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Avaliação Psicológica

versão impressa ISSN 1677-0471versão On-line ISSN 2175-3431

Aval. psicol. vol.25  Campinas  2026  Epub 10-Abr-2026

https://doi.org/10.15689/ap.2026.25.e25570 

Relato de pesquisa

Leary Impostorism Scale (LIS): Evidências Psicométricas para o Contexto Brasileiro

Leary Impostorism Scale (LIS): Psychometric Evidence for the Brazilian Context

Leary Impostorism Scale (LIS): Evidencias Psicométricas para el Contexto brasileño

Paulo Gregório Nascimento da Silva1  1  , da elaboração do manuscrito

é doutor em Psicologia Social (UFPB). Integrante do NEDHES / UFPB e colaborador do LABAP-D/ UFDPar/ UFPI.


http://orcid.org/0000-0002-2878-309X

Gleyde Raiane de Araújo2  , da elaboração do manuscrito

atualmente é professora do departamento de psicologia da Faculdade Ieducare (FIED) e Centro Universitário Inta (UNINTA). Colaboradora do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria do Piauí - LABAP.


http://orcid.org/0000-0002-0680-1250

Ramnsés Silva e Araújo3  , da elaboração do manuscrito

é psicólogo (FAP) e mestre em psicologia (UFDPar). Colaborador do Laboratório de Neurociência e Psicologia Social (LANPSO).


http://orcid.org/0000-0001-5384-5785

Gustavo Oliveira Araujo3  , da elaboração do manuscrito

é psicólogo e mestre em psicologia (UFDPar). Integrante do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria do Piauí (LABAP).


http://orcid.org/0000-0002-1396-1025

Lívia Maria Gonçalves Leal Dantas3  , da elaboração do manuscrito

é mestranda em psicologia (UFDPar). Integrante do Laboratório de Avaliação Psicológica e Psicometria do Piauí (LABAP).


http://orcid.org/0009-0002-5800-359X

Emerson Diógenes de Medeiros3  , da elaboração do manuscrito

é mestre e doutor em psicologia social (UFPB). Atualmente é professor associado I do Departamento de Psicologia e do programa de pós-graduação em psicologia (UFDPar). Coordenador do Laboratório de Avaliação Psicológica do Delta (LABAP).


http://orcid.org/0000-0002-1407-3433

Ricardo Neves Couto3  , da elaboração do manuscrito

é mestre e doutor em psicologia social (UFPB). Atualmente, é professor do Departamento de Psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia (UFDPar).


http://orcid.org/0000-0001-9989-4857

Marco Antônio Silva Alvarenga4  , da elaboração do manuscrito

é mestre e doutor em psicologia (UFMG). Atualmente, é professor do departamento de psicologia e do Programa de Pós-graduação em Psicologia (UFSJ). Coordenador do Laboratório de Cognição, Cotidiano e Desenvolvimento (CODE.Lapex).


http://orcid.org/0000-0002-1168-5733

1Universidade Federal de São João del-Rei, São João del-Rei-MG, Brasil; Centro Universitário Inta - UNINTA, Sobral-CE, Brasil

2Faculdade Ieducare - FIED, Tianguá-CE, Brasil; Faculdade do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI, Brasil

3Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba-PI, Brasil

4Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa-PB, Brasil


RESUMO

O Fenômeno do Impostor (FI) caracteriza-se por sentimentos de dúvida e crenças distorcidas sobre a própria capacidade intelectual, apesar das evidências sugerirem o contrário. Contudo, formas de observar este fenômeno estão escassas no contexto brasileiro. Por este motivo, o presente estudo objetivou adaptar a Leary Impostorism Scale (LIS) para o português brasileiro, verificando suas propriedades psicométricas. Para tanto, procederam-se dois estudos com participantes de diferentes estados brasileiros. Para o estudo 1 (N=215) realizou-se a adaptação transcultural da LIS seguida de análise fatorial exploratória indicando uma estrutura unifatorial. Para o estudo 2 (N=353) aplicou-se a análise fatorial confirmatória, corroborando a estrutura unifatorial, com adequada consistência interna (>0,90), além disso a LIS apresentou correlação positiva com a Escala Clance do Fenômeno do Impostor, e o perfeccionismo desadaptativo. Já o perfeccionismo adaptativo e a autoestima relacionaram-se negativamente com impostorismo. Conclui-se que a LIS apresentou qualidades psicométricas satisfatórias.

