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Journal of Human Growth and Development
versão impressa ISSN 0104-1282versão On-line ISSN 2175-3598
J. Hum. Growth Dev. vol.32 no.3 Santo André set./dez. 2022 Epub 20-Jan-2025
https://doi.org/10.36311/jhgd.v32.13328
ARTIGO ORIGINAL
Mortalidade atribuível às doenças cardiovasculares em adultos jovens residentes no Brasil
aLaboratório de Delineamento de Estudos e Escrita Científica, Centro Universitário FMABC, Santo André, SP, Brasil;
bDepartamento de Saúde da Coletividade, Centro Universitário FMABC, Santo André, SP, Brasil;
cDepartamento de Epidemiologia. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, SP, Brasil;
dDepartamento de pós graduação, mestrado em Politicas Públicas e Desenvolvimento Local, Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, EMESCAM, Vitória, Espírito Santo, Brasil;
eDepartamento de Morfologia e Fisiologia, Centro Universitário FMABC, Santo André, SP, Brasil.
Por que este estudo foi feito?
Estudos epidemiológicos de base populacional sobre mortalidade por causa específica permitem direcionar políticas públicas para o risco populacional. Poucos estudos abordam sobre como diferenças regionais atribuídas à fatores socioeconômicos afetam a mortalidade por Doenças Cardiovasculares em populações mais jovens. Análises detalhadas das tendências de mortalidade por DCV podem ajudar a identificar fatores determinantes e, portanto, destacar subgrupos populacionais, os quais são risco para desenvolver doenças crônicas além de poder beneficiar o tratamento e prevenção direcionada.
O que os pesquisadores fizeram e encontraram?
Foi realizado um estudo ecológico de séries temporais com uso de dados secundários oficiais dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram consideradas 294.232 mortes por doenças cardiovasculares pela Classificação Internacional de Doenças (I00-I-99) em adultos jovens com idade entre 20-49 anos, residentes no Brasil, no período de 2008 a 2017. Há uma tendência decrescente da mortalidade por Doença Cardiovascular (DCV) em adultos jovens no Brasil. Além disso, identificou-se uma diferença regional na mortalidade segundo regiões do Brasil. Ademais, a mortalidade no sexo feminino declinou em ambos os períodos nas regiões Centro-Oeste e Sul, enquanto a mortalidade permaneceu estacionária nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste no período (2013-2017), onde nesse período a tendência de mortalidade se estabilizou para ambos os sexos nas regiões Norte e Nordeste. Obteve-se aumento somente na região Nordeste com idade entre 20-24 anos, período (2013-2017).
O que essas descobertas significam?
Os achados contribuem para o planejamento e gestão do sistema de Atenção Primária à Saúde. O jovem brasileiro não deveria evoluir para morte por DCV, pois a sua capacidade vital é superior em relação ao idoso. Medidas de detecção precoce dos fatores causais contribuirão para redução das mortes.
Palavras-Chave: doenças cardiovasculares; epidemiologia; mortalidade; adulto jovem
Introdução
doenças Cardiovasculares são as principais causas de morte no mundo. Apesar da redução da incidência e mortalidade por DCV no século XX, os valores permanecem elevados no século XXI. No Brasil, há lacuna de estudos populacionais que estimaram as taxas padronizadas de mortalidade por doenças cardiovasculares em adultos jovens.
Objetivo
avaliar a tendência da mortalidade por doenças cardiovasculares em adultos jovens, segundo sexo, faixa etária e regiões do Brasil.
Método
estudo de séries temporais com uso de dados secundários oficiais dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram consideradas todas as mortes por doenças cardiovasculares (I00-I-99) em adultos jovens faixa etária 20-49 anos, residentes no Brasil, no período de 01 de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2017. Os dados foram extraídos do Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Foi utilizado o modelo de regressão Prais-Winsten e calculada a Variação Percentual Anual (VPA). Todas as análises foram realizadas no software STATA 14.0.
Resultados
durante período 2008-2017, foram identificadas 294.232 mortes (8,7%) por doença cardiovascular em adultos jovens com idade entre 20-49 anos. Identificou-se a redução da mortalidade por DCV em todas as regiões do Brasil, exceto nos indivíduos de 20-24 anos, residentes na região Nordeste, a qual apresentou aumento (VPA: 2,45%) (p<0,05) 2013-2017. A maior variação da tendência de mortalidade ocorreu na região Sul (VPA: -25,2%). Enquanto a menor variação de tendência da mortalidade ocorreu na região Nordeste (VPA: -8,8%). O declínio anual foi menor no segundo quinquênio (2013-2017) em comparação ao primeiro (2008-2012). Além disso, o declínio foi mais acentuado entre as mulheres (VPA: -2,51%) (p<0,05) 2008-2012 e em adultos jovens com idade entre 40-44 anos (VPA: -2,91%) (p<0,05) 2008-2012. Ademais, a tendência de mortalidade por DCV se estabilizou a partir de 2013 no sexo masculino (p>0,05).
Conclusão
os resultados demonstram tendência decrescente da mortalidade por Doença Cardiovascular em adultos jovens no Brasil, entre 2008-2017. Conclui-se que existe desigualdade na tendência de mortalidade por DCV segundo sexo, faixa etária e regiões do Brasil.
Palavras-Chave: doenças cardiovasculares; epidemiologia; mortalidade; adulto jovem
Why was this study done?
Population-based epidemiological studies on cause-specific mortality allow directing public policies towards population risk. Few studies address how regional differences attributed to socioeconomic factors affect mortality from cardiovascular diseases in younger populations. Detailed analysis of CVD mortality trends can help to identify determinants and, therefore, highlight population subgroups, which are at risk for developing chronic diseases and which may benefit from targeted treatment and prevention.
What did the researchers do and find?
An ecological time series study was carried out using official secondary data from the Mortality Information Systems (SIM). 294,232 deaths from cardiovascular diseases were considered by the International Classification of Diseases (I00-I-99) in young adults aged between 20-49 years, residing in Brazil, in the period from 01/01/2008 to December 31, 2017. There are a decreasing trend in mortality from Cardiovascular Disease (CVD) in young adults in Brazil. In addition, a regional difference in mortality was identified according to regions of Brazil. In addition, mortality in females declined in both periods in the Central-West and South regions, while mortality remained stationary in the North, Northeast and Southeast regions in the period (2013-2017), where in this period the mortality trend stabilized to both sexes in the North and Northeast regions. There was an increase only in the Northeast region aged 20-24 years, period (2013-2017).
What do these findings mean?
The findings contribute to the planning and management of the Primary Health Care system. Young Brazilians should not progress to death from CVD, as their vital capacity is higher than that of the elderly. Measures for the early detection of causal factors will contribute to the reduction of deaths.
