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Journal of Human Growth and Development

Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.32 no.3 Santo André Sept./Dec. 2022  Epub Jan 20, 2025

https://doi.org/10.36311/jhgd.v32.13326 

ARTIGO ORIGINAL

Validação psicométrica da versão em português brasileiro da Body Image Scale – HIV para pessoas vivendo com HIV/AIDS

Walter Henrique Martinsc  d 

Marcos Alberto Martinsc  d 

Gerson Vilhena Pereira Filhoc  d 

Karina Vivivani de Oliveira Pessoaa  d 

Angela Nogueira Nevesb 

Luiz Carlos de Abreuc 

aMsC, Faculdade de Medicina do ABC

bPhD, Escola de Educação Física do Exército

cPhD, Faculdade de Medicina do ABC

dFaculdade de Medicina do ABC


Resumo

Introdução

a Imagem Corporal pode ser definida como a representação mental da identidade corporal. O meio que cerca o sujeito, o olhar do outro, suas emoções, a integridade e a própria fragilidade do corpo são elementos próprios desta representação. O estigma social provocado pelas alterações corporais nas pessoas que vivem com HIV/AIDS pode ser mais intenso que o próprio medo da morte, sendo importante acompanhar o impacto dessas alterações do decurso do tratamento.

Objetivo

realizar a validação psicométrica da versão em português brasileiro da Body Image Scale – HIV para uma amostra de brasileiros, de ambos os sexos, vivendo com HIV/AIDS.

Método

foram recrutados 450 pacientes de um ambulatório de HIV/AIDS de São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil, com idades entre 18 e 78 anos. A análise fatorial confirmatória, utilizando o Unweighted Least Square e deleção listwise, foi usada para determinar a aderência dos dados aos modelos testados.

Resultados

coeficientes adequados de confiabilidade interna e evidência de validade de construto foram estabelecidos para a versão brasileira da BIS-HIV no modelo unifatorial.

Conclusão

a escala foi validada e com suas qualidades psicométricas evidenciadas, fornece uma ferramenta útil para investigações quantitativas da imagem corporal em pessoas com HIV/AIDS no contexto brasileiro e amplia a possibilidade de futuras pesquisas transculturais.

Palavras-Chave: imagem corporal; aparência; HIV/AIDS; psicometria

Abstract

Introduction

Body Image can be defined as the mental representation of body identity. The surroundings, the gaze of the other, they emotions, they integrity, and our own fragility are elements of this representation. The social stigma caused by body changes in people living with HIV / AIDS may be more intense than the fear of death itself, being important to assess the impact of these changes in the course of treatment.

Objective

To perform the psychometric validation of the Brazilian Portuguese version of the Body Image Scale - HIV for a sample of Brazilians, of both sexes, living with HIV / AIDS.

Methods

The total of 450 patients were recruited from the São Bernardo do Campo HIV/AIDS program, aged between 18 and 78 years. Confirmatory factor analysis using the Unweighted Least Square and listwise deletion was used to determine the adherence of the data to the models tested.

Results

Adequate coefficients of internal reliability and evidence of construct validity were established for the Brazilian version of BIS-HIV in the unifactorial model.

Conclusion

This scale, with evidenced psychometric qualities, provides a useful tool for quantitative investigations of body image in people with HIV/AIDS in the Brazilian context and extends the possibility of future cross-cultural research.

Key words: body image; appearance; HIV/AIDS; psychometrics

Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

A lipodistrofia é uma condição crônica que tanto causa sofrimento psíquico quanto dificulta a adesão ao tratamento. Assim, acompanhar as alterações na imagem corporal e na qualidade de vida no decurso do tratamento clínico é uma estratégia clínica válida. Todavia, até o presente momento, não haviam disponíveis no Brasil instrumentos válidos e confiáveis para fazer essa avaliação. O estudo foi realizado para suprir essa lacuna metodológica e possibilitar o melhor acompanhamento clínico das pessoas que vivem com HIV/AIDS.

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Após selecionarem o instrumento que avalia o constructo de interesse – imagem corporal (Body Image Scale – HIV) os pesquisadores entraram em contato com os autores originais e pediram a permissão para adaptar culturalmente e validar o instrumento no Brasil. Assim, procedeu-se com o processo de adaptação cultural em 5 passos:

  1. Duas traduções;

  2. Síntese consensual das duas traduções;

  3. Duas retrotraduções da síntese;

  4. Reunião de comitê de peritos especialistas para verificação das equivalências semântica, cultural, idiomática e conceitual;

  5. Pré-teste junto à população alvo para verificação da adequação do lay out, entendimento e clareza dos itens.

Na sequência, procederam com a verificação das evidencias psicométricas (estrutura fatorial; validade de constructo; confiabilidade interna; invariância) do instrumento em uma amostra da população de interesse, através de análise fatorial confirmatória com estimador Unweigthed Least Square. Após a eliminação de alguns itens, a estrutura fatorial original da Body Image Scale – HIV foi confirmada, com a geração de evidências de validade de constructo e confiabilidade interna e comprovação de não invariância métrica.

O que estes achados significam?

Os achados apontam que o instrumento em questão pode ser usado de forma válida e confiável, tanto por pesquisadores quanto na prática clínica, para avaliação da imagem corporal de pessoas que vivem com HIV/AIDS no Brasil.

INTRODUÇÃO

A imagem corporal pode ser definida como a representação mental do corpo, a imagem mental do corpo formada na mente, que engloba autopercepções e atitudes em relação à aparência e função corporal1. Está ligada a uma organização cerebral integrada, influenciada por fatores sensoriais, processo de desenvolvimento e aspectos psicodinâmicos, mas não se trata apenas de uma organização cerebral em funcionamento.

