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<journal-title><![CDATA[Estudos e Pesquisas em Psicologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Diferentes concepções da infância e adolescência: a importância da historicidade para sua construção]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper aims to discuss different conceptions on childhood and adolescence. It analyses the context in which these conceptions were constructed, and how they have been presented as truly theories on the contemporaneity. We start from the principle that these conceptions have been changing in the occident, making possible to see that the transformations clarify the historical texture on which they are constructed. We show that, in contrast with the modern perspective on childhood and adolescence, the pos-modernity points to a new conception, which opens a space to a multiplicity and partiality of representations on these developmental intervals.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Diferentes concep&ccedil;&otilde;es    da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia: a import&acirc;ncia da historicidade    para sua constru&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Different conceptions    on childhood and adolescence: the importance of historicity on their construction</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ana Maria Monte    Coelho Frota<sup><a href="#asfim">*</a><a name="astopo"></a></sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Professora Adjunta    do Departamento de Economia Dom&eacute;stica da Universidade Federal do Cear&aacute;    - UFC</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="mailtopo"></a><a href="#mailfim">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1"></font>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Este artigo discute diferentes concep&ccedil;&otilde;es de inf&acirc;ncia e    adolesc&ecirc;ncia. Evidencia o contexto no qual essas concep&ccedil;&otilde;es    se formaram e como v&ecirc;m sendo apresentadas como verdades te&oacute;ricas    na contemporaneidade. Partimos do princ&iacute;pio de que tais concep&ccedil;&otilde;es    v&ecirc;m mudando no ocidente, nos permitindo ver que as transforma&ccedil;&otilde;es    deixam clara a tessitura hist&oacute;rica na qual elas s&atilde;o constru&iacute;das.    Mostramos que, contrapondo-se &agrave; perspectiva moderna de inf&acirc;ncia    e adolesc&ecirc;ncia, a p&oacute;s-modernidade aponta para uma nova concep&ccedil;&atilde;o,    que abre espa&ccedil;o para a multiplicidade e parcialidade de representa&ccedil;&otilde;es    destas faixas desenvolvimentais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b>    Inf&acirc;ncia, Adolesc&ecirc;ncia, Modernidade, P&oacute;s-modernidade, Desenvolvimento    humano.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper aims to discuss different conceptions on childhood and adolescence.    It analyses the context in which these conceptions were constructed, and how    they have been presented as truly theories on the contemporaneity. We start    from the principle that these conceptions have been changing in the occident,    making possible to see that the transformations clarify the historical texture    on which they are constructed. We show that, in contrast with the modern perspective    on childhood and adolescence, the pos-modernity points to a new conception,    which opens a space to a multiplicity and partiality of representations on these    developmental intervals. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Childhood, Adolescence, Modernity, Pos-modernity, Human Development.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>I. Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma pergunta que parece muito f&aacute;cil de ser respondida, mas que traz em    si uma s&eacute;rie de reflex&otilde;es profundas e de amplitude grande &eacute;:    &#8220;o que &eacute; ser crian&ccedil;a?&#8221; &#8220;O que vem a ser a adolesc&ecirc;ncia?&#8221;.    Para aqueles mais desavisados, ou mais r&aacute;pidos nas suas respostas, ser    crian&ccedil;a &#8220;&eacute; viver um mundo de sonhos e fantasias, gostar    de comer bolo de chocolates, &eacute; o melhor momento da vida&#8221;. Ao mesmo    tempo, a compreens&atilde;o da adolesc&ecirc;ncia &eacute; permeada pela id&eacute;ia    de &#8220;aborresc&ecirc;ncia, rebeldia e atrevimento&#8221;. De um modo geral,    existe a compreens&atilde;o de que ser crian&ccedil;a resume-se em ser feliz,    alegre, despreocupado, ter condi&ccedil;&otilde;es de vida prop&iacute;cias    ao seu desenvolvimento, ou seja, a inf&acirc;ncia &eacute; considerada o "melhor    tempo da vida". J&aacute; a adolesc&ecirc;ncia se configura como um momento    em que, naturalmente, o indiv&iacute;duo torna-se algu&eacute;m muito chato,    dif&iacute;cil de se lidar e que est&aacute; sempre criando confus&atilde;o    e vivendo crises. Deste modo, existe uma leitura de senso comum que costuma    colocar a crian&ccedil;a vivendo o melhor momento da vida e o adolescente, uma    fase dif&iacute;cil para ele e para quem convive com ele. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas nem sempre &eacute; deste modo que a inf&acirc;ncia &eacute; vivida por    todas as crian&ccedil;as. Basta olharmos ao redor, para vermos meninos e meninas    na rua, esmolando, se prostituindo, sendo explorados no trabalho, sem tempo    para brincar, sofrendo viol&ecirc;ncias de todos os tipos. Ser&aacute; poss&iacute;vel    pensar que esses meninos e meninas n&atilde;o sejam crian&ccedil;as por n&atilde;o    apresentarem todos os predicados que s&atilde;o atribu&iacute;dos &agrave; inf&acirc;ncia?    E com rela&ccedil;&atilde;o aos adolescentes, quantos deles s&atilde;o d&oacute;ceis,    tranq&uuml;ilos e cooperativos, fugindo de longe da pecha de viverem uma fase    de &#8220;tempestades e tormentas&#8221;? Ser&aacute; que eles n&atilde;o s&atilde;o    adolescentes por n&atilde;o se enquadrarem no pr&eacute;-conceito de &#8220;aborrecentes&#8221;?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vemos que existem diferentes concep&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as e de    adolescentes que se fazem distintas a partir de diferentes pontos de vista te&oacute;ricos    e que acabam por contribuir para formar m&uacute;ltiplos conceitos desses grupos    referidos. Assim, &eacute; necess&aacute;rio que pensemos melhor sobre quais    s&atilde;o e como se constru&iacute;ram as diferentes concep&ccedil;&otilde;es    de inf&acirc;ncia e de adolesc&ecirc;ncia na nossa sociedade ocidental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas o que mesmo &eacute; a inf&acirc;ncia? Quem habita neste pa&iacute;s conhecido    como o "para&iacute;so infantil"? Tomemos de empr&eacute;stimo uma    fala da Scliar (1995, p. 4), para dizer do nosso desconforto com esta indaga&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nem todas as      crian&ccedil;as, contudo, podem viver no pa&iacute;s da inf&acirc;ncia. Existem      aquelas que, nascidas e criadas nos cintur&otilde;es de mis&eacute;ria que      hoje rodeiam as grandes cidades, descobrem muito cedo que seu ch&atilde;o      &eacute; o asfalto hostil, onde s&atilde;o ca&ccedil;adas pelos autom&oacute;veis      e onde se iniciam na rotina da criminalidade. Para estas crian&ccedil;as,      a inf&acirc;ncia &eacute; um lugar m&iacute;tico, que podem apenas imaginar,      quando olham as vitrinas das lojas de brinquedos, quando v&ecirc;em TV ou      quando olham passar, nos carros dos pais, garotos da classe media. Quando      pedem num tom s&uacute;plice &#8211; tem um trocadinho a&iacute;, tio? &#8211;      n&atilde;o &eacute; s&oacute; dinheiro que querem; &eacute; uma oportunidade      para visitar, por momentos que seja, o pa&iacute;s que sonham.