SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 número63Considerações sobre a hipótese filogenética freudiana: caso Homem dos Lobos índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

artigo

Indicadores

Compartilhar


Estudos de Psicanálise

versão impressa ISSN 0100-3437versão On-line ISSN 2175-3482

Estud. psicanal.  no.63 Belo Horizonte jan./jun. 2025  Epub 18-Maio-2026

https://doi.org/10.5935/2175-3482.n63a13 

ARTIGOS

O corpo (inter)pelado pelo traumático: fragmento de caso

The body (inter)pelled by the traumatic: clinical fragment

El cuerpo (inter)perado por el trauma: fragmento de caso

Deise Matos do Amparo1 

Professora Associada do Departamento de Psicologia Clínica - Universidade de Brasília - Instituto de Psicologia - Programa de Pós Graduação em Psicologia Clínica e Cultura. Doutora em Psicologia com Doutorado Sanduíche pela Université Jules Verne - França (2002), Pós Doutorado pela Université Paris V (2009), Pós Doutorado pela Université Paris XIII (2016), Pós Doutorado pela Universidade Federal da Bahia (2022). Campus Universitário Darcy Ribeiro - Asa Norte. CEP:70910-900 - Brasília - DF - Brasil / Tel: (061) 330 - 72625 R. 315 - http://www.psicc.unb.br/pt-br/

Wilma Zuriel de Faria Maschke Wanzeler2 

Psicóloga; Psicanalista em formação continuada pelo Círculo Psicanalítico do Pará (CPPA); Bacharela em Direito; Mestre e Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura (PPGPsiCC) do Departamento de Psicologia Clínica (PCL) da Universidade de Brasília (UnB); Psicóloga e pesquisadora no grupo de Vivências e psicopatologias na contemporaneidade - Diagnóstico e Supervisão clínica da Universidade de Brasília junto ao Hospital Universitário de Brasília (VIPAS).

1Université Jules Verne, Université Paris V, Université Paris XIII, Universidade Federal da Bahia.

2Universidade de Brasília (UnB).


Resumo

Este artigo examina o trauma psíquico a partir dos efeitos produzidos pelo abuso sexual infan-til, entendido como experiência extrema que incide simultaneamente sobre corpo e psiquismo e desorganiza funções essenciais para a coesão do Eu. Desenvolve-se a noção de suspensão do Eu-pele como eixo central do traumatismo, compreendendo esse envelope psíquico como suporte fundamental para a continuidade e a simbolização. O estudo diferencia traumatismos constitucionais dos traumatismos de excesso, evidenciando como estes instauram estados de passivação, fragmentação e dissociação, muitas vezes agravados pelo desmentido social, que opera como segunda violência ao silenciar, confundir e culpabilizar a criança. A partir da análise de um fragmento clínico, demonstra-se como o trauma se inscreve no corpo, produ-zindo rupturas nos limites internos e afetando a capacidade de nomeação, representação e integração emocional. Sustenta-se, por fim, a necessidade de uma clínica que acolha a ruptura do envelope psíquico e considere as dimensões socioculturais envolvidas, oferecendo condi-ções para a reorganização subjetiva e para a reinscrição simbólica das experiências traumáticas.

Palavras-chave: trauma; abuso sexual; eu-pele; clínica do traumático

Abstract

This article examines psychic trauma through the effects produced by childhood sexual abuse, understood as an extreme experience that simultaneously impacts body and psyche and disrupts essential functions of ego cohesion. It develops the notion of the suspension of the Skin-Ego as a central axis of traumatization, conceiving this psychic envelope as a fun-damental support for continuity and symbolization. The study distinguishes constitutional forms of traumatization from those generated by overwhelming excess, showing how the latter establish states of passivation, fragmentation, and dissociation, often intensified by social disa-vowal, which operates as a second violence by silencing, confusing, and blaming the child. Drawing on the analysis of a clinical fragment, the article demonstrates how trauma becomes inscribed in the body, producing ruptures in internal boundaries and affecting the capacity for naming, representation, and emotional integration. It ultimately argues for the need of a clinical approach that addresses the rupture of the psychic envelope and considers the socio-cultural dimensions involved, offering conditions for subjective reorganization and for the symbolic reinscription of traumatic experiences.

Keywords: trauma; sexual abuse; skin-Ego; clinical work with trauma

Resumen

Este artículo examina el trauma psíquico a partir de los efectos del abuso sexual infantil, entendido como una experiencia extrema que afecta simultáneamente el cuerpo y la psique, alterando funciones esenciales para la cohesión del Yo. Se desarrolla la noción de suspensión del Yo-piel como eje central del trauma, entendiendo esta envoltura psíquica como soporte fundamental para la continuidad y la simbolización. El estudio diferencia los traumas cons-titucionales de los traumas por exceso, destacando cómo estos últimos establecen estados de pasividad, fragmentación y disociación, a menudo agravados por la negación social, que opera como una segunda violencia al silenciar, confundir y culpabilizar al niño. A partir del análisis de un fragmento clínico, se demuestra cómo el trauma se inscribe en el cuerpo, produciendo rupturas en los límites internos y afectando la capacidad de nombrar, representar e integrar emocionalmente. Finalmente, se argumenta la necesidad de un enfoque clínico que aborde la ruptura de la envoltura psíquica y considere las dimensiones socioculturales involucradas, ofreciendo condiciones para la reorganización subjetiva y la reinscripción simbólica de las experiencias traumáticas.

