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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Viabilidade da terapia de aceitação e compromisso para dependentes de drogas]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Substance dependence is one of the most stigmatized health conditions in the world, contributing to its worsening, social exclusion and discrimination. Aware of society's negative perception of their condition, these people can internalize stigma from negative beliefs, feelings and behaviors about themselves. One of the interventions with positive initial evidence to reduce internalized stigma is the Acceptance and Commitment Therapy (ACT). This study evaluated the feasibility of an ACT-based intervention to reduce internalized stigma among substance addicts. The participants received the conventional treatment of the service, in addition to the intervention consisting of six weekly sessions, conducted by a pair of previously trained therapists. Implementing strategies to reduce internalized stigma can contribute to maintaining the benefits obtained over time, increasing adherence to treatment and the quality of care provided.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[Estigma social]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Terapia de aceitação e compromisso]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[Transtornos relacionados ao uso de substâncias]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[Social stigma]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font size="2" face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b><a name="top"></a>Viabilidade    da terapia de aceita&ccedil;&atilde;o e compromisso para dependentes de drogas</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Feasibility    of acceptance and commitment therapy for drug addicts</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Pollyanna Santos    da Silveira<sup>I</sup>; Amanda Aparecida Oliveira<sup>II</sup>; J&eacute;ssica    Ver&ocirc;nica Tib&uacute;rcio Freitas<sup>III</sup>; Joanna Gon&ccedil;alves    de Andrade Tostes<sup>IV</sup>; Telmo Mota Ronzani<sup>V</sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup>Universidade    Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Brasil. E-mail: <a href="mailto:pollyannassilveira@gmail.com">pollyannassilveira@gmail.com</a>.    (orcid.org/0000-0002-3010-6477)    <br>   <sup>II</sup>Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Brasil.    E-mail: <a href="mailto:amanda.apa.oliveira@gmail.com">amanda.apa.oliveira@gmail.com</a>.    (orcid.org/0000-0003-1939-0961)    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <sup>III</sup>Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Brasil.    <a href="mailto:E-mail:jessicavtiburcio@gmail.com">E-mail:jessicavtiburcio@gmail.com</a>.    (orcid.org/0000-0001-6071-5970)    <br>   <sup>IV</sup>Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Brasil.    E-mail: <a href="mailto:joanna@tostes.org">joanna@tostes.org</a>. (orcid.org/0000-0001-8392-0352)    <br>   <sup>V</sup>Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Juiz de Fora, Brasil.    E-mail: <a href="mailto:tm.ronzani@gmail.com">tm.ronzani@gmail.com</a>. (orcid.org/0000-0002-8927-5793)</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A depend&ecirc;ncia    de subst&acirc;ncias &eacute; uma das condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de    mais estigmatizadas no mundo, contribuindo para o seu agravamento, exclus&atilde;o    social e discrimina&ccedil;&atilde;o. Conscientes da percep&ccedil;&atilde;o    negativa da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o,    essas pessoas podem internalizar o estigma, a partir de cren&ccedil;as, sentimentos    e comportamentos negativos sobre si. Uma das interven&ccedil;&otilde;es com    evid&ecirc;ncias iniciais positivas para reduzir o estigma internalizado &eacute;    a Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o e Compromisso (ACT). Este estudo avaliou    a viabilidade de uma interven&ccedil;&atilde;o baseada em ACT para reduzir o    estigma internalizado entre dependentes de subst&acirc;ncias. Os participantes    receberam o tratamento convencional do servi&ccedil;o, al&eacute;m da interven&ccedil;&atilde;o    composta por seis sess&otilde;es com periodicidade semanal, conduzidas por uma    dupla de terapeutas previamente treinadas. Implementar estrat&eacute;gias para    a redu&ccedil;&atilde;o do estigma internalizado pode contribuir para manter    os benef&iacute;cios obtidos ao longo do tempo, aumentando a ades&atilde;o ao    tratamento e a qualidade dos cuidados fornecidos.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>:    Estigma social. Terapia de aceita&ccedil;&atilde;o e compromisso. Transtornos    relacionados ao uso de subst&acirc;ncias.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Substance dependence    is one of the most stigmatized health conditions in the world, contributing    to its worsening, social exclusion and discrimination. Aware of society's negative    perception of their condition, these people can internalize stigma from negative    beliefs, feelings and behaviors about themselves. One of the interventions with    positive initial evidence to reduce internalized stigma is the Acceptance and    Commitment Therapy (ACT). This study evaluated the feasibility of an ACT-based    intervention to reduce internalized stigma among substance addicts. The participants    received the conventional treatment of the service, in addition to the intervention    consisting of six weekly sessions, conducted by a pair of previously trained    therapists. Implementing strategies to reduce internalized stigma can contribute    to maintaining the benefits obtained over time, increasing adherence to treatment    and the quality of care provided.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords</b>:    Social stigma. Acceptance and commitment therapy. Disorders related to substance    use.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O uso de drogas    tem sido associado a v&aacute;rios problemas de sa&uacute;de p&uacute;blica    no Brasil e no mundo (Who, 2016</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    Opas, 2015). Al&eacute;m dos danos f&iacute;sicos e psicol&oacute;gicos relacionados    ao consumo abusivo, estudos apontam que a depend&ecirc;ncia &eacute; uma das    condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de mais estigmatizadas em todo o mundo,    expondo essas pessoas &agrave; exclus&atilde;o social e &agrave; discrimina&ccedil;&atilde;o.    