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Scliar (1995) discute    a multiplicidade de inf&acirc;ncias na contemporaneidade, deixando clara a constru&ccedil;&atilde;o    hist&oacute;rica de tal categoria. Para ele, aquela id&eacute;ia t&atilde;o    difundida da inf&acirc;ncia como um tempo de felicidade n&atilde;o pode ser    garantida para todos. O mesmo parece fazer Calligaris (2000, p. 9), ao refletir    sobre a adolesc&ecirc;ncia:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nossos adolescentes      amam, estudam, brigam, trabalham. Batalham com seus corpos, que se esticam      e se transformam. Lidam com as dificuldades de crescer no quadro complicado      da fam&iacute;lia moderna. Como se diz hoje, eles se procuram e eventualmente      se acham. Mas, al&eacute;m disso, eles precisam lutar com a adolesc&ecirc;ncia,      que &eacute; uma criatura um pouco monstruosa, sustentada pela imagina&ccedil;&atilde;o      de todos, adolescentes e pais. Um mito, inventado no come&ccedil;o do s&eacute;culo      20, que vingou sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial. </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Calligaris    (2000), portanto, a adolesc&ecirc;ncia torna-se m&iacute;tica quando compreendida    como um dado natural, prescrevendo normas de funcionamento e regras de express&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desse modo, percebemos que, tanto a inf&acirc;ncia quanto a adolesc&ecirc;ncia,    s&atilde;o hoje compreendidas como categorias constru&iacute;das historicamente,    tendo, portanto, m&uacute;ltiplas emerg&ecirc;ncias. Essa id&eacute;ia corrobora    com os paradigmas da p&oacute;s-modernidade, marcos da nossa contemporaneidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Dahlberg; Moss; Pence (2003), as novas concep&ccedil;&otilde;es de inf&acirc;ncia    e de crian&ccedil;a apontam para a aceita&ccedil;&atilde;o de uma multiplicidade    e um devir que n&atilde;o se fecha em si mesmo. Segundo os autores, o projeto    defendido e sustentado pela Modernidade compreende o ser humano totalmente realizado,    maduro, independente, aut&ocirc;nomo, livre e racional. A busca da raz&atilde;o    constitui um caminho na procura da pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia do humano.    Assim, progresso e tecnologia caminham de m&atilde;os dadas em dire&ccedil;&atilde;o    &agrave; felicidade. Por&eacute;m, com a crise da raz&atilde;o moderna, atestam    os autores, construiu-se um</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ceticismo crescente      sobre a modernidade e sobre suas pretens&otilde;es (desenvolveu-se) uma crescente      desilus&atilde;o com sua incapacidade para compreender e acomodar a diversidade,      a complexidade e a conting&ecirc;ncia humanas e sua rea&ccedil;&atilde;o de      tentar orden&aacute;-las a partir do que existe. O projeto da modernidade      de controle atrav&eacute;s do conhecimento, a &#8220;avidez por certezas&#8221;,      implodiu (p. 36).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sob uma perspectiva    p&oacute;s-moderna, n&atilde;o existe conhecimento absoluto, realidade cristalizada,    esperando para ser conhecida e domada; um entendimento universal, que se fa&ccedil;a    fora da hist&oacute;ria ou da sociedade. No lugar disso, o projeto p&oacute;s-modernista    prop&otilde;e que o mundo e o conhecimento dele sejam vistos como socialmente    constru&iacute;dos. Isso significa pensar que todos n&oacute;s estamos engajados    na constru&ccedil;&atilde;o de significados, em vez de engajados na descoberta    de verdades. Assim, n&atilde;o existe somente uma realidade, mas v&aacute;rias.    O conhecimento n&atilde;o &eacute; &uacute;nico, e sim m&uacute;ltiplo, vari&aacute;vel,    fragmentado e mut&aacute;vel, inscrito nas rela&ccedil;&otilde;es de poder,    que lhes determinam o que &eacute; considerado como verdade ou falsidade. A    verdade &eacute; compreendida somente como uma correspond&ecirc;ncia da verdade,    uma representa&ccedil;&atilde;o da verdade, e como tal deve ser tomada. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como objeto de estudo e de trabalho dentro de um projeto constru&iacute;do sob    a &eacute;gide da modernidade, a crian&ccedil;a &eacute; vista e compreendida    como &#8220;um sujeito unificado, reificado e essencializado &#8211; no centro    do mundo &#8211; que pode ser considerado e tratado &agrave; parte dos relacionamentos    e do contexto&#8221; (DAHLBERG; MOSS; PENCE, 2003, p. 63). Contudo, partindo    da perspectiva paradigm&aacute;tica da p&oacute;s-modernidade, a crian&ccedil;a    &eacute; descentralizada, retirada do centro, uma vez que se considera que ela    exista atrav&eacute;s das suas rela&ccedil;&otilde;es com os outros, sempre    em um contexto particular e pr&oacute;prio. Assim, torna-se poss&iacute;vel    e necess&aacute;rio afirmar que</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">n&atilde;o existe      algo como a crian&ccedil;a ou a inf&acirc;ncia, um ser e um estado essencial      esperando para ser descoberto, definido e entendido, de forma que possamos      dizer a n&oacute;s mesmos e aos outros, &#8220;o que &eacute; a crian&ccedil;a?      O que &eacute; a inf&acirc;ncia?&#8221; Em vez disso, h&aacute; muitas crian&ccedil;as      e muitas inf&acirc;ncias, cada uma constru&iacute;da por nossos entendimentos      da inf&acirc;ncia e do que as crian&ccedil;as s&atilde;o e devem ser (DAHLBERG;      MOSS; PENCE, 2003, p. 63).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As distintas concep&ccedil;&otilde;es    de crian&ccedil;a e de adolescente s&atilde;o, portanto, constru&iacute;das    a partir de olhares em nada neutros. Os saberes v&ecirc;m sendo produzidos a    partir de discursos dominantes, localizados nos limites do projeto da modernidade,    por n&oacute;s incorporados, sem maiores cr&iacute;ticas. Enquanto s&atilde;o    incorporados, passam a fazer parte da forma&ccedil;&atilde;o desse panorama    em destaque, trazendo influ&ecirc;ncias sobre a compreens&atilde;o te&oacute;rica    e sobre as pr&aacute;ticas com esses grupos et&aacute;rios. Torna-se necess&aacute;rio    saber mais sobre esse panorama e saberes para podermos compreend&ecirc;-los    de modo contextualizado. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>II. Discutindo    a Inf&acirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O que &eacute; ser crian&ccedil;a? Como elas pensam, sentem e vivem? Essas perguntas    e outras do mesmo teor s&atilde;o muito dif&iacute;ceis de serem respondidas.    Escondem uma armadilha sutil, uma vez que, para muitos escritores, n&atilde;o    existe espa&ccedil;o de d&uacute;vidas quando se discute estas quest&otilde;es.    Cohn (2005) alerta para o perigo de uma leitura r&aacute;pida e ing&ecirc;nua    da inf&acirc;ncia. Para ela, as id&eacute;ias de &#8220;tabula rasa&#8221;,    &#8220;filhas do pecado&#8221;, &#8220;habitantes do para&iacute;so&#8221;,    dentre tantas outras representa&ccedil;&otilde;es da crian&ccedil;a, apresentadas    por muitos estudiosos, deixam transparecer uma &#8220;imagem em negativo da    crian&ccedil;a&#8221; (p. 8). Ou seja, o que se fala, na verdade, &eacute; do    contraponto entre a crian&ccedil;a e a vida em sociedade ou as responsabilidades    da vida adulta. Alerta, portanto, para a necessidade de se entender a crian&ccedil;a    e a seu mundo a partir do seu pr&oacute;prio ponto de vista. Assim, afirma categoricamente    a autora: &#8220;se quisermos realmente responder &agrave;quelas quest&otilde;es,    precisamos nos desvencilhar das imagens preconcebidas e abordar esse universo    e essa realidade tentando entender o que h&aacute; neles, e n&atilde;o o que    esperamos que nos ofere&ccedil;am&#8221; (COHN, 2005, p. 8).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inf&acirc;ncia, nessa perspectiva, deve ser compreendida como um modo particular    de se pensar a crian&ccedil;a, e n&atilde;o um estado universal, vivida por    todos do mesmo modo. Mais uma vez, nos deparamos com a multiplicidade e a urg&ecirc;ncia    de, uma ver por todas, desvincularmos a concep&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a    e de inf&acirc;ncia de uma id&eacute;ia pr&eacute;-concebida, seja ela qual    for. At&eacute; chegarmos a um vislumbre de uma concep&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna    de crian&ccedil;a e inf&acirc;ncia, debruce-mo-nos um pouco em algumas reflex&otilde;es    sobre o assunto:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dicion&aacute;rios da l&iacute;ngua portuguesa registram a palavra inf&acirc;ncia    como o per&iacute;odo de crescimento que vai do nascimento at&eacute; o ingresso    na puberdade, por volta dos doze anos de idade. Segundo a Conven&ccedil;&atilde;o    sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, aprovada pela Assembl&eacute;ia Geral das    Na&ccedil;&otilde;es Unidas, em novembro de 1989, "crian&ccedil;a s&atilde;o    todas as pessoas menores de dezoito anos de idade". J&aacute; para o Estatuto    da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990), crian&ccedil;a &eacute; considerada    a pessoa at&eacute; os doze anos incompletos, enquanto entre os doze e dezoito    anos, idade da maioridade civil, encontra-se a adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Etimologicamente, a palavra inf&acirc;ncia vem do latim, infantia, e refere-se    ao indiv&iacute;duo que ainda n&atilde;o &eacute; capaz de falar. Essa incapacidade,    atribu&iacute;da &agrave; primeira inf&acirc;ncia, estende-se at&eacute; os    sete anos, que representaria a idade da raz&atilde;o. Percebe-se, no entanto,    que a idade cronol&oacute;gica n&atilde;o &eacute; suficiente para caracterizar    a inf&acirc;ncia. &Eacute; o que Khulmann Jr. (1998, p. 16) afirma categoricamente:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Inf&acirc;ncia      tem um significado gen&eacute;rico e, como qualquer outra fase da vida, esse      significado &eacute; fun&ccedil;&atilde;o das transforma&ccedil;&otilde;es      sociais: toda sociedade tem seus sistemas de classes de idade e a cada uma      delas &eacute; associado um sistema de status e de papel.