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Psicologia Clínica

versión impresa ISSN 0103-5665versión On-line ISSN 1980-5438

Psicol. clin. vol.35 no.2 Rio de Janeiro may./ago. 2023  Epub 23-Ago-2024

https://doi.org/10.33208/pc1980-5438v0035n02a06 

Seção Temática – Revisões da literatura em psicanálise

A EXPERIÊNCIA DE MATERNIDADE NA PERSPECTIVA DAS MULHERES:UMA REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA

THE EXPERIENCE OF MOTHERHOOD FROM THE PERSPECTIVE OF WOMEN: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

LA EXPERIENCIA DE LA MATERNIDAD DESDE LA PERSPECTIVA DE LAS MUJERES: UNA REVISIÓN INTEGRADORA DE LA LITERATURA

Fernanda de Moura Pimenta(1) 

Psicóloga pelo Centro Universitário do Triângulo (UNITRI); Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba, MG, Brasil.

Conceição Aparecida Serralha(2) 

Pós-Doutora em Psicologia pela Universidad Argentina John F. Kennedy (UK) em Buenos Aires e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Doutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)

(1)email: fernandinhamam@gmail.com

(2) Docente do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Uberaba, MG, Brasil. email: serralhac@gmail.com


RESUMO

O tornar-se mãe e a vivência da maternidade têm diferentes sentidos para cada mulher. Este estudo apresenta os resultados de uma investigação na literatura científica sobre a experiência da maternidade a partir da perspectiva da mulher mãe. Essa investigação consistiu de uma revisão integrativa de literatura de estudos qualitativos publicados de 2016 a 2022, na área da Psicologia, em português, inglês e espanhol, nas bases de dados LILACS, SciELO, PsycINFO (APA), SCOPUS e Web of Science. Para a análise dos dados utilizou-se a análise temática e a discussão dos resultados se apoiou na psicanálise winnicottiana. O corpus do estudo foi composto de 18 artigos encontrados nas bases de dados LILACS e Web of Science, nas línguas portuguesa e inglesa. Foram encontrados estudos sobre o tema na perspectiva das mães em termos afetivo-emocionais, sociais e culturais, embora escassos no tocante aos aspectos culturais. Além de apresentarem a perspectiva das mulheres que se tornam mães, esses artigos apresentaram um ponto em comum: o destaque da importância do apoio às mulheres que se tornam mães. Este estudo reuniu resultados de pesquisas do campo da Psicologia, ampliando o conhecimento sobre o tema.

Palavras-Chave: mulheres; maternidade; maternagem; psicologia

ABSTRACT

Becoming a mother and experiencing motherhood have different meanings for each woman. This study presents the results of an investigation into scientific literature on the experience of motherhood from the perspective of the woman mother. This investigation consisted of an integrative review of qualitative literature studies published from 2016 to 2022, in the field of Psychology, in Portuguese, English and Spanish, in the LILACS, SciELO, PsycINFO (APA), SCOPUS and Web of Science databases. Thematic analysis was used to analyze the data, and the discussion of the results was based in the Winnicottian psychoanalysis. The corpus of the study comprised 18 articles found in the LILACS and Web of Science databases, in the English and Portuguese languages. Studies were found on the subject from the perspective of mothers in affective-emotional, social, and cultural terms, although scarce regarding cultural aspects. In addition to presenting the perspective of women who become mothers, these articles had a common point: highlighting the importance of support to women who become mothers. This study gathers results from research of the field of Psychology, expanding knowledge on the subject.

Key words: women; motherhood; psychology

RESUMEN

Convertirse en madre y vivir la maternidad tienen diferentes significados para cada mujer. Este estudio presenta los resultados de una investigación en la literatura científica sobre la experiencia de la maternidad desde la perspectiva de la mujer madre. Esta investigación consistió en una revisión integradora de la literatura de estudios cualitativos publicados entre 2016 y 2022, en el área de la Psicología, en portugués, inglés y español, en las bases de datos LILACS, SciELO, PsycINFO (APA), SCOPUS y Web of Science. Para el análisis de los datos, se utilizó el análisis temático y la discusión de los resultados se basó en el psicoanálisis winnicottiano. El corpus del estudio consistió en 18 artículos encontrados em las bases de datos LILACS y Web of Science, en portugués y inglés. Se encontraron estudios sobre el tema desde la perspectiva de las madres en términos afectivos-emocionales, sociales y culturales, aunque escasos en términos de aspectos culturales. Además de presentar la perspectiva de las madres, los estudios encontraron un punto em común: la importancia de apoyar a las mujeres que se vuelven madres. Este estudio reunió resultados de investigaciones del campo de la Psicología, ampliando el conocimiento sobre el tema.