O estigma envolve consequ&ecirc;ncias diretas no agravamento desse quadro, sendo    considerado, por si s&oacute;, um importante problema de sa&uacute;de p&uacute;blica    (Corrigan <i>et al</i>., 2016; Silveira, Tostes, Wan, Ronzani &amp; Corrigan,    2018; Schomerus <i>et al</i>., 2011). Tais consequ&ecirc;ncias negativas v&atilde;o    desde a dificuldade em procurar espontaneamente um tratamento at&eacute; consequ&ecirc;ncias    estruturais, que incluem a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos fundamentais    (Rossal, 2018; Who &amp; Unodc, 2008</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    Vieira, Caldana &amp; Corradi-Webster, 2013).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A estigmatiza&ccedil;&atilde;o    de um comportamento como o uso de drogas pode ser vista como um meio de impor    normas sociais para estabelecer limites e comportamentos aceit&aacute;veis socialmente    (Schomerus <i>et al</i>., 2011). No entanto, estrat&eacute;gias moralizantes    associadas a perspectivas proibicionistas t&ecirc;m sido consideradas disfuncionais    e pouco efetivas (Gomes-Medeiros, Faria, Campos &amp; T&oacute;foli, 2019; Rossal,    2018). Essas estrat&eacute;gias, ao enfatizarem a&ccedil;&otilde;es relacionadas    apenas &agrave;s caracter&iacute;sticas negativas e estigmatizantes do uso de    drogas, acabam por restringir as possibilidades de acolhimento e acesso para    as pessoas com problemas decorrentes desse uso (Room &amp; Reuter, 2012).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Como consequ&ecirc;ncia,    os usu&aacute;rios, ao se tornarem conscientes da percep&ccedil;&atilde;o negativa    e moralizante que a sociedade tem em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o,    acabam por endossar e internalizar tal vis&atilde;o a partir de cren&ccedil;as,    sentimentos e comportamentos negativos sobre si (Corrigan &amp; Watson, 2002</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    Boyd, Adler, Otilingam &amp; Peters, 2013; Silveira <i>et al</i>., 2018). Diversos    estudos t&ecirc;m apresentado evid&ecirc;ncias de que o estigma internalizado    est&aacute; associado a impactos globais, tais como a perda de autoestima e    de autoefic&aacute;cia, diminuindo perspectivas j&aacute; limitadas de recupera&ccedil;&atilde;o    (Hammarlund, Crapanzano, Luce, Mulligan &amp; Ward, 2018; Nieweglowski, Dubke,    Mulfinger, Sheehan &amp; Corrigan, 2018; Rusch, Todd, Bodenhausen, Olschewski    &amp; Corrigan, 2010).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Al&eacute;m disso,    podem ser identificadas outras consequ&ecirc;ncias negativas entre aqueles que    internalizam o estigma, tais como a culpa, a desesperan&ccedil;a, a ang&uacute;stia,    a autorreprova&ccedil;&atilde;o e a depress&atilde;o. Essas consequ&ecirc;ncias,    por sua vez, s&atilde;o apontadas como estando associadas a uma rede social    mais restrita, &agrave; antecipa&ccedil;&atilde;o de rejei&ccedil;&atilde;o    em situa&ccedil;&otilde;es sociais e ao decorrente isolamento social, incluindo    o desemprego (Livingston &amp; Boyd, 2010</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    Schomerus <i>et al</i>., 2011; Corrigan, Bink, Schmidt, Jones &amp; R&uuml;sch,    2015).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar da complexidade    da internaliza&ccedil;&atilde;o do estigma, ainda s&atilde;o escassos os estudos    que t&ecirc;m buscado desenvolver e avaliar as estrat&eacute;gias voltadas para    a sua redu&ccedil;&atilde;o (Hatzenbuehler, Phelan &amp; Link, 2013). Ao avaliarem    a literatura sobre a efetividade das interven&ccedil;&otilde;es para reduzir    o estigma associado ao abuso de subst&acirc;ncias, Livingston, Milne, Fang e    Amari (2011) apontaram que, entre os estudos cujo foco foi o estigma internalizado,    a interven&ccedil;&atilde;o baseada na Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o e    Compromisso (ACT) apresentou evid&ecirc;ncias iniciais de resultados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A Terapia de Aceita&ccedil;&atilde;o    e Compromisso (ACT) integra a denominada Terceira Onda das Terapias Cognitivo    Comportamentais (TCC) (Wilson, Bordieri, Flynn, Lucas &amp; Slater, 2010). Mais    sens&iacute;vel ao contexto e &agrave; fun&ccedil;&atilde;o dos fen&ocirc;menos    psicol&oacute;gicos, a ACT &eacute; uma abordagem cl&iacute;nica que pode ser    expandida para outros contextos e apresenta como conceito principal a flexibilidade    psicol&oacute;gica. Esse conceito &eacute; definido como a capacidade de entrar    em contato com o momento presente e as experi&ecirc;ncias internas e, de acordo    com o contexto, persistir ou alterar comportamentos na busca por objetivos e    valores pessoais. Assim, o foco da ACT &eacute; aumentar a flexibilidade psicol&oacute;gica    e, para busc&aacute;-la, s&atilde;o trabalhados seis processos psicol&oacute;gicos    b&aacute;sicos, sendo eles: a aceita&ccedil;&atilde;o, a desfus&atilde;o cognitiva,    o estar presente, o eu como contexto, os valores e as a&ccedil;&otilde;es comprometidas    (Hayes, Pistorello &amp; Biglan, 2008; Hayes, 2016).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">De acordo com os    processos norteadores da ACT, s&atilde;o constru&iacute;das metas a serem desenvolvidas    nas sess&otilde;es: a) minar o apego do indiv&iacute;duo &agrave; sua agenda    comportamental atual</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    b) mostrar como a agenda n&atilde;o funcional &eacute; baseada em controle emocional    e em estrat&eacute;gias de evita&ccedil;&atilde;o</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    c) ajudar a identificar e a diminuir a fus&atilde;o cognitiva</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    d) entrar em contato com um senso de eu que &eacute; diferente das rea&ccedil;&otilde;es    programadas e das cren&ccedil;as literais sobre si mesmo</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    e) ajudar o indiv&iacute;duo a identificar dire&ccedil;&otilde;es de vida por    ele valorizadas, juntamente com as metas e as a&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias    para atingi-las</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    f) apoiar no engajamento para uma a&ccedil;&atilde;o comprometida, permitindo    que pensamentos, sentimentos e mem&oacute;rias n&atilde;o funcionem como obst&aacute;culos,    mas como parte esperada de um viver direcionado por metas (Hayes, Strosahl &amp;    Wilson, 1999).