A imagem corporal inclui aspectos conscientes e inconscientes que estão inter-relacionados com o mundo externo a todo o instante, podendo ser considerada tanto uma estrutura quanto um processo, pois desconstrói-se e reconstrói-se sob o cerne estável da identidade, que dá ao sujeito referências primordiais de si. Esse dinamismo relaciona-se com o desenvolvimento da imagem corporal. Possibilita ao sujeito ressignificar elementos de sua vida e incorporá-los, num novo significado, à sua identidade1,2.

Embora dependente de uma estrutura orgânica circunscrita, a imagem corporal deve ser compreendida como fenômeno singular, estruturado no contexto da experiência corporal de cada ser humano, em um universo de inter-relações entre imagens corporais. Variáveis sociais, fisiológicas e psicológicas também estão integradas à percepção do corpo como um todo1.Como apontado por Cash (2000)3, a função e a aparência moldam nossa vida. Isto porque estes dois aspectos interferem profundamente na maneira que os outros reagem ao nosso corpo, como interagimos com nosso mundo social e, enquanto indivíduos, percebemos e nos relacionamos com nosso próprio corpo. A manutenção e gestão de nossos corpos foi enquadrada como uma responsabilidade individual em tempos neoliberais com fortes imperativos sociais para apresentar imagem atraente, “normal” e saudável4,5. Quando o corpo muda como consequência de doença e não parece mais saudável, a definição de si mesmo pode ser severamente desafiada4. Assim, a imagem corporal das pessoas com deficiência, com doenças crônicas ou com alterações na aparência é modelada por percepções que emergem desse contexto social especial, pois despertam reações extraordinárias nas relações sociais e no conceito de si mesmo2,3,6.

As alterações na imagem corporal de pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) variam bastante com o tempo7,8. No momento do diagnóstico, é grande o impacto no conceito de si mesmo, que passa a ser alguém invadido pelo vírus e agora com uma condição crônica, a qual muitas vezes se torna hipervigilante7. As PVHA reportam se sentirem “sujos” ou “contaminados”, e o ato de tomar a medicação remete a uma lembrança diária da infecção9.

Há outras alterações que podem advir com a progressão da infecção. Alterações provocadas pelo vírus e/ou pelos efeitos colaterais causados por alguns antirretrovirais, que levam à necessidade de acompanhamento constante e que mantém a hipervigilância; alterações pela interação com a equipe clínica e demais relações sociais, ou por assumir essa nova condição identitária de doente crônico8. A Síndrome Lipodistrófica é uma comorbidade especialmente importante nesse processo, por causar a lipodistrofia que leva a um grande impacto psicossocial, devido às alterações que acarreta nas formas corporais, provocando essencialmente perda de tecido gorduroso nas extremidades (face e membros) e acúmulo em região central. Além da alteração da distribuição do tecido lipídico, estão presentes na Síndrome Lipodistrófica anormalidades metabólicas incluindo hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, hiperinsulinismo e hiperglicemia10. A lipodistrofia é reveladora da sororreagência para o HIV e do diagnóstico de AIDS, tornando difícil negar socialmente o HIV, expondo a pessoa ao julgamento do outro11.

Apesar de não estar relacionada à mortalidade e morbidade do HIV/AIDS, as PVHA reportam que lidar com a lipodistrofia pode ser mais difícil que com o HIV em si, já que a experiência subjetiva com a aparência pode ser mais desafiante que a realidade objetiva em si12. À medida que os sinais de lipodistrofia começam a aparecer, a expectativa da reação alheia muitas vezes causa retração social, vergonha e culpa13.

Em relação à imagem corporal, já foi identificado que a lipodistrofia se associa a maior insatisfação com o corpo11,14,15, sensação de desfiguração13,16, sentimento de perda de si mesmo15, disforia ao ver o próprio corpo17, além de comportamentos que são o cerne da imagem corporal negativa: a evitação e checagem do corpo16-19.

A lipodistrofia facial está associada com estados depressivos e baixa autoconfiança20,21, sentimento de falta de controle sobre o corpo21, de impossibilidade de negação do HIV/AIDS22, ao comportamento de evitação corporal23com impacto na vida financeira, relações sociais e relacionamento amoroso13.

O impacto emocional e social causado pela lipodistrofia muito reside na impossibilidade de negar ou esconder socialmente a infecção, expondo a PVHA ao julgamento alheio24. A internalização do estigma de ser sororreagentes para o HIV tem associação com culpa e vergonha, estados de depressão, ansiedade, desamparo, estresse, isolamento social, além de afetar a saúde física e bem estar25-30.

Em suma, a lipodistrofia pode ser considerada como uma ameaça à identidade das PVHA. Esses sentimentos e sensações negativas associadas ao estigma da “imagem da AIDS” exposto no corpo da pessoa têm impactos diretos na imagem corporal31,32. Assim, é importante acompanhar as alterações que ocorrem na imagem corporal desses pacientes no decurso do tratamento.