Key words: cardiovascular diseases; epidemiology; mortality; young adult
Introduction
cardiovascular diseases are the leading causes of death in the world. Despite the reduction in CVD incidence and mortality in the 20th century, the values remain high in the 21st century. In Brazil, there is a gap in population studies that estimated standardized mortality rates from cardiovascular diseases in young adults.
Objective
to assess the trend in mortality from cardiovascular diseases in young adults, according to sex, age group and regions of Brazil.
Methods
ecological time series study using official secondary data from Mortality Information Systems (SIM). All deaths from cardiovascular diseases (I00-I-99) in young adults aged 20-49 years, residing in Brazil, in the period from January 1, 2008 to December 31, 2017, were considered. Data were extracted from the Department of Informatics of the SUS (DATASUS). The Prais-Winsten regression model was used and the Annual Percentage Variation (APV) was calculated. All analyzes were performed in STATA 14.0 software.
Results
during the period 2008-2017, 294,232 deaths (8.7%) from cardiovascular disease were identified in young adults aged 20-49 years. A reduction in CVD mortality was identified in all regions of Brazil, except for individuals aged 20-24 years, residing in the Northeast region, which showed an increase (APC: 2.45%) (p<0.05) 2013 -2017. The greatest variation in the mortality trend occurred in the South region (APC: -25.2%). While the smallest change in mortality trend occurred in the Northeast region (APC: -8.8%). The annual decline was smaller in the second quinquennium (2013-2017) compared to the first (2008-2012). Furthermore, the decline was more pronounced among women (APC: -2.51%) (p<0.05) 2008-2012 and in young adults aged 40-44 years (APC: -2.91%) (p<0.05) 2008-2012. Furthermore, the trend in CVD mortality stabilized from 2013 onwards in males (p>0.05).
Conclusion
the results demonstrate a decreasing trend in mortality from Cardiovascular Disease in young adults in Brazil, between 2008-2017. It is concluded that there is inequality in the trend of mortality from CVD according to sex, age group and regions of Brazil.
Key words: cardiovascular diseases; epidemiology; mortality; young adult
INTRODUÇÃO
As Doenças Cardiovasculares (DCV) são as principais causas de morte no mundo, especialmente em países de elevada e média renda, como no Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS)1, as doenças cardiovasculares registraram 15 milhões de mortes em 2015, representando 26,5% do total de mortes no mundo. Decorre que, 8,76 milhões (58,4%) foram por doença isquêmica do coração e 6,24 (41,6%) milhões por Acidente Cerebral Vascular (AVC). Essas doenças permaneceram nas principais causas de morte durante o período total entre os anos de 2008-2017.
Estudos sobre tendências temporais dos principais fatores de risco para doença cardiovascular no Brasil demonstraram redução no hábito de fumar, mas aumento da prevalência de sobrepeso, obesidade, hábitos de alimentação pouco saudáveis e baixa atividade física na população em geral2. Entretanto, a incidência de doenças cardiovasculares em adultos jovens aumentou ou permaneceu estacionária. Ademais, nota-se uma nova epidemia de doença cardiovascular em populações mais jovens, especialmente com insuficiência cardíaca3.
Analisadas as tendências de mortalidade por DCV, Cardiopatia Isquêmica (DIC) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) encontraram que no período de 1980- 2012 houve redução da mortalidade por esses três grupos de doença em homens e mulheres, enquanto a tendência da mortalidade por DIC parou de declinar no Brasil, no período 2007-20124. Além disso, a mortalidade ajustada por raça, sexo e fatores socioeconômicos apresenta tendência de declínio em indivíduos de cor da pele preta e com baixa renda2.
No Brasil, DCV também representa as principais causas de morte na população, contabilizando 27,6% em 2015. Contudo, a mortalidade proporcional difere quando analisado regiões específicas do país. A mortalidade proporcional por DCV na região Norte é de 22,9%, enquanto na região Sul, estas doenças contabilizaram 28% de todas as mortes5. Ademais, os dois principais grupos de mortes por DCV foram Doença Arterial Coronariana (DAC) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) que subdivide em dois grupos Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) e Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi), perfazendo 31,9% e 28,7%, respectivamente por DCV no Brasil3.
O estudo brasileiro identificou um declínio nas hospitalizações e mortalidade por AVCh e uma tendência estacionária para AVCi para as regiões desenvolvidas do Brasil. O período (2011–2018) demonstrou aumento nas hospitalizações por AVCi em ambas as regiões e sexos. A mortalidade para AVCh e AVCi diminuíram entre 2008–2018 no sudeste e sul do Brasil para ambos os sexos6.
Os dados de todas as mortes no Brasil são registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), que fornece o cálculo para as estatísticas de mortalidade, incluindo causas de morte, contido na Classificação Internacional de Doenças em sua décima revisão (CID-10) desde 1996. A cobertura nacional é estimada em 96% de todas as mortes no país. Além disso, a confiabilidade e a completude das informações são analisadas favoravelmente no contexto nacional7.
No mundo, a redução da mortalidade por DCV foi descrita a partir da década de 19508. Entretanto, os valores ainda permanecem altos em países industrializados no início do século XXI. No Brasil, essa redução foi observada desde a década de 19709. Estudo analítico de séries temporais de razões de mortalidade por Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) mostrou redução significante na mortalidade por DCV em homens nos estados da região Sul, enquanto pequena redução foi encontrada nos estados da região Norte do Brasil8-10.
Embora exista um aumento significativo de estudos por DCV em países desenvolvidos, há ainda uma lacuna sobre como diferenças regionais atribuídas à fatores socioeconômicos afetam a mortalidade por Doenças Cardiovasculares em populações mais jovens. Análises detalhadas das tendências de mortalidade por DCV podem ajudar a identificar fatores determinantes e, portanto, destacar subgrupos populacionais, os quais são risco para desenvolver doenças crônicas além de poder beneficiar o tratamento e prevenção direcionada.
A evidência para pesquisadores que abordaram e consideraram fatores socioeconômicos e diferenças interurbanas mostrou uma alta razão de mortalidade para DCV em populações com baixo nível socioeconômico11,12. Além disso, escolaridade maior está relacionada à qualidade de vida e, é capaz de melhorar a promoção de saúde, tendo melhor resposta para campanhas educacionais12.
Os países com uma população de pelo menos 100 milhões de habitantes, são eles: China, Índia, EUA, Indonésia, Brasil, Paquistão, Nigéria, Bangladesh, Rússia, Japão e México, com desigualdades sociais significativas representam mais de 60% da população mundial. Todos estão enfrentando uma epidemia de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), onde colesterol alto, obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares estão se tornando os principais problemas de saúde pública13.
