Scielo RSS <![CDATA[Revista Polis e Psique]]> http://pepsic.bvsalud.org/rss.php?pid=2238-152X20260001&lang=pt vol. 16 num. lang. pt <![CDATA[SciELO Logo]]> http://pepsic.bvsalud.org/img/en/fbpelogp.gif http://pepsic.bvsalud.org <![CDATA[Promoção de saúde a coletivos LGBTQIAPN+: fragmentos de experiência(s) no interior RS]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000100201&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O presente relato de experiência é ambientado no contexto de um Ambulatório de Saúde no interior do Estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, no qual é feito o acolhimento e cuidado a pessoas LGBTQIAPN+. Com ênfase em promoção de saúde, foram desenvolvidas atividades de atuação em redes sociais e realização de grupos de capacitação com gestores de escolas regulares públicas. As ações tiveram como objetivos criar e manejar ações de promoção e prevenção de saúde para a comunidade LGBTQIAPN+, por meio do serviço público especializado. A metodologia teve aproximação à observação participante e da pesquisa-ação. Com isso, observou-se o alinhamento das práticas em uma perspectiva clínica, na qual coexiste uma demanda grupal para os usuários do serviço. Portanto, a atuação teve e tem um lugar frente à coletividade e ao trabalho multidisciplinar, bem como o reforço para o referenciais de compreensões entre os trabalhadores da saúde e da educação envolvidos no contexto do ambulatório.<hr/>ABSTRACT This experience report is situated within the context of a Health Outpatient Clinic located in countryside of the state of Rio Grande do Sul, Brazil. The service provides care and support to LGBTQIAPN+ individuals. With a focus on health promotion, activities were carried out through social media engagement and training sessions with administrators of public mainstream schools. These initiatives aimed to design and implement health promotion and prevention strategies specifically targeted at the LGBTQIAPN+ community within the framework of a specialized public health service. The methodological approach was grounded in participant observation and action research. Throughout the process, practices were observed to align with a clinical perspective, within which a collective demand from users emerged. Consequently, the intervention was, and continues to be, situated within a collective framework and interdisciplinary collaboration, while also reinforcing shared conceptual understandings among health and education professionals involved in the outpatient care setting.<hr/>RESUMEN Este relato de experiencia se sitúa en el contexto de un Ambulatorio de Salud en el interior del estado de Río Grande do Sul, Brasil. El servicio ofrece acogida y atención a personas LGBTQIAPN+. Con un enfoque en la promoción de la salud, se desarrollaron actividades mediante el uso de redes sociales y la realización de espacios formativos dirigidos a gestores de escuelas públicas de educación regular. Estas iniciativas tuvieron como objetivo diseñar e implementar estrategias de promoción y prevención en salud, dirigidas específicamente a la comunidad LGBTQIAPN+, en el marco de un servicio público especializado. La metodología adoptada se basó en la observación participante y en principios de la investigación-acción. A lo largo del proceso, se observaron prácticas alineadas con una perspectiva clínica, en la cual emergió una demanda colectiva por parte de las personas usuarias. En este sentido, la intervención estuvo - y sigue estando - orientada hacia lo colectivo y hacia el trabajo interdisciplinario, además de reforzar marcos de comprensión compartidos entre los profesionales de la salud y de la educación implicados en el contexto del ambulatorio. <![CDATA[Política de assistência social, familismo e biopolítica da maternidade]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000100202&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO O Este artigo visa analisar os entraves e os impasses do assistencialismo, tomando como problema central a invenção e as práticas do social a partir da instituição da Política Nacional de Assistência Social (PNAS) no Brasil. A partir de uma pesquisa documental de revisão temática, identificamos três eixos centrais. Primeiro, com uma breve arqueogenealogia da instituição das práticas de assistencialismo e do campo da assistência social no Brasil até a Constituição Federal de 1988. Em seguida, analisamos a reorganização socioassistencial nas bases do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Por fim, propomos que esta mudança paradigmática conduza à continuidade do familismo na Política Nacional de Assistência Social (PNAS) como modo de operacionalização da economia do cuidado pela naturalização da mulher como responsável familiar atualizada no dispositivo e na biopolítica da maternidade.