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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Algumas considerações sobre o termo Psicanálise Aplicada e o Método Psicanalítico na análise da Cultura]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This article intends to elucidate the concept of “Applied Psychoanalysis”, this concept was named by Freud several times in his texts like “Application of Psychoanalysis”, but this nomenclature has never duly developed. However, the creator of Psychoanalysis used the Applied Psychoanalysis with the goal to analyze other areas of human production, besides the clinic whence psychoanalysis has come from. As Freud his successors continuous up his legacy in analyzing others non-clinic areas since the early days of Psychoanalysis until the current days. From others author’s ideas as Jean Laplanche, Fábio Herrmann and Renato Mezan, this paper intends to discuss the concept of Applied Psychoanalysis.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Artigo</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Algumas considera&ccedil;&otilde;es sobre o termo Psican&aacute;lise Aplicada e o M&eacute;todo Psicanal&iacute;tico na an&aacute;lise da Cultura </b></font></font></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Some considerations on the term Applied Psychoanalysis and the Psychoanalytic Method in the analysis of culture</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Eduardo Toshio Kobori</b><sup>I</sup></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><sup>I</sup> Universidade Estadual Paulista - Unesp</font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este artigo tem como intuito elucidar o conceito de "psican&aacute;lise aplicada", conceito este apenas nomeado por Freud diversas vezes em seus textos como "aplica&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise", sem que o termo em si fosse devidamente conceituado. Entretanto, o criador da Psican&aacute;lise utilizava a psican&aacute;lise aplicada com o objetivo de analisar outras &aacute;reas da produ&ccedil;&atilde;o humana, al&eacute;m da cl&iacute;nica de onde a Psican&aacute;lise proveio. Assim como Freud, seus sucessores continuaram seu legado ao analisarem outros dom&iacute;nios n&atilde;o-cl&iacute;nicos, desde os prim&oacute;rdios da Psican&aacute;lise at&eacute; os dias de hoje. A partir das ideias de autores como Jean Laplanche, F&aacute;bio Herrmann e Renato Mezan, este texto pretende discutir conceitualmente a psican&aacute;lise aplicada. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave: </b>Psican&aacute;lise; Psican&aacute;lise Aplicada; Psican&aacute;lise &ndash; Metodologia.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">This article intends to elucidate the concept of "Applied Psychoanalysis", this concept was named by Freud several times in his texts like "Application of Psychoanalysis", but this nomenclature has never duly developed. However, the creator of Psychoanalysis used the Applied Psychoanalysis with the goal to analyze other areas of human production, besides the clinic whence psychoanalysis has come from. As Freud his successors continuous up his legacy in analyzing others non-clinic areas since the early days of Psychoanalysis until the current days. From others author's ideas as Jean Laplanche, F&aacute;bio Herrmann and Renato Mezan, this paper intends to discuss the concept of Applied Psychoanalysis.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Keywords: </b>Psychoanalysis, Applied Psychoanalysis, Psychoanalysis Methodology.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Introdu&ccedil;&atilde;o</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">"Que &eacute; que um psicanalista faz? Ele aplica o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico." (F&aacute;bio Herrmann, 1999, p. 23) </font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A psican&aacute;lise aplicada, tamb&eacute;m conhecida por cl&iacute;nica extensa por Fabio Herrmann (2001) e psican&aacute;lise extramuros por Laplanche (1987) se baseia em aplicar o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico fora do contexto cl&iacute;nico, da cl&iacute;nica tradicional. Apesar de Freud nunca ter trabalhado este termo de forma conceitual, nomeou este tipo de exerc&iacute;cio de an&aacute;lise, bem como fundou a revista Imago, peri&oacute;dico especializado na aplica&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise. Entretanto, a psican&aacute;lise aplicada sempre esteve presente ao longo de sua obra, isto &eacute;, Freud n&atilde;o se ateve a analisar apenas os seus pacientes, mas da mesma forma, utilizava o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico para analisar obras de arte, a cultura, a sociedade e o funcionamento ps&iacute;quico do ser humano (Mezan, 1985). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Talvez esta op&ccedil;&atilde;o de Freud por n&atilde;o conceituar a psican&aacute;lise aplicada, se deva ao fato de estar impl&iacute;cito o uso do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico tanto dentro da clinica quanto fora dela, quando se utiliza a Psican&aacute;lise para enxergar os fen&ocirc;menos humanos de qualquer natureza. Em outras palavras, utilizar o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico &eacute; condi&ccedil;&atilde;o <i>sine qua non</i> para que uma an&aacute;lise se realize. Mesmo estando teoria, t&eacute;cnica e m&eacute;todo de certa forma interligados, n&atilde;o se chega &agrave; teoria ou a &agrave; t&eacute;cnica sem ter em vista o m&eacute;todo a <i>priori</i> (Herrmann, 1983). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A cria&ccedil;&atilde;o da Psican&aacute;lise se deve ao desenvolvimento do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico. Este m&eacute;todo nasce de uma pr&aacute;tica, consistindo em tr&ecirc;s fatores fundamentais: observa&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o. Por meio desta lente, foi poss&iacute;vel entender a histeria e, a partir da&iacute; a psique humana. At&eacute; o momento pr&eacute;-psicanal&iacute;tico, apenas existiam no&ccedil;&otilde;es nosogr&aacute;ficas a respeito desta patologia e tentativas de tratamento sem muito sucesso, como a hipnose por exemplo. Entretanto, o contato com a t&eacute;cnica da hipnose foi essencial para Freud pois, a partir dela um esbo&ccedil;o sobre a origem etiol&oacute;gica das neuroses come&ccedil;ou a se formar (Herrmann, 1983).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Todavia, o material clinico e te&oacute;rico em seus escritos sempre que poss&iacute;vel era acompanhado de mitos, obras liter&aacute;rias e estudos antropol&oacute;gicos, como forma de compara&ccedil;&atilde;o, ilustra&ccedil;&atilde;o ou exemplo, tanto para facilitar o entendimento da comunica&ccedil;&atilde;o, quanto para refor&ccedil;ar seu argumento, o que na &eacute;poca, era necess&aacute;rio devido &agrave; grande oposi&ccedil;&atilde;o &agrave; Psican&aacute;lise no meio cient&iacute;fico (Mezan, 1985).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A aproxima&ccedil;&atilde;o cultural que Freud possu&iacute;a sua paix&atilde;o pelos cl&aacute;ssicos e obras de arte, junto ao desejo de entender e investigar as quest&otilde;es que permeiam o ser humano contribu&iacute;ram para que textos como O Mois&eacute;s de Michelangelo (1914), A Interpreta&ccedil;&atilde;o dos Sonhos (1900), Del&iacute;rios e Sonhos na Gradiva de Jensen (1907), entre outros, fossem produzidos. Estes escritos s&atilde;o an&aacute;lises realizadas por meio do m&eacute;todo, fora do contexto clinico. Segundo Mezan (1985), Freud realmente almejava que a Psican&aacute;lise como ci&ecirc;ncia conseguisse ir al&eacute;m do consult&oacute;rio, alcan&ccedil;ando outros campos, e assim como na cl&iacute;nica, inaugura tamb&eacute;m a utiliza&ccedil;&atilde;o da psican&aacute;lise aplicada. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir de ent&atilde;o, de acordo com Mezan (2002), in&uacute;meros trabalhos t&ecirc;m sido realizados por psicanalistas, seja no meio acad&ecirc;mico ou n&atilde;o, com o intuito de utilizar o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico como metodologia de pesquisa e investiga&ccedil;&atilde;o, em diversas &aacute;reas para al&eacute;m das quatro paredes do consult&oacute;rio. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Portanto, este artigo pretende elucidar o conceito de "psican&aacute;lise aplicada", segundo a vis&atilde;o de diversos autores ao longo de seu percurso hist&oacute;rico, partindo de Freud e seus textos pr&eacute;-psicanal&iacute;ticos at&eacute; sua implica&ccedil;&atilde;o na utiliza&ccedil;&atilde;o pr&aacute;tica como metodologia de pesquisa no meio acad&ecirc;mico. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Um Breve Hist&oacute;rico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em 23 de outubro de 1896, um acontecimento acaba direcionando Freud rumo &agrave; formula&ccedil;&atilde;o da Psican&aacute;lise. Nesta data, falece Jakob Freud, seu pai. "&Eacute; a partir do luto ocasionado por esta morte que Freud se lan&ccedil;ar&aacute; na autoan&aacute;lise, momento decisivo entre todos da elabora&ccedil;&atilde;o de sua disciplina" (Mezan, 1985, p. 174). Segundo este autor, &eacute; de suma import&acirc;ncia este evento pois, Freud inicia a investiga&ccedil;&atilde;o de seus pr&oacute;prios sonhos, tema este que se torna cada vez mais interessante para si, neste momento pr&eacute;-psicanal&iacute;tico e em toda a sua obra. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Este interesse pelos sonhos se manifesta na carta 50 a Fliess, onde relata o sonho tido ap&oacute;s o funeral de seu pai (Mezan, 1985). Deste momento em diante, cada vez mais faz refer&ecirc;ncias aos seus sonhos, analisando-os e formulando hip&oacute;teses a cerca de seu funcionamento, culminando em 1900 com a publica&ccedil;&atilde;o de A interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos (Bettelheim, 1982).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Esta obra de Freud &eacute; o marco inicial da Psican&aacute;lise como ci&ecirc;ncia. &Eacute; nela que se verifica a valida&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo terap&ecirc;utico e de entendimento da psique humana, como uma lente que possibilita enxergar os fen&ocirc;menos humanos. Ilustra por meio da trag&eacute;dia grega &Eacute;dipo-Rei de S&oacute;focles, o "Complexo de &Eacute;dipo", conceito central da Psican&aacute;lise, e, segundo Mezan (1985), prova de que a trag&eacute;dia do ser humano tem car&aacute;ter universal. A Interpreta&ccedil;&atilde;o dos sonhos trabalha ao mesmo tempo os fen&ocirc;menos oriundos da experi&ecirc;ncia cl&iacute;nica de Freud e de sua autoan&aacute;lise, bem como tenta explicar, por meio do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, o funcionamento dos sonhos. Utiliza-se, portanto, da "psican&aacute;lise aplicada" na teoriza&ccedil;&atilde;o do Complexo de &Eacute;dipo, e demonstrando que psican&aacute;lise "pura" e "aplicada" est&atilde;o intimamente imbricadas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em 1907, Freud publica o que viria a ser o "abrir terreno da 'psican&aacute;lise aplicada'" (Mezan, 1985, p. 273), com o texto: Del&iacute;rios e Sonhos na Gradiva de Jensen. Este artigo analisa esta obra liter&aacute;ria, Gradiva, sob o vi&eacute;s psicanal&iacute;tico, todavia, n&atilde;o como ilustra&ccedil;&atilde;o ou met&aacute;fora para explicar outro tema principal, como aparecera anteriormente em diversos escritos anteriores a este, onde cita Shakespeare, Goethe e outros. Desta vez se dar&aacute; uma an&aacute;lise minuciosa deste romance, destrinchando-o em seus detalhes do come&ccedil;o ao fim, marcando o inicio da psican&aacute;lise aplicada aos diversos campos al&eacute;m da clinica. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Do termo "psican&aacute;lise aplicada"</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Os analistas p&oacute;s-freudianos que citam a psican&aacute;lise aplicada em suas obras, como Renato Mezan (1985), Fabio Herrmann (2001) e Jean Laplanche (1987), concordam que o termo "aplica&ccedil;&atilde;o" da psican&aacute;lise gera um entendimento equivocado, de que a Psican&aacute;lise &eacute; um conhecimento pronto e acabado, podendo ser meramente "aplicado" a outras &aacute;reas do conhecimento humano. Este equ&iacute;voco que o termo "psican&aacute;lise aplicada" provoca distorce seu sentido e coloca de lado a implica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo como procedimento que cont&eacute;m um valor heur&iacute;stico, pois a "an&aacute;lise n&atilde;o &eacute; a aplica&ccedil;&atilde;o de um conhecimento, mas inven&ccedil;&atilde;o de um saber" (Mezan, 1988, p. 329).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Neste sentido, o conceito de psican&aacute;lise aplicada &eacute; substitu&iacute;do por Laplanche (1987), que opta por cham&aacute;-la de psican&aacute;lise extramuros mantendo os pressupostos metodol&oacute;gicos da psican&aacute;lise clinica/aplicada, e evitando a conota&ccedil;&atilde;o de ci&ecirc;ncia, teoria e m&eacute;todos apenas abstra&iacute;dos e transferidos para fora do consult&oacute;rio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Da mesma forma, Herrmann (2001) argumenta a n&atilde;o utiliza&ccedil;&atilde;o do termo psican&aacute;lise aplicada e a batiza como cl&iacute;nica-extensa. Preserva o car&aacute;ter investigativo e metodol&oacute;gico da clinica, salvo suas diferen&ccedil;as, para a extens&atilde;o al&eacute;m da clinica, estendendo-a para a sociedade e para a cultura. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Embora Renato Mezan n&atilde;o tenha definido um novo termo &agrave; psican&aacute;lise aplicada, concorda com os autores anteriores que a psican&aacute;lise aplicada n&atilde;o pode ser apenas uma transposi&ccedil;&atilde;o da an&aacute;lise ou de conceitos de um lugar para outro. Acredita ser "inadmiss&iacute;vel falar-se em psican&aacute;lise aplicada para designar esse tipo de trabalho" (Mezan, 1988, p. 62). E vai mais al&eacute;m, endossando a import&acirc;ncia da cultura no pensamento freudiano: </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Vimos assim que a refer&ecirc;ncia cultural se introduz nos momentos em que se torna necess&aacute;rio recorrer ao testemunho do passado ou daqueles que n&atilde;o podem ser tidos por c&uacute;mplices da aventura freudiana, a fim de universalizar as hip&oacute;teses estabelecidas de in&iacute;cio no terreno da psicopatologia, verificadas em seguida pela an&aacute;lise dos sonhos e, a partir de 1898, tamb&eacute;m dos lapsos e das recorda&ccedil;&otilde;es encobridoras de Freud. (Mezan, 1985, p. 220)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&Eacute; evidente a recorr&ecirc;ncia que Freud faz &agrave; cultura com a finalidade de verifica&ccedil;&atilde;o de suas hip&oacute;teses do car&aacute;ter universal da psique humana, refletida nas produ&ccedil;&otilde;es humanas e nos fen&ocirc;menos culturais. Tal recurso fortalece a argumenta&ccedil;&atilde;o de Freud, n&atilde;o apenas no sentido de ilustra&ccedil;&atilde;o, mas como evid&ecirc;ncias de suas hip&oacute;teses, por exemplo, na teoriza&ccedil;&atilde;o do Complexo de &Eacute;dipo, na Interpreta&ccedil;&atilde;o dos Sonhos. A trag&eacute;dia grega serve de exemplo comparativo da trag&eacute;dia humana contida em cada pessoa, e a psican&aacute;lise "sustenta que tudo o que &eacute; humano traz a marca do inconsciente e &eacute; portanto, da sua al&ccedil;ada". (Mezan, 1988, p. 61).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Assim, tanto a teoria quanto os conceitos oriundos da cl&iacute;nica se presentificam na an&aacute;lise da cultura e dos fen&ocirc;menos culturais e vice-versa. O que demonstra a import&acirc;ncia equivalente das duas &aacute;reas para a Psican&aacute;lise. A psican&aacute;lise aplicada sempre proporcionou contribui&ccedil;&otilde;es fundamentais &agrave; teoria, como na an&aacute;lise do caso Schreber, entre outros.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> E como funciona a psican&aacute;lise aplicada? Partindo do pressuposto de que a an&aacute;lise cl&iacute;nica e a an&aacute;lise da cultura somente se d&atilde;o por meio do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, este se torna ferramenta indispens&aacute;vel para que as mesmas se realizem. Isto &eacute;, por meio do m&eacute;todo, que pode ser considerado uma lente para enxergar o mundo de maneira diferente da habitual, revela-se um novo saber sobre o objeto de estudo. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>O M&eacute;todo Psicanal&iacute;tico</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O m&eacute;todo psicanal&iacute;tico consiste em: observa&ccedil;&atilde;o, investiga&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o. Sobre o primeiro, desde as hist&eacute;ricas de Freud, o olhar cl&iacute;nico, detalhista, nosogr&aacute;fico, aprendido com Charcot, fora essencial no terreno da psicopatologia (Freud, 1893/1977). Estas caracter&iacute;sticas do M&eacute;todo est&atilde;o intrinsecamente relacionadas, na medida em que esta observa&ccedil;&atilde;o minuciosa possui como objetivo a investiga&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno, a busca pelo sentido oculto, velado, inconsciente, que revela a mensagem do sintoma ou a estrutura ps&iacute;quica do sujeito, fundando a interpreta&ccedil;&atilde;o como caracter&iacute;stica essencial &agrave; Psican&aacute;lise.