<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1809-6867</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Revista da Abordagem Gestáltica]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Rev. abordagem gestalt.]]></abbrev-journal-title>
<issn>1809-6867</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto de Treinamento e Pesquisa em Gestalt-Terapia de Goiânia (ITGT-GO)]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1809-68672014000200011</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[A Nova Fenomenologia]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Lanz]]></surname>
<given-names><![CDATA[Henry]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,Stanford University  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ California]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>12</month>
<year>2014</year>
</pub-date>
<volume>20</volume>
<numero>2</numero>
<fpage>231</fpage>
<lpage>236</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1809-68672014000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1809-68672014000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1809-68672014000200011&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>TEXTOS CL&Aacute;SSICOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1b"></a><b>A Nova Fenomenologia<a href="#1a"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Henry Lanz</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Stanford University, California</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>(1924)</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o duas as poss&iacute;veis rea&ccedil;&otilde;es em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo que cerca um indiv&iacute;duo. Geralmente ele pode entender o mundo como algo "efetivamente dado", algo do qual ele mesmo constitui parte, ativamente. Ele vive nesse mundo, percebe seus objetos, escuta suas melodias, desvenda seus segredos, age, pensa, constr&oacute;i e desconstr&oacute;i suas cren&ccedil;as, cria novas leis e transgride as j&aacute; existentes; ama e odeia, vota e escolhe. Sua ci&ecirc;ncia expande seu campo de vis&atilde;o f&iacute;sica; suas t&eacute;cnicas o ajudam a conquistar novas esferas e contextos, novos mundos. Em outras palavras, os objetos do mundo aparecem para ele na capacidade de servi&ccedil;o, n&atilde;o no senso pr&aacute;tico da palavra, mas no sentido de ser uma parte v&aacute;lida dentro de um contexto valioso. Tudo &eacute; considerado, apenas, &agrave; medida que se encaixe no contexto. Coisas, verdades, teorias est&atilde;o l&aacute; para que o indiv&iacute;duo acredite nelas ou n&atilde;o; elas existem ou subsistem simplesmente pelas consequ&ecirc;ncias, isto &eacute;, para atuar como base de alguma outra coisa, como as partes de um sistema. Tudo tem um caminho dentro do curso geral dos acontecimentos ou no sistema geral do conhecimento. As coisas existem e subsistem pelo prop&oacute;sito de serem ouvidas; isso &eacute; o que Husserl chama de "<i>nat&uuml;rliche Einstellung</i>" - atitude natural - do indiv&iacute;duo em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa atitude &eacute; contrastada com a "atitude fenomenol&oacute;gica", caracterizada pela elimina&ccedil;&atilde;o de qualquer servi&ccedil;o. Podemos ainda perceber as coisas como reais e existentes, mas devemos concordar em n&atilde;o fazer nenhum uso te&oacute;rico de suas exist&ecirc;ncias, isto &eacute;, n&atilde;o devemos tentar provar ou refutar nada simplesmente pelo fato de serem reais. Isso n&atilde;o implica o fato de duvidarmos da nossa exist&ecirc;ncia. N&oacute;s simplesmente desconsideramos suas consequ&ecirc;ncias, "colocando-as em par&ecirc;nteses" ou, como diz Husserl, "retiramo-las do circuito" do nosso julgamento e as destitu&iacute;mos de sua validade. Podemos tamb&eacute;m estar cientes da verdade, mas isso n&atilde;o deve nos afetar pelo aspecto de sua natureza (atrav&eacute;s da qual desempenha fun&ccedil;&otilde;es no sistema de conhecimento), ou seja, n&atilde;o deve ser entendida como fonte de informa&ccedil;&atilde;o. Considerando qualquer percep&ccedil;&atilde;o, julgamento ou verdade, n&atilde;o devemos dar ouvidos ao que ela, de fato, clama ou certifica. Podemos assistir aos pap&eacute;is que representam no est&aacute;gio do conhecimento, mas devemos faz&ecirc;-lo como estrangeiros, sem acreditar ou desacreditar em seus testemunhos<a name="2b"></a><a href="#2a"><sup>2</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Qualquer tese que tenhamos aceito pode ser, naturalmente, retida e analisada do ponto de vista da fenomenologia, mas isso deve ser feito pressupondo que as nossas cren&ccedil;as "naturais" sejam desconsideradas. "N&atilde;o estamos desistindo de nossa atitude natural e mantendo nossas cren&ccedil;as inalteradas; estas t&ecirc;m a permiss&atilde;o de permanecer em si mesmas como s&atilde;o (...) e ainda assim nossa tese em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; natureza sofre uma modifica&ccedil;&atilde;o: n&oacute;s a deixamos descansar em seu pr&oacute;prio conte&uacute;do, mas a colocamos, por assim dizer, fora do seu eixo de a&ccedil;&atilde;o, entre par&ecirc;nteses, de lado. Ela permanece l&aacute; como o par&ecirc;ntese dentro dos colchetes ou como partes eliminadas, fora do sistema ao qual pertenciam (...) n&atilde;o fazemos uso delas"<a name="3b"></a><a href="#3a"><sup>3</sup></a>, ou seja, ela n&atilde;o tem serventia. "Eu elimino todas as ci&ecirc;ncias que n&atilde;o est&atilde;o relacionadas com o mundo real" afirma Husserl posteriormente "e embora n&atilde;o tenha a inten&ccedil;&atilde;o de tecer obje&ccedil;&otilde;es contra elas, n&atilde;o fa&ccedil;o uso algum de sua validade. Nem uma &uacute;nica proposi&ccedil;&atilde;o, que perten&ccedil;a ao contexto natural, perfeitamente evidente para mim, &eacute; admitida como sendo v&aacute;lida ou n&atilde;o, nenhuma &eacute; aceita de fato; nenhuma me serve como fundamento. (...) posso considerar qualquer proposi&ccedil;&atilde;o, mas somente depois de ela ter sido colocada entre par&ecirc;nteses, isto &eacute;, somente na consci&ecirc;ncia modificada e que &eacute; caracterizada pela elimina&ccedil;&atilde;o do julgamento, isto &eacute;, nem no modo como serve a uma proposi&ccedil;&atilde;o dentro da ci&ecirc;ncia, nem tampouco como proposi&ccedil;&atilde;o que prega uma validade que eu possa creditar ou utilizar".