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Journal of Human Growth and Development

versão impressa ISSN 0104-1282versão On-line ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.33 no.3 Santo André set./dec. 2023  Epub 20-Jan-2025

https://doi.org/10.36311/jhgd.v33.15285 

ARTIGO ORIGINAL

Três anos de pandemia da COVID-19: análise comparativa da incidência, letalidade e mortalidade entre os Estados da região sul do Brasil

Silvana de Azevedo Britoa  b 

Luiz Carlos de Abreuc  d 

Daniel Alvarez Estradaa  b 

Matheus Paiva Emidio Cavalcantic 

Marcelo Ferraz Camposb 

Alzira Alves de Siqueira Carvalhoa 

aProfessor assistente. Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Centro Universitário FMABC - Santo André, São Paulo, Brasil;

bLaboratório de Delineamento de Estudo e Escrita Científica, Centro Universitário FMABC - Santo André, São Paulo, Brasil;

cPrograma de Pós-Graduação em Ciências Médicas / Processos Imunes e Infecciosos. Faculdade de Medicina FMUSP, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brazil;

dProfessor Titular. Departamento de Educação Integrada em Saúde. Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil;


Resumo

Introdução

no Brasil, o primeiro caso por COVID-19 foi confirmado em 26 fevereiro de 2020 Até o dia 17 março de 2023, o Ministério da Saúde contabilizou 699.634 mortes por COVID-19, com uma taxa de letalidade de 1,9%. O impacto da pandemia da COVID-19 no Brasil em esferas socioeconômicas e de sistema de saúde e reflexo das grandes diferenças regionais.

Objetivo

analisar a mortalidade, incidência e letalidade por COVID-19 nos estados do paraná e santa catarina, região sul brasileira.

Método

trata-se de estudo ecológico de séries temporais utilizando dados secundários oficiais brasileiros para os casos e mortes por COVID-19. Os dados foram extraídos do painel da Secretaria Estadual de Saúde dos estados de Santa Catarina e Paraná. Para a análise da tendência, desenvolveu-se séries temporais a partir do modelo de regressão de Prais-Winsten. As análises estatísticas foram realizadas com o uso do software STATA 14.0 (College Station, TX, EUA, 2013).

Resultados

na análise das taxas no período total analisado, as tendências para mortalidade, letalidade e incidência no estado de Santa Catarina são decrescente, decrescente e estacionária, respectivamente. Já no estado do Paraná, as taxas no período total apresentaram tendência estacionária, decrescente e crescente para mortalidade, letalidade e incidência, respectivamente.

Conclusão

a COVID-19 promoveu efeito devastador sobre os estados de Santa Catarina e parana. Ambos os estados sofreram com o andamento da pandemia a COVID-19, sendo que no estado do Paraná observou-se maiores taxas de letalidade e mortalidade, sendo que em Santa Catarina obteve maior taxa de incidência ao longo do strês anos de vig~enci ada pandemia da COVID-19.

Palavras-Chave: COVID-19; incidência; letalidade; mortalidade; tendência

Authors summary

Why was this study done?

This study was conducted to analyze and compare the outcomes of the COVID-19 pandemic in the states of Paraná and Santa Catarina, in the southern region of Brazil. The aim was to understand how socio-economic, demographic, and health factors influenced the incidence, mortality, and case fatality rates of COVID-19 in these states. The research sought to provide valuable insights for policymakers and healthcare professionals, facilitating informed decision-making on prevention, control, and treatment strategies for the disease. Additionally, it underscored the importance of mass vaccination as an effective implement in pandemic containment.

What did the researchers do and find?

The researchers conducted a study to analyze and compare the outcomes of the COVID-19 pandemic in the states of Paraná and Santa Catarina, in the southern region of Brazil. They examined socio-economic, demographic, and health factors such as population density, age distribution, socio-economic inequalities, and social indicators to understand how these elements influenced the incidence, mortality, and case fatality rates of COVID-19 in both states. The results revealed that Paraná had higher case fatality and mortality rates, while Santa Catarina had a higher incidence rate. Mass vaccination was identified as a crucial factor in reducing severe cases and deaths from COVID-19 in both states. Therefore, the researchers emphasized the ongoing importance of epidemiological surveillance and the adaptation of public policies to address the pandemic.

What do these findings mean?

The findings mean that socio-economic, demographic, and health factors have a substantial impact on the outcomes of the COVID-19 pandemic in different regions. In the specific case of the states of Paraná and Santa Catarina in the southern region of Brazil, the results indicate that Paraná faced more significant challenges in terms of mortality and case fatality, while Santa Catarina had a higher incidence of cases. Mass vaccination was highlighted as an effective strategy in reducing severe cases and deaths. This emphasizes the ongoing importance of evidence-based public policies, epidemiological surveillance, and preventive health measures to control and mitigate the effects of the pandemic. Additionally, the results highlight the need to consider the socio-economic and demographic specificities of each region when planning and implementing pandemic response strategies.

Key words: COVID-19; incidence; case fatality; mortality, trend

Abstract

Introduction

the first COVID-19 case in Brazil was confirmed on February 26, 2020. As of March 17, 2023, the Ministry of Health reported 699,634 deaths from COVID-19, with a case fatality rate of 1.9%. The impact of the COVID-19 pandemic in Brazil extends to socioeconomic and healthcare systems, reflecting significant regional disparities.

Objective

To analyze mortality, incidence, and case fatality rates for COVID-19 in the states of Paraná and Santa Catarina, in the southern region of Brazil.

Methods

This is an ecological time-series study using official Brazilian secondary data for COVID-19 cases and deaths. Data were extracted from the dashboard of the State Health Department of Santa Catarina and Paraná. Temporal series were developed for trend analysis using the Prais-Winsten regression model. Statistical analyses were performed using STATA 14.0 software (College Station, TX, USA, 2013).

Results

In the analysis of rates over the entire period, trends for mortality, case fatality, and incidence in the state of Santa Catarina are decreasing, decreasing, and stationary, respectively. In Paraná, rates over the entire period showed a stationary trend for mortality, decreasing for case fatality, and increasing for incidence.

