SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.33 número2Diagnóstico precoce da neuropatia diabética e profilaxia do pé diabéticoFatores associados à vulnerabilidade clínico-funcional de idosos de uma Unidade Básica de Saúde índice de autoresíndice de assuntospesquisa de artigos
Home Pagelista alfabética de periódicos  

Serviços Personalizados

Journal

artigo

Indicadores

Compartilhar


Journal of Human Growth and Development

versão impressa ISSN 0104-1282versão On-line ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.33 no.2 Santo André maio/ago. 2023  Epub 02-Dez-2024

https://doi.org/10.36311/jhgd.v33.14752 

ARTIGO ORIGINAL

Transmissão de valores morais entre as gerações de famílias em condições de vulnerabilidade social e econômica

Gilson Parra, All authors contributed to the manuscript, Participated in data collection, data analysis, statistical analysis and writing of the texta 
http://orcid.org/0000-0001-9243-9448

Claudio Leone Jr, All authors contributed to the manuscriptb 
http://orcid.org/0000-0003-1324-0401

Renata M. M. Pimentel, All authors contributed to the manuscript, Participated in the general orientation of the research, design and final revision of the textc 
http://orcid.org/0000-0002-9523-4859

aDocente. Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, Brasil

bDocente Colaborador Sênior do Departamento de Ciclos de Vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo FSP-USP São Paulo, SP, Brazil

cPesquisadora do Departamento de Ciclos de Vida e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo FSP-USP São Paulo, SP, Brazil


Resumo

Introdução

o estudo procurou averiguar como se processa a passagem de valores entre gerações, face à exposição a condições de privação a que são submetidas estas pessoas, enquanto carregam a obrigação de assegurar o mínimo aos filhos mas não dispõem dos recursos necessários . Isso levanta a questão de como é possível afirmar uma noção de certo e errado dentro dessa estrutura social. este estudo analisou a transmissão de valores entre gerações em grupos de pessoas em condições econômicas e sociais desfavoráveis.

Métodos

trata-se de um estudo qualitativo descritivo, foram realizadas entrevistas por meio de encontros grupais para discussão de questões relacionadas à moral. Foi realizado com avós, filhos e netos moradores de um bairro periférico da capital paulista e que vivem em condições econômicas restritas e sob o impacto cotidiano da violência. Essas discussões envolveram os três componentes geracionais de três famílias. Diferentes arranjos foram feitos envolvendo o mesmo grupo geracional em um encontro inicial e, em outro encontro, a mistura de diferentes gerações e diferentes famílias respondendo a temas pré-estabelecidos que envolviam dilemas morais centrados no cotidiano cultural e social dessas famílias. A base teórica deste estudo foi a psicanálise, utilizando os conceitos de Identificação, Ideal do Ego.

Resultados

os avôs se mostraram ambíguos pois possuem uma referência de Lei, de moral, deslocada no espaço e no tempo; os pais percebendo a ambiguidade destes avôs em relação à realidade reformulam estas questões morais pautando suas convicções em uma Lei que se estabelece dentro das contingências do cotidiano e, portanto, mutável; os netos adolescentes percebem esta ambiguidade nos pais e nos seus discursos.

Conclusão

há maior identificação de padrões morais entre netos e avôs do que entre filhos e pais. Os pais entrevistados se mostraram ambíguos na forma de agir e de discursar, sendo o modelo de reprodução transgeracional mais pautado entre netos e avôs do que na sequência geracional temporal sequencial.

Palavras-Chave: desenvolvimento moral; relação entre gerações; psicanálise

Abstract

Introduction

the study sought to determine how the passage of values between generations is processed, in view of the exposure to conditions of deprivation to which these people are subjected, while they carry the obligation to ensure the minimum for their children but do not have the necessary resources. This raises the question of how it is possible to affirm a notion of right and wrong within this social framework. this study analysed the transmission of values between generations in groups of people in unfavourable economic and social conditions.

Methods

this is a qualitative descriptive study, interviews were conducted through group meetings to discuss issues related to morals. It was carried out with grandparents, their children, and their grandchildren who are residents of a peripheral neighbourhood of the capital of São Paulo and live in restricted economic conditions and under the daily impact of violence. These discussions involved the three generational components of three families. Different arrangements were made that involved the same generational group in an initial meeting and, in another meeting, the mixture of different generations and different families responding to pre-established themes that involved moral dilemmas focused on the daily cultural and social life of these families. The theoretical basis of this study was psychoanalysis, using the concepts of Identification, Ego Ideal, Ideal Ego, Oedipus, and the dynamics underlying the insertion of the father in the Oedipal triad.

Results

the grandfathers were ambiguous because they have a reference to a law of morals transcending space and time. Parents, realising the ambiguity of these grandparents in relation to reality, reformulate these moral questions, basing their convictions on a law that is established within the contingencies of everyday life and, therefore, changeable. The adolescent grandchildren perceive this ambiguity in the parents and in their speech.

Conclusion

there is greater identification of moral standards among grandchildren and grandparents than between children and parents. The interviewed parents were ambiguous in the way they act and speak, with the transgenerational reproduction model being more guided between grandchildren and grandparents than in the sequential temporal generational sequence.