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A possibilidade de uma mudan&ccedil;a de atitude t&atilde;o radical n&atilde;o est&aacute; confinada a conte&uacute;dos puramente racionais, tais como a verdade, o julgamento, etc. O conte&uacute;do de uma aprecia&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica ou uma inspira&ccedil;&atilde;o puramente religiosa pode ser abordado de modo similar, a partir de dois pontos de vista distintos. Podemos estar interessados em dogmas teol&oacute;gicos, por exemplo, a medida que sustentem nossas cren&ccedil;as religiosas e representem o sistema de f&eacute; que se faz necess&aacute;rio entre certos indiv&iacute;duos, a fim de assegurar o tipo de vida que acreditam ser o melhor; podemos atacar ou defender seus conte&uacute;dos ou discutir suas origens e explicar seus significados; em outras palavras, podemos tomar um posicionamento na tessitura da f&eacute;. Neste caso, nosso interesse e atitude s&atilde;o aqueles de um te&oacute;logo ou estudante de religi&atilde;o. Por outro lado, podemos intencionalmente desconsiderar a validade teol&oacute;gica dos dogmas e compreend&ecirc;-los meramente como express&otilde;es da cren&ccedil;a, como atitude peculiar da consci&ecirc;ncia para com seus objetos que chamamos de "f&eacute;". Desconsideramos os conte&uacute;dos desses dogmas, colocando-os entre par&ecirc;nteses para estudar apenas o modo de sua doa&ccedil;&atilde;o peculiar. N&oacute;s os compreendemos do modo como, de fato, se doam no <i>elemento</i> da f&eacute;, mas desconsideramos completamente o que eles realizam na pr&aacute;tica, no sistema da f&eacute;. Neste caso, agimos como fenomenologistas. Assim, a fenomenologia se define como o <i>estudo dos objetos em sua rela&ccedil;&atilde;o com a consci&ecirc;ncia, num estado de suprema imparcialidade quando a significa&ccedil;&atilde;o sistem&aacute;tica e v&aacute;lida dos objetos relacionados n&atilde;o &eacute; considerada</i>. Esta imparcialidade fundamental ou <i>abstin&ecirc;ncia</i> da validade factual dos objetos &eacute; algo mais do que um simples "estado de consci&ecirc;ncia" ou inven&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria de uma mente indolente. Isso implica um m&eacute;todo e exige nova pol&iacute;tica intelectual em rela&ccedil;&atilde;o ao mundo inteiro e at&eacute; mais. Qualquer que seja o objeto - real, irreal, l&oacute;gico, al&oacute;gico ou mesmo il&oacute;gico, pode ser abordado fenomenologicamente ou <i>purificado</i>, isto &eacute;, destitu&iacute;do de suas conex&otilde;es naturais ou sistem&aacute;ticas. Tal objeto teoricamente "desconectado" &eacute; denominado por Husserl de "Fen&ocirc;meno" e a abstin&ecirc;ncia metodol&oacute;gica, pela qual os fen&ocirc;menos s&atilde;o obtidos, de "redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Assim, a fenomenologia &eacute; caracterizada, primeiramente, n&atilde;o por uma escolha de objetos espec&iacute;ficos, mas sim pelo seu m&eacute;todo de abordagem. O material da investiga&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica &eacute; o mesmo de outras ci&ecirc;ncias, ou seja, o mundo e seus incont&aacute;veis fen&ocirc;menos. Por&eacute;m, o m&eacute;todo de abordagem &eacute; fundamentalmente distinto. Os fenomenologistas n&atilde;o agem de forma metaf&iacute;sica, isto &eacute;, eles n&atilde;o inventam nenhum supra-mundo para o seu pr&oacute;prio deleite intelectual a fim de obter um objeto de estudo que n&atilde;o possa ser estudado por nenhum outro ramo da ci&ecirc;ncia. Os fenomenologistas se esfor&ccedil;am em descrever o mesmo mundo, aquele mundo que &eacute; familiar a todos. Eles suprimem julgamentos em rela&ccedil;&atilde;o a todo e quaisquer fen&ocirc;menos, contanto que constituam partes de um sistema maior. Os fenomenologistas se esfor&ccedil;am para isolar qualquer objeto do contexto no qual est&aacute;, de fato, inserido e que o contempla em sua pr&oacute;pria ess&ecirc;ncia purificada. &Eacute; poss&iacute;vel, no entanto, se perguntar por que os objetos devem ser isolados? Por que o julgamento deve ser suprimido? Em outras palavras, qual &eacute; o prop&oacute;sito da atitude fenomenol&oacute;gica? Desde Hegel, tornou-se clich&ecirc; o fato de que o contexto (as conex&otilde;es sistem&aacute;ticas na qual um dado objeto est&aacute; inserido) exerce influ&ecirc;ncia efetiva sobre a situa&ccedil;&atilde;o ou a no&ccedil;&atilde;o que formamos sobre o objeto. Essa influ&ecirc;ncia t&atilde;o significativa pode, sob determinadas circunst&acirc;ncias, ser excessivamente danosa e mal interpretada, uma ilus&atilde;o. Mesmo os grandes te&oacute;ricos frequentemente perdem a perspectiva de sua quest&atilde;o original em fun&ccedil;&atilde;o de determinadas rela&ccedil;&otilde;es sistem&aacute;ticas que os fazem responder perguntas que nunca se perguntaram postergando, indefinidamente, as solu&ccedil;&otilde;es para os problemas iniciais! At&eacute; mesmo os epistemologistas frequentemente se esquecem do conte&uacute;do espec&iacute;fico de seus problemas epistemol&oacute;gicos, influenciados pelas teorias da psicologia (que em si mesmas s&atilde;o verdadeiras e valiosas)! N&oacute;s todos, de modo geral, quando pressionados, n&atilde;o nos tornamos propensos a substituir um conte&uacute;do por outro em raz&atilde;o de uma necessidade sistem&aacute;tica?