Palabras clave: trauma; abuso sexual; piel-ego; práctica clínica traumática

Introdução

A proposta deste estudo é abordar o con-ceito de trauma na teoria psicanalítica, com ênfase na compreensão da matriz ferenc-ziana sobre o adoecimento psíquico a partir da situação traumática e/ou da situação de perigo. Buscaremos articular essas formula-ções às funções do Eu-pele e a fragmentos de um caso clínico de uma mulher que viven-ciou abusos sexuais infantis, evidenciando os impactos psíquicos específicos dessas vivên-cias traumáticas.

O abuso sexual infantil, enquanto evento extremo que incide simultaneamente sobre o corpo e o psiquismo, produz um tipo de comoção que desorganiza funções psíquicas essenciais. Entre essas funções, destacam-se as do Eu-pele (Anzieu, 2000), que operam como envelope protetor e organizador do self. Nos casos de traumas de abuso, esse envelope pode sofrer fissuras, rupturas ou suspensões temporárias, evidenciando uma condição de “corpo desnudado psiquicamente”1.

É fundamental assinalar que, na Psicanálise, o trauma não é um aconteci-mento objetivo em si, mas um evento que interpela o corpo e o psiquismo na singulari-dade do sujeito, ultrapassando sua capacidade de simbolização e elaboração. Assim, embora existam características comuns à experiência traumática, seus efeitos são sempre modu-lados pela história infantil, pelos recursos internos e, especialmente, pelo apoio (ou falta dele) no ambiente e no campo social.

Por essa razão, os estudos sobre o trauma exigem uma articulação que ultrapasse a esfera estritamente individual. Fatores socio-lógicos, históricos e antropológicos, como a persistência de estruturas machistas, que silenciam, desautorizam e, frequentemente, culpabilizam meninas e mulheres violen-tadas, exercem impacto decisivo na forma como o trauma é vivido, significado e trans-mitido subjetivamente.

Nesse percurso, compreenderemos o abuso sexual infantil como um traumatismo psíquico que provoca efeitos profundos e duradouros. Tais efeitos colocam em sus-pensão as funções do Eu-pele e reorganizam o psiquismo em direção à passivação, à frag-mentação e, muitas vezes, à dissociação. Para a compreensão dos efeitos o abuso sexual infantil enquanto traumatismo psíquico e seus efeitos sobre o Eu, será necessário articular distintos modelos teóricos sobre o traumatismo - constitucionais (Laplanche e Winnicott) e desestruturantes (Ferenczi) - bem como retomar conceituações freudianas centrais para o entendimento do trauma.

O Traumatismo psíquico

O termo “trauma” é introduzido por Freud (1916-1917/2010) para designar uma expe-riência que produz um aumento súbito e massivo de excitação, excedendo a capa-cidade do aparelho psíquico de operar sua descarga e metabolização simbólica. Nesse sentido, o trauma corresponde a um colapso da função de ligação, seja por uma intensidade brusca, seja por um acúmulo progressivo de excitações que ultrapassam o limiar tolerável.

Freud estabelece ainda uma distinção fundamental entre situação de perigo e situa-ção traumática. Na primeira, a experiência é representada e integrada; na segunda, o irre-presentável domina o psiquismo, deixando o sujeito à mercê de um excesso não simbolizá-vel. Em Além do princípio do prazer (1920), ao introduzir a noção de compulsão à repetição e a pulsão de morte, Freud aprofunda esse entendimento, mostrando que o traumático não se reduz ao evento em si, mas ao fracasso do psiquismo em manter sua camada prote-tora contra estímulos disruptivos.

Posteriormente, em Inibições, sintomas e ansiedade (1926/2006), Freud reelabora o conceito de traumático enfatizando seu caráter econômico: a ruptura ou falência dos mecanismos de defesa contra o excesso de excitação. Aqui, o trauma aparece como um acontecimento “não acabado”, cuja inscri-ção, falha, acompanha o sujeito como marca disfuncional.

Em Ferenczi ([1933/1992), o conceito de traumatismo é radicalizado: ele passa a ser entendido como um choque vivo, que ani-quila momentaneamente a capacidade de resistir, pensar e agir. A criança, subjugada pela violência e pelo desamparo, experi-menta uma “comoção psíquica” (Ferenczi, 1933/1992), perdendo sua forma própria e adotando uma forma imposta pelo agressor. A angústia é o efeito imediato desse desmo-ronamento, acompanhada da intensa sensa-ção de incapacidade de adaptação.

Ferenczi descreve ainda o traumatismo sexual como profundamente patogênico, uma vez que as crianças se encontram física e moralmente indefesas. A introjeção da culpa do adulto, produzida pela confusão de línguas, consolida a violência e compro-mete o desenvolvimento do Eu. A observa-ção de que aqueles que sofreram trauma pre-coce “perdem o gosto pela vida” (Ferenczi, 1929/1992) reforça a ideia de que o trauma-tismo sexual incide não apenas sobre estru-turas representacionais, mas sobre a vitali-dade mesma do sujeito.

