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Revista Psicopedagogia

versão impressa ISSN 0103-8486

Rev. psicopedag. vol.42 no.127 São Paulo  2025  Epub 09-Jun-2025

https://doi.org/10.51207/2179-4057.20250013 

ARTIGO DE REVISÃO

Desenvolvimento da empatia em estudantes de saúde: Análise das intervenções eficazes

Development of empathy in health students: Analysis of effective interventions

Sabrina Almeida do Nascimento1 

Corina Elizabeth Satler2 

1. Universidade de Brasília - Faculdade de Ceilândia; Campus Universitário - Centro Metropolitano, Ceilândia Sul, Brasília, DF, Brasil.

2. Universidade de Brasília - Faculdade de Ceilândia; Campus Universitário - Centro Metropolitano, Ceilândia Sul, Brasília, DF, Brasil.


Resumo

A empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro e compreender seus sentimentos e emoções. Essa competência é especialmente valiosa nas áreas da saúde, onde está ligada à comunicação eficaz, inteligência emocional e gestão de emoções. No entanto, há uma escassez de intervenções na literatura voltadas para o desenvolvimento dessa habilidade essencial. Este artigo visa realizar uma revisão integrativa da literatura para investigar as práticas implementadas para aprimorar a empatia em estudantes de graduação na área da saúde e avaliar a eficácia dessas práticas. A revisão integrativa foi conduzida com artigos científicos coletados nas bases de dados PubMed, SciELO, MEDLINE e LILACS, entre abril e junho de 2024. Quatro artigos foram selecionados para análise e discussão com base nos critérios estabelecidos. As intervenções identificadas nos estudos incluíram o uso de escalas de avaliação, programas de treinamentos em coaching, narração médica e análise reflexiva, e discussões em grupo. Todas as intervenções mostraram-se eficazes na melhoria da percepção de empatia dos estudantes, favorecendo o sucesso na prática clínica. No entanto, a adoção de métodos mistos - que integram a prática clínica com o aprimoramento da empatia e da comunicação - emerge como uma estratégia valiosa a ser adotada pelas instituições de ensino.

Palavras-Chave: Empatia; Aprendizagem; Educação em Saúde; Estudantes Universitários

Summary

Empathy is the ability to put oneself in another’s shoes and understand their feelings and emotions. This skill is particularly valuable in the health sector, where it is linked to effective communication, emotional intelligence, and emotion management. However, there is a scarcity of interventions in the literature aimed at developing this essential skill in university students. This article aims to conduct an integrative literature review to investigate the practices implemented to enhance empathy in undergraduate health students and to evaluate the effectiveness of these practices. The integrative review was conducted with scientific articles collected from the PubMed, SciELO, MEDLINE, and LILACS databases between April and June 2024. Four articles were selected for analysis and discussion based on the established criteria. The interventions identified in the studies included the use of assessment scales, coaching training programs, medical narration, reflective analysis, and group discussions. All interventions proved effective in improving students’ empathy perception, contributing to success in clinical practice. However, the adoption of mixed methods — which integrate clinical practice with the enhancement of empathy and communication — emerges as a valuable strategy to be adopted by educational institutions.

Key words: Empathy; Learning; Health Education; University Students

Introdução

A empatia é definida como a habilidade de compreender e de considerar de forma precisa os sentimentos, necessidades e perspectivas de outra pessoa, expressando esse entendimento de forma que ela se sinta compreendida e validada (Falcone, 2008). Esse conceito abrange quatro componentes principais: o emotivo, que envolve experimentar e compartilhar o estado psicológico de outra pessoa; o moral, que representa a força altruísta que motiva a prática da empatia; o cognitivo, que se refere à capacidade de identificar e entender, de forma objetiva, os sentimentos e a perspectiva alheia; e a comunicação, que é a habilidade de transmitir essa compreensão (Mercer & Reynolds, 2002).

