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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Adoção tardia: percepções dos adotantes em relação aos períodos iniciais de adaptação]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[The adjustment period in an adoption has some characteristics that pose challenges for the family. In the adoption of children over two years, this period may be even more complex, being key to a successful adoption. A study was conducted with three couples who adopted children over two years old, aiming to understand feelings, perceptions, doubts, anxieties, joys and difficulties experienced in the early days of cohabitation in the families formed by adoption. In these cases of late adoption, the analysis of interviews with couples revealed that many factors contributed to the success of the initial adaptation and of the adoption as a whole, highlighting the characteristics of adopters and children. On the child's part, some aspects proved to be positive: knowing their adoption story in advance and being aware of the break with the family of origin. Regarding adopters, the facilitating factors were flexibility in relation to the peculiarities of adopting older children and respect to their characteristics, their ability to show affection, the attitude in relation to adoption, the inclusion of the child in the family's social activities and support from the extended family. There were no complicating factors mentioned by the respondents about adaptation itself, but couples cited the delay in the implementation of the judgment of adoption as a factor generating anxiety. The study showed a positive facet of late adoption, demonstrating the potential feasibility and success in these situations.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>PSICOLOGIA CL&Iacute;NICA E FAM&Iacute;LIA</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Ado&ccedil;&atilde;o tardia: percep&ccedil;&otilde;es dos adotantes em rela&ccedil;&atilde;o aos per&iacute;odos iniciais de adapta&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Late adoption: adopters' perceptions of the initial period of adjustment</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Amanda Bicca<sup>I</sup>; Luciana Su&aacute;rez Grzybowski<sup>II</sup></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Psic&oacute;loga do Tribunal de Justi&ccedil;a de Santa Catarina. Travessa S&iacute;lvio Roman, 45, 89700-000, Conc&oacute;rdia, SC, Brasil. <a href="mailto:amandabicca@tjsc.jus.br">amandabicca@tjsc.jus.br</a>    <br> <sup>II</sup>Universidade Federal de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de de Porto Alegre. Rua Sarmento Leite, 245, sala 207, 90050-170, Porto Alegre, RS, Brasil. <a href="mailto:lucianasg@ufcspa.edu.br">lucianasg@ufcspa.edu.br</a></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o, em uma ado&ccedil;&atilde;o, traz algumas caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias, que geram desafios para a fam&iacute;lia. Nas ado&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as com idade acima de dois anos, tal per&iacute;odo pode se apresentar ainda mais complexo, sendo sua supera&ccedil;&atilde;o fundamental para o &ecirc;xito da ado&ccedil;&atilde;o. Dessa forma, foi realizado um estudo com tr&ecirc;s casais que realizaram ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as com mais de dois anos de idade, com o objetivo de conhecer sentimentos, percep&ccedil;&otilde;es, d&uacute;vidas, anseios, dificuldades e alegrias vivenciadas nos primeiros tempos de conviv&ecirc;ncia das fam&iacute;lias constitu&iacute;das pela ado&ccedil;&atilde;o. Nesses casos de ado&ccedil;&atilde;o tardia, a an&aacute;lise das entrevistas com os casais revelou que muitos fatores contribu&iacute;ram para o sucesso da adapta&ccedil;&atilde;o inicial e da ado&ccedil;&atilde;o como um todo, com destaque para as caracter&iacute;sticas dos adotantes e das crian&ccedil;as. Da parte da crian&ccedil;a, mostrou-se positivo o fato de ela j&aacute; saber de sua hist&oacute;ria de ado&ccedil;&atilde;o e de ter consci&ecirc;ncia do rompimento com a fam&iacute;lia de origem. Em rela&ccedil;&atilde;o aos adotantes, os aspectos facilitadores foram a flexibilidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s peculiaridades da ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores e o respeito &agrave;s suas caracter&iacute;sticas, sua capacidade de demonstrar afeto, a postura de naturalidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, a inser&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a nas atividades sociais da fam&iacute;lia e o apoio da fam&iacute;lia extensa. N&atilde;o foram referidos pelos entrevistados fatores dificultadores da adapta&ccedil;&atilde;o em si, mas os casais citaram a demora para a concretiza&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a de ado&ccedil;&atilde;o como fator gerador de ansiedade. O estudo mostrou uma faceta positiva da ado&ccedil;&atilde;o tardia, evidenciando o potencial de viabilidade e o &ecirc;xito nessas situa&ccedil;&otilde;es.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Palavras-chave:</b> ado&ccedil;&atilde;o tardia, fam&iacute;lia, adapta&ccedil;&atilde;o.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">The adjustment period in an adoption has some characteristics that pose challenges for the family. In the adoption of children over two years, this period may be even more complex, being key to a successful adoption. A study was conducted with three couples who adopted children over two years old, aiming to understand feelings, perceptions, doubts, anxieties, joys and difficulties experienced in the early days of cohabitation in the families formed by adoption. In these cases of late adoption, the analysis of interviews with couples revealed that many factors contributed to the success of the initial adaptation and of the adoption as a whole, highlighting the characteristics of adopters and children. On the child's part, some aspects proved to be positive: knowing their adoption story in advance and being aware of the break with the family of origin. Regarding adopters, the facilitating factors were flexibility in relation to the peculiarities of adopting older children and respect to their characteristics, their ability to show affection, the attitude in relation to adoption, the inclusion of the child in the family's social activities and support from the extended family. There were no complicating factors mentioned by the respondents about adaptation itself, but couples cited the delay in the implementation of the judgment of adoption as a factor generating anxiety. The study showed a positive facet of late adoption, demonstrating the potential feasibility and success in these situations.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> late adoption, family, adaptation.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ado&ccedil;&atilde;o consiste no mecanismo legal que propicia &agrave; crian&ccedil;a ou ao adolescente a inser&ccedil;&atilde;o de forma integral em uma nova fam&iacute;lia, adquirindo condi&ccedil;&atilde;o de filho, com car&aacute;ter irrevog&aacute;vel. Ela &eacute; a possibilidade de garantir o direito &agrave; conviv&ecirc;ncia familiar ap&oacute;s o esgotamento de todas as outras possibilidades de perman&ecirc;ncia na fam&iacute;lia de origem. Assim, a ado&ccedil;&atilde;o se constitui no ponto de partida para uma nova fase na vida do adotando, a partir da vincula&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia adotiva. Com isso, surgem transforma&ccedil;&otilde;es sociais e emocionais e, consequentemente, um aprimoramento na imagem que tem de si pr&oacute;prio e do mundo (Fonseca, 2002; Schettini Filho, 2009; Vargas, 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando a idade desse adotando &eacute; superior a dois anos de idade, ela &eacute;, usualmente, denominada 'ado&ccedil;&atilde;o tardia' (Paiva, 2004; Weber, 2004). Em debates sobre o tema tem-se utilizado tamb&eacute;m o termo 'ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores', numa tentativa de afirmar que n&atilde;o existe um tempo exato ou adequado para a ado&ccedil;&atilde;o, ou mesmo que possa parecer 'tarde demais'. No entanto, optou-se por utilizar, neste trabalho, o termo 'ado&ccedil;&atilde;o tardia', por ser amplamente utilizado na literatura cient&iacute;fica da &aacute;rea, bem como em textos t&eacute;cnicos e jur&iacute;dicos, incluindo a Lei da Ado&ccedil;&atilde;o (Brasil, 2009), o Plano Nacional de Conviv&ecirc;ncia Familiar e Comunit&aacute;ria (PNCFC) e o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (1990).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, o &iacute;ndice de pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o que desejam adotar crian&ccedil;as maiores de dois anos &eacute; bastante reduzido. Segundo dados do Cadastro Nacional de Ado&ccedil;&atilde;o (CNJ, 2014), dos cerca de 27.363 pretendentes cadastrados, 41% colocam como limite m&aacute;ximo de idade para a crian&ccedil;a pretendida um ano de idade, 54% estabelece tr&ecirc;s anos como limite e apenas 5% aceita crian&ccedil;as com at&eacute; 10 anos, sendo que, acima dessas faixas et&aacute;rias, inexistem candidatos. Por outro lado, das 4.791 crian&ccedil;as dispon&iacute;veis para ado&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, 53% apresentam idade superior a 10 anos, 26,8% se encontram na faixa entre cinco e dez anos, 12% apresentam idade entre um e cinco anos e somente 1,2% est&atilde;o com menos de um ano de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observa-se, a partir desses dados, que a ampla maioria dos pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o preferem crian&ccedil;as at&eacute; 3 anos de idade, mas as crian&ccedil;as dispon&iacute;veis est&atilde;o concentradas na faixa et&aacute;ria dos 5 aos 10 anos ou mais (CNJ, 2014). Assim, verifica-se a exist&ecirc;ncia de uma grande discrep&acirc;ncia entre as necessidades das crian&ccedil;as que aguardam a inser&ccedil;&atilde;o em uma fam&iacute;lia e os desejos dos candidatos &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, que parecem n&atilde;o apresentar disponibilidade ou n&atilde;o se considerar preparados para realizar uma ado&ccedil;&atilde;o tardia, ado&ccedil;&atilde;o esta ainda permeada por muitos mitos e fantasias (Schettini <i>et al.,</i> 2006).