<hr/>ABSTRACT This article aims to analyze the obstacles and impasses of social assistance, taking as its central problem the invention and practices of the social since the institution of the National Social Assistance Policy (PNAS) in Brazil. Based on a thematic review of documentary research, we identified three central axes. First, with a brief archaeogenalogy of the institution of welfare practices and the field of social assistance in Brazil up until the 1988 Federal Constitution. Next, we analyze the reorganization of social assistance on the basis of the Unified Social Assistance System (SUAS). Finally, we propose that this paradigmatic shift sustains the continuation of familism in the National Social Assistance Policy (PNAS). It operates as a way of carrying out the economy of care by naturalizing women as family caregivers, a notion reinforced by the device and the biopolitics of motherhood.<hr/>RESUMEN Este artículo tiene como objetivo analizar los obstáculos e impasses de la asistencia social, tomando como problema central la invención y las prácticas de lo social desde la institución de la Política Nacional de Asistencia Social (PNAS) en Brasil. A partir de una revisión temática de la investigación documental, identificamos tres ejes centrales. En primer lugar, con una breve arqueogenalogía de la institución de las prácticas asistenciales y del campo de la asistencia social en Brasil hasta la Constitución Federal de 1988. A continuación, analizamos la reorganización de la asistencia social a partir del Sistema Único de Asistencia Social (SUAS). Finalmente, proponemos que este cambio paradigmático lleva a la continuidad del familismo en la Política Nacional de Asistencia Social (PNAS) como forma de operacionalizar la economía del cuidado a través de la naturalización de las mujeres como cuidadoras familiares, actualizada en el dispositivo y la biopolítica de la maternidad. <![CDATA[Impactos da Migração nas Experiências de Mulheres Lésbicas e Bissexuais]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000100203&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Em virtude de matrizes de opressão como a misoginia, o patriarcalismo e o heterocentrismo, a sexualidade feminina é construída para ser performada reservadamente, como um tabu. Essa problemática se agrava quando discorremos sobre as mulheres lésbicas e bissexuais. Com relação às jovens universitárias provindas de cidades interioranas e que se relacionam sexualmente com outras mulheres, a migração pode surgir como uma forma de “fugir” desses sistemas de opressões. Contudo, ao chegar nesses pontos de destino, estas e outras formas de violência também se fazem presentes, assim como a construção de relações de poder e de resistência para enfrentar tais situações. Diante disso, o presente artigo objetiva conhecer as reverberações da migração universitária nas experiências de sexualidade de mulheres lésbicas e bissexuais que foram estudar numa cidade do litoral do Piauí. Realizou-se, para isso, entrevistas abertas com quatro mulheres que se encaixavam nos objetivos do estudo. Percebeu-se que: a) as suas sexualidades ganham materialidade a partir dos seus marcadores sociais; b) as violências físicas e simbólicas ainda são uma realidade presente na vida dessas sujeitas; e c) a universidade se configura como um espaço de acolhimento e de trocas de experiências entre tais mulheres.<hr/>Abstract Because of oppressive matrices such as misogyny, patriarchy and heterocentrism, female sexuality is constructed to be performed in a reserved, taboo way. This problem is exacerbated when we talk about lesbian and bisexual women. With regard to young university students from small towns who have sexual relationships with other women, university migration can appear as a way of “escaping” from these systems of oppression. However, upon arriving at these destinations, these and other forms of violence are also present, as is the construction of power relations and resistance to confront such situations. With this in mind, this article aims to find out about the reverberations of university migration on the sexuality experiences of lesbian and bisexual women who went to study in a city on the coast of Piauí. Open-ended interviews were conducted with four women who met the objectives of the study. It was found that: a) their sexualities take on a materiality based on their social markers; b) physical and symbolic violence is still a reality in the lives of these subjects; and c) the university is configured as a space for welcoming and exchanging experiences between these women.