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Revista do NUFEN

versão On-line ISSN 2175-2591

Rev. NUFEN vol.17  Belém  2025  Epub 11-Abr-2025

https://doi.org/10.26823/rnufen.v17i1.25678 

ENSAIO/TEÓRICO

A Desconstrução do sujeito na era informacional

The Deconstruction of the Subject in the Information Age

La deconstrucción del sujeto en la era informacional

Patrícia dos Santos Rocha1 
http://orcid.org/0000-0002-9703-0235

Antonio Sergio da Costa Nunes2 
http://orcid.org/0000-0002-9806-4437

1Universidade Federal do Pará (UFPA)

2Universidade Federal do Pará (UFPA)


RESUMO

A era informacional (1950) se iniciou com os grandes avanços tecnológicos, o que possivelmente ocasionou uma desconstrução do sujeito que passou a ser concebido, não mais, como único que possui informação. Nessa época, o filósofo e psicólogo J.J. Gibson (1979/1986) estabeleceu o conceito de informação que não depende de um sujeito para existir. Assim, o objetivo do texto é analisar a concepção de desconstrução do sujeito na era informacional proposta em Gibson, levando em consideração a crítica de Husserl (1936/2002) às ciências modernas e a semiótica de Peirce (1839-1914/2005). Quanto à metodologia, trata-se de um ensaio exploratório, de abordagem fenomenológica qualitativa. O procedimento inclui o exame bibliográfico. Conclui-se que não houve uma desconstrução do sujeito, mas o seu esquecimento.

Palavras-chave: Filosofia e Psicologia Ecológica; Informação; Percepção; Fenomenologia; Semiótica

ABSTRACT

The information age (1950) began with major technological advances, which possibly led to a deconstruction of the subject, who no longer began to be conceived as the only one who possesses information. At that time, philosopher and psychologist J.J. Gibson (1979/1986) established the concept of information that does not depend on a subject to exist. Thus, the objective of the text is to analyze the conception of deconstruction of the subject in the informational age proposed by Gibson, taking into account Husserl’s (1936/2002) criticism of modern sciences and Peirce’s semiotics (1839-1914/2005). As for the methodology, it is an exploratory essay, with a qualitative phenomenological approach. The procedure includes bibliographic examination. It is concluded that there was no deconstruction of the subject, but rather its oblivion.

Keywords: Philosophy and Ecological Psychology; Information; Perception; Phenomenology; Semiotics

RESUMEN

La era de la información (1950) comenzó con grandes avances tecnológicos, que posiblemente llevaron a una deconstrucción del sujeto, quien ya no comenzó a ser concebido como el único que posee información. En ese momento, el filósofo y psicólogo J.J. Gibson (1979/1986) estableció el concepto de información que no depende de un sujeto para existir. Así, el objetivo del texto es analizar la concepción de deconstrucción del sujeto en la era informacional propuesta por Gibson, teniendo en cuenta la crítica de Husserl (1936/2002) a las ciencias modernas y la semiótica de Peirce (1839-1914/2005). En cuanto a la metodología, se trata de un ensayo exploratorio, con un enfoque fenomenológico cualitativo. El procedimiento incluye examen bibliográfico. Se concluye que no hubo una deconstrucción del sujeto, sino su olvido.

Palabras-clave: Filosofía y Psicología Ecológica; Información; Percepción; Fenomenología; Semiótica

Introdução

Do renascimento, aproximadamente, entre os séculos XV e XVI, o sujeito (aqui é usado em referência ao ser humano) foi concebido como o centro do Universo, uma “visão antropocêntrica” em oposição ao teocentrismo de até então. Essa posição privilegiada, dava-lhe o status de uma “entidade superior” às demais espécies, uma soberania pelo fato de possuir uma mente (Silveira, 2013).

Com a era da informação, século XX, resultado dos grandes avanços tecnológicos, o sujeito foi sendo compreendido dentro do mesmo nível de igualdade em relação aos outros organismos. Isso quer dizer que, com o surgimento de um novo paradigma informacional, descobriu-se que o sujeito não é o único que armazena, processa ou transmite informação, existem outros organismos, vivos e não vivos, que executam essa função (Moraes, 2014).

Um exemplo de um organismo não vivo, nessa época, década de 1950, é o computador, que transmite, processa e armazena informação. Nesse momento, com a Tese de Turing, “Pensar é calcular”, houve a possibilidade de cogitar as máquinas como possuidoras de uma “mente” (Moraes, 2014). Já um exemplo de organismo vivo (não humano), transmitindo informação, são as plantas com o seu ambiente. Esse último protótipo, só foi possível pensar com o teórico Gibson (1979/1986).

