para o meu paciente. Numa fra&ccedil;&atilde;o de segundos, ele conta, veio &agrave;  sua mente a mem&oacute;ria de quando era crian&ccedil;a e que quase se afogou. Falou do medo  desenvolvido no dia por conta das grandes ondas e que hoje ele n&atilde;o precisa mais  ter medo, porque afinal, ele &eacute; grande e sabe que as ondas n&atilde;o podem engoli-lo.  Samuel, com um sorriso largo em seu rosto, diz que nossos encontros foram os  causadores de tal melhora e que at&eacute; tenta lembrar-se de como era este tal de  volume sobre ele e que n&atilde;o consegue. Dou gargalhadas com o Samuel e vibro com  as suas conquistas. A rinite do paciente, segundo o doutor, acabou  inexplicavelmente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em todas as sess&otilde;es  Samuel ressalta a satisfa&ccedil;&atilde;o e privil&eacute;gio de poder &ldquo;botar pra fora&rdquo; aquilo que  estava como um n&oacute; dentro dele. Pontuou tamb&eacute;m a confian&ccedil;a depositada em minha  pessoa. A escuta interessada, dispon&iacute;vel e atenta no fen&ocirc;meno tal qual aparecia  (JULIANO, 1999, p.26), mais o incentivo para que o paciente presentificasse  suas sensa&ccedil;&otilde;es descrevendo-as no aqui e agora criou condi&ccedil;&otilde;es para a sua cura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O segundo relato de  experi&ecirc;ncia com um paciente que desejo compartilhar, aconteceu no ponto de di&aacute;lise.  Eu atendi Samara por um ano, sempre no ponto onde fazia o seu tratamento. Solteira,  39 anos, fazendo hemodi&aacute;lise h&aacute; 03 anos, diab&eacute;tica desde os nove anos por  ocasi&atilde;o da morte de sua v&oacute;. Perdera a sua vis&atilde;o aos 21 anos quando fazia o ensino  superior na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Teve o seu noivado  desfeito logo a p&oacute;s a perda da vis&atilde;o. Conseguiu graduar-se com a ajuda da m&atilde;e  que a acompanhava nas aulas, mas nunca chegou a trabalhar na &aacute;rea em que  estudou. Tem rela&ccedil;&otilde;es familiares bastante conturbadas. Discuss&otilde;es entre os seus  pais s&atilde;o frequentes e o pai n&atilde;o as apoia nos in&uacute;meros tratamentos que Samara  precisa realizar para manter-se viva. A paciente n&atilde;o se conforma em fazer  hemodi&aacute;lise, sente-se triste e com raiva todas as vezes em que vai para a  Cl&iacute;nica. Parece canalizar a sua raiva em cr&iacute;ticas aos menores desconfortos e  contrariedades dentro da cl&iacute;nica. A temperatura do ar-condicionado que est&aacute; baixa,  o m&eacute;dico que fala sem respaldo, o profissional que n&atilde;o d&aacute; aten&ccedil;&atilde;o devida &agrave;s  suas queixas, a demora na sala de espera sem motivo. Esta minha percep&ccedil;&atilde;o,  sobre a sua raiva, foi pontuada junto &agrave; paciente e ela a reconhecia e escolhia  falar sobre o estudo de c&eacute;lulas tronco que iriam benefici&aacute;-la, sobre o  transplante duplo (p&acirc;ncreas e rim) e em como a sua vida um dia voltaria a ficar  boa e leve. Em muitas sess&otilde;es eu louvava a sua compet&ecirc;ncia em acreditar no  futuro e a convidava a viver o momento presente at&eacute; as cirurgias chegarem.  Samara me respondia que sua vida era t&atilde;o desesperadora e t&atilde;o triste, que tinha de  se concentrar nos seus planos, focar em seu futuro. Em um de nossos encontros,  enquanto convers&aacute;vamos eu aqueci a m&atilde;o do bra&ccedil;o onde tem a f&iacute;stula. Senti a sua  m&atilde;o ficando aquecida e perguntei como ela se sentia. Samara responde que a  temperatura da minha m&atilde;o &eacute; gostosa e diz que se sente agradecida por eu ser  generosa em aquec&ecirc;-la e se importar com detalhes de seus desconfortos.  