<hr/>Resumen Debido a matrices opresivas como la misoginia, el patriarcado y el heterocentrismo, la sexualidad femenina está construida para ser interpretada de forma reservada y tabú. Este problema se agrava cuando hablamos de mujeres lesbianas y bisexuales. En el caso de las jóvenes universitarias de pueblos pequeños que mantienen relaciones sexuales con otras mujeres, la migración universitaria puede aparecer como una forma de “escapar” de estos sistemas de opresión. Sin embargo, al llegar a estos destinos, estas y otras formas de violencia también están presentes, al igual que la construcción de relaciones de poder y resistencia para hacer frente a tales situaciones. Teniendo esto en cuenta, este artículo pretende conocer las reverberaciones de la migración universitaria en las experiencias de sexualidad de mujeres lesbianas y bisexuales que fueron a estudiar a una ciudad del litoral de Piauí. Se realizaron entrevistas abiertas a cuatro mujeres que cumplían los objetivos del estudio. Se constató que: a) sus sexualidades se materializan a través de sus marcadores sociales; b) la violencia física y simbólica sigue siendo una realidad en la vida de estos sujetos; y c) la universidad es un espacio de acogida e intercambio de experiencias para estas mujeres. <![CDATA[Quem Escuta Escutadores Da Natureza? Saúde Mental E Negacionismos Em Tempos De Crises Climáticas]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101001&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt RESUMO Este trabalho é uma escrita coletiva realizada a partir das questões do campo da Psicologia Social, em sua articulação com a temática das mudanças climáticas. Em meio a gestão neoliberal da vida, foi construída uma narrativa ficcional, quando a personagem Cassandra, atravessada pelas enchentes, permite passagem sobre como os vetores de subjetivação coloniais e capitalísticos posicionam quais corpos podem ser escutados. Assim, através da fabulação coletiva como estratégia de afetação, o texto expõe os negacionismos em sua articulação com as políticas de governamentalidade neoliberal que produzem limites importantes para o trabalho de cuidado psicossocial nos cenários de emergências e desastres. Nessa perspectiva, o artigo tenta fazer ver os inúmeros apagamentos que outras cosmopercepções de mundo sofrem cotidianamente, através de um fazer profissional que se alicerce apenas no saber/poder biomédico ocidentalizado sobre saúde mental, buscando evidenciar a urgência da construção de práticas éticas e políticas ampliadas para a psicologia.<hr/>ABSTRACT This work is a collective writing based on issues in the field of Social Psychology in relation to the theme of climate change. Against the backdrop of neoliberal management of life, a fictional narrative was constructed in which the character Cassandra, affected by floods, illustrates how colonial and capitalist vectors of subjectivation determine which bodies are heard. Thus, through collective storytelling as a strategy of affectation, the text exposes denialism in its articulation with neoliberal governmentality policies that produce important limits to psychosocial care work in emergency and disaster scenarios. From this perspective, the article attempts to highlight the countless erasures that other worldviews suffer daily through professional practices based solely on Western biomedical knowledge and power concerning mental health. The article seeks to emphasize the urgent need to develop more inclusive ethical and political practices in psychology.<hr/>RESUMEN Este trabajo es una obra colectiva basada en cuestiones del campo de la psicología social en su relación con el tema del cambio climático. En medio de la gestión neoliberal de la vida, se construyó una narrativa ficticia en la que el personaje de Cassandra, afectada por las inundaciones, permite comprender cómo los vectores de subjetivación coloniales y capitalistas determinan qué cuerpos pueden ser escuchados. Así, a través de la fabulación colectiva como estrategia de afectación, el texto expone los negacionismos en su articulación con las políticas de gubernamentalidad neoliberal que producen límites importantes para el trabajo de atención psicosocial en escenarios de emergencias y desastres. Desde esta perspectiva, el artículo intenta poner de manifiesto los innumerables borrados que sufren a diario otras cosmovisiones del mundo, a través de una práctica profesional que se basa únicamente en el saber/poder biomédico occidentalizado sobre la salud mental, buscando evidenciar la urgencia de construir prácticas éticas y políticas ampliadas para la psicología. <![CDATA[Sensibilidades em Colapsos: por uma Psicologia Social “Entre-Mundos”]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O artigo reflete sobre o colapso da Psicologia Social diante de eventos climáticos extremos, como as enchentes no Rio Grande do Sul e os incêndios na Amazônia, que expõem a crise da separação colonial humano x natureza. Discute como a disciplina, forjada em um