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Journal of Human Growth and Development
Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598
J. Hum. Growth Dev. vol.33 no.3 Santo André Sept./Dec. 2023 Epub Jan 20, 2025
https://doi.org/10.36311/jhgd.v33.15284
ARTIGO ORIGINAL
Por que alguns pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo após terapia trombolítica endovenosa não melhoram? Um estudo caso-controle
aCentro Universitário FMABC, Santo André, São Paulo, Brazil.
bInstituto Inspectto de Ensino, Pesquisa e Inovação, Palmas, Tocantins, Brazil
cHospital Regional do Cariri, Setor de imagem, Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil.
dHospital Regional do Cariri, Unidade de AVC, Juazeiro do Norte, Ceará, Brasil.
Introdução
a terapia trombolítica é a principal medida salvadora adotada em vítimas de acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI), adequada para a maioria delas. Entretanto, alguns pacientes não apresentam evolução clínica, piorando o prognóstico, o que constitui uma lacuna científica essencial.
Objetivo
analisar os determinantes da não melhora clínica em pacientes com AVC em uso de trombolíticos rt-PA.
Método
estudo observacional retrospectivo caso-controle, realizado de 2014 a 2017 por meio de busca ativa de prontuários de pacientes com AVC submetidos à terapia trombolítica em um hospital de referência no Ceará. A falência clínica foi caracterizada como ausência de redução no National Institutes of Health Stroke Scale-Score (NIHSS).
Resultados
um total de 139 pacientes incluídos no estudo em uma única unidade de AVC. A média de idade foi de 66,14 anos (variando de 34 a 95). O seguimento de 24 horas foi completado em 100% dos pacientes. Resultado favorável 24 horas pós-trombólise foi observado em 113 pacientes (81,29%), e não houve melhora clínica em 26 (18,7%). A transformação hemorrágica pós-trombólise foi um forte preditor de não melhora (p=0,004), e diabetes foi o principal fator de risco modificável encontrado (p=0,040).
Conclusão
diabetes e transformação hemorrágica após trombólise foram identificados como fatores de risco para não melhora clínica em pacientes com AVC agudo submetidos à terapia trombolítica.
Palavras-Chave: NIHSS; derrame; trombólise; terapia trombolítica
Why was this study done?
This research shows that the treatment of patients with acute stroke is problematic and which characteristics need to be evaluated as a risk factor for a poor prognosis to improve the healthcare of these patients.
What did the researchers do and find?
In our study (case-control study), we investigated who is associated with clinical failure after thrombolytic therapy in patients with acute ischemic stroke in a cohort of 139 clinical patients diagnosed with ICVA who presented a neurological deficit of significant intensity and development time less than 4.5 hours before start of thrombolytic infusion and cranial tomography without evidence of bleeding before administration. Data collection will take place over a period of three years (2014-2017) from a Stroke unit in a referral public hospital in Ceará, northeastern Brazil. Clinical failure was assessed using the National Institutes of Health Stroke Scale and other variables were extracted from medical records.
What do these findings mean?
The main factors associated with clinical failure were diabetes and post-thrombolytic hemorrhagic transformation. These factors need to be evaluated in the clinical evaluation to improve the quality of medical care and achieve better outcomes for these patients.
Key words: epidemiology; NIHSS; stroke; thrombolysis; thrombolytic therapy
Introduction
thrombolytic therapy is the primary saving measure adopted in ischemic cerebrovascular accident (ICVA) victims, adequate for most of them. However, some patients do not show clinical progress, worsening the prognosis, which constitutes an essential scientific gap.
Objective
to analyze the determinants of clinical non-improvement in stroke patients who used rt-PA thrombolytic agentes.
Methods
retrospective observational case-control study, carried out from 2014 to 2017 through an active search of medical records of CVA patients undergoing thrombolytic therapy in a reference hospital in Ceará. Clinical failure was characterized as no reduction in the National Institutes of Health Stroke Scale-Score (NIHSS).