Em uma análise sobre a morbimortalidade por Acidente Vascular Cerebral (AVC) (um subtipo de doença cardiovascular) entre adultos jovens brasileiros, usando dados secundários provenientes dos Sistemas de Informações Hospitalares e de Mortalidade, identificaram uma diminuição na mortalidade, principalmente em indivíduos acima de 30 anos, e estabilidade da incidência; e também variação regional na morbimortalidade relacionada à AVC entre adultos jovens brasileiros no período 2008-201214.
Estudos epidemiológicos de base populacional sobre mortalidade por causa específica permitem direcionar políticas públicas para o risco populacional. Além disso, no Brasil, os Sistemas de Informações em Saúde têm sido usados como ferramenta para diagnóstico de saúde para abordagem do perfil epidemiológico, identificando prioridades, planejando e refinando ações15.
Assim, o objetivo é avaliar a tendência da mortalidade por Doenças Cardiovasculares, em indivíduos com idade entre 20 e 49 anos, e estimar a variação percentual anual das taxas de mortalidade, segundo sexo, faixa etária e regiões do Brasil, no período 2008-2017.
MÉTODO
Desenho do estudo
Trata-se de estudo ecológico com delineamento de séries temporais com utilização de dados secundários sobre mortes por Doenças Cardiovasculares de residentes no Brasil, provenientes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).
Local e período do estudo
Os dados secundários correspondem ao período de 01 de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2017. As informações foram provenientes do Brasil com uma população estimada em 211 milhões de habitantes e tem uma população estimada em 88 milhões de habitantes com idade entre 20 e 49 anos (2008-2017) – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE 2020)16. Abrange 8,5 milhões Km2, ocupando 47% do território da América do Sul e o 6° lugar no mundo em nível populacional. O Brasil é uma república federativa com dimensões continentais e desigualdades sociais e regionais. O país tem elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 0.755, 75º país no ranking mundial (Relatório de Desenvolvimento Humano 2015) é considerado uma das quatro principais economias emergentes que deverão dominar no século XXI17.
População do estudo e critério de elegibilidade
A mortalidade foi contabilizada pelos óbitos devido a Doença Cardiovascular, que foram registradas pelo SIM, segundo grupos etários definidos por estudo prévio que descreveu a Epidemiologia da Doença Cardiovascular em adultos jovens, considerando a faixa etária entre 18-45 anos3. Além disso, a Organização Mundial de Saúde (OMS), Não encontrei considera indivíduos adolescentes com idade entre 10-19 anos. Assim, para este estudo, consideramos como adultos jovens a população com idade entre 20-49 anos18.
Coleta de dados
Todos os dados foram coletados por local de residência através de arquivos fornecidos pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS)7 e mantido pelo Ministério da Saúde brasileiro. Consideramos todas as mortes em indivíduos com idade entre 20 e 49 anos no Brasil, cuja causa básica foi classificada por Doença Cardiovascular de acordo com a décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), I00 - I99.
Desenvolvido e implementado pelo Ministério da Saúde brasileiro, o Sistema de Informações em Saúde (SIS) tem tornando necessário o aumento de ferramentas para gerenciamento regional e gradualmente consolidados e qualificados19,20.
O SIM foi implantado em 1977 e os dados sobre morte são de domínio público desde 1979, com importantes e necessárias informações para as estatísticas sobre mortalidade, incluindo causa básica de morte21. As causas de morte declaradas por médicos foram codificadas de acordo com as normas estabelecidas pela Organização Mundial de Saúde pelo CID-10. Foi observado aumento da cobertura e confiança nos anos de 2008 a 201722,23.
A taxa de mortalidade foi baseada nos dados coletados pela população residente no Brasil fornecido pelo Censo demográfico do Brasil 2010 e, também, pelas projeções intercensitárias para os demais anos (2008-2017), de acordo com as informações fornecidas pelo DATASUS.
Análise estatística
Utilizamos arquivos compactados para extração das informações tabuladas no TABNET. Esse Sistema fornece informações contidas na Declaração de Óbito (DO) (instrumento padronizado através da coleta de informações do SIM). Além disso, utilizamos o “software” TABWIN que permite a tabulação e tratamento dos dados.
Para as séries temporais de mortalidade, utilizou-se dois intervalos de tempo de 5 anos consecutivos (2008-2012 e 2013-2017), segundo sexo, faixa etária e regiões usando modelo de regressão de Prais-Winsten. Esse procedimento de estratificação de 2 períodos de 5 anos consecutivos garantiu número suficiente de óbitos proporcionando estabilidade para identificar diferenças estatisticamente significativas. Além disso, empregou-se o teste de Durbin-Watson, que permite dimensionar a existência de autocorrelação de primeira ordem das séries temporais compostas pelas taxas anuais. Ademais, foram estimados: coeficiente angular (β) respectiva probabilidade (p); Variação Percentual Anual (VPA), e o Intervalo de Confiança de 95% (IC).
O processo de análise estatística incluiu o tratamento dos dados, transformando as taxas padronizadas em uma função logarítmica de base 10. A Variação Percentual Anual (VPA), de acordo com a faixa etária e grupos geográficos foram calculados com o respectivo intervalo de confiança (IC 95%). Com esse procedimento é possível classificar a tendência crescente, decrescente ou estacionária. A tendência foi considerada estacionária quando o coeficiente não foi significativamente diferente de zero (p>0,05)24. Para a visualização das tendências foi construído um gráfico para apresentação das séries históricas segundo regiões do Brasil. Todas as análises foram utilizadas usando o software Stata 14.0 (CollegeStation, TX, 2013).
Aspectos éticos e legais
O presente estudo envolve apenas a descrição e análise de dados secundários: de população, não sendo obtidas informações que identifiquem os indivíduos. Além disso, todas as informações coletadas são de domínio público. Logo, esse estudo dispensa aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (CEP), de acordo com a Resolução nº 510/2016, de 07 de abril de 2016 do Conselho Nacional de Saúde, nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011.
RESULTADOS
Durante o período 2008-2017, foram identificadas 294.232 mortes por doença cardiovascular em adultos jovens brasileiros com idade entre 20-49 anos, correspondendo a 8,9% de mortes por DAC. Evidenciou-se que os óbitos por doenças cardiovasculares em homens foram maiores (60,4%) do que em mulheres (39,6%). A maior tendência de mortalidade foi encontrada na faixa etária de 40-49 anos (66,2%), com escolaridade de 4 a 7 anos (25,3%). A raça/cor não branca (ou seja, pretos e pardos) correspondeu a 54,8% dos óbitos totais. A maior tendência mortalidade foi encontrada no estado civil solteiro (48,5%) (tabela 1).