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se a idade cronol&oacute;gica    n&atilde;o pode abarcar a concep&ccedil;&atilde;o contempor&acirc;nea de crian&ccedil;a,    o que poderia mais se aproximar disso? Voltemos &agrave; busca da compreens&atilde;o    das ra&iacute;zes dessa discuss&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Philippe Ari&egrave;s (1978), famoso historiador franc&ecirc;s, afirmou que    a inf&acirc;ncia foi uma inven&ccedil;&atilde;o da modernidade, constituindo-se    numa categoria social constru&iacute;da recentemente na hist&oacute;ria da humanidade.    Para ele, a emerg&ecirc;ncia do sentimento de inf&acirc;ncia, como uma consci&ecirc;ncia    da particularidade infantil, &eacute; decorrente de um longo processo hist&oacute;rico,    n&atilde;o sendo uma heran&ccedil;a natural. Essa sua afirma&ccedil;&atilde;o    trouxe grandes mudan&ccedil;as na compreens&atilde;o da inf&acirc;ncia, j&aacute;    que ela era pensada como uma fase da vida, como qualquer outra, mas que revelada    pelas &#8220;del&iacute;cias de ser crian&ccedil;a e de habitar no pa&iacute;s    da inf&acirc;ncia&#8221;, de um modo id&ecirc;ntico a si mesmo. Os s&eacute;culos    XVI e XVII, como bem demonstra &Aacute;ri&egrave;s, esbo&ccedil;am uma concep&ccedil;&atilde;o    de inf&acirc;ncia centrada na inoc&ecirc;ncia e na fragilidade infantil. O s&eacute;culo    XVIII inaugurou a constru&ccedil;&atilde;o da inf&acirc;ncia moderna, assumindo    o signo de liberdade, autonomia e independ&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na verdade, o que Ari&egrave;s quis dizer com a sua afirma&ccedil;&atilde;o    de que a inf&acirc;ncia foi uma inven&ccedil;&atilde;o da modernidade, &eacute;    que a inf&acirc;ncia que conhecemos hoje foi uma cria&ccedil;&atilde;o de um    tempo hist&oacute;rico e de condi&ccedil;&otilde;es socioculturais determinadas,    sendo um erro querer analisar todas as inf&acirc;ncias e todas as crian&ccedil;as    com o mesmo referencial. A partir disso, podemos considerar que a inf&acirc;ncia    muda com o tempo e com os diferentes contextos sociais, econ&ocirc;micos, geogr&aacute;ficos,    e at&eacute; mesmo com as peculiaridades individuais. Portanto, as crian&ccedil;as    de hoje n&atilde;o s&atilde;o exatamente iguais &agrave;s do s&eacute;culo passado,    nem ser&atilde;o id&ecirc;nticas &agrave;s que vir&atilde;o nos pr&oacute;ximos    s&eacute;culos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Ari&egrave;s, o sentimento de inf&acirc;ncia data do s&eacute;culo XIX.    At&eacute; ent&atilde;o, as crian&ccedil;as eram tratadas como adultos em miniatura    ou pequenos adultos. Os cuidados especiais que elas recebiam, quando os recebiam,    eram reservados apenas aos primeiros anos de vida, e aos que eram mais bem localizados    social e financeiramente. A partir dos tr&ecirc;s ou quatro anos, as crian&ccedil;as    j&aacute; participavam das mesmas atividades dos adultos, inclusive orgias,    enforcamentos p&uacute;blicos, trabalhos for&ccedil;ados nos campos ou em locais    insalubres, al&eacute;m de serem alvos de todos os tipos de atrocidades praticados    pelos adultos, n&atilde;o parecendo existir nenhuma diferencia&ccedil;&atilde;o    maior entre elas e os mais velhos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ari&egrave;s defende duas teses principais: na primeira, afirma que a sociedade    tradicional da Idade M&eacute;dia n&atilde;o via a crian&ccedil;a como ser distinto    do adulto. Na segunda, indica a transforma&ccedil;&atilde;o pela qual a crian&ccedil;a    e a fam&iacute;lia passam, ocupando um lugar central na din&acirc;mica social.    Com essa transforma&ccedil;&atilde;o, a fam&iacute;lia tornou-se o lugar de    uma afei&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria entre os c&ocirc;njuges e entre    pais e filhos, o que n&atilde;o existia antes. A crian&ccedil;a passou de um    lugar sem import&acirc;ncia a ser o centro da fam&iacute;lia. Cohn (2005) ressalta    o trabalho de Ari&egrave;s, j&aacute; que, na opini&atilde;o desta antrop&oacute;loga,    &eacute; importante partirmos da compreens&atilde;o hist&oacute;rica da inf&acirc;ncia,    uma vez que contemporaneamente, &#8220;os direitos da crian&ccedil;a e a pr&oacute;pria    id&eacute;ia de menoridade, n&atilde;o podem ser entendidos sen&atilde;o a partir    dessa forma&ccedil;&atilde;o de um sentimento e de uma concep&ccedil;&atilde;o    de inf&acirc;ncia&#8221; (p. 22). Mas nem todos defendem plenamente o trabalho    de Ari&egrave;s, apesar da clareza da sua import&acirc;ncia. Heywood (2004),    por exemplo, faz uma cr&iacute;tica severa aos estudos de Ari&egrave;s. Para    ele, o estudioso foi ing&ecirc;nuo no trato com suas fontes hist&oacute;ricas,    extremamente centrado na Idade M&eacute;dia, e muito exagerado ao afirmar a    inexist&ecirc;ncia de inf&acirc;ncia na civiliza&ccedil;&atilde;o medieval.    Suas teses correm o risco de serem tomadas de modo simplista, &eacute; para    o que alerta o historiador, risco que considero muito poss&iacute;vel de ser    corrido por leitores menos cr&iacute;ticos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Heywood (2004) mostra, no seu trabalho, que havia uma inf&acirc;ncia presente    na Idade M&eacute;dia, mesmo que a sociedade n&atilde;o tivesse tempo para a    crian&ccedil;a. Ao mesmo tempo apresenta a tese de que a Igreja j&aacute; se    preocupava com a educa&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as, colocadas ao servi&ccedil;o    do monast&eacute;rio. J&aacute; no s&eacute;culo XII, assegura o estudioso,    &eacute; poss&iacute;vel encontramos ind&iacute;cios de um investimento social    e psicol&oacute;gico nas crian&ccedil;as. Nos s&eacute;culos XVI e XVII j&aacute;    existia &#8220;uma consci&ecirc;ncia de que as percep&ccedil;&otilde;es de uma    crian&ccedil;a eram diferentes das dos adultos&#8221; (p. 36-7).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Continuando na sua discuss&atilde;o, Heywood ressalta a emerg&ecirc;ncia social    da crian&ccedil;a j&aacute; no s&eacute;culo XVIII, fato marcado pelas obras    de Locke, Rousseau e dos primeiros rom&acirc;nticos. John Locke difundiu a id&eacute;ia    de t&aacute;bula rasa para o desenvolvimento infantil, afirmando que a crian&ccedil;a    nascia apenas como uma folha em branco, na qual se poderia inscrever o que se    quisesse. Assim afirmando, questionou a id&eacute;ia de crian&ccedil;a como    fruto do pecado original, portadora de uma impureza crist&atilde; irremedi&aacute;vel.    Jean Jacques Rousseau defendeu a id&eacute;ia de natureza boa, pura e ing&ecirc;nua    da crian&ccedil;a, e da necessidade de respeit&aacute;-la e deix&aacute;-la    livre para que a natureza pudesse agir no seu curso normal, favorecendo o pleno    desenvolvimento saud&aacute;vel das crian&ccedil;as. J&aacute; as concep&ccedil;&otilde;es    rom&acirc;nticas da inf&acirc;ncia trataram de apresentar as crian&ccedil;as    como portadoras de sabedoria e sensibilidade est&eacute;tica apurada, necessitando    que se criassem condi&ccedil;&otilde;es favor&aacute;veis ao seu pleno desenvolvimento.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O s&eacute;culo XIX inaugurou uma crian&ccedil;a sem valor econ&ocirc;mico,    mas de valor emocional inquestion&aacute;vel, criando uma concep&ccedil;&atilde;o    de inf&acirc;ncia plenamente aceita no s&eacute;culo XX. Na verdade, como &eacute;    poss&iacute;vel percebermos, &#8220;a hist&oacute;ria cultural da inf&acirc;ncia    tem seus marcos, mas tamb&eacute;m se move por linhas sinuosas com o passar    dos s&eacute;culos: a crian&ccedil;a poderia ser considerada impura no in&iacute;cio    do s&eacute;culo XX tanto quanto na alta Idade M&eacute;dia&#8221; (HEYWOOD,    2004, p. 45). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Contudo, o que observamos no ocidente, foi que o movimento de particulariza&ccedil;&atilde;o    da inf&acirc;ncia ganha for&ccedil;as a partir do s&eacute;culo XVIII. A fam&iacute;lia    sofre grandes transforma&ccedil;&otilde;es e criam-se novas necessidades sociais    nas quais a crian&ccedil;a ser&aacute; valorizada enormemente, passando a ocupar    um lugar central na din&acirc;mica familiar. A partir de ent&atilde;o, o conceito    de inf&acirc;ncia se evidencia pelo valor do amor familiar: as crian&ccedil;as    passam dos cuidados das amas para o controle dos pais e, posteriormente, da    escola, passando pelo acompanhamento dos diversos especialistas e das diferentes    ci&ecirc;ncias (Psicologia, Antropologia, Sociologia, Medicina, Fonoaudiologia,    Pedagogia, dentre outras tantas).