Fuchs (2017) descreve dois níveis distintos de manifestação da empatia ao longo da formação humana. O primeiro é a empatia primária, no qual as emoções observadas em outra pessoa são sentidas diretamente pelo observador, um fenômeno conhecido como ressonância corporal. O segundo nível é a empatia estendida, na qual o observador se coloca explicitamente no lugar do outro por meio de uma transposição imaginária. Apesar das diversas análises e estudos ao longo dos anos, ainda existem aspectos da empatia que permanecem pouco claros nas áreas da psicologia e sociologia. Vale ressaltar que a empatia é um construto social, que pode ser aprimorado e ensinado na prática profissional, particularmente no manejo e cuidado com os pacientes (Mercer & Reynolds, 2002).

Na área da saúde, a empatia é definida como a capacidade de compreender a situação e a perspectiva do paciente, comunicar esse entendimento e confirmar sua precisão, além de agir de maneira útil com base nesse entendimento (Mercer & Reynolds, 2002).

Como parte da responsabilidade social, o exercício da empatia representa um grande desafio para os alunos na prática clínica. Para futuros profissionais da saúde, a empatia é uma habilidade essencial a ser desenvolvida durante a formação. A construção de relações empáticas é considerada fundamental no campo da saúde, pois todas as ações voltadas aos pacientes — como orientar, informar, confortar ou atender — dependem da comunicação interpessoal (Silva et al., 2022).

No entanto, pesquisas mostram que a prática da empatia frequentemente não atinge níveis ideais, devido a fatores como sobrecarga de trabalho acadêmico nos anos finais da graduação, pouca ênfase nos currículos, perda de motivação, necessidade de distanciamento emocional e pressão por produtividade em detrimento do atendimento (Mercer & Reynolds, 2002).

Contudo, quando a empatia é integrada à formação acadêmica e profissional, os resultados incluem uma melhor compreensão do estado clínico do paciente, o estabelecimento de vínculos de confiança e uma comunicação mais eficaz entre paciente, familiares e profissionais (Ançel, 2006; Silva & Toledo Júnior, 2021; Sousa et al., 2021). Além disso, o desenvolvimento da empatia na área da saúde é crucial para melhorar as relações interpessoais, tanto no atendimento humanizado aos pacientes quanto na comunicação eficaz com a equipe multiprofissional. Essa abordagem não apenas aprimora a qualidade do atendimento, mas também impacta positivamente o ambiente de trabalho (Sousa et al., 2021). Isso pode levar à redução de erros médicos e má conduta, melhorar a precisão do diagnóstico, diminuir custos com testes diagnósticos, aumentar a satisfação profissional e a competência clínica, e reduzir o estresse e o “burn-out” (Díez-Goñi & Rodríguez-Díez, 2024; Mercer & Reynolds, 2002).

Importante ressaltar que a empatia é um construto social que pode ser aprimorado e ensinado na prática profissional, especialmente no cuidado com os pacientes (Mercer & Reynolds, 2002). Assim, o desenvolvimento da empatia na área da saúde é crucial para melhorar as relações interpessoais, tanto no atendimento humanizado aos pacientes quanto na comunicação eficaz com a equipe multiprofissional. Essa abordagem não apenas aprimora a qualidade do atendimento, mas também impacta positivamente o ambiente de trabalho (Sousa et al., 2021).

Diante disso, o objetivo deste estudo foi realizar uma revisão integrativa da literatura para investigar as práticas implementadas para aprimorar o desenvolvimento da empatia em estudantes de graduação na área da saúde e avaliar a eficácia dessas práticas.

Método

Trata-se de um estudo de revisão integrativa da literatura. Conforme explicado por Souza et al. (2010), uma revisão integrativa permite a consolidação de conhecimentos e conclusões de estudos anteriores, com o objetivo de formular inferências sobre um tópico específico. Essa abordagem integra dados teóricos e empíricos da literatura, promove a prática baseada em evidências e reduz os vieses das pesquisas. Neste contexto, primeiramente, foi definida a pergunta norteadora: “Quais práticas têm sido implementadas para aprimorar a empatia em estudantes de graduação na área da saúde e qual a eficácia destas práticas?”. Em seguida, buscamos definir as informações a serem extraídas dos estudos selecionados, utilizando as bases de dados e estabelecendo critérios de inclusão e exclusão.