Results
a total of 139 patients enrolled in the study in a single CVA unit. The mean age was 66.14 years (range 34 to 95). The 24-hour follow-up was completed in 100% of patients. A favorable result 24 hours post-thrombolysis was observed in 113 patients (81.29%), and there was no clinical improvement in 26 (18.7%). Post-thrombolysis hemorrhagic transformation was a strong predictor of no improvement (p=0.004), and diabetes was the main modifiable risk factor found (p=0.040).
Conclusion
diabetes and hemorrhagic transformation after thrombolysis were identified as risk factors for clinical non-improvement in patients with acute stroke undergoing thrombolytic therapy.
Key words: epidemiology; NIHSS; stroke; thrombolysis; thrombolytic therapy
Approximately 19% of patients with Ischemic Cerebrovascular Accident in public hospital stroke unit had clinical failure of treatment.
Hemorrhagic transformation after thrombolysis has been shown to be a risk factor for clinical failure.
The diabetes was an important factor in clinical failure of treatment for acute ischemic stroke after intravenous thrombolytic therapy.
Key words: epidemiology; NIHSS; stroke; thrombolysis; thrombolytic therapy
Síntese dos autores
Por que este estudo foi feito?
Esta pesquisa mostra que o manejo de pacientes com AVC agudo é problemático e quais características precisam ser avaliadas como fator de risco para um mau prognóstico, com o objetivo de melhorar a assistência à saúde desses pacientes.
O que os pesquisadores fizeram e encontraram?
Em nosso estudo (estudo caso-controle), investigamos quem está associado à falha clínica após terapia trombolítica em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo em uma coorte de 139 pacientes clínicos com diagnóstico de AVI que apresentavam déficit neurológico de intensidade significativa apresentaram déficit neurológico de intensidade significativa, tempo de evolução inferior a 4,5 horas antes do início da infusão de trombolítico e tomografia de crânio sem evidência de sangramento para administração. de uma unidade de Stoke em um hospital público. A coleta de dados ocorrerá durante um período de três anos (2014-2017) em um hospital de referência no Ceará, nordeste do Brasil. A falha clínica foi avaliada por meio da National Institutes of Health Stroke Scale e outras variáveis foram extraídas dos prontuários.
O que essas descobertas significam?
The main factors associated with clinical failure were diabetes and post-thrombolytic hemorrhagic transformation. These factors need to be evaluated in the clinical evaluation to improve the quality of medical care and achieve better outcomes for these patients.
Highlights
Aproximadamente 19% dos pacientes com AVI em uma unidade de AVC de um hospital público apresentaram falha clínica do tratamento.
A transformação hemorrágica após trombólise demonstrou ser um fator de risco para a não redução da NIHSS.
Diabetes foi um fator importante na falência clínica do tratamento do AVC isquêmico agudo após terapia trombolítica intravenosa.
INTRODUÇÃO
O Acidente Vascular Cerebral, definido como um déficit neurológico focal súbito, é uma das mais importantes causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil, é a segunda causa de morte na população adulta, correspondendo a 10% das causas de internações hospitalares públicas1,2.
O AVC isquêmico (AVCi) caracteriza-se pela redução aguda do fluxo sanguíneo para uma área selecionada do cérebro. Entre os principais fatores de risco encontram-se os hábitos e o estilo de vida atuais, sendo o tabagismo, a ingesta de alto teor de gordura e o sedentarismo aqueles que mais se destacam3. Além deles, doenças crônico-degenerativas, como hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus (DM), favorecem o evento isquêmico2.
Por se tratar de uma doença incapacitante e de elevada incidência, com elevado custo social e econômico, o tratamento deve ser realizado precocemente. A trombólise intravenosa com alteplase (recombinant tissue-plasminogen activator rt-PA) é o tratamento farmacológico aprovado pelo Food and Drug Adminstration (FDA) para AVC isquêmico agudo3. Para que essa seja efetiva é de extrema importância a implementação de critérios clínicos e laboratoriais que norteiem o uso do medicamento, fazendo com que a recanalização do vaso obstruído seja feita da melhor forma, reestabelecendo o fluxo sanguíneo e evitando a morte de células nervosas3.
