O meme do iceberg
Imagine que o meme é como o iceberg que afundou o Titanic: na superfície, ele parece só uma piada boba, um gatinho dançando ou um minion de Meu malvado favorito desejando “bom dia”; nas profundezas, esconde toneladas de sentido, afetos, traumas coletivos, complexos culturais, delírios, simbolismos e um certo cansaço de existir expresso em risadas. Talvez seja por isso que estudar o meme seja, ao mesmo tempo, um exercício de antropologia cultural e uma investigação da própria psique contemporânea: quem finge estar acima do meme se esquece de que a fofoca, o boato e o comentário irônico são formas elementares de pertencimento.
Não compreender o meme hoje equivale a não compreender a língua secreta de uma época: as alegorias, as marginalias e os emblemas morais da Idade Média, a retórica política panfletária do século XVIII, a caricatura política do século XIX, as preleções em salões literários ao longo de centenas de anos, as gírias dos cabarés e do teatro de revista, os slogans dadaístas. Hoje, o meme é a moeda da economia da atenção, o idioma de micro comunidades digitais, o espelho em frente ao qual a cultura se penteia. O fato de que uma única imagem consiga gerar reações simultâneas de “KKKKKKKK”, “putz”, “scrr”, “VSFFF”, é razão suficiente para que seja tratada com a seriedade de um psicólogo e o humor de uma pessoa cronicamente online.
Esse ensaio propõe precisamente esse mergulho metalinguístico: não focar no meme do iceberg, mas no iceberg do meme; descer degrau por degrau, passando da comunicação instantânea à dimensão simbólica e quase mítica desse iceberg cultural. O objetivo é demonstrar que o meme, para além de um produto de internet, é um fenômeno cultural total — isto é, que funciona como expressão estética, veículo de formas imaginativas que transcendem indivíduos e dispositivo psicológico coletivo. Para tanto, a análise foi organizada em cinco níveis, cada um mais profundo que o anterior. Primeiro, exploraremos a superfície, onde o meme atua como linguagem imediata, rápida e viral. Em seguida, abordaremos suas funções biopsicossociais: defesa psíquica, regulação afetiva, marca de pertencimento e atmosfera pós-irônica. O terceiro nível examina o meme como imagem simbólica contemporânea, capaz de condensar devaneios e constelações de afeto. O quarto revela sua face arquetípica e caótica, como manifestação da anima mundi em pixels e como encarnação do trickster digital. Por fim, chegaremos à síntese ambivalente, em que o meme se torna paradoxo, nostalgia artificial, cinismo e potencial semente de uma nova forma de imaginação. Respire fundo, vista seu escafandro, e caia nessa água gélida e virgem.
Nível 1 — O meme como comunicação instantânea
Na superfície, o meme apresenta-se como aquilo que ele aparenta ser: uma forma de comunicação veloz, replicável e de impacto imediato. Essa camada funcional, onde o meme atua como objeto cultural mínimo, é a mais visível e, por isso, frequentemente subestimada. É aqui que ele se torna uma espécie de moeda do cotidiano digital, circulando com uma rapidez que assusta e surpreende até mesmo seus criadores.
O termo “meme” foi cunhado por Richard Dawkins (2007), em O gene egoísta, como uma analogia entre a evolução biológica e a propagação cultural. Dawkins (2007) definiu o meme como “uma unidade de transmissão cultural” que se multiplica por imitação. Ainda que essa concepção reduza processos complexos a mecanismos quase genéticos — uma limitação entre as muitas que os pesquisadores apontam na obra de Dawkins —, ele teve o mérito de iluminar a natureza contagiosa de certos conteúdos simbólicos. Com o advento das plataformas digitais, essa viralidade alcançou uma escala sem precedentes.
Na chamada ecologia da atenção, expressão popularizada por Yves Citton (2014), o meme se consolida como dispositivo privilegiado de captura cognitiva. Ele condensa em poucos segundos informação, afeto e posicionamento. Basta um breve contato visual para descodificar ironias, julgamentos ou comentários sociais que, em outro formato, demandariam muito mais tempo e esforço. O meme, nesse sentido, é uma espécie de “microtexto total”: um pacote compacto de sentidos, pronto para ser partilhado sem necessidade de contextualização minuciosa. Essa eficácia está ligada à forma como o meme se tornou uma linguagem quase universal. Ao combinar referências da cultura pop, expressividade visual e recursos de humor instantâneo, ele cria uma gramática que prescinde de traduções formais. Mesmo entre pessoas de contextos diferentes, certas imagens tornaram-se signos reconhecíveis, como códigos de um idioma emergente. Quando circula, o meme oferece entretenimento, mas também pertencimento: um breve reconhecimento mútuo de que se compartilha o mesmo repertório e de que se habita o mesmo tempo.