Para a presente pesquisa, a busca de dados foi realizada entre os meses de abril e junho de 2024, nas bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde: BVS (BIREME) - com acesso às bases MEDLINE, LILACS e IBECS: Scientific Electronic Library Online Brasil SciELO e PubMed. A seleção dessas bases visou acessar uma ampla gama de produções sobre o tema, com a seleção dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), usando o operador booleano “and” para: “empathy”, “university students”, “college students”, “higher education”,” Empathy training”, “Empathy and communication”, “Social skills”, “human resources in health”, “university students”, “college students”, “higher education”, “health”, “nurses”, “nursing”, “physical therapists”, “physical therapy specialty”, “physicians”, ”medicine”, “speech-language therapist”, “speech, language and hearing sciences”, “physical educator”, “physical education and training”, “nutritionists”, “nutritional sciences”, “psychologist“, “psychology”, “dentists”, “dentistry”, “occupational therapist”, “occupational therapy”, “medical student”.

Além da questão norteadora, foram definidos critérios de inclusão e exclusão para a seleção dos estudos. Para os critérios de inclusão, foram utilizados: artigos empíricos nos idiomas inglês, português ou espanhol; estudos que associaram a empatia com um treinamento em algum curso de graduação da área da saúde; artigos disponíveis na íntegra.

Para os critérios de exclusão, foram utilizados: duplicatas; artigos de revisão de literatura, relatos de caso, cartas, resumos de congresso, conferência, pôster, relatórios, monografias, dissertações e teses; estudos com temáticas divergentes, bem como artigos que efetuem a validação de instrumentos. Os artigos que cumpriram os pré-requisitos de elegibilidade foram selecionados para a leitura na íntegra e análise de inclusão ou exclusão nesta revisão.

No procedimento de análise, após aplicar os critérios de exclusão, os estudos restantes foram avaliados para determinar se apresentavam resultados que respondessem à pergunta de pesquisa. A análise seguiu as seguintes etapas: 1) triagem inicial com base na leitura do título e resumo de cada estudo, excluindo aqueles cuja temática era divergente; 2) revisão dos procedimentos metodológicos dos estudos que passaram na triagem inicial, para verificar se incluíam práticas implementadas para aprimorar o desenvolvimento da empatia em estudantes de graduação na área da saúde; 3) análise dos resultados dos estudos selecionados, para determinar se descreviam a eficácia dessas práticas.

A coleta dos dados foi conduzida por dois pesquisadores. Para a extração e análise das informações dos estudos incluídos, foi elaborada uma tabela que contém dados relevantes para este estudo. Essa tabela inclui: a base de dados onde o trabalho foi indexado, a referência do estudo, o país de origem, o objetivo do estudo, a amostra (com foco especial no grupo estudado), as práticas utilizadas para o desenvolvimento da empatia, bem como os resultados e a conclusão.

A Figura 1 ilustra a origem das bases de dados analisadas em relação aos textos incluídos na revisão integrativa. Foram identificados 1.827 artigos, distribuídos da seguinte forma: 232 na BIREME; 1.142 na PubMed e 453 no SciELO. Dentre eles, 6 trabalhos foram excluídos por duplicidade. Após a leitura dos títulos e resumos, restaram 10 BIREME; 34 PubMed e 20 SciELO, com exclusão de 1.757 artigos durante o rastreio. Dos 64 artigos selecionados, 60 não responderam à pergunta de pesquisa. Assim, foram incluídos na seleção final 4 artigos, conforme o fluxograma.

Fonte: Elaboração própria.

Figura 1 : Fluxograma do processo de seleção dos artigos para a revisão integrativa da literatura 

Resultados

A amostra final desta revisão foi composta por quatro artigos científicos, sendo dois encontrados na base de dados MEDLINE, um na base de dados PubMed e um na base de dados SciELO. Cada artigo foi publicado em um dos seguintes periódicos: BMC Medical Education (Aguilar-Ferrándiz et al., 2024), Journal of Educational Evaluation for Health Professions (Daryazadeh et al., 2020), Nurse Education Today (Ding et al., 2020) e Revista Brasileira de Educação Médica (Sousa et al., 2021). Quanto à origem dos estudos, foram realizados por pesquisadores da Espanha, Irã, China e Brasil. Os artigos incluídos na análise final estão listados no Quadro 1 com os dados primordiais de cada artigo, com divisão de procedência/país, objetivos do estudo, amostra, instrumentos para avaliação e treinamento da empatia e principais resultados.

