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Boletim - Academia Paulista de Psicologia

versão impressa ISSN 1415-711X

Resumo

ASSUMPCAO, FRANCISCO B.  e  AGUIAR, CLAUDIA. Qualidade de vida, memória de dor e sintomas ansiosos em crianças com anemia falciforme. Bol. - Acad. Paul. Psicol. [online]. 2023, vol.43, n.105, pp.214-227.  Epub 04-Nov-2024. ISSN 1415-711X.  https://doi.org/10.5935/2176-3038.20230021.

A Anemia Falciforme (AF) é uma doença hereditária monogênica na qual o glutamato é substituído por valina, tendo como resultado uma hemoglobina anormal que cristaliza quando libera seu oxigênio e deixa a hemácia com uma forma de foice. É a doença genética mais comum no Brasil e no mundo, e manifesta-se principalmente na população negra. Anemia e crises dolorosas vaso-oclusivas são expressões frequentes que ocorrem pela isquemia secundária à obstrução vascular causada pelas hemácias falcizadas, o que pode acarretar perda na Qualidade de Vida (QV), que é definida a partir do pensamento “como o paciente se sente”, em lugar de “como o técnico de saúde, baseado em suas medidas clínicas, acredita que ele deva se sentir”. Objetivo: Responder à questão: Crianças com Anemia Falciforme apresentam qualidade de vida igual ou diferente de crianças não afetadas pelo quadro em função da presença de sintomatologia ansiosa que pode acompanhar a expectativa do aparecimento do fenômeno doloroso? Método: Foram avaliadas uma população acometida pela doença ‒ composta por 30 crianças com idades entre 4 e 11 anos, provenientes de serviço especializado em hematologia pediátrica, localizado na cidade de São Paulo ‒ e outra sem nenhuma afecção, também composta por 30 crianças, escolhidas aleatóriamente sem nenhuma afecção, e provenientes de escolas particular e pública da mesma cidade. Os dois grupos foram avaliados através de uma escala de Qualidade de Vida (AUQEI), uma escala de avaliação de dor como experiência vivida e recordada (EVA) e uma de sintomas ansiosos (Escala Traço-Estado). Verificou-se, através do teste de Normalidade (Kolmogorov-Smirnov), se as variáveis apresentavam distribuição normal, e, para comparação das informações com nível de mensuração numérica, utilizaram-se o Teste Coeficiente de Correlação de Spearman (não paramétrico), o t-student e o Mann-Whitney. Resultados: As diferenças no perfil socioeconômico das crianças estudadas não alteraram de maneira significativa os resultados obtidos; não se observaram diferenças significativas entre a Qualidade de Vida das populações estudadas ‒ ou seja, a dor não interfere negativamente na Qualidade de Vida dessas populações ‒, e não se verificou sintomatologia ansiosa no grupo experimental estudado quando comparado com o grupo controle. Discussão: Diversos fatores interferem negativamente na Qualidade de Vida dos portadores de Anemia Falciforme, tais como: crises álgicas, internações e adesão ao tratamento. Para esses pacientes, é necessária uma adaptação positiva à doença, adaptação que deve ser realizada a partir do diagnóstico precoce e da adesão ao tratamento, com diferentes intervenções terapêuticas a fim de reduzir o impacto negativo sobre a qualidade de vida da criança e de sua família. O diagnóstico precoce e as intervenções específicas podem possibilitar a redução dos danos físicos e a adoção de estratégias a serem tomadas diante dos estressores. Conclusões: Os resultados obtidos não diferem daqueles observados por outros autores no estudo da Qualidade de Vida em pacientes com doenças crônicas. A Qualidade de Vida dos pacientes não se altera em função dos fenômenos dolorosos ou da ansiedade que os acompanha.

Palavras-chave : anemia falciforme; qualidade de vida; dor; ansiedade.

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