Assim, o meme, na superfície, cumpre uma dupla função: ele captura atenção e sinaliza identidade. Esse gesto rápido que diz “veja como penso” e “veja como pertenço” pode parecer trivial, mas contém uma nova forma de comunicação culturalmente estruturante. Se o riso vem fácil, isso não significa que o fenômeno seja superficial: é justamente nessa camada inaugural que se delineia a potência do meme como linguagem planetária e produto simbólico do contemporâneo.
Mas, como todo iceberg, essa superfície é apenas o começo. Para compreender plenamente seu alcance, é necessário descer aos níveis onde operam suas funções psicológicas, sociais e simbólicas. Sigamos para o próximo nível.
Nível 2 — As funções biopsicossociais do meme
Se o meme atua, na superfície, como um ato espontâneo de comunicação, exerce, em camadas mais profundas, funções biopsicossociais que ajudam a compreender sua força simbólica e seu poder de difusão. Os memes não são apenas produtos culturais de consumo rápido: são também dispositivos que mobilizam circuitos neuronais, que regulam afetos individuais e que constroem dinâmicas coletivas de pertencimento.
Na dimensão biológica, a resposta ao meme está associada a mecanismos de processamento e de recompensa emocional. Estudos em neurociência da atenção, como os de Susan Greenfield (2021), mostram que estímulos breves, visualmente marcantes e emocionalmente carregados ativam circuitos dopaminérgicos ligados ao prazer imediato. A previsibilidade dos formatos, como os templates e as legendas padronizados, reforça esse micro prazer, que se torna um hábito quase automático. Em ambientes de alta estimulação digital, essa descarga de gratificação contribui para uma relação compulsiva com timelines e feeds.
No campo psicológico, o meme opera como compensação simbólica no sentido que Carl Gustav Jung (2013, para. 814) concedeu ao termo: uma forma que emerge quando conteúdos inconscientes não encontram expressão direta. O humor, a ironia e o absurdo tornam-se modos de metabolizar ansiedades coletivas. Jung (2013, para. 814) observou que os símbolos possuem uma função mediadora entre a consciência e a sombra, oferecendo contorno psíquico àquilo que ameaça fragmentar o eu.
A partir de James Hillman (1993), particularmente em Emotion, podemos compreender o meme como uma forma simbólica que carrega afetos cristalizados em imagens. Hillman (1993) critica a tradição psicológica que concebe a emoção como mera descarga subjetiva de tensões internas, uma perspectiva que o autor considera reducionista e incapaz de captar sua função simbólica. Para ele, as emoções devem ser entendidas como “imagens atuantes”, forças que organizam a experiência e conferem sentido aos acontecimentos. Essa concepção imaginal permite ver no humor do meme não apenas um escape superficial, mas uma via de configuração e de compartilhamento de afetos coletivos. Quando milhares de pessoas reproduzem uma imagem que ironiza o esgotamento, a ansiedade ou o medo do fracasso, não estão apenas brincando: estão dando forma sensível ao que, de outro modo, permaneceria difuso e sem representação. Hillman (1993) sugere que a psique imagina o mundo emocionalmente, ou seja, que nossos sentimentos se encarnam em figuras e narrativas que nos permitem reconhecê-los e contê-los. O meme, nesse contexto, pode ser lido como um microdispositivo imaginal, um recipiente simbólico que acolhe estados emocionais e os distribui em escala coletiva. Essa função não se reduz à regulação individual de afetos, pois a circulação dessas imagens cria um campo partilhado onde as emoções se tornam públicas, comentáveis e até mesmo domesticadas. Os memes atualizam, em linguagem digital, aquilo que Hillman (1993) identifica como a necessidade arquetípica de dar corpo às paixões em imagens capazes de mediar nossa relação com elas.
Essa função simbólica não se limita à contenção do desconforto: ela também produz defesa psíquica. A ironia, como mecanismo de distanciamento, cria uma espécie de segurança emocional. É rir antes que o outro ria, confessar em tom de piada para não ter que se comprometer com a própria vulnerabilidade. Jung (2013) chama a atenção para essa ambiguidade: o humor pode integrar aspectos sombrios da personalidade e, ao mesmo tempo, se tornar um disfarce que impede a elaboração autêntica.
No aspecto social, o meme funciona como marcador de pertencimento e como uma espécie de senha para o reconhecimento de uma tribo ou de uma subcultura. Limor Shifman (2014) observa que memes não são apenas objetos que consumimos, mas práticas que definem quem está por dentro e quem está por fora de um repertório comum. A circulação em massa de formatos, como “distracted boyfriend” ou “woman yelling at a cat” ou os stickers de WhatsApp, produz uma sensação de sintonia que combina familiaridade e performance. Compartilhar um meme é declarar: eu entendo esse código, eu pertenço ao meu tempo.