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Devido a essas disson&acirc;ncias, diversas iniciativas est&atilde;o sendo tomadas para incentivar a ado&ccedil;&atilde;o tardia. A Lei 12010/09 (Brasil, 2009), conhecida como 'Lei da ado&ccedil;&atilde;o', buscou acelerar o processo de ado&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, bem como qualific&aacute;-lo. Destaca-se a altera&ccedil;&atilde;o no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (Brasil, 1990), no seu artigo 197 - C &#167; 1º, tornando obrigat&oacute;ria, para todos os pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, a participa&ccedil;&atilde;o em programa de prepara&ccedil;&atilde;o psicossocial e jur&iacute;dica. A Lei expressa que, no referido programa, entre outros t&oacute;picos, deve ser inclu&iacute;da a discuss&atilde;o e o est&iacute;mulo a ado&ccedil;&otilde;es tardias, de crian&ccedil;as com necessidades especiais, portadoras do v&iacute;rus HIV, grupos de irm&atilde;os e interraciais. Da mesma forma, o Plano Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o, Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa do Direito de Crian&ccedil;as e Adolescentes &agrave; Conviv&ecirc;ncia Familiar e Comunit&aacute;ria (Brasil, 2006) preconiza o est&iacute;mulo &agrave;s ado&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as em faixas et&aacute;rias mais avan&ccedil;adas e de adolescentes, com o objetivo de possibilitar adequada conviv&ecirc;ncia familiar e comunit&aacute;ria. Al&eacute;m disso, tem crescido progressivamente o n&uacute;mero de GEAAs (Grupos de Estudos e Apoio &agrave; Ado&ccedil;&atilde;o), organiza&ccedil;&otilde;es que t&ecirc;m por objetivo apoiar e esclarecer os pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, bem como os que j&aacute; adotaram. Esses grupos trazem, tamb&eacute;m, como um de seus objetivos, favorecer as categorias descritas acima, incluindo a ado&ccedil;&atilde;o tardia (Angaad, 2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos casos de concretiza&ccedil;&atilde;o de uma ado&ccedil;&atilde;o tardia, &eacute; necess&aacute;rio um per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o para o seu &ecirc;xito. A partir do momento em que os pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o assumem a guarda, para fins de ado&ccedil;&atilde;o de uma crian&ccedil;a ou de um adolescente, inicia-se o per&iacute;odo denominado est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia, que perdura at&eacute; o momento em que a senten&ccedil;a de ado&ccedil;&atilde;o &eacute; homologada. A dura&ccedil;&atilde;o deste per&iacute;odo depende de determina&ccedil;&atilde;o judicial e pode ser prorrogada por sugest&atilde;o da equipe t&eacute;cnica que o acompanha (Brasil, 1990). Nesse per&iacute;odo, &eacute; recomend&aacute;vel que haja um acompanhamento t&eacute;cnico, com o objetivo de fornecer suporte ao agrupamento familiar nas poss&iacute;veis dificuldades e nos desafios que poder&atilde;o surgir. Assim, o per&iacute;odo de est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia &eacute; de crucial import&acirc;ncia para o desenvolvimento dos la&ccedil;os de afetividade entre adotando(s) e adotante(s) (Paiva, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A produ&ccedil;&atilde;o de pesquisas que abordam essas viv&ecirc;ncias no decorrer desse per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o &eacute; escassa. Costa e Rossetti-Ferreira (2007) pesquisaram os processos de constru&ccedil;&atilde;o da maternidade e paternidade em situa&ccedil;&otilde;es de ado&ccedil;&atilde;o tardia por meio de um estudo de caso com um casal que adotou duas crian&ccedil;as com idade superior a quatro anos em diferentes momentos do est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia. Ao final da pesquisa, os autores concebem o est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia como um per&iacute;odo fr&aacute;gil, no qual os v&iacute;nculos estariam sendo constru&iacute;dos e a possibilidade de devolu&ccedil;&atilde;o estaria constantemente presente. Na ado&ccedil;&atilde;o tardia, o est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia traria algumas caracter&iacute;sticas peculiares, pois o adotando j&aacute; apresenta postura ativa, interferindo na din&acirc;mica familiar de forma mais intensa, al&eacute;m de j&aacute; apresentar viv&ecirc;ncias anteriores que repercutem no seu estilo de viver, aprender, sentir e pensar. Assim, o per&iacute;odo de est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia nas ado&ccedil;&otilde;es tardias seria marcado por maiores desafios, sendo necess&aacute;ria constante articula&ccedil;&atilde;o entre as necessidades e os desejos da crian&ccedil;a ou do adolescente e dos pais ou demais membros do grupo familiar. A pesquisa ressalta, ainda, a import&acirc;ncia de um acompanhamento p&oacute;s-ado&ccedil;&atilde;o adequado &agrave;s necessidades dessa fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em pesquisa cujo tema foi a constru&ccedil;&atilde;o da identidade nas fam&iacute;lias adotivas, Schettini <i>et al.</i> (2006) ressaltam a relut&acirc;ncia dos pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o em aceitar crian&ccedil;as com idade superior a dois anos por temerem a exist&ecirc;ncia de traumas derivados de suas viv&ecirc;ncias com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica ou nos programas de acolhimento e acreditarem que tais crian&ccedil;as poderiam ter maiores dificuldades em estabelecer v&iacute;nculos com a fam&iacute;lia adotiva. Os autores ressaltam a necessidade de os pais adotivos conseguirem ajudar o filho a integrar a viv&ecirc;ncia pr&eacute;via com a fam&iacute;lia biol&oacute;gica &agrave; sua hist&oacute;ria de vida, permitindo ao filho a valoriza&ccedil;&atilde;o daquela etapa de sua vida. Tal abertura dos adotantes &agrave; hist&oacute;ria de vida da crian&ccedil;a seria fundamental para a adequada adapta&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Diversos autores citam caracter&iacute;sticas consideradas comuns no per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a &agrave; nova fam&iacute;lia. Vargas (1998) cita como pontos comuns apresentados pelos adotantes no in&iacute;cio da adapta&ccedil;&atilde;o: comportamentos regressivos, agressividade, ritmo de desenvolvimento global bastante acelerado, esfor&ccedil;o da crian&ccedil;a para se identificar com as novas figuras parentais, enfrentamento do preconceito social e necessidade de prepara&ccedil;&atilde;o e acompanhamento espec&iacute;fico no processo. Schettini Filho (2009) tamb&eacute;m traz essas caracter&iacute;sticas como inerentes ao processo de adapta&ccedil;&atilde;o e ressalta que as altera&ccedil;&otilde;es de comportamento apresentadas pelo adotando expressam o que se passa na sua intimidade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m das caracter&iacute;sticas j&aacute; citadas, diversos autores (Otuka <i>et al.</i>, 2013; Reppold e Hutz, 2003; Sasson e Suzuki, 2012; Schettini Filho, 2006) referem rea&ccedil;&otilde;es de desconforto por parte da crian&ccedil;a, as quais n&atilde;o devem ser interpretadas, necessariamente, como inadapta&ccedil;&atilde;o ou rejei&ccedil;&atilde;o, pois, muitas vezes, refletem a busca de acolhimento para a constru&ccedil;&atilde;o de novos v&iacute;nculos afetivos. Comportamentos de indiferen&ccedil;a, lentid&atilde;o na matura&ccedil;&atilde;o e recusa em aprender, tamb&eacute;m poss&iacute;veis de ocorrer, podem significar tentativas de prote&ccedil;&atilde;o contra um novo abandono. Muitas vezes, a crian&ccedil;a direciona aos pais adotivos agress&otilde;es relacionadas aos genitores, o que pode gerar m&aacute;goas, tanto nos pais, quanto na crian&ccedil;a. Em alguns casos, as dificuldades no per&iacute;odo cr&iacute;tico de adapta&ccedil;&atilde;o podem gerar intensa frustra&ccedil;&atilde;o, colocando em risco o processo de vincula&ccedil;&atilde;o afetiva se n&atilde;o houver um acompanhamento adequado.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tamb&eacute;m as caracter&iacute;sticas dos adotantes s&atilde;o relevantes neste processo de vincula&ccedil;&atilde;o. Estudos envolvendo caracter&iacute;sticas comuns dos adotantes de crian&ccedil;as maiores (Ebrahim, 2001; Otuka <i>et al.</i>, 2012; Sasson e Suziki, 2012) apontam aspectos como altru&iacute;smo, maturidade e estabilidade emocional. Os autores descrevem o altru&iacute;smo como um comportamento voltado ao atendimento das necessidades alheias, sem a espera de benef&iacute;cios advindos de seus atos. A maturidade seria a resultante da intera&ccedil;&atilde;o entre tra&ccedil;os psicol&oacute;gicos, biol&oacute;gicos e sociais e estaria relacionada ao equil&iacute;brio entre o autoconceito e as mudan&ccedil;as de papel. J&aacute; a estabilidade emocional seria definida como capacidade de tolerar frustra&ccedil;&otilde;es, enfrentando as condi&ccedil;&otilde;es insatisfat&oacute;rias de forma realista, constante e equilibrada. Os autores citam, ainda, como caracter&iacute;sticas comuns dos adotantes de crian&ccedil;as maiores, um n&iacute;vel s&oacute;cio-econ&ocirc;mico superior e a presen&ccedil;a de filhos biol&oacute;gicos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&oacute;lon (2006), em pesquisa realizada com crian&ccedil;as adotadas depois dos dois anos de idade, critica as concep&ccedil;&otilde;es deterministas segundo as quais a crian&ccedil;a que &eacute; inserida tardiamente em uma fam&iacute;lia substituta teria seu desenvolvimento prejudicado, trazendo a reflex&atilde;o sobre aspectos hist&oacute;ricos e culturais envolvidos em cada ado&ccedil;&atilde;o. A autora salienta, ainda, que o desconhecimento sobre o passado dos filhos e a disponibilidade insuficiente para escut&aacute;-los seriam fatores complicadores no processo de adapta&ccedil;&atilde;o entre a fam&iacute;lia e a crian&ccedil;a. Nesse sentido, Segalin (2013) aponta o per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e a fam&iacute;lia adotiva como um momento significativo para todos os envolvidos, mas que demanda aprendizado de novos pap&eacute;is e reorganiza&ccedil;&atilde;o de aspectos como rotina, espa&ccedil;o f&iacute;sico e or&ccedil;amento dom&eacute;stico. Em seu estudo, a autora aponta a import&acirc;ncia do tempo de conv&iacute;vio entre pais e filhos nesse per&iacute;odo, ressaltando a import&acirc;ncia da licen&ccedil;a maternidade como meio facilitador da adapta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com base no exposto, identifica-se de grande relev&acirc;ncia a realiza&ccedil;&atilde;o de pesquisas sobre as particularidades desse per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o, de forma a produzir subs&iacute;dios para a atua&ccedil;&atilde;o de profissionais que lidam com fam&iacute;lias em processos de ado&ccedil;&atilde;o, diminuindo a incid&ecirc;ncia de 'devolu&ccedil;&otilde;es'. Al&eacute;m disso, estudos neste campo contribuem para desmistificar preconceitos e mitigar fantasias a partir do conhecimento da realidade vivida por fam&iacute;lias adotantes de crian&ccedil;as maiores. Assim, com a presente pesquisa, buscou-se conhecer sentimentos, percep&ccedil;&otilde;es, d&uacute;vidas, anseios, dificuldades e alegrias vivenciadas nos primeiros tempos de conviv&ecirc;ncia das fam&iacute;lias constitu&iacute;das pela ado&ccedil;&atilde;o tardia.