Quadro 1 : Categorização dos artigos selecionados 

Procedência / Referência / País Objetivos Tipo de Estudo / Amostra Instrumentos para Avaliação e Treinamento da Empatia Resultados Conclusão
SciELO Sousa et al. (2021). Brasil Avaliar o efeito do uso do MES na empatia autorrelatada em estudantes de medicina e analisar as características das reflexões realizadas. Estudo quase experimental com métodos mistos. n=59 (55,9% do sexo feminino, com média de idade entre 19 e 21 anos) estudantes do 3º ano de medicina; Com 41 estudantes no grupo experimental e 18 estudantes no grupo controle. Questionário Sociodemográfico; MES: instrumento que avalia os componentes da empatia por meio da autorreflexão; JSPE: aplicada pré e pós treinamento. O escore geral dos GE se mostrou elevada em todas as fases do estudo. Entretanto, os estudantes de ambos os grupos apresentaram valores inferiores no domínio ‘capacidade de colocar-se no lugar do outro’. Outro dado importante, é que apenas 6,4% dos estudantes consideram os níveis – doença, pessoal e social do paciente. O MES demonstrou ser um recurso efetivo para promover a reflexão crítica dos alunos sobre a experiência do paciente, mesmo em cenários de ensino não assistenciais. Os autores reforçam a associação de instrumentos metodológicos com abordagens distintas, por se tratar de um construto de análise complexa e multidimensional.
PubMed Ding et al. (2020). China Avaliar a eficácia do programa de treinamento, conhecimento, simulação e compartilhamento em habilidades de empatia entre estudantes do curso de Enfermagem. Estudo com intervenção pré-pós com desenho quase experimental. n=250 estudantes do último ano de enfermagem infantil (maioria do sexo feminino, com idade média de 20 anos, em zona rural). Foram divididos em GC=125 e GE=125. Programa de intervenção KSS; - JSPE: aplicada pré e pós treinamento; - Escala de Competência em Comunicação Clínica; e - Escala de Identidade Profissional. O GE apresentou melhorias na pontuação da escala de empatia, nas habilidades de comunicação e no fortalecimento da identidade profissional. Os resultados indicam que a ênfase na identidade profissional durante a formação em enfermagem contribui para que os alunos se tornem mais proativos na comunicação de seu profissionalismo aos pacientes, à organização e ao público. O módulo KSS se mostrou uma ferramenta eficaz no desenvolvimento significativo das habilidades empáticas dos estudantes e no aprimoramento de seu crescimento profissional. Os autores destacam a importância de levar em conta as implicações culturais, curriculares e sociais ao aplicar o estudo.
MEDLINE Aguilar-Ferrándiz et al. (2024). Espanha Avaliar a eficácia de um programa de coaching acadêmico em empatia e habilidades de IE, em estudantes de ciências da saúde da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Granada (Espanha). Estudo prospectivo de intervenção de braço único. n=93 (79,5% sexo feminino) estudantes dos cursos de fisioterapia, TO e enfermagem do 1º ao 4 período foram escolhidos por amostragem de conveniência. - Teste de Empatia Cognitiva e Afetiva (TECA); - Escala de Meta-humor de Traços (TMMS-24); e - Índice de Reatividade Interpessoal (IRI). Aplicados pré e pós-treinamento. A coleta de dados indicou uma melhora na empatia cognitiva entre os estudantes de enfermagem, na empatia afetiva entre os estudantes de fisioterapia, e na tomada de perspectiva e no sofrimento pessoal entre os estudantes de Terapia Ocupacional. A análise dos dados evidenciou características específicas de cada curso em relação aos componentes da empatia. O programa de treinamento em coaching demostrou ser uma ferramenta eficaz na análise dos componentes empáticos nos cursos da área de saúde, permitindo um monitoramento e intervenção eficazes conforme as especificidades de cada especialidade. Os autores destacam que diversos estudos com abordagem semelhantes não apresentaram resultados significativos na escala de empatia, enfatizando a importância de adaptar cada intervenção ao ambiente em que será aplicada.
MEDLINE Daryazadeh et al. (2020). Irã Examinar a capacidade reflexiva e a empatia de estudantes de medicina da Universidade de Ciências Médicas de Isfahan, no Irã. Estudo quase experimental. n=135 internos do último ano de medicina, divididos em GC=66 e GE=69. - REFLECT Rubric; - JSPE - Aplicados pré e pós-treinamento. Os resultados pós-teste do GE mostraram um aumento na pontuação média de reflexão e empatia, além de melhorias nas dimensões de reflexão crítica, análise e construção de significado. O programa de Medicina Narrativa na educação médica mostrou-se uma ferramenta eficaz para promover o aumento da reflexão e da empatia, além de fortalecer o profissionalismo nos estudantes. Os autores destacam que a promoção da reflexão pode contribuir significativamente para o desenvolvimento profissional e para a prática clínica de um atendimento mais centrado no paciente.