Palavras-chave: fenômeno do impostor; validade; confiabilidade; universitário; escala

ABSTRACT

The Impostor Phenomenon (IP) is characterized by feelings of self-doubt and distorted beliefs about one’s intellectual capabilities, despite evidence to the contrary. However, methods for assessing this phenomenon are scarce in the Brazilian context. Therefore, the present study aimed to adapt the Leary Impostorism Scale (LIS) into Brazilian Portuguese and examine its psychometric properties. Two studies were conducted with participants from different Brazilian states. Study 1 (n=215) involved the cross-cultural adaptation of the LIS, followed by exploratory factor analysis, which indicated a single-factor structure. Study 2 (n=353) employed confirmatory factor analysis, corroborating the single-factor structure and demonstrating adequate internal consistency (>.90). Furthermore, the LIS showed positive correlations with the Clance Impostor Phenomenon Scale and maladaptive perfectionism, while adaptive perfectionism and self-esteem were negatively associated with impostorism. In conclusion, the LIS demonstrated satisfactory psychometric qualities.

Keywords: impostor phenomenon; validity; reliability; university student; scale

RESUMEN

El Fenómeno del Impostor (FI) se caracteriza por sentimientos de duda y creencias distorsionadas sobre la propia capacidad intelectual, a pesar de las evidencias que sugieren lo contrario. Sin embargo, los estudios para observar este fenómeno son escasos en el contexto brasileño. Por esta razón, el presente estudio tuvo como objetivo adaptar la Leary Impostorism Scale (LIS) al portugués brasileño y verificar sus propiedades psicométricas. Para ello, se realizaron dos estudios con participantes de distintos estados brasileños. El Estudio 1 (N=215) implicó la adaptación transcultural de la LIS, seguida de un análisis factorial exploratorio, que indicó una estructura unifactorial. El Estudio 2 (N=353) aplicó un análisis factorial confirmatorio, corroborando la estructura unifactorial, con una consistencia interna adecuada (>0.90). Además, la LIS mostró una correlación positiva con la Escala de Clance del Fenómeno del Impostor y con el perfeccionismo desadaptativo. Por el contrario, el perfeccionismo adaptativo y la autoestima se relacionaron negativamente con el fenómeno del impostor. Se concluye que la LIS presentó cualidades psicométricas satisfactorias.

Palabras clave: fenómeno del impostor; validez; fiabilidad; universitarios; escala

O Fenômeno do Impostor (FI) descreve sentimentos e experiências intensas de que se é uma fraude intelectual e profissional. É uma crença distorcida que o indivíduo tem sobre a própria inteligência, apesar de evidências (e.g., conquistas anteriores) sugerirem o contrário (Gopal et al., 2023; Kimball et al., 2021). Devido a isto, atribuem seu sucesso a fatores externos (e.g., sorte, acaso, trabalho árduo etc.) e não à própria competência. Assim, o FI é desadaptativo, envolvendo o medo de ser avaliado, falhar e ser descoberto (Fassl et al., 2020). Esse sentimento generalizado de dúvida e o medo de ser exposto como uma fraude ocasionam um sofrimento psicológico significativo (Martin et al., 2024; Silva et al., 2023).

O FI foi inicialmente descrito por Clance e Imes (1978), a partir de observações clínicas em mulheres com superdotação. Os estudos iniciais apontaram que o FI era prevalente em mulheres; entretanto, há indícios de que ocorra em ambos os sexos, em forma de resposta afetiva que é evocada em contextos e situações específicas (Silva et al., 2023). As pesquisas sobre o tema envolvem variáveis psicossociais e grupos distintos, a exemplo da autoestima, identidade racial, tolerância à incerteza, inflexibilidade psicológica, burnout, sendo prevalente, principalmente, em estudantes universitários da área de saúde (e.g., medicina, odontologia, enfermagem e farmácia) (Cokley et al., 2024; Kimball et al., 2021; Malouf et al., 2023).

Estima-se que a população de estudantes universitários pode ser particularmente vulnerável ao FI (Khalil et al., 2024), afetando os estudantes de diferentes níveis educacionais (graduação, mestrado e doutorado) (Fassl et al., 2020). Além disso, sabe-se que FI é um mecanismo que explica os efeitos negativos de construtos psicossociais. As evidências sugerem que algumas características individuais, como perfeccionismo e a autoestima, são preditores importantes do FI. Isto é corroborado por pesquisas que concluíram que estudantes que são perfeccionistas desadaptativos manifestam níveis mais baixos de autoestima, vivenciando com maior intensidade o impostorismo (Gopal et al., 2024; Soares et al., 2021).

