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Journal of Human Growth and Development

Print version ISSN 0104-1282On-line version ISSN 2175-3598

J. Hum. Growth Dev. vol.34 no.1 Santo André Jan. 2024  Epub Jan 20, 2025

https://doi.org/10.36311/jhgd.v34.15398 

ARTIGO ORIGINAL

Estresse autopercebido por mulheres durante a pandemia de COVID-19: uma pesquisa online com fisioterapeutas Brasileiras

Pablo Cardozo Rocon, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou do planejamento e interpretação da análise dos dados, discussão dos resultados, redação do texto, revisão crítica e aprovação.a 

Flavia Marini Paro, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, coleta de dados, planejamento e interpretação da análise dos dados, discussão dos resultados, redação do texto, revisão crítica e aprovaçãob 

Rodrigo Daros Vieira, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, coordenação da coleta de dados, coleta de dados, discussão dos resultados, revisão crítica do texto e aprovaçãoc 

Amanda Cristina de Souza Andrade, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou do planejamento e interpretação da análise dos dados, realizou a análise estatística, discussão dos resultados, contribuição para a redação do texto, revisão crítica e aprovaçãoa 

Marcela Cangussu Barbalho-Moulim, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, coleta de dados, discussão dos resultados, revisão crítica do texto e aprovaçãob 

Christyne Gomes Toledo de Oliveira, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, coleta de dados, discussão dos resultados, revisão crítica do texto e aprovaçãod 

José Roberto Gonçalves de Abreu, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, revisão crítica do texto e aprovaçãoe 

Halina Duarte, Todos os autores contribuíram para o manuscrito, Participou da concepção do estudo, coordenação do projeto, coleta de dados,, planejamento e interpretação da análise dos dados, discussão dos resultados, revisão crítica e aprovaçãob 

aPrograma de Pós-Graduação em Saúde Coletiva. Instituto de Saúde Coletiva, Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá, Mato Grosso, Brasil;

bCurso de Fisioterapia, Departamento de Educação Integrada em Saúde, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, Espírito Santo, Brasil;

cCurso de Fisioterapia, Centro Universitário Salesiano, Vitória, Espírito Santo, Brasil;

dDepartamento de Psicologia, Centro Universitário Salesiano, Vitória, Espírito Santo, Brasil;

eMestrado em Ciências, Tecnologia e Educação, Centro Universitário do Vale do Cricaré, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.


Síntese dos autores

Por que este estudo foi feito?

A pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de investigar os fatores relacionados com o stress das mulheres, uma vez que mulheres e homens estão expostos de forma diferente às suas consequências. Desde o início da pandemia, estudos avaliaram seus efeitos na saúde física e mental dos profissionais de saúde. Em geral, estes estudos demonstraram elevados níveis de sobrecarga mental entre os profissionais de saúde e as mulheres com médias mais elevadas de stress, ansiedade e depressão do que os homens. Em vários países, os fisioterapeutas (FTs) desempenham um papel decisivo no tratamento de pacientes com COVID-19, atuando em unidades de terapia intensiva, enfermarias hospitalares e na reabilitação após alta hospitalar. No entanto, poucas publicações avaliaram os níveis de estresse entre FTs durante a pandemia e, até onde sabemos, nenhum estudo foi publicado focando especificamente em FTs do sexo feminino.

O que os pesquisadores fizeram e encontraram?

Neste estudo transversal, investigamos os fatores associados a altos níveis de estresse autopercebido em FTs brasileiras durante a pandemia. As análises revelaram que nesta amostra de FTs brasileiras, durante a pandemia de COVID-19, as demandas psicossociais associadas aos altos níveis de estresse percebido foram alta ou extrema preocupação com o trabalho doméstico, ou com o relacionamento com o parceiro, ou com questões financeiras.

O que essas descobertas significam?

Os resultados evidenciam a importância de estudar as diferenças de gênero em pesquisas que avaliam os efeitos da pandemia de COVID-19 na saúde mental. Além disso, os resultados mostram a necessidade de adoção de medidas para enfrentar o sofrimento mental dos profissionais de saúde durante a pandemia, bem como políticas públicas que minimizem o impacto das desigualdades de gênero e profissionais historicamente presentes em diversos países.

