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<journal-title><![CDATA[Gerais : Revista Interinstitucional de Psicologia]]></journal-title>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[O encontro da loucura com o trabalho: concepções e práticas no transcurso da história]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper focuses on the relation between madness and labour in mental healthcare models. These models have been historically constructed and have produced the concepts and practices of attention and care, mainly in the mainstream of labour. This paper aims at understanding, through a series of theoretical studies, the concepts and practices produced at the birth of Psychiatry; in Social and Sector Psychiatry as well as in Institutional Psychotherapy in France; in the Italian Democratic Psychiatry and in the Psychiatric Reform in Brazil. In addition, it investigates the connection between Mental Health and Solidarity Economy in Brazilian reality, advocated by the III National Mental Health Conference 2001 and founded as an intersectoral policy of social inclusion through labour, in 2004. We will focus on the existing micropolitics of the process which constitutes self-manageable collective labour in the attention models of Mental Health]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="4" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><a name="add"></a><b>O encontro da loucura com o trabalho: concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas no transcurso da hist&oacute;ria</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>The relation between madness and labour: concepts and practices in historical perspective</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>M&aacute;rcia Campos Andrade<sup>I</sup>; Ab&iacute;lio da Costa-Rosa<sup>II,</sup><a href="#not1"><sup>1</sup></a></b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><sup>I</sup>Universidade Estadual de Maring&aacute;, Maring&aacute;, Brasil    <br>  <sup>II</sup>Universidade Estadual Paulista "J&uacute;lio de Mesquita Filho", Assis, Brasil </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste artigo temos como tema de interesse o encontro da loucura com o trabalho nos modelos de aten&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Mental, historicamente constru&iacute;dos, onde concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado foram produzidas tendo o trabalho como um de seus eixos estruturantes. Temos como objetivo conhecer e compreender, atrav&eacute;s de um estudo te&oacute;rico, as concep&ccedil;&otilde;es e pr&aacute;ticas produzidas nesse campo no nascimento da Psiquiatria; na Psiquiatria Social e de Setor e na Psicoterapia Institucional na Fran&ccedil;a; na Psiquiatria Democr&aacute;tica Italiana; e, na Reforma Psiqui&aacute;trica Brasileira. Al&eacute;m disso, nos interessa a articula&ccedil;&atilde;o entre Sa&uacute;de Mental e Economia Solid&aacute;ria na atualidade brasileira, preconizada pela III Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Mental em 2001 e institu&iacute;da como pol&iacute;tica intersetorial de inclus&atilde;o social pelo trabalho em 2004. Neste campo, faremos um recorte tendo como foco a micropol&iacute;tica existente no processo de constitui&ccedil;&atilde;o de coletivos de trabalho autogestion&aacute;rio nos dispositivos de aten&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Mental.</font></p>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"> <b>Palavras-chave:</b> Loucura, Trabalho, Sa&uacute;de Mental, Economia Solid&aacute;ria. </font></p> <hr size="1" noshade>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">This paper focuses on the relation between madness and labour in mental healthcare models. These models have been historically constructed and have produced the concepts and practices of attention and care, mainly in the mainstream of labour. This paper aims at understanding, through a series of theoretical studies, the concepts and practices produced at the birth of Psychiatry; in Social and Sector Psychiatry as well as in Institutional Psychotherapy in France; in the Italian Democratic Psychiatry and in the Psychiatric Reform in Brazil. In addition, it investigates the connection between Mental Health and Solidarity Economy in Brazilian reality, advocated by the III National Mental Health Conference 2001 and founded as an intersectoral policy of social inclusion through labour, in 2004. We will focus on the existing micropolitics of the process which constitutes self-manageable collective labour in the attention models of Mental Health.</font></p>    <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Keywords:</b> Madness, Labour, Mental Health, Solidarity Economy. </font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O presente artigo tem como tema de interesse o encontro da loucura com o trabalho presente nos diferentes momentos hist&oacute;ricos e as mudan&ccedil;as ocorridas nas pr&aacute;ticas de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado aos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura que tiveram como eixo estruturante o trabalho, que s&atilde;o: o nascimento da psiquiatria cl&aacute;ssica e o tratamento moral no s&eacute;culo XVIII, onde ao louco se atribui a marca da incapacidade, irracionalidade e o internamento e a exclus&atilde;o; as Reformas Psiqui&aacute;tricas na Fran&ccedil;a e na It&aacute;lia na segunda metade do s&eacute;culo XX, que se contrap&otilde;em &agrave; Psiquiatria cl&aacute;ssica em sua concep&ccedil;&atilde;o de loucura e formas de tratamento, apontando outras formas de conceber e cuidar; a Luta Antimanicomial e a Reforma Psiqui&aacute;trica no Brasil, no final desse mesmo s&eacute;culo, com a concep&ccedil;&atilde;o do louco como um sujeito marcado pela puls&atilde;o desejante, pela participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e pela possibilidade de construir projetos (Amarante &amp; Torre, 2001). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s de um estudo te&oacute;rico a partir de revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica, faremos um recorte da hist&oacute;ria dos movimentos das reformas psiqui&aacute;tricas na Europa e no Brasil tendo como foco a rela&ccedil;&atilde;o entre trabalho e loucura no &acirc;mbito de suas pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas e sociais de assist&ecirc;ncia em Sa&uacute;de Mental, levando em conta o contexto da sociedade onde est&atilde;o inseridas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Guerra (2008), o trabalho permite que se perceba o la&ccedil;o que sustenta a rela&ccedil;&atilde;o sociedade-loucura e, consequentemente, as a&ccedil;&otilde;es sociais e terap&ecirc;uticas de cada per&iacute;odo da hist&oacute;ria. Nessa linha de pensamento, Passos (2009) considera que s&atilde;o os fatores eminentemente sociais e n&atilde;o cient&iacute;ficos que determinam mudan&ccedil;as nas formas de tratamento da loucura, tanto no campo te&oacute;rico como emp&iacute;rico. A autora entende por fatores determinantes "os aspectos decorrentes das condi&ccedil;&otilde;es materiais e das formas morais de vida e de gest&atilde;o da vida numa dada sociedade" (Passos, 2009, p. 35). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Temos, ent&atilde;o, o trabalho como um destes fatores determinantes das formas hist&oacute;ricas de se lidar com a loucura por ser um dos aspectos fundamentais das condi&ccedil;&otilde;es materiais de vida de uma determinada sociedade. Consiste, tamb&eacute;m, um dos disparadores das lutas nas rela&ccedil;&otilde;es de poder que atravessam o ocidente desde o final do s&eacute;culo XVIII ap&oacute;s a primeira Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, consolidando-se em meio a crises, guerras e movimentos de contraposi&ccedil;&atilde;o ao capitalismo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Estas reflex&otilde;es nos possibilitam tecer entrela&ccedil;amentos entre a loucura e o trabalho nas pr&aacute;ticas sociais e de cuidado da assist&ecirc;ncia leiga, nas quais o trabalho teve a fun&ccedil;&atilde;o de manter a ordem socioecon&ocirc;mica, e no nascimento da Psiquiatria onde era utilizado como recurso terap&ecirc;utico do tratamento moral e manicomial, sempre submetido &agrave; autoridade m&eacute;dica. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, esta rela&ccedil;&atilde;o ganhou novos contornos nas Reformas Psiqui&aacute;tricas em v&aacute;rios pa&iacute;ses a partir da d&eacute;cada de 60 do s&eacute;culo XX. Nessas, o trabalho se torna instrumento de <i>reabilita&ccedil;&atilde;o </i>ou de <i>reinser&ccedil;&atilde;o social </i>e de resgate da cidadania, passando a ter um cunho mais pol&iacute;tico do que cl&iacute;nico e a tocar o territ&oacute;rio econ&ocirc;mico e vivo no qual realmente se d&atilde;o as trocas sociais (Guerra, 2008). Engendra, assim, outra contratualidade social entre loucura, trabalho e sociedade. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tais considera&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o mais bem descritas em cada um dos momentos onde entendemos que o encontro da loucura com o trabalho esteve mais evidente. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loucura e Trabalho no Nascimento da Psiquiatria</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contexto da l&oacute;gica do desvio social do s&eacute;culo XVII foi atribu&iacute;da ao trabalho a fun&ccedil;&atilde;o de auxiliar na manuten&ccedil;&atilde;o da ordem social e econ&ocirc;mica, antes mesmo do nascimento da Psiquiatria no campo m&eacute;dico. Pinel, ao tomar a loucura como patologia no contexto da l&oacute;gica do desvio moral do s&eacute;culo XVIII, utiliza o trabalho como recurso terap&ecirc;utico no tratamento moral e o submete &agrave; autoridade m&eacute;dica, legitimando a ci&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica e dando origem a uma nova rela&ccedil;&atilde;o entre o social e a inscri&ccedil;&atilde;o da loucura (Guerra, 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Foucault, (1961/2003) em <i>A Hist&oacute;ria da Loucura na Era Cl&aacute;ssica</i>, o internamento no s&eacute;culo XVII n&atilde;o estava ligado ao tratamento ou &agrave; cura, mas sim a um imperativo de trabalho com a finalidade de impedir a mendic&acirc;ncia, a ociosidade e as desordens sociais nos per&iacute;odos de crise econ&ocirc;mica e social. Fora da crise, em momentos de pleno emprego e altos sal&aacute;rios, a op&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; mais prender os sem trabalho, mas sim ocup&aacute;-los - enquanto presos (dentre eles, os loucos) - como m&atilde;o-de-obra barata para garantir a prosperidade da sociedade liberal da &eacute;poca. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesta perspectiva, o trabalho era utilizado pelas institui&ccedil;&otilde;es de assist&ecirc;ncia leiga como rem&eacute;dio contra o desemprego em momentos de crise econ&ocirc;mica e como um estimulante para os momentos de desenvolvimento industrial, n&atilde;o havendo distin&ccedil;&atilde;o entre loucos e demais degenerados sociais visto que todos eram ocupados e produziam conforme suas possibilidades. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Foucault, de acordo com Dreyfus e Rabinow (1995), foi ap&oacute;s a Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa que aparecem outras rela&ccedil;&otilde;es com o louco atrav&eacute;s de um movimento de indigna&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria pelo fato desses ocuparem os mesmos espa&ccedil;os de internamento que os criminosos. &Eacute; neste contexto que se constitui o modelo asilar de tratamento da loucura que teve uma fun&ccedil;&atilde;o vital no estabelecimento de uma consci&ecirc;ncia &eacute;tica que acreditava que o trabalho era o principal eixo regulador das mazelas da sociedade. Entretanto, os loucos marcaram sua diferen&ccedil;a ao resistirem a submeter-se &agrave;s regras de organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho estabelecidas pelo capitalismo incipiente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Castel (1978) descreve como o louco &eacute; visto pela sociedade instaurada pela Revolu&ccedil;&atilde;o Francesa como uma figura marcada por uma irracionalidade fundamental, que definiu a pr&aacute;tica de per&iacute;cia nas sociedades modernas, centrada no papel do psiquiatra, estabelecida a partir de crit&eacute;rios t&eacute;cnicocient&iacute;ficos organizados: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Insensato n&atilde;o &eacute; sujeito de direito; irrespons&aacute;vel n&atilde;o pode ser objeto de san&ccedil;&otilde;es; por ser incapaz de trabalhar ou de "servir", n&atilde;o entra no circuito regulado das trocas, essa "livre" circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias e de homens &agrave; qual a nova legalidade burguesa serve de matriz (Castel, 1978, p. 19). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Souza (2001) o tratamento moral, constru&iacute;do entre o final do s&eacute;culo XVIII e o in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX por Pinel (Fran&ccedil;a), Tuke (Inglaterra), Chiaruggi (It&aacute;lia) e Todd (Estados Unidos) &eacute; considerado o primeiro movimento de Reforma Psiqui&aacute;trica na Hist&oacute;ria da Loucura que produz o nascimento da Psiquiatria como uma especialidade m&eacute;dica e do asilo como lugar de cura da loucura. Neste contexto, s&atilde;o produzidas as figuras de subjetiva&ccedil;&atilde;o do alienado e do alienista e a rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-paciente. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sabemos que nasce da&iacute; a justificativa para o tratamento da loucura como doen&ccedil;a mental no contexto cient&iacute;fico da medicina psiqui&aacute;trica e do dispositivo hospital psiqui&aacute;trico, tal como preconizado por Pinel no final, do s&eacute;culo XVIII, onde o "meio mais seguro e talvez a &uacute;nica garantia da manuten&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, do bom comportamento e da ordem &eacute; a lei de um trabalho mec&acirc;nico rigorosamente executado" (Pinel, citado por Foucault, 2003, p. 538). Foi nesse mesmo espa&ccedil;o institucional que a loucura passou a ter o significado de doen&ccedil;a, de incapacidade para o trabalho e de impossibilidade de integra&ccedil;&atilde;o social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foucault (2003) descreve a concep&ccedil;&atilde;o de trabalho constru&iacute;da por Tuke e Pinel no &acirc;mbito do asilo como uma institui&ccedil;&atilde;o filantr&oacute;pica de tratamento da loucura no in&iacute;cio do s&eacute;culo XIX. No asilo, o trabalho foi destitu&iacute;do de seu valor de produ&ccedil;&atilde;o e passou a ser imposto com regra moral pura, com o objetivo de limitar a liberdade, submeter &agrave; ordem e desalienar o esp&iacute;rito: </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O trabalho vem em primeira linha no "tratamento moral" &#91;...&#93;. Em si mesmo, o trabalho possui uma for&ccedil;a de coa&ccedil;&atilde;o superior a todas as formas de coer&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica, uma vez que a regularidade das horas, as exig&ecirc;ncias da aten&ccedil;&atilde;o e a obriga&ccedil;&atilde;o de chegar a um resultado separam o doente de uma liberdade de esp&iacute;rito que lhe seria funesta e o engajam num sistema de responsabilidade (Foucault, 2003, p. 529). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, os que se recusavam a cumprir a <i>lei geral do trabalho </i>eram punidos com reclus&atilde;o em cela porque, de acordo com o mesmo autor, nem os loucos podem ser desculpados pela resist&ecirc;ncia ao trabalho, pela desobedi&ecirc;ncia por fanatismo religioso e pelo roubo por serem movimentos de "resist&ecirc;ncia &agrave; uniformiza&ccedil;&atilde;o moral e social" (Foucault, 2003, p. 546) &agrave; sociedade burguesa. Vale notar que a burguesia foi respons&aacute;vel pelo agenciamento da cria&ccedil;&atilde;o do asilo como institui&ccedil;&atilde;o de tratamento da loucura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O tratamento oferecido ao <i>alienado </i>serviu para lhe dar um lugar &agrave; margem da sociedade, excluindo-o e destinando-o a ser o sujeito da desraz&atilde;o. Ao ocupar este lugar, o louco torna-se aquele que &eacute; incapaz de trabalhar, que n&atilde;o se enquadra nas normas da burguesia e deve ser isolado para que receba o devido tratamento moral, sendo que nesse o trabalho tinha justamente uma fun&ccedil;&atilde;o corretiva, de disciplinamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Se no alienismo os equipamentos sociais, as pr&aacute;ticas, os discursos e as tecnologias sociais produziram a modelagem e a serializa&ccedil;&atilde;o da subjetividade como afirmam Guattari &amp; Rolnik (1986), as Reformas Psiqui&aacute;tricas s&atilde;o movimentos de resist&ecirc;ncia e ruptura que produziram singulariza&ccedil;&otilde;es na subjetividade, nos modos de pensar e de viver (Guattari, 1990) em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; loucura e &agrave;s pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas e sociais de cuidado com os sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, estes movimentos de resist&ecirc;ncia engendrados no final s&eacute;culo XX t&ecirc;m forjado um repensar a respeito do lugar do louco na sociedade e das formas de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado com este que desconstruam a l&oacute;gica manicomial, produzindo subjetiva&ccedil;&otilde;es para al&eacute;m do modelo hospitaloc&ecirc;ntrico da psiquiatria tradicional. As mudan&ccedil;as relacionadas &agrave; maneira de se referir ao louco aconteceram na medida em que se percebeu a import&acirc;ncia da desconstru&ccedil;&atilde;o do estigma que o designa como um sujeito incapaz tanto de governar sua vida como de trabalhar. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loucura e Trabalho na Psiquiatria Social e de Setor na Fran&ccedil;a e na Psicoterapia Institucional</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passos (2009), assim como Lima e Brescia (2002), relatam que durante a Segunda Grande Guerra, devido &agrave; impossibilidade de se manter a superpopula&ccedil;&atilde;o dos asilos no contexto de uma economia de guerra e para oferecer-lhes a possibilidade de sobreviv&ecirc;ncia aos ataques inimigos ao territ&oacute;rio franc&ecirc;s, os psiquiatras tomaram a decis&atilde;o de liberar os pacientes internos. Isso ocorreu para que esses n&atilde;o morressem, se integrassem ao trabalho nas fazendas e comunidades vizinhas ou voltassem ao conv&iacute;vio familiar. Relata-se que houve uma readapta&ccedil;&atilde;o ao cotidiano de vida destes lugares sem apresentarem problemas ligados &agrave; falta dos recursos de tratamento oferecidos pela Psiquiatria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal fato provocou um questionamento &agrave; institui&ccedil;&atilde;o asilo como espa&ccedil;o de tratamento que, ao inv&eacute;s de manter-se inerte, poderia proporcionar conviv&ecirc;ncia e reaprendizagem da vida coletiva (Passos, 2009), sendo tamb&eacute;m questionadas as formas tradicionais de tratamento oferecidas pela ci&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica; ao mesmo tempo, isso fez repensar o trabalho como um fator decisivo de melhora, uma vez que podia produzir, nos que vivenciaram a experi&ecirc;ncia, sentimentos de utilidade e de reconhecimento social (Lima &amp; Brescia, 2002). </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses questionamentos endossam a proposta da Psiquiatria Social e de Setor na Fran&ccedil;a, assim como a dos pioneiros da Psicoterapia Institucional. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Passos (2009), a Reforma Psiqui&aacute;trica francesa teve como protagonistas os psiquiatras em uma perspectiva institucional, reformista e profissionalista de car&aacute;ter corporativista e ideol&oacute;gico. Era denominada como Psiquiatria Social e de Setor com um paradigma cl&iacute;nico nas dimens&otilde;es de cuidado e de tratamento. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste contexto, surgiram contribui&ccedil;&otilde;es de v&aacute;rios psiquiatras que ainda hoje s&atilde;o refer&ecirc;ncias para se pensar a quest&atilde;o da loucura em sua rela&ccedil;&atilde;o com o trabalho. Alguns deles se dedicaram &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas que incorporaram o trabalho de diversas maneiras. Dentre eles est&atilde;o Lucien Bonnaf&eacute;, Fran&ccedil;ois Tosquelles, Louis Le Guillant, Paul Sivadon e Jean Oury. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Psiquiatria de Setor, de acordo com Passos (2009), foi engendrada como uma doutrina que, desde a d&eacute;cada de 40 do s&eacute;culo XX, questionava a institui&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica e seu princ&iacute;pio estrat&eacute;gico da interna&ccedil;&atilde;o hospitalar. Somente nas d&eacute;cadas de 70 e 80 esta se configura como uma pol&iacute;tica que tenciona cuidar da sa&uacute;de mental da popula&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de "a&ccedil;&otilde;es de preven&ccedil;&atilde;o, profilaxia, cura e p&oacute;s-cura" (Passos, 2009, p. 62), expandindo a Psiquiatria para o social. Entretanto, entra em decl&iacute;nio na d&eacute;cada de 90 com a crise econ&ocirc;mica mundial que mina o Estado-provid&ecirc;ncia fundamentado no <i>Welfare State</i>, tendo como consequ&ecirc;ncia a queda nos investimentos em pol&iacute;ticas sociais. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A ideia de setor &eacute; a seguinte: uma equipe &uacute;nica se responsabiliza por uma zona populacional espec&iacute;fica, referente a uma determinada regi&atilde;o geogr&aacute;fica, onde se disporia de um sistema completo de estruturas que cobririam da preven&ccedil;&atilde;o &agrave; p&oacute;s-cura e seriam criadas de acordo com as necessidades reais da popula&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o em fun&ccedil;&atilde;o de imperativos administrativos ou gerenciais. &#91;...