Figueiredo (2018), ao atualizar o debate contemporâneo, propõe duas matrizes funda-mentais para a compreensão dos adoecimen-tos psíquicos: a freudo-kleiniana e a ferenc-ziana. Esta última caracteriza-se pelos adoeci-mentos por passivação, derivados de traumas intensos que ultrapassam a capacidade ativa do psiquismo, conduzindo-o a estados de inércia, quase morte ou dissolução.

É nesse ponto que a teoria de Laplanche contribui decisivamente. Ao formular o con-ceito de “sedução generalizada”, Laplanche (1988) retoma e amplia Ferenczi ao sugerir que todo cuidado do adulto sobre a criança é atra-vessado por mensagens sexuais inconscientes. A pulsão infantil, portanto, não é originária; ela é implantada pelas fantasias inconscien-tes do adulto, inscritas na criança através do corpo e dos cuidados cotidianos. Essa sedu-ção estrutural difere da sedução traumática do abuso, pois neste há ruptura concreta, vio-lência real e excesso não simbólico.

Nos casos de abuso sexual infantil, as fantasias do adulto não operam como men-sagens enigmáticas: elas irrompem concre-tamente no corpo da criança, impondo-lhe um excesso sem mediação. O traumatismo, portanto, não apenas organiza, mas desorga-niza o psiquismo.

Paralelamente, Winnicott (1956/1994; 1975) enfatiza que as falhas ambientais pre-coces podem instaurar traumatismos pri-mários. O trauma, nesse modelo, decorre de uma falha no cuidado, não necessariamente de um ataque, mas de um colapso na con-fiabilidade do ambiente. Essa falha impede que a criança internalize uma mãe suficien-temente boa, rompendo a ilusão de continui-dade e colocando o self em risco.

O traumatismo winnicottiano é, portanto, distinto do ferencziano: enquanto Winnicott descreve traumas de não-encontro, Ferenczi descreve traumas de excesso e invasão. Por essa razão, compreender o abuso sexual infantil exige a diferenciação entre dois tipos de traumatismo: traumatismos constitucio-nais (Laplanche/Winnicott), que integram o processo de formação do self; e traumatis-mos secundários (Ferenczi), que rompem e desorganizam esse processo. É precisamente nesta intersecção de constituição e ruptura que o conceito de Eu-pele (Anzieu, 2000) se torna central.

As funções do Eu-pele

Ao considerar os efeitos psíquicos do abuso sexual na infância, torna-se indispensável deslocar o olhar do corpo biológico para o corpo psíquico. Nesse sentido, o conceito de Eu-pele, formulado por Anzieu (2000), revela-se particularmente fecundo, pois oferece um modelo metapsicológico capaz de articular corpo e psiquismo na dimen-são de envelope, limite e sustentação da constituição do self. O Eu-pele corresponde à representação psíquica da pele, isto é, a um envoltório simbólico que fornece con-torno e coesão ao Eu. Tal estrutura não é inata; ela se constitui a partir das experiên-cias inaugurais de contato, acolhimento e continuidade oferecidas pelo ambiente cuidador. É através desse conjunto de vivências que o bebê internaliza a sensação de possuir um limite, condição funda-mental para diferenciar dentro e fora, Eu e outro.

Longe de se tratar de uma simples metá-fora, o Eu-pele abrange um conjunto de nove funções estruturantes: manutenção, conti-nência, para-excitação, individuação, inter-sensorialidade, sustentação da excitação sexual, recarga libidinal, inscrição dos traços e autodestruição. Cada uma delas participa do processo de regulação emocional, da for-mação da identidade corporal e psíquica e da capacidade de situar-se no mundo. Contudo, diante de situações de violência extrema, como o abuso sexual, esse envelope pode ser perfurado, corroído ou ficar em sus-pensão, comprometendo a possibilidade de o sujeito conter, significar e simbolizar sua experiência.

A função de revestimento, que garante o limite dentro/fora, é uma das primeiras a ser atingida. O abuso sexual constitui uma inva-são concreta do corpo infantil, produzindo um excesso de excitação que ultrapassa as possibilidades de assimilação psíquica. A consequência é a perda do sentimento de casca protetora, substituída por vivências de fragmentação, exposição e vulnerabili-dade extrema, como expresso no fragmento clínico apresentado, ao descrever-se como “sempre rasgada de novo”.

A função de continência, responsável por acolher e organizar angústias, também é afetada. Na ausência de um adulto capaz de reconhecer e metabolizar o excesso trau-mático, a criança torna-se receptáculo desse excesso. Sem continência externa, não é pos-sível constituir continência interna, e o afeto traumático retorna ao corpo sob a forma de angústia difusa, medo e sensações intrusivas que escapam à elaboração simbólica.

A função sensorial, que integra experiên-cias táteis, olfativas, gustativas e proprio-ceptivas, igualmente se vê comprometida. Em muitos casos, lembranças traumáticas são reativadas por estímulos sensoriais apa-rentemente banais, que irrompem de modo abrupto e desorganizador. O corpo passa a operar como palco de repetições, convocado por cheiros, temperaturas ou sabores que reinscrevem a criança na cena traumática original.

