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<abstract abstract-type="short" xml:lang="en"><p><![CDATA[This paper deals with Guillain-Barré's Syndrome (SBG), an auto-immune disease characterized by rapidly progressive symmetrical weakness of the extremities. The syndrome is today the major cause of paralysis in the word. The approach claims to the subjectivity of the patient.]]></p></abstract>
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</front><body><![CDATA[ <p><font size="4" face="Verdana"><b>Vinte   cinco dias &agrave;s voltas com</b> <b>guillain-barr&eacute;</b><a href="#_ftn1" name="_ftnref1" title=""><b><sup>1</sup></b></a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Helena Bocayuva</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Doutora em Sa&uacute;de   Coletiva pelo IMS/UERJ</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p> <hr size="1" noshade>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>RESUMO</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> Este artigo trata   da S&iacute;ndrome Guillain-Barr&eacute; (SBG), uma doen&ccedil;a autoimune caracterizada pela   r&aacute;pida e progressiva fraqueza das extremidades do corpo, de forma sim&eacute;trica. A   s&iacute;ndrome &eacute; hoje a maior causa de paralisias no mundo. A abordagem privilegia a   subjetividade do doente.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Palavras-chave</b>: Guillain-Barr&eacute;;   paralisias; psican&aacute;lise; subjetividades.</font></p> <hr size="1" noshade>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana"><b>ABSTRACT</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"> This paper deals with   Guillain-Barr&eacute;'s Syndrome (SBG), an auto-immune disease characterized by   rapidly progressive symmetrical weakness of the extremities. The syndrome is   today the major cause of paralysis in the word. The approach claims to the   subjectivity of the patient.<sup><a name="tx2" id="tx2"></a><a href="#nt2">2</a></sup></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><b>Keywordas</b>: Guillain-Barr&eacute;; paralysis; psychoanalysis;   subjectivity.</font></p> <hr size="1" noshade>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Apresento   neste artigo uma breve revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre a S&iacute;ndrome de   Guillain-Barr&eacute;. Na segunda parte, fa&ccedil;o um relato da minha experi&ecirc;ncia com a   doen&ccedil;a, vivida a partir de 11 de junho do presente ano.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>I   &ndash; Breve revis&atilde;o bibliogr&aacute;fica sobre a S&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute; (SBG)</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depois da erradica&ccedil;&atilde;o da poliomielite,   a S&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute; (SBG) &eacute; considerada a maior causa de paralisias no   mundo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Trata-se de uma neuropatia, de origem   autoimune. Caracteriza-se pela inflama&ccedil;&atilde;o e pela perda de mielina, isolante   gorduroso e protetor dos nervos perif&eacute;ricos &ndash; aqueles que s&atilde;o exteriores ao   sistema nervoso central. O diagn&oacute;stico &eacute; cl&iacute;nico e confirmado pelo exame do   liquor raquidiano e pela eletroneuromiografia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Os estudos mais recentes apontam o   crescimento linear da incid&ecirc;ncia da Guillain-Barr&eacute; de forma paralela ao   envelhecimento e o g&ecirc;nero preponderante seria o masculino &ndash;- embora a s&iacute;ndrome   afete crian&ccedil;as e adultos de ambos os sexos e todas as idades no mundo. As   formas mais severas da s&iacute;ndrome acometem os sujeitos de 50 anos e mais (VAN   DOORN et alii, 2008). 25% dos pacientes s&atilde;o acometidos de dist&uacute;rbios agudos no   sistema respirat&oacute;rio.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os dados falam de uma ocorr&ecirc;ncia para   uma popula&ccedil;&atilde;o de 100.000 pessoas por ano. Baseados nesta estimativa, &eacute; poss&iacute;vel   calcular para o Brasil um universo de cerca de 2.000 pessoas atingidas pela   s&iacute;ndrome &ndash; &nbsp;o que empiricamente me parece um n&uacute;mero extremamente reduzido.   Adriana de Costa Tavares, referindo-se a estudo junto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o norte-americana,   cita uma incid&ecirc;ncia de 2-4 casos por 100.000 habitantes.<a href="#_edn1" name="_ednref1" title=""><sup>3</sup></a> L&aacute; como aqui o sistema de sa&uacute;de tem   precariedades not&oacute;rias.