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora ainda pouco    utilizada e difundida para essa finalidade, a ACT para a redu&ccedil;&atilde;o    de estigma internalizado foi avaliada no estudo de Luoma, Kohlenberg, Hayes,    Bunting e Rye (2008), por meio da aplica&ccedil;&atilde;o de processos de flexibilidade    psicol&oacute;gica, desfus&atilde;o cognitiva e comportamentos orientados por    valores. Os resultados mostraram que a interven&ccedil;&atilde;o foi capaz de    reduzir a vergonha e o estigma internalizado, al&eacute;m de ter contribu&iacute;do    para uma melhora significativa na autoestima e na sa&uacute;de mental dos participantes    (Luoma <i>et al</i>., 2008). Outro estudo, realizado por Lee, An, Levin e Twohig    (2015), apresentou resultados promissores em rela&ccedil;&atilde;o ao uso da    ACT, quando comparada &agrave;s demais interven&ccedil;&otilde;es para o tratamento    de usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias. Os resultados da metan&aacute;lise    mostraram que os efeitos positivos da ACT tenderam a aumentar com o tempo ou    se deterioraram mais lentamente que os outros tratamentos, ao serem avaliados    nas medidas de acompanhamento, <i>follow-up</i> (Lee <i>et al</i>., 2015).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora seja not&oacute;ria    a complexidade e a extens&atilde;o dos problemas associados &agrave; estigmatiza&ccedil;&atilde;o    do uso de drogas no cen&aacute;rio brasileiro (Ronzani, Furtado, Higgins-Biddle,    2009; Silveira <i>et al</i>., 2018; Araujo, 2019; Toledo, G&oacute;ngora &amp;    Bastos, 2017), n&atilde;o h&aacute; estudos que tenham investigado a viabilidade    ou efetividade de estrat&eacute;gias baseadas em ACT para essa finalidade no    pa&iacute;s. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a viabilidade de    um protocolo de interven&ccedil;&atilde;o baseado nessa abordagem para a redu&ccedil;&atilde;o    do estigma internalizado de usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias, adaptado pelos    autores para o contexto brasileiro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>M&eacute;todo</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Trata-se de um    estudo baseado em abordagem qualitativa do tipo descritivo avaliativo. Foram    empregados par&acirc;metros para avaliar a aceita&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o,    como a frequ&ecirc;ncia de sess&otilde;es das quais os usu&aacute;rios do servi&ccedil;o    participaram e o <i>feedback</i> fornecido por eles e pela equipe de profissionais    do servi&ccedil;o. A viabilidade foi avaliada por meio das caracter&iacute;sticas    do recrutamento, da interven&ccedil;&atilde;o e dos resultados alcan&ccedil;ados    inicialmente (White <i>et al.,</i> 2011).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Participantes</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para compor este    estudo, foram convidados a participar usu&aacute;rios de subst&acirc;ncias psicoativas    em tratamento no Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial ao Usu&aacute;rio    de &Aacute;lcool e outras Drogas (Caps AD III), da cidade de Juiz de Fora, Minas    Gerais. Os crit&eacute;rios para participa&ccedil;&atilde;o foram: ter idade    igual ou superior a 18 anos, fazer tratamento no Caps AD III e ter disponibilidade    de duas horas semanais para participar do grupo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os usu&aacute;rios    do regime intensivo, que s&atilde;o aqueles cuja presen&ccedil;a &eacute; di&aacute;ria    no servi&ccedil;o, foram convidados pessoalmente a participar do grupo ap&oacute;s    receberem informa&ccedil;&otilde;es sobre o planejamento das atividades. O recurso    de inserir os usu&aacute;rios desse regime de tratamento foi uma alternativa    vi&aacute;vel, tendo em vista que, dessa forma, foram minimizadas perdas de    participantes ao longo das sess&otilde;es. O grupo foi composto de 18 participantes,    em m&eacute;dia, sendo que esse n&uacute;mero flutuou ao longo do processo,    considerando que alguns participantes n&atilde;o compareceram a todas as sess&otilde;es    e outros passaram a frequentar o grupo j&aacute; em andamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A idade dos participantes    variou de 21 a 56 anos, havendo a predomin&acirc;ncia de homens, que totalizaram    24 ao longo das sess&otilde;es, contrapondo-se &agrave; presen&ccedil;a de um    total de apenas oito mulheres. A predomin&acirc;ncia do g&ecirc;nero masculino    nos encontros reflete a realidade do servi&ccedil;o, pois majoritariamente homens    acessam o dispositivo. Todas as sess&otilde;es foram realizadas no interior    do Caps AD III em espa&ccedil;o acordado previamente com a coordena&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Procedimentos</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ao consentirem    em fazer parte da pesquisa, os participantes assinaram um Termo de Consentimento    Livre e Esclarecido (TCLE). Todos receberam os recursos terap&ecirc;uticos convencionais    fornecidos pelo servi&ccedil;o, incluindo as consultas com o psiquiatra e a    prescri&ccedil;&atilde;o de medicamentos, quando necess&aacute;rio, o acompanhamento    psicol&oacute;gico, individual e em grupo, assim como do servi&ccedil;o social.    Adicionalmente, participaram da interven&ccedil;&atilde;o para a redu&ccedil;&atilde;o    do estigma internalizado, baseada em ACT, composta de seis sess&otilde;es e    com duas horas de dura&ccedil;&atilde;o, com periodicidade semanal, conduzidas    e mediadas por uma dupla de terapeutas treinadas previamente. O presente estudo    foi aprovado pelo Comit&ecirc; de &Eacute;tica em Pesquisa da Universidade Federal    de Juiz de Fora (Parecer n. 1.455.439) e todos os par&acirc;metros &eacute;ticos    foram respeitados.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Protocolo utilizado</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O protocolo do    presente estudo foi traduzido e adaptado, pelos pr&oacute;prios autores, a partir    do manual <i>Acceptance and Commitment Therapy - Group Therapy Manual for Self-Stigma    and Shame in Substance Use Disorder</i>, elaborado por Luoma, Kohlenberg e Hayes    (2005). Esse protocolo foi selecionado para este estudo devido ao fato de ter    sido aplicado na mesma popula&ccedil;&atilde;o-alvo em outro pa&iacute;s, apresentando    evid&ecirc;ncias iniciais positivas (Luoma <i>et al</i>., 2008).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O manual inclui    uma introdu&ccedil;&atilde;o sobre o estigma internalizado e social, aspectos    relacionados &agrave; desfus&atilde;o cognitiva e &agrave; flexibilidade comportamental,    &agrave; aceita&ccedil;&atilde;o e ao controle de emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos,    bem como conte&uacute;dos referentes &agrave;s a&ccedil;&otilde;es orientadas    pelos valores. As sess&otilde;es incluem discuss&otilde;es e exerc&iacute;cios    vivenciais produzidos para ajudar os participantes a enxergarem qu&atilde;o    natural &eacute; ter pensamentos estigmatizantes e tentar control&aacute;-los,    evit&aacute;-los ou se livrar deles. Por meio dos exerc&iacute;cios, os participantes    foram orientados sobre como deixar para tr&aacute;s liga&ccedil;&otilde;es ao    conte&uacute;do literal de pensamentos e emo&ccedil;&otilde;es estigmatizantes.    