Palabras-clave: mujeres; maternidad; psicología

Introdução

Ao longo do tempo, foram ocorrendo transformações no que era entendido como papel unicamente feminino. Assim, atualmente, as mulheres têm outros interesses, que não se restringem à maternidade e ao lar, buscando se dedicarem a atividades como o trabalho e o estudo. Podem, inclusive, decidir ser ou não mãe e, caso decidam ser, optar em qual momento de sua vida fazê-lo. Portanto, não há uma forma única de viver a maternidade (Ferrari & Ribeiro, 2020).

O interesse pela temática da maternidade tem aumentado e destacam-se alguns estudos desenvolvidos no meio psicanalítico. Teóricos como René Spitz, John Bowlby, Daniel Stern, Melanie Klein e Donald Woods Winnicott contribuíram com reflexões sobre a relação mãe-bebê. Outro nome importante no meio psicanalítico é o de Esther Bick, que criou em 1948 o método de observação da relação mãe-bebê, que consiste em receber ambos para serem observados sem o estabelecimento prévio de hipóteses. O objetivo é observar a relação entre a dupla para verificar as emoções do bebê e as ações do objeto externo, a mãe (Silva & Lemgruber, 2017).

No Brasil, outro nome que tem se destacado nos estudos da relação mãe-bebê é o de Marisa Pelella Mélega, que desenvolveu diversos trabalhos em torno do tema e inaugurou o uso da observação de bebês na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (SBPSP), fundando também o Centro de Estudos Psicanalíticos Mãe-Bebê-Família. Estudos winnicottianos recentes (Serralha, 2017) têm discutido a importância de, por exemplo, não se restringir a compreensão da preocupação materna primária – um estado sensível da mulher próximo ao parto, bem como no pós-parto – como questão exclusiva da mulher mãe biológica. Esse fenômeno seria inerente à pessoa que tenha capacidade de identificação, por ter em sua constituição psíquica um maior quantum de elemento identidade puro, que nada tem a ver com o sexo biológico da pessoa, podendo ocorrer assim em homens e mulheres.

Winnicott já afirmava que uma “mãe adotiva, ou qualquer mulher que possa ficar doente no sentido de apresentar uma ‘preocupação materna primária’, pode ser capaz de se adaptar suficientemente bem, por ter alguma capacidade de se identificar com o bebê” (Winnicott, 1956/2000, p. 404). O autor utilizava a expressão “ficar doente”, por se tratar de um estado regressivo especial, que se não fosse o momento poderia ser considerado um adoecimento. Essa identificação faz com que a mãe – ou seu substituto – seja o bebê e o bebê seja ela (Winnicott, 1968/2012). No entanto, algumas mulheres vivenciam esse período em meio a uma situação de desamparo.

De acordo com Araújo (2003), esse desamparo não permite que a mulher viva a preocupação materna primária de forma saudável, pois “parece faltar-lhe uma confiança básica que poderia ser amenizada por um holding, uma sustentação familiar” (Araújo, 2003, p. 150). É necessário, portanto, que exista um ambiente sustentador para a mãe (ou seu substituto). Entende-se, assim, que a mãe que conte com uma rede de apoio poderá sentir-se mais segura para vivenciar a maternidade. Segundo Finlayson et al. (2020), “é preciso uma comunidade para criar uma mãe” (p. 17).

Durante e após o período gestacional, as mulheres passam por mudanças em diversas áreas de suas vidas, incluindo alterações emocionais (Lotero Osorio et al., 2018). As emoções das mães têm se tornado uma preocupação entre os pesquisadores, uma vez que não apenas a ansiedade, mas também a depressão, estão entre os principais motivos de dificuldades na vivência da maternidade (Chemello et al., 2017). Desse modo, é preciso que sejam desenvolvidas ações integrais de apoio e que se proporcione acesso à informação sobre os assuntos relacionados às diversas formas de viver a maternidade na sociedade.