Conclusion

COVID-19 had a devastating effect on the states of Santa Catarina and Paraná. Both states experienced the progression of the COVID-19 pandemic, with higher case fatality and mortality rates observed in Paraná, while Santa Catarina had a higher incidence rate over the three years of the COVID-19 pandemic.

Key words: COVID-19; incidence; case fatality; mortality, trend

Highlights

The study presents a novel analysis of the evolution of COVID-19 in the states of Paraná and Santa Catarina, both located in the southern region of Brazil. Using an ecological time series study method, researchers investigated trends in mortality, case fatality, and incidence over the analyzed period. The results reveal significant disparities between the states, with Santa Catarina showing decreasing trends in all rates, while Paraná exhibits variations, particularly higher case fatality and mortality rates. This approach allows a unique insight into the pandemic’s impact in these regions, contributing to a deeper understanding of the dynamics of COVID-19 in the Brazilian regional context.

Key words: COVID-19; incidence; case fatality; mortality, trend

Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

O estudo foi conduzido para analisar e comparar os desfechos da pandemia COVID-19 nos estados do Paraná e Santa Catarina, situados na região sul do Brasil. Buscamos compreender como fatores socioeconômicos, demográficos e de saúde influenciaram as taxas de incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 nesses estados. A pesquisa visou fornecer insights valiosos para formuladores de políticas públicas e profissionais de saúde, facilitando a tomada de decisões informadas sobre estratégias de prevenção, controle e tratamento da doença. Além disso, destacou a importância da vacinação em massa como uma ferramenta eficaz na contenção da pandemia.

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Os pesquisadores conduziram um estudo para analisar e comparar os desfechos da pandemia COVID-19 nos estados do Paraná e Santa Catarina, na região sul do Brasil. Eles examinaram fatores socioeconômicos, demográficos e de saúde, como densidade populacional, distribuição etária, desigualdades socioeconômicas e indicadores sociais, para entender como esses elementos influenciaram as taxas de incidência, mortalidade e letalidade da COVID-19 em ambos os estados.

Os resultados revelaram que o Paraná apresentou maiores taxas de letalidade e mortalidade, enquanto Santa Catarina teve uma taxa de incidência mais elevada. A vacinação em massa foi identificada como um fator crucial na redução dos casos graves e das mortes por COVID-19 em ambos os estados. Assim, os pesquisadores enfatizaram a importância contínua da vigilância epidemiológica e da adaptação de políticas públicas no combate a pandemia.

O que essas descobertas significam?

As descobertas significam que fatores socioeconômicos, demográficos e de saúde têm um impacto substancial nos resultados da pandemia COVID-19 em diferentes regiões. No caso específico dos estados do Paraná e Santa Catarina, situados na região sul do Brasil, os resultados indicam que o Paraná enfrentou desafios mais graves em termos de mortalidade e letalidade, enquanto Santa Catarina teve uma incidência mais alta de casos. A vacinação em massa foi destacada como uma estratégia eficaz na redução de casos graves e mortes. Isso enfatiza a importância contínua de políticas públicas baseadas em evidências, vigilância epidemiológica e medidas de saúde preventivas para controlar e mitigar os efeitos da pandemia. Além disso, os resultados destacam a necessidade de considerar as particularidades socioeconômicas e demográficas de cada região ao planejar e implementar estratégias de resposta à pandemia.

Highlights

O estudo apresenta uma análise inédita da evolução da COVID-19 nos estados do Paraná e Santa Catarina, ambos localizados na região sul do Brasil. Utilizando um método de estudo ecológico de séries temporais, os pesquisadores investigaram as tendências de mortalidade, letalidade e incidência ao longo do período analisado. Os resultados revelaram disparidades significativas entre os estados, com Santa Catarina mostrando tendências decrescentes em todas as taxas, enquanto o Paraná apresentou variações, com destaque para maiores taxas de letalidade e mortalidade. Essa abordagem permitiu uma visão única do impacto da pandemia nessas regiões, contribuindo para uma melhor compreensão das dinâmicas da COVID-19 no contexto regional brasileiro.

INTRODUÇÃO

O COVID-19, causado pelo vírus SARS-CoV-2, emergiu como uma ameaça significativa à saúde global1. Desde a sua identificação inicial em Wuhan, China, em dezembro de 2019, o COVID-19 se espalhou pelo mundo, resultando em impacto devastador na saúde pública e na economia1. Em 29 de março de 2023, houve mais de 761 milhões de casos confirmados e mais de 6,8 milhões de mortes em todo o mundo, com a Europa isoladamente respondendo por mais de 2,2 milhões de mortes2.

Em 7 de janeiro de 2020 as autoridades chinesas confirmaram o aparecimento de uma nova doença, tendo como agente causador um vírus que pertence à família coronaviridae, nomeando a cepa SARS-CoV-2 que foi classificada no gênero betacoronavírus3. O Novo Coronavírus apresenta semelhança com outros Coronavírus da mesma família e sua gravidade pode variar, desde pacientes infectados assintomáticos a pacientes que desenvolvem a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

A doença se propagou numa velocidade exponencial e em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saude (OMS) declarou emergência global pelo SARS-CoV-2, e, mais tarde, em 11 de março do mesmo ano, foi declarada pandemia3. A forma como a doença se alastrou, colocou o mundo em estado de alerta, pois nada parecido havia surgido até então no século XXI, ocasionando grande impacto tanto no sistema de saúde como na economia mundial.

O vírus mobilizou pesquisadores, cientistas, comunidades médicas, na tentativa de desvendar sua origem e a forma de contágio chamando atenção para sua velocidade de disseminação e sua capacidade de contaminação, inquietando as autoridades em relação a sobrecarga dos serviços de saúde4.

A principal via de transmissão é por contato direto por meio de gotículas respiratórias, tosse e/ou espirros de indivíduos infectados. Além disso, estudos sugerem que o vírus pode ser capaz de propagar-se por via aérea por intermédio de aerossóis, embora não existam provas experimentais que comprovem a transmissão de longo alcance destes aerossóis na infecção por COVID-195.