Incentivei Samara a descrever suas sensa&ccedil;&otilde;es e sentimentos em virtude de sentir  a minha m&atilde;o aquecendo a dela e me utilizei desta experi&ecirc;ncia para propor para  que em algum momento de sua rotina dif&iacute;cil ela entrasse em contato com suas  sensa&ccedil;&otilde;es. Conclu&iacute;mos juntas que a hora do banho era um bom momento &ndash; e &uacute;nico &ndash;  em que ela sentia um pequeno grau de prazer. Combinamos que ela tentaria dar  aten&ccedil;&atilde;o para cada um de seus gestos de autocuidado, presentificando cada gesto  e se poss&iacute;vel percebendo que emo&ccedil;&otilde;es surgiam. Semanas depois, a paciente disse  que preferia viver da forma que ela sempre viveu desde os 21 anos, planejando o  seu futuro e n&atilde;o entrando em contato com o seu presente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Sempre respeitando  o ritmo emocional e f&iacute;sico de Samara, buscava em nossos encontros focar no fluxo  presente, e Samara, em seu tempo pr&oacute;prio entrava em contato com as suas  sensa&ccedil;&otilde;es, mas nunca se aprofundava nas suas emo&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o tive tempo para dar  continuidade &agrave; psicoterapia. Minha paciente faleceu de repente aos 40 anos de  idade. Samara fez escolhas que lhe eram poss&iacute;veis, e eu procurei estar ao seu  lado at&eacute; o fim.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>3 - EXPERIMENTOS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O paciente, no  ponto onde realiza a sua hemodi&aacute;lise, recebe visita do m&eacute;dico e conta de seus  sinais e sintomas sobre o seu estado f&iacute;sico, fala &agrave; nutricionista de suas  dificuldades com a dieta discorre sobre a condi&ccedil;&atilde;o de sua f&iacute;stula &agrave; enfermeira  e por fim, divide comigo assuntos pertinentes &agrave; sua subjetividade.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maioria das  pessoas se acomoda na atitude de &ldquo;falar sobre&rdquo; como seu modo costumeiro de  abordar a solu&ccedil;&atilde;o de problemas. (POLSTER, 2001, p.237). Em Gestalt-terapia  usamos a ferramenta do experimento durante o atendimento.&nbsp; Propositalmente deixei para explanar por  &uacute;ltimo sobre o conceito do experimento porque ele s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel quando existe o  contato, a rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica e o trabalho com o aqui e agora. </font></p>     <blockquote>     <blockquote>     <blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;[...] experimento &eacute; uma tentativa de agir contra o  beco sem sa&iacute;da do falar sobre, ao trazer o sistema de a&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo para  dentro do consult&oacute;rio. Por meio do experimento o indiv&iacute;duo &eacute; mobilizado para  confrontar as emerg&ecirc;ncias de sua vida, operando seus sentimentos e a&ccedil;&otilde;es  abortados, numa situa&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a relativa</em>&quot; (POLSTER, 1973, p. 238).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O experimento n&atilde;o  pode ser confundido com exerc&iacute;cio porque este &eacute; programado e fixo e aquele,  surge dependendo da situa&ccedil;&atilde;o, do momento e da rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica. O  experimento &eacute; qualquer coisa que aumente a consci&ecirc;ncia, e pode ser bem pequeno  como espelhar de um gesto, o esclarecimento de algo que foi dito, uma simples  pergunta ou coment&aacute;rio. (JULIANO, 1999, p.42). As metas do experimento, segundo  Zinker s&atilde;o: </font></p>     <blockquote>     <blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><em>&quot;[...] expandir o repert&oacute;rio de comportamentos da  pessoa; criar condi&ccedil;&otilde;es para a pessoa se perceber criadora de sua vida e de sua  terapia; estimular uma aprendizagem experimental da pessoa e elabora&ccedil;&atilde;o de  novos conceitos sobre si mesma a partir de elabora&ccedil;&otilde;es no plano do  comportamento, terminar situa&ccedil;&otilde;es inacabadas, superar bloqueios no ciclo  consci&ecirc;ncia-excita&ccedil;&atilde;o-contato, integrar compreens&otilde;es intelectuais com  express&otilde;es motoras, descobrir polaridades desconhecidas, integrar for&ccedil;as  pessoais em conflito [...]