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Frequentemente ouvimos um f&iacute;sico afirmar que a cor vermelha, por exemplo, n&atilde;o existe na realidade e que deve ser fisicamente considerada como sendo o resultado de certa frequ&ecirc;ncia de vibra&ccedil;&otilde;es et&eacute;reas. Alguns te&oacute;ricos v&atilde;o ainda mais al&eacute;m e reduzem completamente o fen&ocirc;meno a causas f&iacute;sicas; o que denominamos "vermelho", nessa perspectiva, &eacute; apenas uma forma de energia espec&iacute;fica descarregada pelas c&eacute;lulas cerebrais! E quando os psic&oacute;logos se esfor&ccedil;am para corrigir essa concep&ccedil;&atilde;o materialista, ressaltando que a "vermelhid&atilde;o" em si &eacute; real como uma "sensa&ccedil;&atilde;o", acabam cometendo erro similar, pois intercalam certo conte&uacute;do te&oacute;rico, chamado "sensa&ccedil;&atilde;o", com o fen&ocirc;meno genu&iacute;no do "vermelho" que, por sua vez, &eacute; t&atilde;o estanho em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s sensa&ccedil;&otilde;es quanto em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s vibra&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ci&ecirc;ncia e a filosofia modernas exibem uma tend&ecirc;ncia comum para reducionismos similares. Estamos tentando "reduzir" quase tudo. A vida social &eacute; "reduzida" a "fatores" tanto econ&ocirc;micos quando psicol&oacute;gicos; a vida de modo geral &eacute; reduzida a "causas puramente mec&acirc;nicas"; o som &eacute; reduzido a vibra&ccedil;&otilde;es e estas s&atilde;o reduzidas ao princ&iacute;pio de conserva&ccedil;&atilde;o de energia; fen&ocirc;menos s&atilde;o reduzidos a leis e estas a princ&iacute;pios. Esfor&ccedil;os repetidos est&atilde;o sendo feitos a princ&iacute;pios para reduzir o mundo todo a uma &uacute;nica subst&acirc;ncia, um Deus, ou um princ&iacute;pio fundamental tal como I = I. Um objeto ou uma proposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o considerados suficientemente claros at&eacute; que sejam reduzidos a alguma outra coisa; at&eacute; mesmo a natureza da "explica&ccedil;&atilde;o" consiste na redu&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitas destas redu&ccedil;&otilde;es s&atilde;o v&aacute;lidas de fato, mas muitas vezes elas apenas encobrem a quest&atilde;o e substituem as inven&ccedil;&otilde;es e tradi&ccedil;&otilde;es de nossa mente pelo fen&ocirc;meno dado. "Uma dada tonalidade de vermelho", afirma Max Scheler, um dos fenomenologistas mais importantes da escola de Husserl, "pode ser determinada de muitas maneiras, a saber: como a cor que &eacute; enunciada pela palavra "vermelho" (a cor em si mesma j&aacute; sendo uma substitui&ccedil;&atilde;o, uma redu&ccedil;&atilde;o); como a cor desta coisa ou desta superf&iacute;cie espec&iacute;fica; como a cor que "eu vejo"; como a cor desde n&uacute;mero espec&iacute;fico ou da amplitude de suas vibra&ccedil;&otilde;es. Ela aparece aqui como o "X" de uma equa&ccedil;&atilde;o. A experi&ecirc;ncia fenomenol&oacute;gica sozinha pode nos dar o "vermelho" em si mesmo, no qual a totalidade destas determina&ccedil;&otilde;es, sinais e s&iacute;mbolos encontra seu cumprimento final. Essa experi&ecirc;ncia transforma o X num fator intuitivo<a name="4b"></a><a href="#4a"><sup>4</sup></a>." Este fato, isto &eacute;, o fen&ocirc;meno do "vermelho" enquanto tal, parece n&atilde;o ter lugar dentro de quaisquer desses <i>contextos</i>; n&atilde;o pode ser reduzido a elementos f&iacute;sicos ou psicol&oacute;gicos e, nos dias atuais, foi mais uma vez chamado insistentemente de "ilus&atilde;o<a name="5b"></a><a href="#5a"><sup>5</sup></a>". Por essa raz&atilde;o, o contexto aniquila o fen&ocirc;meno. Nossa concep&ccedil;&atilde;o de como o "vermelho" deveria existir, isto &eacute;, as conex&otilde;es existenciais do "vermelho" ou, mais popularmente, nossas teorias em rela&ccedil;&atilde;o ao "vermelho" enquanto realidade, remove o fen&ocirc;meno do campo de nossa vis&atilde;o intelectual, como um homem que diante da vis&atilde;o das &aacute;rvores n&atilde;o enxerga a floresta. Por essa raz&atilde;o, &eacute; importante suprimir nosso julgamento em rela&ccedil;&atilde;o a quaisquer destas "redu&ccedil;&otilde;es" em outras palavras, reduzir nosso julgamento ao fato puro. Nesse caso, o nosso reducionismo &eacute; precisamente o oposto de uma explica&ccedil;&atilde;o. Ele &eacute;, na verdade, o processo de esclarecimento dos fatos, ou seja, a determina&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do "fenomenol&oacute;gico" genu&iacute;no dos objetos. Nossos objetos s&atilde;o cobertos com "teorias" a tal ponto que, para resgat&aacute;-los a tarefa se torna bastante dif&iacute;cil. Estamos muito acostumados a considerar o "vermelho", por exemplo, como uma sensa&ccedil;&atilde;o ou vibra&ccedil;&atilde;o que qualquer afirma&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o ao seu valor "independente" encontra oposi&ccedil;&atilde;o violenta de nossa pr&oacute;pria parte. Seria melhor aceitarmos o vermelho como ilus&atilde;o, do que consider&aacute;-lo como entidade independente. O fato &eacute; que mesmo sendo ilus&atilde;o, o vermelho n&atilde;o deixa de ser "vermelho". N&atilde;o podemos eliminar sua "ess&ecirc;ncia" mesmo considerando-a uma ilus&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas, (e isso pode ser contestado) aceitando que o "vermelho" tem certa ess&ecirc;ncia fenomenol&oacute;gica que sobrevive fora de qualquer contexto f&iacute;sico ou psicol&oacute;gico, o que ganhamos ao levar isso em considera&ccedil;&atilde;o? O que podemos estudar sobre o "vermelho" enquanto tal, independente de conex&otilde;es f&iacute;sicas ou ps&iacute;quicas nas quais ele aparenta ser real? Devo admitir que, de fato, n&atilde;o h&aacute; muito para estudar sobre isso, exceto o m&eacute;todo e a ideia da atitude fenomenol&oacute;gica (de onde a posi&ccedil;&atilde;o neorrealista, por exemplo, segue como um mero corol&aacute;rio - resultado que, a parte qualquer outra consequ&ecirc;ncia, deve ser considerado como tendo algum valor!). A "independ&ecirc;ncia" fenomenol&oacute;gica das qualidades secund&aacute;rias torna essa mudan&ccedil;a radical de atitude bastante compreens&iacute;vel, pois os fenomenologistas frequentemente se referem a cores e tonalidades apenas a t&iacute;tulo de ilustra&ccedil;&atilde;o. Mas, o valor da atitude fenomenol&oacute;gica &eacute; raramente indicado e de modo algum exaurido ao apontar a independ&ecirc;ncia fenomenol&oacute;gica de qualidades secund&aacute;rias. Esse m&eacute;todo da redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica produz resultados mais definidos e construtivos, se aplicado a outros fen&ocirc;menos tais como "conhecimento", a "imagina&ccedil;&atilde;o", o "valor, a "beleza", etc. Os fen&ocirc;menos da "verdade" e da "significa&ccedil;&atilde;o", por exemplo, precisam de um grau consider&aacute;vel de purifica&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica, mesmo nos dias atuais, pois &eacute; comum serem confundidos com realidades psicol&oacute;gicas. Alguns pensamentos proeminentes do presente n&atilde;o consideram a "verdade" como resultado de nossa organiza&ccedil;&atilde;o mental<a name="6b"></a><a href="#6a"><sup>6</sup></a>, talvez at&eacute; um subproduto da nossa estrutura biol&oacute;gica?