A Body Image Scale - HIV (BIS-HIV) foca-se em obter traços da dimensão afetiva da Imagem Corporal de PVHA. É uma escala autoaplicável, de 12 itens, com as respostas variando de 1 a 5 numa escala tipo diferencial semântico. A BIS-HIV tem 5 dimensões: (1) Conforto (que avalia os sentimentos em relação à energia, disponibilidade para o sexo); (2) Competência (que avalia os sentimentos em relação à libido, saúde em geral); (3) Aparência (que avalia os sentimentos em relação à visibilidade da doença, atratividade, ser desejável); (4) prognosticabilidade (que avalia os sentimentos em relação à disposição para a doença, se o corpo funciona como antes) e (5) “Self ” existencial (que avalia os sentimentos em relação à culpa, inocência, contaminação)33.

Uma das vantagens da BIS-HIV no uso clínico é a possibilidade de se fazer uma avaliação das modificações da imagem corporal em três momentos: “antes” do diagnóstico do HIV/AIDS; “agora” que vive com o HIV/AIDS e ainda, a percepção da imagem social na avaliação do que o respondente acha que os “outros” pensam dele agora que vive com HIV/AIDS. Isso é possível pelos três protocolos distintos de resposta criados para a escala: antes do HIV; nesse momento, depois do diagnóstico e como o sujeito pensa que os outros o veem33.

O sistema de tratamento criado pelo governo brasileiro para as PVHA é citado como exemplar entre os países em desenvolvimento34. O Brasil é o país que mais distribui preservativos no mundo, realiza profilaxia pré e pós exposição e desde 2013 fornece terapia antirretroviral (TARV) mais efetiva e com menos efeitos colaterais (exemplo: Dolutegravir) para todas as pessoas que vivem com HIV/AIDS, independentemente do estágio da infecção. O tratamento é descentralizado e realizado por uma rede de especialistas, a fim de prover cuidado de qualidade àqueles que vivem com HIV/AIDS, havendo mais de 700 locais de atendimento no país, estrutura essa que se encontra em expansão35-37.Porém, no Brasil ainda não há um instrumento disponível para a avaliação da imagem corporal das PVHA. Frente a essa realidade, a disponibilidade de um instrumento específico para avaliação da imagem corporal será útil, não apenas para pesquisadores brasileiros, mas também para aqueles de outros países em abordagens transculturais e por isso justifica-se esta pesquisa.

O objetivo dessa pesquisa foi realizar a validação psicométrica da versão em português brasileiro da Body Image Scale – HIV para uma amostra de brasileiros, de ambos os sexos, vivendo com HIV/AIDS.

MÉTODO

Desenho de estudo e tamanho amostral

Este é um estudo metodológico com amostragem não probabilística. O tamanho amostral foi calculado de acordo com as recomendações de Hair, Anderson, Tatham e Black (2009)38. Estes autores preconizam que o tamanho amostral deve ser de 5 – 10 (k) participantes por parâmetro avaliado. Considerando que a BIS-HIV tem 25 parâmetros (12 variáveis observáveis; 12 erros; uma variável latente de primeira ordem) e k = 6, o número amostral para esta pesquisa era de, no mínimo, 150 participantes.

A amostra foi composta por 450 participantes, que participaram de três rodadas independentes de coleta de dados, organizados em quatro amostras.

Tabela 1 : Características das amostras utilizadas 

Variáveis categóricas Amostra 1 (n = 300) Amostra 2 (n = 300) Amostra 3 (n = 300) Amostra 4 (n = 150)
n % n % n % n %
Sexo Masculino 195 65 200 66,7 179 59,7 108 72
Feminino 105 35 100 33,3 121 40,3 42 28
Gênero Masculino 192 64 195 65 175 58,3 106 70,7
Feminino 108 36 105 35 125 41,7 44 29,3
Estado Civil Solteiro(a) 160 53,3 157 52,3 149 49,7 84 56
Casado (a) 91 30,3 100 33,3 101 33,7 45 30
Divorciado (a) 29 9,7 24 8 25 8,3 14 9,3
Viúvo (a) 20 6,7 19 6,4 25 3,3 7 4,7
Escolaridade 1ºciclo ensino Fundamental 60 20 71 23,7 73 24,3 29 19,3
2ºciclo ensino Fundamental 64 21,3 63 21 67 22,3 30 20
Ensino Médio 106 35,3 105 35 99 33 56 37,3
Ensino Superior 70 23,3 61 20,3 61 20,3 35 23,3
Segurança Muito inseguro 43 14,3 36 12 41 13,7 19 12,6
Financeira Inseguro 106 35,3 118 39,3 114 38 55 36,7
Seguro 136 45,3 136 45,4 132 44 70 46,7
Muito seguro 15 5 10 3,3 13 4,3 6 4

A amostra um (n = 300, 150 participantes da rodada 1 e 150 da rodada 3) foi utilizada para avaliação da versão da BIS-HIV na qual o participante responde considerando como era antes de ter o diagnóstico do HIV/AIDS (BIS-HIV “antes”). Amostra dois (n = 300, 150 participantes da rodada 2 e 150 da rodada 3) foi utilizada para avaliação da versão da BIS-HIV na qual o participante responde considerando que agora tem o diagnóstico do HIV/AIDS (BIS-HIV “agora”). Amostra três n=300, 150 participantes da rodada 1 e 150 da rodada 2 ) foi utilizada para avaliação da versão da BIS-HIV no qual o participante responde considerando o que ele acha de como as outras pessoas veem quem vive com HIV/AIDS (BIS-HIV “outros”). A amostra quatro (n =150) foi utilizada para análises de não-invariância e testes adicionais, composta por participantes que responderam às três versões da BIS-HIV: BIS “antes”, BIS “agora” e BIS “outros”, coletados na terceira rodada.