contexto de modernidade colonial, reproduz dicotomias (humano x natureza, cultura x natureza) que limitam sua capacidade de responder a colapsos contemporâneos. Propõe descolonizar a Psicologia Social através de diálogos com cosmopercepções indígenas e quilombolas, que entendem a vida como rede multiespécie. A escrita coletiva, marcada por afetações climáticas, questiona o estatuto central do “humano” e sugere fabulações ficcionais como método para imaginar outros mundos possíveis. Destaca a urgência de repensar o “social” para além de uma perspectiva antropocêntrica, incorporando saberes ditos marginalizados e enfrentando a cosmofobia (medo da complexidade ecológica). O texto propõe uma reinvenção política, ética e ontoepistemológica da Psicologia Social em tempos de catástrofe.<hr/>Abstract The article reflects on the collapse of social psychology in the face of extreme weather events, such as the floods in Rio Grande do Sul and the fires in the Amazon, which expose the crisis of the colonial separation between humans and nature. It discusses how the discipline, forged in a context of colonial modernity, reproduces dichotomies (humans x nature, culture x nature) that limit its ability to respond to contemporary collapses. It proposes decolonizing social psychology through dialogues with indigenous and quilombola cosmoperceptions, which understand life as a multispecies network. The collective writing, marked by climatic affectations, questions the central status of the “human” and suggests fictional fabulations as a method for imagining other possible worlds. It highlights the urgency of rethinking the “social” beyond an anthropocentric perspective, incorporating so-called marginalized knowledge and confronting cosmophobia (fear of ecological complexity). The text proposes a political, ethical, and onto-epistemological reinvention of Social Psychology in times of catastrophe.<hr/>Resumen El artículo reflexiona sobre el colapso de la psicología social ante fenómenos meteorológicos extremos, como las inundaciones en Rio Grande do Sul y los incendios en la Amazonía, que ponen de manifiesto la crisis de la separación colonial entre los seres humanos y la naturaleza. Analiza cómo la disciplina, forjada en un contexto de modernidad colonial, reproduce dicotomías (humanos x naturaleza, cultura x naturaleza) que limitan su capacidad para responder a los colapsos contemporáneos. Propone descolonizar la psicología social a través del diálogo con las cosmopercepciones indígenas y quilombolas, que entienden la vida como una red multiespecie. La escritura colectiva, marcada por las afectaciones climáticas, cuestiona el estatus central del “humano” y sugiere fabulaciones ficticias como método para imaginar otros mundos posibles. Destaca la urgencia de repensar lo “social” más allá de una perspectiva antropocéntrica, incorporando los llamados conocimientos marginados y enfrentando la cosmofobia (miedo a la complejidad ecológica). El texto propone una reinvención política, ética y onto-epistemológica de la psicología social en tiempos de catástrofe. <![CDATA[Jamais fomos Humanos: ensaio de uma Psicologia Contracolonial]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101003&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo O ensaio busca desterritorializar e questionar O que quer (Deleuze, 2018) a humanidade e/ou o excepcionalismo humano em nós. Conceitos colonialistas que garantem privilégios a um seleto grupo e violentam aqueles que não se encaixam e/ou não se submetem. Agenciados ao pensamento afropindorâmico, aprendemos com os nossos professores que a terra e os bichos também comem e querem (Bispo dos Santos, 2023); a dizer não a servidão voluntária que nos faz querer, ou ter a esperança de ingressar em um clube - o dos humanos -, o qual tem como premissa de funcionamento a exceção (Krenak, 2020); a hackear o sistema colonialista (Baniwa, 2018) e a negar uma submissão a ele (Esbell, 2021). A partir dessas composições e imagens que pensam em nossos corpos, buscamos, assim como Krenak (2019), aceitar a queda da humanidade que pensávamos ser, e a construir novas habitações para nos abrigarmos coletivamente do excesso de caos.<hr/>Abstract This essay seeks to deterritorialize and question what humanity and/or human exceptionalism want in us (Deleuze, 2018). These colonialist concepts grant privileges to a select group while violently excluding those who do not fit or submit. Engaged with Afropindoramic thought, we learn from our teachers that the earth and the animals also eat and desire (Bispo dos Santos, 2023); to say no to the voluntary servitude that makes us want - or hope - to enter a club, the “club of humans,” which functions through the logic of exception (Krenak, 2020); to hack the colonialist system (Baniwa, 2018) and to deny submission to it (Esbell, 2021). Through these compositions and images that think through our bodies, we aim, like Krenak (2019), to accept the fall of the humanity we thought we were and to build new forms of shelter where we can collectively take refuge from the excess of chaos.