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Estudos de Psicanálise

versão impressa ISSN 0100-3437versão On-line ISSN 2175-3482

Estud. psicanal.  no.60 Belo Horizonte dez. 2023  Epub 07-Fev-2025

https://doi.org/10.5935/2175-3482.n60a02 

AUTORA CONVIDADA

Epifania ecocrítica na vida e obra de Marie Bonaparte

Ecocritical epiphany in the life and work of Marie Bonaparte

Sarug Dagir Ribeiro1 

1Psicóloga. Psicanalista. Graduada em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mestre em Estudos Literários pela UFMG. Doutora em Psicologia pela UFMG. Professora Adjunta II do Curso de Psicologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) em regime de dedicação exclusiva. Coordenadora do Centro de Estudos e Práticas em Psicologia - CEPSI da UFT (Biênio: 2023-2025). Líder do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Sexualidade, Corporalidades e Direitos da UFT/CNPq. Membro do Instituto Brasileiro de Avaliação Psicológica (IBAP). Autora do livro Com Laplanche, ler Marie Bonaparte (Novas Edições Acadêmicas, 2019). Tradutora do livro de Marie Bonaparte - Sexualidade feminina: contribuições para a psicanálise (Zagodoni, 2022). Premiada em 2010 com o Candango Especial do Júri e o Troféu Saruê pela participação como atriz no filme O céu sobre os ombros, do diretor Sérgio Borges no 43.º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. E-mail: sarug.dagir@uft.edu.br


Resumo

Reúne-se como meta uma análise influenciada pela ecocrítica intermidiática a respeito de três trabalhos de Bonaparte: Les forêts de Paris menacées (1933), La légende des eaux sans fond (1948/1952) e Topsy, les raisons d’un amour (1936/2004). Busca-se através de diferentes mídias – texto jornalístico, conferência e poesia descrever e analisar as asseverações da autora a respeito da dilapidação da paisagem natural, o fascínio pelos mistérios da natureza e o amor aos animais. Nossos resultados apontam para as diferentes formas de envolvimento ambiental e ecológico de uma psicanalista amante e defensora da natureza. As mudanças climáticas em decorrência da destruição da natureza e da poluição global são uma ameaça para o presente e o futuro da humanidade. E para enfrentá-las, são necessárias referências que orientem a luta contra tal situação e não se pode ignorar o discernimento da autora acerca das questões que tão de perto se referem aos destinos da humanidade.

Palavras-chave Ecocrítica; Intermidialidade; Natureza; Psicanálise

Abstract

The goal is an analysis influenced by intermedia ecocriticism regarding three works by Bonaparte: Les forêts de Paris menacées (1933), La légende des eaux sans fond (1948/1952) and Topsy les raisons d’un amour (1936/2004). Through these different media, journalistic text, conference and poetry, we will seek to describe and analyze the author's assertions regarding the dilapidation of the natural landscape, the fascination with the mysteries of nature and the love for animals. Our results point to the different forms of environmental and ecological involvement of a psychoanalyst who loves and defends nature. Climate change resulting from the destruction of nature and global pollution is a threat to the present and future of humanity. And to face them, references are needed to guide the fight against such a situation and one cannot ignore the author's insight into the issues that so closely relate to the destinies of humanity.