Dib et al. (2019) destacaram que a maternidade é uma questão de saúde pública e pode existir um cuidado direcionado à identificação precoce de dificuldades e sintomas de adoecimento, assim como intervenções posteriores que tenham como objetivo aumentar a qualidade de vida e a vivência da maternidade de forma saudável. Diante disso, tem se tornado comum que as mães ou seus substitutos busquem por apoio em plataformas on-line (Facebook e WhatsApp, por exemplo), encontrando nesses espaços a possibilidade de compartilhar suas experiências positivas e negativas, ao mesmo tempo em que recebem apoio e sustentação de outras mães (César et al., 2018). Nota-se que a existência de um ambiente suficientemente bom para o bebê não depende exclusivamente do fato de a mãe ou substituto ser saudável, mas de existir um ambiente que, ao mesmo tempo que a ampara e cuida, possibilita-lhe agir naturalmente em sua função materna.

A partir do exposto, nota-se a importância do tema e questionamentos em torno da existência de estudos que apresentem as vivências das mulheres que se tornaram mães – em um recorte do tema –, com suas perspectivas, emoções e desafios. Assim, considerando as questões relacionadas à maternidade, à qualidade de vida de mães e bebês, ao acesso à informação por estudantes e profissionais interessados no tema e por sua aplicação na área da saúde, justifica-se a realização desta pesquisa. O objetivo deste artigo foi investigar, na literatura científica, estudos sobre a experiência de maternidade a partir da perspectiva da mulher mãe. Buscou-se também compreender como foram analisadas as perspectivas das mulheres mães sobre a vivência da maternidade em termos sociais, afetivo-emocionais e culturais.

Método

Delineamento

Este estudo se constitui em uma revisão integrativa de literatura que, de acordo com Souza et al. (2010), compreende diversos propósitos, entre os quais o de definir conceitos, rever teorias e evidências, e analisar problemas metodológicos, possibilitando o alcance de uma visão consistente sobre o que estiver sendo estudado, além de proporcionar que a síntese dos resultados alcançados seja elaborada de forma clara. Este estudo teve como propósito investigar as últimas evidências publicadas sobre a vivência da maternidade.

Procedimentos de coleta de dados

Esta revisão integrativa de literatura teve como pergunta norteadora: “Existem estudos atuais que investigam e evidenciam a experiência de maternidade a partir da perspectiva da mulher mãe?”. O levantamento de dados ocorreu em maio e julho de 2022. Foram combinados, pelo uso do operador booleano AND, os descritores “mulheres” e “poder familiar”, de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Foram incluídos estudos publicados entre 2016 e 2022, realizados na área da Psicologia, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, nas bases de dados LILACS, SciELO, PsycINFO (APA), SCOPUS e Web of Science, sobre o tema da maternidade, privilegiando estudos qualitativos. Foram excluídos outros estudos publicados que não fossem artigos, assim como estudos que não estivessem disponíveis para acesso on-line, artigos repetidos e artigos que não tratassem do tema maternidade na perspectiva das mulheres mães.

Os títulos e resumos dos artigos foram lidos minuciosamente, com o intuito de selecionar os estudos que melhor atendessem aos critérios estabelecidos nesta revisão. Após a seleção inicial, foi feita a leitura dos artigos na íntegra. A Figura 1 apresenta o processo de seleção dos artigos.

Figura 1 — Fluxograma da seleção dos artigos 

Inicialmente, foi feita a leitura de 53 artigos na íntegra, dos quais 35 foram excluídos, restando 18 manuscritos que compuseram o corpus do estudo (Tabela 1). Os artigos foram analisados de acordo com seus títulos, autoria, ano de publicação, as bases de dados, o objetivo, o método e os principais resultados. Todos os artigos selecionados para esta revisão são qualitativos e da área da Psicologia, tendo sido encontrados artigos em todos os anos propostos.