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">No caso, os n&uacute;meros mentem. Como n&atilde;o   se trata de doen&ccedil;a de notifica&ccedil;&atilde;o obrigat&oacute;ria, pode-se pensar que a SGB &eacute;   subnotificada. Conhece-se a inconsist&ecirc;ncia da rede p&uacute;blica brasileira de sa&uacute;de,   carente de recursos, apesar da grande abrang&ecirc;ncia. S&atilde;o conhecidas igualmente as   dificuldades que t&ecirc;m os clientes dos planos de sa&uacute;de privados, quando se trata   de obter os cuidados que s&atilde;o por n&oacute;s regiamente pagos. Menciono quase como   anedota que meu plano foi cortado no mesmo m&ecirc;s que estive internada, sob a   falsa alega&ccedil;&atilde;o de inadipl&ecirc;ncia. Foi reativado depois de uma ida ao PROCON,   comprovando a tese de uma amiga que somos consumidores e n&atilde;o cidad&atilde;os.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O progn&oacute;stico da S&iacute;ndrome de   Guillain-Barr&eacute; &eacute; bom, com mais de 90% dos pacientes diagnosticados alcan&ccedil;ando a   recupera&ccedil;&atilde;o total ou praticamente total no curto prazo, embora de 5 a 15%   possam apresentar dist&uacute;rbios motores severos por dois ou mais anos. A   mortalidade da doen&ccedil;a varia de 1, 3 a 13%, em geral ocasionadas pela baixa   qualidade do tratamento espec&iacute;fico e pela demora no diagn&oacute;stico (TAVARES, 2000).   Mas quantos pacientes chegam a &oacute;bito antes que o diagn&oacute;stico seja efetuado?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Os artigos apontam a ocorr&ecirc;ncia de   interven&ccedil;&otilde;es cir&uacute;rgicas, infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias ou gastrointestinais que   precederam a instala&ccedil;&atilde;o da SBG, num intervalo de cinco dias a tr&ecirc;s semanas em   80% dos casos. Vacinas&nbsp; tamb&eacute;m s&atilde;o citadas entre os fatores que podem provocar   a SBG. O sintoma mais assustador no meu caso foi a s&uacute;bita flacidez de todos os   m&uacute;sculos e a tetraplegia que se seguiu e durou por cerca de tr&ecirc;s semanas.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>II &ndash; &Agrave;s voltas com Guillain-Barr&eacute;</b></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Falo de um acontecimento, uma   experi&ecirc;ncia que talvez para sempre marque a minha carne, com a dor e a certeza   de ser vulner&aacute;vel, posto que mortal. Espantoso &eacute; vivermos como se f&ocirc;ssemos   eternos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recorro a Michel Foucault para   refletir sobre a categoria "experi&ecirc;ncia".&nbsp; O fil&oacute;sofo atribui &agrave;s suas leituras   de Bataille, Blanchot e Nietzsche a ideia que uma experi&ecirc;ncia-limite tem por   fun&ccedil;&atilde;o arrancar o sujeito dele mesmo, fazer com que ele n&atilde;o seja mais ele mesmo   &ndash; o que seria um empreendimento de des-subjetiva&ccedil;&atilde;o<a href="#_edn2" name="_ednref2" title=""><sup>4</sup></a> (FOUCAULT, 1980, p. 43). E mais   adiante, na mesma entrevista, Foucault continua: "Uma experi&ecirc;ncia &eacute; algo que se   faz s&oacute;, mas que &eacute; apenas poss&iacute;vel de forma plena quando escapa da nossa pr&oacute;pria   subjetividade, permitindo a outros retom&aacute;-la" (FOUCAULT, 1980, p. 47<a href="#_edn3" name="_ednref3" title=""><sup>5</sup></a>). Nada me remete mais &agrave; ideia de   experi&ecirc;ncia-limite e de intensidade que 25 dias tetrapl&eacute;gica. Por outro lado,   escrever e socializar esta experi&ecirc;ncia-limite me permite esbo&ccedil;ar uma   elabora&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">"Estas botas s&atilde;o feitas para   caminhar", dizia uma can&ccedil;&atilde;o americana da minha juventude. Meu projeto para a   semana de S&atilde;o Jo&atilde;o que se aproximava,&nbsp; coincidindo com os feriados da Copa do   Mundo, era rumar para a Chapada Diamantina e fotografar a festa em Xique-Xique   do Igatu, pequena cidade fundada no s&eacute;culo XIX,&nbsp; no apogeu do garimpo de   diamantes, e desde ent&atilde;o em decad&ecirc;ncia.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Iria para Salvador, e de l&aacute; para   Len&ccedil;&oacute;is, capital da Chapada&nbsp; Diamantina, servida por voos duas vezes por   semana. A partir de Len&ccedil;&oacute;is, restava percorrer os 80 km de estrada de terra, em   caronas variadas, e, com muita sorte, se tudo desse certo, viajando na   jardineira do leite.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Sonhava andar no mato e sentir o   perfume inesquec&iacute;vel das laranjas mais doces que existem, laranjas-rosa, como o   nome que levam. Pretendia&nbsp; afogar todas as tristezas nos po&ccedil;os e cachoeiras dos   rios que cortam a Chapada. Iria, mais uma vez, encontrar velhos e novos amigos.   Guardaria nas fotos e na mente as orqu&iacute;deas multicolores que enfeitam as   trilhas da montanha.