GC – Grupo Controle; GE – Grupo Experimental; JSPE – Escala de Empatia de Jefferson; IRI = Índice de Reatividade Interpessoal; KSS – Knowledge, Simulation, and Sharing module; MES – Mapa da Empatia em Saúde; n – número de participantes; TECA = Teste de Empatia Cognitiva e Afetiva; TMMS-24 = - Escala de Meta-humor de Traços; TO – Terapia Ocupacional. Fonte: Elaboração própria

Os artigos incluídos na presente revisão foram publicados entre 2019 e 2024. A recente data de publicação destaca a relevância atual das pesquisas e o aumento do interesse pelo tema. Todos os estudos selecionados evidenciam o potencial positivo do desenvolvimento da empatia e a eficácia de intervenções empáticas em estudantes de áreas da saúde (Aguilar-Ferrándiz et al., 2024; Daryazadeh et al., 2020; Ding et al., 2020; Sousa et al., 2021).

Quanto ao desenho da pesquisa predominante nesta revisão é quase experimental, em 3 das publicações com avaliação pré e pós para verificar a eficácia da intervenção (Daryazadeh et al., Ding et al., 2020; Sousa et al., 2021). Apenas 1 dos estudos realizou um modelo de intervenção prospectivo de braço único com avaliação pré e pós (Aguilar-Ferrándiz et al., 2024).

O estudo realizado por Aguilar-Ferrándiz et al. (2024) teve como objetivo investigar se um programa de coaching acadêmico poderia aprimorar a precisão empática e a inteligência emocional em estudantes de ciências da saúde. Participaram da pesquisa 93 alunos, distribuídos em 29 do curso de enfermagem, 25 de fisioterapia e 39 de terapia ocupacional. A intervenção consistiu em um programa de coaching acadêmico, composto por 9 sessões, voltado para o desenvolvimento de estudos de casos clínicos e para o fortalecimento das habilidades emocionais, da empatia e da inteligência emocional, utilizando fóruns de discussão.

Além disso, foram aplicados o Teste de Empatia Cognitiva e Afetiva (TECA), que fornece uma pontuação média geral nas dimensões cognitiva e afetiva da empatia, a escala de Traço Meta-Humor (TMMS-24), que avalia as crenças dos indivíduos em relação à sua própria inteligência emocional; e o Índice de Reatividade Interpessoal (IRI) que mede o nível geral de empatia.

Os resultados indicaram que, entre os estudantes de enfermagem, houve um aumento significativo, nas pontuações da subescala de Adoção de Perspectiva, referente à dimensão cognitiva do TECA, além de um incremento na pontuação total da TMMS-24, assim como nas subescalas de Clareza Emocional e Reparação Emocional. Para os estudantes de fisioterapia, observou-se um aumento significativo nas pontuações da subescala de Alegria Empática, que corresponde à dimensão emocional do TECA, além de um aumento na pontuação total da TMMS-24 e na subescala de Clareza Emocional. No grupo de terapia ocupacional, não foram encontradas diferenças significativas nas variáveis do TECA ou da TMMS-24. Contudo, houve um aumento significativo nas pontuações da subescala de Adoção de Perspectiva, que corresponde à dimensão cognitiva do IRI. Além disso, houve uma diminuição significativa nas pontuações da subescala de Sofrimento Pessoal, que está relacionada à dimensão emocional do IRI.