O uso de rt-PA endovenoso é, atualmente, a terapêutica mais utilizada nos centros de referências. Os critérios de inclusão para seu uso são: idade acima de dezoito anos, diagnóstico clínico de AVCi, déficit neurológico de intensidade significativa, evolução menor que 4,5 horas antes do início da infusão do trombolítico e neuroimagem do crânio sem evidências de hemorragia. Dessa maneira, é realizada a trombólise e critérios clínicos são reavaliados para averiguar o resultado do procedimento3.
Existem inúmeros protocolos para padronizar o exame neurológico, que são realizados no momento que o paciente chega ao pronto-atendimento e após a trombólise. O National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS) é um deles e estabelece uma lista de 11 itens que são analisados e pontuados no momento da anamnese e do exame físico, variando de 0 a 42 pontos, sendo os pacientes mais graves aqueles com pontuação maior. Essa é uma escala padrão, validada, segura e quantitativa da severidade e magnitude do déficit neurológico após o AVC, por avaliar nível de consciência, desvio ocular, paresia facial, linguagem, fala, negligência/extinção, função motora e sensitiva dos membros e ataxia4-6.
O resultado do National Institutes of Health Stroke Scale-Score (NIHSS) é um importante preditor da eficácia terapêutica7, e, portanto, deve ser executado em um período curto de 5 a 8 minutos, no contexto do tratamento de pacientes vítimas de AVC isquêmico agudo.
Sendo assim e mostrando-se como escala de avaliação de comprometimento neurológico com evidências de confiabilidade clinicamente aceitáveis e de boa aplicabilidade clínica, a NIHSS apresenta-se como importante instrumento para avaliar a eficácia do tratamento trombolítico em pacientes vítimas de AVC isquêmico agudo nos serviços hospitalares7. Entretanto, apesar das evidências de melhor prognóstico na maioria dos indivíduos que fazem uso do trombolítico, observa-se ainda que alguns pacientes apresentam evolução desfavorável, o que nesse estudo será denominado de “não melhora clínica”, caracterizada pelo desfecho não esperado após instituição adequada da terapêutica preconizada.
Assim, faz-se necessário estudos para avaliar os fatores que podem estar envolvidos na não melhora clínica desses pacientes pós-trombólise química, a fim de eliminá-los, se possível, e obter resultados ainda mais favoráveis, com redução da morbimortalidade associada ao evento isquêmico. O objetivo do presente estudo foi analisar os determinantes da não melhora clínica de pacientes vítimas de AVCi que utilizaram trombolítico rt-PA.
MÉTODO
Study Design
Seguindo as orientações da STROBE guideline8, este é um estudo retrospectivo de caso-controle.
Local do estudo e período
O presente estudo foi realizado no Hospital Regional do Cariri, através de verificação de dados registrados nos prontuários de pacientes vítimas de Acidente Vascular Cerebral Isquêmico submetidos à trombólise endovenosa no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017.
População de estudo e critérios de elegibilidade
Constitui-se de uma população de pacientes atendidos pelo Hospital Regional do Cariri – HRC, diagnosticados com Acidente Vascular Cerebral Isquêmico, que foram submetidos à terapia trombolítica endovenosa e acompanhados diariamente através do protocolo do NIHSS na Unidade de AVC do HRC.
Foram incluídos participantes com idade acima de dezoito anos e diagnóstico clínico de AVCi que apresentavam déficit neurológico de intensidade significativa com tempo de evolução menor que 4,5 horas antes do início da infusão do trombolítico e tomografia de crânio sem evidências de hemorragia para o seu uso. Por outro lado, participantes com dados incompletos registrados no prontuário que prejudicassem a interpretação de dados fundamentais para esse estudo foram excluídos para reduzir viés de informação.
