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<publisher-name><![CDATA[Universidade Federal do Pará. Núcleo de Pesquisas Fenomenológicas ]]></publisher-name>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Considerações fenomenológicas acerca da disfunção erétil]]></article-title>
<article-title xml:lang="en"><![CDATA[Considerations phenomenologycal concerning the erectile dysfunction]]></article-title>
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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[Report of research of orientation phenomenologycal centered in the person. The research was accomplished with four participants with ages varying between twenty two and thirty years, belonging to different socioeconomic levels, of education level superior, complete and incomplete, that they already suffered episodes of erectile dysfunction, occasionally. Route semi-structured constituted of a text and two subjects.The researcher made the reading with each participant, seeking: to guide on them the semi-structured route, the composition of the deposition and to stimulate a climate of larger peacefulness and spontaneity so that the participants could be expressed freely. A conclusion was that most of the depositions indicates that the man is engaged in sexual relationships many times without being really motivated and he undergoes the sexual act much more for the partner's longings or for the pressure of your social atmosphere (friends, family, media), that for your own will, doesn't tend like this opportunity to be authentic and of respecting your own limits of sexual expression.]]></p></abstract>
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<kwd lng="pt"><![CDATA[disfunção erétil]]></kwd>
<kwd lng="pt"><![CDATA[pesquisa qualitativa]]></kwd>
<kwd lng="en"><![CDATA[erectile dysfunction]]></kwd>
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</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ARTIGOS</b></font></p>     <p align="right">&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Considera&ccedil;&otilde;es fenomenol&oacute;gicas acerca da disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>Considerations phenomenologycal concerning the erectile dysfunction</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Gilson Afonso J&uacute;nior<a name="2"></a><sup><a href="#2a">1</a></sup></b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA)</font></p>      ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>      <p>&nbsp;</p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Relat&oacute;rio de pesquisa de orienta&ccedil;&atilde;o fenomenol&oacute;gica centrada na pessoa. A pesquisa foi   realizada com quatro participantes com idades variando entre vinte dois e trinta anos,   pertencentes a diferentes n&iacute;veis s&oacute;cio-econ&ocirc;micos, de escolaridade n&iacute;vel superior, completo e   incompleto, que j&aacute; sofreram epis&oacute;dios de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, ocasionalmente. Roteiro semiestruturado   constitu&iacute;do de um texto e duas quest&otilde;es. O pesquisador fez a leitura com cada   participante, visando: orient&aacute;-los sobre o roteiro semi-estruturado, a reda&ccedil;&atilde;o do depoimento e   estimular um clima de maior tranq&uuml;ilidade e espontaneidade para que os participantes   pudessem se expressar livremente. Uma conclus&atilde;o foi que a maioria dos depoimentos indica   que o homem se engaja em relacionamentos sexuais muitas vezes sem estar realmente   motivado e se submete ao ato sexual muito mais pelos anseios da parceira ou pela press&atilde;o de   seu ambiente social (amigos, fam&iacute;lia, m&iacute;dia), do que pela sua pr&oacute;pria vontade, n&atilde;o tendo assim oportunidade de ser aut&ecirc;ntico e de respeitar seus pr&oacute;prios limites de express&atilde;o sexual.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Palavras-chave</b>: disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, pesquisa qualitativa.</font></p> <hr noshade size="1">     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Report of research of orientation phenomenologycal centered in the person. The research was   accomplished with four participants with ages varying between twenty two and thirty years,   belonging to different socioeconomic levels, of education level superior, complete and   incomplete, that they already suffered episodes of erectile dysfunction, occasionally. Route   semi-structured constituted of a text and two subjects.The researcher made the reading with   each participant, seeking: to guide on them the semi-structured route, the composition of the   deposition and to stimulate a climate of larger peacefulness and spontaneity so that the   participants could be expressed freely. A conclusion was that most of the depositions   indicates that the man is engaged in sexual relationships many times without being really   motivated and he undergoes the sexual act much more for the partner's longings or for the   pressure of your social atmosphere (friends, family, media), that for your own will, doesn't   tend like this opportunity to be authentic and of respecting your own limits of sexual expression.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b> Keywords:</b> erectile dysfunction, qualitative research.</font></p> <hr noshade size="1">     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>INTRODU&Ccedil;&Atilde;O</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">   A disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, mais conhecida como impot&ecirc;ncia sexual, &eacute; caracterizada pela   dificuldade ou incapacidade que o homem apresenta de iniciar e/ou manter seu p&ecirc;nis ereto o   tempo suficiente para se relacionar sexualmente de forma satisfat&oacute;ria para o casal. Tal   disfun&ccedil;&atilde;o pode ser causada por problemas org&acirc;nicos (de base neurol&oacute;gica, hormonal, arterial   ou mesmo venosa) ou por dificuldades psicol&oacute;gicas.   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Diversas pesquisas t&ecirc;m sido realizadas na &aacute;rea m&eacute;dico-farmacol&oacute;gica, gerando,     por exemplo, o desenvolvimento de rem&eacute;dios altamente eficazes (as chamadas "p&iacute;lulas     m&aacute;gicas") no estabelecimento e na manuten&ccedil;&atilde;o da ere&ccedil;&atilde;o; no campo da psicologia, no intuito     de se compreender melhor a g&ecirc;nese de tal disfun&ccedil;&atilde;o e elaborar diagn&oacute;sticos mais precisos,     assim como desenvolver tratamentos mais adequados, j&aacute; existem procedimentos     psicoterap&ecirc;uticos muito bem sucedidos na preven&ccedil;&atilde;o e tratamento da disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til,     principalmente quando esta n&atilde;o tem base org&acirc;nica.     </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Geralmente, para ser considerada uma patologia (ou pelo menos para receber       maior aten&ccedil;&atilde;o do ponto de vista de uma poss&iacute;vel interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica), os epis&oacute;dios de       disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til devem ocorrer em mais de 50% das tentativas, por um per&iacute;odo m&iacute;nimo de seis       meses e gerar sofrimento no indiv&iacute;duo (Lopes, 1993). Por&eacute;m, muitas "broxadas" podem       ocorrer apenas ocasionalmente, sob condi&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas, situacionais, (condi&ccedil;&otilde;es de       cansa&ccedil;o, ansiedade, estresse, doen&ccedil;a, etc) e n&atilde;o se constitu&iacute;rem como um problema mais       s&eacute;rio, por&eacute;m n&atilde;o menos perturbador para quem o experimenta.     </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tal problema adquire propor&ccedil;&otilde;es ainda maiores, (e conseq&uuml;entemente maior       relev&acirc;ncia e necessidade de se compreend&ecirc;-lo) por estarmos inseridos em uma cultura       machista, cheia de tabus, e que leva muitas vezes os homens, que dela fazem parte, a acreditar       que devem se comportar como verdadeiras "m&aacute;quinas infal&iacute;veis" quando o assunto &eacute; sexo.       Por&eacute;m grande parte dos homens est&aacute; sujeita a "falhas", e quando isso acontece, uma sucess&atilde;o de eventos perturbadores se inicia no mundo subjetivo do macho, alterando at&eacute; mesmo o seu       modo de ser. O fato de "n&atilde;o funcionar como deveria" e num momento t&atilde;o &iacute;ntimo e especial       como o do sexo, pode gerar no homem um grande sofrimento existencial caracterizado, por       exemplo, pela perda de auto-estima, por sentimentos de ang&uacute;stia, inseguran&ccedil;a, fracasso, perda       de interesse sexual e, principalmente, pelo medo de "fracassar" em rela&ccedil;&otilde;es sexuais futuras.       </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Apesar de todos os avan&ccedil;os da medicina e da psicoterapia nesta &aacute;rea, n&atilde;o &eacute; raro         observar-se tal problema ser abordado, de forma simplista, enfocado primariamente na         performance sexual do indiv&iacute;duo, concebendo n&atilde;o uma pessoa com problemas, sim uma parte         de seu corpo que n&atilde;o "funciona adequadamente" (Lopes, 1993). As altera&ccedil;&otilde;es na din&acirc;mica         existencial das pessoas que se encontram nesse tipo de dificuldade, assim como as diferentes         formas com que as mesmas vivenciam essa condi&ccedil;&atilde;o &eacute;, na maioria das vezes, desconhecida       ou mesmo ignorada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> O presente trabalho &eacute; um relato de pesquisa cujo objetivo &eacute; descrever o           significado da experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til (ocasional) para quatro homens. De modo mais           espec&iacute;fico, descrever o que h&aacute; de comum e o que h&aacute; de particular (em termos de significa&ccedil;&atilde;o)           nessa viv&ecirc;ncia para estes quatro homens, fornecendo assim, elementos que favore&ccedil;am uma           compreens&atilde;o mais ampla dessa perturbadora viv&ecirc;ncia denominada disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til.       </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>METODOLOGIA </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Participantes</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A pesquisa foi realizada com quatro participantes, indicados por terceiros e               contatados diretamente pelo pesquisador, com idades variando entre vinte dois e trinta anos,               (presumivelmente uma faixa et&aacute;ria na qual os homens apresentam elevado vigor sexual), e               pertencentes a diferentes n&iacute;veis s&oacute;cio-econ&ocirc;micos, de escolaridade n&iacute;vel superior (completo e               incompleto), que j&aacute; sofreram epis&oacute;dios de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til ocasionalmente (uma vez ou outra em fun&ccedil;&atilde;o de alguma circunst&acirc;ncia espec&iacute;fica). Pessoas que sofrem de epis&oacute;dios de disfun&ccedil;&atilde;o               er&eacute;til freq&uuml;entemente (o que pode ser um ind&iacute;cio de problemas org&acirc;nicos e/ou psicol&oacute;gicos               mais s&eacute;rios) n&atilde;o fizeram parte da pesquisa, haja vista que a forma como essas pessoas               vivenciam e compreendem essa experi&ecirc;ncia pode ser qualitativamente diferente da forma de               pessoas que sofreram epis&oacute;dios apenas ocasionais de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til.               </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Material</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Roteiro semi-estruturado constitu&iacute;do de um texto com orienta&ccedil;&otilde;es preliminares                   acerca da pesquisa e de duas quest&otilde;es: 1. Fale sobre a sua experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til:                   como foi, como voc&ecirc; se sentiu, o que passou pela sua cabe&ccedil;a naquela situa&ccedil;&atilde;o? 2. Como voc&ecirc;   se sente, o que passa pela sua cabe&ccedil;a atualmente sobre o epis&oacute;dio vivenciado?                   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O roteiro foi submetido a uma aplica&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via em um homem que tamb&eacute;m j&aacute;   sofreu de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, mas que n&atilde;o esteve entre os quatro participantes efetivos da                     pesquisa. O intuito foi verificar se o mesmo era capaz de estimular a realiza&ccedil;&atilde;o de                     depoimentos ricos em termos de descri&ccedil;&atilde;o de viv&ecirc;ncias, o que ocorreu ap&oacute;s a an&aacute;lise do                     material.                     </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Procedimento </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O pesquisador entrou em contato com o poss&iacute;vel participante indicado por                         terceiros para apresentar o projeto e obter a sua participa&ccedil;&atilde;o na pesquisa. Dos quatro homens                         indicados, todos preencheram o pr&eacute;-requisito de terem sofrido disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til apenas                         ocasionalmente; receberam individualmente, informa&ccedil;&otilde;es sobre os objetivos gerais da                         pesquisa, sua relev&acirc;ncia, modo de participa&ccedil;&atilde;o dos mesmos (que nesse caso envolveu a                         reda&ccedil;&atilde;o de depoimentos falando sobre a sua experi&ecirc;ncia acerca da tem&aacute;tica em quest&atilde;o),                         sobre a necessidade de mais de um encontro entre participante e pesquisador, o preenchimento de um termo de compromisso no qual se garantiu o car&aacute;ter sigiloso de sua                         identidade e sobre a vincula&ccedil;&atilde;o institucional da pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A coleta dos depoimentos foi realizada em um ambiente tranq&uuml;ilo e facilitador                           (definido de acordo com a disponibilidade dos participantes). O pesquisador, fez a leitura com                           cada participante de um texto preliminar, igual para todos, visando: orient&aacute;-los sobre o roteiro                           semi-estruturado, a reda&ccedil;&atilde;o do depoimento e estimular um clima de maior tranq&uuml;ilidade e                           espontaneidade para que os participantes pudessem se expressar livremente.