Palavras-Chave: COVID-19; saúde mental; fisioterapeutas; estresse; mulheres

Resumo

Introdução

a pandemia de COVID-19 evidenciou a necessidade de investigar os fatores relacionados com o stress em profissionais de saúde do sexo feminino, uma vez que mulheres e homens estão expostos de forma diferente às consequências da pandemia.

Objetivo

analisar quais são as demandas psicossociais e os fatores sociodemográficos e clínicos associados a altos níveis de percepção de estresse em fisioterapeutas brasileiras durante a pandemia.

Método

estudo de corte transversal, cujos dados foram coletados por meio da Escala de Estresse Percebido e de um questionário on-line enviado por e-mail. Para análise dos dados, Odds ratio (OR) não ajustado e ajustado, com seus respectivos intervalos de confiança (IC95%), foram estimados por regressão logística.

Resultados

compuseram a amostra 339 fisioterapeutas. Participantes que relataram muita/extrema preocupação com: afazeres domésticos (OR=2,76; IC95%: 1,40;5,46), ou relacionamento com o parceiro (OR=4,06; IC95%: 1,79;9,21) ou questões financeiras (OR=2,24; IC95%: 1,15;4,35) eram mais propensas a altos níveis de estresse percebido.

Conclusão

os fatores associados a altos níveis de percepção de estresse nesta amostra de fisioterapeutas brasileiras foram as seguintes demandas psicossociais: preocupação alta/extrema com as tarefas domésticas, com o relacionamento com o parceiro, ou questões financeiras.

Palavras-Chave: COVID-19; saúde mental; fisioterapeutas; estresse; mulheres

Highlights

A pandemia da COVID-19 destacou a necessidade de investigar os factores relacionados com o stress das mulheres.

Durante a pandemia da COVID-19, os trabalhadores da saúde apresentaram maiores médias de estresse.

Os fisioterapeutas (FTs) desempenham um papel decisivo no tratamento de doentes com COVID-19, atuando em unidades de cuidados intensivos, enfermarias hospitalares e na reabilitação após alta hospitalar.

Nesta amostra de fisioterapeutas do sexo feminino, as demandas psicossociais associadas aos elevados níveis de stress percebidos foram a preocupação elevada ou extrema com o trabalho doméstico, com relação com o parceiro ou com as questões financeiras.

Palavras-Chave: COVID-19; saúde mental; fisioterapeutas; estresse; mulheres

Authors summary

Why was this study done?

The COVID-19 pandemic highlighted the need to investigate the factors related to women’s stress since women and men are exposed differently to pandemic consequences. Since the emergence of the COVID-19 pandemic, studies have assessed its effects on health professionals’ mental and physical health. In general, these studies have shown high levels of mental burden among health workers and females with higher averages of stress, anxiety, and depression than males. In several countries, physiotherapists (PTs) play a decisive role in the treatment of patients with COVID-19, working in intensive care units, hospital wards, and rehabilitation after hospital discharge. However, few publications assessed the levels of stress among PTs during the pandemic, and to the best of our knowledge, no study was published focusing specifically on female PTs.

What did the researchers do and find?

In this cross-sectional study, we investigated the factors associated with high levels of self-perceived stress in Brazilian PTs during the pandemic. The analyzes revealed that in this sample of Brazilian female PTs, during the COVID-19 pandemic, the psychosocial demands associated with high perceived stress levels were high or extreme concern about housework, or about the relationship with the partner, or financial issues.

What do these findings mean?

The results highlight the importance of study gender differences in research that assesses the effects of the COVID-19 pandemic on the mental health. In addition, the results show the need to adopt measures to address the mental suffering of health professionals during the pandemic, as well as public policies that minimize the impact of gender and professional inequalities historically present in several countries.

Key words: COVID-19; mental health; physical therapists; stress disorders; women

Abstract

Introduction

the COVID-19 pandemic highlighted the need to investigate the factors related to stress in female health professionals since women and men are exposed differently to pandemic consequences.

Objective

to analyze which psychosocial demands, sociodemographic, and clinical factors were associated with high levels of perceived stress among Brazilian female physiotherapists during the COVID-19 pandemic.

Methods

this is a cross-sectional study. The data were collected using the Perceived Stress Scale and an online questionnaire sent by e-mail. Unadjusted and adjusted odds ratios (ORs), with their respective 95% CI, were estimated by logistic regression.