As mudanças que ocorreram, podem ser observadas a partir da virada informacional na Filosofia, marcadas, principalmente, [...] pelas pesquisas desenvolvidas por Shannon e Weaver (1949, 1998), Turing (1950) e Wiener (1948, 1954, 1965) que influenciaram diretamente o desenvolvimento da Ciência Cognitiva, e a criação da Inteligência Artificial e Cibernética. Nelas, “os processos mentais foram reproduzidos a partir de protótipos mecânicos, em outras palavras, por computadores, isso, consequentemente, gerou uma desconstrução do sujeito que não é único que possui informação” (Moraes, 2014, p. 25-26).

Diante do contexto da Virada Informacional na Filosofia, temos James Jerome Gibson (1979/1986) que criou um conceito para o termo informação, relacional e significativa, entre organismo e ambiente, e desenvolveu duas novas teorias onde aplicou essa nova definição de informação, a primeira é a de affordance, que é tudo aquilo que o ambiente possibilita para o organismo agir nele; e a segunda é da percepção direta, que é a percepção e ação sem processos mentais (Sillmann, 2010).

O objetivo do texto é analisar a concepção de desconstrução do sujeito na era informacional proposta em Gibson (1979/1986), levando em consideração a crítica de Husserl (1936/2002) às Ciências Modernas e a semiótica de Peirce (1839-1914/2005). O tema neste artigo deriva da dissertação de mestrado em Psicologia apresentada ao Programa de Pós-graduação do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFPA, linha de pesquisa Fenomenologia: teoria e clínica, defendida pela primeira autora. A análise foi baseada na apresentação das teorias de ambos os autores, e em um estudo de caso de uso do Facebook, realizado por um pesquisador selecionado nas bases de dados consultados. Ensejamos mostrar, a partir do estudo de caso, que vivemos na era da Inteligência Artificial, onde as máquinas ou programas computacionais, como o social boots, que transmitem, processam e guardam informação o tempo todo, principalmente nas redes sociais como o Facebook, Instagram, etc. Explicitamos que o estudo de caso visa elucidar que a disseminação de informação muito rápida, de propagandas publicitárias, campanhas de desinformação, fake News, etc. atinge o âmbito da subjetividade de cada indivíduo, configurando significado a informação.

Metodologia

Em uma abordagem qualitativa fenomenológica não empírica, utilizamos um estudo de caso realizado por outro pesquisador para elucidar algumas proposições sobre a tese da “desconstrução” do sujeito. No âmbito deste ensaio não houve preocupação com dados estatísticos, mas qualitativos. Nesses termos, além de ser uma pesquisa exploratória, é também reflexiva, em razão de sua investigação partir de teorias já escritas.

A concepção de “ bibliográfica, implica selecionar o material teórico disponível para a pesquisa” (Ferrer, 2023, p. 35). As fontes de informação utilizadas foram: livros, artigos, revistas científicas. A pesquisa bibliográfica oferece a oportunidade de se fazer uma abordagem sob determinado tema, com novos resultados (Sousa; Oliveira; Alves, 2021). Para compilar os resultados identificamos o tema e sua delimitação, fichamento; análise e interpretação do texto; e por último, redação do texto.

Os passos para a realização da pesquisa qualitativa foram: “teoria, momento empírico, os instrumentos e o processo de construção e interpretação de informação com a produção de conhecimento” (Andrade e Holanda, 2010, p. 264). Na fundamentação teórica, utilizamos as teorias de Gibson (1979/1986), Husserl (1936/2002) e Peirce (1839-1914/2005); fizemos uso de um estudo de caso; e, por fim, lançamos mão da interpretação dos resultados para se chegar a um novo resultado, que é a resposta para o problema desta investigação. Assim, neste artigo, buscamos apresentar, por meio dos estudos teóricos, o significado que o sujeito teve enquanto ser no mundo. O fenômeno estudado foi o sujeito na era informacional, buscando o sentido da desconstrução. A escolha pela abordagem fenomenológica qualitativa se dá em razão da preocupação com o “significado do fenômeno no sujeito”; em Gibson (1979/1986), em Husserl (1936/2002) e em Peirce (1839-1914/2005).

Resultados e Discussão

A desconstrução do sujeito na era informacional em Gibson

J. J. Gibson (1979/1986), psicólogo e teórico informacional, elaborou um paradigma informacional. A definição tradicional de informação que se tinha até então, troca de mensagens entre um emissor e um receptor, não é mais suficiente para expressar o conceito de informação na atualidade; nele veremos a informação como essencialmente relacional e significativa.

Nesse sentido, o caráter relacional da informação que existe entre organismo e ambiente está “intrinsecamente ligado à ação e a situação dos organismos no ambiente” (Gonzalez et al., 2004, p. 6), porque a forma como os organismos agem sobre seus ambientes e como respondem (relação mútua), confirmam que houve de algum modo informação entre eles.