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Durante a coleta dos depoimentos (que foi feita individualmente com cada um dos                             participantes), o pesquisador permaneceu pr&oacute;ximo de cada um para esclarecer poss&iacute;veis                             eventualidades: d&uacute;vidas, facilitar a livre express&atilde;o do participante, etc. Ao t&eacute;rmino do                             depoimento, combinamos um novo encontro entre cada participante e o pesquisador, para que                             aquele pudesse confirmar, corrigir ou complementar a s&iacute;ntese (feita pelo pesquisador) de seu                             depoimento.                             </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A compreens&atilde;o de cada depoimento coletado foi realizada atrav&eacute;s de <i>S&iacute;ntese                               Compreensiva</i> (Redu&ccedil;&atilde;o Fenomenol&oacute;gica). Atrav&eacute;s dessa s&uacute;mula &eacute; que se tentou captar e                               descrever o significado das viv&ecirc;ncias dos participantes em estudo. Ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o da                               S&iacute;ntese Compreensiva de cada depoimento, o pesquisador se encontrou mais uma vez com                               cada participante a fim de confirmar com os mesmos, se as s&iacute;nteses estavam corretas, ou seja,                               se os participantes se reconheciam naquilo que o pesquisador escreveu sobre suas                               experi&ecirc;ncias (Amatuzzi, 1996).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> A descri&ccedil;&atilde;o das particularidades e generalidades de significados envolvidos na                                 viv&ecirc;ncia da disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til foi possibilitada pela constru&ccedil;&atilde;o de categorias de significado, a                                 partir de elementos do vivido contidos nas s&iacute;nteses dos depoimentos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Dessa forma p&ocirc;de-se formular uma esp&eacute;cie de estrutura do vivido, ou seja, um                                   quadro compreensivo e sistem&aacute;tico ilustrando o que existiu de comum e o singular nas                                   viv&ecirc;ncias dos participantes.                                   Os procedimentos &eacute;ticos obedeceram &agrave;s normas do CONEP para realiza&ccedil;&atilde;o de                                   pesquisas com seres humanos.                                   </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>RESULTADOS </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>S&iacute;ntese Compreensiva dos Depoimentos </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Depoimento 1 </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Idade: 26 anos                                             </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Escolaridade: ensino superior incompleto</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Estado Civil: solteiro                                                 1 </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">- <i>Fiquei surpreso, perplexo, em choque pela disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til. Eu n&atilde;o conseguia                                                   aceitar aquilo como real. Tudo parecia facilitar, tudo parecia certo, mesmo assim meu p&ecirc;nis                                                   n&atilde;o ficava ereto. N&atilde;o parecia que era eu quem estava ali e sim uma outra pessoa, uma                                                   experi&ecirc;ncia dissociada de mim mesmo. Eu me sentia como se meu p&ecirc;nis estivesse separado de                                                   mim. Estava decepcionado com meu desempenho e passei a sentir avers&atilde;o de mim mesmo.                                                   Depois senti muita vergonha da minha parceira. Achava que a culpa era s&oacute; minha e que eu                                                   tinha feito algo errado. Nada me consolava. </i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2 -<i> Hoje em dia tento ser mais natural e espont&acirc;neo em minhas rela&ccedil;&otilde;es. Busco                                                     n&atilde;o criar muitas expectativas acerca de meu desempenho, e tento deixar me envolver pela                                                     situa&ccedil;&atilde;o, pela minha parceira e n&atilde;o por teoriza&ccedil;&otilde;es ou preocupa&ccedil;&otilde;es antecipadas.</i></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> <b>Depoimento 2 </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Idade: 30 anos                                                         </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Escolaridade: ensino superior completo                                                           </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estado Civil: Solteiro                                                             </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1 - <i>Foi estranho. Eu s&oacute; sentia tes&atilde;o enquanto eu &eacute; que estava induzindo a garota                                                               a fazer sexo. Mas quando ela &eacute; que passou a me provocar, eu me assustei, fiquei surpreso,                                                               inseguro e minha libido diminuiu. Eu queria transar ao meu modo, mas minhas expectativas                                                               foram frustradas e minha ere&ccedil;&atilde;o diminuiu. Quanto mais car&iacute;cias ela me fazia, mais inseguro                                                               eu ficava. Sentia medo que ela percebesse o meu fracasso. Eu estava perdido, desamparado e                                                               sem alternativas. Me afastei da garota, o medo de broxar foi maior que a minha vontade de                                                               transar.</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> 2 - <i>Atualmente tenho medo de que isso volte a acontecer. S&oacute; transo quando me                                                                 sinto realmente preparado e com uma menina que me fa&ccedil;a sentir bem.