O estudo conduzido por Daryazadeh et al. (2020) teve como objetivo examinar o impacto de um programa de medicina narrativa na capacidade reflexiva e empatia de estudantes. Participaram 163 internos de medicina durante um estágio de três meses em medicina interna. A intervenção utilizou a ferramenta de Avaliação de Reflexão para o Aprimoramento das Competências dos Aprendizes (REFLECT), adaptada para avaliações quantitativas em persa, que introduz 4 níveis de reflexão (não reflexiva; ação habitual, não reflexiva; ação reflexiva, reflexiva; e criticamente reflexiva) e 5 dimensões (espectro de escrita, presença, descrição de conflito ou dilema desorientador, atenção às emoções e análise e construção de significado).

Para medir a empatia, foi aplicada a escala de Empatia do Médico de Jefferson (JSPE) na versão em persa. Os resultados indicaram que, após a intervenção, houve um aumento estatisticamente significativo nas médias das pontuações da ferramenta REFLECT em todas suas dimensões, além de melhorias nos escores da JSPE para o grupo experimental.

O estudo desenvolvido por Ding et al. (2020) teve como objetivo avaliar a eficácia de um programa de treinamento denominado Conhecimento, Simulação e Compartilhamento (KSS) em habilidades de empatia entre estudantes do curso de Enfermagem. A pesquisa envolveu 250 estagiários do último ano de enfermagem infantil do Hospital Infantil de Hunan, na China. A intervenção foi estruturada em três secções: cognitiva, emocional e prática, e integrou a abordagem de empatia de Chen & Forbes (2014), com base nos relacionamentos interpessoais de estudantes universitários.

Para avaliação, foram utilizados três instrumentos: a Escala de Empatia-Profissão de Saúde-Estudante de Jefferson (JSE-HP-S), a Escala de Competência em Comunicação Clínica (CCCS) e a Escala de Identidade Profissional (PIS). Os resultados mostraram que, após a intervenção, apenas o grupo experimental apresentou um aumento estatisticamente significativo dos níveis de empatia, comunicação e identidade pessoal.

Por fim, o estudo realizado por Sousa et al. (2021) teve como objetivo avaliar o efeito do uso do Mapa da Empatia em Saúde (MES) na empatia autorrelatada em estudantes de medicina. Participaram da pesquisa 59 alunos, com idade entre 19 e 21 anos, do 5º período do curso de medicina da Universidade José do Rosário Vellano (Unifenas) de Belo Horizonte, Minas Gerais. A intervenção utilizou o MES, um instrumento criado para estimular a autorreflexão dos estudantes e apoiar a prática da empatia (Peixoto & Moura, 2020).

Foi aplicada a Escala de Empatia de Jefferson, versão brasileira para estudantes (JSPE-Br), antes e depois da intervenção. Os resultados mostraram que os participantes apresentaram níveis elevados de empatia geral em ambas as fases do estudo. Além disso, o MES foi eficaz em promover reflexões sobre os sentimentos dos estudantes, como se estivessem no lugar do paciente, ativando o componente afetivo da empatia e capturando nuances que muitas vezes não são identificadas por escalas de autorrelato comumente utilizadas em pesquisas sobre empatia.

Discussão

Na última década, o estudo da empatia avançou significativamente nas pesquisas acadêmicas, refletindo a crescente preocupação dos pesquisadores com esse tema na área da saúde. Segundo Mufato e Gaíva (2019), esse crescimento também indica um progresso nas áreas como medicina e enfermagem, que até a década de 1970 estavam predominantemente associadas à psicologia. A ampla disseminação de publicações sobre empatia em todo o mundo confirma sua universalidade e o interesse dos cientistas pelos aspectos relacionais entre profissionais e pacientes.