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A partir deste olhar investigativo, pr&oacute;prio do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico que, o analista em aten&ccedil;&atilde;o flutuante, buscar&aacute; um sentido latente dentro do manifesto da obra, ou seja, conte&uacute;dos reprimidos que ressoam de maneira inconsciente tanto no autor da obra como no destinat&aacute;rio, pressupondo que, este material &eacute; semelhante, de maneira emocional, em ambos. Desta forma, &eacute; concebida uma comunica&ccedil;&atilde;o cifrada inconsciente a inconsciente, tornando poss&iacute;vel uma reconstru&ccedil;&atilde;o do processo criativo a partir da emo&ccedil;&atilde;o sentida pelo espectador. &Eacute; neste sentido que, mesmo sem as associa&ccedil;&otilde;es do autor, pode-se chegar a uma interpreta&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do inconsciente por meio do analista que far&aacute; as associa&ccedil;&otilde;es suscitadas pelo material, pelas pistas inconscientes e da forma como estas o atingem emocionalmente, confirmando o sentido desta interpreta&ccedil;&atilde;o em outros ind&iacute;cios da obra (Mezan, 1985).</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Observamos desta forma, algumas semelhan&ccedil;as do processo de interpreta&ccedil;&atilde;o comuns &agrave; clinica, como a aten&ccedil;&atilde;o flutuante, que se dirige principalmente &agrave; escuta do discurso do paciente na cl&iacute;nica. Mas, na an&aacute;lise da cultura, dependendo do objeto de estudo, como no caso de uma est&aacute;tua ou uma pintura, por exemplo, a aten&ccedil;&atilde;o flutuante do analista estar&aacute; voltada para o olhar, que ser&aacute; o meio de contato com a obra.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; evidente a import&acirc;ncia da emo&ccedil;&atilde;o que a obra de arte pode despertar ao espectador, ao analista, que pode sentir pelo conte&uacute;do da obra de maneira contratransferencial, as sensa&ccedil;&otilde;es oriundas do autor, e de seu inconsciente, que de certa forma o marca na obra. Se n&atilde;o h&aacute; um paciente portando um discurso para ser analisado, por outro lado h&aacute; a pr&oacute;pria obra de arte como, por exemplo, um texto liter&aacute;rio, que falar&aacute; por si mesmo, proporcionando ao analista, emo&ccedil;&otilde;es que o discurso de um paciente em associa&ccedil;&atilde;o livre tamb&eacute;m o faria. (Mezan, 1988).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A associa&ccedil;&atilde;o livre do analista em sintonia com a contratransfer&ecirc;ncia suscitada pela emo&ccedil;&atilde;o da obra de arte, n&atilde;o difere daquela em situa&ccedil;&atilde;o cl&iacute;nica durante a sess&atilde;o, pois imerso no discurso do paciente, o analista em aten&ccedil;&atilde;o flutuante tamb&eacute;m "associa" os conte&uacute;dos do discurso do paciente e formula liga&ccedil;&otilde;es que contenham algum sentido, junto &agrave; emo&ccedil;&atilde;o contida nas representa&ccedil;&otilde;es. Portanto, a obra de arte n&atilde;o associa, apenas oferece o material para ser associado pelo espectador, enquanto a forma que o paciente oferece o material &eacute; a pr&oacute;pria associa&ccedil;&atilde;o livre.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Estas aproxima&ccedil;&otilde;es aparentemente t&eacute;cnicas da psican&aacute;lise cl&iacute;nica e aplicada s&atilde;o fatores de execu&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico para a an&aacute;lise. Demonstram que a Psican&aacute;lise, seja ela cl&iacute;nica ou aplicada, obedece a crit&eacute;rios metodol&oacute;gicos comuns &agrave; sua ci&ecirc;ncia. A an&aacute;lise psicanal&iacute;tica n&atilde;o &eacute; aquela que utiliza das t&eacute;cnicas, teoria ou conceitos da Psican&aacute;lise e sim a que utiliza o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico como ferramenta de an&aacute;lise, sem perder o car&aacute;ter heur&iacute;stico da interpreta&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Outro fator importante da psican&aacute;lise aplicada &eacute; a verifica&ccedil;&atilde;o da hip&oacute;tese formulada. Esta deve ser testada em outro ponto do material analisado a fim de confirmar o efeito emocional no analista, ou se o fen&ocirc;meno foi uma proje&ccedil;&atilde;o do pr&oacute;prio analista sobre a obra. A este respeito, Mezan afirma que: </font></p>     <blockquote>       <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">&#091;...