Tabela 1 : Distribuição da Mortalidade por Doenças Cardiovasculares (x 100.000 habitantes), em adultos jovens com idade entre 20 e 49 anos, Brasil, 2008-2017
| Características demográficas | Óbitos (N= 294232) | Mortalidade proporcional (%) |
|---|---|---|
| Sexo | ||
| Masculino | 177602 | 60,36 |
| Feminino | 116612 | 39,64 |
| Total | 294214 | 100 |
| Faixa etária (anos) | ||
| 20-24 | 10201 | 3,43 |
| 25-29 | 15736 | 5,28 |
| 30-34 | 26630 | 8,94 |
| 35-39 | 44553 | 14,96 |
| 40-44 | 75486 | 25,35 |
| 45-49 | 121626 | 40,85 |
| Total | 294232 | 100 |
| Escolaridade (anos) | ||
| Nenhuma | 22043 | 7,43 |
| 1-3 | 54590 | 18,34 |
| 4-7 | 75296 | 25,30 |
| 8-11 | 58245 | 19,56 |
| ≥ 12 | 17214 | 5,78 |
| Total | 227537 | 100 |
| Cor/Raça | ||
| Branca | 118043 | 39,84 |
| Preta | 34574 | 11,54 |
| Parda | 128619 | 43,24 |
| Amarela | 821 | 0,28 |
| Indígena | 641 | 0,21 |
| Total | 279852 | 100 |
| Estado civil | ||
| Solteiro | 142.768 | 48,49 |
| Casado | 93.396 | 31,72 |
| Viúvo | 6.258 | 2,11 |
| Separado judicialmente | 17.657 | 6,00 |
| Outro | 12.452 | 4,23 |
| Total | 272338 | 100 |
Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS); disponível em: http://datasus.saude.gov.br/; Acesso em: 02/09/2019.
N- Representa o número absoluto de óbitos e o (%) representa a proporção.
Nota-se a tendência de redução da mortalidade por DCV em todas as regiões do Brasil entre o período de 2008-2017. A maior variação da mortalidade ocorreu na região Sul (VPA: -25,2%). Enquanto a menor variação da mortalidade ocorreu na região Nordeste (VPA: -8,8%). Além disso, no ano de 2017, as tendências de mortalidade das regiões Nordeste e Sudeste encontraram-se maiores que a mortalidade nacional (30,5 x 100,000 habitantes), enquanto as regiões Norte, Sul e Centro-Oeste apresentaram taxas menores (tabela 2).
Tabela 2 : Tendência da Mortalidade por Doença Cardiovascular em adultos jovens, segundo macrorregiões do Brasil, ano a ano, no período 2008-2017
| Mortalidade | 2008 | 2009 | 2010 | 2011 | 2012 | 2013 | 2014 | 2015 | 2016 | 2017 | Media | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Brasil | Óbitos | 30485 | 29665 | 29796 | 30053 | 29350 | 29306 | 29013 | 29100 | 29525 | 27921 | 33.49 |
| Pop | 87449343 | 88560402 | 88825414 | 89597095 | 90356812 | 91122511 | 91888210 | 92653909 | 93419608 | 94185307 | ||
| Mort | 36,6 | 35,0 | 34,5 | 34,5 | 33,4 | 33,1 | 32,5 | 32,3 | 32,5 | 30,5 | ||
| Norte | Óbitos | 1660 | 1696 | 1706 | 1661 | 1687 | 1707 | 1811 | 1808 | 1834 | 1777 | 27.13 |
| Pop | 6687018 | 6843630 | 7091313 | 7200621 | 7309928 | 7419236 | 7528543 | 7637851 | 7747158 | 7856466 | ||
| Mort | 29,1 | 28,6 | 27,3 | 26,4 | 26,2 | 26,3 | 27,4 | 27,1 | 27,0 | 25,9 | ||
| Nordeste | Óbitos | 7889 | 7809 | 7795 | 8113 | 8040 | 7942 | 7969 | 7979 | 8190 | 8016 | 35,33 |
| Pop | 23775948 | 23931900 | 24087852 | 24243805 | 24399757 | 24555709 | 24711661 | 24867614 | 25023566 | 25179518 | ||
| Mort | 37,4 | 36,3 | 34,9 | 36,1 | 35,5 | 34,8 | 34,7 | 34,4 | 35,1 | 34,1 | ||
| Sudeste | Óbitos | 14670 | 14149 | 14311 | 14249 | 13879 | 13833 | 13600 | 13836 | 13969 | 12948 | 35,83 |
| Pop | 37737283 | 37972083 | 38206884 | 38441684 | 38676485 | 38911285 | 39146086 | 39380886 | 39615686 | 39850487 | ||
| Mort | 39,1 | 37,2 | 37,4 | 37,0 | 35,8 | 35,4 | 34,5 | 34,9 | 35,0 | 32,2 | ||
| Sul | Óbitos | 3920 | 3793 | 3719 | 3793 | 3496 | 3538 | 3339 | 3323 | 3376 | 3100 | 27,39 |
| Pop | 12777738 | 12805140 | 12832542 | 12859944 | 12887346 | 12914748 | 12942150 | 12969551 | 12996953 | 13024355 | ||
| Mort | 30,1 | 28,8 | 28,2 | 28,5 | 26,2 | 26,3 | 24,7 | 24,4 | 24,7 | 22,5 | ||
| Centro-Oeste | Óbitos | 2346 | 2218 | 2266 | 2239 | 2249 | 2287 | 2299 | 2159 | 2157 | 2082 | 32,88 |
| Pop | 6590578 | 6705837 | 6821096 | 6936354 | 7051613 | 7166872 | 7282131 | 7397389 | 7512648 | 7627907 | ||
| Mort | 37,5 | 34,4 | 34,1 | 33,1 | 33,1 | 33,1 | 32,9 | 30,9 | 30,6 | 29,1 |
Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS) - Disponível em: http://datasus.saude.gov.br/ - Acesso em: 15/01/2020
Pop = população; mort = mortalidade.;
Identificamos que na região Norte 2008-2017 ocorreu redução de 29,1 para 25,9; na região Nordeste ocorreu redução de 37,4 para 34,1; na região Sudeste 2008-2017 ocorreu redução de 39,1 para 32,2; na região Sul 2008-2017 ocorreu redução de 30,1 para 22,5; na região Centro-Oeste 2008-2017 ocorreu redução de 37,5 para 29,1. Entretanto, o declínio observado em todos os anos, em todas as regiões não ocorreu entre 2010-2011 somente na região Sul. Neste período as taxas variaram de 28,2 para 28,5 x 100.000 habitantes (tabela 2).