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Entretanto, mesmo quando n&atilde;o   percebemos, "viver &eacute; muito perigoso"<a href="#_edn4" name="_ednref4" title=""><sup>6</sup></a>. O escritor, no caso, referia-se &agrave;   experi&ecirc;ncia do amor, t&atilde;o pr&oacute;xima da morte, como mostrou Freud (FREUD, 1920). No   meio da noite, acordo para ir ao banheiro. De repente me dou conta de que n&atilde;o   consigo pisar no ch&atilde;o. Com algum esfor&ccedil;o me viro de bru&ccedil;os, escorrego da cama e   me ponho de gatas. Assim chego ao sanit&aacute;rio, mas n&atilde;o me levanto o suficiente   para sentar no vaso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Imagens do dia anterior correm na   minha cabe&ccedil;a. Lembrei que ao acordar, depois de tomar caf&eacute;, tive uma pequena   dificuldade para me levantar da cadeira. Pensei que, talvez, na correria do dia   a dia, estava mal alimentada. Nada que uma panela de lentilhas n&atilde;o corrigisse,   e antes de sair para meu exerc&iacute;cio no cal&ccedil;ad&atilde;o e na academia preparei uma boa   por&ccedil;&atilde;o, mais r&aacute;pidas de serem preparadas que o feij&atilde;o preto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Minha perna esquerda estava mole,   pensei na v&eacute;spera da noite que engatinhei. Preciso alongar na cal&ccedil;ada, e depois   me alimentar melhor, quem sabe uns ovos logo no caf&eacute; da manh&atilde;. Esta parte   resolvida, muscula&ccedil;&atilde;o na academia. No final do meu treino, um movimento chamou a   aten&ccedil;&atilde;o do Fred, meu preparador h&aacute; uns quatro anos: era o bra&ccedil;o esquerdo   fraquejando, embora o haltere fosse bem mais leve que de h&aacute;bito.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estava muito cansada. Meu irm&atilde;o mais   querido havia falecido em mar&ccedil;o; em abril, tirei a ves&iacute;cula, duas gripes   seguidas, e agora, me cabia assistir minha m&atilde;e, j&aacute; que naquele mesmo dia que me   senti fraca pela manh&atilde;, meu padrasto havia sido internado no CTI &ndash; o que aos 92   anos nada anuncia de bom. Era necess&aacute;rio cancelar meu projeto de viagem.   Desembolsei mais dinheiro e posterguei para setembro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depois de almo&ccedil;ar as lentilhas, rumei   para o hospital. Toda uma s&eacute;rie de provid&ecirc;ncias a serem tomadas, come&ccedil;ando   pelos indispens&aacute;veis telefonemas para prevenir a fam&iacute;lia do meu padrasto,   francesa, como ele, e l&aacute; vivendo .</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Quando o m&eacute;dico que acompanha o doente   me oferece uma carona, aceito, meio culpada por deixar minha m&atilde;e com sua   acompanhante. Na sa&iacute;da, mais um sinal de alarme desprezado: o cl&iacute;nico que me   oferece a carona me prop&otilde;e abandonar a fila do elevador e seguir pela escada,   mas, novamente, a perna esquerda n&atilde;o tem firmeza, e caio na escada, sem,   contudo, me machucar. Algu&eacute;m pergunta se n&atilde;o seria melhor me levar para a   emerg&ecirc;ncia, o pr&oacute;prio m&eacute;dico responde que eu apenas havia escorregado, e entro   no t&aacute;xi.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Ainda acreditava que estava fraca, por   conta do luto, da interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica e das gripes mal curadas &ndash; uma boa   refei&ccedil;&atilde;o mais uma noite de sono iriam me aprumar. O porteiro me ajuda a sair do   t&aacute;xi, ao chegar em casa e jantar me sinto revigorada, deito e durmo, sem o   cuidado de trazer o celular ou o telefone fixo para o quarto &ndash; apenas o IPAD &agrave;   beira da cama, ou melhor, no ch&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Chego de gatas ao banheiro, e resolvo   me sentar na beirada do chuveiro, no caso, uns quarenta centimetros abaixo do   n&iacute;vel do ch&atilde;o, para ser usado como banheira por quem goste. Entro e sento no   ch&atilde;o. Depois, consegui me lavar, embora tenha sido dif&iacute;cil abrir e fechar a   torneira. Esta parte conclu&iacute;da, comecei a tentar sair do buraco, agora usando   os cotovelos como alavanca. Levei mais de uma hora para conseguir sair da   banheira e me arrastar no ch&atilde;o do banheiro.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Pensamentos assustadores me ocorrem:   estaria tendo um AVC? Sempre tive colesterol alto e tomo religiosamente a   medica&ccedil;&atilde;o prescrita pelo meu cl&iacute;nico.&nbsp; Seria um processo degenerativo   acelerado? Tudo muito estranho, e na madrugada todos os sinais da v&eacute;spera soam   como sirenes de alarme. Calma. Tenho que encontrar for&ccedil;as para abandonar o   ladrilho frio, andar agora de gatas &eacute; imposs&iacute;vel, sou no m&aacute;ximo como uma   lagartixa que se arrasta pelo ch&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Tento abrir a porta que separa os   quartos da sala, l&aacute; se encontra o telefone fixo. Nem pensar, raio de ma&ccedil;aneta   dura!