No Brasil, o primeiro caso por COVID-19 foi confirmado em 26 fevereiro de 2020, cujo infectado foi um homem de 61 anos, proveniente da Itália. Apenas 48h após a confirmação do primeiro caso no país, uma equipe de pesquisadores brasileiros anunciou o sequenciamento completo do Novo Coronavírus. A pandemia foi decretada em 11 de março 2020 e, em 12 de março de 2020, ocorreu a primeira morte por COVID-19 no Brasil. Até o dia 17 março de 2023, o Ministério da Saúde contabilizou 699.634 mortes por COVID-19 no Brasil, com taxa de letalidade de 1,9%6.

A manifestação clínica do COVID-19 é heterogênea entre os indivíduos sendo influenciada por fatores como idade, sexo, etnia e condições de saúde subjacentes7. São descritos casos assintomáticos assim como casos com evolução grave e risco de vida7. Os adultos mais velhos, indivíduos com problemas de saúde pré-existentes e aqueles com sistema imunológico debilitado são mais vulneráveis à infecções graves e mortalidade associada7,8.

O Brasil apresenta um cenário epidemiológico complexo com muitas diferenças regionais devido à grande dimensão continental, divergências climáticas, vegetativas, culturais e socioeconômicas. O Ministério da Saúde solicitou que todos os estados e municípios adotassem intervenções não farmacológicas para promover o distanciamento social e evitar aglomerações, conforme previamente recomendado pela OMS9.

Na região sul do Brasil o COVID-19 teve início nas capitais dos estados, expandindo-se através das principais rodovias. A projeção de casos da doença foi maior em Santa Catarina e menor no Rio Grande do Sul10.

O Estado de Santa Catarina é divisa dos Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, possui um clima subtropical e a ocorrência de neve durante o inverno não é incomum, principalmente nas regiões serranas. Além disso, possui um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com elevada expectativa de vida sendo a economia de Santa Catarina prevalente nos setores agroindustrial, mecânico, têxtil e turístico, formando uma economia forte e dinâmica11.

Os dois primeiros casos de COVID-19 em Santa Catarina foram confirmados em 12 de março de 2020, ambos em Florianópolis - um paciente proveniente de Nova Iorque e o outro de Países Baixos. O primeiro óbito foi confirmado em 26 de março de 2020 em São José na Grande Florianópolis12. Com o aparecimento de novos casos, novos decretos foram aprovados a fim de estabelecerem medidas mais rigorosas e interromper a disseminação do vírus13.

O Paraná está entre os Estados mais desenvolvidos do Brasil, com uma cultura influenciada por imigrantes devido ao processo de migração de brasileiros e estrangeiros com fortes descendências européias. Possui um clima subtropical com chuvas e temperaturas amenas durante todo o ano. A economia deste Estado se baseia na atividade agrícola e industrial (alimentícia, automobilística e eletroeletrônica), além do forte setor turístico. Além disso, o Paraná oferece uma infraestrutura logística adequada, com uma grande rede de ferrovias,rodovias, portos marítimos e fluviais, além da Usina de Itaipu11.

No Paraná, os primeiros seis casos de COVID-19 foram anunciados no dia 12 de março de 2020, cinco em Curitiba e um em Cianorte na região Noroeste do Estado, e as primeiras mortes ocorreram em 25 de março de 2020. Segundo o boletim da Secretaria da Saúde deste estado, o ano com maior número de casos foi em 2021, que somou 32.234 óbitos, sendo este período conhecido como a “segunda onda” da pandemia, quando a variante Delta foi predominante mundialmente14,15.

A repercussão da pandemia da COVID-19 no Brasil nas esferas socioeconômica e de saúde, as grandes diferenças regionais no país e o elevado número de casos e óbitos em Santa Catarina e Paraná, motivou-nos a analisar a mortalidade, incidência e letalidade da COVID-19 nestes dois estados.

MÉTODO

Desenho e local de estudo

Trata-se de um estudo ecológico e de séries temporais. Utilizou-se o protocolo de Abreu, Emulsharaf e Siqueira16, para a análise dos dados oficiais de casos e mortes por COVID-19, nos estados de Santa Catarina e Paraná.

Os dados públicos estão disponíveis no site https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Coronavirus-COVID-19 para o Estado do Paraná e para Santa Catarina, as informações foram extraídas de https://www.saude.pr.gov.br/Pagina/Coronavirus-COVID-19 e https://dados.sc.gov.br/dataset/covid-19-dados-anonimizados-de-casos-confirmados/resource/76d6dfe8-7fe9-45c1-95f4-cab971803d49 respectivamente.

Tabela 1 : Características sociodemográficas do Estado de Santa Catarina e Paraná, 2023 

Características sociodemográficas Santa Catarina Paraná
Região* Sul Sul
Número de municípios* 295 284
Capital do Estado* Florianópolis Curitiba
Extensão territorial* (2022) 95.730,690 km2 199.298.981 km2
População Estimada (2021) 7.338.473 pessoas 11.597.484 pessoas
Densidade demográfica* (último censo, 2010) 65,29hab/km2 52,40hab/km2
Situação domiciliar urbana (2010)* 5.247.913 pessoas 8.912.692 pessoas
Situação domiciliar rural (2010)* 1.000.523 pessoas 1.531.834 pessoas
Renda mensal domiciliar per capita* R$ 2.018 R$ 1.846
Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) (último censo, 2010)* 0.774 0,749
Número de Unidades Básicas de Saúde do Sistema Unico de Saúde (SUS) (2009)* 2.856 estabelecimentos 4.091 estabelecimentos
SUS ambulatorial* 2.136 estabelecimentos 3.307 estabelecimentos
SUS diálise* 42 estabelecimentos 69 estabelecimentos
SUS emergência* 254 estabelecimentos 446 estabelecimentos
SUS internação* 194 estabelecimentos 411 estabelecimentos
SUS UTI* 42 estabelecimentos 76 estabelecimentos
Número de leitos para internação em estabelecimentos de saúde (2009)* 15.557 leitos 26.793 leitos
Público* 3.509 leitos 6.512 leitos
Privado* 12.048 leitos 20.281 leitos

Fonte: *Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística11.

Amostragem e critérios de elegibilidade

Foram incluídos todos os casos e mortes por COVID-19 de 2020 a 2022. As ocorrências foram confirmadas por diagnóstico laboratorial, clínico e clínico-epidemiológico. A COVID-19 foi categorizada de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, 10ª edição (CID-10) como “U07.1 COVID-19, vírus identificado” ou “U07.2 COVID-19, vírus não identificado”17.