Além disso, verifica-se que o FI pode funcionar como um importante mediador da relação entre perfeccionismo desadaptativo e ideação suicida em estudantes de medicina (Brennan-Wydra et al., 2021), ou da relação entre perfeccionismo desadaptativo e menores níveis de felicidade, autoeficácia, envolvimento acadêmico, baixa autoestima, estresse emocional, exaustão física, sintomas de depressão e ansiedade em estudantes universitários (Campos et al., 2022; Fassl et al., 2020; Pákozdy et al., 2024; Soares et al., 2021). Essas evidências apontam que o FI é um construto psicossocial que afeta a saúde geral. Assim, devido à sua importância, os pesquisadores elaboraram métodos distintos para avaliar o fenômeno. Especificamente, quatro medidas configuram-se como as principais utilizadas para a mensuração do FI (para mais informações, ver a revisão sistemática de Mak et al., 2019).

Respectivamente, apresenta-se a Harvey Impostor Phenomenon Scale ([HIPS] Harvey 1981), composta por 14 itens, que avaliam a intensidade do FI em estudantes universitários. Posteriormente, por meio de observações clínicas, Clance (1985) desenvolveu a Clance Impostor Phenomenon Scale (CIPS), composta por 20 itens, que avaliam de forma global sentimentos e atributos clínicos do impostorismo, incluindo o medo de avaliação, sentimentos de incapacidade e o medo do sucesso não se repetir. A medida é composta por 20 itens, que não tinham sido abordados previamente pelo HIPS (Clance, 1985). Em 1991, Kolligian e Sternberg desenvolveram a Perceived Fraudulence Scale (PFS), com 51 itens, divididos em dois fatores (inautenticidade e autodepreciação). A definição do FI foi pautada na autopercepção de fraude, combinando componentes cognitivos e afetivos, enfatizando o papel da autoestima, do gerenciamento de impressões e do automonitoramento na compreensão do FI.

Por fim, a Leary Impostorism Scale (LIS), proposta por Leary et al. (2000). Reúne sete itens, elaborados a partir da conceituação unidimensional do FI proposta por Clance (1985). A LIS é o foco da presente pesquisa, por se tratar de uma alternativa curta, para a avaliação do FI, sua brevidade permite que sejam realizadas múltiplas administrações ao longo do tempo, sem sobrecarregar o respondente (Martin et al., 2024). Além disso, contar com medidas curtas facilita a avaliação de construtos em contextos em que há poucos recursos para coleta de dados ou estudos com múltiplas variáveis, podendo ocasionar um aumento significativo na taxa de retorno das respostas, especialmente para pesquisas que não têm financiamento ou não podem subsidiar os participantes (Medeiros et al., 2023). Dito isto, o instrumento LIS foi elaborado como alternativa à CIPS, avaliando de forma similar o FI. Entretanto, aponta-se a necessidade de averiguar os parâmetros de validade da LIS, para estabelecer suas qualidades psicométricas e potencial utilidade como uma medida padrão-ouro para avaliação do FI (Mak et al., 2019).

Ressalta-se que a CIPS e a LIS são as duas medidas mais usadas, sendo a primeira, respectivamente, mais popular (Freeman et al., 2022); contendo, inclusive, uma versão adaptada para o Brasil, que corroborou a estrutura unidimensional da CIPS (Bezerra et al., 2021; Silva et al., 2023). Os estudos que utilizaram a CIPS ajudaram no entendimento da temática no contexto brasileiro, principalmente em amostras com universitários. Cita-se, por exemplo, o estudo realizado por Campos et al. (2022), com 425 estudantes, que identificou a prevalência de sintomas entre graves (38,35%) e muito graves (15,06%) de FI, principalmente entre aqueles com diagnóstico médico prévio de depressão e ansiedade e o uso de antidepressivos e síndrome de burnout. Na pesquisa de Silva et al. (2023), constatou-se que estudantes universitários mais jovens e com níveis de neuroticismo eram propensos ao impostorismo. Já aqueles com evidente conscienciosidade, ou seja, pessoas organizadas e responsáveis, eram menos suscetíveis ao FI.

Leary Impostor Scale (LIS)

A Leary Impostor Scale (LIS) (Leary et al., 2000) reúne sete itens, elaborados a partir da definição do impostorismo como um sentimento central de inautenticidade e fraude (Martin et al., 2024). Pautando-se numa perspectiva unidimensional, a compreensão do construto não é focada apenas em pessoas bem-sucedidas, mas nos sentimentos dos indivíduos em geral, de como eles se percebem como uma fraude (Mak et al., 2019). Assim, o FI é concebido como um estado afetivo que é manifestado em situações específicas (Leary et al., 2000; Para et al., 2024).