Keywords Ecocriticism; Intermediality Nature; Psychoanalysis

Introdução

Marie Bonaparte (1882-1962) era sobrinha bisneta de Napoleão I da França, filha de Roland Bonaparte (1858-1924) e Marie-Félix Blanc (1859-1882). Em 1907, casou-se com o Príncipe Georges da Grécia e Dinamarca, e, a partir de então, tornou-se a Princesa Marie de Grécia e Dinamarca. Foi uma psicanalista e escritora francesa, intimamente ligada a Sigmund Freud. Fez análise didática com ele, a fim de tornar-se psicanalista de profissão (Bertin, 1982/1989). Utilizou-se de sua fortuna na divulgação, na defesa e no reconhecimento da psicanálise em seus primórdios, numa época cujos pioneiros do movimento eram quase todos majoritariamente homens. Ficou conhecida por ser responsável por salvar Freud das mãos dos nazistas (Bourgeron, 1997). O conjunto de sua obra pode ser dividido em romances, textos antropológicos, manuscritos psicanalíticos, cartas, ensaios avulsos, documentos judiciários, notas autobiográficas, anotações da sua análise com Freud, entre outros. Alguns foram oportunamente publicados, mas outros foram depositados pela própria Princesa Marie na Bibliothèque National de France (BnF), na Biblioteca do Congresso de Washington (LOC), no Harry Ransom Center d’Austin (HRC) e no Institut Pasteur em Paris, sob a condição de estarem disponíveis para consulta pública, aproximadamente, entre 50 e 100 anos após sua morte. Recentemente houve a liberação das correspondências integrais entre a Princesa e o pai da psicanálise, oportunamente editadas e publicadas pela editora Flammarion, de Paris (Amouroux, 2022).1

A historiografia do movimento psicanalítico (Roudinesco, 1994) geralmente negligência o ativismo da Princesa Marie pela defesa das florestas e dos animais. Seus manifestos ambientalistas foram publicados em forma de livros (Bonaparte, 1940; 1937/ 2004), matéria em jornais (Bonaparte, 1933b; 1936; 1937) e artigos em revistas especializadas (Bonaparte, 1933a; [1946] 1952). É sobre essa faceta menos conhecida da obra bonaparteana que iremos refletir. Acreditamos que esses escritos podem ser discutidos da mesma maneira que os outros trabalhos científicos da autora, alguns deles já analisados em pesquisas brasileiras atuais (Ribeiro, 2023a, 2023b, 2022, 2020a, 2020b, 2019; Ribeiro e Belo, 2017).

O mérito desta pesquisa consiste em recuperar um material em diferentes mídias (texto jornalístico, conferência e poesia) cujo teor aponta para o ativismo de Bonaparte em prol da preservação ambiental, do respeito à natureza e de manifestar à sua maneira o amor aos animais. Nessa direção, a escolha metodológica tomará como inspiração a ecocrítica intermidiática de Bruhn (2021). Assim, seguem-se três seções, na primeira descrevemos uma matéria de jornal alertando para o fato de que as florestas de Paris estavam sob ameaça de serem derrubadas. Na segunda seção, analisamos a conferência em que a autora testemunha a ferocidade das águas (Bonaparte, 1948/1952). E na terceira, apresento o grande amor da Princesa Marie para com sua cadela Topsy, uma chow-chow de pelos dourados (Bonaparte, 1936/2004), e como tal raça canina sela a amizade entre ela e o pai da psicanálise.

Reconhecemos que as características dos tipos de mídia aqui analisadas nos possibilitam perceber como as affordances2 do produto midiático ativa aspectos específicos de representação pelos leitores, por meio das fotografias das árvores centenárias sendo abatidas ou das imagens da dócil Topsy em posição de guarda ou correndo pelo jardim. E é claro, a icônica imagem da Jo-fi, cadela da raça chow-chow, oferecida pela Princesa Marie a Sigmund Freud, que, segundo seu filho Martin (1975), não precisava consultar o pêndulo do relógio para saber quando a hora da sessão de análise tinha completado. Quando Jo-fi se levantava bocejando, Freud sabia que a sessão havia terminado. Esses recursos aguçam os leitores para o apelo emocional que somente quem de fato ama a natureza pode expressá-lo. Afinal, são imagens cheias de memórias afetivas.

Cabe a todos, especialmente os pesquisadores no campo das humanidades, discutir a questão da preservação do planeta e de todas as formas de vida. A ecologia, assim como o estudo das relações dos seres vivos entre si e deles com o meio ambiente, propiciou o surgimento da ecocrítica, voltada para a análise de textos literários envolvidos com essa temática. Mas essa crítica se estendeu para outras áreas, englobando também o estudo de textos artísticos e científicos, que contemplem a diversidade do ambiente natural, as relações entre humanos e não humanos, bem como o futuro da vida no planeta Terra.