As etapas do protocolo foram: a) aumentar a consci&ecirc;ncia experimental e    intelectual do estigma social, do estigma internalizado, da vergonha e de seus    efeitos</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    b) aumentar a consci&ecirc;ncia experimental do paradoxo da supress&atilde;o    de pensamentos</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    c) introduzir a desfus&atilde;o cognitiva</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    d) introduzir o conceito de que o controle &eacute; o problema e que tentar    controlar os pensamentos e sentimentos aversivos &eacute; parte das estrat&eacute;gias    de defesa</font><font size="2">&#894;</font><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">    e) criar uma flexibilidade comportamental, emp&aacute;tica e aceit&aacute;vel    por meio da introdu&ccedil;&atilde;o e do compartilhamento de experi&ecirc;ncias    desconfort&aacute;veis com o grupo; e f) durante o uso de experi&ecirc;ncias    e met&aacute;foras, ajudar os participantes a definir seus valores e objetivos,    al&eacute;m de se comprometer para uma mudan&ccedil;a comportamental.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>An&aacute;lise    das informa&ccedil;&otilde;es </b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As informa&ccedil;&otilde;es    qualitativas coletadas a partir das observa&ccedil;&otilde;es das sess&otilde;es    e dos registros de campo foram analisadas a partir dos seguintes par&acirc;metros,    indicados por White <i>et al</i>. (2011) acerca da viabilidade e da aceita&ccedil;&atilde;o    de interven&ccedil;&otilde;es baseadas em ACT:</font></p>     <blockquote>        <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">a) Popula&ccedil;&atilde;o:      os usu&aacute;rios puderam ser identificados e recrutados apropriadamente      para uma interven&ccedil;&atilde;o baseada em ACT para a redu&ccedil;&atilde;o      de estigma?</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">b) Interven&ccedil;&atilde;o:      a ACT seria uma interven&ccedil;&atilde;o aceit&aacute;vel para indiv&iacute;duos      com depend&ecirc;ncia de subst&acirc;ncias? Eles foram capazes de identificar      os valores e estabelecer metas para o tratamento? Eles compreenderam o conceito      de estigma internalizado e conseguiram identificar estrat&eacute;gias?</font></p>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">c) Resultados:      quais medidas seriam importantes para avaliar o efeito da ACT na redu&ccedil;&atilde;o      do estigma internalizado de dependentes de subst&acirc;ncias?</font></p> </blockquote>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Resultados e    discuss&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diferentemente    da vers&atilde;o original do protocolo de interven&ccedil;&atilde;o, que prev&ecirc;    tr&ecirc;s sess&otilde;es, as atividades desenvolvidas com o grupo ocorreram    em seis sess&otilde;es. O aumento no n&uacute;mero de sess&otilde;es justificou-se    em fun&ccedil;&atilde;o da pr&oacute;pria din&acirc;mica do grupo e das adapta&ccedil;&otilde;es    necess&aacute;rias para que cada atividade cumprisse seu objetivo, sem que houvesse    dispers&atilde;o dos participantes. Os temas de cada uma das sess&otilde;es    est&atilde;o descritos na <a href="/img/revistas/gerais/v14n1/02f01.jpg">Figura    1</a>.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Sess&otilde;es</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A primeira sess&atilde;o    teve in&iacute;cio com as apresenta&ccedil;&otilde;es individuais dos 23 usu&aacute;rios    presentes, da equipe do estudo e das terapeutas mediadoras, do conte&uacute;do    e dos objetivos do grupo. Algumas quest&otilde;es levantadas foram: "Por que    estou participando do grupo?" e "O que eu gostaria de aprender com o grupo?"    Para criar um ambiente acolhedor e de confidencialidade, o pr&oacute;prio grupo    estabeleceu regras: falar de forma objetiva, levantar a m&atilde;o para falar,    falar a verdade, ser honesto, manifestar-se no caso de uma situa&ccedil;&atilde;o    desconfort&aacute;vel, em vez de apenas sair do grupo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O tema estigma    foi abordado a partir de r&oacute;tulos de produtos comercializados, tendo em    vista que frequentemente s&atilde;o utilizadas as marcas comerciais para fazer    refer&ecirc;ncia a diversos produtos. Os usu&aacute;rios apontaram que o uso    de drogas muitas vezes &eacute; alvo de rotula&ccedil;&atilde;o. Alguns relatos    demonstraram tal processo, acarretando na desvaloriza&ccedil;&atilde;o tanto    pessoal quanto profissional decorrente do uso de drogas. Algumas express&otilde;es    estigmatizantes foram utilizadas com rela&ccedil;&atilde;o ao consumo de &aacute;lcool,    como: "pingu&ccedil;o", "cachaceiro", "b&ecirc;bado", "bebum", "sem vergonha",    "cobra de vidro". Em rela&ccedil;&atilde;o ao uso de <i>crack</i>, os participantes    afirmaram que h&aacute; uma maior discrimina&ccedil;&atilde;o quando comparada    ao uso de &aacute;lcool. Alguns relatos sinalizam a percep&ccedil;&atilde;o    de discrimina&ccedil;&atilde;o, tais como: "acha que &eacute; ladr&atilde;o",    "chamam de verme", "cracudo", "noiado", "chama de tudo, menos de ser humano".    Al&eacute;m disso, os usu&aacute;rios apontaram que a pr&oacute;pria fam&iacute;lia    culpabiliza os dependentes pelo uso e pela condi&ccedil;&atilde;o em que se    encontram, n&atilde;o havendo uma rela&ccedil;&atilde;o de confian&ccedil;a.    Os usu&aacute;rios afirmaram, ainda, que "os usu&aacute;rios de &aacute;lcool    discriminam quem fuma maconha, quem fuma maconha discrimina quem usa coca&iacute;na    e quem usa coca&iacute;na discrimina quem usa <i>crack</i>". Para eles, a estigmatiza&ccedil;&atilde;o    est&aacute; associada &agrave; ocultabilidade da depend&ecirc;ncia, o que pode    ser visto no relato de que "a pessoa que usa coca&iacute;na consegue disfar&ccedil;ar,    esconder, mas quem usa &aacute;lcool ou <i>crack</i> fica marcada. No caso do    &aacute;lcool, &eacute; dif&iacute;cil esconder, d&aacute; pra ver na sua cara    que voc&ecirc; t&aacute; b&ecirc;bado". Por fim, destacou-se entre as falas    o processo de naturaliza&ccedil;&atilde;o da discrimina&ccedil;&atilde;o na    afirma&ccedil;&atilde;o: "com o passar do tempo, as ofensas viram rotina e voc&ecirc;    acaba se acostumando".