É nesse plano coletivo que surge o clima afetivo, sobre o qual retornaremos mais de uma vez, que David Foster Wallace (1993) chamou na década de 1990 de uma atmosfera em que sinceridade e cinismo convivem em um mesmo gesto, de forma que fica impossível distinguir se se está sendo sério ou não: memes de autoironia radical, estética “cringe” assumida, slogans contraditórios, shitposting emocional, personas públicas que performam sinceridade e deboche ao mesmo tempo. A essa atmosfera, contemporaneamente damos o nome de pós-ironia: a busca de uma sinceridade radical depois da saturação da ironia. Mark Fisher (2020) retoma essa ideia ao argumentar que o humor contemporâneo funciona como anestesia afetiva: um modo de expor contradições sem jamais se comprometer com a transformação delas. O meme, ao mesmo tempo que denuncia, relativiza; ao mesmo tempo que aproxima, distancia. Por isso, é simultaneamente uma forma de cuidado coletivo e uma armadilha que eterniza a ambiguidade.
Em síntese, a forma dos memes nasce dessa convergência de fatores. Eles ativam gratificações neuronais, funcionam como símbolos que regulam afetos e reforçam identidades partilhadas. No segundo nível do iceberg, já se revela que o meme é menos uma distração inofensiva do que uma matriz complexa de processos biopsicossociais que organiza nossa experiência de mundo.
Nível 3 — O meme como imagem simbólica do contemporâneo
Diferentemente de uma possível interpretação do símbolo como uma totalidade que une opostos e cria mediação entre consciente e inconsciente, o meme parece operar como símbolo em trânsito: um composto de alusões, fragmentos e comentários que não chegam a formar uma imagem unificada e duradoura. Não se trata de afirmar, portanto, que o meme seja um símbolo propriamente dito, no sentido de uma figura arquetípica dotada de força transformadora — embora nada o impeça de se tornar símbolo. Acontece que seu poder simbólico parece residir justamente na incompletude e na impermanência. O meme é uma forma de captura, por instantes, de conteúdos afetivos e coletivos antes que eles se dissolvam novamente na corrente do fluxo digital. Por isso, talvez seja mais apropriado pensar no meme como uma pré-forma simbólica ou um esboço de símbolo, que participa de uma economia imagética fragmentária e característica da atualidade.
Essa condição de provisoriedade contrasta com o modelo tradicional das grandes narrativas míticas, que pretendiam estabelecer continuidade e coerência simbólica ao longo do tempo. O meme, ao contrário, recusa toda pretensão de estabilidade: ele se multiplica, se parodia, se refaz, se remixa. Uma imagem pode circular por milhares de perfis e reaparecer sempre com outra legenda, outro tom. Essa variação incessante corresponde à imagem que Deleuze e Guattari (1995) chamaram de rizoma, uma configuração horizontal e proliferante, que não possui centro nem hierarquia. Nessa lógica, o meme não pertence a ninguém e não fixa sentido definitivo. Seu valor simbólico se deve à capacidade de estabelecer conexões momentâneas entre afetos dispersos.
Por isso, é importante resistir à tentação de classificá-lo como simples signo trivial ou como símbolo pleno. Nem o oito, nem o oitenta. O meme ocupa uma zona liminar, pois é mais do que uma mera unidade de comunicação, mas menos do que um mito constituído. Sua força está em ser uma imagem instável, um aglomerado de referências que condensa desejos, humores e conflitos sociais em um intervalo de atenção tão curto quanto rolar a tela infinitamente. Em um mundo marcado pela aceleração e pela saturação informacional, o símbolo tradicional cede lugar a figuras que só podem existir como constelações transitórias, que emergem e se desfazem sem nunca chegar a se consolidar por inteiro.
Há algo de paradoxal em como os memes se tornaram devaneios públicos, pequenas imagens que condensam ansiedades, expectativas e desejos que antes permaneceriam dispersos na intimidade. Mesmo quando são piadas descartáveis, eles funcionam como espaços de confissão partilhada, onde afetos encontram uma forma precária de expressão. O meme, quando viraliza, cria uma atmosfera comum, um breve instante em que a cultura se autoriza a mostrar suas vulnerabilidades. Essa experiência sugere que, apesar da fragmentação dos vínculos, persistirmos em buscar imagens capazes de nos lembrarem de que, em certa medida, todos habitamos a mesma fadiga.
Walter Benjamin (2007) afirma que certas figuras visuais possuem a capacidade de interromper a percepção automática e de instaurar aquilo que ele chamou de imagem dialética: o momento em que um fragmento do passado encontra uma necessidade presente e forma uma constelação simbólica. Embora os memes operem em uma escala mais efêmera e despretensiosa, eles também cumprem essa função de suspensão. Uma imagem que ironiza o esgotamento cotidiano — por exemplo um desenho infantil e retrô com a legenda “não aguento mais, quero me m*” — cria um lampejo de reconhecimento que mistura humor e desconforto. Por um instante, o fluxo indiferente da timeline é rompido, e aquilo que parecia banal se revela como índice de um estado coletivo. O meme é, portanto, um marcador simbólico de um clima emocional partilhado, que emerge e se dissolve sem prometer continuidade.
Assim sendo, ainda que raramente os memes atinjam a densidade dos símbolos descritos pela teoria junguiana clássica, podemos assumir aqui a liberdade poética de chamá-los de proto-imagens: formas transitórias que tornam compartilháveis afetos latentes. Provavelmente o devaneio que se consome na velocidade da rolagem, com tal brevidade, é o que os torna tão característicos de nossa época.