&quot;</em> (ZINKER, 1979, p.106).</font></p> </blockquote> </blockquote> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No contexto do  trabalho na cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise, a proposta de experimentos baseados na  Gestalt-terapia, segundo os autores acima citados, vai &agrave; dire&ccedil;&atilde;o de oportunizar  momentos de amplia&ccedil;&atilde;o de percep&ccedil;&atilde;o de sentimentos presentes.&nbsp;&nbsp; Eles emergem como proposta a partir do campo  psic&oacute;logo &ndash; usu&aacute;rio a cada momento.&nbsp;  Nunca como uma proposta a ser repetida com todos os pacientes  indiscriminadamente.&nbsp;&nbsp; Bem longe da ideia  de treinamento para o alcance de metas pr&eacute;-fixadas e r&iacute;gidas, que tanto me  incomodavam quando estagiava. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No decorrer deste  artigo fui descrevendo o ambiente das Cl&iacute;nicas de Hemodi&aacute;lise onde trabalho e  os atravessamentos que os pacientes e eu vivemos. Portanto, escrever sobre os  desafios vividos no processo de experienciar neste momento do artigo fica mais  f&aacute;cil. Os desafios permanecem nas caracter&iacute;sticas ambientais e no excesso de  atendimentos ao longo do dia e em suas repercuss&otilde;es sobre mim.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Invariavelmente,  nos atendimentos realizados na sala branca, sento-me entre o espa&ccedil;o de uma  m&aacute;quina e outra, com as pernas encolhidas em um banquinho desconfort&aacute;vel, ou em  p&eacute;, tentando me posicionar entre os gal&otilde;es de banho utilizados na hemodi&aacute;lise e  mais os fios dos equipamentos. O meu desconforto f&iacute;sico acaba por ser uma  vari&aacute;vel relevante e significativa, pois a proposta do experimento feita ao  paciente parte da minha percep&ccedil;&atilde;o do que est&aacute; acontecendo no aqui e agora. Ap&oacute;s  cuidar de mim procuro construir com o paciente um momento aconchegante e favor&aacute;vel  para tecer com ele um experimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O melhor momento de  propor um experimento ao paciente precisa levar em conta, al&eacute;m de sua escolha  em faz&ecirc;-lo, algumas caracter&iacute;sticas do tempo em que se encontra o tratamento  hemodial&iacute;tico. H&aacute; momentos de sonol&ecirc;ncia, de maior instabilidade f&iacute;sica,  momento da aferi&ccedil;&atilde;o da press&atilde;o sangu&iacute;nea (que se d&aacute; de duas em duas horas), da  aplica&ccedil;&atilde;o das medica&ccedil;&otilde;es. Se o paciente estiver realizando a hemodi&aacute;lise por um  cateter no pesco&ccedil;o ou no peito n&atilde;o pode respirar profundamente diante de uma  forte emo&ccedil;&atilde;o, chorar, sorrir, conversar muito, pois pode comprometer a  qualidade de seu tratamento. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quanto &agrave; escolha do  experimento, parto de informa&ccedil;&otilde;es surgidas na rela&ccedil;&atilde;o e de pressupostos  importantes. Um deles &eacute; sempre o estado cl&iacute;nico do paciente. Outro fator relevante  e comum &eacute; a &ldquo;escolha&rdquo; dos sintomas: de depress&atilde;o, ansiedade e p&acirc;nico para  expressar o esgotamento que a hemodi&aacute;lise causa. O tratamento prolongado n&atilde;o  significa cura e nem melhora, e esta informa&ccedil;&atilde;o ocupa a mente do paciente  podendo causar desesperan&ccedil;a. Ele necessita administrar a sua rotina de  trabalho, lazer, religiosa, <em>&ldquo;hobbies&rdquo;, </em>diversas  consultas m&eacute;dicas nos quatro ou tr&ecirc;s dias da semana livres. O controle r&iacute;gido  da quantidade de l&iacute;quido ingerido tamb&eacute;m causa preocupa&ccedil;&atilde;o. Precisa ser proporcional  ao que &eacute; expelido pela urina e faz o sujeito calcular cada copo de l&iacute;quido que  p&otilde;e &agrave; boca, incluindo caldos e sopas. A qualidade do alimento e sua forma de  faz&ecirc;-lo minuciosamente podem comprometer as rela&ccedil;&otilde;es sociais do paciente. Estes  dois &uacute;ltimos itens citados fazem o DRC pensar na doen&ccedil;a e em seu tratamento a  todo instante, e associados a pouco lazer, t&ecirc;m potencial para deflagrar estresse  e ansiedade. Existe a percep&ccedil;&atilde;o de aprisionamento pelo fato de n&atilde;o poder viajar  sem restri&ccedil;&otilde;es, e quando o passeio &eacute; poss&iacute;vel, o paciente intercala a  hemodi&aacute;lise com as suas atividades da viagem.&nbsp;  O fato de ficar instalado em uma m&aacute;quina por 4 horas sem interrup&ccedil;&atilde;o,  tamb&eacute;m d&aacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de enclausuramento e de vulnerabilidade acarretando em  alguns pacientes medo e p&acirc;nico.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No que diz respeito  &agrave; preven&ccedil;&atilde;o, fa&ccedil;o um trabalho (com apoio da equipe) em n&iacute;vel de grupo na sala  de espera. Aproveito datas comemorativas para propor um experimento aos  pacientes e cuidadores onde podem utilizar materiais oferecidos, tais como:  l&aacute;pis de cor, tinta, desenhos para pintar, cola, <em>&ldquo;gleater&rdquo;</em> e etc. Incentivo os participantes a entrarem em contato  com emo&ccedil;&otilde;es que emergem na hora da atividade, a trabalharem com os recursos  disponibilizados para se expressarem e interagirem uns com os outros dentro da  possibilidade de cada um. Fico atenta &agrave;s mobiliza&ccedil;&otilde;es emocionais para se  necess&aacute;rio, realizar um atendimento individual no consult&oacute;rio. Nos atendimentos  individuais n&atilde;o realizo o trabalho de preven&ccedil;&atilde;o, trato do paciente &agrave; medida que  ele, ou algu&eacute;m da equipe e/ou familiar me sinaliza.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O experimento no  contexto de uma cl&iacute;nica de hemodi&aacute;lise tem sido extremamente prop&iacute;cio e rico  como descrito nos relatos de caso acima. O convite a experimentar-se &eacute; feito ao  paciente geralmente em um momento de dor, perda, morte, tristeza, revolta desespero. N&atilde;o raramente, o que &eacute; sentido n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ser somente verbalizado de t&atilde;o  profundo e complexo. <em>&ldquo;Viver &eacute; experimentar sempre, e n&atilde;o haveria nenhuma raz&atilde;o  para que a sess&atilde;o de terapia fosse algo diferente daquilo que ocorre na vida&rdquo;</em>  (PONCIANO RIBEIRO, 2006, p.110).