Foram definidos como casos, os participantes que não apresentaram redução da pontuação no NIHSS após o uso do trombolítico, enquanto os controles foram os que apresentaram redução da pontuação no NIHSS e melhoraram dos sintomas.
Coleta dos dados
Todas as variáveis foram coletadas de prontuários arquivados no HRC dos pacientes diagnosticados clinicamente com Acidente Vascular Cerebral Isquêmico que foram submetidos à terapia trombolítica endovenosa.
Sexo, idade, tabagismo, diabetes e hipertensão foram variáveis coletadas relacionadas a características sociodemográficas e história pregressa dos participantes. Variáveis do momento da admissão foram coletadas para investigar se alguma característica entre níveis pressóricos, glicêmicos e escore NIHSS à admissão são relacionadas a não redução do escore NIHSS. Presença de achados na tomografia computadorizada (TC) de crânio relacionados à isquemia, tempo do ictus até a trombólise e transformação hemorrágica pós-trombólise foram outras características referentes à evolução clínica dos participantes. Algumas variáveis quantitativas foram categorizadas de acordo com os pontos de corte apresentados no quadro 1.
Quadro 1 : Variáveis quantitativas e pontos de corte de classificação.
| Variável | Ponto de corte | Classificação |
|---|---|---|
| Nível pressórico na admissão | PAS* > 140 X PAD 90 mmhg | Elevação dos níveis pressóricos na admissão |
| Nível glicêmico na admissão | 200 ou mais mg/dl | Elevação de níveis glicêmicos na admissão |
| Escore NIHSS à admissão | Superior a 15 | Maior intensidade do déficit neurológico segundo escore NIHSS |
| Tempo do ictus até a trombólise | Acima de duas horas e 30 minutos | Tempo de duração dos sintomas |
| Idade | Maior ou igual a 60 anos | Idoso |
PAS = pressão arterial sistêmica; PAD: Pressão Arterial Diastólica
Análise dos dados
Estatística descritiva foi apresentada por meio de frequências absolutas e relativas, e odds. Para investigar os fatores relacionados ao risco de não apresentar redução do escore NIHSS entre os grupos, utilizou-se regressão logística, estimando o Odds Ratio (OR) e respectivos intervalos de confiança (IC 95%) e valores de probabilidade. Análises de subgrupos e interações foram analisadas por meio de regressão logística múltipla, onde foram incluídas as variáveis que apresentaram pelo menos 0,20 de probabilidade de influenciar o desfecho. Dados faltantes foram excluídos quando representavam mais de 40% de falta de respostas para a variável. O nível de significância foi de 5%. O programa utilizado foi o Stata (StataCorp, LC), versão 11.0.
Aspectos éticos e legais da pesquisa
A pesquisa obedeceu a todos os critérios estabelecidos na resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta os estudos envolvendo seres humanos. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e por não haver procedimento ou intervenção, os riscos foram inerentes a extravio de prontuários. Esses riscos foram mínimos, pois os mesmos foram consultados na própria sala de arquivo hospitalar onde os prontuários são guardados. A pesquisa só foi iniciada após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC (Parecer nº: 3.746.941).
RESULTADOS
Participantes
Foram identificados 142 prontuários referentes ao período selecionado. Destes, 3 foram excluídos por não apresentarem todos os dados referentes aos critérios de elegibilidade, e 139 prontuários de pacientes com AVCi foram incluídos no estudo.
Dados descritivos
O perfil dos pacientes incluídos no estudo foi: sexo masculino (n=78; 56,12%), idoso (n=93; 66,91%) e histórico de tabagismo atual ou pregresso (n=79; 56,83%). Vinte e sete pacientes apresentavam diabetes (19,42%) e noventa e oito hipertensão arterial (70,50%) (tabela 1).