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inf&acirc;ncia e a crian&ccedil;a tornam-se objetos de estudos e saberes de    diferentes &aacute;reas, constituindo-se num campo tem&aacute;tico de natureza    interdisciplinar. Independente da forma como era olhada, do posicionamento te&oacute;rico    que se tivesse sobre ela, a inf&acirc;ncia tornou-se vis&iacute;vel como um    estatuto te&oacute;rico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A inf&acirc;ncia, enquanto produ&ccedil;&atilde;o cultural da p&oacute;s-modernidade,    n&atilde;o pode ser pensada como cristalizada ou acabada. Constitui-se mesmo    num devir, que incorpora a no&ccedil;&atilde;o de transforma&ccedil;&atilde;o    e dinamismo. Para Jardim (2003), &#8220;a id&eacute;ia do devir crian&ccedil;a    nos leva a pensar a subjetividade em territ&oacute;rios para al&eacute;m da    visibilidade superficial que nos leva ao tempo cronol&oacute;gico, uniforme    e linear&#8221; (p. 28). Coloca-se, ent&atilde;o, a necess&aacute;ria compreens&atilde;o    dos diversos sentidos e significados de inf&acirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antes de continuarmos discutindo as m&uacute;ltiplas concep&ccedil;&otilde;es    da inf&acirc;ncia contempor&acirc;nea brasileira, voltemos nossa aten&ccedil;&atilde;o    &agrave; hist&oacute;ria da crian&ccedil;a no Brasil. Com ela, &eacute; poss&iacute;vel    vermos como se construiu a hist&oacute;ria da nossa crian&ccedil;a.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, o cuidado com a inf&acirc;ncia parece ter realmente come&ccedil;ado    no s&eacute;culo XIX, intensificando-se nos s&eacute;culos seguintes. Para Fontes    (2005),</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&eacute; importante      ressaltar que a hist&oacute;ria da inf&acirc;ncia no Brasil se confunde com      a hist&oacute;ria do preconceito, da explora&ccedil;&atilde;o e do abandono,      pois, desde o in&iacute;cio, houve diferencia&ccedil;&atilde;o entre as crian&ccedil;as,      segundo sua classe social, com direitos e lugares diversos no tecido social      (p. 88). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concorda com esta    leitura Pinheiro (2001). Para ela, a hist&oacute;ria de crian&ccedil;as e adolescentes    no Brasil tem sua vida social marcada pela desigualdade, exclus&atilde;o e domina&ccedil;&atilde;o.    Tais marcas acompanham a hist&oacute;ria do Brasil, atravessando a Col&ocirc;nia,    Imp&eacute;rio e Republica, conservando ainda hoje a vis&atilde;o da diferen&ccedil;a    pela desigualdade. Assim, afirma a pesquisadora, &#8220;a desigualdade social    assume, entre n&oacute;s, m&uacute;ltiplas express&otilde;es, quer se refiram    &agrave; distribui&ccedil;&atilde;o de terra, de renda, do conhecimento, do    saber e, mesmo, ao exerc&iacute;cio da pr&oacute;pria cidadania&#8221; (p. 30).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A hist&oacute;ria da crian&ccedil;a no Brasil &eacute; brilhantemente apresentada    por Priore (2000), seja quando se discutem condi&ccedil;&otilde;es de vida das    crian&ccedil;as europ&eacute;ias trazidas para c&aacute; no s&eacute;culo XVI    (RAMOS, 2000), seja quando aborda o cotidiano das crian&ccedil;as livres ou    escravas no Brasil Col&ocirc;nia e Imp&eacute;rio (PRIORE, 2000). A entrada    na Modernidade n&atilde;o trouxe muita diferen&ccedil;a para todos os pequenos    brasileiros. O sonho de inf&acirc;ncia feliz n&atilde;o parece ter sido vivido    pelas crian&ccedil;as oper&aacute;rias da cidade de S&atilde;o Paulo rec&eacute;m-industrializada    (MOURA, 2000) ou das crian&ccedil;as trabalhadoras do nosso pa&iacute;s (RIZZINI,    2000; ABREU, 2000).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil moderno surgiu um termo que conceitua bem a crian&ccedil;a desvalida:    menor. Este termo foi inicialmente utilizado para designar uma faixa et&aacute;ria    associada, pelo C&oacute;digo de Menores de 1927, &agrave;s crian&ccedil;as    pobres, passando a ter, posteriormente, uma conota&ccedil;&atilde;o valorativa    negativa. Metaforicamente, menores passaram a ser todos aqueles ao quais a sociedade    atribu&iacute;a um significado social negativo. Menores eram aquelas crian&ccedil;as    e adolescentes pobres, pertencentes &agrave;s fam&iacute;lias com uma estrutura    diferente da convencional (patriarcal, com pai e m&atilde;e presentes, com pais    trabalhadores, com uma boa estrutura financeira e emocional, dentre outros).    Aquelas crian&ccedil;as caracterizaram-se como "menores" em situa&ccedil;&atilde;o    de risco social, pass&iacute;veis de tornarem-se marginais e, como marginais,    colocarem em risco a si mesmas e &agrave; sociedade. Deste modo, tornou-se uma    norma social atender &agrave; inf&acirc;ncia abandonada, pobre e desvalida,    mas a partir de um olhar de superioridade, na tentativa de salvamento ou de    "adestramento".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O "menor" foi entregue &agrave; al&ccedil;ada do Estado, que tratou    de cuidar dele, institucionalizando-o, submetendo-o a tratamentos e cuidados    massificantes, cru&eacute;is, e preconceituosos. Por entender o "menor"    como uma situa&ccedil;&atilde;o de perigo social e individual, o primeiro c&oacute;digo    de menores, datado de 1927, acabou por construir uma categoria de crian&ccedil;as    menos humanas, menos crian&ccedil;as do que as outras crian&ccedil;as, quase    uma amea&ccedil;a &agrave; sociedade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a aprova&ccedil;&atilde;o do Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente,    em 1990, o termo "menor" foi abolido, passando a definir todas as    crian&ccedil;as como sujeito de direitos, com necessidades espec&iacute;ficas,    decorrentes de seu desenvolvimento peculiar, e que, por conta disso, deveriam    receber uma pol&iacute;tica de aten&ccedil;&atilde;o integral a seus direitos    constru&iacute;dos social e historicamente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A mudan&ccedil;a &eacute; radical, vai &agrave; raiz: o menor deixa de ser visto    como menor e retoma seu lugar de crian&ccedil;a. O menor passa a ser visto como    cidad&atilde;o de direitos e n&atilde;o como um expectador das tentativas de    sab&ecirc;-lo v&iacute;tima ou respons&aacute;vel pelos descalabros sociais.    A crian&ccedil;a volta a ocupar o seu lugar de um ser humano, de um sujeito    constru&iacute;do historicamente, com direitos e deveres que devem ser exercidos    hoje, com uma vida concreta que pode ser muito dura e distante do sonho dourado    da inf&acirc;ncia m&iacute;tica da classe m&eacute;dia. Contudo, uma crian&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A partir de reflex&otilde;es sobre as diversas concep&ccedil;&otilde;es de inf&acirc;ncia    e crian&ccedil;a e, partindo de um sonho do projeto modernista, surge uma preocupa&ccedil;&atilde;o    cada vez mais ampla e sistem&aacute;tica com o estudo e compreens&atilde;o da    crian&ccedil;a e de seu desenvolvimento, com suas maneiras de aprender e com    a necessidade de uma educa&ccedil;&atilde;o formal que lhe permita amadurecer    de modo mais sadio. A disciplina, at&eacute; ent&atilde;o exercida de forma    violenta e agressiva, vai sendo abolida e substitu&iacute;da por t&eacute;cnicas    que denotam atitudes mais respeitosas. Assim, a pr&aacute;tica de surras, castigos    severos, humilha&ccedil;&otilde;es, o uso de palmat&oacute;ria, dentre outras,    est&aacute; fora de uso e, embora ainda possa ser utilizada, isso ocorre somente    de modo pontual.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa pr&aacute;tica come&ccedil;ou a modificar-se a partir do estudo cient&iacute;fico    da crian&ccedil;a, que se iniciou, efetivamente, no s&eacute;culo XIX. Como    legado maior das Teorias Desenvolvimentistas, surgiu a compreens&atilde;o da    crian&ccedil;a como uma categoria cient&iacute;fica, notadamente positivista,    e a perda da inoc&ecirc;ncia &#8211; atrav&eacute;s da Metapsicologia freudiana.    A seguir, a inf&acirc;ncia passou a ser concebida como produto do tempo, da    natureza e da cultura. Por&eacute;m, como assegura Santos (1996, p. 152), somente    "nos anos 60 do s&eacute;culo XX a inf&acirc;ncia se tornar&aacute;, no    bojo dos interesses pela juventude, uma categoria sociol&oacute;gica nas culturas    ocidentais modernas".