Tabela 1 — Artigos selecionados para análise 

Título Autor Ano Base de dados
A1 A experiência da parentalidade tardia: Percepções de pais e mães Fidelis, D. Q.; Falcke, D.; Mosmann, C. P. 2018 Web of Science
A2 A experiência de maternidade pela primeira vez: As mudanças vivenciadas no tornar-se mãe Zanatta, E.; Pereira, C. R. R.; Alves, A. P. 2017 LILACS
A3 De quem é a ‘preocupação primária’? A teoria winnicottiana e o cuidado parental na contemporaneidade Campana, N. T. C.; Santos, C. V. M.; Gomes, I. C. 2019 LILACS
A4 Escrever e inscrever a maternidade por meio dos blogs Passos, M. C.; Arteiro, I. L. 2019 LILACS
A5 Filhos da quarentena: Percepção de mães sobre o seu processo de maternagem e o desenvolvimento de seus filhos durante a pandemia Bonow, A. J.; Henn, T. A.; Gastaud, M. B.; Narvaez, J. C. M. 2021 LILACS
A6 Fim da conjugalidade na transição para a parentalidade: Adaptação feminina ao novo arranjo familiar Barcellos, M. R.; Dantas, C. R.; Féres-Carneiro, T. 2022 LILACS
A7 Implicações do retorno ao trabalho após licença-maternidade na rotina e no trabalho da mulher Garcia, C. F.; Viecili, J. 2018 LILACS
A8 Low-income Turkish mothers’ conceptions and experiences of family life Erdem, G.; Adli-Isleyen, M.; Baltalarlı, N.; Kılıç, E. 2021 Web of Science
A9 Mãe de primeira viagem: Narrativas de mulheres em situação de vulnerabilidade social Aching, M. C.; Biffi, M.; Granato, T. M. M. 2016 LILACS
A10 Maternidade e novos modos de vida para a mulher contemporânea Albertuni, P. S.; Stengel, M. 2016 LILACS
A11 Motherhood and work: Experience of women with established careers Martins, G. D. F.; Leal, C. L.; Schmidt, B.; Piccinini, C. A. 2019 LILACS
A12 Mulheres e maternidade: Faces possíveis Lemos, R. F. S.; Kind, L. 2017 LILACS
A13 “O lado B da maternidade”: Um estudo qualitativo a partir de blogs Pesce, L. R.; Lopes, R. C. S. 2020 LILACS
A14 Role of a support network for refugee mothers Aching, M. C.; Granato, T. M. M. 2018 LILACS
A15 Saying the unsayable: The online expression of mothers’ anger during a pandemic Pedersen, S.; Burnett, S. 2022 Web of Science
A16 Sobrecarga e rede de apoio: A experiência da maternidade depois da separação conjugal Pereira, V. B.; Leitão, H. A. L. 2020 LILACS
A17 Sou mãe: E agora? Vivências do puerpério Campos, P. A.; Féres-Carneiro, T. 2021 LILACS
A18 The good enough mother under social vulnerability conditions Aching, M. C.; Granato, T. M. M. 2016 LILACS

Procedimento de análise de dados

A análise dos dados foi apoiada na ferramenta de Análise Temática, que possibilita, de acordo com Braun e Clarke (2006), uma apreciação dos resultados de forma acessível e flexível. Essa ferramenta tem sido amplamente utilizada em pesquisas científicas qualitativas. Para sua realização, existe a orientação de que sejam seguidas as seguintes etapas: familiarização com os dados; geração de códigos iniciais; busca por temas; revisão dos temas; definição e nomeação dos temas; e a produção do relatório final (Souza, 2019). As categorias encontradas por meio da Análise Temática foram discutidas de acordo com a perspectiva da psicanálise winnicottiana.

Resultados e discussão

Em relação aos objetivos, todos os artigos buscaram apresentar possibilidades de compreensão sobre a vivência da maternidade, a partir da perspectiva das mulheres. Para o alcance desses objetivos, foram utilizados variados métodos, com destaque para a pesquisa qualitativa e exploratória (A1, A2, A5, A13, A17).

No tocante aos instrumentos utilizados na coleta de dados, observou-se a prevalência do uso de entrevista, principalmente a semiestruturada (A1, A2, A3, A5, A6, A7, A8, A11, A12, A16, A17). Quanto às ferramentas de análise de dados, houve prevalência da Análise de Conteúdo de Bardin (A2, A5, A7, A10, A16), seguida pela Análise Temática proposta por Braun e Clarke (A8, A13, A15).