<a name="7b"></a><a href="#7a"><sup>7</sup></a> N&atilde;o &eacute; relativamente moderno argumentar que n&atilde;o h&aacute; verdades eternas e que toda verdade &eacute; constru&iacute;da para satisfazer nossas necessidades biol&oacute;gicas e/ou sociais ou mesmo para atender certas dificuldades?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diametralmente oposto a estas modernas e err&ocirc;neas interpreta&ccedil;&otilde;es sobre a "verdade", como um tipo de fato, realidade mental ou fun&ccedil;&atilde;o mental, Husserl trabalha sua concep&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica como um fen&ocirc;meno <i>sui generis</i>, o qual, em sua ess&ecirc;ncia, &eacute; inteiramente independente de conex&otilde;es ps&iacute;quicas. Em suas <i>Investiga&ccedil;&otilde;es L&oacute;gicas</i>, ele demonstra que a verdade n&atilde;o pode ser considerada como tal, visto que n&atilde;o tem exist&ecirc;ncia<a name="8b"></a><a href="#8a"><sup>8</sup></a>. Uma proposi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o come&ccedil;a a ser verdade quando a apreendemos num primeiro momento e tamb&eacute;m n&atilde;o cessa de ser verdadeira depois que a esquecemos por completo, nem mesmo se toda a ra&ccedil;a humana desaparecer da face da Terra<a name="9b"></a><a href="#9a"><sup>9</sup></a>. Aqui, novamente, assim como no exemplo do "vermelho", ao desconsiderar as conex&otilde;es existentes da "verdade", ou seja, nossas teorias relacionadas ao modo de sua exist&ecirc;ncia, obtemos o fen&ocirc;meno puro da verdade na forma pela qual &eacute; atualmente dado, ou seja, no ato do conhecimento ou da evid&ecirc;ncia, pois nesse caso a verdade n&atilde;o &eacute; originalmente intencionada como uma realidade mental, mas sim imposta atrav&eacute;s de considera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas de natureza heterog&ecirc;nea, posteriormente. A verdade n&atilde;o aparece como realidade mental ao conhecimento individual, mas t&atilde;o somente ao epistemologista te&oacute;rico. Quando dizemos que 2 + 2 = 4, n&atilde;o temos em mente, a princ&iacute;pio, nenhuma combina&ccedil;&atilde;o de processos mentais, mas t&atilde;o somente os n&uacute;meros. Esses n&uacute;meros podem ser reais, visto que estados mentais n&atilde;o alteram nossa inten&ccedil;&atilde;o matem&aacute;tica, mas mesmo que algu&eacute;m prove o contr&aacute;rio, isso n&atilde;o ter&aacute; efeito algum sobre a ci&ecirc;ncia matem&aacute;tica. A caracter&iacute;stica mais importante desse argumento consiste em esclarecer nossas pr&oacute;prias inten&ccedil;&otilde;es intelectuais. Husserl n&atilde;o diz que a express&atilde;o acima (2 + 2 = 4) subsiste como ideia plat&ocirc;nica em algum lugar fora dos nossos processos mentais, mas sustenta que quando somamos 2 + 2 n&atilde;o temos a inten&ccedil;&atilde;o de somar duas ideias. O que temos em mente n&atilde;o &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica, mas sim uma rela&ccedil;&atilde;o puramente matem&aacute;tica. E &eacute; somente nesse sentido que a verdade, expressando essa rela&ccedil;&atilde;o, difere da realidade psicol&oacute;gica. Sendo assim, a atitude fenomenol&oacute;gica nos ajuda a apreender a verdade como um fen&ocirc;meno <i>sui generis</i> - uma tarefa que abre um novo campo no qual ainda h&aacute; muito para ser conquistado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fenomenologicamente falando, todo objeto difere completamente do estado de consci&ecirc;ncia no qual aparece conforme nos &eacute; apresentado. &Eacute; comum dizermos que certas coisas s&oacute; existem na nossa imagina&ccedil;&atilde;o. J&aacute; na realidade n&atilde;o encontramos quaisquer desses objetos imagin&aacute;rios com o conte&uacute;do psicol&oacute;gico real da imagina&ccedil;&atilde;o enquanto tal. Suponha que eu imagine o deus J&uacute;piter. Na minha imagina&ccedil;&atilde;o, J&uacute;piter &eacute; dotado de v&aacute;rias qualidades mitol&oacute;gicas, tais como onipot&ecirc;ncia, for&ccedil;a f&iacute;sica, um determinado rosto e barba, etc., caracter&iacute;sticas que, de modo algum, podem ser atribu&iacute;das a minha imagina&ccedil;&atilde;o. Ele era um homem casado - uma situa&ccedil;&atilde;o que a minha imagina&ccedil;&atilde;o jamais poderia imaginar. Segundo Husserl, algu&eacute;m pode at&eacute; analisar a ideia de J&uacute;piter em detalhes, os quais a pr&oacute;pria introspec&ccedil;&atilde;o ou m&eacute;todos psicol&oacute;gicos modernos permitir&atilde;o sustentar, mas essa pessoa jamais ser&aacute; capaz de encontrar o pr&oacute;prio J&uacute;piter junto aos constituintes de sua imagina&ccedil;&atilde;o, pelo fato de as ideias serem ocorr&ecirc;ncias reais, enquanto J&uacute;piter n&atilde;o &eacute;: ele n&atilde;o existe em lugar algum<a name="10b"></a><a href="#10a"><sup>10</sup></a>. O mesmo argumento se aplica a qualquer ideia, proposi&ccedil;&atilde;o, cren&ccedil;a ou percep&ccedil;&atilde;o, a qualquer ato de consci&ecirc;ncia sustentando que "tenha alguma coisa em mente" ou "intencione" alguma coisa.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O objeto da inten&ccedil;&atilde;o &eacute; fenomenologicamente distinto do ato da inten&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o como realidade independente, mas simplesmente como um <i>centro diferente de poss&iacute;veis predica&ccedil;&otilde;es</i>. Proposi&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o v&aacute;lidas em rela&ccedil;&atilde;o a um objeto, s&atilde;o geralmente inv&aacute;lidas em rela&ccedil;&atilde;o ao ato, exceto os casos em que o objeto &eacute;, ele mesmo, outro ato psicol&oacute;gico.