&#93; essa equipe teria de se deslocar permanentemente por todas as estruturas, do hospital ao dispens&aacute;rio, e conhecer todos os doentes, para acompanh&aacute;-los de forma continuada (Passos, 2009, p. 64). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a autora, na constru&ccedil;&atilde;o de uma Psiquiatria Social, a Psiquiatria de Setor passa por tr&ecirc;s momentos: </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">1) <i>Ergosocioterapia </i>presente nas primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo XX, referida a atividades de trabalho que eram desenvolvidas pelos internos dos hospitais psiqui&aacute;tricos. Estas, na maioria das vezes, acabam por ser uma ocupa&ccedil;&atilde;o vazia e infantilizada n&atilde;o passando de explora&ccedil;&atilde;o de m&atilde;ode-obra gratuita; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">2) <i>Farmacoterapia </i>como uma pretensa revolu&ccedil;&atilde;o dos neurol&eacute;pticos, antidepressivos, ansiol&iacute;ticos e tranquilizantes que inundaram a d&eacute;cada de 50, provocando a prefer&ecirc;ncia pelo uso de rem&eacute;dios ao da lobotomia; como coadjuvantes dos f&aacute;rmacos &eacute; feita a introdu&ccedil;&atilde;o de atividades recreativas, de lazer, esportivas e culturais fora do hospital, bem como a cria&ccedil;&atilde;o de associa&ccedil;&otilde;es de pacientes e familiares; uma consequ&ecirc;ncia &eacute; o aumento do n&uacute;mero de altas e a diminui&ccedil;&atilde;o da interna&ccedil;&atilde;o. Entretanto, logo aparecem as reinterna&ccedil;&otilde;es sucessivas, os efeitos do uso prolongado de medicamentos provocando impregna&ccedil;&otilde;es e les&otilde;es, mostrando a inefic&aacute;cia do rem&eacute;dio em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; preven&ccedil;&atilde;o; </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">3) <i>Psicoterapia Institucional </i>nas d&eacute;cadas de 50 e 60 com uma proposta te&oacute;rico-pr&aacute;tica em que o tratamento da loucura tinha como foco a transforma&ccedil;&atilde;o do hospital psiqui&aacute;trico em um instrumento terap&ecirc;utico de ressocializa&ccedil;&atilde;o, seguindo o modelo das comunidades terap&ecirc;uticas da Psiquiatra Comunit&aacute;ria preventivista inglesa e norte-americana. Propunha a cria&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rios onde a loucura se reconhecesse e fosse tratada no &acirc;mbito da recria&ccedil;&atilde;o da vida coletiva segundo o modelo da Cl&iacute;nica de La Borde. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dispositivos institucionais da psiquiatria social e de setor t&ecirc;m o foco no trabalho tanto como finalidade terap&ecirc;utica quanto como finalidade de reintegra&ccedil;&atilde;o no mercado formal atrav&eacute;s de vagas de emprego em empresas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a mesma autora, os Centros de Ajuda pelo Trabalho (CAT) s&atilde;o estruturas criadas por lei em 1975 (junto com os ateli&ecirc;s protegidos) com a finalidade de oferecer recupera&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do trabalho aos <i>deficientes</i>, dentre eles os <i>doentes mentais</i>. Como parceiros do hospital psiqui&aacute;trico, oferecem servi&ccedil;os manuais simples para as empresas privadas realizados por pessoas com maior dificuldade de se inserirem no mercado formal de trabalho. Os ateli&ecirc;s protegidos s&atilde;o pequenas oficinas associativas (carpintaria, marcenaria, etc.) onde trabalham todos os considerados com capacidade para aprender um of&iacute;cio. Buscam a (re)integra&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, e se pode trabalhar durante um ano e renovar mais uma vez o contrato, recebendo 90% do sal&aacute;rio m&iacute;nimo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vemos que a perspectiva de trabalho nos ateli&ecirc;s &eacute; associativa, mas a forma de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho &eacute; atrav&eacute;s do emprego com sal&aacute;rio menor do que o profissional (trabalhador comum) n&atilde;o atendido pelos hospitais psiqui&aacute;tricos e pelos ateli&ecirc;s, o que confere a condi&ccedil;&atilde;o de <i>defici&ecirc;ncia </i>ao <i>doente mental</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No contraponto &agrave; Psiquiatria de Setor, mesmo que ainda ligada a essa em um primeiro momento, &eacute; constitu&iacute;da a Psicoterapia Institucional. Lima e Brescia (2002) apontam como seus pioneiros Fran&ccedil;ois Tosquelles no Hospital Saint Alban, Louis Le Guillant no Hospital VilleJuif, Paul Sivadon no Hospital Ville-&Eacute;vrard - psiquiatras com referencial pol&iacute;tico-filos&oacute;fico marxista, anarquista ou fenomenol&oacute;gico que impulsionaram o esp&iacute;rito reformador na Psiquiatria de Setor. Esses protagonizaram experi&ecirc;ncias inovadoras no campo da sa&uacute;de mental e trabalho incorporando o trabalho ao tratamento e &agrave; ressocializa&ccedil;&atilde;o dos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura construindo os fundamentos da Psicoterapia Institucional que depois receber&aacute; a contribui&ccedil;&atilde;o de Jean Oury e F&eacute;lix Guattari. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em Billiard (2001, citado por Lima &amp; Brescia, 2002) encontramos o significado do trabalho nesse contexto a partir da afirma&ccedil;&atilde;o de que, para esses psiquiatras, o trabalho tem uma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica por seu papel na humaniza&ccedil;&atilde;o do homem e assim o mais importante n&atilde;o &eacute; o produto do trabalho, mas a ressocializa&ccedil;&atilde;o de quem o produz. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passos (2009) cita um artigo de Daumezon e Koechlin (1952) no qual afirmam que a Psicoterapia Institucional propunha o trabalho com foco na ressocializa&ccedil;&atilde;o sendo realizado em n&iacute;veis progressivos de dificuldade das tarefas, que come&ccedil;ariam com finalidade ocupacional terap&ecirc;utica na perspectiva de Tosquelles, at&eacute; atingirem n&iacute;veis de maior complexidade como uma atividade profissionalizante remunerada, na perspectiva de Sivadon. Para Le Guillant, a Ergoterapia como terap&ecirc;utica deveria oferecer ela mesma atividades pr&oacute;ximas do trabalho real, sendo estas remuneradas mesmo dentro do hospital (Lima &amp; Brescia, 2002). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Psicoterapia Institucional constru&iacute;da em La Borde a partir dos anos 60 contou com a participa&ccedil;&atilde;o de F&eacute;lix Guattari e de Jean Oury, esse &uacute;ltimo influenciado pela Psican&aacute;lise Lacaniana. Todos estes acontecimentos engendraram a separa&ccedil;&atilde;o da Psicoterapia Institucional como paradigma te&oacute;rico-cl&iacute;nico da Psiquiatria de Setor na Fran&ccedil;a como estrat&eacute;gia estatal de atendimento aos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura, o que n&atilde;o necessariamente quer dizer que a primeira seja uma "evolu&ccedil;&atilde;o" da segunda. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A Cl&iacute;nica &eacute; autogerida internamente mesmo n&atilde;o sendo uma propriedade coletiva, visto que &eacute; uma institui&ccedil;&atilde;o privada. Possui, sendo exigido por lei, um Comit&ecirc; Hospitalar composto por m&eacute;dicos, funcion&aacute;rios, pensionistas e seus familiares que comp&otilde;em uma associa&ccedil;&atilde;o e funcionam como um <i>Clube</i>. Esse <i>Clube </i>&eacute; uma inst&acirc;ncia coletiva que "define os destinos da cl&iacute;nica no dia-a-dia, nos moldes da autogest&atilde;o, com a participa&ccedil;&atilde;o de todos, com assembleias semanais e em muitos subgrupos de atividades" (Passos, 2009, p.120). Al&eacute;m do <i>Clube</i>, segundo a autora, existem duas outras inst&acirc;ncias respons&aacute;veis pela vida comunit&aacute;ria: a Caixa de Dep&oacute;sito (referente &agrave; gest&atilde;o dos recursos espec&iacute;ficos dos pensionistas) e a Caixa Solid&aacute;ria (referente aos recursos da cl&iacute;nica para as atividades coletivas). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No tocante &agrave; especificidade do trabalho na Cl&iacute;nica La Borde, de acordo com Passos (2009), se pode encontrar atividades ocupacionais que s&atilde;o realizadas em ateli&ecirc;s (marcenaria, produ&ccedil;&atilde;o de mel, cria&ccedil;&atilde;o de galinhas, etc.) e consideradas terap&ecirc;uticas. Essas, em conjunto com as atividades de manuten&ccedil;&atilde;o da cl&iacute;nica (limpeza, cozinha, administra&ccedil;&atilde;o, telefonia), s&atilde;o realizadas por todas as pessoas, excetuando-se os m&eacute;dicos, em pequenos grupos que trabalham em rod&iacute;zio, sendo a ades&atilde;o livre, embora seja estimulada a participa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Embora apresentem estrat&eacute;gias diferentes no tocante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre loucura e trabalho, tanto a Psiquiatria Social e de Setor como as duas modalidades da Psicoterapia Institucional mant&ecirc;m a interna&ccedil;&atilde;o hospitalar e o trabalho como tendo uma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica, embora n&atilde;o mais disciplinadora, sendo um elemento estruturante das pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas de cuidado e de ressocializa&ccedil;&atilde;o. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos encontrar tamb&eacute;m nas propostas dos CATs e Ateli&ecirc;s, assim como nas de Sivadon e Le Guillant experi&ecirc;ncias de relacionamento entre a assist&ecirc;ncia e o mundo da produ&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do trabalho produtivo, embora sub-remunerado. A&iacute; est&aacute;, justamente, a mudan&ccedil;a crucial e radical a ser produzida pela Psiquiatria Democr&aacute;tica Italiana, como veremos a seguir. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loucura e Trabalho na Psiquiatria Democr&aacute;tica Italiana</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com Rotteli (1994) a experi&ecirc;ncia italiana buscava n&atilde;o somente humanizar a assist&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica, mas sim transform&aacute;-la, fazendo uma cr&iacute;tica radical &agrave; <i>neutralidade cient&iacute;fica </i>e&agrave; ideologia dominante da exig&ecirc;ncia de produtividade das pessoas, que destru&iacute;a qualquer forma de diversidade e exclu&iacute;a suas for&ccedil;as produtivas. A Psiquiatria pactuou com essa perspectiva, legitimando-se como um <i>saber </i>constru&iacute;do nas pr&aacute;ticas de tratamento no manic&ocirc;mio. Inicialmente, os italianos se fundamentaram nas experi&ecirc;ncias de outros pa&iacute;ses como Inglaterra e Fran&ccedil;a para colocar em discuss&atilde;o, junto com os pacientes, a institui&ccedil;&atilde;o da psiquiatria e as demais institui&ccedil;&otilde;es por ela produzidas. Posteriormente, romperam com estas devido ao fato delas apenas modificarem as pr&aacute;ticas psiqui&aacute;tricas, n&atilde;o colocando em discuss&atilde;o a psiquiatria como tal e sua vis&atilde;o da loucura como doen&ccedil;a. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com a experi&ecirc;ncia de Basaglia no Hospital San Giovanni em Trieste, instaura-se o movimento da Psiquiatria Democr&aacute;tica, constitu&iacute;do atrav&eacute;s de um documento de funda&ccedil;&atilde;o em 1973 que coloca em "discuss&atilde;o a fun&ccedil;&atilde;o e o papel dos t&eacute;cnicos e o pr&oacute;prio espa&ccedil;o de a&ccedil;&atilde;o da psiquiatria" (Passos, 2009, p.127) realizando, assim, tr&ecirc;s confrontos: com o hospital psiqui&aacute;trico, com o modelo da comunidade terap&ecirc;utica inglesa e com a pol&iacute;tica de Setor da Fran&ccedil;a. Entretanto, para Barros (1990) mant&eacute;m o princ&iacute;pio de <i>democratiza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es entre os atores institucionais </i>e a ideia <i>de territorialidade </i>presentes, respectivamente, na comunidade terap&ecirc;utica e na pol&iacute;tica de setor. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sendo assim, influenciados pelo conceito de setor na psiquiatria francesa, os italianos elaboraram uma no&ccedil;&atilde;o de territ&oacute;rio que, entretanto, n&atilde;o est&aacute; circunscrita a uma delimita&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica do espa&ccedil;o. </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&Eacute;, antes, o espa&ccedil;o social de uma coletividade, identificado pela exist&ecirc;ncia de uma cultura pr&oacute;pria e de uma s&eacute;rie de recursos arquiteturais e institucionais (de trabalho, lazer, a&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, conviv&ecirc;ncia, arte, religi&atilde;o, etc.) que precisam ser conhecidos e articulados pelos servi&ccedil;os sanit&aacute;rios, numa a&ccedil;&atilde;o coletiva integradora. O territ&oacute;rio &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o; como tal, deve emergir da mobiliza&ccedil;&atilde;o concreta dos recursos existentes e das necessidades reais da comunidade (Barros, 1990, p. 136). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O marco desse paradigma pol&iacute;tico foi a Lei 180 que regulamentou tanto o tratamento volunt&aacute;rio quanto o compuls&oacute;rio em substitui&ccedil;&atilde;o ao procedimento de interna&ccedil;&atilde;o hospitalar compuls&oacute;rio instaurando o processo de <i>Desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o </i>que, de acordo com Rotteli (1994), &eacute; o trabalho de desinstitucionalizar a Psiquiatria mudando substancialmente a rela&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dico e paciente, abolindo a exclus&atilde;o e segrega&ccedil;&atilde;o das pessoas fundamentadas na cust&oacute;dia e na periculosidade destas como tarefas atribu&iacute;das &agrave; institui&ccedil;&atilde;o psiquiatria na figura do m&eacute;dico. Dessa forma, a proposta foi a de criar servi&ccedil;os alternativos a essa institui&ccedil;&atilde;o situados no territ&oacute;rio da comunidade onde as rela&ccedil;&otilde;es de poder fossem horizontalizadas em uma perspectiva de rede - uma <i>estrat&eacute;gia terap&ecirc;utica na comunidade</i>. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse sentido, a quest&atilde;o do trabalho no tratamento preconizado pela desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o prop&otilde;e a elimina&ccedil;&atilde;o da ergoterapia e a reativa&ccedil;&atilde;o das possibilidades de ter acesso a rendimentos econ&ocirc;micos que possibilitem a participa&ccedil;&atilde;o no mundo do interc&acirc;mbio social, que &eacute; o mundo do territ&oacute;rio comunit&aacute;rio da cidade, atrav&eacute;s de uma atividade produtiva como meio para se alcan&ccedil;ar este objetivo. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passos (2009) considera que ao romper com o paradigma cl&iacute;nico da Psicoterapia Institucional francesa e propor o paradigma pol&iacute;tico, os italianos substituem a <i>cura </i>pela <i>emancipa&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica</i>, sendo que na experi&ecirc;ncia em Trieste n&atilde;o se fala em <i>ressocializa&ccedil;&atilde;o </i>como na Psicoterapia Institucional, mas sim em <i>reinser&ccedil;&atilde;o social </i>a partir do processo de Desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As diferentes formas de se conceber o <i>terap&ecirc;utico </i>nas pr&aacute;ticas de cuidado destas perspectivas carece de problematiza&ccedil;&atilde;o porque se configura como um divisor de &aacute;guas quando se &eacute; discutida a quest&atilde;o da primazia ora da cl&iacute;nica, ora do pol&iacute;tico como vertente paradigm&aacute;tica para se pensar e atuar com a loucura. Estamos falando de primazia e n&atilde;o de exclus&atilde;o da cl&iacute;nica ou do pol&iacute;tico por consideramos que h&aacute; uma concep&ccedil;&atilde;o diferenciada de cl&iacute;nica na Psiquiatria Italiana onde o terap&ecirc;utico n&atilde;o est&aacute; restrito &agrave; cl&iacute;nica que acontece nos dispositivos da assist&ecirc;ncia em sa&uacute;de mental. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, parece-nos que priorizar a cl&iacute;nica ou o pol&iacute;tico &eacute; n&atilde;o ver a cl&iacute;nica que pode haver na pol&iacute;tica e a pol&iacute;tica que h&aacute; na cl&iacute;nica. Por outro lado, a cura, na Psicoterapia Institucional nos remete &agrave; transforma&ccedil;&atilde;o e recria&ccedil;&atilde;o de si atrav&eacute;s de um movimento ininterrupto do sujeito de criar novos sentidos a respeito de si, do outro e do mundo, assim como pensava Lacan. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Al&eacute;m disso, uma <i>emancipa&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica </i>n&atilde;o pode ser tamb&eacute;m uma <i>terap&ecirc;utica emancipadora</i>? Refletindo sobre nossa pr&oacute;pria quest&atilde;o, percebemos que na primeira concep&ccedil;&atilde;o h&aacute; um protagonismo do sujeito da experi&ecirc;ncia da loucura, tendo em vista que ele mesmo realiza a a&ccedil;&atilde;o de emancipar-se; e, na segunda, &eacute; a a&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica engendrada nos dispositivos de sa&uacute;de mental que produz a emancipa&ccedil;&atilde;o de outro que recebe o cuidado. Desta forma, nos &eacute; poss&iacute;vel pensar que na primeira h&aacute; a primazia do pol&iacute;tico e na segunda a primazia da cl&iacute;nica, embora n&atilde;o necessariamente sejam dicot&ocirc;micas e incompat&iacute;veis como formas intercambi&aacute;veis nas pr&aacute;ticas de cuidado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Retomando o contexto de Trieste, algumas pr&aacute;ticas de cuidado foram constru&iacute;das no contexto da emancipa&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica como, por exemplo, a cria&ccedil;&atilde;o das cooperativas sociais e a organiza&ccedil;&atilde;o de grupos-apartamento, modificando o estatuto dos que residiam no hospital de internos para o de h&oacute;spedes. Tais fatos foram determinantes no processo de Desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o, a partir de 1971, quando Basaglia assume a dire&ccedil;&atilde;o do Hospital San Giovanni. Outras a&ccedil;&otilde;es como reuni&otilde;es di&aacute;rias, assembleias, reformas f&iacute;sicas, forma&ccedil;&atilde;o de enfermeiros, abertura dos pavilh&otilde;es, sa&iacute;das &agrave; cidade (passeios, cinema, circo, teatros, etc.) tamb&eacute;m comp&otilde;em o conjunto de iniciativas que provocaram o debate sobre os direitos jur&iacute;dicos dos h&oacute;spedes e a abertura do hospital para a entrada da comunidade com manifesta&ccedil;&otilde;es culturais e festivas (Passos, 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A autora cita, tamb&eacute;m, a exist&ecirc;ncia de uma <i>bolsa tempor&aacute;ria de forma&ccedil;&atilde;o para o trabalho</i>, disponibilizada pelo Departamento de Sa&uacute;de Mental (DSM) de Trieste, como instrumento de reabilita&ccedil;&atilde;o para jovens com dificuldade de inser&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho. Foi criada em 1970 e at&eacute; hoje faz parte de um <i>Programa Terap&ecirc;utico Reabilitativo</i>, indicado e acompanhado pelos profissionais dos Centros de Sa&uacute;de Mental (CSM) de Trieste. O bolsista que desenvolve capacidade para o trabalho pode se tornar s&oacute;cio-trabalhador de uma cooperativa. Al&eacute;m disso, no &acirc;mbito da assist&ecirc;ncia, existe o centro diurno <i>Polit&eacute;cnico</i>, no San Giovanni, que forma para o trabalho atrav&eacute;s de atividades n&atilde;o remuneradas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tanto as cooperativas sociais como as bolsastrabalho e as a&ccedil;&otilde;es do Polit&eacute;cnico s&atilde;o, em sua maioria, interligadas com a Assist&ecirc;ncia em Sa&uacute;de Mental como partes integrantes do processo terap&ecirc;utico-reabilitativo dos usu&aacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em 1991 &eacute; criada uma legisla&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria para as cooperativas sociais que s&atilde;o caracterizadas como <i>Tipo A</i>, as que recebem incentivos financeiros do Estado para desenvolver a&ccedil;&otilde;es com finalidade social no &acirc;mbito da terceiriza&ccedil;&atilde;o da assist&ecirc;ncia p&uacute;blica; e como <i>Tipo B</i>, as que desenvolvem atividades produtivas diversas com obrigatoriedade de ter 30% de pessoas em condi&ccedil;&otilde;es de desvantagem como s&oacute;cios trabalhadores e s&oacute;cios empreendedores. Al&eacute;m disso, podem participar os bolsistas da assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria e trabalhadores comuns, sem liga&ccedil;&atilde;o direta com a aten&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de Mental. Recebem recursos da assist&ecirc;ncia sanit&aacute;ria para oferecer atividades de forma&ccedil;&atilde;o para bolsistas das Empresas de Servi&ccedil;o Sanit&aacute;rio (ASS) oferecendo acompanhamento atrav&eacute;s de um <i>Programa Terap&ecirc;utico </i>articulado com os profissionais dos CSM (Passos, 2009). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vemos, ent&atilde;o, que a Psiquiatria Democr&aacute;tica Italiana produz, dentre outras coisas, a ruptura com o modo asilar de car&aacute;ter assistencial institucionalizado no saber psiqui&aacute;trico. Entretanto, para sua efetiva&ccedil;&atilde;o &eacute; preciso enfrentar a quest&atilde;o da exclus&atilde;o social das trocas sociais, inclusive a produtivo-econ&ocirc;mica, imputada secularmente aos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Loucura e Trabalho na Reforma Psiqui&aacute;trica Brasileira</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No Brasil, de acordo com Guerra (2008), a trajet&oacute;ria higienista da d&eacute;cada de 20 do s&eacute;culo passado, no contexto das Col&ocirc;nias Agr&iacute;colas, preconizava o trabalho como uma imposi&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica associada ao tratamento moral e &agrave; ideia de reabilita&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de atividades de laborterapia e ergoterapia. Esse tinha uma fun&ccedil;&atilde;o central na terap&ecirc;utica asilar e era o meio e o fim do tratamento porque ocupava o tempo ocioso dos cr&ocirc;nicos irrevers&iacute;veis, gerava renda para manuten&ccedil;&atilde;o das col&ocirc;nias e asilos e garantia a boa ordem social. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para Resende (1987) a constru&ccedil;&atilde;o das Col&ocirc;nias Agr&iacute;colas foi fundamentada na concep&ccedil;&atilde;o europeia do valor terap&ecirc;utico do trabalho (presente tanto na psiquiatria cl&aacute;ssica como na reforma psiqui&aacute;trica francesa e na psicoterapia institucional), como um meio de tratamento e, tamb&eacute;m, como um fim em si mesmo, por conseguir devolver &agrave; sociedade indiv&iacute;duos capazes de contribuir com a nova ordem social e econ&ocirc;mica naquele momento de derrocada da voca&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola da sociedade brasileira e do capitalismo incipiente. Entretanto, a natureza do trabalho executado pelos asilados nestas col&ocirc;nias se relacionava a atividades consideradas como pr&eacute;-capitalistas como o trabalho no campo, o artesanato e o trabalho art&iacute;stico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Somente ap&oacute;s 1964 que a psiquiatria passa a ser uma pr&aacute;tica assistencial de massa contribuindo com o processo de industrializa&ccedil;&atilde;o no Brasil ao assumir a tarefa de "preservar, manter e adestrar a for&ccedil;a de trabalho &#91;...&#93; e atenuar os aspectos disfuncionais inerentes ao desenvolvimento capitalista" (Resende, 1987, p. 59). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, uma experi&ecirc;ncia dos anos 1920 no Hospital Juquery em Franco da Rocha/SP, relatada por Lima (1999), denota que naquela &eacute;poca a laborterapia j&aacute; era criticada, inclusive por psiquiatras. Os&oacute;rio C&eacute;sar que era psiquiatra, m&uacute;sico e cr&iacute;tico de arte identificou nas obras art&iacute;sticas dos pacientes uma semelhan&ccedil;a com a produ&ccedil;&atilde;o dos artistas modernos. Vale lembrar que a Semana de Arte Moderna aconteceu em S&atilde;o Paulo em 1922. Com o intuito de valorizar as dimens&otilde;es art&iacute;stica, social e cultural dos "alienados" e n&atilde;o a dimens&atilde;o psiqui&aacute;trica, Os&oacute;rio C&eacute;sar publica <i>A express&atilde;o art&iacute;stica dos alienados </i>e cria a Escola de Artes Pl&aacute;sticas do Juquery. Naquele momento hist&oacute;rico do Brasil, um psiquiatra se contrap&otilde;e &agrave; ci&ecirc;ncia psiqui&aacute;trica e seu tratamento moral quando afirma que no hospital psiqui&aacute;trico o departamento de arte n&atilde;o tem somente uma finalidade terap&ecirc;utica, mas tamb&eacute;m de reabilitar e construir possibilidades profissionais fora do hospital de acordo com as potencialidades dos pacientes (Lima, 1999, p.65). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na d&eacute;cada de 40 do mesmo s&eacute;culo, a terap&ecirc;utica ocupacional proposta por Nise da Silveira no Centro Psiqui&aacute;trico Nacional Engenho de Dentro no Rio de Janeiro/RJ via o trabalho como um recurso terap&ecirc;utico em p&eacute; de igualdade com as demais pr&aacute;ticas. Esse tinha a finalidade de beneficiar todos os pacientes, cr&ocirc;nicos e agudos, com uma ocupa&ccedil;&atilde;o livremente escolhida e n&atilde;o como uma obriga&ccedil;&atilde;o imposta. As atividades eram variadas (encaderna&ccedil;&atilde;o, costura, m&uacute;sica, ateli&ecirc;s de pintura e modelagem, etc.) e respeitavam a subjetividade dos pacientes, n&atilde;o possuindo um car&aacute;ter financeiro de manuten&ccedil;&atilde;o do hospital (Guerra, 2008). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a mesma autora, na Reforma Psiqui&aacute;trica a partir da d&eacute;cada de 1980, em um contexto de abertura pol&iacute;tica, a aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental passou a associar o projeto cl&iacute;nico ao projeto pol&iacute;tico. Foi realizada a cr&iacute;tica &agrave; psiquiatria tradicional e o trabalho passou a ser visto como instrumento de reabilita&ccedil;&atilde;o e reinser&ccedil;&atilde;o sociais criando novas inscri&ccedil;&otilde;es da loucura na cultura e na cidadania. Nesse contexto, houve a participa&ccedil;&atilde;o de oficineiros n&atilde;o "psi" com diferentes discursos e rela&ccedil;&otilde;es sociais com a loucura, e se efetivou o respeito &agrave; singularidade na loucura com a inven&ccedil;&atilde;o da cl&iacute;nica ampliada, antimanicomial ou psicossocial. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em rela&ccedil;&atilde;o ao in&iacute;cio do processo da Reforma Psiqui&aacute;trica no Brasil, tomamos como exemplos as experi&ecirc;ncias do Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial (CAPS) Prof. Lu&iacute;s Cerqueira criado em 1987 na cidade de S&atilde;o Paulo e do N&uacute;cleo de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial (NAPS) criado em 1989 em Santos como perspectivas pioneiras no processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma "nova <i>pr&aacute;xis</i>" de aten&ccedil;&atilde;o integral em Sa&uacute;de Mental em Sa&uacute;de Coletiva no Brasil. Incluindo nessa as pr&aacute;xis referentes ao encontro da loucura com o trabalho. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Atrav&eacute;s das contribui&ccedil;&otilde;es de Amarante (2008) encontramos que no projeto do CAPS Prof. Lu&iacute;s Cerqueira a fam&iacute;lia e o trabalho s&atilde;o vistas como dimens&otilde;es do campo macrossocial a serem considerados no programa de psicoterapia, socioterapia e terapia ocupacional; ou seja, s&atilde;o dimens&otilde;es que contribuem terapeuticamente com o tratamento. No projeto do NAPS em Santos o trabalho comp&ocirc;s, desde o in&iacute;cio, o <i>projeto terap&ecirc;utico </i>do cuidado na Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial juntamente com outras atividades como o atendimento individual, o atendimento aos familiares, as assembleias, os passeios, as visitas domiciliares, dentre outras. Ou seja, o trabalho era considerado como um dos componentes importantes na constru&ccedil;&atilde;o do poder de contratualidade social dos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura, sendo esse o principal foco de aten&ccedil;&atilde;o das pr&aacute;ticas de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado da equipe do NAPS. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No final do s&eacute;culo XX e in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI as mudan&ccedil;as estruturais e desestruturantes no campo socioecon&ocirc;mico advindas do incremento da economia de mercado, como o desemprego estrutural, provocam a constru&ccedil;&atilde;o de alternativas relacionadas &agrave; quest&atilde;o do trabalho em perspectivas diferenciadas da rela&ccedil;&atilde;o capital-trabalho encarnada no formato do emprego. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Neste contexto, acontece o encontro da Sa&uacute;de Mental com a Economia Solid&aacute;ria (ECOSOL) atrav&eacute;s da realiza&ccedil;&atilde;o do evento <i>Oficina de Experi&ecirc;ncias de Gera&ccedil;&atilde;o de Renda e Trabalho dos Usu&aacute;rios dos Servi&ccedil;os de Sa&uacute;de Mental </i>em 2004, realizado em Bras&iacute;lia/DF. Deste encontro foram constru&iacute;das estrat&eacute;gias de inclus&atilde;o social pelo trabalho dos usu&aacute;rios dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, com transtornos mentais graves e/ou decorrentes do uso de &aacute;lcool e outras drogas, por meio da constitui&ccedil;&atilde;o de empreendimentos econ&ocirc;micos solid&aacute;rios como grupos informais, associa&ccedil;&otilde;es e/ou cooperativas (MS, 2005). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nos relatos dos grupos de discuss&atilde;o desse evento, os participantes do evento consideraram a import&acirc;ncia da forma&ccedil;&atilde;o das cooperativas, contemplando a diversidade de seus cooperados atrav&eacute;s da amplia&ccedil;&atilde;o para pessoas interessadas que n&atilde;o sejam "usu&aacute;rias" dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, efetivando, assim, a premissa da integra&ccedil;&atilde;o com a forma&ccedil;&atilde;o de grupos mistos, heterog&ecirc;neos. Entretanto, &eacute; fato que os projetos de cooperativas que est&atilde;o em forma&ccedil;&atilde;o nascem no CAPS ou a ele est&atilde;o ligados de alguma forma. Sendo o CAPS um dispositivo de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado, seria este o melhor lugar para abrigar as iniciativas de inclus&atilde;o social pelo trabalho? Tais iniciativas n&atilde;o deveriam estar na cidade, nos espa&ccedil;os de circula&ccedil;&atilde;o social e da produ&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica? N&atilde;o seria melhor que a tarefa de inclus&atilde;o no trabalho fosse de toda a rede (incluindo nessa n&atilde;o somente as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, mas, ainda, a comunidade, universidades, institui&ccedil;&otilde;es privadas, etc.) e o CAPS definisse qual seria a sua fun&ccedil;&atilde;o nessa rede? </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Considerou-se o CAPS como um dispositivo estrat&eacute;gico na rede de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental por realizar as oficinas terap&ecirc;uticas e de gera&ccedil;&atilde;o de trabalho e renda; esta &uacute;ltima podendo vir a se tornar cooperativas, associa&ccedil;&otilde;es ou outras formas de organiza&ccedil;&atilde;o de trabalho produtivo que, ao construir a autonomia de seus participantes, possam se deslocar, saindo do CAPS para outros territ&oacute;rios. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Outras dimens&otilde;es s&atilde;o apontadas, como a legisla&ccedil;&atilde;o das cooperativas sociais; a garantia de uma renda m&iacute;nima atrav&eacute;s, por exemplo, de bolsa trabalho; a cria&ccedil;&atilde;o de um f&oacute;rum intersetorial de gera&ccedil;&atilde;o de renda com a participa&ccedil;&atilde;o ativa dos usu&aacute;rios em todo o processo de discuss&atilde;o; a ECOSOL fazendo parte de processos de forma&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de mental; a busca de recursos que possam dar sustentabilidade &agrave;s a&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de financiamento p&uacute;blico intersetorial; a cria&ccedil;&atilde;o de um colegiado que envolva n&atilde;o s&oacute; o CAPS, mas tamb&eacute;m todos os servi&ccedil;os da rede de aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica; a realiza&ccedil;&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o, capacita&ccedil;&atilde;o e qualifica&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios, familiares e trabalhadores da sa&uacute;de mental sobre o tema da articula&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de mental e ECOSOL, assim como a garantia da incubagem dos projetos; e o mapeamento nacional das iniciativas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">S&atilde;o exemplos dessas iniciativas: a Associa&ccedil;&atilde;o Trabalharte em Juiz de Fora/MG; o Projeto Suricato - Associa&ccedil;&atilde;o de Trabalho e Produ&ccedil;&atilde;o Solid&aacute;ria - em Belo Horizonte/MG; a Rede de Sa&uacute;de Mental e Economia Solid&aacute;ria de S&atilde;o Paulo composta por 76 projetos/empreendimentos e 1420 trabalhadores; o Projeto Gera&ccedil;&atilde;o Poa em Porto Alegre/RS; o N&uacute;cleo de Oficinas de Trabalho (NOT) no Servi&ccedil;o de Sa&uacute;de Doutor C&acirc;ndido Ferreira em parceria com a Associa&ccedil;&atilde;o Corn&eacute;lia Vlieg em Campinas/SP; a ATUT, uma associa&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios e pessoas da comunidade do entorno do Hospital S&atilde;o Pedro em Porto Alegre/RS. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde a realiza&ccedil;&atilde;o desse evento, algumas a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m sido realizadas a partir da luta pol&iacute;tica dos envolvidos junto aos Minist&eacute;rios da Sa&uacute;de e do Trabalho e Emprego, como a cria&ccedil;&atilde;o do Cadastro de Iniciativas de Inclus&atilde;o Social pelo trabalho (CIST) pela &Aacute;rea T&eacute;cnica da Sa&uacute;de Mental; processos de forma&ccedil;&atilde;o e de incubagem sendo realizados por Incubadoras Universit&aacute;rias ligadas ao Programa Nacional de Incubadoras de Cooperativas Populares (PRONINC); a cria&ccedil;&atilde;o da Portaria Nº 1.169/MS em 2005, que destina incentivo financeiro para munic&iacute;pios que desenvolvam projetos de Inclus&atilde;o Social pelo Trabalho (sua terceira chamada foi em 2012), destinados a pessoas portadoras de transtornos mentais e/ou de transtornos decorrentes do uso de &aacute;lcool e outras drogas; cursos de gest&atilde;o de empreendimentos de sa&uacute;de mental e ECOSOL para trabalhadores da &aacute;rea; dentre outras a&ccedil;&otilde;es. Entretanto, ainda h&aacute; muito que fazer nesse campo. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com o exposto acima, podemos identificar que muitas das iniciativas de inclus&atilde;o social no trabalho produtivo acontecem no &acirc;mbito do CAPS, embora n&atilde;o sejam somente a ele circunscritas, sendo a oficina, na maioria das vezes, o dispositivo disparador do processo. No documento <i>Sa&uacute;de mental no SUS: os Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial</i>, os CAPS s&atilde;o descritos como um servi&ccedil;o aberto e comunit&aacute;rio de refer&ecirc;ncia e tratamento &agrave;s pessoas com transtornos mentais graves onde s&atilde;o realizados "o acompanhamento cl&iacute;nico e a reinser&ccedil;&atilde;o social dos usu&aacute;rios pelo acesso ao trabalho, lazer, exerc&iacute;cio dos direitos civis e fortalecimento dos la&ccedil;os familiares e comunit&aacute;rios" (MS, 2004, p. 13). Nesse sentido, oferece os seguintes recursos terap&ecirc;uticos: atendimento individual, atendimento em grupo, atendimento para a fam&iacute;lia, atividades comunit&aacute;rias, assembleias ou reuni&otilde;es de organiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nesse texto, as oficinas s&atilde;o uma das modalidades de atendimento em grupo, existindo uma aparente diferencia&ccedil;&atilde;o entre oficina terap&ecirc;utica e oficina geradora de renda, dentre outras. Entretanto, no mesmo documento, encontramos a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades produtivas como um dos objetivos das oficinas terap&ecirc;uticas e a oficina geradora de renda como uma oficina terap&ecirc;utica quando esta &eacute; considerada como uma das principais formas de atendimento nos CAPS, podendo ser de diferentes modalidades: expressivas (artes pl&aacute;sticas, corporal, verbal, musical, fotografia, teatro), de gera&ccedil;&atilde;o de trabalho e renda (culin&aacute;ria, marcenaria, costura, fabrica&ccedil;&atilde;o de velas, artesanato em geral, cer&acirc;mica, bijuterias, etc.) ou de alfabetiza&ccedil;&atilde;o (aprendizagem e exerc&iacute;cio da escrita e da leitura como um recurso importante na (re)constru&ccedil;&atilde;o da cidadania): </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas oficinas s&atilde;o atividades realizadas em grupo com a presen&ccedil;a e orienta&ccedil;&atilde;o de um ou mais profissionais, monitores e/ou estagi&aacute;rios. Elas realizam v&aacute;rios tipos de atividades que podem ser definidas atrav&eacute;s do interesse dos usu&aacute;rios, das possibilidades dos t&eacute;cnicos do servi&ccedil;o, das necessidades, tendo em vista a maior integra&ccedil;&atilde;o social e familiar, a manifesta&ccedil;&atilde;o de sentimentos e problemas, o desenvolvimento de habilidades corporais, a realiza&ccedil;&atilde;o de atividades produtivas, o exerc&iacute;cio coletivo da cidadania (MS, 2004, p. 20). </font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dessa maneira, as oficinas <i>geradoras de renda </i>(nesse texto n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncia direta ao trabalho) s&atilde;o consideradas um recurso terap&ecirc;utico onde o atendimento &eacute; realizado em grupo, assim como outras modalidades de oficinas. Essa diferencia&ccedil;&atilde;o indiferenciada, nesse documento norteador das a&ccedil;&otilde;es e funcionamento dos CAPS no Brasil, pode ser encontrada no cotidiano das pr&aacute;ticas de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental. Tal fato nos parece causar alguns equ&iacute;vocos no tocante &agrave; rela&ccedil;&atilde;o entre loucura e trabalho, como por exemplo, considerar o trabalho como terap&ecirc;utico - sendo instrumento de ressocializa&ccedil;&atilde;o - sem ampliar a discuss&atilde;o sobre o direito ao trabalho e a (re)inser&ccedil;&atilde;o social que implica no relacionamento concreto com o mundo da produ&ccedil;&atilde;o, para al&eacute;m dos limites dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guerra (2008), em pesquisa realizada junto aos oficineiros dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental no Estado de Minas Gerais, observou que existia uma discuss&atilde;o sobre o trabalho nas oficinas de produ&ccedil;&atilde;o porque nessas se lida com o trabalho e com a circula&ccedil;&atilde;o de mercadorias; mas quem encampava mais organicamente essa quest&atilde;o eram as cooperativas, consideradas como trabalho protegido, porque lidavam diretamente com o mercado de trabalho e o mercado de consumo demandando a&ccedil;&otilde;es e infraestrutura diferenciadas das oficinas. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Por isso, eram consideradas como <i>um outro passo no projeto de sa&uacute;de mental</i>. Nessa dire&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o existiria uma <i>linearidade </i>entre estes dois dispositivos, rompendo com a ideia de que um seria a continuidade do outro porque se constitu&iacute;am como "dois territ&oacute;rios diferenciados de opera&ccedil;&atilde;o no campo da sa&uacute;de mental" (Guerra, 2008, p. 44). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal afirma&ccedil;&atilde;o nos aponta para a diferen&ccedil;a entre o trabalho como recurso terap&ecirc;utico no &acirc;mbito das oficinas nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental (unidade b&aacute;sica de sa&uacute;de, CAPS e Centros de Conviv&ecirc;ncia) e o trabalho protegido no &acirc;mbito das cooperativas ou outros dispositivos com pot&ecirc;ncia de gerar renda (ainda que m&iacute;nima) para os seus participantes. Sendo que, nesse &uacute;ltimo, os participantes se relacionariam com maior intensidade com os territ&oacute;rios para al&eacute;m dos servi&ccedil;os, exercendo um trabalho organizado com a&ccedil;&otilde;es mais complexas relacionadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o, ao consumo de mat&eacute;riaprima e &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o de seus produtos. Tais dimens&otilde;es foram ainda associadas, pelos oficineiros, &agrave; organiza&ccedil;&atilde;o do trabalho na perspectiva capitalista. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essas quest&otilde;es nos provocam a pensar se para os "oficineiros" seria poss&iacute;vel existir uma economia do trabalho diferente da capitalista e se todo trabalho que implica em trocas de bens e gera&ccedil;&atilde;o de recursos financeiros - e, por isso, demandam processos de gest&atilde;o - seja necessariamente alienado. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oficinas terap&ecirc;uticas e cooperativas, assim como outras formas de trabalho, s&atilde;o inst&acirc;ncias diferenciadas em fun&ccedil;&atilde;o da contratualidade constru&iacute;da para a exist&ecirc;ncia e realiza&ccedil;&atilde;o de cada uma em seus acontecimentos cotidianos. Entretanto, essa diferen&ccedil;a n&atilde;o produz uma dicotomia, mas antes complementaridade em fun&ccedil;&atilde;o da dialogia poss&iacute;vel entre ambas as experi&ecirc;ncias no contexto do projeto terap&ecirc;utico singular dos que s&atilde;o atendidos pelos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental em qualquer territ&oacute;rio nesse pa&iacute;s. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para isso, &eacute; preciso romper com as hist&oacute;ricas concep&ccedil;&otilde;es de trabalho produzidas no &acirc;mago do nascimento do capitalismo e no bojo de suas crises e transforma&ccedil;&otilde;es no decorrer da hist&oacute;ria, assim como se rompeu com o modelo assistencial asilar secularmente produzido pela psiquiatria associada ao projeto capitalista de exclus&atilde;o e aliena&ccedil;&atilde;o. Existem outras formas de se trabalhar, assim como existem outras formas de cuidar, e essas podem se encontrar em um projeto transformador da sociedade - embora tal tarefa implique em muita luta pol&iacute;tica, muito di&aacute;logo e negocia&ccedil;&atilde;o, muita resist&ecirc;ncia &agrave; in&eacute;rcia cotidiana, muita insist&ecirc;ncia e, porque n&atilde;o dizer, umas pitadas de teimosia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Vale lembrar que a ideia de se ter espa&ccedil;os diferentes para o cuidado e para o interc&acirc;mbio de produtos e servi&ccedil;os continua presente, de alguma forma, nas atuais discuss&otilde;es sobre o trabalho dos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental. O espa&ccedil;o de aten&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de mental ser diferente do espa&ccedil;o de trabalho dos que s&atilde;o atendidos pelo CAPS foi uma das propostas extra&iacute;das da IV Confer&ecirc;ncia Nacional de Sa&uacute;de Mental. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">N&atilde;o obstante, nesse caso, a prerrogativa &eacute; se centrar no est&iacute;mulo &agrave; inser&ccedil;&atilde;o no territ&oacute;rio da contratualidade social mediada pelo interc&acirc;mbio de afetos, bens e a constru&ccedil;&atilde;o de redes sociais, produzindo autonomia como interdepend&ecirc;ncia. Busca-se romper, assim, com as hist&oacute;ricas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho assistido e protegido para assumir a condi&ccedil;&atilde;o de trabalhadores cooperados que podem ser acompanhados por outros, mas n&atilde;o demandando mais "assist&ecirc;ncia" ou "prote&ccedil;&atilde;o" e, sim, incentivos e acompanhamento para desenvolver o interc&acirc;mbio no mundo das trocas econ&ocirc;micas e sociais. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Essa &eacute; uma discuss&atilde;o atual que conta com a contribui&ccedil;&atilde;o de alguns autores brasileiros que se dedicam ao campo da sa&uacute;de mental com o intuito de refletir sobre o lugar do trabalho nas pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas no contexto da Reforma Psiqui&aacute;trica no Brasil e, com isso, construir refer&ecirc;ncias te&oacute;ricas que possam contribuir com esse processo em curso. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lima (2008, p. 61) constata com "estranhamento" que a <i>atividade </i>como ocupa&ccedil;&atilde;o esteve presente nas pr&aacute;ticas da institui&ccedil;&atilde;o psiqui&aacute;trica desde o seu nascimento, estando tamb&eacute;m presente nas reformas psiqui&aacute;tricas do s&eacute;culo XX no processo de desestabiliza&ccedil;&atilde;o do modelo asilar de aten&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de mental. No Brasil, alguns dos dispositivos utilizados para cumprir essa tarefa s&atilde;o os ateli&ecirc;s, os laborat&oacute;rios e as oficinas, apresentando "enfoques e objetivos muitas vezes diferentes. Est&atilde;o presentes nos CAPS, nos hospitais-dia, e nas experi&ecirc;ncias de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o desenvolvidas em hospitais psiqui&aacute;tricos". Al&eacute;m desses, a autora cita os Centros de Conviv&ecirc;ncia criados nos processos de desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o do Hospital Psiqui&aacute;trico do Juquery e da Casa de Sa&uacute;de Anchieta em Santos. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Esses dispositivos t&ecirc;m, como refer&ecirc;ncias, a Psicoterapia Institucional da Cl&iacute;nica La Borde na Fran&ccedil;a e a Psiquiatria Democr&aacute;tica Italiana. Os <i>ateli&ecirc;s </i>em La Borde e seu paradigma est&eacute;tico na cria&ccedil;&atilde;o de arte e de territ&oacute;rios existenciais; os <i>laborat&oacute;rios </i>em Trieste e seu paradigma pol&iacute;tico de experimenta&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de fazeres e saberes sobre a vida, o social, a troca, a contratualidade, universos simb&oacute;licos e linguagens. No Brasil, as <i>oficinas </i>e o paradigma &eacute;tico-est&eacute;tico-pol&iacute;tico da Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial onde se &eacute; poss&iacute;vel engendrar, criar, produzir subjetividade - "novas formas de relacionamento, novos espa&ccedil;os existenciais, novos modos de ser" (Lima, 2008, p. 71). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com as Portarias nº 189/91 e nº 224/92 do SUS, as oficinas possuem duas modalidades: a terap&ecirc;utica, na qual s&atilde;o desenvolvidas atividades que promovem a subjetiva&ccedil;&atilde;o, socializa&ccedil;&atilde;o do sujeito, privilegiando sua particularidade (atitude cl&iacute;nica); e a de produ&ccedil;&atilde;o com recursos para a reinser&ccedil;&atilde;o produtiva, em que o trabalho, a aprendizagem de formas de trabalhar e a entrada no mercado de trabalho s&atilde;o prioridades (Guerra, 1999 citada por Ribeiro, 2008, p. 107). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nessa perspectiva, em trabalho anterior, a autora sistematiza diferentes modalidades de oficinas a partir do <i>setting </i>de trabalho e dos objetivos de cada uma: </font></p>     <blockquote>       <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&#91;&hellip;&#93; oficinas de terapia ocupacional, de cunho psicoter&aacute;pico; oficinas terap&ecirc;uticas, que objetivam a intercess&atilde;o com a comunidade, sem priorizar o aprendizado de um of&iacute;cio ou a inser&ccedil;&atilde;o no mercado de consumo ou de trabalho; oficinas de produ&ccedil;&atilde;o, que t&ecirc;m como objetivo produzir objetos e servi&ccedil;os pass&iacute;veis de circular socialmente, via exposi&ccedil;&atilde;o, venda ou presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os; e oficinas de comercializa&ccedil;&atilde;o, respons&aacute;veis por viabilizar parcerias que permitam a inser&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o na sociedade (Ribeiro, 2008, p. 7). </font></p> </blockquote>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Como complementa&ccedil;&atilde;o, a mesma autora considera que todas essas modalidades de oficina t&ecirc;m como tarefa a promo&ccedil;&atilde;o da reinser&ccedil;&atilde;o e da circula&ccedil;&atilde;o social dos que delas participam no territ&oacute;rio onde vivem, promovendo uma contratualidade social produzida na concretude do cotidiano atrav&eacute;s de trocas afetivas, simb&oacute;licas, sociais e econ&ocirc;micas. Isso tudo se configurando uma "rede social pessoal", que pode ser entendida como um "campo social composto pela soma de todas as rela&ccedil;&otilde;es interpessoais significativas para o indiv&iacute;duo, inclusive as familiares" (Ribeiro, 2008, p. 109). </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Observamos que na bibliografia revisada &eacute; frequente o termo <i>uso </i>ou <i>utiliza&ccedil;&atilde;o </i>do trabalho ou atividade como ferramenta das pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas desde o tratamento moral at&eacute; a Reforma Psiqui&aacute;trica brasileira. Vemos nessa concep&ccedil;&atilde;o uma perspectiva de instrumentalidade ao se dirimir a import&acirc;ncia do trabalho como algo que comp&otilde;e com a pr&aacute;tica cl&iacute;nica do cuidado para a constru&ccedil;&atilde;o de autonomia, reservando a esse a condi&ccedil;&atilde;o de pr&aacute;tica social complementar. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A reflex&atilde;o sobre esta representa&ccedil;&atilde;o social ainda presente nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental &eacute; essencial para a compreens&atilde;o das pr&aacute;ticas cl&iacute;nicas e sociais produzidas nesse campo no decorrer da hist&oacute;ria brasileira. Neste sentido, entendemos o trabalho como inerente &agrave;s pr&aacute;ticas de cuidado e n&atilde;o somente uma ferramenta/recurso. Tal quest&atilde;o est&aacute; reconhecida pelo projeto da Reforma Psiqui&aacute;trica brasileira em seus tr&ecirc;s eixos (retaguarda assistencial, retaguarda de moradia e (re) inser&ccedil;&atilde;o social pelo trabalho) quando considera o trabalho como parte integrante do projeto terap&ecirc;utico singular dos que s&atilde;o atendidos pela sa&uacute;de mental no Brasil, sendo as no&ccedil;&otilde;es de autonomia e emancipa&ccedil;&atilde;o inclu&iacute;das no conceito de terap&ecirc;utico. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Podemos dizer que existe, de maneira incipiente no Brasil, um processo de articula&ccedil;&atilde;o em torno do trabalho coletivo e autogestion&aacute;rio como alternativa aos sujeitos da experi&ecirc;ncia da loucura atendidos nos dispositivos da Sa&uacute;de Mental. Nesta perspectiva, nosso principal foco de interesse, na contemporaneidade brasileira, &eacute; a micropol&iacute;tica (Guattari &amp; Rolnik, 1996) do processo de constitui&ccedil;&atilde;o de coletivos, que t&ecirc;m como tarefa o trabalho autogestion&aacute;rio, nos dispositivos de aten&ccedil;&atilde;o e cuidado em Sa&uacute;de Mental (Unidades B&aacute;sicas de Sa&uacute;de, Centros de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial, Centros de Conviv&ecirc;ncia e outros) no territ&oacute;rio com o qual se relacionam; e em outros dispositivos como as associa&ccedil;&otilde;es de usu&aacute;rios, familiares e trabalhadores da Sa&uacute;de Mental. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entendemos este processo como micropol&iacute;tica por ser marcado pelo encontro, no cotidiano das pr&aacute;ticas sociais, entre sujeitos que afetam e s&atilde;o afetados por outros, interferem e sofrem interfer&ecirc;ncias em suas vidas. Essas produzindo sentimentos e atua&ccedil;&otilde;es singulares e coletivas atrav&eacute;s de experimenta&ccedil;&otilde;es processuais no campo do trabalho que podem ou n&atilde;o se configurar como um projeto comum em torno de uma atividade produtiva por eles definida. Tais processualidades lhes possibilitam construir outras contratualidades sociais e econ&ocirc;micas que produzem singulariza&ccedil;&otilde;es e coletividades, advindas da amplitude das possibilidades oferecidas pelo mundo do trabalho para o interc&acirc;mbio, onde a dimens&atilde;o terap&ecirc;utica significa produ&ccedil;&atilde;o de autonomia. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">As experimenta&ccedil;&otilde;es neste campo s&oacute;cio-pol&iacute;tico acontecem cotidianamente nos dispositivos de Sa&uacute;de Mental, com as mais diferentes e singulares formas e concep&ccedil;&otilde;es sobre o encontro da loucura com o trabalho, como uma pr&aacute;tica social e de cuidado no &acirc;mbito da inser&ccedil;&atilde;o no mundo do trabalho na perspectiva da economia solid&aacute;ria. Por isso, torna-se imprescind&iacute;vel a troca de fazeres e saberes entre os que a elas se dedicam e a reflex&atilde;o cr&iacute;tica e autocr&iacute;tica sobre essas, tendo como par&acirc;metro a hist&oacute;ria e os princ&iacute;pios da Reforma Psiqui&aacute;trica Brasileira. Assim como o incremento da inven&ccedil;&atilde;o de estrat&eacute;gias e t&aacute;ticas com pot&ecirc;ncia de produzir outras pr&aacute;ticas sociais e de cuidado no campo do encontro da loucura com o trabalho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Considera&ccedil;&otilde;es Finais</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para finalizar, podemos considerar que o trabalho configurou-se como estrat&eacute;gia de confronto e de luta nos momentos de crise nos paradigmas da hist&oacute;ria da loucura. Na crise econ&ocirc;mica que desencadeou a grande interna&ccedil;&atilde;o dos loucos, mendigos, vagabundos, delinquentes; no advento da psiquiatria como ci&ecirc;ncia pautada pela no&ccedil;&atilde;o de sujeito do cogito cartesiano, onde assume uma fun&ccedil;&atilde;o terap&ecirc;utica disciplinadora na busca pela cura da doen&ccedil;a mental atrav&eacute;s do tratamento moral; na II Grande Guerra quando os hosp&iacute;cios abrem suas portas aos loucos por conta dos bombardeios a&eacute;reos e esses conseguem trabalhar nas fazendas da regi&atilde;o sem medica&ccedil;&atilde;o ou qualquer outra forma de tratamento, n&atilde;o sendo identificados como doentes mentais; nas reformas psiqui&aacute;tricas onde &eacute; tanto uma estrat&eacute;gia de ressocializa&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a, de emancipa&ccedil;&atilde;o pela inser&ccedil;&atilde;o no trabalho produtivo na It&aacute;lia, de reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial e de inclus&atilde;o social no trabalho produtivo no Brasil. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Suaya (2009, citando Foucault, 2003) considera que o trabalho foi o instrumento utilizado no nascimento da psiquiatria para fazer o corte entre os loucos e os demais degenerados sociais, que foram o objeto de interven&ccedil;&atilde;o da grande interna&ccedil;&atilde;o. A exclus&atilde;o desse grupo marcou a singularidade do louco como n&atilde;o inclu&iacute;do no processo produtivo, como incapaz para o trabalho e, portanto, objeto da assist&ecirc;ncia do Estado atrav&eacute;s do tratamento oferecido pela ci&ecirc;ncia psiquiatria. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">De acordo com a mesma autora, o contraponto a esta perspectiva acontece alguns s&eacute;culos depois nos movimentos das reformas psiqui&aacute;tricas que inclu&iacute;ram o trabalho como o eixo nuclear de suas pr&aacute;ticas onde a disjun&ccedil;&atilde;o entre loucura e trabalho &eacute; transformada em conjun&ccedil;&atilde;o. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Entretanto, retomando o contexto brasileiro nos &eacute; poss&iacute;vel identificar, atrav&eacute;s do exposto neste artigo, a presen&ccedil;a tanto da disjun&ccedil;&atilde;o quanto da conjun&ccedil;&atilde;o entre loucura e trabalho que acontece pela coexist&ecirc;ncia, no cotidiano dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de mental, das pr&aacute;ticas hegem&ocirc;nicas da psiquiatria e das pr&aacute;ticas das reformas psiqui&aacute;tricas que se contrap&otilde;em &agrave;quela com estrat&eacute;gias de luta e de confronto. </font></p>     <p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Tal realidade tamb&eacute;m est&aacute; presente no contexto da articula&ccedil;&atilde;o sa&uacute;de mental e economia solid&aacute;ria na atualidade brasileira das pr&aacute;ticas de inclus&atilde;o social no trabalho produtivo, constitu&iacute;das no &acirc;mbito dos dispositivos da rede de aten&ccedil;&atilde;o ou a ela interligadas. &Eacute; premente uma ampla discuss&atilde;o a respeito desta tem&aacute;tica, prevenindo que a reedi&ccedil;&atilde;o de antigas pr&aacute;ticas de inclus&atilde;o perversa (Sawaia, 2006) venha a acontecer nos contextos contempor&acirc;neos em curso que apontam para a inven&ccedil;&atilde;o e a potencializa&ccedil;&atilde;o de possibilidades de transforma&ccedil;&atilde;o no encontro da loucura com o trabalho. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="3" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amarante, P. (2008). A constitui&ccedil;&atilde;o de novas pr&aacute;ticas no campo da Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial: an&aacute;lise de dois projetos pioneiros na Reforma Psiqui&aacute;trica no Brasil. <i>Sa&uacute;de em Debate, 25</i>(58), 26-34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743395&pid=S1983-8220201400010000400001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Amarante, P., &amp; Torre, E. H. (2001). Protagonismo e subjetividade: a constru&ccedil;&atilde;o coletiva no campo da sa&uacute;de mental. <i>Ci&ecirc;ncia &amp; Sa&uacute;de Coletiva, 6</i>(1), 73-85.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743397&pid=S1983-8220201400010000400002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Barros, D. D. A. (1990). <i>Desinstitucionaliza&ccedil;&atilde;o Italiana: a experi&ecirc;ncia de Trieste. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Faculdade de Ci&ecirc;ncias Sociais, Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo, S&atilde;o Paulo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743399&pid=S1983-8220201400010000400003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Basaglia, F. (1985). <i>A institui&ccedil;&atilde;o negada: relato de um hospital psiqui&aacute;trico</i>. Rio de Janeiro: Edi&ccedil;&otilde;es Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743401&pid=S1983-8220201400010000400004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Castel, R. (1978). <i>A ordem psiqui&aacute;trica: a idade de ouro do alienismo</i>. Rio de Janeiro: Graal.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743403&pid=S1983-8220201400010000400005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Dreyfus, H. L., &amp; Rabinow, P. (1995). <i>Michel Foucault, uma trajet&oacute;ria filos&oacute;fica: para al&eacute;m do estruturalismo e da hermen&ecirc;utica.</i> Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743405&pid=S1983-8220201400010000400006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foucault, M. (2003). <i>A hist&oacute;ria da loucura na idade cl&aacute;ssica. </i>S&atilde;o Paulo: Perspectiva.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743407&pid=S1983-8220201400010000400007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Foucault, M. O sujeito e o poder. Ap&ecirc;ndice. In H. L. Dreyfus, &amp; P. Rabinow, <i>Michel Foucault, uma trajet&oacute;ria filos&oacute;fica: para al&eacute;m do estruturalismo e da hermen&ecirc;utica </i>(pp. 231-250). Rio de Janeiro: Forense Universit&aacute;ria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743409&pid=S1983-8220201400010000400008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guattari, F. (1992). <i>Caosmose: um novo paradigma est&eacute;tico. </i>S&atilde;o Paulo: Ed. 34.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743411&pid=S1983-8220201400010000400009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guattari, F. (1990). <i>As tr&ecirc;s ecologias. </i>Campinas/SP: Papirus.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743413&pid=S1983-8220201400010000400010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guattari, F., &amp; Rolnik, S. (1986). <i>Micropol&iacute;tica: cartografias do desejo</i> (2ª ed.) Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743415&pid=S1983-8220201400010000400011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Guerra, A. M. C. (2008). Oficinas em sa&uacute;de mental: percurso de uma hist&oacute;ria, fundamentos de uma pr&aacute;tica. In C. M. Costa, &amp; A. C. Figueiredo (Orgs.), <i>Oficinas terap&ecirc;uticas em Sa&uacute;de Mental: sujeito, produ&ccedil;&atilde;o e cidadania </i>(pp. 23-57). Rio de Janeiro: Contra Capa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743417&pid=S1983-8220201400010000400012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lima, E. A. (2008). Oficinas e outros dispositivos para uma cl&iacute;nica atravessada pela cria&ccedil;&atilde;o. In C. M. Costa, &amp; A. C. Figueiredo (Orgs.), <i>Oficinas terap&ecirc;uticas em Sa&uacute;de Mental: sujeito, produ&ccedil;&atilde;o e cidadania </i>(pp. 59-81). Rio de Janeiro: Contra Capa Livraria.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743419&pid=S1983-8220201400010000400013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lima, M. E. A., &amp; Brescia, M. F. Q. (2002). O trabalho como recurso terap&ecirc;utico. In I. B. Goulart (Org.), <i>Psicologia organizacional e do trabalho: teoria, pesquisa e temas  correlatos </i>(pp. 357-377). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743421&pid=S1983-8220201400010000400014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS). (2005). <i>Sa&uacute;de Mental e Economia Solid&aacute;ria: Inclus&atilde;o Social pelo Trabalho. </i>Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743423&pid=S1983-8220201400010000400015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de (MS). (2004). <i>Sa&uacute;de mental no SUS</i>: os centros de aten&ccedil;&atilde;o psicossocial. Bras&iacute;lia: Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743425&pid=S1983-8220201400010000400016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Oury, J. (1924/2009). <i>O Coletivo </i>(A. Menard et al., Trad.). S&atilde;o Paulo: Aderaldo &amp; Rothschild.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743427&pid=S1983-8220201400010000400017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Passos, I. C. F. (2009). <i>Reforma psiqui&aacute;trica: as experi&ecirc;ncias francesa e italiana</i>. Rio de Janeiro: FIOCRUZ.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743429&pid=S1983-8220201400010000400018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Resende, H. (1987). Pol&iacute;tica de Sa&uacute;de Mental no Brasil: uma vis&atilde;o hist&oacute;rica. In S. A. Tundis, &amp; N. R. Costa (Orgs), <i>Cidadania e Loucura: pol&iacute;ticas de sa&uacute;de mental no Brasil</i> (pp. 15-73). Petr&oacute;polis: Vozes/ABRASCO.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743431&pid=S1983-8220201400010000400019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ribeiro, R. C. F. (2008). Oficinas e redes sociais na reabilita&ccedil;&atilde;o psicossocial. In C. Costa, &amp; A. C. Figueiredo (Orgs.), <i>Oficinas terap&ecirc;uticas em Sa&uacute;de Mental: sujeito, produ&ccedil;&atilde;o e cidadania </i>(pp. 105-116). Rio de Janeiro: Contra Capa.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743433&pid=S1983-8220201400010000400020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Rotteli, F. (1994). Superando o manic&ocirc;mio: o circuito psiqui&aacute;trico de Trieste. In P. D. C. Amarante (Org.), <i>Psiquiatria social e reforma psiqui&aacute;trica </i>(pp. 149-169). Rio de Janeiro: Fiocruz.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743435&pid=S1983-8220201400010000400021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sawaia, B. (2006). Introdu&ccedil;&atilde;o: exclus&atilde;o ou inclus&atilde;o perversa. In B. Sawaia (Org.), <i>As artimanhas da exclus&atilde;o an&aacute;lise psicossocial e &eacute;tica da desigualdade social </i>(pp. 07-13). Petr&oacute;polis: Vozes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743437&pid=S1983-8220201400010000400022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Souza, I. D. (2001). <i>A Primeira Reforma Psiqui&aacute;trica: uma hist&oacute;ria do Tratamento Moral. </i>Disserta&ccedil;&atilde;o de Mestrado. Instituto de Medicina Social, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743439&pid=S1983-8220201400010000400023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Suaya, D. (2010). <i>Historia vital del trabajo: herramienta de atenci&oacute;n en salud colectiva. </i>Buenos Aires: Cooperativa Chilavert Artes Gr&aacute;ficas.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4743441&pid=S1983-8220201400010000400024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
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