Results

the sample was compounded by 339 physiotherapists. Participants who reported a lot/extreme concern with household workers (OR = 2.76; 95% CI: 1.40; 5.46), or relationship with a partner (OR = 4.06; 95% CI: 1.79; 9.21) or financial questions (OR = 2.24; 95% CI: 1.15; 4.35) were more likely to report high levels of perceived stress. In conclusion, the psychosocial demands associated with high levels of perceived stress are high or extreme concern with household chores, or with the relationship with a partner, or financial issues.

Conclusion

the factors associated with high levels of perceived stress in this sample of Brazilian physiotherapists were the following psychosocial demands: high or extreme concern with household chores, high or extreme with a relationship with a partner, or high or extreme with financial issues.

Key words: COVID-19; mental health; physical therapists; stress disorders; women

Highlights

The COVID-19 pandemic highlighted the need to investigate the factors related to women’s stress.

During the COVID-19 pandemic, health workers presented higher averages of stress.

Physiotherapists (PT) play a decisive role in treating patients with COVID-19, working in intensive care units, hospital wards, and rehabilitation after hospital discharge.

In this sample of female PTs, the psychosocial demands associated with high perceived stress levels were high or extreme concern about housework, the relationship with the partner, or financial issues.

Key words: COVID-19; mental health; physical therapists; stress disorders; women

INTRODUÇÃO

Desde o surgimento da pandemia de COVID-19, vários estudos avaliaram os seus efeitos na saúde física e mental dos profissionais de saúde. De modo geral, esses estudos demonstraram elevados níveis de sobrecarga mental entre trabalhadores da saúde, e as mulheres apresentaram maiores médias de estresse, ansiedade e depressão do que os homens1-6. Apesar disso, a maioria dos estudos tem focado suas análises na elucidação dos aspectos profissionais que impactam a carga mental dos profissionais de saúde independentemente do gênero1-4,7. Portanto, existe uma lacuna nos estudos que investiguem especificamente entre as trabalhadoras o quanto o seu estresse é influenciado por variáveis pessoais, domésticas, econômicas e familiares relacionadas aos papéis de gênero em cada sociedade.

Gausman & Langer8 destacaram a importância de que os estudos sobre pandemias incluam nas suas análises a que denominaram “lente de gênero”, para compreender como mulheres e homens estão expostos de forma diferente às consequências sociais e psicológicas de uma pandemia. Enfatizaram também que estes estudos devem ser realizados em contextos globais, nacionais e locais, bem como em diferentes esferas sociais e profissionais devido às disparidades nos aspectos de igualdade de gênero em todo o mundo.

Em relação aos profissionais de saúde, é importante notar que, nas últimas décadas, a proporção de mulheres na força de trabalho aumentou. Além disso, atualmente, há uma proporção maior de trabalhadoras na força de trabalho da saúde do que na força de trabalho geral9. Portanto, é fundamental identificar os fatores relacionados aos elevados níveis de percepção de estresse entre trabalhadoras de diferentes profissões da saúde para contribuir com o desenvolvimento de políticas e estratégias para o enfrentamento dessa questão.

Em vários países, os fisioterapeutas (FTs) desempenham papel decisivo no tratamento de pacientes com COVID-19, atuando em unidades de terapia intensiva, enfermarias hospitalares e na reabilitação após alta hospitalar10-15. No entanto, embora algumas publicações tenham avaliado os níveis de estresse entre FTs durante esta pandemia2,13,16, não foi encontrado nenhum estudo focando especificamente em FTs do sexo feminino.

Assim, este estudo teve como objetivo analisar quais demandas psicossociais, fatores sociodemográficos e clínicos estiveram associados a níveis elevados de estresse autopercebido entre fisioterapeutas brasileiras durante a pandemia de COVID-19.

MÉTODO

Desenho do estudo

Este estudo transversal17 incluiu uma análise post hoc de subgrupos de fisioterapeutas do sexo feminino que participaram de uma pesquisa por questionário online publicada em 20222.

Local do estudo e período

A coleta de dados foi realizada de maio a junho de 2020, durante o período de distanciamento social no Brasil, por meio de pesquisa online.