Encontramos dificuldade de pensar a informação a partir da relação entre organismo e ambiente, no entanto, não é impossível; isso ocorre porque estamos presos ao conceito tradicional de informação que nos faz pensar, na maioria das vezes, que só há comunicação quando há troca de mensagens entre duas pessoas (emissor e receptor), no entanto, Gibson (1986) foi além desse conceito, mostrando que organismo e o ambiente vivem da troca de informações entre si (Moroni & Gonzalez, 2010).

Para entender o conceito de informação estabelecido pelo psicólogo, é preciso refletir em outras formas de comunicação como, por exemplo, a linguagem não verbal, as expressões corporais, os signos, os símbolos etc., que muitas vezes comunicam alguma coisa sem que haja uma interação oral. Porém, além da informação ser uma relação entre organismo e ambiente, ela é também, segundo ele, significativa, pois a forma como conhecemos os elementos do nosso ambiente (dureza, forma, altura etc.), determinará a nossa ação nele, a partir da identificação das affordances (Sillmann, 2010).

Nas palavras do psicólogo, “as affordance do ambiente são o que ele oferece ao animal1 ” (Gibson, 1979/1986, p. 127); o que se pode ver na seguinte situação: quando entramos em uma sala para participarmos de uma reunião, ao enxergarmos uma cadeira vazia (affordance) sentamo-nos nela de imediato; a cadeira vazia possibilitou a ação de se sentar, sem a necessidade de o agente fazer uma representação mental para decidir se iria ou não se sentar nela (Large, 2011).

Nesses termos, é importante compreender que a possibilidade de ação dos organismos é dada pela percepção das affordances a partir das invariantes informacionais presentes no ambiente, que, segundo Gonzalez e Morais (2007), podem ser de dois tipos: estruturais e transformacionais. Respectivamente, as primeiras são:

“O médium, as substâncias e as superfícies [...]. Entre os fatores que caracterizam o médium, para os animais terrestres, destaca-se o ar [...]. As substâncias são elementos básicos dos compostos que formam a terra [...]. A superfície que é onde a maioria das ações acontece [...]” (Gonzalez e Morais, 2007, p. 96-97).

Como percebe-se, na citação acima, as invariâncias estruturais, presentes no ambiente, são informações que possuem significado implícito para seus organismos. Como exemplo, os organismos vivos que vivem no rio ou no mar. Eles não pensam se vão viver na água ou no solo, eles vivem na água, porque essa é a invariância estrutural que lhes possibilitam viver. A água, significa vida.

Já as invariantes transformacionais são identificadas pelos movimentos específicos que caracterizam padrões de mudanças experenciados pelos organismos. Como exemplo, podemos observar o caso de caminhar: uma pessoa, quando está com pressa, anda de forma diferente de uma pessoa bêbada e, ainda, diferente de uma pessoa doente ou cansada. Para cada forma de caminhar existe um padrão que define uma invariância transformacional (Gonzalez et al., 2004, p. 7).

Sendo assim, Gibson usou as invariantes, tanto as estruturais quanto as transformacionais, para explicar como os organismos percebem as informações que recebem o tempo todo do ambiente de onde vivem para poder agir. A partir de então, ele criou uma teoria, chamada Teoria da Percepção Direta - TPD, para descrever esse tipo de percepção que de forma bem natural vem acompanhada de uma ação direta do organismo no ambiente.

A criação dessa teoria foi o próximo passo de Gibson (1979/1986), em que defende a tese de que os organismos acoplados em seus ambientes, ao perceberem as invariantes informacionais, não as processam na mente para depois saber como agir, eles naturalmente praticam a ação necessária naquele momento em que as percebem (Sillmann, 2010).

Consequentemente, a percepção que os organismos terão das affordances no seu ambiente será direta, e como na TPD (Gibson, 1979/1986), não há a internalização do conhecimento obtido pela percepção, ou seja, não existe uma mente que irá processar a informação para depois decidir como agir, o teórico é considerado como não representacionista.

Em suma, esse conceito de informação trouxe a possibilidade de refletir sobre os organismos vivos e não vivos trocando informação a todo instante com o seu ambiente. Quando falamos de organismos vivos, estamos nos reportando não somente aos seres humanos, mas também aos vegetais, microrganismos, bactérias, fungos etc., que constantemente interagem com o ambiente onde vivem; embora não tenham cérebro, é perceptível que há o tempo todo troca de informações entre eles e o ambiente. Já os organismos não vivos, como os computadores, smartphones, robôs etc., também não possuem uma mente, mas processam, armazenam e transmitem informação.

Edmund Husserl: à crítica às ciências modernas

Nesta seção, temos alguns apontamentos acerca da crítica feita por Husserl (1936/2002) ao “objetivismo”, que desconsidera o sujeito e enaltece o objeto. Para o autor os motivos pelos quais levaram a Ciência Moderna a entrar em crise, deixando de cumprir sua tarefa de desvelamento do “Ser na sua totalidade” foram elaborados na fase madura de sua vida, após ter escrito várias obras e elaborado uma nova filosofia – a Fenomenologia. Husserl fez uma leitura do que estava acontecendo no âmbito científico e percebeu um equívoco no modo de fazer-se ciência na modernidade, que gerou o que nomeou de “crise” que afetava a humanidade europeia da época de várias formas.