Os óbitos e casos foram classificados por data de início dos sintomas. Foram excluídos do estudo casos sem informação da data de notificação ou óbito. Em seguida, um segundo autor verificou os dados extraídos, e um terceiro investigador fez uma checagem final em caso de discrepâncias. Por fim, as informações foram registadas numa folha de cálculo Excel (Microsoft Corporation, Redmond, WA, EUA).

Análise estatística

O número de casos e óbitos da COVID-19 foram descritos por frequência absoluta (n) e relativa (%). Para cada estado, foram calculados a taxa de incidência (número de casos por 100 mil habitantes), mortalidade (número de óbitos por 100 mil habitantes) e letalidade (%) conforme descrito abaixo:

(1) Incidência: número de casos população ×100,000
(2) Mortalidade: número de mortes população ×100,000
(3) Letalidade: número de mortes número de casos ×100

A obtenção do número de habitantes levou em consideração a projeção da população de cada estado de 2000-2030. Para Santa Catarina, utilizou-se a população estimada para o ano de 2020, (8.628.901 habitantes), 2021 (8.710.364 habitantes) e 2022 (8.789.130 habitantes). No Paraná, utilizou-se a população estimada de para o ano de 2020(11.516.840 habitantes), 2021 (11.597.484 habitantes) e 2022 (11.443.208 habitantes)11.

Para analisar a tendência, utilizou-se o protocolo de Antunes e Cardoso (ANTUNES; CARDOSO, 2015)18. As séries temporais foram construídas aplicando o modelo de regressão de Prais-Winsten19.

As séries temporais são amplamente utilizadas na saúde pública e epidemiologia para analisar e prever a incidência de doenças ao longo do tempo como no caso da COVID-19, identificando padrões e tendências sazonais da doença.

Por meio da identificação de tendências sazonais da COVID-19 na análise de séries temporais obtém-se a identificação das tendências, permitindo ampla visualização das ondas da doença ao longo do tempo analisado. Ademais, essa medida epidemiológica permite monitoramento de surtos da COVID-19 em tempo real, permitindo a ação imediata das autoridades de saúde na implementação de medidas de controle eficazes. Outra linha de aplicabilidade das séries temporais é a avaliação da eficácia de intervenções preventivas (uso de mascaramento facial, vacinação, doses de reforços vacinais e medidas de distanciamento sociais).

As séries temporais permitem que os pesquisadores e profissionais de saúde monitorem e respondam a surtos de doenças, antevejam a incidência de doenças, identifiquem tendências sazonais e avaliem a eficácia das intervenções de prevenção e controle de doenças, como no caso da pandemia da COVID-19.

A utilização do modelo de regressão de Prais-Winsten, permitiu a autocorrelação de primeira ordem para analisar os valores das séries temporais e facilitar a avaliação e classificação da incidência, mortalidade e letalidade em crescente, decrescente ou estacionária19. As tendências foram classificadas como estacionárias quando o p-valor não foi significativo (p > 0,05)18.

Os valores de probabilidade (p) e de variação percentual diária (VPD), consideraram um nível de significância de 95%, sendo que para os cálculos foram aplicadas três diferentes equações das quais, β é o coeficiente angular da regressão linear, sendo o ul (índice) o limite superior, e u (índice) o limite inferior do nível de confiança.

VPD =(10β1)×100% (1)
( IC95% )ul=(10Bmax 1)×100% (2)
(IC95%)11=(10βmin1)×100% (3)

Para comparar proporções, utilizou-se o teste z bicaudal, considerando significativas as diferenças com valor de p < 0,0518.

As análises estatísticas foram realizadas com o uso do software STATA 14.0 (College Station, TX, EUA, 2013).

Aspectos éticos

Os dados obtidos do sistema de informação mantido pelo Ministério da Saúde são confiáveis, possibilitando o seu uso como ferramenta factível para análise dos indicadores epidemiológicos da COVID-1917. Como se trata de dados públicos e de amplo acesso, não se faz necessário dar entrada no Comitê de Ética de Pesquisa Científica (CEP) para a obtenção da aprovação do estudo.

RESULTADOS

No estado de Santa Catarina, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022 houve registros de eventos relacionados à pandemia COVID-19, sendo contabilizados um total de 1 972 219 casos e 22 636 óbitos confirmados por COVID-19. Na tabela 2, é descrito a distribuição mensal dos casos e óbitos confirmados por COVID-19 ao longo do tempo (2020 a 2022) neste estado.

Tabela 2 : Distribuição mensal de casos e óbitos confirmados por COVID-19 no estado de Santa Catarina, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

Ano Mês Casos confirmados Óbitos confirmados
Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%) Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%)
2020 Janeiro 0 0 0 0
Fevereiro 81 0.004 0 0
Março 1789 0.090 6 0.026
Abril 3268 0.165 50 0.220
Maio 10 313 0.522 97 0.428
Junho 34 205 1,734 230 1,016
Julho 92 731 4,701 901 3,980
Agosto 53 654 2,720 1061 4,687
Setembro 29 830 1,512 516 2,279
Outubro 57 199 2,900 329 1,453
Novembro 148 243 7,516 711 3,141
Dezembro 105 691 5,358 1509 6,666
2021 Janeiro 80 477 4,080 1110 4,903
Fevereiro 120 048 6,086 1128 4,983
Março 130 024 6,592 3723 16,447
Abril 75 662 3,836 2480 10,955
Maio 84 374 4,278 1728 7,633
Junho 77 234 3,916 1521 6,719
Julho 51 049 2,588 1083 4,784
Agosto 38 852 1,969 698 3,083
Setembro 27 805 1,409 528 2,332
Outubro 20 904 1,059 380 1,678
Novembro 13 382 0.678 298 1,316
Dezembro 15 640 0.793 182 0.804
2022 Janeiro 337 542 17,114 493 2,177
Fevereiro 109 693 5,561 759 3,353
Março 16 336 0.828 243 1,073
Abril 13 118 0.665 65 0.287
Maio 41 578 2,108 78 0.344
Junho 46 277 2,346 169 0.746
Julho 36 979 1,874 208 0.918
Agosto 12 769 0.647 111 0.490
Setembro 3502 0.177 41 0.181
Outubro 3309 0.167 12 0.053
Novembro 36 433 1,847 56 0.247
Dezembro 42 228 2,141 132 0.583
Total 1 972 219 1 972 219 100.00 22 636 100.00

Fonte: Informações extraídas do Painel Coronavírus 11 em 12 de janeiro de 2023, disponível em:< https://covid.saude.gov.br/>.