Pergunto-me se os sofrimentos psíquicos do homem só atingem exclusivamente a nossa espécie homo sapiens. Bonaparte, à sua maneira e estilo, tinha conhecimento do fato de que, em virtude do antropoceno,3 nossas desordens emocionais podem atingir a escala geológica e figurar como um verdadeiro mal na Terra (Hermann, 2023). É com essa ideia que apresento as seções a seguir.

As florestas sob ameaça: o apelo

É curiosa a imagem pitoresca que Bonaparte traz ao iniciar seu manifesto no jornal Le Matin, em 25 de julho de 1933. A autora lembra do gosto que os parisienses têm nos dias quentes de verão por se refugiarem da atmosfera pesada da cidade indo parar sob a sombra das árvores. Nas suas palavras, os parisienses:

[...] lá, vagando por muito tempo pelos caminhos, eles extraem ar puro, que emana das folhagens, uma renovação de vida, força e alegria. E podemos dizer que nossas florestas parisienses, as daqui as de ali, com suas árvores centenárias são como grandes fadas tutelares que sabem dispensar, quando solicitadas, descanso, saúde e força ao povo de Paris. Então, o pedestre pensa nos anos, nos séculos que a natureza precisou para construir esses esplêndidos testemunhos do seu poder, árvores veneráveis tanto quanto os nossos monumentos nacionais (Bonaparte, 1933b, p. 1, tradução nossa).

A expressão fées tutélaires [fadas tutelares] atribuídas às árvores soa como um atributo quase divino a elas. Afinal, é sob elas que nos dias quentes buscamos lugar de descanso, portanto lugar de saúde. Em outro trecho, num tom triste, a autora lamenta que os muitos carvalhos da floresta de Marly4 já estão marcados para serem derrubados.

Percebemos que a matéria jornalística convida os leitores a se envolverem com a temática, na seguinte expressão: “lá, carvalhos, faias gigantes sombreiam o caminho magnificamente; sentado a seus pés, o caminhante encantado deixa seu olhar vagar pela folhagem onde o céu brilha, enquanto os pássaros misturam seus cantos com os das folhas” (Bonaparte, 1933b, p. 1, tradução nossa).

Sobre a marcação feita pelo silvicultor para a derrubada das árvores seu lamento vai além da mera tristeza e então anuncia: “[...] será um corte raso, ou seja, que o sol inundará com seus raios crus o que é ainda hoje a floresta profunda, verde e fresca. Os mistérios sombrios da floresta serão dissipados” (Bonaparte, 1933b, p. 1, tradução nossa).

A imagem de árvores derrubadas leva à visualização da dissipação dos mistérios sombrios onde a natureza antes habitava. A iminente violência contra as florestas de Paris é nomeada por Bonaparte como um momento de crise, e ela indaga: “o que a morte dos gigantes da floresta de Marly trará para o Estado?” (Bonaparte, 1933b, p. 1, tradução nossa). Ironicamente faz a acusação de que a madeira será vendida por cinco vezes menos do que o mercado costuma pagar e que o Estado não se satisfaz em apenas explorar as florestas mais distantes da França continental, ainda assim, quer acabar com o esplendor das florestas parisienses.

Interpretando Bonaparte (1933b; 1958), tomo como minhas as indagações de Hermann (2023) no seu belíssimo ensaio sobre a depressão antropocênica. Afinal, qual o valor da psicologia ou da psicanálise na era antropocênica? Deveriam se limitar à psique humana ou devem passar a abranger as relações interespécies? Os sofrimentos tão característicos do capitalismo tardio, da sociedade em rede com sintomas do tipo condominial (Dunker, 2015) que revelam modalidades de sofrimento como a solidão, o esvaziamento e a exclusão, extrapolam os confins da humanidade para se alastrar pela Terra como um mal que sai dos seres humanos e afeta as outras espécies não humanas.

Deveríamos, como fez a Princesa Marie, com humildade principesca suplicar misericórdia: “as gigantes, vigorosas e saudáveis florestas nós podemos e devemos pedir misericórdia para com elas. Elas são nosso orgulho, nossa alegria, nossa saúde e o machado ao pé de um dessas árvores equivale a um sacrilégio” (Bonaparte, 1933b, p. 1, tradução nossa).