Na figura 1 são apresentadas as curvas da distribuição da mortalidade por DCV em adultos jovens, segundo regiões do Brasil, 2008-2017.

Fonte: próprio autor.
Figura 1 Distribuição da Mortalidade por Doenças Cardiovasculares em adultos jovens, segundo macrorregiões do Brasil, no período 2008-2017
As tendências de mortalidade das regiões Nordeste e Sudeste apresentaram comportamento similar no segundo período (2013-2017), com pequenas variações durante o período global. Ademais, entre os anos 2016-2017, nota-se que na região Sudeste há uma redução dessa tendência, em relação à região Nordeste (35,0 para 32,2 x 100.000 habitantes) (tabela 2).
As tendências de mortalidade das regiões Norte e Sul apresentaram comportamento similar no primeiro período (2008-2012), exceto entre 2010-2011 quando ocorre um discreto aumento na região Sul. Além disso, no segundo período, nota-se também uma redução da tendência de mortalidade na região Sul, variando de 24,7 para 22,5 x 100.000 habitantes (tabela 2).
No Brasil, identificou-se a redução das tendências de mortalidade para os homens com Variações Percentuais Anuais (VPA) de -1,48% e para as mulheres de -2,51% no primeiro quinquênio (2008-2012). No segundo quinquênio (2013-2017) com VPA de 1,40% para homens e de 1,93% para as mulheres. Ao analisarmos a variável faixa etária em indivíduos de 35-49 anos no primeiro quinquênio (2008-2012) variou entre VPA de 1,74% para 2,91%. Durante o segundo quinquênio (2013-2017) na faixa etária entre indivíduos de 25-29 anos, houve redução da tendência de mortalidade com VPA de 0,99% e para a faixa etária de 40-49 anos variou entre VPA de 1,84% e 2,23% e em todas as outras variáveis não mencionadas, permaneceram estacionárias (tabela 3).
Tabela 3 Tendência da mortalidade por Doença Cardiovascular, em adultos jovens com entre 20-49 anos, segundo sexo e faixas etárias do Brasil (2008-2017)
| Tipos de Doença Cardiovascular | β | APC % (CI 95%) | Tendência | β | APC % (CI 95%) | Tendência | β | APC % (CI 95%) | Tendência |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Período 2008-2012 | Período 2008-2017 | Período 2008-2017 | |||||||
| Brasil (Sexo) | |||||||||
| Homens | -0,01 | -1,48 (-2,82 : -0,12) | Decrescente | -0,01 | -1,68 (-3,41 : 0,08) | Estacionária | -0,01 | -1,40(-1,77 : -1,03) | Decrescente |
| Mulheres | -0,01 | -2,51 (-3,64 : -1,36) | Decrescente | -0,01 | -1.20 (-3,55) | Decrescente | -0,01 | -1,93 (-2,46 : -1,40) | Decrescente |
| Total | -0,01 | -1,37 (-2,95 : -0,69) | Decrescente | -0,01 | -2,28 (-3,17 : 0,20) | Estacionária | -0,01 | -1,37 (-1,83 : -1,14) | Decrescente |
| Brasil (Faixa etária - anos) | |||||||||
| 20 – 24 | -0,01 | -0,69 (-3,48 : 2,19) | Estacionária | 0,01 | 0,71 (-0,85 : 2,30) | Estacionária | -0,01 | -0,30 (-0,89 : 0,29) | Estacionária |
| 25 – 29 | 0,00 | 0,07 (-2,16 : 2,36) | Estacionária | -0,01 | -1,56 (-5,71 : 2,78) | Estacionária | -0,01 | -0,99 (-1,88 : -0,10) | Decrescente |
| 30 – 34 | -0,01 | -0,31 (-2,03 : 1,43) | Estacionária | -0,01 | -2,96 (-8,51 : 2,92) | Estacionária | -0,01 | -1,04 (-2,54 : 0,48) | Estacionária |
| 35 – 39 | -0,01 | -1,86 (-3,67 : -0,02) | Decrescente | -0,01 | -0,50 (-3,48 : 2,58) | Estacionária | -0,01 | -0,75 (-1,54 : 0,04) | Estacionária |
| 40 – 44 | -0,01 | -2,91 (-4,80 : -0,98) | Decrescente | -0,01 | -1,03 (-2,28 : 0,24) | Estacionária | -0,01 | -2,23 (-2,90 : -1,56) | Decrescente |
| 45 – 49 | -0,01 | -1,74 (-3,13 : -0,33) | Decrescente | -0,01 | -1,96 (-2,88 : -1,04) | Decrescente | -0,01 | -1,84 (-2,08 : -1,60) | Decrescente |
Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de Informações Hospitalares (SIH / SUS). Dados disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Nacional de Saúde (DATASUS - www.datasus.gov.br). Ministério da Saúde, Brasil.
β - inclinação de regressão; APC - Variações Percentuais Anuais (%); – Intervalo de Confiança 95%; Valor-p – Probabilidade de significância estatística.
No primeiro quinquênio (2008-2012), para a variável sexo, a Região Norte apresentou redução da tendência de mortalidade para os homens com VPA de -2,95%; a Região do Nordeste em mulheres com VPA de -2,12%. Ao analisarmos a variável faixa etária, a Região Norte em indivíduos de 35-49 anos com VPA variando entre -1,53% a -4,50%; a Região Nordeste entre indivíduos de 40-44 anos com VPA de -2,85%. Durante o segundo quinquênio (2013-2017), a Região Nordeste em indivíduos de 20-24 anos, houve aumento significativo de +2,45% e em todas as outras variáveis não mencionadas, permaneceram estacionárias (tabela 4).