Instrumentos

Body Image Scale – HIV (BIS-HIV)33; A BIS-HIV foi baseada na escala original da BIS para pacientes com câncer. Foi modificada e expandida para adequar-se à realidade das PVHA, contemplando os conteúdos a respeito de conforto (energia, disponibilidade para o sexo); competência (libido, saúde em geral); aparência (visibilidade da doença, atratividade, ser desejável); prognosticabilidade (disposição para a doença, se o corpo funciona como antes) e “self” existencial (culpa, inocência, contaminação). A BIS-HIV é uma escala autoaplicável, de doze (12) itens, com as respostas variando de um (1) a cinco (5) numa escala de diferencial semântico. Apenas o item nove (9) é reverso. A pontuação máxima é de 60 pontos, a média de 36 e a mínima de 12. Pode ser respondida de acordo com três orientações distintas: “como você se sente a respeito de si mesmo agora que você sabe que está vivendo com HIV” (BIS-HIV “agora” - Trata-se de resposta do participante sobre seus sentimentos sobre ele mesmo em relação à avaliação da imagem corporal “agora” que ele sabe que está vivendo com o HIV); “como você se sentia a respeito de si mesmo antes de descobrir que estava vivendo com o HIV” (BIS-HIV “antes” - Trata-se de resposta do participante sobre seus sentimentos em relação à avaliação da imagem corporal “antes” de saber que estava vivendo com o HIV); “como eles pensam que os outros veem as pessoas que vivem com o HIV em geral” (BIS-HIV “outros”- Trata-se de resposta do participante sobre seus sentimentos sobre como ele acha que as outras pessoas veem quem vive com HIV, de uma forma geral). A confiabilidade para cada um dos protocolos – agora, antes e os outros – revelaram um alto grau de consistência interna com os seguintes valores de Alpha de Crombach: α = 0,90; 0,95 e 0,90 respectivamente.

Questionário demográfico

Especialmente elaborado para esta pesquisa, no questionário demográfico os participantes auto reportaram sua idade, sexo, gênero, escolaridade, estado civil e percepção da segurança financeira.

Adaptação cultural da Body Image Scale - HIV (BIS-HIV)33 para o Português Brasileiro

Antes de realizarmos a validação psicométrica da versão em português brasileiro da Body Image Scale – HIV para pessoas vivendo com HIV/AIDS foi necessário realizar a adaptação cultural da BIS-HIV.

A versão em português do Brasil da Body Image Scale - HIV (BIS-HIV)33 foi preparada seguindo as diretrizes de Beaton, Bombardier, Guillemin e Ferraz (2002)39. Inicialmente, a escala foi traduzida independentemente para o português do Brasil por dois falantes nativos de português, e duas traduções diferentes (T1 e T2) foram criadas. Em segundo lugar, uma versão de síntese (T12) foi elaborada pelos dois tradutores e um juiz neutro. Em terceiro lugar, a partir da síntese das duas traduções, duas retrotraduções (RT1 e RT2) foram criadas por dois tradutores nativos de língua inglesa com proficiência em português brasileiro e que não tinham conhecimento dos instrumentos originais. Em quarto lugar todas as versões (T1, T2, T12, RT1, RT2) foram encaminhadas para um comitê de peritos, composto pelos dois tradutores, os dois retrotradutores, o juiz de síntese, uma fonoaudióloga que trabalha com esta população pesquisada, dois profissionais médicos, um metodologista e um linguista. Este comitê examinou, discutiu os itens e as instruções para garantir uma versão clara para a realização do pré-teste, equivalente ao original em termos de semântica, idioma, cultura e conceito40.

Para o pré-teste, foi recrutada amostra de cinco participantes de um ambulatório de HIV/AIDS de São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Cada aplicação ocorreu de forma individual, em sala cedida pelo próprio ambulatório. Após o preenchimento do instrumento, cada participante foi entrevistado pelo pesquisador principal sobre as dificuldades que poderia ter encontrado para o preenchimento quanto à clareza dos itens, adequação dos itens ao que está sendo avaliado no instrumento e adequação dos itens à população de interesse. Foi necessária apenas uma sessão de pré-teste, já que a versão brasileira da BIS-HIV foi considerada clara, adequada e compreensível.

Procedimentos e Aspectos Éticos

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC e encontra-se registrado sob o parecer número 944643 de 20/01/2015.

Os prospectivos participantes eram PVHA do ambulatório de HIV/AIDS de São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Foram convidados a participar da pesquisa pela equipe de enfermagem do ambulatório que já conheciam, oralmente, de forma individual nos dias de sua consulta com o infectologista. Aqueles que aceitaram participar receberam o pacote de questionários com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O preenchimento dos mesmos foi realizado na sala de espera, em cadeiras individualizadas, no momento que antecedia a consulta médica. Os participantes preencheram os instrumentos de forma individual, levando cerca de cinco minutos para terminar.

Modelos investigados

Além do estudo de desenvolvimento e investigação psicométrica inicial33, não houve qualquer outro estudo de validação psicométrica da BIS-HIV41. A solução unifatorial original foi gerada por análise fatorial exploratória (AFE), na qual se destaca ainda uma solução bifatorial alternativa para a versão da BIS-HIV preenchida quando se considera a atitude dos outros em relação ao participante. Todavia, o segundo fator é carregado com apenas dois itens, o que infringe a regra dos 3 itens38. Assim, no presente estudo, investigou-se a adequação dos dados amostrais à estrutura fatorial unidimensional da BIS-HIV para os três protocolos de instrução.

