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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Metacognição e envelhecimento sob a luz do pensamento sistêmico: uma proposta de intervenção clínica]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article puts into evidence the impact of systemic thought and the web of complexity inside the contemporary world, up against the understanding of aging and the metacognition phenomenon in its intersection; proposing a clinical intervention. The link for a solution is a multidimentional and poliepistemic focus that makes a mediation between cognition, the vital cycle and social acceptance. From these ideas the metacognition intervention seems very important in facing the collapses caused by automatisms, a situation that is typical in old age, and which is potentialized in the contemporary world. This work shows the clinical application of a metacognition method step by step with an accompanying for all therapeutic sessions. The evaluation of the treatment’s efficacy is measured through a specific instrument called: Metacognitive Activity Inventory. Our innovation is the proposal of a clinical intervention. The intersection between systemic thought, aging and metacognition, synthesized in therapeutic action, maybe gives this study exclusiveness]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Metacogni&ccedil;&atilde;o  e envelhecimento sob a luz do pensamento sist&ecirc;mico: uma proposta de interven&ccedil;&atilde;o  cl&iacute;nica</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Metacognition and aging under the light of systemic thinking:a clinical intervention proposal</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>M&aacute;rio Vin&iacute;cius  Canfild Grendene<sup>*</sup>; Wilson Vieira Melo<sup>**</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>*</sup> Especialista em psicologia cl&iacute;nica, implantologia oral e odontologia  legal, mestre em psicologia social e doutorando em gerontologia biom&eacute;dica pela  Universidade Pontif&iacute;cia Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS)    <br> <sup>**</sup> Psic&oacute;logo, mestre em psicologia cl&iacute;nica, doutorando em psicologia pela  Universidade Federal do Rio Grande do Sul, professor de psicologia na  Faculdades Integradas da Taquara (FACCAT) e na Universidade Luterana do Brasil  (ULBRA), professor e supervisor do curso de especializa&ccedil;&atilde;o do Centro de  Psicoterapia Coginitivo-comportamental WP</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailtopo"></a><a href="#mailfim">Endereço para correspondência</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo deseja contextualizar o  impacto do pensamento sist&ecirc;mico e da teia de complexidade do mundo  contempor&acirc;neo perante a compreens&atilde;o do envelhecimento e do fen&ocirc;meno  metacognitivo em suas intersec&ccedil;&otilde;es, propondo uma interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica. Sendo a  necessidade de um olhar multidimensional e poliepist&ecirc;mico, o unificador da  busca de uma solu&ccedil;&atilde;o que fa&ccedil;a a media&ccedil;&atilde;o entre a cogni&ccedil;&atilde;o, o ciclo vital e a  ratifica&ccedil;&atilde;o social. Com estes pressupostos, interven&ccedil;&otilde;es metacognitivas  mostram-se de grande import&acirc;ncia no enfrentamento dos colapsos ocasionados  pelos automatismos, t&iacute;picos da idade ger&ocirc;ntica, que s&atilde;o potencializados no  ambiente da p&oacute;s-modernidade. Este trabalho mostra a aplica&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica de um  m&eacute;todo metacognitivo passo a passo com acompanhamento de todas as sess&otilde;es  terap&ecirc;uticas. A avalia&ccedil;&atilde;o de efic&aacute;cia do tratamento &eacute; mensurada atrav&eacute;s de um  instrumento espec&iacute;fico, chamado: invent&aacute;rio de atividade metacognitiva. Sendo a  proposta de uma interven&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica sua inova&ccedil;&atilde;o. A intersec&ccedil;&atilde;o entre  pensamento sist&ecirc;mico, envelhecimento e metacogni&ccedil;&atilde;o sintetizado em a&ccedil;&atilde;o  terap&ecirc;utica, talvez d&ecirc;em exclusividade a este estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave:</b> Pensamento sist&ecirc;mico, Envelhecimento, Fen&ocirc;meno metacognitivo, Interven&ccedil;&atilde;o  cl&iacute;nica.</font></p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This  article puts into evidence the impact of systemic thought and the web of  complexity inside the contemporary world, up against the understanding of aging  and the metacognition phenomenon in its intersection; proposing a clinical  intervention. The link for a solution is a multidimentional and poliepistemic  focus that makes a mediation between cognition, the vital cycle and social  acceptance. From these ideas the metacognition intervention seems very  important in facing the collapses caused by automatisms, a situation that is  typical in old age, and which is potentialized in the contemporary world. This  work shows the clinical application of a metacognition method step by step with  an accompanying for all therapeutic sessions. The evaluation of the treatment&rsquo;s  efficacy is measured through a specific instrument called: Metacognitive  Activity Inventory. Our innovation is the proposal of a clinical intervention.  The intersection between systemic thought, aging and metacognition, synthesized  in therapeutic action, maybe gives this study exclusiveness. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords:</b> Systemic thought, Aging, Metacognition phenomenon, Clinical intervention.</font></p> <hr noshade="noshade" size="1">     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No  mundo contempor&acirc;neo, um olhar multidimensional e poliepist&ecirc;mico faz-se necess&aacute;rio  para compreender o per&iacute;odo ger&ocirc;ntico em suas peculiaridades. Por este vi&eacute;s, a  concep&ccedil;&atilde;o de envelhecimento precisa de um entendimento que abarque a  complexidade (Morin, 2003) e a constru&ccedil;&atilde;o de um imagin&aacute;rio social (Durand,  1998) que d&ecirc; conta de toda a gama de possibilidades de intersec&ccedil;&otilde;es de saberes  que perpassam este momento do ciclo vital. Se considerarmos pela lente  sociol&oacute;gica p&oacute;s-moderna, Zigmund Bauman (1997) enxerga o envelhecer como uma  busca de direitos e liberdades de tal ordem que os terrenos da &eacute;tica e cogni&ccedil;&atilde;o  tornam-se inseguros. Para Michel Maffesoli (2007), num certo tribalismo, que  representa esta comunidade ger&ocirc;ntica, opera-se um senso comum que necessita ser  considerado ao vislumbrar-se essa popula&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O apologista da complexidade, Edgar Morin, ao teorizar seus princ&iacute;pios  utiliza entre seus axiomas o operador dial&oacute;gico, que pressup&otilde;e aceita&ccedil;&atilde;o de  mais de uma epistemologia para mirar um mesmo fen&ocirc;meno ainda que fossem l&oacute;gicas  divergentes. Portanto, ao aceitar a contradi&ccedil;&atilde;o ele assume a possibilidade de  propor tamb&eacute;m uma vis&atilde;o cognitiva que prop&otilde;e um outro enfoque, com uma  exclusividade epistemol&oacute;gica no campo da representa&ccedil;&atilde;o mental. Este  posicionamento &eacute; considerado um novo paradigma da ci&ecirc;ncia, sendo chamado de  pensamento sist&ecirc;mico e tem a pretens&atilde;o de dar conta das conex&otilde;es e articula&ccedil;&otilde;es  do ambiente p&oacute;s-moderno (Vasconcellos, 2006), auxiliando a reflex&atilde;o sobre o  envelhecimento (Albuquerque, 2003). Entretanto, para permitir um di&aacute;logo no  caso entre metacogni&ccedil;&atilde;o, idade ger&ocirc;ntica &agrave; luz do pensamento sist&ecirc;mico, faz-se  necess&aacute;rio transitar sob v&aacute;rios saberes, isto &eacute;, necessita-se vislumbrar um  sistema que se auto-organize de forma autopoi&eacute;tica, como afirma Maturana  (1997).