Nesses termos, Husserl,

Aponta com clareza o ponto em que a crise se originou: trata-se de um transvio da racionalidade, de uma sua interpretação demasiado estreita, sob o padrão das ciências matemáticas da Natureza, com as inevitáveis consequências do naturalismo e do objectivismo na compreensão da essência da subjectividade (Husserl, 1936/2008, p. 6).

Como se vê, o teórico não menosprezou o conhecimento científico nem colocou em dúvida a sua validade, mas pontuou a crise que se instaurava na Ciência como um desvio da razão, pois a forma de interpretação filosófica adotada estava voltada, exclusivamente, para o método das ciências matemáticas, mergulhadas em um objetivismo radical, pois, viam na linguagem dos símbolos o fundamento para as suas teorias.

No entanto, ele entendia que o homem não poderia ser reduzido ou estar preso a símbolos, pois, sempre concebeu “as ideias, como as mais fortes que todas as forças” (Husserl 1936/2002, p. 28); ele considerava que as fórmulas, as equações, os teoremas matemáticos haviam sido primeiro produzidos na imaginação e depois idealizados em corpos.

Assim, a crise das ciências modernas teve um impacto muito grande na Europa, conceptualmente, instaurando-se uma cultura científica que teve suas origens por volta do séc. VII a.C., com os gregos. Desde então, houve um desvirtuamento do telos, ou seja, o sentido de fazer ciência mudou para uma versão mais naturalista e objetivista (Teza, 2015). Como resultado dessa herança cultural delineou-se um “racionalismo ingênuo nos séculos XVII e XVIII, o domínio do objetivismo nas ciências positivistas e na psicologia objetivista, e também, um esquecimento da Lebenswelt - mundo da vida” (Husserl, 1936/2002, p, 41).

Esse “esquecimento” do mundo da vida é o elemento principal do qual Husserl refletiu na crise das Ciências, destacando dois aspectos importantes que faltavam as ciências modernas. O primeiro se referia ao fundamento, as ciências modernas precisavam ter o seu conhecimento pautado a priori, noentanto, esse a priori seria vivencial, uma vez que, partiria das experiências vividas, para sustentar as suas teorias; e o segundo direcionava para o retorno da fenomenologia, pois ela buscaria na subjetividade a constituição do mundo. (Husserl,1936/2002).

Para Husserl (1936/2002, p. 21), a Lebenswelt, são as experiências vividas no cotidiano, de onde emerge o sentido do fenômeno. Ele explicou que é preciso entender que a consciência é intencional, ou seja, “toda a consciência é consciência de algo”. Sendo assim, sempre haverá uma relação direta entre a consciência de um sujeito que visa a um determinado objeto com algum sentido que precisa ser descrito. Essa seria a tarefa da Fenomenologia, descrever esse sentido e descobrir esse Ser (fenômeno) pela análise noético – noemática.

A noese se refere ao ato que conhece e o noema, à coisa conhecida. Na fenomenologia de Husserl (1936/2002), existe essa correlação entre a percepção (noese) e aquilo que é percebido (noema). Desse modo, o primeiro se refere ao aspecto subjetivo da vivência, constituído por todos os modos de consciência que visam a apreender o objeto, tais como perceber, lembrar, imaginar etc.; e o segundo, ao aspecto objetivo da vivência, ou seja, o objeto considerado pela reflexão em seus diversos modos de ser dado (p. ex., o percebido, o recordado, o imaginado). É importante ressaltar que o noema não é o objeto em si mesmo, mas o complexo de predicados que ele possui ao se apresentar na experiência, como por exemplo uma pedra grande, rachada, suja, amarela etc. (Abbagnano, 2007).

Uma das proposições relevantes na fenomenologia de Husserl (1936/2002, p. 20-21) é a concepção de noema, que é intencional, e está presente na consciência sem se confundir com ela. A consciência intencional é compreendida na sua relação com o mundo, com os objetos do mundo, e os objetos do mundo são descritos a partir de uma consciência, ou seja, “o mundo existe para nós como produto intencional, sendo assim, cabe a fenomenologia desvendar o sentido desse mundo que é diferente na subjetividade de seus sujeitos” (Husserl, 1936/2002, p. 21-22). Mas para desvendar o ser, é preciso realizar epoché fenomenológica. Essa redução consiste em “colocar entre parênteses” a existência do mundo, isto é, suspender os juízos sobre o fenômeno para apreendê-lo em sua essência. Para o filósofo, a epoché é um método fenomenológico necessário para chegar à experiência transcendental na imanência, sem a qual não seria possível (Husserl, 1936/2002, p. 24).