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Est&aacute;   dif&iacute;cil abrir o IPAD, encontro uma colher na mesa de cabeceira e preciso da   ajuda dela para levantar a capa do meu tablete. Disparo e-mails! Fa&ccedil;o um texto   que traz como assunto "l&uacute;cida" e conta que n&atilde;o tenho for&ccedil;a nas pernas nem nos   bra&ccedil;os. Tento ser o menos alarmista possivel, embora esteja apavorada. O e-mail   segue para meu filho, para meu cl&iacute;nico Pedro Henrique Paiva, e amigos que moram   perto e sei que acordam cedo, mas s&atilde;o apenas tr&ecirc;s horas da manh&atilde;. Por alguma   raz&atilde;o, n&atilde;o me ocorre usar o aplicativo skype e telefonar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Em frente ao banheiro, um quarto com   tapete no ch&atilde;o, que chamo de escrit&oacute;rio. L&aacute; me deito, e para n&atilde;o enlouquecer   tento me lembrar de todas as praias bonitas que conhe&ccedil;o, uma por uma. Tamb&eacute;m me   ocorre desejar, caso ficasse paralisada para sempre, ao menos poder mexer as   m&atilde;os, para escrever. Ensaio pedir ajuda, grito o nome da vizinha, que depois me   contou pensar estar alucinando.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Deitada no ch&atilde;o, vez por outra durmo   um pouco, at&eacute; que afinal ou&ccedil;o os passos do meu filho, sua voz, e me sinto   aliviada.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Meu filho &eacute; um executivo de 35 anos,   habituado a tomar decis&otilde;es r&aacute;pidas. Comunica&ccedil;&atilde;o com o clinico, seguro de sa&uacute;de,   telefonema para minha filha que mora em S&atilde;o Paulo. &nbsp;S&oacute; consigo dizer que estou   com muito medo, "eu tamb&eacute;m, m&atilde;e" &ndash; escuto do outro lado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A decis&atilde;o tomada foi ir ao encontro do   cl&iacute;nico, no Hospital Samaritano. Eu resmungava que o plano de sa&uacute;de n&atilde;o cobria   a emerg&ecirc;ncia desse Hospital, mas fui carregada pelo meu filho no t&aacute;xi, chamado   pelo porteiro.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">T&atilde;o   logo me viu, meu experiente cl&iacute;nico disse o nome do mal que me acometia:   Guillain-Barr&eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Voc&ecirc; tomou vacina contra a gripe? &ndash;   perguntou</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depois, chega o neurologista, dando   in&iacute;cio a uma s&eacute;rie de exames. Deseja afinar o diagn&oacute;stico, diz. Fiz uma resson&acirc;ncia   magn&eacute;tica, algo que considero da ordem da tortura e que durou cerca de uma   hora. Ao final, ouvi que a imagem era incompat&iacute;vel com a de uma pessoa de mais   de 60 anos &ndash; o que muito me tranquilizou. Fiz uma piada sobre os efeitos   ben&eacute;ficos da vida da gera&ccedil;&atilde;o "sex, drugs and rock and roll". Estava aliviada   por n&atilde;o ter tido um AVC, o que eu temia acima de todos os males, por ter visto   uma ador&aacute;vel tia-av&oacute; virar um ser imobilizado, na cama, por mais de vinte anos.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Outro exame inesquec&iacute;vel &eacute; a retirada   de liquor da espinha dorsal. O medo, talvez at&eacute; mais que meu corpo paralisado,   me fazia im&oacute;vel, e s&oacute; o que me trazia certo conforto era a presen&ccedil;a constante   do meu filho. Os exames se seguem, todos os meus fluidos s&atilde;o recolhidos e   analisados. Aos poucos minha identidade vai se reduzindo aos contornos inertes   do meu corpo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O hemograma fica pronto e revela um   n&iacute;vel muito alto de leuc&oacute;citos, apontando uma infec&ccedil;&atilde;o. Seria o resultado de   uma gripe mal curada? Este seria o ponto de vista do meu cl&iacute;nico, que   acompanhava uma cirurgia no mesmo hospital, mas que nem por isso havia me   deixado de lado.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O dia avan&ccedil;a e come&ccedil;am a procurar um   leito para mim, em um CTI aceito pelo meu plano. Sou afinal detentora de uma   reserva na Santa L&uacute;cia, de Botafogo, o que se revelou uma imensa sorte: l&aacute; fui   muito bem cuidada. Espero ainda algumas horas a ambul&acirc;ncia do meu seguro de   sa&uacute;de, que vai me transportar.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A chegada da ambul&acirc;ncia me reserva   outra emo&ccedil;&atilde;o. O m&eacute;dico havia conhecido meu irm&atilde;o rec&eacute;m-falecido e como ele   corria de Kart. Ao me ver e ler meu nome no prontu&aacute;rio perguntou que parentesco   nos unia, j&aacute; que somos ou &eacute;ramos extremamente parecidos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O trajeto entre o primeiro e o segundo   hospital &eacute; curto. Maca. CTI. Meu filho cuida da burocracia enquanto sou   colocada no leito. Uma cortina de pl&aacute;stico me separa do outro doente. Meu filho   vem se despedir, olha-me nos olhos e diz a frase que se torna um mantra: "m&atilde;e,   voce vai ficar boa, foca na recupera&ccedil;&atilde;o."