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Metacogni&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A palavra metacogni&ccedil;&atilde;o foi cientificamente utilizada a partir dos  trabalhos de John Flavell nos anos 70. Em estudos, essencialmente na &aacute;rea de  mem&oacute;ria, o cientista definiu-a como o conhecimento que o indiv&iacute;duo tem sobre o  seu pr&oacute;prio conhecimento. Em 1979, em artigo considerado cl&aacute;ssico ele chama a  metacogni&ccedil;&atilde;o de cogni&ccedil;&atilde;o das cogni&ccedil;&otilde;es, o que acaba gerando uma nova &aacute;rea de  estudo na psicologia cognitiva (Flavell, 1979). Edgar Morin (1999), atrav&eacute;s de  um outro olhar, vai chamar o mesmo fen&ocirc;meno de &ldquo;conhecimento do conhecimento&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Aprender um conte&uacute;do e perceber como aconteceu a compreens&atilde;o ou  aperceber-se do n&atilde;o entendimento deste s&atilde;o exemplos do fen&ocirc;meno metacognitivo.  Embora a amplitude do processo metacognitivo seja dificilmente mensur&aacute;vel, a  ci&ecirc;ncia cognitiva que estuda o processamento da informa&ccedil;&atilde;o, cada vez mais busca  respostas para explica&ccedil;&atilde;o deste fen&ocirc;meno, que &eacute; familiar a todas as pessoas,  mas que encerra em si uma complexidade que os modelos explicativos n&atilde;o  conseguem satisfazer totalmente (Grendene, 2007).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas com o crescimento das pesquisas na &aacute;rea cognitiva,  investigando a mente humana, desenvolveram-se v&aacute;rias teorias tentando explicar  os processos cognitivos (Beck, 1997) envolvidos no processamento da informa&ccedil;&atilde;o  (Pinker, 1998). Por outro lado, a amplia&ccedil;&atilde;o dos conhecimentos em neuroci&ecirc;ncia,  especificamente em neuropsicologia provocou um crescente interesse na  possibilidade explicativa neurofuncional dos processos mentais (Gazzaniga, Ivry  & Mangun, 2006) incluindo a metacogni&ccedil;&atilde;o (Sternberg, 2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Para Yussen (1985), poderia ser feita uma categoriza&ccedil;&atilde;o a fim de rastrear  indicadores da metacogni&ccedil;&atilde;o nos diferentes paradigmas cognitivos. Sendo assim,  existiriam basicamente quatro modelos metacognitivos, cada um partindo de um  paradigma diferente. Um dos mais importantes modelos seria o que se origina na  teoria do Processamento da Informa&ccedil;&atilde;o, no qual pesquisadores descrevem modelos  de controle, envolvendo mecanismos de monitoramento e auto-regula&ccedil;&atilde;o. Como  conseq&uuml;&ecirc;ncia tamb&eacute;m s&atilde;o descritos modelos de treinamento em estrat&eacute;gias e  generaliza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Entretanto, existem outros paradigmas, tais como o Cognitivo Estrutural,  ao qual estaria ligado, por exemplo, o famoso psic&oacute;logo Jean Piaget. Neste  segundo modelo estaria descrita a estrutura do conhecimento (Flavell, 1988),  enfatizando-se as seq&uuml;&ecirc;ncias de mudan&ccedil;a, criando-se modelos de rela&ccedil;&atilde;o entre  estrutura do conhecimento metacognitivo e outros saberes. J&aacute; no paradigma  Cognitivo-Comportamental, no qual Albert Bandura e Robert Rosenthal s&atilde;o  importantes representantes, a metacogni&ccedil;&atilde;o estaria totalmente ligada ao  repert&oacute;rio de eventos simb&oacute;licos que medeiam &agrave; aprendizagem. Descreve-se como a  metacogni&ccedil;&atilde;o &eacute; modelada e, posteriormente, como este processo se relaciona com  as mudan&ccedil;as de comportamento. Por fim, haveria o paradigma Psicom&eacute;trico, no  qual a psicometria teria como objetivo a identifica&ccedil;&atilde;o de fatores  metacognitivos obtidos atrav&eacute;s dos desempenhos em testes de avalia&ccedil;&atilde;o e de  mensura&ccedil;&atilde;o (Yussen, 1985).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   No entanto, para Brown (1997) as ra&iacute;zes da metacogni&ccedil;&atilde;o se encontrariam  exclusivamente no paradigma do Processamento da Informa&ccedil;&atilde;o, especificamente na  descri&ccedil;&atilde;o das fun&ccedil;&otilde;es executivas do sistema cognitivo para a aprendizagem,  atrav&eacute;s do desenvolvimento da auto-regula&ccedil;&atilde;o, e na instru&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s do  desenvolvimento da hetero-regula&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Flavell (1987) diferenciou os tipos de conhecimento necess&aacute;rios na  atividade metacognitiva. Destacou, por um lado, o conhecimento metacognitivo e  a experi&ecirc;ncia metacognitiva e, por outro, os objetivos e as a&ccedil;&otilde;es cognitivas. O  primeiro diz respeito ao conhecimento adquirido pelo indiv&iacute;duo com rela&ccedil;&atilde;o ao  todo cognitivo – sua mente e suas caracter&iacute;sticas psicol&oacute;gicas – enquanto que a  experi&ecirc;ncia metacognitiva refere-se &agrave; consci&ecirc;ncia das experi&ecirc;ncias cognitivas e  afetivas que acompanham cada empreendimento cognitivo. Os objetivos cognitivos,  por sua vez, referem-se &agrave;s metas que cada empreendimento cognitivo pretende  atingir enquanto que as a&ccedil;&otilde;es cognitivas est&atilde;o ligadas &agrave;s realiza&ccedil;&otilde;es  propriamente ditas para se alcan&ccedil;ar tais metas (Flavell, 1987; Jou & Sperb,  2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Cabe destacar que v&aacute;rias &aacute;reas  como: ling&uuml;&iacute;stica, ci&ecirc;ncias sociais, filosofia, psicologia, medicina, biologia  e a neuroci&ecirc;ncia procuraram pontos de converg&ecirc;ncias e lugares  trans-disciplinares para investigar esse saber. Apesar de todas as novas  possibilidades que a investiga&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica proporcionou nestes &uacute;ltimos anos,  o modelo te&oacute;rico proposto por Flavell (1979) ainda &eacute; o mais utilizado nas  pesquisas experimentais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Como j&aacute; foi dito anteriormente, a metacogni&ccedil;&atilde;o &eacute; o conhecimento, a  consci&ecirc;ncia e o controle que a pessoa tem de seus processos cognitivos  (Flavell, Miller & Miller, 1999). &Eacute; claro que esta defini&ccedil;&atilde;o n&atilde;o d&aacute; conta  de toda a complexidade desse fen&ocirc;meno, mas ajudar&aacute; a refletir e nortear o  pensar na metacogni&ccedil;&atilde;o. Essa consistente teoria de base cognitiva forneceu ao  conceito de metacogni&ccedil;&atilde;o um <i>status</i> tal, que passou-se a partir da&iacute; a ser chamada de &ldquo;cogni&ccedil;&atilde;o das cogni&ccedil;&otilde;es&rdquo;.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   No entanto, ap&oacute;s o trabalho seminal de Flavell (1979), o  termo metacogni&ccedil;&atilde;o passou a ser utilizado com grande variabilidade, gerando  confus&atilde;o te&oacute;rica. A incongru&ecirc;ncia encontrada nos diferentes sentidos e na  pr&oacute;pria epistemologia metacognitiva gerou a necessidade de proposi&ccedil;&atilde;o de uma  tentativa de defini&ccedil;&atilde;o conceitual. Julgou-se, ainda, que dentre tantas  propostas e confus&otilde;es te&oacute;ricas, seria de muita valia propor algo de novo a este  estudo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A partir da integra&ccedil;&atilde;o do trabalho original de John Flavell (1979) sobre  metacogni&ccedil;&atilde;o com a teoria de processamento distribu&iacute;do em paralelo, proposta  por Jay McClelland e David Rumelhart na d&eacute;cada de 1980 (Anderson, 2004),  sugere-se que o fen&ocirc;meno metacognitivo ocorra simultaneamente em todas suas  ordens, na forma de hierarquias. A primeira hierarquia seria o conhecimento  metacognitivo, a segunda hierarquia, o monitoramento e a terceira hierarquia, a  regula&ccedil;&atilde;o cognitiva (Grendene, 2007). Evidentemente, &eacute; o modelo de Flavell que  est&aacute; sendo tomado por base. Mas, a distribui&ccedil;&atilde;o em hierarquias permite que a  metacogni&ccedil;&atilde;o seja descrita n&atilde;o apenas como um processo, mas sim como um sistema  metacognitivo (Maturana & Varela, 2005).