Portanto, a partir desses estudos, conseguimos entender o que aconteceu com as Ciências Modernas e porque elas consideraram o objeto e se esqueceram do sujeito nas suas investigações, ficando bem claro que elas deixaram de cumprir a sua tarefa no desvelamento do Ser ao aderir a uma interpretação filosófica que surgiu no séc. VII na Grécia, pautada no naturalismo e no objetivismo, influenciando toda a forma de fazer ciência na Europa. Assim, para revogar essa crise, Husserl (1936/2002) observou, nos estudos da subjetividade, uma solução para que as ciências modernas se afastassem da cultura científica objetivista na qual estavam mergulhadas.

A teoria semiótica de Charles Sanders Peirce

Nesta seção examinamos a teoria semiótica de Peirce (1839-1914/2005), cuja informação no sujeito ocorre via-signo, no âmbito fenomenológico. Apresentamos o conceito de signo, suas categorias fenomenológicas e o Signo Dicente. Em sua teoria semiótica Peirce (1839-1914/2005) define, é “a doutrina de todos os tipos possíveis de signos sobre a qual se fundamenta todos os métodos de investigação utilizados por uma inteligência científica” (Santaella, 1998, p. 34. O autor, ainda pontua,

Um signo é aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém. Dirige-se a alguém, isto é, cria, na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez um signo mais desenvolvido. Ao signo assim criado denomino interpretante do primeiro signo. O signo representa alguma coisa, seu objeto [...] (Peirce (1839-1914/ 2005, p. 46).

Para explicar como ocorre a informação via-signo em uma mente, Peirce fez uma triangulação entre o signo (representâmen), o objeto e o interpretante, pois eles estão relacionados entre si para que ocorra o processo informacional.

Segundo Vitti-Rodrigues (2022), o signo sempre está no lugar de alguma coisa que lança o convite para uma ação. Para entender melhor essa relação entre signo, objeto e interpretante, vamos pensar na seguinte situação: quando damos um presente para alguém, a pessoa que recebe o presente, pode ficar feliz e, a partir daquele momento decidir ser ou não nossa amiga. Nesse caso, o presente é o signo, que representa o objeto que pode ser visto como um ato de amor, carinho, consideração, admiração etc.; o interpretante é o convite que aquela pessoa recebe para iniciar um relacionamento de amizade. Dessa forma, o interpretante é a ideia que o signo exercita na mente (Barreto, 2021).

Quando se trata de indivíduos, a relação entre o signo, objeto e interpretante é fenomenológica, pois, como vimos nesse exemplo, ela acontece na subjetividade de cada sujeito de maneira diferente; o modo como os sujeitos percebem os signos que existem no mundo são distintas, pois partem de suas experiências vividas. Sendo assim, entendemos que as manifestações fenomenológicas, mais gerais e universais da experiência foram colocadas por Peirce (1839-1914/2005) em três categorias: primeiridade (original, espontâneo, livre), secundidade (determinado, terminado, final, correlativo, objeto, necessitado, reativo) e terceiridade (meio, devir, desenvolvimento).

De modo geral, podemos dizer que as manifestações fenomenológicas são as formas de como a experiência pode ser vivida pelos sujeitos na percepção dos signos. Na primeiridade, os sujeitos experenciam as qualidades puras, ao sentir, ver, tocar, etc.; na secundidade, tem-se a ideia de alteridade, o outro existe, ele não é o primeiro, mas é um segundo, a ideia de existência e contrário estão presentes aqui, pois, ele nos mostra a possibilidade de pensar na existência do outro que não é ele mesmo; a terceiridade possui um papel de mediação entre as coisas, no geral, é aquilo que se põe entre duas outras coisas, como por exemplo, as leis.

De acordo com Peirce (1839-1914/2005), um signo pode ser: ícone, índice e símbolo. Respectivamente, o primeiro, é quando o signo possui qualidades semelhantes ao objeto; o segundo, quando o signo é afetado pelo objeto, chegando a ter algumas de suas qualidades que apontam para o objeto; e o terceiro, quando o signo representa o objeto em forma de lei, ou seja, essa lei vai representar uma associação de ideias gerais que concebem determinado objeto.

Para compreendermos melhor o que é um ícone, um índice e um símbolo, vamos exemplificá-los. A forma de qualquer objeto pode ser um modelo de um ícone, como a forma de uma nuvem, de uma árvore, de uma mesa etc., pois é semelhante ao objeto. A sombra de qualquer objeto pode ser um exemplo de índice, como a sombra de uma nuvem, de uma árvore, de uma mesa etc., pois indica a existência do objeto. E a palavra de qualquer objeto pode ser um exemplo de um símbolo, como, nuvem, árvore, mesa etc., pois por força da lei, a palavra refere-se ao objeto (Vitti-Rodrigues, 2014).