Os itens da LIS são respondidos em uma escala Likert, que varia de 1 (nada característico para mim) a 5 (extremamente característico para mim). Na pesquisa de elaboração da LIS, a medida apresentou boa consistência interna (alfa de Cronbach, α=0,87). Além disso, o instrumento foi correlacionado com outros, que haviam sido elaborados previamente (HIPS, PFS e CIPS), apresentando relações que variaram de 0,70 a 0,80 (Leary et al. 2000), evidenciando uma boa validade convergente da LIS para avaliação do construto.

Por ser um dos instrumentos mais utilizados, as diferentes pesquisas que usaram a LIS possibilitaram identificar a rede nomológica do FI, tais como a relação com atitudes, construtos psicossociais e comportamentos em diferentes grupos (Para et al., 2024; Price et al., 2024). Foi possível entender, por exemplo, como o FI afeta o desempenho de gestores de empresas (Guedes, 2024); para explicar a relação entre perfeccionismo e estresse em estudantes universitários (Soares et al., 2021), ou para investigar a prevalência do FI em diretores de programas de residência em medicina de família (Gopal et al., 2023). Entretanto, apesar de ser um dos instrumentos mais utilizados sobre a temática do FI, sua estrutura interna ainda é pouco explorada, apesar de serem observados esforços para sanar essa lacuna (Martin et al., 2024).

Por exemplo, no estudo de Freeman et al. (2022), com 148 educadores da área da saúde de nove países (Austrália, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, Portugal, Reino Unido, Singapura, Tailândia e Turquia), utilizando a Análise Fatorial Exploratória (AFE), a estrutura teórica unifatorial foi corroborada, explicando 73,4% da variância. A consistência interna da LIS foi avaliada pelo indicador alfa de Cronbach (α), alcançando um valor de 0,94, considerado meritório. Além disso, foi estabelecida uma correlação positiva entre as pontuações totais da CIPS e da LIS (r=0,83 <0,001), reforçando a pertinência de utilizar a LIS como uma alternativa curta e psicometricamente adequada para avaliar o FI. Posteriormente, Martin et al. (2024) validaram a LIS para o contexto australiano, com uma amostra de 161 mestrandos em psicologia. A análise fatorial exploratória corroborou a estrutura unifatorial, explicando 73,6% da variância do modelo, com adequada consistência interna (α=0,94).

Por fim, considerando o exposto, verifica-se a necessidade de serem exploradas as qualidades métricas da medida. Estima-se que isso ajudará a estabelecer a LIS como uma medida importante na avaliação e compreensão do construto (Mak et al., 2019). Assim, o presente estudo tem o objetivo geral de adaptar a LIS para o português brasileiro e averiguar indícios de suas propriedades psicométricas para esse contexto, verificando evidências de validade baseada em medidas externas. Nesse último aspecto de validade, espera-se que o fenômeno do impostor, respectivamente, se relacione positivamente com o perfeccionismo desadaptativo e de forma negativa com a autoestima (Brennan-Wydra et al., 2021; Soares et al., 2021). Para tanto, foram realizados dois estudos, que serão descritos a seguir.

Estudo 1. Adaptação e evidências psicométricas da Leary Impostorism Scale (LIS)

Método

Participantes

Participaram 215 estudantes universitários de diferentes estados brasileiros (Midade=25,56; DP=7,42). Estes eram em sua maioria do estado do Ceará (78,6%), do sexo feminino (62,3%), de instituições particulares (73%) e cursando Psicologia (53%).

Instrumentos

Leary Impostorism Scale (LIS). Instrumento elaborado por Leary et al. (2000), reúne sete itens que avaliam a sensação de ser um impostor ou uma fraude. Seus itens são respondidos numa escala Likert de 5 pontos, variando de 1 (nunca) a 5 (quase sempre).

Questionário Sociodemográfico. Composto pelas seguintes variáveis: idade, sexo, estado, curso e tipo de instituição de ensino (pública ou privada).

Procedimentos

Inicialmente, procedeu-se ao método backtranslation, realizando-se traduções às cegas da LIS, que foi traduzida para o português brasileiro por dois tradutores independentes e retraduzida para o inglês. O procedimento foi realizado para averiguar a equivalência dos itens das duas versões (português e inglês). Posteriormente, procedeu-se à validação semântica, que contou com a participação de 10 estudantes universitários, dos primeiros e últimos períodos. Nesta oportunidade, foi verificado se os itens e o formato da medida (e.g. compreensão e deselegância). Nesse passo, não foram observadas necessidades de modificações.

Após a aprovação da pesquisa pelo Comitê de Ética e Pesquisa (CAAE: 84187724.4.0000.0192, Parecer 7.200.054), foi iniciada a recolha dos dados, por meio da técnica de amostragem bola de neve, com o link da pesquisa compartilhado em redes sociais e aplicativos de mensagens (e.g., Facebook®, Instagram®, WhatsApp®, X® e Telegram®). Para aqueles que optaram por participar, foram informados, no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), os propósitos gerais da pesquisa, o seu caráter voluntário, individual, o anonimato das respostas dos instrumentos e os riscos aos participantes.