A maternidade apareceu relacionada a diferentes aspectos nos resultados dos estudos desta revisão. Por meio da análise dos artigos, foram identificadas cinco categorias temáticas: (a) apoio social e pandemia; (b) a participação do pai do bebê; (c) a maternidade e os aspectos profissionais; (d) a maternidade e os aspectos afetivo-emocionais e; (e) a maternidade e os aspectos culturais.

Apoio social e pandemia

Um aspecto que se fez presente foi a vivência da maternidade durante o período de pandemia de Covid-19. Dois estudos (A5 e A15) investigaram essa questão, na perspectiva das mães, buscando conhecer como se deu a vivência do período de isolamento social junto a um bebê pequeno (A5). Ao analisar os relatos de mães num site, os pesquisadores do estudo A15 optaram por analisar a expressão de raiva durante o período de pandemia. Entre os fatores desencadeantes, destacou-se a falta de apoio por parte dos membros de suas famílias. De acordo com Cardoso e Vivian (2017), o apoio social à mulher que está vivenciando a maternidade é sentido até mesmo como um suporte psicológico e emocional. A importância do apoio direcionado à mãe pode ser observada na afirmação de Winnicott de que a mãe, quando suficientemente amparada, estará “preparada para uma experiência na qual ela sabe, muitíssimo bem, quais são as necessidades do bebê” (Winnicott, 1966/2012, p. 4).

Segundo Joaquim et al. (2022), as mulheres gestantes e puérperas foram incluídas no grupo de maior risco de contágio da Covid-19. Sabe-se que a pandemia afetou os diversos níveis da vida das pessoas e, especialmente para as mães, o distanciamento social, apesar de necessário, levou a prejuízos emocionais, não somente pelo afastamento da rede de apoio, mas pela sobrecarga de trabalho doméstico, atividades de cuidado tanto dos(as) filhos(as) quanto dos demais integrantes da família.

Os estudos A4, A10 e A13 revelaram que, para algumas mulheres, a vivência da maternidade acontece de forma muito solitária, o que as leva a buscar as mídias sociais (A4, A10 e A13). Pesquisadores analisaram depoimentos redigidos por mães em blogs e verificaram que o uso das mídias sociais tem se tornado mais comum para compartilhar experiências e obter apoio (A4). Essas mídias têm se constituído como um meio possível para as mães expressarem suas vivências, principalmente, em relação aos desafios e dificuldades (A10). São ferramentas que, de forma geral, possibilitam a demonstração de seus sentimentos pelo bebê, sobre a vida conjugal e sobre a idealização que existe em torno da maternidade (A13). O uso das mídias sociais por parte de mães apareceu também no estudo de César et al. (2018) como uma forma de buscar sustentação durante esse período. Winnicott (1988/1990) teorizava a importância de as mulheres que se tornam mães terem uma pessoa compreensiva com quem possam, pelo menos, conversar (um(a) amigo(a), o(a) companheiro(a) ou um familiar). Portanto, a rede social pode estar fazendo esse papel atualmente.

Dois estudos (A9 e A18) analisaram a maternidade em contexto de vulnerabilidade social, que envolve dificuldades para além das questões relativas à maternidade em si, relacionando-se também à solidão. As mães viviam a ausência de sua família e do pai do bebê, levando-as a assumir diferentes papéis no cuidado dos(as) filhos(as). Assim, esses estudos denunciam a vivência da maternidade em meio ao desamparo, que é uma realidade para muitas mulheres, e apontado por Araújo (2003) como um obstáculo para vivenciar a preocupação materna primária de forma satisfatória e saudável. De acordo com Winnicott (1960/2011), quando a mulher vive a experiência de maternidade protegida e amparada por sua rede de apoio, é possível que ela se volte para si e para seu bebê e viva esse período de forma mais positiva.