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O dogma cr&iacute;tico da "identidade" &eacute;, dessa forma, abandonado. A luz da teoria da objetividade da inten&ccedil;&atilde;o alcan&ccedil;a sua "independ&ecirc;ncia" te&oacute;rica. Foi uma verdadeira ressurrei&ccedil;&atilde;o dos mortos. Kant sepultou os objetos nas profundezas da consci&ecirc;ncia. J&aacute; Husserl retirou-os do t&uacute;mulo, deu-lhes nova vida e os regastou com honras e pompas como <i>ens intentionale</i><a name="11b"></a><a href="#11a"><sup>11</sup></a>. Por&eacute;m, os cem anos nos quais permaneceram sepultados deixaram profundas mudan&ccedil;as em sua natureza a ponto de nenhum concerto conseguir apagar. O pr&oacute;prio n&uacute;cleo da objetividade foi infectado com quest&otilde;es transcendentais e anseios imposs&iacute;veis de serem erradicados <i>a priori</i>. Ess&ecirc;ncias medievais reapareceram no horizonte filos&oacute;fico e novamente assumiram o papel de lideran&ccedil;a na vida e na organiza&ccedil;&atilde;o do pensamento. Mas, eles mudaram o <i>modus</i> de sua exist&ecirc;ncia e tornaram-se mais "epistemologizados" e restritos a suas pr&oacute;prias "inten&ccedil;&otilde;es". Em resumo, os objetos ganharam sua independ&ecirc;ncia, mas com a limita&ccedil;&atilde;o essencial de que devem ser compreendidos da maneira como a inten&ccedil;&atilde;o de fato os apresenta. Se forem entendidos assim, est&atilde;o limitados a aparecer em sua ess&ecirc;ncia fenomenol&oacute;gica, ou seja, independentes de sua exist&ecirc;ncia factual e estritamente <i>a priori</i>. Nesse sentido, realizar a "redu&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica" do objeto (isolando-o de suas conex&otilde;es existenciais ou sistem&aacute;ticas) equivale a consider&aacute;-lo da maneira como &eacute; apresentado inicialmente, sem as influ&ecirc;ncias te&oacute;ricas que os distorcem. Assim, todo objeto &eacute; limitado a revelar o que &eacute; em si mesmo, "vermelho de fato", "verdade de fato", etc. e isso significa revelar sua <i>ens intentionale</i>. Assim, a <i>Gegenstandstheorie</i> de Meinong aparece, ent&atilde;o, como mero corol&aacute;rio do princ&iacute;pio fenomenol&oacute;gico. A import&acirc;ncia metodol&oacute;gica da <i>ens intentionale</i> pode ser mostrada pela seguinte ilustra&ccedil;&atilde;o emprestada da est&eacute;tica fenomenol&oacute;gica. Desde Arist&oacute;teles, tornou-se popular a compreens&atilde;o de que o deleite art&iacute;stico consiste do sentimento de conforto causado pela obra de arte - al&iacute;vio do peso e dos sofrimentos da vida, das paix&otilde;es e preocupa&ccedil;&otilde;es da a&ccedil;&atilde;o. Isso &eacute; o que Arist&oacute;teles chamava de &#1008;</font>&#945;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&thetasym;</font>&#945;<font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#1009;&sigma;&#617;&sigmaf; ou "purifica&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica".</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O erro consiste em compreender a ess&ecirc;ncia do deleite art&iacute;stico, em tal purifica&ccedil;&atilde;o, do ponto de vista fenomenol&oacute;gico, pois, mesmo inexistente, essa purifica&ccedil;&atilde;o &eacute; meramente consequ&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia art&iacute;stica, um subproduto desej&aacute;vel em si mesmo e que n&atilde;o constitui fen&ocirc;meno do deleite art&iacute;stico. Esse fen&ocirc;meno &eacute; um ato de aprecia&ccedil;&atilde;o da obra de arte e n&atilde;o de al&iacute;vio das paix&otilde;es. Substituir um pelo outro &eacute; resultado, mais uma vez, da nossa mania de redu&ccedil;&otilde;es. Se eu for a um teatro, talvez eu aprecie o relaxamento do meu dia de trabalho e tamb&eacute;m fico feliz de ter a oportunidade de esquecer os meus problemas. Por&eacute;m, esse tipo de deleite n&atilde;o &eacute; o mesmo derivado da aprecia&ccedil;&atilde;o do drama encenado no palco: eu deveria ser capaz de apreciar Shakespeare mesmo se n&atilde;o tivesse nada para esquecer. Meu relaxamento e o meu momento de recrea&ccedil;&atilde;o s&atilde;o certamente gostosos, mas &eacute; uma aprecia&ccedil;&atilde;o do relaxamento em si e n&atilde;o da arte. Assim, esclarecendo nossas "inten&ccedil;&otilde;es", evitamos a confus&atilde;o que, de outra maneira, poderia ser fatal, n&atilde;o s&oacute; para as nossas teorias est&eacute;ticas, mas para nossos gostos e pr&aacute;ticas art&iacute;sticas tamb&eacute;m<a name="12b"></a><a href="#12a"><sup>12</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Concordando com Schelling, e depois com Plat&atilde;o, Husserl acredita que os &uacute;nicos meios para alcan&ccedil;ar a <i>ens intentionale</i> residem na intui&ccedil;&atilde;o pura<a name="13b"></a><a href="#13a"><sup>13</sup></a>. Husserl &eacute; levado a considerar a intui&ccedil;&atilde;o como a &uacute;nica solu&ccedil;&atilde;o do problema epistemol&oacute;gico<a name="14b"></a><a href="#14a"><sup>14</sup></a>. A "intui&ccedil;&atilde;o epistemol&oacute;gica" &eacute; uma experi&ecirc;ncia no sentido de que chegamos a ela atrav&eacute;s do contato imediato com as suas informa&ccedil;&otilde;es, e n&atilde;o por meios do racioc&iacute;nio ou da especula&ccedil;&atilde;o. A raz&atilde;o n&atilde;o produz o seu conte&uacute;do. Visto que esse &#91;o conte&uacute;do&#93; &eacute; assumidamente diferente do processo pelo qual n&oacute;s nos tornamos ciente dele, a aus&ecirc;ncia da racionalidade nos ajuda a cri&aacute;-la. Assim, o conte&uacute;do nos deve ser dado ou n&atilde;o podemos nos tornar cientes dele. O estado da consci&ecirc;ncia, um conceito abstrato tal qual o n&uacute;mero 5, encontra-se no mesmo n&iacute;vel de qualquer senso de qualidade: a rela&ccedil;&atilde;o da consci&ecirc;ncia com o seu objeto &eacute;, fundamentalmente, a mesma em ambos os casos; o n&uacute;mero 5 tem que ser "apresentado" (tem que estar presente na) &agrave; consci&ecirc;ncia, precisamente no mesmo sentido em que o "vermelho" tamb&eacute;m nos &eacute; apresentado (ou est&aacute; presente em n&oacute;s). Nesse sentido, o intelecto &eacute;, em si mesmo, uma intui&ccedil;&atilde;o o que, entretanto, n&atilde;o significa que a fenomenologia seja uma ci&ecirc;ncia indutiva. A fim de compreender que "duas linhas retas podem cortar uma a outra em apenas um ponto", ou que "no c&iacute;rculo crom&aacute;tico, a cor laranja ocupa um lugar entre o vermelho e o amarelo", n&atilde;o precisamos nos referir a um n&uacute;mero de casos similares. Ambas as proposi&ccedil;&otilde;es, embora sejam fatos, n&atilde;o s&atilde;o deduzidas pelo m&eacute;todo indutivo, do mesmo modo como n&atilde;o s&atilde;o generaliza&ccedil;&otilde;es a partir de casos isolados. Um &uacute;nico olhar para o c&iacute;rculo crom&aacute;tico j&aacute; &eacute; suficiente para convencer qualquer indiv&iacute;duo de que a rela&ccedil;&atilde;o entre "laranja", "vermelho" e "amarelo" &eacute; v&aacute;lida para todos os casos nos quais deva ser v&aacute;lida. Em outras