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na segunda sess&atilde;o,    o grupo contou com 20 participantes. Retomou-se o objetivo do encontro anterior    e um dos usu&aacute;rios comparou o estigma a uma marca semelhante &agrave;    sinaliza&ccedil;&atilde;o feita a ferro nos bois. Na avalia&ccedil;&atilde;o    e classifica&ccedil;&atilde;o das emo&ccedil;&otilde;es experienciadas, os participantes    nomearam como emo&ccedil;&otilde;es boas a alegria, felicidade, euforia, o medo    em alguns momentos e a saudade. Por outro lado, entre as emo&ccedil;&otilde;es    ruins, destacaram-se a tristeza, raiva, &oacute;dio, frustra&ccedil;&atilde;o,    ci&uacute;me, inveja e o arrependimento. No encerramento, aplicou-se a "met&aacute;fora    passageiros no &ocirc;nibus", amplamente utilizada na ACT, a fim de trabalhar    a aceita&ccedil;&atilde;o de emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos negativos.    A met&aacute;fora consiste na ideia de que todo indiv&iacute;duo &eacute; o    motorista de seu pr&oacute;prio &ocirc;nibus, sendo a placa do &ocirc;nibus    os valores e os passageiros s&atilde;o os pensamentos, sentimentos, estados    corporais, mem&oacute;ria e outros aspectos da experi&ecirc;ncia. Existem passageiros    bons e outros indesejados e, em algumas situa&ccedil;&otilde;es, os indesejados    buscam pegar o controle do &ocirc;nibus, mas ressalta-se a possibilidade de    retomar o controle da situa&ccedil;&atilde;o e criar estrat&eacute;gias, por    exemplo, aceitar a presen&ccedil;a desses passageiros, entendendo que mesmo    sendo amea&ccedil;adores o controle n&atilde;o est&aacute; com eles.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">No terceiro encontro,    16 participantes estavam presentes. Uma medita&ccedil;&atilde;o foi realizada    no in&iacute;cio, sendo avaliada pelos usu&aacute;rios de forma positiva, a    partir de falas como: "d&aacute; uma leveza". A "met&aacute;fora do &ocirc;nibus"    foi relembrada a respeito dos pensamentos bons e ruins, sendo enfatizado que,    mesmo ruins, s&atilde;o apenas pensamentos. Embora n&atilde;o seja poss&iacute;vel    controlar os pensamentos, os comportamentos podem ser manejados. Utilizou-se    a t&eacute;cnica de desliteraliza&ccedil;&atilde;o, que consiste em reduzir    um pensamento estigmatizante a apenas uma palavra, ressaltando que palavras    s&atilde;o apenas sons. Inicialmente, para demonstra&ccedil;&atilde;o, a t&eacute;cnica    foi empregada com a palavra "leite" e, na sequ&ecirc;ncia, seguindo sugest&atilde;o    dos participantes do grupo, utilizou-se a palavra "verme". Os participantes    perceberam que uma palavra t&atilde;o ofensiva de ser ouvida, ao ser repetida    diversas vezes em alta voz, perde o significado atribu&iacute;do de forma pejorativa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na quarta sess&atilde;o,    a dupla de terapeutas retomou os objetivos dos &uacute;ltimos tr&ecirc;s encontros    com os 18 participantes presentes. Foi proposto para exerc&iacute;cio que cada    um escrevesse em um crach&aacute; uma caracter&iacute;stica pr&oacute;pria que    mudaria se pudesse. Cada participante descreveu as pr&oacute;prias sensa&ccedil;&otilde;es,    emo&ccedil;&otilde;es e pensamentos vivenciados, al&eacute;m do peso que esses    r&oacute;tulos t&ecirc;m, principalmente, nas situa&ccedil;&otilde;es em que    est&atilde;o expostos: "n&atilde;o andaria com isso na rua", "me sinto muito    exposta". Para finalizar, foi utilizada a "met&aacute;fora da l&aacute;pide",    iniciando o tema acerca dos valores e solicitando que falassem de que forma    gostariam de ser lembrados depois que morressem, o que gostariam que estivesse    escrito na l&aacute;pide, relacionando os valores com as a&ccedil;&otilde;es    em vida. Entre os relatos citados, destacaram-se ser lembrados "como uma pessoa    animada", "algu&eacute;m que sempre ajudou os outros" e uma pessoa que "nunca    fez mal a ningu&eacute;m". Contrapondo-se a esses relatos, &eacute; interessante    notar que o uso de drogas e o r&oacute;tulo de usu&aacute;rio foi citado como    sendo um dos que eles n&atilde;o gostariam de ser lembrados.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O quinto encontro,    contando com 13 participantes, teve in&iacute;cio com um relato mencionando    sentimentos negativos ligados &agrave; abstin&ecirc;ncia, no qual um participante    denominou a estrat&eacute;gia utilizada para enfrentar os sintomas com um "tipo    uma fuga", "fugi de mim mesmo" e, a seguir, mencionou: "eu acho que consegui    pegar a dire&ccedil;&atilde;o do meu &ocirc;nibus". Ap&oacute;s o relato, teve    in&iacute;cio a atividade de medita&ccedil;&atilde;o como uma forma de retomar    a aten&ccedil;&atilde;o para o momento presente, um dos processos que constituem    a ACT. O tema desse encontro abrangeu as dificuldades enfrentadas no tratamento    e o que j&aacute; foi recuperado por meio disso, a partir das seguintes perguntas:    "O que eu quero com meu tratamento?" Para onde eu quero que o &ocirc;nibus v&aacute;?"    "Quais s&atilde;o as barreiras dentro de mim mesmo para avan&ccedil;ar nessa    dire&ccedil;&atilde;o?" "O que eu tenho feito com essas barreiras?" "O que isso    tem me custado?" Realizou-se uma diferencia&ccedil;&atilde;o de objetivo e valor,    na qual o objetivo tem uma poss&iacute;vel conclus&atilde;o e, ap&oacute;s o    seu t&eacute;rmino, &eacute; substitu&iacute;do por outros objetivos. De modo    distinto, os valores est&atilde;o relacionados ao ser e &agrave;quilo que direciona    a vida do indiv&iacute;duo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por fim, no sexto    e &uacute;ltimo encontro, 17 integrantes estavam presentes. O encontro teve    in&iacute;cio com uma estrat&eacute;gia de medita&ccedil;&atilde;o e, em seguida,    os valores foram relembrados por meio da "matriz de valores", em que o indiv&iacute;duo    pode ser aproximar ou se afastar dos valores estabelecidos de forma individual.    Comportamentos de aproxima&ccedil;&atilde;o desses valores consistem em a&ccedil;&otilde;es    com compromisso; em contrapartida, comportamentos de afastamento desses valores    podem gerar sentimentos desagrad&aacute;veis, nessa etapa s&atilde;o evidenciados    os comportamentos de manejo. Foi trabalhado, nessa etapa, que o uso de drogas    funciona como um comportamento de manejar as frustra&ccedil;&otilde;es, a partir    de relatos como: "bebo, fumo e choro". No final do encontro, um dos usu&aacute;rios    prop&ocirc;s que todos os participantes escrevessem em um papel o que desejavam    descartar. Entre as anota&ccedil;&otilde;es, foram frequentes as que mencionaram    que eles gostariam de ficar livres de m&aacute;goas, da intoler&acirc;ncia,    do <i>crack</i>, da irresponsabilidade, da ilus&atilde;o, dos pensamentos ruins,    da bebida, da tristeza por ter perdido a m&atilde;e, da infelicidade, do alcoolismo,    da desconfian&ccedil;a das pessoas, da ignor&acirc;ncia, dos v&iacute;cios,    das drogas e do cigarro.