Key words: moral development; relationship between generations; psychoanalysis

Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

Este trabalho foi realizado a fim de compreender como se processam as relações entre os indivíduos de gerações diferentes, enquanto parte fundamental dos acontecimentos sociais e como se processa a passagem de valores entre as gerações, tendo em vista a exposição à condições de privação em grupos de pessoas em condições sócio-economicamente desfavoráveis.

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Realizou-se encontros grupais de discussão de assuntos relacionados à moral com avôs, seus filhos e netos, moradores de um bairro periférico da capital de São Paulo que vivem em condições econômicas restritas e sob o impacto cotidiano da violência. Observa-se que os netos não percebem a realidade como seus pais; os pais perceberam a ambiguidade entre a realidade externa e os valores transmitidos pelos avôs, o que os obrigou a reformular; o neto percebe esta ambiguidade, não na comparação, mas no próprio discurso de seus pais.

O que essas descobertas significam?

Esta dinâmica evidencia uma quebra fundamental no laço social pois não existe, em princípio uma Lei que represente uma insígnia coletiva: temos os avôs deslocados no tempo e no espaço; temos os pais e netos ambíguos vivendo a passagem de várias ordens de Lei.

INTRODUÇÃO

No campo das discussões acerca da sucessão geracional há enfoques diferenciados para o mesmo conceito; alguns autores utilizam-se da aproximação às diferentes gerações como modo de compreender de que maneira um determinado fenômeno se apresenta em diferentes momentos temporais, onde o olhar sobre as gerações visa a apreensão do modo diverso pelo qual o objeto investigado acontece ao longo do tempo histórico. Nestes, a questão das gerações é destacada como uma possibilidade de referência e transposição de modelos entre as gerações1-5. Outros buscam a aproximação às diferentes gerações como forma a caracterizar as relações e de compreender a dinâmica de inter-relação entre os indivíduos pela qual acontece a intersubjetivação e a constituição do sujeito e da história6-17.

Focalizando a subjetividade na perspectiva das gerações Mellins (1993)18, estudou os cuidados de famílias de pacientes psicóticos e os desdobramentos da presença deste no âmbito familiar com resultados que apontam tensão elevada pelo fato da existência de psicótico na família, desdobrando-se em incertezas quanto ao futuro e a saúde mental.

Abordando a questão da moral, Thomas et. al.,19, apontam a moral nas gerações como um importante fator de saúde mental na sustentação do desenvolvimento pessoal do indivíduo; critica as limitações que a abordagem entre as gerações oferece na medida que não consegue explicar, mas apenas compreender as variações morais entre os mais velhos e os mais jovens.

Hanks20, executou metanálise problematizando os dilemas éticos da família em uma perspectiva intergeracional; de maneira geral, o autor apontou uma falta de compromisso de uma geração para com a outra.

Este trabalho está inserido no campo da Psicologia Social, focalizando a possibilidade de as gerações construírem relações intersubjetivas na formação psíquica do indivíduo, inserindo-o na trama de relações sociais e tornando-o protagonista como sujeito social e histórico. A pergunta que funda a discussão é a de como se processam as relações entre os indivíduos de gerações diferentes, enquanto parte fundamental dos acontecimentos sociais.

Esta proposta encontra sua base nos textos sociais de Freud e em decorrência disso, na possibilidade de compreensão do social através de uma visão psicanalítica21-27.

Partiu-se também do pressuposto de que tanto os “ditos” quanto os “não ditos” dos pais encontram expressão na sua relação com os seus filhos, com base no referencial psicanalítico, no processo de formação de identificações e da subjetividade dos filhos. As perguntas que circundaram a construção do presente é se apenas os valores e princípios morais explicitados no discurso dos pais (“os ditos”) participam da formação da subjetividade na relação intergeracional, ou se, diversamente, também os que permanecem no nível implícito desse discurso (os “não ditos”) dele constituem parte essencial.

Assim, o panorama que se configura na relação de pais e filhos, ocorre dentro dos seguintes elementos: o pai é aquele que oferece princípios e valores, que constituem modelos identificatórios calcados na cultura, mas ao mesmo tempo, colocando-o na posição de incapacidade de se posicionar e usufruir de uma posição privilegiada diante do capital e do consumo. O filho encontra no pai a possibilidade da identificação, mas ao mesmo tempo, sujeitado a uma condição de menos valia que o pai carrega consigo.

Este estudo foca um problema coletivo concreto, destacando a subjetividade na sua possibilidade social, compreendendo-a na relação histórica (entre as gerações) e nos processos de intersubjetividade na formação do coletivo e da cultura. Assim, o objetivo é analisar os aspectos da transmissão de valores morais entre as gerações de famílias em condições de vulnerabilidade social e econômica.

MÉTODO

Trata se de um estudo descritivo qualitativo realizado com avós, pais e netos, de mesmo laço de parentesco em uma linhagem tri geracional de três núcleos familiares diferentes. Os sujeitos são os avós, pais e filhos, moradores da periferia e expostos a condições de limitação econômica e à violência potencial do cotidiano.

