Introdução
A escola é o espaço de ensino formal que possibilita a aprendizagem sistematizada e fornece todos os subsídios para o desenvolvimento do indivíduo (Silva & Ferreira, 2014). Como medida protetiva ao contágio da covid-19, grande parte das instituições de ensino desde a Educação Infantil até o Ensino Superior foram suspensas, no intuito de reduzir o número de casos, interferindo diretamente no desenvolvimento da aprendizagem dos escolares.
Frente a crise e ao distanciamento social, as escolas e famílias tiveram que começar a lidar com o ensino remoto enfrentando dificuldades nessa mediação, pois muitas delas não possuem aparato tecnológico ou condições básicas para realizá-lo (Brito et al., 2020). A conciliação da educação e do processo de ensino-aprendizagem na forma remota trouxe mudanças explícitas no desenvolvimento das habilidades de aprendizagem, pois para que ocorra sem intercorrências faz-se necessária uma série de fatores importantíssimos, como por exemplo: conexão com Internet estável, aparelhos tecnológicos disponíveis, ambiente tranquilo com ausência de ruído e disciplina, para manter-se concentrado durante o horário de aula.
As práticas de educação remota se caracterizam por atividades mediadas por plataformas digitais assíncronas e síncronas, com encontros frequentes durante a semana, seguindo o cronograma das atividades presenciais realizadas antes do distanciamento imposto pela pandemia. Em síntese, predominou uma adaptação temporária das metodologias utilizadas no regime presencial (Alves, 2020; Martins et al., 2022).
Dessa forma, o contexto da pandemia tornou bastante desafiador o processo de aprendizagem escolar, especialmente, de crianças e adolescentes com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Vale ressaltar que pessoas com TDAH possuem dificuldades em lidar com seus impulsos e o gerenciamento de suas emoções, e a presença da pandemia interferiu diretamente em situações comportamentais do cotidiano (ABDA, 2021; Barbarini, 2020).
No âmbito escolar, a inclusão dos alunos com TDAH representou um grande desafio, pois todos os fatores que já dificultavam a aprendizagem dos alunos em sala de aula no regime presencial foram ainda mais reforçados. As dificuldades devido ao distanciamento encontraram-se redobradas, tanto para os alunos com TDAH quanto para seus familiares, os quais ficaram responsáveis pela mediação do ensino (Cherolt, 2020).
De modo geral, as famílias não obtiveram o preparo necessário para educar os filhos em casa, o que inclui, entre outras coisas, didática, conhecimentos e habilidades para o ensino remoto. Pessoas de todas as idades foram afetadas com a pandemia, mas, para as famílias com crianças na faixa etária de zero a 6 anos, os desafios foram maiores porque é nessa fase que se inicia a alfabetização (Cheffer et al., 2023a).
Destaca-se que a sobrecarga das responsabilidades parentais – sejam elas profissionais ou domésticas – aliada às demandas dos filhos, à falta de espaços adequados de aprendizagem e a outros fatores decorrentes da peculiar situação mundial têm dado aos pais, familiares e crianças um nível excessivo de tarefas que pode resultar em altos níveis de estresse (Brasil, 2020).
Associado a este panorama, outros fatores influenciaram no processo de aprendizagem, como, por exemplo, o maior tempo de uso de telas, já que todas as atividades escolares foram realizadas de maneira online, hábitos de má higiene do sono, pois o uso de telas afeta diretamente a qualidade do sono nessas crianças (Araújo et al., 2022). Além disso, as notícias negativas veiculadas pela mídia, a perda de familiares e amigos pela covid-19 contribuíram para o aumento do diagnóstico de transtornos de humor, fobia social, ansiedade generalizada e síndrome do pânico, especialmente nos jovens com TDAH (Araújo & Oliveira, 2020).
Dessarte, o objetivo geral do presente trabalho foi identificar a percepção dos pais e/ou responsáveis sobre o desempenho da aprendizagem de crianças e adolescentes com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, durante a pandemia do covid-19, e como objetivos específicos foram estabelecidos: caracterizar as crianças e adolescentes com TDAH, identificar as principais dificuldades enfrentadas pelos pais na oferta do ensino remoto e descrever o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Método
O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética de Pesquisa em Seres Humanos e aprovado sob o parecer 5.355.490 do Conselho Nacional de Saúde.