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i><b>Participantes</b></i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os participantes da pesquisa foram tr&ecirc;s casais, residentes em uma comarca da regi&atilde;o oeste de Santa Catarina, escolhidos aleatoriamente entre aqueles que realizaram ado&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as com idade superior a dois anos de idade no per&iacute;odo de 2009 a 2011.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Instrumentos e procedimentos</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por meio de consulta aos processos de ado&ccedil;&atilde;o da Vara de Fam&iacute;lia, &Oacute;rf&atilde;os, Sucess&otilde;es, Inf&acirc;ncia e Juventude do F&oacute;rum de uma comarca da regi&atilde;o oeste de Santa Catarina, foram selecionados 3 casais que adotaram crian&ccedil;as com mais de dois anos de idade. Optou-se por escolher casais que se inscreveram para ado&ccedil;&atilde;o antes da nova lei da ado&ccedil;&atilde;o, evitando que tivessem sido avaliados ou acompanhados pela pesquisadora. A metodologia empregada foi o estudo de casos m&uacute;ltiplos (Stake, 2000), sendo realizadas entrevistas semi-estruturadas (Kidder, 1987; Gaskell, 2002) com cada casal nas resid&ecirc;ncias dos participantes. A entrevista abordou, principalmente, o tempo transcorrido desde a ado&ccedil;&atilde;o, a idade da crian&ccedil;a ao ser adotada, rea&ccedil;&otilde;es &agrave; chegada da crian&ccedil;a, desafios encontrados durante o per&iacute;odo de adapta&ccedil;&atilde;o, sentimentos associados, fatores facilitadores, fatores dificultadores, avalia&ccedil;&atilde;o geral da experi&ecirc;ncia e sugest&otilde;es. Todos assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido e as entrevistas foram gravadas para posterior transcri&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise. Ap&oacute;s o t&eacute;rmino da pesquisa, foi realizado novo contato com os participantes para devolu&ccedil;&atilde;o dos resultados encontrados. A pesquisa orientou-se pelos preceitos &eacute;ticos recomendados pela Resolu&ccedil;&atilde;o 196/96 (CNP, 1996), iniciando-se a coleta ap&oacute;s a aprova&ccedil;&atilde;o do CEP da Universidade Comunit&aacute;ria Regional de Chapec&oacute;/SC - Unochapec&oacute; (Protocolo 034/2012).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Procedimentos de an&aacute;lise dos dados</i></b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os relatos obtidos nas entrevistas foram analisados por meio da an&aacute;lise do conte&uacute;do cl&aacute;ssica (Bauer <i>et al.,</i> 2002) a partir das vari&aacute;veis explicativas do fen&ocirc;meno da ado&ccedil;&atilde;o tardia encontradas na literatura pesquisada: expectativas dos adotantes X caracter&iacute;sticas dos adotandos (Reppold e Hutz, 2003; Schettini <i>et al.,</i> 2006; Costa e Rossetti-Ferreira, 2007); rela&ccedil;&atilde;o dos adotantes com a hist&oacute;ria de vida e o passado do adotando (Schettini <i>et al.</i>, 2006; S&oacute;lon, 2006); processo de adapta&ccedil;&atilde;o - tempo, ritmo, caracter&iacute;sticas, mudan&ccedil;as e peculiaridades - (Vargas, 1998; Otuka <i>et al.</i>, 2013; Reppold e Hutz, 2003; Sasson e Suzuki, 2012; Schettini Filho, 2006, 2009); caracter&iacute;sticas dos adotantes (Ebrahim, 2001; Otuka <i>et al.</i>, 2012; Sasson e Suziki, 2012); forma&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo afetivo (Otuka <i>et al.</i>, 2013; Schettini Filho, 2006; Segalin, 2013; Vargas, 1998). Inicialmente, realizou-se uma an&aacute;lise por caso (vertical) com posterior integra&ccedil;&atilde;o entre os achados (horizontal), visando uma an&aacute;lise que englobasse aspectos particulares e comuns entre os participantes da pesquisa.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Resultados e discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os resultados encontrados nas entrevistas s&atilde;o apresentados, inicialmente, de forma sucinta e separada por cada caso. Ap&oacute;s essa exposi&ccedil;&atilde;o, apresenta-se sua discuss&atilde;o e sua an&aacute;lise integrada. Ressalta-se que todos os nomes s&atilde;o fict&iacute;cios, preservando o anonimato dos participantes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b><i>Apresenta&ccedil;&atilde;o dos casais</i></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Casal 1: Ana e Daniel</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ana e Daniel, empres&aacute;rios do ramo da eletr&ocirc;nica, est&atilde;o casados h&aacute; 17 anos. Em 2008, inscreveram-se no cadastro de pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o para crian&ccedil;as com idade de 0 a 4 anos, de cor branca ou mulata, sem irm&atilde;os e saud&aacute;veis.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A op&ccedil;&atilde;o pela ado&ccedil;&atilde;o deveu-se ao quadro de infertilidade apresentado por Daniel. O casal havia realizado uma tentativa de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, sem sucesso, cinco anos antes da inscri&ccedil;&atilde;o. Afirmaram n&atilde;o terem realizado outras tentativas no intuito de evitar maiores frustra&ccedil;&otilde;es. Ap&oacute;s um ano de espera, adotaram M&aacute;rio, com tr&ecirc;s anos, na mesma comarca onde residem. A crian&ccedil;a estava em programa de acolhimento h&aacute; dez meses. O est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia foi acompanhado por assistente social.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O casal refere como primeiro <i>desafio apresentado</i> as modifica&ccedil;&otilde;es na rotina surgidas com a chegada da crian&ccedil;a. Os entrevistados ressaltaram o fato de terem vivido bastante tempo sozinhos como um <i>fator potencialmente dificultador</i> da adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; vinda de um novo membro no grupo familiar. Ana e Daniel citaram como principal modifica&ccedil;&atilde;o nessa rotina o tempo di&aacute;rio dedicado ao trabalho, j&aacute; que ela precisou diminuir pela metade sua carga hor&aacute;ria para se dedicar aos cuidados com o filho. Outro <i>desafio encontrado</i> foi a preocupa&ccedil;&atilde;o com os problemas de sa&uacute;de apresentados pelo menino, sem maior gravidade, mas que dispensaram certa aten&ccedil;&atilde;o, sendo algo at&eacute; ent&atilde;o desconhecido do casal. As caracter&iacute;sticas e os comportamentos da crian&ccedil;a s&atilde;o apontados pelos sujeitos como <i>fator central para o sucesso da adapta&ccedil;&atilde;o.</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A idade da crian&ccedil;a foi apontada como <i>fator facilitador da adapta&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e a fam&iacute;lia</i>, pelo fato de ele j&aacute; apresentar certa compreens&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o e ter sido aparentemente 'preparado' para isso. O momento em que M&aacute;rio chamou Daniel de pai pela primeira vez, durante a aproxima&ccedil;&atilde;o, teve destaque em suas falas. O entrevistado discorreu sobre esse momento como sendo uma abertura para que ele assumisse seu novo papel.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O casal demonstrou satisfa&ccedil;&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; concretiza&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o, referindo-se a ela como o preenchimento de um vazio e a complementa&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia. Como <i>sugest&atilde;o</i>, citaram a possibilidade de haver troca de experi&ecirc;ncias entre adotantes e pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Casal 2: Adriana e Luciano</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Adriana e Luciano, comerciantes, est&atilde;o casados h&aacute; 17 anos. No ano de 2007, ap&oacute;s realizarem algumas tentativas sem sucesso de fertiliza&ccedil;&atilde;o <i>in vitro</i>, devido a uma obstru&ccedil;&atilde;o tub&aacute;ria apresentada por Adriana, optaram pela ado&ccedil;&atilde;o. Um casal de amigos dos entrevistados estava com uma crian&ccedil;a sob guarda. Atrav&eacute;s desse casal, Adriana e Luciano tomaram conhecimento da exist&ecirc;ncia do irm&atilde;o da referida crian&ccedil;a, Jo&atilde;o, que contava com dois anos e meio. Jo&atilde;o estava, na &eacute;poca, aos cuidados da av&oacute;, que n&atilde;o desejava mais exercer sua guarda. Os pais do menino, por sua vez, n&atilde;o se encontravam em condi&ccedil;&otilde;es de exercer as fun&ccedil;&otilde;es parentais, de modo que concordaram que Adriana e Luciano postulassem a guarda da crian&ccedil;a.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Logo ap&oacute;s obterem a guarda pelas vias judiciais, o casal instaurou processo de ado&ccedil;&atilde;o, concomitante &agrave; destitui&ccedil;&atilde;o do poder familiar, sendo que os pais biol&oacute;gicos de Jo&atilde;o consentiram com a entrega do menino ao casal na modalidade de ado&ccedil;&atilde;o. Ao todo, Jo&atilde;o est&aacute; com a fam&iacute;lia h&aacute; seis anos, com ado&ccedil;&atilde;o formalizada h&aacute; cerca de dez meses. A crian&ccedil;a mant&eacute;m contato com a irm&atilde; biol&oacute;gica, atualmente adotada pelo casal de amigos de seus pais.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute; necess&aacute;rio observar que essa ado&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ocorreu conforme o previsto na legisla&ccedil;&atilde;o brasileira, pois o casal n&atilde;o estava inscrito no cadastro de pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o. Sendo assim, n&atilde;o houve est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia propriamente dito e o casal teve contato com profissionais forenses somente no momento das avalia&ccedil;&otilde;es para a regulariza&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o. Assim, essa ado&ccedil;&atilde;o caracterizou-se como ado&ccedil;&atilde;o <i>intuitu personae</i>, sendo essa modalidade de ado&ccedil;&atilde;o aquela nas quais os pais biol&oacute;gicos entregam o filho diretamente aos adotantes, com comprovados v&iacute;nculos de afeto ou quando os adotantes j&aacute; possuem guarda legal da crian&ccedil;a h&aacute; tempo suficiente para a constru&ccedil;&atilde;o de v&iacute;nculos de afeto, estando a crian&ccedil;a com mais de tr&ecirc;s anos de idade.