Os sujeitos que foram pesquisados são moradores da região do Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, especialmente na circunscrição dos bairros do Jardim São Luiz, Pró Morar Jardim São Luiz, Parque Santo Antônio, Jardim Capelinha e Parque Otero; estes bairros são todos próximos entre si, sendo a delimitação entre eles, quase que imperceptível e daí a impossibilidade de nomear apenas um bairro.

Foram ao todo 09 sujeitos que participaram de discussões grupais, em duas etapas. Os sujeitos desta pesquisa foram 03 jovens adolescentes (netos) entre 15 e 18 anos, seus pais dentro da faixa etária de 37 a 45 anos e os avôs com idades entre 59 e 63 anos.

Os grupos foram submetidos a discussões temáticas semiestruturadas28,29 em etapas que constituíam dois momentos sendo o primeiro com grupos de mesma linhagem geracional:

Na primeira etapa, os indivíduos foram agrupados do seguinte modo:

Tabela 1 : Agrupamento dos indivíduos participantes do estudo 

1º Grupo Avô 1 Avô 2 Avô 3
2º Grupo Pai 1 Pai 2 Pai 3
3º Grupo Neto 1 Neto 2 Neto 3

Os números indicam a existência de uma relação de parentesco entre os indivíduos: por exemplo, Avô 01, Pai 01 e Neto 01 são parentes.

Em segundo momento foram mesclados avôs, pais e netos de diferentes laços de parentesco.

Tabela 2 : Agrupamento mesclados dos indivíduos participantes do estudo 

4º Grupo Avô 1 Pai 2 Neto 3
5º Grupo Avô 2 Pai 3 Neto 1
6º Grupo Avô 3 Pai 1 Neto 2

Os laços de parentesco aqui apontados são de consanguinidade onde a estrutura familiar contempla os papéis das gerações no processo de desenvolvimento, ou seja, que os pais educaram diretamente seus filhos dentro de um núcleo familiar. Esta condição de inclusão apontou para a necessidade de haver, na transposição das gerações a responsabilização pelo processo sócio educativo e a inserção nas relações sociais maiores.

As entrevistas foram semiestruturadas com temas do cotidiano e a emissão de juízos acerca da validade ou entendimento em relação aos temas propostos.

Em uma terceira etapa, foram realizadas entrevistas individuais com todos os nove sujeitos no sentido de serem questionadas as expectativas (que tinham ou que têm) com relação à vida adulta, os projetos e planos, os ideais, a concordância com as questões relacionadas a Lei, as regras sociais e, sobretudo, a confirmação de elementos das entrevistas das duas primeiras etapas; a entrevista nesta etapa transcorreu na forma do discurso livre e não foi gravada.

As duas primeiras etapas, conduzidas em grupo, foram gravadas e transcritas de maneira a retomar posteriormente, na entrevista individual, as prováveis questões não respondidas ou respondidas insuficientemente nas primeiras etapas.

Foi proposto para os grupos a discussão de alguns dilemas morais, na tentativa de compreender a opinião e a atitude dos participantes em relação a estas questões; o objetivo é verificar se há um padrão típico de resposta a estes dilemas e como eles se manifestam nos ditos e não ditos das gerações. Outro tipo de questão colocada foi a forma com que os indivíduos posicionam sua situação social na sociedade. A interpretação que o indivíduo atribui para sua posição social também foi questionada.

A base de sustentação teórica foi a Psicanálise, resgatando os conceitos de Identificação, Ego Ideal, Ideal de Ego, Édipo e as dinâmicas subjacentes à inserção do pai na tríade edípica; este eixo teórico serviu de sustentação para a análise do conteúdo e foi acrescido pelo conceito abordado por Rosa30 acerca dos Ditos e Não Ditos. A questão intergeracional, outro ponto estruturante da análise, não é abordada diretamente na obra psicanalítica e para tanto as contribuições de Käes31e Eiguer32 foram norteadoras para as análises apresentadas.

As questões propostas na primeira etapa, que compreende os grupos 01, 02 e 03 foram:

A1.) “Quais são os mais importantes princípios morais e valores que uma pessoa de caráter deve possuir? E quais os mais negativos defeitos morais de uma pessoa? Eu gostaria que vocês discutissem isso usando exemplos que vocês conhecem ou então, imaginando situações que exemplificassem o que querem dizer. Se alguém discordar do ponto de vista de outro, eu gostaria que isso fosse dito e debatido e que todos tivessem a oportunidade de esclarecer o que pensam mesmo se alguém pensa diferente de todos os outros”;

A2.) “Eu queria que vocês discutissem agora o que, nas suas vidas, consideram realizado e o que não foi realizado. Refiro-me àquilo que gostariam de ser ou que desejariam possuir; ou seja, o que foi ou não conseguido”;

A3.) “A terceira é o que possibilitou ou impediu vocês de atingir ou não seus desejos e realizações na vida. Quais foram os obstáculos, os impedimentos? Porque e como eles surgiram na vida de vocês?”