Obteve-se o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) de todos os participantes da pesquisa, dos pais e/ou responsáveis pelas crianças e adolescentes.
A pesquisa teve o delineamento descritivo, exploratório de abordagem qualitativa. A pesquisa foi realizada na Associação Novo Rumo, localizada na cidade do Recife-PE. A instituição é referência no estado de Pernambuco, conta com a participação de voluntários e uma equipe multiprofissional destinada ao atendimento e cuidado de crianças e adolescentes especiais, dentre estes participam sujeitos com TDAH.
Participaram do estudo nove pais/responsáveis de crianças e adolescentes com diagnóstico de TDAH, atendidas regularmente na instituição, com faixa etária entre 4 a 16 anos. A fim de ocultar os nomes próprios, os participantes foram denominados de “P”, sendo do P1 a P9.
Foram considerados como critérios de inclusão: Pais/responsáveis de crianças e adolescentes com diagnóstico médico de TDAH, atendidas na Associação Novo Rumo e cursando a Educação Infantil e/ou Ensino Fundamental. Foram excluídos os pais/responsáveis de crianças sem acompanhamento escolar durante a pandemia; que não apresentassem diagnóstico de TDAH; crianças com déficit intelectual ou alterações físicas que dificultam o processo escolar; além da não assinatura do TCLE.
A pesquisa ocorreu dentro da própria instituição, na qual as crianças e adolescentes eram atendidos, no período de maio a junho de 2022. Inicialmente, os pais/responsáveis receberam uma carta, contendo os objetivos do estudo e garantindo o sigilo dos participantes. Em seguida, foi realizada a entrevista semiestruturada, individualmente, de forma presencial, com objetivo de caracterizar o perfil das crianças e adolescentes, assim como investigar o processo de aprendizagem na pandemia de covid-19.
A entrevista foi composta por 36 perguntas objetivas sobre os dados pessoais das crianças e adolescentes, o desenvolvimento global, tipo de TDAH, principais características, os dados sobre a escola e dados sobre a instituição terapêutica que eram acompanhados.
O questionário era composto pelas seguintes perguntas norteadoras: 1. Com a pandemia, como aconteceu a adaptação do ensino? 2. Quais as maiores dificuldades apresentadas durante o período de pandemia? 3. Como foi a evolução do seu filho durante a pandemia? 4. Quais os fatores que você percebe que impactam diretamente no desempenho escolar do seu filho?
As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas na íntegra e analisadas por meio da análise de conteúdo na modalidade temática proposta por Bardin (Bardin, 2011). Esta consiste em um conjunto de técnica de análise qualitativa, de modo a permitir a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção das mensagens, agrupando-as em categorias temáticas.
A análise de conteúdo (Bardin, 2011) é organizada em três fases: 1) Pré-análise: compreendeu a leitura inicial da transcrição das falas dos pais e responsáveis e sistematização das ideias; 2) Exploração de materiais: consistiu na análise e classificação das informações em categorias temáticas; e 3) Tratamento dos resultados, inferência e interpretação: etapa de captar os conteúdos manifestos em todo o material coletado, sendo realizada a justaposição das diversas categorias, ressaltando os aspectos considerados semelhantes e os que foram concebidos como diferentes.
Resultados
1- Perfil das crianças e adolescentes e caracterização das escolas
Os dados que correspondem ao perfil das crianças e adolescentes com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade podem ser observados na Tabela 1.
Tabela 1 Perfil dos participantes do estudo. Recife, 2023
| Variáveis | Frequências | |
|---|---|---|
| Sexo | N | % |
| M | 7 | 80% |
| F | 2 | 20% |
| Idade | ||
| 4 | 1 | 12% |
| 6 | 2 | 21,30% |
| 8 | 2 | 21,30% |
| 12 | 2 | 21,30% |
| 10 | 1 | 12% |
| 16 | 1 | 12% |
| Diagnóstico | ||
| T. Combinada | 8 | 90% |
| T. Pred. Desatenta | 1 | 10% |
| T. Pred. Hiperativa/Impulsiva | 0 | 0% |
| Grau | ||
| Leve | 5 | 55% |
| Moderado | 4 | 45% |
| Severo | 0 | 0% |
| Comorbidades | ||
| SD | 1 | 10% |
| TEA | 7 | 70% |
| TOD | 2 | 20% |
| TPAC | 1 | 10% |
Fonte: Dados da pesquisa.