Análise estatística

Para preparar os dados para a Análise Fatorial Confirmatória (AFC), foi usado o módulo PRELISTM2 do sistema LISREL®, adotando o critério de deleção listwise para dados faltantes42. Após a geração do arquivo PRELIS, utilizou-se o modelo SIMPLIS, que é uma codificação do sistema LISREL®. A AFC foi então gerada, viabilizando a estimação dos parâmetros do modelo de mensuração dos constructos. Frente ao fato de que a distribuição dos dados não foi aderente à distribuição normal multivariada, o método de extração “Unweighted Least Square”foi usado por não ser sensível a essa violação43.

Devido ao fato do Qui-quadrado ponderado (X2/gl) ser inflacionado por amostras grandes44, foram também considerados os seguintes índices de ajuste: Goodness-of-Fit Index (GFI), Adjusted Goodness-of-Fit Index (AGFI), Normed Fit Index (NFI), Non-normed Fit index (NNFI), e Comparative Fit Index (CFI). Foi também considerado o Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA). O modelo foi considerado aceitável quando χ2/gl≤ 5.00; RMSEA ≤ 0.08; CFI, NFI, NNFI, GFI e AGFI ≥ 0.9538. Para modelos com ajuste inicial insatisfatório, cargas fatoriais, resíduos e os índices de modificação do sistema LISREL® foram utilizadas para ajuste.

Na análise do modelo de mensuração, considerou-se a validade de constructo (discriminante, convergente) e a consistência interna. Para estabelecer esta última, o Alpha de Cronbach (α) e a Confiabilidade Composta (CC) foram calculados, sendo considerados aceitáveis valores acima de 0,7045. A CC é dada pela fórmula: (quadrado da soma das cargas fatoriais) / (quadrado da soma das cargas fatoriais) + (soma dos erros dos indicadores observáveis).

Para estabelecer a validade convergente, cargas fatoriais e a Variância Média Extraída (AVE) foram consideradas. A AVE é dada pela fórmula: (soma do quadrado das cargas fatoriais) / (soma do quadrado das cargas fatoriais) + (soma dos erros dos indicadores observáveis). Valores acima de 0,50 são considerados aceitáveis38 e cargas fatoriais (λ) acima de 0,50 são preferíveis e acima de 0,40 são aceitáveis38.

A validade nomológica foi estimada através da verificação da diferença dos escores de cada uma das 3 versões da escala (BIS-HIV “antes”; BIS-HIV “agora” e BIS-HIV “outros”) em relação ao sexo biológico, gênero, estado civil e percepção de segurança financeira.

O método da Máxima Verossimilhança (ML) foi empregado para verificar a não invariância dos modelos “como me vejo agora” e “como eu era antes”, já que ambos avaliam dimensões pessoais da experiência com o HIV e permitem acompanhar as alterações pós infecção.

O teste de invariância foi realizado por análise multigrupo usando a diferença de Qui-quadrado (Δχ2) entre os níveis de invariância. Para estas análises foram utilizados os dados da amostra4. O teste foi realizado considerando a análise das cargas fatoriais (λ), interceptos (I) e resíduos de variância/covariância46. Seguindo as recomendações de Jöreskog e Soborn (1999)47 e Brown (2015)48 seguimos os seguintes passos: (1) ajustamos o modelo separadamente para a amostra um, dois e três; (2) verificamos a invariância configural (forma); (3) verificamos a invariância métrica (4) verificamos a variância escalar e (5) verificamos a invariância estrita.

A invariância métrica foi suportada se pΔχ2λ> 0,05. A invariância métrica e escalar foi suportada se pΔχ2λ e pΔχ2I> 0,05. Finalmente, a invariância estrita foi confirmada se pΔχ2λ, pΔχ2I, e pΔχ2cov/res> 0,0549,50.

Análises adicionais foram realizadas na amostra quatro com a finalidade de verificar a variabilidade dos escores das escalas na amostra nas 3 avaliações possíveis dos itens (BIS-HIV “antes”; BIS-HIV “agora” e BIS-HIV “outros”) em uma mesma amostra, para verificar se a expectativa de variabilidade do estudo original se confirma na amostra de referência empregada.

RESULTADOS

Estrutura fatorial

BIS-HIV “antes de saber que estava vivendo com HIV”

A primeira estimação do modelo com a amostra um mostrou alguns índices com ajuste pobre, χ2/gl= 7,15, RMSEA= 0,143, CFI = 0,97, NFI = 0,95, NNFI = 0,96, GFI = 0,97, AGFI = 0,95. Para melhor ajuste do modelo, a cada nova estimação foram feitas as seguintes modificações: retirada do item 9 - por baixa carga fatorial (λ = 0,23); aceitação da covariância entre itens 6 e 4, 7 e 4, 7 e 6, 11 e 10; retirada do item 12 por altos resíduos associados. O modelo final alcançou ajuste satisfatório, χ2/gl= 1,81, RMSEA= 0,052, CFI = 1, NFI = 0,99, NNFI = 1, GFI = 0,99, AGFI = 0,99 (figura 1A, tabela 2).