No segundo encontro grupal, onde os sujeitos foram confrontados entre as gerações, foi colocado em discussão o que foi “circulado” no encontro anterior, solicitando que cada indivíduo se posicionasse, dizendo se concorda ou discorda.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

As gerações, vistas como recortes temporais específicos, quando observadas dentro de um mesmo grupo, mostraram formas peculiares de lidar com os valores e as Leis.

“Entre todos os grupos humanos, a família desempenha um papel primordial na transmissão da cultura. Se as tradições espirituais, a preservação dos ritos, e dos costumes, a conservação das técnicas e do património lhe são disputadas por outros grupos sociais, a família prevalece na primeira educação, na repressão dos instintos, na aquisição da língua... ela preside aos processos fundamentais do desenvolvimento psíquico, a esta organização das emoções segundo tipos condicionados pelo ambiente, que é a base dos sentimentos... ela transmite estruturas de comportamento e de representação cujo jogo ultrapassa os limites da consciência33.

Os avôs demonstraram possuir uma estabilidade na forma com que interpretam a realidade e se posicionam diante dela; possuem valores estáveis e estruturados por onde estabelecem todo o julgamento da realidade como um todo, indiferente se esta realidade apresenta condições extremas de privação; o que sugere ser um grupo resiliente que se adapta as intempéries do cotidiano.

O avô 01, mesmo que exposto ao frio e a fome, manteve-se na posição de submetido, respeitando o seu patrão no episódio que descreve no primeiro encontro:

“meu maió probrema foi quando eu vim pra São Paulo, aqui eu essorve muitcha barrera, muitcha mesmo...passei dificurdade, gente a fome dói dimais, eu já sinti fomi, eu já sinti frio...quando eu vim pra cá eu fui ess num barraco cuidá de uma casa, no barraco era dasquela tela Brasilit...fez treis grau abaixo de zero, eu tinha vindo com a cuberta da Bahia...pur causa du friu...eu quiria dizê que eu fiz uma coisa sem sua orde, ele era advogado, peguei sua coberta pra não morre de frio....então eu tô vivo com as graça de deus purque treis dia sem cumê é muita coisa...eu trabaiava muito, trabaiava com criação, cuidava de porco...quando eu ou o dotô tem probrema em casa a gente vai e resorve porque eu sô honesto, é disso qui eu digo então...

O avô 02 mostra a mesma estabilidade quando pondera em torno dos erros que comete e as correções que deve fazer em seu comportamento quando jovem e coloca:

“antigamente eu bebia, eu fumava, eu jogava, eu jogava meu dinheiro tudo fora, eu pegava com essa mão e jogava com essa outra, só que chegou uma época que eu falei isso é prá trouxa, eu vou tomar vergonha na minha vida a partir de hoje eu não vou mais fumar, não vou mais beber, nem vou jogar e o meu dinheiro vocês vão fazer com ele, então são essas coisa...hoje tudo bem, eu não vou falar que eu sou melhor do que ninguém, cada um tem as suas falhas, mas só que a gente tem que procurá o conserto pra você consegui corrigi os seus erro porque errar é humano, mas permanecer no erro é burrice...muita gente fala puxa vida eu tenho duas perna boa, dois braço bom, eu tenho um filho só, aquele cara ali nem anda direito, tem seis filho e deus tá comigo e não tá com ele...”

Estes avôs 1 e 2 comentaram ainda que mesmo diante do desejo de fumar, conseguiu “ouvir” a referência externa do médico, de uma criança e um idoso que não consideravam o vício do tabagismo algo bom.

“eu fui pro dotô e falei que tava acontecendo e ele me preguntô, fio sê fuma, eu falei sim dotô e ele disse que se eu num parasse eu ia morrê, se num tá vendo que se tá passando mal...comecei a fumá meio cigarro na refeição, aí eu tentei pará quando eu vortei no médico eu disse dotô eu num vô minti pro sinhô, eu disse que tava fumando meio cigarro na refeição e ele disse que eu tava brincando com coisa séria...(avô 1)”...”eu fiquei pensando uma coisa, puxa vida, o mulequinho falô que num presta, um véio fala que num presta e eu vô fala o que, eu sei qui num presta, aí larguei mão, sozinho, que se for tem que colocá na mente, senão não dá...”

A forma dos avôs lidarem com a realidade provém de um código de princípios que não se rompe, mas que, por outro lado, cristaliza-se e não se atualiza, criando um deslocamento de tempo e de espaço importantes. De tempo, na medida que não atualiza na história os valores; e de espaço, no sentido de que estes princípios não têm aplicação neste espaço social. Assim sendo, mantém-se um conjunto de Leis bem estabelecidas, mas que não tem praticidade de aplicação para além de suas próprias vidas.

Esses avôs são pais no sentido de castrar e serem castrados, fazendo viger uma Lei onde o desejo só pode ser exercido se levada em consideração inevitavelmente o outro; desconhecem em suas vidas a corrupção daquele que faz uso da Lei em benefício próprio, como no caso do chefe da horda primitiva ou até no caso da Prefeitura de São Paulo e as máfias de toda a espécie. Reconhecem a castração em si como sendo a possibilidade da castração do outro.