A função de comunicação do Eu-pele também pode sofrer consequências. A pele, enquanto órgão de contato e expressão afe-tiva, torna-se silenciosa ou distorcida. A criança, impedida de simbolizar o vivido, não encontra no ambiente um outro que reconheça sua realidade. Esse silêncio é fre-quentemente reforçado pelo desmentido, descrito por Ferenczi (1931; 1933) como o não acolhimento de outro adulto cuidador, que nega e recusa a validade do relato infan-til ou atribui à criança uma responsabili-dade que não lhe pertence. Como resultado, a comunicação se interrompe, e o trauma permanece isolado, perpetuando estados de retraimento e invisibilidade subjetiva.

Por fim, a função de representação e iden-tidade, que sustenta a imagem corporal e a sensação de continuidade do self, é igual-mente atingida. Experiências precoces de abuso podem produzir estranhamento do corpo, sensação de irrealidade, despersona-lização ou rupturas na vivência de unidade psíquica. O corpo deixa de ser sentido como morada própria e passa a ser vivido como lugar de ameaça, intrusão ou vergonha, em alguns relatos como sujeira.

Em conjunto, esses efeitos apontam para uma suspensão das funções do Eu-pele. O abuso sexual infantil, ao exceder a capaci-dade de resistência e mediação do psiquismo, compromete o envelope que sustenta o Eu. A criança, desprovida do suporte ambiental e simbólico necessário, responde ao excesso traumático por meio de mecanismos de pas-sivação, dissociação ou identificação com o agressor, como estratégia extrema de sobre-vivência descrita por Ferenczi (1933/1992). Nessa dinâmica, os contornos próprios são substituídos pelos contornos do outro, o que gera estados persistentes de confusão, culpa e autoacusação.

Desse modo, compreender o impacto do abuso sexual infantil a partir do Eu-pele permite não apenas identificar as funções psíquicas atingidas, mas também reconhecer que o trauma age fundamentalmente como ruptura do envelope que sustenta o self. A partir daí, torna-se possível pensar clinica-mente a necessidade de reconstrução desse suporte, na direção de reparar a superfície psíquica ferida e possibilitar novas formas de simbolização e circulação afetiva, possibili-tando a translaboração.

Identificação com o agressor

A identificação com o agressor, formulada por Ferenczi (1933/1992), constitui uma das defesas mais extremas diante do trauma-tismo sexual. Quando a criança se encontra impossibilitada de resistir, protestar ou sim-bolizar a violência, ela não dispõe de recursos psíquicos para organizar uma defesa ativa; ao contrário, reage pela via da passivação. O Eu, então, cede à lógica do agressor, aderindo ansiosamente à sua posição e introjetando seus afetos, sua autoridade e, frequente-mente, sua culpa. Essa introjeção só se torna possível porque o Eu-pele encontra-se afetado, sem um contorno psíquico capaz de barrar a invasão, o agressor atravessa as fron-teiras do Eu e se instala como modo precário de sobrevivência.

Ferenczi descreve esse processo de modo contundente ao afirmar que “a personalidade ainda fracamente desenvolvida da criança reage ao brusco desprazer, não pela defesa, mas pela identificação ansiosa ao adulto agressor e pela introjeção daquele que a ameaça e a agride” (Ferenczi, 1933/1992, p. 103). A identificação dissolve as fronteiras do Eu, fenômeno compreensível à luz do Eu-pele: quando o envelope protetor se rompe, desa-parecem as distinções entre o que pertence ao sujeito e o que provém do outro. Assim, a função de individuação - responsável por separar Eu e não-Eu - fica profundamente comprometida. Ao introjetar o agressor, a criança perde a sensação de ser dona de seu corpo e de suas emoções, passando a inter-nalizar também o olhar do agressor sobre si. É nesse processo que a culpa, originalmente pertencente ao agressor, passa a ser vivida como se fosse da vítima, em um movimento agravado pelo desmentido e pela ausência de reconhecimento ambiental.

Nesse mecanismo, múltiplas funções do Eu-pele sofrem impacto simultâneo. O reves-timento deixa de cumprir sua função de con-torno e proteção, permitindo a invasão direta do outro. A individuação é comprometida, uma vez que o Eu não se diferencia do agres-sor e experimenta uma espécie de fusão forçada. A identidade é perturbada, pois o sujeito passa a se perceber sob a sombra do agressor, experimentando sentimentos de maldade, perigo ou indignidade. Ademais, a inscrição dos traços, função que permite registrar experiências como marcas psíqui-cas elaboráveis, torna-se veículo da fixação traumática, fazendo com que a violência deixe registros profundos de dor, vergonha e silenciamento.

A violação dos limites dentro/fora, carac-terística central do abuso sexual infantil, ilustra de maneira direta os efeitos do ataque ao Eu-pele. A invasão do corpo infantil por um corpo adulto representa um excesso impossível de simbolizar, que rompe o limite entre interioridade e exterioridade e produz vivências intensas de exposição, fragilidade e intrusão. A função de revestimento, respon-sável por circunscrever o Eu, sofre ruptura, podendo gerar experiências de “vazamento”, sensação de corpo rasgado, impossibilidade de sentir-se inteiro e percepção de que o corpo pertence ao outro. Anzieu descreve esse estado como “Eu-pele em carne viva”, no qual qualquer estímulo é sentido como invasivo e potencialmente desorganizador. Ao mesmo tempo, a função de para-excita-ção, responsável por regular e filtrar os estí-mulos externos, torna-se ineficaz. Sem essa barreira, o excesso traumático penetra dire-tamente no psiquismo, desencadeando pâni-cos, estados de congelamento e dissociação.