Figura 1 : Modelos ajustados da BIS para amostra 1, “Antes” (A), amostra 2, “Agora” (B) e amostra 3, “Outros” (C) 

Tabela 2 Índices de ajuste do modelo de medida e mensuração para a BIS nas três amostras 

Amostra Modelo n χ2/gl CFI NFI GFI RMSEA α CC AVE
1 Inicial 300 0,23 0,77 7,15 0,97 0,95 0,97 0,143 0,83 0,86 0,40
Ajustado 0,45 0,72 1,81 1 0,99 0,97 0,052 0,86 0,85 0,37
2 Inicial 300 0,14 0,79 9,57 0,97 0,96 0,97 0,169 0,87 0,87 0,37
Ajustado 0,54 0,82 2,03 1 0,99 1 0,059 0,90 0,89 0,45
3 Inicial 300 0,12 0,87 9,45 0,98 0,99 0,99 0,137 0,91 0,92 0,48
Ajustado 0,71 0,89 2,36 1 1 1 0,055 0,94 0,94 0,61

Nota: λ = cargas fatoriais, χ2/gl = qui-quadrado normado, CFI = comparative fit index, NFI = Normed fit Index, RMSEA = root mean square error of approximation, α = Cronbach’s alpha; CC = confiabilidade de constructo; AVE = variancia média extraída; R2 = variância compartilhada

BIS-HIV “agora que sabe que está vivendo com HIV”

Para a amostra dois, que preencheu os questionários com a orientação de considerar cada item a partir do momento que passou a viver com HIV/AIDS, a primeira estimação do modelo foi igualmente pobre em alguns índices, χ2/gl= 9,57, RMSEA= 0,169, CFI = 0,97, NFI = 0,96, NNFI = 0,97, GFI = 0,97, AGFI = 0,96. Na inspeção dos parâmetros de ajuste verificamos a necessidade de exclusão do item 9 por sua baixa carga fatorial (λ = 0,15) e da exclusão do item 12 por seus altos resíduos associados no modelo. Os índices de modificação do sistema LISREL sugeriram a covariância dos erros dos itens 6 e 4, 7 e 4, 7 e 6, 11 e 10 que foram aceitos, devido à coerência conceitual. Cada modificação realizada foi feita em uma nova estimação. O modelo final, obtido após essas mudanças teve ajuste satisfatório, χ2/gl= 2,03, RMSEA= 0,059, CFI = 1, NFI = 0,99, NNFI = 1, GFI = 1, AGFI = 0,99 (figura 1B, tabela 2).

BIS-HIV “o que os outros pensam de mim agora que tenho HIV”

Em relação à versão da BIS-HIV de preenchimento direcionado a avaliação do que os outros estavam pensando a respeito do participante, novamente obteve-se valores inadequados no RMSEA e no Qui-quadrado normado, χ2/gl= 9,45, RMSEA= 0,137, CFI = 0,98, NFI = 0,99, NNFI = 0,99, GFI = 0,99, AGFI = 0,99. A análise da saída do LISREL para ajuste do modelo seguiu os mesmos critérios e procedimentos adotados para os dois modelos anteriores. Nesse modelo, os itens 2 (λ =0,25) e 9 (λ =0,13) apresentaram baixas cargas fatoriais. O item 12 estava associado a muitos resíduos. Estes itens e foram retirados, nessa ordem, em três estimações distintas. Após análise dos índices de modificação do LISREL, foram aceitas as correlações entre os itens 6 e 7; 10 e 11; uma a cada nova estimação. Após estas alterações, a escala ficou com ajuste satisfatório, χ2/gl= 2,36, RMSEA= 0,055, CFI = 1, NFI = 1, NNFI = 1, GFI = 1, AGFI = 1 (figura 1C, tabela 2).

Ajuste do modelo de mensuração

Em relação à validade convergente, considerando a AVE, a mesma pode ser fortemente evidenciada apenas na BIS “outros” (AVE = 0,61). Para a BIS “agora” há indicativo de validade (AVE = 0,45) mas para BIS “antes” não se pôde evidenciar a validade de constructo da escala (AVE = 0,37; tabela 2). Ressaltamos apenas que, nesse último modelo, os itens 10 e 11 obtiveram carga fatorial abaixo do valor preferível (λ = 0,49 e λ=0,45). Todavia, todos os demais valores estavam acima do aceitável e a decisão foi manter estes itens no modelo para preservar a validade teórica do instrumento.

Os valores de confiabilidade interna – confiabilidade composta e Alpha de Cronbach - ficaram acima de 0,70, tanto na BIS “antes” (CC = 0,85; α = 0,86), quanto na BIS “agora” (CC = 0,89; α = 0,90) e Bis “outros” (CC = 0,93; α = 0,94).

Validade nomológica

Nos três protocolos da BIS-HIV não foram verificadas diferenças significativas em relação ao sexo biológico, gênero ou estado civil. Há diferenças significativas entre aqueles que têm percepção de segurança e insegurança financeira nos protocolos BIS-HIV “antes” e BIS-HIV “agora”, tendo nos dois casos aqueles que se sentem seguros em maiores escores (uma avaliação mais positiva de si) (tabela 3).

Tabela 3 Validade nomológica 

Variáveis categóricas BIS-HIV “antes” (n = 300) BIS-HIV “agora” (n = 300) BIS-HIV “outros” (n = 300)
n Med p n Med p n Med p
Sexo Masculino 195 43 0,98 200 39 0,05 179 40 0,13
Feminino 105 43 100 36 121 43
Gênero Masculino 192 43 0,88 195 39 0,10 175 40 0,17
Feminino 36 43,5 105 36 125 43
Estado Civil Solteiro(a) 160 43 0,24 157 38 0,81 149 40 0,22
Casado (a) 91 44,5 100 38 101 43
Financeira Inseguro 106 42,5 0,03 118 36,5 0,004 114 20 0,38
Seguro 136 44,5 136 40 132 26,5

Invariância dos modelos

O teste de invariância entre BIS-HIV “antes” e BIS-HIV “agora” foi suportado na não-invariância métrica, Δχ2λ(12) = 17,73, p= 0,12; mas não na escalar Δχ2I(19) = 106,01, p< 0,001; e estrita Δχ2cov/res(1) = 14,61, p = 0,01 (tabela 4).