Nesses termos, um dos aspectos importantes a se ressaltar na teoria semiótica de Peirce (18391914/2005) é a forma como os signos podem influenciar na nossa maneira de viver. Por isso, podemos afirmar, segundo alguns estudiosos de Peirce que “o signo seria um mediador capaz de determinar um hábito de conduta [...]” (Vitti-Rodrigues et al., 2017, p. 142).

Para compreender melhor como pode ocorrer no sujeito é necessário levar em conta que o Signo Dicente é um “signo duplo (ícone e índice) que possibilita a veiculação de informação através da forma disponível em um objeto para um interpretante de existência” (Vitti-Rodrigues et al., 2017, p. 142). Sendo assim, um sujeito qualquer interpreta a sua realidade a partir do Signo Dicente que está ao alcance de sua percepção no âmbito fenomenológico.

O Signo Dicente é, portanto, a relação estabelecida entre o ícone e o índice, pois na junção dos mesmos, tem se, a “qualidade do objeto a ser informado e a localização espaço-temporal onde esse objeto incidirá” (Vitti-Rodrigues et al, 2017, p. 142).

Como ilustração podemos pensar na seguinte situação: quando alguém do gênero masculino, em um espaço público visualiza uma placa de um banheiro com a imagem de uma mulher percebe um ícone que retrata a presença feminina, pois essa placa indica à localização do banheiro feminino, logo a atitude dele deverá ser de não entrar no banheiro.

Como é possível perceber, o Signo Dicente, ao ser inferido por alguém, gera nesse sujeito uma tomada de decisão que influencia o seu modo de vida; portanto, o estudo dos signos em Peirce (1839-1914/2005) nos leva a entender como ocorre o processo de conhecimento no sujeito que, como vimos, não é somente objetivo, mas também subjetivo.

Em suma, é na relação entre sujeito e objeto que a informação ocorre, e mais, é no âmbito fenomenológico que os signos se manifestam e ganham sentido, dependendo da experiência do sujeito; assim, o signo Dicente adquire certo significado para determinado sujeito que pode influenciar na sua forma de vida, criando nele um estilo de vida adaptado de acordo com a sua realidade.

Estudo de caso sobre os usuários do Facebook

Na pesquisa “Redes sociais: um estudo de caso sobre os usuários do Facebook” (Cazas, 2012), o autor buscou investigar as percepções que os usuários do FaceBook têm sobre o impacto dessa rede social com relação ao seu comportamento profissional e pessoal. A pesquisa foi realizada nas seguintes etapas: 1. Coleta de dados com a aplicação dos questionários (pessoas e empresas) com perguntas abertas e fechadas; 2. Leitura do material coletado; 3. Organização das respostas dos usuários; 4. Análise e interpretação do conteúdo das respostas (Cazas, 2012). Foram utilizados questionários para a coleta de dados enviados por e-mail. Foi criado um link nas páginas da web na qual os questionários foram disponibilizados. O e-mail informava o link, convidando para a participação na pesquisa. Foi enviado para pessoas e empresas com perfil no FaceBook. As perguntas foram feitas conforme os objetivos da pesquisa.

O processo de seleção dos usuários do FaceBook, tanto pessoas quanto empresas, foi feito por intermédio da técnica em cadeias ou “bola-de-neve”, o método de amostragem de caráter não probabilístico. A pesquisa foi caracterizada como um estudo qualitativo de múltiplos casos (Cazas, 2012).

Os tratamentos dos dados foram realizados a partir da análise do conteúdo de Bardin (1977); além disso, foi feita a leitura e a análise do material que são as respostas dos pesquisados. As respostas foram organizadas em grupos para reunir os dados de forma prática, e depois foram feitas análises comparativas com os dados coletados dos questionários (Cazas, 2012).

A amostra foi composta por 9 questionários ao todo, 6 realizados com usuários autores de perfis pessoais e 3 por responsáveis pela manutenção e alimentação de perfis de empresas. O local e data da realização da pesquisa foi em Contagem e em Belo Horizonte (MG), de dezembro de 2011 a maio de 2012. A organização do corpus foi composta, segundo a autora, “a partir da Pessoa 1 e da Empresa 1, conhecidas pela pesquisadora, os demais foram selecionados pelo método da “bola de neve”, o que se tornou possível o alcance dos demais recrutados já sabidamente usuários (pessoas e empresas) da rede social em questão” (Cazas, 2012).

Houveram duas etapas para os resultados, a primeira se refere às pessoas com perfil no FaceBook e a segunda, a empresas com perfil no FaceBook. Na primeira etapa, teve uma análise para saber a interação, lazer e recursos que seus usuários têm com o FaceBook. Também foi verificado como eles “descobriram” o FaceBook. Além disso, a pesquisadora buscou saber se esse tipo de rede social era utilizado para atividade profissional ou não e, para quem era usuário dessa rede, também foi verificado se a qualidade do seu trabalho foi influenciando positiva ou negativamente por ele. Por fim, averiguou-se como as pessoas buscam informação no FaceBook e se são influenciadas por elas.