O antropoceno é a era geológica na qual vivemos, em que a atividade humana é a principal força modelando o planeta Terra e, como consequência, vemos o aumento gradual da poluição da atmosfera e das águas, destruição das florestas e o aquecimento global. Para Malm (2018), esse não é um problema que possa ser solucionado apenas com a proteção da natureza, mas exige transformações sociopolíticas radicais. Somente a espécie humana escraviza, controla e destrói a multiplicidade da vida no planeta. Talvez mudanças sejam necessárias à própria concepção do Homem e tudo que não pode ser compreendido pela razão e pela linguagem possa não mais ser expulso dos nossos projetos. Toda fauna e toda flora são como nossos anjos da guarda e sacrificá-las em prol do “ídolo moderno” (Bonaparte, 1937, p. 6, tradução nossa) e do progresso dos grandes centros urbanos, é o mesmo que a cidade perder o sorriso sereno de tantos anjos (as árvores). Portanto, “respeitemo-las ao menos” (Bonaparte, 1937, p. 6, tradução nossa).

O mistério das águas sem fundo

O texto ora examinado foi apresentado numa conferência em Atenas, na Sociedade dos Médicos, em 28 de fevereiro de 1948. Foi escrito originalmente em inglês, mas houve a tradução quase que imediata para o grego e o francês. Para este artigo utilizei a versão francesa publicada na obra intitulada Psychanalyse et biologie (1952). O estilo da autora é extraordinariamente fascinante, originalmente escrito para ser lido em voz alta para uma plateia de ouvintes. Assim, uma das características de seu estilo é a mistura da prosa literária com o método etnográfico e a teoria psicanalítica.

Bonaparte (1948/1952) realiza uma minuciosa pesquisa em torno das superstições populares relativas aos malefícios atribuídos a alguns lagos, que se acredita não possuírem fundo. E à maneira dos antropólogos, ela realiza um estudo de campo por meio de entrevistas realizadas com pessoas comuns que viviam no campo e próximas a essas lagoas a que se atribuíam a suposta lenda. De posse desses relatos, a autora busca explicitar as diferentes versões da fábula e inquieta resolve realizar visitas in loco a vários lagos nas proximidades de Atenas.

Ela afirma que essa lenda está presente em muitos povos e lugares. E constitui em fascínio e aflição para as pessoas que ao redor desses lagos habitam. Geralmente essas águas se mostram irresistíveis ao olhar de qualquer um que as vejam. Contudo, tais lagoas constituem em perigo mortal principalmente para os aventureiros que se arriscam a nadar em suas águas, pois seus corpos são levados ao fundo e logo desaparecem, não sendo possível nunca mais encontrá-los. Variações da lenda apontam ora para águas escuras e tristes, ora para um líquido cristalino e encantador. Mas em todas as versões, somente quando se entra nelas é que ocorrem forças aquáticas que são responsáveis pelos sumiços das pessoas. Há registros dessa fábula na Suíça, na Bretanha, na Grécia e inclusive no Brasil.

Bonaparte (1948/1952) cita uma conversa que teve com um cafeicultor que a adverte: “Se você for nadar, não vá lá” (Bonaparte, 1948/1952, p. 90, tradução nossa). A Princesa Marie pergunta por que, e ele, então, responde: “porque, sobre essas águas que parecem tranquilas, há nelas um turbilhão fervilhante que derruba os nadadores mais experientes pelos pés. Muitos já desapareceram e jamais retornaram” (Bonaparte, 1948/1952, p. 90, tradução nossa). E o mesmo informante, em outro dia, andando com a princesa, chegando próximo a outra lagoa, afirma: “Veja esta água aqui! Seu fundo é menos conhecido do que o outro lago! Foi aqui que vieram se banhar juntos o Rei Georges I e o Arcebispo Metropolitano de Atenas” (Bonaparte, 1948/1952, p. 90, tradução nossa).

Bonaparte continua sua pesquisa e em outro dia encontra outro informante, o guardião do Estabelecimento de Banho de Atenas e esse senhor lhe diz: “Eu joguei alguns objetos na superfície da água escura e eles boiaram” (Bonaparte, 1948/1952, p. 90, tradução nossa). Então, de posse de todas essas informações, a autora faz uma descrição das características físicas da constituição desses tipos de lagos, inclusive como eles se apresentam no verão, na primavera, no outono e no inverno. Descreve também o tipo de vegetação característica que floresce no entorno, os tipos de flores e frutos mais comuns, os insetos, pássaros e peixes que costumeiramente habitam.

