Journal of Human Growth and Development
Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598
Abstract
ARAUJO, Francisco Albino de et al. Hanseníase, Estigmatização e Isolamento Social: Um Relato de Caso. J. Hum. Growth Dev. [online]. 2025, vol.35, n.2, pp.245-251. Epub Oct 27, 2025. ISSN 0104-1282. https://doi.org/10.36311/jhgd.v35.17794.
Introdução
este relato de caso destaca o impacto único e grave do estigma social no curso clínico da hanseníase. Ele apresenta a história de um paciente de 63 anos de idade, diagnosticado com hanseníase indeterminada, que permaneceu em isolamento social por mais de três décadas, evoluindo para óbito em decorrência de múltiplas complicações clínicas. O caso ilustra como a estigmatização crônica pode agravar substancialmente a carga biopsicossocial de uma condição potencialmente controlável mediante diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Relato de caso
as principais características clínicas incluíam deterioração física e psicológica progressiva, agravada pelo autoisolamento e pela falta de apoio social. Apesar da disponibilidade de tratamento, a paciente teve um fracasso terapêutico atribuído principalmente ao diagnóstico tardio, à negligência social e à ausência de acompanhamento coordenado.
Método
este relatório retrospectivo e descritivo foi baseado em dados extraídos de registros médicos e analisados qualitativamente.
Resultados
os resultados evidenciam que barreiras operacionais e socioculturais, como o prontuário incompleto da paciente, atitudes estigmatizantes e o envolvimento limitado no processo de autocuidado, contribuíram para a deterioração do quadro clínico e para a redução da qualidade de vida da paciente.
Discussão
o caso destaca a importância de uma abordagem de atendimento abrangente no tratamento da hanseníase, indo além do tratamento farmacológico. O diagnóstico precoce deve ser acompanhado de apoio psicossocial e estratégias para combater o estigma e promover a inclusão. Um dos principais achados deste caso é que o sucesso terapêutico na hanseníase está intrinsecamente relacionado aos determinantes sociais de saúde; na ausência de estratégias eficazes para o enfrentamento do estigma e de um acompanhamento longitudinal e integrado, mesmo condições clinicamente tratáveis podem evoluir para desfechos adversos.
Conclusão
o fator limitante deste relatório foi a escassa documentação cronológica nos registros médicos. Além da farmacoterapia, o envolvimento ativo da rede social do paciente é essencial para mitigar o estigma, preservar a autoestima, promover a adesão ao tratamento e apoiar a inclusão social.
Keywords : Doenças Tropicais Negligenciadas, Mycobacterium leprae; exclusão social, estigma.