Tabela 4 Teste de invariância de medida entre as BIS-HIV “antes” e BIS-HIV “Agora” 

MI gl χ2 RMSEA CFI NFI ∆ χ2 ∆gl p∆ χ2
BIS-HIV “Antes” 31 48,37 0,061 1 0,97 N/A N/A N/A
BIS-HIV “Agora” 31 63,89 0,084 0,99 0,97 N/A N/A N/A
Configural 73 148,52 0,083 0,95 0,90 N/A N/A N/A
Métrica 85 166,25 0,080 0,94 0,89 17,73 12 0,12
Escalar 104 272,26 0,104 0,89 0,82 106,01 19 <0,001
Estrita 105 286,87 0,108 0,90 0,82 14,61 1 0,01

Nota: MI = medida de invariância, gl = graus de liberdade, χ2 =qui-quadrado;RMSEA = root mean square error of approximation CFI = comparative fit index, NFI = Normed fit Index, ∆χ2 =delta qui-quadrado Satorra-Bentler; ∆gl = delta graus de liberdade; p∆ χ2nível de significância do valor de P para o teste de diferença qui-quadrado Satorra-Bentler.

Análises adicionais

Há correlação moderada entre o escore da BIS-HIV “agora” e BIS-HIV “antes”, rs= 0,36, p <0,001. Há também correlação moderada e positiva entre BIS-HIV “agora”, rs= 0,33, p <0,001e BIS-HIV “outros”

Há diferença significante, χ2 = 179,49, p <0,001, entre os escores dos protocolos da BIS-HIV preenchidos pela amostra 4. O teste post hoc de Dunn indicou haver diferenças entre BIS-HIV “agora” (Md = 37) e BIS-HIV “antes” (Md = 43), Z = 5,26, p<0,05, tendo o segundo o escore mais alto.

Entre BIS-HIV “antes” (Md= 43) e BIS-HIV “outros” (Md= 23,5), Z = 12,86, p<0,05, o primeiro teve escore mais alto. Por fim, entre BIS-HIV “agora” (Md= 37) e BIS-HIV “outros” (Md= 23,5), Z = 5,26, p<0,05, o primeiro teve escore mais alto novamente. Ressalta-se que escores mais altos estão associados a uma avaliação mais positiva da imagem corporal.

DISCUSSÃO

O objetivo dessa pesquisa foi realizar o estudo metodológico, investigando a estrutura fatorial, a validade de constructo, a confiabilidade interna, a não-invariância da versão em português brasileiro da BIS-HIV para uma amostra de referência de PVHA.

O modelo unifatorial testado apresentou ajuste satisfatório para os três protocolos de instrução do BIS-HIV, com todos os índices de qualidade de ajustamento tendo sido atingidos. Houve o refinamento do instrumento, com a eliminação dos itens 9 e 12 nos protocolos BIS-HIV “Antes” e BIS-HIV “Agora”. Para o protocolo com a instrução “como os outros me veem” foi adicionalmente eliminado o item 2. A adequação do índice de ajuste evidencia aderência dos dados gerados pelo instrumento à teoria subjacente ao mesmo, o que é aspecto fundamental na avaliação psicométrica do instrumento38,50.

A diferença estrutural do protocolo “outros” em relação aos demais impossibilitou a verificação da não-invariância, uma vez que a não-invariância configural já não foi suportada. Ademais, este protocolo avalia mais uma visão social do respondente que a imagem corporal per se, sendo esperado então alguma diferença em relação aos protocolos “antes” e “agora”. Assim, verificou-se a não-invariância da BIS-HIV entre os protocolos instrucionais e a mesma pôde ser apenas verificada entre “antes” e “agora”, a qual pode ser suportada apenas em relação à não-invariância métrica. Isso nos indica que o pesquisador pode interpretar com segurança as médias entre estas duas versões da BIS-HIV.

A confiabilidade interna avaliada pelo teste de Alpha de Cronbach e a Confiabilidade Composta atingiram valores satisfatórios nas três versões testadas da versão brasileira da BIS-HIV. Em relação à validade de constructo, a validade convergente pode ser parcialmente evidenciada para os protocolos “antes” e “agora”, já que apenas a adequação das cargas fatoriais foi confirmada. A variância média extraída desses dois protocolos esteve abaixo do esperado. A decisão de aceitar as covariâncias de erros no modelo acarreta em diminuição da carga fatorial dos itens38, o que matematicamente explica esse baixo valor encontrado. A decisão dos pesquisadores foi manter ao máximo possível os itens do instrumento – já que o mesmo é breve – para preservar a validade de conteúdo do mesmo. Apesar da variância média extraída ter estado fora do limite de citação, as cargas fatoriais estavam adequadas, indicando que os itens inseridos no fator único tinham coerência entre si50.