Análise de dados

Por meio do software Factor 10.10.03, averiguou-se a dimensionalidade da LIS. Realizou-se uma Análise Fatorial Exploratória (Unweighted Least Squares) considerando a matriz de correlações policóricas. Para definir o número de fatores, foi utilizado o método Hull, além de indicadores complementares de acurácia (clonesses) de unidimensionalidade: o Unidimensional Congruence (UniCo) e Mean of Item REsidual Absolute Loadings (MIREAL). Valores >0,95 no primeiro e <0,30 no segundo indicam dados essencialmente unidimensionais. Ademais, verificou-se a consistência interna (precisão) pelo coeficiente alfa de Cronbach (α) com base nas correlações policóricas e pelo ômega (ω) de McDonald.

Resultados

Inicialmente, observou-se a adequação da matriz de correlações policóricas à análise fatorial [KMO=0,92 (IC95%=0,85 - 0,92) e χ² Bartlett (21)=1446,2 e p<0,001]. O método Hull indicou uma estrutura unifatorial (CFI=0,99), com autovalor de 5,07, explicando 76,16% da variância. A unidimensionalidade da LIS foi corroborada por outros indicadores (Ferrando & Lorenzo-Seva, 2018): UniCo=0,99 (IC95%=0,99 - 0,99), ECV=0,94 (IC95%=0,93 - 0,96) e MIREAL=0,18 (IC95%=0,13 - 0,20). Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 Estrutura Fatorial Exploratória da Leary Impostorism Scale (LIS) 

Conteúdo dos Itens F1 IC95% h2
4. Em algumas situações me sinto como impostor(a). 0,92 (0,87 - 0,95) 0,84
6. Em algumas situações sinto-me como “um falso/impostor”; isto é, eu não sou tão genuíno(a) quanto as pessoas pensam que realmente eu sou. 0,90 (0,83 - 0,93) 0,81
7. Em algumas situações eu ajo como um impostor(a). 0,88 (0,82 - 0,93) 0,78
5. Às vezes eu temo que outros descubram o quanto de conhecimento ou habilidade realmente me faltam. 0,87 (0,82 - 0,91) 0,76
2. Eu costumo me sentir um(a) falso(a). 0,86 (0,80 - 0,91) 0,75
3. Tenho medo das pessoas que são importantes para mim, talvez descubram que não sou tão capaz como eles pensam que sou. 0,78 (0,68 - 0,84) 0,60
1. Às vezes fico assustado(a)/com medo de que serei descoberto(a) por quem eu realmente sou. 0,72 (0,61 - 0,81) 0,52
Número de itens 7
Valor próprio 5,07
Variância explicada (%) 76,16
Alfa de Cronbach (α) 0,95
Ômega de McDonald (ω) 0,95

Nota. h²=comunalidade

É possível observar na Tabela 1 que todos os itens saturaram no fator impostorismo, com cargas fatoriais variando de 0,72 (Item 1, Às vezes fico assustado(a)/com medo de que serei descoberto(a) por quem eu realmente sou) a 0,92 (Item 4, Em algumas situações me sinto como impostor(a)), tendo carga fatorial média de 0,85 (DP=0,07). A consistência interna foi avaliada pelos indicadores Alfa de Cronbach (α) e ômega de McDonald (ω), que foi de 0,95, valor considerado meritório, segundo o ponto de corte sugerido na literatura (≥0,70, Marôco, 2021). Posteriormente, para que fossem asseguradas as qualidades psicométricas da LIS, foram reunidas evidências complementares de validade (construto, convergente e para medidas externas). Procedeu-se a uma Análise Fatorial Confirmatória (AFC), por ser uma técnica robusta.

Estudo 2. Evidências complementares de validade da Leary Impostorism Scale (LIS)

Método

Participantes

Participaram 353 estudantes universitários da cidade de Parnaíba, no Piauí (Midade=22,16; DP=6,65, com idades entre 18 e 65 anos), do sexo feminino (73,7%), de instituições públicas (54,4%), cursando Psicologia (71,1%). O recrutamento utilizou a técnica bola de neve (amostra não probabilística, acidental), por link da pesquisa compartilhado em redes sociais e aplicativos de mensagens (e.g., Facebook®, Instagram®, WhatsApp®, X® e Telegram®).