&#093; para evitar que a an&aacute;lise seja simplesmente proje&ccedil;&atilde;o das fantasias do analista sobre o assunto analisado, &eacute; preciso utilizar um m&eacute;todo comparativo. &Eacute; por meio dele que se d&atilde;o, por um lado, a percep&ccedil;&atilde;o dos elementos dissonantes, e, por outro, a formula&ccedil;&atilde;o de paralelos com outros pontos, a fim de verificar se a nossa hip&oacute;tese se justifica ou n&atilde;o. (Mezan, 2002, p. 375)</font></p> </blockquote>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A partir da formula&ccedil;&atilde;o e verifica&ccedil;&atilde;o das hip&oacute;teses, abre-se caminho para o estudo metapsicol&oacute;gico dos dados obtidos. Tanto no sentido de um exerc&iacute;cio de revis&atilde;o te&oacute;rica, ou seja, elucidar o fen&ocirc;meno em quest&atilde;o segundo um ponto de vista te&oacute;rico, comparando-o com a nova hip&oacute;tese. &Eacute; desta forma que surge a possibilidade de reformula&ccedil;&atilde;o da teoria, "altera&ccedil;&atilde;o" de um conceito, no sentido de atualiz&aacute;-lo ou mesmo inven&ccedil;&atilde;o de um conceito desde que "essa altera&ccedil;&atilde;o se coaduna com a natureza da psican&aacute;lise". (Mezan, 2002, p. 390). </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diferente da ci&ecirc;ncia positivista, o objeto de estudo da Psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; algo mensur&aacute;vel por meio de estat&iacute;sticas ou escalas quantific&aacute;veis. O m&eacute;todo psicanal&iacute;tico de an&aacute;lise e investiga&ccedil;&atilde;o, desde que foi criado, preserva o car&aacute;ter heur&iacute;stico em sua constru&ccedil;&atilde;o de conhecimento, ou seja, privilegia o n&atilde;o saber, a descoberta, o velado, onde no resultado surgir&aacute; algo de novo. Como j&aacute; dizia F&aacute;bio Herrmann (2004), utilizar um m&eacute;todo quantitativo para investigar a psique, o subjetivo, seria como tentar entender o funcionamento de um rel&oacute;gio usando luvas de boxe, a ferramenta n&atilde;o se ad&eacute;qua ao objeto.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> As an&aacute;lises realizadas por meio do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, as ditas aplicadas ou da cultura, levam em conta a implica&ccedil;&atilde;o da subjetividade do analista que far&aacute; parte da an&aacute;lise e do processo de descoberta de conte&uacute;dos inconscientes, pistas inconscientes, que est&atilde;o contidos na obra e que ressoam no inconsciente do analista. Este, a partir das emo&ccedil;&otilde;es suscitadas, interpretar&aacute;, isto &eacute;, traduzir&aacute; o latente em linguagem metaf&oacute;rica. E, a partir deste material, realizar a revis&atilde;o te&oacute;rica j&aacute; citada anteriormente. Este processo permite que, assim como na cl&iacute;nica, o analista fa&ccedil;a surgir uma das verdades contidas no paciente ou na cultura, mas nunca esgotando-as, como se fosse uma verdade &uacute;nica e irrefut&aacute;vel. </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>A Psican&aacute;lise Aplicada nas Universidades</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quando se fala em pesquisa cientifica dentro das universidades, logo se remete &agrave; pesquisa emp&iacute;rica, ao modelo positivista. As pesquisas quantitativas e suas tabelas, gr&aacute;ficos e demonstra&ccedil;&otilde;es concretas sobre o objeto estudado. A Psican&aacute;lise, diferente deste modelo, segue outros paradigmas, possui um modelo pr&oacute;prio de investiga&ccedil;&atilde;o e demonstra&ccedil;&atilde;o de resultados, ainda que seja poss&iacute;vel fazer uma pesquisa psicanal&iacute;tica qualitativa e quantitativa simultaneamente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Segundo Herrmann (2004), os analistas s&atilde;o receosos quanto a este tipo de pesquisa quantitativa. Para os mesmos, seu m&eacute;todo de investiga&ccedil;&atilde;o/pesquisa &eacute; suficiente e ideal para abarcar os fen&ocirc;menos a que se predisp&otilde;e. Na singularidade do paciente ou fen&ocirc;meno da cultura, alguns elementos podem ser observados, da mesma forma, em escalas maiores, da singularidade para a universalidade e vice-versa. Naturalmente, dependendo do objetivo da pesquisa, seu objeto de estudo e as condi&ccedil;&otilde;es para o mesmo, toda a metodologia deve ser revista e adequada, e nem sempre &eacute; poss&iacute;vel fazer uma pesquisa psicanal&iacute;tica.