Cabe então comentar a decisão de aceitar as covariâncias dos erros. As causas comuns para sua ocorrência incluem a redundância de itens (causada por conteúdo similar ou desejo social) e/ou a omissão de um fator exógeno51. A aceitação do erro de covariância deve ter suporte teórico, em vez de uma razão puramente estatística52. Ter esse critério claro ajuda a evitar criar caricaturas de modelo e ignorar a lógica de confirmação teórica que a análise fatorial confirmatória gera. É pouco provável que a desejabilidade social seja um fator para a covariância do erro, uma vez que garantimos condições para a coleta de dados para reduzir esse viés (participação voluntária e anônima). Também é pouco provável que uma variável latente ignorada (fator) esteja ausente na BIS-HIV, já que suas cargas cruzadas identificadas no estudo inicial33 levam à rejeição de outro modelo que não seja unifatorial. Foi a análise do conteúdo dos itens pareados que nos leva a considerar que a existência de covariância de erro tenha sido devida a conteúdo similar entre itens.

Deve-se comentar a eliminação dos itens 2, 9 e 12 no processo de refinamento da BIS-HIV. A adaptação cultural da escala para o português brasileiro foi realizada com rigor seguindo recomendação de Beaton, Bombardier, Guillemin e Ferraz (2002)53. Assim, a eliminação parece não ser causada por viés de item, originada em desvio de conteúdo ou falta de clareza dos itens54. Pode ser um reflexo de diferenças culturais entre as amostras de origem e de destino, indicando que, no Brasil, a experiência de viver com HIV/AIDS é diferente dos Estados Unidos. Isso também pode ser um reflexo das diferenças no tratamento da HIV/AIDS, que geram situações e experiências que impactam distintamente na imagem corporal.

A abordagem nomológica aponta para validade discriminante da medida, uma vez que indicaram diferenças entre as diferentes percepções de segurança financeira. A segurança financeira das pessoas vivendo com HIV/AIDS pode desempenhar um papel central na adesão ao tratamento e equilíbrio emocional55-58. No Brasil, a oferta universal da terapia antirretroviral (TARV) tem sido garantida gratuitamente para pacientes elegíveis para HIV desde 199659. No entanto, as ações de prevenção e tratamento do HIV/AIDS ainda são vulneráveis, pois dependem de vontade política e disponibilidade econômica sendo, porém, até exemplar entre os países de renda baixa e média60. As diferenças entre o nível de segurança financeira encontradas aqui poderiam ser explicadas pela vulnerabilidade do Programa, uma vez que os pacientes brasileiros estão sempre diante da possibilidade de falta de medicamentos e assistência médica gratuita, tornando o processo de integridade da identidade durante o curso do tratamento mais desafiador para aqueles que são financeiramente inseguros.

As análises adicionais, comparando os escores dos três protocolos de instrução da BIS-HIV em uma amostra pareada aponta um padrão esperado: a imagem corporal de “antes” foi mais positiva que a imagem corporal de “agora” e também que a imagem que os “outros” veem quem vive com HIV/AIDS. A investigação mais aprofundada das alterações da imagem corporal e sua interpretação é um aspecto que deveria ser explorado em pesquisas futuras.

Apesar das contribuições que o presente estudo apresenta – seja para o aperfeiçoamento da BIS-HIV, seja pela possibilidade de novos estudos transculturais e sobre a imagem corporal das PVHA - uma série de outras limitações do presente estudo deve ser considerada. Validamos essas escalas para um grupo clínico específico de brasileiros – pessoas vivendo com HIV/AIDS que eram atendidas no ambulatório de HIV/AIDS de São Bernardo do Campo, São Paulo, Brasil. Seria interessante ter uma amostra mais representativa dos pacientes brasileiros, com mais centros de coleta de dados para uma análise psicométrica futura. Não verificamos as associações e nem determinamos relações do escore da BIS-HIV com outras medidas de constructos que são concomitantemente alterados pelas transformações corporais – como depressão, ansiedade social e autoestima. Estudos futuros também poderiam fazê-lo.

Apesar das limitações o presente estudo fornece evidências positivas para as propriedades psicométricas das versões em português do Brasil da BIS-HIV, em seus três protocolos instrucionais. Salientamos que a pesquisa em imagem corporal em PVHA tem crescido, focada especialmente na insatisfação com o corpo, mas ainda há necessidade e espaço para novos estudos8.

As preocupações com a aparência não podem ser consideradas “puramente estéticas”. Antes, devem ser olhadas com atenção pelo infectologista, uma vez que estas alterações podem ter implicações na adesão do tratamento61. Considerando o estado relativamente pobre de pesquisa quantitativa sobre a imagem corporal em pessoas vivendo com HIV/AIDS no contexto brasileiro62, esperamos que a disponibilidade desse instrumento permita investigações mais sistemáticas no Brasil e transculturais.

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62. Campana, A. N. N. B., & Tavares, M. D. C. G. C. (2009). Avaliação da imagem corporal: instrumentos e diretrizes para a pesquisa. São Paulo: Phorte. [ Links ]

ANEXO 1

: VERSÃO DA ESCALA FINAL VALIDADA COM SUAS INSTRUÇÕES E COM A INDICAÇÃO DOS SEUS ITENS EXCLUIDOS BODY IMAGE SCALE – HIV (BIS-HIV)

Amostra um: Instruções: Faça um “X” na opção que melhor reflete seus sentimentos sobre como você se sentia ANTES de saber que estava vivendo com HIV:

Amostra dois:Instruções: Faça um “X” na opção que melhor reflete seus sentimentos sobre você mesmo (a) AGORA, sabendo que você está vivendo com HIV:

Amostra três: Instruções: Faça um “X” na opção que melhor reflete seus sentimentos sobre como você acha que as outras pessoas veem quem vive com HIV, de uma forma geral:

Recebido: Maio de 2021; Aceito: Setembro de 2021; Publicado: Outubro de 2022

Autor correspondente: whenriquemartins@uol.com.br

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