Por sua vez, no estado do Paraná, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022, foram registrados um total de 2 888 258 casos e 45 815 óbitos confirmados de COVID-19. A distribuição mensal dos casos e óbitos confirmados por COVID-19 é descrita na tabela 3.

Tabela 3 : Distribuição mensal de casos e óbitos confirmados por COVID-19 no estado do Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

Ano Mês Casos confirmados Óbitos confirmados
Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%) Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%)
2020 Janeiro 0 0 0 0
Fevereiro 0 0 0 0
Março 285 0.009 6 0.013
Abril 1747 0.060 110 0.240
Maio 4647 0.160 125 0.272
Junho 24 357 0.843 625 1,364
Julho 57 817 2,001 1434 3,129
Agosto 58 679 2,031 1570 3,426
Setembro 49 528 1,714 1243 2,713
Outubro 35 626 1,233 826 1,802
Novembro 85 980 2,976 1048 2,287
Dezembro 125,809 4,355 2325 5,074
2021 Janeiro 119 206 4,127 1990 4,343
Fevereiro 107 867 3,734 2044 4,461
Março 173 553 6,008 6517 14,224
Abril 103 382 3,579 4516 9,857
Maio 196 949 6,818 4928 10,756
Junho 166 103 5,750 5443 11,880
Julho 72 616 2,514 2625 5,729
Agosto 70 515 2,441 1592 3,474
Setembro 60 445 2,092 1358 2,964
Outubro 30 680 1,062 835 1,822
Novembro 14 060 0.486 402 0.877
Dezembro 10 256 0.355 148 0.323
2022 Janeiro 477 423 16,529 647 1,412
Fevereiro 318 867 11,040 1354 2,955
Março 56 391 1,952 482 1,052
Abril 28 615 0.990 122 0.266
Maio 109 466 3,790 229 0.499
Junho 90 606 3,137 360 0.785
Julho 57 639 1,995 273 0.595
Agosto 33 202 1,149 19–2 0.419
Setembro 8156 0.294 87 0.189
Outubro 4187 0.144 35 0.076
Novembro 40 434 1,399 72 0.157
Dezembro 92 805 3,213 252 0.550
Total 2 888 258 2 888 258 100.00 45 815 100.00

Fonte: Informações extraídas do Painel Coronavírus15 em 12 de agosto de 2022, disponível em:< https://covid.saude.gov.br/>.

No estado de Santa Catarina, os primeiros casos confirmados por COVID-19 foram registrados no mês de fevereiro de 2020, correspondendo a 0,004% do total de casos ao longo do período analisado. Em relação aos óbitos, os primeiros registros surgiram a partir do mês de abril do mesmo ano, correspondendo a frequência relativa de 0,96% dos óbitos.

Em 2020, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 em Santa Catarina, foi de 44 750,3 e 450,8 respectivamente. Os meses em que houve maior número de casos confirmados foram julho (4,70%), novembro (7,51%) e dezembro (5,35%). Em relação aos óbitos confirmados, os meses que se destacaram foram julho (3,98%), agosto (4,68%) e dezembro (6,66%).

Dando continuidade ao período pandêmico, em 2021, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 foi de 58 313,7 e 197,25 respectivamente. Aqui, destacaram-se os meses de fevereiro, março e maio para os casos confirmados, sendo 6,08%, 6,59% e 4,27%, respectivamente. Em relação ao número total de óbitos deste ano, os meses mais evidentes foram março, abril e maio com 16,44%, 10,95% e 7,63% em relação ao período total de óbitos, respectivamente.

No ano de 2022, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 foi de 19.588,92 e 155,41 respectivamente. O mês de janeiro mostrou o maior número, correspondendo a 17,11% do total de casos, seguido pelo mês de fevereiro, com 5,56% e junho com 2,34%. No caso dos óbitos, os meses de janeiro fevereiro e março, mostraram frequências relativas de óbitos equivalente a 2,17%, 3,35% e 1,07%, respectivamente.

Tabela 4 : Distribuição mensal das taxas de mortalidade, letalidade e incidência da COVID-19 nos estados Santa Catarina e Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

ANO MÊS Santa Catarina Paraná
Mortalidade (100.000 hab.) Letalidade (100%) Incidência (100.000 hab.) Mortalidade (100.000 hab.) Letalidade (100%) Incidência (100.000 hab.)
2020 Janeiro 0 0 0 0 0 0
Fevereiro 0 0 0 0 0 0
Março 0.082 0.335 24.620 0.051 2.105 2.469
Abril 0.688 1.529 44.975 0.953 6.296 15.140
Maio 1.333 0.940 141.975 1.083 2.689 40.273
Junho 3.165 0.672 470.742 5.416 2.565 211.092
Julho 12.399 0.971 1276.197 12.427 2.480 501.078
Agosto 14.601 1.977 738.406 13.606 2.675 508.757
Setembro 7.101 1.729 410.531 10.772 2.509 429.240
Outubro 4.527 0.575 787.194 7.158 2.318 308.757
Novembro 9.785 0.479 2040.174 9.082 1.218 745.156
Dezembro 20.767 1.427 1454.558 20.149 1.848 1090.339
TOTAL 74.45 1.00 7.390.44 80.70 2.09 3852.09
2021 Janeiro 15.098 1.379 1142.321 17.148 1.669 1.027.252
Fevereiro 15.343 0.939 1632.909 17.614 1.894 929.539
Março 50.640 2.863 1768.604 56.159 3.755 1.495.585
Abril 33.733 3.277 1029.165 38.916 4.368 890.889
Maio 23.504 2.048 1147.666 42.466 2.502 1.697.199
Junho 20.688 1.969 1050.547 46.904 3.276 1.431.385
Julho 14.731 2.121 694.375 22.620 3.614 625.765
Agosto 9.494 1.796 528.470 13.718 2.257 607.659
Setembro 7.181 1.898 378.207 11.702 2.246 520.882
Outubro 5.168 1.817 284.339 7.195 2.721 264.383
Novembro 4.053 2.226 182.023 3.464 2.859 121.161
Dezembro 2.475 1.163 212.737 1.275 1.443 88.380
TOTAL 202.11 2.02 10.051.36 279.18 2.87 9.700.08
2022 Janeiro 6.630 0.146 4539.460 5.545 0.135 4092.328
Fevereiro 10.207 0.691 1475.215 11.606 0.424 2733.233
Março 3.268 1.487 219.696 4.131 0.854 483.366
Abril 0.874 0.495 176.418 1.045 0.426 245.279
Maio 1.048 0.187 559.165 1.962 0.209 938.310
Junho 2.272 0.365 622.359 3.085 0.397 776.647
Julho 2.797 0.562 497.315 2.34 0.473 494.064
Agosto 1.492 0.869 171.724 1.645 0.578 284.597
Setembro 0.551 1.17 47.096 0.745 1.021 72.996
Outubro 0.161 0.362 44.501 0.300 0.835 35.889
Novembro 0.753 0.153 489.972 0.617 0.178 346.588
TOTAL 1.775 0.312 567.906 2.16 0.271 795.496
308,40 31.832 0.338 9.410.832 35.186 0.311 11 298.799
Total 308.40 1.14 26.852.64 395.07 1.58 24.850.98