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Cogni&ccedil;&atilde;o e Metacogni&ccedil;&atilde;o no Envelhecimento</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O comprometimento metacognitivo e cognitivo parece ser um fen&ocirc;meno  universal nos idosos. &Eacute; usual afirmar-se, por exemplo, que os idosos t&ecirc;m  cogni&ccedil;&atilde;o diminu&iacute;da em rela&ccedil;&atilde;o a adultos jovens. O diagn&oacute;stico do  comprometimento cognitivo &eacute; tarefa complexa e ainda n&atilde;o bem sistematizada na  popula&ccedil;&atilde;o ger&ocirc;ntica. Quadros leves de comprometimento s&atilde;o freq&uuml;entes havendo  uma dificuldade em distinguir manifesta&ccedil;&otilde;es de doen&ccedil;as das modifica&ccedil;&otilde;es normais  associadas ao processo de envelhecimento. A no&ccedil;&atilde;o que h&aacute; um decl&iacute;nio  intelectual inevit&aacute;vel, associado ao avan&ccedil;o et&aacute;rio, &eacute; aceita baseada em  diversos estudos (Petersen et al., 1999; Neri, 1997).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Na &uacute;ltima vers&atilde;o do Manual de Diagn&oacute;stico de Transtornos Mentais  (DSM-IV-TR, APA, 2002) foi introduzido o conceito de Decl&iacute;nio Cognitivo  Relacionado &agrave; Idade. Os crit&eacute;rios inventariados nesse manual, de forma  inespec&iacute;fica, misturam d&eacute;ficits cognitivos e metacognitivos sob o abrigo de uma  mesma conceitua&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Por outro lado, no envelhecimento normal existe o aumento de um fen&ocirc;meno,  que &eacute; fundamental para sobreviv&ecirc;ncia do ser humano, mas que em quantidade  demasiada, em regra, ser&aacute; gerador de colapso. Este fen&ocirc;meno &eacute; chamado de  &ldquo;economia cognitiva&rdquo;. A economia cognitiva, tamb&eacute;m denominada de automatiza&ccedil;&atilde;o  ou &ldquo;proceduraliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; &eacute; o processo pelo qual uma pessoa repete um procedimento  com tanta freq&uuml;&ecirc;ncia que este &uacute;ltimo deixa de ser altamente consciente e  trabalhoso para ser autom&aacute;tico e f&aacute;cil (Sternberg, 2000).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   No per&iacute;odo ger&ocirc;ntico as demandas s&oacute;cio-ambientais diminuem, sendo  desnecess&aacute;rio um n&uacute;mero muito grande de automatismos. A economia cognitiva  nesse momento acaba gerando um d&eacute;ficit metacognitivo que invariavelmente  dificulta a vida de rela&ccedil;&atilde;o e aproxima o indiv&iacute;duo de um caos, que embora n&atilde;o  se traduza em senilidade, produz uma senesc&ecirc;ncia sem qualidade e com menor  capacidade de interagir (Carneiro, 2006).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Hoje, muitos estudos com olhar para as patologias demenciais associadas &agrave;  idade tentam com treinamentos cognitivos uma pretensa reabilita&ccedil;&atilde;o desses  quadros (Neri, 2001). De forma paradoxal, quando centram-se no processo de  envelhecimento normal (senesc&ecirc;ncia), os estudos mudam de foco, pois passam a  trabalhar em n&iacute;veis metacognitivo e cognitivo com objetivo de preven&ccedil;&atilde;o para  processos senis (Freire, 2000).</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Metacogni&ccedil;&atilde;o e suas possibilidades</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; manipula&ccedil;&atilde;o metacognitiva, pode-se afirmar que a terapia  cognitiva por privilegiar interven&ccedil;&atilde;o em processos conscientes e por ter um  escopo te&oacute;rico que permite a transdisciplinaridade tem se mostrado mais eficaz  na estimula&ccedil;&atilde;o do desenvolvimento metacognitivo. Atualmente, t&eacute;cnicas de  treinamento cognitivo como identifica&ccedil;&atilde;o de pensamentos autom&aacute;ticos tem  utiliza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m em n&iacute;vel metacognitivo (Knapp, 2004). Estes registros t&ecirc;m  logrado muito sucesso no tratamento psicoter&aacute;pico cognitivo-comportamental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   No contexto cl&iacute;nico, o modelo metacognitivo de Wells  (2003) considera as vari&aacute;veis: cren&ccedil;as sobre preocupa&ccedil;&otilde;es, pensamentos  intrusivos, funcionamento cognitivo positivo e negativo, confian&ccedil;a e  autoconsci&ecirc;ncia cognitiva; como componentes metacognitivos. Destes quesitos  pode-se dizer que a autoconsci&ecirc;ncia cognitiva &eacute; etimologicamente igual a  metacogni&ccedil;&atilde;o e, portanto, este modelo poderia ter validade no estudo da  metacogni&ccedil;&atilde;o. O ponto fundamental gerador de discrep&acirc;ncia te&oacute;rica, &eacute; que para  os autores a autoconsci&ecirc;ncia cognitiva significa reconhecer seus pr&oacute;prios  esquemas disfuncionais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Ao analisar a teoria do  processamento cognitivo e a teoria da metacogni&ccedil;&atilde;o, geram-se d&uacute;vidas  conceituais. Conseq&uuml;entemente, existe uma indu&ccedil;&atilde;o a compreens&atilde;o que processos  como a tomada de decis&atilde;o ou a tarefa de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas, confundam-se  com a pr&oacute;pria metacogni&ccedil;&atilde;o. E, ainda que as cren&ccedil;as disfuncionais, seguindo  esta mesma linha de racioc&iacute;nio, fa&ccedil;am parte do processo metacognitivo.  Portanto, proposta de Wells (1995; 1997) carece de consist&ecirc;ncia te&oacute;rica  suficiente para propor uma interven&ccedil;&atilde;o de escopo metacognitivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   J&aacute; na educa&ccedil;&atilde;o, o desempenho &eacute; considerado como central na  contextualiza&ccedil;&atilde;o sobre o pensamento metacognitivo, como mostram os estudos de  Boruchovitch (1999; 2001). &Eacute; necess&aacute;rio compreender que os processamentos em  n&iacute;vel cognitivo acontecem continuamente, mas se olharmos para a metacogni&ccedil;&atilde;o  sem diferenci&aacute;-la em sua especificidade, n&atilde;o h&aacute; como consider&aacute;-la como sendo um  processo cognitivo b&aacute;sico. Posto que, ao considerar tr&ecirc;s hierarquias  metacognitivas, est&aacute;-se propondo a exist&ecirc;ncia de diferentes inst&acirc;ncias desse  processamento. A primeira hierarquia sendo a ancoragem b&aacute;sica das pr&oacute;prias  cogni&ccedil;&otilde;es, a segunda, o monitoramento (dar-se conta) e a terceira, a regula&ccedil;&atilde;o  (emiss&atilde;o de modelo explicativo). Admite-se, portanto, que exista uma diferen&ccedil;a  qualitativa nessas hierarquias, mas sua ocorr&ecirc;ncia em n&iacute;vel de tempo seja de  dif&iacute;cil discernimento, sendo a experi&ecirc;ncia metacognitiva um fen&ocirc;meno que  acontece em fra&ccedil;&atilde;o de segundos e &eacute; comum a toda a esp&eacute;cie humana (Grendene,  2007).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Exemplificando, pode-se dizer que em uma conversa rotineira utiliza-se a  metacogni&ccedil;&atilde;o v&aacute;rias vezes. No caso de algu&eacute;m perguntar sobre os benef&iacute;cios da  gin&aacute;stica &agrave; sa&uacute;de, a emiss&atilde;o de resposta passa em fra&ccedil;&atilde;o de segundos pelas  cogni&ccedil;&otilde;es b&aacute;sicas, como por exemplo, a busca na mem&oacute;ria dos conhecimentos sobre  exerc&iacute;cios f&iacute;sicos, a fixa&ccedil;&atilde;o de aten&ccedil;&atilde;o no proposto, a tomada de decis&atilde;o de responder,  a tentativa de resolu&ccedil;&atilde;o de problema compreensivo... Todos esses eventos  acontecem no n&iacute;vel da primeira hierarquia. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O monitoramento, considerado a segunda hierarquia, ocorre simultaneamente  quando h&aacute; o surgimento mental do foco argumentativo, no caso sobre a gin&aacute;stica.  A constru&ccedil;&atilde;o mental de um modelo explicativo sobre os benef&iacute;cios dos exerc&iacute;cios  f&iacute;sicos acontece em n&iacute;vel de regula&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, terceira hierarquia. A a&ccedil;&atilde;o da  verbaliza&ccedil;&atilde;o e da argumenta&ccedil;&atilde;o a respeito dos exerc&iacute;cios &eacute; imediatamente posterior  ao fen&ocirc;meno metacognitivo. Portanto, em um di&aacute;logo, a experi&ecirc;ncia metacognitiva  pode ser experimentada in&uacute;meras vezes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O ant&ocirc;nimo deste processo &eacute; a aus&ecirc;ncia total de metacogni&ccedil;&atilde;o, que  acontece nos automatismos, como por exemplo, no ato de digitar. Estas a&ccedil;&otilde;es  repetitivas pela grande capacidade cognitiva da esp&eacute;cie humana acabam se  automatizando, proporcionando uma poupan&ccedil;a em n&iacute;vel mental, pois isenta o  indiv&iacute;duo de um processamento consciente de informa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o sendo necess&aacute;rio a  utiliza&ccedil;&atilde;o da cadeia metacognitiva para realiza&ccedil;&atilde;o destas tarefas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Partindo desse pressuposto, entende-se que ao tentarmos trabalhar com o  processo metacognitivo, estamos dissecando um processo b&aacute;sico em sua anatomia e  n&atilde;o procurando outras caracter&iacute;sticas que n&atilde;o s&atilde;o pertinentes a sua  conceitua&ccedil;&atilde;o. Portanto, nosso tratamento sempre estar&aacute; focado na manipula&ccedil;&atilde;o  das tr&ecirc;s hierarquias metacognitivas em sua simultaneidade, visto que ao flagrar  atividade metacognitiva n&atilde;o se est&aacute; analisando em que inst&acirc;ncia ocorreu, mas  sim, a exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o desta. &Eacute; importante ressaltar que a quebra dos  funcionamentos autom&aacute;ticos, momentos de aus&ecirc;ncia de processamentos  metacognitivos, s&atilde;o sempre objetivo de uma terap&ecirc;utica metacognitiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Tratamento com foco na metacogni&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O tratamento metacognitivo MMG (M&eacute;todo Metacognitivo Grendene) baseia-se  no conceito fundamental de que os funcionamentos autom&aacute;ticos s&atilde;o momentos de  aus&ecirc;ncia do fen&ocirc;meno metacognitivo e, portanto, momentos sem pensar sobre os  pr&oacute;prios pensamentos. Esta diminui&ccedil;&atilde;o da atividade auto-reflexiva &eacute; conhecida  como &ldquo;economia cognitiva&rdquo;, que em muitos momentos, pode ser considerada  positiva tal como, por exemplo, no ato de dirigir um autom&oacute;vel. Por&eacute;m, ela pode  ter conseq&uuml;&ecirc;ncias funestas, quando, por uma fatalidade, um pai com automatismos  em excesso esquece seu filho rec&eacute;m nascido dentro de um carro por horas porque  quebrou uma rotina.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O MMG consiste em um programa de 12 semanas, onde em sess&otilde;es de 50  minutos, ap&oacute;s psico-educar o paciente ao reconhecimento de situa&ccedil;&otilde;es de  funcionamento autom&aacute;tico que possam ser-lhes danosas, passa-se a identificar o  sentimento nesta situa&ccedil;&atilde;o, atitude tomada e as propostas de atitudes  alternativas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   As sess&otilde;es sempre s&atilde;o tabuladas em um instrumento chamado Registro de  Pensamentos e Atitudes (RPA) e o n&uacute;mero de situa&ccedil;&otilde;es elencadas podem ser  vari&aacute;veis, sendo fundamental que os registros mostrem momentos em que realmente  ocorram automatismos que causem preju&iacute;zos a vida de rela&ccedil;&atilde;o deste paciente.  Busca-se neste tipo de terap&ecirc;utica utilizar a mesma l&oacute;gica da automatiza&ccedil;&atilde;o,  por&eacute;m com intuito inverso, isto &eacute;, transformar em rotina o exerc&iacute;cio de  auto-reflex&atilde;o, gerando um alargamento da atividade metacognitiva.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Tabela A1 -</b>Modelo do  Registro de Pensamentos e Atitudes (RPA)</font></p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/rbtc/v4n2/2a09t1.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta tabela &eacute; anotado o mapa dos automatismos do paciente.  Primeiramente, no primeiro exemplo listado na tabela, observa-se uma situa&ccedil;&atilde;o  relatada por ele: - &ldquo;Fui trabalhar como de costume, &agrave;s oito horas da manh&atilde; e  estranhei o pouco movimento. Ao chegar &agrave; empresa fui barrado pelo seguran&ccedil;a que  disse que n&atilde;o havia expediente, pois era domingo&rdquo;. De acordo com o paciente, o  pensamento que lhe ocorreu no momento foi: - &ldquo;N&atilde;o tenho controle sobre mim&rdquo; ou  ainda &ldquo;Estou fora do mundo&rdquo;. O sentimento relatado nessa situa&ccedil;&atilde;o foi de  tristeza e frustra&ccedil;&atilde;o. Atitude tomada por ele foi voltar para casa indignado  com a sua falta de &ldquo;controle&rdquo;. Atitude pensada como poss&iacute;vel alternativa para  esse automatismo foi colocar um calend&aacute;rio no quarto e colocar um lembrete no  espelho perguntando: - &ldquo;Que dia &eacute; hoje&rdquo;?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Estes automatismos podem ocorrer em fra&ccedil;&otilde;es de segundos como em uma  situa&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o responder a uma pergunta, pois o indiv&iacute;duo est&aacute; digitando  concentradamente um trabalho no seu computador ou ainda teclando em um &ldquo;<i>chat</i>&rdquo; de relacionamentos. Contudo, tais  automatismos podem ocorrer em um tempo maior, como no caso tomar um rumo errado  ao dirigir um autom&oacute;vel por estar acostumado a trafegar em determinado trajeto  e esquecer de passar na padaria para comprar o p&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; importante ressaltar que o objetivo deste tratamento &eacute; atuar nos n&iacute;veis  do processamento metacognitivo, monitoramento e regula&ccedil;&atilde;o cognitiva, ent&atilde;o  Esquemas Iniciais Desadaptativos (Young, 2003) e Cren&ccedil;as Disfuncionais (Beck,  1997) em nenhum momento ser&atilde;o acessados, ou sequer considerados. Acredita-se  que o uso da l&oacute;gica metacognitiva nesta terapia viabilize a possibilidade de  tratamento de indiv&iacute;duos com d&eacute;ficits sociais ou ocupacionais importantes,  por&eacute;m, sem a configura&ccedil;&atilde;o de sinais e sintomas patol&oacute;gicos. Portanto, o foco  deste olhar &eacute; a a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica e n&atilde;o um suposto modelo psicopatol&oacute;gico  explicativo. A avalia&ccedil;&atilde;o diagn&oacute;stica, que &eacute; um importante passo do tratamento  dentro do enfoque cognitivo-comportamental, tanto ate&oacute;rico descritivo -  DSM-IV-TR ou CID-10, como o te&oacute;rico no diagrama de conceitualiza&ccedil;&atilde;o cognitiva,  por exemplo, n&atilde;o &eacute; imprescind&iacute;vel nessa terap&ecirc;utica. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Uma vez que ela &eacute; utilizada em demandas espec&iacute;ficas, onde o cliente  reconhece seu preju&iacute;zo em n&iacute;vel social ou ocupacional advindo de comportamentos  autom&aacute;ticos e procura ajuda para diminu&iacute;-lo ou at&eacute; mesmo san&aacute;-los. Assim,  muitos dos sintomas que observamos em diversas psicopatologias podem ser  observados na popula&ccedil;&atilde;o em geral, variando apenas na intensidade e na freq&uuml;&ecirc;ncia  com que eles s&atilde;o manifestados.