palavras, notamos que &eacute; uma rela&ccedil;&atilde;o essencial e que n&atilde;o pode ser modificada, nem mesmo imaginada como sendo formada de outra maneira. Apelar para outros casos tamb&eacute;m n&atilde;o ajuda, pois a evid&ecirc;ncia &eacute; completa nas bases de um &uacute;nico caso<a name="15b"></a><a href="#15a"><sup>15</sup></a>. Sendo assim, a rela&ccedil;&atilde;o &eacute;, ao mesmo tempo, "dada" e "<i>a priori</i>". Os fenomenologistas definem por "a priori" todos aqueles significados e proposi&ccedil;&otilde;es fundamentados na evid&ecirc;ncia suprida pela intui&ccedil;&atilde;o. Para atingir um estado que fosse, ent&atilde;o, <i>a priori</i> &eacute; necess&aacute;rio abandonar todas as cren&ccedil;as e teorias, abster-se de todo tipo de "Setzung" tal como o "real" ou "irreal", "verdadeiro" ou "ilus&oacute;rio" e se entregar ao conte&uacute;do conforme intencionado. Um conte&uacute;do independente do contraste de "verdade" e "ilus&atilde;o", etc., ou seja, que &eacute; igualmente necess&aacute;rio no mundo da verdade, assim como nos contos de fada, &eacute; adequadamente chamado pelos fenomenologistas de "ess&ecirc;ncia". Assim, a ess&ecirc;ncia da vida deve ser dada mesmo que estejamos sob a ilus&atilde;o de que um determinado objeto est&aacute; vivo; a ess&ecirc;ncia da "lei" deve estar presente tanto na constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos, como na constitui&ccedil;&atilde;o do reino de Lilliput. Nesse sentido, a ess&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; um termo universal ou individual. A ess&ecirc;ncia "vermelho", por exemplo, est&aacute; contida no conceito geral do vermelho, bem como em toda tonalidade concretamente percebida da cor vermelha<a name="16b"></a><a href="#16a"><sup>16</sup></a>.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, as ess&ecirc;ncias, conforme descrito acima, n&atilde;o s&atilde;o necessariamente racionais. Existem talvez in&uacute;meras formas de inten&ccedil;&atilde;o ou modos de consci&ecirc;ncia (Bewusstseinweisen) todos com suas c&oacute;pias objetivas. F&eacute;, d&uacute;vida, imagina&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o, aprecia&ccedil;&atilde;o, desejo, etc., s&atilde;o nomes que se referem a diferentes modos de consci&ecirc;ncia, cada um com sua natureza espec&iacute;fica, ou ess&ecirc;ncia geral, que transmite a si mesma para seus objetos. Um objeto de f&eacute; tem seu pr&oacute;prio sabor peculiar que o torna "essencialmente" diferente de qualquer outro objeto da raz&atilde;o. Apesar do fato de ambos coincidirem em certos aspectos, eles s&atilde;o fundamentalmente diferentes, mais precisamente a medida que um pertence ao reino da f&eacute; e o outro ao intelecto e a raz&atilde;o. Uma consci&ecirc;ncia determinada resulta, similarmente, num tipo peculiar de estrutura objetiva, conhecido comumente por "valores", os quais tem suas pr&oacute;prias rela&ccedil;&otilde;es e conex&otilde;es distintas daquelas de "verdade" ou "realidade"<a name="17b"></a><a href="#17a"><sup>17</sup></a>. &Eacute; f&uacute;til racionalizar aquelas rela&ccedil;&otilde;es, visto que n&atilde;o s&atilde;o intelectuais. Elas podem ser adequadamente compreendidas somente atrav&eacute;s de "sentimentos" e no meio das dificuldades e obst&aacute;culos de a&ccedil;&otilde;es reais. Um valor n&atilde;o &eacute; "coisa" ou "verdade" e sua rela&ccedil;&atilde;o com outros valores n&atilde;o &eacute; f&iacute;sica ou l&oacute;gica. Nosso contato com os valores &eacute; de uma ordem diferente da que Blaise Pascal chamou de "<i>logique du coeur</i>" e que Mr. Scheler chama de <i>Ethos</i>. &Eacute; uma das formas al&oacute;gicas da objetividade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, existem tantos tipos de objetividade quantos de consci&ecirc;ncia. Cada tipo de "inten&ccedil;&atilde;o" &eacute;, por assim dizer, suprido com seu pr&oacute;prio material, que d&aacute; origem um mundo peculiar ou um "territ&oacute;rio" ontol&oacute;gico em si mesmo, com suas pr&oacute;prias caracter&iacute;sticas "territoriais-essenciais" e "territoriais-categ&oacute;ricas"<a name="18b"></a><a href="#18a"><sup>18</sup></a>. O mundo da f&eacute; possui um tipo espec&iacute;fico de subjetividade diferente daquele da emo&ccedil;&atilde;o; o mundo das coisas &eacute;, novamente e essencialmente diferente daquele dos "deuses" ou "valores". E, de acordo com Husserl, cada tipo implica uma rela&ccedil;&atilde;o de m&atilde;o dupla: 1) &Eacute; necessariamente relacionado &agrave; realidade dos eventos ps&iacute;quicos para o meu ego, em outras palavras, aquelas "partes e elementos" que podem ser encontrados no ato em si, como pertencentes ao &iacute;ntimo, a alma. Husserl denomina esses aspectos subjetivos, embora n&atilde;o necessariamente psicol&oacute;gicos, da consci&ecirc;ncia de "<i>noesis</i>". Nesses termos, o elemento da subjetividade (o modo da consci&ecirc;ncia qua consci&ecirc;ncia) recebe seu reconhecimento formal no sistema da filosofia fenomenol&oacute;gica. 2) Por outro lado, cada modo ou tipo de consci&ecirc;ncia particular, tal como a f&eacute;, a imagina&ccedil;&atilde;o, reflex&atilde;o, etc., &eacute; um <i>actus intentionalis</i> que enfatiza algo al&eacute;m. O car&aacute;ter objetivo daquele algo mais, muda de acordo com o car&aacute;ter essencial da <i>noesis</i>. Caracterizar um conte&uacute;do como um objeto &eacute; absolutamente insuficiente, pois temos que agregar o "como" de seu oferecimento (<i>das Wie seiner Gegebenheitsweise</i>). Em outras palavras, cada tipo de consci&ecirc;ncia, em virtude de sua pr&oacute;pria inten&ccedil;&atilde;o &eacute; intuitivamente projetada para dentro da esfera de objetos entre os quais ela aparece como ess&ecirc;ncia objetiva. &Agrave;quelas proje&ccedil;&otilde;es Husserl chama de "<i>noemata</i>"<a name="19b"></a><a href="#19a"><sup>19</sup></a>. Desse modo, a percep&ccedil;&atilde;o tem a sua noema, isto &eacute;, perceptum como tal<a name="20b"></a><a href="#20a"><sup>20</sup></a>; Cada pergunta tem sua <i>noema</i>, isto &eacute;, seu significado tem uma pergunta, precisamente como &eacute; intencionada pela mente inquisitiva<a name="21b"></a><a href="#21a"><sup>21</sup></a>; ao julgar alguma coisa n&oacute;s nos colocamos em contato com aquele mundo peculiar das entidades neutras, geralmente denominados conte&uacute;dos