Instrumentos e Procedimento

Os procedimentos foram similares aos do Estudo 1, com acréscimo de mais dois instrumentos. Além da LIS, adaptada no estudo 1 e do questionário sociodemográfico, os participantes responderam à Escala Clance do Fenômeno do Impostor (ECFI) (Clance, 1985), versão brasileira de Bezerra et al. (2021), que reúne 20 itens que avaliam as experiências impostoras. Os itens são respondidos por uma escala Likert, que varia de 1 (não me descreve) a 5 (me descreve totalmente). Nessa pesquisa, a consistência interna foi de (α=0,93).

Escala de Quase Perfeição (EQP) (Rice et al., 2014), adaptada para o Brasil por Coelho et al. (2021), reúne oito itens, distribuídos em dois fatores: um adaptativo (padrões elevados), com (α) no presente estudo, de 0,76. Já o perfeccionismo desadaptativo (discrepância) teve boa consistência interna (α=0,83). Os itens são respondidos por uma escala que varia de (1= Discordo fortemente a 7= Concordo fortemente).

Escala de Autoestima de Rosenberg (EAR) (Rosenberg, 1965). Foi utilizada a versão reduzida (Monteiro et al., 2021), que reúne cinco itens, respondidos por uma escala de 7 pontos (1 = Discordo totalmente; 7 = Concordo totalmente). Neste estudo, a precisão (α) foi de 0,83.

Questionário Sociodemográfico. Composta pelas seguintes variáveis: idade, sexo, estado, curso e tipo de instituição de ensino (pública ou privada).

Análise de dados

Com o SPSS procedeu-se as análises descritivas e pelo software R, com o pacote Lavaan, realizou-se a AFC (estimador Weighted Least Squares Mean and Variance-Adjusted, WLSMV). O modelo considerou os indicadores (Hair et al., 2019): 1. Comparative Fit Index (CFI) - é um índice comparativo; 2. Tucker-Lewis Index (TLI) - medida de parcimônia entre os índices do modelo proposto e nulo, variando de zero a um. Os índices consideram aceitáveis valores >0,90; 3. Root-Mean-Square Error of Approximation (RMSEA) e seu intervalo de confiança de 90% (IC90%), recomendando-se valores entre 0,05 e 0,08, admitindo até 0,10.

A precisão da medida foi calculada por meio do alfa de Cronbach e ômega de McDonald, além da Confiabilidade Composta (CC). Por fim, buscando reunir evidências complementares de validade. Para tanto, foram realizadas correlações de Spearman (ρ), que avaliaram a relação da LIS com outras medidas (validade convergente e baseada em medidas externas, respectivamente). Para a validade convergente, que reflete a extensão em que duas medidas capturam um mesmo construto, recomenda-se relações de magnitudes acima de 0,70; entretanto, admitem-se valores ≥0,50 (Carlson & Herdman, 2011). Já para a validade baseada em medidas externas, admitem-se relações entre 0,20 e 0,50, para que sejam reunidas evidências de validade externa com construtos relacionados (Nunes & Primi, 2010).

Por fim, foi avaliada a invariância de medida, para garantir a possibilidade de comparação das pontuações da Leary Impostorism Scale (LIS) entre grupos. Assim, buscou-se conhecer se a medida é invariante entre os sexos dos participantes. A invariância foi avaliada por meio de três modelos (Milfont & Fischer, 2010): 1. Configural, usado para verificar se a estrutura é invariante; 2. Métrica, que avalia se as cargas fatoriais são invariantes; e 3. Escalar, para avaliar se os interceptos são equivalentes. Se os valores de ΔCFI e ΔRMSEA forem inferiores a 0,010 e 0,015, respectivamente, quando um modelo com menos restrição é comparado ao próximo mais restrito, considera-se que o modelo é invariante (Chen, 2007), e, portanto, é possível comparar médias e correlações (Davidov et al., 2014).

Resultados

A estrutura unifatorial da LIS apresentou ajuste adequado (CFI=0,997, TLI=0,996, RMSEA (IC90%)=0,044 (0,001-0,074), Pclose>0,05). Todas as cargas fatoriais (λ) foram estatisticamente diferentes de zero (0; t>1,96, p<0,05). A confiabilidade foi considerada adequada (α, ω e CC=0,93). Na Figura 1 é possível ver mais detalhes.

Figura 1 Estrutura Fatorial da Leary Impostorism Scale (LIS) 

Em relação às evidências adicionais de validade, verificadas por meio do coeficiente de correlação de Spearman (ρ), que avaliou a relação da LIS com outras medidas (validade convergente e baseada em medidas externas, respectivamente). Assim, a LIS apresentou relações positivas e significativas com a Escala Clance do Fenômeno do Impostor (ρ=0,66; p<0,001) e com o perfeccionismo desadaptativo (ρ=0,47; p<0,001). Além disso, foram observadas relações negativas e significativas com o perfeccionismo adaptativo (ρ =-0,14; p<0,05) e a autoestima (ρ=-0,60; p<0,001).