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>CONSIDERA&Ccedil;&Otilde;ES  FINAIS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O convite, desde as  primeiras linhas deste artigo, &eacute; caminhar comigo em meu dia a dia. Uma  psic&oacute;loga cursando a Especializa&ccedil;&atilde;o em Gestalt-terapia concomitante ao trabalho  em tr&ecirc;s cl&iacute;nicas de hemodi&aacute;lise. Pensando em como o formato do curso favoreceu  o meu crescimento pessoal e profissional para dar conta das demandas di&aacute;rias. O  objetivo foi de ampliar a compreens&atilde;o da pr&aacute;tica de um Gestalt-terapeuta na  cl&iacute;nica do DRC atrav&eacute;s de minhas experi&ecirc;ncias. Principalmente, quando o cuidar  est&aacute; acima do curar, uma vez que as interven&ccedil;&otilde;es em muitas situa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o s&atilde;o  para resultar em uma transforma&ccedil;&atilde;o total, mas sim, garantir que o paciente  mantenha a sua dignidade e autonomia. Esta aventura deu-se de forma solit&aacute;ria, <em>&ldquo;a priori&rdquo;</em>, em virtude da bibliografia  nesta &aacute;rea ser quase inexistente e tamb&eacute;m pela falta de um grupo maior de  psic&oacute;logos para partilhar as d&uacute;vidas, dores e del&iacute;cias. Por conta desta  realidade bibliogr&aacute;fica, o presente artigo apresenta possibilidades e  experi&ecirc;ncias neste universo pouco explorado e visa mobilizar os psic&oacute;logos para  a import&acirc;ncia das partilhas com seus pares.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ser um  Gestalt-terapeuta em cl&iacute;nicas de hemodi&aacute;lise requer do psic&oacute;logo conhecimento  da rotina da cl&iacute;nica, da DRC, de suas comorbidades, e, acima de tudo,  desenvolvimento pessoal. A escolha dos conceitos da Gestalt-terapia abordados  nesta obra foram os mais trabalhados em minha pessoa. Aperfei&ccedil;oados de forma  deliciosa e respeitosa por meus professores e colegas da turma 23. Diante da  fragilidade e do morrer do paciente, entro em contato no aqui e agora com minha  impot&ecirc;ncia e limita&ccedil;&atilde;o, o que causa proximidade e energia na rela&ccedil;&atilde;o. Dois  humanos se tocando d&aacute; a sensa&ccedil;&atilde;o de que a vida &eacute; rara. Abre caminho tanto para  o paciente quanto para mim, de ver beleza no m&iacute;nimo e de superar as  adversidades com resili&ecirc;ncia. Atualmente, nos atendimentos, sinto-me segura  para compartilhar minhas inseguran&ccedil;as, se necess&aacute;rio. Tenho liberdade para  falar da possibilidade de suic&iacute;dio com o paciente e de compreender as suas escolhas.  Experienciando e apreendendo os princ&iacute;pios gest&aacute;lticos restou a vontade de  multiplicar o meu conhecimento e a meu jeito de ser com os meus pacientes e com  o mundo acad&ecirc;mico.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS BIBLIOGR&Aacute;FICAS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ALMEIDA, J; MIRANDA, M. <b>O uso de pronomes de primeira pessoa em artigos  acad&ecirc;micos: uma abordagem baseada em&nbsp;<em>corpus</em></b>. Veredas &ndash; Revista de Estudos Lingu&iacute;sticos,  v. 13, n. 2, p. 68-83, 2009.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AUGRAS, Monique. <b>CAP&Iacute;TULO 1 &ndash; PORQUE N&Atilde;O A FENOMENOLOGIA?</b> (p.7-17) <b><em>In: O  Ser da Compreens&atilde;o</em>.</b> Fenomenologia da situa&ccedil;&atilde;o de psicodiagn&oacute;stico.  Petr&oacute;polis: Vozes, 1986.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARRICELLI, Ermelinda; OLIVEIRA, Siderlene  Muniz. <b>Uma an&aacute;lise do g&ecirc;nero disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado: o modelo did&aacute;tico. </b>Revista  Semestral do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Letras da Universidade Federal da  Grande Dourados &ndash; UFGD Ra&iacute;do, Dourados, MS, v. 3, n. 6, jul./dez. 2009.  Dispon&iacute;vel em: &lt;http://www.periodicos.ufgd.edu.br/index. php/Raido/article/view/431&gt;.  Acesso em: 26 03 2015.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">BARROS, Nilma Soares.<b> Um olhar para capacita&ccedil;&atilde;o de educadores (as)  de abrigo de crian&ccedil;as e adolescentes</b> (2015). Revista Virtual IGT na Rede Vol.12,  N&ordm;23 (2015).