</i>  </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depoimento 3                                                                   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Idade: 27 anos</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Escolaridade: ensino superior incompleto                                                                       </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Estado Civil: Solteiro                                                                         </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1 - <i>Fiquei nervoso quando percebi que o momento de transar com minha                                                                           namorada estava para ocorrer. N&atilde;o tinha mais o controle da situa&ccedil;&atilde;o. Foi minha namorada                                                                           que passou a sugerir que trans&aacute;ssemos. Eu estava inseguro, n&atilde;o queria realmente transar                                                                           naquele momento. Estava me dispondo a transar s&oacute; por causa de minha namorada. Eu tinha                                                                           a obriga&ccedil;&atilde;o de fazer tudo dar certo e de tudo ser perfeito. Mas nada deu certo, n&atilde;o consegui                                                                           manter minha ere&ccedil;&atilde;o. Fiquei desesperado. N&atilde;o conseguia me concentrar na minha rela&ccedil;&atilde;o com ela. Fiquei cheio de d&uacute;vidas e me senti culpado pelo que estava acontecendo. Desisti de                                                                           tentar manter minha ere&ccedil;&atilde;o e lhe pedi desculpas.</i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> 2 - <i>Me senti muito mal naquela &eacute;poca, mas posteriormente eu e ela achamos                                                                             gra&ccedil;a do que aconteceu. N&atilde;o era o momento certo para transar, n&atilde;o t&iacute;nhamos intimidade. Eu                                                                             estava sem condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sica e psicol&oacute;gica. Forcei a barra e tudo deu errado. </i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Depoimento 4                                                                               </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Idade: 22 anos                                                                                 </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Escolaridade: ensino superior incompleto</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Estado Civil: solteiro</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> 1 - <i>Fiquei assustado, n&atilde;o achei que aquilo pudesse acontecer comigo. Me senti                                                                                       muito nervoso. O meu constrangimento diante de meu parceiro foi enorme. Meu parceiro                                                                                       tratou aquilo com naturalidade e eu fiquei mais tranq&uuml;ilo. No mesmo dia n&oacute;s tentamos                                                                                       transar de novo e tivemos sucesso. </i></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2 -<i> Hoje encaro aquela experi&ecirc;ncia como algo natural. Agora, quando percebo                                                                                         em mim algum sinal de ansiedade, nervosismo ou cansa&ccedil;o, evito estabelecer rela&ccedil;&otilde;es sexuais.                                                                                         J&aacute; fico preparado para a possibilidade de ter problemas e assim n&atilde;o sou pego de surpresa. </i> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Categorias de Significado: </b> </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>S&iacute;nteses dos depoimentos da quest&atilde;o 1 </b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1 - <i>choque/surpresa (no sentido de que eles foram pegos desprevenidos, de que                                                                                               eles n&atilde;o esperavam por aquilo); 2- rea&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o-aceita&ccedil;&atilde;o (n&atilde;o aceitar, n&atilde;o "digerir" o                                                                                               que estava ocorrendo); 3- frustra&ccedil;&atilde;o (ter as expectativas quebradas); 4- raiva de si pr&oacute;prio                                                                                               (sentimentos hostis em rela&ccedil;&atilde;o a si mesmo e/ou a seu p&ecirc;nis); 5- cren&ccedil;a na infalibilidade (cren&ccedil;a de que o homem nunca pode falhar); 6- culpa (acreditar que &eacute; o &uacute;nico respons&aacute;vel                                                                                               pelo seu "fracasso"); 7- inseguran&ccedil;a/nervosismo (n&atilde;o garantir a efici&ecirc;ncia do pr&oacute;prio                                                                                               desempenho); 8- perda do controle do ato (deixar de ser capaz de "tomar as r&eacute;deas da                                                                                               situa&ccedil;&atilde;o", de manter a situa&ccedil;&atilde;o sob controle); 9- queda da auto-Estima (se sentir menos                                                                                               homem por exemplo, questionamento acerca da pr&oacute;pria pot&ecirc;ncia e masculinidade); 10-                                                                                               experi&ecirc;ncia dissociada ( a viv&ecirc;ncia n&atilde;o parecia estar sendo vivida pelo pr&oacute;prio participante e                                                                                               sim por uma terceira pessoa); 11- vergonha (sentimentos relacionados a embara&ccedil;o e                                                                                               constrangimento diante de poss&iacute;veis julgam e ntos provindos da parceira ou da sociedade)</i>.                                                                                               </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>S&iacute;nteses dos depoimentos da quest&atilde;o 2</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> 1- <i>ganho de auto-Conhecimento (maior aprendizagem sobre si mesmo), 2 -                                                                                                   desrespeito aos pr&oacute;prios Limites; 3- naturalidade (encarar a disfun&ccedil;&atilde;o como algo natural,                                                                                                   pass&iacute;vel de ocorrer); 4- humor (encarar a viv&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o com bom humor)</i>.                                                                                                   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Quadro comparativo dos participantes e das categorias de significado extra&iacute;das a                                                                                                     partir de suas viv&ecirc;ncias (estrutura do vivido). </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/rnufen/v1n1/1a10t1.