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Avalia&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Seguindo os par&acirc;metros    indicados e supracitados, a viabilidade da interven&ccedil;&atilde;o foi avaliada    com base na popula&ccedil;&atilde;o, na interven&ccedil;&atilde;o e nos resultados.    Os indicadores relacionados &agrave; popula&ccedil;&atilde;o se concentraram    na identifica&ccedil;&atilde;o e no recrutamento dos usu&aacute;rios do servi&ccedil;o,    com o objetivo de participarem da interven&ccedil;&atilde;o baseada em ACT para    redu&ccedil;&atilde;o de estigma. De modo geral, essa sele&ccedil;&atilde;o    foi acess&iacute;vel, embora possa ser destacada a dificuldade encontrada com    a primeira estrat&eacute;gia utilizada. Inicialmente, foram convidadas as pessoas    que buscaram o tratamento no servi&ccedil;o durante o m&ecirc;s da sele&ccedil;&atilde;o,    tendo sido feito contato telef&ocirc;nico posterior para agendar o in&iacute;cio    do grupo. No entanto, dos 52 usu&aacute;rios convidados, apenas um compareceu    ao grupo no dia e hor&aacute;rio fixado. Uma das explica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis    apontadas pela coordenadora do servi&ccedil;o &eacute; que, em decorr&ecirc;ncia    dos desafios inerentes ao tratamento de dependentes de subst&acirc;ncias, h&aacute;    um alto &iacute;ndice de abandono no primeiro m&ecirc;s de tratamento. Como    alternativa, a coordenadora e os profissionais do servi&ccedil;o sugeriram &agrave;s    terapeutas e aos demais integrantes da equipe que convidassem os usu&aacute;rios    em regime intensivo.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A aceitabilidade    da interven&ccedil;&atilde;o pelos usu&aacute;rios do servi&ccedil;o e pela    equipe de profissionais presentes foi alta, n&atilde;o tendo sido mencionados    aspectos negativos ao longo dos encontros e no t&eacute;rmino das atividades.    Na avalia&ccedil;&atilde;o do protocolo, os usu&aacute;rios relataram que as    sess&otilde;es do grupo foram agrad&aacute;veis, construtivas, interessantes,    e que, a partir do grupo, tiveram a oportunidade de "mostrar um outro lado deles".    Foi poss&iacute;vel observar que alguns dos processos de estigmatiza&ccedil;&atilde;o    passaram a ser compreendidos pelos participantes por meio de algumas afirma&ccedil;&otilde;es,    tais como: "eu n&atilde;o sou um r&oacute;tulo de cacha&ccedil;a" e "n&atilde;o    est&aacute; escrito 51 na minha testa". Os participantes mencionaram que aprenderam    sobre o estigma, "sobre o que as outras pessoas pensam deles". Al&eacute;m disso,    os participantes compreenderam a defini&ccedil;&atilde;o de valor, como "ser    respons&aacute;vel", "assertivo", "ser uma pessoa boa", assim como os sentimentos    trazidos quando se distanciam dos valores, "triste", "frustrada", "culpa", "cora&ccedil;&atilde;o    vazio". Foram citados como comportamentos de manejo desses problemas: "me afastar    das pessoas", "dar um passeio" e "ficar deitada no sof&aacute;", contrapondo-se    &agrave;s estrat&eacute;gias comumente utilizadas como "quando estou triste    eu bebo, fumo e choro". Entre os comportamentos de aproxima&ccedil;&atilde;o,    destacou-se "pedir desculpas".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os participantes    avaliaram o m&eacute;todo e as atividades como interessantes e diferentes das    que j&aacute; haviam participado, destacando as met&aacute;foras como um recurso    de f&aacute;cil compreens&atilde;o, ressaltando a "met&aacute;fora do &ocirc;nibus",    anteriormente descrita. Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; dura&ccedil;&atilde;o    de cada encontro e do protocolo, verificou-se que os objetivos propostos e a    sua execu&ccedil;&atilde;o foram adequados. Entre os relatos, destacaram-se    aqueles de que "o tempo passou r&aacute;pido", descrevendo n&atilde;o somente    o quanto foi agrad&aacute;vel, mas ressaltando que o n&uacute;mero de encontros    poderia ser maior. Um dos participantes nomeou o m&eacute;todo utilizado pelas    terapeutas como um "m&eacute;todo de escuta ativa", avaliando de forma positiva.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">As terapeutas questionaram    os participantes sobre poss&iacute;veis benef&iacute;cios por meio dos encontros    no grupo, observando, assim, indicadores de redu&ccedil;&atilde;o do estigma    internalizado. Alguns dos relatos foram: "depois do grupo n&atilde;o estou dando    tanta aten&ccedil;&atilde;o para o que os outros est&atilde;o falando", "me    sinto mais relaxado, tranquilo e pensando mais". Uma participante mencionou    que o grupo a ajudou a enfrentar situa&ccedil;&otilde;es dif&iacute;ceis, como    lidar com a morte de sua m&atilde;e. A partir da proposta da ACT, os participantes    relataram que se sentiram encorajados a n&atilde;o evitar ou controlar pensamentos    e sentimentos, sobretudo, nos seguintes relatos: "eu posso", "peguei o volante    do &ocirc;nibus de novo" e "eu vivi a emo&ccedil;&atilde;o, eu n&atilde;o fugi,    ainda que seja doloroso".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Podemos destacar    que mesmo com os desafios no recrutamento, a ades&atilde;o dos participantes    foi alta. Com exce&ccedil;&otilde;es de participantes que estavam no servi&ccedil;o    para atendimento e aproveitavam a oportunidade de participar do grupo de maneira    isolada, um grupo com 13 indiv&iacute;duos tiveram presen&ccedil;a ass&iacute;dua    nos encontros. Esses participantes tamb&eacute;m contribu&iacute;ram intensamente    no desenvolvimento da proposta e continuidade das sess&otilde;es.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considera&ccedil;&otilde;es    finais</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A interven&ccedil;&atilde;o    desenvolvida neste estudo teve como foco as mudan&ccedil;as experimentais e    contextuais que, aliadas ao uso de estrat&eacute;gias did&aacute;ticas, possibilitaram    aos participantes o desenvolvimento de um repert&oacute;rio mais amplo, flex&iacute;vel    e efetivo para lidar com problemas espec&iacute;ficos (Hayes, Luoma, Bond, Masuda    &amp; Lillis, 2006). Os efeitos das sess&otilde;es sobre os participantes mostraram    que o uso do protocolo baseado em ACT para a redu&ccedil;&atilde;o do estigma    internalizado entre dependentes de subst&acirc;ncias mostrou-se vi&aacute;vel.    