</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Uma t&eacute;cnica de enfermagem me coloca uma   camisola; outra quer retirar minha calcinha e&nbsp; colocar fraldas. Resisto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; N&atilde;o preciso de fraldas. Controlo a   mic&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; E se voc&ecirc; tiver vontade de urinar? &ndash;   pergunta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Eu pe&ccedil;o uma comadre, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O turno est&aacute; mudando, a t&eacute;cnica pede   que eu aguarde a nova equipe. Entendo agora por que os doentes s&atilde;o chamados de   pacientes. A paci&ecirc;ncia &eacute; a virtude que sou instada a desenvolver.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Logo cometo meu primeiro erro. Uma   m&eacute;dica, bastante jovem, apresenta-se. Pergunto:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Voc&ecirc; j&aacute; viu outras pessoas com Guillain-Barr&eacute;?   Com a sua experi&ecirc;ncia, quanto tempo as pessoas com este diagn&oacute;stico levam para   andar?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">A jovem responde com uma   interpreta&ccedil;&atilde;o:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Sou ansiosa como voc&ecirc;. Esta pergunta   n&atilde;o tem resposta. Depende.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Insisto:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Mas o que dizem as suas estat&iacute;sticas?</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Voc&ecirc; acaba de chegar, n&atilde;o tenho como   responder a sua pergunta.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Aprendo que o melhor &eacute; n&atilde;o perguntar   nada. Amanh&atilde;, o Pedro Henrique me dir&aacute;, penso.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Eu era muito inocente. Nunca havia   imaginado uma noite em um CTI. O barulho &eacute; infernal. Minha vizinha de cama   berra:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Enfermeira! Quero um Bromazepam! Na   minha casa, eu tenho Bromazepam.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Meu m&eacute;dico   havia deixado prescrito um rem&eacute;dio para dormir, caso eu precisasse. Descubro   que basta pedir. Minha vizinha de cama, D. Soninha,<a href="#_edn5" name="_ednref5" title=""><sup>7</sup></a> &eacute; surda, por isso grita. As t&eacute;cnicas   e os m&eacute;dicos n&atilde;o s&atilde;o surdos, mas falam alto. Todos falam muito alto.   Instrumentos variados soam a noite toda. Choro. Durmo. Acordo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Estou ligada a aparelhos e fios.   Monitorada. Meu corpo tem acessos, entradas para as art&eacute;rias e veias variadas   que recebem soro e antibi&oacute;tico.&nbsp; Todos os fluidos do meu corpo s&atilde;o recolhidos.   Sou informada de que antes de receber a imunoglobulina endovenosa tenho que   tomar antibi&oacute;tico, para debelar a infe&ccedil;c&atilde;o que me acometeu, cuja origem &eacute;   desconhecida. Antibi&oacute;tico de largo espectro, para n&atilde;o perder tempo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Meu corpo d&oacute;i. Gotas in&uacute;teis de   Dipirona. N&atilde;o s&atilde;o eficientes contra dores neurais. N&atilde;o consigo me mover na   cama. Uma t&eacute;cnica de enfermagem coloca um travesseiro contra a grade, de modo a   me deixar deitada de lado por algum tempo. Logo, o lado tamb&eacute;m d&oacute;i. A perna   d&oacute;i. Guillain-Barr&eacute; d&oacute;i.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Come&ccedil;a meu dia no hospital. Cada item   da rotina gera certa ansiedade. Term&ocirc;metro. Coleta de sangue. Controle da   respira&ccedil;&atilde;o pulmonar: ausculta&ccedil;&atilde;o. Press&atilde;o arterial. Coleta dos excrementos   corporais. Descubro que n&atilde;o consigo mais abrir as m&atilde;os. Nem tenho for&ccedil;as para   segurar a x&iacute;cara do caf&eacute; da manh&atilde;. A t&eacute;cnica de enfermagem passa o queijo mole   no p&atilde;o e me d&aacute; comida na boca.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Durante as primeiras 48 horas, pioro   muito. N&atilde;o abro as m&atilde;os nem consigo mov&ecirc;-las na cama. Nenhuma parte do corpo se   mexe, salvo a cabe&ccedil;a. Penso, logo ainda existo.&nbsp; Est&aacute; dif&iacute;cil pensar em algo   que lembre a vida. Sim, com esfor&ccedil;o e fechando os olhos vejo as cores do mar da   Bahia, ser&aacute; que ainda verei o mar da Bahia? Lembro o azul e verde sem fim, &aacute;gua   morna, textura de &aacute;gua limpa no meu corpo.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Visitas nas horas da visita. Meu   filho. Minha filha, que veio de S&atilde;o Paulo, no meio da semana para me ver.   