Bonaparte (1948/1952) decide pôr à prova tais ideias, então, entra num desses lagos. Acompanhada pela comitiva real grega e por familiares, avisa a seus filhos, que também a acompanhavam, que ela iria entrar na lagoa, mas que eles não se preocupassem, pois ela não iria desaparecer como afirma a lenda popular. Ela, então, num gesto maternal, declara seu amor a seus filhos e, para que eles não ficassem preocupados, resolve amarrar uma corda em torno da sua cintura e entrega-lhes a outra ponta da corda, avisando que caso, houvesse algum problema, eles pudessem puxá-la de volta à superfície. Assim, ela entra na água e narra: “Meu coração bate acelerado, mas, tiro minhas roupas, amarro uma das pontas da corda em torno da minha cintura. Na sequência, a angústia aperta meu peito mais e mais” (Bonaparte, 1948/1952, p. 91, tradução nossa).

Em seguida, a Princesa Marie relata que um tipo de alga, típica desses lagos, enrola-se aos seus pés. Ela tenta se desvencilhar, mas não consegue, então, um turbilhão de nós dessas plantas aquáticas a faz desequilibrar. Ela grita para que a retirem da água. Quando sai, ela percebe que suas pernas e seus pés estão machucados e sangrando. Contudo, ela se alegra por ter cumprido sua proeza e em ter constatado o perigo real dessas águas escuras. Entende que a maioria das lendas nasce da verdade sobre fatos observados.

Dessa maneira, Bonaparte constata que essa lenda comporta um simbolismo profundo e universal quanto ao seu perigo. Para ela, a fascinação das águas encarna a fascinação que todos nós temos pela mãe, num nível profundo do nosso psiquismo. Como se fosse um apelo nostálgico, cuja sedução é quase impossível de resistir. Ela menciona que permanecemos durante nove meses, antes do nascimento, inseridos nas águas amnióticas do ventre da mãe. Então, a autora conjectura que é por isso que a simbolização no psiquismo humano a respeito de qualquer água escura remete ao líquido amniótico do ventre materno. Nessa argumentação, ela faz referência ao mito de Narciso, que teve uma morte fascinante por se encantar com sua própria imagem refletida no espelho d’água. Então, a autora compara o estado letal depois da morte semelhante ao estado fetal antes do nascimento. Portanto, há uma mistura de abatimento e angústia quando estamos diante da borda de águas do tipo tranquilas e silenciosas: “a nostalgia de um repouso real, outrora, no ser profundo da mãe; angústia diante da morte real que será no mergulho final na água para os seres dotados de respiração aérea” (Bonaparte, 1948/1952, p. 93, tradução nossa).

Depois de fazer uma clara distinção entre os seres aquáticos de água doce e marinhos, Bonaparte descreve a predominância das divindades femininas sobre as divindades masculinas com características aquáticas, que, segundo ela, testemunham a característica maternal predominantemente relacionada ao meio líquido. Ela cita as Náiades, ninfas das águas, cujas graciosas formas humanas que assumem são muito famosas, tanto pela beleza como pelo perigo. Menciona também as sereias que flutuam no reino de Poseidon. Estas últimas encarnam o perigo marítimo, cuja sedução mítica irresistível denota o perigo real intrínseco à nostalgia simbólica do retorno à água amniótica do ventre materno. Alude também a Afrodite, encarnação da libido suprema, que nasceu das espumas das ondas do mar.