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como <i>rea&ccedil;&otilde;es iniciais</i> &agrave; chegada de Jo&atilde;o, o casal citou a necessidade de adquirir itens de alimenta&ccedil;&atilde;o, vestu&aacute;rio e brinquedos adequados &agrave; sua necessidade. Nas suas falas, n&atilde;o foi ressaltado o impacto financeiro disso, mas as inseguran&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s escolhas relativas a tais necessidades. A preocupa&ccedil;&atilde;o com a sa&uacute;de da crian&ccedil;a tamb&eacute;m foi item destacado, j&aacute; que Jo&atilde;o chegou em estado de desnutri&ccedil;&atilde;o, atraso no desenvolvimento e certa fragilidade inicial em seu estado geral de sa&uacute;de. O casal relatou que qualquer sintoma apresentado despertava neles grande ang&uacute;stia em conhecer sua causa. Adriana e Luciano declararam ter se preocupado que a crian&ccedil;a pudesse apresentar algum problema de sa&uacute;de de ordem heredit&aacute;ria, por n&atilde;o conhecerem seu hist&oacute;rico familiar. O casal referiu, ainda, preocupa&ccedil;&atilde;o com que Jo&atilde;o se sentisse aceito e inserido no grupo familiar desde o in&iacute;cio. Ressalta-se que esse casal, dentre os entrevistados, foi o &uacute;nico que se referiu ao temor de que a crian&ccedil;a pudesse ter trazido alguma doen&ccedil;a de ordem gen&eacute;tica. Provavelmente, tal temor esteja relacionado ao fato de as etapas iniciais da ado&ccedil;&atilde;o terem sido realizadas fora das esferas legais. Sendo realizada informalmente, o casal n&atilde;o teve acesso &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es a respeito do hist&oacute;rico da crian&ccedil;a e de sua fam&iacute;lia de origem, propiciando o surgimento de medos e ang&uacute;stias relacionados a essas caracter&iacute;sticas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O <i>principal desafio encontrado</i> na adapta&ccedil;&atilde;o desse grupo familiar foi a dificuldade de vincula&ccedil;&atilde;o de Jo&atilde;o com Adriana no in&iacute;cio da conviv&ecirc;ncia. Eles relataram que o menino, inicialmente, identificou-se apenas com Luciano, desejando que ele se responsabilizasse por seus cuidados e chegando a manifestar algumas atitudes de rejei&ccedil;&atilde;o direcionadas &agrave; m&atilde;e. Com o passar do tempo, Adriana conseguiu estabelecer rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a com o filho. Importa salientar que, em momento algum de suas falas, o casal atribuiu culpa &agrave; crian&ccedil;a por esse comportamento. Ao contr&aacute;rio, os entrevistados buscaram, nas poucas informa&ccedil;&otilde;es que conseguiram colher acerca de sua hist&oacute;ria, algumas justificativas para essa rejei&ccedil;&atilde;o inicial, como o fato dele ter convivido apenas com o pai, desconhecendo a rela&ccedil;&atilde;o de m&atilde;e e filho. &Eacute; poss&iacute;vel que a crian&ccedil;a estivesse se protegendo da possibilidade de novo abandono. Assim, as atitudes de Adriana, em permitir que o filho fosse desenvolvendo, aos poucos, a confian&ccedil;a necess&aacute;ria, permitiu o gradual estabelecimento da vincula&ccedil;&atilde;o afetiva.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foram relatados comportamentos de acolhimento e disponibilidade para a constru&ccedil;&atilde;o do v&iacute;nculo, compreendendo que, para o sucesso da ado&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio que haja uma adapta&ccedil;&atilde;o de todos os membros da fam&iacute;lia e n&atilde;o apenas da crian&ccedil;a. Como exemplo disso, pode-se citar o fato de Adriana ter diminu&iacute;do a sua carga de trabalho pelo intervalo de um ano, conseguindo permanecer um per&iacute;odo di&aacute;rio com o filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o aos <i>fatores facilitadores</i> do processo de adapta&ccedil;&atilde;o, o casal citou, primeiramente, a forma natural com que lidaram com a ado&ccedil;&atilde;o, observando que sua abertura &agrave;s caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a teria permitido que ele se inserisse com facilidade naquele n&uacute;cleo familiar. Verificou-se, em seu discurso, real aceita&ccedil;&atilde;o das qualidades da crian&ccedil;a, sem cobran&ccedil;as para que se adequasse aos h&aacute;bitos e gostos da fam&iacute;lia. Concomitante a isso, percebeu-se atitude de respeito &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es que ele trazia sobre sua origem e sua hist&oacute;ria de vida, demonstrando aceita&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a como realmente &eacute; e facilitando sua integra&ccedil;&atilde;o na nova fam&iacute;lia. Exemplos disso foram constatados com o fato de o pai se oferecer para ir buscar fotos de quando Jo&atilde;o era beb&ecirc; em sua fam&iacute;lia de origem ao se deparar com a curiosidade do menino nesse sentido. Outro momento em que isso ficou claro foi em conversa sobre o time de futebol para o qual o pai torce, em contraponto ao time de prefer&ecirc;ncia do genitor de Pedro: Jo&atilde;o - "Pai, sabe, n&atilde;o vai ficar brabo, pai. Pai, o meu outro ex-pai, l&aacute;, ele torcia pelo Inter. Entendeu? (risos)". Luciano: - "Jo&atilde;o..., fica &agrave; vontade, se quiser torcer para o Inter, torce, n&atilde;o tem problema, n&atilde;o tem motivo, o pai &eacute; do Gr&ecirc;mio, mas voc&ecirc; escolhe o time". Jo&atilde;o - "N&atilde;o, pai, eu sou do Gr&ecirc;mio, pai". Este di&aacute;logo demonstra claramente a seguran&ccedil;a do adotante quanto &agrave; rela&ccedil;&atilde;o de parentalidade, o que faz como que ele se permita agir de modo aberto e flex&iacute;vel, facilitando a express&atilde;o emocional do filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O apoio e participa&ccedil;&atilde;o de familiares e amigos tamb&eacute;m foram apontados como importante para o processo de adapta&ccedil;&atilde;o. Os entrevistados relataram que, desde o in&iacute;cio, receberam constantes visitas de amigos e familiares com filhos, permitindo o entrosamento da crian&ccedil;a com seus pares e obtendo apoio externo frente aos desafios encontrados. Entre os casais que mantinham contato frequente neste per&iacute;odo est&atilde;o os pais por ado&ccedil;&atilde;o da irm&atilde; biol&oacute;gica de Jo&atilde;o. Observou-se que, provavelmente, este amplo apoio social externo, de alguma forma, tenha suprido a aus&ecirc;ncia do acompanhamento profissional durante os primeiros tempos da conviv&ecirc;ncia. Por outro lado, Luciano, em suas falas, admitiu ter vivenciado situa&ccedil;&otilde;es de preconceito social relacionado &agrave; ado&ccedil;&atilde;o.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A idade da crian&ccedil;a tamb&eacute;m foi citada pelo casal como <i>fator facilitador</i> para a adapta&ccedil;&atilde;o. Eles afirmaram acreditar que o fato de Jo&atilde;o j&aacute; estar com mais de dois anos na &eacute;poca teria permitido maior compreens&atilde;o dele acerca da ado&ccedil;&atilde;o. O casal demonstrou profunda satisfa&ccedil;&atilde;o com a ado&ccedil;&atilde;o, verbalizando sentimento de alegria e culpabiliza&ccedil;&atilde;o por n&atilde;o ter adotado antes. Em rela&ccedil;&atilde;o a isso, os entrevistados declararam imaginar que a crian&ccedil;a tenha vivenciado situa&ccedil;&otilde;es de priva&ccedil;&atilde;o e sofrimento, cobrando-se por n&atilde;o estarem com ele naquela &eacute;poca. Quanto &agrave; trajet&oacute;ria vivida com a ado&ccedil;&atilde;o, ambos os entrevistados afirmaram ter crescido emocionalmente com a experi&ecirc;ncia e terem realizado novos aprendizados na conviv&ecirc;ncia com Jo&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os entrevistados se referiram a alguns <i>desafios</i> ainda enfrentados, como o preconceito social e o despreparo de alguns educadores, que ainda solicitam em trabalhos escolares, por exemplo, informa&ccedil;&otilde;es sobre a fase de beb&ecirc; dos alunos. Em rela&ccedil;&atilde;o a esses desafios atuais, Adriana e Luciano se reportam ao grupo de apoio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o do qual participam como fonte de aux&iacute;lio e de esclarecimento. Assim como os outros casais, trazem como sugest&atilde;o a possibilidade de trocas de experi&ecirc;ncias entre pretendentes e pais por ado&ccedil;&atilde;o visando auxiliar o processo de adapta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias adotivas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><i>Casal 3: Adriano e Carolina</i></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O casal Adriano e Carolina, agricultores, atualmente casados h&aacute; 28 anos, inscreveu-se no cadastro de pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o no ano de 2009, para crian&ccedil;as com idade entre um e sete anos, de qualquer etnia ou sexo, podendo ter problemas de sa&uacute;de trat&aacute;veis e aceitando grupos de irm&atilde;os. Cinco meses ap&oacute;s a inscri&ccedil;&atilde;o, adotaram Pedro, com seis anos de idade, em outra comarca do Estado. Antes da ado&ccedil;&atilde;o, o casal teve um filho, que veio a falecer aos dezoito anos de idade, cerca de cinco anos antes da ado&ccedil;&atilde;o. Ao decidirem serem pais novamente, o casal descartou a possibilidade de filia&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, pois Carolina j&aacute; havia sofrido um aborto espont&acirc;neo e a gesta&ccedil;&atilde;o de seu primeiro filho teria sido de risco.