Vieram muitos finais de semana seguidos &ndash; o que custa caro e &eacute; exaustivo. Os   grandes amigos. Meu cl&iacute;nico, s&aacute;bio e generoso. Vejo dor nos olhos dele. Tento   fazer uma piada, disfar&ccedil;o e pergunto:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Quanto tempo? Quanto tempo diz a   estat&iacute;stica? &ndash; pergunto.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Uns tr&ecirc;s meses &ndash; ele responde. &ndash; Mas   voc&ecirc; vai ficar boa &ndash; assegura.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Isso pode dar de novo? &ndash; indago.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; N&atilde;o h&aacute; casos conhecidos de   reincid&ecirc;ncia &ndash; afirma.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">Decido n&atilde;o resistir &agrave; doen&ccedil;a. Acolher   o mal. Colocar o mal no colo como um beb&ecirc;. Sou forte e vou vencer o mal. Um   velho amigo, com quem compartilhei um quarto no ano de 1970, clandestinidade   pesada, veio me ver e repetiu:</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">&ndash; Voc&ecirc; &eacute; forte e vai ficar boa. Tenho   certeza. N&atilde;o se esque&ccedil;a que voc&ecirc; &eacute; uma guerrilheira.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O que n&atilde;o mata, engorda, dizemos. Na   Fran&ccedil;a se diz algo similar: para algo serve a desgra&ccedil;a.<a href="#_edn6" name="_ednref6" title=""><sup>8</sup></a></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Meu cl&iacute;nico passa todos os dias.   Prescreve as drogas que preciso para ter algum conforto, rem&eacute;dios contra a dor,   rem&eacute;dios para dormir, rem&eacute;dios para evacuar e n&atilde;o ter dor ao evacuar. A   Guillain-Barr&eacute; anula toda atividade&nbsp; muscular, e precisamos de m&uacute;sculos para   tudo, at&eacute; para expelir fezes e urina.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O neurologista<a href="#_edn7" name="_ednref7" title=""><sup>9</sup></a> que eu conheci ao ser internada   tamb&eacute;m passa todos os dias, e sua presen&ccedil;a me conforta. Reparo que est&atilde;o muito   atentos ao meu aparelho respirat&oacute;rio. Tempos depois, quando voltei para casa e   pude acessar a internet, li que um dos dissabores que esta s&iacute;ndrome pode   provocar se refere justamente &agrave;s dificuldades respirat&oacute;rias. Da&iacute; a necessidade   de uma fisioterapia respirat&oacute;ria, que se inicia no meu segundo dia no CTI.   Tamb&eacute;m no segundo dia come&ccedil;a a fisioterapia passiva, como chamam. O   profissional movimenta meus membros inertes. Abre as minhas m&atilde;os, que parecem   ter se fechado para todo o sempre.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">O cora&ccedil;&atilde;o &eacute; um m&uacute;sculo, n&atilde;o fica de   fora do monitoramento. Aprendo que na pr&aacute;tica toda a circula&ccedil;&atilde;o pode ser   afetada pela Guillain-Barr&eacute;.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Eu era uma ameba, brinquei! E ouvi:   houve dias que a ameba ganhou!</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Eletroneuromiografia: o m&eacute;dico se   apresenta com um computador, assentado numa pequena mesa. Do computador saem   fios que s&atilde;o colocados nos meus membros, provocando a dor de choques el&eacute;tricos.   Ou&ccedil;o uma piada: finge que est&aacute; no DOI-CODI. Penso que deram uma olhada na   biografia da paciente. Grito e come&ccedil;o a pensar numa ordem alfab&eacute;tica. Fa&ccedil;o este   exame duas vezes: na segunda, minhas pernas se movem. Imagino ser este um sinal   absoluto de melhora e interrogo o m&eacute;dico. Eu teria a segunda forma mais branda   da Guillain-Barr&eacute;: AMAN.<a href="#_edn8" name="_ednref8" title=""><sup>10</sup></a> Conto para os meus filhos, que   telefonam para o m&eacute;dico e perguntam quando voltarei a andar. O m&eacute;dico responde   que ignora, mas que a resposta talvez seja nunca. Ouvi isto do meu filho,   muitas semanas depois do fato, quando j&aacute; andava.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Meus amigos e familiares, com ajuda de   duas senhoras que t&ecirc;m como fun&ccedil;&atilde;o intermediar as rela&ccedil;&otilde;es entre as regras do   CTI e um cuidado humanizado aos pacientes, conseguem me visitar, transgredindo   os hor&aacute;rios estritos.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Depois de cinco dias no CTI, dois   tomando antibi&oacute;ticos, tr&ecirc;s recebendo a imunoglobulina prescrita para cinco dias   &ndash; que no meu caso provocou melhoras no fim de 24 horas &ndash;, ensaio abrir as m&atilde;os   &ndash; sou transferida para um quarto. Recome&ccedil;o a ter movimentos, primeiro, na ponta   dos dedos, e no geral, nos membros superiores, no tronco, e depois nos membros   inferiores &ndash; de forma oposta ao in&iacute;cio da s&iacute;ndrome.