Dessa maneira, o mistério das águas profundas simboliza o ventre da mãe repleto de líquido amniótico. E a mãe tem duas funções: uma real: fazer nascer; outra simbólica: retorno à morte. Portanto, uma face vital e outra letal dessas águas que a representam. Outro elemento da lenda é a atribuição de que o lago que serviu para banhar as duas personagens soberanas masculinas, o Rei Georges I e o Arcebispo Metropolitano de Atenas, constitui também o fundamento da fábula, pois “todos os dois são imagens exaltadas do pai. Ora, o pai, somente ele, pode impunemente pular sobre a mãe. Dotado de um poder fálico mágico” (Bonaparte, 1948/1952, p. 95, tradução nossa). Reza a lenda que ambos permaneceram superiores ao perigo e nadaram livremente nas águas sinistras. A autora não cita, mas faz uma clara menção ao famoso texto Totem e tabu (Freud, 1913/1996) em que o autor descreve os poderes da figura do grande pai na horda primitiva. E, então, Bonaparte compara Poseidon a um tipo de deus pai que pode sem perigo cavalgar entre as ondas povoadas de sereias fatais para todos os demais navegadores.

Essa conferência (Bonaparte, 1948/1952) nos ajuda a refletir sobre os mistérios da natureza e como devemos respeitá-la. Acreditamos que a lenda das águas sem fundo durante muito tempo ainda habitará à imaginação humana. E a imobilidade e o silêncio das águas nos fazem lembrar que a morte nos imobiliza e nos espreita. E essas características letais atribuídas ao simbolismo maternal universal das águas permanecem no nosso inconsciente.

Amor aos animais

Para Bonaparte (1936), o amor aos animais é a expressão máxima do respeito à vida, à bondade e à civilidade. Com a foto da sua cadela Topsy estampada ao lado de uma matéria jornalística, a autora começa nos sensibilizando para a temática contando uma história bem banal: trata-se de uma senhora que tinha um gato. Esse gato, já idoso, um belo dia adoeceu. A doença provou ser longa, crônica e incurável. Então, a tutora se recusava a mandar matar seu gato e permaneceu deitada ao lado dele até seus últimos momentos de vida. Finalmente, o gato morre, deixando sua dona inconsolável e mergulhada numa tristeza profunda. Contudo, ninguém se solidariza com sua dor. Seus amigos riram dela.

A pergunta que surge é: como alguém gosta tanto de um animal, seja ele um gato, seja um cão ou mesmo uma planta? O tema em questão é o amor interespécies. Bonaparte (1936) acredita que, se houvesse apenas o amor entre seres da nossa espécie humana, provavelmente a vida nos pareceria um deserto. Pois as rivalidades entre pessoas e a ambivalência dos seus sentimentos são um verdadeiro campo de batalha, cujas decepções não acontecem apenas em lugares públicos, sobretudo, dentro de nossos lares.

Certamente, a natureza, com suas florestas e biodiversidade, nos proporciona um lugar de retiro, de descanso e alívio das nossas discórdias e conflitos. Então, os animais de estimação seriam objetos escolhidos para nosso conforto? Certamente, com eles nós procuramos fugir de nossos pares humanos, cujos carinhos providos de ambivalência muitas vezes nos desencantam. Provavelmente, o amor do gatinho para com sua tutora da história acima nunca a desencantou. O símbolo das nossas ocupações com os animais de estimação permanece sempre associado ao amor e ao cuidado, como se mantivéssemos um “canto de eterna maternidade” (Bonaparte, 1937, p. 2, tradução nossa). Nossos gatos ou cachorros são palco dos afetos mais sólidos, inclusive podem substituir o filho crescido ou desaparecido, ou mesmo, o bebê que nunca tivemos. É sabido que certa vez Freud, em conversa com seu cliente Smiley Blanton, analisou o amor que sentimos pelos cães (Blanton, 1971). Para ele, tem a mesma qualidade daquele que alimentamos pelas crianças.