SD - Síndrome de Down; TEA - Transtorno do Espectro Autista; TOD - Transtorno Opositivo Desafiador; TPAC - Transtorno do Processamento Auditivo Central
Como foi possível observar, a prevalência do TDAH ocorreu no sexo masculino, sendo o tipo combinado e grau leve predominantes. As principais comorbidades associadas foram: Síndrome de Down (SD), Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno Opositivo Desafiador (TOD) e Transtorno do Processamento Auditivo Central (TPAC).
O desempenho acadêmico dos escolares com TDAH de acordo com o ponto de vista dos pais/responsáveis seguem descritos na Tabela 2.
Tabela 2 Desempenho dos escolares com TDAH frente a pandemia de covid-19
| Variáveis | Frequências | ||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Desempenho dos escolares com TDAH | B | R | Ru | % | B | R | Ru |
| Antes da pandemia? | 5 | 4 | 0 | 55% | 45% | 0% | |
| Durante a pandemia? | 4 | 2 | 3 | 45% | 21,30% | 33,70% | |
| Relação de professor e aluno durante a pandemia? | 3 | 1 | 5 | 33,70% | 11,30% | 55% | |
Fonte: Dados da pesquisa.
B – Bom; R – Regular; Ru – Ruim; TDAH – Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Apesar dos pais e/ou responsáveis e alguns professores terem adotado estratégias para facilitar a aprendizagem escolar de crianças e adolescentes com TDAH, vale destacar que 21,3% referiram que o desempenho foi regular e 33,7% ruim. Por outro lado, 45% apontaram que o desempenho foi bom, especialmente pelo fato de a criança ser acompanhada por uma equipe multidisciplinar.
2- Análise de conteúdo na modalidade temática
A análise de conteúdo na modalidade temática foi desenvolvida a partir das falas dos pais e/ou responsáveis dos escolares com TDAH. Foram elencadas três categorias temáticas: I. Barreiras encontradas pelos pais e/ou responsáveis no processo de adaptação ao ensino remoto; II. Impactos das características do TDAH no processo de aprendizagem; III. Processo de aprendizagem de escolares com TDAH durante a pandemia.
I. Barreiras encontradas pelos pais e/ou responsáveis no processo de adaptação ao ensino remoto.
A seguir serão apresentados alguns recortes das falas dos pais e/ou responsáveis que ilustram as barreiras encontradas:
P3 – (...) difícil, pois a escola não ofereceu suporte durante o ensino remoto, as atividades eram enviadas pelo WhatsApp junto a vídeos curtos para complementar o assunto escolar.
P5 – (...) muito difícil por não saber como ofertar, como também por não receber orientações dos professores que pudesse facilitar o processo de aprendizagem.
P6 – (...) no início, meu filho aceitou muito bem por envolver tecnologia, porém sempre evitou atividades de escrita, pois ele tem muita dificuldade, com o tempo perde o interesse nas aulas on-line.
P7 – (...) não recebeu suporte da escola, o que resultou na dificuldade em ficar engajado na aula, as aulas foram assistidas pelo celular, as notas caíram, consideravelmente, deixando-o desestimulado.
A ausência de orientações pedagógicas e a falta de instrumentos tecnológicos dificultaram a adaptação ao ensino remoto ocasionado pela pandemia da covid-19, os pais e/ou responsáveis dos escolares sentiram o peso da responsabilidade em conduzir as atividades, com total falta de direcionamento das instituições de ensino.
II. Impactos das características do TDAH no processo de aprendizagem.
Esta categoria temática retrata as características presentes nas pessoas com TDAH, e como as mesmas interferem no processo de aquisição do ensino educacional, especialmente, durante a pandemia de covid-19:
P3 – (...) Desatenção, desorganização em gerenciar a rotina e a hiperatividade, meu filho não conseguia ficar concentrado durante as atividades escolares como também ficava impaciente para assistir os vídeos curtos.
P4 – (...) A hiperatividade, pois ele não conseguiu permanecer parado no mesmo lugar por muito tempo, como também não sustentava a atenção compartilhada.
P5 – (...) A desatenção interfere muito, porque quando há presença de estímulos que não estão relacionados às atividades, meu filho perde a concentração e para que ele retorne às atividades é necessário pedir mais de uma vez.