<hr/>Resumen Este ensayo busca desterritorializar y cuestionar qué quiere la humanidad y/o el excepcionalismo humano en nosotros (Deleuze, 2018). Estos conceptos colonialistas garantizan privilegios a un grupo selecto y violentan a quienes no encajan o no se someten. En diálogo con el pensamiento afropindorámico, aprendemos con nuestros maestros que la tierra y los animales también comen y desean (Bispo dos Santos, 2023); a decir no a la servidumbre voluntaria que nos hace querer, o tener la esperanza de entrar a un club - el de los humanos - que funciona bajo la lógica de la excepción (Krenak, 2020); a hackear el sistema colonialista (Baniwa, 2018) y a rechazar la sumisión a él (Esbell, 2021). A partir de estas composiciones e imágenes que piensan en nuestros cuerpos, buscamos, al igual que Krenak (2019), aceptar la caída de la humanidad que creíamos ser y construir nuevas moradas para refugiarnos colectivamente del exceso de caos. <![CDATA[O que as Águas não levam? Inspirações ecofeministas decoloniais para coexistir em tempos de crise]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101004&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo As inundações ocorridas no Rio Grande do Sul, Brasil, em 2024, nos convocam a reconsiderar os modos como organizamos a vida coletiva e construímos diálogos na diversidade. A partir do engajamento em espaços de acolhimento para pessoas afetadas pelo desastre, este ensaio examina criticamente as relacionalidades entre humanos e não-humanos no contexto das adversidades provocadas por uma catástrofe socioambiental. Destacamos nuances fundamentais da crise político-ecológica contemporânea. Nossa análise baseia-se em registros de diário de campo, servindo como fundamentação empírica para as reflexões apresentadas. Por meio da Psicologia Social Crítica e do Ecofeminismo Decolonial, exploramos possibilidades de reimaginar formas de (co)existência, relacionalidade e convivialidade. Como caminhos para transformação, defendemos o investimento no entrelaçamento de subjetividades, coletividades e espaços comuns, onde a esperança, a resistência e a busca por dignidade são cultivadas nas práticas comunitárias, promovendo alternativas de existência que desestabilizam as bases epistêmicas e materiais da dominação capitalista e colonial.<hr/>Abstract The floods that impacted Rio Grande do Sul, Brazil, in 2024, urge us to critically reconsider how we organize collective life and construct dialogues within diversity. Grounded in engagement within shelter spaces for individuals affected by the disaster, this essay seeks to critically examine human and non-human relationalities in the context of adversities driven by a socio-environmental catastrophe. We foreground key nuances of the contemporary political-ecological crisis. Our analysis draws upon field diary, serving as empirical grounding for the ensuing reflections. Through Critical Social Psychology and Decolonial Ecofeminism, we explore possibilities for reimagining forms of (co)existence, relationality, and conviviality. As pathways to transformation, we advocate for investing in the interweaving of subjectivities, collectivities, and shared spaces, where hope, resistance, and the pursuit of dignity are cultivated in community practices, fostering alternative modes of existence that disrupt the epistemic and material foundations of capitalist and colonial domination.<hr/>Resumen Las inundaciones en Rio Grande do Sul, Brasil, en 2024, nos invitan a reconsiderar críticamente cómo organizamos la vida colectiva y construimos diálogos en la diversidad. Desde el involucramiento en espacios de acogida para personas afectadas por el desastre, este ensayo examina críticamente las relacionalidades entre humanos y no humanos en contexto de adversidades provocadas por una catástrofe socioambiental. Destacamos matices fundamentales de la crisis político-ecológica contemporánea. Nuestro análisis se basa en registros de diario de campo, sirviendo como fundamento empírico para las reflexiones presentadas. Mediante la Psicología Social Crítica y el Ecofeminismo Decolonial, exploramos posibilidades de reimaginar formas de (co)existencia, relacionalidad y convivialidad. Como caminos hacia la transformación, defendemos la inversión en el entrelazamiento de subjetividades, colectividades y espacios comunes, donde esperanza, resistencia y búsqueda de dignidad se cultivan en prácticas comunitarias, promoviendo alternativas de existencia que desestabilizan las bases epistémicas y materiales de dominación