A participação do pai do bebê

Dois artigos (A2 e A3) abordaram a participação do pai do bebê, nas relações conjugais heterossexuais, investigando as expectativas do casal em relação ao nascimento da criança e as mudanças notadas em seu relacionamento. Dentro dessa configuração de relacionamento, de acordo com César et al. (2018), é importante que o homem ofereça apoio à mulher em todas as etapas da maternidade; porém, ainda é comum nos dias atuais que as mulheres assumam mais responsabilidades na criação dos(as) filhos(as) do que os homens. Nesse sentido, foram encontrados dois estudos que investigaram a vivência da maternidade em meio à situação de separação conjugal entre casais heterossexuais (A6 e A16). A sobrecarga e o aumento das responsabilidades vividas pela mãe após a separação e a ausência de suporte paterno foram ressaltados pelas participantes (A16). Além disso, algumas mães relataram que existe uma necessidade de adaptação por parte delas dentro de um novo arranjo familiar (A6).

Nessa configuração de relacionamento, a participação do pai é importante mesmo em meio à situação de separação. Segundo Winnicott (1944/1982), o pai é alguém que pode contribuir no apoio e suporte emocional à mulher. Sua participação, de acordo com Serralha (2016), era chamada por Winnicott de “capa protetora”, pois o pai pode sustentar o estado de preocupação materna primária, proporcionando suporte e contribuindo para que a mãe não tenha que se preocupar com eventos externos à sua relação com o bebê. Entretanto, entende-se que, na ausência do pai, alguém precisará exercer as funções de suporte necessárias à figura materna, no momento de dependência absoluta do ser humano em seu início de vida. A vivência da maternidade pode ocorrer dentro das diversas configurações de relacionamento e o apoio e cuidado a ela podem ser exercidos por uma família, uma instituição ou pela sociedade, a partir de políticas públicas (Serralha, 2016).

A maternidade e os aspectos profissionais

Foram investigados em dois estudos (A7 e A11) a vivência da maternidade na perspectiva de mulheres que têm uma carreira profissional, mais especificamente diante da situação de retorno ao trabalho após o período de licença-maternidade. É comum as mulheres se dividirem entre o cuidado dos(as) filhos(as) e outras responsabilidades, como financeiras, domésticas, profissionais e acadêmicas. De acordo com Winnicott (1966/2012), existe um momento durante a vivência da maternidade em que a mãe está saudável emocionalmente e há um retorno para as demais atividades, e é importante que isso aconteça. O autor complementou (1960/2011) que, é natural e esperado que a mãe vá recuperando seus outros interesses, conforme vão surgindo as possibilidades, e a dependência da criança vá diminuindo. É importante que seja dada atenção a esse momento da maternidade e que sejam verificadas as possibilidades que envolvem esse retorno. Apesar de, geralmente, o afastamento da criança ser marcado por medos e receios, é também benéfico, na medida em que permite à mulher retomar as demais atividades de sua vida.

Pesquisadores analisaram o retorno das mães ao trabalho e atentaram para suas percepções sobre o período de gestação e pós-parto (A7), e para os sentimentos e expectativas relacionadas às mudanças percebidas por elas na rotina familiar e na inserção da criança na creche (A11). Nesse contexto, de acordo com Emídio e Castro (2021), as mulheres têm se deparado com caminhos opostos que as põem frente a um impasse: não ter filhos e se dedicar à profissão, ou abandonar a carreira profissional para se dedicar exclusivamente aos filhos. Observa-se, contudo, que as dificuldades encontradas na conciliação da vida profissional com a maternidade abrangem questões que vão além do nível individual, ou seja, envolvem também a relação com o(a) companheiro(a), as experiências do contexto de trabalho em si, questões familiares e sociais.

Historicamente, o trabalho das mulheres foi se estabelecendo de forma oculta, assim contribuindo até mesmo para o desenvolvimento capitalista. Ao voltarem do trabalho, também havia a exigência de realizarem as atividades domésticas, servir os seus companheiros, além de ser atribuída a elas a responsabilidade de preparar as crianças para serem mão de obra adequada no futuro (Federici, 2021). De acordo com Pacheco e Dias (2023), a inserção das mulheres no mercado de trabalho não ocorreu de forma linear, e ainda existe uma desumanização da classe trabalhadora feminina, principalmente entre as mulheres negras. Há necessidade, dessa maneira, de se construir estratégias, movimentos sociais e políticas eficazes que tenham como objetivo proteger as mulheres e assegurar os seus direitos, especialmente em meio à maternidade no contexto do trabalho.