Como demonstrado na tabela 3, os primeiros casos confirmados por COVID-19 no estado do Paraná foram registrados no mês de março de 2020, correspondendo a 0,009% do total de casos ao longo do período investigado e seis óbitos, no mesmo mês, o que equivale a 0,01% do número total de óbitos do período total analisado.

Em 2020, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 no estado do Paraná, foi de 37 039,58 e 776, respectivamente. Os meses que houve maior número de casos confirmados foram agosto (2,03%), novembro (2,97%) e dezembro (4,35%). Em relação aos óbitos confirmados, os meses mais relevantes foram julho (3,12%), agosto (3,42%) e dezembro (5,07%).

Em 2021, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 foi de 93.802,67 e 2.699,83, respectivamente. Neste ano, foi notória nos meses de março, maio e junho sendo 6,00%, 6,81% e 5,75%, em relação ao período total de casos e 14,22%, 10,75% e 11,88% em relação ao período total de óbitos.

No ano de 2022, a média de casos e óbitos confirmados por COVID-19 foi de 109 845,9 e 342,08, respectivamente. Destacou-se o mês de janeiro, correspondendo a 16,52% do total de casos, seguido pelo mês de fevereiro, com 11,04% dos casos e maio com 3,79%. Em contrapartida, os meses referentes aos maiores números de óbitos foram janeiro, fevereiro e março, com as frequências relativas, equivalente a 1,41%, 2,95% e 1,05%, respectivamente.

Para ambos os estados, a tabela 5 demonstra as taxas de mortalidade, letalidade e incidência da COVID-19.

Tabela 5 : Estimativas da regressão de Prais-Winsten e variação percentual diária (VPD) das taxas de mortalidade, letalidade e incidência da COVID-19 dos estados Santa Catarina e Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

TAXA/ANO REGRESSÃO LINEAR
β P VPD (IC95%) Tendência
SANTA CATARINA
MORTALIDADE
2020 a 2022 -0,00057 0,022 -0,13 -0,24 ; -0,02 Decrescente
2020 -0,0052064 <0.001 1,21 0,90 ; 1,51 Crescente
2021 -0,0029476 <0.001 -0,68 -0,86 ; -0,49 Decrescente
2022 -0,0022546 <0.001 -0,52 -0,73 ; -0,31 Decrescente
LETALIDADE
2020 a 2022 -0,0004837 <0.001 -0,11 -0,16 ; -0,06 Decrescente
2020 -0,0010693 0,031 -0,25 -0,47 ; -0,02 Decrescente
2021 -0,0000551 0,847 -0,01 -0,14 ; 0,12 Estacionária
2022 0,0009924 0,106 0,23 -0,05 ; 0,51 Estacionária
INCIDÊNCIA
2020 a 2022 0,0002509 0,625 0,06 -0,17 ; 0,29 Estacionária
2020 0,0066926 <0.001 1,55 1,12 ; 1,98 Crescente
2021 -0,0028518 <0.001 -0,65 -0,78 ; -0,53 Decrescente
2022 -0,0027203 0,129 -0,62 -1,43 ; 0,18 Estacionária
PARANÁ
MORTALIDADE
2020 a 2022 -0,000557 0,119 -0,13 -0,29 ; 0,03 Estacionária
2020 0,0060981 <0.001 1,41 1,04 ; 1.79 Crescente
2021 -0,0035531 <0.001 -0,81 -1,13 ; -0,50 Decrescente
2022 -0,0026543 <0.001 -0,61 -0,61 ; -0,84 Decrescente
LETALIDADE
2020 a 2022 -0,0010223 <0.001 -0,24 -0,28 ; -0,19 Decrescente
2020 -0,0019057 <0.001 -0,44 -0,56 ; -0,31 Decrescente
2021 -0,0001992 0,351 -0,05 -0,14 ; 0,05 Estacionária
2022 0,0008202 0,069 0,19 -0,01 ; 0,39 Estacionária
INCIDÊNCIA
2020 a 2022 0,0016438 0,001 0,38 0,16 ; 0,60 Crescente
2020 0,0118071 <0.001 2,76 1,94 ; 3,58 Crescente
2021 -0,0033085 <0.001 -0,76 -0,94 ; -0,58 Decrescente
2022 -0,0030327 <0.001 -0,70 -1,08 ; -0,31 Decrescente

β – coeficiente de regressão; P – p-value; VPD – Variação percentual diária; IC95% - intervalo de confiança 95%. * Diferença estatística detectada pelo teste de regressão de Prais-Winsten, p<0,05.