Al&eacute;m disso, o <i>feedback </i>positivo dos participantes e os relatos    durante as sess&otilde;es evidenciam a aplicabilidade desse tipo de interven&ccedil;&atilde;o    no servi&ccedil;o de sa&uacute;de mental, conforme recomendado por Corrigan    (2004).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Segundo Donabedian    (2003), a aceitabilidade de uma interven&ccedil;&atilde;o em sa&uacute;de pelo    p&uacute;blico-alvo a quem foi destinada, assim como pelos demais profissionais    envolvidos no tratamento, &eacute; um dos importantes atributos indicativos    de sua qualidade. Em conson&acirc;ncia com esses achados, na avalia&ccedil;&atilde;o    da din&acirc;mica do processo, destacaram-se o estabelecimento de um v&iacute;nculo    forte no grupo, o respeito dos usu&aacute;rios em ouvir uns aos outros e participar    das atividades propostas pelas terapeutas mediadoras. Houve uma grande aceita&ccedil;&atilde;o    dos usu&aacute;rios e dos profissionais que acompanharam todo o processo. Apesar    das dificuldades iniciais do recrutamento, o protocolo mostrou-se satisfatoriamente    ajust&aacute;vel &agrave; rotina do servi&ccedil;o de sa&uacute;de, podendo    ser enfatizada a ades&atilde;o dos usu&aacute;rios &agrave;s atividades desenvolvidas,    em termos do n&uacute;mero de participantes em cada sess&atilde;o e da qualidade    de seu envolvimento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Devido ao fato    de ser um estudo de viabilidade, podem ser apontadas algumas limita&ccedil;&otilde;es,    assim como perspectivas futuras de aplica&ccedil;&atilde;o da interven&ccedil;&atilde;o    em outros grupos terap&ecirc;uticos. No que tange aos participantes, como o    grupo era aberto, houve varia&ccedil;&atilde;o durante as sess&otilde;es, aus&ecirc;ncia    de alguns membros que participavam ativamente e a inser&ccedil;&atilde;o de    novos. Devido &agrave; pr&oacute;pria condi&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de    e &agrave; dificuldade de ades&atilde;o ao tratamento, alguns usu&aacute;rios    do servi&ccedil;o faltaram no dia em que ocorreram as sess&otilde;es e, com    isso, perderam temas e atividades trabalhados que poderiam ser ben&eacute;ficos    para eles. Espera-se que, a partir da interven&ccedil;&atilde;o realizada no    presente estudo e de seus resultados favor&aacute;veis, possam ser implementados    outros grupos terap&ecirc;uticos baseados em ACT nos servi&ccedil;os de sa&uacute;de    mental. Recomenda-se que novas avalia&ccedil;&otilde;es sejam feitas por meio    de m&eacute;todos randomizados para acrescentar maior rigor no controle de vari&aacute;veis    interferentes.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Fonte de financiamento</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O estudo foi financiado    pela Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de Minas Gerais    (FAPEMIG) , por meio dos processos BDP-00678-14 e PPSUS AQP-03256-13; Conselho    Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq), por    meio do Edital Universal 439408/2018-0. O co-autor Telmo Mota Ronzani recebeu    bolsa de produtividade 1D do CNPq.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Refer&ecirc;ncias</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Araujo, F. S. (2019).    Quebrando estigmas: uma alternativa ao proibicionismo das drogas por meio da    redu&ccedil;&atilde;o de danos. Resenha: Jamais fomos zumbis: contexto social    e craqueiros na cidade de S&atilde;o Paulo. Alves YDD. Salvador: EDUFBA;    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802408&pid=S1983-8220202100010000200001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --><!-- ref --> 2017.    <i>Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica</i>,<i> 35</i>(3), e00014019. doi:    10.1590/0102-311X00014019.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802409&pid=S1983-8220202100010000200002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Boyd, J. E., Adler,    E. P., Otilingam, P. G, &amp; Peters, T. (2013). Internalized Stigma of Mental    Illness (ISMI) Scale: A Multinational Review. <i>Comprehensive Psychiatry</i>,<i>    55</i>, 221-231. doi: 10.1016/j.comppsych.2013.06.005.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802411&pid=S1983-8220202100010000200003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corrigan, P. W.    (2004). How Stigma Interferes with Mental Health Care. <i>American Psychologis</i>t,<i>    59</i>(7), 614-625.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802413&pid=S1983-8220202100010000200004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corrigan, P. W.,    Bink, A. B., Schmidt, A., Jones, N., &amp; R&uuml;sch, N. (2015). What is the    Impact of Self-Stigma?: Loss of Self-Respect and the "Why Try" Effect. <i>Journal    of Mental Health</i>,<i> 25</i>(1), 10-15. doi: 10.3109/09638237.2015.1021902.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802415&pid=S1983-8220202100010000200005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corrigan, P. W.,    Schomerus, G., Shuman, V., Kraus, D., Perlick, D., Harnish, A., &amp; Smelson,    D. (2016). Developing a Research Agenda for Understanding the Stigma of Addictions.    Part I: Lessons from the Mental Health Stigma Literature. <i>American Journal    on Addictions</i>, <i>26</i>, 59-66. doi: 10.1111/ajad.12458.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802417&pid=S1983-8220202100010000200006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Corrigan, P. W.,    &amp; Watson, A. C. (2002). The Paradox of Self-Stigma and Mental Illness. <i>Clinical    Psychology Science and Practice</i>, <i>9</i>(1), 35-53.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802419&pid=S1983-8220202100010000200007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Donabedian, A.    (2003). <i>An Introduction to Quality Assurance in Health Care.</i> Oxford:    Oxford University Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802421&pid=S1983-8220202100010000200008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Gomes-Medeiros,    D., Faria, P. H., Campos, G. W. S., &amp; T&oacute;foli, L. F. (2019). Drug    Policy and Collective Health: Necessary Dialogues. <i>Cadernos de Sa&uacute;de    P&uacute;blica</i>, <i>35</i>(7), e00242618. doi: 10.1590/0102-311X00242618.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802423&pid=S1983-8220202100010000200009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hammarlund, R.    A., Crapanzano, K. A., Luce, L., Mulligan, L. A., &amp; Ward, K. M. (2018).    