No nível 2 do iceberg, onde ainda existe alguma luz do dia, a pós-ironia foi apontada como clima emocional dominante que paira sobre grande parte da cultura digital: uma atmosfera de ambivalência em que sinceridade e cinismo se misturam de modo tão íntimo que se torna impossível separá-los. Mas a pós-ironia, mais do que um estado afetivo, também se consolidou como forma simbólica própria, uma ética e uma estética, um modo de construção e de circulação de imagens que desafia a busca de autenticidade. Quando aplicada ao universo dos memes, ela cria uma condição curiosa: tudo pode ser piada, mas tudo pode ser também uma confissão séria: o verdadeiro sentido está na hesitação ente essas duas posições. Tal oscilação é um sintoma cultural. Ela expressa a desconfiança generalizada em relação a qualquer discurso que pareça excessivamente comprometido e, ao mesmo tempo, a necessidade persistente de comunicar o que nos fere.
A pós-ironia, tal como descrita por Wallace (1993), surge como uma reação ao cansaço produzido pela ironia corrosiva que marcou o final do século XX. Se a ironia clássica consistia em manter uma distância protetora frente a qualquer emoção, a pós-ironia recupera um desejo de vínculo, mas apenas sob a condição de que esse vínculo nunca seja totalmente levado a sério. No contexto dos memes, essa ambiguidade se materializa em imagens que parecem zombar do próprio afeto que expõem. Esse tipo de autoanulação simbólica funciona como uma anestesia coletiva: a confissão é rapidamente diluída no riso, o desconforto é tematizado, mas nunca plenamente elaborado. Assim, a pós-ironia cria símbolos que não se deixam estabilizar, imagens que convidam e repelem. São os emblemas mais precisos da sensibilidade contemporânea, pois sua força simbólica reside na recusa de clareza definitiva. Ao contrário do mito tradicional, que pretendia oferecer coesão, e do símbolo clássico, que integrava opostos em um campo de significado relativamente estável, o meme pós-irônico opera como um anticódigo, um símbolo que promete síntese, mas que celebra a precariedade de seu sentido. Quando compartilhamos essas imagens, participamos de um ritual paradoxal: confessamos algo sobre nós mesmos, mas asseguramos que essa configuração permaneça cercada por uma margem de dúvida. Mantemos a ilusão de que nada nos afeta de verdade, ao mesmo tempo que tudo nos afeta mais do que gostaríamos de admitir.
Nível 4 — O meme como veículo da anima mundi
Ao longo desse ensaio, consideramos o meme como unidade comunicacional, mecanismo biopsicossocial e forma simbólica em trânsito. Mas é em um nível mais profundo, onde a pressão da água é intolerável para o corpo humano e a luz é rara, que ele se revela em seu caráter mais insólito: o de veículo da anima mundi, a alma do mundo que se manifesta por imagens compartilhadas.
Hillman (2011) propôs, a partir de Jung, que a psique se estende à própria tessitura da realidade: tudo é habitado por imaginação, tudo é expressão simbólica. Quando olhamos para o meme através dessa lente, percebemos que ele é mais do que produto cultural: é a manifestação de uma força imaginal coletiva que busca se tornar visível. Ainda que opere na velocidade do consumo digital, carrega, em sua circulação massiva, a memória difusa de uma imaginação que não pertence a ninguém em particular. Ora, na perspectiva junguiana, isso é muito claro, afinal, pertence a tal arcabouço a ideia de inconsciente coletivo, que ultrapassa o seu caráter simbólico ao se aproximar de uma cosmologia simbólica. Jung (2014, para. 155) apontava que os arquétipos se revelam não apenas em mitos e sonhos, mas também nas imagens que emergem espontaneamente na cultura. Quando milhões de pessoas compartilham uma mesma figura, talvez estejamos testemunhando uma forma de irrupção simbólica que transcende a intenção individual. O meme, nesse sentido, funciona como um condutor de conteúdos arquetípicos que se degradam e se reinventam continuamente. Hillman (2011) sustenta que reconhecer a alma do mundo é aceitar que não somos os únicos autores das imagens que nos afetam. Existe uma dimensão imaginal que cria e circula formas sem pedir nossa autorização consciente. Os memes são manifestações modestas dessas pequenas epifanias coletivas que, mesmo fugazes, recordam que o símbolo não é um recurso que controlamos, mas uma presença que nos atravessa. Não é metáfora afirmar que o mundo está sonhando em pixels: é somente a constatação de que, na circulação frenética de memes, algo da alma coletiva encontra expressão.