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220678&pid=S1807-2526201700010000300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>DICION&Aacute;RIO DO AUR&Eacute;LIO ONLINE</b> https://dicionariodoaurelio.com Acesso em:  22/08/2016</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220680&pid=S1807-2526201700010000300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">JULIANO,  Jean Clark. <b>A arte de restaurar  hist&oacute;rias</b>. S&atilde;o Paulo: Summus, 1999.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220681&pid=S1807-2526201700010000300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">KRUGER,S.C.A. <b>O olhar do  Gestalt Terapeuta numa Unidade de Di&aacute;lise.</b>   http://www.comunidadegestaltica.com.br/monografias/o-olhar-do-gestalt-terapeuta-numa-unidade-de-dialise &nbsp;Acesso em:  29/08/2016 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220683&pid=S1807-2526201700010000300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PERLS, F.S. <b>Gestalt-Terapia  Explicada</b>. S&atilde;o Paulo: Summus, 1977, p. 45-64.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220684&pid=S1807-2526201700010000300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">PINHEIRO DA SILVA, Marcelo.&nbsp; <b>O afeto e o afetar em rela&ccedil;&otilde;es de grupo:  um olhar a partir da Gestalt-Terapia</b>.&nbsp;  Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado) &ndash;  Universidade do Estado do Rio de  Janeiro. Instituto de Psicologia. &ndash; 2015.</font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">POLSTER, E;  POLSTER, M. <b>Gestalt- Terapia Integrada</b>.  S&atilde;o Paulo: Summus, 2001.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220687&pid=S1807-2526201700010000300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">RIBEIRO. J.P. <b>Vade-m&eacute;cum de Gestalt-terapia.</b>S&atilde;o  Paulo: Summus, 2006 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220689&pid=S1807-2526201700010000300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">SILVEIRA,  T.M. <b>Contato. <em>In: D&acute;ACRI, G.; LIMA, P.; ORGLER, S.</em> Dicion&aacute;rio de Gestalt-terapia:  Gestalt&ecirc;s.</b> S&atilde;o Paulo: Summus, 2007. (p.59)</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220690&pid=S1807-2526201700010000300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA </b>- http://www.scielo.br/pdf/ape/v22nspe1/25.pdf  visto em 17/04/2016 sbn.org.br</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220691&pid=S1807-2526201700010000300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">YONTEF,  G.M. <b>Processo, Di&aacute;logo e Awareness. </b>S&atilde;o Paulo: Summus, 1988.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220692&pid=S1807-2526201700010000300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">ZINKER,  J. <b>Processo criativo em Gestalt-Terapia</b>.  S&atilde;o Paulo: Summus, 2007.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=1220694&pid=S1807-2526201700010000300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>NOTAS</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup><a name="n*"></a><a href="#t*">*</a></sup> Rosileia Pereira Rodrigues Alves: Psic&oacute;loga, P&oacute;s graduanda em Gestalt-terapia  pelo IGT-Instituto de Gestalt-terapia e Atendimento Familiar (Individual, Grupo  e Fam&iacute;lia)    <br> <sup><a name="n1"></a><a href="#t1">1</a></sup> Durante todo o artigo &ldquo;DRC&rdquo; se refere a  Doen&ccedil;a Renal Cr&ocirc;nica ou Doente Renal Cr&ocirc;nico dependendo da frase.