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font size="2" face="Verdana">A vida num pequeno hospital &eacute; quase   agrad&aacute;vel. Conhe&ccedil;o aos poucos todo mundo, os m&eacute;dicos do CTI e depois muitos   outros, as t&eacute;cnicas de enfermagem, a equipe de fisioterapia e at&eacute; o pessoal da   faxina. Prometi que voltaria para agradecer, quando conseguisse caminhar e   sair.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Minha filha organiza a volta para a   casa. Uma t&eacute;cnica de enfermagem<a href="#_edn9" name="_ednref9" title=""><sup>11</sup></a> &eacute; contratada, assim como uma   fisoterapeuta,<a href="#_edn10" name="_ednref10" title=""><sup>12</sup></a> que me visita diariamente. As duas   contrata&ccedil;&otilde;es foram extremamente felizes.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Levo para casa o medo da doen&ccedil;a. Nas   primeiras noites, observo-me cautelosamente. Meus p&eacute;s, pouco acostumados a sa&iacute;rem   da posi&ccedil;&atilde;o horizontal, incham, assim como as pernas, o fantasma da trombose me   ronda. Tenho dor. Durmo mal. Ainda n&atilde;o consigo ficar em p&eacute;, nem andar, e as   idas ao banheiro ou &agrave; sala s&atilde;o penosas. Coloco os bra&ccedil;os em volta do pesco&ccedil;o da   t&eacute;cnica de enfermagem e assim ergo o tronco e passo para a cadeira de rodas ou   a cadeira higi&ecirc;nica. Por outro lado, tenho o conforto do meu quarto, dos   objetos que me cercam e me remetem &agrave; vida. Tomo banho de chuveiro, primeiro   sentada, depois em p&eacute;, segurando nas al&ccedil;as de metal que foram colocadas no meu   banheiro. Tenho o carinho dos meus filhos e dos amigos, que me visitam sem   restri&ccedil;&otilde;es de hor&aacute;rios. Mas ainda me sinto extremamente cansada. Cansada at&eacute;   para ler.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Cada dia &eacute; um dia, um pouco melhor que   o anterior. Ap&oacute;s 14 dias em casa, voltei a caminhar. No final do m&ecirc;s de julho   devolvi todo o material hospitalar que utilizei, tanto o alugado quanto o   emprestado por amigos. Todos acham que dei muita sorte, que me restabelesci   muito r&aacute;pido e isto &eacute; atribu&iacute;do aos h&aacute;bitos saud&aacute;veis que mantive a vida toda,   como a pr&aacute;tica de nata&ccedil;&atilde;o e a gin&aacute;stica. Minha an&aacute;lise pessoal deve ser   inclu&iacute;da neste rol. O medo continua a me rondar, talvez um pouco atenuado, mas   ainda presente. Medo de adoecer novamente. Medo de ter que voltar para um CTI.</font></p>     <p><font size="2" face="Verdana">Penso que fui beneficiada pelo r&aacute;pido   diagn&oacute;stico dado pelo meu cl&iacute;nico, e por n&atilde;o depender da rede p&uacute;blica de sa&uacute;de.   Se a sa&uacute;de &eacute; dever do Estado e direito de todos na letra da lei, temos um longo   caminho a percorrer para que o acesso &agrave; sa&uacute;de seja realmente facultado de forma   eficaz a toda a popula&ccedil;&atilde;o brasileira.&nbsp; Acredito e defendo uma politica de sa&uacute;de   priorizada pelo Estado. Por fim, aposto na for&ccedil;a do afeto para a minha   recupera&ccedil;&atilde;o: o carinho dos meus filhos e dos amigos, com ou sem elos de sangue,   tem sido fundamental. A todos, meu reconhecimento p&uacute;blico e irrestrito.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="3" face="Verdana"><b>Refer&ecirc;ncias   bibliogr&aacute;ficas</b></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">ARRUDA,   Tha&iacute;s Sampaio et alii. Atua&ccedil;&atilde;o fisioterap&ecirc;utica na reabilita&ccedil;&atilde;o da   funcionalidade em paciente p&oacute;s-s&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute;. <a href="http://www.portalbiocursos.com.br/artigos/fisio_neuro/25.pdf" target="_blank">www.portalbiocursos.com.br/artigos/fisio_neuro/25.pdf</a>.   Acesso em: 19/07/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202279&pid=S2178-700X201400020000500001&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BARREIRAS,   A. A. S&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute; (cap. 134). In: MELO-SOUZA, Sebasti&atilde;o Eurico   de. <i>Tratamento das Doen&ccedil;as Neurol&oacute;gicas</i>. 2. ed. Rio de Janeiro:   Guanabara Koogan, 2008.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202281&pid=S2178-700X201400020000500002&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">BERG,   van der Bianca e WALGAARD, Christa et alii. Guillain-Barr&eacute; syndrome: pathogenesis,   diagnosis, treatment and prognosis. <i>NATURE REVIEWS/NEUROLOGY</i>, v. 10, August   2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202283&pid=S2178-700X201400020000500003&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">DIMACHKIE   D.