Nesse sentido, considerando a assertiva de que “todos nascemos com o instinto sexual ligado a um objeto” (Freud, 1905/1980, p. 141), “há certas relações intermediárias com o objeto sexual, tais como tocá-lo e olhá-lo para ele” (Freud, 1905/1980, p. 150). E o objeto pode ser o objeto interno, relacionado à problemática das identificações, tal como o canibalismo, a imitação, o querer ser igual a alguém, etc. (Freud, 1921/1980). E, por sua vez, o objeto pode ser o objeto externo, ligado ao outro, aos cuidados maternais na tenra infância, a sedução generalizada (Laplanche, 1970/1985). Então, o conceito de self assume importância crucial nessa discussão. O self comporta aspectos específicos das relações objetais. É nessa seara que recorro ao nome de Christopher Bollas (1989) e sua noção de objeto transformacional. Afinal, o que é objeto transformacional? Refere-se desde a primeira experiência subjetiva com o objeto naquilo que Laplanche (1987/1992) nomeia de relação antropológica fundamental ou na relação de desamparo [Hilflosigkeit] e dependência do bebê dos cuidados maternais ou do adulto cuidador, em que o objeto parcial (seio) ou objeto total (mãe/cuidador) já é percebido como aquilo que se modifica e traz modificações (Bollas, 1989), situação em que o plano pulsional, cognitivo e afetivo estão sobrepostos ao plano do envolvimento.5

Na perspectiva de Bollas (1989), o objeto é compreendido pela sua função de presságio de transformação, na medida em que modifica o self. A mãe transforma efetivamente o mundo do bebê. Em suma, o objeto é um agente de transformação por sua propriedade de circundante mental e corporal. A fim de tirar mais proveito, é crucial entender o objeto transformacional num sentido generalizado e não restrito à relação infantil com a mãe. Esse sentido generalizado, outras pessoas como professores, babás, amigos, além de lugares (como a escola, a biblioteca, etc.), paisagens (florestas, montanhas), acontecimentos (guerra, desastres naturais), as artes (literatura, música, pintura, teatro, cinema), esportes e, finalmente, nossos queridos animais de estimação atinjam a força transformacional em nós. No entanto, não podemos perder de vista o fato de que tudo começou na mãe ou no primeiro cuidador. Todos esses sucedâneos do primeiro objeto transformacional correspondem à reminiscência dessa experiência objetal precoce.

A intensidade de certo momento estético, como por exemplo, a admiração de uma paisagem natural ou nas brincadeiras com nosso cãozinho, o sujeito revive a sensação subjetiva na relação de transformação já ocorrida no self. Em suma, os animais de estimação vêm transformar o sujeito porque eles ressuscitam as lembranças das transformações precoces já ocorridas no nosso self. Daí vem a magia transformadora no cuidado e amor aos bichos. E eles não apresentam a ambivalência afetiva, típica da espécie humana!

Elevando a discussão, poderíamos alegar a favor de que o amor aos animais constitui um índice cultural e moral das civilizações. Se fôssemos proibidos de ter um gato, será que adotaríamos uma criança? Para aqueles que os humanos tenham decepcionado profundamente essa opção não é verdade. As reflexões poéticas de Bonaparte (1937/2004) sobre o adoecimento e a morte de sua cadela Topsy nos remetem à percepção de que os animais e a natureza são um tipo de companhia mais extensa; a flor no vaso é muito mais do que um luxo soberbo.

Topsy, uma cadela chow-chow de pelos dourados, com olhos amorosos e patas ágeis, muitas vezes apaziguou os dias da Princesa Marie, seja se posicionando ao lado da cadeira onde ela tricotava ouvindo seus clientes embaixo da copa das árvores no seu jardim em Saint Cloud, seja dormindo entre os arbustos (Bertin, 1982/1989). Não nos resta dúvida de que Topsy foi uma cadela amorosa e muito amada por sua tutora. Foi oferecido a ela um tratamento de câncer por radioterapia, cuja tecnologia foi a mesma usada por Freud. Na elegia a Topsy (Bonaparte, 1937/2004, p. 62) há inúmeras referências às sessões de radioterapia da cadela como as do próprio pai da psicanálise, chamado carinhosamente pela Princesa Marie de: mon père [meu pai] e lembra com muita dor de sua longa batalha contra o câncer.