capitalista y colonial. <![CDATA[Insônias, Travessias e Primaveras em Contraponto às Ficções Coloniais]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Este artigo tem por objetivo produzir uma reflexão sobre o conceito de humanidade. Partimos do contexto brasileiro da pandemia de COVID-19 e ficcionalizamos narrativas como uma experimentação ético-política para causar fricções e frestas sobre o racismo operante no cotidiano e na produção do conhecimento científico. Nas narrativas estão presentes aquilo que resiste e irrompe sobre a lógica colonialista, furando as ficções coloniais e indo contra as políticas de esquecimento de vidas de mulheres, pessoas negras e indígenas. Entendemos que as resistências são necessárias, mas talvez não sejam suficientes para lidar com as violências coloniais. Por isso, apostamos no encantamento como uma política de vida e uma prática insurgente que articula corpo, território, ancestralidade, coletivo e comunidade em uma rede viva de relações, na qual a humanidade é coproduzida com seres humanos, não-humanos, formando múltiplos saberes e territórios.<hr/>Abstract This article reflects on the concept of humanity through the lens of the Brazilian context during the COVID-19 pandemic. We fictionalize narratives as an ethical-political experiment, aiming to generate frictions and openings that unsettle the racism embedded in everyday life and in the production of scientific knowledge. Within these narratives, we highlight what resists and erupts against colonialist logics-piercing colonial fictions and countering the politics of erasing the lives of women, Black people, and Indigenous peoples. While we recognize that forms of resistance are necessary, we argue they may not be sufficient to confront colonial violence. For this reason, we turn to enchantment as a politics of life and an insurgent practice-one that interlaces body, territory, ancestry, collectivity, and community into a living network of relations in which humanity is co-produced with human and non-human beings, generating multiple ways of knowing and inhabiting territories.<hr/>Resumen El artículo tiene como objetivo producir una reflexión sobre el concepto de humanidad. Partimos del contexto brasileño de la pandemia de COVID-19 y nosotros ficcionalizamos narrativas como una experimentación ético-política para generar fricciones y grietas en torno al racismo que opera en lo cotidiano y en la producción del conocimiento científico. En las narrativas están presentes aquello que resiste y fugarse frente a la lógica colonialista, perforando las ficciones coloniales y enfrentándose a las políticas de olvido de las vidas de mujeres, personas negras y pueblo indigena. Entendemos que las resistencias son necesarias, pero quizás no sean suficientes para afrontar las violencias coloniales. Por ello, apostamos por el encantamiento como una política de vida y una práctica insurgente que articula cuerpo, territorio, ancestralidad, colectivo y comunidad en una red viva de relaciones, en la cual la humanidad es co-producida con seres humanos y no humanos, conformando múltiples saberes y territorios. <![CDATA[Entre margens e muros: quando o rio vira nossa rua]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul foi atingido por inundações sem precedentes, revelando falhas estruturais e ausência de medidas preventivas já indicadas por alertas meteorológicos e relatórios prévios. Nesse contexto, discentes do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional da UFRGS, no âmbito do evento Temas em Debate, desenvolveram reflexões coletivas, deslocando-se do papel de testemunhas para o de pesquisadoras e trabalhadoras afetadas pelo desastre. Este ensaio teórico-reflexivo, elaborado a partir de uma fabulação coletiva protagonizada pela personagem Yara, discute as interações entre humano e não-humano nos territórios urbanos, considerando os impactos de modos de vida extrativistas. Fundamenta-se no conceito de “Cosmofobia” (Bispo dos Santos, 2023) para problematizar a desconexão entre humano e natureza, e em Donna Haraway (2023) para pensar o “devir-com” e o fazer parentesco como estratégias de sobrevivência diante da ruptura existencial provocada pela catástrofe, evidenciando a interdependência e a fragilidade da vida.<hr/>Abstract In May 2024, Rio Grande do Sul was hit by unprecedented floods, exposing structural failures and the absence of preventive measures previously indicated by meteorological alerts and reports. In this context, graduate students from the Social and Institutional Psychology Program at UFRGS, through the event Temas em Debate, developed collective reflections, shifting from witnesses to researchers and workers affected by the disaster. This theoretical-reflective essay, based on a collective fabulation featuring the character Yara, discusses interactions between human and non-human actors in urban territories, considering the impacts of extractivist ways of life. It draws on the concept of “Cosmophobia” (Bispo dos Santos, 2023) to problematize the disconnection between humans and nature, and on Donna Haraway (2023) to reflect on “becoming-with” and kinship-making as survival strategies amid the existential rupture caused by the catastrophe, highlighting life’s interdependence and fragility.