&nbsp; Mazen e BAROHN J. Richard. Guillain-Barr&eacute; Syndrome and Variants. <i>Neurol Clin</i>, 31, p. 491-510, 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202285&pid=S2178-700X201400020000500004&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p><font size="2" face="Verdana"><i>MANUAL   Merck. Sa&uacute;de para a Fam&iacute;lia</i>. Cap&iacute;tulo 70 &ndash; Dist&uacute;rbios dos   Nervos Perif&eacute;ricos. <a href="http://www.thelancet.com/neurology" target="_blank">Mnsfpf.msdonline.com.br/pacientes/manual_merck/secao_06/cap_070.htlml</a>. Acesso   em: 19/07/2014.</font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FOUCAULT,   Michel. <i>Dits et &Eacute;crits</i>, v. IV.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202288&pid=S2178-700X201400020000500006&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">FREUD,   Sigmund, 1920. Au d&eacute;l&agrave; du principe du plaisir. In: <i>Essais de Psychanalyse</i>.   Paris: Payot, 1981, p. 49-128.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202290&pid=S2178-700X201400020000500007&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">PONTES,   M&ocirc;nica Gleyce de Ara&uacute;jo et alii. S&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute; em Paciente   Transplantada de Medula &Oacute;ssea: Relato de Caso. <i>Rev. Ci&ecirc;ncia Sa&uacute;de Nova     Esperan&ccedil;a</i>, 11(3):3 2-9, dez. 2013.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202292&pid=S2178-700X201400020000500008&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">TAVARES,   A. C.&nbsp;&nbsp; et alii. S&iacute;ndrome de Guillain-Barr&eacute;: revis&atilde;o de literatura. <i>Cadernos     Brasileiros de Medicina</i>, 2000.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202294&pid=S2178-700X201400020000500009&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <!-- ref --><p><font size="2" face="Verdana">VAN   DOORM, Pieter A. et alii. Clinical Features, pathogenesis, and   treatment of Guillain-Barr&eacute; syndrome. <a href="http://www.thelancet.com/neurology" target="_blank">www.thelancet.com/neurology</a> (v. 7,   October 2007). Acesso em: 23/10/2014.    &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;[&#160;<a href="javascript:void(0);" onclick="javascript: window.open('/scielo.php?script=sci_nlinks&ref=5202296&pid=S2178-700X201400020000500010&lng=','','width=640,height=500,resizable=yes,scrollbars=1,menubar=yes,');">Links</a>&#160;]<!-- end-ref --></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana">Recebido   em: 28/8/2014</font>    <br>     <font size="2" face="Verdana">Aprovado       para publica&ccedil;&atilde;o em: 30/9/2014</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ftnref1" name="_ftn1" title="">1</a> Dedico este artigo a   meus filhos Luciana Bocayuva Khair e Jer&ocirc;nimo Bocayuva Dumont.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a name="nt2" id="nt2"></a><a href="#tx2">2</a> Tradu&ccedil;&atilde;o do resumo     feita pelo tradutor Carlos Andr&eacute; Oighenstein.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref1" name="_edn1" title="">3</a> Tavares, 2000.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref2" name="_edn2" title="">4</a> Tradu&ccedil;&atilde;o minha. </font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref3" name="_edn3" title="">5</a> Tradu&ccedil;&atilde;o minha. Transcrevo a frase em     franc&ecirc;s: (&hellip;). "Une experience est quelque chose que l'on fait tout &agrave; fait seul,     mais que l'on neu peut faire pleinement que dans la m&eacute;sure o&ugrave; elle &eacute;chapera &agrave;     la pure subjectivit&eacute; et o&ugrave; d'autres pourront, je ne dis pas la reprendre     exactement, mais du moins la croiser et la retraverser." Foucault, M. <i>Dits       et &Eacute;crits</i>, 1980, v. IV, p. 47.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref4" name="_edn4" title="">6</a> Guimar&atilde;es Rosa, Jo&atilde;o (1908-1967) (1956). <i>Grande sert&atilde;o: veredas</i>, p. 15.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref5" name="_edn5" title="">7</a> Nome fict&iacute;cio.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref6" name="_edn6" title="">8</a> &Agrave; quelque chose Malheur est bon.</font>    ]]></body>
<body><![CDATA[<br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref7" name="_edn7" title="">9</a> Aquiles Mamfrim.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref8" name="_edn8" title="">10</a> AMAN: neuropatia motoral axonal     aguda, a forma pura motora axonal da Guillain-Barr&eacute;.</font>    <br>   <font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref9" name="_edn9" title="">11</a> Eliane Vallegas da Silva.    <br> </font><font size="2" face="Verdana"><a href="#_ednref10" name="_edn10" title="">12</a> Suely Jorge.</font></p>      ]]></body>
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