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A aproxima&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a e os adotantes foi realizada em dois encontros no programa de acolhimento. Houve acompanhamento do est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia, realizado por psic&oacute;loga e assistente social. A ado&ccedil;&atilde;o ocorreu h&aacute; tr&ecirc;s anos e meio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O casal ressaltou, como principais <i>desafios</i> encontrados no decorrer do processo de adapta&ccedil;&atilde;o, a necessidade de modificar suas rotinas, incluindo tarefas relacionadas &agrave; crian&ccedil;a. O casal citou o fato de serem sozinhos, atendendo &agrave;s suas pr&oacute;prias necessidades e, a partir da ado&ccedil;&atilde;o, necessitarem atender &agrave;s necessidades e aos interesses de Pedro. Um exemplo colocado pelo casal foi o momento de realizar as tarefas escolares, algo que, naquele momento, n&atilde;o fazia parte de seu cotidiano. Os adotantes relataram, tamb&eacute;m, a exist&ecirc;ncia de dificuldades transit&oacute;rias da crian&ccedil;a em acompanhar o ensino escolar. Em rela&ccedil;&atilde;o a esse ponto, referem terem sido auxiliados pelos profissionais da escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os h&aacute;bitos alimentares diferenciados tamb&eacute;m foram abordados pelos entrevistados, com exemplos de alimentos habituais em seu card&aacute;pio e que teriam sido, inicialmente, rejeitados pela crian&ccedil;a. A necessidade de impor limites tamb&eacute;m foi relatada, pois o casal afirmou que Pedro era habituado a sair para passear por conta pr&oacute;pria e em qualquer hor&aacute;rio, sem solicitar autoriza&ccedil;&atilde;o para isso. Os entrevistados necessitaram de algum tempo para demonstrar ao filho que haveria regras que precisariam ser respeitadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No decorrer das falas de Adriano e Carolina, foi observado que, em momento algum, a crian&ccedil;a foi responsabilizada pelos desafios encontrados. Ao contr&aacute;rio disso, foram relatadas como naturais da fase de adapta&ccedil;&atilde;o e, algumas delas, como caracter&iacute;sticas comuns nas crian&ccedil;as em geral. Acredita-se que o fato de o casal j&aacute; ter tido um filho antes da ado&ccedil;&atilde;o possa ter sido um <i>fator facilitador</i> dessa compreens&atilde;o, pois se verificou conhecimento acerca das caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a nessa fase do desenvolvimento, al&eacute;m de certa familiaridade com as atividades infantis. O casal demonstrou, assim, disponibilidade para agir de modo ativo no processo de adapta&ccedil;&atilde;o, sem esperar que a crian&ccedil;a, por si s&oacute;, se acomodasse ao ritmo familiar. Por outro lado, o sucesso da ado&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foi creditado pelo casal &agrave; crian&ccedil;a, com afirma&ccedil;&otilde;es de que suas atitudes teriam facilitado o processo. &Eacute; interessante perceber que o fato de Pedro j&aacute; ter seis anos no momento da ado&ccedil;&atilde;o foi citado pelo casal como um fator que teria facilitado a adapta&ccedil;&atilde;o, por permitir inserir a crian&ccedil;a mais facilmente em alguns aspectos da vida em fam&iacute;lia, como as atividades sociais vivenciadas.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observou-se a presen&ccedil;a de baixo n&iacute;vel de exig&ecirc;ncias e cobran&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o ao comportamento da crian&ccedil;a nos relatos do casal, sem expectativas exageradas em rela&ccedil;&atilde;o ao seu perfil. Percebe-se que essa abertura do casal propiciou uma adapta&ccedil;&atilde;o mais tranquila e sem tantas dificuldades.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outro ponto importante &eacute; o estilo de vida dessa fam&iacute;lia, que reside na &aacute;rea rural, trabalhando na agricultura e em uma comunidade na qual o contato com os vizinhos &eacute; bastante pr&oacute;ximo. A aus&ecirc;ncia de hor&aacute;rios r&iacute;gidos de trabalho, com a possibilidade de Carolina permanecer mais tempo com o filho, bem como o apoio recebido do meio social podem ter auxiliado na adapta&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia, mesmo n&atilde;o sendo fatores percept&iacute;veis aos olhares dos entrevistados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um ponto caracter&iacute;stico da adapta&ccedil;&atilde;o desse grupo familiar foi a exist&ecirc;ncia de certa dificuldade de vincula&ccedil;&atilde;o afetiva da crian&ccedil;a com o pai adotivo, com demonstra&ccedil;&otilde;es de sentimentos de inseguran&ccedil;a e medo em rela&ccedil;&atilde;o a essa figura. Mais uma vez, o casal se referiu com naturalidade a essa caracter&iacute;stica, justificando-a com o fato de que a crian&ccedil;a teria sofrido agress&otilde;es do genitor e demostrando disponibilidade para compreender tal situa&ccedil;&atilde;o, adquirindo confian&ccedil;a gradual por parte de Pedro. Assim, o que se observa &eacute; que, apesar de atribuir o sucesso da ado&ccedil;&atilde;o &agrave;s caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a, foram primordialmente os adotantes que permitiram a constru&ccedil;&atilde;o de uma vincula&ccedil;&atilde;o adequada e segura, por meio da necess&aacute;ria aceita&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a como um todo e da disponibilidade para superar os desafios encontrados nessa trajet&oacute;ria. O casal acrescentou como <i>sugest&atilde;o</i> para aqueles que est&atilde;o se preparando para adotar a troca de experi&ecirc;ncias com pessoas que j&aacute; s&atilde;o pais por ado&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>An&aacute;lise e discuss&atilde;o integrativa dos casos</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com os relatos coletados nas entrevistas, foi poss&iacute;vel observar alguns aspectos semelhantes, bem como peculiaridades na hist&oacute;ria de cada uma dessas fam&iacute;lias. Observou-se, inicialmente, que os casais relataram <i>modifica&ccedil;&otilde;es na rotina de vida</i> &agrave; qual estavam habituados, deparando-se com a necessidade de flexibilizar suas pr&oacute;prias necessidades em prol das crian&ccedil;as. Importa salientar que todos os casais, no momento da ado&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tinham filhos. Foram relatadas altera&ccedil;&otilde;es como <i>diminui&ccedil;&atilde;o na carga hor&aacute;ria de trabalho</i> (casal 1: "Ficava um em casa com ele e o outro vinha trabalhar" e casal 2: "Eu nem trabalhei mais um ano de manh&atilde;, fiquei praticamente com ele"), necessidade de acompanhar tarefas escolares (casal 3: "Tinha as tarefas da escola para ajudar a fazer") e at&eacute; mesmo a <i>modifica&ccedil;&atilde;o geral do ambiente dom&eacute;stico</i> (casal 1: "Mudou totalmente o ambiente. A&iacute; a rotina mudou toda." e casal 3: "fomos precisando nos acostumar com ele em casa"). Foram citadas, tamb&eacute;m, a <i>necessidade de comprar itens para a crian&ccedil;a</i> (casal 2: "a gente se preparou para ir comprar mamadeira, roupa, cal&ccedil;ados, brinquedos, tudo"), anseios relacionados ao seu estado de sa&uacute;de e preocupa&ccedil;&atilde;o com seu bem-estar (casal 2: "a gente n&atilde;o sabia se ele tinha alguma coisa heredit&aacute;ria ou n&atilde;o").</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos os entrevistados, de alguma forma, relataram <i>modifica&ccedil;&otilde;es importantes no estilo de vida familiar ap&oacute;s a chegada da crian&ccedil;a.</i> Essas mudan&ccedil;as, com a chegada de um novo membro na fam&iacute;lia, seja pela ado&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o, s&atilde;o comuns e necess&aacute;rias, pois propiciam transi&ccedil;&otilde;es no ambiente e nos pap&eacute;is desempenhados. No entanto, como destaca Vargas (2006), na ado&ccedil;&atilde;o, a transi&ccedil;&atilde;o para a parentalidade ocorre mais abruptamente do que na filia&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, por n&atilde;o haver um envolvimento gradual dos pais com seus novos pap&eacute;is. Ressalta-se que, nos casos de ado&ccedil;&atilde;o tardia, o tempo de espera &eacute; usualmente bastante curto, pois h&aacute; poucos pretendentes inscritos para esse perfil e um n&uacute;mero elevado de crian&ccedil;as. Nos casos estudados nesta pesquisa, apenas o casal 1 vivenciou tempo de espera maior (um ano). Assim, as mudan&ccedil;as na rotina da fam&iacute;lia, presentes tamb&eacute;m com o nascimento de um beb&ecirc;, s&atilde;o sentidas de modo mais intenso nas situa&ccedil;&otilde;es de ado&ccedil;&atilde;o tardia, como exemplificado nas falas dos entrevistados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observa-se que, no decorrer da adapta&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias entrevistadas foram vivenciados alguns <i>desafios</i> nesse processo vinculados &agrave;s caracter&iacute;sticas da crian&ccedil;a. Entre eles, foram citados <i>dificuldades no aprendizado escolar</i> (casal 3: "Ele tinha um pouco de dificuldade na escola"), <i>dificuldade para aceitar os h&aacute;bitos da fam&iacute;lia</i> (casal 3: "queria comer s&oacute; besteira, coisinhas assim"), <i>atitudes de desafio em rela&ccedil;&atilde;o a regras e limites estabelecidos</i> (casal 3: "ele gostava bastante de sair, queria sair todo dia com outras crian&ccedil;as, ficar em volta, por a&iacute;, ou ir na casa de um cada dia"), <i>manifesta&ccedil;&otilde;es de raiva</i> (casal 3: "No in&iacute;cio teve umas vezes que ele se revoltava &#91;&hellip;&#93; ele estava desenhando e jogou todos os l&aacute;pis no ch&atilde;o, bravo"), <i>problemas de sa&uacute;de</i> (casal 2: "n&oacute;s n&atilde;o consegu&iacute;amos dormir &agrave; noite, porque ele ficava ruim &#91;...&#93; E era um sofrimento para todo mundo") e <i>preconceito social</i> (casal 2: "Eu j&aacute; ouvi muito papo assim "Ah, vai criar filho dos outros").</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Schettini Filho (2006), ao discorrer acerca da constru&ccedil;&atilde;o dos v&iacute;nculos de afeto no decorrer do est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia, ressalta que a vincula&ccedil;&atilde;o afetiva na ado&ccedil;&atilde;o &eacute; um processo, que, como qualquer relacionamento humano, exige tempo para oferecer seguran&ccedil;a &agrave; crian&ccedil;a, de um lado, e para aceitar, perceber e sentir a crian&ccedil;a como filho, para os pais. Nesse momento, a situa&ccedil;&atilde;o de 'como se fosse meu filho' &eacute; substitu&iacute;da pelo 'sendo', constituindo-se no que o autor denomina rela&ccedil;&atilde;o un&iacute;voca, da mesma forma que a express&atilde;o "fam&iacute;lia substituta" vai se diluindo, permanecendo simplesmente como fam&iacute;lia. Nesse processo, situa&ccedil;&otilde;es de aceita&ccedil;&atilde;o e rejei&ccedil;&atilde;o s&atilde;o normais. Assim, as cenas descritas pelos casais, como manifesta&ccedil;&otilde;es de raiva, desafios &agrave;s regras, regress&atilde;o e oposi&ccedil;&atilde;o aos h&aacute;bitos familiares, s&atilde;o consideradas comuns nos per&iacute;odos iniciais de forma&ccedil;&atilde;o da nova fam&iacute;lia (Costa e Rossetti-Ferreira, 2007; Sasson e Suzuki, 2012; Weber, 2004).</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A presen&ccedil;a de preconceitos sociais tamb&eacute;m aparece no relato dos casais. A supervaloriza&ccedil;&atilde;o dos la&ccedil;os sangu&iacute;neos intensifica as tens&otilde;es j&aacute; existentes nesse per&iacute;odo, tendo suas origens em mitos ainda muito arraigados na sociedade em geral, como os de que uma crian&ccedil;a adotada com mais idade n&atilde;o aceitaria as regras estabelecidas pela fam&iacute;lia adotante, de que poderiam trazer maus h&aacute;bitos adquiridos nas institui&ccedil;&otilde;es de acolhimento ou de que as crian&ccedil;as adotadas tardiamente apresentam maior probabilidade de problemas e fracassos (Schettini <i>et al.