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos ver que, numa perspectiva hist&oacute;rica de milhares de anos, em que    predominou o total desconhecimento da crian&ccedil;a, a Psicologia do Desenvolvimento    Infantil encontrou no seu in&iacute;cio uma s&eacute;rie de dificuldades para    se impor como estudo s&eacute;rio, importante e necess&aacute;rio. Mas ela tem    conseguido se firmar. Hoje, o estudo do desenvolvimento da crian&ccedil;a &eacute;    necess&aacute;rio e indispens&aacute;vel para quem deseja trabalhar com essa    fase da vida humana. Al&eacute;m disso, a perspectiva extremamente positivista    assumida pela Psicologia do Desenvolvimento, que se preocupava principalmente    em observar, medir e comparar as mudan&ccedil;as exibidas pelas crian&ccedil;as    ao longo de sua trajet&oacute;ria de vida, foi substitu&iacute;da por uma perspectiva    mais hist&oacute;rica. Hoje se estuda a crian&ccedil;a e a inf&acirc;ncia como    categorias constru&iacute;das historicamente, o que nos abre possibilidades    de compreend&ecirc;-las de modo concreto, na sua express&atilde;o de vida. O    tempo linear, cronol&oacute;gico e cont&iacute;nuo &eacute; superado por um    devir, um tempo que n&atilde;o se esgota em si mesmo. Referindo-se &agrave;    temporalidade n&atilde;o linear, afirma Figueiredo (1995, p. 9):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; preciso      contar a hist&oacute;ria de uma vida sem dar a impress&atilde;o de se estar      diante de uma sucess&atilde;o linear, unidirecional e necess&aacute;ria de      momentos, cada um deles sendo tomado como um simples e plenamente significativo      "agora". &Eacute; preciso garantir nesta hist&oacute;ria lugares      para acasos e imprevis&iacute;veis, lugares para rupturas, lugares para saltos      adiante, para retornos e ressignifica&ccedil;&otilde;es; &eacute; preciso      evitar a tenta&ccedil;&atilde;o de fazer da exist&ecirc;ncia de algu&eacute;m      um processo meramente aditivo ou subtrativo de atributos que se agregariam      ou descartariam de uma subst&acirc;ncia permanente.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A maior parte das teorias que trata do Desenvolvimento Humano tem uma tend&ecirc;ncia    para atuar como se seus saberes fossem verdadeiros e representassem o modelo    correto da realidade. Contudo, como alerta Dahlberg; Moss; Pence (2003): &#8220;Em    vez de serem vistas como representa&ccedil;&otilde;es socialmente constru&iacute;das    de uma realidade complexa, uma maneira selecionada de como descrever o mundo,    essas teorias parecem se tornar o pr&oacute;prio territ&oacute;rio&#8221; (p.    54). O risco dessa leitura &eacute; que percamos de vista as crian&ccedil;as    e suas vidas concretas. Sendo assim, a tentativa pode ser a de normalizar as    crian&ccedil;as a partir de uma norma te&oacute;rica qualquer, atribuindo-lhe    uma identidade social e pessoal que n&atilde;o lhe pertencem, de fato. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vivendo numa condi&ccedil;&atilde;o p&oacute;s-moderna, precisamos entender    o conhecimento e os diversos saberes de uma perspectiva que requer de cada um    de n&oacute;s que</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">abandonemos a      &#8220;grande narrativa&#8221; de uma unidade te&oacute;rica de conhecimento      e nos contentemos com objetivos mais locais e pr&aacute;ticos. Isto significa      abandonar uma das suposi&ccedil;&otilde;es (e esperan&ccedil;as) mais profundas      do pensamento iluminista: que aquilo que est&aacute; &#8220;de fato&#8221;      dispon&iacute;vel para ser percebido &#8220;l&aacute; fora&#8221; &eacute;      um mundo ordeiro e sistem&aacute;tico, (potencialmente) o mesmo para todos      n&oacute;s &#8211; de tal forma que, se persistirmos muito em nossas investiga&ccedil;&otilde;es      e discuss&otilde;es, conseguiremos, por fim, um acordo universal sobre sua      natureza (SHOTTER apud HEYWOOD, p. 69).</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As diferentes concep&ccedil;&otilde;es    existentes sobre a crian&ccedil;a na contemporaneidade ocidental, portanto,    s&atilde;o pe&ccedil;as imprescind&iacute;veis para comporem um quadro geral    sobre a inf&acirc;ncia atual e necessitam serem conhecidas e compreendidas dentro    do contexto no qual foram produzidas. Tais saberes, de diferentes disciplinas    e origens te&oacute;ricas, devem ser convidados ao di&aacute;logo, produzindo    frutos que podem ser ricos e oferecerem novos e variados elementos para ajudarem    na compreens&atilde;o da inf&acirc;ncia na p&oacute;s-modernidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>III. Discutindo    a adolesc&ecirc;ncia</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim como a inf&acirc;ncia, a adolesc&ecirc;ncia &eacute; tamb&eacute;m compreendida    hoje como uma categoria hist&oacute;rica, que recebe significa&ccedil;&otilde;es    e significados que est&atilde;o longe de serem essencialistas. &Eacute; como    afirma Pitombeira (2005): a naturaliza&ccedil;&atilde;o da adolesc&ecirc;ncia    e sua homogeneiza&ccedil;&atilde;o s&oacute; podem ser analisadas &agrave; luz    da pr&oacute;pria sociedade. Assim, as caracter&iacute;sticas &#8220;naturais&#8221;    da adolesc&ecirc;ncia somente podem ser compreendidas quando inseridas na hist&oacute;ria    que a geraram. Mas n&atilde;o foi sempre deste modo que se falou da adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para a maior parte dos estudiosos do desenvolvimento humano, ser adolescente    &eacute; viver um per&iacute;odo de mudan&ccedil;as f&iacute;sicas, cognitivas    e sociais que, juntas, ajudam a tra&ccedil;ar o perfil desta popula&ccedil;&atilde;o.    Atualmente, fala-se da adolesc&ecirc;ncia como uma fase do desenvolvimento humano    que faz uma ponte entre a inf&acirc;ncia e a idade adulta. Nessa perspectiva    de liga&ccedil;&atilde;o, a adolesc&ecirc;ncia &eacute; compreendida como um    per&iacute;odo atravessado por crises, que encaminham o jovem na constru&ccedil;&atilde;o    de sua subjetividade. Por&eacute;m, a adolesc&ecirc;ncia n&atilde;o pode ser    compreendida somente como uma fase de transi&ccedil;&atilde;o. Na verdade, ela    &eacute; bem mais do que isso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adolesc&ecirc;ncia, per&iacute;odo da vida humana entre a puberdade e a adult&iacute;cie,    vem do latim adolescentia, adolescer. &Eacute; comumente associada &agrave;    puberdade, palavra derivada do latim pubertas-atis, referindo-se ao conjunto    de transforma&ccedil;&otilde;es fisiol&oacute;gicas ligadas &agrave; matura&ccedil;&atilde;o    sexual, que traduzem a passagem progressiva da inf&acirc;ncia &agrave; adolesc&ecirc;ncia.    Esta perspectiva prioriza o aspecto fisiol&oacute;gico, quando consideramos    que ele n&atilde;o &eacute; suficiente para se pensar o que seja a adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Refletindo acerca dos limites identificat&oacute;rios da adolesc&ecirc;ncia,    voltemo-nos &agrave; hist&oacute;ria, buscando elementos que nos ajudem a pensar    essas quest&otilde;es. Do mesmo modo que afirmou o car&aacute;ter moderno da    inf&acirc;ncia, Ari&egrave;s (1978, p. 46) acredita que a adolesc&ecirc;ncia    tamb&eacute;m nasceu sob o signo da Modernidade, a partir do s&eacute;culo XX.    Quanto a isso, ele se expressa:</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O primeiro adolescente      moderno t&iacute;pico foi o Siegried de Wagner; a m&uacute;sica de Siegried,      pela primeira vez, exprimiu a mistura de pureza (provis&oacute;ria), de for&ccedil;a      f&iacute;sica, de naturismo, de espontaneidade e de alegria de viver que faria      do adolescente o her&oacute;i do nosso s&eacute;culo XX, o s&eacute;culo da      adolesc&ecirc;ncia.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Ari&egrave;s,    somente ap&oacute;s a implanta&ccedil;&atilde;o do sentimento de inf&acirc;ncia,    no s&eacute;culo XIX, tornou-se poss&iacute;vel a emerg&ecirc;ncia da adolesc&ecirc;ncia    como uma fase com caracter&iacute;sticas peculiares e &uacute;nicas, distintas    dos outros momentos desenvolvimentais. No entanto, a partir de outros autores,    como Santos (1996) e Levi; Schmidt (1996), discordo destss teses. Penso que    o que hoje denominamos inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia, enquanto idades    cronol&oacute;gicas, sempre existiram. No entanto, para se fazerem concretas,    constitu&iacute;ram-se historicamente dentro das sociedades. Sendo assim, n&atilde;o    &eacute; poss&iacute;vel se enquadrarem as coordenadas de diversas hist&oacute;rias    social e cultural da adolesc&ecirc;ncia do mesmo modo, uma vez que n&atilde;o    falamos de uma homogeneidade entre as hist&oacute;rias ou sequer entre os termos    definidores do tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Portanto, n&atilde;o podemos compreender a adolesc&ecirc;ncia simplesmente pondo-a    em evid&ecirc;ncia. &Eacute; necess&aacute;rio buscar n&atilde;o uma defini&ccedil;&atilde;o    v&aacute;lida para todos os momentos hist&oacute;ricos e sim tentar uma compreens&atilde;o    a partir de sua historicidade. Desse modo, os limites fisiol&oacute;gicos e    jur&iacute;dicos s&atilde;o insuficientes para compreender esse per&iacute;odo.    &Eacute; poss&iacute;vel sab&ecirc;-lo melhor, sugerem Levi; Schmidt (1996),    a partir de uma antropologia das diversas sociedades humanas, segundo o modo    de identificar e de atribuir ordem e sentido ao transit&oacute;rio. Para estes    autores, enquadrar as coordenadas de uma hist&oacute;ria social e cultural da    juventude, por diferentes motivos que sejam, torna-se imposs&iacute;vel, at&eacute;    mesmo pela n&atilde;o homogeneidade dos termos definidores. Assim, n&atilde;o    podemos compreender a adolesc&ecirc;ncia simplesmente pondo-a em evid&ecirc;ncia,    e sim buscando uma compreens&atilde;o a partir de sua historicidade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A condi&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica que favoreceu a &#8220;inaugura&ccedil;&atilde;o&#8221;    da adolesc&ecirc;ncia ocidental do s&eacute;culo XX foi, principalmente, a possibilidade    de prescindir da ajuda financeira dos jovens que agora podem se dedicar mais    tempo &agrave; forma&ccedil;&atilde;o profissional. Al&eacute;m disso, a realidade    contempor&acirc;nea e tecnicista exige cada vez maiores aperfei&ccedil;oamentos    profissionais, levando a um elastecimento do per&iacute;odo de prepara&ccedil;&atilde;o    dos jovens para o ingresso no mercado de trabalho. Paralelamente, aumenta tamb&eacute;m    o tempo de tutela das crian&ccedil;as pelos pais, uma vez que elas s&atilde;o    mantidas mais tempo nas escolas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto constru&ccedil;&atilde;o da modernidade, a adolesc&ecirc;ncia contempor&acirc;nea    foi engendrada a partir de um contexto de crises e contesta&ccedil;&atilde;o    social. Segundo Abramo (1994), esse fen&ocirc;meno facilitou que se plasmasse    tal caracteriza&ccedil;&atilde;o como a caracter&iacute;stica pr&oacute;pria    dos jovens. &Eacute; poss&iacute;vel vermos que a virada para o s&eacute;culo    XX traz consigo a inven&ccedil;&atilde;o de uma adolesc&ecirc;ncia representada    como uma fase de &#8220;tempestades e tormentas&#8221; e germe de transforma&ccedil;&otilde;es.    O movimento hippie, da d&eacute;cada de 60, e o juvenil, de 1968, contribu&iacute;ram    para formar um discurso sobre o que &eacute; ser adolescente, instituindo o    modelo masculino, da classe m&eacute;dia, como o estal&atilde;o privilegiado.    Por toda a d&eacute;cada de 70, o movimento de amplia&ccedil;&atilde;o da contracultura    juvenil continuou se expandindo. Mas a hist&oacute;ria n&atilde;o p&aacute;ra    e, na d&eacute;cada de 80, acontece uma fragmenta&ccedil;&atilde;o nos movimentos    juvenis. Grandes mudan&ccedil;as surgem no plano pol&iacute;tico, o mesmo acontece    no espectro p&uacute;blico da juventude brasileira. Parece ter acontecido com    a juventude brasileira algo como descreve Abramo (1994, p. 55):</font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">... o movimento      estudantil perde expressividade e come&ccedil;a a ganhar visibilidade. Surge      uma grande variedade de figuras juvenis cuja identidade se expressa, principalmente,      atrav&eacute;s de sinais impressos sobre sua imagem e pelo consumo de determinados      bens culturais oferecidos pelo mercado.</font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ferreira (1992)    v&ecirc; grande diferen&ccedil;a entre a juventude da d&eacute;cada de 50 e    a contempor&acirc;nea, denunciando a falta de sentido e inatividade que considera    ser o mais not&aacute;vel na juventude de ent&atilde;o. J&aacute; Lindemberg    (1993), assinala as contradi&ccedil;&otilde;es e incertezas da juventude de    baixa renda da periferia de S&atilde;o Paulo, considerando serem essas caracter&iacute;sticas    identificat&oacute;rias dos adolescentes pesquisados. Di&oacute;genes (1998)    ressalta que os movimentos juvenis despertaram vis&otilde;es diferenciadas na    sociedade, tais como desordeiros ou renovadores, enfatizando as diferentes representa&ccedil;&otilde;es    sociais atribu&iacute;das a esses movimentos. Assim &eacute; que</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">a busca da diferen&ccedil;a,    o desejo de impactar, de provocar contrastes, marcas definidoras da exist&ecirc;ncia    social [...] punk, dark, funk, torcidas organizadas, os carecas do sub&uacute;rbio,    os skin heads, o hip hop organizado, dentre outros, parecem mobilizar, de forma    vis&iacute;vel, a aten&ccedil;&atilde;o e a tens&atilde;o juvenil dos anos 90    (p. 103).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a sociedade    neoliberal, sob a &ecirc;nfase do mercado e do consumo, envolvida nas quest&otilde;es    tecnol&oacute;gicas e nas mudan&ccedil;as do padr&atilde;o social e culturas    das massas, a juventude vem sendo colocada em situa&ccedil;&atilde;o de grande    vulnerabilidade social. Nascimento (2002) considera que os jovens parecem se    encontrar encurralados dentro de condi&ccedil;&otilde;es sociais que aumentam    em muito sua vulnerabilidade. Afirma: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As representa&ccedil;&otilde;es    sociais que se formam a partir das in&uacute;meras informa&ccedil;&otilde;es,    mediadas, sobretudo pela m&iacute;dia, n&atilde;o fornecem condi&ccedil;&otilde;es    para que o adolescente planeje e articule a&ccedil;&otilde;es como uma forma    de supera&ccedil;&atilde;o da condi&ccedil;&atilde;o ou situa&ccedil;&atilde;o    vivida, uma vez que estas informa&ccedil;&otilde;es se destinam muito mais &agrave;    constru&ccedil;&atilde;o de modelos estereotipados de comportamentos para atender    as demandas de consumo (p. 71).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Calligaris (2000)    tamb&eacute;m tem refletido sobre a influ&ecirc;ncia da p&oacute;s-modernidade    e do neoliberalismo sobre a emerg&ecirc;ncia da adolesc&ecirc;ncia. Para ele,    a juventude tem sido investida de um imenso valor de consumo, sendo eleita como    ideal de vida. Assim, a ind&uacute;stria de consumo n&atilde;o s&oacute; absorve    como investe em valores e estilos adolescentes, elastecendo mais e mais esta    fase e tornando cada vez mais dif&iacute;cil se afastar do desejo adulto da    adolesc&ecirc;ncia. Como diria o autor, &#8220;a adolesc&ecirc;ncia, por ser    um ideal dos adultos, se torna um fant&aacute;stico argumento promocional&#8221;    (p. 59). Como a adolesc&ecirc;ncia assume o ideal social, fica dif&iacute;cil    sair deste lugar. Fica dif&iacute;cil e custoso envelhecer, quando a aspira&ccedil;&atilde;o    social &eacute; habitar a adolesc&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos outros pesquisadores t&ecirc;m se dedicado a estudar a express&atilde;o    da subjetividade dos jovens na contemporaneidade. Existe atualmente uma clareza    te&oacute;rica de que a heterogeneidade de realidades e situa&ccedil;&otilde;es    impedem a viv&ecirc;ncia da adolesc&ecirc;ncia do mesmo modo para todos. Mas    esta clareza n&atilde;o foi sempre presente. Se n&atilde;o, vejamos: O pai da    Psicologia da Adolesc&ecirc;ncia, Stanley Hall, considerava que a adolesc&ecirc;ncia    era a retirada dram&aacute;tica das crian&ccedil;as do para&iacute;so da inf&acirc;ncia,    constituindo-se, deste modo, num per&iacute;odo de crises, tempestades e tormentas.    E &eacute; desta forma que ainda hoje muitos te&oacute;ricos t&ecirc;m se detido    a falar sobre a adolesc&ecirc;ncia: uma fase dif&iacute;cil, geradora de crises,    um foco de patologias, um po&ccedil;o de sofrimentos para os jovens e suas fam&iacute;lias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Segundo Ozella (2003, p. 20), "&eacute; necess&aacute;rio superar as vis&otilde;es    naturalizantes presentes na Psicologia e entender a adolesc&ecirc;ncia como    um processo de constru&ccedil;&atilde;o sob condi&ccedil;&otilde;es hist&oacute;rico-culturais    espec&iacute;ficas". Isso significa pensar que a adolesc&ecirc;ncia deve    ser vista e compreendida como uma categoria constru&iacute;da socialmente, a    partir das necessidades sociais e econ&ocirc;micas dos grupos sociais, que lhe    constituem como pessoas, enquanto s&atilde;o constitu&iacute;das por elas. Assim,    &eacute; mais poss&iacute;vel falar de adolescentes que tenham um nome, perten&ccedil;am    a um grupo cultural e tenham uma vida vivida concretamente, do que de uma adolesc&ecirc;ncia    de uma forma mais abrangente.