Estes avôs são portadores de uma Lei que não está mais vigendo, Lei que serve somente para o seu tempo (de 40 anos atrás) e para outro espaço de vida (na Bahia e no Interior de São Paulo); a eficiência da Lei que veiculam só tem valor em alguns poucos casos dentro do núcleo familiar.

A Lei em que se baseiam é sustentada pela alienação na religião, alienação esta que provém um mínimo de satisfação narcísica “à posteriori” da vida, ou melhor, a promessa de que através da fé se adquire a vida eterna.

“... a bíblia é a palavra de deus, a palavra de deus está em qualquer lugar e eu num conheço um só caso que num dê prá tirá uma consulta de dentro da bíblia...certo...a bíblia fala assim, ensinai o menino no caminho que ele deve andá, para o qual quando ele crescê, ele não venha me julgar, eu duvido que um filho esqueça de lembrá o que o pai dele falô as coisa pra ele, porque eu desde cedo eu faço, hoje meus filho não é mole, mas eu tenho certeza que se chamá ele você pergunta, sobre eu com ele, porque eu sempre chamo ele, meu filho, olha o mundo de hoje é assim, assim, assim, assim, assim, mais eu sou o seu pai, eu não te quero mal né, eu te quero o seu bem, enquanto você ir por mim você vai se dá bem né...então você tem que entendê...”(trecho da fala do Avô 1 em concordância com o Avô 2).

Esta ligação com a religião também aponta para a superação do estado de desamparo, ocasionado pela inclusão da Lei do pai como coloca Freud:

“Nessa função [de proteção] a mãe é logo substituída pelo pai mais forte, que retém essa posição pelo resto da infância. Mas a atitude da criança para com o pai é matizada por uma ambivalência peculiar. O próprio pai constitui um perigo para a criança, talvez por causa do relacionamento anterior dela com a mãe. Assim, ela o teme tanto quanto anseia por ele e o admira...quando o indivíduo em crescimento descobre que está destinado a permanecer uma criança para sempre, que nunca poderá passar sem proteção contra estranhos poderes superiores, empresta a esses poderes as características pertencentes à figura do pai; cria para si próprio os deuses a quem teme, a quem procura propiciar e a quem, não obstante, confia sua própria proteção”26.

Portanto, pela identificação com a figura paterna, se transpõe através da necessidade de superação do desamparo, a afeição que se tem do pai, para a figura religiosa. Por esta identificação, como já vimos, se busca também a satisfação das necessidades nostálgicas narcísicas, sendo então todo tipo de enaltecimento da figura religiosa, uma forma indireta de satisfação narcísica das próprias características identificadas e copiadas do pai.

Por outro lado, a ligação com a religião, que impõe um adiamento da realização do desejo para uma outra existência, proporciona uma alienação no sentido psicanalítico; alienação da possibilidade de um desejo realizado, mediado por uma Lei. Assim sendo, na ligação com a religião, se tem a alienação do desejo que em troca propicia a manutenção da continuidade da civilização e do social. Acerca da renúncia e a manutenção da civilização Freud coloca:

“Parece, antes, que toda civilização tem de se erigir sobre a coerção e a renúncia ao instinto; sequer parece certo se, caso cessasse a coerção, a maioria dos seres humanos estaria preparada para empreender o trabalho necessário à aquisição de novas riquezas. Acho que se tem de levar em conta o fato de estarem presentes em todos os homens tendências destrutivas e, portanto, anti-sociais e anticulturais, e que, num grande número de pessoas, essas tendências são suficientemente fortes para determinar o comportamento delas na sociedade humana.

Esse fato psicológico tem importância decisiva para nosso julgamento da civilização humana”26.

Esta forma de viver e veicular uma Lei, no caso dos avôs, foi a forma com que tentaram educar seus filhos: os Pais desta pesquisa.

Os Pais, mesmo recebendo uma orientação de seus pais (avôs), conseguiram captar a ambiguidade decorrente do deslocamento de tempo e espaço das orientações que veiculavam quando comparadas com demandas contingenciais impostas pela modernidade que vivenciam.

Ao assim perceberem, os pais reformulam sua forma de entender o mundo, mesmo tendo recebido um valor dos avôs; estes valores veiculados pelo avô servem, em situações que exigem uma definição de postura, como uma alternativa possível. Em outras palavras, o que é vivido para os avôs, para os pais faz parte de um plano conceitual, “um arquivo” de opções para serem utilizadas caso o cotidiano solicite. Esta interpretação se baseia no bojo do discurso dos pais que, além de marcarem uma posição maniqueísta com relação às questões morais propostas, também mostram uma enorme plasticidade para reformularem suas opiniões, de acordo com o ângulo que observam e agem na situação.