</i>, 2006; Vargas, 2006). &Eacute; interessante observar que a maior parte das situa&ccedil;&otilde;es desafiadoras foram relatadas pelo casal 3, o que talvez possa ter rela&ccedil;&atilde;o com o fato de o menino j&aacute; estar com seis anos na &eacute;poca da ado&ccedil;&atilde;o, ao passo que as outras crian&ccedil;as estavam com tr&ecirc;s anos. Por outro lado, situa&ccedil;&otilde;es de preconceito social n&atilde;o foram referidas por esse casal, o que pode estar relacionado ao contexto no qual est&atilde;o inseridos, com menor exig&ecirc;ncia de padr&otilde;es pr&eacute;estabelecidos, j&aacute; que o casal reside em uma comunidade rural. Assim, vari&aacute;veis pessoais da crian&ccedil;a e do contexto devem ser analisadas de forma idiossincr&aacute;tica, como facilitadoras ou dificultadoras da ado&ccedil;&atilde;o tardia.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Quando questionados sobre as formas pelas quais lidaram com os desafios apresentados, os adotantes foram un&acirc;nimes em responder que utilizaram de di&aacute;logo recorrente com os filhos. Al&eacute;m disso, declararam que a pr&oacute;pria conviv&ecirc;ncia foi permitindo desenvolvimento de maior confian&ccedil;a pela crian&ccedil;a (casal 3: "aos poucos, a gente foi colocando, foi falando para ele experimentar uma coisa e outra"). Observou-se a predomin&acirc;ncia do estilo parental autorizante entre os entrevistados, caracterizando-se por altos n&iacute;veis de exig&ecirc;ncia mesclados por uma atitude responsiva. A predomin&acirc;ncia do estilo autorizante utilizado pelos entrevistados vai ao encontro do apontado na literatura, como na pesquisa realizada com pais adotivos na qual Reppold (2001) verificou altos &iacute;ndices de estilo parental autorizante, o que a autora relaciona com o investimento afetivo iniciado na fase de pr&eacute;-ado&ccedil;&atilde;o e &agrave; reflex&atilde;o efetuada durante o per&iacute;odo de habilita&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m do di&aacute;logo, foram relatados pelos casais, como <i>fatores facilitadores</i> na supera&ccedil;&atilde;o dos desafios, o pr&oacute;prio <i>comportamento da crian&ccedil;a</i> (casal 2: "&Agrave;s vezes a gente estava meio s&eacute;rio ele j&aacute; fazia uma brincadeira"); a <i>inser&ccedil;&atilde;o imediata nas atividades sociais da fam&iacute;lia</i> (casal 2: "No primeiro final de semana que ele estava aqui j&aacute; fomos numa festa, j&aacute; a comunidade inteira conheceu ele") e o <i>respeito &agrave;s caracter&iacute;sticas do adotando e sua hist&oacute;ria de vida</i> (casal 2: "Eu falei "Jo&atilde;o, fica &agrave; vontade, se quiser torcer para o Inter, torce, n&atilde;o tem problema, n&atilde;o tem motivo, o pai &eacute; do Gr&ecirc;mio, mas voc&ecirc; escolhe o time"). Verifica-se que atitudes dos adotantes, envolvendo manifesta&ccedil;&otilde;es de afeto com aceita&ccedil;&atilde;o e o modo de lidar com a ado&ccedil;&atilde;o foram fundamentais.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A abertura e a acolhida dos adotantes s&atilde;o, como exposto na literatura (Otuka <i>et al.</i>, 2013; Reppold e Hutz, 2003; Sasson e Suzuki, 2012; Schettini Filho, 2006), vari&aacute;veis muito importantes nesse processo, lidando com as imperfei&ccedil;&otilde;es e os desconfortos das crian&ccedil;as, ao mesmo tempo em que respeitam o seu passado. Essa postura <i>afetiva dos adotantes</i> (casal 3: "os casais que adotam t&ecirc;m que ter amor e carinho") e de <i>naturalidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o</i> (casal 2: "n&atilde;o tentamos fazer disso um bicho-pap&atilde;o, n&eacute;. A gente sempre levou de forma natural) foram marcantes nos casais pesquisados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A intera&ccedil;&atilde;o de pessoas de fora daquele n&uacute;cleo tamb&eacute;m apareceu como importante rede de apoio, de modo que as atitudes de aceita&ccedil;&atilde;o e integra&ccedil;&atilde;o se sobrepuseram &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es de preconceito social nas falas dos entrevistados. Os entrevistados se referiram a familiares, amigos, vizinhos, professores da crian&ccedil;a, equipe t&eacute;cnica forense e grupo de apoio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o como fontes de <i>apoio externo</i> que auxiliaram as fam&iacute;lias a superar os desafios relatados (casal 2: "No come&ccedil;o, assim, que a gente adotou o Jo&atilde;o, vinha gente quase todo dia l&aacute; em casa"). O suporte &agrave; fam&iacute;lia adotiva seria semelhante ao requerido por uma pu&eacute;rpera em rela&ccedil;&atilde;o aos parentes pr&oacute;ximos (Vargas, 2006), tornando-se um importante fator de prote&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de familiar nesse per&iacute;odo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um dado surpreendente &eacute; que o casal que referiu a atua&ccedil;&atilde;o da equipe t&eacute;cnica foi justamente aquele que n&atilde;o passou por acompanhamento do est&aacute;gio de conviv&ecirc;ncia (por se tratar de ado&ccedil;&atilde;o <i>intuitu personae</i>), mas passou por interven&ccedil;&otilde;es posteriores, durante a fase de avalia&ccedil;&atilde;o para concretiza&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o e, atualmente, participa de grupo de apoio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o ("depois de conversar com a assistente social, e passar no grupo de ado&ccedil;&atilde;o, a gente abre a mente, porque, &agrave;s vezes, a gente fica meio fechada, assim"). Os contatos que esse casal teve com a referida profissional foram no momento da avalia&ccedil;&atilde;o da guarda, e, posteriormente, em avalia&ccedil;&otilde;es para a concretiza&ccedil;&atilde;o da ado&ccedil;&atilde;o. Talvez a atribui&ccedil;&atilde;o de maior peso para essa atua&ccedil;&atilde;o se deva ao fato de que teriam sido as primeiras orienta&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas a respeito da ado&ccedil;&atilde;o, enquanto os demais tiveram esse contato desde o in&iacute;cio do processo de habilita&ccedil;&atilde;o, apresentando menor necessidade de orienta&ccedil;&otilde;es posteriores.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; vincula&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a com os adotantes, as experi&ecirc;ncias foram bastante diferenciadas entre os casais. O casal 1 vivenciou a vincula&ccedil;&atilde;o de forma sim&eacute;trica, com ambos os pais. O casal 2 relatou que a crian&ccedil;a teria se identificado primeiramente com o pai, demonstrando desconfian&ccedil;a e receio em receber os cuidados maternos ("ele n&atilde;o ficava comigo, eu era bicho-pap&atilde;o para ele"). J&aacute; o casal 3 relatou o oposto, pois a crian&ccedil;a teria se vinculado rapidamente &agrave; m&atilde;e, com demonstra&ccedil;&otilde;es iniciais de rejei&ccedil;&atilde;o &agrave; figura paterna ("Ele tinha um pouco de receio de mim. Tinha medo"). Ambos os casais se referiram ao que sabiam sobre a fam&iacute;lia de origem da crian&ccedil;a para tentar compreender esse comportamento. O casal 3 relatou que o filho teria vivido, antes do acolhimento, apenas com o genitor, sem a presen&ccedil;a materna. No entanto, esse genitor seria uma pessoa agressiva, com hist&oacute;rico de viol&ecirc;ncia contra a crian&ccedil;a. Assim, no entendimento do casal, o menino estaria reproduzindo com o pai adotivo as rea&ccedil;&otilde;es de medo e inseguran&ccedil;a direcionadas ao genitor.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso do casal 2, a crian&ccedil;a tamb&eacute;m convivia apenas com o pai. N&atilde;o h&aacute; conhecimento de hist&oacute;rico de viol&ecirc;ncia, tendo a entrega ocorrida de forma espont&acirc;nea. O casal atribui a dificuldade de vincula&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e o fato de o filho n&atilde;o ter recebido cuidados de mulheres antes da ado&ccedil;&atilde;o. Observa-se que a possibilidade de os casais conhecerem esses aspectos da hist&oacute;ria de vida das crian&ccedil;as possibilitou a constru&ccedil;&atilde;o de meios funcionais para lidar com os desafios apresentados. A exist&ecirc;ncia dessas rela&ccedil;&otilde;es anteriores, com frequ&ecirc;ncia, &eacute; um fator que gera inseguran&ccedil;a para os adotantes, que se questionam sobre a capacidade deles e da crian&ccedil;a em desenvolverem afeto m&uacute;tuo. Para que a ado&ccedil;&atilde;o seja bem sucedida, os adotantes precisam compreender a impossibilidade de apagar a hist&oacute;ria pregressa da crian&ccedil;a e permitir a ela que expresse seus sentimentos de perda, raiva, tristeza ou outros que possam estar presentes (Weber, 2004). Esse aspecto tamb&eacute;m &eacute; ressaltado por Costa e Rossetti-Ferreira (2007), que enfatizam que os pais adotivos precisam oportunizar com a crian&ccedil;a o di&aacute;logo sobre o seu passado, para auxili&aacute;-la a construir narrativas sobre sua hist&oacute;ria, sem se sentir tra&iacute;da pelos pais biol&oacute;gicos ou adotivos. Um dado interessante foi a facilidade com que o casal 2 lidou com a ado&ccedil;&atilde;o, pois n&atilde;o receberam nenhuma orienta&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, nem foram submetidos a processo de habilita&ccedil;&atilde;o. Tal dado sugere que, al&eacute;m de todos esses fatores j&aacute; conhecidos como importantes para o sucesso da ado&ccedil;&atilde;o, podem existir outros, ainda n&atilde;o bem pesquisados e delimitados.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Todos os casais expressaram que, no seu ponto de vista, seria vantajoso adotar crian&ccedil;as com idade superior a dois anos, apesar de este aspecto n&atilde;o constar de modo expl&iacute;cito no roteiro de entrevista utilizado. Como principal vantagem apontada est&aacute; a capacidade da crian&ccedil;a em compreender a ado&ccedil;&atilde;o e participar de modo ativo no processo de adapta&ccedil;&atilde;o (casal 2: "ele j&aacute; sabia, sabe, ele j&aacute;, com dois anos j&aacute; tem no&ccedil;&atilde;o, j&aacute; sabe das coisas"). Foi enfatizado por alguns entrevistados o fato de a ado&ccedil;&atilde;o tardia prescindir da "revela&ccedil;&atilde;o" sobre a ado&ccedil;&atilde;o em si. No entanto, cabe ressaltar que o fato de a crian&ccedil;a j&aacute; saber que &eacute; adotada n&atilde;o significa que jamais ocorrer&atilde;o questionamentos sobre sua hist&oacute;ria anterior &agrave; inser&ccedil;&atilde;o na fam&iacute;lia, devendo os pais estar preparados para lidar com essa situa&ccedil;&atilde;o, valorizando, na medida adequada, essa hist&oacute;ria. A facilidade para inserir a crian&ccedil;a em sua vida social tamb&eacute;m foi citada, como um ponto positivo em se adotar crian&ccedil;a nessa faixa et&aacute;ria (casal 3: "se a gente sa&iacute;a e j&aacute; dava para ele ir junto, porque era maiorzinho").