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adolesc&ecirc;ncia, portanto, deve ser pensada para al&eacute;m da idade cronol&oacute;gica,    da puberdade e transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas que ela acarreta,    dos ritos de passagem, ou de elementos determinados aprioristicamente ou de    modo natural. A adolesc&ecirc;ncia deve ser pensada como uma categoria que se    constr&oacute;i, se exercita e se re-constr&oacute;i dentro de uma hist&oacute;ria    e tempo espec&iacute;ficos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; no sentido de refletir sobre a adolesc&ecirc;ncia constru&iacute;da    historicamente que Aguiar; Bock; Ozella (2002) apontam elementos fundamentais    para a compreens&atilde;o da adolesc&ecirc;ncia numa perspectiva s&oacute;cio-hist&oacute;rica.    Para eles &eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o perder de vista o v&iacute;nculo    entre a desenvolvimento do homem e a sociedade. Al&eacute;m disso, existe uma    emerg&ecirc;ncia de se &#8220;despatologizar&#8221; a no&ccedil;&atilde;o do    desenvolvimento humano, em especial a adolesc&ecirc;ncia, re-construindo a compreens&atilde;o    desta e sua express&atilde;o social. Por fim, sugerem um avan&ccedil;o urgente    para al&eacute;m de uma suposta realidade &#8220;natural&#8221; da adolesc&ecirc;ncia.    Desse modo, as peculiaridades e especificidades hist&oacute;ricas, culturais    e sociais precisam ser levadas em conta nos estudos, pesquisas e atribui&ccedil;&otilde;es    de sentido feitos &agrave;s viv&ecirc;ncias dos adolescentes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somente para encerrar esta discuss&atilde;o, gostaria de pensar um elemento    que, assim como a brincadeira infantil parece atravessar de modo mais peculiar    a experi&ecirc;ncia de ser adolescente: a busca de ser por si mesmo. Segundo    Eisenstadt (1976), os grupos et&aacute;rios formam-se no est&aacute;gio de transi&ccedil;&atilde;o    entre a depend&ecirc;ncia infantil e a maturidade do adulto, sendo que o sentido    de conquista e reconhecimento de si parece ser o motor b&aacute;sico desses    grupos. Talvez seja este o sinal para se pensar em algo pr&oacute;prio da adolesc&ecirc;ncia:    a conquista e o reconhecimento de si. Esta &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o    iniciada com o nascimento, e que se encaminha para a completude do homem, finalizada    somente com a morte, que, com o nascimento, delimita os dois extremos da vida.    Poeticamente seria mais ou menos como Paz (1992) diz na sua poesia:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para todos n&oacute;s,    em algum momento, nossa exist&ecirc;ncia se revela como alguma coisa de particular,    intransfer&iacute;vel e preciosa. A descoberta de n&oacute;s mesmos se manifesta    como um saber que estamos s&oacute;s; entre o mundo e n&oacute;s surge uma impalp&aacute;vel,    transparente muralha: a da nossa consci&ecirc;ncia. &Eacute; verdade que, mal    nascemos, sentimo-nos s&oacute;s; mas as crian&ccedil;as e os adultos podem    transcender a sua solid&atilde;o e esquecer-se de si mesmos por meio da brincadeira    ou do trabalho. Em compensa&ccedil;&atilde;o, o adolescente vacilante entre    a inf&acirc;ncia e a juventude, fica suspenso um instante diante da infinita    riqueza do mundo. O adolescente se assombra com ser. E ao pasmo segue-se a reflex&atilde;o:    inclinado para o rio de sua consci&ecirc;ncia pergunta-se se este rosto que    aflora lentamente das profundezas, deformado pela &aacute;gua, &eacute; o seu.    A singularidade de ser, mera sensa&ccedil;&atilde;o na crian&ccedil;a &#8211;    transforma-se em problema e pergunta, em consci&ecirc;ncia inquisidora (p. 35).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>IV. Considera&ccedil;&otilde;es    finais: j&aacute; que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel concluir</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Elaborar conclus&otilde;es sobre a concep&ccedil;&atilde;o atual de inf&acirc;ncia    e da adolesc&ecirc;ncia na contemporaneidade evidencia-se uma tarefa imposs&iacute;vel    de ser levada a cabo. A compreens&atilde;o da impossibilidade de se tomarem    as grandes narrativas como verdades cristalizadas, a certeza da multiplicidade    de viv&ecirc;ncias e de seus significados que se ancoram nas tamb&eacute;m m&uacute;ltiplas    historicidades, a aceita&ccedil;&atilde;o da parcialidade das verdades, s&atilde;o    elementos que n&atilde;o podem ser deixados de lado. Desse modo, os saberes    s&atilde;o constru&iacute;dos de modo t&iacute;mido, sabendo-se incompletos,    prec&aacute;rios e parciais. Contudo, ao mesmo tempo, mais verdadeiros.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao inv&eacute;s    de concluir, apontando a concep&ccedil;&atilde;o atual de inf&acirc;ncia e de    adolesc&ecirc;ncia na contemporaneidade, dou-me ao direito de alertar para a    precariedade das distintas concep&ccedil;&otilde;es que habitam nossos saberes.    Tais concep&ccedil;&otilde;es, importantes de serem compreendidas e pensadas,    n&atilde;o s&atilde;o verdades absolutas e sim &#8220;pontas do iceberg&#8221;,    devendo ser tomadas como tal. Necess&aacute;rio se faz saber de que &aacute;gua    elas s&atilde;o feitas, qual a temperatura dos seus arredores, como se formaram,    para que s&atilde;o usadas e de que modo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias    Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABRAMO, H. <b>Cenas    juvenis &#8211; punks e darks no espet&aacute;culo urbano</b>. S&atilde;o    Paulo: P&aacute;gina Aberta, 1994.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963701&pid=S1808-4281200700010001300001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ABREU, M. Meninas    Perdidas. In: PRIORE, M. (Org.). <b>Hist&oacute;ria das Crian&ccedil;as    no Brasil</b>. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2000. p. 289-316.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963703&pid=S1808-4281200700010001300002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">AGUIAR, W; BOCK,    A; OZELLA, S. A orienta&ccedil;&atilde;o profissional com adolescentes: um exemplo    de pr&aacute;tica na abordagem s&oacute;cio-hist&oacute;rica. In: BOCK, A.;    GON&Ccedil;ALVES, M. G.; FURTADO, O.(Orgs.). <b>Adolesc&ecirc;ncias constru&iacute;das:</b>    a vis&atilde;o da psicologia s&oacute;cio-hist&oacute;rica. S&atilde;o Paulo:    Cortez, 2002. p. 163-178.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963705&pid=S1808-4281200700010001300003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ARI&Egrave;S, P.    <b>A Hist&oacute;ria social da crian&ccedil;a e da fam&iacute;lia</b>.    Rio de Janeiro: Guanabara, 1978.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963707&pid=S1808-4281200700010001300004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. <b>Estatuto    da Crian&ccedil;a e do Adolescente</b>. Bras&iacute;lia: CBIA, 1990.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963709&pid=S1808-4281200700010001300005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CALIL, M. I. De    menino de rua a adolescente: an&aacute;lise s&oacute;cio-hist&oacute;rica de    um processo de ressignifica&ccedil;&atilde;o do sujeito. In: OZELLA, S. (Org).    <b>Adolesc&ecirc;ncias constru&iacute;das:</b> a vis&atilde;o da psicologia    s&oacute;cio-hist&oacute;rica. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2003. p. 137-166.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963711&pid=S1808-4281200700010001300006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CALLIGARIS, C.    <b>A adolesc&ecirc;ncia</b>. S&atilde;o Paulo: Publifolha, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963713&pid=S1808-4281200700010001300007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COHN, C. <b>Antropologia    da crian&ccedil;a</b>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963715&pid=S1808-4281200700010001300008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DAHLBERG, G.; MOSS,    P; PENCE, A. <b>Qualidade na educa&ccedil;&atilde;o da primeira inf&acirc;ncia:</b>    perspectivas p&oacute;s-modernas. Porto Alegre: Artmed, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963717&pid=S1808-4281200700010001300009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">DIOGENES, G. <b>Cartografia    da cultura e da viol&ecirc;ncia:</b> gangues, galeras e o movimento hippie-hop.    