Além disso, a diversidade de objetivos nas pesquisas sobre empatia em saúde evidencia as várias frentes de investigação, mostrando que essa temática é relevante em diferentes contextos de atuação. No que diz respeito ao aprimoramento de habilidades empáticas entre estudantes da saúde, essa preocupação também é evidente, sendo um assunto relativamente recente na comunidade científica. As publicações relacionadas a esse tema, majoritariamente dos últimos cinco anos, revelam uma forte ênfase com a formação humanista dos estudantes na área de saúde.

Nos estudos analisados nesta revisão, cada pesquisa adotou uma intervenção específica. O trabalho de Aguilar-Ferrándiz et al. (2024) utilizou um protocolo estruturado com atividades metodológicas baseadas no coaching educacional, que incluíram análise de casos clínicos, identificação de necessidades, propostas de soluções e apresentação das resoluções. Os autores destacam que a literatura recente reconhece o coaching como uma metodologia inovadora para a formação de profissionais nas ciências da saúde (Brooks et al., 2020; Morais & Hariskos, 2018; Shorey et al., 2022).

Daryazadeh et al. (2020) implementaram um programa de medicina narrativa, obtendo resultados que corroboram pesquisas anteriores sobre este tipo de intervenções educacionais (Grossman et al., 2015; Arntfield et al., 2013). Por sua vez, Ding et al. (2020) desenvolveram o programa de treinamento KSS focado em habilidades de empatia para estudantes de Enfermagem, apresentando resultados promissores e sublinhando a importância da educação precoce na formação da identidade profissional, essencial para um cuidado compassivo valorizado por pacientes e pela sociedade. O KSS, criado por Yang et al. (2010), visa avaliar as habilidades de comunicação clínica, integrando cuidados centrados no paciente. Liu (2011) utilizou a escala PIS para avaliar aspectos como cognição, apoio social, resposta à frustração e autorreflexão.

No estudo de Sousa et al. (2021), foi aplicada a MES em um cenário não assistencial, utilizando a leitura de casos clínicos para estimular a imaginação e a reflexão empática dos estudantes de Medicina. Este instrumento mostrou-se eficaz na avaliação da empatia em estudantes, sendo capaz de apontar as diferenças de dimensões de empatia, identificando diferenças nas dimensões empáticas e destacando áreas que podem ser trabalhadas de maneira mais individual ou em grupo.

Essas diversas intervenções indicam que os resultados são promissores. A adoção de métodos mistos, que combinam prática clínica e aprimoramento da empatia e comunicação, emerge como uma abordagem valiosa a ser seguida pelas universidades.

No que se refere aos instrumentos de avaliação pré e pós-intervenção, a maioria dos estudos selecionados (Daryazadeh et al., 2020; Ding et al., 2020; Sousa et al., 2021) optou pela escala de empatia de Jefferson e suas variações, utilizada como um instrumento de autorrelato para medir os níveis de empatia em estudantes. Em contraste, o estudo de Aguilar-Ferrándiz et al. (2024) utilizou três outros instrumentos para comparar possíveis efeitos da intervenção: o TECA, que avalia a adoção de perspectiva e compreensão emocional, estresse e alegria empática; o TMMS-24, que analisa crenças individuais e três aspectos da inteligência emocional percebida (atenção emocional, clareza emocional e reparo emocional); e o IRI, que classifica o grau geral de empatia em relação à tomada de perspectiva e fantasia, preocupação empática e angústia pessoal.

Observa-se, assim, uma predominância dos métodos quantitativos na pesquisa, considerados mais adequados. Contudo, um dos estudos (Sousa et al., 2021) destacou a limitação do instrumento, ressaltando a importância de avaliar as diferentes dimensões da empatia. Enquanto a dimensão cognitiva é mais facilmente mensurável, o componente afetivo é influenciado por fatores socioculturais e idiossincráticos.

Um achado interessante do estudo de Sousa et al. (2021) foi a utilização do MES, que aborda três aspectos essenciais da empatia: tomada de perspectiva, compartilhamento emocional e preocupação empática. Após a apresentação e discussão de um caso clínico, os estudantes registraram suas impressões e desenharam emojis que representavam o estado do paciente (Peixoto & Moura, 2020). Essa abordagem sugere a importância de combinar diferentes instrumentos metodológicos para avaliação da empatia, conforme indicado por estudos anteriores (Ren et al., 2016; Berg et al., 2015).