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="img/revistas/rnufen/v1n1/1a10t2.jpg"></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>DISCUSS&Atilde;O</b></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Um acontecimento relevante e destacado da pesquisa foi que abordar a                                                                                                         experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til teve um impacto negativo para todos os participantes; (embora                                                                                                         depois mediante reflex&atilde;o, todos interpretaram tal experi&ecirc;ncia como algo positivo, proveitoso,                                                                                                         de grande valia para suas vidas).                                                                                                         Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; primeira quest&atilde;o do roteiro de pesquisa, foi observado que para os                                                                                                         quatro participantes, a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til significou: 1-choque e surpresa: ("foi                                                                                                         dif&iacute;cil entender o que estava acontecendo" <i>participante 1</i>; 2-vergonha: "...eu passei a pensar                                                                                                         na menina, no que ela poderia estar pensando de mim, no papel&atilde;o que eu tinha feito"                                                                                                         <i>participante 1</i>; 3-frustra&ccedil;&atilde;o: "eu tava louco para transar, mas eu simplesmente n&atilde;o estava                                                                                                         funcionando" <i>participante 2</i>; e 4-culpa, todos se sentiram culpados pelo que aconteceu: "me                                                                                                         desculpei com ela, dizendo que n&atilde;o estava me sentindo bem, que o problema era comigo"                                                                                                         <i>participante 3</i>.   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Por outro lado, para alguns participantes, a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til teve um                                                                                                           significado mais particular pouco compartilhado com outros participantes. Por exemplo, para                                                                                                           o participante 1, a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til tamb&eacute;m significou uma experi&ecirc;ncia                                                                                                           dissociada dele mesmo (ou seja, o que aconteceu n&atilde;o parecia ser com ele e sim com uma                                                                                                           terceira pessoa), em outras palavras, ele parecia estar no papel de espectador e n&atilde;o de sujeito                                                                                                           do ato.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Este mesmo participante tamb&eacute;m experimentou sentimentos de raiva com rela&ccedil;&atilde;o                                                                                                             a seu pr&oacute;prio p&ecirc;nis, "eu fui ficando com raiva de mim mesmo...meu p&ecirc;nis n&atilde;o dava nenhum                                                                                                             sinal de vida", "olhava pro meu pinto totalmente mole e s&oacute; me dava vontade de sumir dali",                                                                                                             como se o participante e seu p&ecirc;nis estivessem brigados/separados. Al&eacute;m disso, o participante                                                                                                             1 tamb&eacute;m experimentou grandes dificuldades de aceitar o que estava ocorrendo com ele: "eu                                                                                                             n&atilde;o conseguia me conformar". Certamente este foi o participante para quem a disfun&ccedil;&atilde;o teve                                                                                                             significados mais singulares e menos compartilhados com os outros participantes.                                                                                                             </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Para os participantes 2 e 3 a disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til significou dentre outras coisas: a                                                                                                               perda do controle do ato, controle esse que para eles parecia ser um pr&eacute;-requisito para o bom                                                                                                               andamento da rela&ccedil;&atilde;o sexual: "quando ela virou a tarada da hist&oacute;ria, ao inv&eacute;s daqui lo me                                                                                                               deixar mais doid&atilde;o, s&oacute; fez diminuir minha vontade de transar...parece que pra mim a transa                                                                                                               acabou ali". Para esses dois &uacute;ltimos participantes e mais o participante 1, a queda da autoestima                                                                                                               foi uma das viv&ecirc;ncias mais marcantes para os mesmos, e algo que esteve relacionado a   "se sentir menos homem", como ilustra a seguinte verbaliza&ccedil;&atilde;o: "Fiquei imaginando quantos                                                                                                               homens n&atilde;o queriam estar naquela situa&ccedil;&atilde;o, quantos homens n&atilde;o estariam duros naquela hora                                                                                                               e eu l&aacute; igual a um frouxo"<i> participante 2</i>.