De todos esses resultados, o que nos interessa para esta pesquisa é como os usuários do FaceBook buscam informação e se são influenciados por essas informações. No relato da pessoa 3, percebe-se que a informação que ela recebeu no FaceBook, sobre o episódio de Pinheirinho, a deixou desconfiada sobre determinadas empresas. Já a pessoa 4, fala como teve uma experiência muito positiva com o FaceBook, pois encontrou uma amiga que há muito tempo não falava mais, essa informação que encontrou nele, gerou em si uma reação positiva, visto que elas conversaram e marcaram um encontro para satisfazer a vontade de estar juntas.

No relato da pessoa 6, uma analista de comunicação, foi possível perceber como o FaceBook é uma ferramenta de longo alcance e ao mesmo tempo como ele influencia as pessoas a partir das informações que transmite. Quando ela fala sobre a repercussão do comercial da “Luiza”, é como algo bom que transmite informação de forma muito rápida.

No que concerne à segunda etapa dessa pesquisa, a autora procurou investigar as empresas com perfil no FaceBook. No primeiro momento, a pesquisadora buscou verificar a relação que existia entre as empresas e o retorno com FaceBook; e, no segundo momento, procurou-se identificar se as ferramentas que o FaceBook oferece são utilizadas pelas empresas e se existe alguma vantagem em usá-las.

No primeiro momento da pesquisa, a Empresa 1 não apresentou resultados, pois estava funcionando a pouco tempo nesse tipo de rede social. Com relação à Empresa 2, não houve aumento nos lucros, no entanto, “o número potencial de clientes aumentou uma vez que a cada mês o número de pessoas que a seguiam, aumentou” (Cazas, 2012, p. 42). O relato da Empresa 3 foi bem satisfatório, pois o perfil no FaceBook a ajudou a fortalecer a sua marca, consequentemente, isso gerou um interesse de consumidores pelo produto da empresa, e aumento nas vendas. No segundo momento, a pesquisadora buscou identificar se os recursos que o FaceBook oferece foram utilizados pelas empresas e se eles trouxeram alguma vantagem. Os resultados apresentados se revelaram positivos.

A ferramenta de comentários do FaceBook, por exemplo, foi considerada pelas empresas como um instrumento benéfico para se relacionar com os clientes. A Empresa 2 declarou o seguinte: “temos um alcance mais imediato a nossos clientes e eles respondem mais rápido também”. A Empresa 3 acrescentou que “a principal vantagem é estar envolvido e disposto a acompanhar o mundo digital, que cada vez é o lugar mais acessado pela humanidade (Cazas, 2012, p. 43).

Outro instrumento benéfico que foi relatado pelas empresas foi o de anúncios. A Empresa 1 proferiu “que usa essa ferramenta para divulgar a formatura dos alunos, os alunos aprovados nos vestibulares e o curso de capacitação da escola” (Psicóloga); enquanto, que a Empresa 2 utilizou-se para “promover viagens para outros países” (Coordenador e professor de inglês); e a Empresa 3 relatou que não utiliza este recurso (Cazas, 2012, p. 44).

Observou-se, na segunda etapa desse estudo de caso, que o FaceBook é um espaço de informação para a divulgação de serviços e produtos de várias empresas, relacionamentos, entretenimento etc. Essas informações são transmitidas a partir de signos no âmbito fenomenológico, afetando o comportamento das pessoas.

Aplicando a semiótica de Peirce (1839-1914/2005), apontamos que o indivíduo percebe o Signo Dicente que vincula informação sobre o objeto e, na sua subjetividade, dá significado ao fenômeno e pode até chegar a ser influenciado por ele, alterando o seu estilo de vida. No caso da pessoa 1, que deu um significado negativo para o fenômeno, ela foi influenciada negativamente por uma informação que recebeu no FaceBook sobre o episódio de Pinheirinho, chegando a desacreditar de várias empresas. Dessa forma, podemos perceber que na semiótica, o conhecimento subjetivo desse indivíduo surgiu a partir de uma experiência ruim, não agradável. Fenomenologicamente, a coisa conhecida foi a notícia que a pessoa 1 percebeu no FaceBook, se relacionou com algo da sua consciência, resultando em um significado negativo para o fenômeno que se manifestou nessa rede social, causado desconfiança nesse indivíduo. Na semiótica, essa mesma mensagem percebida pela pessoa 1, é um Signo Dicente que carrega a informação, no entanto essa informação, que vem acompanhada por esse signo, é negativa, pois o sujeito expressou um sentimento de desconfiança em relação a ela.