P7 – (...) Inquietação, hiperatividade não permitia que ele se concentrasse, acabou ficando mais ansioso que o normal, agressivo quando não gostava das solicitações e impaciente durante o dia inteiro.
P9 – (...) Desatenção, hiperatividade, e irritabilidade por conta da mudança repentina da rotina, não se interessava em fazer as atividades, pois não tinha paciência e não ficava quieto.
Os sintomas apresentados pelos escolares com TDAH interferiram diretamente na aquisição das demandas educacionais transmitidas pelo corpo docente, evidenciando a presença da tríade sintomatológica: desatenção, impulsividade e hiperatividade. Tais características exigiram grandes demandas dos pais e/ou responsáveis para executar as atividades escolares.
III. Processo de aprendizagem de escolares com TDAH durante a pandemia.
Para os pais e/ou responsáveis o processo de aprendizagem foi dificultoso, havendo regressão das crianças no desempenho das habilidades acadêmicas, que podem ser vistos no recorte das seguintes falas:
P4 – Apresentou regressão nas áreas de socialização, comunicação, interação sensorial e começou a ter controle excessivo a tudo que lhe cercava, com a escola e o ensino remoto não conseguiu se adaptar e não mostrava interesse algum em querer participar das atividades.
P6 - Ele estacionou nas habilidades aprendidas, em relação à organização e ao controle dos impulsos segue sem conseguir realizar, a escola não procurou engajar a aprendizagem e ele acabou perdendo o interesse.
P9 - Regrediu o aprendizado em relação à leitura e a escrita, acabou perdendo o que tinha aprendido, nas atividades só participava com muita insistência, e logo perdia a paciência ficando muito irritado.
Alguns pais ainda ressaltam os prejuízos na aprendizagem devido ao distanciamento na relação professor-aluno:
P5 - (...) a modalidade remota impossibilitou a interação com o professor, pois meu filho mostra dificuldade em expressar o que está sentindo.
P3 - Ele só aprende com o lúdico e o ensino on-line não abrangia as necessidades dele para engajar nas atividades, sentindo falta do contato com o professor.
Por outro lado, alguns pais e/ou responsáveis destacaram perceber evolução em seus filhos durante a pandemia:
P1 - Está evoluindo com a intervenção terapêutica, progredindo nas atividades escolares e se comunicando melhor.
P2 - Houve evolução por conta da atuação da Psicopedagoga que ficou em cima do desenvolvimento dele.
P8 - Evoluiu com o suporte das terapias e minha insistência para fazer atividades.
Vale salientar que na percepção dos pais e/ou responsáveis a evolução escolar, dos seus filhos, ocorreu associada à participação de uma equipe multidisciplinar. Sabe-se da importância do papel da equipe multiprofissional para a aprendizagem efetiva, especialmente, para dar suporte às crianças com transtornos de comportamento e aprendizagem, como no caso do TDAH.
Discussão
A pandemia afetou o cotidiano de muitas famílias, incluindo as envolvidas no presente estudo, houve grandes mudanças no cotidiano, especialmente no apoio às crianças em suas atividades escolares. Nesse período, o ensino remoto ganhou espaço e foi utilizado pelas escolas (Lunardi et al., 2021; Sabino et al., 2023).
Como visto nos resultados obtidos, por falta de suporte das escolas muitos pais tiveram dificuldades em como progredir no ensino dos seus filhos sem uma orientação pedagógica. Os pais alegaram também dificuldades de manter o seu filho concentrado durante as aulas remotas, afirmando inquietação e impaciência para assistir a vídeos mais curtos e dificuldade em manter a sua atenção nas aulas, já que havia muitas distrações que não estavam relacionadas apenas às atividades.
Os relatos sobre os baixos níveis de rendimento nas atividades escolares ainda se agravam devido ao Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, que é uma condição neurocomportamental na qual as características mais persistentes são a desatenção, desorganização, impulsividade e hiperatividade, que acabam interferindo no funcionamento social e no desenvolvimento do indivíduo (Abrahão et al., 2020; Seno, 2010). No presente estudo foi possível observar que o processo de aprendizagem em meio à pandemia foi bastante dificultoso, havendo regressão das crianças no desempenho das habilidades acadêmicas, pois tornou mais grave os sintomas do TDAH. Além da área de aprendizagem, foi observado um grande retrocesso nas áreas de socialização, comunicação e interação sensorial.