Ao comparar as taxas de letalidade entre os estados de Santa Catarina e Paraná, notou-se que durante o período analisado, a taxa total manteve-se maior no estado do Paraná, sendo destacados os meses de abril de 2020 (1,52%), abril de 2021 (3,27%) e julho de 2022 (0,56%).

Ao comparar as incidências, o estado de Santa Catarina destacou-se mediante ao outro estado, apresentando as maiores taxas. No ano de 2021, obteve-se maior taxa de incidência pelo COVID-19 em Santa Catarina, sendo um total de 10 051,36 por 100 000 habitantes, em comparação a uma taxa de 9700,08 por 100 000 habitantes no estado do Paraná.

A letalidade no Paraná foi maior durante todos os períodos assim como mortalidade em relação à Santa Catarina, sendo a maior taxa observada no ano de 2021 no valor de 279,18 por 100 000 habitantes.

As tendências das taxas de mortalidade, letalidade e incidência da COVID-19 nos estados Santa Catarina e Paraná podem ser visualizadas na tabela 5. Para as análises consideradas estatisticamente significativas (p<0,005), a VPD revela a porcentagem de variação diária, sendo demonstrado o acréscimo ou decréscimo para as variáveis.

Para o estado do Santa Catarina, quando analisadas as taxas no período total, as tendências para mortalidade, letalidade e incidência são decrescente, decrescente e estacionária, respectivamente. No estado do Paraná, o comportamento para as mesmas taxas e período, é de tendência estacionária, decrescente e crescente, respectivamente.

Ao analisarmos a curva de incidência (Figura 1), podemos observar que o maior pico ocorreu em janeiro de 2022, quando o estado de Santa Catarina apresentou valores mais elevados de incidência, com um declínio mais acentuado em relação ao estado do Paraná. Os picos de incidência a partir de janeiro de 2020 foram mais altos em Santa Catarina até março de 2021, momento em que se observou uma incidência maior no estado do Paraná. A partir daí, as curvas mantiveram-se semelhantes até maio de 2022, quando foi possível observar um pico de incidência da COVID-19 no estado do Paraná (Figura 1).

Figura 1 : Análise de tendência das taxas de mortalidade da COVID-19 no estado de Santa Catarina e Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

Quando observamos a curva de análise de tendência de mortalidade (Figura 2), constatamos que o pico de ambas as curvas iniciou-se em fevereiro de 2021, atingindo o ápice no mês de março. O estado do Paraná manteve uma taxa de mortalidade mais elevada, com outro pico em junho de 2021, enquanto o estado de Santa Catarina manteve-se em declínio.

Figura 2 : Análise de tendência das taxas de incidência da COVID-19 no estado de Santa Catarina e Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

O último pico observado até dezembro de 2022 foi em fevereiro de 2022 para ambos os estados (Figura 2).

Na figura (Figura 3), destaca-se que a letalidade foi maior no ano de 2020 nos estados do Paraná e Santa Catarina na fase inicial da doença. Pode-se constatar o pico para ambos os estados no mês de abril de 2020, com o Paraná apresentando percentis maiores em relação a Santa Catarina. Observou-se um aumento expressivo da letalidade em ambos os estados no mês de abril de 2021, onde o Paraná também se manteve superior. A partir do mês de janeiro de 2022, houve uma inversão nas curvas, sendo possível observar que até abril de 2022, os valores de letalidade foram maiores no estado de Santa Catarina (Figura 3).

Figura 3 : Análise de tendência das taxas de letalidade da COVID-19 no estado de Santa Catarina e Paraná, Brasil, no período de janeiro de 2020 a dezembro de 2022 

DISCUSSÃO

Os fatores e desfechos da pandemia COVID-19 são influenciados por desigualdades socio-demográficas, localização geográfica, ideologia política e religiosa. Assim, é necessário estudar e comparar estados com diferentes características socioeconômicas no Brasil, uma vez que essas desigualdades são capazes de estabelecer diferenças nas taxas de mortalidade, incidência e letalidade.

Nos Estados Unidos da América, um estudo analisou como as condições sociais dos condados do país estão relacionadas às diferenças nas taxas de mortalidade por COVID-19. Os achados mostraram que a raça negra, a porcentagem de hispânicos e a desigualdade de renda estavam relacionados com maiores taxas de mortalidade. Deste modo, condições sociais regionais são fortes preditores de como a pandemia foi vivenciada e onde ocorreu mais óbitos20.

Com base nos dados apresentados, o estado do Paraná mostra importantes diferenças na distribuição da pandemia em comparação ao estado de Santa Catarina sendo que as diferenças apontadas são justificadas por diversos fatores, tais como, densidade demográfica e populacional, distribuição etária, condições dos serviços de saúde e data do início de ocorrência da doença nos municípios e regiões21. Em toda pandemia, a região Sul apresentou as menores taxas de incidência e mortalidade.

Um dos indicadores de desigualdade socioeconômica é o Indice de Desenvolvimento Humano (IDH), além de englobar fatores como aspectos da problemática do desenvolvimento, questões de infraestrutura, direitos humanos, políticas públicas, economia e aspectos sociais22.

O IDH dos estados brasileiros incluídos neste estudo são de 0,749 para o Paraná e 0,774 para Santa Catarina. Durante a análise da mortalidade por COVID-19, observou-se que o estado do Paraná manteve uma maior taxa de mortalidade, o que converge com os achados de Rambotti, Wolski e Andeson20, que revelaram uma maior taxa de mortalidade em regiões com maior desigualdade socioeconômica.

Além disso, a taxa de letalidade no Paraná foi maior durante todos os períodos em relação ao estado de Santa Catarina, sendo o mais alto valor observado no ano de 2021 com valor de 279,188 por 100 000 habitantes, o equivalente a 1,38 vezes mais que no estado de Santa Catarina.

Os resultados de um estudo analítico ecológico que analisou a incidência do COVID-19 em associação aos determinantes sociais da saúde na região Nordeste do Brasil23 também corroboraram com os nossos achados, assim como com os de Rambotti, Wolski e Andeson20.

Fatores socioeconômicos e indicadores sociais como o Índice de Gini, taxa de alfabetismo, porcentagem de pessoas vivendo abaixo do nível de pobreza e pessoas residentes em domicílios vulneráveis a pobreza, são fatores de maior incidência de COVID-19 no Nordeste brasileiro23.