População do estudo e critérios de elegibilidade

Foram incluídas todas as FTs cadastradas no Conselho Regional de Fisioterapia-15 (CREFITO-15), que praticavam fisioterapia no estado do Espírito Santo (ES), Brasil, no período da coleta de dados, receberam o questionário e concordaram com o termo de consentimento livre e esclarecido. As FTs que não preencheram o questionário foram excluídas do estudo. Vale ressaltar que o cadastro no CREFITO-15 é obrigatório para todos os FTs que atuam no estado do Espírito Santo.

Para o cálculo da amostra foi considerado o número de FTs cadastrados no CREFITO-15 em maio de 2020, 4.173 FTs (3.266 do sexo feminino e 907 do sexo masculino). Utilizando esse número, o nível de confiança de 0,95 com margem de erro de 5% e proporção de 50%, o tamanho da amostra foi estimado em 352 participantes para análise dos FTs (ambos os sexos), e 275 (78,3% do total amostra) para a análise focada especificamente nas FT do sexo feminino, que foi a população alvo desta análise post hoc de subgrupos. Assim, o tamanho da amostra estimado foi de 275 (nível de confiança de 0,95 e margem de erro de 5%).

Coleta de dados

Para a coleta de dados, o Conselho Regional de Fisioterapia da 15ª Região (CREFITO-15) enviou e-mails a todos os fisioterapeutas cadastrados e praticantes de fisioterapia no estado do Espírito Santo. Os e-mails incluíam um convite para participar da pesquisa e um link para um questionário disponível no Survey Monkey Software. O questionário autorreferido foi estruturado em quatro seções: 1) características sociodemográficas e profissionais, 2) características clínicas e informações relacionadas à pandemia de COVID-19, 3) demandas psicossociais e 4) Escala de Estresse Percebido (PSS-10).

A variável dependente foi o estresse autopercebido mensurado pela Perceived Stress Scale (PSS-10)18, um instrumento amplamente utilizado para a avaliação do estresse autopercebido19-22. O PSS-10 consiste em 10 itens (quatro positivos e seis negativos), que devem ser respondidos em uma escala de frequência Likert, variando de Nunca (0) a Sempre (4). O escore final varia de 0 a 40 e é obtido da soma dos escores das questões. As quatro questões com conotação positiva têm cotação reversa. Alto nível de stress foi definido como um escore igual ou superior ao percentil (escore maior ou igual a 27 pontos), de acordo com a literatura23.

As variáveis de exposição foram os fatores relacionados aos efeitos da COVID-19 nas preocupações dos participantes relacionadas às demandas psicossociais e mensuradas pela pergunta: “Nos últimos 7 dias, quanto os fatores abaixo afetaram você psicologicamente?” a. tarefas domésticas; b. cuidado/relacionamento com crianças; c. relacionamento com o parceiro; d. sobrecarga profissional; e. preocupação com questões financeiras; f. preocupação em estar infectado pelo SARS-CoV-2; g. preocupação com pessoas próximas/familiares infectadas pelo SARS-CoV-2; h. restrição de lazer/convívio social; e eu. solidão. As opções de resposta a essas questões foram: nada, pouco, moderadamente, muito e extremamente2.

As variáveis de ajuste foram: faixa etária em anos (22 a 34; 35 a 69); estado civil (com companheiro – casado/união estável; sem companheiro – solteiro; separado/divorciado; viúvo; outros); filhos (sim ou não); renda (até 5 salários mínimos; acima de 5 salários mínimos); atuar presencialmente como fisioterapeuta (sim ou não); distanciamento (pergunta: “Você considera que está praticando adequadamente as medidas de “distanciamento social” devido ao surto de COVID-19?”, sim ou não); Diagnóstico de Covid-19 (“Você já foi diagnosticado com COVID-19?”, sim ou não).

Análise dos dados

Os dados foram tabulados por meio do software Stata versão 12.0. Para a análise dos dados, foi realizada análise descritiva de todas as variáveis por meio de distribuição de frequência absoluta e relativa. Na análise bivariada, foi calculada a proporção de estresse alto e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) conforme as variáveis independentes. Foram estimados odds ratio (OR) não ajustado e ajustado, com seus respectivos IC95%, por meio de regressão logística. Na análise múltipla foi ajustado um modelo cheio com todas as variáveis incluídas no estudo24. Adotou-se um nível de significância de 5%.