Outro aspecto central é a incapaci-dade de conter elementos psíquicos e sen-soriais, decorrente da falha na função de continência. Tal função, equivalente psíquico do acolhimento materno, organiza angús-tias e excitações, possibilitando nomeação e simbolização. No abuso sexual, essa função é profundamente comprometida e a criança não encontra continência externa, tampouco possui continência interna capaz de trans-formar a experiência traumática. O excesso circula como energia bruta, resultando em angústias súbitas, sensações corporais intru-sivas, desorganização emocional, crises de pânico, somatizações e colapsos narcísi-cos, entendidos por Ferenczi (1933) como agonia. Essa falha de continência se articula com o comprometimento da intersensoriali-dade, uma vez que o corpo passa a produzir sinais desconexos que não encontram repre-sentação possível. Assim, a criança perma-nece capturada em uma sensorialidade trau-mática que se repete sem mediação.

A desconexão com a realidade, frequen-temente observada em sujeitos que sofre-ram abuso sexual precoce, decorre da falha das funções de representação e identidade do Eu-pele. Quando o envelope psíquico se rompe, a imagem corporal torna-se instá-vel, e o sujeito experimenta estranhamento em relação ao próprio corpo, que passa a ser vivido como cenário de violência e dor e não mais como espaço de pertencimento. O Eu perde continuidade, e o sujeito pode sentirse deslocado, inexistente ou desancorado no espaço e no tempo. Essas falhas repercutem na forma como a criança se relaciona con-sigo e com os outros, prejudicando vínculos e produzindo retraimento, hipervigilância ou comportamentos dissociativos. Nesse contexto, a perda das funções de represen-tação, identidade e individuação evidencia que o Eu-pele já não sustenta a coesão do self, levando o sujeito a viver o corpo como algo estrangeiro e ameaçador.

Desse modo, compreender a identifica-ção com o agressor, a violação dos limites, a falha de continência e a desconexão com a realidade, a partir das funções do Eu-pele, permite mapear com precisão o impacto do traumatismo sexual infantil. Trata-se de uma suspensão generalizada do envelope psí-quico, cuja ruptura compromete a constitui-ção subjetiva e mantém o sujeito aprisionado em um campo traumático que se reatualiza no corpo, nas sensações e na experiência emocional.

Recortes clínicos do caso Maria

A articulação até aqui construída, entre trau-matismos constitucionais e traumatismos secundários, entre falhas de sustentação ambiental e ataques à integridade corporal, entre rompimento do Eu-pele e identificação com o agressor, prepara o terreno para com-preender o impacto subjetivo concreto do abuso sexual infantil.

Nos casos clínicos, os efeitos do trauma-tismo não se apresentam de forma abstrata, mas emergem através do corpo, das sensa-ções, dos estados emocionais e das imagens que a analisanda mobiliza para expressar aquilo que, por muito tempo, permaneceu irrepresentável.

Nesse sentido, o relato clínico a seguir evi-dencia como o corpo funciona como lugar privilegiado de inscrição das marcas traumá-ticas. A linguagem sensorial, o silenciamento, a angústia difusa da ordem da agonia e a difi-culdade de olhar o outro descrevem precisa-mente a suspensão de diversas funções do Eu-pele, tal como vimos anteriormente.

O relato de Maria evidencia o que Ferenczi ([1933]1992) descreveu como comoção psí-quica, e o que Anzieu (2000) concebeu como o colapso do envelope psíquico. Ao mesmo tempo, o caso clínico demonstra a importân-cia do enquadre interno do analista, como suporte para a reorganização subjetiva e para a reconstrução das funções do Eu-pele.

Maria, nascida em uma comunidade ribeirinha do norte do país, em um contexto de muita vulnerabilidade social, foi (inter) pelada na sua história de vida pelas vivên-cias do traumático desde os 06 (seis) anos de idade, quando iniciaram os primeiros abusos sexuais.

Anos mais tarde, muda-se para a capi-tal do Estado para estudar e ingressar na faculdade e é, no momento que ingressa na Universidade, que as memórias das vivências da infância comparecem no corpo e irrom-pem também no psiquismo pelo medo e pela culpa. O medo vinha do receio de ser violen-tada novamente, morando sozinha. Ainda mais, pelo receio que Maria sentia de seu corpo denunciar os abusos sofridos por ela na infância, como se através dos seus olhos, os outros pudessem descobrir o que lhe havia acontecido, “não consigo olhar para ninguém” (sic). Já a culpa sobrevinha a partir da enorme confusão a partir da introjeção do sentimento de culpa do adulto, resultante da confusão de línguas entre o adulto (abusa-dor) e ela - a criança (Ferenczi, 1929/1992).

É nesse momento da história singular de Maria (entrada na Universidade e rememo-ração das lembranças), que ela decide então procurar ajuda e acompanhamento terapêu-tico. Pondo-se em processo e trabalho de análise, na construção de um «trabalho de fazer falar, e fazer ouvir» (Celes, 2005, p.25).