Enquanto o médico bondoso que trata de Topsy a acalma, eu, sozinha no pequeno quarto ao lado, sou tomada por outra assombração. Há doze anos, outro corpo jazia da mesma forma sob os raios: meu pai, que uma doença análoga o estava corroendo... mas eu sabia, que aqueles raios que o penetravam não teriam nenhum efeito duradouro.6

Sabemos que a Princesa Marie deu de presente a Freud uma cadela da mesma raça de Topsy, uma chow-chow chamada Jo-fi, que veio ocupar o lugar de Lun, outra chow-chow, morta em um acidente (Bertin, 1982/1989). E essa será uma grande companheira para Freud, que costumava deitar-se ao seu lado. Essa cadela foi um significativo sinal da amizade entre os dois, que permaneceram amigos até o fim, com a morte de Freud. Em carta à Princesa, do dia 6 de dezembro de 1936, Freud diz: “as verdadeiras razões pelas quais podemos amar tão profundamente um animal como Topsy (ou Jo-fi) são o afeto desprovido da menor ambivalência, a simplicidade de uma vida livre dos conflitos da civilização” (Freud apudAmouroux, 2022, p. 881, tradução nossa). Ele, embora muito doente, com o auxílio de sua filha Anna Freud, traduziu para o alemão este livro sobre Topsy (Bonaparte, 1937/2004). E como observa um dos seus mais famosos biógrafos (Jones, 1953/1979), Freud se revelou um excelente tradutor, penetrando plenamente no espírito desse manuscrito que o atraiu imensamente.

Então, como vimos desde a primeira seção, os nossos sofrimentos e conflitos não se restringem a trazer malefícios somente a nós, mas acabam por atingir todas as outras espécies com a destruição insana do meio ambiente. Enquanto isso, os animais e as árvores permanecem como crianças eternas, alheios à conflitualidade humana. As percepções da Princesa Marie sobre a dilapidação do ambiente natural são semelhantes aos eventos distópicos cada vez mais intensos no mundo contemporâneo.

À guisa de conclusão

As reflexões apresentadas denotam que a bondade para com os animais é uma das formas do respeito à própria vida do planeta Terra. A humanidade chegou a um momento crucial de sua história. Deixamos para trás o holoceno, fase geológica provocada por um processo de degelo do planeta e atingimos o antropoceno, ou, época dos humanos, quando a ação do homem influencia o sistema terrestre, ameaçando todas as formas de vida. A Princesa Marie, consciente de sua responsabilidade, manteve os olhos voltados para a necessidade de preservação do planeta, apontando o papel saudável do convívio com as florestas, o respeito aos mistérios da natureza e suas águas, bem como o amor a todas as formas de vida.

Concluo ratificando que muitos manuscritos de Bonaparte expressos em diferentes mídias, são imprescindíveis para as discussões atuais tanto na ecocrítica, nos estudos da intermidialidade quanto no envolvimento da psicanálise com questões ambientais e ecológicas. Um ramo de seu pensamento menos conhecido, mas não menos importante do que suas contribuições já consagradas sobre a teoria das pulsões, as implicações biológicas na psicanálise e a sexualidade feminina.

1Agradeço imensamente a menção honrosa feita pelo Dr. Rémy Amouroux na Introduction do livro Marie Bonaparte et Sigmund Freud: correspondance intégrale (1925-1939) ao meu trabalho de reabilitação de parte da obra da Princesa. Gostaria de agradecer especialmente Sua Alteza Real a Princesa Tatiana Fruchaud e o Príncipe Carlo Alessandro della Torre e Tasso, netos da Princesa Marie Bonaparte.

2Affordances [afford, em inglês] é qualquer objeto que proporcione ao usuário a oportunidade de realizar uma ação; recursos (Wikipedia).

3O conceito “antropoceno”, do grego anthropos [humano] e kainos [novo], foi popularizado no ano 2000 pelo químico holandês Paul Crutzen, vencedor o Prêmio Nobel de química em 1995, para designar uma nova época geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra (Wikipedia).

4A floresta de Marly ainda hoje é considerada um sítio natural com aproximadamente 2.000 hectares; localiza-se em Yvelines, a vinte quilômetros a oeste de Paris, numa área entre Saint-Germain-en-Laye e Versailles.

5Essa ideia lembra os conceitos de objetos transicionais e fenômenos transicionais de Winnicott (1951/1978).

6A localização do tumor de Topsy foi no lábio superior, enquanto que o de Freud estava no maxilar superior.

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Recebido: 10 de Julho de 2023; Aceito: 28 de Julho de 2023

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