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br> <sup><a name="n2"></a><a href="#t2">2</a></sup> Di&aacute;lise &eacute; uma op&ccedil;&atilde;o de tratamento atrav&eacute;s do qual o sangue &eacute;  filtrado das toxinas. Este processo ocorre dentro do corpo do paciente, com  aux&iacute;lio de um filtro natural como substituto da fun&ccedil;&atilde;o renal. Esse filtro &eacute;  denominado perit&ocirc;nio. &Eacute; uma membrana porosa e semiperme&aacute;vel, que reveste os  principais &oacute;rg&atilde;os abdominais. O espa&ccedil;o entre esses &oacute;rg&atilde;os &eacute; a cavidade  peritoneal. Um l&iacute;quido de di&aacute;lise &eacute; colocado na cavidade e drenado, atrav&eacute;s de  um cateter (tubo flex&iacute;vel biocompat&iacute;vel). Hemodi&aacute;lise  &eacute; um procedimento atrav&eacute;s do qual uma m&aacute;quina limpa e filtra o sangue, ou seja,  faz parte do trabalho que o rim doente n&atilde;o pode fazer. O procedimento libera o  corpo dos res&iacute;duos prejudiciais &agrave; sa&uacute;de, como o excesso de sal e de l&iacute;quidos.  Tamb&eacute;m controla a press&atilde;o arterial e ajuda o corpo a manter o equil&iacute;brio de  subst&acirc;ncias como s&oacute;dio, pot&aacute;ssio, ureia e creatinina. No transplante renal, um rim saud&aacute;vel de uma pessoa viva ou  falecida &eacute; doado a um paciente portador de insufici&ecirc;ncia renal cr&ocirc;nica  avan&ccedil;ada. Atrav&eacute;s de uma cirurgia, esse rim &eacute; implantado no paciente e passa a  exercer as fun&ccedil;&otilde;es de filtra&ccedil;&atilde;o e elimina&ccedil;&atilde;o de l&iacute;quidos e toxinas. A  m&eacute;dia da dura&ccedil;&atilde;o deste rim, chamado enxerto, dura uma m&eacute;dia de 10 anos. O  transplante n&atilde;o &eacute; uma cura e sim uma alternativa de tratamento, ou seja, o  paciente precisa ter acompanhamento m&eacute;dico por toda a sua vida. (Sociedade  Brasileira de Nefrologia)    <br> <sup><a name="n3"></a><a href="#t3">3</a></sup> Segundo a Sociedade Brasileira de  Nefrologia, na hemodi&aacute;lise o sangue do paciente &eacute; levado de seu corpo para uma  m&aacute;quina para ser filtrado. Para ocorrer este processo &eacute; necess&aacute;rio fazer uma  conex&atilde;o do sistema circulat&oacute;rio do paciente com a m&aacute;quina de di&aacute;lise. Esta  conex&atilde;o d&aacute;-se o nome de acesso vascular.    <br> <sup><a name="n4"></a><a href="#t4">4</a></sup> Segundo a Sociedade Brasileira de  Nefrologia,uma f&iacute;stula  arteriovenosa (FAV), pode ser feita com as pr&oacute;prias veias do indiv&iacute;duo ou com  materiais sint&eacute;ticos. &Eacute; preparada por uma pequena cirurgia no bra&ccedil;o ou perna. &Eacute;  realizada uma liga&ccedil;&atilde;o entre uma pequena art&eacute;ria e uma pequena veia, com a  inten&ccedil;&atilde;o de tornar a veia mais grossa e resistente, para que as pun&ccedil;&otilde;es com as  agulhas de hemodi&aacute;lise possam ocorrer sem complica&ccedil;&otilde;es. A cirurgia &eacute; feita por  um cirurgi&atilde;o vascular e com anestesia local.    <br> <sup><a name="n5"></a><a href="#t5">5</a></sup> Segundo a Sociedade Brasileira de  Nefrologia, cateter de di&aacute;lise &eacute; um &ldquo;tubo&rdquo; em forma de Y que &eacute; usado para fazer  di&aacute;lise quando n&atilde;o h&aacute; uma f&iacute;stula funcionante. O cateter &eacute; introduzido numa  grande veia do pesco&ccedil;o ou da coxa ficando de fora os dois ramos do cateter, para  permitir ligar o doente &agrave; m&aacute;quina de di&aacute;lise.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailfim"></a><a href="#mailtopo">Endere&ccedil;o para correspond&ecirc;ncia</a>    <br><b>Rosileia  Pereira Rodrigues Alves</b>    <br>Endere&ccedil;o eletr&ocirc;nico:<a href="roselebe@yahoo.com.br">roselebe@yahoo.com.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido  em: 20/12/2016    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   Aprovado  em: 08/12/2017</font></p>      ]]></body>
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