Tabela 4 : Tendência da mortalidade por Doença Cardiovascular, em adultos jovens, segundo variáveis selecionadas, macrorregiões do Brasil, 2008-2017
| Tipos de Doença Cardiovascular | Beta (CI 95%) | APC % (IC 95%) | Tendência | Beta (CI 95%) | APC % (IC 95%) | Tendência |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Period of 2008-2012 | Período de 2008-2012 | |||||
| Norte (Sexo) | ||||||
| Homens | -0,01 (-0,03 : -0,01) | -2,95 (-5,79 : -0,03) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,08 (-5,15 : 3,18) | Estacionária |
| Mulheres | -0,01 (-0,04 : 0,01) | -2,69 (-8,14 : 3,09) | Estacionária | 0,01 (-0,01 : 0,01) | 0,02 (-1,77 : 1,85) | Estacionária |
| Norte (Faixa etária – anos) | ||||||
| 20-24 | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -0,69 (-3,48 : 2,19) | Estacionária | 0,00 (-0,01 : 0,00) | 0,71 (-0,85 : 2,30) | Estacionária |
| 25-29 | 0,00 (-0,01 : 0,01) | 0,07 (-2,16 : 2,36) | Estacionária | -0,01 (-0,03 : 0,01) | -1,56 (-5,71 : 2,78) | Estacionária |
| 30-34 | 0,01 (-0,01 : 0,02) | 1,93 (-1,78 : 5,79) | Estacionária | -0,01(-0,06 : 0,05) | -1,58 (-13,23: 11,64) | Estacionária |
| 35-39 | -0,02 (-0,03 : -0,01) | -4,50 (-6,83 : -2,11) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,02) | -0,29 (-4,08 : 3,64) | Estacionária |
| 40-44 | -0,01 (-0,01 : -0,01) | -1,53 (-2,85 : -0,19) | Decrescente | 0,00 (-0,01 : 0,02) | 1,61 (-1,79 : 5,12) | Estacionária |
| 45-49 | -0,02 (-0,03 : -0,01) | -4,30 (-6,43 : -2,11) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,35 (-4,77 : 2,20) | Estacionária |
| Nordeste (Sexo) | ||||||
| Homens | -0,01 (-0,01 : 0,01) | -0,38 (-3,19 : 2,51) | Estacionária | 0,00 (-0,01 : 0,01) | 0,21 (-1,74 : 2,19) | Estacionária |
| Mulheres | -0,01 (-0,01 : 0,01) | -2,12 (-3,33 : -0,88) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -0,60 (-4,00 : 2,92) | Estacionária |
| Nordeste (Faixa etária – anos) | ||||||
| 20-24 | -0,01 (-0,03 : 0,02) | -0,76 (-5,65 : 4,38) | Estacionária | 0,01 (0,00 : 0,02) | 2,45 (0,13 : 4,84) | Crescente |
| 25-29 | 0,01 (-0,01 : 0,03) | 2,75 (-1,46 : 7,15) | Estacionária | -0,01 (-0,03 : 0,01) | -1,59 (-5,70 : 2,71) | Estacionária |
| 30-34 | 0,01 (-0,01 : 0,02) | 1,26 (-2,79 : 5,49) | Estacionária | -0,01 (-0,05 : 0,02) | -3,26 (-10,09 : 4,08) | Estacionária |
| 35-39 | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -0,98 (-4,39 : 2,56) | Estacionária | 0,00 (-0,01 : 0,02) | 1,03 (-2,06 : 4,21) | Estacionária |
| 40-44 | -0,01 (-0,02 : -0,01) | -2,85 (-4,66 : -1,02) | Decrescente | 0,00 (-0,01 : 0,01) | 0,15 (-3,00 : 3,40) | Estacionária |
| Sudeste (Sexo) | ||||||
| Homens | -0,01 (-0,01 : -0,01) | -1,48 (-2,24 : -0,71) | Decrescente | -0,01 (-0,02: -0,01) | -2,07 (-4,07 : -0,03) | Decrescente |
| Mulheres | -0,01 (-0,02 : -0,01) | -2,10 (-3,92 : -0,25) | Decrescente | -0,01(-0,02 : 0,01) | -1,15 (-5,17 : 3,04) | Estacionária |
| Sudeste (Faixa etária – anos) | ||||||
| 20-24 | -0,01 (-0,03 : 0,03) | -0,03 (-5,95 : 6,27) | Estacionária | 0,01 (-0,03 : -0,03) | -2,07 (-4,07 : -0,03) | Decrescente |
| 25-29 | -0,01 (-0,01 : 0,00) | -0,95 (-2,94 : 1,08) | Estacionária | -0,01 (-0,03 : 0,02) | -1,22 (-7,07 : 5,00) | Estacionária |
| 30-34 | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,62 (-4,68 : 1,54) | Estacionária | -0,01 (-0,03 : 0,01) | -1,22 (-7,07 : 5,00) | Estacionária |
| 35-39 | -0,01 (-0,01 : -0,01) | -1,69 (-3,33 : -0,02) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,14 (-4,43 : 2,27) | Estacionária |
| 40-44 | -0,01 (-0,02 : -0,01) | -2,51 (-4,34 : -0,64) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,51 (-4,42 : 1,50) | Estacionária |
| 45-49 | -0,01 (-0,02 : 0,00) | -1,39 (-3,70 : 0,98) | Estacionária | -0,01 (-0,02 -0,01) | -2,07 (-3,43 : -0,69) | Decrescente |
| Sul (Sexo) | ||||||
| Homens | -0,01 (-0,02 : 0,00) | -1,89 (-4,15 : 0,43) | Estacionária | -0,01 (-0,02: -0,01) | -2,91 (-5,56 : -0,20) | Decrescente |
| Mulheres | -0,02 (-0,03 : -0,01) | -3,61 (-6,45 : -0,69) | Decrescente | -0,01 (-0,02: -0,01 | -2,46 (-4,14 : -0,76) | Decrescente |
| Sul (Faixa etária – anos) | ||||||
| 20-24 | 0,02 ( -0,02 : 0,07) | 5,73 (-4,60 : 17,17) | Estacionária | -0,01 (-0,02: 0,01) | -1,21 (-4,61 : 2,32) | Estacionária |
| 25-29 | -0,01 (-0,07 : 0,05) | -2,20 (-14,83: 12,31) | Estacionária | 0,00 (-0,02 : 0,03) | 1,07 (-5,19 : 7,75) | Estacionária |
| 30-34 | 0,01 (-0,00 : 0,01) | 1,20 (-0,04 : 2,46) | Estacionária | -0,02 (-0,04 : 0,01) | -3,62 (-9,56 : 2,71) | Estacionária |
| 35-39 | -0,00 (-0,01 : 0,00) | -0,94 (-1.89 : 0,02) | Estacionária | -0,00 (-0,02 : 0,02) | -0,01 (-3,90 : 4,03) | Estacionária |
| 40-44 | -0,01 (-0,02 : -0,00) | -3,21 (-5,55 : -0,80) | Decrescente | -0,01 (-0,03 : 0,02) | -1,95 (-7,20 : 3,59) | Estacionária |
| 45-49 | -0,02 (-0,03 : -0.00) | -3,92 (-6,78 : -0,98) | Decrescente | -0,02 (-0,02 :-0,02) | -4,35 (-5,24 : -3,45) | Decrescente |
| Centro-Oeste (Sexo) | ||||||
| Homens | -0,01 (-0,02 : 0,00) | -1,79 (-4,40 : 0,89) | Estacionária | -0,01 (-0,02: -0,00) | -3,15 (-5,56 : -0,67) | Decrescente |
| Mulheres | -0,02 (-0,03 : -0,01) | -4,62 (-7,10 : -2,08) | Decrescente | -0,02 ( -0,03:-0,00) | -4,28 (-7,45 : -1,00) | Decrescente |
| Centro-Oeste (Faixa etária – anos) | ||||||
| 20-24 | -0,01 (-0,06 : 0,05) | -1,84 (-13,33: 11,17) | Estacionária | -0,02 (-0,12 : 0,07) | -5,02 (-23,39: 17,74) | Estacionária |
| 25-29 | -0,00 (-0,05 : 0,05) | -0,50 (-11,28: 11,59) | Estacionária | -0,04 (-0,10 : 0,02) | -9,04 (-21,09 : 4,85) | Estacionária |
| 30-34 | -0,00 (-0,03 : 0,02) | -0,79 (-6,28 : 5,03) | Estacionária | -0,03 (-0,05 -0,01) | -6,36 (-11,11 :-1,35) | Decrescente |
| 35-39 | -0,02 (-0,03 : -0,02) | -4,85 (-6,04 : -3,65) | Decrescente | -0,01 (-0,02 : 0,01) | - 1,47 (-4,95 : 2,13) | Estacionária |
| 40-44 | -0,02 ( -0,04 : -0,00) | -5,16 (-9,14 : -1,01) | Decrescente | -0,02 (-0,03: -0,01) | -4,05 (-6,12 : -1,94) | Decrescente |
| 45-49 | -0,01 (-0,02 : 0,01) | -1,37 (-4,87 : 2,26) | Estacionária | -0,01 (-0,02 -0,01) | -2,88 (-3,96 : -1,79) | Decrescente |
Fonte: Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS - www.datasus.gov.br). Ministério da Saúde. Brasil.