Há uma figura arquetípica encarnada na energia do memes: o trickster — o trapaceiro, o brincalhão, o agente do caos que dissolve fronteiras. Lewis Hyde (2017), em seu fantástico estudo sobre o tema, descreve o trickster como uma força que subverte regras e que produz novas possibilidades justamente ao violar a ordem estabelecida. No território digital, os memes assumem essa função de maneira peculiar: são formas que, ao mesmo tempo, criticam, parodiam e participam daquilo que parecem ridicularizar. Não é coincidência que tantos memes desestabilizem instituições, zombem de autoridades ou exponham contradições culturais. Ao rir, expomos a precariedade de tudo, e o quanto nossas certezas podem ser desmontadas em segundos por uma legenda espirituosa.
Na tradição da psicologia analítica, Jung (2014, para. 472) já havia apontado que certas figuras míticas, como Hermes, encarnam essa ambivalência criadora e destrutiva. Hillman (2007), por sua vez, não desenvolve uma teoria do trickster de maneira sistemática, mas recorre frequentemente a Hermes como exemplo do princípio psíquico que transita entre polos opostos e que sustenta a imaginação do movimento. Hermes é, ao mesmo tempo, mensageiro e trapaceiro, patrono dos ladrões e mediador entre mundos. O símbolo é a dádiva de Hermes para a humanidade, e o meme também. Quando transposto à cultura digital, esse impulso hermético se vale de sua intoxicação no presente — o monoteísmo de Hermes da pós-modernidade — para circular sem respeitar fronteiras de propriedade, de autoria ou de sentido fixo. O humor que produz não é apenas anedótico: carrega algo do espírito liminar e ambíguo, que interrompe a seriedade com sua ironia radical. Essa versão pixelizada de Hermes não se contenta em rir do mundo: quer também expor a fragilidade das narrativas consolidadas. Afinal, o trickster não descreve somente um leque comportamental que vai do cômico ao desestabilizador, mas atua igualmente na estrutura da linguagem, como a ironia desestrutura o sentido e instaura a ambiguidade. Ao mesmo tempo que denuncia contradições, recusa qualquer compromisso definitivo com a transformação. O meme, como seu avatar contemporâneo, desmonta a pretensão de autoridade sem oferecer outro centro de gravidade simbólica. Nesse vaivém entre crítica e cumplicidade, Hermes, o trickster pai da pós-ironia, confirma que toda cultura carrega dentro de si o germe de sua própria subversão.
Entre a velocidade da timeline e a saturação de estímulos, os memes às vezes produzem um fenômeno singular: um instante de revelação inesperada. No meio da distração, uma imagem atravessa nossa atenção com a força de uma pequena epifania. Benjamin (2007) escreveu que certas imagens têm o poder de interromper a sucessão homogênea dos acontecimentos e de fazer brilhar, por um breve instante na Terra, uma constelação de sentidos. Embora Benjamin estivesse pensando em imagens, histórias e alegorias, algo desse lampejo se repete, em escala modesta, quando um meme faz emergir uma percepção súbita: o reconhecimento compartilhado de um afeto, de uma angústia ou de uma ironia que pairava no ar.
Essa epifania é transitória exatamente porque não costuma se prolongar. E sua brevidade é parte essencial de sua essência: o meme ilumina o instante, não a duração. Hillman (2010) observa que a imaginação não precisa se comprometer com grandes narrativas para cumprir sua função. A verdadeira amplificação junguiana não necessita da Odisseia ou da Teogonia para acontecer: basta a novela das oito. Ou o meme recebido no grupo da família hoje cedinho. Bastam imagens que revelam, mesmo que por segundos, a textura emocional de uma época. O meme, enquanto epifania transitória, oferece lampejos de lucidez e de cumplicidade, mas não produz elaboração duradoura. Há zonas de experiência coletiva que só podem ser tocadas por imagens rápidas, como um relâmpago, um sonho breve: o meme aparece, nos afeta, desaparece, produz uma memória tênue, como a cintilância do informe provisoriamente ganhando forma.
Nível 5 — Estamos vivendo um neodecadentismo? Não sei, não há luz alguma neste nível
Neste nível já não há muita luz. Já esbarrei com monstros abissais lovecraftianos, questionei minha sanidade, meu corpo físico já implodiu inúmeras vezes, mas cá estamos, no nível reservado para as informações mais profundas, e também mais absurdas e esdrúxulas que o leitor, pós-ironicamente, é convidado a acatar.
Aqui, a superfície do meme cede lugar a um território saturado, onde as imagens perderam qualquer ingenuidade e se misturam a um não-sentido que é, ao mesmo tempo, íntimo e coletivo. Se, no início do iceberg, o meme parecia algo lúdico e transitório, agora ele se revela como um campo em que convivem restos de vitalidade simbólica e sintomas de exaustão cultural. É como se cada imagem carregasse a marca de um complexo cultural, no sentido descrito por Thomas Singer e Samuel Kimbles (2004): não apenas um conjunto de emoções ou de ideias compartilhadas, mas uma formação psíquica semiautônoma que emerge na intersecção entre experiências coletivas, memórias históricas e afetos não elaborados. Os complexos culturais funcionam como núcleos simbólicos que se reativam em momentos de tensão social, carregando mitos, defesas e narrativas identitárias que muitas vezes escapam à reflexão consciente. Eles cristalizam feridas coletivas — de raça, de gênero, de classe, de credo – em formas simbólicas que atravessam gerações, tornando-se parte do pano de fundo afetivo e imaginativo de uma cultura.