Assim, Maria passa a falar sobre uma dor e um grande sofrimento rememorado quase que ininterruptamente em seu psiquismo e em seu corpo através das sensações. Maria se vê interpelada pelas revivências do trauma, na ordem do seu corpo que passava a ser con-vocado pelos sentidos do paladar e do olfato, ao ser arrebatada por um cheiro ou gosto que a remontava às vivências dos abusos sofri-dos por ela.

Em determinado dia, a analista recebe uma mensagem da analisanda no celular, a mensagem continha uma figura e a seguinte escrita: “é assim que eu me sinto” (sic). A figura era um desenho de um grande corpo que com uma das mãos se rasgava (de baixo para cima) e com a outra se costurava (de cima para baixo).

Foi assim que Maria falou sobre o que sentia ao lembrar, pensar e falar sobre as cenas de abuso, que a (inter)pelavam, às vezes, por um cheiro e/ou gosto, algo que de alguma forma a fazia rememorar na ordem do corpo as sensações vivenciadas pelo atravessamento de um corpo adulto (do padrasto) sobre o seu corpo “ainda tão infan-til” (sic).

O corpo e as sensações se encontram articulados na vida psíquica. Freud (1923) já apontava que o Eu é, sobretudo, corporal e resultante das sensações vividas no corpo. Também, para Anzieu (2000), o funciona-mento do organismo vivo é suporte do fun-cionamento psíquico, sendo que o corpo físico provê e dá contorno para esse suporte. Ele postula “uma dupla sustentação para o psiquismo: sobre o corpo biológico e sobre o corpo social” (Anzieu, 2000, p. 18).

Ao considerar um segundo modelo do trauma Freud (1920) postula,

as excitações que chegam de fora e são sufi-cientemente intensas para romper a proteção chamemos de traumáticas. Acredito que o conceito de trauma requeira que uma relação desse tipo seja remetida a uma defesa contra estímulos que, normalmente, é eficaz. Um acontecimento como o trauma externo pro-vocará uma enorme perturbação no funciona-mento energético do organismo e colocará em movimento todos os meios de defesa (p. 113).

No caso de Maria, o verbo proposto para reflexão deste fragmento clínico foi (inter) pelado, uma vez que se justifica pela forma em que a analista se pôs a pensar sobre o caso e sobre o seu enquadre interno (Franco & Kuppermann, 2020). A fala de Maria nar-rava a dor de ter o seu “corpo sempre ras-gado de novo” (sic), o que evocou na analista a impressão de um corpo pelado, desnudado psiquicamente, em completo desamparo e com as funções do Eu-pele de sustentação e de continente suspensas (Anzieu, 2000).

Para André Green (2000; 2008), em muitos casos, a clínica psicanalítica só é pos-sível a partir da interiorização do enquadre por parte do analista, uma vez que o analista porta consigo o enquadre, ele o encarna e sustenta o processo analítico por mais difícil que seja. Para o autor, o enquadre é o estojo que acomoda a joia (a regra fundamental).

Assim, o trabalho com Maria foi desen-volvido no sentido de possibilitar amparo e reconstrução de condições adequadas para o desenvolvimento do self, estabelecendo o setting adequado (Winnicott, [1961/1989), a partir da organização do holding (Winnicott, [1960/ 1983). Pois antes de fornecer inter-pretações, o objetivo foi proporcionar um “ambiente suficientemente bom”, que se adaptasse à necessidade da paciente (Arouca, Amparo & Brasil, 2017) e possibilitasse uma reorganização do Eu-pele corporal e psíquico.

O desmentido no Social

A compreensão psicanalítica do trauma exige considerar não apenas o aconteci-mento violento em si, mas também o modo como o ambiente responde à criança após o fato. Freud (1950 [1895]/1977), ao intro-duzir a noção dos “dois tempos do trauma”, já indicava que uma experiência só se torna verdadeiramente traumática quando um segundo momento de significação reinscreve o vivido inicial e lhe confere um sentido devastador. Essa perspectiva é fundamental para compreender o fenômeno do desmen-tido, especialmente no abuso sexual infantil.

Ferenczi (1931; 1933) radicaliza essa for-mulação ao demonstrar que o trauma não é produzido exclusivamente pelo ato violento do agressor; ele se constitui também - e fre-quentemente de modo ainda mais danoso - pelo fracasso do ambiente em reconhecer, legitimar e acolher o sofrimento da criança. O desmentido ocorre quando o adulto res-ponsável, ao invés de testemunhar e validar a experiência infantil, nega, minimiza, silen-cia ou atribui à própria criança a responsa-bilidade pelo ocorrido. Esse segundo tempo tem efeito devastador: destrói a confiança da criança na realidade, rompe sua possibi-lidade de simbolização e transforma a dor em segredo, vergonha e culpa. Em condi-ção de extrema vulnerabilidade, a criança passa a internalizar aquilo que o ambiente lhe devolve: se é desacreditada, aprende a duvidar de si; se é culpabilizada, aprende a se culpar; se é silenciada, aprende a silenciar.