Aspectos éticos e legais da pesquisa

A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa brasileiro do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Espírito Santo (Parecer Nº: 4.032.838 / CAAE: 31522720.2.0000.5060).

RESULTADOS

Foram iniciados 522 questionários e preenchidos 417, perfazendo uma taxa de preenchimento de 79,88%, dos quais 339 foram preenchidos por FTs que se identificaram como pertencentes ao sexo feminino, sendo incluídos nesta amostra.

Portanto, a amostra foi composta por 339 FTs. Dentre eles, 69% tinham entre 18 e 35 anos, 54,87% tinham companheiro, 53,98% não tinham filhos, 67,5% relataram ter renda mensal inferior a 5 salários mínimos, 64,3% relataram trabalhar como FT no período dos dados coleção (tabela 1).

Tabela 1 : Fatores relacionados a altos níveis de stress autopercebido entre fisioterapeutas brasileiras 

Variáveis Total Análise bivariada Análise multivariada
n (%) % (IC95%) OR (IC95%) OR (IC95%)
Faixa etária (anos)
18 a 34 182 (53,69) 21,98 (16,52; 28,62) 1,64 (0,93; 2,89) 1,55 (0,71; 3,36)
35 a 69 157 (46,31) 14,65 (9,91; 21,13) 1,00 1,00
Estado civil
Com companheiro (a) 186 (54,87) 15,05 (10,58; 20,98) 1,00 1,00
Sem companheiro (a) 153 (45,13) 22,88 (16,87; 30,25) 1,67 (0,96; 2,90) 1,67 (0,78; 3,55)
Filhos
Sim 183 (53,98) 21,31 (15,95; 27,88) 1,49 (0,85; 2,61) 1,10 (0,45; 2,67)
Não 156 (46,02) 15,38 (10,50; 21,98) 1,00 1,00
Renda familiar
Até 5 salários-mínimos 229 (67,55) 18,78 (14,21; 24,40) 1,04 (0,58; 1,87) 1,58 (0,78; 3,20)
> 5 salários-mínimos 110 (32,45) 18,18 (12,00; 26,59) 1,00 1,00
Está trabalhando presencialmente como fisioterapeuta
Não 121 (35,69) 23,14 (16,44; 31,55) 1,57 (0,90; 2,75) 1,89 (0,97; 3,67)
Sim 218 (64,31) 16,06 (11,73; 21,58) 1,00 1,00
Prática adequadamente as medidas de distanciamento social
Não 44 (12,98) 25,00 (14,29; 39,99) 1,56 (0,74; 3,28) 1,19 (0,50; 2,80)
Sim 295 (87,02) 17,63 (13,67; 22,43) 1,00 1,00
Teve diagnóstico confirmado de COVID-19
Não 315 (92,92) 17,78 (13,92; 22,42) 1,00 1,00
Sim 24 (7,08) 29,17 (14,31; 50,38) 1,90 (0,75; 4,81) 1,75 (0,57; 5,36)
Trabalho doméstico
Nada/um pouco/moderadamente 257 (75,81) 13,62 (9,92; 18,41) 1,00 1,00
Muito/extremamente 82 (24,19) 34,15 (24,64; 45,12) 3,29 (1,84; 5,87) 2,76 (1,40; 5,46)
Cuidados com os filhos
Nada/um pouco/moderadamente 287 (84,66) 18,12 (14,06; 23,03) 1,00 1,00
Muito/extremamente 52 (15,34) 21,15 (12,02; 34,50) 1,21 (0,58; 2,52) 0,53 (0,19; 1,52)
Relação com o (a) companheiro (a)
Nada/um pouco/moderadamente 285 (84,07) 14,74 (11,06; 19,37) 1,00 1,00
Muito/extremamente 54 (15,93) 38,89 (26,77; 52,55) 3,68 (1,95; 6,97) 4,06 (1,79; 9,21)
Excesso de trabalho profissional
Nada/um pouco/moderadamente 225 (66,37) 16,00 (11,75; 21,42) 1,00 1,00
Muito/extremamente 114 (33,63) 23,68 (16,72; 32,41) 1,63 (0,93; 2,85) 1,32 (0,69; 2,55)
Preocupações com questões financeiras
Nada/um pouco/moderadamente 165 (48,67) 11,52 (7,44; 17,39) 1,00 1,00
Muito/extremamente 174 (51,33) 25,29 (19,35; 32,32) 2,60 (1,45; 4,68) 2,24 (1,15; 4,35)
Preocupação em ser infectado
Nada/um pouco/moderadamente 129 (38,05) 11,63 (7,11; 18,46) 1,00 1,00
Muito/extremamente 210 (61,95) 22,86 (17,65; 29,06) 2,25 (1,20; 4,22) 1,06 (0,47; 2,38)
Preocupação com pessoas próximas ou familiares serem infectados
Nada/um pouco/moderadamente 58 (17,11) 6,90 (2,58; 17,16) 1,00 1,00
Muito/extremamente 281 (82,89) 21,00 (16,61; 26,18) 3,59 (1,25; 10,31) 1,73 (0,48; 6,19)
Restrições do lazer/interações sociais
Nada/um pouco/moderadamente 125 (36,87) 12,00 (7,34; 19,02) 1,00 1,00
Muito/extremamente 214 (63,13) 22,43 (17,31; 28,54) 2,12 (1,13; 3,97) 1,42 (0,68; 2,96)
Solidão
Nada/um pouco/moderadamente 246 (72,57) 14,23 (10,37; 19,20) 1,00 1,00
Muito/extremamente 93 (27,43) 30,11 (21,60; 40,25) 2,60 (1,47; 4,59) 1,40 (0,71; 2,76)

