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Boletim - Academia Paulista de Psicologia
versão impressa ISSN 1415-711X
Resumo
REZENDE, Natália Barros de e TOSTA, Rosa Maria. O USO DA ESCARIFICAÇÃO E SUAS REVERBERAÇÕES NA ADOLESCÊNCIA: UM CASO CLÍNICO. Bol. - Acad. Paul. Psicol. [online]. 2024, vol.44, n.106, pp.61-71. Epub 23-Set-2024. ISSN 1415-711X. https://doi.org/10.5935/2176-3038.20240006.
O presente artigo busca refletir sobre a problemática da automutilação na adolescência através do relato clínico de uma adolescente que utilizava a escarificação, como forma de aliviar suas angústias internas. Por meio de atendimento psicoterapêutico, observou-se neste caso como a prática de escarificação estaria relacionada com aspectos muito primitivos do desenvolvimento emocional primitivo, e que ao adentrar na adolescência, tais pontos são revisitados, e se misturam com as próprias questões trazidas no bojo desta fase. A principal fundamentação é a teoria do desenvolvimento emocional de Donald W. Winnicott e as considerações deste autor sobre o medo ao colapso e agonias primitivas. Também referido é o psicanalista francês Didie Anzieu, abordando a importância da constituição do “Eu-pele” na psique, e as implicações que a falha nessa constituição pode gerar, sendo que a automutilação seria uma evidencia dessa precariedade do “Eu-pele”. Além disso, foram utlizados conceitos do antropólogo francês Le Breton, e seu estudo sobre a adolescência e as condutas de risco, nas quais a automutilação está incluída. Assentando-se neste arcabouço teórico, pode-se mostrar a importância do setting terapêutico, e de um manejo diferenciado, utilizando o holding e o handling, para que no processo psicoterapéutico descrito, a adolescente pudesse revivenciar falhas no seu desenvolvimento emocional primitivo, e assim passar a poder confiar em um ambiente “suficientemente bom”.
Palavras-chave : automutilação; adolescência; desenvolvimento emocional primitivo; D.W; Winnicott; psicanálise.