“... meu pai me educou assim rígido né naquele sistema antigo né, que tinha que respeita os mais velho, o tio, respeitá o seu pai como um homem assim, se um conhecido se visse alguém na rua fazendo mal feito podia chegá e falá, fazê voltá, ainda falava pro pai da gente, senão...(insinuando a existência de castigo físico - surra)...não é que nem hoje, hoje se um filho de alguem tivé na rua fazendo mal feito e o vizinho for falá o minino vai falá o que, você não é o meu pai, que se qué...(Pai 1)...é o que eu tô falando em geral, os filho não atende os pai hoje, eles num segue o pai...eu aprendi com meu pai, não adiantô nada eu aprendê co meu pai, igual ele tá falando aí, meu pai eu fui criado apanhando mesmo, apanhei que só mula véia prá soltá um pau...mais também surra num educa ninguém não...(hoje em dia) geralmente muitos faz o contrário, meu pai tá falando assim e eu vô fazê assim diferente do que ele tá falando... é o que tá acontecendo hoje...”(Pai 2).

Enquanto nos avôs, a Lei estava exterior ao indivíduo, nos filhos esta Lei está sujeita aos ditames contingenciais do cotidiano; enquanto para os avôs esta Lei impunha um modelo a ser seguido tanto pelo pai como pelo neto, com os Pais, os modelos são baseados em uma Lei que oscila e muda de acordo com as mudanças no cotidiano.

Acerca da modernidade que impõe rápidas mudanças explica Ruffino34: “Por modernidade entende-se a idade em que a civilização ocidental logrou realizar o que parecia há muito estar na sua vocação: a produção massiva de efeitos universalizantes e cosmopolitas sobre o modo de vida dos maiores centros urbanos sob seu domínio, em detrimento dos laços tradicionais e comunitários que uniam cada grupo social às suas origens históricas e culturais específicas”

Estas oscilações da Lei no cotidiano decorrente da universalização dos hábitos e da perda dos laços tradicionais produz o efeito que, muitas vezes, esta Lei está sendo reformulada e desta forma, sendo personalizada naquele que a modifica.

A Lei então perde sua característica de ser erguida em torno de uma insígnia, de uma possibilidade maior de laço social para ser estabelecida em torno das contingências particularizadas; isto sujeita o surgimento ininterrupto de novas leis, novas éticas estabelecidas em torno do individual.

Esta Lei, estabelecida no individual, propicia então a personalização da Lei no indivíduo e não no coletivo; é deste sintoma que se pode perceber no social, o exercício de funções públicas voltadas exclusivamente para a corrupção.

Recentemente através da imprensa, foram presenciados diversos fatos de corrupção que descortinaram uma ampla rede de corrupção exercida pelo poder público. Por definição, o poder público deveria zelar pelo bem comum de todos, mas o que se assiste é que no exercício da função pública, os homens transformaram o trabalhar pelo cumprimento da Lei no trabalhar pelo cumprimento da minha Lei. Neste sentido, coloca Morgado (1997)35.

“Provavelmente tomando por paradigma as práticas das próprias autoridades estatais, a sociedade civil brasileira de relaciona com a Lei de maneira arbitrária. Com frequência, mais se levam em conta interesses afetos a subgrupos e a grupos de indivíduos, do que interesses extensivos ao conjunto da coletividade”35.

Os pais então, diante da ambiguidade e da necessidade de definição de uma Lei, praticam o arbítrio implícito e ambíguo de recriar novas Leis para se adaptarem.

“...então eu sou uma pessoa que sou trabalhador, que mexe com uma coisa, mexe com outra, não dá, vou pro lado, graças a deus eu cheguei aonde eu tô, com uma banquinha em Santo Amaro (banca de camelô a qual ele arrendou para outra pessoa), tenho meus negócio aqui na vila (Imobiliária clandestina)...você entendeu, então tudo isso a gente tem que por em prática a nossa mente tem que funcioná, porque não deve só trabalha com o braço...” (Pai 1).

Estes pais, diante de situações de privação econômica, utilizam de meios que não estão em acordo com as Leis e que vão desde operar com ônibus e linhas clandestinas como também manter uma imobiliária irregular funcionando; no caso da imobiliária, esta comercializa ‘barracos” que não pertencem definitivamente às pessoas que compram e vendem, sendo todas estas operações de risco e ilegais.

Contudo, esta, talvez, seja a única alternativa em uma situação social tão grave como a vivenciada na atualidade e sem a possibilidade de melhora; na impossibilidade de uma saída, talvez, a única alternativa além destas, seria o roubo como forma de subsistência uma vez que os seus iguais sociais também o praticam.

Estes pais, igualmente aos seus filhos adolescentes (netos), têm que constantemente reformular sua forma de ver o mundo como se estivessem em um estado contínuo de impactação por um real atordoante e sem regras definidas.

Os netos, por sua vez, diante de um pai ambíguo e atordoado, somam o seu atordoamento inerente ao seu adolescer e se calam. Os únicos valores que conseguem vislumbrar, na tentativa de estabilidade, estão mais relacionados às identificações com os avôs do que com os pais.

“... evitá né a companhia né, se sabe que num tem companhia que num agrada muito as pessoa né...porta de bares...trabalhá...” (Neto 2).

O Neto 1 refere ter ficado em bares e passado noites fora de casa, mas agora mudou e entrou para uma igreja evangélica; esta opção pela religião parece remontar a mesma opção do avô, que é pessoa religiosa.