Nos memes, esse material simbólico é mobilizado de maneira condensada: figuras que pareceriam banais ativam, por ressonância, zonas emocionais profundamente enraizadas. Uma piada sobre fracasso ou sobre ser “cringe” pode não parecer politicamente relevante, mas carrega, em seu código afetivo, marcas de inseguranças estruturais que não foram elaboradas. O complexo cultural não precisa ser temático: ele atua como clima, campo de sentido que se atualiza performativamente a cada compartilhamento. De forma que o meme não apenas retrata um estado de alma, mas o reencena, o perpetua e, às vezes, o transforma. Em seu funcionamento reiterativo, ele encena zonas traumáticas da cultura, seja com ironia ou com ternura, mas quase sempre com ambivalência. Assim, a decadência cultural contemporânea, a nostalgia simulada, a ironia que não consegue ser mais brincadeira: tudo isso compõe um clima no qual a imaginação só consegue sobreviver como fragmento. Este é o nível em que sombra e símbolo não são mais distinguíveis.
Ao chegar nesse ponto, torna-se impossível ignorar que a cultura digital não apenas multiplica imagens, mas também multiplica a exaustão. Tudo parece marcado por uma consciência de obsolescência programada, como se qualquer forma de entusiasmo precisasse ser imediatamente neutralizada pela ironia. Nos memes, essa atmosfera se torna visível: a compulsão por repetir formatos, a nostalgia por momentos relativamente recentes, a paródia dos afetos que mal tiveram tempo para se consolidar. É como se estivéssemos condenados a circular em um teatro de fragmentos, incapazes de produzir outro horizonte.
Esse clima não é inteiramente novo. Ao longo da história cultural, houve momentos em que a percepção do esgotamento coletivo se tornou uma sensibilidade dominante. No final do século XIX, floresceu na Europa aquilo que se convencionou chamar de decadentismo. Mais do que um movimento literário, o decadentismo foi um estado de espírito e um estilo psicológico: a convicção de que o mundo civilizado se aproximava do fim, e que apenas a consciência estética poderia dar dignidade ao declínio. Entre seus emblemas estão Des Esseintes de Às avessas, de Huysman (2011), que se enclausurava em um universo artificial saturado de perfumes, de livros e de objetos raros, e os poemas de Baudelaire em As flores do mal (2010), em que o tédio e a morbidez se tornam matéria-prima da beleza. Era um imaginário fascinado por tudo que perece: flores murchas, ruínas, vícios, languidez. O decadentismo clássico preferia a artificialidade à espontaneidade, o simulacro à natureza, o ornamento ao essencial. E, acima de tudo, cultivava uma ironia que protegia contra qualquer tentação de esperança.
Se quisermos entender a genealogia arquetípica deste nosso neodecadentismo virtual — que ora cunhamos com todo o cuidado possível, pois se trata de uma liberdade poética e de uma clara extrapolação experimental —, é preciso observar o terreno cultural em que ele germinou, marcado por estéticas que flertavam com a artificialidade.
O kitsch, que Milan Kundera (2017) definiu como a negação do lado obscuro da existência, produziu imagens sentimentais embaladas pelo consumo rápido, sempre com uma pretensão de pureza emocional. Era o pôr do sol com legendas edificantes em fontes características do Power Point enviados por tias alegres, um afeto pré-fabricado que dispensava qualquer elaboração crítica. O camp, por outro lado, celebrava a própria artificialidade com uma ironia afetuosa: era a alegria performativa de quem sabe que está encenando. Susan Sontag (2020) via no camp um amor pelo antinatural, uma exibição exuberante de mau gosto que se torna sofisticada pela consciência de si. Ambos, kitsch e camp, ofereciam, cada um ao seu modo, refúgios contra o desencanto: o primeiro, fingindo autenticidade; o segundo, convertendo o excesso em celebração. Mas nenhuma dessas estéticas antecipou integralmente a atmosfera de exaustão pacífica que caracteriza o nosso neodecadentismo pós-irônico. Aqui, o artifício não é celebrado nem negado: ele é aceito com a naturalidade de quem não tem mais forças para se importar.
A era da pós-ironia foi decisiva para esse deslocamento. Quando tudo passou a ser consumido com uma meia distância emocional — isto é, tal regime em que, ao mesmo tempo, confessamos e ridicularizamos —, o kitsch perdeu sua inocência e o camp perdeu sua exuberância. Tornou-se cada vez mais difícil distinguir se compartilhamos imagens sentimentais por nostalgia sincera ou por jogo cínico. Nesse vácuo de critérios, o neodecadentismo virtual se consolidou como uma estética resignada: um lugar em que se admite a artificialidade das emoções e se mantém, ainda assim, uma ligação melancólica com elas. Quando algum meme alude à dificuldade de sentir qualquer coisa hoje, não há a alegria carnavalesca do camp, nem a fantasia moralizante do kitsch. Há apenas uma consciência saturada de que toda experiência parece reciclada, de segunda mão, e de que mesmo assim continuamos a precisar dessas imagens para dar forma ao que sobra da esperança. A pós-ironia nunca emancipou ninguém da vergonha, apenas a normalizou. Nesse cenário, a repetição tornou-se a última forma de pertencimento, e a exaustão, a ordem do dia.