APC Variação Percentual Anual (%); IC95% - intervalo de confiança 95%.
No primeiro quinquênio (2008-2012) para a variável sexo, a região Sudeste apresentou redução da tendência de mortalidade entre os homens com VPA de -1,48% e em mulheres com VPA de -2,10%; as Regiões Sul e Centro-Oeste com VPA de -3,61% e -4,62% em mulheres, respectivamente. Ao analisarmos a variável faixa etária, apresentaram redução das tendências de mortalidade, a região Sudeste entre indivíduos de 35-39 anos com VPA de -1,69% e para os indivíduos entre 40-44 foi de -2,51; a região Sul em indivíduos de 40-44 com VPA de -3,21% e de 45-49 foi de -3,92% e a região Centro-Oeste em indivíduos de 35-39 com VPA de -4,85% e de 40-44 anos a redução foi de -5,16% e em todas as outras variáveis não mencionadas, permaneceram estacionárias (tabela 4).
No segundo quinquênio (2013-2017) para a variável sexo, identificou-se na região Sudeste redução da tendência de mortalidade em homens com VPA de -2,07%; a Região Sul com VPA de -2,91% em homens e VPA de -2,46% em mulheres e para a Região Norte houve redução de -4,62% em mulheres, homens manteve-se estacionária. Ao analisarmos a variável faixa etária, apresentaram redução das tendências de mortalidade, para indivíduos de 20-24 e 45-49 anos para ambos os grupos, com VPA de -2,07% e região Sul em indivíduos de 45-49 anos com VPA de -4,35%; a região Centro-Oeste em indivíduos de 30-34 anos com VPA de -6,36%, 40-44 anos com VPA de -4,05%, 45-49 anos foi de -2,88% % e em todas as outras variáveis não mencionadas, permaneceram estacionárias (tabela 4).
DISCUSSÃO
A mortalidade por Doença Cardiovascular (DCV) em adultos jovens teve tendência decrescente no Brasil, entre 2008-2017. No entanto, o declínio anual foi menor no segundo período (2013-2017) em comparação ao primeiro período (2008-2012). Além disso, a mortalidade por DCV se estabilizou a partir de 2013 na população total e no sexo masculino. Foram identificadas diferenças nas tendências entre homens e mulheres, faixas etárias e regiões do Brasil, com declínio mais acentuado entre as mulheres e nos adultos jovens com idade mais avançada. Resultados semelhantes foram encontrados em estudos prévios25.
O presente estudo identificou variação regional da tendência da mortalidade por doenças cardiovasculares em adultos jovens. Nossos resultados convergem com o resultado de estudo desenvolvido no Brasil26 que avaliou a incidência e mortalidade por Doenças cerebrovasculares, um subtipo importante de doença cardiovascular, na população de adultos jovens (ie. 15-49 anos) e também observou redução da mortalidade em indivíduos acima de 30 anos com variação regional no período entre 2008-2012.
As Doenças Crônicas Não-Transmissíveis (DCNTs) constituem o problema de saúde de maior magnitude e corresponderam a 72% das causas de mortes no Brasil no ano de 2007. Apesar de ainda elevada, observou-se redução de 20% nas taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e respiratórias crônicas, entre 1996-2007. A redução das DCNT pode ser, em parte, atribuída à expansão da Atenção Básica, melhoria da assistência e redução do tabagismo nas últimas duas décadas27.
A detecção precoce da hipertensão e aferições constantes da pressão arterial na população jovem pode inibir o risco para Doença Arterial Coronariana.
A aderência para comportamentos de estilo de vida saudáveis está associada a redução de 66% do risco de DCV comparado com nenhum ou um único comportamento28.
Estudos prospectivos de coorte e ensaios clínicos randomizados falharam em mostrar benefício do consumo sob forma de suplementação de vitaminas para a prevenção da doença cardiovascular (DCV)29. Em contrapartida, devem ser recomendados o aumento do consumo de frutas e vegetais ricos em nutrientes.
Adultos jovens coreanos a hipertensão nas fases 1 e 2, em comparação com a pressão arterial normal foram associados com risco aumentado de doença cardiovascular e eventos subsequentes. Jovens adultos podem estar com risco aumentado para doenças cardiovasculares30.
Há a necessidade de atualização de estudos prospectivos de grande porte envolvendo o Brasil e outros países de baixa e média renda.
Estudos epidemiológicos anteriores (PURE) relacionando fatores de risco com doenças cardiovasculares e mortalidade limitaram-se a populações de países em sua maioria de alta renda, América do Norte, oeste da Europa ou China. Existem poucos dados prospectivos de outros países de renda média ou baixa, ou de outras regiões do mundo. O Estudo Global de Carga das Doenças é uma compilação de resultados de estudos existentes, mas é limitado pelo fato de que as estimativas são derivadas da combinação de dados de diversos estudos com diferentes métodos de coleta de dados e análises, realizadas em diferentes períodos de tempo (pode não refletir os padrões atuais de fatores de risco) e com relativamente poucos dados de países baixa e média renda. Atualmente, esses são os melhores dados disponíveis, mas a confiabilidade de algumas estimativas pode ser melhorada em estudos grandes prospectivos envolvendo vários países de diferentes, continentes e em diferentes níveis econômicos, realizados de de maneira padronizada e avaliando simultaneamente as associações de vários fatores de risco com incidência e mortalidade31.