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> &Eacute; importante ressaltar que os participantes 2, 3 e 4 pareciam acreditar, pelo menos                                                                                                                 at&eacute; a disfun&ccedil;&atilde;o ocorrer, que aquilo n&atilde;o poderia acontecer com eles: "senti-me extremamente                                                                                                                 constrangido pela situa&ccedil;&atilde;o como um todo. Mas principalmente por ter me deparado com esta                                                                                                                 situa&ccedil;&atilde;o numa idade t&atilde;o precoce ao meu ver" <i>participante 4</i>, "eu ficava falando comigo                                                                                                                 mesmo: &lsquo;&eacute;gua, como &eacute; que voc&ecirc; pode n&atilde;o se excitar numa situa&ccedil;&atilde;o dessa!&rsquo;" <i>participante 2</i>,   "Como eu j&aacute; havia tido outras experi&ecirc;ncias sexuais, me sentia respons&aacute;vel para que tudo desse                                                                                                                 certo" <i>participante 3</i>. Nesta &uacute;ltima verbaliza&ccedil;&atilde;o a disfun&ccedil;&atilde;o significou naquele momento algo                                                                                                                 inadmiss&iacute;vel que n&atilde;o poderia ocorrer, ou seja, que o fracasso em ter ere&ccedil;&otilde;es n&atilde;o poderia fazer                                                                                                                 parte das possibilidades de um relacionamento, o que sugere a cren&ccedil;a de que o homem deve apresentar um desempenho sexual sempre &agrave; prova de falhas. Al&eacute;m disso, esses participantes                                                                                                                 experimentaram sentimentos de grande nervosismo, "...fiquei desesperado" e inseguran&ccedil;a.                                                                                                                 </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pergunta 2 acerca da vis&atilde;o atual dos participantes, sobre o                                                                                                                   epis&oacute;dio, observou-se que mesmo tendo sido t&atilde;o desagrad&aacute;vel, a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o                                                                                                                   er&eacute;til foi posteriormente proveitosa, no sentido de que para os quatro participantes ela                                                                                                                   significou uma situa&ccedil;&atilde;o de aprendizado, de ganho de auto-conhecimento principalmente com                                                                                                                   rela&ccedil;&atilde;o a conhecer e respeitar mais os pr&oacute;prios limites.                                                                                                                   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tr&ecirc;s dos quatro participantes apresentaram justificativas para seus fracassos, e                                                                                                                     todas elas se referiam ao fato deles n&atilde;o terem respeitado os pr&oacute;prios limites: "...eu n&atilde;o estava                                                                                                                     realmente preparado para transar com aquela garota", "...aquele n&atilde;o havia sido o momento                                                                                                                     certo para que tiv&eacute;ssemos tido rela&ccedil;&otilde;es", "...acho que naquela situa&ccedil;&atilde;o eu fiquei pensando                                                                                                                     demais, muita coisa ficou passando pela minha cabe&ccedil;a e eu acabei esquecendo do que eu tava                                                                                                                     fazendo". Apenas para o participante 3 a experi&ecirc;ncia passou a ser encarada de forma ir&ocirc;nica,                                                                                                                     bem-humorada: "hoje acho gra&ccedil;a ao pensar naquela experi&ecirc;ncia, apesar de ter me sentido                                                                                                                     muito mal no per&iacute;odo", e para o participante 4 tal experi&ecirc;ncia passou a significar algo natural,                                                                                                                     pass&iacute;vel de ocorrer, mesmo sendo t&atilde;o desagrad&aacute;vel: "vejo como algo natural, causado por                                                                                                                     diversos motivos, fisiol&oacute;gicos e/ou psicol&oacute;gicos".</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Em outras palavras, em maior ou menor medida, parece que num momento                                                                                                                       posterior todos os participantes extra&iacute;ram li&ccedil;&otilde;es valiosas a partir de suas "broxadas" e de certa                                                                                                                       forma (a partir de experi&ecirc;ncias reflexivas) atribu&iacute;ram um novo significado para suas                                                                                                                       viv&ecirc;ncias.                                                                                                                       </font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>CONCLUS&Atilde;O </b> </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Nesta pesquisa captar e descrever o significado da experi&ecirc;ncia da disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til                                                                                                                             em uma perspectiva fenomenol&oacute;gica, foi o meu objetivo. Apesar de ser um tema complicado de se pesquisar, considerando-se os tabus e estigmas que envolvem a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o                                                                                                                             er&eacute;til, acredito que meu objetivo geral de pesquisa foi alcan&ccedil;ado. Creio que atrav&eacute;s desta                                                                                                                             investiga&ccedil;&atilde;o, e dentro das limita&ccedil;&otilde;es da amostra, foi poss&iacute;vel compreender mais claramente a                                                                                                                             diversidade de significados envolvidos na experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til, assim como foi                                                                                                                             poss&iacute;vel enxergar as generalidades e particularidades dessa viv&ecirc;ncia.