Se a ironia clássica era uma estratégia de distanciamento, a pós-ironia transformou essa defesa em habitat psíquico. Ela não é uma figura de linguagem, mas uma disposição permanente que nos impede de escolher entre confessar e recusar. Quando se compartilha um meme que admite o esgotamento da vida e antecipa o julgamento com uma piada, não estamos mais falando apenas de humor. Trata-se de um modo de declarar que nenhum afeto escapará à suspeita. A pós-ironia permite confessar sem se comprometer, expor-se sem se entregar por inteiro. Mas essa liberdade tem um preço: não precisa ser levado a sério, e tudo permanece suspenso na mesma hesitação crônica.
Esse clima de resignação irônica encontra sustentação em outro fenômeno contemporâneo que Simon Reynolds (2011) chamou de retromania: a compulsão contemporânea por reviver e reciclar o passado recente como se fosse a única matéria-prima disponível para a imaginação. Essa tendência se revela de forma quase caricata na cultura pop: nos anos 1990, a febre do revival setentista trouxe de volta a estética disco e as calças boca de sino repaginadas em calças baggy; nos anos 2000, os anos 1980 foram ressuscitados em toda parte: de hits como Hung Up (2005), de Madonna, que reutiliza ABBA, à onda de remakes de clássicos da década, como Transformers e Sexta-Feira 13. Hoje, é a vez dos anos 1990 e do começo dos 2000: a estética Y2K, com glitter, tops de alcinha, flip phones e máquinas digitais, domina tanto os guarda-roupas da Geração Z quanto os filtros do TikTok, em que músicas antigas e consagradas viralizam como se fossem lançamentos inéditos.
Quando Mark Fisher (2022) fala do luto por um futuro cancelado, aponta exatamente esse impasse: o presente se converteu em um inventário de promessas não cumpridas, e isso, por sua vez, se converteu no nosso repertório estético. A pós-ironia funciona como anestesia: ajuda a suportar a sensação de que nada de novo pode nascer. Repostar imagens antigas, mimetizar o estilo de nossos pais, ironizar a nostalgia e encenar o desencanto tornam-se formas de convivência com a própria perda do horizonte. E aí reside o nosso paradoxo atual: rimos da ruína que secretamente gostaríamos de evitar.
Mas lembremos que o decadentismo tem um irmão etéreo, mais luminoso: o simbolismo. Ambos surgiram de uma mesma percepção de fin de siècle: a de que a cultura havia perdido seu centro de gravidade. Mas se o decadentismo transformou essa perda em espetáculo, o simbolismo buscou, paradoxalmente, uma via de resgate: em vez de restaurar a solidez dos valores antigos, inventou formas de pressentir o invisível por meio do efêmero. Para os simbolistas, a matéria degradada não era apenas um resíduo, mas um material sagrado e cintilante de vida. Quando Stéphane Mallarmé (2007) dizia que nomear um objeto era destruir três quartos de prazer que se obtém em adivinhá-lo, ele enunciava uma ética não-doutrinária do símbolo, a da ordem da preservação mínima do mistério. Por mais distante que essa noção pareça da lógica viral dos memes, acredito tratar-se de uma noção a ser reaprendida hoje: resistir ao neodecadentismo virtual implica não confundir ruína com esgotamento definitivo.
James Hillman (2010) insistia que a imaginação não é sinônimo de escapismo nem de transcendência idealista. Ela nasce da capacidade de olhar para aquilo que aparentemente perdeu vitalidade — uma imagem gasta, um clichê — e perguntar se ali resta um filamento de sentido. Contra uma disciplina das imagens, Hillman (2010, p. 108-9), diz:
Não poderia levantar minha voz mais alto contra esses métodos. Neles está o abuso da primeira liberdade da alma — a liberdade de imaginar. Esta é a fonte de nossa peculiar individualidade e de nossa arte, nossa ciência e nossa cultura. A autonomia da fantasia é o último refúgio de dignidade da alma, sua garantia contra toda opressão (...) Pecamos contra a imaginação sempre que perguntamos a uma imagem pelo seu significado, o que requer que as imagens sejam traduzidas em conceitos.
Para Hillman (2010), a tarefa não é restaurar a pureza, mas cultivar uma atenção mais generosa, que aceite a precariedade como condição da experiência. Esse gesto não se confunde com nostalgia edificante: trata-se de reconhecer que até a ironia pode ser sintoma de uma alma que ainda quer sentir algo, mas não sabe como. Gaston Bachelard (1998) também lembrava que a imaginação é sempre uma forma de hospitalidade: um convite a que o instante contenha mais do que sua aparência sugere. Talvez seja essa hospitalidade simbólica o que falta à cultura digital, tão habituada a exibir a fadiga como troféu.