Review of the Effects of Self-Stigma and Perceived Social Stigma on the Treatment-Seeking    Decisions of Individuals with Drug - and Alcohol - Use Disorders. <i>Substance    Abuse and Rehabilitation</i>, 9, 115-136. doi:10.2147/sar.s183256.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802425&pid=S1983-8220202100010000200010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hatzenbuehler,    M. L., Phelan, J. C., &amp; Link, B. G. (2013). Stigma as a Fundamental Cause    of Population Health Inequalities. <i>American journal of public health</i>,<i>    103</i>(5), 813-821.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802427&pid=S1983-8220202100010000200011&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hayes, S. C. (2016).    Acceptance and Commitment Therapy, Relational Frame Theory, and the Third Wave    of Behavioral and Cognitive Therapies - Republished Article. <i>Behavior Therapy</i>,<i>    47</i>(6), 869-885. doi:10.1016/j.beth.2016.11.006.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802429&pid=S1983-8220202100010000200012&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hayes, S. C., Luoma,    J. B., Bond, F. W., Masuda, A., &amp; Lillis, J. (2006). Acceptance and Commitment    Therapy: Model, Processes and Outcomes. <i>Psychology Faculty Publications</i>,    Paper 101, 130. Retrieved from <a href="http://scholarworks.gsu.edu/psych_facpub/101" target="_blank">http://scholarworks.gsu.edu/psych_facpub/101</a>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802431&pid=S1983-8220202100010000200013&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hayes, S. C., Pistorello,    J., &amp; Biglan, A. (2008). Terapia de aceita&ccedil;&atilde;o e compromisso:    modelo, dados e extens&atilde;o para a preven&ccedil;&atilde;o do suic&iacute;dio.    <i>Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva</i>, <i>10</i>(1),    81-104. doi:10.31505/rbtcc.v10i1.234.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802433&pid=S1983-8220202100010000200014&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Hayes, S. C., Strosahl,    K. D., &amp; Wilson, K. G. (1999). <i>Acceptance and Commitment Therapy. An    Experimental Approach to Behavior Change</i>. New York: Guilford Press.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802435&pid=S1983-8220202100010000200015&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Lee, E. B., An,    W., Levin, M. E., &amp; Twohig, M. P. (2015). An Initial Meta-Analysis of Acceptance    and Commitment Therapy for Treating Substance Use Disorders. <i>Drug and Alcohol    Dependence</i>, <i>155</i>, 17. doi: 10.1016/j.drugalcdep.2015.08.004.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802437&pid=S1983-8220202100010000200016&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Livingston, J.    D., &amp; Boyd, J. E. (2010). Correlates and Consequences of Internalized Stigma    for People Living with Mental Illness: A systematic Review and Meta Analysis.    <i>Social Science and Medicine</i>,<i> 71</i>(12), 2150-2161.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802439&pid=S1983-8220202100010000200017&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Livingston, J.    D., Milne, T., Fang, M. L., &amp; Amari, E. (2011). The Effectiveness of Interventions    for Reducing Stigma Related to Substance Use Disorders: A Systematic Review.    <i>Addiction</i>, <i>107</i>(1), 39-50.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802441&pid=S1983-8220202100010000200018&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Luoma, J. B., Kohlenberg,    B. S., &amp; Hayes, S. C. (2005). <i>Acceptance and Commitment Therapy Group:    Therapy Manual for Self-Stigma and Shame in Substance Use Disorder</i>.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802443&pid=S1983-8220202100010000200019&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Luoma, J. B., Kohlenberg    B. S., Hayes S. C., Bunting K., &amp; Rye, A. K. (2008). Reducing Self Stigma    in Substance Abuse through Acceptance and Commitment Therapy: Model, Manual    Development, and Pilot Outcomes. <i>Addiction Research and Theory</i>, <i>16</i>(2),    149-165.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802445&pid=S1983-8220202100010000200020&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nieweglowski, K.,    Dubke, R., Mulfinger, N., Sheehan, L., &amp; Corrigan, P. W. (2018). Understanding    the Factor Structure of the Public Stigma of Substance Use Disorder, <i>Addiction    Research &amp; Theory</i>, 1-7<i>. </i>doi: 10.1080/16066359.2018.1474205.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802447&pid=S1983-8220202100010000200021&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Organiza&ccedil;&atilde;o    Pan Americana de Sa&uacute;de [OPAS]. (2015).<i> Informe sobre la situaci&oacute;n    regional sobre el alcohol y las aludenlas Am&eacute;ricas</i>. Washington, DC:    OPAS.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802449&pid=S1983-8220202100010000200022&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Ronzani, T. M.,    Furtado, E. F., &amp; Higgins-Biddle, J. (2009). Stigmatization of Alcohol and    Other Drug Users by Primary Care Providers in Southeast Brazil. <i>Social Science    &amp; Medicine</i>,<i> 69</i>(7), 1080-1084.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802451&pid=S1983-8220202100010000200023&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Room, P., &amp;    Reuter, P. (2012). How Well do International Drug Conventions Protect Public    Health?. <i>Lancet</i>, 379, 84-91.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802453&pid=S1983-8220202100010000200024&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Rossal, M. (2018).    Social Effects of Prohibitionism in the Americas and New Drug Policies. (3,    27-45). In T. M. Ronzani (Org.). <i>Drugs and Social Context: Social Perspectives    on the Use of Alcohol and Other Drugs.</i> Cham: Springer.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802455&pid=S1983-8220202100010000200025&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">R&uuml;sch, N.,    Todd, A. R., Bodenhausen, G. V., Olschewski, M., &amp; Corrigan, P. W. (2010).    Automatically Activated Shame Reactions and Perceived Legitimacy of Discrimination:    A Longitudinal Study among People with Mental Illness. <i>Journal of Behavior    Therapy and Experimental Psychiatry</i>,<i> 41</i>(1), 60-63. doi:10.1016/j.jbtep.2009.10.002.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4802457&pid=S1983-8220202100010000200026&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
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