Com entusiasmo, apresentamos a edição 81 da Revista Nova Perspectiva Sistêmica, nossa primeira edição de 2025. Começamos com o artigo da seção Fronteiras, trazendo o texto de Sheila McNamee intitulado Ética como Potencial Discursivo. A autora argumenta que a prática terapêutica deve ir além da legalidade e da justiça, considerando a complexidade e diversidade do mundo. Em vez de uma ética universal e fixa, uma abordagem relacional valoriza o diálogo e a construção de significados locais. Isso permite coordenar diferentes perspectivas morais, promovendo soluções mais sensíveis ao contexto e às relações.
O segundo artigo da edição, escrito por Alexandra da Rosa Moreira, intitula-se Instantes que Transformam: Vivenciando a Postura Dialógica. A autora nos apresenta um ensaio teórico e vivencial que investiga, de forma poética, momentos transformadores em experiências dialógicas do cotidiano. Por meio de narrativas e reflexões sobre sua prática profissional, explora como encontros inesperados expandem nossa forma de estar no mundo. Também propõe aplicações clínicas, destacando a importância da conexão corporal em situações críticas.
O terceiro artigo, intitulado Contribuições Conceituais para a Terapia Sistêmica de Família, é de autoria de Cristina Campos Villaça. A autora explica que a terapia familiar sistêmica considera os contextos de vida e relações das pessoas. Conceitos como sofrimento social e interseccionalidade enriquecem essa abordagem, ampliando sua compreensão. Utilizando a interlocução com a antropóloga Veena Das, que pesquisa o sofrimento social, a autora integra ideias sobre experiência, cotidiano e testemunho, trazendo dimensões útis para terapeutas de família.
O quarto artigo, de Joana José Alves, intitula-se Sobre Racismo e Terapia: Convites Construcionistas Sociais de uma Psicóloga Negra. O texto convida psicólogos e terapeutas familiares a refletirem sobre o racismo na prática terapêutica, unindo teoria e experiência profissional. A partir do construcionismo social, propõe três abordagens: a análise histórica do racismo, seu impacto na identidade de terapeutas e clientes e o diálogo como meio de transformar práticas em direção a um atendimento antirracista.
Na sequência, temos o quinto artigo, Gênero na Terapia Familiar: Análise de Conteúdos de Cursos de Formação e Publicações Periódicas, de Erika Greicy Koyama Rehder e Lenise Santana Borges. O estudo analisa como a questão de gênero é abordada em institutos de terapia familiar e revistas científicas no Brasil, sob uma perspectiva socioconstrucionista. Enquanto a literatura internacional avança nos debates interseccionais, no Brasil a temática ainda é pouco explorada. Os resultados indicam a necessidade de maior aprofundamento teórico e da inclusão da perspectiva interseccional.
O sexto artigo intitula-se Desvalorização Afetiva por Parceiro Íntimo em Mulheres Vítimas de Relacionamentos Emocionalmente Abusivos, de Julia Fisch Zanotta Vieira e Clarissa De Antoni. As autoras explicam que relações emocionalmente abusivas são disfuncionais e podem gerar desvalorização afetiva, especialmente em mulheres. O estudo qualitativo analisou a experiência de 12 jovens vítimas de violência emocional, identificando três temas centrais: ciúme romântico, inferioridade e perda de identidade. Os resultados mostram impactos graves na saúde mental, como insegurança, desgaste emocional e autodegradação.
Por fim, o último artigo desta edição, Perguntas Reflexivas, Ética e Comunicação Não Violenta para o Trabalho com Homens Autores de Violência, de Bruna Krimberg von Muhlen e Adriano Beiras, busca ampliar metodologias para facilitadores de grupos reflexivos. O artigo integra as Perguntas Reflexivas de Tom Andersen, o modelo convidativo de Alan Jenkins e a Comunicação Não Violenta de Marshall Rosenberg. Embora cada método possua fundamentos distintos, juntos promovem responsabilização, ética e diálogos para desconstruir narrativas violentas.
Nas seções seguintes, iniciamos com Conversando com a Mídia, na qual Maria Cristina Viegas de Macedo nos convida a refletir sobre o mais recente filme do diretor Pedro Almodóvar. Em Ecos, apresentamos as reflexões e ressonâncias de Cecília Cruz Villares sobre o artigo Momentos Extraordinários, de Rosângela Russo, publicado na edição anterior.
Em Estante de Livros, temos a resenha de Rosana L. Rapiso sobre o livro A Construção Social de Práticas Relacionais Organizadas pelo Diálogo e a Colaboração, organizado por Marilene Grandesso. Para finalizar, em Família e Comunidade, Paula Ayub nos apresenta as rodas de conversa com familiares de adolescentes autistas de 16 anos.
Desejamos uma excelente leitura!
Equipe Editorial