OR- odds ratio; IC= intervalo de confiança; COVID-19 = coronavirus disease 2019.

Participantes que relataram ter muita ou extrema preocupação com os afazeres domésticos (OR = 2,76; IC 95%: 1,40; 5,46), com o relacionamento com o companheiro (OR = 4,06; IC 95%: 1,79; 9,21) e com questões financeiras (OR = 2,24; IC 95%: 1,15; 4,35) tinham maior probabilidade de relatar altos níveis de estresse percebido (tabela 1).

DISCUSSÃO

Após a análise multivariada, os elevados níveis de stress percebido dos FTs permaneceram associados às seguintes exigências psicossociais: sentir preocupação elevada ou extrema com o trabalho doméstico, preocupação elevada ou extrema com a relação com o parceiro e preocupação elevada ou extrema com questões financeiras. Fatores sociodemográficos e clínicos não foram associados a altos níveis de estresse percebido entre essas FTs brasileiras durante a pandemia.

Alguns fatores sociodemográficos incluídos no presente estudo (como idade1,2,16, estado civil1,16 e renda familiar2) foram previamente associados ao estresse em profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19, o que difere dos nossos resultados. Contudo, nenhum desses estudos analisou a associação dessas variáveis especificamente com níveis elevados de percepção de estresse, definidos como escores iguais ou superiores ao percentil 80 do PSS-1023. Até onde sabemos, este é o primeiro estudo sobre os fatores associados a níveis elevados de estresse percebido em FTs do sexo feminino durante a pandemia, o que é relevante uma vez que pontuações iguais ou superiores ao percentil 80 do PSS-10, têm sido consideradas indicadores significativos de patologia23.

Os efeitos de elementos biológicos, fisiológicos e socioculturais sobre a prevalência do estresse em mulheres são discutidos desde antes da pandemia25,26. As três demandas psicossociais associadas aos elevados níveis de estresse percebidos no presente estudo parecem estar relacionadas aos elementos socioculturais que compõem o gênero e podem ser determinantes no processo saúde-doença, embora por vezes ignoradas pelas pesquisas biomédicas27. Os diferentes papéis sociais atribuídos a homens e mulheres pode explicar diferenças nos impactos da pandemia entre os sexos8,27-28.

Um estudo multinacional, incluindo dados dos Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Brasil e Espanha, evidenciou que durante a pandemia de COVID-19, as mulheres dedicaram mais tempo a tarefas como tarefas domésticas e cuidados infantis do que os homens29. Esses desafios para as trabalhadoras também foram relatados em outros países30-31. Embora não tenha sido investigada especificamente em mulheres trabalhadoras de saúde a associação entre tarefas domésticas e estresse, foi relatado que a produtividade científica das acadêmicas tem sido desproporcionalmente afetada devido a desafios crescentes como responsabilidades familiares, trabalho doméstico, cuidado infantil, entre outros, durante a pandemia31. Além disso, o estudo multinacional acima mencionado mostrou que as mulheres relataram menor felicidade, na medida em que dedicavam mais tempo às tarefas domésticas31. As disparidades no uso do tempo por gênero durante a pandemia podem explicar a associação entre a preocupação extrema com o trabalho doméstico e o alto nível de stress percebido observada no presente estudo.