O caso de Maria ilustra com clareza esse segundo tempo traumático. Aos doze anos, ao assistir a uma palestra sobre abuso sexual infantil, ela reconhece - talvez pela pri-meira vez - que aquilo que vivenciava desde os seis anos “nunca deveria ter acontecido”. Abre-se ali uma fissura para a nomeação. Contudo, minutos depois, a fala da pro-fessora introduz um desmentido violento ao afirmar que “crianças vítimas tornamse futuros abusadores”. Proferida por uma figura de autoridade, essa frase produz para-lisação, vergonha, terror, intensificação da culpa e um colapso abrupto da confiança no próprio valor.

Desde esse dia, Maria relata não ter con-seguido olhar para ninguém - um indício clínico direto de ruptura das funções de identidade e representação do Eu-pele. O que poderia ter sido um momento de reconheci-mento tornou-se uma segunda cena traumá-tica: em vez de amparo, ela recebeu condena-ção; em vez de nomeação, recebeu estigma; em vez de cuidado, recebeu ameaça. Nesse movimento, o ambiente não apenas falhou em reconhecer sua dor, como também ins-taurou uma profecia de horror que a acom-panhou por quase duas décadas, levando-a a temer tornar-se agressora - fantasia trau-mática que se articula à identificação com o agressor, descrita por Ferenczi (1933).

A profundidade dessa violência simbólica é sintetizada por Ferenczi ao afirmar que “o comportamento das pessoas investidas de autoridade [...] é apropriado para sugerir à criança a consciência de sua própria culpa e de sua cumplicidade” (Ferenczi, 1932/1990, p. 238). Assim, o desmentido opera como verdadeira “segunda violência”, pois reforça a passivação, aprofunda a ruptura do Eu-pele, impede a elaboração psíquica e prolonga o silenciamento. Ele não apenas repete o trauma inicial, mas impede qualquer possibilidade de metabolização, fixando o acontecimento em estado bruto.

Como observa Girard (2011), as formas de violência podem ser perpetuadas social-mente, mesmo de modo involuntário, quando narrativas reforçam a culpabiliza-ção da vítima. O caso de Maria evidencia esse funcionamento: o discurso social que patologiza a vítima inscreve-se como marca traumática e produz efeitos persistentes, de modo que apenas no espaço analítico, mais de vinte anos depois, ela pôde começar a simbolizar o vivido.

Desse modo, o desmentido social não deve ser entendido como simples falha ambiental, mas como um traumatismo adi-cional que intensifica a ruptura do Eu-pele, aprofunda a fragilização das fronteiras do Eu e compromete a capacidade da criança de distinguir o que lhe pertence e o que per-tence ao agressor. Ele impede que o sujeito encontre um lugar de verdade em sua pró-pria história, aprisionando-o em um circuito de dor que se repete tanto no corpo quanto na vida psíquica.

Considerações Finais

Neste estudo, o abuso sexual infantil é com-preendido como um traumatismo psíquico complexo, integrando diferentes matrizes teóricas da psicanálise para elucidar seus efeitos sobre o corpo e sobre o Eu. A arti-culação entre Freud, Laplanche, Winnicott, Ferenczi e Anzieu permitiu diferenciar, sem dissociar, os traumatismos constitucionais, inerentes ao processo de constituição do sujeito, dos traumatismos secundários ou desestruturantes, característicos da violência sexual.

Ao longo do texto, evidenciou-se que o trauma, na psicanálise, não é o aconteci-mento em si, mas a forma como esse acon-tecimento (inter)pela o corpo e o psiquismo do sujeito. O evento traumático se define por sua intensidade, por sua irrepresentabilidade e pela falência das defesas habituais frente ao excesso de excitação. No abuso sexual infantil, a ruptura se dá simultaneamente na dimensão corporal e simbólica, inaugu-rando uma dinâmica de passivação, identifi-cação com o agressor e colapso das funções psíquicas.

Winnicott destacou a importância de um ambiente suficientemente bom para manter a continuidade de ser e evitar intru-sões desorganizadoras. Contudo, é Ferenczi quem fornece o modelo mais adequado para compreender o traumatismo específico do abuso sexual infantil: um choque que ani-quila momentaneamente o Eu, desorganiza a confiança no outro e lança a criança num estado de extrema vulnerabilidade psíquica. Nesse contexto, o conceito de Eu-pele, formulado por Anzieu, mostrou-se crucial, pois são as funções do Eu-pele que constituem o envelope psíquico que dá contorno, coesão e proteção ao sujeito. O abuso sexual infan-til tem o potencial de suspender parcial ou totalmente essas funções, deixando o self em estado de fragmentação, descontinuidade e desamparo.

O fragmento clínico de Maria ilustrou a forma como o trauma se inscreve no corpo, através de sensações intrusivas, revivências sensoriais, vergonha, impossibilidade de olhar o outro, imagem corporal rasgada e costurada. Essas manifestações dão materia-lidade ao que Ferenczi chamou de comoção psíquica e expressam a suspensão de funções do Eu-pele. Mostram também como o des-mentido, seja no ambiente familiar, seja no social, atua como segundo tempo do trauma, agravando sua potência destrutiva e perpe-tuando o silêncio, a culpa e a dissociação.