Ainda no seu discurso este diz que contrariou as orientações de seus pais e saiu de casa, morando sozinho por algum tempo e neste período acabou tendo uma relação contínua com uma garota; desta relação tiveram filhos gêmeos que vieram a falecer. Após um tempo retornou para a casa dos pais, arrependido, teve um filho com sua nova esposa e logo em seguida se separaram. Neste relato deixa claro que considera ter cometido um erro quando não deu atenção aos limites impostos pelos pais, tendo sofrido muito em decorrência de sua decisão:

“... é, umas coisas meio complicada né...tô refazendo minha vida hoje por causa da desobediência né, agora eu vou procurar ser aquilo que eu num fui antes né, obedecê mais os pais...”

Na tentativa de superar o adolescer, Neto 01 sai da posição passiva e coloca uma possibilidade de ocupar um espaço no mundo; mostra um discurso que por vezes se aproxima dos valores do avô e por outras, da individualidade típica da modernidade proposta no discurso de seu pai.

Os netos não percebem a realidade como seus pais perceberam: os pais perceberam uma ambiguidade existente entre a realidade externa e nos valores transmitidos pelos avôs, o que os obrigou a reformular; o neto percebe esta ambiguidade, não na comparação, mas no próprio discurso de seus pais.

Esta dinâmica evidencia uma quebra fundamental no laço social pois não existe, em princípio uma Lei que represente uma insígnia coletiva; se este é o espaço para as perversões, é também o clima propício para a instauração da tirania e do arbítrio despótico.

Esta visão só não se configura como totalmente pessimista ao passo que a saída plausível para uma situação desta natureza reside na possibilidade do homem que funde uma prática política, que se aproprie de sua própria história e que construa o avançar desta história através de laços de interesse coletivo.

A possibilidade política colocaria para o homem a tentativa de se apropriar e exercitar uma ética baseada nos seus desejos, que não são necessariamente arbitrários, mas fundados em uma Lei; e que estes desejos e esta Lei se orientem fundamentalmente no sentido da verdade.

Como limitação deste estudo foi observado uma pequena amostra bastante homogênea em relação estrutura familiar e contexto domiciliar; pesquisas futuras devem considerar a papel dessa diversidade para as características da narrativa aqui examinadas. Além disto, também seria importante a análise da influencia interegeracional materna para análise do desenvolvimento moral dado que vários estudos ambém abordam a influência materna como fatores de repetição comportamental36,37.

CONCLUSÃO

Os avôs deslocados no tempo e no espaço, sob a égide de uma ética da alienação calcada em valores anacrônicos; os pais ambíguos, personificando uma Lei e um conjunto de valores morais inconsistente, baseada no arbítrio do desejo, da ordem perversa, comparados com as contingências da realidade; temos o neto ambíguo, vivendo a passagem de várias ordens morais, tendo que reiterar a exemplo do pai, toda a moral, sendo que na dúvida, recorre aos modelos dos avôs.

REFERENCES

1. Hareven TK. Aging and generational relations: A historical and life course perspective. Annual Review of Sociology. 1994. 20: 437-461. [ Links ]

2. Aldous, Joan. New views of grandparents in intergenerational context. Journal of Family Issues, Univ. Notre Dame, 1995, 16: 104-122. [ Links ]

3. Pratt, MW, Norris, JE, Arnold, ML, & Filyer, R. (1999). Generatividade e desenvolvimento moral como preditores de narrativas de socialização de valores para jovens ao longo da vida adulta: das lições aprendidas às histórias compartilhadas. Psicologia e Envelhecimento, 14 (3), 414-426 [ Links ]

4. Pratt MW, Norris JE, Hebblethwaite S, Arnold ML. Intergenerational transmission of values: family generativity and adolescents' narratives of parent and grandparent value teaching. J Pers. 2008 Apr; 76(2): 171-98. [ Links ]

5. McAdams DP, Guo J. Narrando a Vida Generativa. Ciência Psicológica. 2015; 26(4): 475-483 [ Links ]

6. Doane, JA. et al. A Developmental view of therapeutic bonding in the Family: Treatment of disconnected family. Family Process, 1991, 30 (2): 155-175. [ Links ]

7. Kim KC., et al. Filial piety and intergenerational relationship in Korean Immigrant families. International Journal of Aging and Human Development, Macomb (USA), 1991; 33 (3): 233/245. [ Links ]

8. Lockery SA. Caregiving among racial & ethnic minority elders: Family & Social supports. Generations, Miami, 1991; 15(4): 58-62. [ Links ]

9. Hines PM., et al. Intergenerational relationships across cultures. Special Issue: Multicultural practice. Families and Society.New Jersey, 1992.73 (6): 323/338. [ Links ]

10. Thornburg DG. Intergenerational literacy learning with bilingual families: A context for the analysis of social mediation of thought. Journal of Reading Behavior, New York, 1993; 25: 323-352 [ Links ]

11. Hall BL. Elderly Vietnamese immigrants: Family and community Connections - Community Alternatives. International Journal of Family Care. Lethbridge/Canadá, 1993; 5: 81-96. [ Links ]

12. Strom R. et. al. Stregs and needs of black grandparents. International Journal of Aging and Human Development, Arizona, 1993; 36(4); 255: 268. [ Links ]