Nesse sentido, convocar uma imaginação não é propor uma moralização da experiência — como se bastasse desejar profundidade para que ela seja alçada em um passe de mágica. É apenas afirmar que o esgotamento pode ser olhado de outro ângulo, como superfície em que lampejos ainda se inscrevem. Repostar uma imagem pode ser puro reflexo, mas também pode ser um gesto de atenção: a tentativa breve de ver naquela repetição a forma de uma pergunta. O simbolismo, mesmo em sua versão mais anacrônica, oferece uma hipótese modesta: a de que nenhuma cultura é tão saturada que não possa hospedar alguma centelha. Talvez seja isso que nosso neodecadentismo esquece ao transformar o desencanto em postura permanente. Entre a ruína e o riso exausto, ainda é possível imaginar outras formas de presença — frágeis, provisórias, mas capazes de interromper, por um instante, o automatismo do cansaço.
Epílogo: O fundo do fundo do iceberg
Dizem que existe um nível do iceberg que ninguém jamais mapeou por inteiro. Lá, os memes já não se contentam em ironizar o mundo: eles começam a ironizar a si mesmos, com uma sofisticação tão inútil quanto fascinante. É nesse abismo que se acumulam camadas de referências autodevorantes — imagens que parodiam outras imagens, que por sua vez parodiavam sentimentos que já ninguém lembra se existiram de verdade. Certa vez, deslizando pelos salões gelados desse estrato final, vi flutuando um inventário de nomes que pareciam saídos de um manual apócrifo de taxonomia cultural: meta-meta-cringe, nostalgia quântica de JPEG, autotune emocional, afeto em polígono de baixa resolução, luto espectral pelo feed, e outros nomes pós-irônicos. Ali, cada meme era uma boneca russa que continha outra, e mais outra, até que no núcleo não havia nada além de uma piscadela irônica destinada a ninguém em particular. Era como se, em um último esforço, a cultura tivesse decidido que todo sentido deveria ser camuflado sob sucessivas camadas de piada e de autorreferência, até restar apenas a tranquilidade de não precisar mais crer em coisa alguma. Talvez seja nesse fundo inescrutável que a imaginação encontre seu maior desafio. Porque, se tudo pode ser desmontado, reciclado e reencenado, resta apenas a pergunta: o que nos faz continuar descendo por essas camadas, em vez de retornar à superfície? Talvez seja a intuição de que, mesmo na mais delirante babooshka de ironias, há uma nostalgia vaga por outra forma de presença menos saturada, menos ansiosa, menos cínica. E quem sabe o primeiro passo seja este? Aprender a reconhecer que o próprio gesto de inventariar os abismos é já uma forma de desejar sentido. No fim das contas, se tudo pode ser meme, tudo pode potencialmente ser símbolo. O desafio é ter coragem de olhar essas imagens rápidas com a mesma atenção que se oferece aos mitos. Pois o mundo, como sempre, continua sonhando, e agora em pixels, em risadas que se dobram sobre si mesmas, em camadas que não cessam de se multiplicar.
Breve glossário para percorrer o iceberg
Baggy — Define tanto um estilo musical quanto de moda associado aos anos 1990 no Reino Unido, marcado por roupas largas, atitude descontraída e fusão entre rock alternativo e dance music. Atualmente, o estilo retorna com George Clanton.
Lovecraftianos — Referência à estética e aos temas inspirados em H. P. Lovecraft: horrores cósmicos, entidades indescritíveis, sensação de insignificância humana frente ao universo.
Minion — Personagem amarelo da franquia Meu Malvado Favorito; no uso da internet, pode significar seguidor acrítico, massa de manobra ou referência irônica a comportamento infantilizado.
Scrr — Onomatopeia digital ligada a sons de arranque de motos ou fricção, usada em memes, trap, funk, rap, e em postagens para dar ênfase energética ou cômica. Eventualmente, utilizado também como redução de “socorro”.
Shitposting — Postagens propositadamente absurdas, sem sentido ou de baixa qualidade, feitas para provocar humor, confusão ou saturar um espaço online.
Templates — Estruturas pré-formatadas de texto, imagem ou vídeo usadas para criar rapidamente memes ou conteúdos digitais replicáveis.
Timelines — Linhas de tempo, tanto no sentido literal quanto no uso de redes sociais.
VSFFF — Outra onomatopeia que literalmente significa “vai se foder!”, mas no sentido de demonstrar uma grande impressão, ou um grande riso, vindo de algum absurdo.
Y2K — Estilo e estética associada à virada dos anos 1999-2000, marcada tanto pelo bug do milênio (Year 2000 problem) quanto pela moda futurista digital (óculos espelhados, brilhos metálicos, tipografia tecnológica).
