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Colapsos Metacognitivos e Gerontologia</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O processo ger&ocirc;ntico, idade a partir de 60 anos na conceitua&ccedil;&atilde;o da  Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), caracteriza-se por v&aacute;rios ritos, tais como:  aposentadoria, morte de contempor&acirc;neos, marcas f&iacute;sicas, impossibilidades  org&acirc;nicas, decr&eacute;scimo de capacidade cognitiva e aportes psicossociais (Mungas,  Reed & Kramer, 2003). Nesse momento, a capacidade metacognitiva &eacute; requerida  em larga escala. Os indiv&iacute;duos mais desenvolvidos em n&iacute;vel de metacogni&ccedil;&atilde;o  transitar&atilde;o com mais facilidade e com qualidade de vida neste per&iacute;odo (Kray,  Eber & Lindenberger, 2004).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   O desenvolvimento metacognitivo como uma tecnologia da sa&uacute;de poder&aacute; ser o  diferencial entre um adulto ger&ocirc;ntico que atende as suas demandas sociais com  naturalidade e qualidade de vida e outro, que de forma contr&aacute;ria, apenas resida  no planeta &agrave; espera do t&eacute;rmino de sua exist&ecirc;ncia, como um organismo vegetante  ou, totalmente desadaptado, como na mesma dire&ccedil;&atilde;o pontuam Yang, Krampe e Baltes  (2006). Prop&otilde;e-se, ent&atilde;o uma metodologia espec&iacute;fica de est&iacute;mulo ao  desenvolvimento metacognitivo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Tratamento no M&eacute;todo Metacognitivo Grendene (MMG)</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Este m&eacute;todo divide-se em tr&ecirc;s fases: I - anamnese e identifica&ccedil;&atilde;o; II -  busca de estrat&eacute;gias eficazes e; III - desenvolvimento metacognitivo e  verifica&ccedil;&atilde;o final. Cada uma destas etapas &eacute; composta de quatro sess&otilde;es de 50  minutos com freq&uuml;&ecirc;ncia semanal, sendo que o programa todo tem dura&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s  meses.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A primeira fase inicia com um estabelecimento de rela&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica,  como em qualquer tratamento, onde &eacute; realizada uma anamnese ampla, &eacute; feita a  explica&ccedil;&atilde;o do que consistem os automatismos, do que &eacute; metacogni&ccedil;&atilde;o e da  aplica&ccedil;&atilde;o do Invent&aacute;rio de Atividade Metacognitiva (IAM). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Este &eacute; um instrumento psicom&eacute;trico,  criado e validado na disserta&ccedil;&atilde;o de mestrado: &ldquo;Metacogni&ccedil;&atilde;o: Uma teoria em  busca de valida&ccedil;&atilde;o&rdquo; (Grendene, 2007), centrado na an&aacute;lise da exist&ecirc;ncia ou n&atilde;o  de atividade metacognitiva em algumas situa&ccedil;&otilde;es, nas quais esta demanda  apresenta-se de forma clara. Este olhar processual possibilita quantificar a  atividade metacognitiva, sendo que os automatismos s&atilde;o antagonistas da  atividade metacognitiva nas alternativas de resposta. O instrumento servir&aacute;  como elemento norteador em rela&ccedil;&atilde;o ao n&iacute;vel de automatiza&ccedil;&atilde;o do cliente do  ponto de vista cognitivo. As conseq&uuml;&ecirc;ncias oriundas deste funcionamento s&atilde;o  avaliadas e a psico-educa&ccedil;&atilde;o &eacute; implementada. Nesse sentido, o uso do RPA, a  partir do segundo encontro, &eacute; dado como tarefa de casa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A segunda etapa inicia na quinta consulta quando o foco passa a ser as  estrat&eacute;gias de enfrentamento dos automatismos e os ensaios comportamentais s&atilde;o  insistentemente dramatizados atrav&eacute;s do uso da t&eacute;cnica de <i>role play </i>(Caballo, 1996)<i>.</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A terceira e &uacute;ltima fase come&ccedil;a na nona sess&atilde;o quando o cliente j&aacute;  naturalizou a busca pela quebra do funcionamento autom&aacute;tico e o est&iacute;mulo e  desenvolvimento da metacogni&ccedil;&atilde;o. O processo metacognitivo &eacute; repetidamente  analisado com exemplos explicativos, de forma a propiciar ao cliente que force  que em suas situa&ccedil;&otilde;es de uso abusivo da economia cognitiva pense em seu pr&oacute;prio  pensamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   No d&eacute;cimo segundo e &uacute;ltimo encontro, uma nova aplica&ccedil;&atilde;o do IAM &eacute;  realizada e, ent&atilde;o, compara-se seu resultado &agrave;quele obtido com a primeira  avalia&ccedil;&atilde;o. Analisa-se e juntamente com o cliente encerra-se o processo  terap&ecirc;utico. Se necess&aacute;rio, programa-se mais um m&ecirc;s de tratamento com outras  quatro sess&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Tabela A2</b> - Parte do Invent&aacute;rio de Atividade  Metacognitiva (IAM)</font></p>     <p align="center"><img src="../img/revistas/rbtc/v4n2/2a09t2.gif"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Caso Cl&iacute;nico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Clauss (nome fict&iacute;cio, cliente autorizou publica&ccedil;&atilde;o do caso cl&iacute;nico) tem  64 anos, casado, um filho, que tamb&eacute;m &eacute; casado e &eacute; militar fora do estado.  Trabalhou durante trinta e quatro anos em fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica. Em sua profiss&atilde;o  trabalhou fiscalizando tributos para receita estadual. Tinha uma rotina  bastante atribulada, posto que nos &uacute;ltimos cinco anos de trabalho, antes da  aposentadoria, exerceu cargos de chefia com grandes responsabilidades. Sempre  foi considerado um profissional competente e respons&aacute;vel, tanto que nunca foi  envolvido em incidentes com colegas, superiores e subalternos. Aposentou-se faz  tr&ecirc;s anos. A partir da aus&ecirc;ncia de trabalho recolheu-se a uma rotina mais  caseira. Esse evento foi o marco do princ&iacute;pio de suas dificuldades. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O que em princ&iacute;pio seria um conforto, agora era considerado por Clauss  uma grande dificuldade e empecilho para a continuidade de sua vida normal. Sua  esposa levou-o a tratamento, pois dizia n&atilde;o ag&uuml;entar o marido desde o dia que  se aposentou. O que, inicialmente, parecia uma querela sist&ecirc;mica, mostrou-se de  outra forma ap&oacute;s a primeira entrevista com Clauss. Ele relatou que, embora, n&atilde;o  reconhecesse grande problema, percebia que em sua rotina havia muitos  funcionamentos autom&aacute;ticos e n&atilde;o pensava para faz&ecirc;-los. Quando inquirido sobre  qual seria o automatismo que lhe causava mais problemas, respondeu que era sem  d&uacute;vida a manipula&ccedil;&atilde;o do controle remoto de sua televis&atilde;o por assinatura.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O paciente procurou tratamento psicol&oacute;gico por julgar que tinha &ldquo;alguma  coisa&rdquo;, posto que seus familiares em todos os graus denunciaram uma  estereotipia em sua forma de relacionamento com a TV por assinatura. Perguntado  sobre como acontecia, relatou que j&aacute; por volta das 8 horas da manh&atilde; tomava o  controle remoto e come&ccedil;ava a zapear. Sua rotina era acompanhar todos os  notici&aacute;rios do mundo dispon&iacute;veis e fazia isto trocando de canais ininterruptamente.  Disse, ainda, que acontecia de maneira t&atilde;o autom&aacute;tica, t&atilde;o sem pensar que, &agrave;s  vezes, quando dava-se conta, estava ouvindo a not&iacute;cia em canal que n&atilde;o entendia  a l&iacute;ngua. Este tipo de procedimento estava o afastando da esposa, pois n&atilde;o conseguia  deixar de trocar de canal nem nos hor&aacute;rios de novelas. Relatou, ainda, que  tinha grande dificuldade de pensar sobre o que estava pensando e que achava que  fazia muita coisa no piloto-autom&aacute;tico. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O atendimento come&ccedil;ou com uma anamnese ampla e estabelecimento de um  di&aacute;logo com Clauss mostrando que, embora aquele funcionamento n&atilde;o se tratasse  de uma psicopatologia descrita em literatura psiqui&aacute;trica, suas dificuldades  mereciam uma aten&ccedil;&atilde;o especial, pois estavam dificultando sua vida relacional  com sua esposa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ap&oacute;s o estabelecimento de v&iacute;nculo inicial que garantisse ades&atilde;o  terap&ecirc;utica, passou-se a psicoeduca&ccedil;&atilde;o. Neste caso foram apresentados o  conceito de economia cognitiva e o conseq&uuml;ente funcionamento autom&aacute;tico usando  como exemplo sua habilidade de <i>expertise </i>em  conduzir ve&iacute;culo de passeio da fam&iacute;lia. Em contra ponto, falou-se da  metacogni&ccedil;&atilde;o explicando de forma simplificada que era uma cogni&ccedil;&atilde;o que todos  t&iacute;nhamos uns mais, outros menos, de pensar sobre os nossos pensamentos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Clauss assentiu respondendo que entendera o proposto. Nesta primeira  sess&atilde;o n&atilde;o foi apresentado o Registro de Pensamentos e Atitudes (RPA) e nem  aplicado o Invent&aacute;rio de Atividade Metacognitiva (IAM). Preferiu-se sedimentar  a psicoeduca&ccedil;&atilde;o pedindo que ele trouxesse como tarefa de casa por escrito  situa&ccedil;&otilde;es onde julgasse aparecer automatismos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> No segundo encontro, ele mostrou-se com bom aprendizado, posto que  identificou duas pr&aacute;ticas de funcionamento autom&aacute;tico em seu cotidiano. O  primeiro reconheceu que ocorria quando, de forma simult&acirc;nea, conversava com sua  esposa e trocava de canais atrav&eacute;s do controle remoto do televisor &agrave; procura de  algum programa de not&iacute;cias. A segunda, quando ouvia em r&aacute;dio AM a transmiss&atilde;o  de futebol e, ao mesmo tempo, assistia pela televis&atilde;o, simultaneamente, v&aacute;rios  jogos, que era seu lazer. Ao localizar com corre&ccedil;&atilde;o os funcionamentos  autom&aacute;ticos, reiteramos a conceitua&ccedil;&atilde;o inversa que abriga a metacogni&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Passou-se, ent&atilde;o, a explicar que a economia cognitiva havia lhe  beneficiado por anos no exerc&iacute;cio profissional. A automatiza&ccedil;&atilde;o do ato de  trabalhar fazia com que ele realizasse uma infinidade de tarefas sem pensar  nelas, por exemplo, em sua atividade o uso do computador era fundamental, mas  se precisasse olhar para as teclas quando digitasse seria bem mais lento e  menos produtivo, a automatiza&ccedil;&atilde;o da digita&ccedil;&atilde;o foi fundamental para seu  desempenho. Hoje pelo processo reverso, era um entrave &agrave; nova aprendizagem da  n&atilde;o automatiza&ccedil;&atilde;o do uso do controle remoto, pois passava por uma necessidade  de desprograma&ccedil;&atilde;o mental da antiga. Instruiu-se, de forma subseq&uuml;ente, sobre a  import&acirc;ncia de, nesse momento, estimular o desenvolvimento metacognitivo, por  ser este uma forma de esfor&ccedil;o contr&aacute;rio ao automatismo em n&iacute;vel de  processamento da informa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Aplicou-se o IAM, onde ele alcan&ccedil;ou um escore de 13 pontos, configurando  um n&iacute;vel m&eacute;dio inferior de atividade metacognitiva como resultado.  Apresentou-se novamente a metacogni&ccedil;&atilde;o e seu potencial de auto-reflex&atilde;o,  justificando-se que nesse caso ajudaria muito tornar todas as atitudes  autom&aacute;ticas que significam aus&ecirc;ncia de pensamento em situa&ccedil;&otilde;es onde se pense  sobre o pr&oacute;prio pensamento. Dessa forma, isso auxiliaria muito a quebrar a  l&oacute;gica na qual ocorria o processamento cognitivo de Clauss.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Orientou-se sobre o uso do RPA, que se constituiu na tarefa de casa.  Sendo ainda conte&uacute;do do terceiro e quarto encontro, onde foi trabalhada a  naturaliza&ccedil;&atilde;o do uso da metacogni&ccedil;&atilde;o em todas as rotinas para que se  exercitasse o uso do monitoramento e da regula&ccedil;&atilde;o cognitiva, resultando sempre  em atitudes alternativas ou modelos explicativos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Na quinta sess&atilde;o, o cliente mostrou-se receptivo &agrave; cria&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria de  estrat&eacute;gias de enfrentamento de seus automatismos. Clauss falou que identificou  como o seu automatismo mais comum e repetitivo, sua rela&ccedil;&atilde;o com o controle  remoto do televisor. Portanto, o h&aacute;bito de assistir televis&atilde;o com sua esposa  era anterior a sua aposentadoria, mas a intensifica&ccedil;&atilde;o do funcionamento  colapsado de automatismo ocorreu justamente quando foram diminu&iacute;das as demandas  sociais.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Seu exerc&iacute;cio metacognitivo constituiu-se no retirar as baterias dos  controles remotos dos aparelhos eletr&ocirc;nicos de sua casa. Afirmou que, embora  possu&iacute;sse apenas dois televisores, retirar as pilhas dos controles do DVD e do  aparelho de som ajudaram a desprogramar o uso destes eletrodom&eacute;sticos. Esta  estrat&eacute;gia for&ccedil;ou-o a pensar quando queria mudar de canal, posto que precisaria  levantar-se para faz&ecirc;-lo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Nas sess&otilde;es seguintes, Clauss come&ccedil;ou a relatar que a mudan&ccedil;a em algumas  rotinas automatizadas transformou sua maneira de proceder. Sendo que sem  perceber exatamente quando, notou o aumento do dom&iacute;nio sobre o zapear dos  controles remotos de seus televisores.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Do nono encontro at&eacute; o d&eacute;cimo segundo, passou-se a implementar formas de  transformar este pensar sobre o pensamento e o aprender sobre como ele aprendia  em modos normativos de funcionamento. Clauss pareceu aumentar o dom&iacute;nio de suas  cogni&ccedil;&otilde;es e comportamentos com uma boa habilidade metacognitiva. Do mesmo modo,  uma consider&aacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o de funcionamentos autom&aacute;ticos danosos a sua vida de  rela&ccedil;&atilde;o tanto no campo conjugal quanto no social.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Seu desempenho nas suas rela&ccedil;&otilde;es interpessoais j&aacute; estava &ldquo;normalizado&rdquo;,  fato este que havia sido ratificado pela aplica&ccedil;&atilde;o do IAM, no qual totalizou 21  pontos com escore apontando para um n&iacute;vel de atividade metacognitiva m&eacute;dia  superior. Pressup&otilde;e-se que essa evolu&ccedil;&atilde;o seja resultado direto da utiliza&ccedil;&atilde;o  desta metodologia de treinamento.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Contudo, &eacute; importante ressaltar que a tentativa de criar uma liga&ccedil;&atilde;o entre  cren&ccedil;as, pensamentos intrusivos ou uma psicopatologia a esses comportamentos  autom&aacute;ticos podem propiciar uma confus&atilde;o danosa para este tratamento, pois  seria criado um manual explicativo para um automatismo, gerando uma rela&ccedil;&atilde;o de  causa e efeito para um funcionamento autom&aacute;tico, que significa criar  artificialmente um fen&ocirc;meno metacognitivo onde ele n&atilde;o existe.