</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observou-se que, na literatura referente &agrave; ado&ccedil;&atilde;o tardia s&atilde;o apontados os desafios pr&oacute;prios do processo de adapta&ccedil;&atilde;o, considerando-a como mais "dif&iacute;cil" ou "desafiadora" em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as menores (Otuka <i>et al.,</i> 2013; Sasson e Suzuki, 2012). Todavia, o discurso dos entrevistados mostra outra face da ado&ccedil;&atilde;o tardia, sendo percebidos n&atilde;o somente os desafios, mas tamb&eacute;m aspectos facilitadores da integra&ccedil;&atilde;o entre a crian&ccedil;a, a fam&iacute;lia e a sociedade ocasionados, justamente, pelo fato de a crian&ccedil;a j&aacute; apresentar idade mais avan&ccedil;ada. Pode-se citar o fato de a crian&ccedil;a j&aacute; apresentar certa autonomia, conseguindo acompanhar os pais em muitas das suas atividades, apresentando maior intera&ccedil;&atilde;o e exigindo menos cuidados b&aacute;sicos dos pais como uma das justificativas para a vis&atilde;o positiva dos entrevistados acerca da ado&ccedil;&atilde;o tardia. Al&eacute;m disso, o conhecimento da crian&ccedil;a de sua pr&oacute;pria hist&oacute;ria, com menor possibilidade de constru&ccedil;&otilde;es de fantasias sobre a fam&iacute;lia de origem tamb&eacute;m apareceram como fatores que facilitam a integra&ccedil;&atilde;o das novas fam&iacute;lias. A idade e a maturidade da crian&ccedil;a, geralmente vistas como obst&aacute;culos dif&iacute;ceis de transpor, aqui se apresentaram como facilitadores e propulsores do &ecirc;xito do processo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os entrevistados contribu&iacute;ram, ainda, com <i>sugest&otilde;es</i> para auxiliar na adapta&ccedil;&atilde;o das pr&oacute;ximas fam&iacute;lias. A primeira delas foi a <i>realiza&ccedil;&atilde;o de trabalhos visando a conscientiza&ccedil;&atilde;o da sociedade como um todo e, em especial, dos profissionais atuantes na &aacute;rea da educa&ccedil;&atilde;o, em rela&ccedil;&atilde;o a aspectos da ado&ccedil;&atilde;o.</i> Essa sugest&atilde;o, proferida pelo casal 2, deveu-se &agrave; presen&ccedil;a de algumas dificuldades relacionadas &agrave; forma como o tema fam&iacute;lia &eacute; abordado na escola onde a crian&ccedil;a estuda, privilegiando os v&iacute;nculos sangu&iacute;neos ("Vem trabalhinho da escola de levar fotos de quando nasceu e de outras etapas"). Tal dificuldade &eacute; observada tamb&eacute;m, na pr&aacute;tica profissional, pois &eacute; comum os adotantes ficarem sem saber como agir diante de situa&ccedil;&otilde;es nas quais a escola aborda a filia&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, deixando de lado a adotiva. Essa situa&ccedil;&atilde;o evidencia a presen&ccedil;a de dificuldades das escolas diante da diversidade familiar atual e na rela&ccedil;&atilde;o fam&iacute;lia-escola.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A segunda sugest&atilde;o, verbalizada por todos os casais, foi a <i>cria&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para trocas entre pessoas que j&aacute; adotaram e outros que ainda s&atilde;o pretendentes &agrave; ado&ccedil;&atilde;o</i> (casal 2: "poderia ter contato das fam&iacute;lias que querem adotar com quem adotou, para conversar, tirar d&uacute;vidas, medo" e casal 3: "Daria tamb&eacute;m para chamar os casais que t&ecirc;m d&uacute;vida sobre isso, ou que t&ecirc;m dificuldades e conversar com quem j&aacute; passou"). Nesse sentido, os grupos de apoio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, presentes em vinte e tr&ecirc;s comarcas do Estado de Santa Catarina, t&ecirc;m como uma de suas fun&ccedil;&otilde;es reunir pais adotivos, profissionais e simpatizantes em torno da ideia de ado&ccedil;&atilde;o (Angaad, 2012), possibilitando a troca de experi&ecirc;ncias e apoio aos que est&atilde;o iniciando a constru&ccedil;&atilde;o de uma fam&iacute;lia. Expandir essa experi&ecirc;ncia em n&iacute;vel nacional seria fundamental.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao falar sobre suas hist&oacute;rias de ado&ccedil;&atilde;o, os entrevistados descrevem <i>sentimentos</i> atuais de <i>satisfa&ccedil;&atilde;o e felicidade</i>, referindo <i>medo</i> do insucesso nas fases iniciais e <i>arrependimento</i> por n&atilde;o ter buscado a ado&ccedil;&atilde;o mais cedo. Ressalta-se que o sentimento de medo foi verbalizado como mais intenso no casal 2, associado ao fato de que a ado&ccedil;&atilde;o, inicialmente, n&atilde;o cumpriu os requisitos legais. Assim, a possibilidade de que, a qualquer momento, a crian&ccedil;a fosse retirada do casal, antes da concretiza&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da ado&ccedil;&atilde;o era fator gerador de inseguran&ccedil;a e temor ("a gente ficava com medo, que fossem tomar ele de n&oacute;s"). Apesar disso, o sentimento geral &eacute; de bem-estar e realiza&ccedil;&atilde;o com as ado&ccedil;&otilde;es realizadas.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observou-se que a ado&ccedil;&atilde;o tardia traz consigo alguns desafios comuns &agrave;s ado&ccedil;&otilde;es e at&eacute; mesmo &agrave; filia&ccedil;&atilde;o biol&oacute;gica, como a necessidade de efetuar modifica&ccedil;&otilde;es na rotina familiar. Por outro lado, traz consigo peculiaridades, como a necessidade de lidar com a hist&oacute;ria pregressa da crian&ccedil;a e os poss&iacute;veis comportamentos desafiadores durante a fase de adapta&ccedil;&atilde;o. No entanto, algo que ficou muito claro na pesquisa realizada &eacute; a percep&ccedil;&atilde;o dos entrevistados de aspectos muito vantajosos da ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores, se comparada com a de beb&ecirc;s, principalmente pelo fato de n&atilde;o apresentarem total depend&ecirc;ncia dos pais, conseguindo interagir com eles de modo mais efetivo, o que se reflete positivamente no processo de adapta&ccedil;&atilde;o. Verificou-se que os casais entrevistados, desde o processo de habilita&ccedil;&atilde;o, demonstraram disponibilidade em aceitar uma crian&ccedil;a com caracter&iacute;sticas diferenciadas dos perfis escolhidos pela maior parte dos pretendentes, estando expl&iacute;cita a possibilidade de acolher crian&ccedil;as de diferentes idades, etnias, sexos e at&eacute; mesmo condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. Assim, a abertura dos pretendentes para acolher crian&ccedil;as reais, com suas hist&oacute;rias de vida e caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias foi fundamental para o sucesso dessas ado&ccedil;&otilde;es. O desejo de exercer a parentalidade parece se sobrepujar a caracter&iacute;sticas espec&iacute;ficas das crian&ccedil;as, ou seja, os casais querem vivenciar a maternidade e a paternidade acima de tudo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Identificou-se, a partir da an&aacute;lise dos casos, que os fatores percebidos como maiores facilitadores do sucesso do processo de adapta&ccedil;&atilde;o e da ado&ccedil;&atilde;o em si foram o fato de a crian&ccedil;a j&aacute; saber de sua hist&oacute;ria de ado&ccedil;&atilde;o e ter consci&ecirc;ncia do rompimento com a fam&iacute;lia de origem, facilitando o estabelecimento de uma rela&ccedil;&atilde;o aberta, franca e verdadeira. Destaca-se que, neste estudo, a idade avan&ccedil;ada das crian&ccedil;as foi considerada como um fator facilitador do processo de ado&ccedil;&atilde;o, pois sua postura mais ativa e aut&ocirc;noma possibilitou uma integra&ccedil;&atilde;o mais r&aacute;pida &agrave; rotina familiar. A flexibilidade dos adotantes em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s peculiaridades da ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores e o respeito &agrave;s suas caracter&iacute;sticas e singularidades tamb&eacute;m apareceram como preditores de uma boa adapta&ccedil;&atilde;o, a partir de abertura, disponibilidade e acolhida com menos expectativas e exig&ecirc;ncias. Al&eacute;m disso, conseguiram modificar aspectos de sua rotina e alterar prioridades, abrindo espa&ccedil;o, f&iacute;sico e emocional, para o filho.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os adotantes tamb&eacute;m demonstram uma capacidade de demonstrar afeto pelos filhos, gerando confian&ccedil;a gradual e um apego mais seguro. A postura de naturalidade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, superando preconceitos e inserindo a crian&ccedil;a nas atividades sociais da fam&iacute;lia, bem como o apoio da fam&iacute;lia extensa e da rede social, tamb&eacute;m foram citadas por todos como facilitadores do processo adaptativo nos casos de ado&ccedil;&atilde;o tardia. Os entrevistados n&atilde;o referiram fatores dificultadores da adapta&ccedil;&atilde;o em si, apesar dos desafios enfrentados, mas citaram a demora em concretizar a senten&ccedil;a de ado&ccedil;&atilde;o como fator gerador de ansiedade. &Eacute; importante lembrar que nenhum dos casais passou por curso psicossocial preparat&oacute;rio &agrave; ado&ccedil;&atilde;o, o que torna os achados ainda mais relevantes. Destaca-se, tamb&eacute;m, que, a partir dos dados obtidos, fica evidente que a adapta&ccedil;&atilde;o entre crian&ccedil;a e adotantes depende, sobremaneira, das atitudes destes &uacute;ltimos, e da forma como constroem o espa&ccedil;o da crian&ccedil;a naquele grupo, respeitando seu tempo, seu ritmo, sua hist&oacute;ria e seus sentimentos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente estudo abordou um recorte moment&acirc;neo da vida dessas pessoas, mostrando as percep&ccedil;&otilde;es dos casais ap&oacute;s algum tempo de conviv&ecirc;ncia, com a vincula&ccedil;&atilde;o afetiva j&aacute; estabelecida. Para entendimentos mais aprofundados dos poss&iacute;veis desafios encontrados no processo de adapta&ccedil;&atilde;o pr&oacute;prio da ado&ccedil;&atilde;o, sugere-se a realiza&ccedil;&atilde;o de estudos longitudinais, com o acompanhamento de fam&iacute;lias que realizaram ado&ccedil;&atilde;o tardia ao longo de anos, podendo observar o desenvolvimento do processo em longo prazo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">ASSOCIA&Ccedil;&Atilde;O NACIONAL DOS GRUPOS DEAPOIO &Agrave; ADO&Ccedil;&Atilde;O (ANGAAD). 2012. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.angaad.org.br/index.html." target="_blank">http://www.angaad.org.br/index.html.</a> Acesso em: 30/10/2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522796&pid=S1983-3482201400020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BAUER, M.W.; GASKELL, G; ALLUM, N. 2002. A constru&ccedil;&atilde;o do corpus: um princ&iacute;pio para a coleta de dados qualitativos. <i>In:</i> M. BAUER; G. GASKELL, <i>Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual pr&aacute;tico.</i> Rio de Janeiro, Vozes, p. 39-63.