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Foi interessante, por exemplo, notar o quanto a experi&ecirc;ncia de disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til                                                                                                                               teve uma significa&ccedil;&atilde;o inicialmente destrutiva para todos os participantes (viv&ecirc;ncias                                                                                                                               relacionadas &agrave; raiva, frustra&ccedil;&atilde;o, desespero, por exemplo), mas que mediante um certo per&iacute;odo                                                                                                                               de tempo e reflex&atilde;o tal viv&ecirc;ncia p&ocirc;de ser encarada por todos como algo produtivo no sentido                                                                                                                               de lhes fornecer mais auto-conhecimento, mais respeito com eles mesmos, dentre outros                                                                                                                               ganhos.                                                                                                                               </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Pesquisar esta tem&aacute;tica &eacute; ao mesmo tempo tratar de um assunto muito pr&oacute;ximo de                                                                                                                                 n&oacute;s homens, e ao mesmo tempo muito distante, devido, entre outros fatores a que falar da                                                                                                                                 sexualidade e desempenho sexuais, para alguns homens, &eacute; um ato marcado pela competi&ccedil;&atilde;o,                                                                                                                                 n&atilde;o sendo permeado pela autenticidade, genuinidade e cumplicidade. Regra geral, o que                                                                                                                                 ocorre muitas vezes no tocante aos relacionamentos sexuais &eacute; que eles s&atilde;o permeados                                                                                                                                 freq&uuml;entemente pela coer&ccedil;&atilde;o e pela superficialidade.                                                                                                                                 </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A maioria dos depoimentos colhidos neste trabalho indica essa caracter&iacute;stica                                                                                                                                   relacional; o homem se engaja em relacionamentos sexuais muitas vezes sem estar realmente                                                                                                                                   motivado e se submete ao ato sexual muito mais pelos anseios da parceira ou pela press&atilde;o de                                                                                                                                   seu ambiente social (amigos, fam&iacute;lia, m&iacute;dia), do que pela sua pr&oacute;pria vontade (n&atilde;o tendo                                                                                                                                   assim oportunidade de ser aut&ecirc;ntico e de respeitar seus pr&oacute;prios limites de express&atilde;o sexual).                                                                                                                                   </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Penso que a <i>coer&ccedil;&atilde;o</i> refere o fato de que muitos dos problemas sexuais dos                                                                                                                                     homens podem estar ligados a fatores como: </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">1) Educa&ccedil;&atilde;o sexual inadequada (a famosa "revolu&ccedil;&atilde;o sexual" ocorrida nos   &uacute;ltimos anos na sociedade n&atilde;o parece ter favorecido uma melhor orienta&ccedil;&atilde;o de seus                                                                                                                                       membros). A maioria dos homens continua sendo treinada para agir como m&aacute;quinas (e n&atilde;o                                                                                                                                       como pessoas), e m&aacute;quinas que segundo os ditames sociais n&atilde;o podem falhar (isso &eacute; coer&ccedil;&atilde;o,   &eacute; controle do comportamento atrav&eacute;s de puni&ccedil;&atilde;o ou de amea&ccedil;a e intimida&ccedil;&atilde;o). Baseado nesse                                                                                                                                       tipo de educa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil imaginar o quanto a disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til pode se constituir numa                                                                                                                                       experi&ecirc;ncia devastadora para a maioria dos homens.                                                                                                                                       </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">2) O sexo de qualidade ( n&atilde;o opressor), tem deixado de ser um direito, e tem                                                                                                                                         passado a ser uma imposi&ccedil;&atilde;o, vinda de fora, inculcada em nossas mentes. Nesse sentido, a                                                                                                                                         m&iacute;dia, freq&uuml;entemente tem atuado como uma grande vil&atilde;, uma vez que fornece par&acirc;metros                                                                                                                                         esdr&uacute;xulos acerca do que vem a ser uma boa conduta sexual; do que &eacute; ter um bom                                                                                                                                         desempenho na cama. O homem que n&atilde;o se adequar aos padr&otilde;es socialmente impostos de                                                                                                                                         desempenho sexual &eacute; taxado como "uma m&aacute;quina defeituosa".                                                                                                                                         </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">A disfun&ccedil;&atilde;o sexual pode, em uma perspectiva fenomenol&oacute;gica existencial, ser                                                                                                                                           compreendida como um sinal de resist&ecirc;ncia &agrave; padroniza&ccedil;&atilde;o ps&iacute;quica, isto &eacute;, dentro do                                                                                                                                           contexto da massifica&ccedil;&atilde;o, pode vir a se constituir uma demonstra&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de que o sujeito                                                                                                                                           n&atilde;o concorda com os falsos valores que os obrigam a vivenciar o status de m&aacute;quinas. Talvez a                                                                                                                                           doen&ccedil;a possa contribuir para a ressignifica&ccedil;&atilde;o da concep&ccedil;&atilde;o de humanidade ao permitir que o                                                                                                                                           homem compreenda que a sexualidade e o ato sexual s&atilde;o gestos de amor e prazer, nunca de                                                                                                                                           rob&ocirc;s que n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de falhar.                                                                                                                                           </font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">3) A era da informa&ccedil;&atilde;o em que vivemos, caracterizada pela grande                                                                                                                                             disponibilidade de conhecimentos a que se tem acesso, n&atilde;o parece estar provendo elementos                                                                                                                                             para que os homens se conhe&ccedil;am melhor, se tornem amantes mais genu&iacute;nos e aut&ecirc;nticos.                                                                                                                                             Al&eacute;m do mais, muitos de n&oacute;s homens ainda vivemos por tr&aacute;s de m&aacute;scaras (pap&eacute;is sociais                                                                                                                                             r&iacute;gidos e estereotipados), que aprendemos a usar desde muito cedo e que muitas vezes nos levam a ter uma vis&atilde;o distorcida e superficial da sexualidade e do sexo, (o que obviamente                                                                                                                                             nos tornam mais pass&iacute;veis de termos problemas sexuais).</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"> Acredito que a disfun&ccedil;&atilde;o er&eacute;til &eacute; ainda um fantasma pelo modo como n&oacute;s                                                                                                                                               aprendemos a trat&aacute;-la. Ela n&atilde;o &eacute; "encarada de frente". A prolifera&ccedil;&atilde;o de p&iacute;lulas m&aacute;gicas                                                                                                                                               (Viagra, Cialis, Levitra e companhia) n&atilde;o livrar&aacute; totalmente os homens dos dem&ocirc;nios que                                                                                                                                               assolam suas camas.                                                                                                                                               </font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Tornar-se <i>homem</i>, <i>&agrave;s vezes</i>, pode ser uma tarefa hom&eacute;rica, principalmente por                                                                                                                                                 vivenciarmos a exist&ecirc;ncia em uma sociedade das m&aacute;quinas e dos condicionamentos, para a                                                                                                                                                 qual n&atilde;o &eacute; interessante criar indiv&iacute;duos aut&ecirc;nticos consigo mesmo.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="3"><b>REFER&Ecirc;NCIAS </b> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">AMATUZZI, M. M. Apontamentos acerca da pesquisa fenomenol&oacute;gica. <i>Estudos em   Psicologia</i>, v. 13, n.1, 5-10, 1996.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4209759&pid=S2175-2591200900010001000001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --> </font></p>     <!-- ref --><p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">LOPES, G. Sexualidade Humana. 2. ed. S&atilde;o Paulo: MEDSI, 1993.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=4209761&pid=S2175-2591200900010001000002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Artigo recebido em 24 de outubro de 2008    <br>  Aceito para publica&ccedil;&atilde;o em 13 de janeiro de 2009</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;  </p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><a name="2a"></a><a href="#2"><sup>1</sup></a> Mestre em Psicologia e Doutorando em Psicologia pela Universidade Federal do Par&aacute; (UFPA). e-mail:  <a href="mailto: manofnoise@hotmail.com">manofnoise@hotmail.com</a>   </font></p>      ]]></body>
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<surname><![CDATA[AMATUZZI]]></surname>
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<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Apontamentos acerca da pesquisa fenomenológica]]></article-title>
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<year>1996</year>
<volume>13</volume>
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<surname><![CDATA[LOPES]]></surname>
<given-names><![CDATA[G.]]></given-names>
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<source><![CDATA[Sexualidade Humana]]></source>
<year>1993</year>
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<publisher-loc><![CDATA[São Paulo ]]></publisher-loc>
<publisher-name><![CDATA[MEDSI]]></publisher-name>
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