A maternidade e os aspectos afetivo-emocionais

Dois estudos (A1 e A17) investigaram os aspectos afetivo-emocionais, analisando a percepção das mães a respeito das mudanças em sua rotina após o nascimento do bebê, a experiência de ser mãe pela primeira vez, e os sentimentos e dificuldades percebidos em relação à maternidade. Foram evidenciados a vivência do puerpério e os sentimentos ambivalentes (como a alegria e a tristeza, a confiança e a dúvida) relacionados ao tornar-se mãe.

De acordo com Lotero Osorio et al. (2018), muitas mudanças emocionais acontecem durante a maternidade. A mãe pode oscilar em suas emoções, sentindo-se feliz, triste, preocupada ou ansiosa (Chemello et al., 2017). De acordo com Winnicott (1960/2011), as transformações vividas desde a gestação incluem mudanças hormonais e mudanças decorrentes do período de preocupação materna primária e, segundo Dib et al. (2019), as situações de adoecimento emocional que acometem as mães são fatores de risco não apenas para a relação mãe-bebê ou para o amadurecimento da criança, mas especialmente para a saúde da mulher.

O estudo A12 buscou analisar o entendimento do que é ser mãe para cada participante, incluindo suas percepções sobre dedicação, esgotamento, conflitos, ambivalências e padrões impostos socialmente à mulher que se torna mãe. Os pesquisadores entenderam que é importante que exista um acompanhamento para a mulher, constituído por escuta e cuidado, a partir de um encaminhamento para profissionais capacitados a oferecer o atendimento necessário.

Chemello et al. (2017) chamaram a atenção para o fato de que a mulher vivenciar situações de adoecimento emocional grave pode acarretar complicações obstétricas, além de sintomas de depressão pós-parto. Para Muller et al. (2021), é preciso direcionar atenção às mulheres durante a gestação e puerpério, a fim de romper com o ideal de maternagem e o modelo de mãe perfeita, que romantiza a maternidade e leva ao aumento do sofrimento emocional por parte das mães.

A maternidade e os aspectos culturais

Foram encontrados dois estudos (A8 e A14) que apresentaram a vivência da maternidade em diferentes culturas. Os pesquisadores buscaram a percepção das mães que vivenciam a maternidade em meio a um contexto de migração, com suas dificuldades, desafios e o impacto dessa experiência nos contatos iniciais entre a mãe e o bebê. Foi apontado, por exemplo, que a forma de cuidar de um bebê entre as brasileiras é diferente da forma das mulheres nigerianas, o que gerou desconforto nestas enquanto estiveram no Brasil (A14).

De acordo com Finlayson et al. (2020), após o nascimento de um bebê é esperado que o principal apoio direcionado à mãe venha de sua família e da comunidade onde está inserida. No caso de migrações, as mulheres que não têm acesso à sua família ou à sua comunidade podem sentir mais dificuldades de vivenciar a maternidade. Em razão disso, há necessidade de os profissionais que atuam junto aos migrantes aderirem ao que é chamado de “competência cultural”, ou seja, a capacidade de proporcionar cuidado sem julgamentos, sendo compreensivos e respeitosos de forma compatível com as crenças e práticas culturais de cada usuária dos serviços de saúde. Ressalta-se a importância da realização de estudos em torno de diferentes culturas, pois, segundo esses autores, o acesso a informações de qualidade pode facilitar que as mulheres se sintam seguras, mesmo quando se encontram em outra localidade, permitindo que continuem a se apropriar de aspectos de sua cultura.

No estudo A8 foi analisada a vivência da maternidade dentro da cultura turca, com destaque para a experiência das mulheres, suas concepções em torno dos(as) filhos(as) – que são um ponto central dentro das famílias – e o modo de se relacionar com o companheiro, que é visto como uma figura a ser respeitada. Os pesquisadores observaram uma ênfase na mulher e na função materna, pois ela é responsável por atender às necessidades do companheiro e dos(as) filhos(as).

É importante destacar que facilita para a mulher que exista um ambiente suficientemente bom para ela, no sentido de proporcionar cuidado e atender suas necessidades (Winnicott, 1966/2012). Entretanto, de acordo com Gouveia et al. (2019), também é importante considerar os aspectos culturais de cada localidade, tanto para discutir questões relacionadas à saúde e doença, quanto para a construção de planos de cuidado. Cada cultura tem características próprias, que vão se constituindo ao longo do tempo. A cultura está relacionada ao comportamento e às maneiras de interpretar a realidade. Falar em cultura não é o mesmo que se referir à natureza humana, pois esta é comum a todas as pessoas, enquanto a cultura é uma construção que difere de acordo com grupos e localidades. No entanto, a necessidade de cuidados é inerente à natureza humana.