S&atilde;o Paulo: Annablume, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963719&pid=S1808-4281200700010001300010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EISENSTADT, S.    N. <b>De gera&ccedil;&atilde;o em gera&ccedil;&atilde;o</b>. S&atilde;o    Paulo: Perspectiva, 1976.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963721&pid=S1808-4281200700010001300011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FERREIRA, B. <b>Adolescentes    diante do mundo atual: identidade profissional e ideol&oacute;gica</b>.    1992. 315 f. Tese (Doutorado Psicologia) &#8211; Faculdade de Psicologia, Pontif&iacute;cia    Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963723&pid=S1808-4281200700010001300012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FIGUEIREDO, L.    C. Entrevistas. <b>Cadernos de Sujetividade</b>, S&atilde;o Paulo,    v.5, n. 3, p. 18-20, 1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963725&pid=S1808-4281200700010001300013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FONTES, R. Crian&ccedil;a.    <b>Revista Presen&ccedil;a Pedag&oacute;gica</b>, v.11, n.61, p. 03-05,    jan./fev. 2005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963727&pid=S1808-4281200700010001300014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FROTA, A. M. <b>O    desalojamento e a reinstala&ccedil;&atilde;o do si-mesmo &#8211; um percurso    fenomenol&oacute;gico para uma compreens&atilde;o winnicottiana da adolesc&ecirc;ncia,    a partir de narrativas</b>. 2001. 125 f. Tese (Doutorado Psicologia) &#8211;    Instituto de Psicologia, Universidade de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963729&pid=S1808-4281200700010001300015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HALL, Stanley.    <b>Adolescence</b>. New York: Appleton, 1925.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963731&pid=S1808-4281200700010001300016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">HEYWOOD, Colin.    <b>Uma Hist&oacute;ria da inf&acirc;ncia</b>. Porto Alegre: Artmed,    2004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963733&pid=S1808-4281200700010001300017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">JARDIM, C. <b>Brincar    &#8211; um campo de subjetiva&ccedil;&atilde;o na inf&acirc;ncia</b>. S&atilde;o    Paulo, Annablume; Fortaleza: Secult, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963735&pid=S1808-4281200700010001300018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KAHHALE, D. M.    Gravidez na adolesc&ecirc;ncia: orienta&ccedil;&atilde;o materna no pr&eacute;-natal.    In: OZELLA, S. (org). <b>Adolesc&ecirc;ncias constru&iacute;das &#8211;    a vis&atilde;o da psicologia s&oacute;cio-hist&oacute;rica</b>. S&atilde;o    Paulo: Cortez, 2003. p. 91-101 </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963737&pid=S1808-4281200700010001300019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KHULMANN Jr., M.    <b>Inf&acirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o infantil &#8211; uma abordagem    hist&oacute;rica</b>. Porto Alegre: Media&ccedil;&atilde;o, 1998.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963738&pid=S1808-4281200700010001300020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LEVI, G.; SCHMIDT,    J. C. <b>Hist&oacute;ria dos jovens (v. 1 e 2)</b>. S&atilde;o Paulo:    Companhia das Letras, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963740&pid=S1808-4281200700010001300021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">LINDEMBERG, B.    <b>Jovens de baixa renda na cidade de S&atilde;o Paulo: um estudo antropol&oacute;gico    para a constru&ccedil;&atilde;o da identidade</b>. 1993. 285 p. Disserta&ccedil;&atilde;o    (Mestrado Antropologia) &#8211; Instituto de Ci&ecirc;ncias Sociais, Universidade    de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963742&pid=S1808-4281200700010001300022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">MOURA, E. Crian&ccedil;as    oper&aacute;rias na rec&eacute;m-industrializada S&atilde;o Paulo. In: PRIORE,    M. (Org.). <b>Hist&oacute;ria das crian&ccedil;as no Brasil</b>. S&atilde;o    Paulo: Contexto, 2000. p. 259-286</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963744&pid=S1808-4281200700010001300023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">NASCIMENTO, I.    P. <b>As representa&ccedil;&otilde;es sociais do projeto de vida dos adolescentes:    um estudo psicossocial</b>. 2002. 380 f. Tese (Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o)    &#8211; Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia da Educa&ccedil;&atilde;o,    Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o    Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963745&pid=S1808-4281200700010001300024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OZELLA, S. (Org).    <b>Adolesc&ecirc;ncias constru&iacute;das &#8211; a vis&atilde;o da psicologia    s&oacute;cio-hist&oacute;rica</b>. S&atilde;o Paulo: Cortez, 2003.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963747&pid=S1808-4281200700010001300025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAZ, O. <b>O    labirinto da solid&atilde;o e post scriptum</b>. Rio de Janeiro: Paz e    Terra, 1992.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963749&pid=S1808-4281200700010001300026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PINHEIRO, &Acirc;.    <b>A crian&ccedil;a e o adolescente no cen&aacute;rio da redemocratiza&ccedil;&atilde;o:    representa&ccedil;&otilde;es sociais em disputa</b>. 2001. 438 f. Tese    (Doutorado em Educa&ccedil;&atilde;o) &#8211; Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o    em Sociologia, Universidade Federal do Cear&aacute;, Fortaleza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963751&pid=S1808-4281200700010001300027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PITOMBEIRA, D.    <b>Adolescentes em processo de exclus&atilde;o social: uma reflex&atilde;o    sobre a constru&ccedil;&atilde;o de seus projetos de vida</b>. 2005. 285    f. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado em Psicologia) &#8211; Faculdade de Psicologia,    Universidade Federal do Cear&aacute;, Fortaleza.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963753&pid=S1808-4281200700010001300028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PRIORE, M. <b>Hist&oacute;ria    das crian&ccedil;as no Brasil (Org.)</b>. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963755&pid=S1808-4281200700010001300029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RAMOS, F. P. A    hist&oacute;ria tr&aacute;gico-mar&iacute;tima das crian&ccedil;as nas embarca&ccedil;&otilde;es    portuguesas do s&eacute;culo XVI. In: PRIORE, M. (Org.). <b>Hist&oacute;ria    das Crian&ccedil;as no Brasil</b>. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2000. p.    19-54.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963757&pid=S1808-4281200700010001300030&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">RIZZINI, I. Pequenos    trabalhadores do Brasil. In: PRIORE, M. (Org.). <b>Hist&oacute;ria das    Crian&ccedil;as no Brasil</b>. S&atilde;o Paulo: Contexto, 2000. p. 376-406.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963759&pid=S1808-4281200700010001300031&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SANTOS, B. <b>A    emerg&ecirc;ncia da concep&ccedil;&atilde;o moderna da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia    &#8211; mapeamento, documenta&ccedil;&atilde;o e reflex&otilde;es sobre as principais    teorias</b>. 1996. Disserta&ccedil;&atilde;o (Mestrado Antropologia) Faculdade    de Ci&ecirc;ncias Sociais - Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de    S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963761&pid=S1808-4281200700010001300032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCLIAR, Moacyr.    <b>Um pa&iacute;s chamado inf&acirc;ncia</b>. S&atilde;o Paulo: &Aacute;tica,    1995.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=963763&pid=S1808-4281200700010001300033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><a name="mailfim"></a><a href="#mailtopo"><img src="/img/revistas/epp/v7n1/seta.gif" border="0">Endere&ccedil;o    para correspond&ecirc;ncia</a></b>    <br>   E-mail: <a href="mailto:anafrota@ufc.br">anafrota@ufc.br</a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Recebido em: 05/09/2006    <br>   Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em: 21/05/2007</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Notas</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup><a name="asfim"></a><a href="#astopo">*</a></sup>    Psic&oacute;loga, Mestre em Educa&ccedil;&atilde;o e Doutora em Psicologia.</font></p>      ]]></body>
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