O estado civil não previu os elevados níveis de estresse percebido neste estudo, o que corrobora estudo realizado com enfermeiros na Arábia Saudita32, mas diverge de estudos realizados com médicos1 e FTs16, nos quais indivíduos casados relataram menores níveis de estresse percebido do que não casados16,32. No entanto, no presente estudo, os participantes que relataram um nível elevado ou extremo de preocupação sobre a sua relação com o seu parceiro eram mais propensos a relatar um elevado nível de stress percebido. Embora não tenhamos encontrado nenhum estudo analisando essa demanda psicossocial entre profissionais de saúde, um estudo austríaco com a população em geral mostrou que o confinamento foi um desafio, especialmente para casais com relacionamentos ruins. Nesse estudo, o relacionamento por si só não foi um fator de risco ou um fator de proteção para a saúde mental durante a COVID-19. No entanto, a qualidade do relacionamento foi. Um relacionamento ruim foi um fator de risco, enquanto um bom relacionamento foi um fator de proteção, comparado a nenhum relacionamento33. Inclusive, ocorreu um aumento do stress familiar e da violência doméstica durante a pandemia da COVID-1934.

Neste estudo, uma preocupação elevada e extrema com questões financeiras foi associada a um maior estresse percebido. Gausman & Langer8 relataram que as incertezas financeiras podem ter o efeito de aumentar o sofrimento psicológico das mulheres. Além disso, as desigualdades econômicas vivenciadas pelas mulheres no mercado de trabalho têm sido apontadas como um dos fatores de sobrecarga psicológica e de aumento da predisposição ao desenvolvimento de sintomas depressivos, ansiedade e estresse33,35. Segundo Barbosa, Costa e Heckscher36, no Brasil, as mulheres, em comparação aos homens, tiveram maior deterioração nas condições de trabalho, com perda de ocupação, devido à pandemia da COVID-19. Estes factos devem ser considerados na formulação de políticas públicas para minimizar o impacto econômico desta pandemia.

Os resultados destacam a importância de estudar as diferenças de gênero ao avaliar os efeitos da pandemia de COVID-19 na saúde mental. Além disso, os resultados mostram a necessidade de adoção de medidas para enfrentar o sofrimento mental dos profissionais de saúde durante a pandemia e políticas públicas que minimizem o impacto das desigualdades de gênero e profissionais historicamente presentes em diversos países.

Este estudo teve três limitações principais. A primeira limitação foi a amostra de conveniência, o que impossibilita a generalização dos resultados. A segunda limitação foi o desenho transversal, que limita os resultados a um único momento; portanto, não mostra a dinâmica das mudanças no nível de estresse percebido durante a pandemia. Por fim, a terceira limitação foi a avaliação do estresse por meio de um questionário de autorrelato, que é menos confiável do que uma avaliação profissional, muito embora o questionário PSS-10 seja uma ferramenta validada e amplamente utilizada para triagem de estresse.

CONCLUSÃO

Nesta amostra de fisioterapeutas brasileiras, durante a pandemia de COVID-19, as demandas psicossociais associadas a altos níveis de estresse percebido foram alta ou extrema preocupação com o trabalho doméstico, ou com o relacionamento com o parceiro, ou com questões financeiras. Os fatores sociodemográficos e clínicos não estiveram associados a níveis elevados de percepção de estresse nesta população.

Agradecimentos

Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 15ª Região (CREFITO-15).

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Financiamento: Esta pesquisa não recebeu nenhum subsídio específico de agências de financiamento dos setores público, comercial ou sem fins lucrativos.

Recebido: Maio de 2023; Aceito: Dezembro de 2023; Publicado: Abril de 2024

Autor correspondente: flavia.paro@ufes.br

Conflitos de Interesse:

Os autores não têm conflitos de interesse.

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