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A interven&ccedil;&atilde;o metacognitiva pressup&otilde;e um olhar complexo (Morin, 2000)  para um determinado evento. Sendo assim, embora existam v&aacute;rias possibilidades  de entendimento para um comportamento na abordagem metacognitiva elege-se o  vi&eacute;s processual cognitivo b&aacute;sico como principal, focando o relacionamento  terap&ecirc;utico na estrat&eacute;gia operativa e n&atilde;o considerando outras vari&aacute;veis, que  embora importantes, n&atilde;o s&atilde;o objetos desta metodologia terap&ecirc;utica. Mas &eacute;  fundamental ressaltar que, a estrat&eacute;gia metacognitiva n&atilde;o exclui de forma  nenhuma, segundo este olhar, outro axioma te&oacute;rico explicativo em psicologia,  mas sim, prop&otilde;e que este seja contemplado em outro momento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Algumas vertentes te&oacute;ricas em psicologia trabalham eminentemente com o  processo de significa&ccedil;&atilde;o e, portanto, estes automatismos seriam respostas a  algo de fundo ps&iacute;quico. Sem desconsiderar estes entendimentos, acredita-se que  a rela&ccedil;&atilde;o existente entre funcionamento autom&aacute;tico e o processo mental resida  na velocidade do processamento da informa&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, a economia cognitiva t&atilde;o  importante em nossas demandas sociais contempor&acirc;neas para permitir conviv&ecirc;ncia  com a rapidez e fluidez (Bauman, 1997) do atual momento de p&oacute;s-modernidade.  Paradoxalmente, os excessos de automatismos, em geral, provocam colapsos  cognitivos em n&iacute;vel processual, gerando estereotipias comportamentais, &agrave;s  vezes, at&eacute; incapacitantes.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Por ser um estudo relativamente novo, a metacogni&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conseguiu  satisfazer alguns par&acirc;metros cient&iacute;ficos que conferem confiabilidade a uma  teoria at&eacute; os dias de hoje. Tais par&acirc;metros constituem-se de parcim&ocirc;nia,  precis&atilde;o, testabilidade e a habilidade para se ajustar aos dados (Kantowitz,  Roediger III & Elmes, 2006). O cabedal de outros axiomas te&oacute;ricos que se  associaram a este conhecimento causaram mais confus&atilde;o do que uma s&iacute;ntese  te&oacute;rica que pudesse resultar em um paradigma cient&iacute;fico novo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Todavia, um treinamento ou tratamento que respeite uma l&oacute;gica metacognitiva,  embora respeite toda base epistemol&oacute;gica cognitiva, necessita desconsiderar  par&acirc;metros importantes da terap&ecirc;utica cognitiva tradicional. Dessa forma, &eacute;  fundamental a nega&ccedil;&atilde;o dos paradigmas dos sinais e dos sintomas, em detrimento  de um foco de primazia ao antagonismo entre economia cognitiva e metacogni&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Ao pressupor que este vi&eacute;s sobre a teoria cognitiva &eacute; &iacute;mpar, a presente  proposta visa contribuir com um modelo de tratamento para a investiga&ccedil;&atilde;o  cient&iacute;fica da atividade metacognitiva a partir de um modelo conceitual m&iacute;nimo.  Assim, o MMG mostrou-se &uacute;til e v&aacute;lido na terap&ecirc;utica da quebra dos automatismos  gerados pelos processos de economia cognitiva. Tais processos s&atilde;o necess&aacute;rios  em uma &eacute;poca em que as mudan&ccedil;as ocorrem com muita velocidade e cada vez mais  uma grande quantidade de informa&ccedil;&otilde;es precisa ser processada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   Todo este objetivismo cognitivo ao utilizar-se do pensamento sist&ecirc;mico  permite que o olhar que abrange o envelhecer tenha um relativismo, que  possibilite tecer uma rede que admite tens&otilde;es e diferen&ccedil;as, mas que n&atilde;o suporte  distens&otilde;es e rupturas (Morin, 2003).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A intersec&ccedil;&atilde;o do enfoque gerontol&oacute;gico, com o imagin&aacute;rio social, a  subjetividade e a objetividade cognitiva confere a esta concep&ccedil;&atilde;o de  envelhecimento que se prop&otilde;e uma teia de complexidade que permite que sobre  qualquer aresta deste prisma se vislumbre estes fen&ocirc;menos de formas diversas e  inclusivas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias Bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Albuquerque, S. M. R. L. (2003). <i>Qualidade de vida do idoso</i>. S&atilde;o Paulo:  Casa do Psic&oacute;logo.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914478&pid=S1808-5687200800020000900001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> American Psychiatric Association (APA) (2002). <i>DSM-IV-TR, Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico  de Transtornos Mentais </i>(4 ed. texto revisado). Washington, DC:  APA.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914479&pid=S1808-5687200800020000900002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Anderson, J. R. (2004). <i>Psicologia cognitiva e suas implica&ccedil;&otilde;es experimentais.</i> S&atilde;o Paulo:  LTC.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914480&pid=S1808-5687200800020000900003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Bauman, Z. (1997). <i>O mal-estar da p&oacute;s-modernidade</i>. Rio de Janeiro: Zahar.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914481&pid=S1808-5687200800020000900004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Beck, J. S. (1997). <i>Terapia cognitiva: teoria e pr&aacute;tica.</i> Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914482&pid=S1808-5687200800020000900005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Boruchovitch, E. (1999). As estrat&eacute;gias de aprendizagem e o  desempenho escolar de crian&ccedil;as brasileiras: considera&ccedil;&otilde;es para a pr&aacute;tica  educacional. <i>Psicologia: Reflex&atilde;o e Critica,</i> 12 (2), 316-376.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914483&pid=S1808-5687200800020000900006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Boruchovitch, E. (2001). Algumas estrat&eacute;gias de compreens&atilde;o em  leitura de alunos do ensino fundamental. <i>Psicologia Escolar e Educacional</i>, 5(1), 19-25.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914484&pid=S1808-5687200800020000900007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Brown, A. (1997). Transforming schools into  communities of thinking and learning about serious matters. <i>American  Psychologis</i>, 52(4), 399-413.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914485&pid=S1808-5687200800020000900008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Caballo, V. (1996). <i>Manual de t&eacute;cnicas e modifica&ccedil;&atilde;o do comportamento.</i> S&atilde;o Paulo:  Santos.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914486&pid=S1808-5687200800020000900009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Carneiro, R. S. (2006). Rela&ccedil;&atilde;o entre habilidades  sociais e qualidade de vida na terceira idade. <i>Revista Brasileira de  Terapias Cognitivas</i>, 2 (1), 45-54.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914487&pid=S1808-5687200800020000900010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Durand, G. (1998). <i>O imagin&aacute;rio: ensaio acerca das ci&ecirc;ncias e da  filosofia da imagem</i>. Rio de Janeiro: Difel.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914488&pid=S1808-5687200800020000900011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Flavell, J. (1979). Metacognition and cognitive  monitoring. <i>American Psychologist, 34,</i> 906-911.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914489&pid=S1808-5687200800020000900012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Flavell, J. (1987). Speculations about the Nature  and Development of Metacognition. Em: F. Weinert & R. Kluwe (Orgs.). <i>Metacognition,  Motivation, and Understanding</i> (pp. 21-29). New Jersey:  Lawrence Erlbaum Associates.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914490&pid=S1808-5687200800020000900013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Flavell, J. (1988). <i>A psicologia do desenvolvimento de Jean Piaget. </i>S&atilde;o Paulo:  Pioneira.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914491&pid=S1808-5687200800020000900014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Flavell, J.; Miller, P. H. & Miller, S. A.  (1999). <i>Desenvolvimento cognitivo.