Além disso, Sousa et al. (2021) observaram que, apesar dos escores gerais de empatia obtidos pelos estudantes na JSPE, a análise das repostas pelo MES revelou dificuldades em alguns componentes da empatia, como a identificação das necessidades dos pacientes e a empatia compassiva, com uma tendência a uma abordagem centrada na doença. Os participantes tiveram dificuldades em reconhecer as perspectivas e sentimentos relacionados ao processo de adoecer.

A capacidade de avaliar os próprios sentimentos – ou seja, a habilidade de se colocar no lugar do outro – é fundamental para a tomada de perspectiva, que molda as experiências emocionais empáticas (Sousa et al., 2021). Essa habilidade é considerada uma das mais importantes no contexto sociocognitivo, pois permite compreender que um mesmo evento pode ser interpretado de maneiras diversas, dependendo do ponto de vista do observador (Moll & Meltzoff, 2011).

Além disso, essa habilidade é fundamental não apenas em contextos hospitalares, mas também na vida cotidiana, podendo ser cultivada ao longo da vida, em suas diversas fases e contextos.

Adicionalmente, a reflexão sobre os próprios sentimentos e os do paciente exemplifica a compaixão, um componente essencial da empatia. Weingartner et al. (2019) definem compaixão como o reconhecimento do sofrimento emocional, associado ao desejo de mitigá-lo, o que está relacionado a resultados positivos na saúde do paciente e à sua satisfação.

Por fim, os profissionais de saúde precisam compreender a situação do paciente para melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade do atendimento prestado (Quaschning et al., 2013).

Nesse contexto, é fundamental que o desenvolvimento destas competências seja incorporado aos currículos dos programas universitários na área da saúde. Isso deve incluir a integração do cuidado nas disciplinas das ciências da saúde com o aprimoramento dos níveis de empatia dos estudantes, visando fortalecer a humanização das práticas assistenciais, promover a equidade em saúde e fomentar a sensibilização mútua entre profissionais e pacientes, reconhecendo a singularidade e complexidade do outro.

É importante considerar as questões culturais e as divergências nas estruturas curriculares acadêmicas, que podem impactar esse processo. O objetivo das intervenções é capacitar os alunos e aumentar sua confiança na prática clínica, melhorando a comunicação, empatia e inteligência emocional. Isso resultará em um atendimento de qualidade, na gestão eficaz do tempo e dos serviços prestados, além de aprimorar as relações entre os membros da equipe e na convivência pessoal. A habilidade de se colocar no lugar do outro e lidar com esses sentimentos de maneira construtiva é essencial, não apenas nos contextos hospitalares, mas também na vida cotidiana. Essa habilidade deve ser um aprendizado contínuo ao longo da vida, em suas diversas fases e áreas.

Considerações

Os artigos e análises apresentadas demonstram que intervenções focadas na melhoria da empatia têm o potencial de aprimorar as habilidades empáticas de estudantes da saúde, gerando impactos positivos tanto na sua vivência acadêmica quanto nas suas relações com os pacientes. A utilização de uma abordagem mista, que combina métodos qualitativos e quantitativos, permite uma compreensão mais ampla e detalhada do fenômeno da empatia.

Reconhecer a importância do desenvolvimento da empatia no ambiente acadêmico é fundamental para a implementação de ações práticas nas universidades e instituições de ensino. A empatia é uma habilidade psicossocial essencial para a formação humana, e, portanto, deve ser integrada de maneira significativa na formação dos futuros profissionais. À luz dos estudos científicos, é imprescindível que se busque capacitar a sociedade, não apenas no âmbito profissional, mas também como cidadãos que promovem a convivência em harmonia e equilíbrio.

Referências

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Trabalho realizado na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), Campinas, SP, Brasil.

Recebido: 3 de Outubro de 2024; Aceito: 21 de Fevereiro de 2025

Correspondência: Corina Elizabeth Satler Universidade de Brasília – Faculdade de Ceilândia Campus Universitário – Centro Metropolitano – Ceilândia Sul – Brasília, DF, Brasil – CEP 72220-275 E-mail: satler@unb.br

Conflito de interesses:

As autoras declaram não haver.

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