Tabela 1 : Perfil epidemiológico de 139 pacientes com AVC agudo internados entre janeiro de 2014 a dezembro de 2017 em uma unidade de AVC do HRC, Ceará.
| Variáveis | N | % |
|---|---|---|
| Sexo | ||
| Feminino | 61 | 43,88 |
| Masculino | 78 | 56,12 |
| Idoso | ||
| Não (< 60 anos) | 46 | 33,09 |
| Sim (> 60 anos) | 93 | 66,91 |
| Tabagismo | ||
| Não | 60 | 43,17 |
| Atual / pregresso | 79 | 56,83 |
| Diabetes | ||
| Não | 112 | 80,58 |
| Sim | 27 | 19,42 |
| Hipertensão | ||
| Não | 41 | 29,50 |
| Sim | 98 | 70,50 |
| Média (dp) | mín, máx. | |
| Idade | 66,1 (13,4) | 34; 95 |
| Escore NIHSS | 12,7 (5,2) | 4; 26 |
DP: desvio padrão; Mín: Máx: Valores mínimo e máximo, respectivamente.
Durante a admissão, 16,55% dos pacientes apresentavam elevação pressórica (n=23), 17,27% apresentavam nível glicêmico acima de 200mg/dl (n=24), 48,20% realizaram tomografia computadorizada de crânio (n=67). Mais da metade dos pacientes (66,19%, n=92) não apresentava alto nível de severidade das lesões causadas pelo AVCi, avaliados pelo escore NIHSS acima de 15, sendo que 52,52% apresentaram tempo de ictus até a trombose superior a três horas (n=73) e 25,18% (n=35) apresentaram transformação hemorrágica pós-trombólise (tabela 2).
Tabela 2 : Características clínicas durante a admissão e evolução dos pacientes com Acidente Vascular Cerebral agudo isquêmico internados no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017 na unidade AVC do HRC, Ceará.
| Variáveis | N | % |
|---|---|---|
| Alteração pressórica na admissão | ||
| Não | 116 | 83,45 |
| Sim | 23 | 16,55 |
| Nível glicêmico na admissão | ||
| Até 200mg/dl | 115 | 82,73 |
| Acima de 200mg/dl | 24 | 17,27 |
| TC de crânio admissão | ||
| Não | 72 | 51,80 |
| Sim | 67 | 48,20 |
| Escore NIHSS admissão | ||
| Até 15 | 92 | 66,19 |
| +15 | 47 | 33,81 |
| Tempo de ictus até a trombólise | ||
| Até 3 horas | 66 | 47,48 |
| +3 horas | 73 | 52,52 |
| Transformação hemorrágica pós-trombólise | ||
| Não | 104 | 74,82 |
| Sim | 35 | 25,18 |
| Redução do NIHSS | ||
| Sim | 113 | 81,29 |
| Não | 26 | 18,71 |
Dados do desfecho
De todos os pacientes, 18,71% dos pacientes não apresentaram redução do escore NIHSS (n=26) (Tabela 2).
Principais resultados
A presença de diabetes mostrou-se associada a maior chance de não redução do NIHSS na população estudada, já que os pacientes com diabetes apresentam 2,52 mais chances de não apresentar redução do NIHSS do que os pacientes sem diabetes (OR = 3,52; IC 95% 1,37 a 9,06; p=0,009). As outras características sociodemográficas não apresentaram associação com a não redução do NIHSS (p>0,05) (tabela 3).
Tabela 3 : Fatores sociodemográficos associados a não redução do escore NIHSS em pacientes com Acidente Vascular Cerebral isquêmico agudo internados no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017 na unidade AVC do HRC, Ceará.