No caso da pessoa 4 que reencontrou uma amiga no Facebook. Em Husserl (1936/2002), o fenômeno é a sua amiga, que na sua consciência intencional, é uma pessoa boa, que traz felicidade etc. Consequentemente, esse indivíduo deu um significado positivo para o fenômeno, que gerou nele também, um conhecimento subjetivo positivo sobre o FaceBook. Na visão da semiótica, o sujeito ao interpretar o Signo Dicente, também lhe deu um significado positivo, pois tanto o ícone como o índice que estão presentes nesse signo se referem a algo bom que, nesse caso, é a sua amiga. Consequentemente, o signo carrega informação, uma subjetividade, de algo bom, de boas lembranças, de desejar está junto novamente.

Já no caso da pessoa 6, que falou sobre a velocidade rápida e o grande alcance da informação na rede social do FaceBook. O fenômeno é a velocidade e o alcance da informação; logo, esse indivíduo deu um significado positivo para o fenômeno. Em Peirce (1839-1914/2005), o sujeito ao interpretar o Signo Dicente também deu um significado para o fenômeno positivo, por causa da rápida velocidade e o grande alcance da informação.

Da mesma forma, é possível perceber como ocorreu o conhecimento subjetivo nas empresas que participaram da pesquisa. A empresa 1 não quis falar sobre a sua experiência com a rede social, pois tinha pouco tempo como usuária. Já a empresa 2 falou da sua experiência com a rede social do FaceBook como algo bom, pois estava conseguindo se relacionar mais com seus clientes.

Nesse caso da empresa 6, vemos que fenômeno é o relacionamento com os clientes, que é benéfico para a empresa; portanto, há um significado positivo para o fenômeno. Na semiótica, o sujeito, ao interpretar o Signo Dicente, também lhe deu um significado positivo, pois tanto o ícone como o índice que estão presentes no signo que se referem ao relacionamento com os clientes que para ele e sua empresa é benéfico. E por último a empresa 3, falou sobre a vantagem de acompanhar o mundo digital. O fenômeno é a vantagem, que se refere ao lugar mais acessado pela humanidade; assim, há um significado positivo para o fenômeno. Na semiótica, ao interpretar-se o Signo Dicente, também ocorre um significado positivo, pois tanto o ícone como o índice que estão presentes no signo se referem à vantagem de acompanhar o mundo digital que é o lugar mais acessado pelas pessoas em todo o mundo, e para sua empresa traz a possibilidade de se tornar mais conhecida.

Considerações Finais

Apresentamos a pergunta: “Afinal, ocorreu a desconstrução do sujeito na era informacional em Gibson, levando em consideração as proposições de Charles Peirce e Gibson? Podemos afirmar que a desconstrução do sujeito só foi possível porque o conhecimento subjetivo foi suprimido.

Gibson criou um paradigma informacional no mundo, centrado no conhecimento objetivo que possibilitou pensar os organismos vivos e não vivos trocando informação com o seu ambiente. Algo que até então, era impossível de se pensar, pois a teoria antropocêntrica ainda estava muito entranhada em nossas mentes, pois, só concebíamos o ser humano, como único ser informacional que existia no mundo.

Ao considerarmos as proposições husserlianas é possível pontuar que não houve uma desconstrução do sujeito, mas uma supressão do mesmo, que influenciou o modo de fazer ciência na modernidade, fazendo com que Gibson e outros cientistas cometessem vários equívocos ao formular as suas teorias, relacionados à própria função da ciência, ao desconsiderar a subjetividade, seria impossível cumprir a sua tarefa de “descobrimento do Ser”.

Peirce, no entanto, traz uma teoria informacional mais utilizada nos estudos sobre informação e o conhecimento, pois, para ele o binômio ocorre na relação entre sujeito-objeto; assim, nele se tem uma volta ao conhecimento subjetivo, ou seja, fez de sua teoria semiótica uma ciência fenomenológica que busca nas experiências de seus sujeitos o sentido do fenômeno.

Quanto ao estudo de caso aqui citado, o mesmo ilustra como se configuram as informações em uma era informacional, onde as máquinas ou programas computacionais, como o social boots, que transmitem, processam e guardam informação o tempo todo, principalmente nas redes sociais como o Facebook, Instagram, etc. observamos que há uma disseminação de informação muito rápida, de propagandas publicitárias, campanhas de desinformação, fake News, etc. e nesse acelerado mundo informacional, a subjetividade de cada indivíduo, faz com que as informações ganhem significado e, desse modo, passam a existir de fato.

Em suma, o exemplo de estudo de caso confirma que a desconstrução do sujeito não ocorreu. Em outras palavras, é somente no sujeito que a informação ganha significado. As máquinas podem transmitir, processar e até armazenar informação, no entanto, elas não dão significado à informação, isso só é possível a partir de um sujeito que tem uma experiência com o mundo.

1tradução nossa

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Recebido: 26 de Abril de 2024; Aceito: 16 de Outubro de 2024

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