O Índice de Gini é responsável pela mensuração do grau de concentração de renda, e consequentemente, de desigualdade social, podendo variar de 0 a 1 e quanto mais próximo de zero, menor é a concentração. No ano de 2020, o Paraná atingiu um Índice de Gini da distribuição do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,755, o número mais baixo desde 2002. As medidas de distanciamento social devido a pandemia favoreceram a queda, uma vez que o setor de serviços foi afetado24.

No mesmo ano, o Índice de Gini de Santa Catarina foi de 0,550, apresentando uma menor desigualdade social em relação ao Paraná25. De acordo com os resultados de Dos Santos Alves23, que indicaram uma maior incidência da COVID-19 em regiões com piores fatores socioeconômicos e indicadores sociais, o estado de Santa Catarina se destacou em relação ao estado do Paraná. Santa Catarina registrou a maior taxa de incidência, totalizando 10.051,36 casos por 100.000 habitantes, comparada a uma taxa de 9.700,084 casos por 100.000 habitantes no estado do Paraná.

Além disso, a renda per capita do estado do Paraná é mais baixa em relação a Santa Catarina que teve menor taxa de letalidade e mortalidade porém, com maior incidência, podendo ser explicado pela melhor capacidade diagnóstica do estado.

Ressalta-se também que, o isolamento na região Sul pode ter apresentado maior efetividade devido a fatores socioeconômicos dos residentes26, já que o número de casos foi mais elevado em regiões que possuíam menor PIB per capita, como as regiões Norte e Nordeste27.

Os achados de um estudo epidemiológico utilizando a base de dados do Instituto John Hopkins e do Ministério da Saúde nos primeiros 65 dias de pandemia na região Sul do Brasil, indicou que apesar do estado de Santa Catarina ter apresentado maior número de casos, o Paraná foi responsável pelo maior número de óbitos e pela maior taxa de letalidade da região Sul10. Esses achados corroboram nosso estudo dos meses de março e abril de 2020, onde o número de óbitos foi mais alto no estado do Paraná mesmo com o número de infectados tendo sido maior em Santa Catarina.

O COVID-19 é uma grande ameaça global à saúde, com milhões de casos confirmados e mortes em todo o mundo, com efeitos deletérios nos diversos sistemas de saúde mundiais, dentre eles o brasileiro.

O Brasil apresenta cenário epidemiológico complexo devido as diferenças regionais e sua grande dimensão continental28. Nos estados de Santa Catarina e Paraná, dois estados da região Sul do Brasil, foi observado elevado número de casos e óbitos. O estudo em questão foi realizado pela necessidade de uma avaliação e comparação mais detalhada no contexto epidemiológico entre os estados.

Como resultado do alto ônus clínico, social, econômico e das altas taxas de mortalidade, incidência e letalidade encontradas, é necessário que o cenário epidemiológico da COVID-19 receba atenção especial. Em uma escala mais ampla, sabe-se que cerca de um terço da população mundial pode ter sido submetida a infecção pelo vírus SARS-CoV-2, número que tende a crescer uma vez que, este vírus permanecera existente29.

Com o declínio da gravidade da infecção aguda por COVID-19 e do número de óbitos ter diminuído gradualmente após a implementação de medidas de restrição, distribuição das doses vacinais, atenuação do vírus, desenvolvimento da imunidade natural e um melhor gerenciamento terapêutico, é imperativo reconhecer a importância de estudos epidemiológicos que acercam a doença, mesmo após o decreto do fim da pandemia.

Em resposta à pandemia da COVID-19, várias intervenções de contenção e mitigação foram implementadas para evitar a sobrecarga dos sistemas de saúde e proteger as populações vulneráveis30. Medidas como distanciamento social, higiene das mãos, máscaras, quarentena e bloqueios têm se mostrado eficazes na redução da transmissão de SARS-CoV-2. No entanto, a vacinação desempenhou um papel crucial na minimização do risco de doenças graves por COVID-197,28,31.

Ao longo desses três anos de pandemia da COVID-19 observa-se uma possível demonstração do papel da vacinação na redução da carga da doença COVID-19 na população dos estados do Paraná e Santa Catarina. Há efeito protetor da vacinação contra complicações e mortes relacionadas à COVID-1932, principalmente entre aqueles que receberam a vacinação primária completa e doses de reforço. A implementação de uma campanha de vacinação em massa pode ter contribuído para reduzir significativamente a pressão sobre o sistema de saúde e a sociedade, impactando positivamente na trajetória contra a pandemia nesses dois estados do sul brasileiro.

As limitações desta pesquisa relacionam-se às mudanças para ajustes nos bancos de dados utilizados, haja vista que pequenas variações podem ocorrer, entretanto, nunca em dado que possa trazer mudanças na interpretação dos resultados ou nas conclusões do estudo.

Ademais, os resultados apresentados são dados parciais, uma vez que a pandemia continua a ser estudada. O número de casos encontrados pode ser maior, considerando as limitações de testes massivos para a detecção de COVID-19.

CONCLUSÃO

O aumento abrupto do número de infectados e óbitos, impactou negativamente a estrutura do serviço de saúde do estado do Paraná e Santa Catarina, assim como demonstrou a necessidade de políticas públicas no manejo da pandemia.

Ao comparar os desfechos epidemiológicos de incidência, letalidade e mortalidade por COVID-19 entre os estados de Santa Catarina e Paraná, região sul do brasil, observa-se que o estado do Paraná apresentou maiores taxas de letalidade e mortalidade, enquanto o estado de Santa Catarina obteve maior taxa de incidência em todo período analisado.

Observou-se que a imunização em massa impactou positivamente na evolução contra a pandemia resultando na tendência estacionária da incidência para ambos estados. Assim, é crucial que os formuladores de políticas de saúde pública permaneçam vigilantes no monitoramento de dados sobre o COVID-19 e adaptem as intervenções de acordo com o envolvimento ativo e informado de todas as partes interessadas relevantes, incluindo os cidadãos.

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Recebido: Maio de 2023; Aceito: Agosto de 2023; Publicado: Dezembro de 2023

Autor correspondente luiz.abreu@ufes.br

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