| Variáveis | Redução | Non- reduction NIHSS | Odds | OR (CI 95%) | p* |
|---|---|---|---|---|---|
| Sexo | |||||
| Feminino | 54 | 7 | 0,129 | ref. | ref. |
| Masculino | 59 | 19 | 0,322 | 2,48 (0,97; 6,37) | 0,058 |
| Idoso | |||||
| Não | 41 | 5 | 0,121 | ref. | ref. |
| Sim | 72 | 21 | 0,291 | 2,39 (0,83; 6,82) | 0,108 |
| Tabagismo | |||||
| Não | 48 | 12 | 0,250 | ref. | ref. |
| Atual / pregresso | 65 | 14 | 0,215 | 0,86 (0,36; 2,02) | 0,733 |
| Diabetes | |||||
| Não | 96 | 16 | 0,166 | ref. | ref. |
| Sim | 17 | 10 | 0,588 | 3,52 (1,37; 9,06) | 0,009 |
| Hipertensão | |||||
| Não | 34 | 7 | 0,205 | ref | ref |
| Sim | 79 | 19 | 0,241 | 1,16 (0,44; 3,03) | 0,750 |
Ref. Categoria de referência; IC 95%: Intervalo de confiança de 95%; *Regressão Logística
Das características clínicas, apenas a presença de transformação hemorrágica pós-trombólise (p=0,002) mostrou-se como fator de risco, representando chance de 4,13 vezes (IC 95% 1,68 a 10,16) de não redução do NIHSS quando comparados aos pacientes que não apresentaram transformação hemorrágica pós-trombólise (tabela 4).
Tabela 4 Características clínicas à admissão e evolução associadas a não redução do escore NIHSS em pacientes com Acidente Vascular Cerebral isquêmico agudo internados no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017 na unidade AVC do HRC, Ceará.
| Variáveis | Reduction NIHSS | Non- reduction NIHSS | Odds | OR (CI 95%) | p* |
|---|---|---|---|---|---|
| Alteração pressórica na admissão | |||||
| Não | 94 | 22 | 0.234 | ref | ref |
| Sim | 19 | 4 | 0.210 | 0.89 (0.27; 2.90) | 0.860 |
| Nível glicêmico na admissão | |||||
| Até 200mg/dl | 97 | 18 | 0.186 | ref | ref |
| Acima de 200mg/dl | 17 | 8 | 0.471 | 2.53 (0.95; 6.75) | 0.063 |
| TC de crânio admissão | |||||
| Não | 61 | 11 | 0.180 | ref | ref |
| Sim | 52 | 15 | 0.288 | 1.59 (0.67; 3.78) | 0.285 |
| Escore NIHSS admissão | |||||
| Até 15 | 37 | 10 | 0.270 | ref | ref |
| 15+ | 76 | 16 | 0.210 | 0.78 (0.32; 1.88) | 0.579 |
| Tempo de ictus até a trombólise | |||||
| Até 3 horas | 54 | 12 | 0.222 | ref | ref |
| 3+ horas | 59 | 14 | 0.237 | 1.07 (0.45; 2.51) | 0.880 |
| Transformação hemorrágica pós-trombólise | |||||
| Não | 91 | 13 | 0.142 | ref | ref |
| Sim | 22 | 13 | 0.591 | 4.13 (1.68; 10.16) | 0.002 |
Ref. Categoria de referência; IC 95%: Intervalo de confiança de 95%; *Regressão Logística
As características sociodemográficas ou clínicas que apresentaram uma relação de tendência para a não redução do NIHSS (p<0,20) foram incluídas no modelo múltiplo junto as características significantes. Nesse sentido, sexo, ser idoso, presença de diabetes e de transformação hemorrágica pós-trombólise foram incluídas na análise multivariada (tabela 5). Nesse modelo foi possível observar que a não redução do NIHSS nos pacientes estudados foi influenciada tanto pela presença de diabetes quanto pela presença de transformação hemorrágica pós-trombólise, sendo respectivamente, 1,92% e 3,17% mais chance de apresentar não redução do NIHSS (OR=2,92; IC 95% 1,05 a 8,17; p=0,040) e OR=4,17; IC 95% 1,59 a 10,98; p=0,004).