Adicionalmente, buscou-se conhecer em que medida a LIS apresenta invariância de medidas. Para tanto, foi realizada a Análise Fatorial Confirmatória Multigrupo (AFCMG). Especificamente, testou-se se homens e mulheres respondem de forma semelhante à medida. Para isso, foram considerados três modelos (configural, métrico e escalar). Como pode ser visto na Tabela 2, a LIS foi totalmente invariante para os sexos.

Tabela 2 Invariância de medida entre sexo dos participantes 

Variável Modelo CFI RMSEA ΔCFI ΔRMSEA
Sexo
Masculino (n=93) Configural 0,997 0,044 - -
Feminino (n=260) Métrica 1,000 0,038 -0,003 0,006
Escalar 0,997 0,034 0,003 0,004

Nota. Δ=Diferença entre o modelo atual e o prévio; CFI=Comparative Fit Index; RMSEA=Root-Mean-Square Error of Approximation

Discussão

Esse estudo objetivou adaptar a LIS para o português brasileiro, verificando indícios de validade da medida (estrutura interna, convergente e com construtos relacionados), sendo realizados dois estudos. Especificamente, no estudo 1, a AFE indicou uma estrutura unifatorial da LIS, que explicou 76,16% da variância do construto; resultado similar ao de estudos prévios (Freeman et al., 2022; Martin et al., 2024), percentual que é adequado em ciências sociais, pois sua variância explicou mais de 60% do construto (Hair et al., 2019). Isto indica que os itens estão estreitamente relacionados, atestando a unidimensionalidade da LIS (Hair et al., 2019), corroborada pelos indicadores UniCo, ECV e MIREAL (Ferrando & Lorenzo-Seva, 2018).

Esses resultados corroboram a estrutura teórica unidimensional do instrumento (Leary et al., 2000). Essa dimensionalidade já foi corroborada em amostras de diferentes países (e.g., Austrália, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, Portugal, Reino Unido, Singapura, Tailândia e Turquia) (Freeman et al., 2022; Martin et al., 2024). Nos resultados do estudo 2, os indicadores de ajuste de bondade do modelo da AFC corroboraram a sua unidimensionalidade (CFI = 0,999, TLI = 0,998) (Hair et al., 2019; Marôco, 2021).

Posteriormente, a consistência interna (precisão) da LIS foi verificada pelos indicadores alfa de Cronbach (α) e ômega de McDonald (ω), no estudo 1, acrescido da CC, no estudo 2. Os resultados nos dois estudos foram meritórios, variando entre 0,90 e 0,95. Esses valores são superiores ao ponto de corte estabelecido (≥0,70) (Marôco, 2021), melhores, inclusive, ao estudo que originou a LIS, que foi de 0,87 (Leary et al., 2000). Esses indicadores são similares aos observados em estudos prévios (Freeman et al., 2022; Martin et al., 2024).

Também foram reunidas evidências adicionais de validade. Por meio da relação da ECFI com a LIS, foi atestada a validade convergente, estabelecendo-se uma correlação positiva significativa de 0,66 (Carlson, & Herdman, 2011). Ademais, a LIS é um instrumento curto em comparação à ECFI, instrumento já adaptado para o Brasil (Bezerra et al., 2021), que é considerado padrão ouro na mensuração do construto (Mak et al., 2019). Estudos prévios indicaram que a CIPS e a LIS apresentam correlações entre 0,70 e 0,83, sugerindo que as medidas são similares. Isso demonstra que a LIS pode ser uma alternativa para avaliação do FI (Freeman et al., 2022; Mak et al., 2019), que, por ter menos itens, pode auxiliar nos estudos do FI e seus correlatos.

Ainda, foram reunidas evidências de validade baseadas em medidas externas. A LIS apresentou uma relação positiva com o perfeccionismo desadaptativo, além de correlações negativas com o perfeccionismo adaptativo e a autoestima (Brennan-Wydra et al., 2021; Gullifor et al., 2024; Soares et al., 2021), apresentando, respectivamente, correlações (ρ) de 0,47 (p<0,001), - 0,14 (p<0,05) e - 0,60 (p<0,001), sugerindo evidências de validade baseada em medidas externas (Nunes & Primi, 2010).