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522798&pid=S1983-3482201400020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 1990. Estatuto da crian&ccedil;a e do adolescente. Bras&iacute;lia, 13 jul. 1990. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8069.htm</a>. Acesso em: 16/11/2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522800&pid=S1983-3482201400020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 2006. Plano Nacional de Promo&ccedil;&atilde;o, prote&ccedil;&atilde;o e defesa do direito de crian&ccedil;as e adolescentes &agrave; conviv&ecirc;ncia familiar e comunit&aacute;ria. Bras&iacute;lia, 18 jun. 2006. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/secretarianacional-de-assistencia-social-snas/livros/plano-nacional-de-convivencia-familiar-e-comunitaria-2013-pncfc/plano-nacional-de-convivencia-familiar-e-comunitaria-2013-pncfc" target="_blank">http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/secretarianacional-de-assistencia-social-snas/livros/plano-nacional-de-convivencia-familiar-e-comunitaria-2013-pncfc/plano-nacional-de-convivencia-familiar-e-comunitaria-2013-pncfc</a>. Acesso em: 12/02/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522802&pid=S1983-3482201400020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">BRASIL. 2009. Lei da Ado&ccedil;&atilde;o. Lei nº 12.010, 03 ago. 2009. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010.htm" target="_blank">http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l12010.htm</a>. Acesso em: 15/11/2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522804&pid=S1983-3482201400020000500005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">CONSELHO NACIONAL DE JUSTI&Ccedil;A (CNJ). 2014. Cadastro Nacional de Ado&ccedil;&atilde;o. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.cnj.jus.br" target="_blank">http://www.cnj.jus.br</a>. Acesso em: 15/02/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522806&pid=S1983-3482201400020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">COSTA, N.R.A; ROSSETI-FERREIRA, M.C. 2007. Tornar-se pai e m&atilde;e em um processo de ado&ccedil;&atilde;o tardia. <i>Revista Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica,</i> <b>20:</b>25-434. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010279722007000300010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010279722007000300010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso</a>. Acesso em: 11/10/2011.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522808&pid=S1983-3482201400020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">EBRAHIM, S.G. 2001. Ado&ccedil;&atilde;o tardia: altru&iacute;smo, maturidade e estabilidade emocional. <i>Revista Psicologia: Reflex&atilde;o e Cr&iacute;tica</i>, <b>14:</b>3-80. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/prc/v14n1/5208.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/prc/v14n1/5208.pdf</a>. Acesso em: 22/02/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522810&pid=S1983-3482201400020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">FONSECA, C. 2002. <i>Caminhos da ado&ccedil;&atilde;o.</i> 2ª ed., S&atilde;o Paulo, Cortez, 152 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522812&pid=S1983-3482201400020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">GASKELL, G. 2002. Entrevistas individuais e grupais. <i>In:</i> M. BAUER; G. GASKELL, <i>Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual pr&aacute;tico.</i> Rio de Janeiro, Vozes, p. 64-89.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522814&pid=S1983-3482201400020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">KIDDER, L. 1987. <i>M&eacute;todos de pesquisas nas rela&ccedil;&otilde;es sociais: medidas na pesquisa social.</i> S&atilde;o Paulo, EPU, 127 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522816&pid=S1983-3482201400020000500011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OTUKA, L.; SCORSOLINI-COMIN, F; SANTOS, M.A. 2012. Ado&ccedil;&atilde;o suficientemente boa: experi&ecirc;ncia de um casal com filhos biol&oacute;gicos. <i>Psicologia: Teoria e Pesquisa,</i><b> 28:</b>55-63. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n1/07.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/ptp/v28n1/07.pdf</a>. Acesso em: 25/10/2012.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522818&pid=S1983-3482201400020000500012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">OTUKA, L.; SCORSOLINI-COMIN, F; SANTOS, M.A. 2013. Ado&ccedil;&atilde;o tardia por casal divorciado e com filhos biol&oacute;gicos: novos contextos para a parentalidade. <i>Estudos de Psicologia,</i><b> 30:</b>89-99. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v30n1/10.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v30n1/10.pdf</a>. Acesso em: 15/03/2014. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2013000100010" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S0103-166X2013000100010</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522820&pid=S1983-3482201400020000500013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">PAIVA, L.D. 2004. <i>Ado&ccedil;&atilde;o: significados e possibilidades</i>. S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo, 180 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522821&pid=S1983-3482201400020000500014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REPPOLD, C.T. 2001. <i>Estilo parental percebido e adapta&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica de adolescentes adotados.</i> Curso de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia do Desenvolvimento. Porto Alegre, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/3559/000339902.pdf?sequence=1" target="_blank">http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/3559/000339902.pdf?sequence=1</a>. Acesso em: 24/05/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522823&pid=S1983-3482201400020000500015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">REPPOLD, C.T.; HUTZ, C. 2003. Reflex&atilde;o social, controle percebido e motiva&ccedil;&otilde;es &agrave; ado&ccedil;&atilde;o: caracter&iacute;sticas psicossociais das m&atilde;es adotivas. <i>Estudos de Psicologia,</i><b> 8:</b>23-36. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17232.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/epsic/v8n1/17232.pdf</a>. Acesso em: 20/09/2012. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2003000100004" target="_blank">http://dx.doi.org/10.1590/S1413-294X2003000100004</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522825&pid=S1983-3482201400020000500016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SASSON, M.D.; SUZUKI, V.K. 2012. Ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores: percep&ccedil;&otilde;es de profissionais do Servi&ccedil;o de Aux&iacute;lio &agrave; Inf&acirc;ncia. <i>Revista de Psicologia da UNESP,</i> <b>11:</b>58-71. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www2.assis.unesp.br/revpsico/index.php/revista/article/viewFile/184/299" target="_blank">http://www2.assis.unesp.br/revpsico/index.php/revista/article/viewFile/184/299</a>. Acesso em 07/03/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522826&pid=S1983-3482201400020000500017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHETTINI FILHO, L. 2009. <i>Pedagogia da ado&ccedil;&atilde;o: criando e educando filhos adotivos.</i> Petr&oacute;polis, Vozes, 112 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522828&pid=S1983-3482201400020000500018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHETTINI FILHO, L. 2006. Uma psicologia da ado&ccedil;&atilde;o. <i>In:</i> L. SCHETTINNI FILHO, <i>Ado&ccedil;&atilde;o: os v&aacute;rios lados dessa hist&oacute;ria</i>. Recife, Baga&ccedil;o, p. 99-120.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522830&pid=S1983-3482201400020000500019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SCHETTINI, S.S.M.; AMAZONAS, M.C.L.; DIAS, C.M.S. 2006. Fam&iacute;lias adotivas: identidade e diferen&ccedil;a. <i>Psicologia em Estudo,</i> <b>11:</b>285-293. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/pdf/pe/v11n2/v11n2a06.pdf" target="_blank">http://www.scielo.br/pdf/pe/v11n2/v11n2a06.pdf</a>. Acesso em: 21/02/2012. <a href="http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000200007" target="_new">http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000200007</a></font>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522832&pid=S1983-3482201400020000500020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">SEGALIN, A. 2013. Servi&ccedil;o social e viabiliza&ccedil;&atilde;o de direitos: a licen&ccedil;a/sal&aacute;rio-maternidade nos casos de ado&ccedil;&atilde;o. <i>Servi&ccedil;o Social e Sociedade,</i> <b>115:</b>581-594. Dispon&iacute;vel em: <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010166282013000300010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso#_ftnref4" target="_blank">http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S010166282013000300010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso#_ftnref4</a>. Acesso em: 25/05/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522833&pid=S1983-3482201400020000500021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&Oacute;LON, L.A.G. 2006. <i>A perspectiva da crian&ccedil;a sobre seu processo de ado&ccedil;&atilde;o</i>. Ribeir&atilde;o Preto, SP. Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Universidade de S&atilde;o Paulo, 211 p.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">STAKE, R. 2000. Case studies. <i>In:</i> R. DENZIN; K. NORMAN (orgs), <i>Handbook of qualitative research.</i> Londres, Sage, p. 435-455.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522836&pid=S1983-3482201400020000500023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VARGAS, M.M. 2006. Ado&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as maiores. <i>In:</i> L. SCHETTINI FILHO, <i>Ado&ccedil;&atilde;o: os v&aacute;rios lados dessa hist&oacute;ria</i>. Recife, Baga&ccedil;o, p. 147-172.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522838&pid=S1983-3482201400020000500024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">VARGAS, M.M. 1998. <i>Ado&ccedil;&atilde;o tardia: da fam&iacute;lia sonhada &agrave; fam&iacute;lia poss&iacute;vel.</i> S&atilde;o Paulo, Casa do Psic&oacute;logo, 214 p.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4522840&pid=S1983-3482201400020000500025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">WEBER, L.N.D. 2004. <i>La&ccedil;os de ternura: pesquisas e hist&oacute;rias de ado&ccedil;&atilde;o.</i> Curitiba, Juru&aacute;, 218 p.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Submetido: 30/03/2014    <br> Aceito: 31/07/2014</font></p>      ]]></body>
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