13. Mallory BL., et al. Intertgenerational communication modes in deaf-parented families. Sign Language Studies. Vancouver -Canadá. 1993; 78: 73-92. [ Links ]

14. Silva MHG., Frem D. A Educação dos Filhos Pequenos nos Últimos 50 anos: A busca do melhor? [Thesis]: São Paulo: Universidade de São Paulo; 1995. [ Links ]

15. Amaral, CMM. O sentido do trabalho em uma perspectiva intergeracional: Um estudo de caso em três gerações de mulheres [dissertation]: São Paulo, Pontifica Universidade Catolica; 1997 [ Links ]

16. Zern DS. A longitudinal study of adolescents' attitudes about assistance in the development of moral values. J Genet Psychol. 1997 Mar; 158(1): 79-95. [ Links ]

17. Oliveira AAS. Turismo e comunidade: aconfiguração do sofrimento psicossocial em um povoado de pescadores. [dissertation]: São Paulo, Pontifica Universidade Catolica; 1998 [ Links ]

18. Mellins CA. Intergenerational communication modes in deaf-parented Families. Sign Language Studies, Vancouver (Canadá), 1993; 78: 73-92. [ Links ]

19. Thomas JL. Grandparenthood and mental health: implications for the practitioner. Special Issue: Retirement migration: Boon or Burden? Journal of Applied Gerontology, Wisconsin, 1990; 9; 464-479. [ Links ]

20. Hanks RS. An Intergenerational perspective on family ethical dilemmas. Marriage and Family Review, Newark, 1991, 16:161-173. [ Links ]

21. Freud, S. (1912-1913) - Totem und tabu. Edição consultada: Totem e tabu. Rio de Janeiro: Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XIII); 1987. [ Links ]

22. Freud, S. (1914) - Zur einführung des narizssmus. Edição consultada: Sobre o narcisismo. Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XIV); 1987. [ Links ]

23. Freud, S. (1914) - Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar.Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XIII); 1987. [ Links ]

24. Freud, S. (1921) - Massenpsychologie und ich-analyse. Edição consultada: Psicologia das massas e análise do ego. Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XVIII); 1987. [ Links ]

25. Freud, S. (1923) - Das ich und das es. Edição consultada: O Ego e o id. Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XIX); 1987 [ Links ]

26. Freud, S. (1927) - Die zukunft einer illusion. Edição consultada: O Futuro de uma ilusão. Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XXI); 1987. [ Links ]

27. Freud, S. (1930 [1929]) - Das unbehagen in der kultur. Edição Consultada: O mal estar na civilização. Rio de Janeiro:Ed. Standard Brasileira. Imago, 2nd ed. (XXI); 1987 [ Links ]

28. Manzini, EJ. A entrevista na pesquisa social. Didática, São Paulo, v. 26/27, p. 149-158, 1990/1991. [ Links ]

29. Bleger, J. Temas de Psicologia: entrevista e grupos. Trad. Rita Maria M. de Moraes. São Paulo: Martins Fontes, 1980. [ Links ]

30. Rosa MD. O não dito e a Psicanálise com crianças. [Thesis]: São Paulo: Pontifica Universidade Catolica; 1995 [ Links ]

31. Käes R. Introdução. In Le Générationnel. Approche en thérapie familiale psychanalytique. Edição Consultada: A transmissão do psiquismo entre gerações: Enfoque em terapia familiar psicanalítica. São Paulo:Unimarco; 1998. [ Links ]

32. Eiguer, AA. Parte maldita da herança. In Le Générationnel. Approche en thérapie familiale psychanalytique. Edição Consultada: A transmissão do psiquismo entre gerações: Enfoque em terapia familiar psicanalítica. Capítulo A parte Maldita da Herança, São Paulo, Unimarco, 1ª Edição, 1998 [ Links ]

33. Lacan J. La Famille. Edição consultada: A Família, Assírio e Alvim, Lisboa, 1978. [ Links ]

34. Ruffino R. Sobre o lugar da adolescência na teoria do sujeito - Adolescência: uma abordagem Psicanalítica. Clara Regina Rappaport (org.), São Paulo, EPU, 1993. [ Links ]

35. Morgado MA. Personalização da lei - um mal-estar na cultura brasileira. [Thesis]: São Paulo: Pontifica Universidade Catolica; 1997. [ Links ]

36. Sarti CA. Família patriarcal entre os pobres urbanos? Cad Pesqui. 1992; 82: 37-41. [ Links ]

37. Reis LPC, Rabinovich EP. The phantom of repetition and mother/ daughter relationship. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum 2006; 16(3): 39-52 [ Links ]

Recebido: Janeiro de 2023; Aceito: Abril de 2023; Publicado: Agosto de 2023

Autor correspondente gilsonparra@hotmail.com

Contribuições dos autores

Hugo Macedo Jr: Participated in the study design, discussion of results and final version of the text; Raul Albino Pacheco: Participated in the general orientation of the research, definition of the study design, statistical analysis, discussion of results and final version of the text;

Conflito de Interesse:

Os autores relatam nenhum conflito de interesse.

Creative Commons License This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.