Por fim, a LIS mostrou-se invariante em relação ao sexo dos participantes, sugerindo equivalência entre os grupos. Estima-se que em pesquisas futuras, deva-se fazer comparações mais precisas, auxiliando na compreensão adequada sobre as possíveis diferenças entre homens e mulheres, pois na literatura observam-se resultados mistos (Price et al., 2024). Alguns estudos apontam que as mulheres têm maiores níveis de FI, enquanto outros sugerem não haver diferenças significativas entre o sexo biológico dos participantes (Erekson et al., 2022; Silva et al., 2023). Além disso, por ser uma análise robusta, essas evidências reforçam que a LIS é um instrumento promissor, que pode ser útil para comparação de grupos sem viés de não equivalência (Davidov et al., 2014; Fischer & Karl, 2019).

Em suma, a presente pesquisa teve resultados favoráveis; entretanto, não se isenta de limitações. Por exemplo, a amostra, que foi não probabilística, impedindo que os resultados sejam considerados para além da amostra. No entanto, não se pretendeu generalizações, mas propor uma medida com boas evidências psicométricas. Ademais, o caráter transversal e a natureza correlacional dessa pesquisa, impede a realização de inferências causais (Silva et al., 2025). Pontuadas as limitações, são apresentadas algumas formas de superá-las em pesquisas futuras. Por exemplo, é necessário considerar outras amostras, para além do contexto acadêmico universitário; público, no qual, as pesquisas com amostras brasileiras têm se concentrado (Bezerra et al., 2021; Campos et al., 2022; Silva et al., 2023). Também seria interessante relacionar a LIS com outras variáveis; isso ajudaria na elaboração e entendimento de mecanismos associados ao FI.

Devido às consequências prejudiciais do FI, é importante examinar de forma sistemática os fatores contextuais do FI, estendendo os estudos para grupos laborais e acadêmicos, além de relacionar o FI com construtos específicos desses ambientes, como burnout (Jefferson et al., 2024; Malouf et al., 2023), workaholicismo e satisfação no trabalho (Gullifor et al., 2023; Hudson & González-Gómez, 2021). Já no contexto acadêmico, sugere-se ampliar as pesquisas para construtos correlacionais, que ainda não foram explorados no Brasil, como o papel do FI na relação com perfeccionismo e sintomas de ansiosos e depressivos (Campos et al., 2022; Soares et al., 2021), ideação suicida (Brennan-Wydra et al., 2021), autoeficácia e envolvimento acadêmico em estudantes universitários (Pákozdy et al., 2024). Assim, os pesquisadores devem continuar investigando o papel do fenômeno do impostor em diferentes desfechos para a saúde.

É pertinente ressaltar a relevância de fatores protetivos para atenuar os efeitos negativos, que estão relacionados ao FI (Wei et al., 2024). Ademais, de forma prática, deve-se planejar intervenções na clínica, com práticas baseadas em evidências, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Por exemplo, é particularmente terapêutica a terapia individual ou em grupo para discutir sentimentos impostores (Bravata et al., 2020). Também é aconselhável atuações abrangentes e de longo prazo, para avaliar a eficácia das intervenções, os seus impactos nas mudanças comportamentais e o estabelecimento de redes de apoio (individuais, de pares e institucionais). Essas práticas podem desempenhar um papel importante na promoção do bem-estar e enfrentamento eficaz daqueles que vivenciam FI (Siddiqui et al., 2024).

Em conclusão, evidenciou-se que a LIS é uma medida potencialmente útil, sendo um instrumento curto e unidimensional. Esta pesquisa forneceu evidências sobre a sua relação com outros construtos (perfeccionismo desadaptativo e autoestima), como proposto teoricamente, reforçando a pertinência de considerar a LIS em pesquisas futuras. Estima-se que o instrumento possa auxiliar pesquisadores e interessados no fenômeno do impostor no Brasil, estimulando a execução de pesquisas futuras e a ampliação do escopo de evidências sobre o construto.

Agradecimentos

Agradecimentos: Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPE), Programa de Pós-Graduação de Psicologia da UFSJ (PPGPSI-UFSJ) e Centro de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

FinanciamentoO presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001.

Disponibilidade de dados e materiais

Todos os dados e sintaxes gerados e analisados durante esta pesquisa serão tratados com total sigilo devido às exigências do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos. Porém, o conjunto de dados e sintaxes que apoiam as conclusões deste artigo estão disponíveis mediante razoável solicitação ao autor principal do estudo.

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Recebido: Agosto de 2024; Aceito: Junho de 2025

1 Endereço para correspondência: Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Praça Dom Helvécio, 74, sala 2.12B, Dom Bosco, 36301-160, São João Del-Rei, MG. E-mail:silvapgn@gmail.com

Conflitos de interesses

Os autores declaram que não há conflitos de interesse.

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