Segundo os pais, alguns fatores como desorganização e impulsividade se intensificaram, em relação ao interesse na leitura e escrita regrediram drasticamente, tornando ainda mais complicada a adaptação, tanto dos responsáveis quanto dos menores nesta nova modalidade de ensino, corroborando com o estudo de Cheffer et al. (2023b), que também observou dificuldades na adaptação de crianças com TDAH durante a pandemia.
É de extrema importância salientar que a relação entre o professor e o aluno durante a pandemia foi prejudicada de maneira inesperada. Isso refletiu no ensino de muitos educadores, os quais não conseguiram utilizar estratégias lúdicas para facilitar o processo de aprendizagem.
Sabe-se que o lúdico funciona como uma abordagem pedagógica que colabora no processo de ensino e aprendizagem e garante incentivo para o aluno com TDAH, pois a partir das limitações desta criança a lúdica busca nas brincadeiras e jogos estimulação e ensinamentos a fim de estimular de forma prazerosa (Estrela, 2017; Silva et al., 2022). A partir do que foi visto nesta pesquisa, a equipe multidisciplinar foi essencial para o desenvolvimento e evolução dos pacientes como, por exemplo, na resolução das atividades e melhor troca comunicativa tanto no círculo familiar como na participação em aula, além disso, a equipe multidisciplinar contribuiu com o empenho e participação dos pais através do apoio no ensino remoto.
Pode-se destacar ainda que os pais compreenderam a importância desses profissionais no âmbito escolar e na contribuição do desenvolvimento das habilidades cognitivas. Dessarte, é real o fato que grande parte das escolas não possuem a equipe multidisciplinar e seus profissionais, porém faz-se necessária uma readequação das instituições para assim abranger uma maior gama de cuidados com crianças que necessitam deste apoio (Altina & Gonçalves, 2021).
A pandemia de covid-19, embora tenha ficado para trás em termos de impactos imediatos, deixou um legado significativo de prejuízos no aprendizado de muitos escolares. O isolamento social e a transição abrupta para o ensino remoto afetaram de maneira desigual a qualidade da educação, com alunos de diferentes realidades enfrentando desafios diversos. Muitos estudantes, especialmente os de famílias com menos recursos, não tinham acesso adequado à tecnologia ou a um ambiente de estudo adequado, o que comprometeu a continuidade do aprendizado (Nascimento, 2020).
Além disso, a falta de interação presencial prejudicou o desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais, fundamentais para o crescimento pessoal e acadêmico (Cabral et al., 2023). A ansiedade e o estresse provocados pela pandemia afetaram a motivação de muitos escolares, dificultando ainda mais o processo de aprendizagem. Esses impactos ainda são visíveis, com escolas e educadores enfrentando a difícil tarefa de recuperar o tempo perdido e ajudar os alunos a alcançar os níveis de aprendizado esperados (Andrade et al., 2024).
Considerações
É possível concluir que o desempenho da aprendizagem de crianças e adolescentes com TDAH sofreu impactos com a pandemia de covid-19, havendo muita dificuldade dos pais e/ou responsáveis em conduzir o processo de ensino. A inquietação, desatenção e falta de interesse foram as principais características apontadas.
O período da pandemia passou a exigir a presença da família para as atividades escolares, sendo um grande desafio para os pais e/ou responsáveis que relataram dificuldades para condução das atividades, em lidar com seus filhos, observando retrocesso na aprendizagem escolar.
As escolas implementaram o ensino remoto, sem preparar os professores e as famílias, o que de fato gerou uma sobrecarga nos mesmos, impactando o processo de aprendizagem de seus filhos. Vale destacar a importância do apoio das equipes multidisciplinares para crianças com TDAH, uma vez que as mesmas facilitam o desenvolvimento global da criança.
Nota-se a importância de novas pesquisas que busquem monitorar o desempenho acadêmico de crianças com TDAH após o período da pandemia, visto que houve uma lacuna na aprendizagem escolar. Assim como, a promoção de intervenções educativas, envolvendo a família e a escola, uma vez que contribuem para o comportamento e desenvolvimento de habilidades acadêmicas.