Tabela 5 : Análise multivariada dos fatores associados a não redução do escore NIHSS com Acidente Vascular Cerebral isquêmico agudo internados no período de janeiro de 2014 a dezembro de 2017 na unidade AVC do HRC, Ceará.
| Variáveis | OR (CI 95%) | p* |
|---|---|---|
| Sexo | ||
| Feminino | ref | ref |
| Masculino | 2,70 (0,97; 7,50) | 0,057 |
| Idoso | ||
| Não | ref | ref |
| Sim | 2,56 (0,84; 7,80) | 0,098 |
| Diabetes | ||
| Não | ref | ref |
| Sim | 2,92 (1,05; 8,17) | 0,040 |
| Transformação hemorrágica pós-trombólise | ||
| Não | ref | ref |
| Sim | 4,17 (1,58; 10,98) | 0,004 |
*Regressão Logística Multivariada; OR: Odds Ratio; Ref. Categoria de referência; IC 95%: Intervalo de confiança de 95%;
DISCUSSÃO
Principais resultados
Aproximadamente 18,5% dos participantes incluídos no estudo não apresentaram melhora clínica (redução do escore NIHSS) após a terapia trombolítica endovenosa. Nesses pacientes, a presença de diabetes e a de transformação hemorrágica pós-trombólise aumentaram o risco de não melhora clínica em 1,92% (variando de 5 a 717%) e 3,17% (variando de 58 a 998%), respectivamente.
Limitações
O fato de ser um estudo retrospectivo em que as fontes dos dados foram os registros hospitalares dos pacientes pode ser reconhecido como um viés, tendo em vista que originalmente esses dados não foram coletados para realização de pesquisas, mas ajudam a entender melhor determinantes a saúde, sendo comumente utilizados em pesquisas científicas ao redor do mundo3.
Outro fato interessante que deve ser tido como cautela, são as estimativas intervalares dos principais resultados encontrados nesse estudo. Isso pode ter ocorrido pelo fato da amostra selecionada para o estudo ser reduzida9 o que pode ser decorrente da incompletude do detalhamento dos dados e do período de recrutamento dos pacientes para inclusão no estudo.
O caráter retrospectivo e a realização em um único centro especializado também são limitações desta investigação. Outra limitação evidenciada é que essa investigação não possui dados sobre acompanhamento a longo prazo dos pacientes estudados, o que pode estar relacionado ao viés de precisão das estimativas em relação aos pacientes com recuperações atrasadas.
Por outro lado, os resultados desta pesquisa podem favorecer a maior efetividade na execução do protocolo de trombólise para pacientes com diagnóstico de acidente vascular cerebral isquêmico, subsidiar políticas públicas com vistas à instalação de um tratamento mais precoce na rede de atenção à saúde, auxiliar a identificar pacientes que possam não se beneficiar totalmente da trombólise química isolada, ajudando a selecionar aqueles que podem precisar de terapia adjunta. Além disso, essa investigação pode auxiliar o profissional de saúde como um preditor de resultados precoces, servindo como gerador de hipóteses para estudos futuros acerca da trombólise química.
Interpretação
Muitos estudos10 avaliam os determinantes da degeneração neurológica precoce, por ser determinante para o prognóstico dos pacientes acometidos por AVCi, sendo esta uma das primeiras pesquisas a avaliar quais os determinantes da não melhora clínica dos pacientes pós-AVCi, independente da degeneração neurológica precoce.
Neste estudo, procurou-se identificar e descrever alguns fatores de risco para não melhora clínica baseada no escore NIHSS em pacientes vítimas de AVCi submetidos a trombólise endovenosa com rt-PA. Apesar de os fatores de risco encontrados terem sido a diabetes e a transformação hemorrágica, parece não haver relação entre ambos3.
A hemorragia intracerebral é uma complicação importante relacionada ao uso de rt-PA dada letalidade que impacta aproximadamente metade dos pacientes nessas condições3, sendo um determinante para não melhora dos pacientes estudados no presente estudo. Entretanto, a frequência de transformação hemorrágica (sintomática e assintomática) encontrada (24,81%), foi inferior em relação ao estudo realizado por Ferreira et al., que encontraram frequência de 32,37% de transformação hemorrágica, sendo 21% assintomáticas e 10,98% sintomáticas15.