<hr/>Resumen En mayo de 2024, Rio Grande do Sul fue afectado por inundaciones sin precedentes, que evidenciaron fallas estructurales y la ausencia de medidas preventivas previamente señaladas por alertas meteorológicas e informes. En este contexto, estudiantes de posgrado del Programa de Psicología Social e Institucional de la UFRGS, a través del evento Temas en Debate, desarrollaron reflexiones colectivas, desplazándose del rol de testigos al de investigadoras y trabajadoras afectadas por el desastre. Este ensayo teórico-reflexivo, elaborado a partir de una fabulación colectiva protagonizada por el personaje Yara, discute las interacciones entre lo humano y lo no humano en territorios urbanos, considerando los impactos de modos de vida extractivistas. Se fundamenta en el concepto de “Cosmofobia” (Bispo dos Santos, 2023) para problematizar la desconexión entre humanos y naturaleza, y en Donna Haraway (2023) para pensar el “devenir-con” y la creación de parentescos como estrategias de supervivencia frente a la ruptura existencial causada por la catástrofe, evidenciando la interdependencia y fragilidad de la vida. <![CDATA[Tensões entre o projeto emancipatório e a reprodução de hierarquias científicas em um manual de psicologia social crítica]]> http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2238-152X2026000101401&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt Resumo Examina-se a segunda edição de The Palgrave handbook of critical social psychology, editada por Brendan Gough, obra que busca organizar diversas vertentes conceituais, metodológicas e aplicadas da Psicologia social crítica. A resenha percorre as seis partes do compêndio, ressaltando sua crítica à psicologização, ao reducionismo e à pretensa neutralidade da psicologia dominante, traçando conexões com a tradição sócio-histórica brasileira. A apreciação reconhece a relevância do manual para a consolidação global do campo. Entretanto, indica-se como limitação significativa a concentração geopolítica de seus colaboradores, sobretudo oriundos do norte global, implicando a marginalização de tradições críticas autônomas, como a latino-americana. Entende-se, afinal, que o manual, embora constitua um marco em potencial, pode eventualmente reproduzir um modelo centro-periferia na produção científica em Psicologia social.<hr/>Abstract This review examines the second edition of The Palgrave handbook of critical social psychology, edited by Brendan Gough, a work that seeks to organize diverse conceptual, methodological, and applied currents of critical social psychology. The review covers the six parts of the compendium, highlighting its critique of the psychologization, reductionism, and purported neutrality of mainstream psychology, drawing connections with the Brazilian socio-historical tradition. The assessment acknowledges the handbook’s relevance to the global consolidation of the field. However, a significant limitation is identified in the geopolitical concentration of its contributors, who predominantly originate from the global north, which implies the marginalization of autonomous critical traditions, such as the Latin American one. It is ultimately understood that the handbook, while constituting a potential landmark, may eventually reproduce a center-periphery model in the scientific production of social psychology.<hr/>Resumen Se examina la segunda edición de The Palgrave handbook of critical social psychology, editada por Brendan Gough, obra que busca organizar diversas vertientes conceptuales, metodológicas y aplicadas de la psicología social crítica. La reseña recorre las seis partes del compendio, resaltando su crítica a la psicologización, al reduccionismo y a la pretendida neutralidad de la psicología dominante, trazando conexiones con la tradición socio-histórica brasileña. La apreciación reconoce la relevancia del manual para la consolidación global del campo. Sin embargo, se indica como limitación significativa la concentración geopolítica de sus colaboradores, sobre todo oriundos del norte global, lo que implica la marginalización de tradiciones críticas autónomas, como la latinoamericana. Se entiende, a fin de cuentas, que el manual, aunque constituye un hito potencial, puede eventualmente reproducir un modelo centro-periferia en la producción científica en psicología social.