Considerações finais

Esta revisão integrativa teve como objetivo investigar, na literatura científica, estudos sobre a experiência de maternidade, a partir da perspectiva da mulher e mãe biológica. De forma geral, foi possível identificar a existência de estudos qualitativos que abordam o tema da maternidade a partir da perspectiva das mulheres mães em termos afetivo-emocionais, sociais e culturais na área da Psicologia, embora pareçam escassos. Foi possível observar que a mulher pode se encontrar vulnerável ao vivenciar essa experiência, por se deparar com mudanças em sua rotina, em suas relações e em si mesma, além de outros tipos de dificuldades.

Destacou-se como um ponto comum entre os estudos, mesmo dentro de categorias distintas de análise, a importância do apoio direcionado à mulher. O apoio oferecido à mãe apareceu na vivência do período de pandemia e isolamento social; no uso das mídias sociais, constituindo uma rede de apoio virtual; no contexto de vulnerabilidade social e afastamento da família; na participação dos pais dos(as) filho(as) no cuidado com as crianças e no apoio às mães, mesmo em meio à separação conjugal; na família e entre profissionais da área da saúde; no período de licença-maternidade; na rede que facilita o retorno ao trabalho; na vivência da maternidade no contexto de migração e nas diferenças culturais em relação ao ato de cuidar.

De forma geral, foi possível identificar a existência de estudos qualitativos que abordam o tema “maternidade” a partir da perspectiva das mulheres mães em termos afetivo-emocionais, sociais e culturais na área da Psicologia, apesar de escassos. Contudo, observou-se uma limitação nas buscas por artigos científicos nesta revisão integrativa de literatura, que se apoiou no uso de palavras-chave existentes na plataforma de Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Nessa base de dados, o termo “Maternidade” apresenta-se no plural, como referência somente a “Hospitais especializados que prestam assistência às mulheres durante a gestação e parto”. A maternidade enquanto vivência da mulher que se tornou mãe foi encontrada apenas como um termo alternativo dentro do descritor “Poder Familiar”. Seria importante que uma palavra capaz de descrever a vivência da mulher que se torna mãe – por exemplo, “maternagem” – pudesse se tornar um termo padronizado, o que facilitaria buscas futuras em estudos que investiguem essa vivência.

Menciona-se também o fato de que, apesar de existirem estudos que abordam a perspectiva das mulheres mães em termos culturais, foram encontrados apenas dois deles. Por fim, durante a realização das buscas, observou-se a existência de um número significativo de estudos quantitativos, além de muitos estudos com essa temática realizados por outras áreas de atuação, principalmente pela Enfermagem, e poucos na Psicologia. Considera-se a escassez de estudos realizados pela área da Psicologia um fator preocupante, visto que essa é uma área de atuação que também proporciona cuidado às pessoas. Indaga-se, portanto: Como a Psicologia pode contribuir para pôr em prática o apoio à mulher que se torna mãe enquanto profissão, mas também enquanto ciência?

Este estudo não buscou realizar uma generalização em torno da vivência da maternidade, mas verificar a existência de estudos sobre o tema a partir da perspectiva da mulher mãe – em um recorte sobre a mãe biológica – e alcançar entendimentos aprofundados a partir dos dados obtidos. Entende-se que este trabalho contribuiu para a área de estudo, principalmente para ampliar o foco na área da Psicologia. Espera-se que seja possível pôr em prática, nos diversos ambientes, o apoio direcionado à mulher mãe que foi destaque nesta revisão. Sugere-se a realização de novos estudos dentro da temática proposta, que busquem abordar as formas de maternagem em diferentes configurações de relacionamentos na contemporaneidade, evidenciando a dependência absoluta do bebê de seu ambiente, além de estudos que venham a sugerir formas de atuação profissional nas diversas áreas que envolvem o cuidado.

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Não se declararam fontes de financiamento.

Recebido: 06 de Julho de 2023; Aceito: 01 de Fevereiro de 2024

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