O diabetes, principal fator de risco encontrado relacionado a não melhora clínica dos pacientes pós-trombólise com rt-PA, já é bastante conhecida como um determinante a deterioração neurológica precoce pós-AVCi, principalmente pela sua relação com hiperfibrinogenemia que impacta diretamente a cascata de coagulação14.
Outros fatores, apesar de clinicamente relevantes para melhor prognóstico dos pacientes, não apresentaram associação com a não melhora clínica dos pacientes com AVCi. Nesse estudo, encontrou-se uma tendência do sexo masculino e do fato de ser idoso como determinantes à não melhora clínica de acordo com escore NIHSS.
A maioria dos pacientes era do sexo masculino, semelhantemente a outros estudos16,17. Em um estudo de coorte, Savitz et al. evidenciaram que as lesões oclusivas vasculares foram mais propensas a recanalizar em mulheres do que homens em resposta ao trombolítico endovenoso18.
No estudo, onde a idade igual ou superior a 60 anos apresentou tendência de aumento do risco da não melhora clínica, a idade média dos participantes foi de 66,14 anos, próxima à encontrada na literatura19,20. Engelter et al. mostraram que pacientes com AVC tratados com rt-PA por via endovenosa com idade igual ou superior a 80 anos apresentaram um resultado menos favorável do que os mais jovens21. Ressalta-se, porém, que alguns trabalhos evidenciam que os benefícios da trombólise mostraram-se independentes da idade20,21.
A idade não deve ser um critério de exclusão para avaliar a possibilidade do uso do rt-PA, notadamente naqueles com bom estado geral e sem disfunção de órgãos. O uso crescente do rt-PA nos indivíduos acima de 80 anos e a sua inclusão em ensaios clínicos e estudos randomizados permitiu obter conclusões acerca dos benefícios dessas estratégias terapêuticas nesta faixa etária21. A possibilidade de pacientes idosos se beneficiarem de trombólise é clinicamente relevante, uma vez que a idade é um dos principais fatores determinantes de incapacidade e morte em pacientes com AVC22.
Outros fatores clinicamente importantes como histórico de hipertensão arterial, tabagismo e características clínicas durante a admissão não apresentaram relação estatística com a não melhora clínica.
A casuística apresentou elevada frequência de fatores de risco entre os pacientes estudados. Hipertensão arterial sistêmica foi a comorbidade mais prevalente na amostra estudada, assim como foi encontrado em outros estudos23,24. Dados do estudo NINDS e de um recente estudo aberto canadense mostraram que glicemia e níveis não controlados de pressão arterial são marcadores de resultados adversos em pacientes tratados com trombólise25. o que corrobora com os dados encontrados nesse estudo, no qual a maior parte dos participantes era hipertenso e o diabetes foi um fator de risco para não melhora clínica.
Medidas simples para agilizar a terapia trombolítica são importantes para reduzir as incapacidades funcionais e a mortalidade. Além disso, é imprescindível trabalhar a prevenção dos fatores de risco modificáveis para diminuir a ocorrência do AVC, com ênfase na redução das taxas epidemiológicas do diabetes e com medidas de promoção de saúde focadas no controle glicêmico.
CONCLUSÃO
Os determinantes da não melhora clínica de pacientes vítimas de AVCi que utilizaram trombolítico rt-PA encontrados no presente estudo foram a presença de diabetes e a de transformação hemorrágica pós-trombólise. Esses fatores devem ser considerados para pacientes com AVCi agudo submetidos à terapia trombolítica, com o objetivo de proporcionar melhor avaliação do prognóstico dos pacientes.
Agradecimentos
Em memória de Fernando Adami.
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Financiamento: Nenhum.
Recebido: Maio de 2023; Aceito: Agosto de 2023; Publicado: Dezembro de 2023










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