O controle precoce do diabetes também auxilia na sobrevida de pacientes, reduzindo assim, a mortalidade por DAC.
Fator idade, no início de diabetes tipo 1 é um importante determinante de sobrevida, bem como para todas as doenças cardiovasculares e maior risco em mulheres. O maior foco na proteção justifica-se em pessoas com diabetes tipo 1 de início precoce32.
Várias intervenções ajudam com o fim tabagismo: campanhas nos meios de comunicação de massa direcionadas a jovens e adultos, conselhos de profissionais de saúde tanto na atenção básica quanto em hospitais, programas de auto-ajuda, terapia de grupo, aconselhamento por telefone, intervenções no local de trabalho, reposição de nicotina, bupropiona e vareniclina. As campanhas da mídia de massa destinadas a fumantes adultos estabelecidos pareciam ter efeitos semelhantes, independentemente da idade, sexo, etnia ou educação33.
As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) apresentam alta carga de mortalidade e DCV faz parte deste grupo de doenças. Indivíduos com baixa escolaridade e vulneráveis são a população mais acometida por DCV.
Estudo no norte rural da Etiópia indica que a carga dupla de mortalidade de DCNT e doenças transmissíveis era evidente. Medidas de intervenção em saúde pública que priorizam pacientes com DCNT desfavorecidos, como aqueles que não sabem ler e escrever, idosos, co-residentes familiares e não familiares podem reduzir significativamente a mortalidade por DCNT na população adulta34.
O excesso de gordura no fígado é uma preocupação dos médicos e dos profissionais de saúde, pois hábitos alimentares não saudáveis e ingesta de alimentos processados aumentam a chance de desenvolver DCV.
A incidência do diagnóstico de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) na comunidade do Condado de Olmsted, Minnesota, entre 1997 e 2014 aumentou 5 vezes, principalmente em adultos jovens. O DHGNA é uma consequência, mas também um precursor do comorbidades metabólicas. O incidente de comorbidades metabólicas atenua o impacto do DHGNA na morte e anula seu impacto na doença cardiovascular35.
Portanto, todos esses fatores contribuem no planejamento e direcionamento das políticas públicas nos sistemas de saúde.
A mortalidade por DCV em pessoas com menos de 70 anos é uma preocupação, já que são dadas como mortes prematuras com anos de vida perdidos anualmente no Brasil e na Europa36.
Informações atualizadas sobre as tendências da doença e como isso varia entre os países são essenciais para planejar uma resposta adequada do sistema de saúde37.
É preciso considerar a limitação do uso de dados secundários em estudos sobre mortalidade, pois há alguma imprecisão na identificação e registro da causa básica de morte. Não dispomos também de dados individuados, não se sabe quem é caso e quem pertence ao grupo controle ou quem tem ou não tem a doença, logo apenas com os dados estatísticos não podemos cometer o erro de falácia ecológica; interpretação equivocada que atribui as respostas a níveis individuais. Entretanto, deve-se considerar que o presente estudo, relativo a um país em desenvolvimento, de média renda, com 204 milhões de habitantes, se constitui num dos primeiros estudos no Brasil a utilizar o modelo de regressão de Prais-Winsten, que permite efetuar correção de autocorrelação de primeira ordem na análise de séries de valores organizados no tempo e permitiu avaliar a tendência da mortalidade por Doenças Cardiovasculares na população mais jovem, em ambos os sexos, faixas etárias, regiões em dois períodos de cinco anos consecutivos.
O estudo sobre e mortalidade representa uma forma de compreender a Epidemiologia das Doenças Cardiovasculares. Os dados obtidos dos sistemas de informações mantidos pelo Ministério da Saúde são confiáveis, possibilitando o seu uso como ferramenta factível para estabelecer dados precisos sobre mortalidade por Doenças Cardiovasculares em populações específicas (adultos jovens).
O Programa de Saúde da Família, lançado em 1994, é uma importante iniciativa da estratégia nacional para reduzir a mortalidade por DCV com base na atenção primária à saúde, cobrindo quase 123 milhões de indivíduos (63% da população brasileira) em 201538.
O estudo realizado sobre o aumento da tendência de mortalidade em Minnesota pelo Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) dos Estados Unidos em populações mais jovens, só reforça a necessidade de mantermos a vigilância em nível municipal, estadual e nacional39.
O fator de risco metabólico foi responsável por 52,4% para desfechos cardiovasculares no adulto jovem chinês, sendo a hipertensão o maior fator de risco40.
CONCLUSÃO
Os resultados demonstram tendência decrescente da mortalidade por Doença Cardiovascular (DCV) em adultos jovens no Brasil, entre 2008-2017. No entanto, o declínio anual ocorreu somente no primeiro período (2008-2012), enquanto a partir de 2013, a tendência permaneceu estacionária apenas para o sexo masculino.
Além disso, identificou-se uma diferença regional na mortalidade por DCV segundo regiões do Brasil. Ademais, a mortalidade no sexo feminino declinou em ambos os períodos nas regiões Centro-Oeste e Sul, enquanto a mortalidade permaneceu estacionária nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste no período mais recente. No período mais recente (2013-2017) a tendência de mortalidade se estabilizou para ambos os sexos nas regiões Norte e Nordeste.
A doença cardiovascular apresentou aumento só na região Nordeste, em indivíduos com idade entre 20-24 anos no segundo quinquênio (2013-2017).
Os resultados sugerem que a transição epidemiológica brasileira não é homogênea para a mortalidade por DCV. O jovem brasileiro não deveria ser internado e evoluir por morte por DCV, pois a sua capacidade vital é superior em relação ao idoso, população mais suscetível a desenvolver DCV. Medidas de detecção precoce nos fatores causais: prática de atividade física; medidas de peso e sobrepeso; medida cintura-quadril; controle da pressão-arterial; controle do Diabetes Mellitus; alimentação e hábitos de vida contribuirão para redução de mortes. Esses achados contribuem para o planejamento e gestão do sistema de atenção à saúde no país, sendo o grande desafio da Saúde Pública para as próximas gerações.
Agradecimentos
Agradecemos ao apoio financeiro para execução deste projeto à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo – FAPES, através do edital 04/2022- PROGRAMA DE APOIO AOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO CAPIXABAS EMERGENTES – PROAPEM.
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Recebido: Agosto de 2022; Aceito: Setembro de 2022; Publicado: Outubro de 2022










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