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Mas o que difere uma pesquisa em psican&aacute;lise de uma pesquisa psicanal&iacute;tica? A primeira utiliza-se da teoria psicanal&iacute;tica e seus conceitos para defender ou refor&ccedil;ar um argumento, ou a pr&oacute;pria teoria &eacute; o objeto de estudo, no caso de teses conceituais, discuss&atilde;o da teoria e referenciais te&oacute;ricos. Estes tipos de pesquisa utilizam outros m&eacute;todos para investigar seu objeto, que n&atilde;o o psicanal&iacute;tico. Embora, o tema e o referencial te&oacute;rico em que se apoiem, seja a Psican&aacute;lise. (Herrmann, 2004).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A pesquisa psicanal&iacute;tica tem como condi&ccedil;&atilde;o de metodologia, o uso do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico. Ou seja, utilizar o m&eacute;todo criado por Freud, com o objetivo de construir um novo conhecimento, a respeito do ser humano, da sociedade, da cultura. O uso do m&eacute;todo, ou seja, da Psican&aacute;lise, n&atilde;o se limita a curar, mas est&aacute; presente da mesma forma, onde n&atilde;o h&aacute; doen&ccedil;a (Herrmann, 2004). Portanto, uma s&eacute;rie de pesquisas cl&iacute;nicas s&atilde;o realizadas, a respeito dos procedimentos, da t&eacute;cnica, da psicopatologia. Da mesma forma que pesquisas n&atilde;o clinicas tamb&eacute;m o s&atilde;o, como as institucionais, as an&aacute;lises de filmes, obras liter&aacute;rias, entre outras.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Ent&atilde;o, a pesquisa psicanal&iacute;tica, mesmo que dentro do rigor acad&ecirc;mico, obedece aos pressupostos do m&eacute;todo freudiano. A metodologia &eacute; a mesma, utilizando a pr&aacute;tica do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico j&aacute; exposto anteriormente. Baseado na interpreta&ccedil;&atilde;o produz um sentido novo ao tema estudado, mais interessante, de acordo com Herrmann (2004), que discuss&otilde;es puramente te&oacute;ricas e repetitivas, que podem chegar a qualquer conclus&atilde;o, dependendo de seu direcionamento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Al&eacute;m disso, a pesquisa com o m&eacute;todo psicanal&iacute;tico pode ser realizada junto a outro m&eacute;todo, por exemplo, o quantitativo, preservadas as ressalvas do m&eacute;todo freudiano. F&aacute;bio Herrmann (2004) exemplifica este tipo de pesquisa, o que se tornou posteriormente um projeto real. O autor prop&ocirc;s que se elaborasse um question&aacute;rio para gestantes e que, a partir deste, fosse perguntado o sexo do beb&ecirc;. A partir da hip&oacute;tese de que algumas gestantes intuem o sexo do beb&ecirc;, isto seria verificado, ap&oacute;s a ultrassonografia. At&eacute; este ponto, levantadas as devidas estat&iacute;sticas, a pesquisa se caracterizaria como quantitativa, emp&iacute;rica. O pr&oacute;ximo passo seria investigar psicanaliticamente, de que maneira ocorre os acertos ou erros, se existe alguma fantasia a este respeito, fatores biol&oacute;gicos, psicossociais, entre outros. Desta forma, utilizam-se dois m&eacute;todos de coleta de dados, mas a maneira de enxerg&aacute;-los &eacute; psicanal&iacute;tica. O autor ainda enfatiza que o importante &eacute; n&atilde;o misturar os m&eacute;todos, mas utiliz&aacute;-los de forma adequada de acordo com a proposta da pesquisa. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b> Algumas considera&ccedil;&otilde;es finais</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A utiliza&ccedil;&atilde;o do termo psican&aacute;lise aplicada gera uma conota&ccedil;&atilde;o de transposi&ccedil;&atilde;o de um saber/teoria acabado, da clinica para fen&ocirc;menos al&eacute;m da clinica, como cultura e sociedade. Esta condi&ccedil;&atilde;o do j&aacute; sabido nega os pressupostos metodol&oacute;gicos da Psican&aacute;lise como ci&ecirc;ncia, impossibilitando a utiliza&ccedil;&atilde;o do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico de forma adequada. O equ&iacute;voco que o termo postulado por Freud pode provocar levou autores p&oacute;s-freudianos &agrave; reflex&atilde;o e a renomear tal termo. Apesar desta mudan&ccedil;a, o conceito de maneira geral n&atilde;o sofre altera&ccedil;&otilde;es te&oacute;ricas ou metodol&oacute;gicas para nenhum dos autores citados. </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A import&acirc;ncia da