Assim não há como falar em clínica pos-sível do traumático sem considerar a impor-tância do enquadre interno do analista. A partir de Green e Winnicott, compreende-se que, diante de sujeitos cuja pele psíquica está traumatizada, o analista precisa oferecer um ambiente de cuidado e confiança (susten-tador), antes de interpretar. É o holding, e não a interpretação imediata, que permite a reconstrução gradual das funções do Eu-pele e a retomada da capacidade de pensar, sentir e simbolizar.

Em suma, o abuso sexual infantil opera como um evento traumático que desorga-niza o corpo, cinde o Eu e suspende o Eu-pele. Contudo, a experiência analítica, quando sustentada por um enquadre interno do ana-lista, que seja sensível e suficientemente bom, pode oferecer ao sujeito uma nova superfície psíquica, um novo envelope, no qual seja possível reinscrever a própria história, sig-nificar o vivido e reconstruir condições para existir de maneira mais integrada.

1 Grifos da autora.

Referências

Anzieu, D. (2000). O Eu-pele. Casa do Psicólogo. [ Links ]

Arouca, R.; Amparo, D. M.; Brasil, K. T. R. (2017). Transicionalidade e espaço potencial na clínica psicanalítica winnicottiana com paciente falso self. In: Ampar, D. M.; Lazzarini, E.R.; Silva, I. M.; Lazzarini, L. (orgs.). Psicologia clínica e cultura contemporânea (3. Ed), 3, 89-107.. Technopolitik; UNB. [ Links ]

Brasil, K. T., & Martins, F. (2019). A pele que me enve-lopa: Psicossomática, corpo e sensação na perspec-tiva psicanalítica. In J. Vilhena. & J. Novaes (Org.), O que pode um corpo? Diálogos interdisciplinares (pp. 55-68). Appris. [ Links ]

Candi, T. S. (2010). O duplo limite: o aparelho psíquico de André Green. Escuta, 2010. [ Links ]

Celes, L. A. M. (2005). Psicanálise é o nome de um trabalho. Psicologia Clínica, 17(2), 157-171. [ Links ]

Celes, L. A. M. (2005). Psicanálise é trabalho de fazer falar e fazer ouvir. PSYCHÊ, IX(16), 25-48. [ Links ]

Ferenczi, S. (1992). Psicanálise IV(1873-1933). Martins Fontes. (Obras completas de Sándor Ferenczi, 4). [ Links ]

Ferenczi, S. (1932/1990). Diário clínico. Martins Fontes. [ Links ]

Figueiredo, L. C. (2007). A metapsicologia do cui-dado. Psyche[online], São Paulo, 11(21), 13-30. [ Links ]

Figueiredo, L. C. (2018). Preliminares à consideração das matrizes. In Figueiredo. L.C., Coelho Junior. N. E. Adoecimentos psíquicos e estratégias de cura: matrizes e modelos em psicanálise, (pp. 27-39). Blucher. [ Links ]

Freud, S. Além do princípio de prazer (1920/2010). In S. Freud, História de uma neurose infantil: (“O homem dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros textos (1917-1920), (pp. 161-239). Companhia das Letras. [ Links ]

Freud, S. Inibições, sintomas e ansiedade (1926/2006)). In S. Freud, Um estudo autobiográfico, Inibições, sintomas e ansiedade, Análise leiga e outros traba-lhos (1925-1926), pp. 91-170. [ Links ]

Freud, S. Luto e melancolia (1916-1917/2010). In S. Freud, Introdução ao narcisismo: ensaios de metap-sicologia e outros textos (1914-1916). Companhia das Letras. [ Links ]

Franco, Wilson de Albuquerque Cavalcanti; & Kupermann, Daniel. (2020). Um lugar para pensar: uma hipótese sobre o enquadre interno do psica-nalista. J. psicanal. 53(99), 59-74. http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pi-d=S0103-58352020000200005&lng=pt&nrm=isoLinks ]

Mazoyer, A. V. et al. (2020). Destino dos afetos no Rorschach de mulheres vítimas de incesto. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 36. [ Links ]

Roman, P. Traces. (2017). Traumatiques et figures projectives des catastrophes de symbolisation. Bulletin de psychologie, 550(4), 265-273, 2017. https://www.cairn.info/revue-bulletin-de-psycho-logie-2017-4-page-265.htm?contenu=resumeLinks ]

Winnicott, D. W. (1956/1994). Preocupação materno primária (1956). In Winnicott, C; & R. Shepperd, M. D. (orgs.). D. W. Winnicott: explorações psicana-líticas. Artes Médicas. [ Links ]

Winnicott, D. W (1960c/1983). Teoria do relacio-namento paterno-infantil. In D. W. Winnicott, O ambiente e os processos de maturação. Artmed. [ Links ]

Winnicott, D. W. (1961/1989). Tipos de psicoterapia. In: D. W. Winnicott, Tudo começa em casa. Martins Fontes. [ Links ]

Winnicott, D. W. (1979) Dependência no cuidado do lactente, no cuidado da criança e na situação psica-nalítica (1963). In D. W. Winnicott, O ambiente e os processos de maturação. Artes Médicas. [ Links ]

Winnicott, D. W. (1975). O brincar & a realidade. Imago. [ Links ]

Recebido: 08 de Abril de 2025; Aceito: 23 de Agosto de 2025

Creative Commons License Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.