</i> Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914492&pid=S1808-5687200800020000900015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Freire, S. A. (2000). Envelhecimento bem-sucedido e  bem-estar psicol&oacute;gico. Em: A. L. Neri & S. A. Freire (Orgs.). <i>E por falar em boa velhice </i>(pp.  125-135). Campinas: Papirus.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914493&pid=S1808-5687200800020000900016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Gazzaniga,  M. S.; Ivry, R. B. & Mangun, G. R. (2006). <i>Neuroci&ecirc;ncia  Cognitiva: A biologia da mente</i>. Porto Alegre: Artmed.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914494&pid=S1808-5687200800020000900017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Grendene, M. V. C. (2007). <i>Metacogni&ccedil;&atilde;o: uma teoria em busca de valida&ccedil;&atilde;o.</i> Disserta&ccedil;&atilde;o de  Mestrado n&atilde;o-publicada. Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio Grande do Sul. Porto Alegre.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914495&pid=S1808-5687200800020000900018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Jou, G. I. & Sperb, T. M. (2006). A metacogni&ccedil;&atilde;o  como estrat&eacute;gia reguladora da aprendizagem. <i>Psicologia: reflex&atilde;o e cr&iacute;tica,</i> 19 (2), 177-185.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914496&pid=S1808-5687200800020000900019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Knapp, P. (Org.). (2004). <i>Terapia cognitivo-comportamental na pr&aacute;tica psiqui&aacute;trica. </i>Porto  Alegre: Artmed.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914497&pid=S1808-5687200800020000900020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Kantowitz, B. H.; Roediger III, H. L. & Elmes,  D. G. (2006). <i>Psicologia experimental:  psicologia para compreender a pesquisa em psicologia.</i> S&atilde;o Paulo: Thomson.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914498&pid=S1808-5687200800020000900021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Kray, J.; Eber, J. & Lindenberger, U.  (2004). Age differences in executive functioning across the lifespan: The role  of verbalization in task preparation. <i>Acta Psychologica </i>115,143-165.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914499&pid=S1808-5687200800020000900022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Maffesoli, M. (2007).<i> O conhecimento comum</i>. Porto Alegre: Editora Sulina.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914500&pid=S1808-5687200800020000900023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Maturana,  H. R. (1997). <i>Ontologia  da realidade</i>. Belo Horizonte. Editora da  Universidade Federal de Minas Gerais.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914501&pid=S1808-5687200800020000900024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Maturana, H. R. & Varela, F. J. (2005). <i>A &aacute;rvore do conhecimento: as bases  biol&oacute;gicas da compreens&atilde;o humana.</i> S&atilde;o Paulo: Palas Athena.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914502&pid=S1808-5687200800020000900025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Morin, E. (1999). <i>O M&eacute;todo III</i>. Lisboa: Europa-Am&eacute;rica.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914503&pid=S1808-5687200800020000900026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Morin, E. (2000). <i>Os sete saberes necess&aacute;rios &agrave; Educa&ccedil;&atilde;o do Futuro</i>. S&atilde;o Paulo:  Cortez.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914504&pid=S1808-5687200800020000900027&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Morin, E. (2003). <i>A cabe&ccedil;a bem feita.</i> Rio de Janeiro: Bertrand Brasil.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914505&pid=S1808-5687200800020000900028&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Mungas, D.; Reed, B. R.  & Kramer, J. H. (2003). Psychometrically matched  measures of global cognition,  memory, and executive function for assessment of cognitive decline in older  person<i>. Neuropsychology</i>, 17(3), 380-392. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914506&pid=S1808-5687200800020000900029&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Neri, A. L. (1997). Qualidade de vida na velhice.  Em: M. Deltti (Org.). <i>Sobre Comportamento  e cogni&ccedil;&atilde;o. A pr&aacute;tica da an&aacute;lise do comportamento e da terapia  cognitivo-comportamental </i>(pp.34-40). 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J.; Tangalos, E. G. & kokmen, E. (1999). Mild Cognitive Impairment.  Clinical Characterization and Outcome. <i>Arch Neurol, </i>56, 303-308.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914509&pid=S1808-5687200800020000900032&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Pinker, S. (1998). <i>Como a mente funciona</i> (trad. Laura Teixeira). S&atilde;o Paulo: Companhia das Letras, ed. 2.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914510&pid=S1808-5687200800020000900033&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Sternberg, R. (2000). <i>Psicologia cognitiva</i>.  Porto Alegre: Artes M&eacute;dicas. </font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914511&pid=S1808-5687200800020000900034&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Vasconcellos, M. J. E. (2006). <i>Pensamento Sist&ecirc;mico</i>.  Campinas:  Papirus.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914512&pid=S1808-5687200800020000900035&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Wells, A. (1995). Meta-cognition and worry: A  cognitive model of generalized anxiety disorder. <i>Behavioral and Cognitive Psychotherapy</i>, <i>23,</i> 301-320.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914513&pid=S1808-5687200800020000900036&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Wells, A. (1997). <i>Cognitive therapy of anxiety disorders: A practice manual and conceptual  guide.</i> Chichester, UK: Wiley.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914514&pid=S1808-5687200800020000900037&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Wells, A. (2003). Emotional disorders and  metacognition: Innovative cognitive therapy. <i>British Journal of Clinical Psychology, 42,</i> 105-108.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914515&pid=S1808-5687200800020000900038&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Yang, L.; Krampe, R.T. & Baltes, P. B. (2006).  Basic forms of cognitive plasticity extended into the oldest-old: Retest  learning, age, and cognitive functioning. <i>Psychology and Aging, 21</i> (2),  372-378.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914516&pid=S1808-5687200800020000900039&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Young, J. E. (2003). <i>Terapia cognitive para transtornos da personalidade uma abordagem  focada no esquema.</i> Porto Alegre:  Artmed.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914517&pid=S1808-5687200800020000900040&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Yussen, S. (1985). <i>The growth of reflection in  children</i>. Orlando, FL: Academic Press.</font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2914518&pid=S1808-5687200800020000900041&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="mailfim"></a><a href="#mailtopo"><img src="../img/revistas/rbtc/v4n2/seta.gif" border="0">Endereço para correspondência</a>    <br> Endere&ccedil;o  do autor principal: M&aacute;rio Vin&iacute;cius Canfild Grendene.    <br> Rua Coronel Vicente 465,  1201. Bairro Centro. Porto Alegre-RS. CEP: 90030041.    <br> Telefone: (51)84481722. E-mail: <a href="mailto:canfildgrendene@yahoo.com.br">canfildgrendene@yahoo.com.br</a> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Recebido em: 10/01/2008    <br> Aceito em:12/05/2008</font></p>     ]]></body>
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