psican&aacute;lise aplicada no pensamento freudiano, verifica-se quando Freud se serve da cultura, da antropologia, dos fen&ocirc;menos sociais, para demonstrar o car&aacute;ter universal da psique humana. Ainda, era tamb&eacute;m seu desejo que a Psican&aacute;lise como ci&ecirc;ncia avan&ccedil;asse al&eacute;m da clinica, para outras &aacute;reas do conhecimento humano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Para Fabio Herrmann (1992), os mitos e obras de arte em geral n&atilde;o recebem o tratamento devido como fora outrora, durante os prim&oacute;rdios da Psican&aacute;lise. Este fato nega os princ&iacute;pios do m&eacute;todo psicanal&iacute;tico, onde por meio do mesmo, seria feito o mesmo percurso de Freud, na cl&iacute;nica e na esfera cultural, objetivando a constru&ccedil;&atilde;o da teoria e a constante renova&ccedil;&atilde;o da Psican&aacute;lise. Ao contr&aacute;rio do que t&ecirc;m acontecido com diversos autores contempor&acirc;neos, alvos de cr&iacute;ticas de Herrmann (1992), que reproduzem a Psican&aacute;lise se utilizando apenas da teoria, desprezando o M&eacute;todo e seu car&aacute;ter heur&iacute;stico, consequentemente as contribui&ccedil;&otilde;es para aperfei&ccedil;oamento das t&eacute;cnicas e teorias psicanal&iacute;ticas, bem como as leituras do sujeito contempor&acirc;neo. Como ficou exposto neste texto, n&atilde;o se pode simplesmente dissociar a Psican&aacute;lise em &aacute;rea clinica da &aacute;rea n&atilde;o clinica pois, o objeto de estudo da Psican&aacute;lise n&atilde;o &eacute; apenas a psicopatologia. A psican&aacute;lise pode revelar e investigar outros aspectos do que concerne ao humano. Portanto, dentro ou fora do consult&oacute;rio deve-se fazer um movimento convergente no sentido de complementar a Psican&aacute;lise como ci&ecirc;ncia. </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Bibliografia</b></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Bettelheim, B. (1982). Freud e a alma humana (FREUD & MAN'S SOUL). S&atilde;o Paulo: Cultrix.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5047998&pid=S1984-9044201300020000600001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Freud, S. (1977). Charcot. In: S. Freud, Edi&ccedil;&atilde;o standard brasileira das obras psicol&oacute;gicas completas de Sigmund Freud (J. Salom&atilde;o, trad., Vol. 3). Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1893).    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048000&pid=S1984-9044201300020000600002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Herrmann, F. (1983). O que &eacute; Psican&aacute;lise: para iniciantes ou .... (13&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Psique.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048002&pid=S1984-9044201300020000600003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Herrmann, F. (1992). O div&atilde; a passeio. (2&ordf; ed.). S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048004&pid=S1984-9044201300020000600004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Herrmann, F. (2001). Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; teoria dos campos. S&atilde;o Paulo: Casa do Psic&oacute;logo.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048006&pid=S1984-9044201300020000600005&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Laplanche, J. (1987). Novos fundamentos para a psican&aacute;lise (Nouveaux fondements pour la psychanalyse). S&atilde;o Paulo: Martins Fontes.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048008&pid=S1984-9044201300020000600006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mezan, R. (1985). Freud, pensador da cultura. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048010&pid=S1984-9044201300020000600007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mezan, R. (1988). A vingan&ccedil;a da Esfinge. S&atilde;o Paulo: Brasiliense.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048012&pid=S1984-9044201300020000600008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Mezan, R. (2002). Interfaces da Psican&aacute;lise. S&atilde;o Paulo: Companhia das letras.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5048014&pid=S1984-9044201300020000600009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Recebido: 13 de junho de 2013    <br>   Aprovado: 13 de novembro de 2013.</font></p>      ]]></body>
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