l&oacute;gicos ou "verdades" (assim, a entidade neutra aparece como um caso espec&iacute;fico de <i>noemata</i>). Comumente falando, "para todos os dados reais de conte&uacute;do no&eacute;tico multiplicado, corresponde uma multiplicidade de dados no conte&uacute;do noem&aacute;tico". Husserl insiste que esses dados deveriam ser descritos precisamente em termos de "modo" ou tipo de consci&ecirc;ncia no qual s&atilde;o originalmente fornecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A <i>noemata</i> que corresponde aos nossos desejos ou a&ccedil;&otilde;es &eacute; fundamentalmente, "essencialmente" diferente daquela que constitu&iacute; o mundo do pensamento ou da sensa&ccedil;&atilde;o. A <i>noemata </i>tem suas pr&oacute;prias qualidades que n&atilde;o podem ser reduzidos, sob nenhuma circunst&acirc;ncia, a elementos intelectuais. Isso liquida a quest&atilde;o do intelectualismo &eacute;tico bem como do sensualismo, pois um valor n&atilde;o pode ser demonstrado logicamente, visto que sua "ess&ecirc;ncia" &eacute; al&oacute;gica. O imperativo categ&oacute;rico de Kant &eacute; uma ilus&atilde;o intelectual - uma miragem nos desertos da raz&atilde;o formal. Por&eacute;m, pensar em valores em termos de an&aacute;lise psicol&oacute;gica, como uma antecipa&ccedil;&atilde;o do prazer, &eacute; igualmente imposs&iacute;vel. Quanto mais forte o nosso desejo, mais nos esquecemos de seus constituintes psicol&oacute;gicos e nos perdemos em "planos" e "esquemas", "fins" e "meios". Isso esclarece, parcialmente talvez, o fato de que os grandes g&ecirc;nios da hist&oacute;ria estavam inclinados a considerar a si mesmos como instrumentos tanto da for&ccedil;a divina (Cromwell e seu grupo) como do destino (Napoleon, Wallenstein). Faltava a eles a consci&ecirc;ncia de seus egos como fonte imediata de seu poder de determina&ccedil;&atilde;o, pois o &uacute;nico modo poss&iacute;vel de chegar a uma &eacute;tica positiva e construtiva se fundamentava no ato de reconhecer o conte&uacute;do original de valores &eacute;ticos - uma ordem independente ou l&oacute;gica do cora&ccedil;&atilde;o<a name="22b"></a><a href="#22a"><sup>22</sup></a>.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A noeses e a <i>noemata</i> juntas constituem o reino da consci&ecirc;ncia absoluta. Elas s&atilde;o "fatos" absolutos que nenhum ceticismo pode eliminar, em outras palavras, constituem um reino de "Ser" absolutamente aquela "<i>nulla re ad existendum indiget</i>.<a name="23b"></a><a href="#23a"><sup>23</sup></a>" O que quer que seja ou que possa ter sido &eacute; baseado apenas em tais fatos. Nesse sentido, a neofenomenologia &eacute; a restaura&ccedil;&atilde;o do empirismo<a name="24b"></a><a href="#24a"><sup>24</sup></a>. "Os fatos e apenas os fatos, n&atilde;o as constru&ccedil;&otilde;es de uma "raz&atilde;o" arbitr&aacute;ria, integram a base da fenomenologia"; por&eacute;m, esses fatos s&atilde;o diferentes daqueles que constituem a base da ci&ecirc;ncia natural. Encontramos aqui, no sentido matem&aacute;tico da palavra, uma generaliza&ccedil;&atilde;o do conceito de fato. Um fenomenologista jamais tentaria reduzir uma "ess&ecirc;ncia" a "fatos", pois desse ponto de vista, a ess&ecirc;ncia &eacute;, em si mesma, um fato. Do contr&aacute;rio, o que &eacute; comumente chamado de fato (no sentido cient&iacute;fico) &eacute; meramente um caso especial de ess&ecirc;ncia. A neofenomenologia &eacute; o neoempirismo, isto &eacute;, uma continua&ccedil;&atilde;o do experimento de Hegel para tornar ess&ecirc;ncia e fato uma &uacute;nica coisa. Husserl e Hegel, mesmo diferentes na quest&atilde;o do estilo e no resultado de suas doutrinas, concordam quanto ao esfor&ccedil;o para tornar a filosofia um fluxo cont&iacute;nuo da experi&ecirc;ncia. Nada &eacute; exclu&iacute;do dela. Verdade e falsidade, real e irreal, ess&ecirc;ncia e fato, individual e universal s&atilde;o todos, igualmente, justificados como "conte&uacute;dos" ou "est&aacute;gios" da experi&ecirc;ncia na consci&ecirc;ncia purificada da imparcialidade fenomenol&oacute;gica.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O fenomenologista, assim como o pragm&aacute;tico, jamais pode se deixar incomodar com quaisquer d&uacute;vidas de cunho moral ou religioso, pois est&aacute; acima (talvez abaixo?) desses problemas. A atualidade de um problema jamais constitui seu interesse, pois eles s&atilde;o muitos, numa imensid&atilde;o que &eacute; apenas superficial. Essa fenomenol&oacute;gica universalidade de interesses, essa anatomia c&oacute;smica insens&iacute;vel, desprovida de <i>amor intellectualis</i> no sentido de Spinoza, somada &agrave; imparcialidade fundamental do julgamento, constitui caracter&iacute;stica comum das filosofias de Husserl e Hegel. Ambos s&atilde;o partid&aacute;rios da imparcialidade.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Tradu&ccedil;&atilde;o: </b>Profa. Dra. Silvana Ayub Polchlopek (<i>Universidade Tecnol&oacute;gica Federal do Paran&aacute;</i>)</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Revis&atilde;o T&eacute;cnica:</b> Adriano Furtado Holanda (<i>Universidade Federal do Paran&aacute;</i>)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="1a"></a><a href="#1b">1</a><i> The Monist</i>, volume 34, n&uacute;mero 4 (Oct), 1924, p. 511-527.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993463&pid=S1809-6867201400020001100001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="2a"></a><a href="#2b">2</a> Edmund Husserl, Ideen zu einer reinen Phaenomenologie und phaenomenologischen    Philosophie (1913), p. 187.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993464&pid=S1809-6867201400020001100002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="3a"></a><a href="#3b">3</a> Husserl, Ideen, p. 54.    <!-- ref --><br>   <a name="4a"></a><a href="#4b">4</a> Max Scheler, <i>Der Formalismus in der Ethik und die materiale</i> Wertethik, p. 45.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993466&pid=S1809-6867201400020001100003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="5a"></a><a href="#5b">5</a> Cf. Hermann Cohen, <i>Logik der reinen Erkentniss</i>.    <br>   <a name="6a"></a><a href="#6b">6</a> Cf., por exemplo, G. Heimans, <i>Gesetze und Elemente des wissenss chaftlichen Denkens</i>. p. 38, 64-65, 90, 181-189, 224, 242, etc. Tamb&eacute;m Sigwart. <i>Logik</i>, Vol. 2, p. 66, 40-41, 92. Para uma an&aacute;lise mais detalhada do ponto de vista psicol&oacute;gico ver: H. Lanz, <i>Das Problem der Gegenstandlichkeit in der modernen Logik</i>.    <br>   <a name="7a"></a><a href="#7b">7</a> Comp. Mach, <i>Erkenntniss und Irrtum</i>.     <!-- ref --><br>   <a name="8a"></a><a href="#8b">8</a> Husserl, <i>Logische Untersuchungen</i>, Vol. 1, p. 119: Vol. 2, p. 590-595.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993470&pid=S1809-6867201400020001100004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="9a"></a><a href="#9b">9</a> <i>Logische Untersuchungen</i>. Vol., p. 100, 117, 131, 184, etc.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993471&pid=S1809-6867201400020001100005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="10a"></a><a href="#10b">10</a> Husserl, <i>Logische Untersuchungen</i>, Vol. 2, p. 352.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993472&pid=S1809-6867201400020001100006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="11a"></a><a href="#11b">11</a> A fonte imediata das inspira&ccedil;&otilde;es intencionais de Husserl est&aacute; fundamentada n&atilde;o nos te&oacute;ricos da Idade M&eacute;dia, mas na Psicologia de Brentano. Segundo esse autor: "<i>Jedes psychische Ph&auml;nomen wird dadurch characterisiert, was von den Scholastikern die intentionale Inexistenz des Gegenstandes gennant wurde, und was we jetzt das Gerichtetsein auf das Object nennen w&uuml;rden.</i>" <i>Psychologie, 8</i>,115.    <!-- ref --><br>   <a name="12a"></a><a href="#12b">12</a> Moritz Geiger, <i>Beitr&auml;ge zur Ph&auml;nomenologie des &auml;sthetischen Genusses</i>, p. 592-594.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993474&pid=S1809-6867201400020001100007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="13a"></a><a href="#13b">13</a> HusserI, <i>Ideen</i>, p. 113.    <br>   <a name="14a"></a><a href="#14b">14</a> <i> lb.</i>, p. 204-205.    <!-- ref --><br>   <a name="15a"></a><a href="#15b">15</a> M. Geiger, <i>Beitr&auml;ge zur Ph&auml;nomenologie des &auml;sthetischen Genusses</i>, p. 571.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993477&pid=S1809-6867201400020001100008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="16a"></a><a href="#16b">16</a> M. Scheler, <i>Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik</i>, p. 43.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993478&pid=S1809-6867201400020001100009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><br>   <a name="17a"></a><a href="#17b">17</a> M. Scheler, <i>Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik</i>, p. 10, 15, 59, 79, 133, 260-272.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993479&pid=S1809-6867201400020001100010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><br>   <a name="18a"></a><a href="#18b">18</a> Husserl, <i>Idem</i>, p. 19.    <br>   <a name="19a"></a><a href="#19b">19</a> Husserl, <i>Idem</i>, p. 179-199.    <br>   <a name="20a"></a><a href="#20b">20</a> <i>lb.</i>, p. 182-183.2.    <br>   <a name="21a"></a><a href="#21b">21</a> <i>lb.</i>, p. 197.    <br>   <a name="22a"></a><a href="#22b">22</a> M. Scheler, <i>Der Formalismus in der Ethik</i>, p. 59.    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <a name="23a"></a><a href="#23b">23</a> Husserl, <i>Ideen</i>, p. 91-92.    <!-- ref --><br>   <a name="24a"></a><a href="#24b">24</a> M. Scheler, <i>Der Formalismus in der Ethik</i>, p. 46.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=2993486&pid=S1809-6867201400020001100011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>      ]]></body>
<back>
<ref-list>
<ref id="B1">
<nlm-citation citation-type="journal">
<source><![CDATA[The Monist]]></source>
<year>(Oct</year>
<month>),</month>
<day> 1</day>
<volume>34</volume>
<numero>4</numero>
<issue>4</issue>
<page-range>511-527</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B2">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Husserl]]></surname>
<given-names><![CDATA[Edmund]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Ideen zu einer reinen Phaenomenologie und phaenomenologischen Philosophie]]></source>
<year>1913</year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B3">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scheler]]></surname>
<given-names><![CDATA[Max]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B4">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Husserl]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Logische Untersuchungen]]></source>
<year></year>
<volume>1</volume><volume>2</volume>
<page-range>590-595</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B5">
<nlm-citation citation-type="">
<source><![CDATA[Logische Untersuchungen]]></source>
<year></year>
<page-range>100, 117, 131, 184</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B6">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Husserl]]></surname>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Logische Untersuchungen]]></source>
<year></year>
<volume>2</volume>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B7">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Geiger]]></surname>
<given-names><![CDATA[Moritz]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Beiträge zur Phänomenologie des ästhetischen Genusses]]></source>
<year></year>
<page-range>592-594</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B8">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Geiger]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Beiträge zur Phänomenologie des ästhetischen Genusses]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B9">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scheler]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
<ref id="B10">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scheler]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik]]></source>
<year></year>
<page-range>10, 15, 59, 79, 133, 260-272</page-range></nlm-citation>
</ref>
<ref id="B11">
<nlm-citation citation-type="">
<person-group person-group-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Scheler]]></surname>
<given-names><![CDATA[M.]]></given-names>
</name>
</person-group>
<source><![CDATA[Der Formalismus in der Ethik]]></source>
<year></year>
</nlm-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>
